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domingo, 31 de julho de 2011

Thin Lizzy - Black Rose: A Rock Legend (Deluxe Edition) [2011]


Após 32 anos de seu lançamento, o álbum "Black Rose: A Rock Legend", do Thin Lizzy, chegou às prateleiras em julho em uma versão deluxe lançada pela Universal Music. A edição traz dois discos: o primeiro é o próprio álbum, remasterizado; enquanto que o segundo apresenta material bônus, constando canções inéditas e versões alternativas de músicas que estão em full-lenghts do grupo. O trabalho em estúdio ficou por conta do guitarrista Scott Gorham e do vocalista do Def Leppard, Joe Elliot.

O primeiro disco é conhecido e idolatrado por fãs de Rock de todo o mundo. Afinal, "Black Rose: A Rock Legend" é um digno clássico do estilo e é o único do grupo a contar com Gary Moore, saudoso e respeitável guitarrista, falecido em fevereiro deste ano. A remasterização colabora bastante com esse conjunto de petardos por deixar as canções mais vivas. A alteração mais notável é o destaque dado à cozinha na remixagem, permitindo que faixas como Do Anything You Want To e Get Out Of Here, por exemplo, ficassem ainda mais pesadas.

Clique aqui para conferir uma postagem mais aprofundada sobre o lançamento original de "Black Rose: A Rock Legend"



O segundo disco, bônus, reserva muitas surpresas aos apreciadores do Lizzy. Apesar de muitos conhecerem as músicas aqui presentes, por rodarem em bootlegs desde sempre como demos perdidas de "Black Rose: A Rock Legend", elas ganharam um verdadeiro tratamento sonoro e, no geral, apresentam a mesma qualidade que o CD anterior, deixando de ser apenas um apanhado de demos de garagem. E, de fato, faixas como A Night In The Life Of A Blues Singer, Just The Two Of Us e a bela versão lenta de Don't Believe A Word, com vocais divididos entre Phil Lynott e Moore, entre outras, mereciam sair da gaveta.



A Universal também lançou, em janeiro, versões deluxe para "Jailbreak", "Johnny The Fox" e "Live And Dangerous"; e no mês passado, também lançou "Bad Reputation" e "Chinatown", além de "Black Rose: A Rock Legend". Recomendadíssimo para os colecionadores de plantão, principalmente pelo material raro, porém também válido para quem quiser curtir o som ou conhecer a banda.



CD 1:
01. Do Anything You Want To
02. Toughest Street In Town
03. S&M
04. Waiting For An Alibi
05. Sarah
06. Got To Give It Up
07. Get Out Of Here
08. With Love
09. Róisín Dubh (Black Rose): A Rock Legend

CD 2:
01. Just The Two Of Us
02. A Night In The Life Of A Blues Singer (Longer version)
03. Rockula (Rock Your Love)
04. Don’t Believe A Word (Slow version)
05. Toughest Street In Town (Different)
06. S&M ('78 Version)
07. Got To Give It Up ('78 Version)
08. Cold Black Night ('78 Version)
09. With Love ('78 Version)
10. Black Rose ('78 Version)

Phil Lynott - vocal, baixo, violão de 12 cordas
Scott Gorham - guitarra, backing vocals
Gary Moore - guitarra, backing vocals
Brian Downey - bateria, percussão

Músicos adicionais:
Huey Lewis - gaita em 5 e 8
Jimmy Bain - baixo em 8

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by Silver

sábado, 30 de julho de 2011

Tedeschi Trucks Band – Revelator [2011]



Derek Trucks casou com Susan Tedeschi e, com ela, formou a melhor banda de southern rock do século. Um grupo bem família, diga-se.

Onze pessoas super talentosas tocando em uma big band um som de raiz, com cheiro de bayou e textura de asfalto. Desde as maravilhosas Seger Sessions de Bruce Springsteen que não se via algo assim na cena musical. Sem processadores e sintetizadores, apenas músicos tocando seus instrumentos de forma sincera e orgânica. Revelator mostra o talento do casal como compositores, performers e produtores; algo que já estava mais que provado no histórico individual dos dois.



Um fato interessante é que ambos foram indicados para o Grammy de 2009 na categoria de melhor disco de blues contemporâneo. Ela, com seu Back to the River e ele com o já postado Already Free. Ele ganhou o prêmio, mas o páreo foi duro.

Susan Tedeschi canta e toca a sua guitarra com um abandono que a faz uma das melhores performers do estilo. Sua voz é forte e doce ao mesmo tempo. Ouça a faixa de abertura Come See About Me e sinta essa voz fantástica. É reconhecível à primeira nota, demonstrando identidade e, principalmente, personalidade.

Derek Trucks aparece o tempo todo. Sola com seu dobro e com suas guitarras, sempre com um fraseado de slide inconfundível. E isso torna o play tão especial: dois músicos com voz e fraseados próprios, com identidade marcante, cada um no seu quadrado. Para um casal com dois filhos, excursionar juntos deve ser uma bênção. Mas Trucks permanece com sua carreira ao lado dos Allman Brothers Band. Tudo em família.



A veia blues divide espaço com o soul, o gospel e o rithm‘n’blues, temperados com os melhores timbres possíveis. O cuidado com o resultado sonoro (não apenas as composições, mas nas execuções) demonstra que, apesar do clima de jam session, todos têm sua vez nos holofotes. Quem acompanha a carreira de Trucks sabe que ele nunca foi um rockstar, apesar de tomar para si a responsabilidade de conduzir a banda que o segue. Assim como seu parceiro Warren Haynes, ele é um trabalhador.



Francamente, não consigo comentar faixa a faixa este disco. É um trabalho completo, uma obra que deve ser apreciada como um todo. Obra prima que representa o estado da arte. Fica apenas uma pergunta: por que não botaram o pé na estrada juntos antes, senhores? Afinal, se excursionavam em separado, é porque tinham alguém pra cuidar das crianças.

Para valorizar a família ou, simplesmente, curtir uma sonzeira maravilhosa.

Track List

1. Come see about me
2. Don’t let me slide
3. Midnight in Harlem
4. Bound for glory
5. Simples Things
6. Until you remember
7. Ball and chain
8. These walls
9. Learn how to love
10. Shrimp and grits
11. Love has something else to say
12. Shelter

Susan Tedeschi (vocais e guitarra)
Derek Trucks (violão e guitarra)
Oteil Burbridge (baixo)
Kofi Burbridge (teclados e flauta)
Tyler Greenwell (bateria e percussão)
J.J. Johnson (bateria)
Mike Mattison, Mark Rivers (backing vocais)
Kebbi Williams (saxofone)
Maurice Brown (trompete)
Saunders Sermons (trombone)

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Por Zorreiro

Sentenced – The Cold White Light [2002]


Uma das coisas que sempre me incomodou nas bandas que vão pelo lado mais Gothic do Metal é que, cedo ou tarde, elas acabam descambando pro som de danceteria. Reparem bem, o primeiro disco é um Death podreira, o segundo finca raízes no som depressivo e dali a pouco já virou uma junção de clubbers – algumas se arrependem mais tarde e promovem as famigeradas voltas às raízes. Graças às forças superiores, o Sentenced acabou antes dessa tragédia se abater sobre sua existência, se é que ela realmente aconteceria. Começou no lado extremo da força e se estabilizou na mistura de Gothic/Doom com Heavy Metal puro e pesado.

The Cold White Light é o penúltimo álbum desses finlandeses e, em minha opinião, uma verdadeira obra-prima. Denso, melancólico e até mesmo com alta dose de humor negro, como na surpreendente “Excuse Me While I Kill Myself” – não levem a sério, crianças. Enfim, uma companhia perfeita para os momentos de mais pura tristeza. Afinal de contas, como eu sempre digo, a gente só sai do fundo do poço quando chega lá. Não adianta ficar se segurando na beirada, tem que mergulhar pra conseguir sair renovado no futuro. E esse disco consegue te levar até lá sem escalas, servindo como uma perfeita trilha sonora de exorcismo pessoal.



É muito difícil destacar alguma música em especial. Esse é daqueles que se você gostar de uma, vai acabar gostando de todas. E se não gostar de nenhuma, pode deletar que não vai aproveitar nada mesmo. Outra dificuldade para analisá-lo de maneira direta é justamente essa complexidade de sentimentos que ele desperta. Sendo assim, não há como não ter um envolvimento particular, especialmente para quem entende as letras, pois elas despertarão as mais profundas sensações em quem as interpreta. Por isso, apenas digo que baixem e aproveitem cada minuto da audição. E preparem-se para uma viagem ao lado mais sombrio de sua vida. Mais do que ouvir, é um disco para sentir.

O play obteve vendas expressivas na terra natal do grupo, ganhando disco de ouro e ficando duas semanas no topo das paradas, na frente de vários artistas consagrados e bem mais acessíveis. Aliás, o clipe para “No One There”, música de trabalho, também teve ótima circulação nas tevês locais, mesmo sendo um vídeo extremamente melancólico e que vai emocionar aqueles que são mais sensíveis ao sofrimento alheio no fim da vida. E como está escrito no encarte: “Há somente uma forma de se vir a este mundo, mas tantos modos de se deixá-lo”. Download mais que recomendado!

Ville Laihiala (vocals)
Miika Tenkula (guitars)
Sami Lopakka (guitars)
Sami Kukkohovi (bass)
Vesa Ranta (drums)

01. Konevitsan Kirkonkellot
02. Cross My Heart And Hope To Die
03. Brief Is The Light
04. Neverlasting
05. Aika Multaa Muistot (Everything Is Nothing)
06. Excuse Me While I Kill Myself
07. You Are The One
08. Blood & Tears
09. Guilt And Regret
10. The Luxury of a Grave
11. No One There

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JAY

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Stratovarius - Infinite [2000]


Quando lançou o seu oitavo álbum de estúdio, o Stratovarius já era uma das bandas mais respeitadas pelos fãs do famigerado Metal Melódico. Liderados pelo excêntrico – para dizer o mínimo – guitarrista Timo Tolkki, o grupo tinha naquele momento a sua formação consagrada, com músicos referenciais, destacando-se o idolatrado Jens Johansson, influência de nove entre dez tecladistas que se aventuraram no mundo do Rock pesado nas últimas décadas. Completam o time a ‘metralhadora’ Jörg Michael, o discreto baixista Jari Kainulainen e o eficiente (embora, às vezes, exagerado, mas faz parte do roteiro) vocalista Timo Kotipelto.

Antes mesmo de rodar o som nos alto-falantes, Infinite já se destaca pela lindíssima capa, de autoria do ‘pai do Eddie’, Derek Riggs. Ao apertar o play, o ouvinte embarca em um dos grandes hits da carreira da banda, “Hunting High and Low”. Melodia fácil, refrão em coro, enfim, tudo aquilo que conquista os admiradores de cara. Obviamente, não podia ser outra a primeira música de trabalho. A segunda a ser usada na promoção do disco, foi “A Million Light Years Away”, que causou certa polêmica no Brasil, graças à semelhança de sua introdução com a música “Amigo”, de Roberto Carlos. Dá até para sair cantando ‘você meu amigo de fé, meu irmão camarada...’ (risos).



Outros destaques vão para as velozes “Millenium” e “Phoenix”, essa última que conta com uma performance instrumental simplesmente arrasadora, com todos dando seu melhor. A longa e trabalhada “Infinity” traz um alerta ao mundo, em bela letra de Tolkki. Meio demagoga, é verdade, mas ainda assim para refletir. Aliás, esse sempre foi um diferencial do Stratovarius, escrever letras que deixem uma mensagem ao ouvinte, fugindo daqueles clichês padrões que a maioria dos conjuntos do gênero utiliza. A curta “Celestial Dream” encerra o play de maneira singela e tocante.

O trabalho obteve a repercussão esperada, mas dali pra frente a banda se transformou em um manicômio. O surto de Timo Tolkki repercutiu seriamente nos megalômanos álbuns Elements Part I e II, ficando ainda pior durante a tour de divulgação. Os ânimos esquentaram a ponto de rolar agressões físicas entre os músicos. Resultado: entre idas, vindas e internações, instalou-se uma tragicomédia envolvendo vários personagens, entre eles a enigmática Miss K, que foi anunciada como nova vocalista, mas nem chegou a fazer algo, saindo para a volta de Kotipelto. Apesar da atual ausência de seu criador, o Stratovarius segue, ao menos, estabilizado como não acontecia há anos. Na melhor das hipóteses, não tem ninguém para cagar na mão e jogar para cima mais.



Timo Kotipelto (vocals)
Timo Tolkki (guitars)
Jari Kainulainen (bass)
Jens Johansson (keyboards)
Jörg Michael (drums)

01. Hunting High and Low
02. Millenium
03. Mother Gaia
04. Phoenix
05. Glory of the World
06. A Million Light Years Away
07. Freedom
08. Infinity
09. Celestial Dream

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JAY

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Jane’s Addiction – Ritual De Lo Habitual [1990]



Quero fazer, aqui, uma enquete.

Jane’s Addiction surgiu juntamente com a cena grunge, mas não tem nada a ver com o som de Seattle. Lembrava um então emergente Red Hot Chilli Peppers, que estouraria um ano depois na cena mundial com seu multiplatinado Blood Sugar Sex Magic, mas não era bem esse o tipo de som.

Se é pra qualificar, coloco a banda no mesmo patamar de Rage Against The Machine. Pirei? Se sim, foi pouco. Surgiram mais ou menos na mesma época e trouxeram ao mundo sons absurdamente criativos e, sob certo ponto de vista, inéditos. Nossos ouvidos não estavam acostumados àquele tipo de som esquisito, com vocais sem timbres fortes, cozinhas de ritmos quentes e guitarras fazendo barulhos estranhos. Sob esses aspectos, ambos estão no mesmo patamar. Quem estava lá, confirma.

A banda foi criada em 1985 pelo vocalista Perry Farrel, o baixista Eric Avery e o batera Matt Caikin. Vários guitarristas passaram pelo cast até que Dave Navarro foi recrutado para o posto. Caikin foi chutado em razão do seu vício com metanfetamina e Stephen Perkins assumiu as baquetas.



Depois do debut Nothing’s Shoking, que teve pouca repercussão fora dos EUA quando do seu lançamento, este Ritual De Lo Habitual jogou a banda em uma fogueira de vaidades chamada MTv com a força de um furacão cubano. Com execuções massivas do clip Been Caught Stealing, o disco vendeu platina dupla. A droga, que está presente até no nome da banda, então comeu solta e a situação entre os músicos ficou insustentável. Adivinhe o que veio a seguir? O fim.



A capa do disco é um tanto quanto estranha, assim como o som dos caras. Algo como uma pintura mexicana estilo “dia de los muertos”. Traz três figuras nuas e uma porrada de mensagens subliminares, de autoria do vocalista e compositor Perry Farrell.

As primeiras cinco músicas são uma mistura de hard rock com funk metal que fica difícil definir. Stop! e a já mencionada Been Caught Stealing mostram que existe um apuro técnico excelente nas execuções da banda. O vocal de Farrell nunca me agradou, mas a banda que o acompanha aqui é genial. A cozinha é perfeitamente sincronizada, e Navarro sabe como ninguém dosar violões com guitarras limpas e distorcidas sem que sejamos bombardeados com excesso de informação. E sola de maneira fantástica.

Da faixa 6 ao final temos uma homenagem ao amigo pessoal de Farrel, Xiola Blue, que falecera em razão de uma overdose de heroína tempos antes do lançamento do disco. Não menos brilhante que a primeira metade, destaco a balada Classic Girl, que realmente destoa da quebradeira geral que é o disco. Three Days também entra nessa onda.



Mas, afinal, e a enquete?

Como eu sei que muita gente vai escrever dizendo que o som dos caras é uma merda, e outro tanto vai dizer que é fantástico, eu peço aos amigos passageiros que não se limitem a isso. Já que vai se dar ao trabalho de escrever, me diga o porque da sua opinião.

Eu demorei aproximadamente dez anos para entender esse disco. E mudei minha opinião. Hoje ele está, para mim, entre as maiores manifestações da música popular do século passado. Sem esquecer a regra acima, porque trouxe novos padrões aos ouvidos preguiçosos que ficam contentes e satisfeitos ouvindo variações medíocres da mesma coisa, sempre.

Era isso.

Track List

1. "Stop!"
2. "No One's Leaving"
3. "Ain't No Right"
4. "Obvious"
5. "Been Caught Stealing"
6. "Three Days"
7. "Then She Did..."
8. "Of Course"
9. "Classic Girl"

Perry Farrell (vocais)
Dave Navarro (guitarras)
Eric Avery (baixo)
Stephen Perkins (bateria)

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Por Zorreiro

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Pink Floyd – P.U.L.S.E [1994]



Pink Floyd sem Roger Waters é algo que divide opiniões. Mas unânime é o reconhecimento do enorme talento dos demais membros que carregaram a bandeira (leia-se nome/marca da banda) após a saída do principal compositor e baixista.

Os shows do Pink Floyd, independentemente da era, sempre foram um espetáculo para satisfazer todos os sentidos. O primor técnico nas execuções das faixas, somados ao cenário extravagante e a outros estímulos sensoriais indescritíveis sempre foram um presente para a platéia, e marca da era psicodélica em que surgiu a banda. Não se esqueça que eles gravaram no Abbey Road Studios enquanto os Beatles gravavam Sgt. Peppers na sala ao lado. Terra de gigantes. Infelizmente, nunca tive o prazer de ir a um show da banda, mas conheço quem foi. A unanimidade sobre a magia do espetáculo é latente.



Após a saída de Roger Waters, a produção da banda foi pouca em se tratando de gravações, mas continuou com o padrão de excelência de sempre. A Momentary Lapse Of Reason mostrou que os membros remanescentes ainda tinham lenha para queimar (Learning To Fly está entre as minhas favoritas do Floyd), e que o aprimoramento tecnológico era uma constante, tanto nas gravações como nos shows. As letras, menos apocalípticas, continuaram trazendo a melancolia de sempre.

Gravado durante a megaturnê promocional do álbum The Division Bell, o disco duplo ao vivo P.U.L.S.E já demonstra a genialidade dos caras no primoroso trabalho de capa. O título, com os pontos denotando uma respiração ritmada, faz coro com uma pequena luz na lateral da caixa, que facilita a identificação do disco no escuro entre as pilhas de CDs. A arte da capa e o livreto que acompanha a obra são inexplicavelmente lindos, e ficaram a cargo dos excelentes artistas plásticos Julien Mills e Peter Curzon.



Gravado durante a perna européia (em especial no famoso Earls Court, de Londres, em outubro de 1994), o disco vendeu como água. Toda a brilhante carreira da banda está revisitada aqui, com execuções, repito, perfeitas. Alguns sentirão falta de músicas específicas, mas o resultado é inegavelmente satisfatório.

O disco 1 revisita vários momentos da carreira da banda, de Shine on You Crazy Diamond a Astronomy Domine, de autoria do hoje falecido Syd Barret. Tem Learning To Fly, Hey You (The Wall) e uma sequência de hits perfeitamente escalada para ter continuidade. É um misto de épocas que, executados pela mesma banda em um show como este, demonstra que o DNA musical permanece intacto mesmo após vários anos de estrada e trocas de componentes. O Pink Floyd é um verdadeiro dinossauro, e merece respeito e admiração.

Agora, o disco 2 destrói neurônios e mostra-se altamente perigoso. A viagem lisérgica inicia com a execução do clássico The Dark Side Of The Moon na íntegra. Me faz lembrar o filme O Mágico de Oz e a sincronia inacreditável que existe entre o filme e o disco. O play já foi muito bem resenhado aqui, portanto, me limito a dizer que a execução das músicas é fenomenal, fantástica, como é de se esperar.

Na sequência vem a destruição total da sanidade humana. Após o Dark Side na íntegra, Gilmour ainda tem fôlego para nos arrebatar os últimos neurônios com Wish You Where Here (quem não sabe tocar no violão é porque não toca violão), Confortably Numb com um dos melhores solos de guitarra da história da música e, para terminar o espetáculo, Run Like Hell.



Depois disso tivemos a morte de Richar Wright, que impede qualquer nova reunião da formação clássica, mesmo com as falsas miguxices encenadas pela dupla Gilmour/ Waters. Quem foi, foi. Quem não foi, confere agora.

Apague a luz da sala, queime um incenso (somente) e, ao som desse disco, permaneça de frente ao espelho procurando a sua aura. Se, após o término do segundo disco, você ainda não a tiver encontrado, é porque você não tem uma.

Som de qualidade e produção impecáveis, somadas a talento monstruoso. Tem que ter.

Track List

Disco 1
1. "Shine On You Crazy Diamond (Parts I II III IV V VII)" (David Gilmour, Roger Waters, Richard Wright) – 13:35
- Earls Court, London on 20 October 1994
2. "Astronomy Domine" (Syd Barrett) – 4:20
- Earls Court, London on 15 October 1994
- Lead vocals: David Gilmour and Richard Wright
3. "What Do You Want from Me" (Gilmour, Wright, Polly Samson) – 4:10
- Rome, 21 September 1994
4. "Learning to Fly" (Gilmour, Anthony Moore, Bob Ezrin, Jon Carin) – 5:16
- Earls Court, London on 14 October 1994
5. "Keep Talking" (Gilmour, Wright, Samson) – 6:52
- Hannover, 17 August 1994
6. "Coming Back to Life" (Gilmour) – 6:56
- Earls Court, London on 13 October 1994
7. "Hey You" (Waters) – 4:40
- Earls Court, London on 13 and 15 (last verse) October 1994
- Lead vocals: David Gilmour and Jon Carin
8. "A Great Day for Freedom" (Gilmour, Samson) – 4:30
- Earls Court, London on 19 October 1994
9. "Sorrow" (Gilmour) – 10:49
- Rome, 20 September 1994
10. "High Hopes" (Gilmour, Samson) – 7:52
- Earls Court, London on 20 October 1994
11. "Another Brick in the Wall (Part II)" (Waters) – 7:08
- Earls Court, London on 21 October 1994
- Lead vocals: David Gilmour and Guy Pratt

Disco 2
The Dark Side of the Moon
1. "Speak to Me" (Mason) – 2:30
- Earls Court 20 October 1994
2. "Breathe" (Gilmour, Waters, Wright) – 2:33
- Earls Court 20 October 1994
- Lead vocals: David Gilmour and Jon Carin
3. "On the Run" (Gilmour, Waters) – 3:48
- Earls Court 20 October 1994
4. "Time" (Gilmour, Waters, Wright, Mason) – 6:47
- Explosion recorded in London, 15 October 1994. Intro recorded in Modena 17 September 1994. The rest of song and most of "Breathe (Reprise)" was recorded in Rome, 20 September 1994. Ending of "Breathe Reprise" recorded in London, 20 October 1994.
- Lead vocals: David Gilmour and Richard Wright
5. "The Great Gig in the Sky" (Wright, Torry) – 5:52
- London, 20 October 1994
- Lead vocals: Sam Brown, Durga McBroom and Claudia Fontaine
6. "Money" (Waters) – 8:54
- Modena, 17 September 1994
7. "Us and Them" (Waters, Wright) – 6:58
- London, 20 October 1994. Second and third choruses London, 19 October 1994.
8. "Any Colour You Like" (Gilmour, Wright, Mason) – 3:21
- London, 23 October 1994. Last part recorded in London, 19 October 1994.
9. "Brain Damage" (Waters) – 3:46
- London, 19 October 1994
10. "Eclipse" (Waters) – 2:38
- London, 19 October 1994
11. "Wish You Were Here" (Gilmour, Waters) – 6:35
- Rome, 20 September 1994
12. "Comfortably Numb" (Gilmour, Waters) – 9:29
- London, 20 October 1994
- Lead vocals: David Gilmour, Richard Wright, Jon Carin and Guy Pratt
13. "Run Like Hell" (Gilmour, Waters) – 8:36
- London, 15 October 1994
- Lead vocals: David Gilmour and Guy Pratt

Pink Floyd:
David Gilmour (vocais, guitarras)
Richard Wright (vocais, teclados)
Nick Mason (bateria)

Músicos adicionais:
Tim Renwick (vocais, guitarra)
Jon Carin (vocais, teclados, synthesizer)
Guy Pratt (vocais, baixo)
Dick Parry (saxofone)
Gary Wallis (percussão)
Jason Reddy (computers)
Claudia Fontaine, Durga McBroom, Sam Leigh Brown, Sam Brown (background vocais)

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Por Zorreiro

Edge Of Forever – Another Paradise [2010]


Embora a Itália seja muito conhecida por sua cena Heavy pomposa, temos muita coisa boa em outras vertentes do Hard/Heavy por lá. Uma delas é o Edge of Forever. A banda surgiu há cinco anos, apadrinhada pelo Talisman. Ou seja, a apresentação do produto já era das melhores. Seu primeiro disco, Feeding the Fire, contém JSS (risos) e foi produzido pelo saudoso Marcel Jacob. Um ano depois lançaram “Let the Demon Rock n’ Roll”. Ambos foram disponibilizados no mercado nacional e, ao menos até pouco tempo atrás, podiam ser encontrados em vários saldões de R$ 1,99 nas principais lojas do mercado – sério mesmo, não estou brincando.

Cinco anos depois, e com mudanças na formação, os caras retornam com Another Paradise, álbum que tem tudo para agradar os fãs de um Melodic Rock bem tocado. A principal mudança foi a saída do vocalista Bob Harris, que aparentemente aconteceu numa boa, já que o próprio participa desse novo play fazendo backing vocals junto com figuras conhecidas na cena européia, como Roberto Tiranti (Labyrinth) e Carsten Schulz (Evidence One, Paradise Inc.). Para assumir o microfone, a opção foi por uma solução caseira. Sendo assim, efetivaram o tecladista Alessandro Del Vecchio nos vocais. E o cara dá conta do recado, fazendo o serviço à sua maneira e com muita competência.



O novato no pedaço é o guitarrista Walter Caliaro, que também faz um excelente trabalho, encaixando-se muito bem no estilo do grupo. A cozinha continua a mesma, com destaque para o já conhecido baterista Francesco Jovino (Accept, U.D.O.). Com sangue e idéias renovados, o Edge of Forever lançou aquele que é, em minha opinião, seu melhor disco até aqui. Músicas bem estruturadas, melodias fáceis e pegajosas, execução instrumental de primeira e vocalizações maravilhosas, bem como gostam os fãs do gênero.

Destaques para a matadora faixa-título, a empolgante “Lonely”, a mezzo Journey “I Won’t Call You” e a ótima versão para “What a Feeling”, de Irene Cara. Sim, é aquela “What a Feeling” mesmo, do clássico filme Flashdance, que vai fazer muitos da minha faixa estaria lembrarem o passado. E não é que o negócio ficou bem bacana? Casou muito bem com a proposta da banda sem descaracterizar a melodia original. Mais um atrativo nesse belo trabalho, recomendado!



Alessandro Del Vecchio (vocals, keyboards)
Walter Caliaro (guitars)
Nik Mazzucconi (bass)
Francesco Jovino (drums)

01. Distant Voices
02. Another Paradise
03. Lonely
04. Edge Of Life
05. I Won't Call You
06. My Revenge
07. What I've Never Seen
08. What A Feeling
09. Eye Of The Storm
10. Against The Wall

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JAY

terça-feira, 26 de julho de 2011

Mr. Big - Live From The Living Room [2011]


Não é a primeira vez que o Mr. Big se aventura no formato acústico. O álbum "Channel V At The Hard Rock Live", registrado durante a turnê de "Hey Man", em 1996, trouxe o quarteto em formato acústico. A proposta do álbum dessa postagem é semelhante: o quarteto mais virtuoso do Hard Rock no estilo (quase) desplugado.

"Live From The Living Room" foi registrado em 28 de janeiro deste ano, durante um concerto surpresa realizado no Japão para duzentas pessoas sorteadas. O palco foi moldado para que realmente se parecesse com uma sala de estar - como atesta o título - e a sensação é de que a plateia esteve confortável durante toda a apresentação, visto que os integrantes se portaram de forma descontraída e despojada.


Diferente do registro acústico anterior, Pat Torpey não utilizou a bateria completa, apenas o bumbo e alguns instrumentos de percussão, dando uma cara mais "acústica" pro show. Obviamente, Paul Gilbert empunhou um violão, mas Billy Sheehan não se utilizou de baixolão, e sim de seu velho baixo Yamaha verde. A performance do quarteto dispensa comentários, pois são músicos do mais alto nível - até músicas inimagináveis no formato como Around The World e Still Ain't Enough For Me ficaram perfeitas com esses caras.

A versão lançada em CD de "Live From The Living Room" conta com dez músicas no repertório, sendo sete do recente álbum de estúdio "What If..." e três antigas: Voodoo Kiss, Take Cover e a imprescindível balada To Be With You. Já no formato DVD, que também vale a conferida, alguns petardos antigos como Daddy, Brother, Lover, Little Boy e Green-Tinted Sixties Mind, entre outros, marcam presença.


Isso não compromete a qualidade nem mesmo para os mais saudosistas, pois as novas músicas do Mr. Big são maravilhosas e mantém o estilo único e consagrado de composição do conjunto. Só peca por ser curtinho, mas "Live From The Living Room" é incrível e vale cada segundo de audição.

01. Undertow
02. Still Ain't Enough for Me
03. As Far As I Can See
04. Voodoo Kiss
05. Take Cover
06. Around The World
07. Stranger In My Life (w/ Strings)
08. All The Way Up (w/ Strings)
09. To Be With You (w/ Strings)
10. Nobody Left To Blame (w/ Taiko Drums)

Eric Martin - vocal
Paul Gilbert - violão, backing vocals
Billy Sheehan - baixo, backing vocals
Pat Torpey - percussão, backing vocals


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by Silver

Buddy Guy e Junior Wells – Play The Blues [1972]


Hoje acordei blues.


Também pudera. Ontem, pra fazer o filhote dormir, toquei Love in vain na viola e ele simplesmente sorriu. Para o amigo passageiro que perguntou sobre a paternidade na outra postagem, essa é a resposta: demais, vontade de ensinar tudo ao mesmo tempo agora.


O guri ainda não entende overdrive, fuzz, essas coisas. Eis que, quando botei pra tocar o disco do post de hoje, ele acalmou e abriu um sorriso. Orgulho de pai chega a ser nojento, ainda mais se considerarmos que ele tem 21 dias. Buddy Guy e Junior Wells, definitivamente, fazem a cabeça da minha família.


Lançado pela Rhino Records em 1972, o post de hoje é uma pérola produzida por ninguém menos que Eric Clapton e Ahmet Ertegun (aquele mesmo, dono da Atlantic Records e cuja morte foi homenageada por um ressuscitado Led Zeppelin no O2 Arena em 2007). A banda que acompanha a dupla é a The J. Geils Band, que simplesmente traz, no ano de 1972, um background fantástico para a guitarra de Guy e a Voz e harmônica de Wells.


O disco foi gravado em dois lugares diferentes: Criteria Studios, Miami, Florida e Intermedia Studios, Boston, Massachusetts. Isso porque o disco traz duas gravações em épocas diversas e com acompanhamentos diversos. A primeira, em 1970, traz Clapton e sua banda participando em 8 faixas. O inglês toca guitarra slide e o incansável Dr. John os acompanha ao piano. A segunda, com a já mencionada J. Geils band, resultou em apenas 2 faixas aproveitadas no play e a justificativa para um atraso de dois anos no lançamento.


A Man of Many Words abre o disco trazendo todos os licks de guitarra que fizeram a cabeça das gerações 60 e 70. Clapton, Hendrix, Page e, principalmente, Richards, beberam descaradamente na fonte. Buddy Guy empresta sua voz também para Bad Bad Whiskey, que, não por acaso, lembra uma sincera homenagem a Robert Johnson que, reza a lenda, teria morrido por ter tomado um whiskey envenenado (apesar de ele falar em pneumonia em Preaching Blues, mas aí a lenda perde a graça).


Come on in this House (have mercy baby) traz uma cadência de ritmos alternados e a maravilhosa voz de Junior Wells segurando o rojão com aquele timbre só dele. Fazer dupla com Buddy Guy e ainda assumir os vocais não é para qualquer um, e aqui Wells mostra porque está na parceria. Honeydripper é uma instrumental simplesmente linda. O piano cria uma tensão que parece que vai consumir a música, que vai estragar tudo. Mas a guitarra de Guy emerge com um toque jazz/ fusion que, acredito eu, mostrou a Jeff Beck o caminho das pedras.


I Don’t Know é a deixa para Junior Wells mostrar o que sabe fazer com uma gaita de boca. Claramente influenciada pelas composições de Willie Dixon, faz a cabeça de quem curte um Stones da fase áurea. A seguir, o big hit da dupla: Messing With The Kid. Acredito que aqui tenhamos um flerte descarado com o pop, mas sem jamais perder a maravilhosa veia blues (e nem poderia). Não mexa com o garoto. Guy deixa seu legado para o garoto Stevie Ray Vaughan, anos mais tarde, ter a sua fonte de pesquisa. Excelente.


Caro passageiro. Se você também tem um apreço pelo blues, fica meu presente de hoje. Música honestamente feita para trazer alegria a corações partidos.


Trago o relato de Irene Walker (aka Mama Rene) à National Geographic de maio de 2004 (p. 124):


“O blues está desaparecendo entre os jovens negros.

Acham que é coisa de velho. Eles permitiram que o rap os afastasse de sua própria cultura, ao passo que os jovens brancos estão se aproximando do blues.”


Vou lamentar e, parafraseando o nosso samba: não deixe o blues morrer.


Track List


1. A man of many words

2. Bad bad whiskey

3. Come on in this house (have mercy baby)

4. Honeydripper

5. I don’t know

6. Messin’ with the kid

7. My baby she left me (she left me mule to ride)

8. Poor man’s plea

9. T-Bone shuffle

10. This old fool


Buddy Guy (vocais, guitarra)

Junior Wells (vocais, harmonica)

J. Geils (guitarra)

Eric Clapton (guitarras)

Magic Dick (harmonica)

A.C. Reed (saxophone tenor)

Dr. John, Mike Utley, Seth Justman (piano)

Carl Radle, Leroy Stewart, Danny Klein (baixo)

Roosevelt Shaw, Jim Gordon, Stephen Bladd (bateria)


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Por Zorreiro

domingo, 24 de julho de 2011

Saxon - Call To Arms [2011]


Eles são referência mundial quando o assunto é Heavy Metal em seu estado mais puro e tradicional. Até por isso, não devemos esperar muitas diferenças entre um trabalho e outro do Saxon, pois a linha musical da banda não sofrerá grandes alterações. Call To Arms é o décimo – nono trabalho de estúdio dos comandados de Biff Byford, trazendo dez novos petardos, além de uma versão orquestrada da faixa-título. E quem veste a camiseta desse time, pode comemorar, pois o estilo do quinteto britânico permanece intacto e poderoso.

Mas o álbum abre mesmo é com “Hammer Of The Gods”, faixa já conhecida de recentes apresentações e com um refrão marcante. Tem tudo para figurar entre as preferidas dos adeptos. “Back In 79” faz jus ao título, com sua bateria compassada e ritmo mais cadenciado. Os três minutos cravados de “Surviving Against The Odds” vão deixar o fã de um Heavy com pegada Rock and Roll entusiasmado, enquanto quem prefere um som mais trabalhado e cheio de variações vai aprovar “Mists Of Avalon”, que conta com participação de ninguém menos que Don Airey nos teclados e belos solos de guitarra.



Vem “Call To Arms” com seu estilo hino de batalha, deixando um belo clima, lembrando momentos mais épicos do gênero. Já “Chasing The Bullet” é mais simples e direta, com potencial de hit single, trazendo saudáveis nuances de Hard Rock em sua composição. A veloz “Afterburner” traz o selo de qualidade NWOBHM, com Biff sobrepondo vozes com categoria. “When Doomsday Comes” traz novamente a participação de Airey e um ritmo marcado que conquista na primeira escutada. A faixa faz parte da trilha do filme Hybrid Theory, ótima escolha.

A pesada “No Rest For The Wicked”, lembrando o álbum Lionheart e a festeira “Ballad Of The Working Man” encerram o trabalho de maneira pra lá de digna. A versão orquestrada de “Call To Arms” acrescenta e deixa a composição ainda mais dramática. Mesmo sem grandes arroubos criativos, o Saxon lança um álbum gostoso de ouvir e digno de figurar em sua rica discografia. O fato de ter simplificado algumas passagens em relação aos dois plays anteriores se configura em um acerto em cheio. Obrigatório na coleção dos fanáticos.

Biff Byford (vocals)
Paul Quinn (guitars)
Doug Scarratt (guitars)
Nibbs Carter (bass)
Nigel Glockler (drums)

01. Hammer of the Gods
02. Back in 79
03. Surviving Against the Odds
04. Mists of Avalon
05. Call To Arms
06. Chasing the Bullet
07. Afterburner
08. When Doomsday Comes
09. No Rest for the Wicked
10. Ballad of the Working Man
11. Call To Arms (Orchestral Version)

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JAY

sexta-feira, 22 de julho de 2011

REPOSTAGEM: Ozzy Osbourne – Blizzard Of Ozz (Expanded Edition) [1980]


Com a comemoração dos 30 anos do lançamento do magnífico Blizzard of Ozz, Ozzy e sua esposa Sharon não poderiam deixar passar a oportunidade de levantar uns trocados e lançaram, entre outras pérolas, a edição remasterizada das gravações originais de Blizzard Of Ozz.

Esse disco já foi postado aqui por mim, mas entendo que essa versão faz por merecer uma repostagem, afinal, estamos falando de um clássico absoluto do metal que, finalmente, traz Bob Daisley no baixo e Lee Keslake na bateria, e não Trujillo e Bordin, como era a versão remasterizada. Segue o texto com as devidas alterações.


O título dessa postagem deveria ser Blizzard of Ozz – Blizzard of Ozz [1980].

Quando Ozzy foi chutado do Black Sabbath pela segunda vez, em 1979, a banda ainda tentava fazer o mundo acreditar que Never Say Die era um grande disco (apesar de que eu gosto muito do play, mesmo não sendo a fase mais inspirada dos caras). O estilo já estava saturado e a banda havia se tornado uma paródia de si mesma.

Enquanto Tony Iommi cortejava Ronald Padavona para substituir Ozzy, este último estava completamente perdido. Excesso de drogas e a falta de talento para compor sozinho músicas que pudessem ser consideradas aceitáveis por uma gravadora faziam com que Ozzy tivesse apenas um porto seguro: Sharon. E a mulher mostrou-se ser a responsável por absolutamente todo o sucesso da carreira do Madman, tanto na produção como direção da carreira artística e, por que não dizer, pessoal do maluco.

O golpe de sorte se deu quando Ozzy descobriu Randy Rhoads, um jovem californiano que dava aulas de guitarra e violão na escola de música de sua mãe, Delores, e tocava em uma bandinha de bar na Sunset Strip chamada Quiet Riot. Reza a lenda que, na audição, Rhoads tocou sua Les Paul em um pequeno amplificador Fender Champ e, já nas primeiras notas, teria conquistado o coração de Ozzy. Apesar de ser difícil acreditar nisso, o fato é que ali estava a maior descoberta da história do metal.

Rhoads era de outra praia, sendo fã de ícones como David Bowie, Eddie Van Halen e Marc Bolan. Black Sabbath nunca esteve em seu repertório. Aliás, em entrevista à Guitar World, Rudy Sarzo comentou que ele sequer gostava do estilo de som criado por Iommi. Mas a chance de realizar algo grande e o enorme senso de profissionalismo fizeram com que o rapaz encarasse a empreitada. E como ninguém mais teria talento para encarar.


Para o baixo recrutaram Bob Daisley, que já havia trabalhado no Rainbow. Um australiano talentoso ao extremo que, além de compor boas músicas, era um letrista de primeira (tudo o que faltava). Ozzy o convidou para integrar a nova banda que estava formando, e que se chamaria Blizzard of Ozz. Disse que tinha um jovem talento para as guitarras e Daisley topou no mesmo momento. Reza a lenda que, depois de trabalhar com Blackmore, o cidadão topa qualquer coisa e acha bom.

O trio então chamou Lee Kerslake (Uriah Heep) para a bateria e backing vocais e Don Airey (que havia trabalhado nas gravações de Never Say Die) para os teclados. A banda estava formada mas, por questão de contrato ou, segundo Daisley, traição pura, o disco foi lançado como um primeiro álbum solo de Ozzy Osbourne.




Composições não creditadas, relançamento com baixo e bateria substituídos por outros músicos, a obra prima do metal, enfim, Blizzard of Ozz é um álbum polêmico que está sendo relançado em um box cheio de fru frus com o atrativo de trazer, depois de muitos anos, as gravações com os músicos originais, o lado B do single nunca antes lançado no formato full lenght e mais duas faixas bonus. Definitivamente, dinheiro não é tudo mas é 100%, como já diz o Falcão. E essa expanded edition é a versão que vos trago na repostagem de hoje.

Quando saiu, todos esperavam algo sombrio como o velho Sabbath, pois esse era o tipo de música no qual a voz de Ozzy aparentemente melhor se encaixava. Mas a banda apareceu como um furacão, tocando uma nova modalidade de metal, mais speed, com solos inspirados nos licks de Eddie Van Halen e no estilo neoclássico de Blackmore. Letras polêmicas, como Suicide Solution (feita em homenagem a Bon Scott, segundo Ozzy, e em homenagem a Ozzy, segundo Daisley) e Mr. Crowley (feita em homenagem ao próprio Besta 666) coroavam o play. Era um som diferente, incomparável, novo!



Aqui está tudo o que Ozzy fez de melhor em sua vida. Crazy Train tem o melhor riff de guitarra da história. Nem Iommi conseguiu fazer algo assim. Mr. Crowley tem o melhor solo de guitarra da história. Dee é uma gravação de Rhoads solo ao violão, em uma composição em homenagem à sua mãe, Delores. I Don’t Know é somente a base de todo tipo de speed metal que surgiu a partir dos anos 80. Clássico absoluto (e minhas próprias opiniões, obviamente).

A versão em vinil não trouxe o single You Looking At Me Looking At You, mas ele está aqui.


Tem também uma versão para Goodbye to Romance com os vocais de Ozzy e as camadas de guitarras e violões gravadas por Rhoads. Serve para apreciar o magnífico trabalho do californiano, que não se contentava com resultados meia boca, e era realmente perfeccionista no exercício do seu ofício. Coroa o play a música RR, uma sobra de gravação na qual o cara mostra que, se não fosse vitimado pela imprudência de um motorista de caminhão imbecil, seria facilmente colocado no pedestal de melhor guitarrista dos anos 80. Eu sei que a afirmativa é forte, mas Randy Rhoads era um músico em constante evolução, e isso é inegável.


Simplesmente o melhor disco da história do metal, na minha opinião de Rhoads maníaco.

Track List

1. I Don't Know
2. Crazy Train
3. Goodbye to Romance
4. Dee
5. Suicide Solution
6. Mr. Crowley
7. No Bone Movies
8. Revelation (Mother Earth)
9. Steal Away (The Night)
10. You Looking At Me Looking At You
11. Goodbye to Romance (vocals and guitars mix)
12. RR (outtake from the sessions)

Ozzy Osbourne (vocais)
Randy Rhoads (guitarras)
Bob Daisley (baixo)
Lee Kerslake (bateria)
Don Airey (teclados)

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Por Zorreiro