O Marathon Man excursiona e grava com a The Allman Brothers Band, Gov’t Mule, The Dead (aka Grateful Dead), faz participações especiais em gravações e shows da brodagem e ainda arruma um tempo pra gravar disco solo (e duplo!). Isso tudo com o melhor timbre de guitarra que existe na atualidade e vocais absurdamente cheios de feeling.
De onde você é, brother Haynes? Que pilhas você usa?
Não é de hoje que vitalidade e a criatividade de Warren Haynes me surpreendem. Mas o que cativa é a sua sinceridade. Quem mais conseguiria segurar uma platéia do tamanho da de Boonaroo somente com um violão? Só alguém em que a massa realmente acredite. E Haynes é o messias do rock. Ele tem uma mensagem: seja você mesmo/ faça o que você curte, e todos te amarão.
O post de hoje é o último disco solo de Haynes, Man in Motion, que traduz o espírito inquieto do americano no seu inconformismo com o cenário musical que compõe. O track list traz pérolas do rock, do soul e do blues, formadas por composições próprias que não são menos que espetaculares. O disco já nasce um clássico.
A propósito, é impressionante como o resgate a velhos timbres e métodos de composições pode parecer fresco nos dias de hoje. Quando todos os timbres de guitarra têm a busca pelo peso em camadas de overdubs, Haynes é adepto do bom sistema plug and play, que resume o set a um amp valvulado e uma guitarra. Quem não consegue tirar som com o simples, nunca conseguirá tirar com equipamento complexo. E na simplicidade, Haynes é mestre.
Produzido por Gordie Johnson, que também produziu os dois últimos discos do Mule, penso que este play traga o melhor trabalho vocal de toda a carreira de Haynes. Trabalho que conta com a ajuda mais que bemvinda de Ruthie Foster. Ian Neville também ajuda no gogó, e o resultado é bom demais.
O play abre com a autoral Man in Motion, que traz o velho Warren Haynes de guerra com seus riffs de guitarra em double stop e um Hammond sem vergonha fazendo a cama. Imagine o groove dos Almann Brothers com a cama do Mule. Não sei explicar, mas é Warren Haynes em sua essência. River’s Gonna Rise poderia tranquilamente ser trilha sonora de um filme do Steve McQueen. Mezzo funk, mezzo rock, é o clima perfeito pra rodar no carango pelo centro da cidade vazia às 6 da matina. Os já elogiados vocais agora ganham destaque e força na mixagem.
Everyday Will Be Like a Holiday é um blusão de fazer marmanjo chorar. Como é que ainda sai tanto som bom dessa cachola é um dos enigmas da humanidade. Gênio total. Que se revela também na engraçada Sick of My Shadow, pois os diálogos de sax com guitarra encharcada de wah wah demonstram um cara que gosta de compartilhar os holofotes. Ele, definitivamente, não tem vocação para ser diva do rock. É honesto demais pra isso (olha a honestidade de novo). E o cd 1 encerra com Wildest Dreams e seu pianão com harmonias divinas.
O cd 2 abre com On a Real Lonely Night e seu riff de 6 notas ascendentes e clima de jam session. Segue Hattiesburg Hustle, que lembra um Gov’t Mule vitaminado com apelo pop. Mas não aquele pop grudento. Mas é feita pra tocar na (web) radio, pois tem um embalo muito bom de curtir.
A Friend to You mostra porque Ron Holloway foi convidado para o disco. A abertura, com solo de sax, cria a tensão necessária para a guitarra Hendrix que vem depois. E segue Take a Bullet e seu estilo Wilson Picket. Tente não lembrar de Midnight Hour naquele começo. É o clima rithm n’ blues e soul que permeia pelo disco todo. Essa é das minhas preferidas.
Agora, Save Me é de arrepiar. O encerramento do disco é uma das baladas mais lindas que já ouvi. A dinâmica do piano (e não um teclado com timbre de piano) traz um calor especial à canção. E Warren Haynes aproveita esse calor para fazer um de seus vocais característicos e cheios de feelin’.
Um disco de um músico completo, com uma inesgotável capacidade de criar músicas maravilhosas. Eu me impressionei, mesmo imaginando que seria mais do mesmo. Não é.
Track List
Disc 1
1. Man in Motion 2. River’s Gonna Rise 3. Everyday Will Be Like a Holiday 4. Sick of My Shadow 5. Your Wildest Dream
Disc 2 1. On a Real Lonely Night 2. Hattiesburg Hustle 3. A Friend to You 4. Take a Bullet 5. Save Me
Warren Haynes (guitarras e vocais) George Porter Jr (baixo) Ian Neville (orgão, clavinete e backing vocais) Ian McLagan (Wurlitzer e piano) Raymond Weber (bateria) Ron Holloway (sax tenor) Ruthie Foster (backing vocais)
A estréia do vocalista Mark Fox em Rising deu um grande impulso na carreira do Shakra. Com sua voz rouca e seu estilo rockstar, fez com que a banda alcançasse novos públicos e comandasse, junto com o Gotthard, a nova fase do Hard Rock suíço. Era hora de confirmar esse status e Fall, quinto trabalho de estúdio, foi o responsável. Mantendo a fórmula de músicas melódicas e com um toque atualizado, conseguiu fazer o estrondo necessário para manter o nome do quinteto em alta. Os músicos também colaboram, com performances individuais soberbas, com destaque para as guitarras pesadas e com munição de riffs em protuberância.
Mas um componente em especial ajudou a divulgar o álbum: a censura do videoclipe da faixa de abertura, “Chains Of Temptation”, que mostra uma atriz simulando uma injeção de heroína. A produção teve exibição proibida nos canais de música. Mas como tudo aquilo que sofre este tipo de ação desperta a atenção popular, o efeito acabou sendo positivo no contexto geral. E a música colabora, com seu refrão ganchudo e uma melodia incrível, mesclando a sonoridade clássica com uma agressividade dos tempos modernos sem descaracterizar a proposta.
O polêmico videoclipe
“Out Of Control” é Heavy Metal puro, acelerada e agressiva, com um refrão feito para ser cantado ao vivo. A ótima melodia de “All Or Nothing” poderia até ser amistosa às assim chamadas Rádios Rock, com sua simplicidade e efetividade, assim como a suave “Make it Alright”, acessível na medida certa. Em “How it Feels”, os caras mostram porque são uma das melhores bandas de sua geração quando o assunto é fazer baladas de estilhaçar o coração. Emocionante, melancólica e outros tantos adjetivos que precisariam de muito espaço para se colocar. A mais longa “Walk On Water” traz riffs maravilhosos e variações perfeitas, sem se tornar uma exibição gratuita.
A saideira é de primeiro nível, com a empolgante “Nightlife”. A repercussão de Fall fez com que o Shakra realizasse uma turnê de doze países junto com Hammerfall e Stratovarius, além de tocar com Iron Maiden e Guns N’ Roses em diversos festivais do verão europeu.
01. Chains Of Temptation 02. Out Of Control 03. Take Me Now 04. All Or Nothing 05. How It Feels 06. Fall 07. Walk On Water 08. She's My Ecstasy 09. Make It Alright 10. Nightlife 11. Do You Know? 12. Immortal
Entre os heróis da soul music norteamericana, Sam Cooke reinou soberano durante um curto espaço de tempo.
Nascido Samuel Cooke (Clarksdale, Mississippi, em 1931), o cantor é considerado um dos criadores do termo soul music, e um dos precursores do estilo. Como a época é antiga, essas afirmativas ficam mais por conta da tradição oral do que da efetiva documentação. Mas, independentemente do que se queira acreditar, o homem tinha uma voz de ouro. Tanto que seu apelido sempre foi The King Of Soul. O que tem em Clarksdale, afinal? Será a água?
Optei por uma coletânea lançada em 1998 porque entendo este ser um registro que realmente abrange o que há de melhor na curta carreira desse rei. Passageiros, quem ainda não teve contato com a soul music original, que chame o amor de sua vida e abra um bom vinho em frente à lareira neste inverno rigoroso. Essa é a verdadeira música para ouvir amando. E dizer que Julio Iglesias já se referiu assim à sua porcaria sonora. Aqui está o real deal, esqueça o espanhol de Miami.
Entre 1957 e 1964 (ano de sua morte prematura por um tiro disparado por uma camareira de hotel que alegou legítima defesa), o cara teve nada mais nada menos que 29 canções nas paradas americanas. E estamos falando de 7 anos no tempo dos reis.
A carreira solo surgiu após Cooke abandonar o grupo gospel Soul Stirrers, em 1957. No início, havia uma grande influência do blues e do rock de Chubby Checker em suas composições. Mas o ritmo foi desacelerando aos poucos, e é nas baladas que encontramos o ouro puro, lapidado pela mesma Specialty Records que gravou Little Richards e tantos outros sucessos da gênese do rock’n’roll.
Não vou falar de todas as músicas porque a coletânea é bem completa, mas a abertura, com You Send Me, me faz querer andar num Cadillac conversível e tomar uma Coca-Cola em garrafa de vidro de 250ml. Chiclete e jaqueta de couro preto completam o cenário, que traz a gata num vestidinho rodado e cabelo preso num rabo-de-cavalo. Sonhar é bom, e com Sam Cooke é ainda melhor.
Everybody Loves to Cha Cha Cha é ingênua demais. E é exatamente essa ingenuidade que a faz tão bonita. Only Sixteen é a música que hoje daria cadeia por pedofilia. Mas, para aqueles anos 50, fazia muito sentido. A juventude começava a se rebelar e a revolução sexual, que explodiu nos anos 60, tomava seus primeiros formatos. Chain Gang também traz um clima de picardia juvenil que soa... fofo. Se pensarmos que hoje ouvimos nas músicas palavras como “mano”, “cana”, “Ar-15”, e, bem, não cabe citar todas as barbaridades; aqui está uma ode à gangue juvenil com vocalizações soul que acabam trazendo sentimentos antagônicos. Afinal, é pra gostar ou não da gangue? Acabamos gostando.
Twistin’ the Night Away foi um dos maiores sucessos de Sam Cooke. Uma batida festiva e com uma harmonia ímpar. Cupid também foi sucesso. E é aquela que deve ser cantada no ouvido da gata enquanto o som rola no fundo. Mostre que você é sensível. Só cuide para não pedi-la em casamento movido pela forte emoção. Pense primeiro, ok? Se der tempo.
Um disco que entendi ser necessário em uma época de discussões acaloradas sobre temas que levam a absolutamente lugar nenhum. Uma época em que pessoas escrevem o que bem entendem na internet, despreocupadas com o sentimento de quem recebe a mensagem. Viva a alma humana. Sinta-a. Essa é a trilha sonora. Um abraço a todos.
Cupid draw back your bow and let your arrow go Straight to my lover’s heart for me
Track List
1 You Send Me
2 (I Love You) For Sentimental Reasons
3 You Were Made For Me
4 Win Your Love For Me
5 Love You Most of All
6 Everybody Loves To Cha Cha Cha
7 Only Sixteen
8 Wonderful World
9 Chain Gang
10 Sad Mood
11 That's It, I Quit, I'm Movin' On
12 Cupid
13 Twistin' The Night Away
14 Having A Party
15 Bring It On Home To Me
16 Sugar Dumpling
17 Nothing Can Change This Love
18 Somebody Have Mercy
19 Send Me Some Lovin'
20 Frankie And Johnny
21 Little Red Rooster
Músicos que participam de todas as gravações Sam Cooke (vocais) Billy Preston (órgão) Lou Rawls (backing vocais)
Enquanto a turma da Bay Area carregava a tocha do Thrash Metal com sua cena, do outro lado do mapa norte-americano, algumas bandas batalhavam pelo seu espaço. O caso mais famoso é o Anthrax, seguido pelo Overkill. Inclusive, os grupos possuem histórias muito próximas, tendo como fato mais famoso o guitarrista Dan Spitz ter feito parte de ambos. Mas apesar de não ter alcançado o mesmo status de Scott Ian e seus comparsas, os comandados de Bobby “Blitz” Ellsworth e D.D. Verni mantiveram uma carreira constante, com fãs fiéis espalhados pelo planeta.
Taking Over é o segundo capítulo da história do até então quarteto, além de ser o primeiro álbum da Megaforce Records a contar com suporte de distribuição de uma major, a Atlantic. Aqui a sonoridade e a produção foram melhoradas em relação a Feel the Fire, estréia em full-lenght. Bobby se mostrava um dos vocalistas mais versáteis de sua geração, alternando registros com maestria, enquanto os músicos se esmeravam para oferecer agressividade e pegada na medida certa. O lado épico da sonoridade foi evidenciado em sons como “Fear His Name” e o clássico “In Union We Stand”, usada como single e hoje considerada um dos grandes clássicos da carreira do grupo.
O bicho pega para valer na rifferama da dobradinha de abertura, “Deny the Cross” e “Wrecking Crew”, mais duas indispensáveis nos setlists de shows até os dias de hoje. E a ‘correria’ está garantida em “Fatal if Swallowed” e na alucinante “Electro-Violence”, capaz de fazer cabeças voar. O hino “Powersurge” conta com ótimos backing vocals, além de sua introdução simplesmente matadora. Para encerrar, a mais longa de todas, “Overkill II (The Nightmare Continues)”, com sua entrada climática, desembocando em um verdadeiro massacre sonoro, cheio de variações.
Taking Over chegou a um modesto 191º lugar na parada da Billboard. Mas o suficiente para o Overkill conseguir uma turnê em conjunto com o Helloween, que divulgava o clássico Keeper Of the Seven Keys. Esse seria o último trabalho com o baterista Rat Skates. Um clássico do estilo feito por uma banda que, apesar de não ter alçado grandes vôos, segue lançando ótimos discos até hoje e excursionando pelo mundo, com direito a abrir show da Ivete Sangalo.
Bobby "Blitz" Ellsworth (vocals) Bobby Gustafson (guitars) D.D. Verni (bass) Rat Skates (drums)
01. Deny the Cross 02. Wrecking Crew 03. Fear His Name 04. Use Your Head 05. Fatal if Swallowed 06. Powersurge 07. In Union We Stand 08. Electro-Violence 09. Overkill II (The Nightmare Continues)
Scott Gorham demorou a aparecer com um novo trabalho após o fim do Thin Lizzy. Até que houve algumas participações especiais, como no lendário Phenomena (onde, aliás, acabaria conhecendo o baixista Leif Johansen), mas nada com assinatura própria. Até que decidiu fundar o 21 Guns, projeto com uma sonoridade mais atualizada do Hard Rock, com direito a alguns toques de AOR, embora os teclados possuam uma função meramente coadjuvante, com a guitarra sempre na linha de frente. A peça fundamental para a consolidação da idéia seria o vocalista Thomas La Verdi, que já havia gravado um álbum com o grupo A=440.
O play já abre com “Knee Deep”, música utlizada como single, com direito a videoclipe. E a escolha foi acertada, já que a faixa traz um belo riff, refrão de fácil assimilação e pegada roqueira empolgante. Na seqüência, “These Eyes” já dá uma idéia da diversidade do trabalho, com sua ótima melodia e backing vocals muito bem encaixados. A bela balada “Marching in Time” e a agitada “Little Sister” (minha preferida) estão entre as melhores. Outros destaques vão para o groove de “Pays Off Big”, a emocional levada de “Jungleland” e “No Way Out”, que encerra o álbum com adrenalina em alta.
Após uma turnê pelos Estados Unidos, La Verdi acabaria saindo da banda, o que faria com que entrassem em um recesso forçado. Um novo álbum (Nothing’s Real) só seria lançado cinco anos mais tarde. Esse grande intervalo fez com que o 21 Guns nunca fosse capaz de estabelecer seu nome no mercado. Mas não apaga a grande qualidade de seu trabalho, especialmente no debut, que acabou se tornando um trabalho com status de ‘cult’ nos porões da cena Hard Rock. Uma bela pedida para quem não consegue imaginar Scott em outra banda além do Thin Lizzy e fazendo um som com diferente approach de seu convencional.
Thomas La Verdi (vocals) Scott Gorham (guitars) Leif Johansen (bass, keyboards) Mike Sturgis (drums)
01. Knee Deep 02. These Eyes 03. Walking 04. Marching in Time 05. The Rain 06. Little Sister 07. Pays Off Big 08. Just a Wish 09. Battered and Bruised 10. Jungleland 11. Tell Me 12. No Way Out
Os Mutantes são a prova de que, para se chegar onde se quer, é preciso ter talento e muitos contatos bons.
Todos enaltecem as qualidades (indiscutíveis) dos músicos da banda. Mas poucos se lembram que eles começaram tentando os festivais e a televisão. Porta certa para o contrato com uma major, e desejo de 10 entre 10 músicos à época.
Antes do nome Os Mutantes, o grupo foi batizado de Wooden Faces (genial), Six Sided Rockers, O Conjunto e O'Seis. Nada muito atraente se contarmos que, em 1966, os milicos estavam no auge da repressão aos artistas e pensadores brasileiros. Qualquer gracinha ou trocadilho poderia significar algo bem ruim. Caetano e Gil foram exilados, assim como uma leva de políticos e manifestantes. Aliás, abrindo um parêntese, nunca entendi por que o grande comunista Oscar Niemeyer se exilou em Paris e não em Cuba, China ou URSS, afinal...
Os Mutantes começaram como banda de apoio de Gilberto Gil em um festival da TV Record (que não era dos bispos ainda). E com ele gravaram o seu primeiro full lenght. A seguir veio óbvio: Caetano e seu disco é proibido proibir.
O post de hoje é o terceiro disco próprio da banda Os Mutantes, e no qual eles tiveram o parquinho do estúdio todo disponível para brincar a vontade. A dupla Rita Lee e Arnaldo Baptista, então com um inevitável affair que não agradou o irmão Sérgio, consagrava-se como um novo horizonte nas composições do rock’n’roll brasileiro. Sérgio estava lá também, claro, mas Arnaldo foi o cérebro louco por trás da engenhoca sonora do grupo.
O play traz duas covers, uma de Roberto e Erasmo (Preciso urgentemente encontrar um amigo) e outra de Sílvio Caldas (Chão de Estrelas, aqui praticamente irreconhecível). É o início de uma trip que culminaria com os não menos fantásticos Jardim Elétrico e Mutantes e Seus Cometas no País dos Baurets (outro título genial), já magnificamente resenhados por aqui.
As drogas e os acidentes da vida, como a tentativa frustrada de suicídio de Arnaldo, somados a um sucesso estranho para a época (até hoje Os Mutantes tem mais repercussão no exterior que no Brasil) tiraram o brilhantismo e a genialidade deles da cena. Rita Lee saiu (disse em entrevista que foi expulsa por Sérgio) e fez enorme sucesso com sua carreira solo. Sérgio toca a banda pra frente até hoje. E o gênio Arnaldo pena um ostracismo esquizofrênico inexplicável.
Ando Meio Desligado abre a bolacha com uma das melhores músicas que eles fizeram na carreira. Rita Lee até hoje é lembrada pelos vocais que fez aqui. “Eu nem vejo a hora de te dizer aquilo tudo que eu decorei” é frase pra menestrel nenhum botar defeito. Sérgio traz uma guitarra maravilhosamente timbrada, cortesia dos instrumentos e equipamentos que seu irmão Cláudio fazia.
Quem tem medo de brincar de amor taz um Hammond sem vergonha demais. Vocais em uníssono criam uma atmosfera então inédita no rock nacional. Hammond esse que é demasiadamente explícito em Meu Refrigerador Não Funciona. Rita incorpora Janis Joplin e imprime seu lado psicodelic blues.
Hey Boy é uma canção que poderia tranquilamente ter saído de um disco da Jovem Guarda. Ave Lúcifer é estranha... vocais alternados e uma mensagem subliminar atrás da outra. Francamente, era muito pra cabeça da rapaziada naqueles anos de chumbo. Mas era difícil não encontrar esse disco nas casas dos universitários antenados com a liberdade de expressão. Tão estranho quando tentar entender como passou pela censura e foi para as prateleiras.
O fim é espetacular. Oh! Mulher Infiel é uma jam session raivosa, com Arnaldo destruindo seu Hammond no estúdio, enquanto o intercala com passagens de piano em ritmos sincopados. Sérgio Dias traz uma distorção de fuzz que, confesso, nunca antes havia se noticiado nesta republiqueta de bananas. Um clássico. Divina Comédia é o nome que cai como uma luva para algo desse cacife.
Ouça esse disco, que mostra um grupo já consolidado no mercado e com um contrato bem bom com uma grande gravadora, mas que estava pouco se importando para as tendências do mercado. Eles queriam extravasar seus gênios criativos. E conseguiram.
Track List
1. Ando meio desligado 2. Quem tem medo de brincar de amor 3. Ave Lúcifer 4. Desculpe, baby 5. Meu refrigerador não funciona 6. Hey boy 7. Preciso urgentemente encontrar um amigo 8. Chão de estrelas 9. Jogo de calçada 10. Haleluia 11. Oh! Mulher infiel
Lembro muito bem quando em 2009 escutei o disco de estréia dos americanos do FarCry, o muito bom "High Gear", que ficou um mês em meu IPOD sendo ouvido repetidas vezes sem parar, em que praticavam um melodic rock muito bem feito e com influências de grupos como Danger Danger e Harem Scarem, que são duas bandas pelas quais sou extremamente apaixonado. Então não podia deixar de conferir o lançamento do segundo disco do grupo, "Optimism", lançado no começo deste mês.
E falo que se o primeiro CD me ganhou, "Optimism" conseguiu definitivamente angariar mais um fã do som feito por esses conterrâneos do Bon Jovi. se no debut o grupo lançou um disco redondinho, no segundo vemos que a identidade do grupo foi por vez consolidada e conseguiu superar muitos discos de melodic rock que ouvi ultimamente. Guitarras muito bem trabalhadas principalmente nos solos inspirados do excelente Pete Fry vão lhe conquistar logo de cara. Mas a banda faz um trabalho muito coeso e com uma produção polida, que dá mais brilhantismo ao pacote apresentado.
E neste eles são mais influenciados pelos filhos de maior sucesso de New Jersey, criando melodias cativantes, vocalizações muito bonitas e hinos que foram feitos para serem cantados a plenos pulmões, como é regra para as bandas que realmente sabem fazer melodic rock de qualidade. Aqui a musicalidade transpira por todos os poros do grupo, sem nenhum enchimento de linguiça, em que todas as canções possuem um brilho singular e foram compostas de maneira inspiradas, o que confirma que a revelação se tornou uma realidade e passou facilmente pela síndrome do segundo disco.
E os trabalhos são iniciados com a ganchuda "Satisfaction", que começa toda faceira, cheia de riffs bacaninhas até explodir em um baita solo legal de Fry, algo que vai se tornar uma redundância até o final do disco, na qual o resultado para mim remeteu no que aconteceria se misturassem Ac/Dc e Danger Danger em um mesmo caldeirão, algo improvável e sensacional ao mesmo tempo. "Over And Over (Again!)" me arrancou uma lágrima dos olhos, com seu clima lindo e encantador, sendo para mim ao menos a melhor canção do disco e um momento de sublime beleza em forma de música. "Nothing You Can Do" é outra música bem trabalhada e cheia de energia e muito boa.
A balada "Better Than This" é belíssima, começa bem calma apenas com violões até se tornar uma power ballad das boas e com mais um solo arrebatador de Pete Fry e que tive de fazer esforço para continuar. Mas fui recompensado, pois "Love At First Sight" é outra baita canção grudenta e muito boa de se ouvir, assim como "Now That It's Over" que acrescenta um pouco mais peso em comparação as outras canções. A semi-balada "Free" me ganhou logo na primeira vez que a ouvi e me deu ainda mais certeza de que esses caras são muito bons e é um dos grandes momentos de Mark Giovi neste registro, que arrebenta tudo aqui.
Queria não continuar a elogiar tanto, mas não dá, principalmente quando "Best Of Me" aparece para continuar desarmando qualquer resistência que pudesse aparecer contra este registro, em outra canção que beira o nível do memorável com um andamento mágico. "Too Hot To Hold" mais uma vez coloca um pouco de peso com guitarras pesadas da dupla Fry e Mazza e um refrão muito bem feito. "When The Lights Go Down" finaliza o disco com guitarras incendiárias, com mais uma vez Fry roubando a atenção para si, com solos maravilhosos e um andamento extraordinário em toda a canção, algo para roqueiro nenhum botar defeito.
Este com certeza será um dos discos lançados esse ano sem sombra de dúvidas. Aqui temos tudo que um fã de melodic rock poderia pedir a Deus, entregue apenas em um play de qualidade incrível. Se continuar neste ritmo, Pete Fry tem tudo para estar na lista dos grandes guitarristas do estilo logo em breve. Apesar de toda a banda ser muito coesa, aqui ele realmente rouba a atenção para si. Um disco de nota 9,5 sem pensar nem meia vez. E que se permitem o trocadilho, me deixa otimista para tudo que o grupo ainda pode apresentar.
1.Satisfaction 2.Over and Over (Again!) 3.Nothing You Can Do 4.Better Than This 5.At First Sight 6.Now That It's Over 7.Free 8.Best Of Me 9.Too Hot to Hold 10. When The Lights Go Down
Mark Giovi - Vocais Pete Fry - Guitarra Solo, Backing Vocals Angelo Mazza - Guitarra Base, Backing Vocals Ronnie Parkes - Baixo. Backing Vocals Tommy John - Bateria
Imagine poder escolher o time dos sonhos e dizer aos jogadores: joguem como quiser. Façam o que lhes der na telha!
Essa foi a proposta da revista Guitar World americana. Esse disco, hoje, é tratado como vol. 1; mas, quando saiu, não se tinha a ideia de fazer continuações. Era para ser apenas um produto com os melhores da então maravilhosa e acrobática década de 80, que havia chegado ao seu não tão glorioso final.
Os cabelos esvoaçantes e cheios de laquê faziam companhia a roupas extravagantes, chamativas e que compunham visuais pesadamente exagerados. Como já postado aqui, era uma época maravilhosa, em que homens se vestiam como mulheres, mulheres como vagabundas e o rock’n’roll chutava traseiros. E como chutava. O disco que mostro hoje é o encerramento glorioso de um ciclo.
Esqueça as histórias de agonia do hard farofa. Ele se encerrou da mesma forma apoteótica que começou: com um grande trabalho. E este trabalho, na minha opinião, é esta coletânea. Gravado em vários estúdios diferentes, o resultado final foi masterizado nos estúdios Sterling Sound, em Nova York. Mas vamos cortar o lero lero e vamos ao cardápio, que é primoroso.
A jóia abre com a estupenda Black Magic, que traz um Reb Beach tocando todos os instrumentos. Gravado no estúdio caseiro de Kip Winger, a música é praticamente um portfólio do guitarrista. Mas o resultado ficou tão bom que eu considero uma das melhores do play.
Richie Sambora, que acabara de lançar seu Stranger in this Town, mandava ver com Mr. Sambo, acompanhado de quase todo o Bon Jovi. É interessante ver Sambora detonando um instrumental de peso, sem a voz de Jon Bon Jovi por cima e sem cair na armadilha das baladas xaroposas. É a sequência ideal para o que Reb Beach fez.
Yngwie J. Malmsteen traz Leviathan, com seus clássicos bululus em altíssima velocidade. Uma faixa que parece ter saído de Trilogy ou Marching Out. O sueco, justiça seja feita, esmirilha o instrumento e consegue fazer a diferença. Obviamente, um disco inteiro de músicas instrumentais do cara é insuportável (até o maravilhoso Millenium). Mas, no meio de tantas estrelas, Leviathan é o que se espera para preencher o espaço que pertence a Malmsteen.
Paul Gilbert estava numa fase pré saída do Mr. Big. Ele sempre foi espevitado e ousado nas inovações guitarrísticas. O estilo Mr. Big, mais pop e “redondinho”, começava a saturar seu gênio inquieto. I Understand Completely é a prévia do que viria em sua carreira solo da segunda metade dos anos 90. Sons, aliás, que nunca entendi 100%, fazendo um trocadilho horrível com o título da faixa.
Elliot Easton dá um show de bom gosto. Seu violão tem um timbre inigualável, e a elegância da composição traz a lama do Mississippi com um pouco dos esgotos de Nova York. Afinal, é muita técnica pra um blues de raiz, mas muito feeling para um jazz/fusion. Fantástico.
Bueno. Zakk Wylde destrói tudo. Acompanhado do staff da Pride & Glory, Farm Fiddin’ é simplesmente a melhor coisa que o cara já fez na vida. Minha opinião, claro. Mas é quando ele mistura metal com bluegrass que a coisa fica divina. E ele estava tão solto por aqui, que a música é dividida em várias partes, tendo barulhos de fazenda como pano de fundo. Zakk mostrava que, mais que o sideman de Ozzy, era um guitarrista com estilo próprio que veio para ficar. E ficou.
Nuno Bettencourt impressiona por fazer algo que ninguém esperava dele. Depois de experimentar o megasucesso com seu Extreme, no qual desfilava licks de guitarra de tirar o fôlego (Get The Funk Out tem um dos sweeps mais fantásticos que já ouvi), ele aparece com um timbre doce, com frases de blues e clássicos Blackmoreianos, sobre uma base de sons caóticos, quase cacofônicos. O resultado é excelente, mas não é para qualquer ouvido entender a proposta.
Alex Skolnik, então egresso do Testament e mergulhado em jazz e outros experimentalismos, resolve gravar um funk instrumental. Resolveu e pronto. Qual é o problema? O grande detalhe é que a música, a exemplo do que fez Zakk Wylde, possui diversas partes com ritmos aparentemente desconexos. Mas o resultado final não é menos que fantástico. São obras de guitarristas e devem ser encaradas como tais.
Richie Kotzen é o velho de guerra. Antes de se aventurar pelo soul e pelo hard blues, ele era um dos destaques da cena shred do final dos anos 80. E seu trabalho solo é excelente. Eu prefiro o que ele fez em Shuffina, mas este Chype Fluxx tem seu valor, apesar de eu achar que ele seria capaz de fazer algo muito, mas muito melhor.
Albert Collins, o Iceman, faz a sua homenagem a um recém falecido Stevie Ray Vaughan. Sua telecaster sempre teve aquele estalado característico. E ele, pouco antes de morrer, deixou seu legado aos shredders de plantão, com uma interpretação de tirar o fôlego. Incrível como o velhinho se sobressai entre os hardeiros. Talento e feeling em estado puro.
Dickey Betts e Warren Haynes, a dupla de guitarras que foi responsável pela ressurreição da Almann Brothers Band nos anos 90, mostram que a volta de seu grupo tinha tudo para dar certo. Uma harmônica abre os trabalhos que são a melhor expressão do som acústico do sul dos Estados Unidos. Fantástico é a palavra. Agora sim temos um blues de raiz purinho, com sotaque do sul e atolado na lama do Mississippi até o pescoço. Clima de jam total. Um dia vou a Chicago alugar uma Harley ou um dojão pra descer até New Orleans ouvindo essas maravilhas no... toca-fitas. Claro!
Reeves Gabrels, então sideman do camaleão David Bowie, trouxe seu peso e experimentalismo ao play. Guitarras loucas com sotaque eletrônico, Why Do I Feel Like I’m Bleeding é uma aula àqueles que pensam que guitarra é tocar escalas para cima e para baixo na velocidade da luz. A produção mostra um Reeves Gabrel perfeccionista na busca do resultado que teve em mente desde o começo das gravações.
Para encerrar, Earl Slick toca aquele hard rock no melhor estilo californiano, para ouvir num dia de sol. Frases que beiram o clichê aparecem de forma agradável e perfeita.
Embora não exista, parece estar presente um certo tipo de clima de competição neste disco. Mas, mais do que um desfile de técnicas, o feeling e o cuidado nas composições e arranjos se sobressai nesse mix de estilos tão caros entre si, que são o rock, o blues, o hard rock e o metal.
Nada de tributos. Cada um fez a sua parte mostrando do que é capaz. E ficou uma maravilha.
Track List
1. Reb Beach - Black Magic 2. Richie Sambora - Mr. Sambo 3. Yngwie Malmsteen - Leviathan 4. Paul Gilbert - I Understand Completely 5. Elliot Easton - Walk On Walden 6. Zakk Wylde - Farm Fiddlin' 7. Nuno Bettencourt - Bumble Bee (Crash Landing) 8. Alex Skolnick - Fielt Of Soul 9. Richie Kotzen - Chype Fluxx 10. Albert Collins - Blues For Stevie 11. Dickey Betts & Warren Hayes - Wille And Poor Bob 12. Reeves Gabrels - Why Do I Feel Like I'm Bleeding? 13. Earl Slick - Surfer Junkie Dude
Reb Beach (todos os instrumentos, produção e mixagem) Richie Sambora (guitarras) Yngwie J. Malmsteen (guitarras, produção, mixagem) Paul Gilbert (todos os instrumentos, produção e mixagem) Elliot Easton (todos os instrumentos, produção e mixagem) Zakk Wylde (guitarras) Nuno Bettencourt (todos os instrumentos, produção e mixagem) Alex Skolnick (guitarra, produção e mixagem) Richie Kotzen (todos os instrumentos, produção e mixagem) Albert Collins (guitarra e produção) Debbie Davies (guitarra) Dickey Betts (guitarra e produção) Warren Haynes (guitarra e produção) Reeves Gabrels (todos os instrumentos e produção) Earl Slick (guitarra, produção e mixagem) Tico Torres (bateria e produção) Huey McDonald (baixo) Svente Henrysson (baixo) Mats Olausson (teclados) Michael Von Knorring (bateria) James Lomenzo (baixo) Greg D`Angelo (bateria) Les Claypool (baixo) Brain (bateria) Soko Richardson (bateria) Tom Dusett (harmonica) Gary Stewart (Field hollering) Terry Bozzio (bateria) Kirk Alley (baixo) Johnny B. Gayden (baixo)
O Bon Jovi se tornou uma das bandas de Rock mais rentáveis dos anos 1980. Discos como "Slippery When Wet" e "New Jersey" já venderam, nos dias de hoje, cerca de 35 milhões de cópias por todo o mundo, e as turnês de divulgação eram gigantescas, atravessando o globo com muito trabalho e pouco descanso. Isso fez com que a banda desse uma pausa em suas atividades no ano de 1990, não apenas para que os integrantes recarregassem suas baterias, como também para que tivessem a oportunidade de trabalhar em outros projetos.
O guitarrista Richie Sambora não ficou parado e viu, naquele breve hiato, a oportunidade de mostrar ao mundo suas influências e raízes musicais, que são muito diferentes das empregadas no grupo que o consagrou. De quebra, seu álbum solo teve a participação dos colegas de trabalho Tico Torres e David Bryan, do virtuoso baixista Tony Levin e, para uma música, o lendário Eric Clapton.
"Stranger In This Town", que traz um Hard Rock blueseiro e pouco farofeiro, transmite uma grande linearidade muito provavelmente por ter sido, em sua maioria, tocado por companheiros de banda, acostumados uns com os outros - Sambora, Torres e Bryan. Mas muito se deve ao talento do guitarrista, que liderou todas as composições com algumas outras colaborações de co-autores, tocou todas as trilhas de guitarra e ainda assumiu os vocais. E que vocais!
A introdução Rest In Peace poderia ser um pouco menor. É o único ponto fraco de todo o play, todavia, pois a bela Church Of Desire começa a brincadeira de verdade. Sambora se mostra um grande cantor e conduz a música com sua guitarra Stratocaster, além de mostrar uma boa participação de Bryan no "som ambiente". A melancólica faixa-título vem em seguida com tanto sentimento que arranca lágrima até de pedra. Traz o melhor solo do disco, de fato.
O single de maior repercussão do disco foi Ballad Of Youth, que chegou no ao Top 100 nos Estados Unidos e Reino Unido, mas sem muita extravagância. A canção apresenta uma letra consciente e uma grande performance vocal de Richie. A linda balada One Light Burning é digna de trilha sonora de romances da vida real.
Mr. Bluesman conta com a participação de Eric Clapton, além de uma grande execução de Tico Torres, responsável pela levada gostosa da música. Rosie foi composta para o multi-platinado "New Jersey" mas sabe-se lá o motivo de ter ficado de fora - é um Rockão sensacional e grudento, daqueles pra se cantarolar o refrão ao longo do dia. A boa River Of Love mantém o clima de Hard safado e assobiável.
O fechamento fica por conta das lentas Father Time e The Answer, que exibem muito bem a potente voz de Richie. O guitarrista não lançou um disco solo até "Undiscovered Soul", sete anos depois, mas a audição de "Stranger In This Town" permite a conclusão de que ele deveria ter investido mais em sua carreira solo, paralelamente, pois é incontestável que o cara é incrível. Vale a pena conferir, inclusive se não gostar de Bon Jovi.
01. Rest In Peace 02. Church Of Desire 03. Stranger In This Town 04. Ballad Of Youth 05. One Light Burning 06. Mr. Bluesman 07. Rosie 08. River Of Love 09. Father Time 10. The Answer
Músicos adicionais: Eric Clapton - guitarra solo em 6 Randy Jackson - baixo Jeff Bova - teclados Larry Fast - teclados Robbie Buchanan - programadores Rafael Padilla - percussão Carol Steele - percussão Tawatha Agee - backing vocals Bekka Bramlett - backing vocals Curtis King - backing vocals Brenda White-King - backing vocals Franke Previte - backing vocals Dean Fasano - backing vocals
Uma das coisas que mais me irritam na Combe são quando aparecem os grandes trOOs que vem "defender" que o rock é para crítica social, para ser machão e tudo mais. E muitas vezes são esses mesmos que idolatram bandas como Van Halen, Kiss, Poison e muitas outras em que o foco eram apenas a diversão, fazer festa, encher a cara e farrear com um monte de mulheres ao redor. E este espírito que o rock proporciona influênciaram muitas outras bandas de pop que cravaram clássicos ao se inspirarem nesta faceta, que é a de fazer festa.
E para mim, uma dessas bandas pop que mais promoveu este espírito fanfarrão e até mesmo canastrão do rock que muitos de nós aqui gostamos foi o Duran Duran. Formado por músicos competentes, como Andy Taylor e a poderosa cozinha Jonh e Roger Taylor, eles aproveitaram esse espírito de festa do rock e o multiplicaram por mil, com músicas memoráveis que fizeram a cabeça de quem foi adolescente durante os anos 80.
E o melhor exemplo disso foi o segundo disco do grupo, o clássico "Rio", que foi o responsável pela explosão definitiva do grupo e a consagração do mesmo em nível mundial. E isto não foi à toa, pois aqui temos canções memoráveis e trabalhos perfeitos de todo o grupo, tanto que este álbum é figurinha carimbada em qualquer lista que se promova sobre grandes discos dos anos 80 e conseguiu obter ótimas posições em todos os charts na época, como o segundo lugar na parada britânica e o sexto na Billboard, onde ficou por 129 semanas.
E a faixa de abertura nos responde porque. "Rio" começa incendiando tudo que estiver ao redor, com grande destaque para a cozinha, que faz um trabalho perfeito e sincronizado entre si, onde a sua vontade será a de querer sair dançando por aí sem dar satisfação a nada e nem nínguem. E o baixão de John mais uma vez se faz muito presente na ainda mais dançante "My Own Way", em que Le Bon principalmente no refrão nos cativa com linhas vocais bacanas. A clássica "Hungry Like The Wolf" abre espaço agora para que Andy mande bala em riffs bem simples e legais durante a música, que levanta até defunto e alegra qualquer ambiente.
E tome mais festa em "Hold Back The Rain", com seu refrão arrebatador, onde Le Bon agora manda vocais muito legais e Rhodes manda aqueles teclados climáticos que eram a moda do pop dos anos 80 e que tornavam as músicas ainda mais legais. "New Religion" continua a festa que todo o disco transmite e com um astral lá em cima, não dando chance para que a qualidade aqui caia. "Save A Prayer" é uma das maiores baladas dos anos 80 e grava na cabeça desde sua primeira execução, tanto que em seus primeiros acordes já é possível a reconhecer facilmente. "The Chaffeur" fecha o registro de maneira estranha, pois é totalmente diferente das outras músicas, mas ainda assim é legal para viajar.
Então se você é daqueles que pensam que rock é coisa pra adolescente que gosta de pagar de rebelde sem causa, saiba que o rock é muito mais que isso. E se você acha que estou errado e quer pagar de revoltadinho e me xingar muito no twitter porque está revoltado, evoco as sábias palavras de Dave Mustaine: "What do you mean, "I hurt your feelings"? / I didn't know you had any feelings". Sai desse quarto, desse pc e se lembre que a vida é muito mais de que querer tacar fogo no mundo. Prefiro tacar fogo na pista com umas gatinhas ouvindo Duran Duran. E creio que nosso saudoso amigo Sueco a quem dedico esta postagem, há de concordar comigo.
1.Rio 2.My Own Way 3.Lonely In Your Nightmare 4.Hungry Like the Wolf 5.Hold Back the Rain 6.New Religion 7.Last Chance on the Stairway 8.Save a Prayer 9.The Chauffeur
Simon Le Bon - Vocais Andy Taylor - Guitarra John Taylor - Baixo Roger Taylor - Bateria Nick Rhodes - Teclados
A capa em forma de rótulo já diz muita coisa sobre o The Quireboys. É Rock and Roll dos velhos tempos e de qualidade, feito na Inglaterra com os melhores ingredientes. Só isso já serviria para chamar a atenção de todos à banda descoberta na virada dos 1980s por Satã, em sua representação terrena chamada Sharon Osbourne. Mas nada como uma boa escutada em uma das bandas mais legais surgidas nas últimas décadas para atestar o porquê de Spike (o homem que já teve a manha de imprimir um roxo no olho de Michael Schenker enquanto esse tinha um ataque de estrelismo) e companhia limitada possuírem uma fiel legião de seguidores mundo afora – entre os quais, com orgulho, me incluo.
Gravado em nove shows – embora o destaque maior vá para o concerto na Wembley Arena – da turnê Monsters Of Rock UK, 100% Live 2002 traz como atração mais que especial a participação do grande Jason Bonham na bateria. E a oportunidade é mais que propícia para lembrarmos: como toca o filho do homem! Chega a ser uma tremenda injustiça referir-se ao saudoso e espetacular John cada vez que sua cria é citada. Sem dúvidas ele já construiu uma história própria e muito valorosa no mundo do Rock, com muito talento e uma técnica que parece realmente estar no sangue da família. E claro que rola uma homenagem ao genitor no fim de “This is Rock ‘n’ Roll”.
No mais, Spike segue com sua belíssima voz estilo boêmio e Guy Griffin manda ver nos riffs, slides e solos extremamente ganchudos, casando bem com o clima Hard/Classic Rock do grupo. O repertório é um verdadeiro desfile do que a trupe ofereceu de melhor durante a carreira até aquele momento. Muito difícil destacar um momento entre as doze faixas que compõem o álbum. Mas claro que os eternos hits “Sex Party” (com a platéia interagindo de forma magnífica), a emocionante balada “I Don't Love You Anymore” e a finaleira com “7 O’Clock” mostram a habilidade dos envolvidos em transformar qualquer apresentação em uma verdadeira celebração.
100% Live 2002 é uma verdadeira celebração ao que de melhor o Rock and Roll pode nos oferecer. E não haveria banda mais indicada para transmitir esse sentimento que os sagrados Quireboys. Para se escutar no último volume, apreciando sua bebida favorita e com um sorriso no rosto do início ao fim. Ah, e a gravação faz jus ao título, mantendo-se fiel ao que foi registrado originalmente. Incluindo aí um ataque coletivo de risos durante “Tramps & Thieves”. Honestidade em sua mais pura forma!
Spike (vocals) Guy Griffin (guitars) Luke Bossendorfer (guitars) Nigel Mogg (bass) Jason Bonham (drums) Keith Weir (keyboards)
01. Hey You 02. Tramps & Thieves 03. C'mon 04. There She Goes Again 05. This Is Rock 'n' Roll 06. Misled 07. Whippin' Boy 08. Turn Away 09. Sex Party 10. Show Me What Ya Got 11. I Don't Love You Anymore 12. 7 O'Clock
Dois anos mais tarde – e com duas mudanças na formação – o Quireboys lançou esse single. Toda a arrecadação foi destinada ao Drake Music, projeto que financia pesquisas de cura do câncer e esclerose múltipla. O carro-chefe do trabalho é “Tears in Heaven”, música escrita por Eric Clapton para seu filho, Connor, que morreu aos quatro anos de idade após cair do 53º andar de um prédio em Nova York, onde morava sua mãe. Uma escolha aparentemente manjada. Mas o grupo impõe seu estilo e registra uma memorável versão, capaz de emocionar até uma pedra.
Da mesma forma o clipe traz uma cena singela e linda perto do final, mostrando a amizade entre Spike e Guy, força que conduz o grupo até hoje. Emociona quem acompanha a carreira dos caras há certo tempo. Na sequência, temos uma bela homenagem a uma das bandas mais legais de todos os tempos no cover para “Everyday”, do Slade, com vocais na melhor escola Noddy Holder. Completando o play, ninguém menos que o escocês Frankie Miller é lembrado em uma comovente interpretação para “When I’m Away From You”. Bela trinca e, ainda por uma cima, em uma excelente causa. Já diria aquele apresentador de programas esportivos, simplezinho, mas bonitinho!
Spike (vocals) Guy Griffin (guitars) Paul Guerin (guitars) Nigel Mogg (bass) Pip Mailing (drums) Keith Weir (keyboards)
01. Tears In Heaven (Eric Clapton) 02. Everyday (Slade) 03. When I'm Away From You (Frankie Miller)
Comprei essa semana a edição 57 da revista Rolling Stone brasileira, que tem como capaa musa monstro do pop: a senhorita Lady Gaga. Confesso que não ia muito com a cara dela, nem sua proposta musical. Mas depois da matéria, vi que ela tem um quê de roqueira. A certa altura da entrevista com Brian Hiatt, ela solta que é não preciso guitarras pra que algo soe rock n’ roll.
A bem da verdade, alguns momentos do R&B-pop retrô deBorn This Way, lançamento dela, foram inspirados - surpreendentemente - pela cover de "Then She Kissed Me", originalmente tocada pelo grupo The Crystals e regravada pelo Kiss, nos idos de 1977.
Não é preciso guitarras para tocar rock... Isso me deixou extasiado, de alguma forma. Com efeito, algumas músicas do CD novo de Gaga têm canções realmente calcadas nas bases do rock clássico como "Marry The Night", "Government Hooker", "Judas" e a própria "Born This Way" – isso, claro, ao se analisar tirando a proposta de agitar a pista de dança.
Se sem guitarras, dá pra fazer rock de qualidade, então falemos da musa excelsa do estilo: Dorothee Pesch. Nesse Classic Diamonds, de 2004, a proposta dela não é o heavy metal em sua essência, ou seja, esqueça o peso! Doro, como é chamada desde tempos de Warlock, quer 'tocar' nos roqueiros mais xiitas – e quem não quer ser tocado por ela?
Com músicas muito bem arranjadas pela Classic Night Orchestra, as releituras de canções da antiga banda e da carreira solo ainda contam com a presença, numa das músicas, do baixinho invocado Udo Dirkschneider, do lendário Accept. A versão que os germânicos fizeram para “Breaking the law” está simplesmente um brinco.
E falando em germânicos, a língua alemã também é cultuada nesse play com a épica “Für immer” e “Tausend mal gelebt”. Mais destaques para “I rule the ruins”, que abre o disco com os violinos de Hye-sin Tjo. Logo, a bateria de Wolf Simon e o baixo de Claus Fischer entram e cozinham tudo, com classe.
“Metal Tango” é uma ótima sequência, que faz até mãe anti-rock se balançar um pouco. Notas 10 também merecem as releituras da loira pra “All we are”, “Burn it up” e as lindas “Let love rain on me” e “Love me in black”. Há duas faixas bônus nesta edição do Brasil: “Always live to win”, que é ao vivo, e “She’s like thunder”, esta última dedicada à boxeadora alemã Regina Halmich.
E é isso. Pra quem espera sempre de Doro só pancada, é melhor nem comprar este CD. Ela já mostrara seu lado sentimental em vários outros momentos com baladas como “Children of the night”, “Enough for you” ou a cover “A whiter shade of pale”. Esse é o lado que muito poucos fãs desbravaram no âmago de Doro. Ainda dá tempo de rever algumas joias em preto e branco. E lembre-se do que Lady Gaga disse...
01. I Rule the Ruins
02. Metal Tango
03. Breaking the Law
04. All We Are
05. Für Immer
06. Let Love Rain on Me
07. Burn It Up
08. Tausend Mal Gelebt
09. I’m in Love With You
10. Always Live to Win* **
11. Undying
12. Love Me in Black
13. She’s Like Thunder*
* faixas bonus
** Outros músicos tocam nessa track: Joe Taylor (violões), Nick Douglas (baixo), Johnny Dee (bateria), fora o pianista e o 'violeiro' Hacki do line up original.
Doro Pesch – vocais Klaus “Major” Heuser - violões Hacki – violões Wolf Simon – bateira Claus Fischer – baixo Oliver Palotai – piano
(A Classic Night Oschestra tem inúmeros músicos em violinos, trompetes, trombones, percussão e tudo o mais, o que impossibilita a relevância se digitado o nome de todos aqui.)
O nome de Danny Vaughn com certeza é conhecido por muitos dos passageiros da Combe – e os que não estão familiarizados, saibam que deveriam. Afinal de contas, sua biografia de bons serviços prestados ao Hard Rock fala por si só. E uma pequena amostra dessa história pode ser conferida em The Road Less Travelled, álbum acústico gravado em Manchester, Inglaterra. Viajando pelos mais variados projetos que o vocalista integrou em vinte e cinco anos, o trabalho tem como característica principal fugir das obviedades em seu repertório. Portanto, se você espera por “Forever Young”, “Standing Alone” e afins, não venha atrás com tanto entusiasmo.
Mas isso não significa que não temos aqui momentos para lá de brilhantes. Afinal de contas, Danny vem de um passado recente cheio de álbuns excepcionais, como o solo Traveller, cuja faixa-título abre este registro. Outro destaque inevitável fica com a belíssima “Soldiers & Sailors on Riverside”, simplesmente uma de minhas preferidas de toda sua carreira (sorry, saudosistas), com uma interpretação em que a alma controla as cordas vocais. Outras presenças inevitáveis são de sons do From The Inside, projeto da Frontiers Records. “Making Waves”, “Visions” e o belo cover para “Damn”, da estrela da música Country, LeAnn Rimes.
Mas não se preocupem, fãs do Tyketto. A banda é representada em “Lay Your Body Down”, convertida em um Boogie de primeiríssima, com direito a uma harmônica muito bem executada pelo comandante da festa. A banda de apoio colabora e mata a pau, com o estreante Mike Corfield arrasando nos teclados. The Road Less Travelled foi lançado de forma independente, vendido apenas pela internet em uma parceria com o site Hard Rock House. Item indispensável na coleção dos admiradores de uma das grandes vozes da cena Hard oitentista e que ainda segue com um gogó impecável. Download mais que recomendado!
Danny Vaughn (vocals, guitars) Tony Marshall (guitars) Steve McKenna (bass) Lee Morris (drums) Mike Corfield (keyboards)
01. Traveller 02. Making Waves 03. Soldiers & Sailors on Riverside 04. Restless Blood 05. Damn 06. Jenny Doesn't Live Here Anymore 07. Visions 08. Nothing At All 09. Lifted 10. A Million Miles of Road 11. When You Walk Away 12. Lay Your Body Down
Ao fazer o post de hoje, percebi assim que acessei a Combe de que faltava um disco de uma das mais criativas bandas que fizeram sucesso no começo dos anos 90 e que foi uma das que mais escutei em minha adolescência. Liderados pelo genial Mike Patton, sem sombra de dúvidas o Faith No More foi uma das mais explosivas bandas que estouraram naquela década e que gravaram seu nome a ferro e fogo na história do rock alternativo, e que fazem valer a pena dar alguma atenção ao estilo.
A banda surgiu no começo dos anos 80, após a dissolução do Faith No Man, formado por Mike "The Man" Morris, Roddy Bottum, Mike Bordim e Billy Gould. Devido a problemas, ao invés de demitirem Morris, os outros membros decidem montar um novo grupo e deram como um novo nome Faith No More, já que o "The man" não mais (no more) faria parte do grupo, recrutando o guitarrista Jim Martin no seu lugar. Vários vocalistas fizeram parte da banda, entre eles a controversa Courtney Love, mas o cargo ficou com Chuck Mosley, que gravou os dois primeiros discos do grupo.
Apesar de Mosley ser um vocalista carismático, tinha limitações claras em seus vocais, além de ser um beberrão encrequeiro, que vivia saindo no braço com o restante do grupo. Não foram poucas vezes que ele aparecia bêbado em eventos importantes para a banda, como no lançamento do primeiro disco, e causava em todos os ambientes. A situação com ele ficou tão tensa que ele chegou a fazer alguns shows cantando atrás das cortinas. Não suportando mais a situação a banda procura outro vocalista para a gravação de seu terceiro disco, o qual Jim Martin indica Mike Patton do desconhecido Mr. Bungle, que ele havia conhecido através de uma fita demo que escutava quase todo santo dia.
E foi Mike Patton que deu uma nova vida para o grupo. Dono de um vocal singular e de uma mente criativa, já no primeiro disco com o grupo ele compõe todas as letras da banda e conseguiu levar a banda ao estrelato, com singles que se tornaram clássicos, como "Epic", "Falling To Pieces" e "From Out Of Nowhere". Mas foi com o segundo disco, o excelente "Angel Dust" que eles definitivamente cravaram seu nome na história e nos presenteiam com um registro não menos que memorável. Misturando funk, rock e heavy, temos um som único e difícil de rotular, mas incrivelmente cativante.
Se você se diz vocalista, veja esta pequena aula!
E Patton é um monstro, pois as atuações dele nesse disco são algo de outro mundo. E já na primeira faixa ele nos assombra. A cadenciada "Land Of Sunshine" vem com uma atuação excelente de todo grupo, mas em sua parte final, Patton rouba a cena com um vocal teatral e interpretação carregada e mostra uma versatilidade ímpar, além de uma letra sensacional, em que nos questiona se a vida realmente vale a pena para cada um de nós. E meu amigo haja coração para tanta música boa, aqui temos um registro em que é muito difícil encontrar algum filler, pois o nível de inspiração aqui é latente em todas as faixas.
"Caffeine" começa cheia de cadência, mas beira o heavy em quase toda a execução, onde a banda desce o braço sem dó e Patton entrega um vocal agressivo. "Midlife Crisis" foi uma das músicas de maior sucesso deste, com destaque para a cozinha, que faz um trabalho ótimo. Mais uma vez é a vez de Patton roubar a cena em "RV", com vocais "sinatrianos", em que canta os dissabores e desilusões da vida de um pai de família da classe média americana, que se lamenta da vida que leva, e que seria cômica se não fosse tão trágica. A funkeada "Everything's Ruined" tem uma levada que contagia e um refrão que funciona muito bem, tanto que foi um dos singles do disco.
A paulada "Malpractice" volta a mostrar as influências de heavy, com riffs densos à lá Sabbath e repentinas quebradas em seu andamento, o que garantirá um baita torcicolo ao final da canção em que toda a banda dá um verdadeiro show. A cativante e irresistível "A Small Victory" foi um dos grandes clássicos deste, tocava horrores em tudo o que era rádio de rock e na MTV e foi a responsável por me apresentar ao grupo, e é uma das minhas músicas prediletas deles. Outro grande clássico é o lindo e emocional cover para "Easy", que ganhou outra vida com a versão do grupo e a interpretação passional de Patton.
Um baita discaço que vai lhe viciar por alguns dias, pois tudo aqui realmente é muito inspirado e com certeza é um dos grandes discos dos anos 90. Se você ainda não conhece ou não se deu a oportunidade de o ouvir, tenho certeza que ficará impressionado com o que é apresentado. Este entra na lista de discos que é obrigatório ter em sua discografia básica.
1.Land of Sunshine 2.Caffeine 3.Midlife Crisis 4.RV 5.Smaller and Smaller 6.Everything's Ruined 7.Malpractice 8.Kindergarten 9.Be Aggressive 10.A Small Victory 11.Crack Hitler 12.Jizzlobber 13.Midnight Cowboy 14.Easy
Mike Patton — Vocal Jim Martin — Guitarra Billy Gould — Baixo Roddy Bottum — Teclados Mike Bordin — Bateria
Patrimônio cultural do Power Metal norte-americano (não confundir com a vertente européia do gênero), o Vicious Rumors chega a seu décimo trabalho de estúdio, sempre comandado pela mão-de-ferro do guitarrista e principal compositor, Geoff Thorpe. Mesmo não tendo alcançado o mesmo sucesso das lendas, a banda conseguiu juntar uma base fiel de admiradores, que não os deixa de acompanhar ano após ano. E não será com Razorback Killers que esse panorama vai mudar. O grupo se mantém fiel à sua proposta de fazer um Heavy tradicional, misturando peso e melodia de forma impecável, como todo headbanger de plantão gosta.
Para mostrar que não está de brincadeira, o quinteto já abre o disco com “Murderball” e seus riffs metálicos ganchudos e participação especial de Eric Peterson (Testament) no solo. Já aqui fica clara a técnica superior do vocalista Brian Allen em sua estréia. Cantor na linha clássica do estilo, mandando agudos como manda o figurino. Mais fraseados guitarrísticos consistentes dominam “Black”, faixa que chega a lembrar a cena da Bay Area em certas características. Uma intro arrasa-aquarteirão é o abre-alas de “Razorblack Blade”, porrada na orelha de primeira qualidade, daquelas prontas para provocar tumulto na platéia. É ouvir e sair batendo cabeça loucamente.
Mantendo o altíssimo nível, “Blood Stained Sunday” conta com uma cadência alucinante, variando ritmos com maestria. A letra é uma homenagem aos falecidos Ronnie James Dio e Carl Albert, vocalista da banda entre 1988 e 1995. Climática e com efeitos de voz, “Pearl of Wisdom” chega a lembrar passagens mais melódicas do Testament. “All I Want is You” é tradição pura até a medula, com uma pegada certeira e fulminante, com instrumental honrando as influências britânicas. A seguinte, “Axe to Grind”, começa com uma dobradinha fulminante nas seis cordas, antecedendo a mais pura ‘correria’ metálica. Daquelas faixas que valem um disco!
Em “Let the Garden Burn”, Brian Allen dá mais uma mostra de ter sido a voz ideal para o novo trabalho. Certo tempero True Metal (especialmente nos coros) oferece um clima todo interessante. “Rite of Devastation” é outra em que o baterista Larry Howe deixa suas marcas nos bumbos, espancando sem parar. Para encerrar, a mais longa de todas, “Deal With the Devil”, mais um exemplo de guitarras tocadas com bom gosto. Falando nelas, Brad Gillis e Mark McGee aparecem durante o disco em participações mais que especiais. Com Razorback Killers o Vicous Rumors mostra mais uma vez porque é um dos maiores orgulhos da combalida cena da terra de Obama.
Brian Allen (vocals) Geoff Thorpe (guitars) Kiyoshi Morgan (guitars) Stephen Goodwin (bass) Larry Howe (drums)
01. Murderball 02. Black 03. Razorback Blade 04. Blood Stained Sunday 05. Pearl Of Wisdom 06. All I Want Is You 07. Axe To Grind 08. Let The Garden Burn 09. Rite Of Devastation 10. Deal With The Devil
Não é segredo para os conhecedores do Kefren que o grupo argentino tem como inspiração maior o KISS. Desde os registros vocais de Sebastian Gava e Leonardo Moon, passando pelas letras e melodias, quase tudo remete à trupe de Paul Stanley e Gene Simmons. Essa semelhança bem intencionada sempre fez com que os hermanos chamassem a atenção de muitos, inclusive aqui no Brasil onde contam com uma pequena, porém fiel base de fãs. E já que a influência da trajetória dos mascarados era tão grande, chegaria o momento em que o quarteto do país vizinho gravaria o seu Revenge/Carnival of Souls.
Eléctrico exalta o lado mais pesado da faceta musical do grupo. Com riffs mais pesados e modernos, mas sem descaracterizar a proposta Hard Rock, o álbum explora novos caminhos. O começo com a potente “El Amo de Los Sueños” surpreendeu quem esperava algo na linha dos discos anteriores. A agressividade continua em alta em sons como “Maldición”, a sombria “Llevame a Mi Hogar”, o groove de “Noches Negras” e “Voy a Ser Yo” com seu clima mais festeiro. O grande destaque vai para “Envenenandome”, com Gava e Moon realizando um belo jogo de vocais no refrão, além da melodia fácil de ser memorizada. Sem dúvida, uma faixa acima da média.
Na balada “Aire”, Sebastian literalmente incorpora o Starchild, com a categoria que lhe é peculiar, reacendendo a polêmica sobre um possível pedido de DNA. Se fechar os olhos, dá para ficar pensando como Paul Stanley aprendeu a cantar em espanhol tão bem. Eléctrico seria o último trabalho de estúdio do Kefren. Apesar de ser o que de mais diferente fizeram, foi uma saída de cena digna.
01. El Amo de Los Sueños 02. Maldición 03. Llevame a Mi Hogar 04. Pienso em Vos 05. Noches Negras 06. Aire 07. Juicio Final 08. Envenenandome 09. Solo 10. Si Yo Te Dejo 11. Voy a Ser Yo 12. Discriminas 13. El Lado Oscuro
Para encerrar a carreira, nada melhor que uma homenagem aos grandes inspiradores. Foi com esse espírito que o Kefren lançou esse tributo, gravado ao vivo durante o programa Baida em Concerto, exibido pelo Canal 7 argentino. Surpreende o repertório escolhido pelo quarteto, desenterrando algumas pérolas da discografia do KISS, como “I’ve Had Enough (Into the Fire)”, executada pelos originais em apenas alguns shows da tour de Animalize, em 1984. O álbum solo de Ace Frehley também é prestigiado, com a presença de “Snowblind” e “Rip it Out”. No mais, bons e velhos clássicos para fazer a festa dos fanáticos.
Curiosamente, o maior clássico foi deixado de fora do tracklist normal, apesar de ter sido tocada e aparecer nos vídeos disponibilizados como bônus no play. Os mais atentos e preciosistas notarão algumas resvaladas no sotaque dos músicos ao cantar em inglês. Mas nada que comprometa realmente o resultado final. Com a saída de Leonardo Moon, o Kefren encerraria oficialmente as atividades. Os remanescentes criaram o Mafia, grupo que seguia a mesma linha musical e que trataremos em algum post outra hora. Por enquanto, divirtam-se com uma das bandas mais bacanas que os inimigos número um do Galvão Bueno ofereceram nas últimas décadas.
01. Deuce 02. Psycho Circus 03. Snowblind 04. Fits Like a Glove 05. I’ve Had Enough (Into the Fire) 06. Parasite 07. Unholy 08. Rip it Out 09. Detroit Rock City 10. I Was Made For Lovin’ You
Sebastian Gava (vocals, guitars) Leonardo Moon (bass, vocals) Daniel Key (guitars, vocals) Dukke (drums)
Quem já acessa a Van do Halen, já conferiu esse review antes. Agora, na Combosa, já podem conferir o material em si. É impossível falar da ascenção do Hard Rock nos anos oitenta sem comentar o Night Ranger. Os discos do quinteto californiano já venderam mais de dez milhões de cópias por todo o mundo e hits como Don't Tell Me You Love Me, Sister Christian e Sentimental Street ajudaram a escrever o nome dos caras na história da música.
As crises após a década de 1980 deixaram a banda em um hiato, mas a partir da metade da década de 1990 novos álbuns foram lançados, chegando até o mais recente "Hole In The Sun", o primeiro através da Frontiers Records - a gravadora italiana responsável por manter muita gente boa e roqueira ainda na ativa. Três anos depois esse, o Night Ranger apresenta mais um trabalho de inéditas.
"Somewhere In California", décimo da discografia do Ranger, retoma a proposta altamente Rocker que consagrou o conjunto nos bons tempos (seu antecessor acrescenta pitadas modernas além do costume). A maioria das faixas apresentam um Hard Rock grandioso, muitas vezes melódico e digníssimo de arenas e estádios, desde os riffs grudentos até os refrães de fácil assimilação.
As características musicais de "Somewhere In California", mesmo com dois novos integrantes, se assemelha bastante ao que já se tornou padrão para o Night Ranger. Os vocais cativantes de Jack Blades, às vezes divididos com o batera Kelly Keagy, são ponto forte no registro, e a dupla não se intimida ao mandar, também, uma bela cozinha. As guitarras cruzadas ainda marcam presença em várias nuances e Joel Hoekstra não se apresenta nem um pouco intimidado ao trabalhar com Brad Gillis, um verdadeiro monstro da guitarra. O tecladista Eric Levy cumpre bem o seu trabalho e traz até um visual de maloqueiro semelhante ao de Alan Fitzgerald! (risos)
Entre os destaques, estão o single Growin' Up In California, a sugestiva paulada Rock N' Roll Tonite, a quase-balada End Of The Day e a grudenta Bye Bye Baby. Mas vale a pena conferir do início ao fim com o som alto, pois é um disco vibrante e notavelmente isento de fillers.
01. Growin- Up In California 02. Lay It On Me 03. Bye Bye Baby (Not Tonight) 04. Follow Your Heart 05. Time Of Our Lives 06. No Time To Lose Ya 07. Live For Today 08. It's Not Over 09. End Of The Day 10. Rock N' Roll Tonite 11. Say It With Love 12. L.A. No Name
Jack Blades - vocal, baixo, backing vocals Kelly Keagy - vocal, bateria, backing vocals Brad Gillis - guitarra, backing vocals Joel Hoekstra - guitarra, backing vocals Eric Levy - teclados, backing vocals