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quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Great White - Psycho City [1992]


Atualmente o nome do Great White vem aparecendo na mídia muito mais pela briga do ex-vocalista Jack Russell com os outros integrantes. O episódio causou um racha e a existência de dois grupos com o nome, um do cantor e outro do resto da banda com Terry Ilous no microfone. Mas momentos conturbados não são novidade nessa história. Em 1992, sem baixista fixo após a saída de Tony Montana e sob total desconfiança da gravadora Capitol Records com as mudanças de mercado da época, a banda entrou em estúdio para registrar Psycho City. Nas quatro cordas, o experiente Dave Spitz (Black Sabbath, Impellitteri, White Lion) ocupou a vaga como músico convidado.

Mesmo com toda a pressão dos engravatados por resultados melhores nas vendas, os músicos não se intimidaram e decidiram simplesmente fazer o que melhor sabiam. Ou seja, o bom e velho Hard com alma Blues e feeling Rock and Roll de raiz. Apesar de não ter ajudado a salvar a carreira do grupo das constantes ameaças, esse trabalho entra fácil na lista dos melhores de sua discografia, algo que os próprios envolvidos fazem questão de ressaltar. As guitarras de Mark Kendall e Michael Lardie (que também se encarregou da produção e teclados) soam com a malícia e pegada necessárias, enquanto Russell mostra sua já tradicional competência na interpretação, com forte inspiração em Robert Plant.



Das dez faixas, nove ultrapassam os cinco minutos, mostrando que, acima de tudo, a banda estava preocupada com a qualidade, independente da acessibilidade comercial do produto. É até difícil destacar um momento, mas a abertura com a faixa-título já mostra todo o poder de fogo do play. O peso e o groove dão as caras em “Step On You” e no primeiro single, “Big Goodbye”. E para deleite dos emotivos de plantão, as excepcionais “Old Rose Motel”, “Maybe Someday” e “Love Is A Lie” funcionam como verdadeiras viagens sonoras, com suas levadas indefectíveis. O clima Rock and Roll party toma conta em “Never Trust A Pretty Face”.

Como já era esperado, Psycho City foi um fracasso de vendas, alcançando apenas o 107º lugar na parada da Billboard. A conseqüência óbvia foi a demissão do grupo pela gravadora, fazendo com que a estabilidade fosse de vez para o espaço. Desde então, o Great White segue na batalha, com todas as dificuldades mercadológicas, mas sem abrir mão de sua identidade. E embora o sucesso não seja o mesmo de outrora, ainda contam com uma pequena, porém fiel base de fãs, especialmente nos Estados Unidos, o que já garante o sustento. Disco indispensável na coleção de qualquer amante dos bons sons que se preze!



Jack Russell (vocals)
Mark Kendall (guitars)
Michael Lardie (guitars, keyboards)
Audie Desbrow (drums)

Special Guest

Dave Spitz (bass)

01. Psycho City
02. Step On You
03. Old Rose Motel
04. Maybe Someday
05. Big Goodbye
06. Doctor Me
07. I Want You
08. Never Trust A Pretty Face
09. Love Is A Lie
10. Get On Home

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JAY

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

ZZ Top - Recycler [1990]


E vamos com mais um power trio.

No início da década de 80, o ZZ Top veio com uma roupagem diferente, tanto visual quanto sonora. As clássicas barbas de Gibbons e Hill deram as caras pela primeira vez, e o rock'n'roll cru e direto de antes foi temperado com a veia pop dos sintetizadores e teclados. Sonoramente falando, "El Loco" de 1981 possuía essas características, fato que desapontou vários fãs dos texanos.

Mas aí veio o arrasa-quarteirão "Eliminator", que acabou com esse desapontamento (e é atualmente o mais vendido do trio). "Afterburner" foi o álbum seguinte, mantendo a veia pop de antes. E podemos dizer o mesmo sobre "Recycler", o décimo registro em estúdio dos figurões.

Lançado em 1990, essa é uma verdadeira pepita na discografia da banda. O entrosamento é peculiar, e a qualidade é espetacular: mesmo com todo o processo tecnológico na gravação, eles conseguem mandar um blues que agradará até os mais puristas.



Como abertura, há "Concrete And Steel", com seu refrão feito sob medida para ser cantado em uníssono por uma arena inteira. "Lovething" é aquela típica composição assinada pelo ZZ Top: refrão chiclete, riffs poderosos e cozinha perfeita. Os sintetizadores aparecem com mais presença na faixa seguinte, "Penthouse Eyes", que, apesar disso, também é feijão com arroz.

"My Head's In Mississippi" ganhou um vídeoclipe e é mais um dos destaques, juntamente com a ótima "Give It Up", a lenta "2000 Blues", e a pop "Doubleback", que fez parte da trilha sonora da película Back To The Future Part III.

No mais, este é um registro que não desapontará os fãs do ZZ dos 70s. Porque com eles é assim: independente do nível tecnológico da aparelhagem usada na gravação, o bom e velho Blues Rock ainda é brindado; como no começo da banda, só que com toques de modernidade que acabam sendo muito bem-vindos.

Baixem!



Billy Gibbons - guitarras, vocais
Dusty Hill - baixo, vocais, teclados
Frank Beard - bateria

01. Concrete And Steel
02. Lovething
03. Penthouse Eyes
04. Tell It
05. My Head's In Mississippi
06. Decision Or Collision
07. Give It Up
08. 2000 Blues
09. Burger Man
10. Doubleback

Por Gabriel

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sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Aerosmith - Honkin' On Bobo [2004]


Na maioria das vezes a expressão “volta às raízes” é usada de maneira errônea e pra lá de oportunista no mundo do Rock. Porém, em alguns casos, as bandas vão fundo nesse resgate e acabam acertando em cheio. Sendo assim, não foi grande surpresa o lançamento desse discaço lá nos idos de 2004. Ele traz o Aerosmith executando clássicos do estilo que é o “pai de todos”, a base para tudo que veio na sequência. E como estamos falando de uma turma com experiência de sobra na bagagem, é claro que a performance é de alto nível, até porque são caras que cresceram ouvindo esse tipo de som e aprenderam com o que há de melhor.

Aliás, o clima da proposta era tão saudosista que, para produzir, resolveram resgatar o lendário Jack Douglas, responsável por trabalhar com o grupo em obras fundamentais da história da música, como Toys In The Attic e Rocks. Com todos esses fatores conspirando a favor, o resultado final não poderia ser menos que incrível, em um dos melhores álbuns de cover da história recente. O teste definitivo acontece justamente quando resolvem mostrar uma canção própria (“The Grind”) feita nos moldes da proposta do play e ela é aprovada com louvor.



Mas o que interessa mesmo são os covers, e aí o bicho pega. Desde a abertura com “Road Runner” (com direito a ‘beep-beep’ em homenagem ao imortal Papa Léguas), o grupo mete o pé no acelerador. Destaques também vão para “Shame, Shame, Shame” e seu ritmo dançante; “Eyesight to the Blind”, com um duelo de gaita e guitarra de empolgar; “Back Back Train”, com Joe Perry assumindo os vocais e protagonizando belo dueto com Tracy Bonham. Uma homenagem feita por quem entende do riscado e, apesar das críticas de alguns mais radicais, ainda é uma das formações mais relevantes do Hard Rock em todo o mundo.

Steven Tyler (vocals, harmonica, piano)
Joe Perry (guitars, vocals)
Brad Whitford (guitars)
Tom Hamilton (bass)
Joey Kramer (drums)

01. Road Runner
02. Shame, Shame, Shame
03. Eyesight to the Blind
04. Baby, Please Don’t Go
05. Never Loved a Girl
06. Back Back Train
07. You Gotta Move
08. The Grind
09. I’m Ready
10. Temperature
11. Stop Messin’ Around
12. Jesus is on the Main Line

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JAY

sábado, 19 de novembro de 2011

Manic Eden – Manic Eden [1994]


O Whitesnake foi findado em 1991 pois seu líder, David Coverdale, anunciou que se retiraria do meio musical – pela primeira vez, pois essa história se repetiria por duas vezes no futuro. Nem um pouco a fim de parar, três integrantes remanescentes – o guitarrista Adrian Vandenberg, o baixista Rudy Sarzo e o baterista Tommy Aldridrge – uniram forças para uma nova banda, nomeada Manic Eden.

Inicialmente, os vocais seriam assumidos por James Christian, frontman do House Of Lords que estava trabalhando com Aldridge no momento. Mas pouco antes da banda se firmar, desentendimentos aconteceram e Christian largou o posto para Ron Young, ex-vocalista do Little Caesar. Assinaram o contrato com o selo japonês Victor Entertainment, afiliada à RCA, e o álbum, auto-intitulado, saiu em março de 1994.



O primeiro e único disco do Manic Eden segue uma linha bem diferente que o Whitesnake que esse trio participou (o mesmo de “Slip Of The Tongue”). O Hair Metal farofa deu lugar a um som grooveado e blueseiro. A proposta do conjunto, aliás, é uma salada mista: há a mistura do suíngue, do Blues, do Hard Rock clássico e de pitadas do oitentista – talvez pelos refrães grudentos e nada mais.

As composições, muito inspiradas, mostram que Adrian Vandenberg se sai melhor com uma leve distorção, uma palhetada livre e uma Stratocaster estalada e digna dos grandes nomes do Blues. A cozinha de Tommy Aldridge e Rudy Sarzo é competente e atribui tudo o que as músicas precisam, sem pecar pelo excesso. A voz de Ron Young dá a última pitada, com rouquidão e identidade própria.



A repercussão do disco foi tímida e, até onde se sabe, a banda mal chegou a entrar numa turnê de divulgação até que Coverdale, recém-saído de um projeto com Jimmy Page, o Coverdale/Page, decidisse retomar as atividades do Whitesnake. A reunião envolveu apenas Vandenberg e Sarzo, deixando o genial Aldridge de fora, que ficou de mãos abanando juntamente de Young. Apesar do pouco sucesso, o único registro do Manic Eden é, com certeza, uma verdadeira jóia rara do estilo.


A música acima ganhou um videoclipe, mas este é impossível de ser achado na web!

01. Can You Feel It
02. Gimme A Shot
03. Fire In My Soul
04. Do Angels Die
05. Pushing Me
06. Dark Shade Of Grey
07. Keep It Coming
08. When The Hammer Comes Down
09. Ride The Storm
10. Can't Hold It

Ron Young – vocal
Adrian Vandenberg – guitarra, teclados
Rudy Sarzo – baixo
Tommy Aldridge – bateria, percussão

Músicos adicionais:
CeCe White – backing vocals
Sara Taylor – backing vocals
Chris Trujillo – percussão

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by Silver

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Free - Tons of Sobs [1968]


Primeiramente, falar da importância do Free (principalmente para o Hard Rock) é chover no molhado.

Essa instituição do rock'n'roll foi formada em 1968 por quatro adolescentes que não passavam dos 18 anos e, apesar do sucesso ter vindo realmente com o clássico Fire And Water (1970), desde o primeiro trabalho feito por esse time a qualidade era imensa. Tons of Sobs de 1968 foi o debut e é tão bem feito que chega a ser inacreditável que a banda fosse formada apenas por jovens. Talento nato.

O primeirão dos ingleses é Blues Rock puro: feeling tran
sbordando a cada faixa. Aliás, a guitarra de Paul Kossoff foi uma das coisas que mais me chamaram atenção no play; um daqueles "homem-riff", sem dúvidas. A versão que vos trago é uma reedição excelente e cheia de coisas interessantes como bônus.

"Over The Green Hills part I" tem um lirismo impre
ssionante e, apesar de diferir do restante do LP, é excelente. "Worry" tem uma bateria porrada e possui doses bem equilibradas de peso, que não acabam com a essência Blues/Classic da faixa. Paul Rodgers se mostra competente nos microfones, mas um pouco diferente do que viria nas obras posteriores. "Walk In My Shadow" tem riff e refrão que grudaram na minha cabeça. O mesmo para "Wild Indian Woman".


A arrastada "Goin' Down Slow" continua com a competência, e desta vez temos Rodgers investindo um pouco mais nos agudos que passariam a ser uma característica marcante em seus vocais. O piano ganha uma atenção mais especial na composição, fazendo a alegria dos bons amantes do Blues Rock. "I'm A Mover" tem certos toques do Hard (algo que seria bem explorado nos dois discos seguintes) e uma linha de baixo hipnotizante.



"Moonshine" é uma balada com recheio melancólico. A interpretação do futuro Bad Company é impagável e de uma beleza indescritível. "Sweet Tooth" é simplesmente excepcional; ao final, é inquestionável o talento dos caras.

Os bônus são pepitas retiradas de sessões, outtakes e etc. Vale pela curiosidade.

O sucesso não foi conquistado, nem com esse, nem com o auto-intitulado (que também será postado mais cedo ou mais tarde). Mas é genial. Recomendo ao máximo.


Paul Kossoff - guitarra
Paul Rodgers - vocal
Simon Kirke - bateria
Andy Fraser - baixo

01. Over The Green Hills part I
02. Worry
03. Walk In My Shadow
04. Wild Indian Woman
05. Goin' Down Slow
06. I'm A Mover
07. The Hunter
08. Moonshine
09. Sweet Tooth
10. Over The Green Hills part II
Faixas-bônus:
11. I'm A Mover (BBC session)
12. Waitin' On You (BBC session)
13. Guy Steven's Blues
14. Moonshine (alternative vocal)
15. Sweet Tooth (early take & alternative vocal)
16. Visions of Hell
17. Woman By The Sea
18. Over The Green Hills (BBC session)

Por Gabriel

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terça-feira, 8 de novembro de 2011

Richie Sambora – Undiscovered Soul [1998]


Novamente, em 1997, o Bon Jovi deu uma pausa. Talvez isso colabore para a longevidade de bandas de sucesso, visto que, de um ponto de vista mercadológico, a banda volta ainda mais rentável após as pausas dadas durante a carreira. Cada integrante se destinou a projetos solo e o líder, Jon Bon Jovi, teve mais repercussão de novo com seu segundo disco solo, “Destination Anywhere”. Todavia, o guitarrista Richie Sambora o superou em qualidade – de novo.

“Undiscovered Soul” foi lançado em fevereiro de 1998 sob uma perspectiva mais madura e familiarizada com o próprio caminho que Richie Sambora desejava trilhar. De forma alguma que o antecessor, “Stranger In This Town”, peque em maturidade: é um discão. Só que flerta com pontos diferentes do Rock. O disco dessa postagem soa mais linear e, de fato, tem a identidade do guitarrista.



Provavelmente a identidade mais agregada à personalidade do Sambora que “Undiscovered Soul” tem se deve por ser um disco ligado ao seu pessoal. Desde as composições até a forma que o instrumental é tocado. Não tem o apelo Pop do Bon Jovi nem a selvageria Bluesy de seu primeiro álbum solo. Alguns elementos, obviamente, marcam presença, mas o registro consiste basicamente em vários momentos acústicos ou guiados por órgãos Hammond, mesmo que às vezes de forma discreta. Isso torna o registro genuíno e agradável, elevando ainda mais a qualidade quando se considera o talento deste grande guitarrista, que também é um vocalista fantástico.

Vale destacar o time de músicos que acompanha Richie durante a empreitada, com destaques para o pianista Chuck Leavell (Allman Brothers Band), o baixista Pino Palladino (The Who, John Mayer Trio) e o baterista Kenny Aronoff (John Mellencamp, Chickenfoot), entre vários outros. Para os amantes de boa música, independente de estilos musicais, “Undiscovered Soul” é uma grande pedida. Simplesmente sensacional.



01. Made In America
02. Hard Times Come Easy
03. Fallen From Graceland
04. If God Was A Woman
05. All That Really Matters
06. You're Not Alone
07. In It For Love
08. Chained
09. Harlem Rain
10. Who I Am
11. Downside Of Love
12. Undiscovered Soul

Richie Sambora – vocal, guitarra, violão
Mark Goldenberg – guitarra
Chuck Leavell – piano
Greg Phillinganes – piano, backing vocals
David Paich – piano elétrico, sintetizadores
Rami Jaffee – órgão Hammond B3, acordeão
Billy Preston – órgão Hammond B3, backing vocals
Robbie Buchanan – sintetizadores
Jamie Muhoberac – sintetizadores
Don Was – baixo, Wurlitzer
James "Hutch" Hutchinson – baixo, backing vocals
Pino Paladino – baixo fretless
Kenny Aronoff – bateria, percussão
Paulinho da Costa – percussão

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by Silver

domingo, 23 de outubro de 2011

The Rolling Stones – Beggars Banquet + single [1968]


Já no topo do mundo em 1968, os Rolling Stones praticamente não tinham concorrentes naquele final de década. Os Beatles não faziam mais shows, o Cream amargava o fim, Hendrix não os batia em popularidade, e a turma do metal inglês ainda estava na fase embrionária.

Depois do não tão bem sucedido Their Satanic Majesties Request, que foi uma tentativa frustrada de embarcar na psicodelia da época, a turma de Jaggers e Richards, então com sua formação original, resolveu voltar às raízes. Este pode ser considerado o último disco de estúdio com a participação de Brian Jones.

Como está escrito no site oficial da banda:

“1968 was the year that flower power turned nasty. The previously peaceful 'counter culture' ran out of control. Students started rioting in the streets of Paris and the joy of youthful self-realisation turned to anger and aggression. Everywhere, the ceremony of innocence was drowned.”

Francamente, este é o meu preferido da fase Brian Jones. O single promocional trouxe nada mais, nada menos, que a fantástica Jumping Jack Flash, que, segundo a biografia de Richards, foi inspirada no jardineiro da sua casa que aparecia e sumia da janela enquanto ele e Jagger riam totalmente chapados.



O disco, sétimo de estúdio da banda, foi lançado em 6 de dezembro de 1968. A capa original do play, fotografada na mansão Sarum Chase, foi considerada forte demais pela gravadora, e substituída pela famosa foto do banheiro grafitado.

Após o lançamento do disco, para divulgar as músicas, os Stones gravaram o famoso especial Rock ‘n’ Roll Circus, com a presença de John Lennon, Eric Clapton, Mitch Mitchel, Taj Mahal e um Jethro Tull com Tony Iommi nas guitarras. A performance de Simpathy for the Devil, abertura do play, é arrasadora e chocou muito na época.



No Expectations é fantástica, trazendo um lirismo típico da dupla Jagger/Richards. Esse disco, saliente-se, é um dos que contém mais números acústicos da carreira da banda. Parachute Woman é blues, assim como Stray Cat Blues, relembrando que foi esse o nicho no qual os Stones começaram.

Street Fighting Man fez grande sucesso, alcançando o Top 100 da Billboard. Na época isso significava alguma coisa.

Mas o final é simplesmente de chorar: The Salt Of The Earth. Letra inspirada e levada de violão com melodia fantástica, foi a escolhida pela banda para cantar com Axl Rose e Izzy Stradlin quando estes se juntaram aos Stones no palco, na turnê em que o Guns fez a abertura em 89.



Tem que conhecer, tem que ter.

Porque clássico é assim.

Track List

1. Simpathy For The Devil
2. No Expectations
3. Dear Doctor
4. Parachute Woman
5. Jigsaw Puzzle
6. Street Fighting Man
7. Prodigal Son
8. Stray Cat Blues
9. Factory Girl
10. Salt Of The Earth



Single

1. Jumping Jack Flash
2. Child Of The Moon

Keith Richards (vocais, guitarra, violão)
Mick Jagger (vocais)
Brian Jones (guitarras, cítara, mellotron, harmonica)
Bill Wyman (baixo)
Charlie Watts (bateria)

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Por ZOrreiro

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Free – Fire and Water [1970]




O Free é uma das bandas mais influentes da história do rock.

Embora não tenham atingido tanta fama e sucesso de público e vendas aqui no Brasil, quase todos os músicos de hard rock têm a banda como uma de suas principais influências.

Dave Murray (Iron Maiden) chegou a comprar a Fender Stratocaster de Paul Kossoff e a utilizou em diversos álbuns de sua carreira. Jimmy Page já declarou que a simplicidade dos riffs era genial (e contratou a banda posterior de Paul Rodgers, o Bad Company, para o selo Swan Song). A batida reta e dançante da bateria, com o baixo gordo e a guitarra em contraponto fizeram a cabeça dos irmãos Angus e Malcom Young, do AC/DC. Mr. Big é o nome de uma música do Free (autoexplicativo). Precisa mais?

É difícil para um fã, como é o meu caso, escolher um disco para postar. Fiquei com aquele que traz os maiores hits e que vendeu mais. Mas não consigo arriscar-me a dizer que esse é o melhor de toda a sua discografia.

A banda, formada na Inglaterra, durou de 1968 a 1973, sofrendo um pequeno hiato em 1971. Na época de sua formação, os músicos eram adolescentes. Andy Fraser (baixo) tinha 15, Paul Kossoff tinha 17, Paul Rodgers e Simon Kirke (bateria) tinham apenas 18 anos de idade. Alexis Korner, conhecido como o precursor do blues britânico que invadiu os Estados Unidos nos anos 60 (e que, na verdade, nasceu em Paris), descobriu os meninos logo nos primeiros shows em um pub e os indicou para a Island Records. Assim, no final daquele mesmo ano eles já tinham o primeiro full lenght gravado.

Em 68 lançaram Tons of Sobs, em 69 o autointitulado Free e, no ano seguinte, a masterpiece que posto hoje: Fire and Water. All Right now catapultou a carreira dos meninos para o estrelato. Naquele ano, fizeram parte do segundo escalão do Festival da Ilha de Wight, mas roubaram a cena no meio da tarde em frente a mais de 600 mil pessoas. A postagem de hoje é a reedição em cd, realizada em 2001 e cheia de coisinhas bacanas.



Fire and Water abre com o pé na porta. A voz de Rodgers, sempre com aquele timbre melancólico, é lançada sobre uma cama de texturas executadas por um power trio pra lá de competente. Paul Kossoff já disse em entrevista à revista Guitar Player americana que sempre preferiu fazer riffs que servissem de base para a voz de Rodgers e que completassem a cozinha ao invés de solos. E Free é isso: solo de vocal sobre bases de 3 instrumentos que se complementam com perfeição.



Oh I Wept define bem essa postura. Um baladão que é a cara do início dos anos 70. Flower Power com mensagens de um cotidiano sereno e pacífico, por mais que a existência traga, necessariamente, problemas. Remember traz Kossoff mostrando seus timbres de válvulas lacradas e volumes extremos, coisa relativamente nova para a época. Heavy Load conta o fardo que cada um carregava com os excessos: excesso de trabalho, de cobranças, de drogas. Tudo chegou muito cedo para eles. E terminou também.

Além das normais do play, é interessante ouvir a primeira versão de All Right Now, com vocais trabalhados no melhor estilo Beach Boys e a guitarra mais funkeada. Também tem versões ao vivo para a BBC de Londres, mostrando que o palco era o ambiente preferido deles, e que eles sabiam exatamente o que queriam quando estavam diante do público.

Pra ouvir no toca-fitas.

Track List
1. Fire and Water
2. Oh I Wept
3. Remember
4. Heavy Load
5. Mr. Big
6. Don’t Say You Love Me
7. All Right Now
8. Oh I Wept (alternate vocal)
9. Fire and Water (nex stereo mix)
10. Fire and Water (live at BBC)
11. All Right Now (live at BBC)
12. All Right Now (single version)
13. All Right Now (first version)

Andy Fraser (baixo)
Paul Kossoff (guitarra)
Paul Rodgers (vocais)
Simon Kirke (bateria)

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Por Zorreiro

sábado, 30 de julho de 2011

Tedeschi Trucks Band – Revelator [2011]



Derek Trucks casou com Susan Tedeschi e, com ela, formou a melhor banda de southern rock do século. Um grupo bem família, diga-se.

Onze pessoas super talentosas tocando em uma big band um som de raiz, com cheiro de bayou e textura de asfalto. Desde as maravilhosas Seger Sessions de Bruce Springsteen que não se via algo assim na cena musical. Sem processadores e sintetizadores, apenas músicos tocando seus instrumentos de forma sincera e orgânica. Revelator mostra o talento do casal como compositores, performers e produtores; algo que já estava mais que provado no histórico individual dos dois.



Um fato interessante é que ambos foram indicados para o Grammy de 2009 na categoria de melhor disco de blues contemporâneo. Ela, com seu Back to the River e ele com o já postado Already Free. Ele ganhou o prêmio, mas o páreo foi duro.

Susan Tedeschi canta e toca a sua guitarra com um abandono que a faz uma das melhores performers do estilo. Sua voz é forte e doce ao mesmo tempo. Ouça a faixa de abertura Come See About Me e sinta essa voz fantástica. É reconhecível à primeira nota, demonstrando identidade e, principalmente, personalidade.

Derek Trucks aparece o tempo todo. Sola com seu dobro e com suas guitarras, sempre com um fraseado de slide inconfundível. E isso torna o play tão especial: dois músicos com voz e fraseados próprios, com identidade marcante, cada um no seu quadrado. Para um casal com dois filhos, excursionar juntos deve ser uma bênção. Mas Trucks permanece com sua carreira ao lado dos Allman Brothers Band. Tudo em família.



A veia blues divide espaço com o soul, o gospel e o rithm‘n’blues, temperados com os melhores timbres possíveis. O cuidado com o resultado sonoro (não apenas as composições, mas nas execuções) demonstra que, apesar do clima de jam session, todos têm sua vez nos holofotes. Quem acompanha a carreira de Trucks sabe que ele nunca foi um rockstar, apesar de tomar para si a responsabilidade de conduzir a banda que o segue. Assim como seu parceiro Warren Haynes, ele é um trabalhador.



Francamente, não consigo comentar faixa a faixa este disco. É um trabalho completo, uma obra que deve ser apreciada como um todo. Obra prima que representa o estado da arte. Fica apenas uma pergunta: por que não botaram o pé na estrada juntos antes, senhores? Afinal, se excursionavam em separado, é porque tinham alguém pra cuidar das crianças.

Para valorizar a família ou, simplesmente, curtir uma sonzeira maravilhosa.

Track List

1. Come see about me
2. Don’t let me slide
3. Midnight in Harlem
4. Bound for glory
5. Simples Things
6. Until you remember
7. Ball and chain
8. These walls
9. Learn how to love
10. Shrimp and grits
11. Love has something else to say
12. Shelter

Susan Tedeschi (vocais e guitarra)
Derek Trucks (violão e guitarra)
Oteil Burbridge (baixo)
Kofi Burbridge (teclados e flauta)
Tyler Greenwell (bateria e percussão)
J.J. Johnson (bateria)
Mike Mattison, Mark Rivers (backing vocais)
Kebbi Williams (saxofone)
Maurice Brown (trompete)
Saunders Sermons (trombone)

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Por Zorreiro

terça-feira, 19 de julho de 2011

ZZ Top – Afterburner [1985]


Rock’n’roll de verdade é aquele que permanece bagaceira mesmo com todo o aparato tecnológico disponível em um estúdio de última geração.

Pois foi exatamente essa a sensação que Afterburner passou ao ser lançado no longínquo ano de 1985.

Os barbudos haviam atingido o mundo em cheio com seu espetacular Eliminator. A grana jorrava pra dentro dos cofres e o anseio por uma continuação à altura era inevitável por parte da gravadora. Geralmente as bandas sucumbem exatamente nesse momento, mas não nossos bravos heróis do Texas.

Quem conhece e gosta do trio sabe que, por mais que tenham toda a parafernália disponível em estúdio e os tempos exijam um som altamente processado, como era naquela metade dos anos 80, o woogie boogie sempre correu solto nas veias dos caras. E Afterburner trouxe o maravilhoso óbvio. Assim como Motorhead, AC/DC e Ramones, o ZZ Top sempre nos presenteou com aquilo que esperamos deles: rock’n’roll na cara. E o nono disco da banda não poderia decepcionar.

Aqui temos verdadeiras pérolas que nunca figuraram nos grandes charts. Apesar de Dusty Hill ter segurado os teclados e o baixo que, por vezes, parece sintetizado demais, tente não se envolver por Can’t Stop Rockin’. Uma pedrada de bodoque no queixo. Parece que o tempo não passou e sempre estivemos naquele rancho poeirento do Texas levando um solaço na moringa.

A superprodução aparece em Rough Boy, executada até hoje nos shows da banda. Um baladão com alto feelin’, mas que hoje soa processado demais. Para sanar o problema, vamos às versões ao vivo. Apesar de que gosto dessa assim mesmo. Sleeping Bag também foi feita sob encomenda para vender naquela época e, a despeito da bateria descaradamente eletrônica, traz um dos melhores timbres de guitarra de Gibbons.


Mas não vou cair na tentação de ficar me lamuriando e dizendo como ficaria melhor isso ou como ficaria melhor aquilo. As composições, que é o que realmente interessa, são inspiradíssimas e todo o play merece destaque. Woke up With Wood (que quer dizer isso, meu Deus?) é simplesmente fantástica. Um daqueles boogies que ficam segurando em um único acorde com pequenas variações até a tensão ficar insuportável para, a seguir, entrar um refrão carregado seguido de um riff/solo de guitarra. Onde está a genialidade disso? Simples: foge das formulas às quais estamos acostumados a ouvir em quase tudo o que nos é apresentado.

Planet of Women é outro rockão que parece ter saído das gravações de Eliminator. Como uma continuação de Legs ou Gimme All Your Lovin’, deveria, ao meu ver, ter sido trilha sonora de Top Gun. Lembra, por vezes, o Cheap Trick da mesma época. E isso é bom. Ah! O ZZ foi cotado para a trilha do filme, por isso a referência aqui.


“Planet of women, oh yeah, driving me insane...”

I Got The Message é pop até a medula, mas sempre com um drivezinho sacana segurando as pontas. Os vocais são os destaques, com Gibbons e Hill mandando ver em uníssono determinadas partes. Velcro Fly (outro título maluco) parece, sim, ter sido feita para encher linguiça. Mas tudo bem. Se encaixa no contexto e não deixa o disco menos expressivo.

Vai a dica: no verão, na beira da piscina, encha sua casa de gatas com biquínis grandões estilo fraldão, cada uma usando óculos escuros com armações grandes e bem coloridas, abra umas quantas geladas e esqueça o amanhã. Que a ressaca seja a menor das consequências. Essa é a trilha sonora.



Entende o que eu quero dizer?

Track List

1. "Sleeping Bag" – 4:03
2. "Stages" – 3:32
3. "Woke Up with Wood" – 3:45
4. "Rough Boy" – 4:50
5. "Can't Stop Rockin'" – 3:02
6. "Planet of Women" – 4:04
7. "I Got the Message" – 3:27
8. "Velcro Fly" – 3:29
9. "Dipping Low (In the Lap of Luxury)" – 3:11
10. "Delirious" – 3:41

Billy Gibbons (guitarra e voz)
Dusty Hill (baixo, teclados e voz)
Frank Beard (bateria)

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Por Zorreiro

segunda-feira, 18 de julho de 2011

David Bowie e Stevie Ray Vaughan – The Rehearsal Tapes (aka Dallas Moonlight) [1983]


Resolvi garimpar alguma coisa sobre essa fase tão obscura do Camaleão Bowie com Stevie Ray Vaughan em sua banda e encontrei essa verdadeira preciosidade.


Gravado em 23 de abril de 1983, em Dallas, Texas, aqui estão as gravações do ensaio para a turnê que nunca aconteceu. A Serious Moonlight Tour.


David Bowie, um dos músicos com o maior senso de timming da história do rock, viu que o jovem Stevie Ray Vaughan estava ressuscitando o blues nos grandes charts. Depois de centenas de evoluções e ramificações do estilo nos anos 70, o texano estava chamando muita atenção do grande público com seu timbre de guitarra limpo, quase twang, fruto da combinação Fender Stratocaster/ Fender Twin Reverb (ou qualquer outro amp valvulado Fender) associado aos licks clássicos de Albert King e Buddy Guy.

A empreitada parecia perfeita: Bowie entraria nos anos 80 com cara nova enquanto o jovem Stevie Ray conseguiria a atenção necessária para alavancar definitivamente a sua carreira. Era a fome encontrando a vontade de comer.


Dessa parceria saiu o disco Let’s Dance, de David Bowie. Porém, duas questões sempre me intrigaram:


1) Onde, exatamente, está a guitarra de Vaughan no disco? A mixagem simplesmente esconde o trabalho do texano e, se considerarmos que existem outras participações, como a do guitarrista Nile Rodgers (Chic, que também produziu o álbum) bem como pouquíssimos solos, encontrar o timbre Vaughan nas músicas acaba sendo um trabalho de pesquisa; e


2) Por que, afinal, nunca houve uma tour de Bowie com Vaughan na banda, se sabemos que eles chegaram a ensaiar para ela.


"No livro da biografia de David Bowie, ele conta que SRV não pode ir para a tour porque houve um desentendimento entre o produtor de Stevie e os produtores do Bowie, onde o produtor de Stevie queria que ele ficasse em solo americano para que fosse dado inicio ao seu disco de estréia o mais rápido possível, pois o produtor já havia dado entrada neste processo de gravação, e isto de fato aconteceu, mas no livro, conta que foi um momento muito triste, disse o então o baixista da banda, Carmine Rojas, que Stevie chegou a estar no táxi a caminho do aeroporto, mas enquanto eles descarregavam as bagagens, Stevie recebe um telefonema de seu produtor, e ele mesmo querendo viajar, tem sua passagem cancelada e fica impedido de embarcar, então Stevie volta sozinho no mesmo táxi que o leva até o aeroporto com aquela sensação de tristeza no ar que contagiou a todos"."

Renan Stark (via comentários)


Pois as perguntas acabam sendo bastante difíceis de responder. Mas o que lhes trago aqui é a gravação dos ensaios, como todo o repertório que depois seria executado ao vivo sem Stevie. As guitarras são proeminentes e Bowie dá total liberdade ao texano para executar suas firulas. Nem os fabulosos solos originais de Mick Ronson foram respeitados. E seria difícil fazê-lo, afinal, todos sabemos que os solos de Stevie Ray Vaughan são fruto da pura inspiração do momento. Existe outra gravação do dia 27 rolando na net, mas aqui está a primeirona.


Let’s Dance


Track List


Cd 1


1. Star (3:23)

2. Heroes (5:05)

3. What In The World (3:54)

4. Look Back In Anger (3:01)

5. Joe The Lion (3:00)

6. Wild Is The Wind (4:59)

7. Golden Years (4:15)

8. Fashion (3:22)

9. Lets Dance (5:23)

10. Red Sails (3:55)

11. Breaking Glass (3:09)

12. Life On Mars (3:51)

13. Sorrow (2:45)

14. Cat People (Putting Out Fire) (4:19)

15. China Girl (5:35)

16. Scary Monsters (Super Creeps) (3:51)

17. Rebel Rebel (2:24)

18. I Can't Explain (2:39)

19. White Light White Heat (4:41)


Cd 2


1. Station To Station (9:07)

2. Cracked Actor (3:20)

3. Ashes To Ashes (3:58)

4. Space Oddity (4:36)

5. Young Americans (5:29)

6. Soul Love (3:07)

7. Hang Onto Yourself (3:23)

8. Fame (4:15)

9. TVC15 (4:16)

10. Stay (7:11)

11. Jean Genie (6:15)

12. Modern Love (5:19)


David Bowie (vocais e guitarra)

Carlos Alomar (percussão)

Tony Thompson (bateria)

Frank e George Simms (backing vocais)

Steve Ray Vaughan (guitarras)

Carmine Rojas (baixo)

Dave Lebolt (teclados)

Lenny Pickett, Steve Elson e Stan Harrison (sopros)


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Por Zorreiro

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Paul Rodgers - Muddy Water Blues [1993]


Ao citarmos Muddy Waters, automaticamente estamos falando de história. Considerado o pai do Blues moderno, o músico influenciou vários dos maiores artistas da história nos mais variados gêneros, desde o Soul, Jazz R&B, Folk e, é claro, o Rock and Roll. O caso mais famoso de sua ação sobre as forças mundanas, como todos devem saber, foi o nome da banda de Mick Jagger e Keith Richards, retirado de uma de suas músicas. E o cara que ajuda Chuck Berry a conseguir seu primeiro contrato com uma gravadora, com certeza tem algo muito sério a ver com tudo isso que existe atualmente.

Sabendo disso, Paul Rodgers, uma das maiores vozes da história da música, decidiu prestar um tributo a essa lenda. Reuniu uma turma de primeiríssimo nível e registrou um dos melhores álbuns do gênero em todos os tempos. Para começo de conversa, uma cozinha simplesmente matadora, com o experiente Pino Palladino (Eric Clapton, Genesis, The Who, entre outros) e o então novato Jason Bonham, mostrando que seu talento ia muito além do sobrenome. Mas é entre os guitarristas que o bicho pega para valer, com uma verdadeira seleção do Rock homenageando o homem. É tanta estrela reunida que nem dá para destacar alguém em especial.



Difícil destacar algum momento, mas algo que conta com tanto envolvimento de Jeff Beck, por si só já diz muito. Afinal de contas, o gênio genioso não é lá muito chegado em confraternizar com a raça humana. Mas aqui acabou participando de três faixas, com a velha clássica que lhe é peculiar. E relembrar velhos clássicos como “(I'm Your) Hoochie Coochie Man”, “I Just Want To Make Love To You” e “Born Under a Bad Sign” nunca é demais. Mesmo sons menos conhecidos pelo público em geral acabam ganhando um significado atemporal quando revisitados por essa turma de feras de primeira grandeza.

Mais que um álbum tributo, Paul Rodgers prestou verdadeiro serviço de utilidade pública ao apresentar a novas gerações um dos músicos mais influentes de todos os tempos. E o principal, fazendo isso com a classe e talento que lhe é peculiar nos trabalhos próprios. Item obrigatório em qualquer discografia que se preze e uma verdadeira aula de história da arte.

Paul Rodgers (vocals)
Pino Palladino (bass)
Jason Bonham (drums)
Ronnie Foster (Hammond)
David Paich (piano)
Jean McClain (backing vocals)

Entre parênteses os guitarristas de cada faixa.

01. Muddy Water Blues (Acoustic Version, Buddy Guy)
02. Louisiana Blues (Trevor Rabin)
03. I Can't Be Satisfied (Brian Setzer)
04. Rollin' Stone (Jeff Beck)
05. Good Morning Little School Girl Part 1 (Jeff Beck)
06. (I'm Your) Hoochie Coochie Man (Steve Miller)
07. She's Alright (Trevor Rabin)
08. Standing Around Crying (David Gilmour)
09. The Hunter (Slash)
10. She Moves Me (Gary Moore)
11. I'm Ready (Brian May)
12. I Just Want To Make Love To You (Jeff Beck)
13. Born Under a Bad Sign (Neal Schon)
14. Good Morning Little School Girl Part 2 (Richie Sambora)
15. Muddy Water Blues (Electric Version, Neal Schon)

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JAY

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Richie Sambora - Stranger In This Town [1991]


O Bon Jovi se tornou uma das bandas de Rock mais rentáveis dos anos 1980. Discos como "Slippery When Wet" e "New Jersey" já venderam, nos dias de hoje, cerca de 35 milhões de cópias por todo o mundo, e as turnês de divulgação eram gigantescas, atravessando o globo com muito trabalho e pouco descanso. Isso fez com que a banda desse uma pausa em suas atividades no ano de 1990, não apenas para que os integrantes recarregassem suas baterias, como também para que tivessem a oportunidade de trabalhar em outros projetos.

O guitarrista Richie Sambora não ficou parado e viu, naquele breve hiato, a oportunidade de mostrar ao mundo suas influências e raízes musicais, que são muito diferentes das empregadas no grupo que o consagrou. De quebra, seu álbum solo teve a participação dos colegas de trabalho Tico Torres e David Bryan, do virtuoso baixista Tony Levin e, para uma música, o lendário Eric Clapton.

"Stranger In This Town", que traz um Hard Rock blueseiro e pouco farofeiro, transmite uma grande linearidade muito provavelmente por ter sido, em sua maioria, tocado por companheiros de banda, acostumados uns com os outros - Sambora, Torres e Bryan. Mas muito se deve ao talento do guitarrista, que liderou todas as composições com algumas outras colaborações de co-autores, tocou todas as trilhas de guitarra e ainda assumiu os vocais. E que vocais!



A introdução Rest In Peace poderia ser um pouco menor. É o único ponto fraco de todo o play, todavia, pois a bela Church Of Desire começa a brincadeira de verdade. Sambora se mostra um grande cantor e conduz a música com sua guitarra Stratocaster, além de mostrar uma boa participação de Bryan no "som ambiente". A melancólica faixa-título vem em seguida com tanto sentimento que arranca lágrima até de pedra. Traz o melhor solo do disco, de fato.

O single de maior repercussão do disco foi Ballad Of Youth, que chegou no ao Top 100 nos Estados Unidos e Reino Unido, mas sem muita extravagância. A canção apresenta uma letra consciente e uma grande performance vocal de Richie. A linda balada One Light Burning é digna de trilha sonora de romances da vida real.



Mr. Bluesman conta com a participação de Eric Clapton, além de uma grande execução de Tico Torres, responsável pela levada gostosa da música. Rosie foi composta para o multi-platinado "New Jersey" mas sabe-se lá o motivo de ter ficado de fora - é um Rockão sensacional e grudento, daqueles pra se cantarolar o refrão ao longo do dia. A boa River Of Love mantém o clima de Hard safado e assobiável.

O fechamento fica por conta das lentas Father Time e The Answer, que exibem muito bem a potente voz de Richie. O guitarrista não lançou um disco solo até "Undiscovered Soul", sete anos depois, mas a audição de "Stranger In This Town" permite a conclusão de que ele deveria ter investido mais em sua carreira solo, paralelamente, pois é incontestável que o cara é incrível. Vale a pena conferir, inclusive se não gostar de Bon Jovi.



01. Rest In Peace
02. Church Of Desire
03. Stranger In This Town
04. Ballad Of Youth
05. One Light Burning
06. Mr. Bluesman
07. Rosie
08. River Of Love
09. Father Time
10. The Answer

Richie Sambora - vocal, guitarra, violão
Tony Levin - baixo, Chapman stick
David Bryan - teclados
Tico Torres - bateria, percussão

Músicos adicionais:
Eric Clapton - guitarra solo em 6
Randy Jackson - baixo
Jeff Bova - teclados
Larry Fast - teclados
Robbie Buchanan - programadores
Rafael Padilla - percussão
Carol Steele - percussão
Tawatha Agee - backing vocals
Bekka Bramlett - backing vocals
Curtis King - backing vocals
Brenda White-King - backing vocals
Franke Previte - backing vocals
Dean Fasano - backing vocals

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by Silver

sexta-feira, 17 de junho de 2011

The Yardbirds – Five Live Yardbirds [1964]



Você nunca se perguntou como é que pode Eric Clapton ter saído dos Yardbirds sob o argumento de que a banda estava se tornando pop demais, quando quase tudo o que ele gravou fora da banda tem um certo apelo pop?

Obviamente, nem tudo, mas tente não admitir a veia pop nos discos solo do Slowhand (inclusive o assim intitulado) dos anos 70 e 80. O cara nunca foi um purista do blues (vide Cream, Blind Faith e Derek and The Dominoes, que não são grupos de blues nem aqui nem na China).

The Yardbirds foi a primeira banda britânica de rock pesado. Era hard rock ao vivo!

Você sente a pegada de Clapton, que já havia moldado o alicerce do seu estilo, com uma fúria juvenil. Talvez ele tenha saído da banda por seu excesso de testosterona à época, mas nunca em razão do apelo popular das canções. Como saber? Simples: ouvindo a postagem de hoje.


Na sua fase pré “For Your Love”, os Yardbirds foram precursores na eletrificação e aceleração do blues de Chicago. O formato de cinco músicos, sendo que o vocalista também era um exímio gaitista, somado aos então violentos amplificadores britânicos da Vox que cuspiam doses cavalares de distorção nas execuções fizeram com que os rapazes provassem pela primeira vez aquele soco nas costas que depois ficou tão comum para as bandas de rock (me refiro aos amps que passaram a ter stacks completos). E Clapton podia desfilar seus licks de blues sob os harmônicos das válvulas fritando à vontade sobre a cama formada por Chris Dreja e Paul Samwell-Smith.

Para quem conhece Yardbirds em estúdio, este play chega a ser inacreditável. Ouça-o e me responda: existe comparação com os grupos da época? Os Beatles eram mais polidos; os Stones eram mais selvagens; mas os Yardbirds eram simplesmente arrebatadores. E esse ao vivo foi o primeiro lançamento oficial do grupo que tomou o lugar de Keith Richards e Cia no primeiro contrato com a gravadora. Bom começo, não?

As apresentações realizaram-se no Craw Daddy, Richmond e no Marquee Club, Londres, no final de 1963 e início de 1964. O cuidado com os arranjos e timbragem dos instrumentos demonstra o nível de exigência dos músicos, bem como suas habilidades. Sem overdubs (aparentemente), as execuções das músicas são impecáveis. Obviamente não temos a timbragem de bateria com a qualidade hoje, mas estamos falando de 1963. E sem a mão de George Martin, compreendido?

Too Much Mokey Businness, de Chuck Berry, abre o play com Clapton desfilando seus conhecimentos sobre o assunto. Não vou falar de todas as músicas, mas Five Long Years e Smokestack LIghtning também merecem destaque, assim como todo o play.



Esse é um disco ao vivo de uma época em tocar bem significava gana, vontade, feelin’ e técnica. Mas, sobretudo, o grupo tinha que ter talento para se estabelecer. E os Yardbirds de qualquer fase, seja com Clapton, Beck ou Page, tinham.

Ouça e se imagine no Marquee em 1963/64. Devia ser uma experiência e tanto. Morte ao Pro Tools.

Enjoy.

Track List

1. "Too Much Monkey Business" (Chuck Berry)
2. "Got Love If You Want It" (Slim Harpo)
3. "Smokestack Lightning" (Howlin' Wolf)
4. "Good Morning Little Schoolgirl"
5. "Respectable" (O'Kelly Isley, Ronald Isley, Rudolph Isley)
6. "Five Long Years" (Eddie Boyd)
7. "Pretty Girl" (Ellas McDaniel)
8. "Louise" (John Lee Hooker)
9. "I'm a Man" (McDaniel)
10. "Here 'Tis" (McDaniel)

Keith Relf (vocais, harmonica)
Eric Clapton (guitarra solo)
Chris Dreja (guitarra base)
Paul "Sam" Samwell-Smith (baixo)
Jim McCarty (bateria)

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Por Zorreiro