Alice Cooper estava no auge da popularidade com o lançamento de Killer quando soltou essa bomba. Preparando o terreno para mostrar ao mundo que os padrões das composições havia mudado na banda, os músicos desenvolveram um estilo de hard rock que pôde ser considerado inovador para a época.
O próximo disco, Billion Dollar Babies, serviria para manter a banda no estrelato, mas foi School’s Out que a lançou para o topo como um foguete descontrolado. Produção impecável, a capa original do vinil traz uma carteira escolar toda detonada a estilete e pintada com lápis e canetas. Mas o legal é que você pode abri-la como se fosse uma carteira de verdade! Dentro, o disco, foto da banda enchendo a lata, bolita, estilingue e todos os artefatos absolutamente imprescindíveis para a felicidade de um garoto em idade escolar.
O produtor do disco foi ninguém menos que Bob Ezrin, que também tocou teclado e contribuiu na composição de duas músicas do play, além de ser o responsável pela maioria dos arranjos de estúdio. Esse é o quinto álbum de uma banda com química formada pelos anos na estrada, para o qual a megagravadora Warner investiu bastante para obter um resultado final primoroso e que lhe rendesse as cifras gorduchas que tanto gosta. E o tiro foi certeiro.
Esse disco formou gerações. Twisted Sister criou seus clips e adotou a maquiagem pesada graças às influências de Furnier e sua trupe. Assista ao clipe de I Wanna Rock, dos Sisters, e verás que essa visão anti repressão escolar foi buscada em School’s Out. Furnier participaria, depois, como convidado especial no disco Come Out And Play, mas isso é outra história.
O play abre com o hino School’s Out. Riff avassalador de guitarra com um hino fantástico: acabaram as aulas para as férias de verão, acabaram as aulas para sempre, que a escola exploda em pedaços. Na época, obviamente, isso era apenas um hino para cantar e dar risada. Hoje em dia pode ser levado ao pé da letra. Portanto, crianças, nada de comprar TNT do Paraguai para explodir o prédio do colégio, ou AR15 para fuzilar o professor de química, ok?
Luney Tune traz aquela levada tipicamente Alice Cooper, com solos de fuzz e bateria levada à la Keith Moon. Bob Ezrin detona nos teclados. Parece fazer realmente parte da banda. Gutter Cat vs The Jets é rockão básico e classudo. Mas até o básico dessa banda supera quase tudo o que existia na época. E estamos falando de 1972, ou seja, quando gigantes andavam sobre a Terra.
Blue Turk é quase... jazz! Uma jam como nunca mais se ouviu nos discos de Alice Cooper. Public Animal no. 9 traz mais uma vez o produtor dando as tintas e mostrando que a banda podia ser mais do que era normalmente. E eu penso ser esse o trabalho de um produtor: espremer a banda até tirar o sumo. Ir até onde nem mesmo os músicos sabiam que podiam ir. Grand Finale encerra o disco com um clima conceitual, semelhante à sensação passada pelo produtor em Destroyer, do KISS.
Como Vincent Furnier está no Brasil neste exato momento, nada mais justo que homenageá-lo postando um de seus maiores clássicos.
Vamos matar aula para ir ao fliperama e, depois, comer amoras no terreno da velha que mora na esquina. Afinal, isso sim é diversão infantil.
Track List
1. "School's Out" 2. "Luney Tune" 3. "Gutter Cat vs. the Jets" 4. "Street Fight" 5. "Blue Turk" 6. "My Stars" 7. "Public Animal #9" 8. "Alma Mater" 9. "Grande Finale
Vincent "Alice Cooper" Furnier (vocais) Michael Bruce (guitarra, teclado) Glen Buxton (guitarra) Dennis Dunaway (baixo) Neal Smith (bateria)
O bem relacionado (apesar de Graham Bonnet pensar o contrário) Bob Kulick homenageou diversos artistas com seus tributos. Lógico que a Donzela de Ferro não poderia ficar de fora. Eis que surge Numbers From The Beast, álbum que reúne uma verdadeira constelação interpretando clássicos de Steve Harris e seus comparsas. Chega a ser curioso conferir alguns artistas totalmetificados com a cena Hard Rock norte-americana mandando ver em sons de uma das bandas mais identificados com o Reino Unido e seu estilo metálico. Por isso, fica evidente a diferença na pegada de algumas faixas, o que não significa que tenha ficado ruim, muito pelo contrário.
Obviamente, como em todos exemplares do gênero, existem as boas e más execuções. No primeiro time, temos a abertura com “Run To The Hills”, com Michael Schenker impondo sua característica como guitarrista, enquanto seu eterno parceiro Robin McAuley faz o serviço do seu jeito. Paul Di’Anno não perde chance de cantar Iron Maiden nem que seja para fazer uma auto-homenagem. Mas a verdade é que poucos conseguiriam interpretar “Wrathchild” com a mesma garra, mesmo apótanto tempo. Apoiado por uma banda de feras como Alex Skolnick, ao invés dos pistoleiros de aluguel de sempre, a coisa fica ainda melhor.
Por mais estranho que seja ouvir Lemmy cantando “The Trooper”, não dá para negar que chega a soar divertido. Mas quem se destaca de verdade nos vocais é o sempre eficiente Jeff Scott Soto, alcançando aquelas notas impossíveis e fazendo a gente deixar um pouco de lado a bizarrice que Nuno Bettencourt tenta fazer com os fraseados originais. Passível de uma surra de cinta em praça pública, para dizer o mínimo. Outro que honra a interpretação é Joe Lynn Turner em “2 Minutes To Midnight”, com um inspirado Richie Kotzen mostrando que passa por qualquer vertente do Rock com a categoria que já é conhecida.
Outro que se sai muito bem é Doug Aldrich, respeitando as partes de guitarra de “Flight Of Icarus” como elas merecem. Aliás, temos nessa faixa praticamente um Dio, sendo que até o vocalista faz parte da “família”, assumindo atualmente o microfone no Dio Disciples. Um destaque curioso vai para a faixa que encerra o play, “The Wickerman”, mostrando que o pessoal não se limitou apenas à fase de maior reconhecimento da banda. Um prato cheio para quem gosta desse tipo de trabalho, mesmo com as variações que já são de praxe. Mas uma bela homenagem a uma das maiores bandas de todos os tempos.
01. Run To The Hills Robin McAuley (vocals) Michael Schenker (guitars) Pete Fletcher (guitars) Tony Franklin (bass) Brian Tichy (drums)
02. Wasted Years Dee Snider (vocals) George Lynch (guitars) Bob Kulick (guitars) Jeff Pilson (bass) Jason Bonham (drums)
03. Wrathchild Paul Di’Anno (vocals) Alex Skolnick (guitars) Chris Traynor (guitars) Frank Bello (bass) John Tempesta (drums)
04. Flight Of Icarus Tim Ripper Owens (vocals) Doug Aldrich (guitars) Jimmy Bain (bass) Simon Wright (drums)
05. Fear Of The Dark Chuck Billy (vocals) Craig Goldy (guitars) Rickie Phillips (bass) Mikkey Dee (drums)
06. The Trooper Lemmy Kilmister (vocals) Phil Campbell (guitars) Rocky George (guitars) Chuck Wright (bass) Chris Slade (drums)
07. Aces High Jeff Scott Soto (vocals) Nuno Bettencourt (guitars) Billy Sheehan (bass) Vinny Appice (drums)
08. 2 Minutes To Midnight Joe Lynn Turner (vocals) Richie Kotzen (guitars) Bob Kulick (guitars) Tony Franklin (bass) Chris Slade (drums)
09. Can I Play With Madness? Mark Slaughter (vocals) Bruce Kulick (guitars) Marco Mendoza (bass) Aynsley Dunbar (drums)
10. The Evil That Men Do Chris Jericho (vocals) Paul Gilbert (guitars) Bob Kulick (guitars) Mike Inez (bass) Brent Fitz (drums)
11. The Wickerman John Bush (vocals) Scott Ian (guitars) Jeff Duncan (guitars) Blasko (bass) Ben Graves (drums) Jason Miller (backing vocals)
Pare imediatamente o que você está fazendo agora e leia essa resenha!
Quer dizer, você já está lendo a resenha, então não pare. Aqui está a maior celebração do rock’n’roll que se pode imaginar desde muito tempo.
Nada de arranjos modernosos para rockabilly antigo ou vocais afetados que não encaixam no contexto. O que Jeff Beck fez foi recrutar um time absurdamente competente e realizar uma festinha que me fez pensar, afinal, por que eu não fui convidado ou sequer tentei entrar de penetra.
Um ano depois da morte do gênio Lester William Polsfuss (Les Paul, para os íntimos), mais precisamente em junho de 2010, Beck resolveu fazer um tributo àquele que foi uma das suas primeiras inspirações. O repertório remete à era de ouro do rockabilly e do bebop, com canções que, não raramente, flertam com o Jazz e o blues de raiz.
O local escolhido foi o Iridium Jazz Club, em Nova York, local onde Les Paul costumava se apresentar nos últimos anos de sua vida todas as sextas-feiras. Isso com mais de 90 anos de idade! Recrutou a The Imelda May Band e contou com as participações providenciais de Brian Setzer (Stray Cats), Trombone Shorty, Gary U.S. Bonds e mandou ver na alternância de guitarras absolutamente clássicas, catadas a dedo de sua coleção pessoal (o bônus do DVD mostra cada uma delas).
Telecaster de 1959, Gretsch, Gibson semi acústica e Les Paul, o músico consegue extrair timbres maravilhosos de todas elas. Mas é com a Stratocaster que Beck mostra que está em sua área de conforto. Ora a guitarra soa como um piano, ora como um sax e ora como... guitarra!
O que foi feito de melhor no estilo está lá. Abrimos os trabalhos com Darrel Highman fazendo vocalizações à La Elvis Presley dos bons tempos. Sem soar um pastiche ou uma cópia descarada, as vocalizações encaixam em todas as performances em que ele canta, de Baby Let’s Play House (que fez um jovem Elvis ficar milionário da noite para o dia em 1956, infelizmente presente só no DVD), passando por Train Kept’ a Rolling (Johnny Burnette, imortalizada pelos Yardbirds) e Twenty Flight Rock.
São muitos clássicos da era de ouro. Tem as instrumentais Peter Gunn, numa versão de fazer John Belushi virar na cova, Sleepwalk e Apache (Shadows). Tem Gene Vincent, Buddy Holy e tantas pedradas que fica difícil comentar cada uma das 28 músicas apresentadas aqui. Isso porque a versão deluxe postada aqui traz um cd bônus com as sobras que não entraram no play original e nem no DVD.
A irlandesa Imelda May dá um show à parte. Canta muito, e entra no palco com um vestidão que lembra Aretha Franklin dos primórdios. Ela faz um pequeno discurso dizendo o quanto é bom estar ali, afinal , por muito tempo trabalhou somente como backing vocal e, agora, tem a oportunidade de trabalhar com o gênio Jeff Beck e como vocalista principal. Talentosa, linda e carismática, me fez perguntar por que diabos alguém ainda dá conversa para Emy Winehouse. Vejam Imelda e esqueçam daquele pequeno bagaço de cana. Os trabalhos de overdub do seus vocais deixam a performance ainda mais avassaladora. Virei fã imediato.
No DVD podemos ver que a platéia foi selecionada. Pequenas tomadas revelam Kirk Hammet, Warren Haynes, David Bowie e outras figurinhas que não estão lá para fazer uma análise crítica da performance, mas para curtir sentados em suas mesas tomando um bom trago. Agora começo a entender por que não fui convidado, mas paciência. Um dia essa panelinha cai e aí será a minha vez.
É incrível como o alto astral impera por todo o show. Cada música vem recheada de uma alegria e um tesão de tocar por parte da banda que chega a ser chocante. Não existem, aparentemente, protocolos a ser seguidos. A ordem do dia é a diversão. Os arranjos são simples e diretos, mas tão bem executados que levam às lágrimas os mais entusiasmados.
Esse post vai para meus amigos Iver e Peter, que gentilmente me presentearam como o DVD. Agora disponibilizo a todos o privilégio de curtir o som.
Aumenta que isso aí é rock’n’roll!!!!!
Track List
CD 1
01 – Double Talkin’ Baby
02 – Cruisin’ 03 – The Train Kept’ a Rollin’ 04 – Cry Me a River 05 – How High The Moon 06 – Sitting On Top Of The World 07 – Bye Bye Blues 08 – The World is Waiting For The Sunrise 09 – Vaya Con Dios 10 – Mockin’ Bird Hill 11 – I’m A Fool To Care 12 – Tiger Rag 13 – Peter Gunn 14 – Rocking Is Our Business 15 – Apache 16 – Sleep Walk 17 – New Orleans 18 – Walking In the Sand 19 – Please Mr. Jailer 20 – Twenty Flight Rock
CD2
01 – Corpus Christy Carol 02 – Hammerhead 03 – Over The Rainbow 04 – Brusch Woth The Blues 05 – A Day In The Life 06 – Nessun Dorma 07 – How High The Moon 08 – People Get Ready
Jeff Beck (guitarras) Darrell Higham (vocais, guitarras) Imelda May (vocais) Leo Green (saxofone) Lou Marini (sax barítono) Dave Priseman (trompete) Jason Rebello (teclados) Steve Rushton (bateria)
Incauto passageiro desta combe, neste exato momento o senhor deve estar pensando: "Será que esse troglodita do Coverdale está ficando louco, Cher na Combe? Ele traiu o movimento rock, postando essa merda pop no blog! Maldita combe, nunca mais acesso esse blog maldito". Antes de pagar de tr00 descontrolado e filho do deus metal pequeno rapazote, só olhe a foto acima no início da postagem. Creio que o primeiro e o último todos sabem quem é, e o terceiro na foto é apenas um dos maiores produtores de melodic rock que existiu, o grande Desmond Child. Você deve estar se perguntando o que eles estão fazendo nessa foto. Isso que irei explicar abaixo jovem tolo.
Apesar de ter começado sua carreira com relativo sucesso passando por tudo que era estilo, desde o pop até a era disco, a verdade que em sentido musical Cher tinha naufragado durante os anos 80. Com projetos mau sucedidos no começo daquela década, como o estranho Black Rose, Cher estava na crista da onda não como cantora, porém sim como atriz, em que ela chegou a ganhar um Oscar e um globo de ouro, e era uma das atrizes mais requisitadas naquele momento. Mas ela queria era voltar a sua carreira musical e para isso, aos 41 anos de idade investiu fortemente no melodic rock que na época estava na crista da onda.
Será que foi o romance com Sambora a inspiração para esta fase de Cher?
Para esta empreitada, ela se envolveu das maiores feras que haviam naquele momento no que tangia a esse movimento. Como compositores recrutou feras como Michael Bolton, Diane Warren, Jon Bon Jovi, Ritchie Sambora para o lançamento de seu primeiro disco nesse novo mundo para ela. Sem falar que ainda em lançamentos posteriores temos outros monstros como Bob Rock, Steve Lukather, Joe Lynn Turner, John McCurry, todos os integrantes do Bon Jovi, Bonnie Tyler, Michael Anthony, Robin Beck, Jeff e Mike Porcaro, Richie Zito, Richard Marx, Peter Cetera e muitos outros que se fosse citar nomes ficaria dias aqui somente nesse parágrafo, fato que pelo qual não irei citar os créditos dos discos, devido a lista ser interminável. Então com tanta gente boa envolvida, ficaria difícil vir algo ruim.
E esta fase foi realmente uma das mais produtivas da carreira da cantora, com trinta milhões de cópias vendidas com a soma dos três discos lançados nesse período, algo para poucos. Sem falar que ela foi aclamada como o maior nome feminino dentro do rock naquele momento, com elogios do New York Times, afirmando que ela se tratava de um novo marco dentro do Glam Metal. Mas realmente, se você não for um xiita preconceituoso e ainda não conhece estes três trabalhos, está uma chance para você se impressionar assim como eu mesmo me impressionei com esta trinta impecável.
Cher - Cher [1987]
Sério, dá vontade de só colocar o vídeo abaixo e deixar que vocês definam este, pois para mim é difícil não puxar sardinha. Desde de a primeira vez que peguei este, quase não o consegui largar. Gosta do Bon Jovi da primeira fase? Pois é, o clima é esse, sendo que a banda inteira participa aqui e Jon Bon Jovi e Ritchie Sambora assinam a produção junto com Desmond Child, então meu amigo, prepare o seu coração, pois aqui temos aqueles refrães chicletes que tanto amamos, melodias assobiaveís e uma atuação soberba de Cher nos vocais, que desde o primeiro momento parece ter nascido para fazer AOR.
Os destaques aqui são muitos, mas a minha predileta com certeza é a segunda do vídeo acima, a espetacular e grudenta "I Found Someone", que abre o registro de maneira magistral e consegue encantar desde o primeiro minuto de sua exceução. "We All Sleep Alone", "Bang Bang" e "Perfection" mantém o ritmo festeiro inicial e são muito boas. As baladas "Main Man" e "Hard Enough Getting Over" fecham este da melhor maneira possível e arrancarão suspiros de corações apaixonados. Uma bela estréia dentro do estilo, com certeza!
1.I Found Someone 2.We All Sleep Alone 3.Bang-Bang 4.Main Man 5.Give Our Love a Fightin' Chance 6.Perfection 7.Dangerous Times 8.Skin Deep 9.Working Girl 10.Hard Enough Getting Over You
Cher - Heart Of Stone [1989]
O maior sucesso comercial da cantora foi o disco lançado em 1989. Novamente foi mantida a base de compositores do lançamento anterior e o trabalho conseguiu a proeza de ser ainda melhor do que o já ótimo disco homônimo de 1987. Aqui temos melodias ainda melhores e canções que se tornaram clássico do estilo e ficaram conhecidas em lançamentos posteriores, como "Does Anybody Really Fall In Love Anymore?" na versão de Kane Roberts e "Love On A Rooftop", lançada no disco solo do próprio produtor Desmond Child.
Este trabalho inteiro é mais do que recomendado. "If A Could Back Time" nos recepciona da melhor maneira possível, uma canção grudenta que prepara o terreno e nos deixa ansiosos para o que virá a seguir. E temos muitas baladas neste e todas são maravilhosas, como a emocional "Just Like Jesse James", a faixa-título, "All Because Of You", a já citada "Does Anybody Really Fall In Love Anymore?" e a belíssima "After All" com a partipação de Peter Cetera dividindo os vocais com Cher em um dueto pra lá de inspirado e que fecha este trabalho com chave de ouro.
1.If I Could Turn Back Time 2.Just Like Jesse James 3.You Wouldn't Know Love 4.Heart of Stone 5.Still in Love With You 6.Love on a Rooftop 7.Emotional Fire 8.All Because of You 9.Does Anybody Really Fall in Love Anymore? 10.Starting Over 11.Kiss to Kiss 12.After All" (with Peter Cetera)
Cher - Love Hurts [1991]
Para finalizar esta bela trinca temos o bom Love Hurts, que honra os dois discos anteriores e mantém o mesmo nível apresentado anteriormente. Ainda com a colaboração de Diane Warren e Desmond Child mas agora com a produção de Bob Rock, ainda temos aquele hard melódico de outrora, que recebeu pouca atenção nos Estados Unidos, mas que fez um sucesso estrondoso na Europa, alcançando o primeiro lugar nos charts britânicos, austríacos e Irlandeses.
Apesar de na minha opinião ele estar um pouco atrás dos dois discos anteriores, ainda assim é um baita disco de melodic rock. A versão apresentada aqui de "Save Up All Your Tears" supera as versões anteriores feitas por Bonnie Tyler e Robin Beck. A bela balada "I'll Never Stop Loving You" é de um bom gosto e um feeling docemente apurado, o que se repete em "When Lovers Become Strangers" que também é muito bonita. "Who You Gonna Believe" encanta pelo seu clima sessão da tarde. O único senão fica para as desnecessárias versões de "Love Hurts" e "A World Without Heroes" que ficaram muito àquem das versões originais. Mas como dito este é um ótimo fim para a fase AOR de Cher.
1.Save Up All Your Tears 2.Love Hurts 3.Love and Understanding 4.Fires of Eden 5.I'll Never Stop Loving You 6.One Small Step 7.A World Without Heroes 8.Could've Been You 9.When Love Calls Your Name 10.When Lovers Become Strangers 11.Who You Gonna Believe 12.The Shoop Shoop Song (It's in His Kiss)
Nada melhor para começar a semana que ouvir uma coleção de baladas na angelical voz de Dorothee Pesch. Essa compilação foi lançada pela Vertigo Records em 1996, após o fim de uma parceria de dez anos. Aqui temos músicas desde os gloriosos tempos de Warlock (o hino “Fur Immer”, presença garantida até hoje nos shows) até o álbum Machine II Machine. Sem muitas surpresas para os que já conhecem seu talento, a alemã mostra que é capaz de emocionar até uma pedra, colocando coração e alma em cada interpretação.
Obviamente, a inevitável versão de “A Whiter Shade Of Pale”, do Procol Harum, está presente. Além da já citada “Fur Immer”, temos mais duas interpretações no idoma germânico, com “In Freiheit Stirbt Mein Herz” e “Alles Ist Gut” abrindo e fechando o play, respectivamente. Outros grandes momentos surgem na suave “Children Of The Night” (com uma das melhores performances da carreira de Doro, transmitindo todo o sentimento contido na canção), na triste “Fall For Me Again” e em “I’ll Be Holding On”, onde o instrumental ganha destaque pela ótima variação de ritmos.
Já “So Alone Together” consegue mesclar aqueles coros metálicos com a simplicidade necessária para a ocasião. Para quem está acostumado com a bela pancadaria melódica do Warlock e da carreira solo, uma bela amostra do outro lado da personalidade musical de Doro. E aos que procuram uma trilha para momentos mais intimistas a dois ou de reflexão solitária, sem dúvida uma excelente pedida. Só tome cuidado ao ouvir em um momento de devaneios, pois talvez acabe confundindo-se e achando que há um anjo lhe dirigindo a palavra.
01. In Freiheit Stirbt Mein Herz 02. You Got Me Singing 03. Children Of The Night 04. Fall For Me Again 05. A Whiter Shade Of Pale 06. Last Day Of My Life 07. Fur Immer 08. I'll Make It On My Own 09. Enough For You 10. I'll Be Holding On 11. So Alone Together 12. Light In The Window 13. Alles Ist Gut
Maior clássico da história da música pop. O disco mais influente de todos os tempos. O Magnus-opus da maior banda de rock que existiu no planeta. O disco que influenciou o início de milhares de bandas, desde a sua criativa capa até seu rebuscado som. Se for listar todos os elogios tecidos a este trabalho, faria a resenha sem nem citar alguma música deste, mas realmente "Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band" é um fenômeno fora do comum.
Só para se ter uma idéia da importância do mesmo, vamos para alguns números sobre este. Apesar de ser um trabalho sem nenhum tipo de apelo comercial e ter sido muito pouco executado nas rádios, vendeu 11 milhões de cópias somente em solo norte-americano e em torno de 32 milhões de cópias em todo o mundo. O álbum lidera "apenas" as listas dos melhores álbuns de sempre da revista Rolling Stone e dos 200 álbuns definitivos no Rock and Roll Hall of Fame. Foram gastas 700 horas de gravação para este registro e 75 mil dólares gastos, um recorde para aquela época.
A banda do Sgt. Peppers
"Sgt. Peppers" marcou o início de uma revolução inexplicável dentro do rock. Se até aqui o rock era algo alegre e até mesmo simplório, aqui extrapolou todos os limites que existiam outrora e se transformou em uma arte. Trata-se de um dos primeiros discos conceituais dentro do estilo, sem falar no experimentalismo que envolve o mesmo. Mas para entendermos o que foi o combustível para este grande momento, voltemos para o que estava ocorrendo na época com o grupo.
A Beatlemania estava em baixa no ano de 1966, muito em parte a infeliz e conhecida declaração de John Lennon, de que "Os Beatles eram maiores do que Jesus Cristo". Essa causou uma reação de revolta, que gerou um tumulto durante um show deles na Filadélfia. Cansados dessas reações adversas e das cansativas turnês, a banda decide se dedicar unicamente as gravações em estúdio, deixando de lado os shows, o que é um baita de um tiro no pé de qualquer grupo musical que se preze. Essa decisão deixou os críticos estarrecidos, que declaravam sem nenhum pudor de que aquele era o fim do grupo.
Do outro lado do Atlântico uma banda que outrora era apenas um bando de garotos que faziam músicas sobre surf e outros assuntos adolescentes decidem rivalizar com os Beatles, lançando o clássico e muito trabalhado "Pet Sounds", que acabou sendo o combustível para que a banda trabalhasse em um registro para responder a altura o audacioso Brian Wilson. Trancam-se em um estúdio com George Martin e revolucionaram inclusive na parte técnica, pois foi o primeiro disco gravado em oito canais, com a junção de dois consoles de quatro canais. A idéia de um álbum conceitual partiu de Paul McCartney, que desejava que eles realmente fosse a banda do tal Sgt. Pepper's, mas que foi abandonada durante as gravações.
George Martin com a banda, conduzindo as gravações
Outro grande detalhe deste disco é sua belíssima capa, feita por Peter Blake e que se trata de uma colagem dos quatros Beatles incorporando a banda do Sgt. Pimenta ao lado de outras celebridades sendo as mais notáveis as seguintes: Albert Einstein, Bob Dylan, Carl Jung, Edgar Allan Poe, Fred Astaire, Marilyn Monroe, Marlon Brando, Oscar Wilde e os próprios Beatles em seu início de carreira. Mas dizem as más línguas que a capa ainda seria muito mais polêmica, mas que a banda evitou, tendo em sua concepção original as presenças de Jesus Cristo, Adolf Hitler e Ghandi, com medo de que gerasse uma polêmica ainda maior. Sem falar que muitos se baseiam na capa do disco para promover a idiota idéia de que Paul morreu e hoje é um sósia que está em seu lugar, mas não vou me alongar neste conto urbano.
Mas agora vamos ao que realmente interessa que é o som apresentado nesta obra de arte. E para começar os trabalhos temos a ótima faixa-título com seu andamento cadenciado e puxando para o hard e que mesmo sendo bem curta envolve de maneira inevitável e que já é bem diferente de tudo que a banda havia feito até aqui. Após essa, Ringo Starr assume os vocais na bela "With a Little Help From My Friends", que posteriormente ganharia uma versão magistral feita por Joe Cocker, continua aumenta o nível de experimentalismo em que a banda havia entrado, mas nada que fosse comparado a obra de arte "Lucy In The Sky With Diamonds".
"Lucy" é uma canção em que a psicodelia atinge níveis descomunais, com uma melodia inexplicável, em que a cada nota vemos como a velocidade foi claramente alterada para dar esse efeito de "viagem" que a mesma possuí. Esta canção gerou uma polêmica sobre fazer referência ao LSD, que Lennon desmentiu, afirmando fazer referência a um desenho de seu filho Julian, mas que quase 40 anos foi assumido por McCarney de que realmente ela fazia referência a droga. "Getting Better" é outra grande pérola, em que mais uma vez somos envolvidos por outra grande canção e percebemos a riqueza melódica em cada detalhe da canção, sem falar sua letra esperançosa, que se transmite até no som da guitarra de Harrison. "Fixing A Hole" também gerou polêmica, em que alguns suponham que esta fazia referência a heroína, algo que nunca foi confirmado, mas mostra um McCartney inspirado, brincando de modificar as harmonias a todo momento.
"She's Leaving Home" é uma peça clássica de beleza singular, uma obra de arte completa, que retrata a fuga de uma jovem com seu namorado, tem arranjos lindos conduzidos por George Martin e nos dá a certeza que estamos realmente diante de algo inexplicável e atemporal. A circense e hipnótica "Being for the Benefit of Mr. Kite!" te faz fechar os olhos e se sentir abduzido em alguns momentos durante sua execução, seja talvez pelo efeito anasalado na voz de Lennon, mas que tem grande parte de crédito a Martin, que criou uma atmosfera incrível para esta. Atmosfera essa que se faz mais presente na climática "Within You Without You" em que George Harrison é acompanhado de músicos indianos durante sua execução e nos sentimos realmente na Índia durante sua execução, em mais uma música de um bom gosto descomunal. "When I'm Sixty Four" foi composta por McCartney durante sua adolescência e tem um ar mais pueril e juvenil comparado ao conteúdo desse disco, mais ainda assim belo e cativante.
Foto na coletiva de imprensa do lançamento do disco
A pop "Lovely Rita" apresenta a dupla Lennon/McCartney mais uma vez aparece a todo vapor, com uma junção voz/piano que funciona de maneira perfeita. Mas aí vem "Good Morning Good Morning" que foi inspirada em uma caixa de cereais Kellogs com seu andamento roqueiro e que é uma das canções que mais gosto da carreira do grupo, com destaque para Harrison com solos ácidos e certeiros e a bateria animada de Ringo, que convida a realmente a começar o dia de melhor maneira possível, animado e sem frescura. A porrada "Reprise" continua com a banda descendo o braço sem dó, e mantém o nível roqueiro lá em cima. Tudo isso para desembocar no belo final com a grandiosa e emotiva "A Day In The Life", que volta a investir no experimentalismo, em que nem consigo descrever a beleza desta, e que deixarei que cada um tire suas conclusões sobre a "viagem" final que este disco nos traz e que o finaliza com chave de ouro, sem falar em seu final de arrancar suspiros, e que confirma que a produção deste realmente estava à frente anos-luz de qualquer outra feita naquele momento.
O marco definitivo, que elevou o rock a outro patamar e que serviria com base para muitos dos clássicos que postamos aqui anteriormente. O nascimento do art-rock e a evolução na música mundial seja na maneira de se produzir um disco, nas composições ou ainda na concepção visual de um registro musical. Por essas e outras que os Beatles são reverenciados como a maior banda que já surgiu. Gostando ou não, você é obrigado a concordar com a contribuição inestimável que os quatro rapazes de Liverpool deram ao nosso amado rock n' roll. E é obrigado a ter este registro em um pedestal dentre toda sua coleção, pois sem o mesmo, talvez o rock fosse diferente do que conhecemos hoje. Um disco que deve ser ouvido pelo menos umas 100 vezes antes de morrer, apreciado a cada detalhe e que deve ser aplaudido de pé após sua execução. OBRA-PRIMA!
1.Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band 2.With a Little Help from My Friends 3.Lucy in the Sky with Diamonds 4.Getting Better 5.Fixing a Hole 6.She's Leaving Home 7.Being for the Benefit of Mr. Kite! 8.Within You Without You 9.When I'm Sixty-Four 10.Lovely Rita 11.Good Morning Good Morning 12.Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band (Reprise) 13.A Day in the Life
John Lennon – Vocais, Violão, Guitarra, Órgão Hammond, Piano, Gaita, Tamborim Paul McCartney – Vocais, Guitarra, Baixo, Órgão Hammond, Piano, vocalizações, George Harrison – Guitarra, Violão, Sítara, Vocais em "Within You Without You," Backing Vocals, Gaita. Ringo Starr – Bateria, Congas, Tambourim, Vocais em "With a Little Help from My Friends"
Depois que voltou de vez à cena, David Reece pegou gosto pela coisa, para alegria de todos que gostam de sua bela voz. Lançou álbum-solo, com o Gypsy Rose, Bangalore Choir e agora em parceria com o guitarrista e produtor sueco Martin Kronlund (Salute, Dogface e também Gypsy Rose). Solid contém todos os elementos que fizeram a festa dos fãs de Reece em seus mais recentes trabalhos. Portanto, fãs que aprovaram Cadence, do Bangalore Choir, vão encontrar algo muito semelhante em termos de sonoridade – talvez com um “tempero” mais europeu aqui e acolá.
A bombástica “My Angel Wears White” abre o play como se fosse um verdadeiro pé na porta, com sua pegada fenomenal. Após uma intro bonitinha metida a nipônica, “Samurai” explode nos alto-falantes, com David dando uma amostra de seu gogó privilegiado – a gana com que canta o refrão contagia. O começo meio blueseiro de “Could This Be Madness” antecipa uma belíssima melodia que tocaria facilmente nas rádios Rock se o jabá não falasse mais alto. “Animals and Cannibals” é Heavy Metal puro, cacetada como poucas vezes Recce fez – incluindo aí o Accept. E o refrão é Bangalore Choir do On Target em sua essência.
Hora de muita emoção em “Remember You”, com sua letra que vai fazer com que todos lembrem alguém que se foi. Depois um Hard balançante em “Paint The Mirror Black”, com um riff simplesmente matador. “I Would” traz um clima tranqüilo á tona, com toques de AOR nos teclados, mostrando mais uma tendência radiofônica – que nunca se concretizará, é claro. “Edge Of Heaven” é uma pequena escorregada, logo consertada pela Hard/Blues “Magic Puddin’”. Aliás, não poderia ser de outra procedência uma música com esse título. Para fechar bem, a porrada de “The Dead Shall Walk The Earth”, mais um Heavy Metal de primeira categoria.
Como podemos notar, nesse álbum David Reece se aproximou do lado mais Heavy e, ao mesmo tempo, do mais Pop de sua faceta musical. E a receita deu certo, criando um play fácil de se escutar sem perder o peso tão bem-vindo. Martin Kronlund também se supera, mostrando toda sua competência instrumental e oferecendo uma produção redondinha, sem exageros nem atropelos. Disco recomendadíssimo, não apenas para os fãs de Reece como para quem deseja uma referência do cantor.
David Reece (vocals) Martin Kronlund (guitars, bass, keyboards) Hans Zandt (drums)
01. My Angel Wears White 02. Samurai 03. Could This Be Madness 04. Animals And Cannibals 05. Remember You 06. Paint The Mirror Black 07. I Would 08. Edge Of Heaven 09. Magic Puddin' 10. The Dead Shall Walk The Earth
Uma capa feia, simplória e até mesmo sem significado aparente dá início, de forma oficial, à nova fase do Guns N' Roses. Fase esta que teve início em meados de 1997, quando o grupo se reconstruiu - também aparentemente - por Axl Rose no vocal, Dizzy Reed nos teclados, Robin Finck e Paul Tobias respectivamente nas guitarras solo e base, Tommy Stinson no baixo e Chris Pitman nos teclados e programadores.
A partir daí, a vida de Axl se tornou uma verdadeira confusão. Aliás, antes disso, pois o vocalista se manteve recluso desde a crise que a banda sofreu em 1994. Durante mais de cinco anos, suas aparições públicas se limitaram a meia dúzia de entrevistas e sua prisão no aeroporto Sky Harbor Airport, de Phoenix, Arizona. O outro lado da personalidade do homem se revelava à medida que antigos integrantes da banda davam declarações sobre seu modo "controlador" e "obssessivo" de agir.
Foto "mug shot" de Axl Rose preso, em 1998. Decadência é pouco.
O Guns N' Roses começava a dar sinais de vida em 1999, com o lançamento da música Oh My God, para a trilha sonora do filme "Fim Dos Dias", e pouco tempo depois a gravadora Geffen colocou o álbum "Live Era" na praça. Dois anos depois, um Axl Rose fora de forma voltava a fazer shows com a formação acima listada, com a adição do guitarrista Buckethead e substituição de Josh Freese para a entrada do batera Brain Mantia. Algumas apresentações em Las Vegas, um show antológico e criticado no Rock In Rio III e uma turnê norte-americana vieram em seguida.
Os fãs alimentavam a esperança de que "Chinese Democracy" finalmente seria lançado, mas a turnê foi cancelada no meio de suas datas e o álbum, adiado. Mais substituições ocorreram: Paul Tobias deu lugar a Richard Fortus, Buckethead deu lugar a Ron "Bumblefoot" Thal e Brain Mantia deu lugar a Frank Ferrer. Dois anos depois, o Guns N' Roses estava em turnê de novo... até que Stinson machucou seu pulso e as datas finais da turnê não foram cumpridas.
Formação do Guns N' Roses em 2006.
Finalmente, em 23 de dezembro de 2008, exatamente quinze anos após o lançamento de "The Spaghetti Incident?!", a patifaria estava terminada, pois o álbum finalmente estava nas prateleiras do mundo todo. A sensação de estranhamento foi inevitável até mesmo para aqueles que já conheciam grande parte das músicas, cujas demos rodaram muito na Internet.
Todos os músicos acima listados que integraram a banda nessa "nova fase" participaram das gravações. Logo, teria de ser idiota demais para esperar um novo "Appetite For Destruction" por dois motivos simples: "Chinese Democracy" foi inicialmente planejado para ser um álbum solo de Axl e os músicos envolvidos nas gravações tinham experiência com bandas de vertentes alternativas do Rock e Metal. Logicamente seus estilos foram adequados às exigências de mr. Rose, mas a essência é sempre imutável, logo, a influência (desejada pelo vocalista, inclusive) dessas pitadas alternativas é notável.
Axl Rose e os clássicos pulinhos em 2009.
O registro é aberto com a pesada faixa-título, que já apresentava vocais diferentes de Axl, apoiados em grande parte por notas graves. Não tem nada a ver com o Guns antigo, desde a letra até o instrumental, mas nem por isso é ruim. Pelo contrário, é um baita tapa na cara de quem duvidou do talento de Rose durante esse hiato. Shackler's Revenge dá sequência com uma pegada pra lá de alternativa. O andamento lembra bandas de Rock Industrial e a composição do instrumental é assinada pelo excêntrico Buckethead. Faixa mediana.
Better dá um ar de velhos tempos pelo andamento mais Hard do que Heavy e traz várias camadas sonoras de instrumental. Canção muito boa e bem feita, não é à toa que virou single. Street Of Dreams, balada regida por um piano no maior estilo Queen/Elton John, vem a seguir, e a performance de Axl Rose é aplausível. If The World, composição de Axl com Chris Pitman, é a faixa mais fraca do disco de longe, com seu andamento médio-oriental dispensável.
Mas essa baixa é compensada por There Was A Time, a melhor faixa do play. Letra inteligente, grande performance de Axl, instrumental criativo e incríveis solos assinados por Buckethead e Robin Finck. O final da música leva qualquer boa alma à insanidade. A mediana Catcher In The Rye dá sequência, com um andamento sem pegada ou explosão como deve ter uma boa música do Guns N' Roses. Scraped segue a linha industrial e é uma boa canção, com boa letra, mas só. Destaque para o momento em que se canta "all things are possible / I am unstoppable" ("todas as coisas são possíveis / eu sou impossível de ser parado").
Riad N' The Bedouins tem sua letra baseada em um co-cunhado que foi cunhado de Erin Everly, ex-esposa de Rose, o mesmo que inspirou Civil War anos antes. E uma música com inspiração real sempre soa mais convincente. Além de um andamento grudento e vocais de sirene rachada que os fãs de Guns amam, a composição inteligente chama a atenção. Em seguida, tem-se a bela e sentimental balada Sorry, que muitos dizem ter sido escrita inspirada nos antigos colegas de banda de Axl (o mesmo nega). A letra, também muito bem feita, caso seja aos ex-companheiros, é uma baita de uma crítica. Os arranjos inseridos são perfeitos, a emoção e a angústia são prato cheio nessa faixa e há um cativante solo de guitarra ao meio da canção.
Temos, em seguida, duas velhas conhecidas dos fãs, graças às demos bem circuladas na rede: a pesada I.R.S. e a balada Madagascar. A primeira traz uma muralha de guitarras, sonzeira absurda, momentos calmos e frenéticos que oscilam ao seu desenrolar e mais uma grande performance de Rose. A segunda, apesar de uma das favoritas dos fãs, para mim fica aquém do esperado. Destaque para seu momento épico, com direito a uma orquestra no miolo da canção.
Perto do fim, tem-se aquela que, sem dúvidas, é a melhor balada do full-length: This I Love carrega tanta melancolia que faz até o mais durão cair em lágrimas. Axl Rose é um compositor diferenciado até pra falar do assunto mais clichê da história, que é o amor. Vale lembrar que é a composição mais antiga do disco. O fechamento fica por conta de Prostitute, que, de fato, tem um clima de encerramento. Refrão grudento, arranjos bem inseridos e composição lírica que soa tanto como uma despedida quanto um desabafo sobre todos esses anos que "Chinese Democracy" foi procrastinado. Profunda e cheia de significados e interpretações.
A repercussão de "Chinese Democracy" foi gigantesca, afinal, são quinze anos de espera. As músicas foram todas disponibilizadas no site MySpace e mais de três milhões de pessoas ouviram o play apenas no primeiro dia, estimando-se 25 visitas por segundo na página. Mas as vendas foram aquém do esperado, apesar de ficar no top 10 das paradas de 27 países, incluindo o norte-americano (3° lugar), britânico (2° lugar) e canadense (1° lugar). Esperava-se milhões de cópias vendidas nos Estados Unidos, cujo mercado consumiu cerca de 600 mil cópias. A turnê de divulgação, no entanto, foi aclamadíssima e girou o globo para mostrar que Axl Rose estava de volta, com marcas da idade mas, ainda assim, de volta.
De fato, "Chinese Democracy" não é um álbum de fácil assimilação. Confesso que precisei escutá-lo várias vezes para entendê-lo. Não sou muito ligado em som alternativo, mas Rose não impôs nenhum limite por aqui, seja de estilo, assunto ou musicalidade. É difícil de ser digerido, mas após tal digestão, é possível entender a mensagem que o controverso vocalista deixou: "estou de volta".
01. Chinese Democracy 02. Shackler's Revenge 03. Better 04. Street Of Dreams 05. If The World 06. There Was A Time 07. Catcher In The Rye 08. Scraped 09. Riad N' The Bedouins 10. Sorry 11. I.R.S. 12. Madagascar 13. This I Love 14. Prostitute
Axl Rose - vocal, teclados, piano (em 7, 13 e 14) Dizzy Reed - piano, teclados, sintetizadores, backing vocals Buckethead - guitarra, violão (em 5) Robin Finck - guitarra, violão (em 10), teclados (em 3) Ron "Bumblefoot" Thal - guitarra Paul Tobias - guitarra, piano (em 6) Richard Fortus - guitarra Tommy Stinson - baixo, backing vocals Chris Pitman - teclados, programadores, violão de 12 cordas (em 5), backing vocals Frank Ferrer - bateria, percussão Bryan "Brain" Mantia - bateria, percussão
Músicos adicionais: Josh Freese - arranjos de bateria (em 4, 6, 9 e 14) Pete Scaturro - teclados (em 10) Sebastian Bach - backing vocals (em 10) Patti Hood - harpa (em 13) Paul Buckmaster - condutor de orquestra, arranjos orquestrados (em 4, 6, 12 e 14) Marco Beltrami - arranjos orquestrados (em 4, 6, 12, 13 e 14)
Essa semana muitas pessoas no mundo foram surpreendidas com a verdade que veio à tona. Mas enfim, para quem ainda não sabia, o fato é que Slash não existe. Eu, assim como Stan, já tinha essa informação desde os cinco anos, quando minha mãe contou. Mas assim como na lenda de Papai Noel, o que importa é o sentimento, a motivação em preservar a figura histórica do holandês Vünter Slauche e todo seu legado para a humanidade. Portanto, continuem acreditando em Slash, mesmo ele não passando de mera ficção em nossas mentes e corações. Transmitido o recado, vamos ao que realmente interessa que é o som.
Com a dissolução da primeira formação, o Slash’s Snakepit entrou em recesso. Já que dos lados de Axl a coisa não fluiria de qualquer modo, Saul Hudson resolveu formar outro projeto. Assim nasceu o Slash’s Blues Ball. A banda esteve na ativa entre 1996 e 1998, excursionando e tocando sons de gente como B.B. King, Otis Redding e Steppenwolf, além de relembrar os tempos do Guns n’ Roses e algo do debut do Snakepit. Após o fim das atividades do grupo, Slash decidiu continuar trabalhando com o baixista Johnny Griparic. E não havia forma melhor de isso acontecer, senão retomando a carreira anterior.
Mas seria preciso remontar totalmente a banda. A coisa começou a ganhar forma com a chegada do excelente vocalista Rod Jackson. Para completar, a adição de duas figuras conhecidas da cena de Los Angeles, o guitarrista Ryan Roxie e o baterista Matt Laug. Juntos – e com a adição especial de colaboradores do calibre de Jeff Paris – lançaram Ain’t Life Grand, disco que se não circula entre os mais memoráveis da carreira do guitarrista, possui qualidade de sobra para merecer destaque. Mostrando competência absoluta para fazer seu Hard Rock com pegada blueseira, Slash mostra que não está para brinquedo, fazendo sua Les Paul soar como nos bons tempos.
O single “Mean Bone” conseguiu boa execução nas rádios Rock norte-americanas e está presente nos setlists das apresentações solos do guitarrista até hoje. A dobradinha de abertura também costuma aparecer com freqüência. E ainda há outros grandes momentos, como a baladaça “Back To The Moment”, simplesmente uma das melhores dos últimos anos – e não estou exagerando. No lado mais porrada, não tem como deixar de citar “Life’s Sweet Drug” e a acelerada “The Alien”, que encerra o play com adrenalina em alta e um refrão extremamente grudento. “Shine” também foi utilizada promocionalmente e conta com uma base carregada no groove.
A boa repercussão fez com que o Snakepit fosse atração de abertura do AC/DC, que promovia o álbum Stiff Upper Lip na mesma época. Na seqüência, o grupo partiu em uma excursão própria. Ao retornar para o convívio dos irmãos Young, acabaram fazendo apenas mais dois shows antes que Slash sofresse um grave problema cardíaco. O tratamento médico o colocou rapidamente nos eixos novamente e as datas não cumpridas anteriormente foram honradas. Com o Velvet Revolver dando os primeiros passos, o projeto foi encerrado. Até quando? Não sabemos, mas parece que a coisa anda cada vez mais em direção ao para sempre. E viva Vünter Slauche!
Rod Jackson (vocals) Slash (guitars) Ryan Roxie (guitars) Johnny Griparic (bass) Matt Laug (drums)
01. Been There Lately 02. Just Like Anything 03. Shine 04. Mean Bone 05. Back to the Moment 06. Life's Sweet Drug 07. Serial Killer 08. The Truth 09. Landslide 10. Ain't Life Grand 11. Speed Parade 12. The Alien
Uma das minhas bandas prediletas no que tange ao melodic rock sempre foi o White Lion. Se puderem observar meus posts anteriores, já tinha feito duas postagens sobre discos que realmente amo dessa banda, que são o ótimo "Pride" e o muito bom "Big Game", sem falar no sensacional "Mane Attraction" que é um dos meus discos prediletos de toda a minha imensa discografia e que sempre retiro da estante nos meus momentos de fossa junto com o debut do Danger Danger, que considero álbuns mágicos na função de animar corações na mais profunda fossa.
Tendo em vista a minha paixão pelo grupo, quando fiquei sabendo no ano de 2008 que um novo disco seria lançado, não pude esconder o medo que tive ao ver que somente Mike Tramp da formação do grupo estava presente. Sim, pois sempre considerei que a verdadeira alma do grupo foi o excepcional Vito Bratta, com sua musicalidade privilegiada, e que conduzia sua guitarra de maneira quase que mágica, com timbres agradáveis e criatividade fora do comum. Sou obrigado a assumir que minhas expectativas para este então eram muito baixas, para não dizer que eram quase nulas sobre o que seria apresentado.
Mas devido a participação de Tramp, meio que a contragosto, acabei não resistindo e fui atrás do lançamento na época. E como minha expectativa era baixa, posso dizer que acabei a audição deste registro de certa maneira contente, pois conseguiram superar minhas expectativas. Apesar de não superar nenhum dos discos da fase clássica do grupo, não é nada que manche a história do grupo. Algumas canções conseguem empolgar, e mesmo que se sinta falta daquela magia que envolvem as canções da fasse clássica da banda, compensam por ser uma tentativa mais do que válida de inovar, ao invés de tentarem viver do passado.
A faixa de abertura "Sangre de Cristo" é um épico que faz honra a músicas como "Lady Of The Valley" e "Lights And Thunder", desde suas passagens acústicas até os momentos mais acelerados, uam baita canção progressiva e que foi o momento que mais me cativou em todo o registro, em quase nove minutos de muita inspiração. E outro épico é apresentado em "Battle At Little Big Horn" que é um pouco mais alternativo e poderia ter sido lançado na época em que Tramp era o frontman do Freak Of Nature.
Porém todos nós sabemos que o White Lion sempre cativou em suas canções mais melódicas, e neste ainda somos apresentados a estes momentos. "I Will" cumpre com louvor este papel, uma grande canção chiclete, feita para grudar logo de cara, com seu refrão feliz e marcante. "Dream" apesar de ser mais cadenciada, também fica marcada na mente em sua primeira audição. A balada "Never Let You Go" (título mais clichê impossível) é muito bonita e com uma interpretação em que Mike Tramp entrega a alma e canta muito bem. Ainda temos algumas outras canções que não mantém o mesmo nível, mas ainda assim o disco tem um saldo positivo.
A certeza que Vito Bratta era realmente o maior diferencial do grupo aumentará ainda mais ao ouvir este. Mas ainda assim, é um disco que deve ser ouvido e que apresenta canções legais. Não é nenhum Pride, mas merece sim um espaço em sua discografia.
1.Sangre de Cristo 2.Dream 3.Live Your Life 4.Set Me Free 5.I Will 6.Battle at Little Big Horn 7.Never Let You Go 8.Gonna Do It My Way 9.Finally See The Light 10.Let Me Be Me
Mike Tramp - Vocais Jamie Law - Guitarra Claus Langeskov - Baixo Henning Wanner - Teclado Troy Patrick Farrell - Bateria
Algumas bandas possuem fãs conservadores ao extremo. Essas figuras não toleram mudanças bruscas de direcionamento, adição de novos elementos e afins. Para o Rush, nunca foi novidade esse tipo de postura, já que seus discos, apesar de características sempre presentes, tentavam acrescentar novidades aqui e acolá, fato que transformou seu grande número de fãs em uma verdadeira fauna. Roll The Bones, seu décimo – quarto trabalho de estúdio resgata as guitarras de Alex Lifeson para a linha de frente ao mesmo tempo em que lançou uma pequena polêmica na faixa-título, que sempre será lembrada pelo “esqueleto rapper” do clipe, especialmente pelos que resistiram à idéia em plena ascenção do Hip-Hop.
Mas vamos bem além durante o trabalho. Até porque outras três faixas foram usadas como singles, mostrando que a época, definitivamente, era outra, comercialmente falando. A ótima abertura com “Dreamline” foi a primeira, ainda no ano que o disco chegou ao mercado. Também foi a única a atingir o número um nas paradas de sucesso. Já em 1992, tivemos lançamentos promocionais para “Ghost Of A Chance” (que passou raspando, alcançando o segundo posto) e “Bravado” (número 13, em homenagem ao velho Zagallo), sem contar a já citada “Roll The Bones” (nona colocada) e sua levada Pop sem perder o tino roqueiro.
As seis restantes mantém o alto nível do play, com destaque para a agitada “Face Up”, onde os teclados aparecem com mais ênfase, além de “The Big Wheel”, cuja bela introdução já vale todo o resto. A ótima instrumental “Where’s My Thing” nos faz lembrar porque estamos diante de alguns dos melhores músicos de todos os tempos, com destaque para Geddy Lee e seu baixo pulsante – aliás, em minha opinião, esse é um dos melhores álbuns dele nessa função. A dobradinha “Neurotica” e “You Bet Your Life” encerra a audição em alto nível.
Vale citar que esse é considerado, liricamente, um dos trabalhos mais sombrios da carreira do grupo, com a idéia do confronto com a morte sempre presente através de analogias das mais variadas. Roll The Bones tornou-se o primeiro álbum do Rush a entrar no Top 5 dos mais vendidos nos Estados Unidos, onde alcançou platina dupla. Desde o imortal Moving Pictures, de dez anos antes, que um trabalho da banda não chegava tão longe comercialmente no maior mercado do mundo. De um ponto de vista pessoal, trata-se de uma obra muito especial, por ter marcado a época que comecei a gostar de Rock. Mais que recomendado!
Geddy Lee (bass, vocals, keyboards, synthetizers) Alex Lifeson (guitars) Neil Peart (drums)
01. Dreamline 02. Bravado 03. Roll The Bones 04. Face Up 05. Where's My Thing 06. The Big Wheel 07. Heresy 08. Ghost Of A Chance 09. Neurotica 10. You Bet Your Life
Um divisor de águas na carreira de um grupo que em seu início investia em um som mais gótico e alternativo, mas queria direcionar sua carreira por outro rumo. E o grande responsável foi um produtor que naquele momento havia ficado conhecido com o trabalho em três grandes clássicos dos anos 80: License to III dos Beastie Boys, o parrudo Reign in Blood do Slayer e Raising Hell do Run-D.M.C. Sim, Rick Rubin foi o Midas que conseguiu transformar em ouro o trabalho do The Cult, e ajudou na construção do disco definitivo da carreira do grupo.
Tudo começou quando no verão de 1986, quando a banda entra em estúdio com o produtor Steve Brown, que já havia trabalhado anteriormente com eles no lançamento do clássico Love. Mas o resultado final não agradou o grupo, que passou a procurar um novo produtor. E foi nessa procura que Rick Rubin apareceu no caminho do grupo. Logo que ouviu o som, Rubin viu o potencial que havia ali, e os levou para o lendário estúdio Electric Ladyland, onde com alguns instrumentos alugados, onde ele apenas disse para que tocassem de verdade. E a banda fez isso, o que resultou no empolgante "Electric".
Os destaques aqui vão para os monstros Billy Duff e Ian Astbury. Duff dá um show a parte nas guitarras, com riffs e solos que nos remetentem aos grandes guitarristas do anos 70, como Jimmy Page, Angus Young e Ritchie Blackmore e com uma personalidade ímpar, que vai fazer a festa de quem gosta de distorção e solos bem feitos. Astbury mesmo com uma linha vocal que não é a característica para uma banda de hard naquela época, consegue imprimir uma interpretação excelente, onde o seu vocal soa de maneira tão suja que em alguns momentos podemos até imaginar o suor escorrendo pelo microfone. A cozinha Stewart/Warner aqui se contenta em apenas fazer a parede sonora para que os dois principais membros do grupo brilhem, mas ainda assim fazem um trabalho correto.
O som que ouvimos é um hard cheio de pitadas de blues rock, em que você identifica de maneira muito clara a influência de bandas como AC/DC, Led Zeppelin e o Aerosmith dos anos 70, o que sabemos muito bem que é garantia de qualidade indiscutível. "Wild Flower" começa já atestando isso, onde é impossível não se lembrar do magnífico som dos australianos, aquele arroz-com-feijão que todos nós gostamos demais. Riff simples, mas daqueles que cativam e ficam horas gravados na mente. "Lil' Devil" que tem menos de três minutos de duração, consegue a proeza de ser memorável em um espaço tão curto de tempo, com sua veia blues apaixonante e um solo bacana. Dá para imaginar "Peace Dog" sendo cantada por Plant, pois a música tem a cara do Led Zeppelin.
"Electric Ocean" é uma das músicas mais sujas e legais de todo o disco, com um andamento sem frescura alguma, com riffs hipnotizantes, um ótimo solo no meio da canção, onde Warner também faz um solo de bateria e é um complemento interessante para essa faixa. Mas indiscutivelmente o grande momento do registro é a brilhante "Love Removal Machine" que começa sorrateira, meios como sem querer nada e vai crescendo, até que explode em um solo espetacular de Billy Duff, em que ele desce o braço nas seis cordas sem dó alguma. O trabalho vocal de Astbury também é perfeito e a cozinha faz sua lição de casa de maneira empolgante e é impossível resistir a mesma. O cover da clássica "Born To Be Wild" ganhou uma roupagem energética e um charme a mais com os vocais de Astbury.
Um excelente registro, que demonstra um som sincero e vigoroso por parte de todo o grupo. Se você é daqueles chegados a um hard carregado de raízes bluseiras, pode ter certeza que essa é a pedida certa. Um dos grandes registros do hard oitentista, sem sombra de dúvidas!
1.Wild Flower 2.Peace Dog 3.Lil' Devil 4.Aphrodisiac Jacket 5.Electric Ocean 6.Bad Fun 7.King Contrary Man 8.Love Removal Machine 9.Born to Be Wild 10.Outlaw 11.Memphis Hip Shake
Ian Astbury – voz Billy Duffy – Guitarra Jamie Stewart – Baixo Les Warner – Bateria
Para quem conheceu Blaze Bayley através do sombrio e depressivo The X-Factor, do Iron Maiden, é difícil imaginar que o vocalista começou em uma banda como o Wolfsbane. Afinal de contas, o quarteto praticava um Hard Rock totalmente oitentista, com aquele clima festeiro totalmente norte-americano, que se refletia em toda a postura do grupo, mesmo no material promocional. Foi com essa proposta que o grupo chamou a atenção da Def American Records, que assinou contrato com os rapazes após três demos e cinco anos de luta no underground. E para produzi-los, foi chamado ninguém menos que o dono da companhia, o lendário Rick Rubin, cuja biografia fala por si só.
Com o título completo de Live Fast, Die Fast: Wicked Tales of Booze, Birds and Bad Language – e abreviado por questões mercadológicas – o debut traz referências enormes ao som que se produzia nos Estados Unidos. Aqui podemos perceber uma semelhança vocal de Blaze com David Lee Roth que não soa tão perceptível em seus trabalhos posteriores, por motivos óbvios. As guitarras também seguem a mesma linha, com Jase Edwards se mostrando um instrumentista dos bons. Liricamente, a coisa se parece ainda mais com a ensolarada cena roqueira de LA, trazendo muitas referências a farras, putarias e afins, além daquele típico humor fanfarrônico.
As faixas são diretas e rápidas. Apenas uma ultrapassa os cinco minutos sendo que algumas não chegam aos três. Foram lançados dois singles. Primeiro, para a ótima “Man Hunt”, abertura acelerada, com um pique bem puxado para o Heavy. Na seqüência, “I Like It Hot” (título sugestivo), que poderia muito bem ter saído de algum dos álbuns de DLR com Steve Vai. Outros destaques vão para a empolgante “Money To Burn”, os dois minutos frenéticos de “All Or Nothing” e a saideira com “Pretty Baby” – sim o cara de várias canções sanguinárias tem uma com esse nome (risos). A baladinha “Tears From A Fool” chega a ser insólita, mas tem sua qualidade.
A repercussão foi positiva, se valendo da reputação que o Wolfsbane já possuía na cena local. Como conseqüência, a banda seria convidada para fazer a abertura do Iron Maiden durante a parte européia da No Prayer On The Road Tour. Foi ali que teve início a amizade de Blaze com Steve Harris e companhia, que acabaria levando a sua entrada na Donzela de Ferro posteriormente – o que pareceu uma surpresa aos olhos do resto do mundo, foi algo óbvio na terra natal dos envolvidos. Após anos distantes, o grupo se reuniu para recentes datas na Inglaterra, com direito a apresentações sold-out. Um EP, chamado Did It For The Money já foi lançado e um novo full-lenght é aguardado ainda para esse ano.
Blaze Bayley (vocals) Jase Edwards (guitars) Jeff Hately (bass) Steve Ellett (drums)
01. Man Hunt 02. Shakin’ 03. Killing Machine 04. Fell Out Of Heaven 05. Money To Burn 06. Greasy 07. I Like It Hot 08. All Or Nothing 09. Tears From A Fool 10. Pretty Baby
O fato é que, apesar de ser um músico completo e um dos talentos mais injustiçados no meio da música pesada, Vinnie Vincent é um louco. Conseguiu estragar sua promissora carreira graças ao seu gênio difícil, inicialmente ao tentar mandar mais que Gene Simmons e Paul Stanley durante sua estadia no Kiss, posteriormente ao ser chutado de sua própria banda solo porque os integrantes e a gravadora simplesmente não o aguentavam mais. Além disso, se envolveu em outros inúmeros escândalos que nem compensam ser citados, pois tomariam grande parte deste texto.
Foto de Vinnie Vincent na delegacia. Não confunda com sua tia.
Resta aos fãs apreciar o que Vincent deixou registrado em seu período produtivo, até porque, depois disso, a possibilidade de voltar ao meio musical passou de "nula" para "negativa". E, sem dúvidas, o período com o Kiss foi o mais aplausível da carreira do guitarrista. A sua entrada, em 1982, para substituir o desanimado e dependente Ace Frehley, deu sangue novo para o grupo, que passava por momentos difíceis em se tratando de vendas e público por conta de discos como "Unmasked" e "Music From 'The Elder'".
Vinnie Vincent colaborou em uma parte de "Creatures Of The Night", hoje um dos prediletos dos fãs: co-escreveu I Love It Loud, I Still Love You e Killer, além de tocar guitarra em algumas outras faixas. A turnê de divulgação foi um fiasco nos Estados Unidos mas é lembrada com carinho pelos brasileiros, pois lotou os estádios do Maracanã, Mineirão e Morumbi. O álbum seguinte, "Lick It Up", foi um sucesso principalmente por conta da retirada das maquiagens, e foi aí que Vincent brilhou ao liderar as composições (co-escreveu 8 de 10 canções), destilar poderosas linhas de guitarra e se mostrar cada vez mais imponente ao vivo. E, de fato, não há registro melhor que este para provar minha última afirmação.
A incrível bootleg dessa postagem foi gravada em 11 de janeiro de 1984, no Nashville Municipal Auditorium da cidade norte-americana de Nashville, Tennessee, Estados Unidos. Se já rolavam desentendimentos, só Deus sabe. Mas a energia e o entrosamento do quarteto em cima do palco era sensacional. A banda estava afiadíssima, revigorada e nem aí para o seu passado, pois contava com um presente diferente e muito bom.
Em ótima fase, o grande performer Paul Stanley manda ver com vocais poderosos. Apesar de Gene Simmons estar visualmente deslocado e desconfortável nessa época, também manda muito bem. A dupla de "novatos" Vinnie Vincent e Eric Carr trucida do início ao fim com velocidade e disposição. Os dois parecem ser amigos de longa data, que tocavam desde crianças.
O set-list reflete a boa fase, visto que não foi construído com a intenção de fazer um revival. Clássicos como Cold Gin, Detroit Rock City, Rock And Roll All Nite e Love Gun não poderiam ficar de fora, mas a nova fase do Kiss ficou exaltada por canções dos dois últimos discos, que vão desde as "classicas de nascença" Lick It Up, War Machine e I Love It Loud até aquelas esquecidas em repertórios posteriores, como Gimme More e All Hell's Breakin' Loose.
Músicos com performance matadora, seleção de músicas de se tirar o fôlego e qualidade de som beirando a perfeição - o show foi captado diretamente da mesa de som. Quer mais o quê? Que Vinnie Vincent tome vergonha na cara? Confira já!
01. Intro 02. Creatures Of The Night 03. Detroit Rock City 04. Cold Gin 05. Fits Like A Glove 06. Firehouse 07. Gimme More 08. War Machine 09. Gene Simmons Bass Solo 10. I Love It Loud 11. I Still Love You 12. Eric Carr Drum Solo 13. Young And Wasted 14. Love Gun 15. All Hell's Breakin' Loose 16. Black Diamond 17. Lick It Up 18. Rock And Roll All Nite
Paul Stanley - vocal, guitarra Gene Simmons - vocal, baixo Vinnie Vincent - guitarra, backing vocals Eric Carr - vocal, bateria