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quinta-feira, 31 de março de 2011

Pixies - Doolittle [1989]


Mais uma vez após uma maldita conjuntivite (o que virou até moda em São Paulo) e uma preguiça descomunal após me curar da mesma, estou de volta da licença médica para fazer algumas viagens no volante dessa amada Combe. E para retomar os trabalhos, hoje irei postar um estilo que não me apetece muito e para o qual costumo torcer o nariz, que é o rock alternativo. Mas farei isso pois é impossível ficar indiferente à banda que influenciou todo o movimento indie surgido os anos 90, o ótimo Pixies.

O grupo surgiu no ano de 1986 quando Charles Thompson (que posteriormente utilizaria o nome Francis Black) junto com o seu colega de quarto na faculdade Joey Santiago decidiram montar o grupo. Para completarem a formação do grupo, anunciaram nos classificados que queriam uma baixista que gostasse de música folk, de Peter, Paul And Mary e do Hüsker Dü. A única que respondeu este foi Kim Deal, mas que foi a audição sem o baixo, visto que ela nunca havia tocado o instrumento. Para completar a banda, foi convidado um baterista que Kim Deal conheceu em sua festa de casamento, David Lovering. O grupo foi batizado de Pixies após Joey Santiago ler no dicionário a palavra "pixies", que significava "pequenos elfos maliciosos".


Após alguns ensaios na casa dos pais de Lovering, eis que eles começam a tocar em bares de Boston e gravam seu EP "Come On Pilgrim". Mas foi com seu primeiro disco, "Surfer Rosa" que eles realmente chamam a atenção da crítica e influenciaram a geração indie que viria na década seguinte. Porém o golpe de misericórdia foi dado com o experimental e ao mesmo tempo pop "Doolittle" que na minha modesta opinião é um dos discos mais agradáveis que já escutei, e que vez por outra tiro de minha estante quando estou pra baixo, devido à energia que este emana, e que acaba por sempre me tirar um sorriso do rosto.

Com temáticas que passam desde o surrealismo, personagens biblícos como Davi, Bate-Seba, Sansão e Dalila até a catástrofe ambiental que o homem vem afligindo ao planeta, temos canções deliciosamente palatáveis, mesmo que cheias de riffs em alguns momentos, mais ainda assim acessíveis sem perder aquela identidade alternativa. Isso é confirmado pelo número de vendas, que até os nossos dias atingiu um milhão de cópias apenas em solo americano e é aclamado pelos críticos como um dos discos essenciais da década de 80 em tudo que é lista feita sobre esse assunto.



E temos momentos em que realmente é impossível ficar paralisado com o que é apresentado neste registro. Logo de cara somos esbofeteados com a empolgante "Debaser", que vai te tirar do chão assim que você menos se aperceber disso, o que vale para a ainda mais cativante "Here Comes Your Man", que foi junto com "Forever" do Kiss, uma das canções que mais ouvi na época em que ficava grudado na MTV gravando clipes que eu gostasse (rsrsrs). Ainda destaco e recomendo a soturna "I Bleed", a pessimista e trabalhada "Monkey Gone To Heaven", "Mr. Grieves", "La La Love You" e "There Goes My Gun", que com certeza irão impressionar quem não conhece o grupo e que assim como eu pouco se interessam em rock alternativo.

Apesar de terem influenciado o Nirvana (que odeio e assumo isso pra quem quiser ouvir), com certeza temos um grupo que merece sua atenção, principalmente neste registro, em que você até acaba achando legal ser alternativo. Um disco que deve estar presente na discografia de qualquer um que diga realmente gostar de rock.



1.Debaser
2.Tame
3.Wave of Mutilation
4.I Bleed
5.Here Comes Your Man
6.Dead
7.Monkey Gone to Heaven
8.Mr. Grieves
9.Crackity Jones
10.La La Love You
11.No. 13 Baby
12.There Goes My Gun
13.Hey
14.Silver
15.Gouge Away


Black Francis – Vocais, Guitarra
Kim Deal – Baixo, Guitarra Slide em "Silver"
Joey Santiago – Guitarra, backing vocals
David Lovering – Bateria, Vocal em "La La Love You", Baixo em "Silver"

Músicos Adicionais:
Arthur Fiacco – Cello em "Monkey Gone to Heaven"
Karen Karlsrud – Violino em "Monkey Gone to Heaven"
Corine Metter – Violino em "Monkey Gone to Heaven"
Ann Rorich – Cello em "Monkey Gone to Heaven"



by Weschap Coverdale

Freddie King – Live At The Electric Ballroom [1974]


Se o rock deu ao mundo uma rainha chamada Freddie, o blues deu um rei homônimo.

Terceiro elemento do triumvirato do blues elétrico composto por BB King e Albert King, Freddie sempre foi o mais agressivo, com timbre mais sujo e vocalizações nervosas.

Nascido em 3 de setembro de 1934 e falecido em 28 de dezembro de 1976, Freddie foi um dos idealizadores do chamado blues texano, escola que deu ao mundo o maravilhoso Stevie Ray Vaughan. Seu apelido era “A bala de canhão do Texas” (The Texas Cannonball), pois, diferentemente dos dois outros Kings, o rapaz aqui flertava descaradamente com o rock’n’roll que passou a dominar os charts americanos no final dos anos 50.

Mas Freddie King em estúdio era mais polido e, por que não dizer, sonoramente mais limpinho do que ao vivo. No palco o homem fazia por merecer o apelido.

Amplificadores no talo fazendo sua guitarra berrar harmonicamente encaixavam de maneira sublime com as vocalizações carregadas de groove e emoção. Um rei diferente, mas não menos expressivo que seus parceiros.
Nos anos 50, King foi sideman de músicos renomados, como Muddy Waters, Willie Dixon e Little Walter. Escola que, faça-se um parêntese, também legou ao mundo o imortal Buddy Guy. Seu primeiro disco solo foi lançado em 1961 e se chamou Freddy King Sings (sim, Freddy e não Freddie) e, o que posto hoje, foi um dos seus shows mais enérgicos. O músico morreria cerca de um ano e meios depois.

É Freddie King em estado puro, destilando o que sabia fazer melhor em um repertório que engloba os melhores sucessos de sua carreira, com músicas separadas por pequenas entrevistas. Um diamante que merece estar no acervo histórico de todo blueseiro que se preze. O disco abre com That’s All Right, a única gravação ao vivo em formato exclusivamente acústico conhecida do músico. Só voz e violão. Ouça e descubra que Eric Clapton também teve seus momentos de inspiração influenciados por King no seu Unplugged. Aliás, acho que o nobre passageiro já percebeu que curto demais um blues, e se for de raiz e com violão bem tocado, então, é mortal. Dust My Broom segue neste formato.

A seguir, Big Legged Woman é para dançar, com todas as graças que um funk blues consegue alcançar, trazendo a banda completa de King simplesmente detonando tudo. Uma jam session ao vivo cheia, mas cheia de groove até o pescoço. Tão cadenciada que dá a impressão que ele vai chamar James Brown ao palco a qualquer momento. Key to the Highway é exatamente aquela gravada por Derek and the Dominos, com um vocal que, diga-se, lembra o de Clapton na sua versão.




Agora, para proporcionar um infarto agudo do miocárdio fulminante, a sequência Let The Good Times Roll - Ain’t Nobody’s Business - Sweet Home Chicago - Dust My Broom (elétrica) - Hide Away (seu maior sucesso) mostra que a Terra toda girava em outra velocidade naquela época. Difícil não se emocionar e não pensar em como deveria ser bom estacionar o velo Galaxy 73 em um lugar gramado com um belo visual e, com esse som tocando no toca-fitas, passar um domingo de bobeira com toda a galera.




Para completar a ficha técnica, o Electric Balroom (lugar da apresentação) fica em Atlanta, Georgia, e este disco somente foi lançado oficialmente em 1994, tendo ficado na condição de bootleg por vinte anos. O som está excelente e a banda afiadíssima.

Sobre a banda, talvez seja interessante dizer que foi a primeira banda “multiracial” (não gosto desse termo, afinal, somos todos da raça humana) de um bluesman de sucesso. A banda que o acompanhava nos anos 70 é a que está descrita abaixo. No disco, porém, não tem a informação sobre quem toca; portanto, talvez haja alguma falha de minha parte nesse sentido (desculpas antecipadas). Talvez também isso explique a grande diferença da apresentação de King, que flertava bastante com o rock de Elvis e Jerry Lee Lewis, porém sem abandonar a vertente blueseira de sua escola.

Mas isso são detalhes de uma obra que merece um destaque aqui na Combe. Ao vivo, sem overdeubs.

Long Live The King! Hail!

Track List

1. Introduction
2. That’s Allright
3. Interview
4. Dust My Broom
5. Interview
6. Big Legged Woman
7. Woman Across The River
8. Key To The Highway
9. Let The Good Times Roll
10. Ain’t Nobody’s Business
11. Sweet Home Chicago
12. Dust My Broom
13. Hide Away (Medley)
14. Interview

Freddie King (guitarra, violão e voz)
Floyd Bonner (guitarra)
Alvin Hemphill (órgao)
Lewis Stephens (piano)
Bennie Turner (baixo)
Mike Kennedy (bateria)

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Por Zorreiro

quarta-feira, 30 de março de 2011

Bonham - The Disregard Of Timekeeping [1989]


É péssimo quando nomes pesam. Nomes lendários. Nomes influentes. Para compreender, vale a simples reflexão de imaginar você, caro leitor, exercendo a mesma profissão que seu pai ou sua mãe exerce ou exerceu. sem acrescentar nem remover. Em alguns casos isso dá certo, mas na maioria dos casos, não é bem assim.

Essa breve introdução serve para abrir os olhos de qualquer um que se interesse pelo som do Bonham. Não vale a pena ligar ao nome do pai de Jason Bonham, o falecido baterista do Led Zeppelin, o monstro John Bonham. Apesar dos dois serem músicos - no caso, bateristas - e da mesma família, não dá pra esperar um novo Led ou um novo John do Bonham e de Jason, respectivamente. São homens diferentes, em épocas diferentes, que tiveram aprendizados diferentes, e nenhum produziu algo melhor ou pior que o outro.

Esclarecido o "porém", o trabalho do Bonham pode ser perfeitamente descrito. O grupo foi formado no início de 1989 por jovens músicos da Inglaterra, terra não muito prolífica quando o assunto é Hard Rock oitentista. A formação se consolidou com o próprio Jason na bateria, Daniel MacMaster no vocal, Ian Hatton na guitarra e John Smithson no baixo. O nome pesou tanto que, no mesmo ano, os caras conseguiram um contrato com a WTG Records e o competente Bob Ezrin para a produção, lançando o debut nas prateleiras de várias partes do globo.

Da esquerda pra direita: Jason Bonham,
Daniel
MacMaster, Ian Hatton, John Smithson

"The Disregard Of Timekeeping" é muito bom, mas logo de cara deve-se ressaltar que é confuso. Várias influências se juntaram, passando pela formação musical setentista de Jason (que lembra seu pai nas baquetas em vários momentos), atravessando o 'quê' farofeiro de Daniel e as loucuras já conhecidas de Bob, co-autor de três faixas e responsável pela orquestração presente em algumas outras. Tudo isso se somou e o trajeto abordado não foi nada linear.

Os atributos comerciais predominaram nas composições, apesar de não haver um verdadeiro hit em potencial. Refrães fáceis e pegajosos são aliados a backing vocals potentes e garantem a "cantarolação". A confusão vem quando se analisa o instrumental, muito bem tocado e complexo em vários momentos, com inúmeras passagens "quebradas" fora dos tais refrães.


Mas isso, ao ver de quem vos escreve, não tira a qualidade do registro, que é genialmente bem feito e, como dito anteriormente, muito bom. Músicos competentes com um vocalista poderoso e carismático tocam um Hard Rock forte e sem fórmulas, algo raro nessa época. O nome "pesado" deve ser desconsiderado durante o momento da audição para que o play seja devidamente aproveitado.

Mesmo com o êxito comercial do lançamento, com os singles nas paradas norte-americanas e o álbum em si nas posições de número 38 e 65 nos Estados Unidos e Canadá, respectivamente, o conjunto gravou um sucessor apenas três anos depois e se desfez porque Jason preferiu se concentrar em seus trabalhos como músico de estúdio (se traumatizou com os dois anos de turnê de divulgação deste disco), além do motivo principal, relacionado ao amadurecimento dos integrantes, já mais velhos, que perceberam que não era isso que queriam. Felizmente, deixaram esse ótimo trabalho que merece ser conferido.



01. The Disregard Of Timekeeping
02. Wait For You
03. Bringing Me Down
04. Guilty
05. Holding On Forever
06. Dreams
07. Don't Walk Away
08. Playing To Win
09. Cross Me And See
10. Just Another Day
11. Room For Us All

Daniel MacMaster - vocal
Ian Hatton - guitarra
John Smithson - baixo, teclados, violino
Jason Bonham - bateria, percussão

Músicos adicionais:
Bob Ezrin - orquestração
Trevor Rabin - baixo, backing vocals
Jimmy Zavala - gaita
Bill Millay - teclados, sintetizadores
Duncan Faure - backing vocals

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by Silver

Entenda as pernas flutuantes na capa

Black 'N' Blue - One Night Only [1998]


Enquanto Hell Yeah!, novo trabalho do grupo não chega, vamos relembrar o primeiro retorno do Black N’ Blue. Foi apenas para um show, na noite de Halloween do ano de 1997, na terra natal do grupo, Portland, Oregon. Mas rendeu esse belo registro ao vivo, para matar a saudade dos fãs, que há uma década não tinham novidades. Ainda com o guitarrista Tommy Thayer comprometido com a causa – embora já estivesse comprometido com os bastidores do KISS – o quinteto original resgatou alguns de seus sucessos e ainda surpreendeu, desenterrando uma faixa antiga que não tinha sido lançada até então, “Violent Kid”. A versão demo sairia três anos mais tarde na coletânea de sobras, The Demos Remastered Anthology.

Apesar do tempo que passou, nota-se claramente que a banda não perdeu o feeling, oferecendo uma bela performance. Jamie St. James, com aquele estilo peculiar, comanda a (pequena) platéia com muito ânimo e cantando em sua melhor forma, enquanto seus companheiros se esmeram em reproduzir com fidelidade cada pedaço de música. E sonzeiras como “Rockin’ On Heavens Door”, “Hold On To 18”, “Without Love”, “Miss Mystery” e “I’ll Be There For You” sempre são bem-vindas no playlist de qualquer Hard Rocker que se preze.

A produção ficou por conta do renomado Pat Regan, conhecido por seus trabalhos com o Deep Purple e o Rainbow. Atualmente, esse álbum encontra-se fora de catálogo. Sendo assim, nada com a boa e velha Combe para disponibilizar. Um bom aperitivo para o aguardado novo disco, já sem a presença de Thayer (por motivo óbvio) e com Shawn Sunninshine ocupando sua vaga. Download mais que recomendado para os adeptos do gênero!

Jaime St. James (vocals)
Tommy Thayer (guitars)
Jeff Warner (guitars)
Patrick Young (bass)
Peter Holmes (drums)

01. Rockin' On Heaven's Door
02. Autoblast
03. Hold On To 18
04. Does She Or Doesn't She?
05. Heat It Up! Burn It Out!
06. Without Love
07. Miss Mystery
08. Violent Kid
09. I'll Be There For You
10. Wicked Bitch
11. School Of Hard Knocks
12. I'm The King

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JAY

terça-feira, 29 de março de 2011

REPOSTAGEM: Led Zeppelin - II [1969]


O Led Zeppelin surgiu com a tentativa do guitarrista Jimmy Page de formar um novo Yardbirds - apenas na teoria, pois o grupo realmente se chamaria "The New Yardbirds" para cumprir um contrato de shows na Escandinávia. Com ele estavam o baixista Chris Dreja, o vocalista Robert Plant e o baterista John Bonham, mas logo Dreja deu lugar a John Paul Jones e uma das bandas mais importantes do Rock estava formada. O primeiro álbum, auto-intitulado e lançado em janeiro de 1969, foi um sucesso, e não poderia se esperar menos de seu sucessor.

"Led Zeppelin II"
chegou às prateleiras em outubro de 1969 e foi gravado aos pedaços, em vários lugares diferentes, durante descansos de turnês - já que, agora, o quarteto fazia muitos shows. Mas isso não interferiu no processo compositivo. Pelo contrário: ajudou bastante, pois as pirações improvisadas nos palcos se tornavam novas composições. Daí fora construído um clássico incontestável do Rock N' Roll que, do começo ao fim, não transmite falta de inspiração em nenhum momento sequer.

Em comparação aos outros trabalhos do começo do Zeppelin, "II" é o mais pesado. Ainda que com as mesmas temáticas das letras e influência do Blues e da Folk Music, seu antecessor e seus primeiros sucessores continham uma predominância acústica, enquanto que neste disco é tudo feito de forma bem crua, inclusive a produção do grande Eddie Kramer, prevalecendo elementos como guitarras distorcidas, vocais agudos e berrados, linhas de baixo pesadas e sequências de bateria bem agressivas.


A paulada Whole Lotta Love abre o disco, unindo Blues, Rock N' Roll e psicodelia de forma soberba, com riffs avassaladores de guitarra e baixo, bateria cavalar e vocais impecáveis de Plant. Em seguida tem-se What Is And What Should Never Be, que se assemelha mais com o primeiro álbum do Led pelas mudanças entre o calmo e o pesado, e The Lemon Song, um Blues Rock onde Page dá um show a parte.

Thank You, composição de Plant e Page, quebra o clima perfeitamente e é uma das melhores baladas da carreira da banda, caracterizando-se por ser simples, direta e aconchegante. Mas logo a pauleira volta com Heartbreaker, hino imponente que conta com um dos riffs e solos mais conhecidos da história do gênero. A canção, notória evolução do Blues rústico, é tão influente que até motivou Eddie Van Halen a desenvolver sua técnica de tapping, enquanto tentava reproduzir seu solo, segundo relato do próprio.

A continuação de Heartbreaker é uma das músicas mais injustiçadas da carreira do grupo: Living Loving Maid (She's Just A Woman), mesmo com uma levada clássica e gostosa, nunca recebeu muita atenção pela banda pela temática, groupies, pois a namorada de Jimmy na época, Charlotte Martin, se sentiu ofendida - uma pena, pois é excelente. Em seguida, a calma Ramble On, que teve sua letra influenciada pelo livro "O Senhor Dos Anéis" de J.R.R. Tolkien, tem uma musicalidade peculiar e um tanto quanto inspirada na Folk Music, mas com seus momentos Rock N' Roll.

O instrumental Moby Dick chega e os caras simplesmente descem o cacete, principalmente John Bonham em seu magistral solo de bateria. Por fim, uma readaptação de Bring It On Home, composta por Willie Dixon e popularizada por Sonny Boy Williamson II. Apenas a introdução e algumas outras nuances remetem à canção original, enquanto a maioria das modificações foi realizada por Page e Plant. Um desfecho apoteótico para um álbum que dispensa quaisquer comentários.

A recepção, como sempre, foi calorosa: o álbum chegou à primeira posição das paradas inglesas, canadenses e americanas, chutando "Abbey Road" do The Beatles do topo desta. Em poucos meses o álbum já havia vendido 3 milhões de cópias nos Estados Unidos e hoje já passou das 12 milhões apenas por lá, enquanto que no Reino Unido já receberam 3 discos de platina até hoje pelo play. E novamente o Zeppelin embarcou para uma incessante turnê.

Ao meu ver, este é o melhor trabalho dos monstros. Está muito a frente da época em que foi gravada em inúmeros aspectos e influenciou a maioria das bandas de Hard Rock e Heavy Metal que vieram no futuro, de Kiss até The White Stripes, de Aerosmith até Red Hot Chili Peppers. Preciso dizer que "Led Zeppelin II" é indispensável na coleção de qualquer roqueiro que se preze?



01. Whole Lotta Love
02. What Is And What Shoud Never Be
03. The Lemon Song
04. Thank You
05. Heartbreaker
06. Living Loving Maid (She’s Just A Woman)
07. Ramble On
08. Moby Dick
09. Bring It On Home

Robert Plant - vocal, harmônica
Jimmy Page - guitarra, violão, backing vocals
John Paul Jones - baixo, órgão, teclados, backing vocals
John Bonham - bateria, tímpano, percussão, backing vocals

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by Silver

TNT - A Farewell to Arms [2010]


Desde My Religion, álbum lançado em 2004, o TNT estava em dívida com seus fãs. O experimentalismo e a distância do som praticado em tempos gloriosos resultaram em trabalhos bem abaixo da média, como o anterior e tenebroso Atlantis. Era hora de uma virada ou o barco afundava de vez. Produzido pelo guitarrista Ronni Le Tekro, A Farewell To Arms é o terceiro disco com o vocalista Tony Mills nos vocais. Como não era muito difícil superar os anteriores mais recentes, a tarefa de se tornar o que de melhor o grupo lançou com essa formação foi facilmente alcançada.

De saída, podemos perceber que algo está diferente, quando a guitarra surge bem na cara em “Engine”, faixa de abertura. Alguns ecos mais modernos não comprometem e o som satisfaz os fãs. Mantendo o pique, “Refuge” conta com inspiradíssimas linhas de guitarra, provando que Ronnie não esqueceu como se faz. “Ship In the Night” é ainda melhor, remetendo o ouvinte a tempos gloriosos dos noruegueses com sua melodia vintage e um refrão muito gostoso de se acompanhar. A pesada “Take It Like A Man – Woman” é o típico Hard europeu, resvalando no Heavy com backing vocals muito bem trabalhados, enquanto “Come” é mais direta. Já “Barracuda”, apesar de manter a proposta, lembra algo mais contemporâneo, sem deixar de ser agradável, ressalte-se.



A curta instrumental “A Signature On A Demon's Self Portrait” é uma pequena demonstração de senso melódico de Ronnie no violão. Uma levada mais próxima do AOR é o que temos em “Don’t Misunderstand Me”, lembrando outras épocas de Tony Mills. Mas logo a máquina de riffs Le Tekro retoma a linha de frente na ótima faixa-título, um verdadeiro presente aos saudosistas. Mais uma vez o coro de vozes é destaque em “Someone Else”, apesar de ela demorar um pouco para engrenar. Encerrando o tracklist normal, a singela balada “God Natt, Marie”, fugindo do clichê tipicamente Hard de uma música do tipo e puxando mais para um lado Beatles. A versão japonesa ainda traz a música “Harley Davidson”. Vale como bônus mesmo.

Após sérias decepções junto aos adeptos, o bom e velho TNT dá as cartas novamente. Só esperamos que mantenha a linha nos próximos, pois essa bipolaridade na hora de gravar já encheu a paciência. Por hora, muito a se comemorar, pois há vida sem Tony Harnell.

Tony Mills (vocals)
Ronni Le Tekro (guitars)
Victor Borge (bass)
Diesel Dahl (drums)

01. Engine
02. Refugee
03. Ship In The Night
04. Take It Like A Man – Woman
05. Come
06. Barracuda
07. A Signature On A Demon's Self Portrait
08. Don't Misunderstand Me
09. A Farewell To Arms
10. Someone Else
11. God Natt, Marie
12. Harley Davidson

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JAY

segunda-feira, 28 de março de 2011

Broken Teeth – Viva La Rock, Fantastico [2010]


O Broken Teeth pode não ser um nome muito conhecido por esses cantos do planeta, mas o fato é que esse já é seu quarto álbum. A banda tem como protagonista uma figurinha carimbada entre os fãs mais curiosos do mundo Hard oitentista, o vocalista Jason McMaster (Dangerous Toys, Watchtower). Aqui, ele e seus comparsas investem no Rock and Roll festeiro, alcoólico, sujo e bagaceiro, com as sempre bem-vindas influências de AC/DC, Motörhead, Rose Tattoo e afins. O resultado é Viva La Rock Fantastico, play que oferece um som pesado, direto e seco, sem firulas e estripulias do gênero.

Quando “Blackheart” explode nos alto-falantes, o ouvinte toma um grande susto, pensando que Lemmy fez uma pequena participação especial logo no início da faixa. Sem dúvida, uma porrada digna de abrir o disco já com elevado nível adrenalínico. O que temos daqui por diante é uma verdadeira exaltação ao bom e velho estilo de vida, sob medida para animar o ouvinte. Todas as faixas são excelentes, mas não dá para deixar de citar o balanço irresistível de “Dressin’ Up In Flames”. É ouvir e sair cantando junto. Da mesma forma, “Break the Spell” faz você imaginar os irmãos Young comandando as seis cordas.



Outra trilha sonora perfeita para espancamentos coletivos surge em “All Hail the Altar”, genuína celebração religiosa – naqueles moldes que conhecemos, é claro. “Get Outta Here Alive” é outra grande representante do Rock festeiro e inconseqüente. Na faixa-título e na seguinte, “Big Spender”, participação mais que especial dos caras do Danko Jones, promovendo a celebração definitiva. Para encerrar com o mesmo pique do começo, “Ride Upon Glory” é o tiro de misericórdia. Um disco curto, simples e efetivo. Recomendado para farras, bebedeiras e afins. Pois como os prórpios deixam claro ainda na abertura: "If you like it loud, loud is what we're feeding".

Jason McMaster (vocals)
Jared Tuten (guitars)
David Beeson (guitars)
Brett McCormick (bass)
Bruce Rivers (drums)

01. Blackheart
02. Exploder
03. Spitting Nails
04. Dressin' Up In Flames
05. Break The Spell
06. Twister
07. Back On The Road
08. All Hail The Altar
09. Get Outta Here Alive
10. Bullet
11. Viva La Rock, Fantastico!
12. Big Spender
13. Ride Upon Glory

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JAY

Sea Hags - S/T [1989]

As bruxas do mar de São Francisco: exemplo de como uma sobrevida tóxica é capaz de botar tudo a perder. Ron Yocom (vocais e guitarra), Chris Schlosshardt (baixo) e Greg Langston (bateria) tiraram a sorte grande e tiveram sua primeira demo produzida por ninguém menos que Kirk Hammett (Metallica). Ian Astbury (The Cult) foi outro que demonstrou interesse em produzir o trio, mas sabe-se lá porque, a estréia em disco dos caras acabou contando com produção do renomado Mike Clink.

Durante as gravações, em 1987-1988, Langston foi substituído pelo ex-Lethal Weapon Adam Maples e o guitarrista Kevin Russell, que havia sido trazido para contribuir no disco, perdeu o posto para Frankie Wilsey. Por conta dos excessos de Yocom e Schlosshardt, que levaram a Chrysalis Records a financiar uma estadia para a dupla em uma clínica de reabilitação, Sea Hags teve lançamento adiado para 1989, que para nós hard rockers, foi o ano mais perfeito no que tange a discos.



Com todos aparentemente limpos, a gravadora investiu pesado no que ela acreditava ser o novo Guns N’ Roses. Mas a única semelhança entre as duas bandas eram as drogas. Poucos meses depois de cair na estrada, Schlosshardt morreria de overdose de heroína, colocando um ponto final na breve trajetória do Sea Hags. Fica, porém, um álbum que transborda uma atitude quase punk em sua linearidade e simplicidade (nenhum músico aqui é um ás em seu instrumento), além de ser um representante de peso da porção mais podreira do hard rock farofa dos anos 80. Recomendadíssimo!

01. Half The Way Valley
02. Doghouse
03. Too Much T-Bone
04. Someday
05. Back To The Grind
06. Bunkbed Creek
07. In The Mood For Love
08. Miss Fortune
09. All The Time
10. Three's A Charm
11. Under The Night Stars
Rock Candy Records 2007 Bonus Tracks:
12. Doghouse (demo)
13. Half The Way Valley (demo)

Ron Yocom (vocals and guitar)
Frankie Wilsey (guitar)
Chris Schlosshardt (bass and vocals)
Adam Maples (drums)

Kevin Russell (guitar)

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@mvmeanstreet

domingo, 27 de março de 2011

Wig Wam - Non Stop Rock'N'Roll [2010]


O Wig Wam é um dos maiores nomes do Hard Rock contemporâneo. A atmosfera farofeira oitentista é completamente recuperada nos dois trabalhos anteriores ao dessa postagem e isso confirmou fama aos irreverentes noruegueses que integram o grupo.

"Non Stop Rock'N'Roll", gravado no estúdio pessoal da banda e lançado em janeiro de 2010, serviu não apenas para consolidar a boa fase dos caras, como também trouxe mais originalidade que os outros discos. Não há o que reclamar, logicamente, da impecável discografia, mas a proposta que oscila entre o revival e o atual foi assumida por aqui e realmente colaborou na construção de uma identidade no som - melódica, grudenta, descontraída e sempre competente.

A maturidade dos músicos influenciou diretamente no resultado positivo obtido em "Non Stop Rock'N'Roll". Com nove anos de estrada, o Wig Wam só evoluiu, tanto nos trabalhos em full-length quanto nas espalhafatosas e carismáticas performances ao vivo, ambos capitaneados pelo vocalista Glam - frontman e principal compositor.


Há destaques de sobra, também, para os outros músicos. O guitarrista Teeny, provavelmente, foi o que demonstrou maior avanço ao provar que suas influências no instrumento vão além de Eddie Van Halen e Warren DeMartini ao apresentar riffs diferenciados e solos bem diretos. E a cozinha do baixista Flash e do baterista Sporty está incrível e cheia de destaque.

Em relação às faixas, separadamente, seria injusto dar ênfase a algumas em particular, pois trata-se de um disco coeso e linear. Mas é garantido que canções como a festeira C'mon Everybody, a trabalhada Walls Come Down, a linda balada Man In The Moon e a divertida faixa-título podem figurar entre as prediletas de qualquer digno ouvinte de um bom Hard Rock.



01. Do Ya Wanna Taste It
02. Walls Come Down
03. Wild One
04. C'mon Everybody
05. Man In The Moon
06. Still I'm Burning
07. All You Wanted
08. Non Stop Rock And Roll
09. From Here
10. Rocket Through My Heart
11. Chasing Rainbows
12. Gotta Get It On (Bonus)

Glam (Åge Sten Nilsen) - vocal
Teeny (Trond Holter) - guitarra, violão, backing vocals
Flash (Bernt Jansen) - baixo, backing vocals
Sporty (Øystein Andersen) - bateria

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by Silver

David Bowie – Aladdin Sane 30th Anniversary Edition [1973 – 2003]


O Glam Rock tem sua gênese creditada a Marc Bolan e seu T Rex, enquanto ao New York Dolls é creditada a criação do sleaze. Alguns não concordam com isso, outros batem o pé e não admitem outras personagens nesse capítulo da história da música. Seja como for, absolutamente ninguém foi tão influente nas duas cenas durante a primeira metade dos anos 70 como David Bowie.


Chamado muito apropriadamente de Camaleão, Bowie sempre foi um cara com grande senso de timming, que soube aproveitar todas as ondas do rock sem se vincular aos clichês de época e gênero. Ele cria seus próprios clichês.


Se nos anos 80 flertou simultaneamente com o dance e com o blues (Let’s Dance tem Stevie Ray Vaughan nas guitarras), e nos 2000 com o nu metal (Earthling chega a quase isso), em todas as suas investidas ele imprimiu uma qualidade muito acima dos seus contemporâneos.


Quer ver a influência do Camaleão nos cinemas? É no show de Bowie em Berlim que Christiane F. experimenta pela primeira vez a coisa ruim (veja o filme). Assista o filme The Runaways e sinta como o público feminino absorvia a androginia de Bowie como se ele fosse o rockstar que entendia as mulheres, o impensável roqueiro sensível. Leia a biografia do Led Zeppelin de Mick Wall e perceba que ele nunca foi santo (muito ao contrário).


Mas Bowie tinha um fiel escudeiro nos anos 70 que fazia com que suas obras se tornassem mágicas e icônicas. Mick Ronson era guitarrista, arranjador, produtor e compositor de mão cheia, fazendo com que a carreira do Camaleão não baixasse jamais do seu nível de excelência. E Aladdin Sane surgiu exatamente nesse período áureo, sendo o sexto disco de estúdio de Bowie, dando sequência à saga Ziggy Stardust.


O disco foi todo inspirado na obra "Vile Bodies" de Evelyn Waugh, e traz previsões sarcásticas de uma terceira guerra mundial que resultaria no fim do mundo, levando a crer que esse final ocorreria ainda na década de 70 (veja o título da música Aladdin Sane com as três datas – 1913, 1938 e 197?, que fazem referência aos anos de início das duas grandes guerras mundiais).


Para o disco, Mike Garson substituiu Rick Wakeman no piano e, sinceramente, esse foi o grande diferencial, a grande sacada de Bowie. A música Time, aparentemente uma música simples com poucos acordes repetitivos e letra apocalíptica, tornou-se algo sublime, cheia de tensão e dinâmicas graças à performance inigualável de Garson. Mick Ronson, com sua grande visão de músico que joga para o time, deixa o piano se sobressair por toda a música, aparecendo somente em momentos certos, com poucas e muito bem escolhidas notas. Química somada ao talento, meu caro passageiro.



A abertura do disco, com Watch That Man, mostra um Bowie roqueiro, antenado com o que a cena rocker estava fazendo, seus flertes com a música negra norte americana e as influências do blues e do country. Os Rolling Stones, aliás, aparecem na cover de Let’s Spend The Night Toghether em uma versão que não me agradou muito, mas tudo bem. The Jean Genie também é rock’n’roll, sendo este considerado o último disco dessa fase rocker de Bowie. A partir daí, o timming seria outro.



A versão que posto é a reedição de 30 anos do play, que tem um cd bônus com 10 músicas, incluindo a clássica All The Young Dudes, a versão do single de Time e diversos tracks da turnê americana gravados ao vivo. Um biscoito fino, definitivamente.


Time é para ouvir em estado de melancolia. Um piano como jamais se ouviu na história do rock. Sublime.


Track List


CD 1

1. "Watch That Man"

2. "Aladdin Sane (1913-1938-197?)"

3. "Drive-In Saturday" 4. "Panic in Detroit"

5. "Cracked Actor"

6. "Time"

7. "The Prettiest Star"

8. "Let's Spend the Night Together"

9. "The Jean Genie"

10. "Lady Grinning Soul"


CD 2 – Bônus da edição de aniversário

1. "John, I'm Only Dancing" ('sax' version)

2. "The Jean Genie" (single mix for single A-side, 1972)

3. "Time" (edit for single A-Side, 1973)

4. "All the Young Dudes" (mono mix)

5. "Changes" (Live) Boston Music Hall, 1 October 1972

6. "The Supermen" (Live) Boston Music Hall, 1 October 1972

7. "Life on Mars?" (Live) Boston Music Hall, 1 October 1972

8. "John, I'm Only Dancing" (Live) Boston Music Hall, 1 October 1972

9. "The Jean Genie" (Live) Santa Monica Civic Auditorium, 20 October 1972

10. "Drive-In Saturday" (Live) Cleveland Public Auditorium, 25 November 1972


David Bowie – guitarra, teclado, saxofone, voz

Mick Ronson – guitarra, piano, voz

Trevor Bolder – baixo

Mick "Woody" Woodmansey – bateria

Mike Garson – piano

Ken Fordham – saxofone

Brian "Bux" Wilshaw – saxofone e flauta

Linda Lewis – backing vocais

Juanita "Honey" Franklin – backing vocais

G.A. MacCormack – backing vocais


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Por Zorreiro

Thin Lizzy - Music Hall, Cologne [2011]


Post em parceria com o Jay Bootlegs

A apreensão era geral quando o novo Thin Lizzy foi anunciado. Afinal de contas, tratava-se da mudança mais radical da história da banda. Seis integrantes, sendo dois sem qualquer ligação com momentos anteriores. Mas a verdade é que quando temos músicos de primeiríssima categoria tudo fica mais fácil. Sendo assim, Ricky Warwick e o mestre Vivian Campbell superam qualquer desconfiança e mostram como se encara uma situação dessas. E verdade seja dita, em qualquer formação podemos perceber com sobras porque o Thin Lizzy é a banda mais injustiçada de todos os tempos. O poder de sua música é algo indescritível, capaz de agradar qualquer um que tenha contato.

Esse show, gravado em Cologne, Alemanha, apenas reafirma essa maravilhosa sensação. Sem John Sykes, o repertório foca a era setentista do grupo. Com isso, alguns sons há muito não executados retornam ao setlist, como as excepcionais “Dancing in the Moonlight”, “Massacre” e “Sha-La-La”, além de “Whiskey in the Jar”, que ganhou sobrevida de notoriedade graças ao Metallica. E a verdade é que, por mais que a vontade de esculachar com essa nova formação esteja dentro do coração de algumas pessoas (especialmente os mais saudosistas, que não toleram a existência do Thin Lizzy sem Phil Lynott), assim que o som começa a rolar, tudo desaparece como mágica.

O grande destaque fica por conta do já citado Mr. Campbell, que parece, como o próprio já declarou, ter reencontrado a alegria em tocar guitarra. O que é totalmente louvável, já que estamos diante de um dos maiores instrumentistas de seu tempo, que andava meio obscurecido por suas próprias decisões. Aqui sim, estamos diante do cara que brilhou em peças fundamentais do Rock, como Holy Diver e The Last in Line. E por mais que Phil seja eterno e insubstituível, não dá para negar que Ricky faz o trabalho de maneira fantástica. Portanto, tire qualquer pré-conceito da cabeça e curta o som, pois é o Thin Lizzy que temos. E só por isso, vale mais a pena que 99% das outras opções que nos são disponibilizadas.

Como curiosidade, as várias citações a Gary Moore, já que o mestre havia recém falecido. Qualidade de áudio é excelente, ainda mais considerando que trata-se uma gravação da platéia. Daqueles concertos que faz a gente erguer os punhos e gritar com todas as forças: “viva o Rock and Roll!”.

Ricky Warwick (vocals, guitars)
Scott Gorham (guitars)
Vivian Campbell (guitars)
Marco Mendoza (bass)
Brian Downey (drums)
Darren Wharton (keyboards)

01. Are You Ready
02. Waiting For An Alibi
03. Jailbreak
04. Do Anything You Want
05. Don't Believe A Word
06. Dancing in the Moonlight
07. Massacre
08. Angel of Death
09. Still In Love With You
10. Whiskey in the Jar
11. Emerald
12. Wild One
13. Sha-La-La
14. Cowboy Song
15. The Boys Are Back In Town
16. Killer On The Loose
17. Rosalie
18. Black Rose

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JAY

sábado, 26 de março de 2011

Treat - Dreamhunter [1987]

Como estou feliz pra caramba por conta do dia maravilhoso que tive hoje, mais uma postagem de presente para vocês! Eis aqui o melhor disco do Treat. Aposto que para muitos, bastaria eu dizer isso para rolar um convencimento. Ainda bem que não é assim que a banda toca, hehe

Quando Dreamhunter foi lançado em 1987, os suecos já gozavam de certo prestígio dentro de seu país (foram escolhidos para abrir shows do Queen e do W.A.S.P.) e também fora. Scratch and Bite (1985) e The Pleasure Principle (1986) fizeram bonito nas prateleiras e renderam ao quinteto hits como a hoje em dia clássica “Get You on the Run”. Os tempos eram áureos para o hard rock e o mundo da música era um céu azul para quem levantava vôo a bordo de uma aeronave do gênero.

Mais polido que seus antecessores, Dreamhunter aproxima o Treat do AOR na medida em que põe os teclados na linha de frente. O arrasa-quarteirão “Sole Survivor” abre o trabalho e já é possível atestar que estamos diante de músicos dos mais talentosos. Mais adiante temos em “Best of Me” um belíssimo exemplo da maneira escandinava de fazer uma power ballad. Forte candidata a melhor música do play, “Outlaw” tem batida forte, refrão marcante e um solo de guitarra que é puro feeling.



O maior hit por aqui talvez seja “World of Promises”, que ganhou versão da banda de death metal melódico In Flames. A reta final de Dreamhunter traz ainda “One Way to Glory” (lado b do single “World of Promises”) e “Save Yourself” (lado b de “You’re the One I Want”, single que não valeu menção no parágrafo anterior). Para quem pensa que, por causa da semelhança entre os logotipos, o Treat nada mais é que o Ratt sueco, baixe e veja/ouça que não é bem por aí.

01. Sole Survivor
02. You're the One I Want
03. Take Me on Your Wings
04. Best of Me
05. Dancing on the Edge
06. Outlaw
07. World of Promises
08. One Way to Glory
09. Save Yourself
10. The Winner

Robert Ernlund (vocals)
Anders Wikstrom (guitars, keyboards)
Jamie Borger (drums, percussions)
Lillen Liljegren (guitars)
Ken Siewertson (bass)

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Qualquer semelhança com a capa do disco é mera coincidência, ok?

@mvmeanstreet

Samson - Live at Reading '81 [1990]


O Reading Festival de 1981 foi um momento marcante na carreira profissional (e, porque não dizer, na vida) de Bruce Dickinson – aqui ainda conhecido como Bruce Bruce. Afinal de contas, Steve Harris e Rod Smallwood compareceram ao tradicional evento do verão inglês apenas para ver sua performance e formalizar o convite para a entrada no Iron Maiden, em substituição a Paul Di’Anno. Além disso, o Samson vivia seu auge de popularidade, tocando no festival mais tradicional da Inglaterra ao lado de bandas como Gillan, Rose Tattoo, Trust e Lionheart, fazendo parte do line-up de sábado, 29 de agosto.

A apresentação acabou rendendo, nove anos mais tarde, esse álbum ao vivo – que, para aproveitar o status que o vocalista alcançou, conta com um “featuring Bruce Dickinson” no título. Já sem o lendário e folclórico baterista Thunderstick, mas mostrando uma disposição invejável, a banda comandada pelo saudoso Paul Samson tomou o palco de assalto, esbanjando invejável disposição. Praticando um Heavy tradicional e direto, com passagens tendendo ao Hard Rock, conseguem conquistar a platéia. O destaque maior acaba sendo inevitavelmente para Bruce, que, se ainda não vivia seu melhor momento tecnicamente, já mostrava ser um frontman de primeira.

No repertório, clássicos que os adoradores da NWOBHM não cansam de ouvir, como “Big Brother”, “Take it Like a Man” e “Vice Versa”, além do hino “Riding With the Angels”. Curiosamente, no ano de lançamento desse play, Mr. Dickinson excursionava promovendo seu primeiro trabalho solo, Tattooed Millionaire. E era justamente com essa música que ele abria as apresentações da turnê. Quem possui o excelente vídeo Dive! Dive! Live! sabe muito bem. Coincidência? Uma força para os antigos companheiros? Vai saber. O fato é que, se o Samson não alcançou o mesmo sucesso de outros da cena, não era por falta de qualidade, como esse disco deixa bem claro.

Bruce Bruce (vocals)
Paul Samson (guitars)
Chris Aylmer (bass)
Mel Gaynor (drums)

01. Big Brother
02. Take It Like A Man
03. Nice Girl
04. Earth Mother
05. Vice Versa
06. Bright Lights
07. Walking Out On You
08. Hammerhead
09. Riding With The Angels
10. Gravy Train

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JAY

Steelheart - Tangled in Reins [1992]

Aviso: Esse post contém JSS (nos backing vocals)

A auto-intitulada estreia do Steelheart, lançada pela MCA Records em 1990, foi sucesso total: disco de platina, quatro clipes em alta rotatividade na MTV e o vocalista Mike Matijevic sendo reconhecido nos quatro cantos do mundo por seu alcance vocal. Ainda que o gênero estivesse dando seus primeiros sinais de enfraquecimento, o Steelheart estava numa nice, como diria a minha vovó.

Tangled in Reins foi lançado no dia 10 de julho de 1992 sob grande expectativa trazendo produção de alto nível, composições mais maduras e mais ousadia por parte dos músicos. Enquanto “Electric Love Child” traz um balanço mais moderno (que deve ter causado certo estranhamento), “Sticky Side Up”, “Late for the Party” (essa com direito a um talkbox muito bem encaixado nos refrães finais) e “Dancin’ in the Fire” são o puro hard rock farofa pra ninguém botar defeito!



As baladas “All Your Love” e “Mama Don’t You Cry” (responsável pelo renome da banda no extremo oriente) constituem a fatia mais suave da bolacha, onde a sensibilidade das clássicas “I’ll Never Let You Go” e “She’s Gone”, ambas do primeirão, é reanimada. E é na canção homônima ao quinteto que Mike atinge sua nota mais alta em todo o play e segunda mais alta dentre todos os registros do Steelheart.

A recepção até que foi boa – considerando os novos tempos da indústria musical – e o álbum estreou na 144ª posição do Billboard 200. Diante de uma platéia de 10 mil pessoas, o grupo gravou seu MTV Unplugged em Hong Kong e excursionou por outros países da Ásia. De volta para a América, mal sabiam que o fim os aguardava. Mas isso é história para outro post. Um ótimo download para vocês e parabéns para mim!

01. Loaded Mutha
02. Sticky Side Up
03. Electric Love Child
04. Late For The Party
05. All Your Love
06. Love 'Em And I'm Gone
07. Take Me Back Home
08. Steelheart
09. Mama Don't You Cry
10. Dancin' In The Fire

Mike Matijevic (vocals and piano)
Chris Risola (guitar)
Frank DiCostanzo (guitar)
James Ward (bass)
John Fowler (drums and percussion)

C.J. Vanston (keyboards)
Brad Buxer (keyboards)
Jeff Scott Soto (backing vocals)

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@mvmeanstreet

Parabéns, мєαиѕтяєєт!


mvmeanstreet, como diria o Zorreiro: "the boss itself"!

Agradecemos por conhecer o verdadeiro significado da palavra amigo: "irmão por escolha". Agradecemos por ser parceiro, nosso irmão, companheiro fiel e figura presente nos momentos que são realmente importantes e que sua presença se faz necessária.

Agradecemos por ser o precursor dessa Combe que nos faz viajar diariamente por um mundo que nós tanto amamos; com estradas cheias de solos de guitarra e muitos riffs!

Feliz aniversário, bro! Que seu dia seja cheio de alegria e claro, muito ROCK N' ROLL!

Forte abraço,

Equipe Combe do Iommi

Um pequeno presentinho:

sexta-feira, 25 de março de 2011

Brand New Sin – Recipe For Disaster [2005]


Brand New Sin é foda!

Êpa. Será que podia escrever palavrão na resenha? Bem, se não podia, paciência, porque não consigo pensar em outro adjetivo para a banda. Se você conhece, sabe do que estou falando; se não, imagine o que há de melhor em Stoner Rock hoje em dia.

Os caras fazem um som perfeito para ser trilha sonora de um filme tipo Wolf Creek, com cenários desérticos, cobras cascavéis, casas em estado deplorável com teto frouxo de zinco enferrujado, janelas de madeiras quebradas e com uma caminhonete toda ralada estacionada na frente. Dentro da casa não mora nenhuma donzela. Deu pra sacar o clima? Pois é nisso que penso quando escuto o som dos caras. Tensão total.

Absolutamente todas as músicas têm riffs de guitarra poderosos e aquele vocal estilo southern rock do inferno. Baixo a todo volume, competindo com a guitarra, e uma bateria reta mas pesada como um Zeppelin de chumbo (essa referência aposto que você já conhece).


A gurizada

A banda foi formada em 2002, e este que posto hoje é o seu terceiro disco, com uma formação que não subsiste mais. Atualmente como um power trio, o Brand New Sin fez em 2005 a sua melhor química funcionar. Recipe For Disaster é o disco que trouxe as melhores músicas da banda até agora, na minha opinião. O single foi Black and Blue, que tem um dos riffs de guitarra e baixo tocando em uníssono mais poderosos que já ouvi.



Running alone é só violão e aquele vocal que, aqui, lembra bastante o de Zakk Wylde. Só que é uma balada que difere do que o Black Label vem fazendo, já que não tem arranjo de cordas. É só viola; e o resto todo é frescura que a banda parece execrar. Som cru, no sentido estrito do termo. A viola aparece de novo em Another Reason, mas desta vez com a banda toda entregando muita porrada. Refrões cantados em coro pelos caras estão longe dos clichês de arena. É excelente.

Ouça Days Are Numbered e tente não imaginar um cruzamento de AC/DC com Accept e Judas Priest, tudo como se algum dos irmãos Van Zandt tivesse feito gargarejo com gilettes e Jack Daniel’s. É difícil enaltecer apenas uma música desse disco, porque o conjunto da obra é orgânico o suficiente para ser devorado inteiro, sem fatiar.



A turnê desse disco foi conjunta com o Black Label Society, o que me faz imaginar a alegria que devia ser ir a um show desses. Esqueça mulheres na platéia, mas pense no maior trago da sua vida. Será que tem SAMU nos Estados Unidos? Porque eu certamente precisaria.

Ah! Não falei que eles são de New York para que o nobre passageiro não contaminasse a leitura. Imagine que eles vivem nos desertos de Manhattan, entre as cascavéis do Central Park etc.

Sem querer ser machista, mas.... som de macho.

Track List

1. "Arrived"
2. "The Loner"
3. "Brown Street Betty"
4. "Black and Blue"
5. "Running Alone"
6. "Freight Train"
7. "Vicious Cycles"
8. "Another Reason"
9. "Days Are Numbered"
10. "Once in a Lifetime"
11. "Dead Man Walking"
12. "Gulch"
13. "Wyoming"

Joe “Just Joe” Altier (vocais)
Kris Wiechmann (guitarra)
Kenny Dunham (guitarra)
Chuck Kahl (baixo)
Kevin Dean (bateria)

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Por Zorreiro

The Rolling Stones - Plundered my soul [2010]


Esse é EP nada mais é que a (re)captura da alma dos Rolling Stones. A música que dá título ficou de fora de um dos maiores plays dos linguarudos, o Exile On Main Street, o qual foi relançado em 18 de maio do ano passado - com direito a versões dupla e deluxe, com LPs, postcards, livro de fotografias e DVD. Pouco antes liberaram esse single, no dia 17 de abril.

O "Exile...", de 1972, foi gravado numa cidadezinha do sul da França, já que a banda estava "foragida" da Inglaterra, devido ao Fisco e à repressão latente às drogas. O trabalho foi todo gravado, como o guitarrista Keith Richards diz, ao "som do porão da mansão de Nellicote". A canção "Plundered my soul" tem um quê de clássico já formado.

Começa dando ares de que vai ser suave, mas a letra é uma 'pazada' emocional na cara de quem ouve. Além disso, o contexto em que foi feita traz mais significado a ela. Os backing vocals das - inclusive das atuais - Lisa Fisher e Cindy Mizelle estão peculiarmente belos com as investidas do cantor Mick Jagger.

As guitarras de Keith mostram a pegada de sempre - bem como a bateria de Charlie Watts. O outro guitarrista, Mick Taylor, tem passagem marcante com seu solo e temas bem encaixados. O baixo de Bill Wyman deixa saudades.

A próxima e última música, "All down the line", já foi tocada algumas vezes, inclusive no show-documentário Shine A Light, dirigido pelo ótimo Martin Scorcese, em 2008. A performance de Mick nesse show é show! Destaques também para os teclados de Nick Hopkins e o sax de Bobby Keys. Apesar dos overdubs feitos, é possível notar os chiados e estalos durante a execução das músicas, rememorando e nos levando à época do vinil. Bem, ainda bem que os técnicos acharam essa pérola, perdida há 30 anos...

1. Plundered my soul
2. All down the line

Mick Jagger - vocalista, guitarras e percussão
Keith Richards - guitarras
Mick Taylor - guitarras
Bill Wyman - baixo
Charlie Watts - bateria
Nicky Hopkins - teclado
Bobby Keys - saxofone
Lisa Fisher - backing vocal
Cindy Mizelle - backing vocal


Por Breno Airan Meiden

quinta-feira, 24 de março de 2011

Terry Brock - Diamond Blue [2010]


Em primeiro lugar, não dá para deixar de elogiar a maravilhosa capa, uma verdadeira obra-prima. Terry Brock já é figura conhecida dos fãs mais ardorosos de AOR. Afinal de contas, é vocalista de uma das melhores bandas do gênero, o Strangeways – que pisou no tomate feio no último disco, mas ainda tem crédito. Recentemente, ainda assumiu a frente do Giant, outro dos preferidos entre os admiradores. Com uma folha corrida dessas, seu novo trabalho solo não poderia sair rodeado de menos expectativas. Para certificar-se que teria uma pérola em mãos, a Frontiers Records ainda chamou o lendário Mike Slammer (City Boys, Seventh Key, Streets) para trabalhar na produção. O entrosamento já era perfeito, pois ambos tinham parceria em outros projetos.

Os riffs de guitarra levados por uma melodia resvalando no Pop abrem o trabalho com a faixa-título e seu refrão simplesmente fantástico, aparentemente saído de uma máquina do tempo diretamente dos 1980’s. Daqueles que Steve Perry ou Lou Gramm adorariam cantar em outra época. Na mesma linha vem “It’s You”, que poderia tranquilamente tocar em alguma rádio, se elas tivessem bom gosto. Eis que reaparece Jessie, o personagem preferido dos cantores AOR. E dessa vez é pra ir embora, como deixa claro o título, “Jessie’s Gone”, com mais um refrão que é golaço. Apesar do nome, “No More Mr. Nice Guy” não é um cover de Alice Cooper. O riff inicial, na verdade, poderia sugerir que se tratava de uma versão para “Man on the Silver Mountain”, do Rainbow. Mas nenhum dos dois. Trata-se da mais pesada e uma das melhores, com um trabalho vocal excelente.



Para contrabalancear, a primeira das tradicionais baladas – ou não seria um disco do gênero. “The Rain é para puxar a patroa, acender uma vela e dançar de rosto colado, se você tiver hombridade suficiente para isso, porque tem que ser muito mais macho que os troo para tanto. Uma intro de guitarra bem puxada pro lado mais moderno pode assustar alguns puristas em “The Broken”. Mas logo ela vira uma melodia cadenciada indefectível, lembrando até um pouco daquelas resvaladas comerciais do Yes. Para dar uma animada, “Face in the Crowd” é pontuada por um violão bem bacana e é outra que poderia facilmente freqüentar o dial do seu rádio se não houvesse outro tipo de interesse por trás das programações.

A ótima “Why” chega com uma letra simplesmente sensacional, verdadeiro bota-fora, um tapa na cara de quem merece ouvir umas verdades. E que belo solo de Slammer, o melhor do play. Na mesma linha lírica, mas com uma pegada mais Hard, “Too Young” bota o ouvinte pra bater o pé com a levada. A melancolia toma conta em “A Soldier Falls”, a típica balada triste, pronta para pegar os deprimidos de surpresa e fazê-los derramar todas as lágrimas acumuladas. Para encerrar, “Face the Night”, outra lentinha, dessa vez com um clima menos desesperador.

Quem espera um som com mais pegada e vigor, pode se decepcionar. Mas se melodias marcantes, mesmo que às vezes leves para os padrões Hard Rockers, fazem a sua cabeça, aqui está um item indispensável na coleção. Uma escutada e ele será memorizado para nunca mais esquecer.

Terry Brock (vocals, guitars)
Mike Slamer (guitars, bass, keyboards)
Andy Bigan (drums)

01. Diamond Blue
02. It's You
03. Jessie's Gone
04. No More Mr. Nice Guy
05. The Rain
06. Broken
07. Face In The Crowd
08. Why
09. Too Young
10. Soldier Falls
11. Face The Night

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JAY

D.A.D – No Fuel Left For The Pilgrims [1989]


Comprei esse disco pela capa.

Comecei fazendo um confissão, porque D.A.D saiu no Brasil sem nenhum alarde ou divulgação maciça. Um belo dia entrei na loja, estava “folheando” os discos de vinil como fazia quase diariamente, e me deparei com uma galera que tinha o mesmo visual de todas as bandas que eu gostava. E mais, na capa, seguravam um galão de gasolina pegando fogo. Perfeito! Nem pedi pra escutar, pensei comigo: ou vai ou racha! Não pode ser ruim. Comprei e vambora pra casa escutar a novidade.

E não é que o som era bom. Mais que isso, era ótimo. Vamos aos fatos que somente chegaram até mim após o advento da internet, pois, quando comprei o disco, fiquei muito tempo sem saber da história dos caras.

D.A.D. é uma banda formada em 1982 em Copenhagen, Dinamarca, cujo nome é a abreviação de Disneyland After Dark. Obviamente, esse nome lhes rendeu problemas com a empresa detentora dos direitos do Mickey e eles passaram a utilizar somente a sigla como indicativo da banda, sem mencionar o seu significado nos discos que viriam a seguir. A sigla também mudou para D-A-D e, posteriormente, D:A:D, para não ficar tão evidente se tratar de uma sigla ou abreviatura. Coisa de contratos, copyright etc.


Os caras batalharam muito, como era de se esperar, afinal, saíram de um país sem nenhuma tradição no hard rock para tentar conquistar o mundo. Miniturnês sem respaldo nenhum pelos Estados Unidos e Europa fizeram parte da vida dos caras até o lançamento deste disco que posto hoje.

No Fuel Left For The Pilgrims foi o terceiro full length da banda e o primeiro a ser distribuído mundialmente por uma grande gravadora. O disco traz um hard rock com claras influências do punk, lembrando um pouco o T.S.O.L. da fase áurea. Tem pitadas de sleaze também, com aqueles riff típicos e refrões de cantar junto. Em suma, tudo o que gostamos de ouvir nos discos lançados antes de 1990.

Sleeping my Day Away abre o play com força total, mostrando que os caras têm talento de sobra. As guitarras misturam timbres sujos com limpos, lembrando, nesse começo, a fase Electric do The Cult. Mas é só, pois o resto do disco é bastante original e criativo.



As minhas preferidas são Overmuch e Wild Talk que, pelos títulos, já dá pra ver em que fonte eles bebiam. Rock pra agradar que transita pela Sunset Strip ou, como eu, sempre sonhou em passear por lá (porém algo me diz que, quando eu for, terei uma decepção em relação às minhas expectativas).



Por algum motivo que não sei dizer, a banda não continuou a explorar o mercado dos Estados Unidos, mesmo após terem celebrado um grande contrato com a Warner Brothers. Depois de No Fuel Left For The Pilgrims, o D.A.D restringiu sua atuação ao mercado europeu para, então, cair no ostracismo.

Fica então a dúvida: se saíram da Escandinávia para conquistar o mundo, e o ganharam, por que retroceder? Pena, pois o som é muito bom, feito pra curtir com alto astral, como todas as bandas com essa proposta. A produção do disco foi esmerada. Vai entender uma coisa dessas.

Cabe a frase de Mr. Churchill: “you should never surrender...”


Track List

1. "Sleeping My Day Away"
2. "Jihad"
3. "Point Of View"
4. "Rim Of Hell"
5. "ZCMI"
6. "True Believer"
7. "Girl Nation"
8. "Lords Of The Atlas"
9. "Overmuch"
10. "Siamese Twin"
11. "Wild Talk"
12. "Ill Will"

Jesper Binzer (vocais, guitarras, banjo)
Jacob “Cobber” Binzer (guitarras, piano, backing vocais)
Stig Pedersen (baixo, backing vocais)
Peter L. Jensen (bateria)

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Por Zorreiro

quarta-feira, 23 de março de 2011

Foghat – Fool For The City [1975]


Foghat é uma banda um tanto enigmática. Viveram em uma época em que grandes dinossauros andavam sobre a terra e, mesmo assim, conseguiram se sobressair no cenário mundial.

Se considerarmos que a banda foi contemporânea de Deep Purple, Led Zeppelin, Black Sabbath, Kiss, Alice Cooper, entre várias outras, todas no auge criativo e performático, veremos que isso não é pouca coisa. Se eles fossem contemporâneos do Restart e do NX Zero talvez tudo tivesse sido diferente (desculpe, não resisti).

É bem verdade que sua fama ficou restrita aos grandes charts, como Estados Unidos e Europa, mas conseguiram enorme sucesso com o disco que apresento agora, o maravilhoso Fool For The City. Vamos aos fatos.

Capa do single
Mais um expoente da safra blues/hard rock britânica, o Foghat foi formado em janeiro de 1971 pelo vocalista e guitarrista Dave “Lonesome Dave”Peverett, pelo baixista Tony Stevens e pelo batera Roger Earl, egressos da grande banda Savoy Brown (que, se tudo der certo, em breve aparecerá por aqui). Para a formação do grupo foi chamado o guitarrista Rod Price, uma fera na slide guitar que fez com que o Foghat desse um passo à frente em relação aos seus contemporâneos.

A larga experiência de Lonesome Dave, Stevens e Earl nas performances e composições, aliada ao enorme talento de Price resultaram naquela banda que, na minha opinião, salvou o blues rock britânico da segunda metade dos anos 70. Como todos os músicos britânicos da época, o Foghat estava longe de ser uma banda purista do blues, incorporando elementos do soul, do rock e até mesmo do funk em suas músicas. Vocais fortíssimos, cozinha coesa e dinâmica (nunca uma levada de baixo e bateria permanece igual na mesma música) e um trabalho de slide de tirar o chapéu. Esse é o Foghat.

Fool For The City foi o quinto álbum de estúdio do Foghat, e traz o seu maior sucesso, a “melhor música para embalar jornadas de motoqueiros sujos cavalgando Harley Davidsons desde Born to be wild”: Slow Ride! Desde a comédia Wild Hogs ao seriado de TV Dexter, várias referências à juventude selvagem dos anos 70 no cinema e na televisão trazem o Foghat como inspiração e trilha sonora.



Para o disco, o baixista Tony Stevens foi substituído pelo produtor Nick Jameson (a exemplo do que o Metallica fez em St. Anger com Bob Rock no lugar de Jason Newsted). Mas a química não apenas não se perdeu com a saída do baixista original como os músicos descobriram o quanto um produtor pode ser o quinto elemento que faltava para o salto definitivo no mundo da fama.

Também tem uma versão “quebra tudo” de Terraplane Blues, clássico de Robert Johnson. A música virou uma blues ballad de tirar o fôlego, graças, especialmente, ao grande trabalho de Price e aos vocais espetaculares de Lonesome Dave. Take it or Leave it tem um violão que lembra Eagles na fase Hotel California. Um disco feito para atingir em cheio o público rocker e extrapolar os limites do fã clube.



A banda sofreu diversas alterações de formação depois disso, tendo se desintegrado e reunido mais de uma vez. Em 2000, Dave e Price morreram, e a banda atualmente conta com uma versão excursionando por aí. Mas como química é química, tudo gira em torno de reviver o passado e manter acesa a chama que parecia queimar para sempre.

Fool For The City não foi o álbum mais vendido do Foghat, mas foi o que lhes abriu as portas das paradas de sucesso e definiu todo um estilo musical. Foghat Live vendeu mais, mas isso só aconteceu porque Fool For The City trouxe ao mundo novos padrões. Um marco, definitivamente.

Slow ride, take it easy.

Track list

1. "Fool for the City" (Peverett)
2. "My Babe" (Hatfield/Medley)
3. "Slow Ride" (Peverett)
4. "Terraplane Blues" (Robert Johnson)
5. "Save Your Loving (For Me)"(Price/Peverett)
6. "Drive Me Home" (Peverett)
7. "Take It or Leave It" (Jameson/Peverett)

“Lonesome Dave” Peverett (vocais e guitarra)
Rod "The Bottle" Price (guitarra slide e vocais)
Roger Earl (bateria)
Nick Jameson (baixo, teclados, guitarras e vocais)


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Por Zorreiro