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sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Black Sabbath – Reunion [1998]


O Black Sabbath original tentou se reunir uma série de vezes desde que a banda se separou, em 1979. Sabe-se lá porque nunca deu certo. Mas há tanta firmeza nessa reunião anunciada hoje, no dia 11 de novembro de 2011, que provavelmente ninguém pensou nas voltas frustradas do passado. Dessa vez parece ser diferente. Há uma promessa de um novo disco de estúdio – o primeiro desde 1978 – e uma turnê mundial logo após a apresentação no Download Festival do ano que vem.

A volta do Black Sabbath não é apenas quatro caras que fizeram as pazes e estão tocando juntos de novo. É simbólico, marcante, especial. A primeira banda especialmente metal a surgir no mundo se uniu novamente. Espera-se que a guerra de egos acabe, pois foi justamente isso que separaram os quatro integrantes em 2001, quando o vocalista Ozzy Osbourne preferiu finalizar um álbum solo a investir num novo registro do Sabbath.

Deixando o presente de lado e resgatando um pouco do passado: ocorreu, em 1997, a primeira volta real da banda, que havia se reunido em oportunidades como no Live Aid de 1985 e na turnê de despedida de Osbourne em 1992, mas nunca de forma definitiva. Dois concertos no Birmingham NEC, nos dias 4 e 5 de dezembro do mesmo ano, foram registrados. Saiu, daí, o duplo ao vivo dessa postagem.


Este vídeo não corresponde ao do álbum em questão, mas vale a pena ser conferido – principalmente pelos fãs de belas tetinhas.

“Reunion” é o primeiro álbum ao vivo do Black Sabbath a ser lançado com a voz de Ozzy. Nos tempos de glória, deve-se entrar num consenso em relação à performance do quarteto: não era das mais impressionantes. A maturidade, a experiência e as inovações tecnológicas transformaram, todavia, o concerto dos caras em algo realmente eletrizante para todos, desde o indivíduo que presenciou algum dos shows dessa reunião até aquele que simplesmente confere o áudio.

O repertório de 16 músicas conta apenas com clássicos. Canções imprescindíveis num verdadeiro concerto do Sabbath, como Paranoid, N.I.B., Children Of The Grave, Iron Man, Sweet Leaf e lá-vai-paulada fazem parte da seleção. Há também as favoritas dos fãs, como Dirty Women, Behind The Wall Of Sleep e Lord Of This World – esta, precedida da instrumental Orchid. A performance dos tios não deixa a desejar em nenhum momento. Ozzy Osbourne, sempre energético, conduz um show como ninguém. Tony Iommi, o “homem riff” tem a destreza de um guitar hero. Geezer Butler prova mais uma vez porque é o melhor baixista do Heavy Metal. Bill Ward continua com muita pegada, apesar das limitações físicas que o tempo impôs ao batera.

Há de se ressaltar as duas faixas inéditas, registradas em estúdio e presentes ao fim do disco: Psycho Man e Selling My Soul, canções genuinamente sabbáticas. Ou seja, arrastadas, assustadoras, performáticas e repletas de riffs incríveis. A Combe do Iommi (sim, do Iommi!) torce para que essa reunião, firmada em 11/11/11, renda bons frutos. Por enquanto, vale a pena resgatar o material dessa banda magnífica.



CD 1:
01. War Pigs
02. Behind The Wall Of Sleep
03. N.I.B.
04. Fairies Wear Boots
05. Electric Funeral
06. Sweet Leaf
07. Spiral Architect
08. Into The Void
09. Snowblind

CD 2:
01. Sabbath Bloody Sabbath
02. Orchid/Lord Of This World
03. Dirty Women
04. Black Sabbath
05. Iron Man
06. Children Of The Grave
07. Paranoid
08. Psycho Man
09. Selling My Soul

Ozzy Osbourne – vocal
Tony Iommi – guitarra
Geezer Butler – baixo
Bill Ward – bateria
Geoff Nicholls – teclados, guitarra adicional

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by Silver

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Grand Magus - Monument [2003]


Existe uma enorme confusão instaurada referente às acepções de influência e inspiração. Do imundo emo ao alienado virtuoso, todos dizem ser inpirados por vários nomes em comum. Guitarristas lendários e bandas clássicas são ultrajados ao serem citados por quem faz sons completamente destoados de suas propostas. Uns citam como influência, embora a maioria chame de inspiração. Sempre são os mesmos: Led Zeppelin, Deep Purple, Black Sabbath, Rolling Stones e mais alguns.

Ao escutar "Paranoid", "Smoke on the Water", "Satisfaction" ou "Stairway to Heaven", surge a vontade entusiasmada de aprender a tocar guitarra e fazer música. Apenas a vontade é incitada. Ou seja, influenciado qualquer um pode ser. A diferença tá na absorção dessas influências que gera a inspiração. Portanto alguns devem pensar duas vezes pra não blasfemar inconscientemente, porque poucos podem afirmar que são inspirados por tais coisas. E é nesse contexto seleto que tá inserido o Grand Magus. Grupo que transmite toda a aura clássica através de um Doom/Stoner que exalta as divindades setentistas.


JB tem o privilégio de saber compor, cantar e tocar guitarra como fosse uma oferenda a grupos como Black Sabbath, Mountain, Candlemass e Pentagram. A capacidade criativa de produzir riffs que transmitem uma crueza tenebrosa dispensa a adição de robustas guitarras dobradas, trocentos efeitos de Eventide, harmônicos desnecessários, ou o enfeite que for. A devastação é feita à moda antiga e com a frieza típica do Doom. JB é o membro fundamental do Grand Magus, mas vale citar a cozinha, composta por Fox e Trisse, que é responsável pelo ritmo sólido das canções.

Monument é o segundo trabalho da banda e traz a sonoridade explanada nos parágrafos anteriores, além de letras obscuramente enigmáticas, visto que JB é grande fã de Black Metal e Death Metal. As composições colocam o Doom e o Stoner lado a lado. "Summer Solstice" lembra o Vol.4 do Sabbath; "Brotherhood of Sleep" é puro Candlemass 80's; a pegada de "Food Of The Gods" remete ao Cathedral da época do The Ethereal Mirror; Tony Iommi é novamente encarnado em "Chooser Of The Slain (Valfader)" - à la Master of Reality -, e a marcante abertura com "Ulvaskall (Vargr)" traz à memória o Doom pegajoso do Place of Skulls.



Como podem perceber, não há inovações, no entanto as fortes referências que são sentidas reafirmam o que foi colocado no início do texto. Nos discos seguintes, o Grand Magus fugiu um pouco de suas raízes; adicionou muito mais peso, gravação limpa e digital demais, timbres variados, etc. Perdeu a identidade e ficou mais, digamos, metalizado. Ganhou muitos fãs com essa mudança, mas prefiro a fase inicial até aqui. Monument tá longe de ser clássico, porém caminha nos passos dos que são e cumpre muito bem seu papel de resgatar a sonoridade honestamente intensa do Doom/Stoner. Carpe noctem...

01. Ulvaskall (Vargr)
02. Summer Solstice
03. Brotherhood Of Sleep
04. Baptised In Fire
05. Chooser Of The Slain (Valfader)
06. Food Of The Gods
07. He Who Seeks... Shall Find

Janne "JB" Christoffersson - vocals, guitar
Fox - bass
Trisse - drums

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Dragztripztar

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Murder Rape - Celebration of Supreme Evil [1994]


Quando se fala em Murder Rape antes de vislumbrar qualquer coisa relacionada ao som geralmente surge gente pra espalhar fofocas, boatos, especulações, etc. Mesmo com a vida pessoal dos integrantes parecendo mais interessante para algumas pessoas, o Murder Rape consegue transpor tudo isso com o que realmente importa: sua música. Os curitibanos são um dos maiores expoentes do Black Metal Nacional, a primeira banda brasileira do estilo a excursionar pela Europa e, talvez, o mais notável representante pós-Sarcófago.

Por mais que o visual da banda sugira o famigerado Black Metal, durante a carreira do grupo o estilo que se transparece menos exaltado é o Black Metal como é conhecido superficialmente, e esse disco que estou trazendo exemplifica isso. O embaraço quanto ao rótulo pode ser explicado tomando como exemplo que o gênero é visto como algo voltado somente à sonoridade de grupos como Mayhem, Gorgoroth, Dark Funeral e afins, quando se pratica em países fora do eixo nórdico algo totalmente fora dos padrões dessas bandas. Logo, quem se fecha dessa forma acaba cometendo ignorâncias quando quer taxar algumas bandas, como o Murder Rape, no caso. Celebration of Supreme Evil é tido como um disco de Death Metal pelos leigos, simplesmente por não parecer com Gorgoroth, Mayhem & Cia.


Os traços do Death Metal sueco e de bandas como Venom, Celtic Frost e Hellhammer é notável nesse debut, mas a influência do Black Metal grego, principalmente do Varathron, é maior do que essas outras influências. O fato de Sabatan cantar o disco inteiro com vocais guturais não implica que se trata de Death Metal, pois o próprio Varathron, Mystifier e alguns outros conjuntos de Black Metal optam por esse tipo de vocal. Acima de tudo, o que desponta no Murder Rape é a inspiração dos caras, pois a simplicidade extremamente profunda que é apresentada nesse play se compara com o Venom nos anos 80, a meu ver.

Nesse primeiro full-lenght, o grupo além de compor um dos discos nacionais mais clássicos e o seu melhor trabalho, montaram um tracklist que mantém o ouvinte imerso. O disco abre com o simplismo eficaz de "Embassy of Satan", e na sequência, o guitarrista Ipsissimus se mostra um músico diferenciado e que, claramente, busca inspiração fora do Black Metal, basta notar que o Heavy Metal misturado ao Doom clássico é abrangido de maneira muito consonante em músicas como "The Beggining of Pain", "Goat Worshippers" e "Trace of Omnipotence". A cadência que percorre essas músicas beira o Doom Metal, e seria ampliada de forma excessiva no disco seguinte.

Mas o melhor momento fica guardado no final. Quando o Murder Rape lançou sua tape em 93 imediatamente a Cogumelo assinou com banda, e não era pra menos, entre as duas músicas da tape estava um clássico do Metal Nacional. "Morbid Desires" despe todo o talento da banda, uma composição extremamente bem arranjada, com uma sucessão de riffs e solos muito cativantes. O que me leva a considerar definitivamente Ipsissimus como o "Mantas brasileiro". Celebration of Supreme Evil marcou época e permanece até hoje como um dos trabalhos mais influentes da safra nacional, além da grande importância em mostrar outros horizontes dentro do Black Metal, que é o seu maior valor atualmente.



01-Intro
02-Embassy of Satan
03-The Beginning of Pain
04-Cries from the Abyss (Instrumental)
05-Goat Worshippers
06-Trace of Omnipotence
07-Morbid Desires
08-Goat Rules
09-Outro (In Liaison with Satan)

Sabatan - vocal
Ipsissimus - guitar
Agathodemon - bass
Ichthys Niger - drums

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Dragztripztar

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Krux - Krux [2002]


Sabe por que o Entombed se tornou um dos maiores ícones do Death Metal e criou um subgênero tão original que poucos ousam copiar? Olhe o currículo dos integrantes, ou melhor, ouça o que os caras mandam fora da banda que irá descobrir que se trata de músicos de uma categoria singular e com a cabeça aberta, produzindo de tudo um pouco no cenário extremo. A mais conhecida cria do Entombed é o The Hellacopters, mas existem vários projetos e bandas com qualidade semelhante, vide algumas que já foram postadas aqui, como Vicious Art, Disfear e Haystack. Agora é a vez do Krux.

Liderado pela cozinha mais duradoura do Entombed, Jörgen Sandström (baixo) e Peter Stjärnvind (bateria), o Krux pratica um Doom Metal há muito esquecido. Com a diferença que, Jörgen assume as guitarras no Krux. Completando a formação, ninguém menos que a maior entidade do estilo, Leif Edling (baixo) do Candlemass e o pau pra toda obra Mats Levén (vide Combest Of). Além de o disco contar com a participação do guitarrista Fredrik Akesson (Talisman, Arch Enemy, Tiamat) executando todos os solos, e que seria efetivado na banda no segundo álbum.

O debut auto-intitulado foi idealizado por Leif Edling, que a exemplo de Lemmy Kilmister e Angus Young, sempre faz a "mesma coisa", mas como todo bom gênio, tem a coerência de fazer com que suas composições nunca soem recicladas ou repetitivas. Os sons aqui são cobertos por uma atmosfera densa, soturna e carregada de uma frieza que remete às origens do Doom Metal. Outro aspecto interessante são as letras bem sinistras e que no álbum seguinte ganhariam concessões satânicas. Alguns temas contidos aqui remetem às idéias abstratas que Edling desenvolveu nos discos From The 13th Sun e Dactylis Glomerata do Candlemass.


A memória do Black Sabbath (fase Ozzy) é honrada em composições como "Black Room", "Nimis" e "Enigma EZB" que possui um instrumental captado da essência do Psalm 9 do Trouble (uma das grandes preciosidades do estilo) e linhas vocais remetentes aos primórdios do Sabbath. Pro clima fúnebre fica ainda mais completo nada melhor do que um psicodelismo pra dá um clima tristonho, e "Sibiria" se encarrega disso. Uma curta música que lembra o Pink Floyd da fase Syd Barret. E o Stoner Rock marca presença na faixa-título, lembrando a pegada do Cathedral no The Carnival Bizarre.

A crueza característica do Doom é misturada aos efeitos de ventos, sussurros e sintetizadores assombrosos em "Omfalos", na qual Edling mais uma vez se mostra um letrista único e resgata temas remotos, mas de grande valia intelectual. Como nesse caso, que discorre sobre a pedra cósmica do exórdio da humanidade que se acreditava fazer a comunicação entre o mundo dos mortos, dos homens e dos deuses, levando ao pilar de várias culturas, como a grega, judaica e muçulmana. Em seguida, Mats Levén se apodera de "Popocatépetl" com um refrão encantador. E o atordoamento chega ao fim na suíte "Lunochod", com seus mais de doze minutos de uma peça mística dividida em oito partes resultando no maior épico do Doom clássico da década passada.

Mesmo com grandes lançamentos do estilo oferecidos por Candlemass, Troube, Solitude Aeturnus, The Last Chapter, e o magnífico disco solo de Edling, nada supera esse primeiro full-lenght do Krux nos anos 2000. Leif Edling que sempre foi consolidado como o compositor mais produtivo do Doom Metal, agora não deixa mais dúvida de que é o principal ícone do gênero, pois seu estilo de composição passou a ser referência-mor do Doom Metal. O Krux ainda teve a 'responsa' de registrar o primeiro show em dvd, onde fica muito claro a honestidade de não utilizar overdubs. Quer mais o que?
REVOLUTION AND DOOM!



01 - Black Room
02 - Krux
03 - Nimis
04 - Sibiria
05 - Omfalos
06 - Enigma EZB
07 - Popocatépetl
08 - Evel Rifaz
09 - Lunochod I - VII

Mats Levén - vocal
Jörgen Sandström - guitar
Leif Edling - bass
Peter Stjärnvind - drums

Fredrik Akesson - lead guitar
Carl Westholm - keyboards

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Dragztripztar

Da esq. para dir.: Jörgen Sandström, Leif Edling, Mats Levén & Peter Stjärnvind

domingo, 12 de dezembro de 2010

Candlemass - Chapter VI [1992]


Que o Candlemass é o maior representante do Doom Metal e o baixista Leif Edling é o compositor que melhor sabe absorver e trabalhar as características do estilo, todo mundo já sabe (ou deveria saber). Mas contrapondo esse merecido reconhecimento há um momento muito subestimado na carreira da banda, e talvez do estilo em si - não precisamente do gênero Doom.

Depois de alcançar o auge da carreira nos anos 80, o Candlemass resolveu cessar as atividades por um curto tempo e quando retornou substituiu o vocalista Messiah Marcolin por Thomas Vikström, que havia saído de uma banda de Hard Rock e ao longo de sua carreira se mostraria um dos vocalistas mais versáteis do cenário atual. Essa mudança causou um grande desconforto nos fãs que, em sua maioria, rejeitaram Chapter VI.

Chapter VI é uma das maiores obras-primas da década de 90 e apesar de ter uma pegada mais Heavy Metal do que Doom, carregou o lado épico do conjunto de forma tão consistente e intensa como nunca havia ocorrido, de um modo que jamais foi alcançado. E, diferente de Messiah Marcolin, Vikström não usa vibratos operáticos à exaustão e possui um estilo diferente do monge, além de saber usar muito bem sua voz, coisa que, convenhamos, Marcolin demorou muito pra aprender, e sua performance afobada inclusive contribuiu para Edling lhe tirar do grupo.



O disco abre com "The Dying Illusion" e podemos constatar que mesmo com um direcionamento diferente dos trabalhos anteriores, a sonoridade não foi descaracterizada e há reminiscências fortes de todos os elementos característicos, principalmente o lado épico, como já dito. Outro fator marcante são as letras extremamente poéticas. Seja usando metáforas de desespero com a história da Chapeuzinho Vermelho ("Julie Laughs No More"), desilusão profética ("Aftermath") ou romantizando o paganismo ("Where The Runes Still Speak"), Edling concedeu uma riqueza literária que enobrece ainda mais as músicas.

"Julie Laughs No More" evidencia o talento de Vikström que se mostra muito superior ao Johan Längqvist, vocalista do disco mais clássico do grupo, o debut Epicus Doomicus Metallicus. O que revela a medonha contradição de alguns que reclamam dos vocais de Vikström mas idolatram o primeiro álbum - talvez por ser mais fácil apreciar o que já é consagrado. Na sequência, "Where The Runes Still Speak", uma das músicas mais esplendorosas do Doom Metal, e uma das composições mais impecáveis do Candlemass.

Outro fator que diferencia Chapter VI do que vinha sendo trabalhado pelo Candlemass é o uso acentuado de teclados. Em "The Ebony Throne" isso pode ser notado como um recurso que contribuiu para deixar a música ainda mais sinistra e atraente. Muito embora o êxtase dessa música se dê no refrão monumental. A simplicidade eficiente do Doom transborda em "Black Eyes" que é refutada pelo dinamismo de "The End of Pain" fechando o disco.



Leif Edling que é praticamente o único compositor da banda, se mostrou inspiradíssimo e desenvolveu nesse disco a esteira para o projeto Abstrakt Algebra, que segue o mesmo rumo, sendo um pouco mais progressivo e Power Metal. O disco do Abtrakt Algebra ao lado do Chapter VI é um dos melhores materiais que Edling escreveu em sua carreira e diferente do que ocorreu com o trabalho em questão aqui, o Abstrakt não foi rejeitado, e sim, completamente ignorado.

Aqui está meu álbum preferido do Candlemass, e não representa de forma alguma uma mudança drástica, pois isso só viria a ocorrer na fase do vocalista Bjorn Flodkvist. Existem três DVDs que possuem trechos de algumas apresentações do Candlemass com Vikström nos vocais, que comprovam a coesão do grupo nessa época e a apresentação de "Where The Runes Still Speak" em 2007 é a melhor exibição de Doom Metal que eu conheço desde que o estilo foi criado (sem considerar o Black Sabbath que é hors-concours). E a saída de Marcolin foi bom para os dois lados, pois a banda fundada pelo monge lançou outro grande clássico dos anos 90 (que vocês podem conhecer clicando AQUI).

01 - The Dying Illusion
02 - Julie Laughs No More
03 - Where The Runes Still Speak
04 - The Ebony Throne
05 - Temple Of The Dead
06 - Aftermath
07 - Black Eyes
08 - The End Of Pain

Thomas Vikström - vocals
Lars Johansson - lead guitar
Mats "Mappe" Björkman - rhythm guitar
Leif Edling - bass
Jan Lindh - drums

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Dragztripztar

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

The Sins of thy Beloved - Lake of Sorrow [1998]


Sim, essa banda se encaixa exatamente no estilo que você deve estar pensando. The Sins of thy Beloved é um grupo norueguês de Gothic/Doom Metal, onde aqueles vocais guturais contrastam com sopranos femininos fazendo o chamado dueto "A Bela e a Fera". Porém, os clichês param por aí, o The Sins foi um dos grupos mais originais desse segmento e não inflige a cabeça e os ouvidos com um som meramente depressivo.

Lake of Sorrow, o debut dos noruegueses, é envolto numa atmosfera bem peculiar, porque além de ser pesado e extremo de certa maneira, apresenta músicas com climas românticos, ainda que acompanhado por uma lugubridade intensa. Logo na abertura do disco não tem como ficar indiferente ao ouvir os violinos de "My Love" e toda a atmosfera dessa música. O romantismo fúnebre provido das melodias é absurdamente tentador, principalmente as melodias emanadas do violino, que é sem dúvida o maior diferencial do TSOTB. E o mais curioso é que o violinista é um músico contratado! Pete Johansen é um dos grandes responsáveis pela peculiaridade do TSOTB em um estilo tão saturado e previsível. O som desse conjunto sem o violino teria um vazio imensurável.

Outro grande destaque é a música seguinte "The Kiss" que também traz o violinista Pete Johansen em mais uma atuação espantosa tamanha a criatividade e feeling que consegue transmitir, mas sem desmerecer os outros instrumentistas que são ótimos arranjadores, e muito dignos por terem notado a grande destreza desse músico e lhe dado grandes aberturas pra trabalhar e colocar amplamente suas partes de violino. "Until the Dark" apresenta apenas vocais femininos, e apesar da Anita Auglend não ser nenhuma grande vocalista, soube conduzir a música sozinha e com melodias muito bem acabadas fazendo o simples instrumental passar despercebido. E no meio da música, pra variar, surge outra aparição marcante do violino em um solo carregado de sentimento.



O disco todo caminha nessa linha, onde encontramos um grupo praticando um estilo clichê - e pra mim quase inaudível -, mas com ótimas idéias de composição e que consegue fazer um som muito agradável se apoderando de uma atmosfera única com o violino cortando o som da forma mais tocante possível, passagens sorrateiras de piano e um grande trabalho vocal da dupla Glenn e Anita.

Então, se você não tem a mente tão fechada, e mesmo não curtindo as bandas precursoras desse estilo, pode se tornar um admirador do trabalho dessa banda. Eu sou um exemplo disso, sempre detestei bandas com vocais femininos e ainda mais nessa linha gótica, mas encontrei essa banda que me fez mudar um pouco meus conceitos, apesar de continuar não vendo nada de extraordinário na maioria das bandas de Gothic/Doom.

O The Sins of thy Beloved lançou o segundo disco em 2000, e encerrou as atividades logo após o lançamento do dvd em 2001. Os membros alegaram cansaço em fazer shows, mas creio que se tivessem tido uma boa receptividade comercial eles suportariam os ossos do ofício. O importante é que conseguiram mostrar um grande potencial particular, e acho estranho essa banda ser pouco lembrada e ter a apatia do público à que se destinam.



01 - My Love
02 - The Kiss
03 - Worthy of You
04 - Lake of Sorrow
05 - Until the Dark
06 - All Alone
07 - Silent Pain

Anita Auglend - Vocals
Glenn Morten Nordbø - Guitar/Vocals
Arild Christensen - Guitar/Backing Vocals
Ola Aarrestad - Bass
Stig Johansen - Drums
Anders Thue - Keyboards
Ingfrid Stensland - Piano/Keyboards

Session member:
Pete Johansen - Violin

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Dragztripztar

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Black Sabbath - Black Sabbath [1970]


Muitos aqui não tem a menor noção de como o mundo era em 1970. Só quem viveu para realmente saber - ou seja, me tirem dessa lista pois, modéstia à parte, nasci agora há pouco (risos). Mas sabe-se que, no âmbito musical, os hippies fedidos dominavam tudo - quem já ouviu falar de Woodstock? Aliás, a música estava em certo progresso, mas nada como se tem conhecimento no dia de hoje. O progressivo/psicodélico começava a tomar seus rumos e o Rock ficava cada dia mais pesado. Alguns dos embriões do Heavy Metal como Deep Purple, Led Zeppelin e Steppenwolf já chutavam bundas pesadamente. Mas nada se compara ao disco dessa postagem, que é considerado o verdadeiro "marco zero" do gênero.

A estreia do Black Sabbath, grupo inglês fundado em 1968, se deu em 1970. Antes haviam sido uma banda de Blues e, além da formação que todos conhecem - Ozzy Osbourne no vocal, Tony Iommi na guitarra, Geezer Butler no baixo e Bill Ward na bateria -, tinham um saxofonista chamado Alan Clarke, que logo deu no pé quando os caras decidiram que gostavam do obscuro. A influência começou a se dar pela paixão de Geezer por terror e magia negra. Iniciou composições mais sombrias e convenceu a mudança de estilo, que passou uma transição entre o Blues, o Folk e o Heavy Metal (que praticamente nem existia naqueles tempos). Após serem contratados pela Vertigo Records, gravaram seu primeiro trabalho.

O play, homônimo, foi gravado de forma primitiva e corrida: o processo de gravação foi ao vivo, em quatro canais e durou apenas doze horas. O lançamento em terras inglesas se deu numa sexta-feira 13, no dia 13 de fevereiro de 1970. Continua como reserva moral da música e influência para todas as gerações da música pesada, que hoje se disseminou e tem infinitas vertentes. Se a capa e o nome do grupo foram suficientes para causar alvoroço na sociedade da época, convido o leitor a tentar imaginar como foi a reação do público ao ouvir a bolacha.

Interessantemente logo a primeira canção, faixa-título, já apresenta elementos que descreveriam o Heavy Metal num âmbito geral. Com o tocar do sino e o barulho da chuva, tem-se início a primeira faixa, com o andamento arrastado, guitarra horripilante, letra sombria surrurrada pela voz possuída de Ozzy e, ao fim, em outra nuance, cozinha crua e solo fantástico que é uma cortesia do lendário Iommi.

Da esquerda para a direita: Geezer Butler, Ozzy Osbourne,
Tony Iommi (e seus faróis acesos) e Bill Ward

A seguir tem-se a marcante "The Wizard", com levada meio Blueseira mas rápida, uso de uma gaita fascinante e composição forte; e a meio zeppeliana "Behind The Wall Of Sleep", com performance devastadora da bateria de Ward e das vozes novamente assustadoras de Osbourne. "N.I.B." começa com um cavalar solo de baixo de Butler, distorcido e com uso de wah wah - um dos primeiros a serem notados no instrumento -, mas logo é tomada por uma atmosfera pesada, com guitarras perfeitas, vozes adequadas e cozinha muitíssimo densa para aqueles tempos.

"Evil Woman", cover da pouco conhecida Crow, dá sequência com uma levada mais tradicional, dividindo opiniões dos fãs mais afiados da tensão transmitida pelo Sabbath em suas composições (só para constar, quem vos escreve adora essa canção). Na versão norte-americana, a música foi substituída por "Wicked World", composição arrastada, pesada e genuinamente sabbática, por conta de direitos autorais. Nessa postagem, esta aparece como faixa bônus - ou seja, dupla diversão!

A acústica "Sleeping Village", agoniante e depravada, é finalizada com um instrumental e introduz o ouvinte um pouco para o que está por vir: o gran finale "Warning", épico de 10 minutos que presta tributo à composição original de Aynsley Dunbar Retailation. Os quatro integrantes se destacam de variadas formas na faixa: Ozzy Osbourne com vocais carregados de angústia, Tony Iommi despejando riffs atrás de riffs, Geezer Butler conferindo linhas de baixo pesadas e consistentes e Bill Ward se exibindo de bela forma com suas poderosas baquetas.

O álbum chegou à 23ª posição nas paradas norte-americanas quando lançado por lá (impressionante para um disco tão pesado) e 8ª posição nos charts ingleses. Hoje acumula milhões de cópias vendidas por todo o mundo e não fez feio, já que o magnum opus dos caras foi lançado logo depois: "Paranoid". Na época, a crítica não recebeu muito bem a bolachona, apunhalando o produto final sem dó nem piedade. Mas hoje todos se curvam à essa verdadeira bíblia do Heavy Metal - sem exageros.

01. Black Sabbath
02. The Wizard
03. Behind The Wall Of Sleep
04. N.I.B.
05. Evil Woman (Crow cover)
06. Sleeping Village
07. Warning (Aynsley Dunbar Retaliation cover)
08. Wicked World (Bonustrack)

Ozzy Osbourne - vocal, gaita em "The Wizard"
Tony Iommi - guitarra
Geezer Butler - baixo
Bill Ward - bateria

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by Silver

domingo, 23 de maio de 2010

Acid Bath - Paegan Terrorism Tactics [1996]


Na década de 90, enquanto o tal do grunge saía de Seattle para ganhar o mundo, diversos outros movimentos floresciam nos EUA. Na Califórnia o Kyuss e o Sleep ditavam as regras do stoner rock. Com várias influências em comum, em Louisiana surgia o sludge metal.

Esse estilo, do qual os Melvins de Washington haviam sido pioneiros, combinava elementos de southern rock, doom metal, Black Sabbath e hardcore punk para formar uma sonoridade pesada, suja e com tempos contrastantes. As bandas de destaque são Crowbar, Down (de Phil Anselmo), Eyehategod e Acid Bath, e é dessa última que trago o último e, ao meu ver, melhor disco.

Formado em uma pequena cidade ao sul de Nova Orleans por alguns jovens fãs de thrash metal, o Acid Bath nunca chegou ao mainstreen ou emplacou algum hit, mas adquiriu certo reconhecimento no meio underground, e é uma banda muito interessante.

Paegan Terrorism Tactics é o último trabalho da banda antes da separação causada pela morte do baixista fundador Audie Pitre.

Vamos ao álbum. Aqui ouve-se um sludge metal profundamente influenciado por death metal e grindcore. Ou seja, temos riffs 'sabbatheanos', tempos que aceleram e desaceleram várias vezes durante as faixas, vocais limpos na maior parte do tempo, mas que se tornam guturais muito bem feitos em certas passagens e um clima mórbido, no que o vocalista Dax Riggs chama de 'death rock'. Aliás, Riggs é o grande destaque da formação da banda, e é uma personalidade muito reconhecida no meio stoner/sludge.

No mais, como em todas as bandas de sludge, é muito reconhecível a semelhança com o stoner rock. Há ainda passagens acústicas, ou com guitarras limpas, que trazem uma atmosfera bastante depressiva, mas surpreendentemente bluezeira, como em Dead Girl.

A lírica mostra certa obsessão de Dax Riggs com a morte. As letras só falam disso e são cheias de passagens de humor negro.

Os destaques ficam para a já citada acústica Dead Girl, para a fantástica abertura Paegan Love Song, para a lenta Bleed Me An Ocean e para Venus Blue, que a crítica da época julgou que seria um hit se não fosse pela letra. E não posso deixar de citar os vocais de Dax Riggs como destaque. O vocalista combina uma bela voz com muita versatilidade ao ir do suave ao gutural, encaixando perfeitamente com o instrumental.

No mais, Acid Bath é uma banda que chama atenção, uma boa intrudoção ao sludge metal. Música com clima de domingo à noite, com certeza [risos]. Um som relativamente desconhecido que pode conquistar quem é fã de death, thrash, stoner e metal em geral. Baixe!

01. Paegan Love Song
02. Bleed Me An Ocean
03. Graveflower
04. Diab Soule
05. Locust Spawning
06. Old Skin
07. New Death Sensation
08. Venus Blue
09. 13 Fingers
10. New Corpse
11. Dead Girl*
12. Bonus Poem - The Beaultiful Downgrade*

* Dead Girl tem vários minutos de silêncio, seguido pela 'declamação' de Bonus Poem

Dax Riggs - vocais
Mike Sanchez - guitarra
Sammy Pierre Duet - guitarra, vocais de apoio
Audie Pitre - baixo, vocais de apoio
Jimmy Kyle - bateria

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