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segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Pride Of Lions – Pride Of Lions [2003]


Apesar de seu auge nos anos 1980, o AOR/Melodic Rock não perdeu as forças. Aliás, esteve muito melhor do que a ala mais pesada do Hard Rock, pois sempre contou com representantes produtivos. Um deles é Jim Peterik, ex-guitarrista do Survivor, um dos grupos mais rentáveis do gênero na década de auge. O homem nunca perdeu o ritmo, com projetos e parcerias autorais que vão desde Cheap Trick até Brian Wilson, entre vários outros.

A sua principal empreitada na década de 2000, o Pride Of Lions, não fica devendo nada ao seu glorioso passado. A banda é liderada pelo próprio e pelo jovem vocalista Toby Hitchcock, que tinha 26 anos à época do lançamento deste disco e estava numa turma de quarentões e cinquentões experientes. O guitarrista Mike Aquino, o baixista Clem Hayes, o baterista Ed Breckenfield e o tecladista Christian Cullen completam a formação. O debut do conjunto, auto-intitulado, deu as caras em 2003 e trata-se, basicamente, de uma releitura contemporânea ao Melodic Hard Rock de tempos passados.



A abertura com It's Criminal, sobra do disco "Vital Signs" do Survivor, é uma verdadeira paulada melódica, com arranjos marcantes e peso elementar. O vocal de Hitchcock é um destaque: cresce não apenas com o desenrolar da música, como também ao longo do próprio disco. O homem, que tem forte influência da música gospel norte-americana e do gênio Frank Sinatra, tem um alcance incrível e uma capacidade de interpretação digna de um às do estilo. A semi-balada Gone dá sequência com melodias envolventes e uma grande performance vocal em dueto das vozes de Toby e Jim, respectivamente aguda e grave.

Os anos 1980 invadem a mente do ouvinte com Interrupted Melody, uma calma e apaixonante balada AOR. Sound Of Home me arrepia desde a primeira vez que a ouvi. Suas passagens marcantes, suas melodias bem construídas e, principalmente, a voz de Toby Hitchcock garantem paixão à primeira vista. A balada Prideland, apesar de seus longos seis minutos de duração, tem arranjos cativantes e é o tipo de música que faz com que o filme de sua vida passe pelos olhos do ouvinte. A pauleira Unbreakable segue ao estilo Survivor, com guitarras marcantes e refrão grandioso.



First Time Around The Sun é uma boa balada, perde para as anteriores mas não pode ser confundida com filler. Turn To Me é essencialmente grudenta e traz mais um dueto vocal incrível. O encerramento fica por conta de mais quatro baladas: a guitarresca Madness Of Love, as bonitas Love Is On The Rocks e Last Safe Place, e finalmente a poderosa Music And Me.

Não era o objetivo do Pride Of Lions ter grande repercussão com esse projeto, que ainda teve mais dois full-length e um live lançados em anos seguintes, mas o compromisso de fazer boa música não falhou em nenhum momento. Talvez este debut peque pelo excesso de baladas, mas onze entre dez admiradores aprovaram. Uma das apostas mais certeiras da Frontiers Records.



01. It's Criminal
02. Gone
03. Interrupted Melody
04. Sound Of Home
05. Prideland
06. Unbreakable
07. First Time Around The Sun
08. Turn To Me
09. Madness Of Love
10. Love Is On The Rocks
11. Last Safe Place
12. Music And Me

Toby Hitchcock – vocal
Jim Peterik – vocal, guitarra, teclados
Mike Aquino – guitarra
Christian Cullen – teclados
Clem Hayes – baixo
Ed Breckenfield – bateria

Músico adicional:
Hilary Jones – bateria

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by Silver

sábado, 25 de junho de 2011

FarCry - Optimism [2011]


Lembro muito bem quando em 2009 escutei o disco de estréia dos americanos do FarCry, o muito bom "High Gear", que ficou um mês em meu IPOD sendo ouvido repetidas vezes sem parar, em que praticavam um melodic rock muito bem feito e com influências de grupos como Danger Danger e Harem Scarem, que são duas bandas pelas quais sou extremamente apaixonado. Então não podia deixar de conferir o lançamento do segundo disco do grupo, "Optimism", lançado no começo deste mês.

E falo que se o primeiro CD me ganhou, "Optimism" conseguiu definitivamente angariar mais um fã do som feito por esses conterrâneos do Bon Jovi. se no debut o grupo lançou um disco redondinho, no segundo vemos que a identidade do grupo foi por vez consolidada e conseguiu superar muitos discos de melodic rock que ouvi ultimamente. Guitarras muito bem trabalhadas principalmente nos solos inspirados do excelente Pete Fry vão lhe conquistar logo de cara. Mas a banda faz um trabalho muito coeso e com uma produção polida, que dá mais brilhantismo ao pacote apresentado.

E neste eles são mais influenciados pelos filhos de maior sucesso de New Jersey, criando melodias cativantes, vocalizações muito bonitas e hinos que foram feitos para serem cantados a plenos pulmões, como é regra para as bandas que realmente sabem fazer melodic rock de qualidade. Aqui a musicalidade transpira por todos os poros do grupo, sem nenhum enchimento de linguiça, em que todas as canções possuem um brilho singular e foram compostas de maneira inspiradas, o que confirma que a revelação se tornou uma realidade e passou facilmente pela síndrome do segundo disco.


E os trabalhos são iniciados com a ganchuda "Satisfaction", que começa toda faceira, cheia de riffs bacaninhas até explodir em um baita solo legal de Fry, algo que vai se tornar uma redundância até o final do disco, na qual o resultado para mim remeteu no que aconteceria se misturassem Ac/Dc e Danger Danger em um mesmo caldeirão, algo improvável e sensacional ao mesmo tempo. "Over And Over (Again!)" me arrancou uma lágrima dos olhos, com seu clima lindo e encantador, sendo para mim ao menos a melhor canção do disco e um momento de sublime beleza em forma de música. "Nothing You Can Do" é outra música bem trabalhada e cheia de energia e muito boa.

A balada "Better Than This" é belíssima, começa bem calma apenas com violões até se tornar uma power ballad das boas e com mais um solo arrebatador de Pete Fry e que tive de fazer esforço para continuar. Mas fui recompensado, pois "Love At First Sight" é outra baita canção grudenta e muito boa de se ouvir, assim como "Now That It's Over" que acrescenta um pouco mais peso em comparação as outras canções. A semi-balada "Free" me ganhou logo na primeira vez que a ouvi e me deu ainda mais certeza de que esses caras são muito bons e é um dos grandes momentos de Mark Giovi neste registro, que arrebenta tudo aqui.



Queria não continuar a elogiar tanto, mas não dá, principalmente quando "Best Of Me" aparece para continuar desarmando qualquer resistência que pudesse aparecer contra este registro, em outra canção que beira o nível do memorável com um andamento mágico. "Too Hot To Hold" mais uma vez coloca um pouco de peso com guitarras pesadas da dupla Fry e Mazza e um refrão muito bem feito. "When The Lights Go Down" finaliza o disco com guitarras incendiárias, com mais uma vez Fry roubando a atenção para si, com solos maravilhosos e um andamento extraordinário em toda a canção, algo para roqueiro nenhum botar defeito.

Este com certeza será um dos discos lançados esse ano sem sombra de dúvidas. Aqui temos tudo que um fã de melodic rock poderia pedir a Deus, entregue apenas em um play de qualidade incrível. Se continuar neste ritmo, Pete Fry tem tudo para estar na lista dos grandes guitarristas do estilo logo em breve. Apesar de toda a banda ser muito coesa, aqui ele realmente rouba a atenção para si. Um disco de nota 9,5 sem pensar nem meia vez. E que se permitem o trocadilho, me deixa otimista para tudo que o grupo ainda pode apresentar.





1.Satisfaction
2.Over and Over (Again!)
3.Nothing You Can Do
4.Better Than This
5.At First Sight
6.Now That It's Over
7.Free
8.Best Of Me
9.Too Hot to Hold
10. When The Lights Go Down

Mark Giovi - Vocais
Pete Fry - Guitarra Solo, Backing Vocals
Angelo Mazza - Guitarra Base, Backing Vocals
Ronnie Parkes - Baixo. Backing Vocals
Tommy John - Bateria



By Weschap Coverdale

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Cher - AOR Years [1987-1991]


Incauto passageiro desta combe, neste exato momento o senhor deve estar pensando: "Será que esse troglodita do Coverdale está ficando louco, Cher na Combe? Ele traiu o movimento rock, postando essa merda pop no blog! Maldita combe, nunca mais acesso esse blog maldito". Antes de pagar de tr00 descontrolado e filho do deus metal pequeno rapazote, só olhe a foto acima no início da postagem. Creio que o primeiro e o último todos sabem quem é, e o terceiro na foto é apenas um dos maiores produtores de melodic rock que existiu, o grande Desmond Child. Você deve estar se perguntando o que eles estão fazendo nessa foto. Isso que irei explicar abaixo jovem tolo.

Apesar de ter começado sua carreira com relativo sucesso passando por tudo que era estilo, desde o pop até a era disco, a verdade que em sentido musical Cher tinha naufragado durante os anos 80. Com projetos mau sucedidos no começo daquela década, como o estranho Black Rose, Cher estava na crista da onda não como cantora, porém sim como atriz, em que ela chegou a ganhar um Oscar e um globo de ouro, e era uma das atrizes mais requisitadas naquele momento. Mas ela queria era voltar a sua carreira musical e para isso, aos 41 anos de idade investiu fortemente no melodic rock que na época estava na crista da onda.

Será que foi o romance com Sambora a inspiração para esta fase de Cher?

Para esta empreitada, ela se envolveu das maiores feras que haviam naquele momento no que tangia a esse movimento. Como compositores recrutou feras como Michael Bolton, Diane Warren, Jon Bon Jovi, Ritchie Sambora para o lançamento de seu primeiro disco nesse novo mundo para ela. Sem falar que ainda em lançamentos posteriores temos outros monstros como Bob Rock, Steve Lukather, Joe Lynn Turner, John McCurry, todos os integrantes do Bon Jovi, Bonnie Tyler, Michael Anthony, Robin Beck, Jeff e Mike Porcaro, Richie Zito, Richard Marx, Peter Cetera e muitos outros que se fosse citar nomes ficaria dias aqui somente nesse parágrafo, fato que pelo qual não irei citar os créditos dos discos, devido a lista ser interminável. Então com tanta gente boa envolvida, ficaria difícil vir algo ruim.

E esta fase foi realmente uma das mais produtivas da carreira da cantora, com trinta milhões de cópias vendidas com a soma dos três discos lançados nesse período, algo para poucos. Sem falar que ela foi aclamada como o maior nome feminino dentro do rock naquele momento, com elogios do New York Times, afirmando que ela se tratava de um novo marco dentro do Glam Metal. Mas realmente, se você não for um xiita preconceituoso e ainda não conhece estes três trabalhos, está uma chance para você se impressionar assim como eu mesmo me impressionei com esta trinta impecável.

Cher - Cher [1987]


Sério, dá vontade de só colocar o vídeo abaixo e deixar que vocês definam este, pois para mim é difícil não puxar sardinha. Desde de a primeira vez que peguei este, quase não o consegui largar. Gosta do Bon Jovi da primeira fase? Pois é, o clima é esse, sendo que a banda inteira participa aqui e Jon Bon Jovi e Ritchie Sambora assinam a produção junto com Desmond Child, então meu amigo, prepare o seu coração, pois aqui temos aqueles refrães chicletes que tanto amamos, melodias assobiaveís e uma atuação soberba de Cher nos vocais, que desde o primeiro momento parece ter nascido para fazer AOR.



Os destaques aqui são muitos, mas a minha predileta com certeza é a segunda do vídeo acima, a espetacular e grudenta "I Found Someone", que abre o registro de maneira magistral e consegue encantar desde o primeiro minuto de sua exceução. "We All Sleep Alone", "Bang Bang" e "Perfection" mantém o ritmo festeiro inicial e são muito boas. As baladas "Main Man" e "Hard Enough Getting Over" fecham este da melhor maneira possível e arrancarão suspiros de corações apaixonados. Uma bela estréia dentro do estilo, com certeza!

1.I Found Someone
2.We All Sleep Alone
3.Bang-Bang
4.Main Man
5.Give Our Love a Fightin' Chance
6.Perfection
7.Dangerous Times
8.Skin Deep
9.Working Girl
10.Hard Enough Getting Over You


Cher - Heart Of Stone [1989]


O maior sucesso comercial da cantora foi o disco lançado em 1989. Novamente foi mantida a base de compositores do lançamento anterior e o trabalho conseguiu a proeza de ser ainda melhor do que o já ótimo disco homônimo de 1987. Aqui temos melodias ainda melhores e canções que se tornaram clássico do estilo e ficaram conhecidas em lançamentos posteriores, como "Does Anybody Really Fall In Love Anymore?" na versão de Kane Roberts e "Love On A Rooftop", lançada no disco solo do próprio produtor Desmond Child.



Este trabalho inteiro é mais do que recomendado. "If A Could Back Time" nos recepciona da melhor maneira possível, uma canção grudenta que prepara o terreno e nos deixa ansiosos para o que virá a seguir. E temos muitas baladas neste e todas são maravilhosas, como a emocional "Just Like Jesse James", a faixa-título, "All Because Of You", a já citada "Does Anybody Really Fall In Love Anymore?" e a belíssima "After All" com a partipação de Peter Cetera dividindo os vocais com Cher em um dueto pra lá de inspirado e que fecha este trabalho com chave de ouro.


1.If I Could Turn Back Time
2.Just Like Jesse James
3.You Wouldn't Know Love
4.Heart of Stone
5.Still in Love With You
6.Love on a Rooftop
7.Emotional Fire
8.All Because of You
9.Does Anybody Really Fall in Love Anymore?
10.Starting Over
11.Kiss to Kiss
12.After All" (with Peter Cetera)


Cher - Love Hurts [1991]



Para finalizar esta bela trinca temos o bom Love Hurts, que honra os dois discos anteriores e mantém o mesmo nível apresentado anteriormente. Ainda com a colaboração de Diane Warren e Desmond Child mas agora com a produção de Bob Rock, ainda temos aquele hard melódico de outrora, que recebeu pouca atenção nos Estados Unidos, mas que fez um sucesso estrondoso na Europa, alcançando o primeiro lugar nos charts britânicos, austríacos e Irlandeses.



Apesar de na minha opinião ele estar um pouco atrás dos dois discos anteriores, ainda assim é um baita disco de melodic rock. A versão apresentada aqui de "Save Up All Your Tears" supera as versões anteriores feitas por Bonnie Tyler e Robin Beck. A bela balada "I'll Never Stop Loving You" é de um bom gosto e um feeling docemente apurado, o que se repete em "When Lovers Become Strangers" que também é muito bonita. "Who You Gonna Believe" encanta pelo seu clima sessão da tarde. O único senão fica para as desnecessárias versões de "Love Hurts" e "A World Without Heroes" que ficaram muito àquem das versões originais. Mas como dito este é um ótimo fim para a fase AOR de Cher.


1.Save Up All Your Tears
2.Love Hurts
3.Love and Understanding
4.Fires of Eden
5.I'll Never Stop Loving You
6.One Small Step
7.A World Without Heroes
8.Could've Been You
9.When Love Calls Your Name
10.When Lovers Become Strangers
11.Who You Gonna Believe
12.The Shoop Shoop Song (It's in His Kiss)



By Weschap Coverdale

sexta-feira, 27 de maio de 2011

White Lion - Return Of The Pride [2008]





Uma das minhas bandas prediletas no que tange ao melodic rock sempre foi o White Lion. Se puderem observar meus posts anteriores, já tinha feito duas postagens sobre discos que realmente amo dessa banda, que são o ótimo "Pride" e o muito bom "Big Game", sem falar no sensacional "Mane Attraction" que é um dos meus discos prediletos de toda a minha imensa discografia e que sempre retiro da estante nos meus momentos de fossa junto com o debut do Danger Danger, que considero álbuns mágicos na função de animar corações na mais profunda fossa.

Tendo em vista a minha paixão pelo grupo, quando fiquei sabendo no ano de 2008 que um novo disco seria lançado, não pude esconder o medo que tive ao ver que somente Mike Tramp da formação do grupo estava presente. Sim, pois sempre considerei que a verdadeira alma do grupo foi o excepcional Vito Bratta, com sua musicalidade privilegiada, e que conduzia sua guitarra de maneira quase que mágica, com timbres agradáveis e criatividade fora do comum. Sou obrigado a assumir que minhas expectativas para este então eram muito baixas, para não dizer que eram quase nulas sobre o que seria apresentado.

Mas devido a participação de Tramp, meio que a contragosto, acabei não resistindo e fui atrás do lançamento na época. E como minha expectativa era baixa, posso dizer que acabei a audição deste registro de certa maneira contente, pois conseguiram superar minhas expectativas. Apesar de não superar nenhum dos discos da fase clássica do grupo, não é nada que manche a história do grupo. Algumas canções conseguem empolgar, e mesmo que se sinta falta daquela magia que envolvem as canções da fasse clássica da banda, compensam por ser uma tentativa mais do que válida de inovar, ao invés de tentarem viver do passado.


A faixa de abertura "Sangre de Cristo" é um épico que faz honra a músicas como "Lady Of The Valley" e "Lights And Thunder", desde suas passagens acústicas até os momentos mais acelerados, uam baita canção progressiva e que foi o momento que mais me cativou em todo o registro, em quase nove minutos de muita inspiração. E outro épico é apresentado em "Battle At Little Big Horn" que é um pouco mais alternativo e poderia ter sido lançado na época em que Tramp era o frontman do Freak Of Nature.

Porém todos nós sabemos que o White Lion sempre cativou em suas canções mais melódicas, e neste ainda somos apresentados a estes momentos. "I Will" cumpre com louvor este papel, uma grande canção chiclete, feita para grudar logo de cara, com seu refrão feliz e marcante. "Dream" apesar de ser mais cadenciada, também fica marcada na mente em sua primeira audição. A balada "Never Let You Go" (título mais clichê impossível) é muito bonita e com uma interpretação em que Mike Tramp entrega a alma e canta muito bem. Ainda temos algumas outras canções que não mantém o mesmo nível, mas ainda assim o disco tem um saldo positivo.

A certeza que Vito Bratta era realmente o maior diferencial do grupo aumentará ainda mais ao ouvir este. Mas ainda assim, é um disco que deve ser ouvido e que apresenta canções legais. Não é nenhum Pride, mas merece sim um espaço em sua discografia.






1.Sangre de Cristo
2.Dream
3.Live Your Life
4.Set Me Free
5.I Will
6.Battle at Little Big Horn
7.Never Let You Go
8.Gonna Do It My Way
9.Finally See The Light
10.Let Me Be Me


Mike Tramp - Vocais
Jamie Law - Guitarra
Claus Langeskov - Baixo
Henning Wanner - Teclado
Troy Patrick Farrell - Bateria


by Weschap Coverdale

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Krystal Tears - A Brand New Life [2005]


Sabe aqueles dias chatos em que não há nada de melhor para se fazer e que talvez a melhor opção seja procurar algumas bandas novas para escutar e matar um pouco tempo? Em um desses, meio que sem tem o que fazer, fui agraciado com a oportunidade de conhecer uma banda brasileira que realmente me surpreendeu com um melodic rock com peso, melodias grudentas, letras positivas e um belo trabalho vocal. Desde desse dia tenho escutado com muita atenção o belo trabalho apresentado pelos cariocas do Krystal Tears.

A banda teve início em 2001 na cidade do Rio de Janeiro e em 2002 já havia lançado seu primeiro EP, ganhando certa notoriedade no cenário independente. Mas durante o anos de 2003 e 2004 perdem três integrantes de sua formação original, mas estabelece seu line-up com o vocalista Roberto Sanz, o guitarrista Carlos Santanna, Diego Padilha no baixo, Rigel Romeu nos teclados e Sérgio Sanchez na bateria.


Eis que em 2005 o grupo entra em estúdio e lança o disco "A Brand New Life", que conseguiu ser lançado em todo o território nacional por uma major. Além disso teve como um bom feito colocar uma música em oitavo lugar em um rádio chilena, nada mau para um grupo que surgiu com a proposta de fazer melodic rock no Brasil, onde infelizmente sabemos o quanto o povo valoriza pouco música de boa qualidade, e que é algo que não falta neste disco que realmente arrancou suspiros deste que vos escreve.

A tríade inicial desse registro é extasiante para quem curte melodic rock. "Withered Roses" abre esse disco com uma boa dose de peso, mas com linhas vocais muito bem trabalhadas e melodia certeira e matadora, com destaque para Sérgio Sanchez na bateria. "Prisioner Of Your Love" vem com todos os clichês que amamos do hard oitentista e cai em um refrão arrebatador, que grudará como chiclete na mente do ouvinte. "Dreams" na minha opinião é uma aula de como fazer AOR, e se tornou uma das minhas músicas prediletas sem fazer muito esforço, seja nos seus teclados irresistíveis, refrão mais uma vez criativo e apaixonante, excelente trabalho nas guitarras, vocais extremamente corretos e uma letra feita sob medida para os desacreditados no amor. Musicão!



Ainda destaco a baladaça "Far Away From Sky", carregada de emoção e feita para aquelas mais profundas fossas que vez por outra todos nós passamos. "A Brand New Life" faz contraponto a música anteriormente citada, com uma letra que mostra forte esperança em um recomeço, em uma belíssima composição. "The Leaf Goes With The Wind" com sua letra que me remeteu a uma mistura de "Here I Go Again" e "Don't Fade Away" do Whitesnake é mais uma balada de respeito. "Everlasting Faiht" termina o disco assim como o mesmo começou, com uma dose peso injetada e que vai confirmar que realmente esse é um disco mais do que recomendado.

Sim, uma banda nacional que merecia um pouco mais de oportunidade, pois o talento é inegável ao colocar o disco para rodar. O que aconteceu com o grupo é uma icógnita, pois não achei mais nenhuma informação do que ocorreu após o ano de 2007, sendo assim, é bem provavél que o grupo tenha acabado. Se assim realmente for, pelo menos deixaram uma pérola que merece ser apreciada.




1.Withered Roses
2.Prisioner of your love
3.Dreams
4.Let'em Shed From Your Eyes
5.Crystal Tears
6.Far Away From Sky
7.Last Day
8.A Brand New Life
9. Reason to Fight
10.The Leaf Goes With the Wind
11.Everlasting Faith (Intro)
12.Everlasting Faith (For The Right to Live in Dignity)
13.A Brand New Life (Original Version - Bonus Track)


Roberto Sans - Vocais
Carlos Santanna - Guitarra
Diego Padilha - Baixo
Rigel Romeu - Teclados
Sérgio Sanchez - Bateria

Artistas Convidados:
Suzanne Brandão - Vocais em "A Brand New Life"


By Weschap Coverdale

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Dare - Out Of Silence [1988]


Darren Wharton ganhou fama ao participar de maneira oficial no Thin Lizzy nas gravações dos discos "Renegade" e "Thunder and Lightning" e como músico convidado em "Chinatown". Mas como bem sabemos, naquele momento a banda estava quase no fim devido aos inúmeros problemas ao redor do grupo, que culminou com o fim do mesmo em 1984.

Porém com o intuito de continuar a carreira, Wharton com um nome já consolidado devido a sua participação na banda do lendário Phil Lynnot, ele monta o Dare, que era composto pelo guitarrista Vinny Burns (que posteriormente faria parte do Ten), o baixista Burke Shelley, James Ross na bateria e Brian Cox nos teclados. Após um certo tempo tocando em clubes, eles acabam por arranjar uma gravadora para seu primeiro disco, lançado em 1988 e que é considerado um dos grandes clássicos do AOR, o ótimo "Out Of Silence".


E o mesmo foi aclamado pela crítica européia da época, que os recebeu muito bem, inclusive após um show que o grupo fez no clube Marquee em Londres, no dia 25 de outubro de 1988, em que eles tocaram para um grupo de jornalistas que acabaram por ficar satisfeitos com o que viram no palco durante aquela noite. Após algumas boas críticas sobre o mesmo, o registro acabou por ganhar uma boa repercussão, e fez um bom sucesso principalmente na Suécia, onde a recepção ao grupo ocorreu de maneira calorosa.

E não à toa, pois temos um disco de AOR onde o grupo faz um trabalho perfeito, desde a linha vocal marcante de Wharthon, o ótimo trabalho de Burns nas guitarras, cozinha entrosada e a destacada camada de teclados feita pela dupla Wharton / Cox, que conduz praticamente todo o registro e nos dá aquela marca registrada dos anos 80 nas canções. E logo que colocamos a bolacha para rodar, já somos presenteados com a mágica "Abadon", com um clima festeiro e que cativa logo em sua primeira audição, e gruda rapidamente na mente. Sem tempo para recuperar o fôlego temos "Into The Fire", com sua camada de teclados épica e com uma bateria marcante, que dá um toque especial à canção.



E até o seu final, o grupo segura bem o ouvinte, com um AOR cheio de pompa e muito bem trabalhado. Um outro grande exemplo disso é na bela balada "Nothing Is Stronger Than Love", uma canção grandiosa e com um trabalho vocal primoroso de Wharton, que mostra que sua voz melodiosa realmente é perfeita para o AOR. "Runaway" fará com que você se pergunte como esses caras conseguiam fazer melodias tão bonitas, de onde vinha tanta inspiração. "The Raindance" vem como mais um épico, com melodias intricadas e em que Burns aparece com mais destaque até aqui.

E temos mais baladas carregadas de emoção, como na melancólica "King Of Spades", a tranquilizante "Return The Heart" e "Don't Let Go", que fecha esse registro com chave de ouro, com mais uma bela melodia criada pelo grupo. Um grande disco para quem é chegado a um bom AOR europeu. Se você quer distorção e barulho, fuja desse, pois é mais recomendado para ouvir agarradinho com sua patroa.





1. Abandon
2. Into the Fire
3. Nothing Is Stronger Than Love
4. Runaway
5.Under The Sun
6. The Raindance
7. King Of Spades
8. Heartbreaker
9. Return The Heart
10. Don't Let Go

Darren Wharthon - Vocais, Teclados
Vinny Burns - Guitarras
Burke Shelley - Baixo
James Ross - Bateria
Brian Cox - Teclados


By Weschap Coverdale

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Atsushi Yokozeki Project - Raid [1993]


Olhou a capa e pensou "Aff, mais um daqueles posts nada a ver do ecletismo combístico. É bem alguma banda de blues orquestral com influência de folk psicodélico da coréia"? Errou alguns milhares de quilômetros, pois é uma banda de blues orquestral com influência de folk psicodélico do Japão! (risos) Atsushi Yokozeki é tão desconhecido e tem um gosto tão refinado para escolher a capa dos seus discos que permite achar qualquer coisa. Apesar da inteligência dos seus conterrâneos não o acompanhar para perceber a complexa fórmula arte gráfica chamativa + convidados especiais = dobro de vendas e reconhecimento, o seu cérebro funcionou na hora de escolher o time para se aliar no quarto full-lenght solo.

Até hoje nos porões da música nipônica, Yokozeki fez parte do grupo de Heavy Metal The Bronx na década de 80, mas só deixou seu rastro ao juntar lendários músicos do Hard Rock para gravar uma genuína preciosidade no começo dos anos 90. Estabelecido como um guitarrista altamente técnico por meio de discos instrumentais, o japa resolveu apostar numa sonoridade voltada ao Hard Rock com toques de AOR, mas ainda mantendo o seu passado ao lado. O resultado disso foi a criação de um álbum seguindo as premissas Hard por uma parte, e por outra sustentando a marca do mentor - música instrumental.


Quando "Tears of Sphinx" abre o disco, tem-se uma sensação de que a qualquer momento vai entrar o vocal, porque não é aquele tipo de instrumental pra somente expor as qualidades técnicas - por mais que isso seja inevitável e natural em se tratando dos monstruosos Tim Bogert (baixo) e Carmine Appice (bateria) -, e é guiada por riffs tradicionais de Hard, e aos poucos que o andamento passa a ficar sinuoso. Os convidados na abertura, Bogert e Appice, só voltam a aparecer no finzinho com o instrumental "Mama Again", para darem espaço a várias outras estrelas emprestaram seu talento ao longo do trabalho.

Se a música 'muda' já agrada, imagina quando é acrescentado o vocal, e o escolhido é o grande Kelly Hansen (Hurricane, Unruly Child, Foreigner). Agora adicione a cozinha clássica do Quiet Riot e teremos "More than Enough", um Melodic Rock muito inspirado, mais marcante impossível! E o que se forma quando o subestimado David Glen Eisley se junta à melhor cozinha do McAuley Schenker Group (Jeff Pilson [Dokken] e James Kottak [Scorpions]) revela a afinidade que Yokozeki tem com os estilos que impregnaram os anos 80 na terra do Tio Bush, com o clássico batizado de "Straight to your Heart".



Ao passo que Yokozeki juntamente com o baixista Greg Chaisson (Badlands) e o baterista Bobby Blotzer (Ratt) causam uma destruição na instrumental "Camel", os mesmos acompanhado por Jeff Pilson (desta vez, apenas cantando) compõem a inacreditável balada "All the Way to Heaven". A então cozinha do clássico Grin and Bear It do Impellitteri comparece em "Silence, Storm and Sunrise", os multi-bandas Chuck Wright (baixo) e Ken Mary (bateria). E tornam a aparecer na hardeira "Heartbreak", desta vez cantada, ou melhor, extraordinariamente bem cantada por Ray Gillen. E o disco fecha com dois instrumentais trazendo as participações de Jake E. Lee e Craig Goldy, além de outras feras que surgiram ao longo do play.

Sobre a execução por parte de Yokozeki, é desnecessário tecer algum tipo de comentário. Guitarrista criado no Heavy Metal e que bebe no fusion, toca brincando, porém teve a capacidade de criar músicas colocando o sentimento em primeiro plano, além da habilidade absurda para compor Hard/Melodic Rock como fosse especialista e experiente no assunto. Ouço três músicas deste disco praticamente todos os dias e continuo abismado com a qualidade. Sem tirar, nem pôr, aqui está um clássico memorável, e que supera as expectativas de quem ouve esperando apenas checar o desempenho de seus ídolos.

01 - Tears of Sphinx
02 - More Than Enough
03 - Straight to Your Heart
04 - Camel
05 - All the Way to Heaven
06 - Silence, Storm and Sunrise
07 - A Little Bit More
08 - Heartbreak
09 - Mama Again
10 - Raid

Kelly Hansen - vocals on 2
David Glen Eisley - vocals on 3
Jeff Pilson - vocals on 5 and bass on 3,7
Cherie Currie - vocals on 7
Ray Gillen - vocals on 8
Atsushi Yokozeki - guitars
Tim Bogert - bass on 1,10
Rudy Sarzo - bass on 2,9
Chuck Wright - bass on 6,8
Greg Chaisson - bass on 4,5
Carmine Appice - drums on 1,10
Frankie Banali - drums on 2,9
James Kottak - drums on 3,7
Bobby Blotzer - drums on 4,5
Ken Mary - drums on 6,8

Brad Gillis - solo guitar on 4
Jake E. Lee - solo guitar on 9
Craig Goldy - solo guitar on 10

(Links nos comentários - links on the comments)

Dragztripztar

Alguns dos convidados (clique na imagem para ampliar). Um detalhe completamente despropositado é que Ray Gillen sofreu a metamorfose inversa do Michael Jackson. Isso fica ainda mais claro na época do Sun Red Sun.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Bob Catley - Middle Earth [2001]


Epopéia, aparatos medievais, brado ao heroísmo ancestral. Exclusividades do Heavy Metal? Um dos maiores nomes do Aor/Melodic Rock mostra que não. Foi com esses elementos que Bob Catley, frontman do Magnum, deu início a sua carreira-solo com o debut The Tower. Porém, o fator chave no meio dessa temática foi a efêmera abordagem da obra de Tolkien na música homônima de um clássico do Heavy Metal, "Fear of the Dark". Essa abordagem abriu a possibilidade para a inserção do elemento literário. E dessa forma foi concebido o segundo disco, Legends, baseado em personagens notórios da literatura.

Voltemos um pouco mais no tempo, antes dos discos solos de Catley serem lançados. Chegado a década de 90, o Magnum havia jogado a toalha depois de persistir algum tempo contra os gêneros, conhecidos de todos, que a mídia decidiu apostar. Mas o compositor e guitarrista Tony Clarkin tinha algumas demos e pra não desperdiçá-las, criou o projeto Hard Rain, juntamente com Bob Catley, que decidiu depois de pouco tempo abandonar o barco, pra tentar cravar de vez seu nome na história com uma carreira-solo brilhante.


Catley, que nunca teve a habilidade de compor, depois de quase três décadas transmitindo com sua voz as composições de Clarkin, achou em Gary Hughes (vocalista do Ten) o parceiro ideal. Ainda mais depois de saber que Hughes é um grande fã do Magnum. E isso passa longe de demagogia, pois este conseguiu encarnar o espírito das composições de Clarkin para conceber à carreira-solo de Catley. O próprio admitiu que sua intenção sempre foi criar algo que estivesse entre On A Storyteller's Night e Wings of Heaven e repassar com um conceito ainda mais grandioso, que foi exposto no início deste texto.

O auge desse propósito foi quando a literatura abordada no segundo disco, foi levada à uma única obra: The Lord of the Rings. Com Gary Hughes cuidando dos teclados e todas as composições sendo feitas a partir deste instrumento, a atmosfera majestosa sempre esteve presente. Mas em Middle Earth, isso foi acentuado e Hughes apresentou composições mais versáteis e esplêndidas, dando um aspecto que busca se aproximar da importância da obra inspiradora. A reciprocidade de entrega por parte de Catley também cativa, e sem dúvida, conseguiu realizar um dos melhores trabalhos de sua carreira.



Quem conhece o Magnum, sabe que muita coisa feita por essa banda transcendia rótulos, e o que é feito aqui segue à risca essa proposta. Quando se escuta composições como "The Wraith of the Rings", "The End Of Summer (Galadriel's Theme)" e "Where You Lead I'll Follow" sem saber que os músicos provêm de tal cena, é impossível identificar o estilo adotado, tamanha a originalidade. O grande clima oriental passado em "Against the Wind" é tão instigante quanto os sons que caem direto no Melodic Rock, como "The Fields That I Recall" e "City Walls" - essa última lembra muito Meat Loaf no início de carreira -, que são imersas em melodias tão sofisticadas e magnificentes, que jamais soam como algo pré-estabelecido ou batido - coisas que esse gênero, várias vezes, proporciona.

As composições são completas, sem grande apelo comercial, e a emoção cuida de carregar o trabalho. E o maior exemplo disso está na última faixa, a melancólica "The Fellowship". Bob Catley, um vocalista maduro, experiente e acostumado a lidar com músicas emotivas, simplesmente foi as lágrimas quando Gary o apresentou esta canção. E ainda há espaço para relembrar os grandes momentos do Magnum em "This Gallant Band Of Manic Strangers", na linha da clássica "Just Like An Arrow", mas sem teclados 'saltitantes' e com Vinny Burns (também do Ten) arregaçando nos solos.

Middle Earth é inovador e único dentro dos padrões deste estilo. Sem encheção de linguiça, e com uma sonoridade absolutamente viajante, esse álbum figura num patamar muito acima do esperado no AOR. E o convite para essa viagem não vai ser feito por mim, e sim, pelo próprio Bob: "Just give it a chance. You're gonna' love it, or my name isn't Bob Catley." (se referindo à este álbum em entrevista para a Tolkien Society).

01. The Wraith of the Rings
02. I The Fields That I Recall, II Emisary, III The Fields That I Recall (Reprise)
03. City Walls
04. Against the Wind
05. I Where You Lead I'll Follow, II Stormcrow and Pilgrim, III Where You Lead I'll Follow (Reprise)
06. Return of the Mountain King
07. The End of the Summer (Galadriel's Theme)
08. This Gallant Band Of Manic Strangers
09. The Fellowship

Bob Catley - vocals
Vinny Burns - guitar
Steve McKenna - bass
Jon Cooksey - drums
Gary Hughes - keyboards/backing vocals

Tracy Hitchings - additional vocals on "Against the Wind"

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Dragztripztar

É ou não é um Hobbit?

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Unruly Child - Worlds Collide [2010]


Disparado o melhor disco de AOR e a volta mais triunfal desse ano, sem sombras de dúvidas. Por aqui já poderia encerrar esta resenha e voltar para casa, pois será impossível alguém discordar dessa afirmação. Quando penso que tinha ouvido uma maravilha como o novo do Molly Hatchet e que seria impossível superar o mesmo, eis que Mark/Marcie Free chuta a bunda de todos, e que mesmo virando uma moça, é capaz de colocar muito machão pra chorar com seus vocais sensacionais.

Não entrarei em muitos detalhes sobre a história de Marcie, pois o Silver já fez isso de maneira magistral neste post. Após 16 anos de separação, eis que Bruce Gowdy entra em contatos e o (a) convida para a ressurreição do grupo, com os membros originais. Após duas semanas pensando, eis que Free aceita a empreitada. E tudo ainda ficou mais empolgante quando a banda entrou em estúdio. A química que existia entre eles não foi perdida, o que facilitou ainda mais o processo e acabou com a tensão que havia sobre como eles iriam soar após todo esse tempo separados.

E ao ouvir essa pérola, podemos dizer que a volta vou um tiro certeiro, um verdadeiro presente para quem gosta de rock com melodias memoráveis. E sim, Marcie continua a cantar de maneira divina, como sempre fez em toda sua carreira. E o trabalho do grupo todo é memorável, onde criam melodias marcantes, que ficarão durantes dias grudadas na cabeça.Sem falar no talento da dupla Allison/Gowdy, que fizeram quase todas as belas composições aqui presentes. Podemos dizer que esse é um disco que será lembrado posteriormente como uma das pérolas do estilo, pois não tem uma música ruim, ou que foi colocada para encher linguiça.


"Show Me The Money" abre o registro de maneira energética e onde Free canta demais, com uma letra que é uma crítica direta aos valores de nossa sociedade atual. "Insane" mantém o começo agitado do disco, música que não deixa a peteca cair, o que levará os fãs de hard rock ao deleite total, com sua linha de baixo matadora. "When We Were Young" é um AOR polido e trabalhado e um dos grandes destaques do registro, com sua melodia contagiante que irá te remeter diretamente ao que era feito na época clássica do estilo.

A linda balada "Tell Another Lie" é muito bem construída, apesar de sua letra triste, com uma atuação perfeita de toda a banda. "Love Is Blind" é a música mais intensa deste play, com vocais avassaladores, um baixo matador e guitarra cadenciada, sem falar nos refrães memoráveis e seu belo solo, onde o talento de todos os envolvidos é escancarado. "When Worlds Collide" é outro AOR extremamente melódico, ainda que mais calmo comparado a energia da maioria das canções aqui apresentadas. "Talk To Me" é mais uma balada, daquelas feitas para dedicar a pessoa amada, com uma letra muito bonita.

"Read My Mind" é outra baita canção, com mais uma belíssima atuação de Free, cheia de feeling e outro grande refrão. Mas os melhores momentos desse discasso ficaram guardados para seu final. O single desse disco, "Very First Time" é algo indescritível, fico sem definições para a mesma. Essa remete bastante a "Second Time Around", do segundo disco do King Kobra, com sua melodia grudenta, uma música mágica e que ficará durante dias na sua cabeça, com certeza uma das mais marcantes que já ouvi, com uma letra ainda mais bela. E para finalizar temos uma balada composta por Free, "You Don't Understand", que fecha esse disco com a emoção que ele conseguiu manter durante toda a sua execução.

Um registro memorável e que foi uma das maiores surpresas que tive na minha vida. E que divide de maneira honrosa com o Justice o título de melhor disco do ano em minha opinião. Sim, esse é obrigatório ter em sua coleção. Daqueles que terão um lugar especial em sua discografia.




01.Show Me The Money
02.Insane
03.When We Were Young
04.Tell Another Lie
05.Love Is Blind
06.When Worlds Collide
07.Talk To Me
08.Life Death
09.Read My Mind
10.Neverland
11.Very First Time
12.You Don't Understand


Marcie Michelle Free - Vocais
Bruce Gowdy - Guitarras
Guy Allison - Teclados
Larry Antonino - Baixo
Jay Schellen - Bateria


By Weschap Coverdale

sábado, 13 de novembro de 2010

Misha Calvin - Evolution [1993]


Um dos melhores, quiçá o melhor, disco de Melodic Rock de todos os tempos. Essa afirmação não é exagerada, muito menos infundada, e perto do que os fanáticos do estilo falam isso acaba sendo até um menosprezo. Para entenderem melhor, vamos à euforia que tomou conta da cena do Melodic Rock em torno de Misha Calvin, e em especial do seu debut. Derek Oliver da conceituada revista Kerrang, ainda nos anos 80 quando ouviu uma demo de Misha disparou que o então jovem era "o maior guitarrista do mundo". Isso ocorreu quando Misha ainda era um sérvio recém chegado na Inglaterra, beirando os vinte anos.

Mesmo após esse grande "apoio" não foi tão fácil arrumar um contrato, e só dez anos depois Misha soltou seu primeiro trabalho. E os exageros continuaram. "Evolution" é aclamado por alguns como o "melhor debut de Rock de todos os tempos". Isso foi algo afirmado pelo próprio Misha, mas que é a pura verdade, basta checarem os fóruns por aí que constatarão esse e outros elogios demasiadamente fervorosos por fãs do estilo. E não pára por aí, logo que foi lançado, "Evolution" disparou nos charts japoneses em primeiro lugar. Lembrando que Misha Calvin não havia gravado nada anteriormente, era um completo desconhecido.

E tem mais... (risos) Esse álbum foi relançado em 2004 e saiu aqui no Brasil através da Hellion Records. Quem compra cds originais e acompanha os catálogos das gravadoras nacionais sabe que é extremamente raro, e quase milagroso, um selo nacional disponibilizar cds de AOR e Melodic Rock. Claro que apesar do fanatismo e o radicalismo falarem mais alto nos momentos supracitados, devemos levar em consideração que, por mais exageradas que sejam as reações em torno deste trabalho, isso não seria à toa, e nessas circunstâncias deve ser algo, no mínimo, muito bom. Eu troco tudo que dizem em relação a este play e Misha dentro do Rock em geral, como recluso ao Melodic Rock.

Talvez essas reações se devam não só ao talento do guitarrista, mas também às duas feras que ele convidou para cantar em seu debut, os estupendos Tony Martin e Ian Parry. Este último embora não seja tão conhecido, é um dos vocalistas mais conceituados da Holanda. Quando você escuta composições como "Reaper" e a instrumental "Evolution", logo nota que Misha Calvin se trata de um guitarrista e compositor de mão cheia e que demonstra muita maturidade e bom gosto em suas melodias. Porém, é espantoso saber que essas duas composições foram feitas por Misha em 1982, um ano após sua chegada à Inglaterra, e com apenas dezoito anos! Isso pode de alguma forma explicar o grande entusiasmo do redator da Kerrang.

Todas as músicas presentes em "Evolution" são magníficas e passam pra trás os clichês enjoados do estilo. As transições de partes acústicas e elétricas aliadas às camas de teclado muito bem compostas e que complementam de forma significante às músicas, demonstram o cuidado e a categoria aqui presente. E as atuações soberbas de Martin e Parry deixam os sons realmente poderosos. Na abertura do disco com "Strangers", Misha despeja riffs fantásticos com uma sobreposição de palhetadas em ritmos diferentes, e as passagens acústicas sempre presentes dão um dinamismo interessante e se aproximam do Progressivo.




Em "Ready or Not" já dá pra se constatar de vez o diferencial desse guitarrista. Um trabalho de guitarras completamente espontâneo, muito diferente dos riffs e bases engessadas que caracterizam a maioria das bandas do estilo adotado aqui. O solo que fecha essa música também merece destaque. Matador! A balada "Put A Little Faith In Me" possui um refrão profundo e marcante evidenciando o talento de Tony Martin que está com a mesma voz da época do clássico "Headless Cross" (Black Sabbath). Na sequência, o instrumental "Valhalla" abre espaço pra já citada "Reaper", fortemente influenciada pelo Heavy Metal e com a melhor atuação da "cozinha" no disco.

Ian Parry faz sua primeira aparição em "Don't Let It Go", a mais AOR de todas. Um som feito para tocar diante de uma multidão, e que passa todo esse feeling através da utilização de samples de gritaria e aplausos. "Can't Hold Me", também com Ian Parry, é a mais comercial e grudenta de todas, mas nem por isso é uma daquelas composições enfadonhas com bateria marcada, e que depois do refrão ser entoado pela primeira vez já pode pular pra próxima música, pois tudo vai apenas se repetir. Misha pode até apostar em um som acessível, mas não é apelativo de forma alguma.

A base de "Evolution" é o Melodic Rock, mas as passagens AOR (que se confunde com o Melodic Rock, e a despeito das semelhanças, vai de cada um julgar), Prog e Heavy permeiam a sonoridade, e em cada música algum desses elementos surge com mais intensidade. E no gran finale, o progressivo dá as caras e faz de "Heaven Only Knows" uma balada digna de encerrar um disco desta magnitude. Ian Parry costuma se soltar mais nesse tipo de som, de qualquer forma fez um bom trabalho.




Tenho certeza que após escutarem esse cd a maioria vai correr pra buscar o seu original. Mas infelizmente eu adianto que já está fora de catálogo e se tornou uma semi-raridade. No entanto, depois de um bom tempo longe da cena, Misha voltou atualmente e vai lançar uma coletânea onde seu primeiro álbum se encontrará na íntegra. Quem sabe essa coletânea não acaba saindo por aqui também. Eu acho difícil, mas não custa nada esperar.

01 - Strangers
02 - Ready Or Not
03 - Put A Little Faith In Me
04 - Valhalla
05 - Reaper
06 - Don't Let It Go
07 - Can't Hold Me
08 - Evolution
09 - Here I Am
10 - Heaven Only Knows

Tony Martin - Vocals (on 1, 2, 3, 5, 9)
Ian Parry - Vocals (on 6, 7, 10)
Misha Calvin - Guitars
Steve Dunning - Bass
Pete Bernacle - Drums
Martin Lister - Keyboards

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Dragztripztar