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sábado, 8 de outubro de 2011

REPOST: Red Hot Chili Peppers - Blood Sugar Sex Magik [1991]

NOVO LINK PARA DOWNLOAD NOS COMENTÁRIOS!

Quem assistiu ao Rock in Rio talvez tenha a mesma opinião que eu sobre a apresentação dos Chili Peppers no festival. A banda proporcionou um dos melhores - senão o melhor - show entre os 7 dias. E exatamente no dia no qual a banda se apresentaria, o álbum Blood Sugar Sex Magik estaria completando seus 20 anos e os Peppers não dispensaram a oportunidade e tocaram a clássica faixa-título, quem viu já deve ter uma noção que o som que vocês verão por aqui é coisa louca.

Nos anos 80 e começo dos 90, o Red Hot Chili Peppers tocava simplesmente funk (não é o funk carioca, ok?) misturado com rock, com guitarras cheias de distorções fortes. Antes, tudo se passava meio que por brincadeira ao olhos da banda, mas após a morte de Slovak em 1988, as coisas começavam a mudar na carreira do grupo.

Antes do lançamento do Blood Sugar, o Red Hot ainda não tinha sucesso e fama, então estava na hora de fazer algumas alterações. Com uma mudança de gravadora, haveria mudança de produtor. Rick Rubin decidiu que ia fazer algumas alterações no jeito da banda gravar. Desse modo, foram para uma mansão que pertenceu a Rudolph Valentino, onde Rubin colocou os quatro integrantes para gravarem no mesmo quarto, frente à frente um com o outro. O uso de menos aparelhos tecnológicos também ajudou, pois assim a banda faria um som mais simples, sem muito exagero. Com as faixas prontas, estava na hora de escolher um nome para o novo disco. Escolheram a faixa Blood Sugar Sex Magik para ser a faixa-título e desde então, os caras colocam nomes de alguma música no álbum. E com Blood Sugar Sex Magik já nas lojas, algumas canções alcançaram o topo nas rádios.

Pronto. Os Chili Peppers haviam conseguido sucesso e fama. Vale lembrar que nos anos 90, o grunge estava em seu auge, mas isso não preocupou Kiedis e ele decidiu que o disco iria para as lojas sem espera. Felizmente a escolha dele foi a certa. Aproximadamente 12 milhões de cópias foram vendidas e o Red Hot começaria uma turnê que seria mais do que cansativa.

Mas antes decidiram gravar alguns clipes. O primeiro a ser gravado foi de "Give it Away", música que acompanha a banda até os dias atuais, e os fãs cobram isso: em uma setlist do Red Hot não pode faltar Give it Away.

Outras faixas ocupam seu lugar nos shows do grupo. Entre elas "Under the Bridge", a qual retrata a época em que Anthony era viciado em drogas. "Suck My Kiss" não é tão incluída nas apresentações desde que o famoso "By The Way" foi lançado, mas é uma das músicas mais conhecidas da banda (o Guitar Hero ajudou a deixar a música mais famosa). Também há as músicas que faz um bom tempo que não tocam, mas tem seu lugar registrado no Blood Sugar Sex Magik. Entre elas "If You Have to Ask", "Breaking the Girl" e "Power of Equality". No mínimo, a faixa-título foi tocada no Rock in Rio e fez a platéia toda delirar.

Bom, a história que vem depois disso vocês já devem reconhecer: turnê cansativa, saída de Frusciante e tudo mais. Só para encerrar: esse disco é muito foda, quem não baixar é porque não gosta de música boa, simples.

Anthony Kiedis (vocals)
John Frusciante (guitar)
Flea (bass)
Chad Smith (drums)

1. Power of Equality
2. If You Have to Ask
3. Breaking the Girl
4. Funky Monks
5. Suck My Kiss
6. I Could Have Lied
7. Mellowship Slinky in B Major
8. The Righteous and the Wicked
9. Give it Away
10. Blood Sugar Sex Magik
11. Under the Bridge
12. Naked in the Rain
13. Apache Rose Peacock
14. The Greeting Song
15. My Lovely Man
16. Sir Psycho Sexy
17. They're Red Hot

Por Lucas

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terça-feira, 23 de agosto de 2011

Red Hot Chili Peppers - I'm With You [2011]


A espera acabou. Cinco anos após o lançamento de “Stadium Arcadium”, é possível conferir “I'm With You”, o décimo álbum da carreira do Red Hot Chili Peppers. A entrada oficial de Josh Klinghoffer ao grupo, em substituição a John Frusciante dividiu os fãs, pois a primeira vez que o guitarrista John Frusciante deixou o grupo, ainda na década de 1990, o registro com seu primeiro substituto Dave Navarro, “One Hot Minute”, dividiu (e ainda divide) opiniões.

Mas não há nada a temer. Enquanto guitarrista, o estilo de Klinghoffer se assemelha muito ao de Frusciante, então mudanças bruscas não permeariam “I'm With You”. Aliás, a primeira sensação durante a audição do álbum é de "atendimento" ao que se previa – em um sentido positivo. O melhor do que consagrou o Red Hot Chili Peppers em discos como “Californication” e “By The Way” está aqui. Com qualidade e sem grandes inovações.

Monarchy Of Roses abre o álbum com um "quê" alternativo e distorcido, mas rapidamente volta ao esperado Rock funkeado que o Red Hot faz como ninguém. O entrosamento de Flea, baixista, e Chad Smith, baterista, é algo de outro mundo e a dupla irá guiar praticamente todo o registro. Josh Klinghoffer apresenta seu cartão de visitas sem exibicionismos e permanece assim até o fim. Anthony Kiedis faz o mesmo de sempre nos vocais, mas parece mais versátil nesta primeira faixa.



Em seguida, Factory Of Faith é guiada pelo groove de Flea e Smith. Melhores linhas vocais tornariam a música muito boa, pois tem um refrão grudento, mas manteve o nível mediano. Brendan's Death Song tem um início calmo e acústico e cresce à medida que o tempo passa. Canção incrível, uma das melhores do registro, com ótima performance de Kiedis e Klinghoffer. Etihopia retoma o groove, mas com uma dosagem Pop. Klinghoffer impressiona novamente, mas o destaque desta faixa – e de todo o álbum – é o baixo.

Annie Wants A Baby está mais para o Pop. As linhas de bateria de Chad Smith acrescentam um clima dramático sensacional para a música. A animada Look Around segue com a mesma pegada de uma canção qualquer de “Californication”, com maior aparição da guitarra e um refrão feito para ser cantado em arenas. The Adventures Of Rain Dance Maggie não atende às expectativas de um single primário, mas não deixa de ser uma boa canção. Apresenta bem a transição leve, porém essencial, entre o Red Hot Chili Peppers de anos atrás e agora.



Did I Let You Know tem um swing incrível, principalmente graças ao grande trabalho de Chad Smith. Trilha sonora de praia caribenha, com direito a solo de trompete e tudo o mais. Apresenta, com mais destaque, uma cama de teclados que parece permear todo o registro. Goodbye Hooray, direta, seria melhor como faixa de abertura. Smith segue inspirado e guiando a banda com ótimas linhas de bateria. Apesar da sutil diferença de timbres, Josh toca como John Frusciante nessa faixa. O solo de baixo no meio da música conquista qualquer um.

Happiness Loves Company traz uma novidade: piano. A levada, altamente Pop Rock, faz com que eu aposte na música como um próximo single, talvez com maior impacto do que Adventures. A balada Police Station quebra o clima e dá uma sensação nostálgica ao ouvinte. Quando a música transcende as caixas de som e transmite sentimentos para quem a escuta, sua qualidade é incontestável. Os teclados marcam presença novamente, apesar de mais discretos. Peca apenas por não ter um solo de guitarra marcante.

Even You Brutus? mistura o Funk Rock clássico com o Pop, novamente com a presença de teclados. A música implorava por uma performance mais inspirada de Anthony Kiedis, mas o vocalista não atendeu. Boa, mas poderia ser melhor. Meet Me At The Corner, lenta, não conta com a mesma emoção das outras baladas, apesar de apresentar mais ênfase nas guitarras. O fechamento fica por conta da estranha Dance, Dance, Dance, que não vai fazer ninguém dançar a não ser por alguns momentos finais – só vai desapontar, por se aguardar mas não ter uma grandiosa faixa de encerramento.



No geral, “I'm With You” é sensacional. Conta com momentos inspiradíssimos e é musicalmente mais arrojado do que os antecessores, por contar com uma gama de instrumentos maiores e um músico versátil como Josh Klinghoffer, que não decepcionou apesar da pressão. Há dois problemas: a ausência de um verdadeiro hit, para arrastar multidões, e a falta de linearidade nas últimas faixas, que não são boas como as primeiras. Deve-se aguardar, todavia, o amadurecimento da parceria entre Josh e os outros integrantes. Promete render frutos ainda melhores.

01. Monarchy Of Roses
02. Factory Of Faith
03. Brendan’s Death Song
04. Ethiopia
05. Annie Wants A Baby
06. Look Around
07. The Adventures Of Rain Dance Maggie
08. Did I Let You Know
09. Goodbye Hooray
10. Happiness Loves Company
11. Police Station
12. Even You Brutus?
13. Meet Me At The Corner
14. Dance, Dance, Dance

Anthony Kiedis - vocal
Josh Klinghoffer - guitarra, teclados, backing vocals
Flea - baixo, trompete, piano, backing vocals
Chad Smith - bateria, percussão

Músicos adicionais:
Greg Kurstin - piano, teclados
Money Mark - órgão em 6
Mauro Refosco - percussão
Lenny Castro - percussão
Michael Bulger - trompete em 8

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by Silver

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Ultramen – Ultramen [1998]



Por que Ultramen, assim no plural?

Porque a gente só agarra monstro.

Essa foi a resposta do Júlio Porto, guitarrista dessa fantástica banda de Porto Alegre e meu estimado colega de segundo grau à época. Ele e seu irmão Pedro fundaram, juntamente com o Zé e o Tonhão (hoje Tonho Crocco) a Ultramen lá pelo ano de 1991. Foi o ano que os conheci e a banda ainda engatinhava.

Algumas músicas daquele ano entraram nesse play, como Bico de Luz. Outras não vingaram. Mas lembro até hoje daquela que tinha diversos sinônimos para a palavra demônio. Demônio, diabo, bicho mau, arrenegado, feio belzebu, anjo rebelde, capuçu... Está no track list.

O som vinha na esteira dos Red Hot Chilli Peppers, com pitadas de rock brazuca e um estilão Tim Maia e Simonal na cobertura. Se De Falla já havia aberto a trilha, a Ultramen simplesmente duplicou e pavimentou a rodovia do estilo no Brasil.

O disco de estreia foi gravado somente em 1996 e lançado em 1998 pela gravadora Rock It. Mas as demos já rolavam havia muito tempo entre os amigos e fãs. Shows enérgicos e pegada fantástica, nada na época podia ser comparado ao som dos caras.

Hoje fora de catálogo, o primeirão (e melhor, na minha opinião de quem conviveu com eles à época) está disponível para download pelos próprios músicos da banda no site Reverbnation. Por questão de lealdade, mando o link original, para o nobre passageiro beber direto da fonte.

A produção nem parece ser brazuca dos anos 90, de tão boa. O cuidado com os timbres dos instrumentos demonstra o profissionalismo dos caras. Ouça So Now I Let You Go e confirme o que quero dizer.




Atualmente a banda está dissolvida. Julio está em Londres (ao menos estava há pouco), Pedro na Califa e Tonhão segue fazendo um som absolutamente criativo e diferenciado para quem está acostumado a ouvir o padrão brasileiro de música popular. Eu diria que ele mostra para seus padrinhos Tim Maia, Simonal e Ben Jor que a batalha não foi em vão.

Este post vem também para que nos alertemos da merda que é política brasileira. Tonho Crocco fez um vídeo no qual gravou um rap chamado Gangue da Matriz, cuja letra fala do aumento dos próprios salários dos deputados gaúchos em 73%. Ele dá nome aos bois e, exatamente em razão disso, está sendo processado criminalmente. Coloquei o link com a história abaixo.

Onde está a liberdade de expressão prevista na Constituição Federal?

Entre um músico criativo e influente e uma corja de políticos sem caráter que aumentam o salário pago com verba pública, quem você escolhe?

Brasil, toma vergonha na cara. Paremos de votar em engraçadinhos, palhacinhos, almofadinhas e limpemos um pouco dessa sujeira que nós mesmos criamos.

Track List

01 - Se Habituar
02 - Bico de Luz
03 - Duro e Selvagem
04 - La Negrita
05 - Get Funky (with My Master Plan)
06 - Sebastião
07 - 5x1
08 - 5x1 Ultrafunk
09 - Demônio
10 - So Now I Let You Go
11 - Hip Hop Beat Box Com Vocal e James Brown
12 - Vou a Mais de 100
13 - Get a Pussy

Pedro Porto (baixo)
Julio Porto (guitarra)
Ze Darcy (bateria)
Malasia (percussão)
Marcito (percussão)
Tonho Crocco (vocais)

Link disponível pela própria banda para baixar o disco:
http://www.reverbnation.com/ultramen#!/artist/artist_songs/11512

Link com a história do vídeo e o manifesto Tonho Crocco Livre:
http://www.tonhocrocco.com/novo/index.php?main=blog_view&id=15

Por Zorreiro

sábado, 6 de agosto de 2011

Rage Against The Machine - Rage Against The Machine [1992]


O Rage Against The Machine foi formado em 1991 quando o guitarrista Tom Morello conheceu o vocalista Zack de la Rocha num pub de Los Angeles, quando este fazia rap improvisado (freestyle). Para completar a formação, foram chamados o baterista Brad Wilk e o baixista Tim Commerford. Logo de cara, conseguiram um contrato com a Epic Records após os engravatados se impressionarem com uma demo de doze faixas enviada pelo quarteto.

O álbum, auto-intitulado, foi lançado em novembro de 1992 e não foi um sucesso imediato. Em termos de vendas, o estouro só veio no início de 1994, quando o disco chegou às posições de número 45 e 17 nas paradas norte-americanas e britânicas, respectivamente. Apenas depois de uma apresentação antológica no festival Lollapalooza, em 1993, que o grupo passou a ter grande reconhecimento.

Da esquerda pra direita: Tom Morello,
Brad Wilk, Zack de la Rocha, Tim Commerford

Mas seria impossível o Rage Against The Machine ser menos do que um grande sucesso com este disco, que é consistente, único, pesado e traz um instrumental muito rico, além de apresentar letras muito bem escritas e que transmitem ideais engajados e politizados sem soar piegas. O quarteto passou a liderar uma vertente denominada Rap Metal, que mistura elementos de Hip Hop e Heavy Metal.

Zack de la Rocha vocifera, de forma jovem e energética, as ideias que o conjunto tanto defendia, como o fim do imperialismo, opressão e desigualdade. Tom Morello, o elemento principal da banda, revolucionou o jeito de tocar guitarra com riffs pesados, timbragens singulares e linhas de guitarra que, mesmo simples de serem tocadas, abusam de efeitos que simulam desde sons de DJ's até barulhos de animais. Tim Commerford acompanha muito mais os riffs de Morello do que a habilidosa bateria de Brad Wilk - este ganha mais liberdade, enquanto aquele contribui com peso.



Após o sucesso deste icônico álbum de estreia, o Rage Against The Machine ganhou importância mundial e qualquer movimento dos caras passou a ser aclamdo por uma grande legião de fãs. Os destaques do play vão para a famosa Killing In The Name, para a experimental Wake Up, para a pauleira Bullet In Your Head e para a sensacional Freedom, que tem um momento final pra lá de apoteótico. Vale a pena conferir este trabalho, mesmo que você não seja nem um pouco engajado - como eu.



01. Bombtrack
02. Killing In The Name
03. Take The Power Back
04. Settle For Nothing
05. Bullet In The Head
06. Know Your Enemy
07. Wake Up
08. Fistful Of Steel
09. Township Rebellion
10. Freedom

Zack de la Rocha - vocal
Tom Morello - guitarra
Tim Commerford - baixo, backing vocals
Brad Wilk - bateria, percussão

Músicos adicionais:
Maynard James Keenan - vocal adicional em 6
Stephen Perkins - percussão adicional em 6

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by Silver

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Jane’s Addiction – Ritual De Lo Habitual [1990]



Quero fazer, aqui, uma enquete.

Jane’s Addiction surgiu juntamente com a cena grunge, mas não tem nada a ver com o som de Seattle. Lembrava um então emergente Red Hot Chilli Peppers, que estouraria um ano depois na cena mundial com seu multiplatinado Blood Sugar Sex Magic, mas não era bem esse o tipo de som.

Se é pra qualificar, coloco a banda no mesmo patamar de Rage Against The Machine. Pirei? Se sim, foi pouco. Surgiram mais ou menos na mesma época e trouxeram ao mundo sons absurdamente criativos e, sob certo ponto de vista, inéditos. Nossos ouvidos não estavam acostumados àquele tipo de som esquisito, com vocais sem timbres fortes, cozinhas de ritmos quentes e guitarras fazendo barulhos estranhos. Sob esses aspectos, ambos estão no mesmo patamar. Quem estava lá, confirma.

A banda foi criada em 1985 pelo vocalista Perry Farrel, o baixista Eric Avery e o batera Matt Caikin. Vários guitarristas passaram pelo cast até que Dave Navarro foi recrutado para o posto. Caikin foi chutado em razão do seu vício com metanfetamina e Stephen Perkins assumiu as baquetas.



Depois do debut Nothing’s Shoking, que teve pouca repercussão fora dos EUA quando do seu lançamento, este Ritual De Lo Habitual jogou a banda em uma fogueira de vaidades chamada MTv com a força de um furacão cubano. Com execuções massivas do clip Been Caught Stealing, o disco vendeu platina dupla. A droga, que está presente até no nome da banda, então comeu solta e a situação entre os músicos ficou insustentável. Adivinhe o que veio a seguir? O fim.



A capa do disco é um tanto quanto estranha, assim como o som dos caras. Algo como uma pintura mexicana estilo “dia de los muertos”. Traz três figuras nuas e uma porrada de mensagens subliminares, de autoria do vocalista e compositor Perry Farrell.

As primeiras cinco músicas são uma mistura de hard rock com funk metal que fica difícil definir. Stop! e a já mencionada Been Caught Stealing mostram que existe um apuro técnico excelente nas execuções da banda. O vocal de Farrell nunca me agradou, mas a banda que o acompanha aqui é genial. A cozinha é perfeitamente sincronizada, e Navarro sabe como ninguém dosar violões com guitarras limpas e distorcidas sem que sejamos bombardeados com excesso de informação. E sola de maneira fantástica.

Da faixa 6 ao final temos uma homenagem ao amigo pessoal de Farrel, Xiola Blue, que falecera em razão de uma overdose de heroína tempos antes do lançamento do disco. Não menos brilhante que a primeira metade, destaco a balada Classic Girl, que realmente destoa da quebradeira geral que é o disco. Three Days também entra nessa onda.



Mas, afinal, e a enquete?

Como eu sei que muita gente vai escrever dizendo que o som dos caras é uma merda, e outro tanto vai dizer que é fantástico, eu peço aos amigos passageiros que não se limitem a isso. Já que vai se dar ao trabalho de escrever, me diga o porque da sua opinião.

Eu demorei aproximadamente dez anos para entender esse disco. E mudei minha opinião. Hoje ele está, para mim, entre as maiores manifestações da música popular do século passado. Sem esquecer a regra acima, porque trouxe novos padrões aos ouvidos preguiçosos que ficam contentes e satisfeitos ouvindo variações medíocres da mesma coisa, sempre.

Era isso.

Track List

1. "Stop!"
2. "No One's Leaving"
3. "Ain't No Right"
4. "Obvious"
5. "Been Caught Stealing"
6. "Three Days"
7. "Then She Did..."
8. "Of Course"
9. "Classic Girl"

Perry Farrell (vocais)
Dave Navarro (guitarras)
Eric Avery (baixo)
Stephen Perkins (bateria)

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Por Zorreiro

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Red Hot Chili Peppers - The Adventures Of Rain Dance Maggie [2011]


A expectativa e até mesmo a pressão sob o novo Red Hot Chili Peppers era - e ainda é - grande. A saída de John Frusciante pegou todo mundo de surpresa e, apesar de ter sido pacífica, ainda é nebulosa, pois vai além das declarações de "dedicação a outros projetos". Mas o substituto, Josh Klinghoffer, era da casa: o multi-instrumentista já havia trabalhado com a banda em alguns shows da turnê do álbum "Stadium Arcadium" e com o Frusciante em vários álbuns solo, além de ser amigo pessoal de seu antecessor.

O álbum "I'm With You", primeiro com Josh, será lançado em 30 de agosto. Mas o primeiro single do play, The Adventures Of Rain Dance Maggie, saiu antes do disco. O single, que seria lançado daqui três dias, foi lançado hoje no site oficial da banda porque vazou antes da hora.

Caso The Adventures of Rain Dance Maggie resuma a sonoridade do play, é interessante ressaltar que o Red Hot Chili Peppers está diferente. Nem melhor, nem pior, apenas diferente. Era de se esperar, pois John Frusciante é um músico de identidade muito forte e seria muito complicado continuar fazendo o mesmo trabalho que antes em sua ausência.

Em suma, a música traz uma grande presença do baixo de Flea - algo que não era constante no último lançamento da banda, "Stadium Arcadium". A guitarra de Klinghoffer ficou em segundo plano, se sobrepondo apenas em alguns momentos. O trabalho de Anthony Kiedis e Chad Smith permanece constante como esperado, com destaque à performance sempre genial do baterista.

Apesar do refrão grudento, o resto da música não emplaca muito. A ausência de backing vocals também é um grande apesar, pois Frusciante fazia isso muito bem. Não tem a força de um hit, quem dirá de um single primário. Mas não deixa de ser uma boa canção. Vale a conferida, só não espere John - espere Josh.

01. The Adventures Of Rain Dance Maggie

Anthony Kiedis - vocal
Josh Klinghoffer - guitarra
Flea - baixo
Chad Smith - bateria

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by Silver

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Lenny Kravitz - 5 [1998]


Sim, tempo de férias, nada melhor! Então resolvi retornar ao meu antigo lar e postar um dos artistas mais versáteis da música, o multifuncional Lenny Kravitz! E talvez não exista melhor opção do que o disco em questão para presentear os viajantes da combe. Se você está se perguntando porque esse é o melhor disco, eu te respondo: ele foi responsável por só 2 Grammys e pela divulgação em massa do artista pelo mundo inteiro.

Com um som de difícil rotulação, Kravitz se supera em todos os aspectos no disco ''5'' e caminha pelos mais diversos estilos musicais: funk; hard rock; rock psicodélico; pop; rock n' roll; pode tentar decifrar. Usando e abusando de efeitos nas cordas, dos metais e de melodias que rapidamente grudam na cabeça, Lenny participa das gravações de todos os instrumentos, sendo esse fator talvez um dos responsáveis pelo alto nível musical do disco.

Partindo para o disco: assim que você fizer o download, vá direto para a música ''I Belong To You'', na minha opinião a melhor música entre todas as outras, com um instrumental desnorteantemente completo, dando uma relaxante sensação de bem estar, ideal para um pôr do sol na praia. Outro grande destaque que eu faço são para as músicas ''Thinking Of You'', que segue a mesma linha da já dita ''I Belong To You'', com uma letra especial, pois foi composta em homenagem a morte de sua mãe.

Temos aqui também duas músicas famosas, que eu aposto que todos que estão lendo já ouviram: ''Fly Away'', com seu riff fortemente seco; e a cover ''American Woman'', presente na trilha sonora de algum filme da série Austin Powers.


Quando você acha que a diversidade de estilos terminou, duas faixas expõe claramente as influências da música negra sobre a vida de Kravitz: ''Supersoulfighter'' ultraswingada e com uma batida que dificilmente vai deixar o corpo parado servem para dar aquele choque nos ouvintes; e a instrumental ''Straight Cold Player'', fazendo ao fechar dos olhos, imaginarmos as pessoas com seus afros e blackpowers dançando em programas como ''Soul Train''.

Vale lembrar que ainda esse ano Lenny irá se apresentar no Rock In Rio, e se eu não me engano, entre as apresentações da Shakira e da Ivete Sangalo... é, eu sei, não vai ser nada legal esperar o show dele começar.

1 - Live
2 - Supersoulfighter
3 - I Belong to You
4 - Black Velveteen
5 - If You Can't Say No
6 - Thinking of You
7 - Take Time
8 - Fly Away
9 - It's Your Life
10 - Straight Cold Player
11 - Little Girl's Eyes
12 - You're My Flavor
13 - Can We Find a Reason
14 - American Woman
15 - Without You

formação:
Lenny Kravitz – vocal, guitarra, teclado, baixo e baquetas
Craig Ross – guitarra
Jack Daley – baixo



sueco

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quinta-feira, 30 de junho de 2011

Warren Haynes – Man in Motion [2011]



O Marathon Man excursiona e grava com a The Allman Brothers Band, Gov’t Mule, The Dead (aka Grateful Dead), faz participações especiais em gravações e shows da brodagem e ainda arruma um tempo pra gravar disco solo (e duplo!). Isso tudo com o melhor timbre de guitarra que existe na atualidade e vocais absurdamente cheios de feeling.

De onde você é, brother Haynes? Que pilhas você usa?

Não é de hoje que vitalidade e a criatividade de Warren Haynes me surpreendem. Mas o que cativa é a sua sinceridade. Quem mais conseguiria segurar uma platéia do tamanho da de Boonaroo somente com um violão? Só alguém em que a massa realmente acredite. E Haynes é o messias do rock. Ele tem uma mensagem: seja você mesmo/ faça o que você curte, e todos te amarão.

O post de hoje é o último disco solo de Haynes, Man in Motion, que traduz o espírito inquieto do americano no seu inconformismo com o cenário musical que compõe. O track list traz pérolas do rock, do soul e do blues, formadas por composições próprias que não são menos que espetaculares. O disco já nasce um clássico.

A propósito, é impressionante como o resgate a velhos timbres e métodos de composições pode parecer fresco nos dias de hoje. Quando todos os timbres de guitarra têm a busca pelo peso em camadas de overdubs, Haynes é adepto do bom sistema plug and play, que resume o set a um amp valvulado e uma guitarra. Quem não consegue tirar som com o simples, nunca conseguirá tirar com equipamento complexo. E na simplicidade, Haynes é mestre.



Produzido por Gordie Johnson, que também produziu os dois últimos discos do Mule, penso que este play traga o melhor trabalho vocal de toda a carreira de Haynes. Trabalho que conta com a ajuda mais que bemvinda de Ruthie Foster. Ian Neville também ajuda no gogó, e o resultado é bom demais.

O play abre com a autoral Man in Motion, que traz o velho Warren Haynes de guerra com seus riffs de guitarra em double stop e um Hammond sem vergonha fazendo a cama. Imagine o groove dos Almann Brothers com a cama do Mule. Não sei explicar, mas é Warren Haynes em sua essência. River’s Gonna Rise poderia tranquilamente ser trilha sonora de um filme do Steve McQueen. Mezzo funk, mezzo rock, é o clima perfeito pra rodar no carango pelo centro da cidade vazia às 6 da matina. Os já elogiados vocais agora ganham destaque e força na mixagem.



Everyday Will Be Like a Holiday é um blusão de fazer marmanjo chorar. Como é que ainda sai tanto som bom dessa cachola é um dos enigmas da humanidade. Gênio total. Que se revela também na engraçada Sick of My Shadow, pois os diálogos de sax com guitarra encharcada de wah wah demonstram um cara que gosta de compartilhar os holofotes. Ele, definitivamente, não tem vocação para ser diva do rock. É honesto demais pra isso (olha a honestidade de novo). E o cd 1 encerra com Wildest Dreams e seu pianão com harmonias divinas.

O cd 2 abre com On a Real Lonely Night e seu riff de 6 notas ascendentes e clima de jam session. Segue Hattiesburg Hustle, que lembra um Gov’t Mule vitaminado com apelo pop. Mas não aquele pop grudento. Mas é feita pra tocar na (web) radio, pois tem um embalo muito bom de curtir.



A Friend to You mostra porque Ron Holloway foi convidado para o disco. A abertura, com solo de sax, cria a tensão necessária para a guitarra Hendrix que vem depois. E segue Take a Bullet e seu estilo Wilson Picket. Tente não lembrar de Midnight Hour naquele começo. É o clima rithm n’ blues e soul que permeia pelo disco todo. Essa é das minhas preferidas.

Agora, Save Me é de arrepiar. O encerramento do disco é uma das baladas mais lindas que já ouvi. A dinâmica do piano (e não um teclado com timbre de piano) traz um calor especial à canção. E Warren Haynes aproveita esse calor para fazer um de seus vocais característicos e cheios de feelin’.

Um disco de um músico completo, com uma inesgotável capacidade de criar músicas maravilhosas. Eu me impressionei, mesmo imaginando que seria mais do mesmo. Não é.

Track List

Disc 1
1. Man in Motion
2. River’s Gonna Rise
3. Everyday Will Be Like a Holiday
4. Sick of My Shadow
5. Your Wildest Dream

Disc 2
1. On a Real Lonely Night
2. Hattiesburg Hustle
3. A Friend to You
4. Take a Bullet
5. Save Me

Warren Haynes (guitarras e vocais)
George Porter Jr (baixo)
Ian Neville (orgão, clavinete e backing vocais)
Ian McLagan (Wurlitzer e piano)
Raymond Weber (bateria)
Ron Holloway (sax tenor)
Ruthie Foster (backing vocais)

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Por Zorreiro

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Faith No More - Angel Dust [1992]


Ao fazer o post de hoje, percebi assim que acessei a Combe de que faltava um disco de uma das mais criativas bandas que fizeram sucesso no começo dos anos 90 e que foi uma das que mais escutei em minha adolescência. Liderados pelo genial Mike Patton, sem sombra de dúvidas o Faith No More foi uma das mais explosivas bandas que estouraram naquela década e que gravaram seu nome a ferro e fogo na história do rock alternativo, e que fazem valer a pena dar alguma atenção ao estilo.

A banda surgiu no começo dos anos 80, após a dissolução do Faith No Man, formado por Mike "The Man" Morris, Roddy Bottum, Mike Bordim e Billy Gould. Devido a problemas, ao invés de demitirem Morris, os outros membros decidem montar um novo grupo e deram como um novo nome Faith No More, já que o "The man" não mais (no more) faria parte do grupo, recrutando o guitarrista Jim Martin no seu lugar. Vários vocalistas fizeram parte da banda, entre eles a controversa Courtney Love, mas o cargo ficou com Chuck Mosley, que gravou os dois primeiros discos do grupo.


Apesar de Mosley ser um vocalista carismático, tinha limitações claras em seus vocais, além de ser um beberrão encrequeiro, que vivia saindo no braço com o restante do grupo. Não foram poucas vezes que ele aparecia bêbado em eventos importantes para a banda, como no lançamento do primeiro disco, e causava em todos os ambientes. A situação com ele ficou tão tensa que ele chegou a fazer alguns shows cantando atrás das cortinas. Não suportando mais a situação a banda procura outro vocalista para a gravação de seu terceiro disco, o qual Jim Martin indica Mike Patton do desconhecido Mr. Bungle, que ele havia conhecido através de uma fita demo que escutava quase todo santo dia.

E foi Mike Patton que deu uma nova vida para o grupo. Dono de um vocal singular e de uma mente criativa, já no primeiro disco com o grupo ele compõe todas as letras da banda e conseguiu levar a banda ao estrelato, com singles que se tornaram clássicos, como "Epic", "Falling To Pieces" e "From Out Of Nowhere". Mas foi com o segundo disco, o excelente "Angel Dust" que eles definitivamente cravaram seu nome na história e nos presenteiam com um registro não menos que memorável. Misturando funk, rock e heavy, temos um som único e difícil de rotular, mas incrivelmente cativante.


Se você se diz vocalista, veja esta pequena aula!

E Patton é um monstro, pois as atuações dele nesse disco são algo de outro mundo. E já na primeira faixa ele nos assombra. A cadenciada "Land Of Sunshine" vem com uma atuação excelente de todo grupo, mas em sua parte final, Patton rouba a cena com um vocal teatral e interpretação carregada e mostra uma versatilidade ímpar, além de uma letra sensacional, em que nos questiona se a vida realmente vale a pena para cada um de nós. E meu amigo haja coração para tanta música boa, aqui temos um registro em que é muito difícil encontrar algum filler, pois o nível de inspiração aqui é latente em todas as faixas.

"Caffeine" começa cheia de cadência, mas beira o heavy em quase toda a execução, onde a banda desce o braço sem dó e Patton entrega um vocal agressivo. "Midlife Crisis" foi uma das músicas de maior sucesso deste, com destaque para a cozinha, que faz um trabalho ótimo. Mais uma vez é a vez de Patton roubar a cena em "RV", com vocais "sinatrianos", em que canta os dissabores e desilusões da vida de um pai de família da classe média americana, que se lamenta da vida que leva, e que seria cômica se não fosse tão trágica. A funkeada "Everything's Ruined" tem uma levada que contagia e um refrão que funciona muito bem, tanto que foi um dos singles do disco.



A paulada "Malpractice" volta a mostrar as influências de heavy, com riffs densos à lá Sabbath e repentinas quebradas em seu andamento, o que garantirá um baita torcicolo ao final da canção em que toda a banda dá um verdadeiro show. A cativante e irresistível "A Small Victory" foi um dos grandes clássicos deste, tocava horrores em tudo o que era rádio de rock e na MTV e foi a responsável por me apresentar ao grupo, e é uma das minhas músicas prediletas deles. Outro grande clássico é o lindo e emocional cover para "Easy", que ganhou outra vida com a versão do grupo e a interpretação passional de Patton.

Um baita discaço que vai lhe viciar por alguns dias, pois tudo aqui realmente é muito inspirado e com certeza é um dos grandes discos dos anos 90. Se você ainda não conhece ou não se deu a oportunidade de o ouvir, tenho certeza que ficará impressionado com o que é apresentado. Este entra na lista de discos que é obrigatório ter em sua discografia básica.




1.Land of Sunshine
2.Caffeine
3.Midlife Crisis
4.RV
5.Smaller and Smaller
6.Everything's Ruined
7.Malpractice
8.Kindergarten
9.Be Aggressive
10.A Small Victory
11.Crack Hitler
12.Jizzlobber
13.Midnight Cowboy
14.Easy


Mike Patton — Vocal
Jim Martin — Guitarra
Billy Gould — Baixo
Roddy Bottum — Teclados
Mike Bordin — Bateria


By Weschap Coverdale

domingo, 6 de março de 2011

CPR - Coven • Pitrelli • Reilly [1993]


Sei que não existe nada mais desinteressante, pra quem não é músico, do que disco instrumental. Basta checar alguns títulos como Passion and Warfare, Blow by Blow e Surfing with the Alien, pra ter o embasamento essencial e definitivo do que se trata. Porém, os trabalhos instrumentais realizados por aqueles que são ligados aos rótulos mais apreciáveis sempre tem um diferencial. Não é um pé no saco com arpejos malditos, dedilhados frenéticos e improvisos pra lá de pretensiosos. É só escutar trabalhos nessa linha como o Cosmosquad, Craig Goldy solo, Jake E. Lee solo, Cozy Powell solo ou CPR.

O projeto CPR surgiu da carreira solo do baixista Randy Coven, que apareceu na cena, nos final dos anos 80, lançando um disco solo e mais tarde entrou para a banda do Blues Saraceno. Depois de gravar o debut do Saraceno, lançou seu segundo álbum solo com a nova formação que contava com o guitarrista Al Pitrelli (Megadeth, Asia, Savatage) e o baterista John O' Reilly (Rainbow, Westworld). A pegada desse trabalho instrumental é bem rocker, e quando o processo de composição para o terceiro play foi caminhando para uma direção muito diferente e com grande contribuição de todos os envolvidos, Coven decidiu ter a camaradagem de batizar o grupo como CPR (Coven, Pitrelli, Reilly).


Mesmo com a participação mais efetiva de Pitrelli e Reilly no processo de criação, o principal responsável pelas composições continua sendo Randy Coven, que compôs boa parte do material sozinho. Coven ficou conhecido anos depois deste projeto por ter sido membro do grupo de Heavy Metal, Holy Mother, integrado o ARK e excursionado com Yngwie Malmsteen, além de mais algumas empreitadas. Caso o conheça através de algum desses trabalhos, esqueça tudo que ouviu, pois aqui seu estilo de tocar lembra muito T.M. Stevens, coisa que nunca voltou a fazer e que também não tinha experimentado antes.

Abundância de slaps, ritmos desconcertantes e melodias típicas de Rock Progressivo sob bases funkys, são os ingredientes desenvolvidos e que se torna um grande diferencial. Além disso, outros pontos positivos são somados com as participações especiais e os dois covers (que ganharam até videoclipes). Outro aspecto a se salientar é que Coven tem uma grande amizade com Steve Vai e algumas músicas surgiram de suas jams - apesar de nunca terem gravado trabalhos inteiros juntos. "E-11", que conta com a participação de Vito Bratta que já havia abandonado a cena, é o número do quarto aonde Vai e Coven passavam o dia inteiro praticando.


Ow, algum corno tirou esse clipe do YouTube recentemente. Mas, como sou malaco, já tinha pegado e coloquei de novo. Háá!

Os experimentos com os equipamentos de Steve Vai resultaram na criação de "Sbass Secrets", uma eficiente demonstração de habilidades sem arranjos nonsenses. As quatro cordas falam mais que quaisquer cordas vocais em "With You", e é hipocrisia reclamar da ausência de uma voz. "Minute Mouse" lembra demais a sonoridade da época do The Randy Coven Band e traz a participação de Steve Morse. Na faixa escrita por Pitrelli, "Monday", o Blues reina, enquanto "Mutley" apresenta a faceta jazzística dos envolvidos. Pra diversificar ainda mais, o Hard surge timidamente em "Screaminin Scranton". No entanto, os momentos mais legais ficam a cargo dos covers.

Uma legítima festa é feita pra celebrar o Rock and Roll em "Back in Black"; cinco guitarristas arregaçam nos solos, dentre eles, Zakk Wylde e Vito Bratta, e os vocais são executados por Randy Jackson (que não é aquele conhecido baixista, muito menos o irmão do Michael Jackson) que se incumbe da arriscada tarefa de imitar Brian Johnson e se sai muito bem. E Zakk Wylde volta para o melhor e mais inesperado momento da bolacha. Se hoje é inesperado, imagina na época que Zakk era conhecido apenas por ser guitarrista. Matou no peito a responsabilidade de substituir Joe Lynn Turner e deu um show de interpretação no cover do Stevie Wonder. Descarga obrigatória!



01- CPR
02- Sbass Secrets
03- Back In Black (AC/DC cover)
04- E-11
05- With You
06- Two Girls
07- Minute Mouse
08- I Wish (Stevie Wonder cover)
09- Screaminin Scranton
10- Monday
11- Vinyl Frontier
12- Mutley

Al Pitrelli - guitar
Randy Coven - bass
John O. Reilly - drums, percussion

E-11 - Vito Bratta plays first, third and fifth solo. Al Pitrelli slams the rest
Back in Black - lead vocal by Randy Jackson. Middle solos by Vito Bratta and Mark Hitt. End solos by Zakk Wylde, Mark Wood (double neck Violator) and Randy Jackson. Background vocals by Randy Jackson, Vito Bratta, Mark Wood, Mark Hitt, Al Pitrelli and Bert Carey
Two Girls - keyboards and solo by Jimmy Yaeger
Minute Mouse - solo by Steve Morse
I Wish - lead vocal and end solo by Zakk Wylde. Guitar fills by Al Pitrelli and keyboard horns by Jimmy Yaeger

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Dragztripztar

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Chris Hicks - Discografia [1989-2008]


Conforme prometido no ano passado, aqui está a discografia de Chris Hicks. Preciosidades devidamente garimpadas, mesmo sabendo que ninguém criou expectativa quanto a essa postagem quando adiantei que ia trazer os trabalhos desse músico. Porém, a certeza que tenho da qualidade destes trabalhos não vai ser afetada pela indiferença e ainda acho importante compartilhar as obras de Hicks, por mais que seus trabalhos sejam eventuais, o que talvez explique a restrição do seu reconhecimento apenas ao sul dos Estados Unidos.

Quem ficou a par da situação de Chris Hicks em sua passagem pelo Outlaws, soube da liberdade enorme que lhe foi dada para impor suas características em um grupo que já tinha história e respeito. Depois Hicks seguiu com outro grande representante do Southern Rock, The Marshall Tucker Band, permanecendo por um ano, até ser encorajado pelos seus próprios parceiros a criar sua carreira-solo.

Mesmo com toda a dificuldade em encontrar infos a respeito de line-up e tracklist confusos, não tem do que reclamar ao escutar a afinidade que esse músico tem com os ritmos Dixie's. Algumas fontes dão conta que Hicks já quebrou galho no Lynyrd Skynyrd e na banda do Gregg Alman, mas não existe nada concreto em relação a isso. Procurar sua trajetória em detalhes é pedir pra se deparar com um vão danado. Cyber shit!!!

Loose Change - Live Tracks on New Years Eve 12-31-89 (bootleg) [1989]


Depois de adquirir experiência tocando em duas bandas que não deram em nada, Hicks finalmente entrou no circuito do Southern Rock com o Loose Change. Depois de dividir o palco com .38 Special, Outlaws e The Marshall Tucker Band, foi chamado por Hughie Thomasson para fazer parte do Outlaws em 1989. E no curto período em que manteve as atividades paralelas com as duas bandas, foi registrado este bootleg. Gravado da mesa de som em show realizado no final da década de 80 - literalmente -, a qualidade apresentada é perfeita e o talento de Chris Hicks já é percebível. Infelizmente, não há informações acerca do line-up e nem onde o concerto foi realizado.

Nas 5 músicas presentes, está "The Wheel", que foi regravada pelo Outlaws e ganhou uma roupagem Blues Rock. A versão original apresentada aqui é bem suave, dominada por teclados, e mais arrastada. Já a romântica "Love Is On The Line" foi usada em um filme de baixo orçamento da época, chamado "Fast Food". Mas, o melhor momento fica reservado pro final. A faixa "Nobody Knows" faz valer o download. Na verdade, são executadas duas músicas nessa faixa; um Blues Rock com solos comendo solto pra todo lado acompanhados pela performance destruidora da cozinha, e depois de uma pequena pausa, surge outro Blues Rock, menos frenético, mas tão bom quanto.

01 - The Wheel
02 - Never Know Why
03 - Keep It Together
04 - Love Is On The Line
05 - Nobody Knows

Funky Broadway [1998]


Depois de ganhar prestígio passando por dois grandes grupos de Southern Rock, Hicks se sentiu confiante em dar início à sua carreira-solo. Apoderando-se de sua admirável destreza pra compor Blues Rock, as coisas fluíram fácil pra fazer de Funky Broadway um trabalho de alto nível. Apesar de o Country ser inerente a sonoridade Southern, Hicks sempre se mostrou muito mais voltado ao Blues Rock, tanto que suas contribuições com o Outlaws tornaram o grupo quase que, exclusivamente, voltado ao Blues Rock. Portanto, em seu trabalho solo não há nada de Country.

A melhor referência para Funky Broadway é a carreira-solo de Richie Kotzen. Algo entre a pegada funkeada do Mother Head's Family Reunion e o lado sentimental do Wave of Emotion. Referência esta, que é reforçada pela semelhança vocal. Mas o que causa arrepios é a capacidade criativa de Hicks quando o assunto é Blues, pois o cara consegue compor músicas tão tocantes que se equiparam aos clássicos imortais, sem exageros. Ouça "Blues Got Me Down", "Keepin' Up With The Jones" e "Can't Live In The Past" e tente duvidar disso. Enquanto o lado pulsante do Funk Rock aparece em "Down In Dixie" e "One More Time", a acústica "Believe in Forever" consegue manter a mesma empolgação e é uma das únicas músicas que me agrada nesse formato.

01 - Down In Dixie
02 - Believe In Forever
03 - Keepin' Up With The Jones
04 - One More Time
05 - Blues Got Me Down
06 - Nothin' I Wouldn't Do
07 - This Is Now
08 - Can't Live In The Past
09 - Leave It All Behind

Live At The Windjammer (bootleg) [2003]


Gravado em 6 de Junho de 2003, no famoso clube da Carolina do Sul, este é mais um bootleg soundboard de qualidade irretocável. Na gravação limpa com os instrumentos bem separados, podemos notar uma grande evolução nas habilidades de Chris Hicks em relação aos seus tempos de Loose Change. O tracklist desse show foi baseado em covers, e conta com apenas duas músicas de Hicks - "Macon Blues" (gravada pelo Outlaws) e de novo ela, "The Wheel", em mais uma versão diferente, ainda mais lenta, semi-acústica e com o clima bem intimista.

Hicks mostra toda sua versatilidade ao abordar Blues dos anos 30, Boogie Rock, Gospel, R&B e Funk Rock. E é neste último estilo que acontece um dos momentos mais extraordinários da apresentação. Durante a execução da composição instrumental mais clássica do Funk Rock, "Cissy Strut" do The Meters, as improvisações repletas de feeling deixam aquela sensação - que muitos se negam a sentir - de que superou a original. Outro momento marcante é quando é emendado o instrumental "Hot 'Lanta" do The Allman Brothers à emotiva "Jesus is Just Alright". Aliás, achei todas as versões muito superiores as originais. Algumas possuíam arranjos acústicos tão pobres e sonolentos e ganharam roupagens enérgicas e elétricas. Comparem!

01 Give It All You Got
02 Macon Blues
03 Come On In My Kitchen (Robert Johnson cover)
04 Drift Away/Too Tall To Mambo (John Henry Kurtz cover/The Nighthawks cover)
05 Cissy Strut (The Meters cover)
06 The Wheel
07 Use Me (Bill Withers cover)
08 Hot 'Lanta/Jesus Is Just Alright (The Allman Brothers cover/The Art Reynolds Singers cover)

Dog Eat Dog World [2008]


Nesse trabalho, o redneck mostra a influência que a musicalidade negra exerce no seu estilo. Mesmo depois de tanto tempo sem gravar disco autoral e aderindo mais ao Soul e R&B do que nunca, Hicks ainda se mostra um ótimo músico e compositor. O instrumental em Dog Eat Dog World é o mais caprichado que ele já desenvolveu. Ao adotar metais, instrumentos diversos e o auxílio de vários backing vocals, os sons ficaram mais audazes. Além do estilo, outra diferença notável é o vocal de Hicks, que poucas vezes usa a técnica egginthemouth e opta mais por uma voz bem limpa.

Apenas duas músicas de Dog Eat Dog World lembram a sonoridade do debut: "You Can't Hide" e "Too Cool For School" - por sinal, algumas das melhores. Outros destaques ficam por conta da faixa-título (um Blues com solos de sax e orgão), "In Time" (com o naipe de metais ditando o ritmo) e a surpreendente balada "Share Your Love With Me" (puro soul e uma aula de bom gosto nas melodias e progressões vocais). Com esse álbum, Hicks não conseguiu superar o Funky Broadway, mas apresentou o lado sutil da sua musicalidade, além de ter conseguido fazer um disco mais acessível com muito mais elementos que seus trabalhos anteriores e sem descaracterizar seu estilo - o que é o mais importante.

01 - It All Comes Back Around
02 - Chokin' Kind
03 - Tie That Binds
04 - Dog Eat Dog World
05 - Share Your Love With Me
06 - You Can't Hide
07 - Can The World Still Turn Tomorrow?
08 - Too Cool For School
09 - In Time
10 - Georgia Moon

Chris Hicks (vocals, guitars, dobro, harmonica, piano, background vocals)
Clay Cook (vocals, guitars, piano, bass guitar)
Marshall Coats (bass guitar)
Jerome Thomas (drums)
Paul Hornsby (piano, organ)
Oleg Proskuvnya, Marina Volynets, Robert Nowak (violin)
Sue Tomlin (viola)
Robert Nowak (cello)
Marcus James Henderson, Adam Newherter (saxophone)
Ken Trimmons (trumpet)
Kelvin Holly (sitar)
Buddy Greene (harmonica)
Jenny Hicks, Wynelle Hicks, E.G. Kite, Maureen Murphy, Nick Niespoeziani, Big Dave Peck, Diniah Hornsby, Wynelle Hicks, Maureen Murphy, Doug Gray, Catfish (background vocals)
The Macon Symphony Orchestra

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Dragztripztar

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Red Hot Chili Peppers - Californication [1999]


Postagem diferente pra abrir a mente da galera e diferenciar um pouco a "paisagem"! Algum tempo após o lançamento de "One Hot Minute", o guitarrista Dave Navarro anunciou sua saída do Red Hot Chili Peppers. Entre os motivos, incluíram-se a vontade de se dedicar mais ao seu projeto Spread e diferenças musicais, num âmbito geral - apesar da saída amigável. O ocorrido coincidiu com a infelicidade de John Frusciante, guitarrista dos Chili Peppers de 1988 até 1992, ter sido hospitalizado, graças ao abuso de drogas e posterior depressão. O homem havia chegado ao fundo do poço, chegando a vender seus próprios instrumentos para sustentar seu vício, principalmente, em heroína.

Com a ajuda dos próprios companheiros de banda, Frusciante deu a volta por cima e superou seus vícios e suas dificuldades. Limpo e "guitarreado" (graças ao baixista Flea, que lhe deu uma guitarra de presente), voltou para o grupo e gravou o álbum dessa postagem, que superou todas as expectativas e todos os lançamentos anteriores.

Gravado entre dezembro de 1998 e março de 1999 e lançado em junho de 1999, "Californication" contou com a produção do conceituado Rick Rubin, que também cuidou dos dois últimos discos. Musicalmente, o quarteto aliou dois elementos importantíssimos para se fazer um bom álbum: originalidade e acessibilidade. Creio que seja a principal causa de tamanho êxito.

Da esquerda pra direita: Anthony Kiedis, Flea, John Frusciante, Chad Smith

A originalidade é fundamental pois a essência apresentada nos seis lançamentos e nunca apresentada dessa forma por outras bandas continua firme e forte nesse play. A influência "funk" nas composições é latente, principalmente pelo baixo insano de Flea (uim dos melhores do mundo, diga-se de passagem) e pelas quebradas linhas de bateria de Chad Smith. John Frusciante mostra que realmente faz a diferença, com riffs criativos e solos sem malabarismos desnecessários, atestando em diversos momentos sua admiração pelo guitar-hero Jimi Hendrix. Os vocais de Anthony Kiedis, frontman de personalidade, dão o toque final, com seu devido valor na identidade do grupo.

A parte da acessibilidade pode ser representada com números. "Californication" já acumula mais de quinze milhões de cópias vendidas por todo o mundo, sendo cinco milhões destas apenas nos Estados Unidos - onde, na época do lançamento, permaneceu por um bom tempo nas paradas gerais. Pelo resto do mundo, o sucesso se concretizava com o topo nos charts de vários países, além de discos de ouro e platina vindo, inclusive, do Brasil. Os singles rolaram nas rádios e na MTV até enjoar - quem nunca viu o excelente vídeo-clipe da faixa-título?



O mais importante em "Californication" é que, no geral, o conjunto conseguiu ser acessível sem soar "vendido". Manteve os elementos principais da sonoridade e investiu com qualidade em seu potencial de venda. Sobram destaques para as funkeadas "Around The World" e "Purple Stain", para as calmas "Road Trippin" e "Scar Tissue", para o hit-single "Otherside" e para a grudenta "Easily".

01. Around The World
02. Parallel Universe
03. Scar Tissue
04. Otherside
05. Get On Top
06. Californication
07. Easily
08. Porcelain
09. Emit Remmus
10. I Like Dirt
11. This Velvet Glove
12. Savior
13. Purple Stain
14. Right On Time
15. Road Trippin

Anthony Kiedis - vocal
John Frusciante - guitarra, violão, teclados, backing vocals
Michael "Flea" Balzary - baixo, trompete
Chad Smith - bateria, percussão

Músicos adicionais:
Greg Kurstin - teclados
Patrick Warren - órgão em 15


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by Silver

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Rage Against The Machine - The Battle Of Los Angeles [1999]


Desde a apoteótica (e como sempre polêmica) apresentação do quarteto no SWU, reparei que faltava Rage Against The Machine por aqui. Então, hei de corrigir a falha enquanto é tempo. Particularmente, sou da mesma opinião de Alice Cooper: “Se você ouve a opinião de um rockstar para saber em quem deve votar, é mais idiota que ele”. Mas, sabendo discernir uma boa crítica de alienação, o Rage se torna uma banda deveras apreciável. Com uma proposta diferente, o conjunto se formou na badalada Los Angeles em 1991. Um ano após a sua formação, já haviam gravado uma demo de 12 músicas que teve boa repercussão no underground e rendeu dois concertos no festival californiano Lollapalooza, onde foram vistos pela Epic Records.

Antes do disco dessa postagem, já colecionavam milhões de vendas com os dois discos anteriores e tinham hits do cunho de "Killing In The Name" e "Bulls On Parade" em seu repertório. Também já haviam criado muito alvoroço pelas atitudes contraditórias ao conservadorismo e pelo posicionamento político militante e esquerdista que, de certa forma, os movimenta comercialmente - tanto que foram proibidos de fazer shows em vários estados norte-americanos, popularizando-os mais ainda.

Vale lembrar que, após dois anos que se apresentaram no Lollapalooza, voltaram por lá. Mas não se apresentaram, e sim protestaram contra a PMRC - Parents Music Resource Center (Centro de Recurso Musical dos Pais), que censuravam "conteúdo explícito", dessa forma:


Controvérsias e micro-genitálias à parte, "The Battle Of Los Angeles", o terceiro da discografia, manteve o legado e as boas vendas do Rage Against The Machine. O álbum completa 11 anos hoje, pois foi lançado no dia 2 de novembro de 1999, e logo estreou em 1° lugar nas paradas norte-americanas, vendendo mais de 400 mil cópias apenas na primeira semana e desbancando a poderosa Mariah Carey, que soltou o seu no mesmo dia de lançamento e teve que se conformar com a 2ª posição.

Ao ver de quem vos escreve, este é o trabalho mais maduro e competente do conjunto (ser o "melhor" vai além disso), pois alia muito bem a fúria e a pegada do debut com a experiência adquirida principalmente com o segundo play, "Evil Empire", que contou com novos experimentos musicais. "The Battle Of Los Angeles" é coeso e distinto, traz composições que flertam com inúmeros gêneros musicais, atravessando o Hardcore, o Metal, o Funk, o Hip-hop, o Punk Rock e o Alternativo sem desvirtuar a proposta.

As letras, mais afiadas do que nunca, são vociferadas por Zack de la Rocha, um baita frontman e o vocalista perfeito para a intenção do Rage Against The Machine. Tom Morello dá um show de criatividade novamente, fundindo riffs pesados à licks e harmonias completamente piradas, onde efeitos de guitarra proporcionam sons inusitados que nunca se poderia imaginar serem feitos no famoso instrumento de seis cordas. A cozinha do baixista Tim Commerford e do baterista Brad Wilk comprova eficiência, com passagens criativas de baixo/bateria que mantém o peso muito bem.



Os destaques vão para a paulada de abertura "Testify", para a vibrante "Sleep Now In The Fire", para o single carro-chefe "Guerrila Radio" e para a direta "Born As Ghosts". Vale a pena conferir, caso se tenha cabeça aberta para músicas inesperadas e criativas. Afinal, não é a toa que o Rage Against The Machine é um dos maiores expoentes do Rock noventista e carrega dois elementos que faltam muito nos novos grupos roqueiros: atitude e criatividade.

01. Testify
02. Guerrilla Radio
03. Calm Like A Bomb
04. Mic Check
05. Sleep Now In The Fire
06. Born Of A Broken Man
07. Born As Ghosts
08. Maria
09. Voice Of The Voiceless
10. New Millennium Homes
11. Ashes In The Fall
12. War Within A Breath

Zack de la Rocha - vocal
Tom Morello - guitarra
Tim Commerford - baixo
Brad Wilk - bateria, percussão

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by Silver

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Van Halen - Van Halen III [1998]


Há mais de um ano, meu caro amigo Jay soltou a máxima "dar pau em quem odeia é moleza" em um artigo sobre a banda dessa mesma postagem num blog que tem seu título em homenagem à mesma: Van do Halen. Foram poucas os reviews realmente abalizadas sobre o trabalho que está sendo trazido nesse post, porque muitos se fecharam ao preconceito e às críticas negativas que, com uma certa coesão, o play recebeu. Cá estou, dando minha cara à tapa, pra falar logo da ovelha-negra de uma discografia invejável, onde até o "pior" é muito bom.

A história do Van Halen após o período "Balance" é bem complicada. O disco foi bem recebido, apesar de sua conduta mais séria, e a turnê fluiu bem, mas o vocalista Sammy Hagar abandonou o barco em 1996, o que deu palco para uma reunião da formação clássica, com a lenda David Lee Roth, anunciada no MTV Video Music Awards de 1996. No entanto Diamond Dave não durou mais do que algumas semanas e uma situação nebulosa o colocou para fora.

A conturbada reunião de poucos dias. Esquerda pra direita:
Eddie Van Halen, Alex Van Halen, Michael Anthony, David Lee Roth

As audições para vocalistas incluíram o quase-Hagar (só de visual) Mitch Malloy e a ótima moça Sass Jordan - ambos podem ter seus trabalhos conferidos aqui na Combe -, mas o escolhido foi Gary Cherone, vocalista do recém-acabado Extreme e sugerido pelo empresário do VH, Ray Danniels. Com a formação consolidada e ânimo de sobra para novas composições, eis que o trabalho, composto e gravado em 1997, chegou às prateleiras em março de 1998.

"Van Halen III" é taxado por muitos como um trabalho solo do guitarrista Eddie Van Halen que simplesmente levou o nome do conjunto. A proposta pouco tem a ver com qualquer das facetas apresentadas nos álbuns anteriores. Em qualquer aspecto. Mas apenas por ter Van Halen no título, a audição se torna desagradável? Particularmente, gosto de apreciar a música, não a nomenclatura ou o rótulo a ela atribuído. Exemplos se dão por "The Final Cut" do Pink Floyd e "Chinese Democracy" do Guns N' Roses, álbuns mais "solo" julgados sem nem mesmo serem devidamente ouvidos por se distanciarem de sonoridades clássicas desses nomes.

Enfim, o que pode caracterizar tamanha mudança? Pra começar, os tempos mudam e não dá pra falar de festa o tempo todo, até porque o mundo não é só isso. Ora, nem o Kiss e o Slade, duas das maiores "party bands" do Rock, abordaram apenas as temáticas festeiras ao longo de suas carreiras. Aqui as letras refletem, em primeira instância, propostas mais engajadas e assuntos ligados à política e problemas sociais. De forma inteligente, as composições de Cherone (quem liderou a parte das letras) tocam nesse ponto, apesar dos altos e baixos.

Nos palcos. Da esquerda pra direita:
Michael Anthony, Gary Cherone, Eddie Van Halen


Musicalmente falando, tem-se elementos de todas as fases do Van Halen aliados à contemporaneidade que assolava a música na mídia e a "funkeada" que já era característica no Extreme de Gary. Havia a necessidade de se reinventar. Melodias densas, riffs mais complexos e cozinha mais bem trabalhada do que o habitual dão o subsídio necessário para que o brilho da guitarra de Eddie Van Halen dê alguns de seus mais inspirados solos até então - sem exageros. Aliás, Eddie cuidou até dos baixos por aqui, dando início à polêmica entre o baixista Michael Anthony (que só tocou em três músicas) e os irmãos VH, que dura até hoje. Vale lembrar, também, que a duração de cada faixa é maior que o normal e a presença de baladas é mais acentuada, sendo que uma foi cantada por Ed: "How Many Say I", de longe a pior do disco.

A voz de Gary Cherone, todavia, não parece se enquadrar bem no geral. O vocalista não conseguiu soar original em sua performance pois, em vários momentos, se mostrou disposto a permanecer na sombra do imponente Sammy Hagar. Ato falho que, apesar de não permear em todas as canções, chega a ser irritante em algumas.



No geral, "Van Halen III" não foi sucesso de vendas. Passou longe, diga-se de passagem. Apesar de atingir a 4ª posição das paradas norte-americanas, os caras estavam acostumados a abocanhar a primeiríssima e assolar os charts de outros pontos do mundo - o que não ocorreu de forma efetiva. Nada de disco de platina em mais de um país: disco de ouro pelas 500 mil cópias vendidas nos Estados Unidos e só. O single de "Without You" colaborou, com vídeo-clipe rolando na MTV e generosas tocadas nas rádios roqueiras.

A turnê passou por cantos que nunca haviam passado anteriormente, como a Austrália e a Nova Zelândia - inclusive, uma ótima bootleg dessa tour pode ser encontrada clicando AQUI. O quarteto, após o fim da mesma, até se preparava para gravar um disco novo, mas Gary Cherone pulou fora em meados de 1999 por conta das famosas "diferenças musicais", intensificadas pela nada calorosa recepção de "Van Halen III".

Destaques podem ser muito bem feitos para a paulada "Without You", que conta com ótimos backing vocals ao longo de sua duração; para a quase-Hagar (agora não de visual) "Fire In The Hole" e seu andamento característico, recheado de bons riffs; a densa "Ballot Or The Bullet", que carrega uma crítica aos Estados Unidos; a ótima roqueira "One I Want"; e a bela balada "Josephina".

Em suma, "Van Halen III" é o pior disco da trajetória do Van Halen. Mas o nível do grupo é tão alto que até seu pior disco consegue ser bom. Não integralmente bom, por isso é o pior. Mas tem ótimos momentos e merece atenção redobrada, pois é difícil de ser digerido. E então, caro leitor? Decidiu dar uma nova chance? Já gosta? Não desce de forma alguma? Não deixe de comentar!

01. Neworld
02. Without You
03. One I Want
04. From Afar
05. Dirty Water Dog
06. Once
07. Fire In The Hole
08. Josephina
09. Year To The Day
10. Primary
11. Ballot Or The Bullet
12. How Many Say I?

Gary Cherone - vocal
Eddie Van Halen - guitarra, violão, baixo, teclados, piano, backing vocals, vocal em 12
Michael Anthony - baixo em 2, 3 e 7; backing vocals
Alex Van Halen - bateria, percussão

Músicos adicionais:
Matthew Bruck - guitarra adicional
Mike Post - piano em 1

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by Silver