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segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Silverchair – Freak Show [1997]


O sucesso prematuro do Silverchair trouxe consequências positivas e negativas para seus integrantes. Obviamente, a fama e o dinheiro contam positivamente, mas o deslumbramento com todo esse novo mundo nem sempre é uma boa para jovens de 16 anos. Até processo os rapazes sofreram, por supostamente induzir dois jovens a assassinarem os pais de um deles, bem como seu irmão mais novo, através da letra de Israel's Son, do debut “Frogstomp”.

Esse deslumbramento inspirou o título do próximo trabalho dos australianos, que acreditavam vivenciar um “show de aberrações” após o estouro comercial. Musicalmente, “Freak Show” começa a trilhar o caminho que seria seguido nos trabalhos posteriores. O peso de seu antecessor está presente na maioria das canções, bem como o clima tenso e até depravado do play, mas o experimental e a acessibilidade melódica ganham maior espaço no geral.



A evolução natural do trio como musicistas e compositores se mostra parcial em “Freak Show” porque, além das raízes Heavy nunca terem ficado de lado, várias canções antigas existiam no passado, nos tempos de “Frogstomp”, como as faixas de abertura Slave e Freak, a visceral No Association e a densa Nobody Came, que parece ser uma faixa perdida do sucessor “Neon Ballroom”.

Mas há músicas que o lado Pop envereda, como na orquestrada Cemetery, na quase acessível Abuse Me e em Pop Song For Us Rejects, com previsão no título. A balada Petrol & Chlorine merece destaque no aspecto experimental, principalmente pelo uso de instrumentos pouco usuais, como violoncelo e sitar. Vale lembrar, inclusive, que o fator lírico se aprimorou e permaneceu abordando temáticas obscuras como morte, abuso de drogas e suicídio.



Apesar de seu cunho transitório, “Freak Show” é linear e transmite a mesma ideia de seu antecessor: três moleques depravados e esquisitos fazendo som. As vendas foram um pouco menores, mas o êxito comercial foi mantido e o Silverchair continuava uma promessa para o Rock. Não é pra menos, pois trata-se de um álbum poderoso e fantástico. Basta o ouvinte esquecer que “é a banda da balada Miss You Love” que haverá um consenso sobre esse discão.

01. Slave
02. Freak
03. Abuse Me
04. Lie To Me
05. No Association
06. Cemetery
07. The Door
08. Pop Song For Us Rejects
09. Learn to Hate
10. Petrol & Chlorine
11. Roses
12. Nobody Came
13. The Closing



Daniel Johns – vocal, guitarra, violão
Chris Joannou – baixo
Ben Gillies – bateria

Músicos adicionais:
Jane Scarpantoni – violoncelo em 6
Margaret Lindsay – violoncelo em 10
Amanda Brown e Ian Cooper – violino em 8
Lorenza Ponce, Elizabeth Knowles, Todd Reynolds and David Mansfield – violino em 6
Ravi Kutilak – violino em 10
Matthew Pierce – viola em 6
Rudi Crivici – viola em 10
Pandit Ran Chander Suman – tampura e tabla em 10
Ruk Mali – sitar em 10

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by Silver

domingo, 25 de dezembro de 2011

3 Doors Down - Another 700 Miles [2003]

3 Doors Down é uma banda de Rock Alternativo não muito conhecida que iniciou sua carreira no estado do Mississipi em 1996. Iniciada com o baterista e vocalista Brad Arnold, o guitarrista Matt Roberts e o baixista Todd Harrell, o grupo alcançou um bom reconhecimento com a música Here Without You, além de dividir palco com a grande banda Lynyrd Skynyrd.

No ano de 2002, lançaram o seu segundo álbum: Away from the Sun e com os singles Here Without You e When I'm Gone conseguiram uma grande fama nos Estados Unidos e também na Austrália. Logo um ano depois, lançaram um EP ao vivo, alvo da minha postagem: Another 700 Miles.

Esse EP ao vivo é uma gravação de um show da banda em Chicago e o mesmo foi premiado com Disco de Ouro nos Estados Unidos. E aqui só tem musicão, algumas com letras na qual contém romantismo, o que vemos em When I'm Gone e Here Without You, mas também há as canções com guitarras distorcidas, como Duck And Run e um ilustre cover da música That Smell do bom e velho Lynyrd Skynyrd.

Bom, essa foi uma postagem curta só pra desejar Feliz Natal pro pessoal aí e se precisar, esse disco pode servir como trilha sonora para a comer o peru, o chester, enfim.

Brad Arnold - vocal
Matt Roberts - guitarra
Chris Henderson - guitarra
Todd Harrell - baixo
(?) - bateria

01. Duck and Run
02. When I'm Gone (Intro)
03. When I'm Gone
04. Kryptonite
05. Here Without You
06. It's Not Me
07. That Smell

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Lucas

sábado, 8 de outubro de 2011

REPOST: Red Hot Chili Peppers - Blood Sugar Sex Magik [1991]

NOVO LINK PARA DOWNLOAD NOS COMENTÁRIOS!

Quem assistiu ao Rock in Rio talvez tenha a mesma opinião que eu sobre a apresentação dos Chili Peppers no festival. A banda proporcionou um dos melhores - senão o melhor - show entre os 7 dias. E exatamente no dia no qual a banda se apresentaria, o álbum Blood Sugar Sex Magik estaria completando seus 20 anos e os Peppers não dispensaram a oportunidade e tocaram a clássica faixa-título, quem viu já deve ter uma noção que o som que vocês verão por aqui é coisa louca.

Nos anos 80 e começo dos 90, o Red Hot Chili Peppers tocava simplesmente funk (não é o funk carioca, ok?) misturado com rock, com guitarras cheias de distorções fortes. Antes, tudo se passava meio que por brincadeira ao olhos da banda, mas após a morte de Slovak em 1988, as coisas começavam a mudar na carreira do grupo.

Antes do lançamento do Blood Sugar, o Red Hot ainda não tinha sucesso e fama, então estava na hora de fazer algumas alterações. Com uma mudança de gravadora, haveria mudança de produtor. Rick Rubin decidiu que ia fazer algumas alterações no jeito da banda gravar. Desse modo, foram para uma mansão que pertenceu a Rudolph Valentino, onde Rubin colocou os quatro integrantes para gravarem no mesmo quarto, frente à frente um com o outro. O uso de menos aparelhos tecnológicos também ajudou, pois assim a banda faria um som mais simples, sem muito exagero. Com as faixas prontas, estava na hora de escolher um nome para o novo disco. Escolheram a faixa Blood Sugar Sex Magik para ser a faixa-título e desde então, os caras colocam nomes de alguma música no álbum. E com Blood Sugar Sex Magik já nas lojas, algumas canções alcançaram o topo nas rádios.

Pronto. Os Chili Peppers haviam conseguido sucesso e fama. Vale lembrar que nos anos 90, o grunge estava em seu auge, mas isso não preocupou Kiedis e ele decidiu que o disco iria para as lojas sem espera. Felizmente a escolha dele foi a certa. Aproximadamente 12 milhões de cópias foram vendidas e o Red Hot começaria uma turnê que seria mais do que cansativa.

Mas antes decidiram gravar alguns clipes. O primeiro a ser gravado foi de "Give it Away", música que acompanha a banda até os dias atuais, e os fãs cobram isso: em uma setlist do Red Hot não pode faltar Give it Away.

Outras faixas ocupam seu lugar nos shows do grupo. Entre elas "Under the Bridge", a qual retrata a época em que Anthony era viciado em drogas. "Suck My Kiss" não é tão incluída nas apresentações desde que o famoso "By The Way" foi lançado, mas é uma das músicas mais conhecidas da banda (o Guitar Hero ajudou a deixar a música mais famosa). Também há as músicas que faz um bom tempo que não tocam, mas tem seu lugar registrado no Blood Sugar Sex Magik. Entre elas "If You Have to Ask", "Breaking the Girl" e "Power of Equality". No mínimo, a faixa-título foi tocada no Rock in Rio e fez a platéia toda delirar.

Bom, a história que vem depois disso vocês já devem reconhecer: turnê cansativa, saída de Frusciante e tudo mais. Só para encerrar: esse disco é muito foda, quem não baixar é porque não gosta de música boa, simples.

Anthony Kiedis (vocals)
John Frusciante (guitar)
Flea (bass)
Chad Smith (drums)

1. Power of Equality
2. If You Have to Ask
3. Breaking the Girl
4. Funky Monks
5. Suck My Kiss
6. I Could Have Lied
7. Mellowship Slinky in B Major
8. The Righteous and the Wicked
9. Give it Away
10. Blood Sugar Sex Magik
11. Under the Bridge
12. Naked in the Rain
13. Apache Rose Peacock
14. The Greeting Song
15. My Lovely Man
16. Sir Psycho Sexy
17. They're Red Hot

Por Lucas

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domingo, 2 de outubro de 2011

Smashing Pumpkins - Gish [1991]



Fui apresentado ao Smashing Pumpkins há algum tempo, pela própria Combe, ao fazer o download do clássico Siamese Dream, postado pelo Sueco. A princípio, não gostei do disco, e ele ficou mofando aqui nos meus arquivos até hoje. Depois de constatar que o som era da mais alta qualidade, parti em busca de outros discos de Corgan e companhia, e eis que me deparo com Gish, o debut dos norte-americanos que ficou meio apagado por conta do estouro de Siamese. Mas nem por isso a qualidade do primeirão é baixa.

O embrião foi o guitarrista, vocalista e principal compositor (além de ser único membro da formação original que continua na banda) Billy Corgan, que por meio de contatos e coisas mais encontrou outros três instrumentistas que aceitaram integrar o projeto. Foram várias fitas-demo e shows pelo underground de Nova York até que, em 1991, o quarteto entra em estúdio com o renomado Butch Vig para gravar Gish.


Da esquerda para a direita: James Iha, D'arcy Wretzky, Billy Corgan e Jimmy Chamberlain

O resultado da empreitada foi diferente de tudo o que foi feito por eles tempos depois. Gish (cujo nome veio da atriz Lillian Gish), apesar de ter baladas, se concentra no lado paulada da coisa, e por isso mesmo é fácil notar a evolução pela qual eles passaram até o lançamento de Siamese Dream, em 1993 (e que, curiosamente, é visto como sendo o debut deles). Se a evolução foi boa ou não, vai de cada um; eu, por exemplo, admiro os dois trabalhos.

Apesar de sua alta qualidade, o debut teve um desempenho modesto nas paradas, apenas. E isso mostra que era necessário a mudança de gravadora; afinal, se eles permanecessem na Caroline Records não iriam a lugar nenhum. Não perca mais tempo e confira esse discão! Destaco a abertura explosiva com "I Am One" (onde Corgan dá um show a parte com sua guitarra), para as diretas "Siva" e "Bury Me", para a balada "Rhinoceros", para a belíssima "Daydream" e para "Snail". Mais que recomendado!




Billy Corgan - vocais, guitarra
James Iha - guitarra
D'arcy Wretzky - baixo, backing vocals
Jimmy Chamberlain - baquetas

1. I Am One
2. Siva
3. Rhinoceros
4. Bury Me
5. Crush
6. Suffer
7. Snail
8. Tristessa
9. Window Paine
10. Daydream

Por Gabriel

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terça-feira, 13 de setembro de 2011

Morphine – Cure for Pain [1993]



Já vimos bandas que dispensaram o baixista porque o tecladista faz tudo (The Doors e Jeff Beck com Tony Hymas no maravlhoso Guitar Shop).

Já vimos power trios que inovaram a ponto de mudar o rumo da música (The Jimi Hendrix Experience), fazendo enorme sucesso (Cream) ou nem tanto assim (Robin Trower Band).

Mas o que vos apresento hoje é algo absurdamente inovador. No formato de Power Trio, com nome sugestivo e tragédia no currículo, o Morphine é uma banda que tem bateria, baixo e SAX!!!!!

Imagine um contrabaixo segurando riffs atrás de riffs, incansavelmente e com um groove fantástico, utilizando slide e overdrive. Criando uma cama para o baterista experimentar seus pratos à vontade. Um vocal chapado que faz jus ao nome da banda. E muita melodia de saxofone dando as tintas sobre toda essa prospecção sonora.

Morphine nunca saiu pra valer do meio alternativo, mesmo conseguindo um contrato com gravadora e sendo cultuada poels modernettes de plantão dos anos 90. Este é o segundo disco de estúdio dos caras, sendo que o primeiro saiu, originalmente, de forma independente.



Sheila e In Spite of Me formaram a trilha sonora do filme alternativo Spanking The Monkey. Em tempo, espancar o macaco é como descabelar o palhaço para os americanos. Sheila é preguiçosa. Sax e baixo fazendo o riff principal em uníssono e uma letra que faz pensar que a morfina devia rolar solta nos ensaios. In Spite of Me traz um violão e um mandolin zeppelinianos, cortesia do mesmo mestre que faz os malabares com o baixo e um convidado mais que especial. Aliás, tem muito de Going to California aí, mas tudo no Morphine é tão criativo que sequer podemos cogitar o plágio.

Thursday rolou como trilha de um episódio dos sarcásticos Beavis and Butthead, que rolava na extinta MTv. Sim, extinta, porque a que existe hoje não tem mais nada a ver com aquela. A música é nervosa, com a cozinha parecendo um trem. Quando entra o sax, tudo fica mais tenso ainda. Esqueça o sax como instrumento de conforto (alô Dire Straits). Aqui o bicho pega.

Buena foi trilha da primeira temporada do seriado The Sopranos. É impressionante como uma formação improvável consegue fazer uma música soar pop rock sem cair no banal, no lugar comum. Buena é para ouvir dirigindo seu Opalão 73 com o braço pra fora num dia de sol.



Mas e a tragédia?

Pois aqui temos a epítome do rockstar. Tudo o que um rockstar sempre sonhou aconteceu com o Morphine. Em 3 de julho de 1999, no Festival Nel Nome Del Rock, que rolava em Palestrina, na Itália, o baixista, vocalista, guitarrista e principal compositor do Morphine Mark Sandman teve um ataque cardíaco em pleno palco e caiu duro, mortinho da silva em frente a uma platéia extasiada. Suas últimas palavras foram:

"It's a beautiful evening and it's great to stay here and I want to dedicate a super-sexy song to you."

Se você anda chateado com os seus heróis do rock, aqui tem um que resiste ao teste do tempo. Enjoy.

Track List

1. "Dawna" - 0:44
2. "Buena" - 3:19
3. "I'm Free Now" - 3:24
4. "All Wrong" - 3:40
5. "Candy" - 3:14
6. "A Head with Wings" - 3:39
7. "In Spite of Me" - 2:34
8. "Thursday" - 3:26
9. "Cure for Pain" - 3:13
10. "Mary Won't You Call My Name?" - 2:29
11. "Let's Take a Trip Together" - 2:59
12. "Sheila" - 2:49
13. "Miles Davis' Funeral" - 1:41



Mark Sandman (slide bass; tritar; violão; órgão; vocais)
Dana Colley (saxofone barítono e saxofone tenor; backing vocais)
Jerome Deupree (bateria)
Billy Conway (bateria em 9 & 11; cocktail drum overdub em 8)
Jimmy Ryan (mandolin em 7)
Ken Winokur (percussão em 13)

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Por Zorreiro

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Foo Fighters - Wasting Light [2011]


Dave Grohl é um dos músicos mais completos que a cena grunge da década de 1990 presenteou ao mundo. É um multi-instrumentista habilidoso, compositor talentoso e frontman carismático, além de incansável a ponto de ter registrado mais de 20 álbuns e muitas outras participações em 42 anos de vida. Após o fim do Nirvana, Dave, que quase deixou o mundo da música após o suicídio de Kurt Cobain, encarou o desafio de liderar uma nova banda. Nasce daí o Foo Fighters, que consegue explorar diversas influências e, ainda assim, continuar constante e linear.

Porém, por mais que um grupo se apresente constante e linear, há sempre um momento de superação em sua discografia. E, ao que tudo indica, o mais recente lançamento do Foo Fighters deve representar essa superação para muitos – inclusive para quem vos escreve. Não apenas por mostrar um conjunto mais criativo e poderoso do que nunca, mas também por ser o mais pesado de toda essa trajetória.



“Wasting Light” é o primeiro do Foo Fighters a contar com três guitarristas. Além de Grohl e Chris Shiflett, este na formação desde 1999, o velho conhecido Pat Smear, dos primórdios do FF e guitarrista de turnê do Nirvana, voltou a ser um integrante oficial. O lendário Butch Vig, produtor do clássico “Nevermind”, assumiu a produção. As gravações foram realizadas no estúdio caseiro de Dave, apenas com equipamentos analógicos. Influências mais pesadas foram exploradas nas composições. Tudo isso e outros fatores direcionaram o álbum para que fosse o mais pesado da discografia, combinando muito bem com o quinteto.

Apesar disso, não compensa conferir “Wasting Light” na espera de encontrar algo drasticamente diferente do que o conjunto já tenha apresentado anteriormente. A essência continua a mesma – e ainda bem que não mudou. Os riffs de guitarra matadores, as linhas de bateria criativas, os refrães grudentos e muitas outras características que consagraram a trupe continuam firmes por aqui. Mas tem-se aquele clima sofisticado e até mesmo romântico do som tocado de forma descompromissada, exigência de um bom Rock de garagem.



Vale lembrar que, mesmo descompromissado, há muita qualidade e até mesmo potencial de vendas. Não foi à toa que o álbum conquistou disco de ouro em países como Estados Unidos e Austrália e chegou à primeira posição das concorridas paradas norte-americanas e britânicas, além da turnê de divulgação estar lotando arenas pelo globo. Os críticos de todo o mundo estão amando o play, diga-se de passagem.

Entre os destaques da tracklist, estão os singles Rope e Walk, a grudenta A Matter Of Time, a dramática I Should Have Known – com Krist Novoselic (Nirvana) no baixo e acordeão – e as pauladas Bridge Burning e White Limo, esta com a participação do lendário Lemmy Kilmister (Motörhead) em seu videoclipe. “Wasting Light” promete cativar até aqueles que nunca apreciaram algo tocado ou produzido por Dave Grohl, o que é raro ao se tratar de fãs de Rock n’ Roll.



01. Bridge Burning
02. Rope
03. Dear Rosemary
04. White Limo
05. Arlandria
06. These Days
07. Back & Forth
08. A Matter Of Time
09. Miss The Misery
10. I Should Have Known
11. Walk

Dave Grohl - vocal, guitarra
Chris Shiflett - guitarra, backing vocals
Pat Smear - guitarra
Nate Mendel - baixo
Taylor Hawkins - bateria, backing vocals

Músicos adicionais:
Bob Mould - guitarra e backing vocals em 3
Krist Novoselic - baixo e acordeão em 10
Rami Jaffee - teclados em 1, 2 e 11
Jessy Greene - violino em 10
Fee Waybill - backing vocals em 9
Butch Vig - percussão em 7
Drew Hester - percussão em 5

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by Silver

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Ultramen – Ultramen [1998]



Por que Ultramen, assim no plural?

Porque a gente só agarra monstro.

Essa foi a resposta do Júlio Porto, guitarrista dessa fantástica banda de Porto Alegre e meu estimado colega de segundo grau à época. Ele e seu irmão Pedro fundaram, juntamente com o Zé e o Tonhão (hoje Tonho Crocco) a Ultramen lá pelo ano de 1991. Foi o ano que os conheci e a banda ainda engatinhava.

Algumas músicas daquele ano entraram nesse play, como Bico de Luz. Outras não vingaram. Mas lembro até hoje daquela que tinha diversos sinônimos para a palavra demônio. Demônio, diabo, bicho mau, arrenegado, feio belzebu, anjo rebelde, capuçu... Está no track list.

O som vinha na esteira dos Red Hot Chilli Peppers, com pitadas de rock brazuca e um estilão Tim Maia e Simonal na cobertura. Se De Falla já havia aberto a trilha, a Ultramen simplesmente duplicou e pavimentou a rodovia do estilo no Brasil.

O disco de estreia foi gravado somente em 1996 e lançado em 1998 pela gravadora Rock It. Mas as demos já rolavam havia muito tempo entre os amigos e fãs. Shows enérgicos e pegada fantástica, nada na época podia ser comparado ao som dos caras.

Hoje fora de catálogo, o primeirão (e melhor, na minha opinião de quem conviveu com eles à época) está disponível para download pelos próprios músicos da banda no site Reverbnation. Por questão de lealdade, mando o link original, para o nobre passageiro beber direto da fonte.

A produção nem parece ser brazuca dos anos 90, de tão boa. O cuidado com os timbres dos instrumentos demonstra o profissionalismo dos caras. Ouça So Now I Let You Go e confirme o que quero dizer.




Atualmente a banda está dissolvida. Julio está em Londres (ao menos estava há pouco), Pedro na Califa e Tonhão segue fazendo um som absolutamente criativo e diferenciado para quem está acostumado a ouvir o padrão brasileiro de música popular. Eu diria que ele mostra para seus padrinhos Tim Maia, Simonal e Ben Jor que a batalha não foi em vão.

Este post vem também para que nos alertemos da merda que é política brasileira. Tonho Crocco fez um vídeo no qual gravou um rap chamado Gangue da Matriz, cuja letra fala do aumento dos próprios salários dos deputados gaúchos em 73%. Ele dá nome aos bois e, exatamente em razão disso, está sendo processado criminalmente. Coloquei o link com a história abaixo.

Onde está a liberdade de expressão prevista na Constituição Federal?

Entre um músico criativo e influente e uma corja de políticos sem caráter que aumentam o salário pago com verba pública, quem você escolhe?

Brasil, toma vergonha na cara. Paremos de votar em engraçadinhos, palhacinhos, almofadinhas e limpemos um pouco dessa sujeira que nós mesmos criamos.

Track List

01 - Se Habituar
02 - Bico de Luz
03 - Duro e Selvagem
04 - La Negrita
05 - Get Funky (with My Master Plan)
06 - Sebastião
07 - 5x1
08 - 5x1 Ultrafunk
09 - Demônio
10 - So Now I Let You Go
11 - Hip Hop Beat Box Com Vocal e James Brown
12 - Vou a Mais de 100
13 - Get a Pussy

Pedro Porto (baixo)
Julio Porto (guitarra)
Ze Darcy (bateria)
Malasia (percussão)
Marcito (percussão)
Tonho Crocco (vocais)

Link disponível pela própria banda para baixar o disco:
http://www.reverbnation.com/ultramen#!/artist/artist_songs/11512

Link com a história do vídeo e o manifesto Tonho Crocco Livre:
http://www.tonhocrocco.com/novo/index.php?main=blog_view&id=15

Por Zorreiro

sábado, 6 de agosto de 2011

Rage Against The Machine - Rage Against The Machine [1992]


O Rage Against The Machine foi formado em 1991 quando o guitarrista Tom Morello conheceu o vocalista Zack de la Rocha num pub de Los Angeles, quando este fazia rap improvisado (freestyle). Para completar a formação, foram chamados o baterista Brad Wilk e o baixista Tim Commerford. Logo de cara, conseguiram um contrato com a Epic Records após os engravatados se impressionarem com uma demo de doze faixas enviada pelo quarteto.

O álbum, auto-intitulado, foi lançado em novembro de 1992 e não foi um sucesso imediato. Em termos de vendas, o estouro só veio no início de 1994, quando o disco chegou às posições de número 45 e 17 nas paradas norte-americanas e britânicas, respectivamente. Apenas depois de uma apresentação antológica no festival Lollapalooza, em 1993, que o grupo passou a ter grande reconhecimento.

Da esquerda pra direita: Tom Morello,
Brad Wilk, Zack de la Rocha, Tim Commerford

Mas seria impossível o Rage Against The Machine ser menos do que um grande sucesso com este disco, que é consistente, único, pesado e traz um instrumental muito rico, além de apresentar letras muito bem escritas e que transmitem ideais engajados e politizados sem soar piegas. O quarteto passou a liderar uma vertente denominada Rap Metal, que mistura elementos de Hip Hop e Heavy Metal.

Zack de la Rocha vocifera, de forma jovem e energética, as ideias que o conjunto tanto defendia, como o fim do imperialismo, opressão e desigualdade. Tom Morello, o elemento principal da banda, revolucionou o jeito de tocar guitarra com riffs pesados, timbragens singulares e linhas de guitarra que, mesmo simples de serem tocadas, abusam de efeitos que simulam desde sons de DJ's até barulhos de animais. Tim Commerford acompanha muito mais os riffs de Morello do que a habilidosa bateria de Brad Wilk - este ganha mais liberdade, enquanto aquele contribui com peso.



Após o sucesso deste icônico álbum de estreia, o Rage Against The Machine ganhou importância mundial e qualquer movimento dos caras passou a ser aclamdo por uma grande legião de fãs. Os destaques do play vão para a famosa Killing In The Name, para a experimental Wake Up, para a pauleira Bullet In Your Head e para a sensacional Freedom, que tem um momento final pra lá de apoteótico. Vale a pena conferir este trabalho, mesmo que você não seja nem um pouco engajado - como eu.



01. Bombtrack
02. Killing In The Name
03. Take The Power Back
04. Settle For Nothing
05. Bullet In The Head
06. Know Your Enemy
07. Wake Up
08. Fistful Of Steel
09. Township Rebellion
10. Freedom

Zack de la Rocha - vocal
Tom Morello - guitarra
Tim Commerford - baixo, backing vocals
Brad Wilk - bateria, percussão

Músicos adicionais:
Maynard James Keenan - vocal adicional em 6
Stephen Perkins - percussão adicional em 6

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by Silver

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Oasis - MTV Unplugged [1996]


Na metade da década de 1990, o Oasis era uma das maiores bandas do mundo. O quinteto, liderado pelos irmãos Gallagher, lotava estádios por todo o mundo, vendia cópias do recém-lançado "(What's The Story) Morning Glory?" e tinha um concerto agendado para 23 de agosto de 1996, no Royal Festival Hall de Londres, para gravar um episódio do MTV Unplugged, quadro da MTV em que as bandas se apresentam em formato acústico - geralmente só se apresentava em determinado momento aqueles que estavam no auge.

Mas, por pouco, este show não aconteceu. Quando o grupo estava prestes a adentrar o palco, o vocalista Liam Gallagher simplesmente afirmou que não iria se apresentar devido a uma dor de garganta. Seu irmão e guitarrista, Noel Gallagher, não se intimidou e entrou para o palco com os outros integrantes, assumindo os vocais e o violão. Enquanto isso, Liam parecia ter esquecido de sua dor de garganta pois acompanhou o concerto bebendo algumas cervejas e fumando cigarros. O frontman justificou sua ausência do palco posteriormente, alegando não gostar do formato acústico.



O registro dessa postagem traz essa apresentação histórica, que não foi lançada em formato oficial, mas merecia, já que o resultado final saiu melhor que muitos outros discos do Oasis. Noel nunca precisou de Liam para brilhar, tanto que, particularmente, o considero um grande vocalista - melhor que seu irmão -, além de ser o compositor de 99% das músicas do grupo. E os músicos de apoio, muito competentes, cumprem com maestria seus respectivos papéis.

Muito bem escolhido porém curto, o repertório contém apenas Live Forever do álbum de estreia, "Definitely Maybe", enquanto que todo o resto é constituído por canções recentes, de "(What's The Story) Morning Glory?" e alguns B-sides de singles, como The Masterplan e Talk Tonight. Os destaques da noite vão para as impecáveis versões de Don't Look Back In Anger, Some Might Say e a radiofônica Wonderwall.



01. Hello
02. Some Might Say
03. Live Forever
04. The Masterplan
05. Don't Look Back In Anger
06. Talk Tonight
07. Morning Glory
08. Round Are Way
09. Cast No Shadow
10. Wonderwall

Noel Gallagher - vocal, violão
Paul Arthurs - violão
Paul McGuigan - baixo
Alan White - bateria

Músicos adicionais:
Mark Feltham - gaita
Mike Rowe - teclado, órgão

Há uma pianista e vários outros músicos com violinos, violoncelo e instrumentos de sopro, mas desconheço os nomes.

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by Silver

sábado, 25 de junho de 2011

Os Mutantes – A Divina Comédia ou Ando Meio Desligado [1970]



Os Mutantes são a prova de que, para se chegar onde se quer, é preciso ter talento e muitos contatos bons.

Todos enaltecem as qualidades (indiscutíveis) dos músicos da banda. Mas poucos se lembram que eles começaram tentando os festivais e a televisão. Porta certa para o contrato com uma major, e desejo de 10 entre 10 músicos à época.

Antes do nome Os Mutantes, o grupo foi batizado de Wooden Faces (genial), Six Sided Rockers, O Conjunto e O'Seis. Nada muito atraente se contarmos que, em 1966, os milicos estavam no auge da repressão aos artistas e pensadores brasileiros. Qualquer gracinha ou trocadilho poderia significar algo bem ruim. Caetano e Gil foram exilados, assim como uma leva de políticos e manifestantes. Aliás, abrindo um parêntese, nunca entendi por que o grande comunista Oscar Niemeyer se exilou em Paris e não em Cuba, China ou URSS, afinal...

Os Mutantes começaram como banda de apoio de Gilberto Gil em um festival da TV Record (que não era dos bispos ainda). E com ele gravaram o seu primeiro full lenght. A seguir veio óbvio: Caetano e seu disco é proibido proibir.



O post de hoje é o terceiro disco próprio da banda Os Mutantes, e no qual eles tiveram o parquinho do estúdio todo disponível para brincar a vontade. A dupla Rita Lee e Arnaldo Baptista, então com um inevitável affair que não agradou o irmão Sérgio, consagrava-se como um novo horizonte nas composições do rock’n’roll brasileiro. Sérgio estava lá também, claro, mas Arnaldo foi o cérebro louco por trás da engenhoca sonora do grupo.

O play traz duas covers, uma de Roberto e Erasmo (Preciso urgentemente encontrar um amigo) e outra de Sílvio Caldas (Chão de Estrelas, aqui praticamente irreconhecível). É o início de uma trip que culminaria com os não menos fantásticos Jardim Elétrico e Mutantes e Seus Cometas no País dos Baurets (outro título genial), já magnificamente resenhados por aqui.

As drogas e os acidentes da vida, como a tentativa frustrada de suicídio de Arnaldo, somados a um sucesso estranho para a época (até hoje Os Mutantes tem mais repercussão no exterior que no Brasil) tiraram o brilhantismo e a genialidade deles da cena. Rita Lee saiu (disse em entrevista que foi expulsa por Sérgio) e fez enorme sucesso com sua carreira solo. Sérgio toca a banda pra frente até hoje. E o gênio Arnaldo pena um ostracismo esquizofrênico inexplicável.

Ando Meio Desligado abre a bolacha com uma das melhores músicas que eles fizeram na carreira. Rita Lee até hoje é lembrada pelos vocais que fez aqui. “Eu nem vejo a hora de te dizer aquilo tudo que eu decorei” é frase pra menestrel nenhum botar defeito. Sérgio traz uma guitarra maravilhosamente timbrada, cortesia dos instrumentos e equipamentos que seu irmão Cláudio fazia.



Quem tem medo de brincar de amor taz um Hammond sem vergonha demais. Vocais em uníssono criam uma atmosfera então inédita no rock nacional. Hammond esse que é demasiadamente explícito em Meu Refrigerador Não Funciona. Rita incorpora Janis Joplin e imprime seu lado psicodelic blues.

Hey Boy é uma canção que poderia tranquilamente ter saído de um disco da Jovem Guarda. Ave Lúcifer é estranha... vocais alternados e uma mensagem subliminar atrás da outra. Francamente, era muito pra cabeça da rapaziada naqueles anos de chumbo. Mas era difícil não encontrar esse disco nas casas dos universitários antenados com a liberdade de expressão. Tão estranho quando tentar entender como passou pela censura e foi para as prateleiras.



O fim é espetacular. Oh! Mulher Infiel é uma jam session raivosa, com Arnaldo destruindo seu Hammond no estúdio, enquanto o intercala com passagens de piano em ritmos sincopados. Sérgio Dias traz uma distorção de fuzz que, confesso, nunca antes havia se noticiado nesta republiqueta de bananas. Um clássico. Divina Comédia é o nome que cai como uma luva para algo desse cacife.

Ouça esse disco, que mostra um grupo já consolidado no mercado e com um contrato bem bom com uma grande gravadora, mas que estava pouco se importando para as tendências do mercado. Eles queriam extravasar seus gênios criativos. E conseguiram.

Track List

1. Ando meio desligado
2. Quem tem medo de brincar de amor
3. Ave Lúcifer
4. Desculpe, baby
5. Meu refrigerador não funciona
6. Hey boy
7. Preciso urgentemente encontrar um amigo
8. Chão de estrelas
9. Jogo de calçada
10. Haleluia
11. Oh! Mulher infiel

Arnaldo Baptista: baixo, teclados, vocais
Rita Lee: vocais, percussões, efeitos
Sérgio Dias: guitarras, baixo, vocais
Participações:
Raphael Villardi: violão e vocais
Naná Vasconcelos: percussão
Liminha: baixo
Dinho Leme: bateria
Rogério Duprat: arranjos orquestrais

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Por Zorreiro

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Guitars That Rule The World [1992]


Imagine poder escolher o time dos sonhos e dizer aos jogadores: joguem como quiser. Façam o que lhes der na telha!

Essa foi a proposta da revista Guitar World americana. Esse disco, hoje, é tratado como vol. 1; mas, quando saiu, não se tinha a ideia de fazer continuações. Era para ser apenas um produto com os melhores da então maravilhosa e acrobática década de 80, que havia chegado ao seu não tão glorioso final.

Os cabelos esvoaçantes e cheios de laquê faziam companhia a roupas extravagantes, chamativas e que compunham visuais pesadamente exagerados. Como já postado aqui, era uma época maravilhosa, em que homens se vestiam como mulheres, mulheres como vagabundas e o rock’n’roll chutava traseiros. E como chutava. O disco que mostro hoje é o encerramento glorioso de um ciclo.

Esqueça as histórias de agonia do hard farofa. Ele se encerrou da mesma forma apoteótica que começou: com um grande trabalho. E este trabalho, na minha opinião, é esta coletânea. Gravado em vários estúdios diferentes, o resultado final foi masterizado nos estúdios Sterling Sound, em Nova York. Mas vamos cortar o lero lero e vamos ao cardápio, que é primoroso.

A jóia abre com a estupenda Black Magic, que traz um Reb Beach tocando todos os instrumentos. Gravado no estúdio caseiro de Kip Winger, a música é praticamente um portfólio do guitarrista. Mas o resultado ficou tão bom que eu considero uma das melhores do play.



Richie Sambora, que acabara de lançar seu Stranger in this Town, mandava ver com Mr. Sambo, acompanhado de quase todo o Bon Jovi. É interessante ver Sambora detonando um instrumental de peso, sem a voz de Jon Bon Jovi por cima e sem cair na armadilha das baladas xaroposas. É a sequência ideal para o que Reb Beach fez.

Yngwie J. Malmsteen traz Leviathan, com seus clássicos bululus em altíssima velocidade. Uma faixa que parece ter saído de Trilogy ou Marching Out. O sueco, justiça seja feita, esmirilha o instrumento e consegue fazer a diferença. Obviamente, um disco inteiro de músicas instrumentais do cara é insuportável (até o maravilhoso Millenium). Mas, no meio de tantas estrelas, Leviathan é o que se espera para preencher o espaço que pertence a Malmsteen.

Paul Gilbert estava numa fase pré saída do Mr. Big. Ele sempre foi espevitado e ousado nas inovações guitarrísticas. O estilo Mr. Big, mais pop e “redondinho”, começava a saturar seu gênio inquieto. I Understand Completely é a prévia do que viria em sua carreira solo da segunda metade dos anos 90. Sons, aliás, que nunca entendi 100%, fazendo um trocadilho horrível com o título da faixa.

Elliot Easton dá um show de bom gosto. Seu violão tem um timbre inigualável, e a elegância da composição traz a lama do Mississippi com um pouco dos esgotos de Nova York. Afinal, é muita técnica pra um blues de raiz, mas muito feeling para um jazz/fusion. Fantástico.

Bueno. Zakk Wylde destrói tudo. Acompanhado do staff da Pride & Glory, Farm Fiddin’ é simplesmente a melhor coisa que o cara já fez na vida. Minha opinião, claro. Mas é quando ele mistura metal com bluegrass que a coisa fica divina. E ele estava tão solto por aqui, que a música é dividida em várias partes, tendo barulhos de fazenda como pano de fundo. Zakk mostrava que, mais que o sideman de Ozzy, era um guitarrista com estilo próprio que veio para ficar. E ficou.



Nuno Bettencourt impressiona por fazer algo que ninguém esperava dele. Depois de experimentar o megasucesso com seu Extreme, no qual desfilava licks de guitarra de tirar o fôlego (Get The Funk Out tem um dos sweeps mais fantásticos que já ouvi), ele aparece com um timbre doce, com frases de blues e clássicos Blackmoreianos, sobre uma base de sons caóticos, quase cacofônicos. O resultado é excelente, mas não é para qualquer ouvido entender a proposta.

Alex Skolnik, então egresso do Testament e mergulhado em jazz e outros experimentalismos, resolve gravar um funk instrumental. Resolveu e pronto. Qual é o problema? O grande detalhe é que a música, a exemplo do que fez Zakk Wylde, possui diversas partes com ritmos aparentemente desconexos. Mas o resultado final não é menos que fantástico. São obras de guitarristas e devem ser encaradas como tais.

Richie Kotzen é o velho de guerra. Antes de se aventurar pelo soul e pelo hard blues, ele era um dos destaques da cena shred do final dos anos 80. E seu trabalho solo é excelente. Eu prefiro o que ele fez em Shuffina, mas este Chype Fluxx tem seu valor, apesar de eu achar que ele seria capaz de fazer algo muito, mas muito melhor.

Albert Collins, o Iceman, faz a sua homenagem a um recém falecido Stevie Ray Vaughan. Sua telecaster sempre teve aquele estalado característico. E ele, pouco antes de morrer, deixou seu legado aos shredders de plantão, com uma interpretação de tirar o fôlego. Incrível como o velhinho se sobressai entre os hardeiros. Talento e feeling em estado puro.

Dickey Betts e Warren Haynes, a dupla de guitarras que foi responsável pela ressurreição da Almann Brothers Band nos anos 90, mostram que a volta de seu grupo tinha tudo para dar certo. Uma harmônica abre os trabalhos que são a melhor expressão do som acústico do sul dos Estados Unidos. Fantástico é a palavra. Agora sim temos um blues de raiz purinho, com sotaque do sul e atolado na lama do Mississippi até o pescoço. Clima de jam total. Um dia vou a Chicago alugar uma Harley ou um dojão pra descer até New Orleans ouvindo essas maravilhas no... toca-fitas. Claro!

Reeves Gabrels, então sideman do camaleão David Bowie, trouxe seu peso e experimentalismo ao play. Guitarras loucas com sotaque eletrônico, Why Do I Feel Like I’m Bleeding é uma aula àqueles que pensam que guitarra é tocar escalas para cima e para baixo na velocidade da luz. A produção mostra um Reeves Gabrel perfeccionista na busca do resultado que teve em mente desde o começo das gravações.

Para encerrar, Earl Slick toca aquele hard rock no melhor estilo californiano, para ouvir num dia de sol. Frases que beiram o clichê aparecem de forma agradável e perfeita.

Embora não exista, parece estar presente um certo tipo de clima de competição neste disco. Mas, mais do que um desfile de técnicas, o feeling e o cuidado nas composições e arranjos se sobressai nesse mix de estilos tão caros entre si, que são o rock, o blues, o hard rock e o metal.

Nada de tributos. Cada um fez a sua parte mostrando do que é capaz. E ficou uma maravilha.

Track List

1. Reb Beach - Black Magic
2. Richie Sambora - Mr. Sambo
3. Yngwie Malmsteen - Leviathan
4. Paul Gilbert - I Understand Completely
5. Elliot Easton - Walk On Walden
6. Zakk Wylde - Farm Fiddlin'
7. Nuno Bettencourt - Bumble Bee (Crash Landing)
8. Alex Skolnick - Fielt Of Soul
9. Richie Kotzen - Chype Fluxx
10. Albert Collins - Blues For Stevie
11. Dickey Betts & Warren Hayes - Wille And Poor Bob
12. Reeves Gabrels - Why Do I Feel Like I'm Bleeding?
13. Earl Slick - Surfer Junkie Dude

Reb Beach (todos os instrumentos, produção e mixagem)
Richie Sambora (guitarras)
Yngwie J. Malmsteen (guitarras, produção, mixagem)
Paul Gilbert (todos os instrumentos, produção e mixagem)
Elliot Easton (todos os instrumentos, produção e mixagem)
Zakk Wylde (guitarras)
Nuno Bettencourt (todos os instrumentos, produção e mixagem)
Alex Skolnick (guitarra, produção e mixagem)
Richie Kotzen (todos os instrumentos, produção e mixagem)
Albert Collins (guitarra e produção)
Debbie Davies (guitarra)
Dickey Betts (guitarra e produção)
Warren Haynes (guitarra e produção)
Reeves Gabrels (todos os instrumentos e produção)
Earl Slick (guitarra, produção e mixagem)
Tico Torres (bateria e produção)
Huey McDonald (baixo)
Svente Henrysson (baixo)
Mats Olausson (teclados)
Michael Von Knorring (bateria)
James Lomenzo (baixo)
Greg D`Angelo (bateria)
Les Claypool (baixo)
Brain (bateria)
Soko Richardson (bateria)
Tom Dusett (harmonica)
Gary Stewart (Field hollering)
Terry Bozzio (bateria)
Kirk Alley (baixo)
Johnny B. Gayden (baixo)


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Por Zorreiro

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Faith No More - Angel Dust [1992]


Ao fazer o post de hoje, percebi assim que acessei a Combe de que faltava um disco de uma das mais criativas bandas que fizeram sucesso no começo dos anos 90 e que foi uma das que mais escutei em minha adolescência. Liderados pelo genial Mike Patton, sem sombra de dúvidas o Faith No More foi uma das mais explosivas bandas que estouraram naquela década e que gravaram seu nome a ferro e fogo na história do rock alternativo, e que fazem valer a pena dar alguma atenção ao estilo.

A banda surgiu no começo dos anos 80, após a dissolução do Faith No Man, formado por Mike "The Man" Morris, Roddy Bottum, Mike Bordim e Billy Gould. Devido a problemas, ao invés de demitirem Morris, os outros membros decidem montar um novo grupo e deram como um novo nome Faith No More, já que o "The man" não mais (no more) faria parte do grupo, recrutando o guitarrista Jim Martin no seu lugar. Vários vocalistas fizeram parte da banda, entre eles a controversa Courtney Love, mas o cargo ficou com Chuck Mosley, que gravou os dois primeiros discos do grupo.


Apesar de Mosley ser um vocalista carismático, tinha limitações claras em seus vocais, além de ser um beberrão encrequeiro, que vivia saindo no braço com o restante do grupo. Não foram poucas vezes que ele aparecia bêbado em eventos importantes para a banda, como no lançamento do primeiro disco, e causava em todos os ambientes. A situação com ele ficou tão tensa que ele chegou a fazer alguns shows cantando atrás das cortinas. Não suportando mais a situação a banda procura outro vocalista para a gravação de seu terceiro disco, o qual Jim Martin indica Mike Patton do desconhecido Mr. Bungle, que ele havia conhecido através de uma fita demo que escutava quase todo santo dia.

E foi Mike Patton que deu uma nova vida para o grupo. Dono de um vocal singular e de uma mente criativa, já no primeiro disco com o grupo ele compõe todas as letras da banda e conseguiu levar a banda ao estrelato, com singles que se tornaram clássicos, como "Epic", "Falling To Pieces" e "From Out Of Nowhere". Mas foi com o segundo disco, o excelente "Angel Dust" que eles definitivamente cravaram seu nome na história e nos presenteiam com um registro não menos que memorável. Misturando funk, rock e heavy, temos um som único e difícil de rotular, mas incrivelmente cativante.


Se você se diz vocalista, veja esta pequena aula!

E Patton é um monstro, pois as atuações dele nesse disco são algo de outro mundo. E já na primeira faixa ele nos assombra. A cadenciada "Land Of Sunshine" vem com uma atuação excelente de todo grupo, mas em sua parte final, Patton rouba a cena com um vocal teatral e interpretação carregada e mostra uma versatilidade ímpar, além de uma letra sensacional, em que nos questiona se a vida realmente vale a pena para cada um de nós. E meu amigo haja coração para tanta música boa, aqui temos um registro em que é muito difícil encontrar algum filler, pois o nível de inspiração aqui é latente em todas as faixas.

"Caffeine" começa cheia de cadência, mas beira o heavy em quase toda a execução, onde a banda desce o braço sem dó e Patton entrega um vocal agressivo. "Midlife Crisis" foi uma das músicas de maior sucesso deste, com destaque para a cozinha, que faz um trabalho ótimo. Mais uma vez é a vez de Patton roubar a cena em "RV", com vocais "sinatrianos", em que canta os dissabores e desilusões da vida de um pai de família da classe média americana, que se lamenta da vida que leva, e que seria cômica se não fosse tão trágica. A funkeada "Everything's Ruined" tem uma levada que contagia e um refrão que funciona muito bem, tanto que foi um dos singles do disco.



A paulada "Malpractice" volta a mostrar as influências de heavy, com riffs densos à lá Sabbath e repentinas quebradas em seu andamento, o que garantirá um baita torcicolo ao final da canção em que toda a banda dá um verdadeiro show. A cativante e irresistível "A Small Victory" foi um dos grandes clássicos deste, tocava horrores em tudo o que era rádio de rock e na MTV e foi a responsável por me apresentar ao grupo, e é uma das minhas músicas prediletas deles. Outro grande clássico é o lindo e emocional cover para "Easy", que ganhou outra vida com a versão do grupo e a interpretação passional de Patton.

Um baita discaço que vai lhe viciar por alguns dias, pois tudo aqui realmente é muito inspirado e com certeza é um dos grandes discos dos anos 90. Se você ainda não conhece ou não se deu a oportunidade de o ouvir, tenho certeza que ficará impressionado com o que é apresentado. Este entra na lista de discos que é obrigatório ter em sua discografia básica.




1.Land of Sunshine
2.Caffeine
3.Midlife Crisis
4.RV
5.Smaller and Smaller
6.Everything's Ruined
7.Malpractice
8.Kindergarten
9.Be Aggressive
10.A Small Victory
11.Crack Hitler
12.Jizzlobber
13.Midnight Cowboy
14.Easy


Mike Patton — Vocal
Jim Martin — Guitarra
Billy Gould — Baixo
Roddy Bottum — Teclados
Mike Bordin — Bateria


By Weschap Coverdale

sábado, 28 de maio de 2011

Guns N' Roses - Chinese Democracy [2008]


Uma capa feia, simplória e até mesmo sem significado aparente dá início, de forma oficial, à nova fase do Guns N' Roses. Fase esta que teve início em meados de 1997, quando o grupo se reconstruiu - também aparentemente - por Axl Rose no vocal, Dizzy Reed nos teclados, Robin Finck e Paul Tobias respectivamente nas guitarras solo e base, Tommy Stinson no baixo e Chris Pitman nos teclados e programadores.

A partir daí, a vida de Axl se tornou uma verdadeira confusão. Aliás, antes disso, pois o vocalista se manteve recluso desde a crise que a banda sofreu em 1994. Durante mais de cinco anos, suas aparições públicas se limitaram a meia dúzia de entrevistas e sua prisão no aeroporto Sky Harbor Airport, de Phoenix, Arizona. O outro lado da personalidade do homem se revelava à medida que antigos integrantes da banda davam declarações sobre seu modo "controlador" e "obssessivo" de agir.

Foto "mug shot" de Axl Rose preso, em 1998. Decadência é pouco.

O Guns N' Roses começava a dar sinais de vida em 1999, com o lançamento da música Oh My God, para a trilha sonora do filme "Fim Dos Dias", e pouco tempo depois a gravadora Geffen colocou o álbum "Live Era" na praça. Dois anos depois, um Axl Rose fora de forma voltava a fazer shows com a formação acima listada, com a adição do guitarrista Buckethead e substituição de Josh Freese para a entrada do batera Brain Mantia. Algumas apresentações em Las Vegas, um show antológico e criticado no Rock In Rio III e uma turnê norte-americana vieram em seguida.

Os fãs alimentavam a esperança de que "Chinese Democracy" finalmente seria lançado, mas a turnê foi cancelada no meio de suas datas e o álbum, adiado. Mais substituições ocorreram: Paul Tobias deu lugar a Richard Fortus, Buckethead deu lugar a Ron "Bumblefoot" Thal e Brain Mantia deu lugar a Frank Ferrer. Dois anos depois, o Guns N' Roses estava em turnê de novo... até que Stinson machucou seu pulso e as datas finais da turnê não foram cumpridas.

Formação do Guns N' Roses em 2006.

Finalmente, em 23 de dezembro de 2008, exatamente quinze anos após o lançamento de "The Spaghetti Incident?!", a patifaria estava terminada, pois o álbum finalmente estava nas prateleiras do mundo todo. A sensação de estranhamento foi inevitável até mesmo para aqueles que já conheciam grande parte das músicas, cujas demos rodaram muito na Internet.

Todos os músicos acima listados que integraram a banda nessa "nova fase" participaram das gravações. Logo, teria de ser idiota demais para esperar um novo "Appetite For Destruction" por dois motivos simples: "Chinese Democracy" foi inicialmente planejado para ser um álbum solo de Axl e os músicos envolvidos nas gravações tinham experiência com bandas de vertentes alternativas do Rock e Metal. Logicamente seus estilos foram adequados às exigências de mr. Rose, mas a essência é sempre imutável, logo, a influência (desejada pelo vocalista, inclusive) dessas pitadas alternativas é notável.

Axl Rose e os clássicos pulinhos em 2009.

O registro é aberto com a pesada faixa-título, que já apresentava vocais diferentes de Axl, apoiados em grande parte por notas graves. Não tem nada a ver com o Guns antigo, desde a letra até o instrumental, mas nem por isso é ruim. Pelo contrário, é um baita tapa na cara de quem duvidou do talento de Rose durante esse hiato. Shackler's Revenge dá sequência com uma pegada pra lá de alternativa. O andamento lembra bandas de Rock Industrial e a composição do instrumental é assinada pelo excêntrico Buckethead. Faixa mediana.

Better dá um ar de velhos tempos pelo andamento mais Hard do que Heavy e traz várias camadas sonoras de instrumental. Canção muito boa e bem feita, não é à toa que virou single. Street Of Dreams, balada regida por um piano no maior estilo Queen/Elton John, vem a seguir, e a performance de Axl Rose é aplausível. If The World, composição de Axl com Chris Pitman, é a faixa mais fraca do disco de longe, com seu andamento médio-oriental dispensável.



Mas essa baixa é compensada por There Was A Time, a melhor faixa do play. Letra inteligente, grande performance de Axl, instrumental criativo e incríveis solos assinados por Buckethead e Robin Finck. O final da música leva qualquer boa alma à insanidade. A mediana Catcher In The Rye dá sequência, com um andamento sem pegada ou explosão como deve ter uma boa música do Guns N' Roses. Scraped segue a linha industrial e é uma boa canção, com boa letra, mas só. Destaque para o momento em que se canta "all things are possible / I am unstoppable" ("todas as coisas são possíveis / eu sou impossível de ser parado").

Riad N' The Bedouins tem sua letra baseada em um co-cunhado que foi cunhado de Erin Everly, ex-esposa de Rose, o mesmo que inspirou Civil War anos antes. E uma música com inspiração real sempre soa mais convincente. Além de um andamento grudento e vocais de sirene rachada que os fãs de Guns amam, a composição inteligente chama a atenção. Em seguida, tem-se a bela e sentimental balada Sorry, que muitos dizem ter sido escrita inspirada nos antigos colegas de banda de Axl (o mesmo nega). A letra, também muito bem feita, caso seja aos ex-companheiros, é uma baita de uma crítica. Os arranjos inseridos são perfeitos, a emoção e a angústia são prato cheio nessa faixa e há um cativante solo de guitarra ao meio da canção.



Temos, em seguida, duas velhas conhecidas dos fãs, graças às demos bem circuladas na rede: a pesada I.R.S. e a balada Madagascar. A primeira traz uma muralha de guitarras, sonzeira absurda, momentos calmos e frenéticos que oscilam ao seu desenrolar e mais uma grande performance de Rose. A segunda, apesar de uma das favoritas dos fãs, para mim fica aquém do esperado. Destaque para seu momento épico, com direito a uma orquestra no miolo da canção.

Perto do fim, tem-se aquela que, sem dúvidas, é a melhor balada do full-length: This I Love carrega tanta melancolia que faz até o mais durão cair em lágrimas. Axl Rose é um compositor diferenciado até pra falar do assunto mais clichê da história, que é o amor. Vale lembrar que é a composição mais antiga do disco. O fechamento fica por conta de Prostitute, que, de fato, tem um clima de encerramento. Refrão grudento, arranjos bem inseridos e composição lírica que soa tanto como uma despedida quanto um desabafo sobre todos esses anos que "Chinese Democracy" foi procrastinado. Profunda e cheia de significados e interpretações.



A repercussão de "Chinese Democracy" foi gigantesca, afinal, são quinze anos de espera. As músicas foram todas disponibilizadas no site MySpace e mais de três milhões de pessoas ouviram o play apenas no primeiro dia, estimando-se 25 visitas por segundo na página. Mas as vendas foram aquém do esperado, apesar de ficar no top 10 das paradas de 27 países, incluindo o norte-americano (3° lugar), britânico (2° lugar) e canadense (1° lugar). Esperava-se milhões de cópias vendidas nos Estados Unidos, cujo mercado consumiu cerca de 600 mil cópias. A turnê de divulgação, no entanto, foi aclamadíssima e girou o globo para mostrar que Axl Rose estava de volta, com marcas da idade mas, ainda assim, de volta.

De fato, "Chinese Democracy" não é um álbum de fácil assimilação. Confesso que precisei escutá-lo várias vezes para entendê-lo. Não sou muito ligado em som alternativo, mas Rose não impôs nenhum limite por aqui, seja de estilo, assunto ou musicalidade. É difícil de ser digerido, mas após tal digestão, é possível entender a mensagem que o controverso vocalista deixou: "estou de volta".


01. Chinese Democracy
02. Shackler's Revenge
03. Better
04. Street Of Dreams
05. If The World
06. There Was A Time
07. Catcher In The Rye
08. Scraped
09. Riad N' The Bedouins
10. Sorry
11. I.R.S.
12. Madagascar
13. This I Love
14. Prostitute

Axl Rose - vocal, teclados, piano (em 7, 13 e 14)
Dizzy Reed - piano, teclados, sintetizadores, backing vocals
Buckethead - guitarra, violão (em 5)
Robin Finck - guitarra, violão (em 10), teclados (em 3)
Ron "Bumblefoot" Thal - guitarra
Paul Tobias - guitarra, piano (em 6)
Richard Fortus - guitarra
Tommy Stinson - baixo, backing vocals
Chris Pitman - teclados, programadores, violão de 12 cordas (em 5), backing vocals
Frank Ferrer - bateria, percussão
Bryan "Brain" Mantia - bateria, percussão

Músicos adicionais:
Josh Freese - arranjos de bateria (em 4, 6, 9 e 14)
Pete Scaturro - teclados (em 10)
Sebastian Bach - backing vocals (em 10)
Patti Hood - harpa (em 13)
Paul Buckmaster - condutor de orquestra, arranjos orquestrados (em 4, 6, 12 e 14)
Marco Beltrami - arranjos orquestrados (em 4, 6, 12, 13 e 14)

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by Silver

quinta-feira, 19 de maio de 2011

The Stone Roses – The Stone Roses [1989]


Indie rock pode ser uma bela tragédia musical quando não se tem o know how.

The Stone Roses foi uma das bandas precursoras do gênero e, apesar de ter sua carreira construída na cola da nova geração do rock britânico composta por Oasis, Blur e Cia., não dividia espaço com eles. Tinha seu próprio nicho. E esse nicho era espetacularmente fiel e composto de uma turma de fanáticos.

Pegue melodias cativantes no melhor estilo inglês, com letras adolescentes da era pré internet e acrescente uma cozinha com muito groove. Tudo isso regado a guitarras absurdamente encharcadas de efeitos bem dimensionados. Criados em Manchester em 1983, os... peraí! Isso tá parecendo The Smiths!



Pois uma resenha sobre os Stone Roses não poderia ser menos parecida de uma resenha dos Smiths. A banda lutou bravamente até conseguir lançar o seu álbum de estréia, sendo uma sensação inglesa nos anos 80, mas sem nunca ter conseguido se estabelecer no mercado fonongráfico até 89. Começaram como The Patrol em 1980, seguindo a trilha pop punk do The Clash, mas mudaram radicalmente seu estilo quando perceberam o sucesso que suas melodias dançantes fazia nos clubs ingleses.



Esse primeiro disco simplesmente fez os ingleses preencherem o espaço deixado pelo então falecido The Smiths. Foi uma sensação, e eles explodiram mundialmente, conquistando altas vendagens e shows absolutamente sold outs. Mas o dinheiro é um bichinho traiçoeiro quando não se tem cérebro e, desse sucesso, fomos brindados com verdadeiros shows de egocentrismo. O vocalista Ian Brown chegou e dizer em uma entrevista à revista New Musical Express:

“We're the most important group in the world, because we've got the best songs and we haven't even begun to show our potential yet.”

Só que o fim viria antes mesmo de os rapazes conseguirem explorar todo o seu potencial. Lançado pelo pequeno selo inglês Silvertone Records, este disco resultaria num tremendo sucesso comercial. A banda, descontente com o pequeno selo e afetada pelo sucesso, travou com ele uma grande batalha judicial a fim de ver rescindido o contrato e poder assinar com uma major (Geffen estava nos planos). Ganharam a causa, mas ficaram desgastados e perderam o tesão que fazia o diferencial deste disco de estreia que posto hoje, e isso, caro passageiro, não tem conserto.



Gravaram mais um disco depois, e o guitarrista John Squire foi sozinho o responsável pelas composições, o que significa que a química estava quebrada. Os membros seguiram suas carreiras sem mais o brilho e o sucesso deste primeiro disco. Um marco no rock inglês daquele final dos anos 80.

O que vos trago é a edição comemorativa de 20 anos, cheia de brincadeiras e travessuras, como as famosas “lost demos” e faixas ocultas que não saíram no vinil original. Sobre as faixas, não vou comentar uma a uma. Posso dizer que o clima do disco remete a um dia chuvoso e frio no qual saímos para um clube londrino a fim de curtir uma banda de rock que realmente detona ao vivo em um som orgânico e cheio de groove.

Eu gostaria de falar mais, mas só a introdução já resultou num texto maior do que o blog comporta. Quer saber? Bote pra rolar e curta, que o resto é perfumaria.

Track List

1. "I Wanna Be Adored"
2. "She Bangs the Drums"
3. "Waterfall"
4. "Don't Stop"
5. "Bye Bye Badman"
6. "Elizabeth My Dear"
7. "(Song for My) Sugar Spun Sister"
8. "Made of Stone"
9. "Shoot You Down"
10. "This Is the One"
11. "I Am the Resurrection"

The Lost Demos

1. "I Wanna Be Adored"
2. "She Bangs the Drums"
3. "Waterfall"
4. "Bye Bye Badman"
5. "(Song for My) Sugar Spun Sister"
6. "Shoot You Down"
7. "This Is the One"
8. "I Am the Resurrection"
9. "Elephant Stone"
10. "Going Down"
11. "Mersey Paradise"
12. "Where Angels Play"
13. "Something's Burning
14. "One Love"
15. "Pearl Bastard" (Demo; previously unreleased track)

Ian Brown (vocais)
John Squire (guitarras)
Mani (baixo)
Reni (guitarras)

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Por Zorreiro

quinta-feira, 31 de março de 2011

Pixies - Doolittle [1989]


Mais uma vez após uma maldita conjuntivite (o que virou até moda em São Paulo) e uma preguiça descomunal após me curar da mesma, estou de volta da licença médica para fazer algumas viagens no volante dessa amada Combe. E para retomar os trabalhos, hoje irei postar um estilo que não me apetece muito e para o qual costumo torcer o nariz, que é o rock alternativo. Mas farei isso pois é impossível ficar indiferente à banda que influenciou todo o movimento indie surgido os anos 90, o ótimo Pixies.

O grupo surgiu no ano de 1986 quando Charles Thompson (que posteriormente utilizaria o nome Francis Black) junto com o seu colega de quarto na faculdade Joey Santiago decidiram montar o grupo. Para completarem a formação do grupo, anunciaram nos classificados que queriam uma baixista que gostasse de música folk, de Peter, Paul And Mary e do Hüsker Dü. A única que respondeu este foi Kim Deal, mas que foi a audição sem o baixo, visto que ela nunca havia tocado o instrumento. Para completar a banda, foi convidado um baterista que Kim Deal conheceu em sua festa de casamento, David Lovering. O grupo foi batizado de Pixies após Joey Santiago ler no dicionário a palavra "pixies", que significava "pequenos elfos maliciosos".


Após alguns ensaios na casa dos pais de Lovering, eis que eles começam a tocar em bares de Boston e gravam seu EP "Come On Pilgrim". Mas foi com seu primeiro disco, "Surfer Rosa" que eles realmente chamam a atenção da crítica e influenciaram a geração indie que viria na década seguinte. Porém o golpe de misericórdia foi dado com o experimental e ao mesmo tempo pop "Doolittle" que na minha modesta opinião é um dos discos mais agradáveis que já escutei, e que vez por outra tiro de minha estante quando estou pra baixo, devido à energia que este emana, e que acaba por sempre me tirar um sorriso do rosto.

Com temáticas que passam desde o surrealismo, personagens biblícos como Davi, Bate-Seba, Sansão e Dalila até a catástrofe ambiental que o homem vem afligindo ao planeta, temos canções deliciosamente palatáveis, mesmo que cheias de riffs em alguns momentos, mais ainda assim acessíveis sem perder aquela identidade alternativa. Isso é confirmado pelo número de vendas, que até os nossos dias atingiu um milhão de cópias apenas em solo americano e é aclamado pelos críticos como um dos discos essenciais da década de 80 em tudo que é lista feita sobre esse assunto.



E temos momentos em que realmente é impossível ficar paralisado com o que é apresentado neste registro. Logo de cara somos esbofeteados com a empolgante "Debaser", que vai te tirar do chão assim que você menos se aperceber disso, o que vale para a ainda mais cativante "Here Comes Your Man", que foi junto com "Forever" do Kiss, uma das canções que mais ouvi na época em que ficava grudado na MTV gravando clipes que eu gostasse (rsrsrs). Ainda destaco e recomendo a soturna "I Bleed", a pessimista e trabalhada "Monkey Gone To Heaven", "Mr. Grieves", "La La Love You" e "There Goes My Gun", que com certeza irão impressionar quem não conhece o grupo e que assim como eu pouco se interessam em rock alternativo.

Apesar de terem influenciado o Nirvana (que odeio e assumo isso pra quem quiser ouvir), com certeza temos um grupo que merece sua atenção, principalmente neste registro, em que você até acaba achando legal ser alternativo. Um disco que deve estar presente na discografia de qualquer um que diga realmente gostar de rock.



1.Debaser
2.Tame
3.Wave of Mutilation
4.I Bleed
5.Here Comes Your Man
6.Dead
7.Monkey Gone to Heaven
8.Mr. Grieves
9.Crackity Jones
10.La La Love You
11.No. 13 Baby
12.There Goes My Gun
13.Hey
14.Silver
15.Gouge Away


Black Francis – Vocais, Guitarra
Kim Deal – Baixo, Guitarra Slide em "Silver"
Joey Santiago – Guitarra, backing vocals
David Lovering – Bateria, Vocal em "La La Love You", Baixo em "Silver"

Músicos Adicionais:
Arthur Fiacco – Cello em "Monkey Gone to Heaven"
Karen Karlsrud – Violino em "Monkey Gone to Heaven"
Corine Metter – Violino em "Monkey Gone to Heaven"
Ann Rorich – Cello em "Monkey Gone to Heaven"



by Weschap Coverdale