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quinta-feira, 5 de agosto de 2010

King Crimson - In The Court Of The Crimson King [1969]


"I walk a road, horizons change."

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Pros já familiarizados com o gênero, é totalmente retórico pontuar a importância desse disco no desenvolvimento do rock progressivo. Pura poesia musicada, chamada em certa ocasião de "heavy metal inteligente". Pelo menos o "inteligente" é verdade, e muitos dizem que este foi o primeiro disco de rock progressivo de fato.

O King Crimson surgiu em novembro de 1968, quando os amigos Robert Fripp e Michael Giles deixaram sua banda Giles, Giles and Fripp. A eles se juntaram Greg Lake (futuramente de Emerson, Lake & Palmer), guitarrista e vocalista, porém aqui tocando baixo; o multi-instrumentista Ian McDonald (mais tarde, membro do Foreigner) nos teclados; e o letrista Peter Sinfield (e também contribuiu para o Emerson, Lake & Palmer), que foi inclusive quem sugeriu o nome da banda.

A formação do "In The Court"

"King Crimson" (traduzido: Rei Carmesim, Rei Vermelho) é uma alusão a Belzebu, o príncipe dos demônios. De acordo com Robert Fripp, Belzebu também seria uma forma ocidentalizada do árabe "B'il Sabab", que significa "o homem com um objetivo", apesar das controvérsias de que significa "Ba'al-z'bub" em fenício: "senhor das moscas".

Enfim, em janeiro de 1969 a banda ensaia com esse nome e a formação original. Em julho daquele ano, a banda se apresentou no concerto gratuito no Hyde Park, organizado pelos Rolling Stones em Londres. Ainda nesse ano, foi editado e lançado o disco que é considerado o mais memorável da banda: In The Court of the Crimson King.

Apesar da banda alterar alguém na formação diversas vezes nos anos seguintes, os traços do In The Court se seguiram por muitos anos: a fusão com o jazz, a psicodelia suave porém inquietante de Fripp, longos instrumentais e linhas instrumentais criativas até para os mais altos padrões de hoje. Como se não bastassem a maturidade musical de cada componente do grupo, a criatividade dá o toque que o álbum necessitou para se tornar um dos maiores discos de rock da história.

A capa do álbum, uma obra de arte conhecida por qualquer fã do rock progressivo, é uma pintura do programador de computadores (???) Barry Godber, que curiosamente morreu meses depois do lançamento do disco. Dizem que essa capa foi seu único trabalho, e os direitos pertencem atualmente a Robert Fripp. A cara do lado de fora da capa do LP é o "Schizoid Man" (referente à primeira faixa do disco) e a do lado de dentro é o próprio "Crimson King". Ressaltam que se você cobrir a boca dele, os olhos revelarão muita tristeza.

O lado de dentro do LP: o "Crimson King".

O disco já começa com um dos hinos da banda, provavelmente a mais conhecida de toda a história do King Crimson: 21st Century Schizoid Man. Eis um dos melhores exemplos de jazz fusion nos anos sessenta, com um dueto de saxofone e guitarra, que consagrou a banda como uma das pioneiras do gênero. Os vocais distorcidos cantam um poema curto que contém metáforas em cada linha, se referindo à guerra do Vietnã. Tal menção fica claro nos versos "innocents raped with napalm fire", se referindo provavelmente à triste imagem (essa) da menina sendo queimada pela onda de calor do napalm (provavelmente do fim da década de 60, não sendo muito anterior ao disco. O uso de napalm foi proibido ainda nesses anos).

Segue-se a balada I Talk To The Wind, que começa logo depois do fim psicodélico da anterior. A flauta de McDonald mostra desde o primeiro segundo que essa canção contrasta totalmente com a anterior, sendo tranquila em seus poucos mais de seis minutos. A letra, apesar de simples, é muito bela. O solo de flauta de McDonald merece destaque, com influências notáveis de música clássica.

Epitaph é a terceira, sem dúvida é a mais depressiva do álbum, com a percussão inicialmente parecendo trovões e notas calmas e tristes. A guitarra some quando a voz de Lake começa a cantar a letra visionária de Peter Sinfield. A música deu o título a um set de quatro CDs lançado em 1997, contendo músicas de vários registros da banda em 1969 ainda. Nota-se o uso pesado de mellotron, tudo com uma excelente linha de percussão.

A canção mais misteriosa do disco é a quarta e penúltima, Moonchild. A primeira parte, The Dream, é uma lindíssima balada dirigida pelo mellotron, mas depois de dois minutos de música, toda a harmonia da primeira parte termina lentamente para introduzir a segunda, The Illusion, um instrumental improvisado que dura dez minutos. Na versão remasterizada de 2009, Fripp e seu amigo Steven Wilson (do Porcupine Tree) editaram a faixa, tirando aproximadamente dois minutos e meio de improvisação, onde Fripp fazia uma referência à música The Surrey With the Fringe on Top, do musical Oklahoma!, de 1943.

A faixa-título é a última e a mais importante, na minha opinião. In The Court of the Crimson King. Também lançada como um single (inclusive o único nos EUA), alcançou a 80ª posição nas vendas americanas.
Na maior parte da música, predomina uma melodia no mellotron, sendo chamada de "The Return of the Fire Witch". Com quatro estrofes, dura os primeiros sete minutos, sendo seguida pela segunda e última parte, "The Dance of the Puppets" (curiosamente, os nomes das partes se referem ao penúltimo verso de cada uma). A linha de bateria é uma das melhores em toda a história da banda, com as batidas na caixa levando o ritmo do mellotron, um baixo simples marcando no fundo, quando de repente se dá espaço para a voz e a guitarra, com notas de flauta ao fundo. A letra é de difícil interpretação, sendo dividida por instrumentais muito bem trabalhados. A música desperta sensações diversas no ouvinte.

Arte inteira de Barry Godber

Ao ouvir In The Court Of The Crimson King, lembre-se que o que estás ouvindo é uma das maiores obras musicais de todos os tempos. Mas não preciso falar isso, provavelmente você já sabe...

Tracklist:
01. 21st Century Schizoid Man
02. I Talk to the Wind
03. Epitaph
04. Moonchild
05. The Court of the Crimson King

Line-up:
Robert Fripp (guitarra)
Ian McDonald (sopros, mellotron, teclados, vocais de apoio)
Greg Lake (baixo, vocal)
Michael Giles (bateria, percussão, vocais de apoio)
Peter Sinfield (letras)

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sexta-feira, 11 de junho de 2010

Richie Kotzen - Change [2003]


Ouvir um álbum do Richie Kotzen é sempre uma boa aventura. Digo "aventura" porque, de fato, o guitarrista se aventura na música. Além de ter assumido todos os instrumentos no play (voz, guitarra, teclado, violão, baixo e bateria) e ter composto todas as letras e melodias sozinho, aqui ele também ficou à cargo da produção.

Pode-se, também, considerar uma "aventura" pela versatilidade do músico, que aborda diversos gêneros musicais em apenas um disco. Em sua carreira, Kotzen já tocou Rock, Pop, Heavy Metal, Jazz, Fusion, Blues, Soul Music, R&B e por aí vai.

Quem não conhece realmente pensa que isso é impressionante. Mas pra quem já desfrutou do trabalho do cara, seja em carreira solo, no Poison, no Mr. Big, no Forty Deuce ou até mesmo no Vertú (banda formada com a lenda do jazz Stanley Clarke), não se abala ao saber disso.

O disco dessa postagem, "Change", foi gravado e lançado no ano de 2003 pela Frontiers Records. Neste play, Kotzen incorpora uma sonoridade mais contemporânea nas composições, mas sem perder o foco e sem deixar de representar sua versatilidade de composição.


"Forever One" dá início ao álbum e, apesar do nome de balada, é uma paulada grotesca com um quê de modernidade, com menções honrosas ao solo de guitarra. "Get A Life" mantém o nível, com uma melodia grudenta, um refrão mais-do-que-cantarolável e um Richie inspiradíssimo. Em seguida, tem-se a faixa-título "Change", uma balada calma e apaixonante, digna de trilha de novela das oito (risos). "Don't Ask", uma das melhores do álbum, poderia ter se tornado um baita hit de rádios, pois conta com versos e refrão bem chicletes, além de uma baita lírica.

"Deeper (Into You)" lembra os lançamentos do Kotzen pós-Poison, onde investia bastante na Soul Music, pois é uma canção dignamente Soul com um clima digno de barzinho. "High", uma das mais belas baladas que já ouvi em vida, arremata o ouvinte logo em seguida e mostra um Kotzen novamente inspirado, além de ter a participação de Pat Torpey, baterista do Mr. Big. "Am I Dreamin'" retorna o clima de boteco, mas dessa vez com forte influência da música latina e uso de violão clássico, novamente com incursões Pop.

A posterior "Shine" já é conhecida por ter sido lançada com o Mr. Big e ter chegado ao 1° lugar das paradas japonesas, e aqui o guitarrista faz uma versão diferente, com mais letra na parte do solo e acústica em maior parte de seu andamento. Fantástica. Para fechar o disco, tem-se a calma "Good For Me", a diferente (e bizarra) "Fast Money Fast Cars" e as instrumentais "Unity" e "Out Take", respectivamente um Jazz maroto e uma paulada Rocker.

No mais, "Change" é mais uma obra-prima desse músico espetacular que é o Richie Kotzen. Como o cara nunca decepciona, não recomendo apenas esse álbum de sua carreira, mas qualquer outro.

01. Forever One
02. Get A Life
03. Change
04. Don't Ask
05. Deeper (Into You)
06. High
07. Am I Dreamin'
08. Shine (Acoustic)
09. Good For Me
10. Fast Money Fast Cars
11. Unity (Jazz Bee Bop Instrumental)
12. Out Take (Instrumental Bonustrack)

Richie Kotzen - vocal, guitarra, violões, baixo, bateria, teclados, percussão

Músicos adicionais:
Pat Torpey - bateria em 6
Charlie Sarti - vocais adicoinais em 10

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by Silver

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Richie Kotzen - Mother Head's Family Reunion [1994]


Após ser despachado do Poison, não pelo seu talento como músico mas como mulherengo ao traçar a ex-esposa do baterista Rikki Rockett, Richie Kotzen voltou a investir em sua carreira solo, que já contava com 3 álbuns no currículo. Mas, aqui, haveria uma diferença brutal entre seus antecessores.

A mudança já se nota pelo orçamento. "Mother Head's Family Reunion" é o primeiro disco que Kotzen gravaria pela poderosa Geffen Records, enquanto os anteriores foram lançados pela Shrapnel Records, famosa porém não muito grande gravadora.

Mas a principal distinção se dava nas composições. Richie estreou com um álbum digno de shredder mas, aos poucos, dava espaço aos vocais em suas composições, bem como inclusão de elementos do Rock N' Roll, Blues, Pop, Funk e Soul Music. Aqui o mesmo se encontrou como músico e compositor, tomando este disco como referência para futuros trabalhos. O cara simplesmente pegou todos os gêneros já citados, misturou com muita criatividade e sem om enor medo de ser feliz e teve um grande resultado.


"Mother Head's Family Reunion" é o disco que resume a essência de Richie Kotzen como músico. Não é possível afirmar que seja o definitivo de sua carreira, mas pode ser um dos mais importantes para o encontro de sua identidade musical.

Vale lembrar que a ótima mistureba dos gêneros não impediu que o até então jovem guitarrista mostrasse sua técnica nas seis cordas, até porque tem-se solos sensacionais e riffs muito bem feitos por aqui. O diferencial está na criativa cozinha e nas composições magistrais, além do ótimo vocal do garoto, que permitiram que o som não ficasse chato e de difícil assimilação mesmo sendo complexo - coisa que só quem tem talento pode proporcionar.

Os destaques ficam para a funkeada "Socialite", a blueseira "Where Did Our Love Go", a belíssima "Soul To Soul", a paulada "A Love Divine" e a incrível readaptação de "Reach Out, I'll Be There", original do Four Tops.

Caro leitor, se procura música de qualidade, aqui está um prato cheio!

01. Socialite
02. Mother Head's Family Reunion
03. Where Did Our Love Go
04. Natural Thing
05. A Love Divine
06. Soul To Soul
07. Reach Out I'll Be There
08. Testify
09. Used
10. A Woman And A Man
11. Livin' Easy
12. Cover Me

Richie Kotzen - vocal, guitarra, órgão Hammond, teclados
John Pierce - baixo
Atma Anur - bateria, percussão

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by Silver

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Richie Kotzen - Live In Sao Paulo [2008]


Gravado no dia 30 de setembro de 2007 durante um concerto no Stones Music Bar, em São Paulo [como diz o próprio nome], "Live In Sao Paulo" é o primeiro disco ao vivo da carreira do genial guitarrista Richie Kotzen. Mesmo depois de participar de mais de 50 discos em 20 anos, sendo esse seu 22° lançamento em carreira-solo, Kotzen parece nunca cansar da música, fazendo-a por pura paixão.

"Live In Sao Paulo" surpreende até mesmo quem é fã de Kotzen e já sabe o que esperar dele, pois a performance do guitarrista extrapola em todos os fatores, como presença e musicalidade. Sua bela e fantástica voz alia-se à uma guitarra extremamente bem tocada, com influências que passeiam entre o blues, o rock n' roll, o funk, o jazz, o soul, entre outros gêneros, à um baixo sólido e diversificado e à uma bateria técnica e precisa.

Esse show se destaca pelo repertório ser constituído, com exceção de "Stand" (mesmo assim, modificada por Richie Kotzen em comparação à versão do Poison) e "Shapes Of Things" [originalmente do The Yardbirds], apenas por músicas lançadas em seus discos solo, surpreendendo à todos que estavam acompanhando seus antigos repertórios, que tinham músicas de sua época no Mr. Big e outros covers.

Os destaques, na minha opinião, ficam por conta da anteriormente citada versão de Stand feita por Kotzen, que ficou infinitamente superior à versão do Poison; para as cativantes Socialite, Mother's Head Family Reunion e A Love Divine, que mostram a competência da banda que acompanhou Richie nesse concerto; e para a belíssima balada Remember - a preferida de Kotzen, segundo ele. Recomendado para todos os gostos!

01. Socialite
02. High
03. Remember
04. Fooled Again
05. Faith
06. So Cold
07. A Love Divine
08. Shapes Of Things
09. Doin' What the Devil Says To Do
10. I'm Losing You
11. Mother Head's Family Reunion
12. Stand

Richie Kotzen - vocal, guitarra
Johnny Griparic - baixo
Dan Potruch - bateria

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by Silver