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quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Halford - Live Insurrection [2001]


Na virada do século, após admitir que cagava pra dentro e era chegado num bafão na nuca (nada contra, é bom dizer, cada um faz o que quiser da vida), Rob Halford resolveu se redimir com os fãs de Heavy Metal. O primeiro ato foi pedir desculpas por ter dado várias declarações afirmando que o gênero estava morto e se aventurar por caminhos um tanto quanto esquisitos junto a Trent Reznor no projeto Two. Inicialmente lançou um ótimo álbum, com o sugestivo nome de Resurrection. O trabalho resgatava a sonoridade que consagrou o vocalista ainda nos tempos de Judas Priest, mesclado a elementos mais atuais, mas que não descaracterizava o estilo proposto.

Os fãs concederam o perdão divino ao Metal God e aprovaram sua nova empreitada. O disco alcançou boas vendas e Rob saiu em turnê, abrindo para o Iron Maiden, que divulgava o álbum “Brave New World”. A excursão se encerrou no Brasil, com uma fantástica apresentação no Rock in Rio. Dessa tour, saiu esse trabalho ao vivo, onde além de sons da carreira-solo, o cantor resgata músicas do Fight e principalmente do Priest, com direito a alguns clássicos esquecidos no tempo, como as excepcionais “Stained Class”, “Jawbreaker” (quem não se emociona com a intro de guitarra não pode ser considerado um headbanger) e a magnífica “Tyrant”, além das escolhas óbvias.



Para encerrar, três faixas de estúdio, incluindo a nova “Screaming In the Dark” e dois resgates do passado, com o Hard/Heavy “Heart Of a Lion” e a baladinha “Prisoner Of Your Eyes”. A grande polêmica ficou por conta do excesso de overdubs. Realmente é algo que pode incomodar pra valer os mais puristas, já que claramente muita coisa foi refeita. Mas ouvir Rob e banda – com destaque para a dupla das seis cordas formada pelos exímios “Metal” Mike Chlasiak e Patrick Lachman, que depois se tornaria vocalista do Damageplan – mandando ver em hinos sagrados do som pesado faz valer a conferida. Essencial na coleção dos tocadores de air-guitar.

Rob Halford (vocals)
“Metal” Mike Chlasiak (guitars)
Patrick Lachman (guitars)
Ray Riendeau (bass)
Bobby Jarzombek (drums)

CD 1

01. Resurrection
02. Made in Hell
03. Into the Pit
04. Nailed to the Gun
05. Light Comes Out of Black
06. Stained Class
07. Jawbreaker
08. Running Wild
09. Slow Down
10. The One You Love to Hate (feat. Bruce Dickinson)
11. Life in Black
12. Hell’s Last Survivor
13. Sad Wings
14. Saviour
15. Silent Screams

CD 2

01. Intro
02. Cyberworld
03. The Hellion
04. Electric Eye
05. Riding on the Wind
06. Genocide
07. Beyond the Realms of Death
08. Metal Gods
09. Breaking the Law
10. Tyrant
11. Screaming in the Dark
12. Heart of a Lion
13. Prisoner of Your Eyes

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JAY

terça-feira, 30 de agosto de 2011

H.e.a.t - H.e.a.t [2008] + Freedom Rock [2010]


A melhor banda de Hard/Melodic Rock da atualidade não poderia vir de outro lugar, senão da Suécia – a terra de algumas das maiores beldades que já pisaram nesse planeta em sua história. Foi lá que, em 2007, surgiu o H.E.A.T, com a proposta de resgatar o que de melhor ofereceu o gênero em décadas passadas e dar uma repaginada, colocando uma marca toda própria. Lógico que algumas referências sempre são inevitáveis, a maior dela sendo os conterrâneos do Europe, especialmente em sua fase mais bem sucedida comercialmente.


Lançado em 2008, o primeiro trabalho do grupo poderia facilmente passar por uma coletânea de hits. É um petardo atrás do outro, com melodias marcantes, refrões ganchudos e competência técnica muito acima da média. Poucas vezes uma introdução fez tanto sentido quanto a de um avião se preparando para decolar. Apenas a chamada para a fantástica “There For You”. Depois de “Never Let Go” temos a sequência matadora de hits, que começa com “Late Night Lady”, passa pelo viciante single “Keep On Dreamin’” e termina na baladaça “Follow Me”, que poderia tranquilamente freqüentar qualquer playlist de rádio FM por aí.



A qualidade segue em alta com “Straight For Your Heart”, outra daquelas que quando a gente se dá por conta está cantando o refrão junto. Outros destaques vão para “Feel It Again”, as ótimas linhas de guitarra em “Bring the Stars” e a saideira com a apoteótica “Feel the Heat”. Essa edição ainda traz o bônus “1000 Miles”. A música foi utilizada pela banda no concurso Eurovision, o mesmo que anteriormente consagrou o Lordi. A repercussão foi gigantesca, fazendo com que o sexteto se tornasse uma atração de primeira linha no país. Conquista merecida de quem realmente tem talento para alcançar os objetivos.

Kenny Leckremo (vocals)
Dave Dalone (guitars)
Eric Rivers (guitars)
Jimmy Jay (bass)
Jona Tee (keyboards)
Crash (drums)

01. Intro
02. There For You
03. Never Let Go
04. Late Night Lady
05. Keep On Dreamin’
06. Follow Me
07. Straight For Your Heart
08. Cry
09. Feel It Again
10. Straight Up
11. Bring The Stars
12. You’re Lying
13. Feel the Heat
14. 1000 Miles (Bonus Track)


Já era esperado, mas sempre é bom ver quando as expectativas se confirmam. Depois de uma estréia arrasadora em 2008, o H.E.A.T retornou com força total em Freedom Rock, álbum que os reafirmou com o destaque lhes é de direito. Podemos notar uma clara evolução nas composições, que ficaram mais variadas sem descaracterizar a proposta. Algumas bem-vindas influências setentistas (como o registro vocal em “Beg, Beg, Beg”, que abre o disco metendo o pé na porta) juntam-se à fórmula já utilizada anteriormente, fazendo com que o som desça redondo, como diria a publicidade daquela cerveja.

Mas basicamente, continua sendo altamente indicado para fãs do velho Europe e congêneres. Não tem nem como destacar alguma faixa, pois todas são do mais alto nível. Mas não dá pra deixar de dizer que “Stay”, “Living in a Memory” e “Who Will Stop the Rain” são aquilo que a gente costuma chamar de crime perfeito. Tem até uma ótima participação do seu Tobias Sammet, do Edgar, sabe? Pois é, ele como padrinho do grupo, dá o ar da graça em “Black Night”, que apesar de não ser um cover do Deep Purple, tem uma cara de hit daquela época que não é brincadeira.



Agora é aguardar o próximo trabalho dos caras, que marcará a estréia do vocalista Erik Grönwall, retirado diretamente da versão escandinava do Ídolos. Mas não se assustem, o cidadão já mostrou por lá mesmo que entende do riscado. E já fez alguns shows com a banda ano passado para ir se familiarizando. Quem ainda não conferiu, tem a obrigação moral!

Kenny Leckremo (vocals)
Dave Dalone (guitars)
Eric Rivers (guitars)
Jimmy Jay (bass)
Jona Tee (keyboards)
Crash (drums)

01. Beg Beg Beg
02. Black Night
03. Danger Road
04. Shelter
05. We're Gonna Make It To The End
06. Stay
07. Nobody Loves You (Like I Do)
08. Everybody Wants To Be Someone
09. I Know What It Takes
10. Living In A Memory (Bonus Track)
11. Cast Away
12. I Can't Look The Other Way
13. Who Will Stop The Rain
14. Tonight (Bonus Track)

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JAY

domingo, 28 de agosto de 2011

Saints Of The Underground – Love The Sin, Hate The Sinner [2008]


Uma grande expectativa se instalou entre os saudosistas dos anos 1980 quando esse projeto foi anunciado. Afinal de contas, o agora saudoso Jani Lane juntava-se à cozinha do Ratt, formada por Robbie Crane e Bobby Blotzer. Completando o time, ninguém menos que o exímio guitarrista Keri Kelli, com sua bela folha corrida de serviços prestados aos bons sons – Alice Cooper e Slash’s Snakepit com mais destaque. Inicialmente, essa turma se reunia apenas nas folgas de seus trabalhos principais e fazia shows tocando covers, sem muito compromisso. Logo a coisa evoluiu e um álbum foi inevitável.

E com um quarteto desses junto, não dava para esperar algo diferente de um Hard Rock mesclando peso, melodia e clima descompromissado – no bom sentido da palavra. A produção ficou por conta dos próprios integrantes do grupo, enquanto a mixagem esteve a cargo do lendário Andy Johns, famoso por trabalhar com gente do calibre de Rolling Stones, Led Zeppelin e Van Halen, só para citar alguns. Linhas adicionais de baixo foram registradas por Chuck Wright (Dio, L.A. Guns), substituindo Robbie, que precisou se ausentar rapidamente por motivos pessoais.



Love the Sin, Hate the Sinner é um trabalho agradável, coeso e fácil de escutar. São apenas 36 minutos de música, divididos em dez faixas. Destaque para a ótima “Tomorrow Never Comes”, com seu belo riff e a levada tipicamente oitentista de “All In How Your Wear It”. Sonoridade mais contemporânea e direta comparece em “Exit” e “Signs of Life”. Ainda há dois covers, para “American Girl” (Tom Petty & The Heartbreakers) e “Moonlight Mile” (The Rolling Stones). Mas o melhor fica para o final, com “Jimmy” e seu estilo totalmente inspirado em Thin Lizzy, especialmente no belo timbre de guitarra.

Assim que o play foi lançado, os envolvidos retomaram atividades com suas bandas prioritárias, fazendo com que a divulgação fosse quase nula. Some a isso o fato de ter sido lançado por um selo pequeno e independente e teremos muitas respostas. Agora, o álbum ficará marcado para sempre como o último lançado por Jani Lane antes de sua morte. Pelo significado e pela formação reunida, vale o download.

Jani Lane (vocals)
Keri Kelli (guitars)
Robbie Crane (bass)
Bobby Blotzer (drums)

01. Dead Man's Shoes
02. Tomorrow Never Comes
03. All In How You Wear It
04. Good Times
05. Exit
06. American Girl
07. Signs of Life
08. Bruised
09. Moonlight Mile
10. Jimmy

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JAY

sábado, 27 de agosto de 2011

George Lynch – Sacred Groove [1993]


Após anos de sucesso, o Dokken se separou, em decorrência, principalmente, das diferenças musicais e pessoais entre o guitarrista George Lynch e o vocalista Don Dokken. Juntamente do baterista Mick Brown, George formou o Lynch Mob, mas o grupo não viveu por muito tempo, apenas o suficiente para registrar dois álbuns e se separar graças às baixas vendas destes.

Após tirar merecidas férias de quase um ano com sua família, George Lynch voltou para o mercado musical investindo em sua carreira como artista solo. O primeiro fruto da nova empreitada foi “Sacred Groove”, lançado em 1993. O disco envolve uma perspectiva mais liberal que qualquer outra banda que o guitarrista tenha se envolvido.



A intenção era dar destaque ao homem, tanto que quatro das dez faixas são instrumentais. Quando se diz que “Sacred Groove” é mais liberal, tem a ver com as influências. Do começo ao fim, Lynch passeia por vários estilos, como o Hard Rock, o Heavy Metal, o Blues e a música latina. E tudo isso de forma linear, pois George é um dos poucos guitarristas que construíram um estilo tão peculiar a ponto de se identificar que é o próprio tocando logo nos primeiros segundos de uma canção. Suas técnicas de tapping e slide, bem como seu estilo de construir fraseados na guitarra, são únicos.

O guitarrista contou com um time de feras para a gravação do álbum. A maior parte do instrumental ficou a cargo do baterista Denny Fongheiser (Heart) e do baixista Jeff Pilson, antigo colega de George no Dokken, além das participações especiais de vários músicos, com destaque ao até então promissor gaitista Little John Chrisley.



Porém, a grande surpresa fica por conta dos vocalistas convidados para as faixas não-instrumentais. Lynch tratou de convocar os irmãos Matthew e Gunnar Nelson, o incrível Ray Gillen (falecido ainda no ano do lançamento deste registro), o veterano Glenn Hughes e a pouco conhecida mas competente Mandy Lion.

Pouco mais de um ano após o lançamento de “Sacred Groove”, o Dokken voltou às atividades e com a formação clássica, que envolve o próprio guitarrista. A reunião não durou muito, rendendo ainda mais discos para sua carreira solo – algo positivo, tendo em vista a qualidade deste álbum em especial e as capengadas em discos da banda, como "Shadowlife". Recomendado para fãs de Rock no geral, incluindo as faixas instrumentais, pois George Lynch pode conversar pela guitarra: acredite se quiser!



01. Memory Jack
02. Love Power From The Mama Head
03. Flesh And Blood (Ray Gillen)
04. We Don't Own The World (Matthew & Gunnar Nelson)
05. I Will Remember
06. The Beast Part 1 (Mandy Lion)
07. The Beast Part 2 (Mandy Lion)
08. Not Necessary Evil (Glenn Hughes)
09. Cry Of The Brave (Glenn Hughes)
10. Tierra Del Fuego

Vocalistas listados acima
George Lynch - guitarra, sitar, violão
Jeff Pilson - baixo, piano
Chris Solberg - baixo
Tommy Hendricks - baixo
Denny Fongheiser - bateria
Chris Furman - Mellotron
Byron Geither - órgão
Little John Chrisley - gaita
Sam Fear - flauta
Pattie Brooks - backing vocals
Tony Menjivar - congos e bongos

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by Silver

Roxxcalibur - NWOBHM For Muthas [2009] + Lords Of The NWOBHM [2011]


Você que tem bom caráter, é uma pessoa de princípios e bom gosto, obviamente gosta da NWOBHM, certo? Pois esses caras aqui também. Aliás, eles são alucinadamente fanáticos. Por isso, nas horas vagas, o vocalista, guitarrista e baterista da banda alemã Viron se transformam no Roxxcalibur e faz seu tributo em homenagem à turma do Heavy Metal britânico, que mudou o estilo para sempre. Em sua carreira, o grupo já tocou em festivais como o Headbangers Open Air, reduto dos saudosistas daquela época.


A repercussão foi tão grande que chegou a hora de fazer um disco. Assim nasceu NWOBHM For Muthas, nome em referência à histórica coletânea Metal For Muthas. A produção ficou a cargo de Uwe Lulis, ex-guitarrista do Grave Digger. Mas é importante ressaltar que os caras decidiram fugir do óbvio na escolha do repertório. Ou seja, não espere sons de Iron Maiden, Saxon, Def Leppard e outros dos mais conhecidos. O negócio é desenterrar verdadeiras preciosidades, que passaram despercebidas pelos menos fanáticos quando lançadas. Algumas bandas sequer chegaram a gravar um álbum oficial, limitando suas discografias a demos, singles, EP’s ou participações em compilações. Uma pena, pois mereciam sorte melhor. As mais conhecidas aqui presentes são “See You in Hell” do Grim Reaper e “Let it Loose”, do Savage (essa muito mais por causa da regravação do Metallica que por seu registro original).


Lembram da autópsia do ET no Fantástico, exibida há alguns anos?

Outros destaques vão para a abertura – após a intro com o Big Ben, nada mais tradicionalemente inglês, é claro – a toda potência com “Running for the Line”, do totalmente desconhecido JJ’s Powerhouse; a cadenciada “Rainbow Warrior”, do Bleak House e a fantástica “Axe Crazy”, do muito injustiçado Jaguar. Uma merecida reverência a um dos mais influentes tempos da história do Heavy Metal. Ponha a sua bebida preferida para gelar, vista a surrada jaqueta de couro, coloque os spikes que seus pais e a polícia cansaram de confiscar, empunhe a air-guitar e prepare-se para uma bateção de cabeça das boas!

Alexx Stahl (vocals)
Roger Dequis (guitars)
Roxx Kalli (guitars)
Mario Long (bass)
Neudi (drums)

01. Big Ben
02. Running For The Line (JJ’s Powerhouse)
03. The Gates Of Gehenna (Cloven Hoof)
04. Seven Days Of Splendour (Jameson Raid)
05. Rainbow Warrior (Bleak House)
06. Axe Crazy (Jaguar)
07. Lady Of Mars (Dark Star)
08. Destiny (Trident)
09. War Of The Ring (Arc)
10. Witchfinder General (Witchfinder General)
11. Let It Loose (Savage)
12. Angel Of Fear (Radium)
13. Spirit Of The Chateaux (Chateaux)
14. See You In Hell (Grim Reaper)


Em 2011, os alemães do Roxxcalibur seguem em sua honrada missão de resgatar nomes menos conhecidos de um dos movimentos mais importantes da história da música pesada. Mais uma vez a pesquisa de repertório resgatou algumas pérolas perdidas do mais alto calibre. Mas também, bandas que ficaram em um meio termo entre o anonimato e a fama foram mais lembradas, entre elas Tokyo Blade, Quartz (que revelou Geoff Nicholls, tecladista do Black Sabbath por mais de 15 anos e que nesse grupo atuava como guitarrista) e Tygers Of Pan Tang – além do encerramento com algo mais conhecido, dessa vez trazendo Venom.



Outro detalhe muito interessante vai para a versão de “Lift Up Your Eyes”, do Saxon. Biff Byford e companhia nunca finalizaram essa faixa, mas ela ficou conhecida entre os fãs através dos anos. Pois o Roxxcalibur a terminou do seu modo e colocou no álbum, mostrando respeito à obra original. Difícil destacar algum momento em especial, é um play que se ouve do início ao fim com a mesma empolgação. Riffs empolgantes, guitarras gêmeas como manda o figurino e toda aquela atmosfera da cena britânica oitentista capturada com talento. Vale mais que uma conferida para os saudosistas de plantão!

Alexx Stahl (vocals)
Roger Dequis (guitars)
Roxx Kalli (guitars)
Mario Long (bass)
Neudi (drums)

01. London Bridge Is Falling Down
02. Atomic Rock (More)
03. Heads Will Roll (Satan)
04. Flying High (Hollow Ground)
05. Day To Day (Cryer)
06. If Heaven Is Hell (Tokyo Blade)
07. Lift Up Your Eyes (Unfinished & Previously Unreleased By Saxon)
08. Satan's Serenade (Quartz)
09. Hellbound (Tygers Of Pan Tang)
10. Music Power (Oxym)
11. Angel Of Death (Sparta)
12. A Face In The Crowd (Saracen)
13. Battlescarred (Blood Money)
14. Stage Fright (Witchfynde)
15. At War With Satan – Preview (Venom)


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JAY

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

The Offspring - Smash [1994]


Quem aqui era adolescente nos anos 90 foi tomado de arrastão por quatro californianos de Huntington Beach, que apareceram de uma gravadora pequena e que quando menos percebemos, já havia tomado de arrastão a MTV e as rádios de rock na época. Lembro que a primeira vez que ouvi "Come Out and Play (Keep 'Em Separated)", fui contagiado com a energia que era transmitida pelo grupo, e me apaixonei logo que de cara pelo som do Offspring, o que segue até os dias de hoje, sendo a minha banda predileta das bandas de pop punk surgidas nos anos 90, talvez por ser a mais agressiva de todas.

O Offspring surgiu em 1984, quando os ainda adolescentes Dexter Holland e Greg Kiesel decidiram montar uma banda, após um show do ainda desconhecido Social Distortion. O guitarrista Kevin "Noodles" Wasserman ganhou o posto no grupo não por sua habilidade nas seis cordas, e sim por ser mais velho que os outros, assim garantindo as bebidas para os outros integrantes. E foi com essa formação, juntamente com o baterista Ron Welty que eles assinaram com a Epitaph Records, cujo o dono é Brett Gurewitz, guitarrista do Bad Religion.



E foi com o lançamento de seu terceiro disco (o segundo com a Epitaph) que o Offspring dominou as rádios da época e as paradas. "Smash" foi unanimidade mundial na época, com público e crítica aclamando o disco, que vendeu 12 milhões de cópias em nível mundial e se tornou o disco lançado por uma gravadora independente mais vendido da história. Alcançou o quarto lugar na parada da Billboard, e permaneceu na lista por 101 semanas. Até os dias de hoje é citado por vários veículos musicais com um dos maiores e mais influentes discos lançados nos anos 90. Não à toa, pois realmente o disco tomou de assalto qualquer um que dizia gostar de rock na época.

O que temos aqui é um hardcore inconsequente e barulhento, praticado por rapazes ensandecidos e fora de si, mas que geraram canções memoráveis e que até hoje em dia tem um poder absurdo. E para mostrar que os moleques eram enjoados, na introdução do disco, ninguem menos que o genial Jello Biafra convida o ouvinte a relaxar e apreciar o registro em "Time To Relax". Mas daí para frente, o que menos fazemos é relaxar, pois a pancadaria começa a comer solto em "Nitro (Youth Energy)", em que o bate cabeça é inevitável, em apenas dois minutos de pura nitroglicerina. "Bad Habbit" começa como quem não quer nada, com apenas o baixo e o vocal de Holland, até virar outro hardcore de primeira, perfeito para um downhill, como tanto gosta nosso amigo de blog Zorreiro.



E daí por diante, o que temos é um desfile de clássicos do grupo, um greatest hits. "Gotta Get Away" começa com uma bateria marcante, que gruda na cabeça e mesmo sendo uma das mais cadenciadas do registro é ainda uma das mais energéticas, música feita para ser hit. A já citada "Come Out and Play (Keep 'Em Separated)" é deveras genial e martela por mais tempo ainda na cabeça, e mostra o porque o mundo foi tomado de assalto na época, com sua mistura perfeita entre o rockabilly e o punk rock. "Self Esteem" é outro grande clássico, e seu inconfundível coro inicial mantém o ótimo nível visto até aqui, e com potencial para ser sucesso. "What Happened To You?" continua de maneira excelente o flerte com o rockabilly e foi outro grande clássico gerado, outra que nasceu para ser hit radiofônico. Apesar de citar apenas algumas, o disco todo é obrigatório, e o nível não cai por nem um segundo.

Esse daqui é um daqueles discos que é obrigatório você ter, e escutar uma vez por mês ao menos, pois a diversão é mais do que garantida. Ainda que tenham feito muito sucesso com o"Americana", este com certeza é a obra prima da banda. A trilha sonora para um bate cabeça descompromissado com os amigos ou acompanhando uma cerva estupidamente gelada.






1.Time to Relax
2.Nitro (Youth Energy)
3.Bad Habit
4.Gotta Get Away
5.Genocide
6.Something to Believe in
7.Come Out and Play (Keep 'Em Separated)
8.Self Esteem
9.It'll Be a Long Time
10.Killboy Powerhead
11.What Happened To You?
12.So Alone
13.Not The One
14.Smash

Dexter Holland - Vocais, Guitarra
Noodles - Guitarra, Backing Vocals
Greg K. - Baixo, Backing Vocals
Ron Welty - Bateria, Backing Vocals

Músicos Convidados
Jello Biafra - Narrador em "Time to Relax" e "Smash"


By Weschap Coverdale

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Shadow King - Shadow King [1991]


No início da década retrasada o Foreigner seguia a carreira com Johnny Edwards (King Kobra) nos vocais, lançando o álbum “Unusual Heat”, que resultou em um verdadeiro fiasco comercial. Enquanto isso, o vocalista original do grupo, Lou Gramm, colhia os frutos de seu bem sucedido segundo lançamento-solo, “Long Hard Look”, trabalho realizado em conjunto com o baixista e produtor Bruce Turgon (Black Sheep, Places of Power). A parceria deu tão certo que ambos decidiram dar início a uma banda. Para ajudá-los na empreitada, chamaram duas feras: o baterista Kevin Valentine (sim, ele mesmo, o homem por trás das baquetas em boa parte de “Psycho Circus” do KISS) e o grande guitarrista Vivian Campbell, consagrado no Dio e à época recém saído do Whitesnake.

Com essa formação, registraram o “filho único” do Shadow King. O som não fugia muito das características do Foreigner, ou seja, aquele AOR marcante, com melodias muito bem construídas e executadas por músicos de primeira. Talvez a grande diferença esteja mesmo nas seis cordas, que soam mais diretas e pesadas – lógico que quando eu falo em peso, nesse caso, não devemos ter como parâmetro nenhuma banda de Heavy Metal – nas mãos de Campbell. O álbum teve repercussão mediana, o que não deve ser visto de forma tão negativa, especialmente se levarmos em consideração que não houve turnê de divulgação (apenas um show em Londres, no dia 13 de dezembro de 1991) e a cena já começava a ficar ruim para esse estilo de música.



No início do ano seguinte, Vivian Campbell comunicou aos companheiros de grupo que estava saindo para juntar-se ao Def Leppard, em substituição ao falecido Steve Clark. Os outros integrantes chegaram a cogitar a possibilidade de procurar outro guitarrista, mas logo desistiram e deram o projeto por encerrado. Lou Gramm retornaria ao Foreigner em 1994, enquanto Bruce Turgon seguiria com seus vários trabalhos, tanto como músico quanto como produtor e Kevin Valentine continuaria como músico de estúdio, tendo como pontos de destaque ter tocado no álbum “Still Climbing” do Cinderella e a já citada brincadeira de ser Peter Criss. Recomendado aos fãs de um bom Melodic Rock!

Lou Gramm (vocals)
Bruce Turgon (bass, keyboards)
Vivian Campbell (guitars)
Kevin Valentine (drums)

01. What Would it Take
02. Anytime, Anywhere
03. Once Upon a Time
04. Don't Even Know I'm Alive
05. Boy
06. I Want You
07. This Heart of Stone
08. Danger in the Dance of Love
09. No Man's Land
10. Russia

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JAY

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Sepultura – Beneath The Remains [1989]



Esse não foi o disco mais vendido do Sepultura, e nem o que mais influenciou milhares de novas bandas européias que surgiram a partir dos anos 90. Mas é o portal que permitiu aos mineiros a entrada no mercado internacional.

Quando vi a capa pela primeira vez, fiquei chocado. Aquilo era mais dark, mais malévolo que The Number Of The Beast. O fundo preto, a silhueta do cachorro com olhos brilhantes, o cemitério. Tudo dentro de um crânio. Eram muitas mensagens a decifrar e, com elas, a trilha sonora do caos.

Os irmãos Cavalera estavam perfeitamente entrosados com Andreas Kisser, que sempre se mostrou um dos guitarristas mais criativos do mundo e que havia entrado no grupo em 1987 para a gravação do álbum Schizofrenia. Onde todos veem ruído, ele vê riffs. Trabalha-os e joga para a música, fazendo com que tudo encaixe de maneira tão perfeita, que chego a pensar se a sinapse dele é diferente da dos demais humanos.

Igor estava mais preciso, mais cuidadoso com o resultado de seus grooves em relação aos discos anteriores. Max já era identificado por seu estilo próprio, que influenciou grandes nomes, como Morbid Angel (alguns vão contestar) e Canibal Corpse (alguns vão me esconjurar).

A banda atingia o status de profissional. E colhia os louros disso.

1989 foi o ano deles. Com turnês pela Europa, Estados Unidos e México, e milhares de discos vendidos, a gravadora abriu todas as comportas para que os próximos trabalhos conseguissem resultados cada vez melhores. Mas em Beneath The Remains temos a dose exata de profissionalismo misturada com fúria juvenil, característica esta se perderia nas próximas etapas da carreira dos caras. Produzido por Scott Burns (Morbid Angel, Obituary, Death) e gravado na Flórida e no Rio de Janeiro, foi o primeiro pela Roadrunner Records, e ajudou a cimentar de vez o nome da empresa junto ao público metal.



Beneath The remains abre o front na base da pedrada. Quem conheceu os dois primeiros discos do Sepultura notou que aqui havia algo diferenciado, e o dedilhado com teclado fantasmagórico da introdução já entregava. Inner Self foi o hit do disco, se é que podemos chamar assim, juntamente com Mass Hypnosis. Pela primeira vez as músicas apresentam refrões para sacudir a galera e dinâmicas que intercalam peso e fúria com calmaria e levadas diferenciadas. A influência de Dave Lombardo em Igor é latente, mas ele tem um groove brazuca que os gringos nunca vão conseguir.

A versão postada é a reedição em cd, com cover dos Mutantes (A Hora e Vez do Cabelo Nascer) e a versão drum tracks de Inner Self e Mass Hypnisis, essas duas últimas absolutamente dispensáveis, mas que valem pela curiosidade.



Depois desse disco teve Arise, Chaos A.D. e Roots, que tornaram o Sepultura a banda brasileira mais influente da história do metal. Mas aqui está o filezinho. Sem meter Carlinhos Brown na parada, eles firmaram a identidade brasileira num estilo tão primeiromundista como o metal.

Se você tem um skate, bote isso pra rolar no IPod e faça um downhill, por mim.

Ah! Se sobreviver, me conte, ok? Boa sorte.

Track List

1. Beneath the Remains
2. Inner Self
3. Stronger Than Hate
4. Mass Hypnosis
5. Sarcastic Existence
6. Slaves of Pain
7. Lobotomy
8. Hungry
9. Primitive Future
10. A Hora e a Vez do Cabelo Nascer (cover dos Mutantes)
11. Inner Self (drum track)
12. Mass Hypnosis (drum track)



Max Cavalera (guitarra e vocais)
Andreas Kisser (guitarras)
Igor Cavalera (bateria)
Paulo Xisto Pinto Jr. (baixo)

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Por Zorreiro

Carl Sentance - Mind Doctor [2009]


Apesar de não ser um nome muito conhecido entre os leigos, Carl Sentance está na cena há mais de 30 anos. Seus maiores momentos nos holofotes foram quando se juntou à Gezzer Butler Band, projeto que o baixista do Black Sabbath levou em frente entre os anos de 1986 e 1988, mas que não passou de gravações de Demos e algumas apresentações esporádicas; e quando fez parte do Krokus na virada do século, em substituição a Marc Storace. Com os suíços lançou o bom álbum “Round 13” e saiu depois da turnê para a volta do antigo dono do microfone e símbolo do grupo.

Em 2009, Carl assumiu também a guitarra e lançou seu primeiro trabalho solo, “Mind Doctor”. Para gravá-lo, juntou uma turma da pesada, trazendo ninguém menos que Don Airey (Deep Purple, Rainbow, Ozzy Osbourne e trocentos outros) nos teclados e a cozinha do agora extinto Thunder, com Chris Childs no baixo e Harry James na bateria. Esse time manda ver em um Hard/Rock and Roll empolgante, com claras influências de AC/DC. Aliás, em vários momentos temos a nítida impressão de estarmos ouvindo um disco dos irmãos Young, até nos timbres de guitarra se parece. Para completar, alguns toques mais melódicos aqui e acolá, como na abertura, com a ótima “Rain”.

Outros destaques vão para a faixa-título, a totalmente AC/DC “Girl’s Got Fire” (quase um plágio de tanto que lembra, até no título), a baladinha bem sacada “Believe”, com seus ecos de Mott the Hoople, a agitada “I Want Your Name” e a saideira com “Old School” e seu título auto-explicativo. Indicado para quem gosta de tudo aquilo que de melhor o Rock nos ofereceu até hoje. Sonzeira de qualidade pra fazer a festa dos fãs de um Hard pra lá de farrista, daqueles tocados nos melhores botecos e puteiros do gênero regado a muita bebida barata. Aprovadíssimo e recomendado pelas melhores consultorias do gênero! E longa vida a Carl Sentance!

Carl Sentance (vocals, guitars)
Don Airey (keyboards)
Chris Childs (bass)
Harry James (drums)

01. Rain
02. Mind Doctor
03. Girl's Got Fire
04. In My Dreams
05. Believe
06. Life Goes On
07. Revolution
08. I Want Your Name
09. Don't Walk Away
10. Crazy
11. Fire Rock
12. Old School

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JAY

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Bad Company - Holy Water [1990]


Ao se falar em Bad Company, para a grande maioria vem à mente Paul Rodgers, com sua incrível voz e grande carisma, que o torna um dos maiores vocalistas da história do rock, sem falar nos ótimos discos que ele lançou com o grupo, como o espetacular "Straight Shooter". E devido a esse grande trabalho muitos torcem o nariz para Brian Howe, cuja a fase à frente do grupo foi muito mais direcionada para o AOR dos anos 80. Mas ao fazerem isso, não sabem o que estão perdendo, pois além de deixarem de apreciar um dos grandes vocalistas que o AOR apresentou, ainda perdem a chance de conhecerem discos cativantes, em que a banda desfilava uma roupagem diferente, mas ainda assim de extrema qualidade.

E um belo exemplo é o ótimo "Holy Water", lançado em 1990 e que colocou o grupo novamente em evidência perante público e crítica da época, algo que eles não tinham usufruído desde a volta do grupo com o o lançamento de "Fame and Fortune". Apesar de o relacionamento entre Howe e a dupla Ralphs/Kirke não ser dos melhores naquele momento, tanto eles viajarem separados durante a turnê do disco "Dangerous Age", a pressão da gravadora para um lançamento de um novo registro foi mais forte, e esta acabou funcionando. E tome disco de platina, com mais de um milhão de cópias vendidas e uma boa execução de vários singles nas rádios de AOR da época.



Toda a boa recepção na época não foi à toa na época, pois temos realmente em mãos um disco perfeito para quem é chegado em AOR. Howe canta demais e é o grande destaque, ficando claro que é dele o crédito para que a banda conseguisse disputar o concorrido mercado da época com bandas muito mais jovens, com todo seu talento para criar melodias vocais que casassem perfeitamente com o clima da época. Mick Ralphs mostra uma capacidade de adaptação incrível e se mostra ser um dos daqueles músicos que ao invés de querer promoção pessoal tocando milhões de notas por segundo em solos mirabolantes, trabalha para que a música funcione e para mim está na lista de músicos mais injustiçados do rock, pois pouco se fala sobre ele. A cozinha, aqui composta por Simon Kirke e Felix Krish segura muito bem as pontas e trabalha redondinha.

"Holy Water" inicia os trabalhos com uma levada que remete a fase setentista do grupo, principalmente na guitarra de Ralphs e possui um refrão feito para ser cantada em uníssono em uma arena lotada e acaba sendo o ponto forte da canção. "Walk Through Fire" e seu climão oitentista e animado é deveras linda e é uma das canções que mais gosto de escutar, pois a sensação ao escutar a mesma é indescritível, som perfeito no melhor estilo sessão da tarde. A baladaça "If You Needed Somebody" foi o maior sucesso dessa fase do grupo e a música pela qual tive acesso ao trabalho deles. Sério, o desempenho de Howe nessa faixa é impressionante e sua melodia a transforma em uma das maiores power ballads desse período, sendo impossível não querer acender um isqueiro durante sua execução.



O riff inicial de "Fearless" lembra muito o de "Coming Of Age" do supergrupo Damn Yankees, e temos um hard animado e festeiro, com um solo certeiro de Ralphs e que deixa a canção ainda mais festiva. A semibalada "Boys Cry Tough" é onde mais um vez Howe tem para desfilar seu vozeirão, e onde Ralphs cria ótimas bases, seja no violão ou na guitarra. Mais uma vez a flerte com a fase sententista vem das guitarras de Ralphs em "Never Too Late" em mais uma grande canção, assim como em "I Can't Live Without" que poderia estar muito bem em qualquer registro da fase Rodgers do grupo. "100 Miles" encerra o trabalho com Simon Kirke assumindo os vocais em uma canção acústica, em que a performance vocal dele é legal e divertida, assim como o seu trabalho durante todo o registro, que foi corretíssimo.

Um disco mais que recomendado para quem curte AOR bem feito, ainda mais por grandes músicos que fizeram história nos anos 70 e um vocalista que nasceu para o estilo. Se você gosta do cheiro de naftalina e se amarrava nas "altas aventuras dessa turminha do barulho", pode se arriscar sem medo de errar. Grande trabalho que eles repetiriam posteriormente em "Here Comes Trouble", que posteriormente aparecerá por aqui.





1.Holy Water
2.Walk Through Fire
3.Stranger Stranger
4.If You Needed Somebody
5.Fearless
6.Lay Your Love on Me
7.Boys Cry Tough
8.With You in a Heartbeat
9.I Don't Care
10.Never Too Late
11.Dead of the Night
12.I Can't Live Without You
13.100 Miles


Brian Howe - Vocal
Mick Ralphs - Guitarra
Felix Krish - Baixo
Simon Kirke - Bateria, vocal, guitarra acústica


By Weschap Coverdale

Red Hot Chili Peppers - I'm With You [2011]


A espera acabou. Cinco anos após o lançamento de “Stadium Arcadium”, é possível conferir “I'm With You”, o décimo álbum da carreira do Red Hot Chili Peppers. A entrada oficial de Josh Klinghoffer ao grupo, em substituição a John Frusciante dividiu os fãs, pois a primeira vez que o guitarrista John Frusciante deixou o grupo, ainda na década de 1990, o registro com seu primeiro substituto Dave Navarro, “One Hot Minute”, dividiu (e ainda divide) opiniões.

Mas não há nada a temer. Enquanto guitarrista, o estilo de Klinghoffer se assemelha muito ao de Frusciante, então mudanças bruscas não permeariam “I'm With You”. Aliás, a primeira sensação durante a audição do álbum é de "atendimento" ao que se previa – em um sentido positivo. O melhor do que consagrou o Red Hot Chili Peppers em discos como “Californication” e “By The Way” está aqui. Com qualidade e sem grandes inovações.

Monarchy Of Roses abre o álbum com um "quê" alternativo e distorcido, mas rapidamente volta ao esperado Rock funkeado que o Red Hot faz como ninguém. O entrosamento de Flea, baixista, e Chad Smith, baterista, é algo de outro mundo e a dupla irá guiar praticamente todo o registro. Josh Klinghoffer apresenta seu cartão de visitas sem exibicionismos e permanece assim até o fim. Anthony Kiedis faz o mesmo de sempre nos vocais, mas parece mais versátil nesta primeira faixa.



Em seguida, Factory Of Faith é guiada pelo groove de Flea e Smith. Melhores linhas vocais tornariam a música muito boa, pois tem um refrão grudento, mas manteve o nível mediano. Brendan's Death Song tem um início calmo e acústico e cresce à medida que o tempo passa. Canção incrível, uma das melhores do registro, com ótima performance de Kiedis e Klinghoffer. Etihopia retoma o groove, mas com uma dosagem Pop. Klinghoffer impressiona novamente, mas o destaque desta faixa – e de todo o álbum – é o baixo.

Annie Wants A Baby está mais para o Pop. As linhas de bateria de Chad Smith acrescentam um clima dramático sensacional para a música. A animada Look Around segue com a mesma pegada de uma canção qualquer de “Californication”, com maior aparição da guitarra e um refrão feito para ser cantado em arenas. The Adventures Of Rain Dance Maggie não atende às expectativas de um single primário, mas não deixa de ser uma boa canção. Apresenta bem a transição leve, porém essencial, entre o Red Hot Chili Peppers de anos atrás e agora.



Did I Let You Know tem um swing incrível, principalmente graças ao grande trabalho de Chad Smith. Trilha sonora de praia caribenha, com direito a solo de trompete e tudo o mais. Apresenta, com mais destaque, uma cama de teclados que parece permear todo o registro. Goodbye Hooray, direta, seria melhor como faixa de abertura. Smith segue inspirado e guiando a banda com ótimas linhas de bateria. Apesar da sutil diferença de timbres, Josh toca como John Frusciante nessa faixa. O solo de baixo no meio da música conquista qualquer um.

Happiness Loves Company traz uma novidade: piano. A levada, altamente Pop Rock, faz com que eu aposte na música como um próximo single, talvez com maior impacto do que Adventures. A balada Police Station quebra o clima e dá uma sensação nostálgica ao ouvinte. Quando a música transcende as caixas de som e transmite sentimentos para quem a escuta, sua qualidade é incontestável. Os teclados marcam presença novamente, apesar de mais discretos. Peca apenas por não ter um solo de guitarra marcante.

Even You Brutus? mistura o Funk Rock clássico com o Pop, novamente com a presença de teclados. A música implorava por uma performance mais inspirada de Anthony Kiedis, mas o vocalista não atendeu. Boa, mas poderia ser melhor. Meet Me At The Corner, lenta, não conta com a mesma emoção das outras baladas, apesar de apresentar mais ênfase nas guitarras. O fechamento fica por conta da estranha Dance, Dance, Dance, que não vai fazer ninguém dançar a não ser por alguns momentos finais – só vai desapontar, por se aguardar mas não ter uma grandiosa faixa de encerramento.



No geral, “I'm With You” é sensacional. Conta com momentos inspiradíssimos e é musicalmente mais arrojado do que os antecessores, por contar com uma gama de instrumentos maiores e um músico versátil como Josh Klinghoffer, que não decepcionou apesar da pressão. Há dois problemas: a ausência de um verdadeiro hit, para arrastar multidões, e a falta de linearidade nas últimas faixas, que não são boas como as primeiras. Deve-se aguardar, todavia, o amadurecimento da parceria entre Josh e os outros integrantes. Promete render frutos ainda melhores.

01. Monarchy Of Roses
02. Factory Of Faith
03. Brendan’s Death Song
04. Ethiopia
05. Annie Wants A Baby
06. Look Around
07. The Adventures Of Rain Dance Maggie
08. Did I Let You Know
09. Goodbye Hooray
10. Happiness Loves Company
11. Police Station
12. Even You Brutus?
13. Meet Me At The Corner
14. Dance, Dance, Dance

Anthony Kiedis - vocal
Josh Klinghoffer - guitarra, teclados, backing vocals
Flea - baixo, trompete, piano, backing vocals
Chad Smith - bateria, percussão

Músicos adicionais:
Greg Kurstin - piano, teclados
Money Mark - órgão em 6
Mauro Refosco - percussão
Lenny Castro - percussão
Michael Bulger - trompete em 8

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by Silver

Barão Vermelho – Supermercados da Vida [1992]


Muitas vezes o pré-conceito estabelecido nos faz perder várias coisas boas na vida. Isso se aplica muito no Rock, onde os apreciadores mais radicais não toleram o sucesso comercial, como se toda banda não quisesse atingir o reconhecimento fazendo seu honesto trabalho. Falo isso porque, explicar para a geração mais nova a importância do Barão Vermelho na história do Rock n’ Roll feito em terras brazucas é, quase em 100% das ocasiões, como dar murro em ponta de faca. Tá certo que os últimos trabalhos da banda cada vez mais tendem para o Pop/Rock. No entanto, Frejat e sua turma possuem uma folha corrida de bons serviços prestados que falam por si só.

Lançado logo após a turnê que comemorou os dez anos do grupo, “Supermercados da Vida” é um disco com a cara do Barão. O play marca a estréia de Rodrigo Santos no baixo, em substituição a Dadi. Aquele som totalmente stonenano, com toques de Blues e guitarras pesadas comparece de maneira direta, desde a abertura com “Fúria e Folia”, música beirando o Hard Rock, especialmente em seu final arrasa-quarteirão. Na seqüência vem “Odeio-te Meu Amor”, homenageando o rock paulistano dos 70’s no melhor estilo Jagger/Richards.



Outro destaque vai para a música de trabalho, a densa “Pedra, Flor e Espinho”, que contou com um videoclipe para lá de polêmico, especialmente à época – lembrem que recém estávamos nos acostumando com a proposta de linguagem de uma então novata MTV Brasil. Merecem ser citadas também “Flores do Mal”, uma das mais belas baladas da história do Rock nacional (com uma letra perfeita para a dor-de-cotovelo) e “Azul Azulão”, uma espécie de filha bastarda brasileira do Deep Purple, com levada à la “Black Night/Strange Kind of Woman”, Hammond e tudo mais que se tem direito. Aliás, nela temos a particpação de ninguém menos que Luis Carlini, lenda viva da guitarra em terras tupiniquins, líder do Tutti Frutti, que acompanhou Rita Lee em seu melhor momento solo.

O álbum teve a participação de George Marino na produção, que também trabalhou com Queen, Aerosmith, Led Zeppelin, Iron Maiden, AC/DC, Van Halen, Metallica, Dio e Guns N’ Roses, além de alguns mais recentes como Coldplay, Slipknot e Nickelback. Pouco, né (risos)? Não deixe passar a oportunidade de conferir esse clássico feito por esses lados do mapa mundi.

Roberto Frejat (vocais e guitarras)
Fernando Magalhães (guitarras)
Rodrigo Santos (baixo)
Guto Goffi (bateria)
Peninha (percussão)
Maurício Barros (teclados – convidado especial)

Participações
Guilherme Arantes (piano na faixa #2)
Sivuca (acordeom na faixa #4)
Luis Carlini (guitarra na faixa #5)

01. Fúria e Folia
02. Odeio-te Meu Amor
03. Pedra, Flor e Espinho
04. Flores do Mal
05. Azul Azulão
06. Fogo de Palha
07. Fios Elétricos
08. Supermercados da Vida
09. Sombras no Escuro
10. Cidade Fria
11. A Noite Não Acabou
12. Comendo Vidro
13. Portos Livres
14. Marcas no Pescoço

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JAY

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Al Di Meola, John McLaughlin, Paco de Lucia – Friday Night In San Francisco [1981]




Pegue as três maiores feras mundiais das seis cordas. Um do flamenco, um do fusion e outro de estilos indefiníveis e indecifráveis para as cabeças ocidentais. Coloque-os em um mesmo palco e libere o repertório e a improvisação. O resultado não poderia ser diferente: uma celebração à virtuose musical e um devaneio de notas, ritmos e ideias.

Gravado em 5 de dezembro de 1980 no Warfield Theater de São Francisco, Califórnia, o show é uma celebração entre amigos. A última música, Guardian Angel, foi gravada em estúdio em 1981 e gerou as sessões que posteriormente foram lançadas com o título de Passion, Grace and Fire. Mas isso é outra história.




Mediterranean Sundance traz um dos grandes sucessos de Al Di Meola, lançado em seu multiplatinado Elegant Gipsy. Então egresso do grupo Return To Forever, seus fraseados puxam bastante para o rock, mas sem jamais perder seu sotaque latino. Talvez isso seja uma influência de suas origens, apesar de o mesmo ter nascido em New Jersey. Virtuose tanto no violão como nas guitarras, ele divide a execução da faixa com o mestre Paco de Lucia, que acrescenta a flamenca (ou quase isso) Rio Ancho, de sua autoria, criando um clima ainda mais fantástico à performance.




Paco de Lucia não é uma unanimidade. Apesar do grande sucesso comercial, alguns espanhóis ortodoxos o veem como moderno demais, como alguém que violou as origens ciganas do flamenco. Para ver que troo existe em tudo quanto é lugar. O homem é simplesmente um gênio e tem extremo bom gosto em suas composições e execuções.

Short Tales of Black Forest é um dos grandes sucessos de Chick Corea, tecladista que tocou com Miles Davis e fez parte do Return to Forever. Estamos falando de times que tiveram Frank Gambale e Stanley Clarke no cast. Melodias e harmonias densas.

A seguir vem Frevo Rasgado, de Egberto Gismonti, um compositor brasileiro que é visto como gênio lá fora, mas conhecido por poucos aqui dentro do Brasil. Talvez se tivesse tocado no Chacrinha ou no Gugu a coisa teria sido diferente. Mas ainda bem que não tocou.


Fantasia Suite traz os três no palco detonando tudo ao mesmo tempo. Mais uma composição de Al Di Meola, e mostra que esse era o terreno mais confortável para todos.




Guardian Angel, a música de estúdio, é uma composição do grande John McLaughlin. Depois dos ritmos entorta pescoço da Mahavishnu Orchestra, o inglês desce ao planeta Terra para brincar com os amigos. E mostra que sabe brincar.

Se você que ter um disco de virtuosismo e bom gosto, esta é a pedida. Aqui separamos os adultos das crianças.

É possível ser técnico e pesado mesmo sem ter bumbo duplo, etc. etc. etc.

Track List

1) Mediterranean Sundance/Rio Ancho - Paco De Lucia (canal esquerdo) & Al Di Meola (canal direito)

2) Short Tales Of the Black Forest - John McLaughlin (canal esquerdo) & Al Di Meola (canal direito)
3) Frevo Rasgado - John McLaughlin (canal esquerdo) & Paco De Lucia (canal direito)
4) Fantasia Suite - Paco De Lucia(canal esquerdo), John McLaughlin (canal do meio), Al Di Meola (canal direito)
5) Guardian Angel - Paco De Lucia(canal esquerdo), John McLaughlin (canal do meio), Al Di Meola (canal direito) – gravação de estúdio

Paco de Lucia (violão)
Al Di Meola (violão)
John McLaughlin (violão)

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Por Zorreiro

Whitesnake - Good To Be Bad [2008]


E já que estou de volta após um mês de mudanças e adaptações pós-cirurgícas, nada melhor do que ter uma postagem para mais uma vez falar de Whitesnake. Como todos já sabem, o Whitesnake é uma de minhas bandas de cabeceira e David Coverdale junto com Bruce Springsteen são meus maiores heróis dentro da música, e que suas letras estão as que mais definem minha personalidade, algumas vezes romântica e por outras vezes meio que desiludida e de saco cheio de esperar por algo que às vezes penso ser ilusório.

Conheci a banda em 1997 quando comprei o "Restless Heart" e daí por diante fui obrigado a ficar por onze anos na espera de um lançamento do grupo, e que saciasse a vontade de um fã que só pôde ver um lançamento de sua banda predileta. E não posso negar que fiquei satisfeito demais quando comecei a ouvir sobre os rumores de lançamento de "Good To Be Bad" e aguardei ansiosamente por seu lançamento. Ainda mais ao ver alguns membros que faziam parte do grupo e muitos dos quais eu gostava muito como a dupla de guitarristas Reb Beach e Doug Aldrich, que sempre respeitei em todos os seus trabalhos.

O veinho ainda canta demais!

E como eu fiquei feliz ao ouvir esse disco pela primeira vez! David Coverdale mostrou que pra quem é gênio podem se passar vários anos, e mesmo que seu alcance vocal não seja o mesmo de outrora, ainda é assombroso e mostra que ele cuidou muito bem de sua voz, e sem falar que ele continua aquele compositor de mão cheia que aprendi a apreciar desde o início de minha adolescência. Doug Aldrich é um monstro nas seis cordas e Reb Beach, ainda que mais contido, adiciona peso e uma modernidade bem vinda para o grupo, sem falar que todo o restante do grupo trabalha muito bem, e arranca um sorriso de orelha a orelha de qualquer fã do grupo.

E para iniciar os trabalhos, temos a pesadona "Best Years", em que a banda desce o braço sem dó e piedade alguma e pode assustar quem não esperava tamanha porrada nos ouvidos logo de cara, e mostra como Coverdale ainda tá com o gogó afiado e potente. Se o peso da abertura lhe assustar, vá diretamente para a oitentista e cativante "Can You Hear The Wind Blow?", que parece recém saída como uma faixa bônus do clássico "1987" com uma mixagem mais caprichada e moderna, e que grudou logo na primeira audição deste. "Call On Me" volta ao peso da faixa de abertura, com a dupla Aldrich/Beach tocando demais, com solos e riffs monstruosos. "All I Want All I Need" é uma baladaça daquelas que só Coverdale sabe fazer com maestria, carregada de emoção e pronta para fazer sangrar corações apaixonados.



Mas a pancadaria volta a rolar solta com hards vigorosos como a faixa-título, "All For Love" e "Got What You Need" mostram que a banda não estava para brincadeira, onde o peso mostrado é realmente descomunal, com destaque para a dupla de guitarrista novamente, com riffs pesados e ensandecidos. "A Fool In Love" presta uma homenagem para a primeira fase do grupo, com seu andamento cadenciado e o flerte descarado com o blues rock que corre pelas veias de Coverdale. "Lay Down Your Love" é outra faixa que poderia ter saído do clássico 1987, onde até vagamente lembra o andamento da espetacular "Still Of The Night". "Summer Rain" é outra baladona característica do grupo, o que por si indica que é muito difícil de ser ruim. "'Til The End Of Time" fecha o disco com uma balada acústica e uma letra derretida, que mais uma vez faz referência a fase inicial do grupo e fecha este registro de maneira bela.

Na minha opinião, é disparado o melhor disco do grupo desde o clássico "1987", e deu um novo rumo à carreira do Whitesnake, tanto que tivemos essa mesma direção (ainda que com mais influências de blues) seguida no ótimo "Forevermore" lançado este ano. Um discasso que vai agradar em cheio aqueles que curtem um hard rock bem feito e que lhe fará ficar ainda mais fã de um dos maiores frontmans que o rock já apresentou.





1.Best Years
2.Can You Hear the Wind Blow
3.Call on Me
4.All I Want All I Need
5.Good to Be Bad
6.All for Love
7.Summer Rain
8.Lay Down Your Love
9.A Fool in Love
10.Got What You Need
11.'Til the End of Time



David Coverdale - Vocais
Doug Aldrich - Guitarra
Reb Beach - Guitarra
Timothy Drury - Teclado
Uriah Duffy - Baixo
Chris Frazier - Bateria


By Weschap Coverdale

Foo Fighters - Wasting Light [2011]


Dave Grohl é um dos músicos mais completos que a cena grunge da década de 1990 presenteou ao mundo. É um multi-instrumentista habilidoso, compositor talentoso e frontman carismático, além de incansável a ponto de ter registrado mais de 20 álbuns e muitas outras participações em 42 anos de vida. Após o fim do Nirvana, Dave, que quase deixou o mundo da música após o suicídio de Kurt Cobain, encarou o desafio de liderar uma nova banda. Nasce daí o Foo Fighters, que consegue explorar diversas influências e, ainda assim, continuar constante e linear.

Porém, por mais que um grupo se apresente constante e linear, há sempre um momento de superação em sua discografia. E, ao que tudo indica, o mais recente lançamento do Foo Fighters deve representar essa superação para muitos – inclusive para quem vos escreve. Não apenas por mostrar um conjunto mais criativo e poderoso do que nunca, mas também por ser o mais pesado de toda essa trajetória.



“Wasting Light” é o primeiro do Foo Fighters a contar com três guitarristas. Além de Grohl e Chris Shiflett, este na formação desde 1999, o velho conhecido Pat Smear, dos primórdios do FF e guitarrista de turnê do Nirvana, voltou a ser um integrante oficial. O lendário Butch Vig, produtor do clássico “Nevermind”, assumiu a produção. As gravações foram realizadas no estúdio caseiro de Dave, apenas com equipamentos analógicos. Influências mais pesadas foram exploradas nas composições. Tudo isso e outros fatores direcionaram o álbum para que fosse o mais pesado da discografia, combinando muito bem com o quinteto.

Apesar disso, não compensa conferir “Wasting Light” na espera de encontrar algo drasticamente diferente do que o conjunto já tenha apresentado anteriormente. A essência continua a mesma – e ainda bem que não mudou. Os riffs de guitarra matadores, as linhas de bateria criativas, os refrães grudentos e muitas outras características que consagraram a trupe continuam firmes por aqui. Mas tem-se aquele clima sofisticado e até mesmo romântico do som tocado de forma descompromissada, exigência de um bom Rock de garagem.



Vale lembrar que, mesmo descompromissado, há muita qualidade e até mesmo potencial de vendas. Não foi à toa que o álbum conquistou disco de ouro em países como Estados Unidos e Austrália e chegou à primeira posição das concorridas paradas norte-americanas e britânicas, além da turnê de divulgação estar lotando arenas pelo globo. Os críticos de todo o mundo estão amando o play, diga-se de passagem.

Entre os destaques da tracklist, estão os singles Rope e Walk, a grudenta A Matter Of Time, a dramática I Should Have Known – com Krist Novoselic (Nirvana) no baixo e acordeão – e as pauladas Bridge Burning e White Limo, esta com a participação do lendário Lemmy Kilmister (Motörhead) em seu videoclipe. “Wasting Light” promete cativar até aqueles que nunca apreciaram algo tocado ou produzido por Dave Grohl, o que é raro ao se tratar de fãs de Rock n’ Roll.



01. Bridge Burning
02. Rope
03. Dear Rosemary
04. White Limo
05. Arlandria
06. These Days
07. Back & Forth
08. A Matter Of Time
09. Miss The Misery
10. I Should Have Known
11. Walk

Dave Grohl - vocal, guitarra
Chris Shiflett - guitarra, backing vocals
Pat Smear - guitarra
Nate Mendel - baixo
Taylor Hawkins - bateria, backing vocals

Músicos adicionais:
Bob Mould - guitarra e backing vocals em 3
Krist Novoselic - baixo e acordeão em 10
Rami Jaffee - teclados em 1, 2 e 11
Jessy Greene - violino em 10
Fee Waybill - backing vocals em 9
Butch Vig - percussão em 7
Drew Hester - percussão em 5

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by Silver

domingo, 21 de agosto de 2011

Nazareth – Hair Of The Dog [1975]


O cabelo do cachorro. Mas o que quer dizer isso?

É uma gíria para definir a ressaca ou métodos para curá-la. Segundo o folclore inglês (alguns dizem se tratar de um costume húngaro), colocar pelo do cachorro pode amenizar os efeitos da mordida do bicho (You may cure the dog's bite with its fur). Assim, para curar a ressaca, bota mais birita em cima.

Foi nesse clima que um Nazareth então já cheio de grana lançou, em 1975, o petardo que posto hoje. Sexto álbum de estúdio dos caras, veio na sequência das pedradas Razamanaz, Loud n’ Proud e Rampant, chamando-lhes a obrigatoriedade de, depois desse, lançar um Greatest Hits para tirar umas férias. A química entre os músicos não podia ser melhor. Os mesmos produziram o play, desfazendo uma sequência de produções dos álbuns anteriores, que estava a cargo de Roger Glover.



Depois de Hair Of The Dog vieram outros discos muito bons, mas não mais com a mesma inspiração dessa primeira fase a qual o post de hoje encerra com maestria. Os caras são escoceses, e o Scotch ajudou demais no declínio.

Hair Of The Dog abre o play como um soco na cara. Bem no meio. O riff da música, intercalado com o bom e velho cowbell bagaceira, fez tanta escola que ela foi regravada por Deep Purple, Guns n’ Roses, Warrant e Britny Fox. Now you’re messing with the son a bitch é a frase que fez escola. O solo de guitarra pode ser considerado medíocre por alguns, mas faz o papel de uma bela ponte que cria a tensão necessária para a volta do riff, que é a verdadeira estrela da música.



Miss Misery tem uma letra melancólica ao extremo, e dá-lhe riff violento de guitarra. A voz de Dan McCafferty está no auge. Ele canta como se fosse a última coisa que faria na vida. É de uma urgência fantástica. Solo de slide fecha a conta.

Na versão européia vem na sequência a música Guilty. A versão americana (da postagem) traz um dos maiores sucessos da banda: Love Hurts. Até Cher já gravou essa. Changin’ Times mostra que a banda fez escola e tanto aprendeu como ensinou com o grande Deep Purple. Não fossem os vocais, daria pra dizer que se trata de um riff de Blackmore da fase In Rock ou Fireball. Mas se engana o passageiro que acha que estou falando de plágio. Aqui a crueza domina. Não temos a sutileza de Jon Lord segurando as camas. É na base do tudo ou nada. E o resultado é o tudo, obviamente.



Beggars Day/ Rose In The Heater mostra de onde o Cinderella tirou inspiração para os seus dois primeiros discos. Whisky Drinking Woman é blues. Mas que blues! E Please Don’t Judas Me encerra o play com um chute na bunda. Sim, pois se a entrada é com um soco, a saída é na base do chute mesmo. Experimental, psicodélica e, ao mesmo tempo, depressiva e melancólica, tem o poder de segurar o ouvinte até o final.

Estamos diante de um clássico absoluto. Trate-o como tal.

Track List

1. Hair Of The Dog
2. Miss Misery
3. Love Hurts
4. Changin’ Times
5. Beggars Day/ Rose In Heater
6. Rose In The Heater
7. Whisky Drinkin’ Woman
8. Please Don’t Judas Me

Dan McCafferty (vocais)
Manny Charlton (guitarras)
Pete Agnew (baixo e vocais)
Darrel Sweet (bateria)

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Por Zorreiro

Grimmstine - Grimmstine [2009]


Steve Grimmett é uma espécie de herói underground da galera que acompanhou a cena oitentista. Fez história (embora nem tanto sucesso) com o Grim Reaper, banda que ganhou status cult entre os adoradores da NWOBHM, graças aos clássicos “See You in Hell”, “Fear No Evil” e “Rock You to Hell”. Depois teve uma breve passagem pelo Onslaught e uma carreira mais longeva com o Lionsheart, onde deu uma amansada no som em relação ao que costumava fazer. Em 2009, retornou à cena com o GrimmStine, projeto idealizado em parceria com o guitarrista norte-americano Steve Stine.

E quem conhece a carreira do gorducho gritador pelo passado mais remoto, sabe o que vai encontrar aqui. É Heavy Metal clássico com nuances de Hard, para ouvir tocando air guitar e batendo cabeça sem parar. Aliás, é preciso destacar a competência de Stine, que manda ver em riffs e solos totalmente inspirado nos anos dourados, mas sem soar datado, dando um toque todo especial ao trabalho. Também é impressionante seu domínio do violão, como mostra na intro “Memory” e na longa “You’ll Never Know”. Quanto a Grimmett, embora sua voz não tenha mais a mesma potência de outrora, ainda consegue deixar uma ótima impressão, segurando a onda com competência absoluta.



Destaques para “911”, com suas variações rítmicas e a bela rifferama de “Supernatural”, com uma cadência prefeita da cozinha. Quem é chegado no lado mais Speed do estilo vai aprovar a excelente “To Catch a Killer”, daquelas que faz a gente empunhar a air-guitar e acompanhar. Assim como “It’s Over”, genuíno exemplar sonoro da sagrada NWOBHM. O clima baladeiro se instala em “You Give Me Love”, com guitarras melódicas na medida certa. Já “'Til They Take My Wings” tem um belo começo acústico e depois vira um Hard Rock de primeira, com todos os elementos que agradam os adeptos. A singela “To Sing a Lullabye (Immy's Song)” fecha o play.

Uma boa primeira amostra dessa parceria de Steves. Excelente pedida para os fãs do Metal tradicional velho de guerra e mostrar que Grimmett ainda tem fôlego para fazer bonito – especialmente quando em boas e talentosas companhias como essa. Para tirar a surrada jaqueta de couro do fundo do armário e viajar até os 1980s em um verdadeiro tributo aos clássicos tempos!

Steve Grimmett (vocals)
Steve Stine (guitars)
Hat (bass)
Dave Johnson (drums)

01. Memory
02. 911
03. Supernatural
04. Got Nothing But Time
05. To Catch a Killer
06. You'll Never Know
07. It's Over
08. Prisoner
09. You Give Me Love
10. Straight As An Arrow
11. 'Til They Take My Wings
12. Take This Air
13. Afraid of the Dark
14. This Don't Look Like Love to Me
15. To Sing a Lullabye (Immy's Song)

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JAY

sábado, 20 de agosto de 2011

Queen - Greatest Hits II [1991]


O Queen foi e continua sendo uma das maiores e melhores bandas do mundo. E não são poucos os motivos que permitem chegar a essa conclusão. Além dos números, que não mentem e enquadram o grupo entre os que mais venderam álbuns no mundo todo, trata-se de um dos poucos que criaram um estilo único e inimitável, agradam até quem não gosta de Rock e mantiveram uma linearidade qualitativa em grande parte de seus registros.

Apenas três coletâneas não são suficientes para resumir a carreira de sucessos do Queen. Nem mesmo todos os álbuns de estúdio resumem, porque é obrigatório que se confira alguma gravação com algum show da banda, principalmente para entender que nenhum integrante poderia ser substituído ali. Mas a série "Greatest Hits", que teve a primeira edição lançada em 1980, a segunda em 1991 e a terceira em 1999, cumpre bem o papel de agrupar os grandes clássicos do conjunto. Muita coisa boa ficou de fora, todavia apresenta bem a magnitude o quarteto.



"Greatest Hits II" reúne a maioria dos hits lançados de 1981 até 1991, ano este em que o vocalista Freddie Mercury faleceu graças às complicações geradas pelo vírus HIV. Nesta década, o grupo começou a apostar em composições de cunho mais acessível e cedeu, como grande parte das atrações oitentistas, ao uso dos sintetizadores em suas músicas. Entretanto, é incrível como o nível de qualidade não decresce em nenhum momento durante o play, até quando comparado à compilação anterior.

Como dito anteriormente, nenhum integrante poderia ser substituído no grupo. Cada um exerce sua função de forma tão forte e única que, caso algum deles anunciasse que deixaria a banda, a mesma seria forçada a acabar. Vale lembrar, também, que todos contribuem com composições próprias, não deixando a carga criativa apenas para um ou outro.

Se nem os álbuns de estúdio do Queen contam com fillers, é ainda mais improvável que haja alguma encheção de linguiça num "best of". Por isso, os destaques particulares ficam pra próxima. Só garanto que qualquer uma das coletâneas são recomendadas para qualquer sujeito, independente de preferências musicais.



01. A Kind Of Magic
02. Under Pressure
03. Radio Ga Ga
04. I Want It All
05. I Want To Break Free
06. Innuendo
07. It's A Hard Life
08. Breakthru
09. Who Wants To Live Forever
10. Headlong
11. The Miracle
12. I'm Going Slightly Mad
13. The Invisible Man
14. Hammer to Fall
15. Friends Will Be Friends
16. The Show Must Go On
17. One Vision

Freddie Mercury - vocal, piano, teclados, sintetizadores
Brian May - guitarra, violão, co-vocal, backing vocals
John Deacon - baixo, sintetizadores, backing vocals
Roger Taylor - bateria, percussão, teclados, backing vocals

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by Silver