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quinta-feira, 28 de abril de 2011

KISS – Smashes, Thrashes & Hits [1988]



Precisava refazer o que já era perfeito?

Em 1988 o KISS se encontrava em um período, no mínimo, estranho. As glórias estavam no passado e a formação da banda, embora tecnicamente perfeita, não conseguia mais realizar os grandes feitos da fase mascarada (ou mesmo sem máscaras, se contarmos os excelentes trabalhos com Vinnie Vincent e Mark St. John).

Bruce Kulick, irmão mais novo do fiel escudeiro de estúdio Bob Kulick, estava havia quase quatro anos com o Kiss na estrada e, ao vivo, como disse o próprio Paul Stanley no vídeo do Alive III - Konfidential, parecia uma árvore tocando um ukelele (comparativo genial, diga-se). Embora seja um guitarrista genial, Kulick não tinha a presença de palco de seus predecessores, e KISS, caro passageiro, é banda de palco.


A última vez que o KISS havia lançado uma coletânea tinha sido o maravilhoso Double Platinum, no distante ano de 1978. Ressalte-se que, embora Killers tenha sido uma coletânea, seu lançamento foi restrito a determinados mercados fonográficos, como o brasileiro, a fim de divulgar a turnê que lotou o Maracanâ. Era hora de lançar mais uma, contendo os sucessos que vieram depois, e a nível mundial. Mas, existia material suficiente para encher um disco? A resposta era: não. Desde o ano de 1978 o KISS não fazia mais hits com tanta freqüência, ou mesmo hits que fossem capazes de alavancar as vendas de uma coletânea.

Surgiu, então, a ideia brilhante dos gerentes de marketing da banda (leia-se Stanley e Simmons): regravar alguns antigos sucessos com o primor técnico da nova formação. Também aproveitar o embalo e injetar duas canções inéditas para mostrar ao público que eles ainda conseguiam fazer alguma música capaz de virar hit. Pegar os maiores sucessos nos USA e na Inglaterra e lançar duas versões da coletânea, uma americana e outra inglesa (devotos de San Marketing, louvai). Em 15 de novembro de 1988 era lançado Smashes, Thrashes & Hits, postagem de hoje na versão norte americana.

O play abre com as duas músicas inéditas, para mostrar ao ouvinte que veio conferir os velhos hits que o KISS ainda existia e estava na ativa. Let’s Put The X In Sex traz aquele clima típico dos anos 80, lembrando um KISS bronzeado e com corpinhos sarados curtindo a vida nas baladas do oeste norte americano. Paul Stanley dá um show de voz nessa música, com agudos fantásticos. Bruce Kulick detona um solo com wah wah que, sinceramente, me faz pensar se ele não pode ser considerado o melhor guitarrista do KISS sem Frehley.





Na esteira a segunda inédita, (You Make Me) Rock Hard traz aquele que é um dos riffs preferidos de Bruce Kulick. O velho peso da bateria zeppeliniana de Eric Carr está mais vivo do que nunca, com um cowbell sem-vergonha puxando o coro do refrão.

Definitivamente, eles queria conquistar o mundo novamente. Não era um KISS muito diferente daquele que gravou Crazy Nights, mas parecia ter mais gana, mais feeling, menos acomodação. Kulick, de novo, é o destaque. Os solos dele são músicas dentro das músicas; são melodias especiais que se encaixam num contexto geral mas, ao mesmo tempo, são completamente diferentes das linhas vocais. Bruce pra presidente – e já.





Das antigas, nenhuma novidade, exceto que temos uma gravação de Beth com Eric Carr nos vocais e que os timbres estão melhores, sendo que os músicos resolveram manter as performances originais. Nem todas as versões são regravações, deve-se destacar. As informações não são muito claras no vinilão que tenho. Na internet esses detalhes também são omitidos. Creio que, das que compõem o track list abaixo, as remixadas passaram por um algo mais durante esse trabalho.

Quer ver como o KISS entrou em baixa na popularidade durante os anos 80? Basta analisar o track list e verificar que, das 13 músicas que compõem a coletânea, somente 4 (I Love It Loud, Lick It Up, Heaven’s on Fire e Tears Are Falling) são da década; e, dessas, somente uma é da discografia que conta com Bruce Kulick.

Mas é um disco excelente, que faz por merecer a ouvida e, sinceramente, é uma coletânea que foi feita para ouvir andando de carro (à exceção da horrorosa Beth que nunca curti).

Track List

1. "Let's Put the X in Sex" Inédita
2. "(You Make Me) Rock Hard" Inédita
3. "Love Gun" (remix) - Love Gun (1977)
4. "Detroit Rock City" (remix) - Destroyer (1976)
5. "I Love It Loud" (remix) - Creatures of the Night (1982)
6. "Deuce" (remix) - Kiss (1974)
7. "Lick It Up" - Lick It Up (1983)
8. "Heaven's on Fire" - Animalize (1984)
9. "Calling Dr. Love" (remix) - Rock and Roll Over (1976)
10. "Strutter" (remix) - Kiss (1974)
11. "Beth" (Eric Carr vocal) - Destroyer (1976)
12. "Tears Are Falling" - Asylum (1985)
13. "I Was Made for Lovin' You" - Dynasty (1979)
14. "Rock and Roll All Nite" (remix) - Dressed to Kill (1975)
15. "Shout It Out Loud" (remix) - Destroyer (1976)


Mark St. John, Ace Frehley, Paul Stanley, Vinnie Vincent, Bruce Kulick (guitarras)
Peter Criss, Eric Carr (bacteria e vocais)
Gene Simmons (baixo e voz)
Paul Stanley (guitarras e voz)

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Por Zorreiro

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Stargazery - Eye On The Sky [2011]


Definitivamente a Finlândia se tornou um dos grandes expoentes do Hard Rock/Heavy Metal. Prova disso é que toda hora pipocam novos projetos e bandas, normalmente de altíssima qualidade. É o caso do Stargazery, que tem como membro mais conhecido em sua formação o vocalista Jari Tiura, com passagem pelo Michael Schenker Group. Os outros músicos já passaram por uma série de bandas, como Burning Point e Poisonblack, garantindo a experiência necessária para fazer de Eye On The Sky um belo álbum de estréia. A sonoridade transita entre o Hard e o Heavy, lembrando em alguns momentos a diversidade dos discos do guitarrista alemão Axel Rudi Pell.

Começando com a cadenciada “Dying”, já podemos notar que o trabalho dá grande ênfase às texturas de teclado, proporcionando um clima denso que casa perfeitamente com a proposta. Continuar com uma balada talvez não tenha sido a melhor opção. Mas “Everytime I Dream Of You” é um belo exemplar do gênero, com emoção na medida certa. Hora de lembrar ao ouvinte que eles são de terra prolífica em Power Metal à velocidade da luz. Para isso, vem a faixa-título, com a vantagem que a percepção se limita ao instrumental, já que o registro vocal de Jari segue linha totalmente oposta ao lugar comum do estilo.



“How Many Miles” conta com uma intro bem calma, ditada pelos teclados, mas acaba caindo numa brilhante melodia. Sem dúvida, um dos melhores momentos do play, não à toa foi escolhida como single promocional. Na mesma linha, “I Am The Night” traz linhas pesadas em uma condução muito bacana por parte do baterista Jussi Ontero. O panorama não muda muito em “Jester Of Kings”, enquanto “Judah (The Lion)” adere a influências sinfônicas, com resultado satisfatório. As melhores guitarras do disco estão em “Puppet On A String”. Riff matador na introdução, trazendo o Rainbow à mente, além de um belo solo de teclado. A última das inéditas é “S.O.S.”, sem muitas novidades, sem correr riscos.

O cover escolhido para encerrar o álbum foi muito interessante por fugir das obviedades. Nada menos que “Headless Cross” do Black Sabbath, em uma versão mais arrastada. Apesar de não mudar muita coisa na estrutura básica, pode assustar os mais conservadores. Mas com o tempo acostuma. Sem tentar reinventar a roda, o Stargazery aprova em sua estréia. Não deve entrar na lista de melhores do ano de ninguém, mas garante a diversão.

Jari Tiura (vocals)
Pete Ahonen (guitars)
Jukka Jokikokko (bass)
Marco Sneck (keyboards)
Jussi Ontero (drums)

01. Dying
02. Everytime I Dream of You
03. Eye on the Sky
04. How Many Miles
05. I Am the Night
06. Jester of Kings
07. Judah (The Lion)
08. Puppet on a String
09. S.O.S.
10. Headless Cross

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JAY

Mr. Big - Hey Man [1996]


O Mr. Big obteve grande sucesso com os álbuns "Lean Into It" e "Bump Ahead", mas o público interessado no som do quarteto já começava a passar por uma peneira, visto que a indústria do Rock estava cada vez mais triste e distorcida ao decorrer da década de 1990.

Intitulado "Hey Man", o quarto álbum do grupo foi lançado no início de 1996 e mostrou que, ao contrário de muitas bandas de Hard Rock, havia público para o Mr. Big, mas do outro lado do mundo. Além de ter conquistado o primeiro lugar das paradas japonesas, houve uma excursão de divulgação bem-sucedida pelo Japão e países como Tailândia e Coréia do Sul.

Musicalmente falando, "Hey Man" representa um forte amadurecimento do quarteto que, apesar das crises internas que já borbulhavam, funcionava com brilhantismo. Nesse álbum, o conjunto conseguiu construir composições repletas de identidade, sem se adequar à uma vertente musical em específico, permitindo um flerte com o Pop, o Hard Rock, o Heavy Metal, o Funk e por aí vai.



Falar da competência dos músicos envolvidos é chover no molhado, pois é algo já conhecido por qualquer bom fã de Rock. Todos exalam criatividade e habilidade em seus devidos instrumentos. Eric Martin está cantando muito e sua voz carismática conquista qualquer um. A dupla de shredders, Paul Gilbert e Billy Sheehan, é um caso raro de fritadores que nunca conseguem ser maçantes. E o baterista Pat Torpey se mostrou realmente endiabrado, tendo registrado, aqui, sua melhor performance em full-lengths até hoje.

Infelizmente, o play foi o último com a formação original até o recente "What If...", que marca a reunião dos caras. O guitarrista Paul Gilbert pediu as contas por motivos ainda incertos, mas que segundo o próprio, foram baseados no atrito entre Martin e Sheehan, que também acabou com a banda. Para substituí-lo, Richie Kotzen foi convidado e permaneceu até o fim, em 2002.

Não espere uma nova To Be With You. Espere por pouco mais de 45 minutos de boa música, sincera e feita por gente realmente talentosa. "Hey Man" definitivamente não tem fillers e deve ser desfrutado da cabeça aos pés. Destaques para o single Take Cover (incluído na trilha sonora do desenho Mega Man), para a incrível If That's What It Takes, para a divertida Jane Doe e para a baladesca Goin' Where The Wind Blows.



01. Trapped In Toyland
02. Take Cover
03. Jane Doe
04. Goin' Where The Wind Blows
05. The Chain
06. Where Do I Fit In?
07. If That's What It Takes
08. Out Of The Underground
09. Dancin' Right Into The Flame
10. Mama D.
11. Fool Us Today

Eric Martin - vocal, teclados
Paul Gilbert - guitarra, violão, backing vocals
Billy Sheehan - baixo, violão, craviola, backing vocals
Pat Torpey - bateria, percussão, backing vocals

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by Silver

terça-feira, 26 de abril de 2011

Bill & Ted: Bogus Journey – Original Soundtrack [1991]


Já que foi anunciada a volta da dupla às telas, vamos relembrar a trilha sonora do segundo capítulo dessa saga cômica. Aliás, não é um erro dizer que muitos lembram do filme mais pelas músicas que pela trama em si. Até porque o roteiro de Bill & Ted: Bogus Journey (no Brasil, Bill e Ted: Dois Loucos no Tempo) é aquela coisa bem Sessão da Tarde, com uma dupla da pesada se metendo em altas confusões e encarando uma turminha da pesada. Até na sinopse para a Wikipédia o autor resolveu incorporar o espírito da coisa. Senão vejamos:

No ano de 2691, um ambicioso cientista chamado De Nomolos se cansa do sistema em que a humanidade vive (sistema este criado por Bill & Ted) e decide fundar uma nova ordem. Para que sua nova ordem seja aceita, ele se vê obrigado a destruir a dupla. Assim, envia ao passado dois robôs idênticos a Bill & Ted e ordena-lhes que matem os verdadeiros e assumam seus lugares, agindo de forma a fazer com que a dupla passe despercebida pela história do mundo. Os robôs conseguem matar nossos heróis, mas estes começam a atravessar sua maior aventura, dessa vez no outro mundo. Jogam com a Morte e até conhecem Deus, antes de conseguirem retornar ao mundo dos vivos, salvar a si mesmos, as namoradas e, de quebra, vencer um concurso de bandas cujos principais adversários são os próprios robôs.



Já sentiu o clima da bagaça, não? Mas vamos ao que interessa, que é a OST. Temos aqui um verdadeiro quem é quem das paradas à época. E como o momento era do Hard Rock, temos a presença do Slaughter e o Winger abrindo o play com dois excelentes temas. Na seqüência vem o KISS, com sua versão para “God Gave Rock ‘N’ Roll To You”, que ganhou um II para diferenciar da original, do Argent, que foi comprada por Gene e Paul. Como Eric Carr já enfrentava os problemas de saúde que causariam sua morte. Sendo assim, temos a estréia oficial de Eric Singer na banda, mesmo com Carr ainda aparecendo no clipe, com direito a uma peruca para manter as aparências.

Boas surpresas surgem com o então novato Richie Kotzen, mandando ver “Dream Of A New Day”, faixa que também esteve presente em seu álbum, Fever Dream. A versão aqui presente conta com algumas pequenas alterações. Quase imperceptíveis, mas quem conhece a original vai reparar. O Megadeth deixa seu recado em “Go To Hell”, com Dave Mustaine mostrando mais uma vez que o amor é lindo. E a loucura do Primus se faz presente com uma de suas mais divertidas músicas, a impagável “Tommy The Cat”, mais uma aula de baixo, cortesia de Les Claypool. Com seu tradicional bululu bem elaborado, Steve Vai faz a festa em “The Reaper” e “The Reaper Rap”, onde podemos conferir seu desempenho em um trecho de uma canção do KISS. É rápido e tem que prestar atenção, mas vale a pena.



01. Shout It Out (Slaughter)
02. Battle Stations (Winger)
03. God Gave Rock ‘N’ Roll To You II (KISS)
04. Drinking Again (Neverland)
05. Dream Of A New Day (Richie Kotzen)
06. The Reaper (Steve Vai)
07. The Perfect Crime (Faith No More)
08. Go To Hell (Megadeth)
09. Tommy The Cat (Primus)
10. Junior’s Gone Wild (King’s X)
11. Showdown (Love On Ice)
12. The Reaper Rap (Steve Vai)
13. Final Guitar Solo (Steve Vai)
14. Meet The Reaper (Steve Vai)

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JAY

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Richie Kotzen - Into The Black [2006]


Depressão. Melancolia. Raiva. A música, muitas vezes, pode ajudar a aliviar esses sentimentos, tanto para quem ouve quanto para quem cria. E foi em Into The Black que Richie Kotzen resolveu exorcizar seus demônios internos. Como o título já sugere, o álbum é uma viagem ao lado mais obscuro da mente do músico. As letras soam como verdadeiros desabafos (o que fica claro após uma simples olhada nos títulos das faixas), o que faz com a sonoridade também seja bem mais densa em comparação aos outros trabalhos de Kotzen. A coisa toda é tão pessoal que o próprio tocou todos os instrumentos, prática cada vez mais comum em seus lançamentos posteriores.

Mesmo sendo tão carregado, o efeito sobre os fãs foi o melhor possível. Não são poucos os que colocam esse entre os melhores discos da carreira de Richie, talvez pela grande identificação com o que ele aborda. Afinal de contas, quem nunca teve vontade de gritar ao mundo algo parecido com a letra de “You Can’t Save Me”? Mesmo em momentos mais leves, como a lindíssima balada “My Angel”, o clima é de desesperança. Outros grandes destaques são a ótima “Misunderstood”, a sempre presente no setlist “Doin’ What The Devil Says To Do” e as belíssimas passagens de guitarra em “Till You Put Me Down”.



A grande ironia é que poucos antes de fazer esse álbum, Kotzen havia passado por aquele que o próprio considera um dos melhores momentos da carreira, quando foi atração de abertura dos shows dos Rolling Stones na Ásia, durante a turnê do álbum A Bigger Bang. Mas é aquela história, tristeza não escolhe hora para chegar. E o mais saudável é enfrentá-la, afinal de contas, já diz um grande amigo: você só sai do fundo do poço quando realmente chega nele. E aqui temos um grande exemplo de como encarar a situação. Baixe, emocione-se e aprenda!

Richie Kotzen (all instruments)

01. You Can’t Save Me
02. Misunderstood
03. Fear
04. The Shadow
05. Doin’ What The Devil Says To Do
06. Till You Put Me Down
07. Sacred Ground
08. Your Lies
09. Living In Bliss
10. My angel

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JAY

domingo, 24 de abril de 2011

Rage - Speak Of The Dead [2006]


Com o passar dos anos, se tornou cada vez mais comum bandas de Rock trabalhando com orquestras. Não dá para dizer que é uma prática dos tempos modernos, afinal de contas, o Deep Purple, pegando apenas um exemplo, realizou essa experiência no já longínquo ano de 1969. Mas foram poucos que realmente se atreveram a compor uma música ou suíte para ser executada exclusivamente no formato. A maioria simplesmente pega seus hits e adapta a um novo cenário musical. O Rage é, sem dúvida, uma dessas exceções. A partir de determinado momento da carreira, Peter Peavey Wagner se interessou por essa fórmula. Mas com a entrada do guitarrista e maestro russo Victor Smolski, a coisa se elevou a patamares cada vez mais altos.

O auge dessa faceta da banda aconteceu em Speak Of The Dead, álbum que dedica suas oito primeiras faixas à espetacular “Suite Lingua Mortis”, um dos momentos mais brilhantes do Heavy Metal nas últimas décadas. A variação de climas, a execução instrumental, o dinamismo sonoro envolve o ouvinte de maneira única. A Orquestra Sinfônica de Minsk, Polônia, assimila a proposta e cumpre seu papel com louvor, vencendo barreiras musicais que ainda existem nas cabeças fechadas de ambos os lados da história. Temos aqui um dos casamentos mais bem feitos entre o Rock e o clássico em todos os tempos. Não com a mesma pompa de bandas zilionárias, mas sem dúvida com mais talento.



Na segunda metade, temos o Rage no formato tradicional, com seu Power Metal acima da média. Tempo para barulheira das boas, como a pegada certeira de “No Fear”, a melódica “Soul Survivor” (refrão grudento, na melhor escola Peavey do assunto), o espancamento total de “Kill Your Gods” e a ótima faixa-título. Outra que merece destaque é “Full Moon”, que teve outras três versões em diferentes línguas. Como não fizeram uma em português, foi disponibilizada na edição nacional a cantada em espanhol, “La Luna Reine”. E a adaptação foi muito bem feita, ressalte-se.

Infelizmente, Speak Of The Dead entrou para a história como o último disco da formação mais técnica da banda. Uma série de desentendimentos – quase todos motivados unicamente porquestões ligadas ao ego – culminou na saída do fantástico baterista Mike Terrana. Uma pena para os fãs, mas ao menos encerraram a parceria com um registro histórico e indispensável em qualquer coleção dos adeptos do gênero.

Peter “Peavey” Wagner (bass, vocals)
Victor Smolski (guitars)
Mike Terrana (drums)

Suite Lingua Mortis
01. Part I: Morituri te Salutant
02. Part II: Prelude Of Souls
03. Part III: Innocent
04. Part IV: Depression
05. Part V: No Regrets
06. Part VI: Confusion
07. Part VII: lack
08. Part VIII: Beauty
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09. No Fear
10. Soul Survivor
11. Full Moon
12. Kill Your Gods
13. Turn My World Around
14. Be With Me Or Be Gone
15. Speak Of The Dead
16. La Luna Reine

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JAY

sábado, 23 de abril de 2011

Elvis Presley – Aloha From Hawaii [1973]


Elvis, o rei do rock.

Nunca um frontman foi tão carismático e adorado na história do rock’n’roll e, exatamente por isso, Elvis Presley é o rei do rock. Seus shows sempre foram emblemáticos, e sua trajetória, tensa.

Do estouro em 1956 aos shows em Las Vegas nos anos 70, Elvis sempre primou pela qualidade na escolha dos músicos que o acompanharam. Dj Fontana e Scotty Moore compunham a primeira banda de Elvis, quando ele ainda fazia apresentações quase exclusivamente para públicos adolescentes. Nos anos 60 houve a pausa da carreira de rockstar para virar estrela de cinema em Hollywood. Diversos filmes e uma rotina intensa o tiraram dos holofotes da música, apesar de ele ter sido o responsável pelas trilhas sonoras da maioria dos filmes que atuou. As músicas, no geral, eram ruins e feitas sob encomenda para seus filmes (também de gosto duvidoso, diga-se).

Em 1968 ele volta com tudo em um especial para a televisão (ainda com Fontana e Moore) e, a seguir, dá início aos grandes shows da década de 70 (dos quais o presente post é um dos mais memoráveis). A banda que o acompanhava era um supergrupo.

Nos vocais de apoio, um grupo masculino conhecido como Elvis’ Imperials, composto por Terry Blackwood, Greg Gordon, Armond Morales, Joe Moscheo, Jim Murray e Roger Wiles faziam companhia às famosas Sweet Inspiration, um grupo de mulheres negras que, em conjunto com os rapazes, faziam com que as performances do rei fossem extremamente dramáticas e emocionantes. Era um coro completo, com todas as vozes de um coral de orquestra.

A TCB Band (Taking Care of Business) era responsável pelos maravilhosos instrumentais rock’n’roll, com ninguém menos que James Burton e John Wilkinson nas guitarras, Glen D. Hardin (piano), Jerry Scheff (baixo) e Ronnie Tutt (bateria), compondo um dos maiores times da história do rock. Basta ouvir os trabalhos dos músicos nas apresentações para saber que todos eram o que de melhor existia em sidemen no mundo à época.

A TCB hoje


Acrescente uma orquestra de sopros e cordas e saberás a importância de um ícone do rock. A importância de se respeitar a platéia e fazer supershows quando isso ainda não era prioridade no rock’n’roll.

O post de hoje é somente o primeiro show a ser televisionado ao vivo via satélite para o mundo todo na história. Um concerto realizado no Hawaii com Elvis iniciando seu declínio físico, resultado de um abuso constante de barbitúricos, mas ainda dono de uma voz inigualável. Com exibições em aproximadamente 40 países (nem todos ao vivo, pois o show foi realizado em janeiro, mas transmitido em alguns lugares somente meses depois), estima-se que tenha sido o show com maior público da história, com aproximadamente 1 bilhão de pessoas. Em se tratando de Elvis Presley, tudo é superlativo.





Foram dois shows, um “show-ensaio” no dia 12 e o show definitivo, dia 14 de janeiro de 1973. O televisionado e gravado foi o segundo, obviamente.

O show abre com See See Rider e Burning Love, dois sons que animam qualquer festinha rockarolla. Um repertório sob encomenda para agradar os fãs mais modernos (em 73), e que fugia dos clássicos dos anos 50. Something, de George Harrison vem em seguida, em uma interpretação emocionante (apesar de que não curto muito essa versão).

No repertório também tem My Way, clássico absoluto de Paul Anka que foi imortalizado na voz de Frank Sinatra. Do começo da carreira tem Love Me, Blue Suede Shoes, Hound Dog, Long Tall Sally e Whole Lotta Shakin’ Going On, mas parece que Elvis está cumprindo protocolo, tamanha falta de tesão que dá pra sentir nas performances.

Percebe-se que seu terreno agora era outro, com baladões superproduzidos e deixando de lado o bom e velho rock’n’roll. Tanto é verdade que o ápice do show é Suspicious Minds, o hit single que embalava as vendas de sua carreira na época.





Os shows do final dos anos 50 são feitos com mais culhões, mas a superprodução desse show mostra que Elvis Presley pode até destinar seu repertório às fãs que amadureceram enquanto ele brincava de ator em Hollywood, mas ele nunca se contentou em fazer algo menor que o sublime.

Ah! A versão Deluxe traz 5 músicas gravadas em estúdio especialmente para o programa de televisão.

Hail to the King.

Track List

1. Also Sprach Zarathustra (1:08)
2. See See Rider (2:59)
3. Burning Love (2:56)
4. Something (3:46)
5. You Gave Me A Mountain (3:16)
6. Steamroller Blues (3:09)
7. My Way (4:04)
8. Love Me (1:55)
9. Johnny B. Goode (1:43)
10. It's Over (2:08)
11. Blue Suede Shoes (1:16)
12. I'm So Lonesome I Could Cry (2:17)
13. I Can't Stop Loving You (2:28)
14. Hound Dog (1:06)
15. What Now My Love (3:12)
16. Fever (2:41)
17. Welcome To My World (2:00)
18. Suspicious Minds (4:31)
19. Intros (2:42)
20. I'll Remember You (2:33)
21. Long Tall Sally/Whole Lot-ta Shakin' Goin' On (2:05)
22. An American Trilogy (4:42)
23. A Big Hunk O'Love (2:14)
24. Can't Help Falling In Love (2:26)
25. Blue Hawaii (bonus gravado em estúdio)
26. Ku-U-I-Po (bonus gravado em estúdio)
27. No more (bonus gravado em estúdio)
28. Hawaiian Wedding Song (bonus gravado em estúdio)
29. Early Morning Rain (bonus gravado em estúdio)

Elvis Presley: Voz e Violão
James Burton: Guitarra
John Wilkinson: Guitarra
Charlie Hodge: Violão e Vocais
Jerry Scheff: Baixo
Ronnie Tutt: Bateria
Glen Hardin: Piano
J.D.Summer, The Stamps, The Sweet Inspirations e Kathy Westmoreland: Vocais
Joe Guercio: Orquestra


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Por Zorreiro

Soilwork - Figure Number Five [2003]


Após lançar sua obra definitiva – o espetacular Natural Born Chaos – era hora de o Soilwork surpreender. Sem contar com a valiosa ajuda de Devin Townsend, ocupado com seus próprios afazeres, os próprios músicos decidiram assumir os trabalhos de produção, contando com a ajuda do amigo Fredrik Nordström (Dream Evil). O resultado causa polêmica até hoje, especialmente junto aos fãs mais antigos, que taxaram a banda de ‘vendida’. Um exagero, já que várias faixas conservam a pegada característica. Mas há de se concordar que Figure Number Five é, sim, o álbum mais acessível do grupo, sendo um bom começo para quem não está familiarizado com a sonoridade dos suecos.

Independente de opiniões radicais baseadas em pré-conceitos, o fato é que o single “Rejection Role” alcançou grande repercussão na cena, com sua ótima e grudenta melodia, além de um videoclipe muito bem bolado (Sílvio Santos vem aí!), trazendo a participação do In Flames. Na verdade temos aí um caso raro de produções gêmeas no gênero, já que o Soilwork retribuiria no vídeo de “Trigger”, filmado no mesmo dia e locações. Outra que pode assustar é “Departure Plane”, com passagens mais puxadas para um lado modernoso. Mesmo assim, só vai incomodar quem se importa mais com rótulos que com a música, já que é uma bela faixa.



Mas a porrada segue comendo solta em petardos como “Overload” e “The Mindmaker”, oferecendo as tradicionais variações de Björn Strid entre o vocal gutural e o limpo. A faixa-título é outra agressão sonora, perfeita para a platéia se espancar nos shows. Outro destaque que precisa ser mencionado é o baterista Henry Ranta, colocando um groove certeiro em pancadas como “Brickwalker” e “Downfall 24”. A edição nacional ainda resgatou duas faixas dos primórdios do grupo. “Wake Up Call” saiu de uma demo, enquanto “Steelbath Suicide” é a música que dá nome ao primeiro álbum. Aí podemos notar claramente a evolução de uma banda que fazia Death Metal de modo bem mais simples e direto para o que é hoje.

A despeito de polêmicas, Figure Number Five teve um belo desempenho comercial, entrando nas paradas européias e afirmando cada vez mais o nome do Soilwork como uma das forças de sua geração. Conseqüência direta do talento ímpar dos envolvidos, que surpreendem a cada disco, agregando novos elementos sem descaracterizar sua identidade. Vale o download! E Nu Metal é a PQP!



Björn "Speed" Strid (vocals)
Peter Wichers (guitars)
Ola Frenning (guitars)
Ola Flink (bass)
Sven Karlsson (keyboards)
Henry Ranta (drums)

01. Rejection Role
02. Overload
03. Figure Number Five
04. Strangler
05. Light The Torch
06. Departure Plane
07. Cranking The Sirens
08. Brickwalker
09. The Mindmaker
10. Distortion Sleep
11. Downfall 24
12. Wake Up Call
13. Steelbath Suicide

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JAY

Slash - iTunes Sessions [2010]


Também chamado de "Slash ft Myles Kennedy", esse iTunes Sessions é um EP bem direto. Conta com diversos covers, inclusive um divino do Led Zeppelin. Bem, todos conhecem a figura do ex-gunner Slash Hudson (ou Saul, para os da família) - creio que apresentações são desnecessárias. Recentemente, o guitarrista cartoludo esteve no Brasil em turnê de seu álbum homônimo, que contou com parcerias e nomes indo de Fergie a Ozzy Osbourne. No entanto, nesse EP, quem se destaca mesmo é o vocal de Myles (Alter Bridge).

São somente seis faixas, mas que mostram uma força, uma certeza e precisão nas nuances vocais para Axl nenhum pôr defeito. Lançado no dia 28 de dezembro de 2010 - um presente natalino, diga-se, para os fãs -, o play tem uma ótima versão para "Rocket Queen", do Guns N' Roses. Do álbum que veio após esse esboço-bem-feito, há duas músicas: Starlight, com uma intro mais crua, e Back From Cali, abrindo as alas.

"Communication Breakdown" foi a canção escolhida por Slash do Led Zeppelin para compor o iTunes Sessions, juntamente com mais covers de sua banda Velvet Revolver, a "Fall to Pieces" e a "Sucker Train Blues" - nessa última, o brilho todo vai para o cantor; magistral. Inclusive, eu, combeiro, conversei via microblog Twitter com Myles Kennedy sobre sua estada no Brasil e a possibilidade de ir tocar no Nordeste (onde resido). A resposta, por Direct Message, foi acolhedora (e ainda pedi, logo após, para que ele entrasse no blog):

(Um dia nós iremos [para o Nordeste], eu tenho certeza)

(Ei, eu escrevi um artigo sobre o EP iTunes Sessions em um blog a qual pertenço, chamado Combe do Iommi)


E é isso. O EP é nada menos que primoroso. Qualquer amante da boa música dará US$ 4,49 nessa pérola. O resultado impressiona, até porque a equipe é de primeira: o guitarrista base Bobby Schneck já passou pelo Weezer e pelo Green Day; o baixista Dave Henning, pelos Doug Pinnick e Big Wreck; e o baterista Brent Fitz fez muito barulho no Vince Neil e no Alice Cooper. Destaque, enfim, para todas as faixas. Deem "Alelueia" nesse domingo! O Hard Rock ressussitou. Avohai!


1. Back From Cali
2. Communication Breakdown
3. Fall to Pieces
4. Rocket Queen
5. Starlight
6. Sucker Train Blues


Slash - guitarras
Myles Kennedy - vocal
Bobby Schneck - guitarras base
Brent Fitz - bateria
Dave Henning - baixo


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PS - Retire o "RS_" do link, por favor.


Por Breno Airan Meiden

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Stan Bush - Dream The Dream [2010]


Talvez o nome Stan Bush, de maneira isolada, não lhe diga muita coisa. Mas quem já assistiu vários dos enlatados que passam freqüentemente na Sessão da Tarde/Temperatura Máxima/Cinema em Casa, com certeza já ouviu algo com a voz do cidadão. Não são poucas as produções cinematográficas que contaram com a participação de Stan na trilha sonora. A mais famosa, curiosamente, vem da versão animada de Transformers, onde o grande sucesso “The Touch” (regravado pela trilionésima vez aqui) foi imortalizado. Agora, ele volta com seu décimo - primeiro trabalho, Dream the Dream, mais um disco que cairá no gosto dos fãs de AOR/Melodic Rock.

Desde o início, com “Never Hold Back”, já podemos notar que a tônica serão os refrãos marcantes e as melodias fáceis. “I’m Still Here”, apesar de agitada, tem uma letra e um andamento bem melancólicos. A quase balada “Don’t Give Up On Love” é uma das melhores, daquelas que se ouve uma vez e não esquece mais. “Two Hearts” traz aquela sensação de déjà vu inevitável, o que nesse caso, não soa de maneira pejorativa, pois o som é dos bons. Quando começa a bela “In My Life”, você já começa a imaginar algum astro de Hollywood passando por um momento de reflexão lá pelo meio do filme. Outro ponto alto surge na sexta faixa, “Love is the Road”. Performance irrepreensível de Stan nos vocais, emocionando a cada nota. Dá até para imaginar a platéia cantando sozinha o “nanana” do final.



“If This is All There is” é aquele AOR que começa na manha e vai crescendo com o passar da canção. A música que dá título ao trabalho é um show à parte. Cadenciada e com um clima marcado por fantásticas passagens de teclado, não dá para passar incólume por ela. A melódica e agitada “More Than A Miracle” traz backing vocals caprichados ao fundo, dando um clima diferenciado. “Your Time” chega a lembrar um pouco o Van Hagar fase 5150/OU812. Encerrando o tracklist normal, “All That I Am” soa um tanto quanto manjada no começo – aquela passagem de teclado já ouvi em trezentos lugares – mas vai ganhando corpo em seu desenvolvimento, especialmente pela bonita interpretação de Stan. A pisada no tomate fica por conta da já citada regravação para “The Touch”, bem abaixo da original.

Na banda que acompanha Bush na gravação, vale citar a participação do respeitado Matt Bissonette, irmão da lenda da bateria, Greg. Outro relativamente conhecido é o baterista Matt Laug, com passagem pelo Slash’s Snakepit. Dream the Dream não é um álbum recomendado para quem quer escutar um Rock com mais ênfase no peso. Mas aqueles que são adeptos das melodias viciantes, podem conferir sem medo.

Stan Bush (vocals)
Holger Fath (guitars, keyboards)
Matt Bissonette (bass)
Matt Laug (drums)

01. Never Hold Back
02. I’m Still Here
03. Don’t Give Up on Love
04. Two Hearts
05. In My Life
06. Love Is The Road
07. If This Is All There Is
08. Dream The Dream
09. More Than a Miracle
10. Your Time
11. All That I Am
12. Sam’s Theme (The Touch)

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JAY

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Judas Priest – Unleashed in the East [1979]




Agora que K.K. Downing disse que pra ele não dá mais, conforme anunciado em primeiríssima mão pela Van do Halen, e que o Judas virá desfalcado na sua próxima passagem pelo Brasil, resolvi postar um daqueles discos que se pode chamar de “aovivassssssssssso” (imagine o Galvão Bueno falando a palavra).

O Judas ainda era considerado mais um expoente da cena NWOBHM, mesmo já tendo 6 discos lançados em sua carreira, que havia começado bem antes da maioria das bandas do movimento. Entre esses 6 discos, Hell Bent For Leather era o último, o disco da turnê que gerou as gravações do post de hoje. Pense em um Judas ainda sem os multiplatinados British Steel e Painkiller, e sem os oitentistas superproduzidos (assim como o ao vivo Priest...Live), forjando a ferro e fogo um estilo de heavy metal que depois seria imitado por muitos.

Aqui temos a primeira turnê a nível mundial da carreira da banda. Gravado em uma série de shows no Japão (Koseinenkin Hall e Nakano Sunplaza Hall, Toquio). O álbum foi lançado em outubro de 1979 e contou com a produção de Tom Allon, o mesmo responsável pela discografia da banda nos anos 80, que foi hostilizado pelos críticos em razão da superpordução e do excesso de overdubs de estúdio. Alguns chegaram a chamar o disco Unleashed in The Studio, mas sabemos que esse tipo de atitude não gera maus resultados (confira o Thin Lizzy...).

O play abre com Exciter, mostrando que os riffs de metal que conhecemos hoje não derivaram apenas de Led Zeppelin ou Black Sabbath. É a abertura perfeita para show, com os vocais agudíssimos de Halford (ainda o Deus macho do metal na época). Exciter é speed metal. Running Wild, a segunda música, é aquela que K.K. Downing diz que odeia. Segundo uma entrevista à revista Cover Guitarra, disse que, se dependesse dele, jamais a tocaria novamente. Eu, particularmente, acho muito bom o trabalho de palhetadas abafadas que tanto influenciaram James Hetfield e Dave Mustaine. Impossível negar a força da gênese do metal.






Sinner é mais hard rocker, mas sem perder a veia metal. Um refrão de arena e solos empolgantes executados à perfeição. O Judas ao vivo era imbatível nos anos 70, diferente da maioria dos seus contemporâneos, aos quais as drogas impediam, na maioria das vezes, uma boa performance.

The Ripper, The Green Manalishi (cover do Fleetwood Mac da fase Peter Green) e Diamonds and Rust (cover de Joan Baez) trazem a versão ao vivo das músicas do início da carreira da banda em versões pesadaças, fortes e com uma crueza que eram polidas nas produções de estúdio. Parecem outras músicas quando, na verdade, eram as ideias originais dos seus criadores.






A versão que trago hoje é a remasterizada com quatro bônus tracks, entre elas a maravilhosa Hell Bent For Leather. O entrosamento entre K.K. e Glenn Tipton, tanto nas composições como nas performances, demonstra que química e talento, juntos, são imbatíveis. Temos aqui um Rob Halford no seu auge vocal, com presença e domínio total dos seus timbres. É bem verdade que, na cozinha, ainda não tinha o fantástico Scott Travis (só quem já o viu ao vivo sabe o quanto o homem consegue ser o motor de uma banda). Ah, tem Ian Hill também.

Confira um Judas com um repertório de antes da fama mundial.

Track List

1. "Exciter"
2. "Running Wild"
3. "Sinner"
4. "The Ripper"
5. "The Green Manalishi" (Peter Green)
6. "Diamonds & Rust" (Joan Baez)
7. "Victim of Changes"
8. "Genocide"
9. "Tyrant"
10. "Rock Forever" (bonus)
11. "Delivering the Goods" (bonus)
12. "Hell Bent for Leather" (bonus)
13. "Starbreaker" (bonus)

Rob Halford - Vocais
K.K. Downing - Guitarra
Glenn Tipton - Guitarra
Ian Hill - Baixo
Les Binks - Bateria

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Por Zorreiro

Nocturnal Rites - Shadowland [2002]


Após o sucesso do ótimo Afterlife, o Nocturnal Rites tinha um nome estabelecido na cena Power Metal. E um dos grandes méritos desses suecos foi justamente buscar um distanciamento estratégico do lado mais ‘alegre’ do estilo. Para começar, o vocalista Jonny Lindkvist, fazendo aqui sua segunda aparição em estúdio, não faz o gênero canário gritador. Seu registro segue um caminho mais tradicional, às vezes passando até por algumas nuances de Hard Rock – em algumas músicas soa como uma versão européia de Sebastian Bach, por mais esquisito que isso possa parecer. E a banda colabora, matando a pau em uma performance bem mais agressiva em comparação com o lugar comum que o gênero mergulhou com o passar dos anos.

Shadowland é o quinto álbum dos suecos. É perceptível a evolução do baixista e líder do sexteto, Nils Eriksson, como compositor. A abertura com o single “Eyes Of The Dead” mostra uma banda coesa, apostando com sucesso na mistura balanceada de peso e melodia. Na mesma linha, a faixa-título, com um refrão daqueles que os admiradores tanto gostam de cantar junto. É nesse disco que a banda cumpre uma das exigências primordiais para ser considerada uma representante do estilo: ter uma música chamada “Revelation” (a variação no plural também é permitida). Afinal de contas, esse título está para o Power Metal como “Coming Home” para o Hard Rock.



Outro destaque vai para a excelente “Never Die”, com levada mais acelerada e belo trabalho de backing vocals no refrão, deixando um clima levemente true no ar. Também tem momento para os clichês, como em “Vengeance”, com uma intro bem como muitos esperariam, o que não interfere na qualidade da faixa. Mas a melhor de todas vem logo na seqüência. Com uma cadência fantástica, “Faceless God” é daquelas que faz o ouvinte deixar no repeat até cansar. O problema está justamente em cansar (risos). Com a carreira estabilizada, o Nocturnal Rites segue lançando bons discos até hoje, sendo uma das poucas bandas a se destacar na mesmice que virou o Power Metal atual.

Jonny Lindkvist (vocals)
Nils Norberg (guitars)
Fredrik Mannberg (guitars)
Mattias Bernhardsson (keyboards)
Nils Eriksson (bass)
Owe Lingvall (drums)

01. Eyes of the Dead
02. Shadowland
03. Invincible
04. Revelation
05. Never Die
06. Underworld
07. Vengeance
08. Faceless God
09. Birth of Chaos
10. The Watcher

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JAY

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Warrant - Rockaholic [2011]


A carreira do Warrant nos últimos anos vinha sendo de instabilidade total, especialmente no microfone. Após várias idas e vindas do pé-de-cana Jani Lane, o grupo contou com Jamie St. James (Black N’ Blue) por um curto período. A parceria resultou no bom álbum Born Again, mas alguns fãs mais fiéis nunca aprovaram realmente a mudança. O problema é que o cantor original estava mais preocupado em enxugar o caneco a tocar, o que fez com que a situação chegasse a um ponto irreversível. A solução veio com Robert Mason (Cry Of Love, Lynch Mob), que entrou com força total, impondo seu registro aos velhos clássicos com a competência de quem sabe onde está se metendo, o que pôde ser comprovado nos bootlegs que pipocavam.

Mas ainda faltava o teste de fogo. Como a nova formação se sairia em um trabalho no estúdio? A resposta vem em Rockaholic. Para se certificar que a cosia sairia como o esperado, a banda chamou um produtor da primeira linhagem do Rock, ninguém menos que Keith Olsen, produtor de clássicos como Crazy World (Scorpions), 1987 (Whitesnake) e No Rest For The Wicked (Ozzy Osbourne), apenas para citar alguns. Com um currículo tão respeitável, ao menos a expectativa estava garantida. Mas nada disso adiantaria se a qualidade do material não fosse de alto nível. E quanto a isso, todos podem respirar aliviados – a não ser que você seja um daqueles babões que acha que tal banda não existe sem fulano de tal.

O play abre com “Sex Ain’t Love”, faixa que já vinha sendo tocada ao vivo em recentes shows. É o típico Hard com pegada Rock and Roll, feito para levantar a galera, com Robert se impondo em bela performance. Mantendo o pique, “Innocence Gone” é direta e reta, com ótimos backing vocals e pegada fulminante. O groove toma conta em “Snake”, música com uma levada muito gostosa, remetendo ao passado com facilidade. “Dusty’s Revenge” é aquele tipo de faixa que, pelo título, a gente já imagina algo meio faroeste. E a intro deixa essa impressão mais viva, desembocando em um som mais próximo do Heavy, bem interessante.


Fomos até a quarta faixa com sons mais agitados. Chega a hora da balada. Em “Home”, Mason se aproxima bastante do estilo de Lane, se encaixando no que pede uma típica música emocional do Warrant, com direito a citação a um clássico da música em todos os tempos, mas vocês ouvirão e descobrirão. “What Love Can Do” é bem acessível, poderia tranquilamente ser um single, com sua simples e bela melodia. Certa influência de Classic Rock é perceptível em “Life’s A Song”, outro belo momento, sem complicar muito. O álbum prossegue com as duas mais curtas. A riffeira “Show Must Go On” parece um recado direto aos radicais negativistas, enquanto “Cocaine Freight Train” traz uma atuação fenomenal da cozinha, além de uma gaita esperta.

E tome balada, com “Found Forever”, mais bem construída que a primeira do disco, com sua levada dramática. “Candy Man” é puro deleite oitentista, com ritmo e letra ‘sacanas’, remetendo inevitavelmente ao grande clássico da banda, “Cherry Pie”, não musicalmente, mas no contexto. As guitarras tomam a linha de frente mais uma vez em “Sunshine”, faixa que consegue unir melodia e peso com maestria. A mezzo acústica “Tears In The City” traz um clima que lembra Bon Jovi da fase Keep The Faith/These Days. Para fechar em clima de festa, “The Last Straw”, uma porrada na orelha memorável, mostrando que o grupo ainda tem muita lenha para queimar.

Como já dito lá em cima, Rockaholic pode não contar com a aprovação de quem enxerga apenas uma possibilidade de existência para o Warrant. Mas os caras não têm culpa se há quem prefira a garrafa ao microfone. E a verdade é que eles acertaram em cheio na escolha do substituto, que se encaixou como uma luva. Resta à boa vontade de cada um oferecer uma chance, pois o álbum reúne qualidades suficientes para agradar os hard rockers de plantão. Não vai ser nenhum estouro de vendas por motivos óbvios, mas é digno de fazer parte da discografia do grupo.

Robert Mason (vocals)
Erik Turner (guitars)
Joey Allen (guitars)
Jerry Dixon (bass)
Steven Sweet (drums)

01. Sex Ain’t Love
02. Innocence Gone
03. Snake
04. Dusty’s Revenge
05. Home
06. What Love Can Do
07. Life’s A Song
08. Show Must Go On
09. Cocaine Freight Train
10. Found Forever
11. Candy Man
12. Sunshine
13. Tears In The City
14. The Last Straw

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JAY

terça-feira, 19 de abril de 2011

Alice In Chains - Alice In Chains [1995]

Link
Após "Dirt", segundo álbum da discografia do Alice In Chains, ser concebido, a identidade do grupo passou a se tornar mais definida. Mesmo nunca tendo se integrado ao movimento Grunge em termos de sonoridade, os caras incorporaram, às suas composições, o clima depressivo que consagrou o estilo. No EP "Jar Of Flies" isso se tornava ainda mais latente, mas o destaque mesmo se deu no disco dessa postagem.

O terceiro lançado pela trupe de Seattle, auto-intitulado, também é conhecido como "Tripod" - graças ao cachorro de três patas retratado na capa. A orientação das composições, tanto das letras quanto das melodias, refletiam os crescentes problemas que o conjunto estava tendo graças ao abuso de drogas. Mesmo motivo que o falecido baixista Mike Starr revelou ter confirmado sua saída da banda, em 1993.

Da esquerda pra direita: Mike Inez,
Layne
Staley, Jerry Cantrell, Sean Kinney

Os pricipais problemas estavam ligados ao vício em heroína do vocalista Layne Staley, mesmo vício que tiraria sua vida anos depois. O homem teve várias passagens por clínicas de reabilitação entre 1994 e 1995, complicando até mesmo uma turnê que o conjunto faria com o Metallica e o Suicidal Tendencies nesse período.

O Chains anunciou uma pausa por conta desses transtornos, com cancelamento de várias datas, e durante esse hiato o guitarrista Jerry Cantrell começou a trabalhar em um disco solo. Mas a banda voltou e parte esse material foi utilizado para construir o novo disco, apesar da maioria ter sido descartado. Vale lembrar que, a essa altura do campeonato, o substituto de Starr, Mike Inez, já havia participado de "Jar Of Flies".

Toda essa crise e essas diferenças foram benéficas para a criatividade dos integrantes, que fizeram um álbum com foco, mas diferente de qualquer antecessor. Como já ressaltado, as composições foram atingidas em cheio pelo clima depressivo que consagrou as bandas de Seattle da década de 1990. Mesmo assim, o Alice In Chains conseguia ser único, original e poderoso.



Mais uma vez, as habilidades particulares dos integrantes são exploradas positivamente. As guitarras de Jerry Cantrell estão, como sempre, geniais. A cozinha de Mike Inez e Sean Kinney é visceral, cadenciada e pesada - logo, perfeita. Os vocais de Layne Staley, muitas vezes cantados em harmonia com a voz de Cantrell, trazem o sofrimento necessário para fechar as músicas com chave de ouro.

As letras, que costumam ser o ponto forte da trupe, são as únicas que deixam a desejar em relação aos discos antecessores, visto que o próprio Staley admite que, na maioria destas, apenas colocou na ponta do lápis o que sentia. Porém não compromete a qualidade do registro.

Em termos comerciais, a recepção do álbum foi agradável, com uma primeira posição nas paradas norte-americanas e disco duplo de platina naquelas terras, mas poderia ter sido muito mais calorosa se houvesse uma turnê de divulgação. O motivo dessa excursão não ter acontecido é o mesmo que fez com que este play fosse o último da discografia a ter Layne nos vocais: drogas.

Apesar de todos os contratempos, o Alice In Chains construiu um disco poderoso, imponente e muito bem feito. Vale a pena conferí-lo.



01. Grind
02. Brush Away
03. Sludge Factory
04. Heaven Beside You
05. Head Creeps
06. Again
07. Shame In You
08. God Am
09. So Close
10. Nothin’ Song
11. Frogs
12. Over Now

Layne Staley - vocal, guitarra rítmica adicional
Jerry Cantrell - guitarra, co-vocal, backing vocals
Mike Inez - baixo
Sean Kinney - bateria

Agradecimentos ao Jp por escolher as imagens - afinal, tem que ser mágico pra conseguir diferenciar Mike Starr de Mike Inez visualmente. Abaixo, a dica do próprio para distinguí-los:

Jp diz (22:24):
*o truque é o seguinte
Jp diz (22:24):
*imagine sem cabelo
Jp diz (22:24):
*o que tiver cara de modelo gayzinho é o mike starr
Jp diz (22:24):
*IUAHEIUAHEIA

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by Silver

Treat - Coup De Grace [2010]


Reuniões de bandas, por si só, já são acontecimentos empolgantes. Melhor ainda quando resultam em grandes álbuns. É o caso dos suecos do Treat, que voltaram com a corda toda, lançando simplesmente um de seus melhores discos em toda a carreira. Mantendo a fidelidade ao Hard Rock oitentista, Coup De Grace mostra que mesmo após tanto tempo afastados, os músicos sabiam muito bem onde estavam se metendo. Com melodias irresistíveis e execução primorosa, o play caiu no gosto de todos os adeptos, sendo considerado um dos melhores do gênero no ano passado – na opinião deste que vos escreve, simplesmente O melhor!

Após uma intro que faz o ouvinte entender todo o conceito histórico adotado na parte gráfica, o primeiro petardo é disparado, com a fantástica “The War Is Over”, cujo refrão é algo acima da compreensão lógica. Um ‘yeah’ à la Gene Simmons abre “All In”, rockão de primeira, com ênfase total na guitarra. Presença obrigatória em qualquer futura coletânea do conjunto. Mantendo o nível de adrenalina alto, “Paper Tiger” é mais uma ser decorada e cantada pelos fãs, com uma pegada perfeita para ser executada ao vivo. “Roar” é outra que segue a linha mais Heavy do grupo e ficou conhecida por ser trilha sonora do app game para Facebook, Monster Galaxy. Bela sacada em liberar a faixa e colocar o nome em evidência, mostrando que o mercado da música só esgotou as possibilidades para quem não tem imaginação.



Lógico que a boa e velha baladinha para ensopar roupas íntimas alheias não poderia ficar de fora. “A Life To Die For” à risca segue a linha que consagrou muita gente em tempos passados. Na seqüência, uma de minhas preferidas, “Tangled Up”, com aquele groove nos padrões do que o baterista Jamie Borger costumava fazer com o Talisman até recentemente. Estivesse vivo, diria que Marcel Jacob participou ativamente da composição. O Hard direto e potente volta com força total em “Skies Of Mongolia”, com sua entrada climática caindo em um riff matador. Já “Heaven Can Wait” nos faz lembrar que o Treat foi companheiro de geração do Europe. Hit certeiro, como Joey Tempest e companhia tantas vezes já fizeram com maestria! Não foram poucas as vezes que me peguei cantarolando o refrão na rua, do nada.

Mais injeção de peso, com “I’m Not Runnin’”, som com um approach mais atual, chegando até a lembrar algo do álbum Live To Win, de Paul Stanley. A agitada “No Way Without You” conta com mais um refrão que vai fazer o ouvinte respirar fundo assim que surge. A mais próxima do AOR é “We Own The Night”, soltando emoção em cada nota, como deve ser em uma canção do gênero. E quando a gente pensa que nada mais vai surpreender, “All For Love” explode nos alto-falantes com mais uma melodia de arrancar lágrimas dos saudosistas. E que refrão, meu Dio! Para fechar de vez, “Breathless” é um Hard de primeira, com certa canastrice, bem no estilo que David Lee Roth adora presentear o mundo. Misture isso a uma veia bem européia e temos o que temos.



Apesar de não ser um reencontro com a mesma pompa e glamour de outras bandas de sua geração, o Treat oferece em Coup De Grace uma verdadeira aula de como resgatar a carreira com dignidade e qualidade. E mostra que, se o Hard Rock sueco é um dos melhores do mundo há certo tempo, os pioneiros são merecedores de todo o reconhecimento por parte da excelente safra atual. Baixe, ouça e se emocione com um dos grandes álbuns dos últimos tempos!

Robert Ernlund (vocals)
Anders Wikstrom (guitars)
Nalle Pahlsson (bass)
Jamie Borger (drums)
Patrick Appelgren (keyboards)

01. Prelude: Coup De Grace
02. The War Is Over
03. All In
04. Paper Tiger
05. Roar
06. Life To Die For
07. Tangled Up
08. Skies Of Mongolia
09. Heaven Can Wait
10. I'm Not Runnin'
11. No Way Without You
12. We Own The Night
13. All For Love
14. Breathless

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JAY

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Angra - Fireworks [1998]


Os dois primeiros álbuns do Angra tiveram uma forte influência da música brasileira. De forma magistral, o quinteto conseguiu deixar o som com várias pitadas regionais sem perder o peso do metal que praticavam. E no segundo álbum, "Holy Land", essa tendência se tornou ainda mais marcante. Mas no álbum dessa postagem, a coisa muda um pouco de figura.

"Fireworks" é o terceiro full-length do Angra e a formação original estava a todo vapor - os músicos estavam sido reconhecidos cada vez mais por suas habilidades e o grupo estava com fama ascendente. Com a criatividade nos ares, esse disco trouxe uma abordagem um pouco diferente dos antecessores.

A sonoridade do disco traz um peso muito mais descarado que seus antecessores. Todas as músicas, do começo ao fim, são pesadas, até mesmo as canções de andamento mais lento e menos pesado. Explora-se menos dos ritmos tupiniquins e, apesar de ainda muito diferenciada, o Angra soou como uma banda de Heavy Metal direto.



Ainda há a ênfase, todavia, nas melodias. Isso não mudou, já que o som continua melódico, com aqueles clássicos refrães que crescem e com arranjos muito bem trabalhados. Todos os envolvidos mandaram muito bem, o que é de praxe nos registros do conjunto, mas o brilho dessa vez ficou, particular e principalmente, para as guitarras de Kiko Loureiro e Rafael Bittencourt.

Infelizmente, a formação original se desmanchou após a turnê de divulgação do disco, um ano após o lançamento, com a saída de Andre Matos, Luís Mariutti e Ricardo Confessori. Os motivos principais estão nos desentimentos com o empresário Antônio Pirani. Mas, pra um álbum de despedida dessa line-up, "Fireworks" cai como uma luva. Entre os destaques, constam a paulada de abertura Wings Of Reality, a grudenta Lisbon, as pesadas Speed e Metal Icarus e a excelente semi-balada que é a faixa-título.



01. Wings Of Reality
02. Petrified Eyes
03. Lisbon
04. Metal Icarus
05. Paradise
06. Mystery Machine
07. Fireworks
08. Extreme Dream
09. Gentle Change
10. Speed

Andre Matos - vocal, piano, teclados
Kiko Loureiro - guitarra, violão
Rafael Bittencourt - guitarra, violão, viola
Luis Mariutti - baixo
Ricardo Confessori - bateria, percussão

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by Silver

Dire Straits - Making Movies [1980]


Apesar da maior popularidade facilmente notável de Brothers In Arms, além do significado indiscutível do primeiro trabalho, devo dizer que Making Movies é meu preferido do Dire Straits. Foi no terceiro álbum de estúdio que Mark Knopfler atingiu sua maturidade como compositor, registrando músicas mais longas sem perder a manha de fazer algo extremamente grudento – no bom sentido musical da expressão. A execução continuava primorosa. Mas a capacidade de envolver o ouvinte no clima da canção alcançava um patamar diferenciado.

De cara, a dobradinha que abre o play é de tirar o fôlego. “Tunnel Of Love”, com seus oito minutos, é um rockão de primeira linha, com uma atmosfera toda particular e performance soberba de todos os envolvidos. Já “Romeo and Juliet” é simplesmente uma das baladas mais bonitas de todos os tempos, capaz de fazer o coração bater mais forte e os olhos marejarem. E o melhor, sem virar uma melação completa, valorizando o aspecto criativo. O começo de “Skateaway” pode assustar os mais conservadores. Mas a qualidade vence o ceticismo e logo a melodia conquista. É dela que sai a expressão que deu nome ao play, o que lhe dá uma significância especial.



Hora de o Rock retomar a linha de frente na vibrante “Expresso Love”, faixa que remete em alguns momentos ao hino “Sultans Of Swing”, sem perder sua identidade própria. E o que Mark faz com sua guitarra nessa música não é brincadeira. Tome mais balada na linda “Hand In Hand”, com seu arranjo acústico. “Solid Rock” surge como um som de garagem dos bons tempos, com estilo bem largado, pronto para agitar qualquer fã em busca de um clima festeiro. Simples e direta. Para fechar, “Les Boys” é quase uma brincadeira, com sua levada em ritmo marcado e, de certo modo, bobinho. Mas ainda assim, um momento digno de nota.

Ainda sem conquistar o mercado norte-americano, Making Movies alcançou números pra lá de expressivos na Europa, vendendo mais de 4 milhões de cópias apenas no ano de lançamento. Para se ter uma idéia, o disco permaneceu por nada menos que 252 semanas (sim, quase cinco anos seguidos!) nas paradas do Reino Unido. Já em países como Itália e Noruega, foi número um absoluto, consagrando a banda como um grande fenômeno comercial no velho continente. Nada mais justo, afinal de contas, é um clássico acima de qualquer suspeita. Quem não tem, deve baixar sem hesitar!



Mark Knopfler (guitars, vocals)
John Illsley (bass)
Pick Withers (drums)

Special Guest
Roy Bittan (keyboards)

01. Tunnel Of Love
02. Romeo and Juliet
03. Skateaway
04. Expresso Love
05. Hand In Hand
06. Solid Rock
07. Les Boys

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JAY

domingo, 17 de abril de 2011

Helloween - High Live [1996]


Se você não sabe o que é sair do fundo do poço e chegar ao topo do mundo, talvez os caras do Helloween da formação que registrou essa pepita podem explicar. Cerca de três anos antes do lançamento de "High Live", o Helloween era uma banda morta. Acabada mesmo. As crises internas geraram o álbum "Chamaleon" que, por mais que tenha muitas músicas boas, é inconsistente e reflete tais crises, que culminaram na saída do falecido baterista Ingo Schwichtenberg e do ainda lendário vocalista Michael Kiske.

Sem contrato com uma grande gravadora, sem um frontman que era um baita de um cantor e sem um baterista que tocava como uma metralhadora, é impossível pensar que uma banda de Heavy Metal poderia se reerguer. Mas se reergueu com os recursos que tinham, com um vocalista infinitamente mais carismático e com um dos bateristas mais habilidosos do gênero em todo o mundo. Apresento-vos a voz de Andi Deris, as baquetas de Uli Kusch e os álbuns "Master Of The Rings" e "The Time Of The Oath", que tiveram êxito comercial, agradaram grande parte dos fãs antigos e conquistaram outros novos.



A fase era tão boa que um registro ao vivo cairia muito bem praquela fase. Daí saiu "High Live", gravado em performances na Itália e na Espanha em 1996 e lançado em áudio e vídeo, ainda no mesmo ano. O vídeo decepciona, pois a edição ficou péssima. Mas o áudio compensa o mau gosto do outro.

Em noite inspirada, os alemães simplesmente botaram abaixo as casas de shows em que se apresentaram. Andi Deris tem uma interação muito forte com a plateia e é dono de uma voz única e inconfundível. A dupla de guitarristas constituída por Roland Grapow e Michael Weikath está afiadíssima e não falham. O também carismático baixista Markus Grosskopf dispara suas matadoras linhas de baixo e o baterista Uli Kusch prova porque é tão cultuado, não apenas segurando o rojão como se exibindo sua criatividade em vários momentos.



Com muita destreza, os caras conseguiram construir um repertório de aproximadamente 90 minutos que não desmotiva o ouvinte nem na hora da linda balada In The Middle Of A Heartbeat. É pancada do começo ao fim. Das dezessesis músicas, apenas quatro são da fase Kiske: Eagle Fly Free, The Chance, Dr. Stein e Future World. O resto é só pedrada da nova fase, que sinceramente, não deve em nada para a antiga.

Entre os destaques, estão a pesada abertura We Burn, a inesperada e magnífica The Chance - vinda do injustiçado "Pink Bubbles Go Ape" -, as grudentas Why? e Power, e a soturna Mr. Ego, composta para o ex-vocalista de uma forma não muito amigável. Confira!



CD 1:
01. We Burn
02. Wake Up The Mountain
03. Sole Survivor
04. The Chance
05. Why?
06. Eagle Fly Free
07. The Time Of The Oath
08. Future World
09. Dr. Stein

CD 2:
01. Before The War
02. Mr. Ego (Take Me Down)
03. Power
04. Where The Rain Grows
05. In The Middle Of A Heartbeat
06. Perfect Gentleman
07. Steel Tormentor

Andi Deris - vocal, violão em "In A Middle Of A Heartbeat"
Michael Weikath - guitarra
Roland Grapow - guitarra
Markus Grosskopf - baixo
Uli Kusch - bateria

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by Silver

The Beatles - Live at the BBC [1994]



Das gravações da Rádio BBC, de Londres, algumas foram perdidas e depois achadas, enquanto outras foram perdidas para sempre. Imagine só. Perder apresentações inéditas dos fab four realizadas no seu ápice criativo, entre 1962 e 1965. E não foram eles as únicas vítimas dessa desídia de uma das instituições mais tradicionais da transmissão de dados britânica.

São 69 faixas dispostas em dois cd's que contém o que de melhor a música pop do quarteto pode oferecer: guitarras perfeitas, baixo contagiante, bateria levada e os melhores vocais da história do rock. Talvez você não concorde com a última afirmação, mas não pode negar a influência desses quatro em tudo o que é gravado hoje em dia.

Aqui está uma banda com gana e atitude que, por vezes, destoa daquela que conhecemos através da produção perfeita de George Martin. Aliás, Martin foi o responsável pela masterização digital dessas preciosidades.

Gravadas entre março de 1962 e junho de 1965, as apresentações trazem os programas de rádio quase na íntegra, com entrevistas (13 das 69 faixas são diálogos) e locuções intercalando as canções. O repertório abrange os quatro primeiros discos da banda, além de clássicos do rock'n'roll.

Tente não se emocionar com Lennon tentando imitar Elvis em I Got a Woman, ou McCartney tentando imitar Little Richard em Lucille. Essas gravações são, além de um excelente petisco para saber como eram os fab four ao vivo (eles abandonaram os palcos em 66 para se dedicarem exclusivamente aos estúdios), um rol de homenagens aos seus ídolos e uma verdadeira celebração ao bom e velho rock'n'roll na forma como deve ser feito: cru e direto. Sem "donzelices".

I'll Be On My Way é de autoria de Lennon e McCartney e nunca saiu oficialmente em nenhum disco dos Beatles. Várias faixas nunca foram lançadas oficialmente pelo quarteto, portanto, a coisa é fina. I Saw Her Standing There tem aqui a sua versão definitiva, com McCartney destruindo suas cordas vocais. Ticket to Ride mostra um lado de Lennon que viria a se intensificar nos anos seguintes: o de composições de ritmos e melodias complexas, com letras cotidianas e simples mas que fugiam da temática padrão das bandas de pop rock.

Importante trazer algumas informações constantes no encarte (que, convenhamos, é primoroso): Recording information: Aeolian Hall Studios, London, England (01/22/1963-05/26/1965); BBC Paris Theatre, London, England (01/22/1963-05/26/1965); Broadcasting House Concert Hall, London, England (01/22/1963-05/26/1965); Maida Vale Studios, London, England (01/22/1963-05/26/1965); Piccadilly Theatre, London, England (01/22/1963-05/26/1965); Playhouse Theater, Manchester, England (01/22/1963-05/26/1965); Playhouse Theatre, London, England (01/22/1963-05/26/1965).

Foram cinquenta e duas apresentações com 88 músicas no total. Somente 56 músicas se salvaram e aparecem nessa compilação.

Track List

Disco 1

1. "Beatle Greetings" (diálogo)
2. "From Us to You" (John Lennon-Paul McCartney)
3. "Riding on a Bus" (diálogo)
4. "I Got a Woman" (Ray Charles)
5. "Too Much Monkey Business" (Chuck Berry)
6. "Keep Your Hands off my Baby" (Goffin-King)
7. "I'll Be On My Way" (John Lennon-Paul McCartney)
8. "Young Blood" (Leiber and Stoller-Doc Pomus)
9. "A Shot of Rhythm and Blues" (Thompson)
10. "Sure to Fall (In Love with You)" (Carl Perkins-Claunch-Cantrell)
11. "Some Other Guy" (Leiber-Stoller-Barrett)
12. "Thank You Girl" (John Lennon-Paul McCartney)
13. "Sha la la la la!" (diálogo)
14. "Baby It's You" (Mack David-Burt Bacharach-Barney Williams)
15. "That's all Right (Mama)" (Arthur Crudup)
16. "Carol" (Chuck Berry)
17. "Soldier of Love" (Cason-Moon)
18. "A Little Rhyme" (diálogo)
19. "Clarabella" (Pingatore)
20. "I'm Gonna Sit Right Down and Cry (Over You)" (Thomas-Biggs)
21. "Crying, Waiting, Hoping" (Buddy Holly)
22. "Dear Wack!" (diálogo)
23. "You Really Got a Hold on Me" (Smokey Robinson)
24. "To Know Her is to Love Her" (Phil Spector)
25. "A Taste of Honey" (Marlow-Scott)
26. "Long Tall Sally" (Johnson-Richard Penniman-Otis Blackwell)
27. "I Saw Her Standing There" (John Lennon-Paul McCartney)
28. "The Honeymoon Song" (Theodorakis-Sansom)
29. "Johnny B Goode" (Chuck Berry)
30. "Memphis, Tennessee" (Chuck Berry)
31. "Lucille" (Collins-Richard Penniman)
32. "Can't Buy Me Love" (John Lennon-Paul McCartney)
33. "From Fluff to You" (diálogo)
34. "Till There was You" (Wilson)

Disco 2

1. "Crinsk Dee Night" (diálogo)
2. "A Hard Day's Night" (John Lennon-Paul McCartney)
3. "Have a Banana!" (diálogo)
4. "I Wanna Be Your Man" (John Lennon-Paul McCartney)
5. "Just a Rumour" (diálogo)
6. "Roll Over Beethoven" (Chuck Berry)
7. "All My Loving" (John Lennon-Paul McCartney)
8. "Things We Said Today" (John Lennon-Paul McCartney)
9. "She's a Woman" (John Lennon-Paul McCartney)
10. "Sweet Little Sixteen" (Chuck Berry)
11. "1822!" (diálogo)
12. "Lonesome Tears In my Eyes" (Johnny Burnette-Dorsey Burnette-Paul Burlison-Mortimer)
13. "Nothin' Shakin'" (Fontaine-Calacrai-Lampert-Gluck)
14. "The Hippy Hippy Shake" (Romero)
15. "Glad All Over" (Bennett-Tepper-Aaron Schroeder)
16. "I Just Don't Understand" (Wilkin-Westberry)
17. "So How Come (No One Loves Me)" (Boudleaux Bryant)
18. "I Feel Fine" (John Lennon-Paul McCartney)
19. "I'm a Loser" (John Lennon-Paul McCartney)
20. "Everybody's Trying to be my Baby" (Carl Perkins)
21. "Rock and Roll Music" (Chuck Berry)
22. "Ticket to Ride" (John Lennon-Paul McCartney)
23. "Dizzy Miss Lizzy" (Larry Williams)
24. "Medley: Kansas City/Hey! Hey! Hey! Hey!" (Leiber and Stoller)/(Richard Penniman)
25. "Set Fire to That Lot!" (diálogo)
26. "Matchbox" (Carl Perkins)
27. "I Forgot to Remember to Forget" (Kelser-Feathers)
28. "Love These Goon Shows!" (diálogo)
29. "I Got to Find my Baby" (Chuck Berry)
30. "Ooh! My Soul" (Richard Penniman)
31. "Ooh! My Arms" (diálogo)
32. "Don't Ever Change" (Goffin-King)
33. "Slow Down" (Larry Williams)
34. "Honey Don't" (Carl Perkins)
35. "Love Me Do" (John Lennon-Paul McCartney)



John Lennon (guitarra, violão e vocais)
Ringo Starr (bateria e vocais)
George Harrison (guitarra, violão e vocais)
Paul McCartney (baixo e vocais)

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Por Zorreiro