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segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Black Sabbath featuring Tony Iommi - Seventh Star [1986]


O período do Black Sabbath que antecede e sucede o lançamento desse álbum é enigmático. Tudo começou com a saída de Ian Gillan, que assumiu os vocais da banda em "Born Again", para retornar ao Deep Purple, reunido. O baterista Bev Bevan caiu fora também, dando lugar a um breve retorno de Bill Ward. Para o posto de vocalista, vários foram testados, como Ron Keel e David Donato, mas nenhum vingou e o baixista Geezer Butler acabou por abandonar o barco também. Tony Iommi, então, congelou o Sabbath para trabalhar em um disco solo com o tecladista Geoff Nicholls.

A intenção de "Seventh Star" não era apenas ser um álbum solo de Iommi, como também pretendia trazer vários vocalistas convidados, como Rob Halford, Glenn Hughes e o ex-colega Ronnie James Dio. Mas por praticidade, Hughes assumiu todos os vocais. Para completar a line-up, o baterista Eric Singer e o baixista Gordon Copley foram emprestados pela namorada do guitarrista na época, Lita Ford, já que pertenciam à sua banda de apoio. Copley não durou, no entanto, e foi logo substituído por Dave Spitz.

O quinteto foi responsável pela gravação do registro, que foi finalizado ainda em 1985. Devido a pressão da gravadora e principalmente do empresário Don Arden (também pai de Sharon Osbourne), Iommi comprou os direitos do Black Sabbath e teve que lançar o disco com o nome do grupo. Por fim, saiu como Black Sabbath featuring Tony Iommi.

Da esquerda pra direita: Dave Spitz, Glenn Hughes,
Tony Iommi, Eric Singer, Geoff Nicholls

"Seventh Star" divide opiniões em vários aspectos. Alguns fãs mais conservadores sequer consideram o play como parte da discografia do Sabbath, tanto pela sonoridade, quanto pela própria intenção de ser um trabalho solo. Mas faz parte do catálogo da banda, e há de se salientar, ainda, que é um dos melhores trabalhos desse catálogo.

Essencialmente, o álbum tem pouco a ver com os discos clássicos anteriores. Tony Iommi faz uma verdadeira salada mista que gira entre o Hard Rock setentista ("Danger Zone") e oitentista ("No Stranger To Love"), o Heavy Metal ("Turn To Stone", "In For The Kill") e o gênero que sempre afirmou ser seu predileto: o Blues ("Heart Like A Wheel"). Mas há uniformidade nas composições e realmente tudo soa com sentido. Fora que Iommi tem um senso melódico absurdamente apurado, e é notável não só nas composições, mas também em seus riffs e principalmente solos.

A line-up que acompanha o homem é extremamente competente. Eric Singer faz bonito com as baquetas, provando porque se consagrou com vários nomes de peso em um futuro não muito distante. Glenn Hughes não assumiu o baixo, como costumou fazer em quase toda a sua carreira, mas fez um de seus melhores registros vocais de toda a sua extensa discografia. Transbordou sentimento e técnica invejáveis nas cordas vocais. Geoff Nicholls, primeira vez creditado como integrante oficial do Sabbath, teve maior destaque em seus teclados e colaborou em várias composições. Dave Spitz cumpre bem seu trabalho como baixista, sem muito destaque.



"Seventh Star" só tem dois defeitos: curta duração (35 minutos) e não ter segurado os músicos para outros trabalhos, principalmente Hughes, que durou poucos shows por passar por um momento complicado em sua carreira e não conseguir ter uma boa performance ao vivo, tendo em vista o uso de drogas e uma posterior briga com um road manager, que lhe deu um nariz quebrado e resultou em sua demissão, sendo substituído por Ray Gillen - outro baita vocalista que não durou muito no conjunto.

No mais, não há destaques particulares. Trata-se de um disco exemplar e perfeito do início ao fim. Mas deve ser apreciado e entendido da forma correta para se chegar a tal conclusão.

Saiba mais sobre os vocalistas misteriosos do Black Sabbath clicando AQUI.



01. In For The Kill
02. No Stranger To Love
03. Turn To Stone
04. Sphinx (The Guardian)
05. Seventh Star
06. Danger Zone
07. Heart Like A Wheel
08. Angry Heart
09. In Memory...

Glenn Hughes - vocal
Tony Iommi - guitarra
Dave Spitz - baixo
Eric Singer - bateria
Geoff Nicholls - teclados

Músico adicional:
Gordon Copley - baixo em 2

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by Silver

domingo, 30 de janeiro de 2011

Lynch Mob - Wicked Sensation [1990]


Após vários sucessos, o Dokken se separou, em decorrência, principalmente, das diferenças musicais e pessoais entre o vocalista Don Dokken e o guitarrista George Lynch. Em 1989, todos estavam sem banda e pensando em seus próprios projetos. Enquanto que Don começou uma carreira solo e o baixista Jeff Pilson participou de inúmeros projetos (incluindo discos tocados no McAuley Schenker Group e na banda de Dio), o guitarrista, em adição do batera "Wild" Mick Brown, formou o Lynch Mob. Para completar a formação, os convites foram dados ao vocalista Oni Logan e ao baixista Anthony Esposito. Dessa proposta, saiu um dos clássicos "cult" mais adorados do Hair Metal.

A estreia do conjunto, "Wicked Sensation", chegou às prateleiras em 1990, através da mesma gravadora da ex-banda: a grande Elektra Records. Metade do Dokken, por sinal, está aqui, portanto não há como separar a essência dos músicos. Mas trata-se de um trabalho que, apesar de ser bem Hard, não se assemelha muito à sonoridade anteriormente praticada por George e Mick.


"Wicked Sensation" traz mais peso e maturidade nas composições, se livrando de alguns clichês Pop que, de vez em quando, se associavam à antiga banda desses caras. Não se trata de Hair Metal farofeiro, mas de uma fusão perfeita entre Hard Rock e Heavy Metal, misturando porrada com acessibilidade de uma forma incrível.

Os até então desconhecidos Oni Logan e Anthony Esposito não fazem nem um pouco feio, principalmente Logan, que se mostrou um baita vocalista e um frontman de atitude. Mick Brown manda muito bem, como sempre, e ainda recebe uma atenção especial da produção em sua bateria. O diferenciadíssimo George Lynch está com o purgante em todo o play: destila riffs esplendorosos e solos realmente incríveis com miutíssima inspiração.



Infelizmente, a repercussão do trabalho não foi muito calorosa, devido à falta de apoio da gravadora e da mídia. Não foi criticado, mas não foi divulgado como deveria. Apesar de tudo, conseguiu um disco de ouro nos Estados Unidos. Outros problemas foram ocorrendo durante a primeira turnê do grupo, e ao fim das datas a serem cumpridas, Logan foi demitido por conta de seu estilo de vida repleto de abusos - o que não deixou até hoje, diga-se de passagem.

Mas "Wicked Sensation" é um dos mais coesos trabalhos do gênero lançados nessa época, onde as bandas de Hair Metal eram praticamente fabricadas. Merece atenção redobrada do ouvinte. Os destaques ficam para os singles de "River Of Love" e da faixa-título, que conquistaram boas posições em paradas especializadas em Rock; para a impactante "She's Evil But She's Mine" e para a meio-bluesy "All I Want".



01. Wicked Sensation
02. River Of Love
03. Sweet Sister Mercy
04. All I Want
05. Hell Child
06. She's Evil But She's Mine
07. Dance Of The Dogs
08. Rain
09. No Bed Of Roses
10. Through These Eyes
11. For A Million Years
12. Street Fightin' Man

Oni Logan - vocal, gaita
George Lynch - guitarra
Anthony Esposito - baixo, backing vocals
Mick Brown - bateria, percussão, backing vocals

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by Silver

First Signal - First Signal [2010]


Com o fim do Harem Scarem, muitos imaginavam que os últimos traços de Hard/Melodic Rock existentes em Harry Hess seriam definitivamente extintos. Afinal de contas, os últimos discos da banda se distanciavam bastante da sonoridade que os consagrou na cena, deixando muitos fãs decepcionados. Eis que o antigo vocalista do grupo ressurge com o First Signal, mais um projeto com a marca registrada da Frontiers Records. E o resultado é melhor que o esperado. O debut auto-intitulado funciona como uma volta no tempo. Poderia ter se encaixado tranquilamente na discografia da antiga banda do cantor, especialmente lá nos primórdios.

Para ajudá-lo foi convocado ninguém menos que o ‘encara-todas’ Dennis Ward, que além de compor e produzir, tocou baixo e guitarra. Até um ex-companheiro de Harry compareceu, o grande Darren Smith, que fez aqueles backing vocals característicos, encaixando-se com perfeição. As composições, então, foram assinadas por gente como Tom e James Martin (Khymera, Sunstorm, House of Lords), Erik Martensson (W.E.T., Eclipse), Ronny Milianowicz (Saint Deamon), Robert Sall (W.E.T., Work of Art) e Mark Baker (Signal, House of Lords). Com um timaço desses, já dá para se tirar uma idéia do conteúdo.

Desde a abertura com “This City”, faixa escolhida para o videclipe de divulgação, fica clara a proposta. É um Rock com pegada Hard e melodia marcante, daquelas que ficam na cabeça logo depois de ouvir. A seguinte, “When You Believe”, traz teclados ditando o ritmo, enquanto “Part of Me” começa em um clima quase intimista e explode em uma belíssima música. “Crazy” é a quarta canção, assim como “Honestly” estava nessa posição na estréia do Harem Scarem. Coincidência ou não, ambas começam com um belo piano e trazem uma sensação de melancolia digna de várias dores de cotovelo. Uma batida quase dançante dá início a “Goodbye to the Good Times”, um estilo mais europeu em comparação ao background da grande estrela da empreitada.



A música que dá título à banda é um daqueles ‘crimes perfeitos’ do Hard Rock. Execução perfeita, melodia que emociona. Uma balada menos trágica e mais romântica que a anterior aparece em “Feels Like Love This Time”. Em outras épocas, se tornaria hit instantâneo, de tocar em rádio e tudo mais. O AOR dá as caras em “Into the Night”, lembrando outros projetos da Frontiers – até porque os compositores já citados fizeram muito em todos. “When November Falls” poderia ter sido usada em algum dos trabalhos mais recentes do Harem Scarem, com seu estilo mais introspectivo. Aliás, é até melhor que muita coisa que eles fizeram nesses discos.

Um riff simples e bacana abre “Yesterday’s Rain”, mais um daqueles Melodic Rock que é deixar rolar e abrir o sorriso, especialmente no refrão matador. Para encerrar, “Naked Desire”, a mais pesada de todas, com um clima denso e um verdadeiro espetáculo nos backing vocals – como já era de se esperar mesmo. Esse é o disco que os fãs de Harry Hess esperaram por muito tempo. O vocalista continua cantando demais e teve como apoio uma banda competentíssima, dando um toque especial. Candidato a figurar entre os preferidos de 2010 entre os adeptos.

Harry Hess (vocals)
Dennis Ward (bass, guitars)
Chris Schmidt (drums)
Michael Klein (guitars)
Eric Ragno (keyboards)
Darren Smith (background vocals)

01. This City
02. When You Believe
03. Part Of Me
04. Crazy
05. Goodbye To The Good Times
06. First Signal
07. Feels Like Love This Time
08. Into The Night
09. When November Falls
10. Yesterday’s Rain
11. Naked Desire

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JAY

sábado, 29 de janeiro de 2011

GPS - Window to the Soul [2006]


Quando Geoff Downes cometeu a "delicadeza" de decretar a paralisação do Asia no ano de 2005, em pleno processo de composição avançado, para convocar a formação antiga e comemorar os 25 anos do grupo, toda a cena AOR ficou estarrecida, pois esperavam ansiosamente o disco que estava sendo composto e já havia sido anunciado até o título. O que as pessoas não esperavam era o que iria se originar dessa dissolução.

Enquanto o Asia clássico se reunia naquela vibe de músicos que tocaram juntos há 20 anos, não se suportam, mas se reúnem pra poderem pagar os geriatras e as pensões das crianças, os outros músicos dispensados elevavam as idéias do que vinha sendo trabalhado no Asia sob outra perspectiva. Uma ambição determinada levou os três ex-membros (Govan, Payne e Schellen) a criar um grupo expandindo ao máximo o conceito do Asia.

Essa idéia acarretou na mistura das melodias sofisticadas e aprazíveis do AOR a arranjos tipicamente progressivos, resultando em algo singular. Pra quem conhece o Asia, diria que Window to the Soul é a mistura daquele clima de beleza e amargura dos discos Aura e Silent Nation intercalada por explosivas demonstrações de musicalidade e intensas viagens instrumentais. Tanto que, se as estruturas das músicas fossem redefinidas para algo mais simplista, isso aqui seria um disco de AOR.


Logo na faixa-título que abre o disco somos surpreendidos pela potência vocal de John Payne, que impressiona por estar em constante evolução desde que surgiu na cena no final dos anos 80. E outro momento matador é a parte do solo; 3 minutos (duração dos solos em metade das músicas) de piração indo do Heavy Metal com pedal duplo comendo solto até quebradeiras Prog. Cortesias dos doentios Guthrie Govan e o tecladista japa Ryo Okumoto - que entrou de última hora na banda e fica difícil de acreditar, pois não dá pra imaginar as músicas sem suas partes.

A emotividade muito forte tendendo para o lado triste somada as vocalizações arrastadas dita o tom de todas as músicas. Mas a genialidade que acompanha os músicos envolvidos culminam em idéias primorosas que torna tudo muito ameno. Guthrie Govan, um dos melhores guitarristas da atualidade e que era extremamente limitado no Asia, aqui demonstra todo seu potencial; Ryo Okomuto faz alguns dos melhores solos voltados ao Rock Progressivo que já ouvi e se utiliza dos mais variados recursos de teclas - piano, hammond, mellotron, etc; também digo sem medo de errar que esse é o trabalho que Jay Schellen mais arrebenta; e John Payne como vocalista está mais dramático, e suas linhas de baixo revelam um músico extraordinário.



Francamente, não imaginava poder escutar músicas como "New Jerusalem" e "Written on the Wind" no momento atual da música. Por mais que sejam feitos muitos trabalhos bons atualmente, essas músicas remetem à genialidade dos anos 70. Absolutamente tudo feito à perfeição e com concessões experimentais que passam longe de algo nonsense. E só de pensar que "Written on the Wind" foi escrita pro Asia e se saísse por esse grupo, sem dúvidas, seria mutilada pela metade. Assim como outras que foram reaproveitadas do Asia para este trabalho. Não me prolongarei mais quanto à qualidade individual das músicas, apenas digo que, pelos motivos já citados, Window to the Soul é um dos melhores discos dos anos 2000 e o projeto GPS é o que há de mais original provindo do AOR - junto com os primeiros trabalhos solos de Bob Catley.

Geoff Downes deu um pé na bunda, mas o próprio foi quem sentiu a dor. Ou seja, Sr. Downes fez um grande favor ao dispensar estes músicos que puderam ter a liberdade necessária para trabalhar suas composições sem qualquer exigência de mercado. E que fique claro que essas características do grupo não determinam superioridade, apenas um ponto de vista, até porque, pra mim, este disco não supera o Aqua do Asia, mas coloca o restante da discografia dessa banda no bolso. Comercial? Óbvio que sim. Para as massas? Claro que não.

01-Window to the Soul
02-New Jerusalem
03-Heaven Can Wait
04-Written on the Wind
05-I Believe in Yesterday
06-The Objector
07-All My Life
08-Gold
09-Since You've Been Gone
10-Taken Dreams

John Payne - vocal/bass
Guthrie Govan - guitar
Jay Schellen - drums
Ryo Okumoto - keyboards

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Dragztripztar

The Hellacopters - Supershitty to the Max! [1996]


A Suécia sempre foi país de origem de grandes bandas, principalmente de hard rock. O Hellacopters faz jus à regra: é um dos melhores e mais distintos grupos surgidos nos anos 90.

Formado em 1994 como projeto paralelo de Nickie Andersson e Dregen Svensson, membros, respectivamente, das bandas Entombed (uma das pioneiras do Death 'n' Roll) e Backyard Babies, o Hellacopters faz um rock 'n' roll cru, bêbado e insano. Andamentos rápidos, guitarras sujas, timbres vintages, vocais despreocupados e principalmente uma poderosa energia é o que caracteriza o som, que é claramente inspirado na (e produzido no meio da) putaria. As influências são claras: hard setentista, rock garageiro da década de 60 (principalmente o MC5) e, em alguns momentos, stoner (como fica claro na "Tab" deste disco). Os caras ainda são considerados headliners do garage rock revival. No fim das contas, é um hard rápido, sujo e sem frescuras.

Supershitty to the Max!, lançado em 96, foi um sucesso de público e crítica na Suécia, emplacando até um Grammy no país. Mundo afora, o disco gravado em pouco mais de 24 horas consagrou o Hellacopters como uma banda bastante influente. Ganhou espaço até para abrir para o Kiss em sua passagem pela Escandinávia em junho de 97.



Passei algum tempo tentando fazer destaques, mas isso é impossível nesse disco. O debut da banda sueca é incrível do começo ao fim, mantendo a qualidade elevada durante 40 minutos do mais insano e inconsequente rock 'n' roll.

Depois de Supershitty to the Max!, o Hellacopters lançou mais um álbum com a formação original, até que Dregen saiu para continuar em tempo integral no Backyard Babies. Nos lançamentos seguintes, a banda "limpou" seu som, que passou a ser menos instantâneo e mais bem trabalhado, mas mantendo a essência rocker. Em 2003, dividiu palcos brasileiros com Sepultura e Deep Purple no festival Kaiser Music. Em 2008, o grupo anunciou o fim de suas atividades. Mas seus 14 anos de existência foram suficientes para provar que o Hellacopters é uma das melhores bandas surgidas nos anos 90. Não deixe de conferir!

01. (Gotta Get Some Action) NOW!
02. 24h Hell
03. Fire, Fire, Fire
04. Born Broke
05. Bore Me
06. Its Too Late
07. Tab
08. How Could I Care
09. Didn't Stop Us
10. Random Riot
11. Fake Baby
12. Ain't No Time
13. Such A Blast
14. Spook In My Rocket

Nicke Andersson - guitarra, vocais
Andreas "Dregen" Svensson - guitarra, vocais em 08
Kenny Hakansson - baixo, vocais de apoio
Matz Robert Eriksson - bateria, vocais em 12

Músicos adicionais:
Peder Criss - gaita
Hans Ostlund - guitarra em 11
Nick Vahlberg - vocais em 07

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Impossível encontrar fotos do grupo como quarteto (antes da entrada do tecladista Anders Lindström em 1997)

Tesla - RePlugged Live [2001]


Após quatro álbuns de estúdio, um ao vivo desplugado e 14 milhões de discos vendidos mundo afora, o Tesla deu uma parada forçada em suas atividades. Além do mercado nada propício ao estilo que praticavam no meio da década de 1990, problemas de ordem pessoal atingiram o grupo. A figura central da crise foi o guitarrista Tommy Skeoch, que precisou ser internado – mais de uma vez – em clínicas para combater o vício de drogas – situação que o persegue até hoje, fora da banda definitivamente. Enquanto aguardavam o retorno do companheiro, os outros integrantes se envolveram em projetos paralelos, como o Bar 7 e o Soulmotor. Mas uma reunião nunca foi descartada.

Ela veio a acontecer no ano 2000, após memorável show na cidade de Sacramento, Califórnia, terra natal do quinteto. Na seqüência, foi realizada uma tour pelos Estados Unidos, executando apenas os velhos sucessos. Foi uma forma de testar o terreno, além de avaliar se a química ao vivo ainda existia. A repercussão foi tão positiva que acabaram tendo a idéia de lançar outro ao vivo, o primeiro a contar com as guitarras elétricas. E o resultado não poderia ter sido melhor, já que RePlugged Live capta toda a energia do conjunto nos palcos. Não foi registrado apenas um show, mas vários de toda a excursão, o que possibilitou que as melhores performances fossem escolhidas.


Quem já está familiarizado com o Tesla, sabe que o som da banda conta com diferenças substanciais em relação à maioria de seus parceiros da cena oitentista. A influência de Classic Rock ganha muita força no Hard do grupo, inspirado por bandas como Rolling Stones, Bad Company, James Gang, The Guess Who e afins – todos devidamente homenageados no excelente Reel to Reel, lançado em 2007. Isso torna o produto final atrativo não apenas para os admiradores dos sons da época, mas para qualquer fã de um Rock feito com garra e qualidade. Até os lábios de Jeff Keith são no melhor estilo Mick Jagger e Steven Tyler, como se fosse um selo atestando a categoria superior (risos).

O repertório conta com 20 faixas dignas de registro, tornando difícil o trabalho de apontar destaques. Pedradas como a abertura frenética em “Cumin’ Atcha Live”, “Ez Come, Ez Go”, “Hang Tough” e “Call It What You Want” (essa última com um segundo refrão cuja letra poderia ser o lema da Combe) empolgam. Da mesma forma, podemos imaginar a platéia de braços para cima e isqueiros acesos nas magníficas “What U Give” e “Love Song”. Ou seja, um espetáculo de Rock and Roll em sua mais pura definição.

Jeff Keith (vocals)
Frank Hannon (guitars)
Tommy Skeoch (guitars)
Brian Wheat (bass)
Troy Lucketta (drums)

CD 1

01. Cumin' Atcha Live
02. EZ Come EZ Go
03. Hang Tough
04. Gettin' Better
05. The Way It Is
06. Song and Emotion
07. Changes
08. Call It What You Want
09. Lazy Days, Crazy Nights
10. We're No Good Together

CD 2

01. Heaven's Trail (No Way Out)
02. Mama's Fool
03. Freedom Slaves
04. Signs
05. Little Suzi
06. What U Give
07. Summer's Day
08. Love Song
09. Edison's Medicine
10. Modern Day Cowboy

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JAY

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Van Halen - OU812 [1988]


Ao ver meus posts sobre o Van Halen, é fácil perceber que amo a fase David Lee Roth. Apesar disso, não ignoro nada feito com o Sammy Hagar, ao contrário de muitos fãs xiitas do grupo, que ao gostar de uma fase, ignoram a outra. São realmente duas bandas distintas, mas o talento de todo o grupo está sempre presente, e seria ignorância dizer que Hagar não é um grande vocalista. E mesmo que o clima cativante de festa não esteja presente e a temática seja mais séria, ainda temos canções maravilhosas nessa fase.

E um dos meus prediletos é o segundo com Hagar nos vocais, o diferente OU812. E esse só não é considerado um dos piores discos do Van Halen por alguns, pois acham que o Van Halen III é pior. E isso se dá com muitos devido ao aparecimento de sintetizadores como um instrumento de apoio, e que dá cara em algumas das canções do disco, que acabou por irritar alguns fãs do grupo, principalmente as viúvas de Roth. Mas isso não impediu o sucesso do disco, que alcançou o primeiro lugar na parada da Billboard, onde ficou por um mês até ser o clássico "Hysteria" aparecer.

Reparem na cara marota do Alex encerrando esse "trenzinho"! TENSO!

Apesar do uso de sintetizadores, ainda temos os hards agitados que sempre foram marcas registradas do grupo. Um ótimo exemplo disso é a animadíssima "A.F.U. (Naturally Wired)", que em sua letra narra os sentimentos do grupo quando em turnês, em um baita de um hard energético, como o Van Halen sempre soube fazer muito bem. Outra canção matadora é a vigorosa "Source of Infection", onde Eddie incendeia tudo com sua já conhecida técnica, e manda bala em um riff arrasador, como já era de esperar dele.

E ainda temos muitas canções com essa mesma pegada, como em "Sucker In A 3 Piece" e em "Cabo Wabo", com sua pegada zeppeliana, em que a banda exalta seu amor pela cidade mexicana Cabo San Lucas, em que posteriormente abririam a "Cabo Wabo Cantina" e que depois foi adquirida em sua totalidade por Hagar. "Mine All Mine" é a primeira incursão desse disco nos sintetizadores, em que eles estão bem presentes, em uma música frenética e com o astral lá em cima.



"Feels So Good" é novamente comandada pelos sintetizadores, no melhor estilo anos 80. Fora o pequeno solo que a mesma contém, as guitarras de Eddie são desprezadas, mas nem por isso deixa de ser legal. Porém a melhor canção desse disco e para mim uma das melhores da carreira do grupo é a maravilhosa "When It's Love". Essa foi o maior sucesso inclusive deste, e alcançou o top 5 das paradas americanas, sem falar que é considerada uma das maiores power ballads de todos os tempos. Eddie Van Halen comanda os teclados de maneira ímpar, Hagar canta demais e a cozinha segura bem seu papel, gerando assim uma canção única e digna do sucesso obtido.

Um disco com o selo Van Halen de qualidade, que sabemos que até em seu pior momento conforme alguns, consegue ainda ser muito acima da média. E um dos meus prediletos, tanto que ainda tenho o vinil, o qual eu guardo com um imenso carinho. Então deixe de frescura, se você for daqueles que torcem o nariz para este, pois não sabe o que está perdendo!





1.Mine All Mine
2.When It's Love
3.A.F.U. (Naturally Wired)
4.Cabo Wabo
5.Source of Infection
6.Feels So Good
7.Finish What Ya Started
8.Black and Blue
9.Sucker in a 3 Piece
10.A Apolitical Blues

Sammy Hagar - Vocal, Guitarra Rítmica
Eddie Van Halen - Guitarra, Teclados, Backing Vocals
Michael Anthony - Baixo, Backing Vocals
Alex Van Halen - Bateria, Percussão


By Weschap Coverdale

Kiss - Sonic Boom [2009]


Conheço o Kiss desde que conheço Rock, ou até antes, mas conheci mesmo quando me tornei fã de Rock, no começo da década de 2000. Desde 2005 é minha banda predileta, e não sei dizer o porquê. A música fascina, os atrativos "circenses" fascinam, a postura dos frontmen perante a mídia fascina, a visão de mercado fascina, a história de vida dos principais integrantes fascina. Tudo no Kiss é capaz de deixar qualquer um com brilho nos olhos. Mas nunca havia vivido a experiência de aguardar e ouvir um trabalho recente dos caras, tendo em vista que o último de inéditas havia sido "Psycho Circus", de 1998, que é bom mas é conflituoso e está longe de ser um dos melhores. Isso me frustrava.

Em 2008, especulações acerca de um novo trabalho de inéditas do Kiss começaram. Os líderes Paul Stanley e Gene Simmons, decididos a não lançarem um disco novo, por conta da pirataria e do desestímulo das gravadoras, simplesmente mudaram de ideia. Ora, os caras são vira-casaca, vivem mudando de ideia. Mas dessa vez agradeci, e a puxação de saco começou. Gene declarou que viria uma mistura entre "Rock And Roll Over" e "Love Gun". Exagero. Mas todo o resto - "um álbum básico, roqueiro e dignamente setentista" - se confirmou.

"Sonic Boom" foi lançado oficialmente em 6 de outubro de 2009 nos Estados Unidos e um dia antes na Europa. Antes disso já estava na segunda encarnação da Combe do Iommi. Muitos devem se lembrar que fizemos uma capa alternativa e um título diferente. Pouco tempo depois o blog foi apagado pela segunda vez. Mas isso não interessava e ainda não interessa: é Kiss! Espero que não seja deletado de novo (risos), até porque o êxtase que tomou conta dos meus pensamentos é inexplicável, pois a banda anunciou que um novo álbum está chegando. Esse álbum deveria ser postado novamente, e cá estou fazendo o trabalho.


"Modern Day Delilah" abre o álbum. Que música, que riff, que levada, que voz, que solo. Não era uma mistura entre os dois álbuns citados, e sim uma mistura do que havia de melhor na carreira do Kiss - incluindo petardos como "Creatures Of The Night" e "Revenge". "Russian Roulette" chega imponente em seguida, com um instrumental forte e ótimas letra e performance vocal de Gene Simmons. Já se nota um diferencial em relação ao fatídico "Psycho Circus" - backing vocals. Sim, fazem a diferença.

"Never Enough" é a terceira faixa, foi o terceiro single a ser lançado e tem quase 3:30 de duração. Numerologias à parte, é um musicão. Hard de primeira, grudento, com uma baita execução vocal de Paul Stanley. "Yes I Know (Nobody's Perfect)" não dá tempo para respirar - Rockão básico, na medida, clássico de Simmons. "Stand" é a que menos gosto, mas ainda é um petardo. Na linha de "God Gave Rock N' Roll To You II", divide estrofes entre Gene e Paul e traz uma melodia mais grudenta. Ainda ótima por transbordar emoção e energia.

"Hot And Cold", canção reciclada de antigas demos, é uma paulada na cara. A bateria de Eric Singer faz a diferença. Sua presença até nos vocais faz diferença, vide a próxima "All For The Glory". Além do mais, o cara canta bem e recebeu uma composição excelente de Stanley como um presente (o oposto de "I Finally Found My Way", feita pelo Starchild para Peter Criss em "Psycho Circus").



"Danger Us" traz Paul cantando muito e ótimas guitarras - Tommy Thayer se destaca em todo o álbum, mas está endiabrado no finalzinho. "I'm An Animal", de Gene, é a mais pesada do play. Boa letra e ótimas guitarras. E por falar em guitarras, "When Lightning Strikes" vem a seguir e é cantada por Thayer, que tem um vozeirão bacana e se mostrou um bom compositor. "Say Yeah", segundo single, fecha essa maravilha com orgulho. Uma letra digna de encher os olhos de lágrimas e de se honrar o Rock n' Roll, que ainda não teve sua chama apagada.

A repercussão foi tão boa que, como relatado anteriormente, um novo lançamento virá ainda este ano. Novamente com a produção de Paul Stanley e provavelmente nos moldes de "Sonic Boom". E de fato, esses caras não podem nunca mais entrar em hiato de novo, pelo menos até morrerem. Sem mais delongas, o álbum da década - e tenho dito.



01. Modern Day Delilah
02. Russian Roulette
03. Never Enough
04. Yes I Know (Nobody's Perfect)
05. Stand
06. Hot And Cold
07. All For The Glory
08. Danger Us
09. I'm An Animal
10. When Lightning Strikes
11. Say Yeah

Paul Stanley - vocal em 1, 3, 5, 8 e 11; guitarra base; violão; backing vocals
Gene Simmons - vocal em 2, 4, 5, 6 e 9; baixo; backing vocals
Tommy Thayer - vocal em 10, guitarra solo, backing vocals
Eric Singer - vocal em 7, bateria, backing vocals

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by Silver

Richie Kotzen - Something To Say [1997]


A diversidade de estilos sempre foi uma característica do trabalho solo de Richie Kotzen. Também é interessante notar que alguns discos em particular se caracterizam por concentrar forças em um gênero determinado. É o caso de Something To Say, onde o multiinstrumentista relembrou suas influências de Rolling Stones e outros da mesma estirpe, investindo com força no Classic Rock, com direito a passagens de Hammond em abundância nas onze faixas. Some a isso algumas pitadas de Hard, pegada blueseira e a velha alma da Soul Music norte-americana de meio século atrás e temos mais uma receita infalível.

Referi-me a Richie como multiinstrumentista no parágrafo anterior. Pois nesse álbum ele canta, toca guitarra, baixo e piano, além de bateria em três músicas, deixando as outras para seu fiel escudeiro Atma Anur. E o momento como compositor também é de inspiração pura, como fica claro desde o começo, com a faixa-título e “What Makes a Man”, dois Rocks da melhor qualidade, perfeitos para ouvir em qualquer ocasião. Para dar uma acalmada no clima, a bonita “The Bitter End”. O grande sucesso do álbum foi “Rust”, que possui uma letra que descreve exatamente como todo homem já se sentiu ao menos umas vinte vezes durante a vida. Presença garantida nos shows até hoje.



A bela melodia de “Ready”, a balada jazzística “Aberdine” e a pegada roqueira de “Holy Man” também se destacam. Já “Camouflage” remete ao clássico Mother Head’s Family Reunion. “Turned Out” encerra o play com sua levada alegre. Mentes fechadas podem se decepcionar. Mas quem é fã de Richie e conhece um pouco que seja de seu trabalho, sabe que não pode esperar que ele viva batendo na mesma tecla em suas produções discográficas. Indicado para quem aprecia música feita com alma e coração, tendo técnica e talento sem virar uma exibição de virtuosismo gratuita. Característica na qual Mr. Kotzen é expert.

Richie Kotzen (vocals, guitars, bass, piano, drums on 7, 9 & 11)
Atma Anur (drums)
Kim Bullard (Hammond, mellotron)
Arian Schierbaun (Hammond)

01. Something To Say
02. What Makes A Man
03. The Bitter End
04. Faded
05. Let Me In
06. Rust
07. Ready
08. Aberdine
09. Holy Man
10. Camouflage
11. Turned Out

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JAY

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Billy Squier - Hear And Now [1989]



Um disco que não poderia deixar de compartilhar com vocês passageiros da Combe. É assim que defino esta pequena pérola que estou postando nesse momento. Apesar de muitos assim como eu conhecerem apenas a clássica "The Stroke", que é o maior sucesso da carreira de Billy Squier, digo que fui pego de surpresa assim que coloquei esse disco para rodar hoje na parte da manhã, na tranquilidade do meu lar. Um AOR bem feito, e alguns hards com uma pegada maravilhosa, daquela que a maioria que acompanha o blog certamente curte.

Billy Squier inicia sua carreira nos anos 70, onde primeiramente aparece na banda "Magic Terry & The Universe", que tinha em seu line-up Klaus Flouride, que ficaria conhecido ao integrar o Dead Kennedys. Mas ele deixa o grupo para formar o Piper, que era gerida pelos mesmos managers do Kiss, e que teve em sua formação durante algum período Bruce Kulick como guitarrista. Mas sua carreira só decolou quando ele entra em uma carreira solo e com seu segundo disco, produzido por Brian May e que tinha a já citada "The Stroke". Após mais três discos com grande sucesso, eis que ele entra em declínio e no final da década de 80, os discos "Enough is Enough” e “Hear & Now" alcançam apenas 300.000 cópias vendidas cada um.

Mas apesar da baixa vendagem, inspiração e qualidade é o que não faltam por aqui. Canções que grudam como chiclete, refrães memoráveis, baladas maravilhosas e um belo trabalho da banda que o acompanha nas gravações do disco nos entregam uma pepita com uma magia indescritível, e trazem momentos que lhe remeterão diretamente ao túnel do tempo, com aquela sensação de que você já ouviu isso antes. Sem falar nos músicos que o acompanharam nessa empreitada, como o grande baterista Anton Fig e a dupla Bobby Chouinard e John McCurry que na mesma época estavam também participando das gravações do memorável "Trash" do Alice Cooper.



"Rock Out/Punch Somebody" inicia o disco com um hardão cadenciado, com um belo trabalho de bateria de Chouinard, que lhe fará lembrar o que Eric Carr faz em "Love It Loud". "Stronger", com certeza arrancará suspiros de muitos aqui, com seu jeitão de filme "sessão da tarde". Um baita de um AOR gostoso de escutar e bem agradável, com uma melodia assoviável e pegajosa. "Don't Say You Love Me" foi o maior sucesso desse disco, e conseguiu um respeitável quarto lugar na Billboard's Mainstream Rock Tracks e evoca os hards com uma pegada sacana, que estavam em alta naquele momento. "(I Put A) Spell On You" é outro hard grudento, que pode muito bem colocar uma arena abaixo e mostra uma banda afiada.

As baladas desse disco são coisa de outro mundo e mantém a qualidade do mesmo lá em cima. A linda "Don't Let Me Go" é de extremo bom gosto e tem um baita potencial radiofônico, uma composição de excelente qualidade, em que Squier a interpreta de maneira estupenda, no que talvez seja seu melhor momento em todo esse registro. "Mine Tonite" também é estupenda, uma power ballad de encher os olhos. E "Your Love Is My Life" fecha esse disco com mais uma belíssima canção, e que poderia facilmente entrar em qualquer trilha sonora de novela feita por aqui no fim dos anos 80, cheia de emoção e feeling, com um coro no refrão que a deixa ainda mais bonita.

Um disco do qual não esperava nada, mas que no fim me deixou surpreso, pois realmente é excelente. Quem é chegado em um AOR bem feito, com certeza se impressionará em como não conhecia essa pequena pérola. Discasso!




1.Rock Out/Punch Somebody
2.Stronger
3.Don't Say You Love Me
4.Don't Let Me Go
5.Tied Up
6.(I Put a) Spell on You
7.G.O.D.
8.Mine Tonight
9.The Work Song
10.Your Love Is My Life

Billy Squier - Vocais, Guitarras, Violões

Jeff Golub, John McCurry - Guitarras
Mark Clarke - Baixo
Alan St. Jon - Teclados
Anton Fig, Bobby Chouinard - Bateria
Mark Willians - Saxofone
Eric Weisberg - Bandolim



By Weschap Coverdale

Motörhead - Another Perfect Day [1983]


O Motörhead lançou álbuns formadores de caráter entre o fim da década de 1970 e o início da década de 1980. E a grande maioria do êxito desse trabalho se deve à química do grupo: o vocalista, baixista e divindade Ian "Lemmy" Kilmister, o guitarrista "Fast" Eddie Clarke e o baterista Phil "Philthy Animal" Taylor. Mas na metade de 1982, Clarke decidiu abandonar o barco. Substitutos foram procurados ao longo do meio rocker mundial e o que mais agradou foi Brian "Robbo" Robertson, que fez parte da formação clássica do Thin Lizzy e trabalhava com o Wild Horses e em um projeto solo no momento. Robertson topou o convite e o trio, com sangue novo, entrou em estúdio para gravar o seu trabalho mais curioso e único.

"Another Perfect Day" se difere dos demais por adotar uma linha melódica mais apurada. Enquanto que, com Clarke, o som tendia para o Heavy Metal e para o Punk, com Robertson a coisa já se puxava para o Hard Rock. Nada farofeiro, diga-se de passagem. A guitarra se tornou um instrumento de maior ênfase, enquanto que o baixo e a bateria, apesar de ainda saltarem, perdiam um pouco de espaço. Bases mais trabalhadas e vários solos de guitarra foram inseridos ao estilo do Motörhead.

O produto final, todavia, é de se espantar. Trata-se de um álbum conciso e que ainda tem a essência roqueira que consagrou a trupe, com um quê melódico. Um casamento instável em aspectos pessoais, porém agradabilíssimo em termos musicais. Um pouco menos pesado, mas com ótimas sacadas e ainda pesado! Vale ser ressaltado que a produção, assinada por Tony Platt, veio a calhar: o cara soube captar a arriscada empreitada e a fez soar muito bem.

Da esquerda pra direita: Brian Robertson, Phil Taylor, Lemmy Kilmister

A recepção do álbum não foi ruim. Nas paradas britânicas, atingiu a 20ª posição, e nas norte-americanas, a 153ª - levando-se em consideração que o grupo nunca foi um sucesso nos Estados Unidos. Os singles de "I Got Mine" e "Shine" chegaram às colocações de número 46 e 59, respectivamente, no Reino Unido. As turnês atraíam público, passando pela Europa, América do Norte e Japão.

Brian, no entanto, causava atrito: além de utilizar um visual diferente e pra lá de "duvidoso" (shorts, sapatos de balé e uma faixa na cabeça), o guitarrista não concordava em tocar sons de outras épocas que tivessem participação de Clarke, desapontando muitos fãs e restringindo o repertório do conjunto, que com vários clássicos gravados, teve de tocar apenas músicas do álbum recém-lançado e alguns covers. Como seu contrato era para apenas um disco, sua saída foi amigável e ocorreu em novembro de 1983.

Talvez por ser excêntrico e controverso, Robertson nunca tenha atingido o grande público com novos trabalhos desde sua saída. Mas seu talento é incontestável, assim como o de Lemmy e Philty. Com "Another Perfect Day", a diversão é garantida.



01. Back At The Funny Farm
02. Shine
03. Dancing On Your Grave
04. Rock It
05. One Track Mind
06. Another Perfect Day
07. Marching Off To War
08. I Got Mine
09. Tales Of Glory
10. Die You Bastard

Bonustracks:
11. Turn You Round Again
12. (I'm Your) Hoochie Coochie Man (Live - Willie Dixon Cover)
13. (Don't Need) Religion (Live)

Ian "Lemmy" Kilmister - vocal, baixo
Brian "Robbo" Robertson - guitarra, piano em 4
Phil "Philthy Animal" Taylor - bateria

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by Silver

Chris Hicks - Discografia [1989-2008]


Conforme prometido no ano passado, aqui está a discografia de Chris Hicks. Preciosidades devidamente garimpadas, mesmo sabendo que ninguém criou expectativa quanto a essa postagem quando adiantei que ia trazer os trabalhos desse músico. Porém, a certeza que tenho da qualidade destes trabalhos não vai ser afetada pela indiferença e ainda acho importante compartilhar as obras de Hicks, por mais que seus trabalhos sejam eventuais, o que talvez explique a restrição do seu reconhecimento apenas ao sul dos Estados Unidos.

Quem ficou a par da situação de Chris Hicks em sua passagem pelo Outlaws, soube da liberdade enorme que lhe foi dada para impor suas características em um grupo que já tinha história e respeito. Depois Hicks seguiu com outro grande representante do Southern Rock, The Marshall Tucker Band, permanecendo por um ano, até ser encorajado pelos seus próprios parceiros a criar sua carreira-solo.

Mesmo com toda a dificuldade em encontrar infos a respeito de line-up e tracklist confusos, não tem do que reclamar ao escutar a afinidade que esse músico tem com os ritmos Dixie's. Algumas fontes dão conta que Hicks já quebrou galho no Lynyrd Skynyrd e na banda do Gregg Alman, mas não existe nada concreto em relação a isso. Procurar sua trajetória em detalhes é pedir pra se deparar com um vão danado. Cyber shit!!!

Loose Change - Live Tracks on New Years Eve 12-31-89 (bootleg) [1989]


Depois de adquirir experiência tocando em duas bandas que não deram em nada, Hicks finalmente entrou no circuito do Southern Rock com o Loose Change. Depois de dividir o palco com .38 Special, Outlaws e The Marshall Tucker Band, foi chamado por Hughie Thomasson para fazer parte do Outlaws em 1989. E no curto período em que manteve as atividades paralelas com as duas bandas, foi registrado este bootleg. Gravado da mesa de som em show realizado no final da década de 80 - literalmente -, a qualidade apresentada é perfeita e o talento de Chris Hicks já é percebível. Infelizmente, não há informações acerca do line-up e nem onde o concerto foi realizado.

Nas 5 músicas presentes, está "The Wheel", que foi regravada pelo Outlaws e ganhou uma roupagem Blues Rock. A versão original apresentada aqui é bem suave, dominada por teclados, e mais arrastada. Já a romântica "Love Is On The Line" foi usada em um filme de baixo orçamento da época, chamado "Fast Food". Mas, o melhor momento fica reservado pro final. A faixa "Nobody Knows" faz valer o download. Na verdade, são executadas duas músicas nessa faixa; um Blues Rock com solos comendo solto pra todo lado acompanhados pela performance destruidora da cozinha, e depois de uma pequena pausa, surge outro Blues Rock, menos frenético, mas tão bom quanto.

01 - The Wheel
02 - Never Know Why
03 - Keep It Together
04 - Love Is On The Line
05 - Nobody Knows

Funky Broadway [1998]


Depois de ganhar prestígio passando por dois grandes grupos de Southern Rock, Hicks se sentiu confiante em dar início à sua carreira-solo. Apoderando-se de sua admirável destreza pra compor Blues Rock, as coisas fluíram fácil pra fazer de Funky Broadway um trabalho de alto nível. Apesar de o Country ser inerente a sonoridade Southern, Hicks sempre se mostrou muito mais voltado ao Blues Rock, tanto que suas contribuições com o Outlaws tornaram o grupo quase que, exclusivamente, voltado ao Blues Rock. Portanto, em seu trabalho solo não há nada de Country.

A melhor referência para Funky Broadway é a carreira-solo de Richie Kotzen. Algo entre a pegada funkeada do Mother Head's Family Reunion e o lado sentimental do Wave of Emotion. Referência esta, que é reforçada pela semelhança vocal. Mas o que causa arrepios é a capacidade criativa de Hicks quando o assunto é Blues, pois o cara consegue compor músicas tão tocantes que se equiparam aos clássicos imortais, sem exageros. Ouça "Blues Got Me Down", "Keepin' Up With The Jones" e "Can't Live In The Past" e tente duvidar disso. Enquanto o lado pulsante do Funk Rock aparece em "Down In Dixie" e "One More Time", a acústica "Believe in Forever" consegue manter a mesma empolgação e é uma das únicas músicas que me agrada nesse formato.

01 - Down In Dixie
02 - Believe In Forever
03 - Keepin' Up With The Jones
04 - One More Time
05 - Blues Got Me Down
06 - Nothin' I Wouldn't Do
07 - This Is Now
08 - Can't Live In The Past
09 - Leave It All Behind

Live At The Windjammer (bootleg) [2003]


Gravado em 6 de Junho de 2003, no famoso clube da Carolina do Sul, este é mais um bootleg soundboard de qualidade irretocável. Na gravação limpa com os instrumentos bem separados, podemos notar uma grande evolução nas habilidades de Chris Hicks em relação aos seus tempos de Loose Change. O tracklist desse show foi baseado em covers, e conta com apenas duas músicas de Hicks - "Macon Blues" (gravada pelo Outlaws) e de novo ela, "The Wheel", em mais uma versão diferente, ainda mais lenta, semi-acústica e com o clima bem intimista.

Hicks mostra toda sua versatilidade ao abordar Blues dos anos 30, Boogie Rock, Gospel, R&B e Funk Rock. E é neste último estilo que acontece um dos momentos mais extraordinários da apresentação. Durante a execução da composição instrumental mais clássica do Funk Rock, "Cissy Strut" do The Meters, as improvisações repletas de feeling deixam aquela sensação - que muitos se negam a sentir - de que superou a original. Outro momento marcante é quando é emendado o instrumental "Hot 'Lanta" do The Allman Brothers à emotiva "Jesus is Just Alright". Aliás, achei todas as versões muito superiores as originais. Algumas possuíam arranjos acústicos tão pobres e sonolentos e ganharam roupagens enérgicas e elétricas. Comparem!

01 Give It All You Got
02 Macon Blues
03 Come On In My Kitchen (Robert Johnson cover)
04 Drift Away/Too Tall To Mambo (John Henry Kurtz cover/The Nighthawks cover)
05 Cissy Strut (The Meters cover)
06 The Wheel
07 Use Me (Bill Withers cover)
08 Hot 'Lanta/Jesus Is Just Alright (The Allman Brothers cover/The Art Reynolds Singers cover)

Dog Eat Dog World [2008]


Nesse trabalho, o redneck mostra a influência que a musicalidade negra exerce no seu estilo. Mesmo depois de tanto tempo sem gravar disco autoral e aderindo mais ao Soul e R&B do que nunca, Hicks ainda se mostra um ótimo músico e compositor. O instrumental em Dog Eat Dog World é o mais caprichado que ele já desenvolveu. Ao adotar metais, instrumentos diversos e o auxílio de vários backing vocals, os sons ficaram mais audazes. Além do estilo, outra diferença notável é o vocal de Hicks, que poucas vezes usa a técnica egginthemouth e opta mais por uma voz bem limpa.

Apenas duas músicas de Dog Eat Dog World lembram a sonoridade do debut: "You Can't Hide" e "Too Cool For School" - por sinal, algumas das melhores. Outros destaques ficam por conta da faixa-título (um Blues com solos de sax e orgão), "In Time" (com o naipe de metais ditando o ritmo) e a surpreendente balada "Share Your Love With Me" (puro soul e uma aula de bom gosto nas melodias e progressões vocais). Com esse álbum, Hicks não conseguiu superar o Funky Broadway, mas apresentou o lado sutil da sua musicalidade, além de ter conseguido fazer um disco mais acessível com muito mais elementos que seus trabalhos anteriores e sem descaracterizar seu estilo - o que é o mais importante.

01 - It All Comes Back Around
02 - Chokin' Kind
03 - Tie That Binds
04 - Dog Eat Dog World
05 - Share Your Love With Me
06 - You Can't Hide
07 - Can The World Still Turn Tomorrow?
08 - Too Cool For School
09 - In Time
10 - Georgia Moon

Chris Hicks (vocals, guitars, dobro, harmonica, piano, background vocals)
Clay Cook (vocals, guitars, piano, bass guitar)
Marshall Coats (bass guitar)
Jerome Thomas (drums)
Paul Hornsby (piano, organ)
Oleg Proskuvnya, Marina Volynets, Robert Nowak (violin)
Sue Tomlin (viola)
Robert Nowak (cello)
Marcus James Henderson, Adam Newherter (saxophone)
Ken Trimmons (trumpet)
Kelvin Holly (sitar)
Buddy Greene (harmonica)
Jenny Hicks, Wynelle Hicks, E.G. Kite, Maureen Murphy, Nick Niespoeziani, Big Dave Peck, Diniah Hornsby, Wynelle Hicks, Maureen Murphy, Doug Gray, Catfish (background vocals)
The Macon Symphony Orchestra

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Dragztripztar

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Echo & The Bunnymen - Ocean Rain [1984]


A Inglaterra acabara de ser assolada pelo movimento punk, envolvida na rebeldia das letras e na simplicidade musical dos pioneiros do estilo. Mas paralelamente aquele cenário, começaram a aparecer outros grupos com o visual menos agressivo, com letras reflexivas e instrumental sombrio, que ao invés de procurar gritar ao mundo os seus problemas, procuram dentro do seu próprio interior a razão destes. Esse movimento ganha força no início dos anos 80 e começa a ser chamado de Post-punk, ou para nós, Pós-punk.

E com sua natureza introspectiva, acabam por aparecer pequenas pérolas, discos que realmente merecem ser escutados. Um dos belos exemplos é o ótimo "Ocean Rain", lançado em 1984 pelo Echo & The Bunnymen. O início do grupo se dá no fim dos anos 70, com o vocalista Ian McCullochm, o guitarrista Will Sergeant e o baixista Les Pattinson. No início dos anos 80, o baterista Pete de Freitas entra para o grupo e atrai a atenção da crítica desde seu disco de estréia, até que seu terceiro disco, Porcupine, alcança o segundo lugar das paradas britânicas.


Para aproveitar o momento, após uma extensa turnê, a banda se tranca na cidade inglesa de Bath para a gravação de seu próximo disco. Mas o início das gravações foi carregado de tensão, com os membros do grupo discordando sobre o som da bateria, sem falar que o McCulloch ficou gripado durante as gravações, o que resultou em cinco dias improdutivos. O clima de tensão era tanto, que McCulloch cogitava sair do grupo, o que não ocorreu devido à insistência do baterista Pete de Freitas, que dizia que essas eram as melhores letras que o grupo já criou. Após isso a banda vai gravar o disco em Paris, ao lado do produtor Gil Norton.

Após o fim das gravações, e antes do lançamento, tanto a gravadora como grupo faziam propaganda de que aquele era o melhor disco já feito. Lógico que essa afirmação era um exagero para a promoção deste, porém temos um trabalho genial em mãos. Um disco lotado de instrumentos de cordas, com um trabalho inspirado de todos, em que o objetivo era criar melodias grudentas e letras sensacionais. A abertura "Silver" resume bem o que nos espera durante todo o registro: Orquestrações precisas, McCulloch com um vocal sombrio e ao mesmo tempo hipnótico, com letras introspectivas.



E temos ainda outros excelentes momentos em que seríamos presenteados com esse brilhantismo. Quem aqui viveu nos anos 80, ou escuta rádios de rock se lembrará de clássicos como a soturna, épica e ainda mais hipnótica "The Killing Moon" e a empolgante "Seven Seas", que alavancaram o sucesso desse disco e se tornariam clássicos dessa fase. "Ocean rain" é uma balada carregada de tristeza, com uma letra contra-indicada para que se encontra na fossa. Ainda destaco "Crystal Days" e "My Kingdom" que em suas melodias não trazem o clima carregado da maioria desse registro e fazem um belo contraponto.

Um disco agradável de se escutar, suave e bem homogêneo. Lembro que a primeira vez que o escutei, me deu vontade de aprender muitas letras deste, e ficava as cantarolando durante dias. Com certeza, se você é daqueles que não fica muito preso a estereótipos e curte rock n' roll não importa a vertente, sentirá essa mesma vontade, pois tudo aqui é muito bem feito.



1.Silver
2.Nocturnal Me
3.Crystal Days
4.The Yo Yo Man
5.Thorn of Crowns
6.The Killing Moon
7.Seven Seas
8.My Kingdom
9.Ocean Rain
10.Angels and Devils (Bonus Track)
11.All You Need Is Love (Live)
12.The Killing Moon (Live)
13.Stars are Stars (Live)
14.Villiers Terrace (Live)
15.Silver (Live)
16.My Kingdom (Live)
17.Ocean Rain (Live)

Ian McCulloch – Vocais
Will Sergeant – Guitarras, Sítara
Les Pattinson – Baixo
Pete de Freitas – Bateria



By Weschap Coverdale

Firehouse - 3 [1995]


Os dois primeiros álbuns do Firehouse, lançados em 1990 e 1992, tiveram uma ótima repercussão e venderam milhões de cópias pelo mundo. Mas com a ascenção do gênero alternativo dentro do Rock e o sumiço de várias bandas do Hard que faziam sucesso na década anterior, não se sabia como um novo disco seria recebido, principalmente na terra natal dos caras: os Estados Unidos.

Como um tiro no escuro, "Firehouse 3" foi lançado em abril de 1995. Mas quem disse que todo tiro no escuro não acerta o alvo? Na tutela do produtor Ron Nevison, o quarteto mandou ver no terceiro play de sua carreira e fez aquele que é considerado por muitos o seu trabalho mais preciso, apesar das notórias investidas ao mainstream - que sempre deram, diga-se de passagem.

"Love Is A Dangerous Thing" abre a bolacha com uma levada que oscila entre o Hard e o Pop. O vocal de C.J. Snare se mostra incrivelmente adequado por ter personalidade sem exageros e berros chatos. "What's Wrong" soa um pouco mais noventista, mas sem desviar a essência do conjunto. Em seguida, tem-se um contraste com "Somethin' 'Bout Your Body", que é bem farofeira e divertida, dignamente oitentista.



"Trying To Make A Living" começa calma mas cresce com poder e traz um cativante refrão. O single "Here For You" é uma bela balada, com ótima interpretação vocal e grudenta na medida certa. A paulada "Get A Life", minha predileta do play, traz peso elementar, boas linhas de guitarra e uma ótima performance de todos os integrantes, principalmente do batera Michael Foster. "Two Sides" mantém o peso, mas tendendo ao Hard Rock. Poderia estar no debut sem dissonância.

A balada "No One At All" é digna de trilha sonora de par romântico em novela. Bela e bem feita. "Temptation" retoma a hardeira e prepara o terreno para o fechamento, que conta com a música de maior sucesso do álbum e da própria banda: "I Live My Life For You", uma power-ballad com todos os ingredientes que consagrou a fórmula, como vocais inspirados, presença de violões e de um bom solo, além de uma letra muito bonita. Garantiu o sucesso do álbum ao atingir a 26ª posição nas paradas de singles norte-americanos e ser tocada em várias rádios de todo o mundo, inclusive no Brasil, que contou com uma passagem do Firehouse para divulgar o álbum até no programa da Xuxa. (risos)

"Firehouse 3", em suma, é um disco maduro e acessível, mas nem um pouco forçado. Soa espontâneo do começo ao fim e continuou fazendo o som que bem entendia, independente da mídia. Vale a pena conferir!



01. Love Is A Dangerous Thing
02. What's Wrong
03. Somethin' 'Bout Your Body
04. Trying To Make A Living
05. Here For You
06. Get A Life
07. Two Sides
08. No One At All
09. Temptation
10. I Live My Life For You

C.J. Snare - vocal, teclados, baixo adicional
Bill Leverty - guitarra, violão, backing vocals
Perry Richardson - baixo, backing vocals
Michael Foster - bateria, backing vocals

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by Silver

Iced Earth - Horror Show [2001]


Jon Schaffer já declarou publicamente que não coloca Horror Show entre seus álbuns preferidos do Iced Earth. Lamento discordar do líder do grupo, mas para mim esse disco está no topo, junto a Something Wicked This Way Comes, Night of the Stormrider e The Dark Saga. O fato é que trata-se de um trabalho complexo, que precisa de mais de uma escutada para ser assimilado. Mas aí que está seu maior mérito, especialmente por não seguir a fórmula dos antecessores diretos, que eram bem acessíveis. Como o nome já denuncia, a temática é totalmente inspirada em contos obscuros, aqueles que todos conhecemos de cor e salteado.

Um grande mérito de Jon foi que nesse álbum ele reuniu aquela que talvez tenha sido a melhor formação da história do Iced Earth. Além do excepcional Matt Barlow nos vocais, temos uma cozinha simplesmente fenomenal. No baixo, aquele que é um dos melhores instrumentistas de sua geração, Steve DiGiorgio – que aparece na ficha técnica como convidado, por ter saído entre o fim das gravações e a promoção. Na bateria, o ultra-técnico Richard Christy, espancando o instrumento com precisão quase robótica. Completando a escalação, o guitarrista Larry Tarnovski. Na produção, o já tradicional e indispensável Jim Morris.



Na abertura, o Heavy Metal violento e dinâmico de “Wolf” faz o ouvinte bater cabeça descontroladamente. Bela oportunidade para conferir o desempenho de Matthew, sem dúvida uma das melhores vozes recentes no estilo. Em “Damien”, Steve deixa os baixistas de fim-de-semana envergonhados, tamanha sua destreza na introdução. “Jack” conta com guitarras beirando o Thrash e um refrão criado para o fã se esgoelar nos shows. Eis que o clima muda totalmente em “Ghost Of Freedom”. Apesar de não ter alcançado o mesmo status de “I Died For You” ou “Melancholy (Holy Martyr)” é, para mim, a melhor balada já feita pela banda, com uma melodia emocionante. Como disse um amigo certa vez, se ela tivesse sido gravada pelo Metallica no Black Album, seria um clássico do Rock.

Outro destaque vai para a empolgante “Dragon’s Child”, um Power Metal tipicamente norte-americano. Ela abre caminho para um cover da banda que sempre foi a maior influência de Schaffer. E uma música com título que se encaixa no contexto: “Transylvania”, do Iron Maiden. “Dracula” é a faixa que nunca mais saiu dos setlists nas turnês que se sucederam. Após um começo lento, explode em uma interpretação dramática de Barlow, que consegue transmitir todo o sentimento de revolta e vingança contido na letra. Algo de arregalar os olhos. Encerrando, a história do Fantas da Ópera surge sob outra perspectiva em “The Phantom Opera Ghost”, que conta com a participação da cantora Yunhui Percifield, em dueto memorável.



Apesar da ótima repercussão, a excursão de Horror Show trouxe grande desgaste ao Iced Earth. Após os atentados de 11 de setembro, Matthew deixou de se sentir à vontade para prosseguir com os trabalhos. Acabou abandonando o grupo para seguir carreira como homem da lei. Para o bem de todos e felicidade geral da nação, acabaria retornando anos mais tarde e segue até hoje, sem deixar sua nova ocupação de lado. Mas apesar de continuar lançando bons discos, a banda jamais recuperou a magia dessa época. Baixe e prepare-se para um verdadeiro show de horrores, regado a Heavy Metal da melhor qualidade!

Matt Barlow (vocals)
Jon Schaffer (guitars)
Larry Tarnovski (guitars)
Richard Christy (drums)

Special Guests
Steve DiGiorgio (bass)
Jim Morris (keyboards)
Yunhui Percifield (vocals on 11)

01. Wolf
02. Damien
03. Jack
04. Ghost of Freedom
05. Im-Ho-Tep (Pharoah's Curse)
06. Jekyll & Hyde
07. Dragon's Child
08. Transylvania
09. Frankenstein
10. Dracula
11. The Phantom Opera Ghost

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JAY