Bandas de AOR, por si só, já são artigos raros no mundo do Rock – com exceção da Escandinávia atual, onde há mais conjuntos que pessoas (risos). Imaginem, então, um grupo peruano que é adepto do estilo. Pois ele existe. O Aliados é um adepto do lado mais melódico do gênero e mostra toda a sua competência em Abre Tu Alma, excelente debut. Influências de Journey, Giant, Bad English e Van Halen (Van Hagar) são facilmente perceptíveis durante toda a audição. O disco foi lançado na terra natal dos músicos via Sony Music, o que fez com que a divulgação local fosse bem satisfatória.
O grande destaque do trabalho vai para o guitarrista Guillermo Bussinger, que mostra durante todo o álbum que entende do riscado, com solos e riffs de primeira categoria, como mostra na introdução da faixa-título. Falando nas músicas, todas possuem extrema qualidade. Mas não tem como não citar a abertura com “No Lo Sé”, passando pela emotiva “No Puedo Volar”, a melódica “Una Entre Mil” e a saideira com “Nadie Nos Puede Parar”, um pouco mais pesada. O single ficou por conta de “Toda Tu Piel”, bela escolha, com seu refrão de fácil assimilação e extremamente grudento.
Um prato cheio para quem curte um Rock festeiro, com letras em espanhol e melodias bem pra cima. O grupo ainda lançou mais um trabalho em 2005 e encerrou as atividades. Seus músicos continuam atuantes na cena local, com todas as dificuldades que um país periférico no estilo pode oferecer. E, até onde tenho notícias, sem fazer mimimi sobre dificuldades, público paga-pau de gringo e afins.
Pepe Gonzalez (vocals) Guillermo Bussinger (guitars) José Carlos Velásquez (keyboards) Marcell Lagos (bass) Chayo Saldarriaga (drums)
01. No Lo Sé 02. No Puedo Volar 03. Toda Tu Piel 04. Abre Tu Alma 05. Libre 06. Razón Contra Corazón 07. Aquí De Nuevo 08. Una Entre Mil 09. Nadie Nos Puede Parar
Em minha postagem de Boys In Heat, um passageiro da Combosa me fez o favor de alertar sobre um aspecto ocasionalmete incômodo no som do Britny Fox: a sua semelhança com o Cinderella. Como, realmente, não valia a pena ser um "quase-cover" da mesma, Michael Kelly Smith e seus companheiros decidiram mudar a sonoridade, a procura de algo original; ou seja, suprimir qualquer elemento muito semelhante ao som do Cinderella. E juntamente com esses elementos foi também o vocalista e guitarrista Dean Davidson (que formaria o Blackeyed Susan tempos mais tarde).
Seu substituto foi um sujeito chamado Tommy Paris, nativo de Las Vegas. Com um timbre vocal interessante, foi um verdadeiro achado; era do que eles precisavam.
Bite Down Hard possui mais momentos Heavy do que propriamente Hard. O batera Johnny Dee não poupa músculos, e em dupla com Billy Childs forma uma cozinha eficiente. Paris mostra competência em suas duas funções, assim como Smith. Todos os clichês que faziam sucesso na década de 80 estão aqui, contudo vieram na época errada, por assim dizer.
Atualmente, isso aqui (e o restante da discografia dos caras) é cult entre os admiradores mais assíduos da farofa e, pelo menos por mim, é aprovado e garantia de felicidade.
Assim como no meu post anterior a respeito do Britny Fox, ressalto: não há uma única faixa ruim. No entanto, minhas preferidas foram a abertura "Six Guns Loaded" e seu refrão grudento, a explosiva "Louder", a cadenciada "Liar", a balada "Over And Out" e o cover para "Midnight Moses", uma das composições com mais peso do full. Prepare-se para a festa!
Tommy Paris - vocais, guitarra base
Billy Childs - baixo Michael Kelly Smith - guitarra solo Johnny Dee - bateria
01. Six Guns Loaded 02. Louder 03. Liar 04. Closer To Your Love 05. Over And Out 06. Shot From My Gun 07. Black And White 08. Look My Way 09. Lonely Too Long 10. Midnight Moses (The Sensational Alex Harvey Band cover)
Quando a fórmula dá certo, não há problema em repetí-la. Esse foi o pensamento do Firehouse ao lançar seu segundo disco em 1992. Dois anos após o debut, que conseguiu ótima repercussão dentro da América do Norte e de alguns países da Ásia, o full-length “Hold Your Fire” chegou pretensioso e atendeu às expectativas tanto dos fãs quanto da própria banda.
Com o acréscimo de maturidade nas composições, o disco seguiu o caminho trilhado anteriormente. Em sua totalidade, tem-se canções com melodias que entram facilmente na cabeça e linhas harmônicas bem acessíveis, além dos esperados refrães em coro. Mas é um engano pensar que o trabalho musical do Firehouse é limitado ou “pop”. Há peso e complexidade no instrumental, e ainda estou pra ver alguém que cante como C.J. Snare: timbre único e extensão vocal consideravelmente grande.
Apesar dos números não chegarem aos do debut, “Hold Your Fire” vendeu muito bem dentro e fora dos Estados Unidos. Rapidamente o disco de ouro foi conquistado e acredita-se que quase 1 milhão de cópias tenham sido vendidas apenas em terras estadunidenses. Os singles Reach For The Sky, Sleeping With You e When I Look Into Your Eyes conseguiram posições expressivas nas paradas da Billboard, com destaque ao último, que entrou para o Top 10 e chegou aos charts canadenses e ingleses.
A qualidade do álbum é muito alta, por conta disso, não há um filler que seja na tracklist. Mas há destaques particulares, como a divertida Mama Didn't Raise No Fool, a pesada You're Too Bad, a balada Hold The Dream e os já citados hits Reach For The Sky e When I Look Into Your Eyes: músicas que servem para, respectivamente, conquistar uma arena lotada e a sua amada.
01. Reach For The Sky 02. Rock You Tonight 03. Sleeping With You 04. You're Too Bad 05. When I Look Into Your Eyes 06. Get In Touch 07. Hold Your Fire 08. The Meaning Of Love 09. Talk Of The Town 10. Life In The Real World 11. Mama Didn't Raise No Fool 12. Hold The Dream
C.J. Snare – vocal, teclados Bill Leverty – guitarra, violão, backing vocals Perry Richardson – baixo, backing vocals Michael Foster – bateria, percussão, backing vocals
Um dos passatempos preferidos da Combe desde seu início foi postar as preciosidades vindas da terra do sol nascente quando o assunto é Hard/Heavy de primeira qualidade. Depois de confirmada a participação de Marty Friedman na trilha do próximo Kamen Rider movie me veio a lembrança. E claro que Akira Kajiyama não poderia ficar de fora, já que seu talento nato vem sendo reconhecido na cena com o passar dos anos. Muito disso, graças a sua parceria com Joe Lynn Turner, com quem participou de álbuns solo como Slam, Holy Man e Hurry Up And Wait, além do HTP Project, com Glenn Hughes e “Fire Without Flame”, disco assinado pela dupla, lançado em 2005.
Nesse play, o multi-instrumentista chamou o vocalista Takenori Shimoyama, conhecido na cena por seu trabalho junto ao Saber Tiger e mandou ver em excelentes composições com influência direta do Heavy Metal tradicional e alguns toque de “setentismo” da melhor qualidade. O timbre de Shimoyama lembra, em vários momentos, Tobias Sammet e outros cantores da geração mais recente do estilo. Mas não fica só nisso, já que, apesar da semelhança no registro, sua abordagem é muito mais próxima da vertente clássica, trazendo aquele bom tempero setentista à interpretação, priorizando o feeling.
Outras influências podem ser percebidas, como Malmsteen, Impellitteri e Rainbow, para alegria da turma do bululu. Kajiyama mostra toda sua competência como exímio músico, tocando todos os instrumentos e ainda assinando a produção. Claro que sua maior influência é a escola Blackmore, então esperem por muitos riffs ganchudos e solos tocados com a alma acima de qualquer técnica. A abertura, com “The Minstrel Sings” já conquista o ouvinte. A sequência, com “Heaviness Of The Dust” é um verdadeiro convite ao bate-cabeça descontrolado, enquanto “The Final Journey” cumpre o que seu título promete e funciona como uma verdadeira viagem para o ouvinte.
Outros destaques vão para a sacanagem estilo Van Halen de “Change Your Fate”, a épica “Mother”, o groove certeiro de “Bottom Of The Water” e a pegada fulminante em “The Wild Horse” – lembrando os melhores momentos de certo sueco gorducho. Como já é comum nos vocalistas japoneses, Takenori dá algumas escorregadas no sotaque, mas nada que comprometa o resultado final. Se o seu negócio é Heavy Metal tradicional, com altas doses de técnica sem descambar para a babaquice masturbatória, aqui está um dos melhores exemplares do gênero lançado nos últimos tempos. E fica a questão para refletirmos: discos de artistas japoneses tem a faixa bônus para o Japão?
01. The Minstrel Sings 02. Heaviness of the Dust 03. The Final Journey 04. Change Your Fate 05. I Realize 06. Jewels 07. Mother 08. Fall Into the Deep 09. My Destiny 10. Bottom of the Water 11. The Wild Horse 12. Clear Blue
O Carnivore foi uma das primeiras bandas do finado Peter Thomas Ratajczyk, mais conhecido por Peter Steele. A formação data do início da década de 1980, e se você espera por algo semelhante ao Type O Negative, que foi onde o mesmo fez fama, se enganou: a proposta do trio era um Metal bem mais cru, com influências do Heavy, Thrash e Crossover. As letras também merecem nota por tratar de forma muitas vezes politicamente incorreta temas como a guerra, a religião e misoginia.
O projeto teve vida curta e apenas dois álbuns registrados. Porém, eles viriam a se reunir em 2006, fazendo até mesmo um show no festival europeu Wacken Open Air. Steele faleceu em 14 de Abril de 2010, encerrando a reunião.
Carnivore [1986]
O debut auto-intitulado é, sob diversos aspectos, o mais direto e cru. A começar pela produção (que não é das melhores, realmente) e o vocal de Peter, totalmente diferente do que pode ser conferido no seu trabalho com o Type O Negative. As influências do Crossover ainda não aparecem, privilegiando o lado porrada da coisa, com uma ótima junção do Metal mais tradicional com a velocidade do Thrash (e até mesmo umas passagens que remetem ao Doom).
Ainda que eu ache o álbum seguinte superior, este também é uma ótima pedida para quem está atrás da paulada característica dos anos 80. Destaques para a abertura "Predator", a faixa-título, "Male Supremacy", "God Is Dead" e "Thermo-Nuclear Warrior".
Peter Steele - vocais, baixo Keith Alexander - guitarras Louie Beato - bateria
01. Predator 02. Carnivore 03. Male Supremacy 04. Armageddon 05. Legion of Doom 06. God Is Dead 07. Thermo-Nuclear Warrior 08. World Wars III and IV
Retaliation [1987]
O segundo e último registro "Retaliation" é inteiramente Crossover/Thrash e justamente pela produção bem mais trabalhada foi o que mais gostei. A temática lírica continua a mesma, com Steele metendo o pau em tudo o que ele acreditasse ser ruim e não se importando em chocar (afinal, "Jesus Hitler" é um título, no mínimo, polêmico).
Logo depois do lançamento de "Retaliation", a banda seria desmantelada. O baixista e vocalista formaria o embrião do que viria a ser o Type O Negative, cujo primeiro disco teria várias composições ainda da época do Carnivore. Destaques ficam para "Angry Neurothic Catholics", "Suck My Dick", "Ground Zero Brooklyn", a já citada "Jesus Hitler" e "Sex And Violence", todas com títulos que falam por si só.
Não vale apenas pela curiosidade, já que o som é de qualidade e com certeza agradará a muitos ouvidos. Com toda a certeza, paulada própria para o mosh!
Peter Steele - vocais, baixo Marc Piovanetti - guitarras Louie Beato - bateria 01. Jack Daniel's And Pizza 02. Angry Neurothic Catholics 03. Suck My Dick 04. Ground Zero Brooklyn 05. Race War 06. Inner Conflict 07. Jesus Hitler 08. Technophobia 09. Manic Depression (Jimi Hendrix cover) 10. USA For USA 11. Five Billion Dead 12. Sex And Violence
Nos piores momentos do Hard Rock nos Estados Unidos, alguns resistiram bravamente, remando contra a maré. Nesse ponto, méritos para a dupla Jamie Rowe (ex-Guardian) e Vic Rivera – um dos músicos mais completos e respeitados da cena, exímio guitarrista e baterista –, que não apenas mantiveram-se fiéis ao estilo, como criaram uma das melhores bandas do gênero, o AdrianGale. Melodias certeiras e vocalizações perfeitas estão entre os principais atributos do grupo, que tem tudo para agradar fãs de grupos como Def Leppard, Firehouse, Harem Scarem (dos primeiros trabalhos), Van Halen e Danger Danger, entre outros.
Com essa proposta, a dupla compôs o primeiro álbum, Feel The Fire, que logo estourou no underground. Sons como a faixa-título, as cacetadas “Save Our Love”, “Reap What You Sow” e “Giving It Up” (refrão para sair cantando junto) caíram no gosto popular e colocaram o conjunto como uma espécie de salvação de uma safra que era das piores. A repercussão foi tão positiva que um ano mais tarde foi lançado o EP Under The Hood. Nele, versões acústicas e ao vivo – registradas de forma amadora em show na cidade espanhola de Madrid – para as músicas já conhecidas, além de uma inédita, a ótima “Stealin’ Hearts”. Apenas um aquecimento para o que viria a seguir, mas que hoje vale muito como raridade.
A grande dúvida que pairava entre os fãs era como superar a excelente estréia. Pois o AdrianGale conseguiu em Re: Program. Ainda mais pegajoso, reunia faixas espetaculares, como a festeira “Closer”, que se tornou o grande clássico da banda. Outros destaques vão para a abertura com “Still Burning”, resposta para so que decretaram a morte do estilo, além da deliciosamente Hard/Pop “Runaway”, com sua melodia inesquecível. Quando o assunto é balada, “If” surge fazendo com que o ouvinte pense automaticamente que se trata de algum b-side esquecido do Def Leppard, tamanha a semelhança com a obra de Joe Elliott e companhia.
Ok, agora não havia mais como superar certo? Ledo engano, pois aí que viria o auge de produção, com o bombástico Crunch. Simplesmente um dos melhores discos da história do Melodic Rock, com tudo aquilo que um adepto gosta e espera de um trabalho do gênero. É até difícil apontar um momento, pois simplesmente todas as canções são muito acima da média, fazendo deste um trabalho digno da nota máxima que recebeu em várias publicações mundo afora – inclusive no Brasil. Mas fica a dica para deixar um lenço ao lado quando for escutar a maravilhosa “Without A Moments Notice”, com uma letra impossível de não se identificar.
Mesmo com todos estes atributos, a carreira do grupo não decolou, criando dificuldades para o prosseguimento dos trabalhos, especialmente no lado financeiro. Mas antes de dar um tempo, ainda lançaram um ao vivo. Live Program foi gravado em um dos poucos shows de divulgação de Re: Program. Completando o disco, uma mixagem alternativa para “Closer” e a inédita “All My Heart”. A banda ainda faria alguns shows sob o nome de seu último disco, com direito a uma apresentação no renomado festival Firefest, realizado anualmente na Inglaterra.
Atualmente o AdrianGale vive um recesso sem previsão de retorno às atividades. Mas não há informação oficial de que isso seja definitivo – embora, honestamente, seja difícil uma volta sabendo que sua história sempre esteve no subsolo do estilo em termos de popularidade. Vic Rivera vem trabalhando em projetos com a Frontiers Records, entre eles uma frutífera parceria com Ted Poley. Já Jamie Rowe trabalha em uma volta do Guardian, que fará, inclusive, turnê latino-americana no próximo ano.
01. Feel The Fire 02. Save Our Love 03. Reap What You Sow 04. If The Sun 05. Giving It Up 06. Easy Come, Easy Go 07. Just Let Me Love You 08. Mission Man 09. Honey Child 10. Walkin' The Dog
Under The Hood [2001]
Jamie Rowe (vocals) Vic Rivera (guitars, drums) Todd Goldie (bass) Eddie Campbell (guitars, mandolin) Jason Hopper (drums)
01. Stealin’ Hearts 02. Reap What You Sow (acoustic) 03. Save Our Love (acoustic) 04. Feel The Fire (acoustic) 05. Feel The Fire (live) 06. Mission Man (live) 07. Giving It Up (live)
Re: Program [2002]
Jamie Rowe (vocals) Vic Rivera (guitar, drums) Eddie Campbell (guitars) Scott Novello (bass)
01. Still Burning 02. Closer 03. Heartbreak Guaranteed 04. If 05. Over, Said And Done! 06. Runaway 07. Heartgames 08. 41394 09. Part Of Me 10. Heather Please 11. No More Chances
Crunch [2004]
Jamie Rowe (vocals) Vic Rivera (guitar, drums) Scott “Riff” Miller (guitars) Scott Novello (bass)
01. Breaking Stride 02. Crunch 03. Faith 04. Without A Moment's Notice 05. Tougher Than It Looks 06. When In Rome 07. Long Gone 08. The Thin Line 09. Question 10. Freedom 11. This Time 12. Last Call
Live Program [2005]
Jamie Rowe (vocals) Vic Rivera (guitars) Eddie Campbell (guitars) Scott Novello (bass) Jason Hopper (drums)
01. Reap What You Sow 02. Over Said n' Done 03. Still Burning 04. Save Our Love 05. Part Of Me 06. If 07. Giving It Up 08. Riffageddon 09. Mission Man 10. Heartbreak Guaranteed 11. Runaway 12. Closer 13. Feel The Fire 14. Closer (Alternate Mix) 15. All My Heart (Unreleased Track)
No 20° aniversário do falecimento de Eric Carr, só nos resta a saudade. O baterista que esteve no Kiss de 1980 até 1991 era dono de um grande carisma e raro talento não apenas na batera, como também nos vocais. Em dez anos de atividade com a banda – esteve internado durante boa parte de 1991 –, gravou sete discos e fez mais de 800 shows pelo mundo afora.
Essa postagem traz o registro de um concerto importante em meio a essa infinidade acima listada. Após tanta instabilidade, o Kiss parecia estar ganhando forças novamente. O novo álbum, “Animalize”, estava batendo recordes de vendas e se tornou, rapidamente, o mais vendido desde “Alive II”, de sete anos atrás.
Com a popularidade de volta, os ex-mascarados encararam, no dia 8 de dezembro de 1984, uma apresentação na arena Cobo Hall, consagrada por ter sido palco do clássico “Alive!”, de 1975. No mesmo dia, o guitarrista Bruce Kulick, que permaneceu até 1995 na line-up, foi oficializado publicamente como integrante da banda, em substituição a Mark St. John, diagnosticado com síndrome de Reiter.
Nessa noite, o Kiss funcionou melhor do que nunca. O performático Paul Stanley estava a mil por hora, cantando muito e se portando como um rockstar nato. Apesar de perdido no aspecto visual, Gene Simmons manda muito bem. Inspirado, Bruce Kulick debulha as seis cordas e Eric Carr é um baterista muitíssimo acima da média: tem uma pegada monstruosa e velocidade atípica entre os instrumentistas do gênero.
O concerto foi registrado pela MTV e aproveitado para o lançamento de um VHS no ano seguinte, em 1985, o que dispensa comentários em relação à qualidade de som deste arquivo. O curioso é que uma versão em DVD nunca foi lançada de forma oficial. A única disponível em todo o mundo é uma bootleg (supostamente ilegal) de origem brasileira, comercializada sem problemas em várias redes de supermercado e bancas de jornal no Brasil.
A capa do DVD “quase-oficial”
O repertório foi muito bem escolhido, com clássicos aliados às músicas mais recentes do grupo. Entre os destaques, estão as raras Under The Gun e Thrills In The Night, pouco executadas até mesmo durante essa turnê; as excepcionais Black Diamond e Young And Wasted, que contam com os vocais de Carr; a paulada War Machine, com incrível performance de Kulick; e a sempre sensacional Love Gun. Vale a pena!
01. Intro 02. Detroit Rock City 03. Cold Gin 04. Creatures Of The Night 05. Fits Like A Glove 06. Heaven's On Fire 07. Thrills In The Night 08. Paul Stanley's Guitar Solo 09. Under The Gun 10. War Machine 11. Eric Carr's Drum Solo 12. Young And Wasted 13. Gene Simmons' Bass Solo 14. I Love It Loud 15. I Still Love You 16. Love Gun 17. Lick It Up 18. Black Diamond 19. Rock And Roll All Nite
Paul Stanley – vocal, guitarra Gene Simmons – vocal, baixo Bruce Kulick – guitarra Eric Carr – bateria, backing vocal, vocal em 11 e 17
Depois do excelente Bitten By The Beast, álbum solo de David ‘Rock’ Feinstein lançado ainda no ano passado, era grande a expectativa pelo disco que marcaria a volta do The Rods. Principalmente porque, mais uma vez, teríamos participação póstuma do mestre Ronnie James Dio em uma faixa. Mas não era só isso, já que a banda do primo do homem também conta com uma discografia de respeito na cena Heavy, com clássicos do estilo como Wild Dogs e In The Raw. Portanto, não faltavam atrativos que justificassem a ansiedade. Mas valeu a pena esperar?
Os riffs de “Raise Some Hell” já respondem em grande parte à dúvida, junto com seu refrão típico dos bons tempos do Rock de arena. O clima festeiro prossegue em “I Just Wanna Rock”, chegando a lembrar AC/DC, com direito a espancamento de categoria por parte de Carl Canedy. “Rebels Highway” justifica o nome com sua cara de Rock estradeiro com pegada Heavy, pronta para conquistar o ouvinte. Mais oitentista impossível! O início de “Ride Free Or Die” é totalmente chupinhado de “Damage Case” do Motörhead e o clima leva o ouvinte diretamente aos anos 1970, com direito a citações especiais àqueles tempos.
Mas chega a hora de “The Code”. Aí é preparar os lenços e ouvir mais uma vez o magnífico Dio soltar a voz como só ele sabia. E o estilo Tony Iommi dos riffs faz a saudade apenas aumentar mais. Parece que o Sabbath da era Mob Rules, com a volta daquela pegada Doom, voltou com força total. O ouvinte fica simplesmente paralisado ao escutar. E os backing vocals de Feinstein apenas aumentam a emoção. E nessa faixa temos um verdadeiro espetáculo particular de Gary Bordonaro, fazendo o baixo praticamente ganhar vida própria na parte final.
Uma batida mais cadenciada em “Livin' Outside The Law” ajuda a manter o ritmo variado na medida certa. Pé no acelerador com “Let It Ripp”, Heavy Metal em sua mais pura definição, pronta para fazer o ouvinte ter um torcicolo. Em “Fight Fire With Fire” volta o clima Hard setentista, com David mandando seus vocais característicos. “Madman”, a mais curta de todas, segue uma linha atual, com sonoridade buscando se alinhar ao Rock pesado dos tempos modernos e se saindo bem, embora deva confessar que foi a que menos gostei.
Na reta final, temos “Runnin Wild”, com uma intro fulminante de bateria desembocando em um som que define a expressão clássica em sua concepção. Fechando de vez, a faixa-título, com David mostrando toda sua potência nas seis cordas, soando como uma versão mais pesada de Billy Gibbons, algo próximo a Ted Nugent, impressão aumentada pelo estilo do riff. Assim termina um grande disco, mostrando que algumas coisas estão no sangue da família e merecem ser cultuadas. Obrigatória a conferida, especialmente para quem sente a falta do “maior baixinho do mundo”!
David ‘Rock’ Feinstein (vocals, guitars) Garry Bordonaro (bass) Carl Canedy (drums)
01. Raise Some Hell 02. I Just Wanna Rock 03. Rebels Highway 04. Ride Free Or Die 05. The Code (feat. Ronnie James Dio) 06. Livin' Outside The Law 07. Let It Ripp 08. Fight Fire With Fire 09. Madman 10. Runnin Wild 11. Vengeance
Como a Combe do Iommi não é um blog apenas de Metal ou Hard, nada melhor do que disponibilizar aqui um álbum que venho ouvindo muito durante esses dias. Aliás, de primeira, já direi: falar da competência e talento de Michael Jackson é chover no molhado, e penso que é ainda mais desnecessário falar sobre sua vida e começo da carreira. Então, partirei logo ao disco em questão.
Ele já havia saído dos Jackson Five e quando estava prestes a completar vinte anos, também saiu da aba do pai, o que era uma espécie de declaração de independência para ele. E embora já tivesse quatro discos na bagagem, era hora de mostrar um crescimento tanto físico e mental quanto musical. E quando Michael foi apresentado ao renomado produtor Quincy Jones, que trabalhara com Frank Sinatra, Ray Charles, Ella Fitzgerald e outros grandes nomes da música, não houveram dúvidas: começaria ali seu reinado como Rei do Pop.
"Off The Wall" foi a decolagem de Jackson para o mundo todo, quebrando a barreira entre a Pop Music branca e a negra. O disco incorpora também elementos da Disco Music e alguma coisa do Funk, o que faz ser uma tarefa difícil não dar alguns "passinhos" de dança durante a audição. Pop feito para vender e ser digerido com facilidade mas, ainda assim, primando pela qualidade.
Com aquele espírito tipicamente "discoteca" da década de 70 (que pode ser conferido no vídeo acima), "Off The Wall" tem uma coleção de clássicos muitíssimos populares do norte-americano como Don't Stop 'til You Get Enough, a festeira faixa-título, a comovente She's Out of My Life eRock With You (uma das que mais gosto, particularmente). Essas e todas as faixas restantes da obra provam que a diversão é constante por aqui. E, que se saliente: vicia.
"Off The Wall" teve 20 milhões de cópias comercializadas até o momento. Em seguida, viria "Thriller", "Bad", "Dangerous" e mais alguns milhões vendidos.
Ouça sem compromisso e não faça julgamentos precipitados. Quer um som divertido e de alta categoria? Aqui está minha recomendação. Enjoy!
Michael Jackson - vocais, co-produção Larry Carlton - guitarras Marlo Henderson - guitarras Randy Jackson - percussão Michael Boddicker - teclados, sintetizadores George Duke - teclados, sintetizadores David Foster - teclados, sintetizadores Greg Phillinganes - teclados, sintetizadores Steve Porcaro – teclados, sintetizadores Gary Grant - trompete Kim Hutchcroft - trompete, saxofone, flauta William Reichenbach - trombone Louis Johnson - baixo John Robinson - bateria
01. Don't Stop 'til You Get Enough 02. Rock With You 03. Workin' Day And Night 04. Get On The Floor 05. Off The Wall 06. Girlfriend 07. She's Out of My Life 08. I Can't Help It 09. It's The Falling In Love 10. Burn This Disco Out
A evolução da discografia do Pantera é muito interessante. Os três primeiros discos dos caras, ainda com o vocalista Terry Glaze, apresentavam uma sonoridade completamente genérica. A coisa começou a mudar com a entrada de Phil Anselmo no lugar de Glaze, mas ainda estavam na farofeira no álbum “Power Metal”. O sucessor, “Cowboys From Hell”, apresentou uma mudança drástica, porém incompleta, de sonoridade. Agora o quarteto fazia Heavy Metal, que ficou mais pesado e grooveado em “Vulgar Display Of Power”. O álbum dessa postagem apresenta, finalmente, um ponto final nessa transição.
Antes mesmo do lançamento de “Far Beyond Driven”, a carreira do Pantera poderia ser representada em uma reta ascendente. Mesmo com as crises pessoais, principalmente de Anselmo, a popularidade dos caras só crescia devido ao sucesso de seu disco antecessor. Não era pra menos, pois em tempos de pouca originalidade, os sulistas apresentavam metal agressivo, de qualidade e com identidade.
Com esse registro, que chegou às prateleiras em março de 1994, a situação melhorou em diversos aspectos. “Far Beyond Driven” firmou a criação do chamado Groove Metal, que estava sendo desenvolvido em “Vulgar Display Of Power”. A partir desse novo play, as músicas do quarteto passavam a ter ainda mais foco no ritmo e no peso do que na complexidade e na velocidade. O som único aqui apresentado só endossa a genialidade dos envolvidos, desde o "berreiro" de Phil Anselmo, passando pela criatividade do guitarrista Dimebag Darrell, até chegar na rítmica incrível da cozinha comandada pelo baixista Rex Brown e pelo baterista Vinnie Paul.
A progressão da identidade musical do Pantera finalmente chegava a um estágio máximo e isso se refletiu na repercussão do álbum. “Far Beyond Driven” é considerado o primeiro disco de uma banda de Heavy Metal a estrear em primeiro lugar nas paradas norte-americanas. A popularidade chegou ao ponto de músicas do grupo rolarem com frequência na MTV e em rádios do mundo todo. Um grande feito para esses metaleiros competentes, perdidos no meio grunge/alternativo. Prepare a bateção de cabeça e confira!
01. Strength Beyond Strength 02. Becoming 03. 5 Minutes Alone 04. I'm Broken 05. Good Friends And A Bottle Of Pills 06. Hard Lines, Sunken Cheeks 07. Slaughtered 08. 25 Years 09. Shedding Skin 10. Use My Third Arm 11. Throes Of Rejection 12. Planet Caravan (Black Sabbath cover) 13. The Badge (Poison Idea cover • Japanese bonustrack)
Phil Anselmo – vocal Dimebag Darrell – guitarra, backing vocals Rex Brown – baixo, backing vocals Vinnie Paul – bateria
No mundo da Música Extrema, gêneros e subgêneros são uma constante. E entre tantas definições e rótulos criados, um dos mais notáveis é o tão amado e odiado Grindcore, uma espécie de som que mescla elementos do Hardcore/Punk com os do Death Metal, ou seja: brutalidade elevada ao quadrado. Não entrarei no mérito de quem foi o responsável pela criação desta verdadeira desgraceira sonora, mas sem dúvidas uma das grandes referências no assunto são os ingleses do Napalm Death, que estão desde o início da década de 80 destruindo tudo e todos.
"Scum" (1987)foi sua estreia e até hoje é considerado uma das obras mais violentas da história da música. A banda já contava com mudanças de formação na bagagem e uma série de demo-tapes, e o debut foi gravado com duas formações diferentes (!). Isso seria um problema ao decorrer da carreira da banda, que acabou ficando totalmente desfigurada e atualmente não possui nenhum membro original no line-up.
Uma coisa que os difere da grande maioria dos grupos que praticam o estilo são as letras altamente politizadas, que criticam o fascismo e a pobreza que atingia a população, tudo isso da maneira mais direta o possível, tanto sonoramente quando liricamente. Sendo assim, se você está a procura de técnica, produção cristalina e sons leves, passe longe.
O próximo lançamento da banda seria "From Enslavement To Obliteration" e conteria a formação que gravou as faixas 13 a 28 do registro que trago para vocês (com exceção de Jim Whitely, cujo substituto foi Shane Embury). Já em 1990, ocorreu a entrada do ótimo Mark "Barney" Greenway, que prossegue até hoje com o Napalm.
É interessante dizer que a sonoridade dos ingleses sofreria mudanças, contando com composições bem maiores e elaboradas e a influência cada vez mais notável do Death Metal, mas sem nunca se distanciarem do Grind, algo que eu particularmente acho muito bom. No mais, sem destaques (até porque as faixas não se diferenciam muito). Só digo para que você se prepare para o headbang!
C-L-Á-S-S-I-C-O!
(Faixas 1-12)
Nik "Napalm" Bullen - vocais Mick Harris - bateria Justin Broadrick - guitarras (Faixas 13-28) Lee Dorrian - vocais Bill Steer - guitarras Jim Whitely - baixo Mick Harris - bateria
Sem dúvida uma das grandes referências do Hard Rock/AOR norte-americano com vocais femininos da virada dos 1980 para os 90s se chamava Sandi Saraya. Munida de sonhos e um talento muito acima da média, a cantora de New Jersey uniu-se ao tecladista Gregg Munier para formar uma banda, que inicialmente se chamaria Alsace Lorraine (nome de uma das faixas deste play). Partiram para Los Angeles, onde a cena realmente acontecia, mas nada de empolgante surgiu. Sendo assim, voltaram para casa, mas continuaram trabalhando em material para um futuro disco, sem perder a esperança de que o destino mudasse.
A grande virada aconteceu quando uma Sandy (sim, desta vez com y) cruzou o caminho dos músicos. Tratava-se de Sandy Lizner, que se tornou grande colaboradora, cuidando da parte de divulgação e conseguiu o tão sonhado primeiro contrato com uma gravadora. Logo, viu-se que a idéia de explorar a imagem da vocalista poderia trazer maior retorno em um curto espaço de tempo. Sendo assim, o grupo passou a levar seu sobrenome. Para completar o time, a dupla se abasteceu de três figuras que já tocavam juntas no grupo NYC, liderado pelo ex-tecladista do Foreigner, Al Greenwood, além de uma rápida passagem com Joe Lynn Turner, antes de ele se juntar a Yngwie Malmsteen.
O mais conhecido era o guitarrista Tony Rey, que anos mais tarde passaria a assinar Tony Bruno e teve como maior momento na carreira uma passagem rápida pelo Danger Danger. E ele acaba sendo o grande destaque do álbum, encaixando riffs e solos de muito bom gosto nas composições de Sandi e Gregg. Dois singles foram lançados. Primeiro, para a potente faixa de abertura, “Love Has Taken It's Toll”, que alterna passagens acústicas com uma pegada fulminante. A seguir, foi a vez de “Back To The Bullet”, hit certeiro, com seu belo potencial radiofônico, que acabou se confirmando, ao menos, na terra natal da banda.
O disco obteve repercussão razoável, em um desempenho considerado satisfatório por todos os envolvidos. A exposição rendeu ao Saraya o convite para figurar na trilha sonora do filme Shocker. Infelizmente, mudanças na formação e no mercado musical impediram que o segundo trabalho obtivesse maior êxito. Sandi ainda figuraria na cena graças a seu casamento com o baixista do Tesla, Brian Wheat, além de esporádicas participações em outros projetos. Mas a promissora história de sua banda ficaria restrita ao underground do gênero. De qualquer modo, temos aqui um ítem indispensável na coleção de qualquer admirador de um Hard Rock com vocais femininos.
Sandi Saraya (vocals) Tony Rey (guitars) Gary Taylor (bass) Gregg Munier (keyboards) Chuck Bonfante (drums)
01. Love Has Taken It's Toll 02. Healing Touch 03. Get U Ready 04. Gypsy Child 05. One Night Away 06. Alsace Lorraine 07. Runnin' Out of Time 08. Back to the Bullet 09. Fire to Burn 10. St. Christopher's Medal 11. Drop the Bomb
O Whitesnake foi findado em 1991 pois seu líder, David Coverdale, anunciou que se retiraria do meio musical – pela primeira vez, pois essa história se repetiria por duas vezes no futuro. Nem um pouco a fim de parar, três integrantes remanescentes – o guitarrista Adrian Vandenberg, o baixista Rudy Sarzo e o baterista Tommy Aldridrge – uniram forças para uma nova banda, nomeada Manic Eden.
Inicialmente, os vocais seriam assumidos por James Christian, frontman do House Of Lords que estava trabalhando com Aldridge no momento. Mas pouco antes da banda se firmar, desentendimentos aconteceram e Christian largou o posto para Ron Young, ex-vocalista do Little Caesar. Assinaram o contrato com o selo japonês Victor Entertainment, afiliada à RCA, e o álbum, auto-intitulado, saiu em março de 1994.
O primeiro e único disco do Manic Eden segue uma linha bem diferente que o Whitesnake que esse trio participou (o mesmo de “Slip Of The Tongue”). O Hair Metal farofa deu lugar a um som grooveado e blueseiro. A proposta do conjunto, aliás, é uma salada mista: há a mistura do suíngue, do Blues, do Hard Rock clássico e de pitadas do oitentista – talvez pelos refrães grudentos e nada mais.
As composições, muito inspiradas, mostram que Adrian Vandenberg se sai melhor com uma leve distorção, uma palhetada livre e uma Stratocaster estalada e digna dos grandes nomes do Blues. A cozinha de Tommy Aldridge e Rudy Sarzo é competente e atribui tudo o que as músicas precisam, sem pecar pelo excesso. A voz de Ron Young dá a última pitada, com rouquidão e identidade própria.
A repercussão do disco foi tímida e, até onde se sabe, a banda mal chegou a entrar numa turnê de divulgação até que Coverdale, recém-saído de um projeto com Jimmy Page, o Coverdale/Page, decidisse retomar as atividades do Whitesnake. A reunião envolveu apenas Vandenberg e Sarzo, deixando o genial Aldridge de fora, que ficou de mãos abanando juntamente de Young. Apesar do pouco sucesso, o único registro do Manic Eden é, com certeza, uma verdadeira jóia rara do estilo.
A música acima ganhou um videoclipe, mas este é impossível de ser achado na web!
01. Can You Feel It 02. Gimme A Shot 03. Fire In My Soul 04. Do Angels Die 05. Pushing Me 06. Dark Shade Of Grey 07. Keep It Coming 08. When The Hammer Comes Down 09. Ride The Storm 10. Can't Hold It
Ron Young – vocal Adrian Vandenberg – guitarra, teclados Rudy Sarzo – baixo Tommy Aldridge – bateria, percussão
Músicos adicionais: CeCe White – backing vocals Sara Taylor – backing vocals Chris Trujillo – percussão
Primeiramente, falar da importância do Free (principalmente para o Hard Rock) é chover no molhado.
Essa instituição do rock'n'roll foi formada em 1968 por quatro adolescentes que não passavam dos 18 anos e, apesar do sucesso ter vindo realmente com o clássico Fire And Water (1970), desde o primeiro trabalho feito por esse time a qualidade era imensa. Tons of Sobs de 1968 foi o debut e é tão bem feito que chega a ser inacreditável que a banda fosse formada apenas por jovens. Talento nato.
O primeirão dos ingleses é Blues Rock puro: feeling transbordando a cada faixa. Aliás, a guitarra de Paul Kossoff foi uma das coisas que mais me chamaram atenção no play; um daqueles "homem-riff", sem dúvidas. A versão que vos trago é uma reedição excelente e cheia de coisas interessantes como bônus.
"Over The Green Hills part I" tem um lirismo impressionante e, apesar de diferir do restante do LP, é excelente. "Worry" tem uma bateria porrada e possui doses bem equilibradas de peso, que não acabam com a essência Blues/Classic da faixa. Paul Rodgers se mostra competente nos microfones, mas um pouco diferente do que viria nas obras posteriores. "Walk In My Shadow" tem riff e refrão que grudaram na minha cabeça. O mesmo para "Wild Indian Woman".
A arrastada "Goin' Down Slow" continua com a competência, e desta vez temos Rodgers investindo um pouco mais nos agudos que passariam a ser uma característica marcante em seus vocais. O piano ganha uma atenção mais especial na composição, fazendo a alegria dos bons amantes do Blues Rock. "I'm A Mover" tem certos toques do Hard (algo que seria bem explorado nos dois discos seguintes) e uma linha de baixo hipnotizante.
"Moonshine" é uma balada com recheio melancólico. A interpretação do futuro Bad Company é impagável e de uma beleza indescritível. "Sweet Tooth" é simplesmente excepcional; ao final, é inquestionável o talento dos caras.
Os bônus são pepitas retiradas de sessões, outtakes e etc. Vale pela curiosidade.
O sucesso não foi conquistado, nem com esse, nem com o auto-intitulado (que também será postado mais cedo ou mais tarde). Mas é genial. Recomendo ao máximo.
Paul Kossoff - guitarra Paul Rodgers - vocal Simon Kirke - bateria Andy Fraser - baixo
01. Over The Green Hills part I 02. Worry 03. Walk In My Shadow 04. Wild Indian Woman 05. Goin' Down Slow 06. I'm A Mover 07. The Hunter 08. Moonshine 09. Sweet Tooth 10. Over The Green Hills part II Faixas-bônus: 11. I'm A Mover (BBC session) 12. Waitin' On You (BBC session) 13. Guy Steven's Blues 14. Moonshine (alternative vocal) 15. Sweet Tooth (early take & alternative vocal) 16. Visions of Hell 17. Woman By The Sea 18. Over The Green Hills (BBC session)
A nova geração definitivamente não tem medo de esconder suas preferências. Enquanto por muito tempo criou-se um abismo separando o Hard Rock oitentista do resto do mundo, hoje a influência é assumida e muito bem recebida. Como podemos ver no caso do The Magnificent, projeto encabeçado pelo vocalista Michael Eriksen, conhecido na cena metálica pelo seu trabalho no Circus Maximus. Aqui, em parceria com Torsti Spoof (Leverage), ele escancara outra faceta de sua personalidade musical, mostrando um trabalho que mescla sonoridade de grupos atuais com as lendas do estilo. Para melhorar, ainda há bem-vindos toques Heavy pontuais nas faixas, especialmente nas guitarras.
Aliás, já ficou repetitivo, mas é sempre necessário destacar como os escandinavos produzem material de qualidade nesse gênero com facilidade. E Michael não deixou de colocar elementos que lembram conterrâneos, como Europe, Talisman e Treat, apenas para ficar nos casos mais famosos. Mas isso não seria nada sem o conteúdo. Sendo assim, faixas certeiras como “Holding On To Your Love”, “Cheated By Love” (refrão para sair cantando junto) e o belo hino AOR “Memories” justificam plenamente a empolgação do ouvinte. A balada “Angel” é o crime perfeito para qualquer adepto do estilo. Cara de hit que poderia ser radiofônico em outros tempos. Hoje será apenas nas playlists.
“Satin & Lace” lembra o W.E.T., enquanto “Love’s On The Line” soa como um tributo aos heróis do estilo. Ainda remetendo ao passado, “Bullets” parece ter saído dos bons tempos do Phenomena, com passagens vocais marcantes. E o que Torsti faz no solo desta faixa é de tirar o fôlego. As melodias indefectíveis de “Smoke & Fire” e “Tired Of Dreaming” ajudam a manter a audiência no clima. Já “If It Takes All Night” é aquele tipo de balada que faria a festa da minha geração nos tempos de pré-adolescência, nas danças de bailinhos. Depois da calmaria, a tempestade – no bom sentido – com “Lost”, apropriada para pular e cantar junto em um show. Encerrando, a calma “Harvest Moon”, que seria trilha de algum filme da Sessão da Tarde em outros tempos.
Fazendo uma análise geral, colocando prós e contras na balança e estabelecendo as comparações devidas, dá para dizer sem medo de errar: é do The Magnificent o troféu de álbum do ano na categoria AOR! Item obrigatório na coleção dos fãs do estilo. E mais uma prova da capacidade dos músicos atuais, que souberam não se ater a pré-conceitos estabelecidos por quem sugou tudo que um gênero ofereceu e depois o marginalizou.
Michael Eriksen (vocals) Torsti Spoof (guitars, keyboards) Sami Norbacka (bass) Jukka Karinen (keyboards) Rolf Pilve (drums)
01. Holding On To Your Love 02. Cheated By Love 03. Memories 04. Angel 05. Satin & Lace 06. Love's On The Line 07. Bullets 08. Smoke & Fire 09. Tired Of Dreaming 10. If It Takes All Night 11. Lost 12. Harvest Moon
O que dizer da banda que revelou Steve Marriot e Peter Frampton para o mundo?
Steve Marriot foi o cara que quase ocupou o posto de vocalista do Led Zeppelin, em uma formação que traria Keith Moon na bateria.
Peter Frampton foi o cara que gravou o disco ao vivo mais vendido da história do rock: Frampton Comes Alive.
Bem, me resta dizer que o melhor disco do Humble Pie NÃO traz Peter Frampton e, antes que algum sabichão diga que este não é o melhor disco da banda, eu lhe darei um conselho: limpe suas orelhas e ouça novamente.
Eu sei, eu sei. Pareço petulante com tal afirmativa, mas ouça As Safe As Yesterday, já postado aqui pelo grande Pedro Frasson, e ouça Smokin’, a postagem de hoje. As diferenças são gritantes.
A banda deixou de lado as tentativas de soar como uma banda de blues de Chicago sediada do outro lado do Oceano Atlântico e passou a cuspir fogo, botando pra fora toda a sua fúria hardeira. Muito se deveu à substituição de Peter Frampton pelo grande Clem Clempson, que posteriormente ficou famoso por ter perdido para Tommy Bolin a vaga de substituto de Ritchie Blackmore no Deep Purple.
Não que Frampton seja ruim, ou que os discos com ele não tenham poder de fogo. Muito pelo contrário, afinal, o ao vivo no Filmore é não menos que sensacional. Mas com Smokin’ o foco era outro. Parece que Marriot resolveu aproveitar a saída do guitarrista original para trazer à tona os riffs que guardava na sacola. Os vocais também não eram mais divididos entre três, e ele passou a ser o líder criativo do Humble Pie.
Hot’n’Nasty abre com aquele cowbell podre de sem vergonha e um wah wah mágico. Mistura certeira para abrir os trabalhos, completada por um piano boogie e os vocais gritados de Marriot. O grande Stephen Stills faz a sua aparição especial com um Hammond certeiro e seus backing vocais já conhecidos dos apreciadores do folk. O que estava por vir no restante do play parecia ser bom, afinal, a abertura era de arrancar o escalpo.
The Fixer vem com um riff a la Free, preguiçoso e arrastado, que confirmava a sensação da faixa de abertura. Volto a afirmar: os melhores riffs do Humble Pie estão aqui, e Marriot grita como se quisesse mostrar que o posto original do microfone do Led Zeppelin era originalmente dele. Polemizando, devemos nos lembrar sempre que Plant veio depois de Marriot, que, na época da formação da banda, era egresso do Small Faces e deixou a ideia de Page de lado para formar o Humble Pie. Ah, terra de gigantes.
You’re So Good For Me é a levada de violão perfeita para ouvir dentro de casa num dia de sol, enquanto os raios do astro rei batem na cortina para fazer aquele caleidoscópio chapante. O Hammond entra na hora certa para dar um clima gospel que, sabemos, é forçado mas se encaixa com perfeição ao contexto.
C’mon Everybody, da lenda Eddie Cochran, tem riff roqueiro distorcido e uma vocalização que a torna quase irreconhecível à primeira audição. Mas é ela, e tocada de forma fantástica. Ouça o atraso de Marriot ao acompanhar os backings no primeiro refrão. Erro que faz parte da música; sem edições de Pro Tools; e é lindo, orgânico e musical.
A grande 30 Days In The Hole é aquela mesma, que o Mr. Big canta até hoje em seus shows. Preciso comentar? Outra cover é Road Runner, de Junior Walker, em versão guitarrística de alto ganho.
Se você não conhece Humble Pie, ou acha que essa é a primeira banda de Peter Frampton, saiba que tudo ficou melhor sem o loirinho pimposo.
Dê um jeito de arrumar um Dodge Charger e bote isso aqui pra rolar. Pegue emprestado, compre, roube, sei lá, dê jeito! Imagine que você é protagonista do enlatado Supernatural e saia catando monstros por aí.
Ah! Nunca use fones de ouvido. Isso aqui é coisa para alto falantes, beibe.
Track List
1. "Hot 'n' Nasty" (Humble Pie/Marriott) 2. "The Fixer" (Clem Clempson/Steve Marriott/Jerry Shirley/Greg Ridley) 3. "You're So Good for Me" (Marriott/Ridley) 4. "C'mon Everybody" (Capehart/Cochran) 5. "Old Time Feelin'" (Traditional) 6. "30 Days in the Hole" (Marriott) 7. "(I'm A) Road Runner" (Holland-Dozier-Holland) B) "Road Runner's 'G' Jam" (Clem Clempson/Steve Marriott/Jerry Shirley/Greg Ridley) 8. "I Wonder" (Cecil Gant/Raymond Leveen) 9. "Sweet Peace and Time" (Marriott/Ridley/Shirley)
Steve Marriott (vocais, guitarras, teclados) Clem Clempson (guitarras, teclados, vocais) Greg Ridley (baixo, vocais) Jerry Shirley (bateria, teclados)
Alexis Korner (vocais, mandolin em "Old Time Feeling") Stephen Stills (órgao, backing vocais em "Hot 'n' Nasty") Doris Troy (backing vocais em "You're So Good for Me") Madeline Bell (backing vocais em "You're So Good for Me")
O Opeth vem se mostrando cada vez mais como uma das bandas mais criativas do cenário metálico, principalmente através do seu mais recente lançamento, "Heritage", de que gostei muito. Com uma carreira já sólida na bagagem (o primeiro disco dos suecos, "Orchid", é de 1994), a sonoridade praticada pelo quarteto é algo irrotulável porque as influências são vastas, e vão desde o Hard Rock setentista à Música Erudita.
Esssa variedade de influências musicais faz do som do Opeth algo inexplicavelmente genial e inesperado. E "Watershed", primeiro com o baterista Martin Axenrot,demonstra isso muito bem, com alternâncias entre a velocidade e brutalidade do Death Metal e a calmaria do Folk Metal. O resultado é de uma qualidade acima da média.
A acústica "Coil" é uma das mais simples do registro. Mikael Åkerfeldt (que também toca violão na faixa) divide os microfones com a agradável Nathalie Lorichs enquanto violinos criam uma atmosfera extremamente melódica e viciante. Já em "Heir Apparent" a paulada corre solta e pela primeira vez no disco Mikael faz uso de guturais; isso apenas na primeira parte da composição. Em "The Lotus Eater", ele mostra sua versatilidade vocal.
"Burden" e "Porcelain Heart" possuem uma melodia bonita e são duas das minhas prediletas. A mistura de violões com guitarras em "Hessian Peel" é notável por criar um contraste belíssimo. "Hex Omega" segue a receita experimental do grupo e encerra com chave de ouro um dos melhores trabalhos dos anos 2000.
Recomendado para quem quer experimentar coisas novas e diferentes. O talento de Åkerfeldt e seus companheiros, para mim, é inegável; confira você mesmo.
Mikael Åkerfeldt - vocais, guitarras, violões Fredrik Åkesson - guitarras Martin Mendez - baixo Martin Axenrot - bateria Músicos adicionais: Per Wiberg - Mellotron, Hammond, piano Nathalie Lorichs - vocais em "Coil" Karin Svensson - violino Andreas Tengberg - cello Christoffer Wadenstein - flauta
Por motivos óbvios, há um abismo entre o espanhol Javier Vargas e a lenda viva Jeff Beck. Portanto, não espere nesse disco uma recriação do lendário Beck, Bogert & Appice. A semelhança termina no nome da empreitada – sem contar a versão para “Lady” que o play – que reúne a cozinha do Vanilla Fudge mais uma vez. Além disso, o que temos aqui é um álbum de covers. Ou seja, a coisa tem um clima bem mais descontraído, o que contribui decisivamente para a apreciação. Completando a trupe temos a participação de Paul Shortino nos vocais, mostrando que a união do vocalista com Carmine no King Kobra rendeu frutos mais que valorosos.
Após a já citada música do BBA, temos “Surrender”, do Cheap Trick. É verdade que 99,999999% dos que fazem um cover do grupo escolhem essa. Mas não tem como esse hino do Rock ficar ruim. O swing de “Right On” casou muito bem com a proposta, dando espaço para os envolvidos mostrarem um pouco do que sabe. Na seqüência, uma homenagem aos saudosos Gary Moore e Phil Lynott em uma correta versão para “Parisienne Walkways”. Depois, a cozinha relembra o Vanilla Fudge com “You Keep Me Hangin’ On”.
Um dos grandes momentos acontece logo a seguir, com “Soul Of Love”, de Paul Rodgers. Além do belíssimo instrumental, Shortino oferece sua melhor performance em todo o trabalho. Sem dúvida, digno do homenageado, um dos maiores de todos os tempos. “Black Night” vem com uma pisada no freio, mas conservando a melodia original. Mas aliviada, com certeza, é algo que não combina com AC/DC. Por isso, “It’s A Long Way To the Top” dá uma injeção de adrenalina, com passagens de teclado que não a descaracterizam.
Alguns podem não saber, mas Rod Stewart foi um dos melhores cantores de Rock da história. E Carmine Appice relembra seus tempos ao lado do primeiro vocalista inglês a traçar a Luciana Gimenez na baladaça “Tonight is the Night”, outra faixa em que brilha a estrela de Paul Shortino. Para fechar, uma surpresa das mais agradáveis, já que “Over My Shoulder”, do Mike & The Mechanics” é um som mais recente e que tocou muito nas rádios durante a infância/adolescência deste que vos escreve. Bela sacada do grupo resgatar essa.
Álbum para se ouvir sem maiores compromissos, diversão garantida, nem que seja pelas lembranças do passado. Apenas acho que deveriam ter incluído Shortino como membro efetivo, já que sua participação é excelente. Mas nada que comprometa o saldo final.
Paul Shortino (vocals) Javier Vargas (guitars) Tim Bogert (bass) Carmine Appice (drums) Tim Mitchell (keyboards)
01. Lady (Beck, Bogert, Appice) 02. Surrender (Cheap Trick) 03. Right On (Ray Barretto) 04. Parisienne Walkways (Gary Moore & Phil Lynott) 05. You Keep Me Hangin' On (Vanilla Fudge) 06. Soul Of Love (Paul Rodgers) 07. Black Night (Deep Purple) 08. It´s A Long Way To The Top (AC/DC) 09. Tonight Is The Night (Rod Stewart) 10. Over My Shoulder (Mike and The Mechanics)