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quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Pink Floyd – The Final Cut (1983)


O ultimo corte talvez tenha sido o melhor título para este álbum.

Depois de flertar descaradamente com o pop e a disco music em The Wall, as cifras (que já jorravam aos milhões desde o clássico The Dark Side Of The Moon) atingiram níveis inimagináveis.

A turnê de The Wall foi matadora, e o Pink Floyd adentra a década de 80 com a mesma categoria com que entrara na de 70. Letras melancólicas de um lirismo incomparável, produção impecável e um instrumental sem precedentes na história do rock, graças à química e ao talento de David Gilmour e Richard Wright, especialmente.

Mas a cabeça de Roger Waters, que nunca foi lá essas coisas em termos de sanidade, vagava por um universo paralelo. A vontade de gritar seus traumas para o mundo fez surgir este que, talvez, seja o disco mais Roger Waters de toda a discografia do Pink Floyd.

The Final Cut é o último disco de estúdio do Pink Floyd com Waters, e aquele que traz a volta às raízes que geraram The Dark Side of The Moon. Richard Wright já havia pulado fora, e não participou. Mas os tempos eram outros, e os novos fãs não estavam tão acostumados à psicodelia original da banda. Com músicas arrastadas e letras densas e depressivas, esse é o disco que o músico dedicou ao seu pai, Eric Fletcher Waters, morto na Segunda Guerra Mundial em 18 de fevereiro de 1944, na Itália, quando Roger ainda era um bebê.


A família Waters. Roger é o bebê menor.

Criado pela mãe, Waters já havia se manifestado sobre a sua figura opressora em Mother, do clássico The Wall. The Final Cut foi escrito inteiramente por Roger e dedicado à figura do seu pai. O disco é conceitual, e o nome paterno aparece explícito em The Fletcher Memorial Home. A capa é uma foto de um detalhe do uniforme usado pelo falecido pai, com as insígnias da Marinha inglesa (ele fora fuzileiro naval). O título original era para ser Requiem For a Post War Dream.

O disco foi concebido originalmente para ser trilha sonora do filme The Wall, de 82, mas foi lançado separadamente em razão da Guerra das Malvinas, que acontecia na época e envolveu Inglaterra e Argentina. O disco saiu como um manifesto contra a guerra e a política de Margareth Tatcher.





As orquestrações são conduzidas por Michael Kamen, que já trabalhou com Metallica e havia trabalhado em The Wall. O resultado, a despeito de algumas críticas negativas, é um disco coeso e muito bem produzido. As composições, dentro da proposta, são inspiradas e mostram um Roger Waters disposto a encarar o mundo de frente e gritar aos quatro cantos as suas ideias sobre o mentiroso Welfare State inglês.

Independentemente disso, o disco vale por uma passagem especial, na música The Gunners Dream. Quando a voz de Waters se mescla com o saxofone, exatamente no mesmo tom e na mesma timbragem, a impressão que temos é de cair no vazio. Um sentimento que aperta o coração dentro do peito. Eu acho este, especificamente, um dos momentos mais lindos e impressionantes da história da música.



Se você conhece o play, sabe do que estou falando. Se não conhece, encontre essa passagem.

Você nunca mais será o mesmo.

Track List

1. "The Post War Dream"
2. "Your Possible Pasts"
3. "One of the Few"
4. "When the Tigers Broke Free"

5. "The Hero's Return"
6. "The Gunner's Dream"
7. "Paranoid Eyes"
8. "Get Your Filthy Hands Off My Desert"
9. "The Fletcher Memorial Home"
10. "Southampton Dock"
11. "The Final Cut"
12. "Not Now John"
13. "Two Suns in the Sunset"

David Gilmour (guitarra, vocais em "Not Now John")
Nick Mason (efeitos sonoros com holophonics, bateria)
Roger Waters (vocais, baixo, violões, sintetizadores)
Músicos adicionais
Andy Bown (órgão Hammond)
Ray Cooper (percussão)
Michael Kamen (piano, condução e arranjos da the National Philharmonic Orchestra)
Andy Newmark (bateria em "Two Suns in the Sunset")
Raphael Ravenscroft (saxofone tenor)

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Por Zorreiro

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Morphine – Cure for Pain [1993]



Já vimos bandas que dispensaram o baixista porque o tecladista faz tudo (The Doors e Jeff Beck com Tony Hymas no maravlhoso Guitar Shop).

Já vimos power trios que inovaram a ponto de mudar o rumo da música (The Jimi Hendrix Experience), fazendo enorme sucesso (Cream) ou nem tanto assim (Robin Trower Band).

Mas o que vos apresento hoje é algo absurdamente inovador. No formato de Power Trio, com nome sugestivo e tragédia no currículo, o Morphine é uma banda que tem bateria, baixo e SAX!!!!!

Imagine um contrabaixo segurando riffs atrás de riffs, incansavelmente e com um groove fantástico, utilizando slide e overdrive. Criando uma cama para o baterista experimentar seus pratos à vontade. Um vocal chapado que faz jus ao nome da banda. E muita melodia de saxofone dando as tintas sobre toda essa prospecção sonora.

Morphine nunca saiu pra valer do meio alternativo, mesmo conseguindo um contrato com gravadora e sendo cultuada poels modernettes de plantão dos anos 90. Este é o segundo disco de estúdio dos caras, sendo que o primeiro saiu, originalmente, de forma independente.



Sheila e In Spite of Me formaram a trilha sonora do filme alternativo Spanking The Monkey. Em tempo, espancar o macaco é como descabelar o palhaço para os americanos. Sheila é preguiçosa. Sax e baixo fazendo o riff principal em uníssono e uma letra que faz pensar que a morfina devia rolar solta nos ensaios. In Spite of Me traz um violão e um mandolin zeppelinianos, cortesia do mesmo mestre que faz os malabares com o baixo e um convidado mais que especial. Aliás, tem muito de Going to California aí, mas tudo no Morphine é tão criativo que sequer podemos cogitar o plágio.

Thursday rolou como trilha de um episódio dos sarcásticos Beavis and Butthead, que rolava na extinta MTv. Sim, extinta, porque a que existe hoje não tem mais nada a ver com aquela. A música é nervosa, com a cozinha parecendo um trem. Quando entra o sax, tudo fica mais tenso ainda. Esqueça o sax como instrumento de conforto (alô Dire Straits). Aqui o bicho pega.

Buena foi trilha da primeira temporada do seriado The Sopranos. É impressionante como uma formação improvável consegue fazer uma música soar pop rock sem cair no banal, no lugar comum. Buena é para ouvir dirigindo seu Opalão 73 com o braço pra fora num dia de sol.



Mas e a tragédia?

Pois aqui temos a epítome do rockstar. Tudo o que um rockstar sempre sonhou aconteceu com o Morphine. Em 3 de julho de 1999, no Festival Nel Nome Del Rock, que rolava em Palestrina, na Itália, o baixista, vocalista, guitarrista e principal compositor do Morphine Mark Sandman teve um ataque cardíaco em pleno palco e caiu duro, mortinho da silva em frente a uma platéia extasiada. Suas últimas palavras foram:

"It's a beautiful evening and it's great to stay here and I want to dedicate a super-sexy song to you."

Se você anda chateado com os seus heróis do rock, aqui tem um que resiste ao teste do tempo. Enjoy.

Track List

1. "Dawna" - 0:44
2. "Buena" - 3:19
3. "I'm Free Now" - 3:24
4. "All Wrong" - 3:40
5. "Candy" - 3:14
6. "A Head with Wings" - 3:39
7. "In Spite of Me" - 2:34
8. "Thursday" - 3:26
9. "Cure for Pain" - 3:13
10. "Mary Won't You Call My Name?" - 2:29
11. "Let's Take a Trip Together" - 2:59
12. "Sheila" - 2:49
13. "Miles Davis' Funeral" - 1:41



Mark Sandman (slide bass; tritar; violão; órgão; vocais)
Dana Colley (saxofone barítono e saxofone tenor; backing vocais)
Jerome Deupree (bateria)
Billy Conway (bateria em 9 & 11; cocktail drum overdub em 8)
Jimmy Ryan (mandolin em 7)
Ken Winokur (percussão em 13)

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Por Zorreiro

quarta-feira, 13 de abril de 2011

The Mars Volta - De-Loused In The Comatorium [2003]


Quem ouve The Mars Volta pela primeira vez se vê, inevitavelmente, diante da seguinte questão: para compor canções como essas, os músicos deveriam estar derretendo em drogas. Mas como músicos derretendo em drogas poderiam produzir e executar peças tão complexas e de técnica tão refinada? Tente entender por si mesmo e prepare-se para se surpreender.

O TMV é um projeto do guitarrista Omar Rodríguez-López e do vocalista Credric Bixler-Zavala. A banda se formou nos EUA em 2001, depois de idas e vindas de outros dois grupos dos músicos citados. Em 2003, lançou seu debut, amplamente aclamado pela crítica e responsável pela criação de um público relativamente grande para os outros 4 lançamentos.

O som do The Mars Volta é uma mistura de influências diversas. À primeira audição, o que destoa é o rock progressivo, mas aqui você vai encontrar rock psicodélico, muito jazz fusion e música experimental, krautrock - uma vertente alemã do progressivo setentista -, hardcore e até música latino-americana. O resultado é uma sonoridade bastante original, que se enquadra em gêneros como rock experimental e art-rock.



Mas definições técnicas são muito limitantes ao grupo texano. O que posso dizer é que se trata de música experimental com gosto pela dissonância, onde passagens caóticas frequentemente dão lugar a belíssimas melodias em quebradas que fogem do ortodoxo. A banda é afiadíssima, com um baixo pulsante e uma bateria frenética que em muitos momentos é substituída por bem postadas percussões latinas. Efeitos sonoros e sintetizadores aparecem na hora certa, sem muitos exageros. Omar Rodríguez-López se mostra uma revelação das seis cordas, fazendo uso de riffs e dedilhados de criatividade invejável para conduzir todo o som. Os vocais agudos de Cedric Bixler-Zavala são um show à parte, com a voz de timbre distinto atingindo tons inacreditáveis para um homem. As apresentações ao vivo são de uma intensidade rara nos dias de hoje, com grandes tendências para tudo terminar em jam.

De-Loused In The Comatorium, como é costume para o TMV, é um disco conceitual. Sua lírica trata da narração em primeira pessoa da história de Cerpin Taxt, um homem que, após tentar suicidar-se por overdose, permanece em coma por uma semana. Nesse período, se vê em meio a revelações sobre a humanidade e a própria psique. Ao acordar, frustrado com o mundo real, suicida-se efetivamente. A sinistra história é baseada na morte de Julio Venegas, artista amigo de Credic Bixler-Zavala que passou por acontecimentos parecidos.

O álbum traz as características sonoras já citadas, combinadas com a lírica sombria para gerar um clima enigmático, viajante e carregadíssimo no sentido emocional. Aliás, é um disco praticamente feito de emoções, que passa por momentos de frenesi obscuro seguidos de profunda tranquilidade reflexiva.

Como consta na maioria dos encartes da banda, o The Mars Volta é constituído de Omar Rodríguez-López e Credic Bixler-Zavala. As faixas são executadas pelo The Mars Volta Group. Enfim, este tem, no De-Loused, ninguém menos que Flea assumindo o baixo, assim como John Frusciante faz uma participação em uma das faixas (a turnê que seguiu o De-loused foi de abertura para o Red Hot Chili Peppers). Os destaques ficam para as sombrias "Inertiatic ESP" e "This Apparatus Must Be Unearthed", para as belas "Roulette Dares (The Haunt Of)" e "Eriatarka", a space/prog "Cicatriz ESP" e as duas últimas e melhores faixas: a lindíssima "Televators" e a caótica "Take The Veil Cerpin Taxt", que tem uma incrível passagem instrumental. E acredite, refiz essa lista de destaques algumas vezes até conseguir não incluir o play todo.



Um mês depois do lançamento do disco, o manipulador de som e participante nas composições, Jeremy Michael Ward, morreu de overdose. Isso fez com que os membros da banda abandonassem o uso de opióides. Algo que influenciou o som dali para frente, que deu mais alguns passos em direção à psicodelia e ao fusion - sem heroína começaram a tomar mais LSD [risos]. O grupo tem 5 discos lançados, com a previsão de um para 2011. Em 2010, fizeram sua única passagem pelo Brasil no SWU, com um show simplista, mas excelente, focado nas músicas mais pesadas.

O The Mars Volta é, muito mais do que um bando de doidões fritando em drogas das quais nunca ouvimos falar, uma banda de criatividade distinta e rara sensibilidade. Pessoalmente, afirmo que, uma vez assimilado, é som que dificilmente passa em branco para quem ouve. Não cometa o erro de não conferir.

01. Son Et Lumiere
02. Inertiatic ESP
03. Roulette Dares (The Haunt Of)
04. Tira Me a las Arañas
05. Drunkship of Lanterns
06. Eriatarka
07. Cicatriz ESP
08. This Apparatus Must Be Unearth
09. Televators
10. Take The Veil Cerpin Taxt

Cedric Bixler-Zavala – vocais
Omar Rodríguez-López – guitarra
Jon Theodore – bateria
Jeremy Michael Ward – sintetizador, manipulação de som
Isaiah Ikey Owens – teclados
Flea – baixo

Lenny Castro – percussão
John Frusciante – guitarra e sintetizador em 07
Justin Meldal-Johnsen – baixo acústico em 09


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sábado, 9 de abril de 2011

Tears for Fears – The Seeds of Love [1989]


Eu acho este o disco mais bem produzido dos anos 80. Se nos anos 70 a indústria da música nos legou The Dark Side of The Moon, e nos 60 tivemos o magistral Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band, o disco que posto hoje fez a diferença em uma década de excessos e superproduções.


Mais do que pop, mais do que rock, The Seeds of Love foi o ápice criativo da dupla formada por Roland Orzabal e Curt Smith. É o único disco que gosto deles, e isso se deve não apenas às composições primorosas, mas também à produção impecável e ao cast mágico de convidados especiais. A dupla que forma o Tears for Fears é inglesa, e egressa do grupo Graduate, que nunca fez sucesso fora do Reino Unido. Com um estilo Mod/New Wave, eles eram apenas mais um em um cenário já saturado de cópias que bebiam em uma mesma fonte.

As Tias Fofinhas


Formaram oficialmente o Tears for Fears em 1981 e, durante o início dos anos 80, a dupla insistiu no estilo de sua antiga banda, soando, na minha opinião, como um Echo and the Bunnymen ou um Talking Heads de terceira categoria.

Mesmo já tendo os hits Everybody Wants to Rule the World e Shout, os discos da dupla nunca me chamaram a atenção, pois pareciam música de novela da Globo, até que veio The Seeds of Love. Este é o terceiro álbum do Tears for Fears, lançado somente no ano de 1989, quando já tinha quase 8 anos de trabalho e apenas dois discos lançados.

Foi um projeto audacioso e ambicioso, pois custou mais de um milhão de libras, na época. Algo absurdo se pensarmos em uma banda de um hit só. Muito do material foi coletado de gravações de jam sessions e depois ajeitado em estúdio, por meio da já gabada megaprodução.



Woman in Chains, talvez a mais famosa música do disco, traz Phil Collins na bateria e Oleta Adams no piano e vocais. Pino Palladino (The Who) aparece no baixo em algumas gravações. Sowing the Seeds of Love traz as nuances vocais de Orzabal e Smith em uma sequência de dinâmicas simplesmente fantásticas. Ouça-a em alta definição e através de fones de ouvido e entenderás o que estou dizendo. Trabalho absolutamente primoroso da dupla em conjunto com os produtores e uma constelação de músicos convidados.



Badman’s song segue o mesmo estilo, com dinâmicas entre os instrumentos, fazendo com que ora o piano se sobressaia, ora as vozes, enfim, The Seeds of Love foi feito no estúdio, e não deve seu crédito somente aos músicos competentes. Um trabalho de equipe.

Atingiu o número 1 das paradas inglesas e ficou no top 10 americano. Pelo estilo das músicas eu diria que o disco foi feito sob encomenda para o mercado dos sobrinhos do Tio Sam.

Um disco excelente, que foge da rotulação comum. Para escutar em casa, enquanto se degusta um bom vinho (acho que já deixei claro que gosto muito dessas situações).
Ah! E também para semear as sementes do amor....

Track List

1. Woman in Chains
2. Badman’s Song
3. Sowing the Seeds of Love
4. Advice for the Young at Heart
5. Standing on the corner of the Third World
6. Swords and Knives
7. Year of the Knife
8. Famous Last Words

Manu Katché, Chris Hughes, Phil Collins, Simon Phillips (bateria)
Pino Palladino, Curt Smith (baixo)
Simon Clark, Nicky Holland, Oleta Adams, Ian Stanley, Roland Orzabal (teclados)
Robbie McIntosh, Neil Taylor, Randy Jacobs, Roland Orzabal (guitarras)
Carole Steele, Luis Jardim (percussão)
Tessa Niles, Carol Kenyon, Nicky Holland, Dollette McDonald, Andy Caine, Maggie Ryder (backing vocais)
Jon Hassell (trompete)
Peter Hope-Evans (harmonica)

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Por Zorreiro

segunda-feira, 7 de março de 2011

Silverchair - Diorama [2002]


Se houve uma banda que realmente evoluiu através dos anos de experiência, podemos afirmar sem medo alguma que esta foi o Silverchair. Após surgirem no meio musical como garotos prodígios aos 15 anos de idade apostando no grunge, mudaram a direção de seu som ao passar do tempo. Mesmo nessa fase, percebemos a direção que a banda poderia tomar com o tempo, sendo um belo exemplo disso a belíssima "Cemetery", algo muito fora do padrão grunge. "Neon Ballroom" veio e passou ainda mais a explorar de orquestrações e climas mais sombrios.

Toda essa evolução atingiu o seu ápice no quarto disco do grupo, o grandioso "Diorama". Mas no momento nem tudo eram flores para o grupo. Alguns meses após a uma apresentação explosiva no Rock In Rio III, Daniel Johns foi diagnosticado com um tipo raro de artrite, que acabou por interroper a turnê do grupo durante o processo de recuperação. Mas para aproveitar esse momento parado, a banda entra em estúdio com o produtor David Bottrill para a gravação de seu novo disco.


E o mesmo desde seu início se mostrou um disco ousado. Definido por Johns como "um mundo dentro do outro", surgiu de sua maneira de compor músicas ao piano. E para captar a grandiosidade que ele desejava, foram convidados vários músicos para as gravações, para inserções de mais orquestrações nas canções que estavam sendo trabalhadas naqueles momento. A ambição de Johns era tão grandiosa, que dentro do estúdio ele se definia como um artista, ao invés de um rockstar já consagrado naquela altura do campeonato. Sem falar que seu trabalho vocal aqui está impecável, onde ele realmente parece ter encontrado a melhor maneira de usar sua voz.

E o resultado é deveras surpreendente, pois temos em mãos o disco mais grandioso da carreira do grupo. As orquestrações permeiam praticamente todo este, climas bem construídos e envolventes e canções grandiosas e que mostram que realmente esse era um trabalho artístico e carregado de emoções vindas da mente de Johns, que inclusive foi co-produtor deste. "Across The Night" abre o disco mostrando o quão grandioso o som do grupo havia se tornado, em uma junção poderosa de uma banda de rock com orquestra, o que seria uma constante durante todo este.



E este é um disco carregado de baladas, mas nem esse excesso incomoda, pois as canções são tão bem construídas que vão agradar até quem não é chegado em baladas. "Without You", "World Upon Your Shoulders" e "Tuna in The Bride" são deveras cativantes e todas agradam com suas melodias agradáveis. Mas a minha predileta nesse quesito é a linda "Luv Your Life", feita para ser memorável em cada detalhe e a cada audição se torna ainda mais apaixonante. Mas eles não se esqueceram de fazer aqueles rockões pesados do início de carreira, que se fazem presentes na cadenciada e pesada "One Way Mule" e na porrada "The Lever" que relembra os primeiros discos do grupos e mostra que não esqueceram a fórmula de como fazer músicas mais pesadas.


"After All These Years" finaliza esse disco de maneira belíssima, cheia de orquestrações e com Johns com belas linhas vocais, sendo que ao final dela existe uma pequena faixa instrumental no piano escondida. Um disco grandioso, e que mostra que é possível uma banda evoluir e experimentar novos ares de maneira inteligente e audaciosa. Mesmo que você torça o nariz para estes australianos, esta é uma boa chance para ouvir o som de qualidade que eles sempre apresentaram.





1.Across the Night
2.The Greatest View
3.Without You
4.World Upon Your Shoulders
5.One Way Mule
6.Tuna in the Brine
7.Too Much of Not Enough
8.Luv Your Life
9.The Lever
10.My Favourite Thing
11.After All These Years / Outro (hidden track)

Daniel Johns – Vocais, Guitarras, Piano, Arranjos Orquestrais (Faixas 2, 4, 10)
Chris Joannou – Baixo
Ben Gillies – Bateria, Percussão


Músicos Convidados:
Van Dyke Parks – Arranjos Orquestrais (faixas 1, 6, 8)
Larry Muhoberac – Arranjos Orquestrais (faixas 2, 4, 10)
Rob Woolf – Órgão (faixas 3, 10)
Michele Rose – Pedal Steel (faixa 7)
Paul Mac – Piano (faixas 1, 4, 6, 7, 8, 10)
Jim Moginie – Teclados (faixas 2, 5), Piano (faixa 5)


By Weschap Coverdale