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quarta-feira, 13 de abril de 2011

The Mars Volta - De-Loused In The Comatorium [2003]


Quem ouve The Mars Volta pela primeira vez se vê, inevitavelmente, diante da seguinte questão: para compor canções como essas, os músicos deveriam estar derretendo em drogas. Mas como músicos derretendo em drogas poderiam produzir e executar peças tão complexas e de técnica tão refinada? Tente entender por si mesmo e prepare-se para se surpreender.

O TMV é um projeto do guitarrista Omar Rodríguez-López e do vocalista Credric Bixler-Zavala. A banda se formou nos EUA em 2001, depois de idas e vindas de outros dois grupos dos músicos citados. Em 2003, lançou seu debut, amplamente aclamado pela crítica e responsável pela criação de um público relativamente grande para os outros 4 lançamentos.

O som do The Mars Volta é uma mistura de influências diversas. À primeira audição, o que destoa é o rock progressivo, mas aqui você vai encontrar rock psicodélico, muito jazz fusion e música experimental, krautrock - uma vertente alemã do progressivo setentista -, hardcore e até música latino-americana. O resultado é uma sonoridade bastante original, que se enquadra em gêneros como rock experimental e art-rock.



Mas definições técnicas são muito limitantes ao grupo texano. O que posso dizer é que se trata de música experimental com gosto pela dissonância, onde passagens caóticas frequentemente dão lugar a belíssimas melodias em quebradas que fogem do ortodoxo. A banda é afiadíssima, com um baixo pulsante e uma bateria frenética que em muitos momentos é substituída por bem postadas percussões latinas. Efeitos sonoros e sintetizadores aparecem na hora certa, sem muitos exageros. Omar Rodríguez-López se mostra uma revelação das seis cordas, fazendo uso de riffs e dedilhados de criatividade invejável para conduzir todo o som. Os vocais agudos de Cedric Bixler-Zavala são um show à parte, com a voz de timbre distinto atingindo tons inacreditáveis para um homem. As apresentações ao vivo são de uma intensidade rara nos dias de hoje, com grandes tendências para tudo terminar em jam.

De-Loused In The Comatorium, como é costume para o TMV, é um disco conceitual. Sua lírica trata da narração em primeira pessoa da história de Cerpin Taxt, um homem que, após tentar suicidar-se por overdose, permanece em coma por uma semana. Nesse período, se vê em meio a revelações sobre a humanidade e a própria psique. Ao acordar, frustrado com o mundo real, suicida-se efetivamente. A sinistra história é baseada na morte de Julio Venegas, artista amigo de Credic Bixler-Zavala que passou por acontecimentos parecidos.

O álbum traz as características sonoras já citadas, combinadas com a lírica sombria para gerar um clima enigmático, viajante e carregadíssimo no sentido emocional. Aliás, é um disco praticamente feito de emoções, que passa por momentos de frenesi obscuro seguidos de profunda tranquilidade reflexiva.

Como consta na maioria dos encartes da banda, o The Mars Volta é constituído de Omar Rodríguez-López e Credic Bixler-Zavala. As faixas são executadas pelo The Mars Volta Group. Enfim, este tem, no De-Loused, ninguém menos que Flea assumindo o baixo, assim como John Frusciante faz uma participação em uma das faixas (a turnê que seguiu o De-loused foi de abertura para o Red Hot Chili Peppers). Os destaques ficam para as sombrias "Inertiatic ESP" e "This Apparatus Must Be Unearthed", para as belas "Roulette Dares (The Haunt Of)" e "Eriatarka", a space/prog "Cicatriz ESP" e as duas últimas e melhores faixas: a lindíssima "Televators" e a caótica "Take The Veil Cerpin Taxt", que tem uma incrível passagem instrumental. E acredite, refiz essa lista de destaques algumas vezes até conseguir não incluir o play todo.



Um mês depois do lançamento do disco, o manipulador de som e participante nas composições, Jeremy Michael Ward, morreu de overdose. Isso fez com que os membros da banda abandonassem o uso de opióides. Algo que influenciou o som dali para frente, que deu mais alguns passos em direção à psicodelia e ao fusion - sem heroína começaram a tomar mais LSD [risos]. O grupo tem 5 discos lançados, com a previsão de um para 2011. Em 2010, fizeram sua única passagem pelo Brasil no SWU, com um show simplista, mas excelente, focado nas músicas mais pesadas.

O The Mars Volta é, muito mais do que um bando de doidões fritando em drogas das quais nunca ouvimos falar, uma banda de criatividade distinta e rara sensibilidade. Pessoalmente, afirmo que, uma vez assimilado, é som que dificilmente passa em branco para quem ouve. Não cometa o erro de não conferir.

01. Son Et Lumiere
02. Inertiatic ESP
03. Roulette Dares (The Haunt Of)
04. Tira Me a las Arañas
05. Drunkship of Lanterns
06. Eriatarka
07. Cicatriz ESP
08. This Apparatus Must Be Unearth
09. Televators
10. Take The Veil Cerpin Taxt

Cedric Bixler-Zavala – vocais
Omar Rodríguez-López – guitarra
Jon Theodore – bateria
Jeremy Michael Ward – sintetizador, manipulação de som
Isaiah Ikey Owens – teclados
Flea – baixo

Lenny Castro – percussão
John Frusciante – guitarra e sintetizador em 07
Justin Meldal-Johnsen – baixo acústico em 09


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sábado, 5 de fevereiro de 2011

John Macaluso & Union Radio - The Radio Waves Goodbye [2007]


Como disse no post do ARK, a banda encerrou as atividades em meio ao início do processo de composição para o terceiro disco. E como o responsável principal pelas composições era o baterista John Macaluso, as ideias maduras foram aproveitadas na sua empreitada solo. Demorou um ano e meio para o processo de composição ser concluído, já que Macaluso tinha em mãos composições Prog na linha do que havia sido feito com o ARK e, para se lançar sob outro projeto, deveria dar um novo panorama à estas ideias.

Unindo sua apreciação pelo vintage e o experimental, Macaluso deu largas à criatividade com a intenção de misturar estes dois elementos. Desfasado de qualquer pressão comercial, o baterista pôde trabalhar estruturas atípicas e métodos vertiginosos que resultam numa mistura do lado experimental do avant-garde mainstream (Radiohead, Björk, Mars Volta e afins) com conduções e concepções próximas aos gêneros Progressivo, Psicodélico e Jazz Rock. Portanto, a sonoridade apresentada em The Radio Waves Goodbye é bem viajante e completamente anti-trends, germinando o chamado "Art Rock".

Agora misture todas as características supracitadas com efeitos, clima mórbido e um trabalho percussivo alucinante, que terás um produto de deixar atônito qualquer pessoa, independente se vai agradar ou não. Principalmente devido o lado percussivo. Quando ouvimos - sem eufemismo - a desgraceira completa que Macaluso faz nesse disco, pensamos em se tratar do Goro tocando bateria. No entanto, o ego do baterista não se coloca à frente das composições. Apesar de demonstrar suas habilidades desmedidas durante todo os sons, o foco principal é o experimentalismo com a estética lúgubre, como já mencionado.



Para transmitir todos estes intentos, o álbum não poderia ser convencional e trazer uma banda fixa. Em vista disso, foram convocados nomes de peso que constam no line-up logo abaixo. As músicas possuem as mesmas características, não espere nada menos do que pura insanidade e aflição com ar desesperador - atributos que podem parecer execráveis e depressivos, mas que aqui se tornam sublimes. Por quê? Bem, fora a atuação sobre-humana do mentor, têm-se ideias extraordinárias de ritmos e melodias, regadas pelas execuções impecáveis dos convidados, fazendo com que esses sentimentos carregados se tornem atrativos.

Quem toca bateria ou aprecia o instrumento, tem a obrigação de conhecer este disco. Aqueles que curtem viagens bem trabalhadas, com um lado moderno e nebuloso, provavelmente ficarão encantados com esta trilha sonora de masmorra. E para os que querem experimentar algo inusitado, é uma boa pedida. Já os que apreciam escutar apenas o que é pré-estabelecido, ou acham que só são válidas as expressões musicais 'coloridas', é recomendado não arriscar em conhecer este play, pra depois não espalhar conclusão comum de mente diminuta.

01 - Soul In Your Mind
02 - Mother Illusion
03 - Prayer Pill
04 - Dissolved
05 - Gates To Bridges
06 - Shimmering Grey
07 - T-34
08 - Starring ''Pain''
09 - Pretzel (Drum solo)
10 - Yesterday I'll Understand
11 - 6 Foot Under Happy Man
12 - Things You Should Not Know
13 - Away With Words

•John Macaluso - Drums (ARK, Yngwie Malmsteen, TNT, Powermad, Riot, KRS-One, George Lynch, Starbreaker, Delmar Brown, Masterlast, Alex Masi, Spread Eagle)

•Vocals - James LaBrie (Dream Theater), Mike Dimeo (Riot, Masterplan), Adrian Holtz (ARK), Don Chaffin (Vox)
•Guitar - Marco Sfogli (James LaBrie), Alex Rastochin (Average White Band), Chris Caffery (Savatage, Trans-Siberian Orchestra), Alex Masi, Jack Frost (Seven Witches, Metalium), Robert Katrickh, Di Muti. Larry Meyer, Nick Chinboukas (Collision)
•Bass - Randy Coven (Yngwie Malmsteen, ARK), Ze Grey (Delmar Brown), Di Muti, Fabrizio Grossi (Steve Vai), Larry Meyer, Gustavo J. Vitureira (Collision)
•Keyboard and Piano - Vitalij Kuprij (Artension, Ring Of Fire), Di Muti, Derrik Weiland (Trans-Siberian Orchestra)
•Strings - Dave Eggar (Evanescence)
•Backing Vocals - Deana Cook, John Macaluso, Don Chaffin, Sue-Z, Donna Macaluso, Laura Macaluso & Kristen Drewes

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Dragztripztar

domingo, 17 de outubro de 2010

Tom Waits - Bone Machine [1992]

A Grande Depressão que abateu o EUA mostrou, por meio dos quadros de Hopper e o falso delírio do cinema popular americano, que a grande águia não era infalível. Depois, os sanguinolentos anos 40 e 50, acompanhados da Segunda Guerra Mundial, Guerra Fria e vários outros desastres, demonstraram que o sonho americano era nada mais, nada menos, que uma sensação de vazio e alienação misturada a um coquetel de criminalidade galopante e políticas absurdas. No meio dessa confusão, a juventude se encontrava em cima do muro; indecisos pela dureza dos tempos e a censura, que, no caso de pessoas como Jack Kerouac e Allen Ginsberg, conseguiram traduzir isso para as letras. Aí nascia a poesia tão fugaz e trangressora: o beat

No ramo musical, vários artistas como Bob Dylan, Soft Machine, Lou Reed, Leonard Cohen, Nick Cave, etc, foram influenciados pelo movimento. No entanto, um dos maiores expoentes desse tipo de música, que destila tudo em pura arte, é, sem dúvida, o norte-americano Tom Waits.


Waits nasceu na Califórnia, no Estados Unidos, em 1949. Desde a sua juventude tinha contato com o palco; trabalhando em boates e fazendo pequenos shows. Em 1971, Waits assina com o selo do executivo Herb Cohen, gravando algumas demos. Logo no ano seguinte, ele lança o seu debut Closing Time [1972], que é calcado numa sonoridade folk/jazz. Apesar do bom resultado, ele ainda não ganhou as luzes da ribalta.

Waits é conhecido por associar a questão musical com a literária num estilo particular, misturando música e monólogos. Desde o debut ele foi aprovado pela crítica por ter maturidade como letrista e, principalmente, por ter um excelente senso musical. Após excursionar e abrir shows de gente como Frank Zappa e Charlie Rich, Waits cai na graça do grande público, com o lançamento de discos como Nighthawks At The Dinner [1975] e Small Change [1976]. Pulando algumas décadas, já nos anos 90, finalmente é lançado o disco que trago hoje para vocês, o transgressor, confuso, violento e emocionante Bone Machine.


Bone Machine, lançado em 1992 e ganhador do Grammy de Melhor Album de Música Alternativa, é um album que merece ser ouvido e lido com total atenção. Gravado nos estúdios da Praire Sun Recording, num porão velho vazio com chão de cimento e aquecedor (explicando assim a atmosfera do disco, com vários ecos), Bone Machine traz 16 sombrias e curiosas faixas; especialmente sombrias, já que, nesse disco, o tema predominante é a morte. Vale lembrar também a fantástica participação de músicos como o baixista Les Claypool, Joe Gore, Brain e Keith Richards.

Falar do disco inteiro é conversa pra mais uma página, então, os destaques são diversos: para a sinistra balada Dirt In The Ground, que fala sobre o único destino certo: a morte. A libidinosa Such A Scream é uma canção que possui um ritmo contagiante e um instrumental variado, assim como os múltiplos gritos contra a hipocrisia de All Stripped Down.


The Ocean Doesn't Want Me, uma canção sobre destino e morte, mantém a complexidade lírica; assim como a funesta Jesus Gonna Be Here. Waits possui um incrível talento para baladas, comprovadas pela visão melancólica das mudanças, escolhas e problemas em A Little Rain e um resumo da vida, em Whistle Down The Wind.

Fechando os destaques, a ironia doentia de Murder In The Red Barn, o tortuoso caminho da velhice em I Don't Wanna Grow Up e o lirismo de That Feel, uma canção bastante especial por expressar os sentimentos de todos os geniais perdedores. That Feel, como se não bastasse, ainda conta com a participação do guitarrista Keith Richards (Rolling Stones) cantando e tocando.

Tom Waits é um verdadeiro artista, que se arma apenas de música e palavras. Um poeta dos sentimentos mais sombrios e dos mínimos aspectos da sociedade, sem recorrer ao ''trovadorismo'' que é, muitas vezes, totalmente inútil.
Um ótimo download!

Tracklist:
01 - Earth Died Screaming
02 - Dirt In The Ground
03 - Such A Scream
04 - All Stripped Down
05 - Who Are You
06 - The Ocean Doesn't Want Me
07 - Jesus Gonna Be Here
08 - A Little Rain
09 - In The Colosseum
10 - Goin' Out West
11 - Murder In The Red Barn
12 - Black Wings
13 - Whistle Down The Wind
14 - I Don't Wanna Grow Up
15 - Let Me Get Up On It
16 - That Feel

Line-up:
Tom Waits - Vocal, chamberlin (nas faixas 01, 06 e 09), percussão (nas faixas 01, 03, 04, 05, 06 e 15), guitarra (nas faixas 01, 03, 05, 12, 14 e 16), piano (nas faixas 02 e 13), contrabaixo (na faixa 07), conundrum (na faixa 09), bateria (nas faixas 10, 11, 12 e 16) e violão (na faixa 14)
Brain - Bateria (nas faixas 03 e 09)
Kathleen Brennan - Percussão (na faixa 01)
Ralph Carney - Alto sax (nas faixas 02 e 03), tenor sax (nas faixas 02 e 03) e baixo clarinete (na faixa 02)
Les Claypool - Baixo (na faixa 01)
Joe Gore - Guitarra (nas faixas 04, 10 e 12)
David Hidalgo - Violino e acordeon (na faixa 13)
Joe Marquez - Percussão (na faixa 01) e banjo (na faixa 11)
David Phillips - Pedal steel guitar (nas faixas 08 e 13) e steel guitar (na faixa 16)
Keith Richards - Guitarra e vocal (na faixa 16)
Larry Taylor - Contrabaixo (nas faixas 01,02,04,05,08,09,10,11,12,14 e 16) e guitarra (na faixa 07)
Waddy Wachtel - Guitarra (na faixa 16)

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By Alvaro Corpse