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sábado, 10 de dezembro de 2011

Richie Kotzen – Bi-Polar Blues [1999]


A discografia do incansável Richie Kotzen é uma coisa doida. Alguns de seus registros anteriores a este, como “Something To Say” e “What Is...”, flertavam com o Rock clássico e até o Pop Rock – sem perder a conhecida essência de sua sonoridade. Durante uma pequena pausa nas atividades do Mr. Big, banda que havia acabado de entrar, o guitarrista mergulhou de cabeça no Blues.

O produto deste mergulho, “Bi-Polar Blues”, é incrível. Kotzen assumiu todos os instrumentos – guitarra, voz, baixo, bateria e piano – e contou apenas com as singelas participações do baixista Rob Harrington e do baterista Matt Luneau em, respectivamente, duas e cinco faixas. Além de composições autorais, o play apresenta quatro releituras para as eternas Tobacco Road (John D. Loudermilk), The Thrill Is Gone (Roy Hawkins), They're Red Hot e From Four Till Late, as duas últimas do pioneiro Robert Johnson.



Nas músicas próprias, uma veia bluesy vista apenas por grandes (e velhos) nomes do gênero é devidamente resgatada. Algumas canções, como a abertura Gone Tomorrow Blues, a truncada Broken Man Blues e a melancólica A Step Away, parecem ter nascido clássicas. Nos tributos, a performance original do guitarrista e vocalista cativa até os mais saudosistas. A interpretação de The Thrill Is Gone merece grande destaque, pois, sem exageros, se equipara à versão de B.B. King, o responsável por popularizar a canção.

Em “Bi-Polar Blues”, Richie Kotzen dá uma grande amostra de talento e versatilidade para o ouvinte. Não deixe de conferir este petardo.



01. Gone Tomorrow Blues
02. Tied To You
03. They're Red Hot (Robert Johnson cover)
04. Tobacco Road (John D. Loudermilk cover)
05. Broken Man Blues
06. The Thrill Is Gone (Roy Hawkins cover)
07. From Four Till Late (Robert Johnson cover)
08. A Step Away
09. Burn It Down
10. No Kinda Hero
11. Richie's Boogie

Richie Kotzen – vocal, guitarra, piano, baixo, bateria
Rob Harrington – baixo em 4 e 6
Matt Luneau – bateria em 1, 3, 4, 6 e 7

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by Silver

terça-feira, 27 de setembro de 2011

John Mayall Bluesbrakers – A Hard Road [1967]



Eric Clapton is God

Essa era a imagem do Slowhand em meados dos anos 60, em razão do seu trabalho com os Yardbirds, traduzida em um grafite na parede do metrô de Londres.

Descontente com o rumo dos trabalhos de sua banda, Clapton abandonou o barco e foi se juntar com aquele que é considerado um dos precursores do british blues eletrificado: John Mayall e seus Bluesbrakers.

Os Bluesbrakers com Clapton logo atingiram o status de Cult. O disco Beano hoje é o mais vendido da carreira de Mayall, que, convenhamos, é bastante prolífica. Os timbres de amps Marshall cuspindo fogo pelas ventas eram uma novidade na época, pois, em 66, os sistemas de distorção de som ainda eram precários. Clapton resolveu isso lacrando todos os botões no máximo e obtendo um dos timbres mais quentes da história do rock. O guitarrista, então, sai para montar o Cream e leva consigo o baixista Jack Bruce. o Cream é produto da escola Mayall.



Foi nesse cenário que surge um rapaz de 19 anos chamado Peter Green, com a espinhosa função de substituir Eric “God” Clapton nos Bluesbrakers. O legado devia ser mantido por sua glória, mas a identidade própria era requisito de exigibilidade para a sobrevivência da carreira de Green. Ele não podia ser um clone de Clapton, mas tinha que se mostrar tão bom quanto.

Caro passageiro, o resultado foi tão explosivo que, hoje, poucos fãs ousam discutir qual dos dois discos é melhor: Beano ou A Hard Road. Os timbres característicos da Les Paul de Green fizeram escola. O músico também contribuiu com composições próprias, a exemplo da fantástica instrumental The Super Natural. Essa guitarra (uma Gibson Les Paul 1959) se tornaria um peso sobre os ombros de Green, que a vendeu e, anos depois, foi adquirida por Gary Moore (Moore não comprou direto de Green como alguns pensam).



Green, depois, leva consigo o baixista John McVie e o baterista Mick Fleetwood e forma o Fleetwood Mac, mais um produto da espantosa escola Mayall. Também foi acometido de esquizofrenia em razão do abuso de drogas e isso o tirou de cena durante as décadas de 70 e 80, reaparecendo com seu Splinter Group na segunda metade dos anos 90.

Mas aqui está o filé. Peter Green querendo mostrar serviço aos 19/20 anos de idade substituindo ninguém menos que aquele que era considerado o melhor guitarrista do mundo à época (Hendrix surgiu pouquíssimo tempo depois). Deguste o que há de melhor na escola britânica do blues.



Sobre a história, cabe a seguinte citação do site oficial de Mayall:

After Clapton and Jack Bruce left the band to form Cream, a succession of great musicians defined their artistic roots under John's leadership, and he became as well known for discovering new talent as for his hard-hitting interpretations of the fierce Chicago-style blues he'd grown up listening to. As sidemen left to form their own groups, others took their places. Peter Green, John McVie and Mick Fleetwood became Fleetwood Mac. Andy Fraser formed Free, and Mick Taylor joined the Rolling Stones. As Eric Clapton has stated, "John Mayall has actually run an incredibly great school for musicians."

Mais do que um simples disco para cumprir tabela com as gravadoras, aqui está um encontro entre talentos no qual rolou uma química sem igual. É mais uma aula de blues elétrico da escola Mayall. Aprenda com o mestre Mayall o que é blues elétrico.

Ah! Não escrevi no título para guardar a informação aos que resolveram ler a resenha: esta é a Expanded Edition, um cd duplo que saiu em 2003 contendo o famoso EP da jam que a banda fez com Paul Butterfield como bônus.



Definitivamente, não é para qualquer um. Espero que curtam.

Track List

CD 1

1 A Hard Road 3:10
2 It's Over 2:47
3 You Don't Love Me 2:40
Vocals - Peter Green (2)
4 The Stumble 2:50
5 Another Kinda Love 3:06
6 Hit The Highway 2:10
7 Leaping Christine 2:18
8 Dust My Blues 2:43
9 There's Always Work 1:38
10 The Same Way 2:07
Vocals - Peter Green (2)
11 The Super-Natural 2:57
12 Top Of The Hill 2:34
13 Some Day After Awhile (You'll Be Sorry) 2:57
14 Living Alone 2:20
15. Evil Woman Blues 4:05
16. All My Life 4:25
17. Ridin' on the L&N 2:32
18. Little by Little 2:47
19. Eagle Eye

CD 2

1.Looking Back 2:37
2. So Many Roads 4:47
3. Sitting in the Rain - 2:59
4. Out of Reach 4:44
5. Mama Talk to Your Daughter 2:39
6. Alabama Blues 2:31
7. Curly 4:51
8. Rubber Duck 4:00
9. Greeny 3:56
10. Missing You 1:59
11. Please Don't Tel 2:29
12. Your Funeral and My Trial 3:56
13. "Double Trouble" 3:22
14. "It Hurts Me Too" 2:57
15. Jenny - 4:38
16. Picture on the Wall - 3:03
17. First Time Alone – 5:00


John Mayall (vocais, guitarra, harmonica, piano, órgão)
Peter Green (vocais, guitarra, harmonica)
John McVie (baixo)
Colin Allen, Aynsley Dunbar, Hughie Flint (bateria)
John Almond e Alan Skidmore (saxophone)
Ray Warleight (sopros)


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Por Zorreiro

terça-feira, 26 de julho de 2011

Buddy Guy e Junior Wells – Play The Blues [1972]


Hoje acordei blues.


Também pudera. Ontem, pra fazer o filhote dormir, toquei Love in vain na viola e ele simplesmente sorriu. Para o amigo passageiro que perguntou sobre a paternidade na outra postagem, essa é a resposta: demais, vontade de ensinar tudo ao mesmo tempo agora.


O guri ainda não entende overdrive, fuzz, essas coisas. Eis que, quando botei pra tocar o disco do post de hoje, ele acalmou e abriu um sorriso. Orgulho de pai chega a ser nojento, ainda mais se considerarmos que ele tem 21 dias. Buddy Guy e Junior Wells, definitivamente, fazem a cabeça da minha família.


Lançado pela Rhino Records em 1972, o post de hoje é uma pérola produzida por ninguém menos que Eric Clapton e Ahmet Ertegun (aquele mesmo, dono da Atlantic Records e cuja morte foi homenageada por um ressuscitado Led Zeppelin no O2 Arena em 2007). A banda que acompanha a dupla é a The J. Geils Band, que simplesmente traz, no ano de 1972, um background fantástico para a guitarra de Guy e a Voz e harmônica de Wells.


O disco foi gravado em dois lugares diferentes: Criteria Studios, Miami, Florida e Intermedia Studios, Boston, Massachusetts. Isso porque o disco traz duas gravações em épocas diversas e com acompanhamentos diversos. A primeira, em 1970, traz Clapton e sua banda participando em 8 faixas. O inglês toca guitarra slide e o incansável Dr. John os acompanha ao piano. A segunda, com a já mencionada J. Geils band, resultou em apenas 2 faixas aproveitadas no play e a justificativa para um atraso de dois anos no lançamento.


A Man of Many Words abre o disco trazendo todos os licks de guitarra que fizeram a cabeça das gerações 60 e 70. Clapton, Hendrix, Page e, principalmente, Richards, beberam descaradamente na fonte. Buddy Guy empresta sua voz também para Bad Bad Whiskey, que, não por acaso, lembra uma sincera homenagem a Robert Johnson que, reza a lenda, teria morrido por ter tomado um whiskey envenenado (apesar de ele falar em pneumonia em Preaching Blues, mas aí a lenda perde a graça).


Come on in this House (have mercy baby) traz uma cadência de ritmos alternados e a maravilhosa voz de Junior Wells segurando o rojão com aquele timbre só dele. Fazer dupla com Buddy Guy e ainda assumir os vocais não é para qualquer um, e aqui Wells mostra porque está na parceria. Honeydripper é uma instrumental simplesmente linda. O piano cria uma tensão que parece que vai consumir a música, que vai estragar tudo. Mas a guitarra de Guy emerge com um toque jazz/ fusion que, acredito eu, mostrou a Jeff Beck o caminho das pedras.


I Don’t Know é a deixa para Junior Wells mostrar o que sabe fazer com uma gaita de boca. Claramente influenciada pelas composições de Willie Dixon, faz a cabeça de quem curte um Stones da fase áurea. A seguir, o big hit da dupla: Messing With The Kid. Acredito que aqui tenhamos um flerte descarado com o pop, mas sem jamais perder a maravilhosa veia blues (e nem poderia). Não mexa com o garoto. Guy deixa seu legado para o garoto Stevie Ray Vaughan, anos mais tarde, ter a sua fonte de pesquisa. Excelente.


Caro passageiro. Se você também tem um apreço pelo blues, fica meu presente de hoje. Música honestamente feita para trazer alegria a corações partidos.


Trago o relato de Irene Walker (aka Mama Rene) à National Geographic de maio de 2004 (p. 124):


“O blues está desaparecendo entre os jovens negros.

Acham que é coisa de velho. Eles permitiram que o rap os afastasse de sua própria cultura, ao passo que os jovens brancos estão se aproximando do blues.”


Vou lamentar e, parafraseando o nosso samba: não deixe o blues morrer.


Track List


1. A man of many words

2. Bad bad whiskey

3. Come on in this house (have mercy baby)

4. Honeydripper

5. I don’t know

6. Messin’ with the kid

7. My baby she left me (she left me mule to ride)

8. Poor man’s plea

9. T-Bone shuffle

10. This old fool


Buddy Guy (vocais, guitarra)

Junior Wells (vocais, harmonica)

J. Geils (guitarra)

Eric Clapton (guitarras)

Magic Dick (harmonica)

A.C. Reed (saxophone tenor)

Dr. John, Mike Utley, Seth Justman (piano)

Carl Radle, Leroy Stewart, Danny Klein (baixo)

Roosevelt Shaw, Jim Gordon, Stephen Bladd (bateria)


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Por Zorreiro

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Paul Rodgers - Muddy Water Blues [1993]


Ao citarmos Muddy Waters, automaticamente estamos falando de história. Considerado o pai do Blues moderno, o músico influenciou vários dos maiores artistas da história nos mais variados gêneros, desde o Soul, Jazz R&B, Folk e, é claro, o Rock and Roll. O caso mais famoso de sua ação sobre as forças mundanas, como todos devem saber, foi o nome da banda de Mick Jagger e Keith Richards, retirado de uma de suas músicas. E o cara que ajuda Chuck Berry a conseguir seu primeiro contrato com uma gravadora, com certeza tem algo muito sério a ver com tudo isso que existe atualmente.

Sabendo disso, Paul Rodgers, uma das maiores vozes da história da música, decidiu prestar um tributo a essa lenda. Reuniu uma turma de primeiríssimo nível e registrou um dos melhores álbuns do gênero em todos os tempos. Para começo de conversa, uma cozinha simplesmente matadora, com o experiente Pino Palladino (Eric Clapton, Genesis, The Who, entre outros) e o então novato Jason Bonham, mostrando que seu talento ia muito além do sobrenome. Mas é entre os guitarristas que o bicho pega para valer, com uma verdadeira seleção do Rock homenageando o homem. É tanta estrela reunida que nem dá para destacar alguém em especial.



Difícil destacar algum momento, mas algo que conta com tanto envolvimento de Jeff Beck, por si só já diz muito. Afinal de contas, o gênio genioso não é lá muito chegado em confraternizar com a raça humana. Mas aqui acabou participando de três faixas, com a velha clássica que lhe é peculiar. E relembrar velhos clássicos como “(I'm Your) Hoochie Coochie Man”, “I Just Want To Make Love To You” e “Born Under a Bad Sign” nunca é demais. Mesmo sons menos conhecidos pelo público em geral acabam ganhando um significado atemporal quando revisitados por essa turma de feras de primeira grandeza.

Mais que um álbum tributo, Paul Rodgers prestou verdadeiro serviço de utilidade pública ao apresentar a novas gerações um dos músicos mais influentes de todos os tempos. E o principal, fazendo isso com a classe e talento que lhe é peculiar nos trabalhos próprios. Item obrigatório em qualquer discografia que se preze e uma verdadeira aula de história da arte.

Paul Rodgers (vocals)
Pino Palladino (bass)
Jason Bonham (drums)
Ronnie Foster (Hammond)
David Paich (piano)
Jean McClain (backing vocals)

Entre parênteses os guitarristas de cada faixa.

01. Muddy Water Blues (Acoustic Version, Buddy Guy)
02. Louisiana Blues (Trevor Rabin)
03. I Can't Be Satisfied (Brian Setzer)
04. Rollin' Stone (Jeff Beck)
05. Good Morning Little School Girl Part 1 (Jeff Beck)
06. (I'm Your) Hoochie Coochie Man (Steve Miller)
07. She's Alright (Trevor Rabin)
08. Standing Around Crying (David Gilmour)
09. The Hunter (Slash)
10. She Moves Me (Gary Moore)
11. I'm Ready (Brian May)
12. I Just Want To Make Love To You (Jeff Beck)
13. Born Under a Bad Sign (Neal Schon)
14. Good Morning Little School Girl Part 2 (Richie Sambora)
15. Muddy Water Blues (Electric Version, Neal Schon)

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JAY

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Warren Haynes – Man in Motion [2011]



O Marathon Man excursiona e grava com a The Allman Brothers Band, Gov’t Mule, The Dead (aka Grateful Dead), faz participações especiais em gravações e shows da brodagem e ainda arruma um tempo pra gravar disco solo (e duplo!). Isso tudo com o melhor timbre de guitarra que existe na atualidade e vocais absurdamente cheios de feeling.

De onde você é, brother Haynes? Que pilhas você usa?

Não é de hoje que vitalidade e a criatividade de Warren Haynes me surpreendem. Mas o que cativa é a sua sinceridade. Quem mais conseguiria segurar uma platéia do tamanho da de Boonaroo somente com um violão? Só alguém em que a massa realmente acredite. E Haynes é o messias do rock. Ele tem uma mensagem: seja você mesmo/ faça o que você curte, e todos te amarão.

O post de hoje é o último disco solo de Haynes, Man in Motion, que traduz o espírito inquieto do americano no seu inconformismo com o cenário musical que compõe. O track list traz pérolas do rock, do soul e do blues, formadas por composições próprias que não são menos que espetaculares. O disco já nasce um clássico.

A propósito, é impressionante como o resgate a velhos timbres e métodos de composições pode parecer fresco nos dias de hoje. Quando todos os timbres de guitarra têm a busca pelo peso em camadas de overdubs, Haynes é adepto do bom sistema plug and play, que resume o set a um amp valvulado e uma guitarra. Quem não consegue tirar som com o simples, nunca conseguirá tirar com equipamento complexo. E na simplicidade, Haynes é mestre.



Produzido por Gordie Johnson, que também produziu os dois últimos discos do Mule, penso que este play traga o melhor trabalho vocal de toda a carreira de Haynes. Trabalho que conta com a ajuda mais que bemvinda de Ruthie Foster. Ian Neville também ajuda no gogó, e o resultado é bom demais.

O play abre com a autoral Man in Motion, que traz o velho Warren Haynes de guerra com seus riffs de guitarra em double stop e um Hammond sem vergonha fazendo a cama. Imagine o groove dos Almann Brothers com a cama do Mule. Não sei explicar, mas é Warren Haynes em sua essência. River’s Gonna Rise poderia tranquilamente ser trilha sonora de um filme do Steve McQueen. Mezzo funk, mezzo rock, é o clima perfeito pra rodar no carango pelo centro da cidade vazia às 6 da matina. Os já elogiados vocais agora ganham destaque e força na mixagem.



Everyday Will Be Like a Holiday é um blusão de fazer marmanjo chorar. Como é que ainda sai tanto som bom dessa cachola é um dos enigmas da humanidade. Gênio total. Que se revela também na engraçada Sick of My Shadow, pois os diálogos de sax com guitarra encharcada de wah wah demonstram um cara que gosta de compartilhar os holofotes. Ele, definitivamente, não tem vocação para ser diva do rock. É honesto demais pra isso (olha a honestidade de novo). E o cd 1 encerra com Wildest Dreams e seu pianão com harmonias divinas.

O cd 2 abre com On a Real Lonely Night e seu riff de 6 notas ascendentes e clima de jam session. Segue Hattiesburg Hustle, que lembra um Gov’t Mule vitaminado com apelo pop. Mas não aquele pop grudento. Mas é feita pra tocar na (web) radio, pois tem um embalo muito bom de curtir.



A Friend to You mostra porque Ron Holloway foi convidado para o disco. A abertura, com solo de sax, cria a tensão necessária para a guitarra Hendrix que vem depois. E segue Take a Bullet e seu estilo Wilson Picket. Tente não lembrar de Midnight Hour naquele começo. É o clima rithm n’ blues e soul que permeia pelo disco todo. Essa é das minhas preferidas.

Agora, Save Me é de arrepiar. O encerramento do disco é uma das baladas mais lindas que já ouvi. A dinâmica do piano (e não um teclado com timbre de piano) traz um calor especial à canção. E Warren Haynes aproveita esse calor para fazer um de seus vocais característicos e cheios de feelin’.

Um disco de um músico completo, com uma inesgotável capacidade de criar músicas maravilhosas. Eu me impressionei, mesmo imaginando que seria mais do mesmo. Não é.

Track List

Disc 1
1. Man in Motion
2. River’s Gonna Rise
3. Everyday Will Be Like a Holiday
4. Sick of My Shadow
5. Your Wildest Dream

Disc 2
1. On a Real Lonely Night
2. Hattiesburg Hustle
3. A Friend to You
4. Take a Bullet
5. Save Me

Warren Haynes (guitarras e vocais)
George Porter Jr (baixo)
Ian Neville (orgão, clavinete e backing vocais)
Ian McLagan (Wurlitzer e piano)
Raymond Weber (bateria)
Ron Holloway (sax tenor)
Ruthie Foster (backing vocais)

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Por Zorreiro

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Guitars That Rule The World [1992]


Imagine poder escolher o time dos sonhos e dizer aos jogadores: joguem como quiser. Façam o que lhes der na telha!

Essa foi a proposta da revista Guitar World americana. Esse disco, hoje, é tratado como vol. 1; mas, quando saiu, não se tinha a ideia de fazer continuações. Era para ser apenas um produto com os melhores da então maravilhosa e acrobática década de 80, que havia chegado ao seu não tão glorioso final.

Os cabelos esvoaçantes e cheios de laquê faziam companhia a roupas extravagantes, chamativas e que compunham visuais pesadamente exagerados. Como já postado aqui, era uma época maravilhosa, em que homens se vestiam como mulheres, mulheres como vagabundas e o rock’n’roll chutava traseiros. E como chutava. O disco que mostro hoje é o encerramento glorioso de um ciclo.

Esqueça as histórias de agonia do hard farofa. Ele se encerrou da mesma forma apoteótica que começou: com um grande trabalho. E este trabalho, na minha opinião, é esta coletânea. Gravado em vários estúdios diferentes, o resultado final foi masterizado nos estúdios Sterling Sound, em Nova York. Mas vamos cortar o lero lero e vamos ao cardápio, que é primoroso.

A jóia abre com a estupenda Black Magic, que traz um Reb Beach tocando todos os instrumentos. Gravado no estúdio caseiro de Kip Winger, a música é praticamente um portfólio do guitarrista. Mas o resultado ficou tão bom que eu considero uma das melhores do play.



Richie Sambora, que acabara de lançar seu Stranger in this Town, mandava ver com Mr. Sambo, acompanhado de quase todo o Bon Jovi. É interessante ver Sambora detonando um instrumental de peso, sem a voz de Jon Bon Jovi por cima e sem cair na armadilha das baladas xaroposas. É a sequência ideal para o que Reb Beach fez.

Yngwie J. Malmsteen traz Leviathan, com seus clássicos bululus em altíssima velocidade. Uma faixa que parece ter saído de Trilogy ou Marching Out. O sueco, justiça seja feita, esmirilha o instrumento e consegue fazer a diferença. Obviamente, um disco inteiro de músicas instrumentais do cara é insuportável (até o maravilhoso Millenium). Mas, no meio de tantas estrelas, Leviathan é o que se espera para preencher o espaço que pertence a Malmsteen.

Paul Gilbert estava numa fase pré saída do Mr. Big. Ele sempre foi espevitado e ousado nas inovações guitarrísticas. O estilo Mr. Big, mais pop e “redondinho”, começava a saturar seu gênio inquieto. I Understand Completely é a prévia do que viria em sua carreira solo da segunda metade dos anos 90. Sons, aliás, que nunca entendi 100%, fazendo um trocadilho horrível com o título da faixa.

Elliot Easton dá um show de bom gosto. Seu violão tem um timbre inigualável, e a elegância da composição traz a lama do Mississippi com um pouco dos esgotos de Nova York. Afinal, é muita técnica pra um blues de raiz, mas muito feeling para um jazz/fusion. Fantástico.

Bueno. Zakk Wylde destrói tudo. Acompanhado do staff da Pride & Glory, Farm Fiddin’ é simplesmente a melhor coisa que o cara já fez na vida. Minha opinião, claro. Mas é quando ele mistura metal com bluegrass que a coisa fica divina. E ele estava tão solto por aqui, que a música é dividida em várias partes, tendo barulhos de fazenda como pano de fundo. Zakk mostrava que, mais que o sideman de Ozzy, era um guitarrista com estilo próprio que veio para ficar. E ficou.



Nuno Bettencourt impressiona por fazer algo que ninguém esperava dele. Depois de experimentar o megasucesso com seu Extreme, no qual desfilava licks de guitarra de tirar o fôlego (Get The Funk Out tem um dos sweeps mais fantásticos que já ouvi), ele aparece com um timbre doce, com frases de blues e clássicos Blackmoreianos, sobre uma base de sons caóticos, quase cacofônicos. O resultado é excelente, mas não é para qualquer ouvido entender a proposta.

Alex Skolnik, então egresso do Testament e mergulhado em jazz e outros experimentalismos, resolve gravar um funk instrumental. Resolveu e pronto. Qual é o problema? O grande detalhe é que a música, a exemplo do que fez Zakk Wylde, possui diversas partes com ritmos aparentemente desconexos. Mas o resultado final não é menos que fantástico. São obras de guitarristas e devem ser encaradas como tais.

Richie Kotzen é o velho de guerra. Antes de se aventurar pelo soul e pelo hard blues, ele era um dos destaques da cena shred do final dos anos 80. E seu trabalho solo é excelente. Eu prefiro o que ele fez em Shuffina, mas este Chype Fluxx tem seu valor, apesar de eu achar que ele seria capaz de fazer algo muito, mas muito melhor.

Albert Collins, o Iceman, faz a sua homenagem a um recém falecido Stevie Ray Vaughan. Sua telecaster sempre teve aquele estalado característico. E ele, pouco antes de morrer, deixou seu legado aos shredders de plantão, com uma interpretação de tirar o fôlego. Incrível como o velhinho se sobressai entre os hardeiros. Talento e feeling em estado puro.

Dickey Betts e Warren Haynes, a dupla de guitarras que foi responsável pela ressurreição da Almann Brothers Band nos anos 90, mostram que a volta de seu grupo tinha tudo para dar certo. Uma harmônica abre os trabalhos que são a melhor expressão do som acústico do sul dos Estados Unidos. Fantástico é a palavra. Agora sim temos um blues de raiz purinho, com sotaque do sul e atolado na lama do Mississippi até o pescoço. Clima de jam total. Um dia vou a Chicago alugar uma Harley ou um dojão pra descer até New Orleans ouvindo essas maravilhas no... toca-fitas. Claro!

Reeves Gabrels, então sideman do camaleão David Bowie, trouxe seu peso e experimentalismo ao play. Guitarras loucas com sotaque eletrônico, Why Do I Feel Like I’m Bleeding é uma aula àqueles que pensam que guitarra é tocar escalas para cima e para baixo na velocidade da luz. A produção mostra um Reeves Gabrel perfeccionista na busca do resultado que teve em mente desde o começo das gravações.

Para encerrar, Earl Slick toca aquele hard rock no melhor estilo californiano, para ouvir num dia de sol. Frases que beiram o clichê aparecem de forma agradável e perfeita.

Embora não exista, parece estar presente um certo tipo de clima de competição neste disco. Mas, mais do que um desfile de técnicas, o feeling e o cuidado nas composições e arranjos se sobressai nesse mix de estilos tão caros entre si, que são o rock, o blues, o hard rock e o metal.

Nada de tributos. Cada um fez a sua parte mostrando do que é capaz. E ficou uma maravilha.

Track List

1. Reb Beach - Black Magic
2. Richie Sambora - Mr. Sambo
3. Yngwie Malmsteen - Leviathan
4. Paul Gilbert - I Understand Completely
5. Elliot Easton - Walk On Walden
6. Zakk Wylde - Farm Fiddlin'
7. Nuno Bettencourt - Bumble Bee (Crash Landing)
8. Alex Skolnick - Fielt Of Soul
9. Richie Kotzen - Chype Fluxx
10. Albert Collins - Blues For Stevie
11. Dickey Betts & Warren Hayes - Wille And Poor Bob
12. Reeves Gabrels - Why Do I Feel Like I'm Bleeding?
13. Earl Slick - Surfer Junkie Dude

Reb Beach (todos os instrumentos, produção e mixagem)
Richie Sambora (guitarras)
Yngwie J. Malmsteen (guitarras, produção, mixagem)
Paul Gilbert (todos os instrumentos, produção e mixagem)
Elliot Easton (todos os instrumentos, produção e mixagem)
Zakk Wylde (guitarras)
Nuno Bettencourt (todos os instrumentos, produção e mixagem)
Alex Skolnick (guitarra, produção e mixagem)
Richie Kotzen (todos os instrumentos, produção e mixagem)
Albert Collins (guitarra e produção)
Debbie Davies (guitarra)
Dickey Betts (guitarra e produção)
Warren Haynes (guitarra e produção)
Reeves Gabrels (todos os instrumentos e produção)
Earl Slick (guitarra, produção e mixagem)
Tico Torres (bateria e produção)
Huey McDonald (baixo)
Svente Henrysson (baixo)
Mats Olausson (teclados)
Michael Von Knorring (bateria)
James Lomenzo (baixo)
Greg D`Angelo (bateria)
Les Claypool (baixo)
Brain (bateria)
Soko Richardson (bateria)
Tom Dusett (harmonica)
Gary Stewart (Field hollering)
Terry Bozzio (bateria)
Kirk Alley (baixo)
Johnny B. Gayden (baixo)


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Por Zorreiro

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Buddy Guy & Junior Wells – Alone And Acoustic [1981]



Mas, se são dois músicos, como é que o título faz referência a “alone”?


Esse é um daqueles mistérios da vida humana que ninguém, jamais, ousará sequer tentar decifrar.


Duas premissas: 1) simplesmente adoro blues de raiz com instrumentos acústicos; 2) já percebi que tem blueseiro às pencas na Combe. Então, nada melhor que dar a Cesar o que é de Cesar. Agora o passeio de Combe é ao som da voz e do violão de ninguém menos que o gigante Buddy Guy e seu fiel escudeiro dos anos 70 e 80, Junior Wells.


Se Guy, quando canta, já tem a voz do trovão, imagine o que pode fazer o cara para quem ele cedia o microfone. Junior Wells é vocalista e gaitista de mão cheia. Guy é mágico. Os dois juntos formaram uma das melhores duplas da história do blues. Duvida? Então comece pelo começo.


Bote o play para rodar e sinta o feeling da primeira faixa. Give me My Coat And Shoes traz Guy no violão de 12 cordas e vocais enquanto Wells segura na harmônica como se fosse um monstruoso Hammond de fundo. Esse disco foi gravado durante a tour européia da dupla no ano de 1981, em um momento intimista no qual eles dispensaram a banda e mostraram que, além de mestres do blues elétrico de Chicago, sabem fazer o melhor blues de raiz que toda a extensão do rio Mississippi – de Chicago a New Orleans – pode proporcionar ao mundo. Isso tem que estar no DNA, não é possível! Se existisse fórmula para esse tipo de feeling os japoneses já estariam fazendo blues de raiz e samba com qualidade.


A segunda, Big Boat traz a dupla revezando nos vocais. É de arrebentar o coração. O disco também conta com clássicos de John Lee Hooker (Boogie Chillen) e Muddy Waters (My Home's in the Delta), bem como algumas músicas folclóricas, que os americanos chamam traditionals (Catfish Blues).


A apresentação foi gravada nos estúdios Sysmo, no dia 15 de maio de 1981, em Paris. Durante muito tempo o lançamento do play ficou restrito ao mercado francês. Precisou a internet acabar com esse negócio de mercado restrito para que todos pudéssemos ouvir uma das maiores preciosidades da música. O título original do disco era Going Back to Acoustic, mas foi alterado para Alone and Acoustic quando foi lançado mundialmente (segue a pergunta que abriu essa resenha – malditos almofadinhas executivos de gravadoras e suas atitudes imbecis). A minha preferida é Sally Mae que tem momentos de silêncio absolutamente impecáveis. Talvez a ansiedade de preencher todos os espaços seja o motivo pelo qual alguns guitarristas de blues não conseguem tocar bem o estilo ou, mesmo tocando bem, passarem a sensação de que falta alguma coisa. O silêncio bem colocado pode ser mais eficaz que uma nota tocada, criando a tensão especial e necessária para o que virá a seguir.


Ah, os mestres do blues e sua aura intocável.

Track List


1. Give Me My Coat And Shoes

2. Big Boat

3. Sweet Black Girl

4. Diggin’ My Potatoes

5. Don’t Leave Me

6. Rollin’ And Tumblin’

7. I’m In The Mood

8. High Heels Sneakers

9. Wrong Doing Woman

10. Cut You Loose

11. Sally Mae

12. Catfish Blues

13. My Home’s In The Delta

14. Boogie Chillen

15. Medley: Baby What You Want Me To Do


Buddy Guy (violões e voz)

Junior Wells (harmônica e voz)

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Por Zorreiro

domingo, 3 de abril de 2011

Steven Seagal and Thunderbox – Mojo Priest [2006]


Por essa você não esperava! Seja sincero.

Todo mundo sabe que Steven Seagal, como ator, é um ótimo lutador. Canastrão de primeira, seus filmes têm sempre o mesmo mote, e o cara consegue ter um leque de expressões faciais guardadas na manga ainda menor que o de Arnold Schwarzenegger. Se botar uma frigideira de tefflon na frente da câmera, talvez essa consiga evocar mais sentimentos do espectador que as performances dramáticas de Seagal.

Faixa preta 7º Dan em Aikido, é um dos maiores mestres da arte marcial no ocidente. Foi instrutor no Japão até 1988, quando resolveu se mudar para a costa oeste da Terra do Tio Sam para tentar a vida como ator de Hollywood. Lá foi ator, diretor, roteirista e faz-tudo, conseguindo um relativo sucesso em seus filmes no começo dos anos 90. Matava a pau, literalmente.

Mas o que pouca gente sabe é que Steven Seagal é um grande colecionador de instrumentos musicais vintage, e um amante do blues de raiz. Suas incursões pelo mercado fonográfico são pretensiosas, mas não em relação ao sucesso e à fama. Trata-se de um registro de sua paixão, em conjunto com seus maiores ídolos na música. Seu primeiro disco saiu em 2005, chamado Songs from The Crystal Cave, e contou com a participação de grandes nomes como Tony Rebel e Stevie Wonder. Formou, então, a banda Thunderbox para o acompanhar e, nessa onda, gravou o disco que posto hoje: Mojo Priest.








As participações especiais mostram que os holofotes não estavam apontados para Seagal, mas para seus heróis. Participam do disco Hubert Sulmin, Roberto Lockwood Jr., Homesick James, James Cotton, Bob Margolin, Josh Roberts, Pinetop Perkins e Bo Didley. Se você nunca ouviu falar dessa galera, pesquise na internet cada um deles e verá que, dos que ainda não faleceram, todos estão fazendo hora extra na Terra.

O repertório é composto, na maioria, de clássicos do blues, como Hoochie Koochie Man, BBQ e Red Rooster. Aligator Ass é muito engraçada, demonstrando que o cara tem senso de humor. Tudo absolutamente bem produzido, com timbres dos instrumentos escolhidos a dedo (graças à tenacidade e à coleção de Seagal). Steven Seagal mostrou respeito aos seus heróis e, acredito, se divertiu muito gravando esse trabalho.







Um disco para matar a curiosidade e também para admitir, a duras penas, que Steven Seagal pode não ter muito talento, mas sabe trabalhar como ninguém. E não aceita nada mais ou menos como resultado de suas empreitadas. Definitivamente, o cara é bom.

Vou parar com o falatório. Trate de baixar esse negócio ou vai tomar porrada. Entendeu?

Track List

1. Somewhere in Between
2. Love Doctor
3. Dark Angel
4. Gunfire in a Juke Joint
5. My Time Is Numbered
6. Aligator Ass
7. BBQ
8. Hoochie Koochie Man
9. Talk to My Ass
10. Dust My Broom
11. Slow Boat to China
12. She Dat Pretty
13. Red Rooster
14. Shake
15. Rambling
16. Rambling
17. Rambling

Steven Seagal (voz, guitarras)
Thunderbox (banda da qual simplesmente não encontrei nenhuma informação sobre os componentes, mas também, pra que você quer saber?)


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Por Zorreiro

quinta-feira, 31 de março de 2011

Freddie King – Live At The Electric Ballroom [1974]


Se o rock deu ao mundo uma rainha chamada Freddie, o blues deu um rei homônimo.

Terceiro elemento do triumvirato do blues elétrico composto por BB King e Albert King, Freddie sempre foi o mais agressivo, com timbre mais sujo e vocalizações nervosas.

Nascido em 3 de setembro de 1934 e falecido em 28 de dezembro de 1976, Freddie foi um dos idealizadores do chamado blues texano, escola que deu ao mundo o maravilhoso Stevie Ray Vaughan. Seu apelido era “A bala de canhão do Texas” (The Texas Cannonball), pois, diferentemente dos dois outros Kings, o rapaz aqui flertava descaradamente com o rock’n’roll que passou a dominar os charts americanos no final dos anos 50.

Mas Freddie King em estúdio era mais polido e, por que não dizer, sonoramente mais limpinho do que ao vivo. No palco o homem fazia por merecer o apelido.

Amplificadores no talo fazendo sua guitarra berrar harmonicamente encaixavam de maneira sublime com as vocalizações carregadas de groove e emoção. Um rei diferente, mas não menos expressivo que seus parceiros.
Nos anos 50, King foi sideman de músicos renomados, como Muddy Waters, Willie Dixon e Little Walter. Escola que, faça-se um parêntese, também legou ao mundo o imortal Buddy Guy. Seu primeiro disco solo foi lançado em 1961 e se chamou Freddy King Sings (sim, Freddy e não Freddie) e, o que posto hoje, foi um dos seus shows mais enérgicos. O músico morreria cerca de um ano e meios depois.

É Freddie King em estado puro, destilando o que sabia fazer melhor em um repertório que engloba os melhores sucessos de sua carreira, com músicas separadas por pequenas entrevistas. Um diamante que merece estar no acervo histórico de todo blueseiro que se preze. O disco abre com That’s All Right, a única gravação ao vivo em formato exclusivamente acústico conhecida do músico. Só voz e violão. Ouça e descubra que Eric Clapton também teve seus momentos de inspiração influenciados por King no seu Unplugged. Aliás, acho que o nobre passageiro já percebeu que curto demais um blues, e se for de raiz e com violão bem tocado, então, é mortal. Dust My Broom segue neste formato.

A seguir, Big Legged Woman é para dançar, com todas as graças que um funk blues consegue alcançar, trazendo a banda completa de King simplesmente detonando tudo. Uma jam session ao vivo cheia, mas cheia de groove até o pescoço. Tão cadenciada que dá a impressão que ele vai chamar James Brown ao palco a qualquer momento. Key to the Highway é exatamente aquela gravada por Derek and the Dominos, com um vocal que, diga-se, lembra o de Clapton na sua versão.




Agora, para proporcionar um infarto agudo do miocárdio fulminante, a sequência Let The Good Times Roll - Ain’t Nobody’s Business - Sweet Home Chicago - Dust My Broom (elétrica) - Hide Away (seu maior sucesso) mostra que a Terra toda girava em outra velocidade naquela época. Difícil não se emocionar e não pensar em como deveria ser bom estacionar o velo Galaxy 73 em um lugar gramado com um belo visual e, com esse som tocando no toca-fitas, passar um domingo de bobeira com toda a galera.




Para completar a ficha técnica, o Electric Balroom (lugar da apresentação) fica em Atlanta, Georgia, e este disco somente foi lançado oficialmente em 1994, tendo ficado na condição de bootleg por vinte anos. O som está excelente e a banda afiadíssima.

Sobre a banda, talvez seja interessante dizer que foi a primeira banda “multiracial” (não gosto desse termo, afinal, somos todos da raça humana) de um bluesman de sucesso. A banda que o acompanhava nos anos 70 é a que está descrita abaixo. No disco, porém, não tem a informação sobre quem toca; portanto, talvez haja alguma falha de minha parte nesse sentido (desculpas antecipadas). Talvez também isso explique a grande diferença da apresentação de King, que flertava bastante com o rock de Elvis e Jerry Lee Lewis, porém sem abandonar a vertente blueseira de sua escola.

Mas isso são detalhes de uma obra que merece um destaque aqui na Combe. Ao vivo, sem overdeubs.

Long Live The King! Hail!

Track List

1. Introduction
2. That’s Allright
3. Interview
4. Dust My Broom
5. Interview
6. Big Legged Woman
7. Woman Across The River
8. Key To The Highway
9. Let The Good Times Roll
10. Ain’t Nobody’s Business
11. Sweet Home Chicago
12. Dust My Broom
13. Hide Away (Medley)
14. Interview

Freddie King (guitarra, violão e voz)
Floyd Bonner (guitarra)
Alvin Hemphill (órgao)
Lewis Stephens (piano)
Bennie Turner (baixo)
Mike Kennedy (bateria)

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Por Zorreiro

sábado, 19 de março de 2011

Eric Clapton - Clapton [2010]


Ninguém aqui precisa mais de explicações quando se trata de Eric Clapton. Qualquer pessoa minimamente informada e possuidora de um gosto musical, digamos, aprimorado, sabe que o guitarrista inglês é um mito. Influente como poucos, o slow hand, em si, é parte destacável do grupo de gênios da música que o Reino Unido ofereceu ao mundo. Como foi imortalizado na fotografia histórica: "Clapton is God".

Assim, depois de consolidado como lenda viva, vencedor de séries de prêmios importantes e aclamado por público e crítica em (quase) todos os trabalhos de sua carreira, é de se esperar que o lendário guitarrista encerrasse sua discografia com a mais alta classe. E quase 60 anos depois de sua iniciação como músico profissional, vem, com nome e capa discretos, esse encerramento.

Mesmo que se releve o rock psicodélico do Cream ou a orientação pop de alguns de seus hits acústicos, Eric Clapton é um blues-man. Sempre foi. Suas influências musicais datam principalmente da primeira metade do século XX. O jazz de Nova Orleans, a folk music EUA adentro, o blues do Mississipi e de Chicago. E, já na terceira idade, o guitarrista se volta para a música de sua juventude. Se eu só pudesse usar uma palavra para descrever Clapton, seria "raízes".

Da esquerda para a direita: Walt Richmond, Willie Weeks, JJ Cale, Eric Clapton, engenheiro de som Justin Stanley, Doyle Bramhall II, e Abe Laboriel Jr. Ocean Way Studios, onde Clapton gravou Clapton.

E é dessa volta às raízes em pleno 2010 que sai um dos melhores (e com certeza o mais maduro) trabalhos do slow-hand. O disco é uma combinação de principalmente blues e jazz, com pontas de folk, com todos andando de mãos dadas, se alternando e misturando para gerar uma sensação vintage indescritível, potencializada pelo detalhe das gravações todas em analógico. Reunindo parceiros de longa data, como Steve Winwood e JJ Cale, ou mais novos, como Doyle Bramhall II e Derek Trucks, entre muitos outros músicos, Eric Clapton gravou canções que considerava "fora do mapa" e que mereciam voltar, entre elas clássicos e algumas poucas composições de músicos mais jovens.

O álbum, que marca a volta das Gibson às slow hands do guitarrista, é diferente de tudo que ele já gravou. E até certo ponto é difícil explicar esse fato. Para qualquer fã do músico o play soa emocionante, mas o feeling geral é o da nostalgia. A qualquer um é perceptível que o registro é reflexo de algo muito humano e comum: um homem de idade avançada dando seu último adeus à própria juventude, prestando uma homenagem a tudo que ela representa. Mas não entenda isso como "um velho sendo antiquado e terminando a carreira". Eric Clapton está afiadíssimo no play, tanto nos vocais quanto empunhando o famigerado instrumento de 6 cordas. Está tudo ali: a voz grave rasgando na hora certa, os lendários solos em pentatônica.

Portanto, em meio a essa abertura espontânea do sentimentos de um ídolo, nunca tabelaria esse disco fazendo destaques ou descrevendo detalhes técnicos do som. O que posso dizer é que a sonoridade caminha por um lado mais intimista e singelo dos gêneros que a compõem.

Sem me aprofundar, deixo que o prazer de conhecer esse disco venha por conta própria para você, passageiro da Combe. Não perca a oportunidade de ouvir esse disco, simplesmente essencial a admiradores do grande Eric Clapton, slow-hand, God, e por aí vai...

01. Traveling Alone (Lil' Son Jackson)
02. Rocking Chair (Hoagy Carmichael)
03. River Runs Deep (JJ Cale)
04. Judgement Day (Snooky Pryor)
05. How Deep Is The Ocean (Irving Berlin)
06. Milkman (Johnny Burke, Harold Spina)
07. Crazy About You Baby (Walter Jacobs)
08. That’s No Way To Get Along (Robert Wilkins)
09. Everything Will Be Alright (JJ Cale)
10. Diamonds (Doyle Bramhall II, Nikka Costa, Justin Stanley)
11. When Somebody Thinks You’re Wonderful (Harry M. Woods)
12. Hard Times (Lane Hardin)
13. Rolling And Tumbling (Bramhall, Eric Clapton)
14. Autum Leaves (Joseph Kosma, Johnny Mercer, Jacques Prévert)

Eric Clapton – vocais, guitarra, mandolin
Steve Winwood - guitarra, vocais, hammond
Doyle Bramhall II – guitarra, percussão, vocais
JJ Cale – guitarra, vocais
Jim Keltner – bateria, percussão
Willie Weeks – baixo
Walt Richmond – piano, teclados, hammond, piano elétrico
Derek Trucks – guitarra
Paul Carrack – hammond
Sereca Henderson – orgão
London Session Orchestra – cordas
Allen Toussaint – piano
Wynton Marsalis – trumpete
Kim Wilson – gaita
Sheryl Crow – vocais
Nikka Costa – vocais de apoio
Terry Evans – vocais de apoio
Willie Green, Jr. – vocais de apoio
Lynn Mabry – vocais de apoio
Arnold McCuller – vocais de apoio
Debra Parsons – vocais de apoio

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Um agradecimento ao Capilar, amigo de longa data e o maior fã de um artista que eu já conheci.


Jeff Buckley – Grace [1994]



Feeling. Essa é a palavra que, para mim, define Jeff Buckley. Um músico que enfrentou de peito aberto os modismos musicais de sua época e mostrou que, empunhando uma telecaster, pode-se ganhar o mundo.

Jeffrey Scott Buckley nasceu em 1966 em Anaheim, California. Começou como guitarrista freelancer e chegou a tocar nas ruas de Manhattan. Foi descoberto no início dos anos 90 e contratado pela Columbia Records, com quem gravaria o seu único disco de estúdio: Grace.

O interessante do disco é que, apesar de não ter guitarras distorcidas como foco principal, Grace não é um trabalho pop. Possui levadas de todos os tipos, do new wave do início dos anos 80, ao folk, ao blues, mostrando que a criatividade é imperativo categórico quando se trata de fazer música. Ouça a faixa Grace e tente não se envolver com a interpretação, cheia de dinâmicas alternadas e letra com forte apelo espiritual. Corpus Christi Carol, outra música do disco, é gospel! Aliás, o gospel parece ser a influência principal desse grande músico.



O ponto alto do disco foi o cover de Leonard Cohen, Hallellujah, tocada somente com a sua guitarra e dando show nas vocalizações. Atingiu postumamente o numero um das paradas americanas. A música Corpus Christi Carol é uma música tradicional que foi baseada na versão de Janet Baker, mostrando que, além de grande compositor, Buckley preocupava-se em ser um grande intérprete.



No dia 29 de maio de 1997, Jeff Buckley foi nadar no Rio Wolf, em Memphis, Tennessee, e morreu supostamente atingido por um navio cargueiro que passava. Ele estava totalmente vestido (inclusive de botas), e diz o roadie que o esperava na margem do rio que, enquanto nadava, cantava o refrão de Whole Lotta Love, do Zeppelin.

Seu corpo somente foi encontrado no dia 4 de junho. Na necropsia, não foram encontrados sinais de drogas ou álcool. O mundo perdia um talento expoente, com muita lenha para queimar e uma criatividade que faz uma falta enorme nos dias de hoje.

Um disco para ouvir acompanhado de um bom vinho e, bem, conclua por si próprio...

Track List

1. "Mojo Pin"
2. "Grace"
3. "Last Goodbye"
4. "Lilac Wine"
5. "So Real"
6. "Hallelujah"
7. "Lover, You Should've Come Over"
8. "Corpus Christi Carol"
9. "Eternal Life"
10. "Dream Brother"

Jeff Buckley (vocais, guitarra, órgão, appalachian dulcimer, harmonium, tabla)
Mick Grondahl (baixo)
Michael Tighe (guitarra)
Matt Johnson (percussão, bateria, vibraphone)
Gary Lucas – "Magical Guitarness" (faixas 1 e 2)
Karl Berger (arranjos de cordas)
Loris Holland (órgão) (faixa 7)
Misha Masud (tabla) (track 10)


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Por Zorreiro

terça-feira, 15 de março de 2011

Robert Johnson – The Complete Recordings Box Set [1990]


Você tem um ídolo na música? Sabe quem é o ídolo do seu ídolo?

Pois agora você tem a oportunidade de conhecer o ídolo do ídolo do seu ídolo. Absolutamente todos os músicos de blues, sem exceção, têm Robert Johnson entre suas influências. E como o blues influenciou o rock e todo o resto, aqui está a verdadeira raiz. Você encontrará aqui os licks de Clapton, Page, Van Halen, Billy Gibbons (ZZ Top), Chuck Berry e, obviamente, Hendrix e Buddy Guy.

O HOMEM
Robert Leroy Johnson nasceu em Haziehurst, Mississipi, em 1911. Tinha o apelido de “Little Robert Dusty” e chegou a ser matriculado na escola como Robert Spencer, pois seu pai havia mudado de nome após ser expulso de suas terras por segregacionistas brancos. Casou em 1929 com uma menina de 16 anos chamada Virginia Travis, que morreu logo no primeiro parto.

A família da moça entendeu que essa foi a primeira tragédia da vida de Robert, e teria acontecido em razão da sua opção por tocar músicas pagãs em vez de se converter ao gospel. Aí começou a história do pacto com o demônio, contado pelos parentes de Virginia que conheceram Robert ao autor do livreto que acompanha este Box.

O grande bluesman Son House conta que conheceu Johnson, e que o mesmo teria sido um ótimo tocador de harmônica, mas um violonista medíocre quando ainda era um garoto. Depois desse encontro, Johnson andou sumido por um tempo. Especula-se que tivera algumas dicas de violão com Ike Zimmerman, famoso na época por tocar nos cemitérios, perto das lápides, à meia noite. Também praticou bastante tocando em bares, casas noturnas e até mesmo na rua.

Quando voltou a Robinsonville, Robert Johnson estava tocando de forma impressionante, com técnicas nunca antes elaboradas pelos músicos de blues. Chegou a casar mais duas vezes e teve um filho, mas abandonou tudo para pegar a estrada e seguir a carreira de músico. Entre 1932 e 1938 viveu a vida na estrada, tornando difícil o registro da sua história. Teve como parceiros de palco Johnny Shines, que tinha 17 anos quando conheceu Johnson e o acompanhou em turnê e Robert Lockwood.

As apresentações variavam: quando tocava na rua, seu set era composto por suas músicas com temáticas sombrias e mesmo satânicas. Quando se apresentava em palcos com produções organizadas, geralmente para platéias brancas, tocava standards e músicas mais populares.

Robert Johnson faleceu no dia 16 de agosto de 1938, aos 27 anos de idade, sob circunstâncias misteriosas. Dizem que teria sido envenenado por um homem ciumento, em razão de um affair que o músico tivera com sua mulher.
O MITO
Especula-se que, no período em que esteve sumido, Robert Johnson fizera um pacto com o diabo. O diabo lhe ensinaria a tocar de forma impressionante e lhe daria fama e fortuna em troca de sua alma. Todos os detalhes do pacto estariam descritos em suas músicas, que foram sopradas a Johnson pelo próprio capeta.



Me and the Devil Blues é de arrepiar, e fala que existe uma relação entre os dois que parece ser de grande camaradagem. Cross Road Blues, gravada pelo Cream e adorada por Clapton, descreve o cenário do pacto, na Dockery Plantation, à meia noite. O local, em Clarcksdale, Mississipi, tem uma estátua em homenagem ao acontecimento. Mesmo quando remete à religião, em Preaching Blues, faz referência ao tinhoso. Ouça a frase “give me your right hand” e tente não se arrepiar com a vocalização de Johnson.



O que trago aqui é o Box com todas as gravações de Johnson conhecidas até hoje. São 29 canções em 2 cds (estão em formato FLAC, portanto, a qualidade é total) que contém os registros realizados para a American Record Company (ARC) em San Antonio (23, 26 e 27 de novembro de 1936, no Gunter Hotel) e em Dallas (19 e 20 de junho de 1937, em alguma casa desconhecida), Texas.

Apenas com um violão de frente para o canto de um quarto de hotel vagabundo, batendo seu pé no chão de madeira e usando afinações nunca antes vistas por músicos e apreciadores da música, Robert Johnson gravou tudo o que se pode ter como referência no blues. Ele foi o criador de todos os standards utilizados ainda hoje. Ouça os discos e tente imaginar que ali tem somente uma pessoa tocando, sem instrução nenhuma, sem internet e, milagre total, sem Pro Tools.

A impressão que dá é que existe mais de um tocando nas gravações. Talvez exista mesmo, mas está escondido dentro do próprio Robert Johnson.

Se não quiser escutar, ao menos tenha isso aqui como arquivo histórico, que vale a pena. Afinal, esse foi o primeiro rockstar americano que morreu aos 27 anos de idade e que tem “J” no nome.

All my Love in Vain...

Track List

CD 1

1. "Kind Hearted Woman Blues"
2. "Kind Hearted Woman Blues" (alternate take)
3. "I Believe I'll Dust My Broom"
4. "Sweet Home Chicago"
5. "Rambling on My Mind"
6. "Rambling on My Mind" (alternate take)
7. "When You Got a Good Friend"
8. "When You Got a Good Friend" (alternate take)
9. "Come On in My Kitchen"
10. "Come On in My Kitchen" (alternate take)
11. "Terraplane Blues"
12. "Phonograph Blues"
13. "Phonograph Blues" (alternate take)
14. "32-20 Blues"
15. "They're Red Hot"
16. "Dead Shrimp Blues"
17. "Cross Road Blues"
18. "Cross Road Blues" (alternate take)
19. "Walkin' Blues"
20. "Last Fair Deal Gone Down"

CD 2

1. "Preaching Blues (Up Jumped the Devil)"
2. "If I Had Possession Over Judgment Day"
3. "Stones in My Passway"
4. "I'm a Steady Rollin' Man"
5. "From Four Till Late"
6. "Hellhound on My Trail"
7. "Little Queen of Spades"
8. "Little Queen of Spades" (alternate take)
9. "Malted Milk"
10. "Drunken Hearted Man"
11. "Drunken Hearted Man" (alternate take)
12. "Me and the Devil Blues"
13. "Me and the Devil Blues" (alternate take)
14. "Stop Breakin' Down Blues"
15. "Stop Breakin' Down Blues" (alternate take)
16. "Traveling Riverside Blues"
17. "Honeymoon Blues"
18. "Love in Vain"
19. "Love in Vain" (alternate take)
20. "Milkcow's Calf Blues"
21. "Milkcow's Calf Blues" (alternate take)

Robert Johnson (violão, sapato no assoalho, vocais)
Devil (inspiração, participação oculta e todos os consectários de praxe)


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Por Zorreiro