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quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Dire Straits - Communiqué [1979]


O talento de Mark Knopfler é incontestável e inegável.

Todos diziam isso, até que, enfim, pude checar por mim mesmo essa suposta genialidade do principal líder criativo de uma das melhores bandas da década de 70 e 80, o Dire Straits. Comecei com o inevitável "Brothers In Arms", e gostei do que ouvi. A partir daí foi vício instantâneo, e o responsável por isso foi "Communiqué", sucessor do auto-intitulado de 1978.

Apesar de ser da mesma época de seu antecessor, "Communiqué" tem mais flertes com o Pop Rock do que qualquer coisa. A pegada mais rock'n'roll do debut fica restrita à primeira metade do full, praticamente. Mas o negócio é que o som é finíssimo e há de agradar a gregos e troianos. Até sua tia vai aprovar o trabalho feito por aqui. Faça um teste.

Há quem cite essa como a melhor fase de toda a história do Dire Straits. Não vou entrar nesse assunto (até porquê não sou nenhum fanático), mas uma coisa tem que ser destacada: o entrosamento é impressionante. Cada membro contribui com o seu melhor, sem deixar espaços para destaques individuais; e é assim que tem que ser.



"Once Upon A Time In The West" é a primeira e tem uma melodia notável. De cara Mark já demonstra que ele foi feito para a guitarra; não há outra explicação. Mas, como eu disse logo acima, destaques individuais são impossíveis. Comprovando essa afirmação há "News", no mesmos moldes da abertura e com um refrão assobiável.

A seguinte é "Where Do You Think You're Going?". Os violões são simplesmente perfeitos. A faixa-título é uma balada com as características de uma boa composição do Straits. "Lady Writer", a mais roqueira, foi o principal hit do álbum. Uma curiosidade sobre ela é que sua letra fala sobre uma escritora chamada Marina Warner, a qual Mark viu num programa de TV.

Mais destaques ficam para todas as canções restantes, com detalhe para a belíssima "Portobello Belle" e a bem trabalhada "Follow Me Home". Enfim, obrigatório!



Mark Knopfler - vocais, guitarra, violões
David Knopfler - guitarra, backing vocals
John Illsley - baixo, backing vocals
Pick Withers - bateria, percussão em "Follow Me Home"

1. Once Upon A Time In The West
2. News
3. Where Do You Think You're Going?
4. Communiqué
5. Lady Writer
6. Angel Of Mercy
7. Portobello Belle
8. Single-Handed Sailor
9. Follow Me Home

Por Gabriel

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sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

ZZ Top - Recycler [1990]


E vamos com mais um power trio.

No início da década de 80, o ZZ Top veio com uma roupagem diferente, tanto visual quanto sonora. As clássicas barbas de Gibbons e Hill deram as caras pela primeira vez, e o rock'n'roll cru e direto de antes foi temperado com a veia pop dos sintetizadores e teclados. Sonoramente falando, "El Loco" de 1981 possuía essas características, fato que desapontou vários fãs dos texanos.

Mas aí veio o arrasa-quarteirão "Eliminator", que acabou com esse desapontamento (e é atualmente o mais vendido do trio). "Afterburner" foi o álbum seguinte, mantendo a veia pop de antes. E podemos dizer o mesmo sobre "Recycler", o décimo registro em estúdio dos figurões.

Lançado em 1990, essa é uma verdadeira pepita na discografia da banda. O entrosamento é peculiar, e a qualidade é espetacular: mesmo com todo o processo tecnológico na gravação, eles conseguem mandar um blues que agradará até os mais puristas.



Como abertura, há "Concrete And Steel", com seu refrão feito sob medida para ser cantado em uníssono por uma arena inteira. "Lovething" é aquela típica composição assinada pelo ZZ Top: refrão chiclete, riffs poderosos e cozinha perfeita. Os sintetizadores aparecem com mais presença na faixa seguinte, "Penthouse Eyes", que, apesar disso, também é feijão com arroz.

"My Head's In Mississippi" ganhou um vídeoclipe e é mais um dos destaques, juntamente com a ótima "Give It Up", a lenta "2000 Blues", e a pop "Doubleback", que fez parte da trilha sonora da película Back To The Future Part III.

No mais, este é um registro que não desapontará os fãs do ZZ dos 70s. Porque com eles é assim: independente do nível tecnológico da aparelhagem usada na gravação, o bom e velho Blues Rock ainda é brindado; como no começo da banda, só que com toques de modernidade que acabam sendo muito bem-vindos.

Baixem!



Billy Gibbons - guitarras, vocais
Dusty Hill - baixo, vocais, teclados
Frank Beard - bateria

01. Concrete And Steel
02. Lovething
03. Penthouse Eyes
04. Tell It
05. My Head's In Mississippi
06. Decision Or Collision
07. Give It Up
08. 2000 Blues
09. Burger Man
10. Doubleback

Por Gabriel

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sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Os Paralamas Do Sucesso – Acústico MTV [1999]


Após um período de poucas vendas e repercussão vivido na primeira metade da década de 1990, Os Paralamas Do Sucesso voltaram a ter sucesso comercial com o registro ao vivo “Vamo Batê Lata”, de 1995. A partir daí, os álbuns posteriores tomaram os holofotes para o trio novamente. De forma cíclica, essa boa fase terminou, aparentemente, com o disco dessa postagem, o memorável “Acústico MTV”, de 1999. Aparentemente e de forma cíclica porque os Paralamas continuaram a fazer sucesso, mas, em 2001, atravessaram pelo momento mais difícil da sua carreira, com o acidente de ultraleve sofrido pelo vocalista e guitarrista Herbert Vianna.



Mas o foco aqui é a parte anterior ao acidente. Registrado nos dias 5 e 6 de junho de 1999, no auditório da Escola de Artes Visuais do Parque Lage, Rio de Janeiro, “Acústico MTV” apresenta 75 minutos da boa música dos Paralamas em formato acústico. A musicalidade, versatilidade e originalidade dos caras são aspectos impressionantes no produto final. Bi Ribeiro e João Barone formam aquela que é, de longe, a melhor cozinha do Brasil, enquanto que Herbert Vianna é um guitarrista de mão cheia, bem como um bom vocalista.

O trio contou com participações muito especiais da Vitória Régia (banda de apoio do saudoso Tim Maia), de Dado Villa-Lobos e dos sempre presentes João Fera, Eduardo Lyra, José Monteiro Júnior, Demétrio Bezerra e Bidu Cordeiro. Além desses vários nomes, a talentosa Zizi Possi deu uma palinha na clássica Meu Erro, em versão repaginada e emocionante.



Entre as clássicas no repertório, a já citada Meu Erro divide espaço com hits do porte de Selvagem, Lourinha Bombril e Uns Dias. Mas a maioria do setlist conta com canções mais desconhecidas, tais como Brasília 5:31, Nebulosa do Amor e Fui Eu, e covers como Que País É Esse? (Legião Urbana), Feira Moderna (Beto Guedes) e o jam com I Feel Good (James Brown) e Sossego (Tim Maia), entre outras. Vale lembrar, também, a presença da inedita Sincero Breu, composta por Herbert e Pedro Luís & a Parede.

Não apenas um sucesso fonográfico (500 mil cópias vendidas no Brasil e um Grammy Latino), “Acústico MTV” foi seguido de uma turnê de muito sucesso que passou por outros países da América Latina, como Chile e Argentina. O acidente de Herbert Vianna em 2001, felizmente, não foi mortal e determinou apenas uma pausa na história do trio, que continua na ativa até os dias de hoje. Os Paralamas Do Sucesso está entre uma das maiores bandas de Rock do Brasil e este acústico é uma grande prova disso.



01. Vulcão Dub/Fui Eu
02. O Trem Da Juventude
03. Manguetown
04. Um Amor, Um Lugar
05. Bora-bora
06. Vai Valer
07. I Feel Good (I Got You)/Sossego
08. Uns Dias
09. Sincero Breu
10. Meu Erro (com Zizi Possi)
11. Selvagem
12. Brasília 5:31
13. Tendo a Lua
14. Que País É Esse?
15. Navegar Impreciso
16. Feira Moderna
17. Tequila/Lourinha Bombril
18. Vamo Batê Lata
19. Life During Wartime
20. Nebulosa Do Amor
21. Caleidoscópio

Herbert Vianna – vocal, violão, guitarra acústica em 7
Bi Ribeiro – baixolão
João Barone – bateria, percussão

Músicos adicionais:
João Fera – piano, percussão em 11 e 12
Eduardo Lyra – percussão
José Monteiro Júnior – sax tenor
Demétrio Bezerra – trompete
Bidu Cordeiro – trombone, cowbell em 2
Zizi Possi – vocal em 10
Dado Villa-Lobos – violão, guitarra acústica em 12

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by Silver

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Red Hot Chili Peppers - I'm With You [2011]


A espera acabou. Cinco anos após o lançamento de “Stadium Arcadium”, é possível conferir “I'm With You”, o décimo álbum da carreira do Red Hot Chili Peppers. A entrada oficial de Josh Klinghoffer ao grupo, em substituição a John Frusciante dividiu os fãs, pois a primeira vez que o guitarrista John Frusciante deixou o grupo, ainda na década de 1990, o registro com seu primeiro substituto Dave Navarro, “One Hot Minute”, dividiu (e ainda divide) opiniões.

Mas não há nada a temer. Enquanto guitarrista, o estilo de Klinghoffer se assemelha muito ao de Frusciante, então mudanças bruscas não permeariam “I'm With You”. Aliás, a primeira sensação durante a audição do álbum é de "atendimento" ao que se previa – em um sentido positivo. O melhor do que consagrou o Red Hot Chili Peppers em discos como “Californication” e “By The Way” está aqui. Com qualidade e sem grandes inovações.

Monarchy Of Roses abre o álbum com um "quê" alternativo e distorcido, mas rapidamente volta ao esperado Rock funkeado que o Red Hot faz como ninguém. O entrosamento de Flea, baixista, e Chad Smith, baterista, é algo de outro mundo e a dupla irá guiar praticamente todo o registro. Josh Klinghoffer apresenta seu cartão de visitas sem exibicionismos e permanece assim até o fim. Anthony Kiedis faz o mesmo de sempre nos vocais, mas parece mais versátil nesta primeira faixa.



Em seguida, Factory Of Faith é guiada pelo groove de Flea e Smith. Melhores linhas vocais tornariam a música muito boa, pois tem um refrão grudento, mas manteve o nível mediano. Brendan's Death Song tem um início calmo e acústico e cresce à medida que o tempo passa. Canção incrível, uma das melhores do registro, com ótima performance de Kiedis e Klinghoffer. Etihopia retoma o groove, mas com uma dosagem Pop. Klinghoffer impressiona novamente, mas o destaque desta faixa – e de todo o álbum – é o baixo.

Annie Wants A Baby está mais para o Pop. As linhas de bateria de Chad Smith acrescentam um clima dramático sensacional para a música. A animada Look Around segue com a mesma pegada de uma canção qualquer de “Californication”, com maior aparição da guitarra e um refrão feito para ser cantado em arenas. The Adventures Of Rain Dance Maggie não atende às expectativas de um single primário, mas não deixa de ser uma boa canção. Apresenta bem a transição leve, porém essencial, entre o Red Hot Chili Peppers de anos atrás e agora.



Did I Let You Know tem um swing incrível, principalmente graças ao grande trabalho de Chad Smith. Trilha sonora de praia caribenha, com direito a solo de trompete e tudo o mais. Apresenta, com mais destaque, uma cama de teclados que parece permear todo o registro. Goodbye Hooray, direta, seria melhor como faixa de abertura. Smith segue inspirado e guiando a banda com ótimas linhas de bateria. Apesar da sutil diferença de timbres, Josh toca como John Frusciante nessa faixa. O solo de baixo no meio da música conquista qualquer um.

Happiness Loves Company traz uma novidade: piano. A levada, altamente Pop Rock, faz com que eu aposte na música como um próximo single, talvez com maior impacto do que Adventures. A balada Police Station quebra o clima e dá uma sensação nostálgica ao ouvinte. Quando a música transcende as caixas de som e transmite sentimentos para quem a escuta, sua qualidade é incontestável. Os teclados marcam presença novamente, apesar de mais discretos. Peca apenas por não ter um solo de guitarra marcante.

Even You Brutus? mistura o Funk Rock clássico com o Pop, novamente com a presença de teclados. A música implorava por uma performance mais inspirada de Anthony Kiedis, mas o vocalista não atendeu. Boa, mas poderia ser melhor. Meet Me At The Corner, lenta, não conta com a mesma emoção das outras baladas, apesar de apresentar mais ênfase nas guitarras. O fechamento fica por conta da estranha Dance, Dance, Dance, que não vai fazer ninguém dançar a não ser por alguns momentos finais – só vai desapontar, por se aguardar mas não ter uma grandiosa faixa de encerramento.



No geral, “I'm With You” é sensacional. Conta com momentos inspiradíssimos e é musicalmente mais arrojado do que os antecessores, por contar com uma gama de instrumentos maiores e um músico versátil como Josh Klinghoffer, que não decepcionou apesar da pressão. Há dois problemas: a ausência de um verdadeiro hit, para arrastar multidões, e a falta de linearidade nas últimas faixas, que não são boas como as primeiras. Deve-se aguardar, todavia, o amadurecimento da parceria entre Josh e os outros integrantes. Promete render frutos ainda melhores.

01. Monarchy Of Roses
02. Factory Of Faith
03. Brendan’s Death Song
04. Ethiopia
05. Annie Wants A Baby
06. Look Around
07. The Adventures Of Rain Dance Maggie
08. Did I Let You Know
09. Goodbye Hooray
10. Happiness Loves Company
11. Police Station
12. Even You Brutus?
13. Meet Me At The Corner
14. Dance, Dance, Dance

Anthony Kiedis - vocal
Josh Klinghoffer - guitarra, teclados, backing vocals
Flea - baixo, trompete, piano, backing vocals
Chad Smith - bateria, percussão

Músicos adicionais:
Greg Kurstin - piano, teclados
Money Mark - órgão em 6
Mauro Refosco - percussão
Lenny Castro - percussão
Michael Bulger - trompete em 8

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by Silver

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Cheap Trick – Heaven Tonight [1978]



Cheap Trick é uma das maiores bandas de rock dos Estados Unidos. Talvez a sua fama não tenha atingido as terras tupiniquins ou a Europa com a mesma força que atingiu o mercado norte americano, mas, por lá, os caras são deuses.

Mais uma banda em que os componentes assumem características de personagens, cada capa de disco é uma piada a parte. Enquanto Robin Zander (guitarra e vocais) e Tom Petersson (baixo e vocais) fazem as vezes de rockstars lindos e pomposos, Rick Nielsen, uma das maiores feras da guitarra do rock, faz o papel do nerd maluco, e Bun E. Carlos (bateria) representa um burocrata em final de expediente.

Heaven Tonight é um clássico da contracultura norteamericana. Rick Nielsen é o principal compositor e, ao vivo, faz diversas maluquices, como tocar uma guitarra de cinco braços, caras e bocas para o público e as câmeras, enfim, um performer que tira sarro da indústria de rockstars criada pelas companhias da sua terra natal.



Heaven Tonight é o terceiro disco da banda e o que originou a megaturnê que resultou no clássico ao vivo Live At Budokhan. Também é conhecido como o primeiro disco a ter um baixo de 12 cordas gravado e é o preferido de toda a vasta carreira do produtor Tom Werman (Ted Nugent, Blue Öyster Cult, Molly Hatchet, Twisted Sister, Mötley Crüe, Stryper, L.A. Guns, Poison e mais uma porrada de hardeiros que fazem a nossa alegria). A reedição foi produzida por ninguém menos que Bruce Dickinson. Estamos diante de um clássico.

Sobre Tom Werman, é importante frisar que ele tem um currículo invejável de discos de ouro e platina sob sua batuta. O Girls Girls Girls, do Mötley, é dele e, embora Nikki Sixx diga em sua autobiografia que Tom estragou aquilo que ele considera uma grande obra, eu imagino que o disco só saiu por causa da organização do produtor, afinal, 1987 não foi um ano bom para Nikki e sua turma.

Enquanto, na capa, os linduchos fazem beicinho pra foto, na contracapa a dupla Nielsen e Carlos se arrumam no banheiro. Esse é o típico senso de humor do Cheap Trick, uma banda que sempre soube se reinventar para o seu público, mesmo em tempos difíceis.

Surrender abre o disco de forma magistral. Teclados que seriam a cama padrão do hard rock da década seguinte, traz guitarras fuzz com um sotaque quase punk que culminam em um refrão para todo mundo cantar junto. Exatamente o que os norteamericanos gostam.



On Top Of The World é aquele rock’n’roll típico do final dos anos 70. Me lembra o já postado aqui Rocky Burnette. California Man, de Roy Wood, é uma ode (ou paródia) aos Beach Boys, com um sotaque tipicamente Cheap Trick. Guitarras discretas jogando para o time, e cozinha simples, mas firme.

High Roller tem cara de balada, mas sem melar a cueca. É rock, simples e direto. Auf Wiedersehen tem aquele contrabaixo de 12 cordas já mencionado aqui. Taking Me Back é, definitivamente, uma balada, com vocais harmonizados e cara de pop. On The Radio mostra o lado riffman de Nielsen, apesar de, mais uma vez, suas guitarras permanecerem discretas. O ruim deste disco (e a culpa é do produtor) é o pouco cuidado com os timbres de guitarra. Parece que o disco inteiro foi gravado com um único timbre, uma mesma guitarra e um mesmo amplificador. E isso não é somente para ouvidos acurados, pois é perceptível a todo momento. Sinto uma falta enorme de ambiências sonoras com texturas de guitarras. E Nielsen tem cacife para isso.

A música que dá nome ao play é uma balada lenta e claustrofóbica, que nos brinda com quase seis minutos de uma psicodelia que foge do padrão do grupo. Pode ser boa, ou não, dependendo do estado de espírito de quem ouve.

Um disco de rock cru e direto, que fez a cabeça da molecada naqueles That 70’s show. Transporte-se para a época e pense que ninguém precisava usar a porra do protetor solar; ou se preocupar em fazer cursinho para ter carteira de motorista; ou ficar apreensivo quando parado no semáforo de madrugada; ou AIDS. Enfim, tempos que não voltam mais.

Track List

1. Surrender
2. On Top of the World
3. California Man
4. High Roller
5. Auf Wiedersehen
6. Takin' Me Back
7. On the Radio
8. Heaven Tonight
9. Stiff Competition
10. How Are You?
11. Oh Claire

Robin Zander (guitarra e vocais)
Tom Petersson (baixo e vocais)
Rick Nielsen (guitarras)
Bun E Carlos (bateria)

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Por Zorreiro

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Oasis - MTV Unplugged [1996]


Na metade da década de 1990, o Oasis era uma das maiores bandas do mundo. O quinteto, liderado pelos irmãos Gallagher, lotava estádios por todo o mundo, vendia cópias do recém-lançado "(What's The Story) Morning Glory?" e tinha um concerto agendado para 23 de agosto de 1996, no Royal Festival Hall de Londres, para gravar um episódio do MTV Unplugged, quadro da MTV em que as bandas se apresentam em formato acústico - geralmente só se apresentava em determinado momento aqueles que estavam no auge.

Mas, por pouco, este show não aconteceu. Quando o grupo estava prestes a adentrar o palco, o vocalista Liam Gallagher simplesmente afirmou que não iria se apresentar devido a uma dor de garganta. Seu irmão e guitarrista, Noel Gallagher, não se intimidou e entrou para o palco com os outros integrantes, assumindo os vocais e o violão. Enquanto isso, Liam parecia ter esquecido de sua dor de garganta pois acompanhou o concerto bebendo algumas cervejas e fumando cigarros. O frontman justificou sua ausência do palco posteriormente, alegando não gostar do formato acústico.



O registro dessa postagem traz essa apresentação histórica, que não foi lançada em formato oficial, mas merecia, já que o resultado final saiu melhor que muitos outros discos do Oasis. Noel nunca precisou de Liam para brilhar, tanto que, particularmente, o considero um grande vocalista - melhor que seu irmão -, além de ser o compositor de 99% das músicas do grupo. E os músicos de apoio, muito competentes, cumprem com maestria seus respectivos papéis.

Muito bem escolhido porém curto, o repertório contém apenas Live Forever do álbum de estreia, "Definitely Maybe", enquanto que todo o resto é constituído por canções recentes, de "(What's The Story) Morning Glory?" e alguns B-sides de singles, como The Masterplan e Talk Tonight. Os destaques da noite vão para as impecáveis versões de Don't Look Back In Anger, Some Might Say e a radiofônica Wonderwall.



01. Hello
02. Some Might Say
03. Live Forever
04. The Masterplan
05. Don't Look Back In Anger
06. Talk Tonight
07. Morning Glory
08. Round Are Way
09. Cast No Shadow
10. Wonderwall

Noel Gallagher - vocal, violão
Paul Arthurs - violão
Paul McGuigan - baixo
Alan White - bateria

Músicos adicionais:
Mark Feltham - gaita
Mike Rowe - teclado, órgão

Há uma pianista e vários outros músicos com violinos, violoncelo e instrumentos de sopro, mas desconheço os nomes.

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by Silver

terça-feira, 19 de julho de 2011

ZZ Top – Afterburner [1985]


Rock’n’roll de verdade é aquele que permanece bagaceira mesmo com todo o aparato tecnológico disponível em um estúdio de última geração.

Pois foi exatamente essa a sensação que Afterburner passou ao ser lançado no longínquo ano de 1985.

Os barbudos haviam atingido o mundo em cheio com seu espetacular Eliminator. A grana jorrava pra dentro dos cofres e o anseio por uma continuação à altura era inevitável por parte da gravadora. Geralmente as bandas sucumbem exatamente nesse momento, mas não nossos bravos heróis do Texas.

Quem conhece e gosta do trio sabe que, por mais que tenham toda a parafernália disponível em estúdio e os tempos exijam um som altamente processado, como era naquela metade dos anos 80, o woogie boogie sempre correu solto nas veias dos caras. E Afterburner trouxe o maravilhoso óbvio. Assim como Motorhead, AC/DC e Ramones, o ZZ Top sempre nos presenteou com aquilo que esperamos deles: rock’n’roll na cara. E o nono disco da banda não poderia decepcionar.

Aqui temos verdadeiras pérolas que nunca figuraram nos grandes charts. Apesar de Dusty Hill ter segurado os teclados e o baixo que, por vezes, parece sintetizado demais, tente não se envolver por Can’t Stop Rockin’. Uma pedrada de bodoque no queixo. Parece que o tempo não passou e sempre estivemos naquele rancho poeirento do Texas levando um solaço na moringa.

A superprodução aparece em Rough Boy, executada até hoje nos shows da banda. Um baladão com alto feelin’, mas que hoje soa processado demais. Para sanar o problema, vamos às versões ao vivo. Apesar de que gosto dessa assim mesmo. Sleeping Bag também foi feita sob encomenda para vender naquela época e, a despeito da bateria descaradamente eletrônica, traz um dos melhores timbres de guitarra de Gibbons.


Mas não vou cair na tentação de ficar me lamuriando e dizendo como ficaria melhor isso ou como ficaria melhor aquilo. As composições, que é o que realmente interessa, são inspiradíssimas e todo o play merece destaque. Woke up With Wood (que quer dizer isso, meu Deus?) é simplesmente fantástica. Um daqueles boogies que ficam segurando em um único acorde com pequenas variações até a tensão ficar insuportável para, a seguir, entrar um refrão carregado seguido de um riff/solo de guitarra. Onde está a genialidade disso? Simples: foge das formulas às quais estamos acostumados a ouvir em quase tudo o que nos é apresentado.

Planet of Women é outro rockão que parece ter saído das gravações de Eliminator. Como uma continuação de Legs ou Gimme All Your Lovin’, deveria, ao meu ver, ter sido trilha sonora de Top Gun. Lembra, por vezes, o Cheap Trick da mesma época. E isso é bom. Ah! O ZZ foi cotado para a trilha do filme, por isso a referência aqui.


“Planet of women, oh yeah, driving me insane...”

I Got The Message é pop até a medula, mas sempre com um drivezinho sacana segurando as pontas. Os vocais são os destaques, com Gibbons e Hill mandando ver em uníssono determinadas partes. Velcro Fly (outro título maluco) parece, sim, ter sido feita para encher linguiça. Mas tudo bem. Se encaixa no contexto e não deixa o disco menos expressivo.

Vai a dica: no verão, na beira da piscina, encha sua casa de gatas com biquínis grandões estilo fraldão, cada uma usando óculos escuros com armações grandes e bem coloridas, abra umas quantas geladas e esqueça o amanhã. Que a ressaca seja a menor das consequências. Essa é a trilha sonora.



Entende o que eu quero dizer?

Track List

1. "Sleeping Bag" – 4:03
2. "Stages" – 3:32
3. "Woke Up with Wood" – 3:45
4. "Rough Boy" – 4:50
5. "Can't Stop Rockin'" – 3:02
6. "Planet of Women" – 4:04
7. "I Got the Message" – 3:27
8. "Velcro Fly" – 3:29
9. "Dipping Low (In the Lap of Luxury)" – 3:11
10. "Delirious" – 3:41

Billy Gibbons (guitarra e voz)
Dusty Hill (baixo, teclados e voz)
Frank Beard (bateria)

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Por Zorreiro

segunda-feira, 18 de julho de 2011

David Bowie e Stevie Ray Vaughan – The Rehearsal Tapes (aka Dallas Moonlight) [1983]


Resolvi garimpar alguma coisa sobre essa fase tão obscura do Camaleão Bowie com Stevie Ray Vaughan em sua banda e encontrei essa verdadeira preciosidade.


Gravado em 23 de abril de 1983, em Dallas, Texas, aqui estão as gravações do ensaio para a turnê que nunca aconteceu. A Serious Moonlight Tour.


David Bowie, um dos músicos com o maior senso de timming da história do rock, viu que o jovem Stevie Ray Vaughan estava ressuscitando o blues nos grandes charts. Depois de centenas de evoluções e ramificações do estilo nos anos 70, o texano estava chamando muita atenção do grande público com seu timbre de guitarra limpo, quase twang, fruto da combinação Fender Stratocaster/ Fender Twin Reverb (ou qualquer outro amp valvulado Fender) associado aos licks clássicos de Albert King e Buddy Guy.

A empreitada parecia perfeita: Bowie entraria nos anos 80 com cara nova enquanto o jovem Stevie Ray conseguiria a atenção necessária para alavancar definitivamente a sua carreira. Era a fome encontrando a vontade de comer.


Dessa parceria saiu o disco Let’s Dance, de David Bowie. Porém, duas questões sempre me intrigaram:


1) Onde, exatamente, está a guitarra de Vaughan no disco? A mixagem simplesmente esconde o trabalho do texano e, se considerarmos que existem outras participações, como a do guitarrista Nile Rodgers (Chic, que também produziu o álbum) bem como pouquíssimos solos, encontrar o timbre Vaughan nas músicas acaba sendo um trabalho de pesquisa; e


2) Por que, afinal, nunca houve uma tour de Bowie com Vaughan na banda, se sabemos que eles chegaram a ensaiar para ela.


"No livro da biografia de David Bowie, ele conta que SRV não pode ir para a tour porque houve um desentendimento entre o produtor de Stevie e os produtores do Bowie, onde o produtor de Stevie queria que ele ficasse em solo americano para que fosse dado inicio ao seu disco de estréia o mais rápido possível, pois o produtor já havia dado entrada neste processo de gravação, e isto de fato aconteceu, mas no livro, conta que foi um momento muito triste, disse o então o baixista da banda, Carmine Rojas, que Stevie chegou a estar no táxi a caminho do aeroporto, mas enquanto eles descarregavam as bagagens, Stevie recebe um telefonema de seu produtor, e ele mesmo querendo viajar, tem sua passagem cancelada e fica impedido de embarcar, então Stevie volta sozinho no mesmo táxi que o leva até o aeroporto com aquela sensação de tristeza no ar que contagiou a todos"."

Renan Stark (via comentários)


Pois as perguntas acabam sendo bastante difíceis de responder. Mas o que lhes trago aqui é a gravação dos ensaios, como todo o repertório que depois seria executado ao vivo sem Stevie. As guitarras são proeminentes e Bowie dá total liberdade ao texano para executar suas firulas. Nem os fabulosos solos originais de Mick Ronson foram respeitados. E seria difícil fazê-lo, afinal, todos sabemos que os solos de Stevie Ray Vaughan são fruto da pura inspiração do momento. Existe outra gravação do dia 27 rolando na net, mas aqui está a primeirona.


Let’s Dance


Track List


Cd 1


1. Star (3:23)

2. Heroes (5:05)

3. What In The World (3:54)

4. Look Back In Anger (3:01)

5. Joe The Lion (3:00)

6. Wild Is The Wind (4:59)

7. Golden Years (4:15)

8. Fashion (3:22)

9. Lets Dance (5:23)

10. Red Sails (3:55)

11. Breaking Glass (3:09)

12. Life On Mars (3:51)

13. Sorrow (2:45)

14. Cat People (Putting Out Fire) (4:19)

15. China Girl (5:35)

16. Scary Monsters (Super Creeps) (3:51)

17. Rebel Rebel (2:24)

18. I Can't Explain (2:39)

19. White Light White Heat (4:41)


Cd 2


1. Station To Station (9:07)

2. Cracked Actor (3:20)

3. Ashes To Ashes (3:58)

4. Space Oddity (4:36)

5. Young Americans (5:29)

6. Soul Love (3:07)

7. Hang Onto Yourself (3:23)

8. Fame (4:15)

9. TVC15 (4:16)

10. Stay (7:11)

11. Jean Genie (6:15)

12. Modern Love (5:19)


David Bowie (vocais e guitarra)

Carlos Alomar (percussão)

Tony Thompson (bateria)

Frank e George Simms (backing vocais)

Steve Ray Vaughan (guitarras)

Carmine Rojas (baixo)

Dave Lebolt (teclados)

Lenny Pickett, Steve Elson e Stan Harrison (sopros)


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Por Zorreiro

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Red Hot Chili Peppers - The Adventures Of Rain Dance Maggie [2011]


A expectativa e até mesmo a pressão sob o novo Red Hot Chili Peppers era - e ainda é - grande. A saída de John Frusciante pegou todo mundo de surpresa e, apesar de ter sido pacífica, ainda é nebulosa, pois vai além das declarações de "dedicação a outros projetos". Mas o substituto, Josh Klinghoffer, era da casa: o multi-instrumentista já havia trabalhado com a banda em alguns shows da turnê do álbum "Stadium Arcadium" e com o Frusciante em vários álbuns solo, além de ser amigo pessoal de seu antecessor.

O álbum "I'm With You", primeiro com Josh, será lançado em 30 de agosto. Mas o primeiro single do play, The Adventures Of Rain Dance Maggie, saiu antes do disco. O single, que seria lançado daqui três dias, foi lançado hoje no site oficial da banda porque vazou antes da hora.

Caso The Adventures of Rain Dance Maggie resuma a sonoridade do play, é interessante ressaltar que o Red Hot Chili Peppers está diferente. Nem melhor, nem pior, apenas diferente. Era de se esperar, pois John Frusciante é um músico de identidade muito forte e seria muito complicado continuar fazendo o mesmo trabalho que antes em sua ausência.

Em suma, a música traz uma grande presença do baixo de Flea - algo que não era constante no último lançamento da banda, "Stadium Arcadium". A guitarra de Klinghoffer ficou em segundo plano, se sobrepondo apenas em alguns momentos. O trabalho de Anthony Kiedis e Chad Smith permanece constante como esperado, com destaque à performance sempre genial do baterista.

Apesar do refrão grudento, o resto da música não emplaca muito. A ausência de backing vocals também é um grande apesar, pois Frusciante fazia isso muito bem. Não tem a força de um hit, quem dirá de um single primário. Mas não deixa de ser uma boa canção. Vale a conferida, só não espere John - espere Josh.

01. The Adventures Of Rain Dance Maggie

Anthony Kiedis - vocal
Josh Klinghoffer - guitarra
Flea - baixo
Chad Smith - bateria

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by Silver

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Duran Duran - Rio [1982]



Uma das coisas que mais me irritam na Combe são quando aparecem os grandes trOOs que vem "defender" que o rock é para crítica social, para ser machão e tudo mais. E muitas vezes são esses mesmos que idolatram bandas como Van Halen, Kiss, Poison e muitas outras em que o foco eram apenas a diversão, fazer festa, encher a cara e farrear com um monte de mulheres ao redor. E este espírito que o rock proporciona influênciaram muitas outras bandas de pop que cravaram clássicos ao se inspirarem nesta faceta, que é a de fazer festa.

E para mim, uma dessas bandas pop que mais promoveu este espírito fanfarrão e até mesmo canastrão do rock que muitos de nós aqui gostamos foi o Duran Duran. Formado por músicos competentes, como Andy Taylor e a poderosa cozinha Jonh e Roger Taylor, eles aproveitaram esse espírito de festa do rock e o multiplicaram por mil, com músicas memoráveis que fizeram a cabeça de quem foi adolescente durante os anos 80.


E o melhor exemplo disso foi o segundo disco do grupo, o clássico "Rio", que foi o responsável pela explosão definitiva do grupo e a consagração do mesmo em nível mundial. E isto não foi à toa, pois aqui temos canções memoráveis e trabalhos perfeitos de todo o grupo, tanto que este álbum é figurinha carimbada em qualquer lista que se promova sobre grandes discos dos anos 80 e conseguiu obter ótimas posições em todos os charts na época, como o segundo lugar na parada britânica e o sexto na Billboard, onde ficou por 129 semanas.

E a faixa de abertura nos responde porque. "Rio" começa incendiando tudo que estiver ao redor, com grande destaque para a cozinha, que faz um trabalho perfeito e sincronizado entre si, onde a sua vontade será a de querer sair dançando por aí sem dar satisfação a nada e nem nínguem. E o baixão de John mais uma vez se faz muito presente na ainda mais dançante "My Own Way", em que Le Bon principalmente no refrão nos cativa com linhas vocais bacanas. A clássica "Hungry Like The Wolf" abre espaço agora para que Andy mande bala em riffs bem simples e legais durante a música, que levanta até defunto e alegra qualquer ambiente.



E tome mais festa em "Hold Back The Rain", com seu refrão arrebatador, onde Le Bon agora manda vocais muito legais e Rhodes manda aqueles teclados climáticos que eram a moda do pop dos anos 80 e que tornavam as músicas ainda mais legais. "New Religion" continua a festa que todo o disco transmite e com um astral lá em cima, não dando chance para que a qualidade aqui caia. "Save A Prayer" é uma das maiores baladas dos anos 80 e grava na cabeça desde sua primeira execução, tanto que em seus primeiros acordes já é possível a reconhecer facilmente. "The Chaffeur" fecha o registro de maneira estranha, pois é totalmente diferente das outras músicas, mas ainda assim é legal para viajar.

Então se você é daqueles que pensam que rock é coisa pra adolescente que gosta de pagar de rebelde sem causa, saiba que o rock é muito mais que isso. E se você acha que estou errado e quer pagar de revoltadinho e me xingar muito no twitter porque está revoltado, evoco as sábias palavras de Dave Mustaine: "What do you mean, "I hurt your feelings"? / I didn't know you had any feelings". Sai desse quarto, desse pc e se lembre que a vida é muito mais de que querer tacar fogo no mundo. Prefiro tacar fogo na pista com umas gatinhas ouvindo Duran Duran. E creio que nosso saudoso amigo Sueco a quem dedico esta postagem, há de concordar comigo.




1.Rio
2.My Own Way
3.Lonely In Your Nightmare
4.Hungry Like the Wolf
5.Hold Back the Rain
6.New Religion
7.Last Chance on the Stairway
8.Save a Prayer
9.The Chauffeur

Simon Le Bon - Vocais
Andy Taylor - Guitarra
John Taylor - Baixo
Roger Taylor - Bateria
Nick Rhodes - Teclados


By Weschap Coverdale

domingo, 17 de abril de 2011

The Beatles - Live at the BBC [1994]



Das gravações da Rádio BBC, de Londres, algumas foram perdidas e depois achadas, enquanto outras foram perdidas para sempre. Imagine só. Perder apresentações inéditas dos fab four realizadas no seu ápice criativo, entre 1962 e 1965. E não foram eles as únicas vítimas dessa desídia de uma das instituições mais tradicionais da transmissão de dados britânica.

São 69 faixas dispostas em dois cd's que contém o que de melhor a música pop do quarteto pode oferecer: guitarras perfeitas, baixo contagiante, bateria levada e os melhores vocais da história do rock. Talvez você não concorde com a última afirmação, mas não pode negar a influência desses quatro em tudo o que é gravado hoje em dia.

Aqui está uma banda com gana e atitude que, por vezes, destoa daquela que conhecemos através da produção perfeita de George Martin. Aliás, Martin foi o responsável pela masterização digital dessas preciosidades.

Gravadas entre março de 1962 e junho de 1965, as apresentações trazem os programas de rádio quase na íntegra, com entrevistas (13 das 69 faixas são diálogos) e locuções intercalando as canções. O repertório abrange os quatro primeiros discos da banda, além de clássicos do rock'n'roll.

Tente não se emocionar com Lennon tentando imitar Elvis em I Got a Woman, ou McCartney tentando imitar Little Richard em Lucille. Essas gravações são, além de um excelente petisco para saber como eram os fab four ao vivo (eles abandonaram os palcos em 66 para se dedicarem exclusivamente aos estúdios), um rol de homenagens aos seus ídolos e uma verdadeira celebração ao bom e velho rock'n'roll na forma como deve ser feito: cru e direto. Sem "donzelices".

I'll Be On My Way é de autoria de Lennon e McCartney e nunca saiu oficialmente em nenhum disco dos Beatles. Várias faixas nunca foram lançadas oficialmente pelo quarteto, portanto, a coisa é fina. I Saw Her Standing There tem aqui a sua versão definitiva, com McCartney destruindo suas cordas vocais. Ticket to Ride mostra um lado de Lennon que viria a se intensificar nos anos seguintes: o de composições de ritmos e melodias complexas, com letras cotidianas e simples mas que fugiam da temática padrão das bandas de pop rock.

Importante trazer algumas informações constantes no encarte (que, convenhamos, é primoroso): Recording information: Aeolian Hall Studios, London, England (01/22/1963-05/26/1965); BBC Paris Theatre, London, England (01/22/1963-05/26/1965); Broadcasting House Concert Hall, London, England (01/22/1963-05/26/1965); Maida Vale Studios, London, England (01/22/1963-05/26/1965); Piccadilly Theatre, London, England (01/22/1963-05/26/1965); Playhouse Theater, Manchester, England (01/22/1963-05/26/1965); Playhouse Theatre, London, England (01/22/1963-05/26/1965).

Foram cinquenta e duas apresentações com 88 músicas no total. Somente 56 músicas se salvaram e aparecem nessa compilação.

Track List

Disco 1

1. "Beatle Greetings" (diálogo)
2. "From Us to You" (John Lennon-Paul McCartney)
3. "Riding on a Bus" (diálogo)
4. "I Got a Woman" (Ray Charles)
5. "Too Much Monkey Business" (Chuck Berry)
6. "Keep Your Hands off my Baby" (Goffin-King)
7. "I'll Be On My Way" (John Lennon-Paul McCartney)
8. "Young Blood" (Leiber and Stoller-Doc Pomus)
9. "A Shot of Rhythm and Blues" (Thompson)
10. "Sure to Fall (In Love with You)" (Carl Perkins-Claunch-Cantrell)
11. "Some Other Guy" (Leiber-Stoller-Barrett)
12. "Thank You Girl" (John Lennon-Paul McCartney)
13. "Sha la la la la!" (diálogo)
14. "Baby It's You" (Mack David-Burt Bacharach-Barney Williams)
15. "That's all Right (Mama)" (Arthur Crudup)
16. "Carol" (Chuck Berry)
17. "Soldier of Love" (Cason-Moon)
18. "A Little Rhyme" (diálogo)
19. "Clarabella" (Pingatore)
20. "I'm Gonna Sit Right Down and Cry (Over You)" (Thomas-Biggs)
21. "Crying, Waiting, Hoping" (Buddy Holly)
22. "Dear Wack!" (diálogo)
23. "You Really Got a Hold on Me" (Smokey Robinson)
24. "To Know Her is to Love Her" (Phil Spector)
25. "A Taste of Honey" (Marlow-Scott)
26. "Long Tall Sally" (Johnson-Richard Penniman-Otis Blackwell)
27. "I Saw Her Standing There" (John Lennon-Paul McCartney)
28. "The Honeymoon Song" (Theodorakis-Sansom)
29. "Johnny B Goode" (Chuck Berry)
30. "Memphis, Tennessee" (Chuck Berry)
31. "Lucille" (Collins-Richard Penniman)
32. "Can't Buy Me Love" (John Lennon-Paul McCartney)
33. "From Fluff to You" (diálogo)
34. "Till There was You" (Wilson)

Disco 2

1. "Crinsk Dee Night" (diálogo)
2. "A Hard Day's Night" (John Lennon-Paul McCartney)
3. "Have a Banana!" (diálogo)
4. "I Wanna Be Your Man" (John Lennon-Paul McCartney)
5. "Just a Rumour" (diálogo)
6. "Roll Over Beethoven" (Chuck Berry)
7. "All My Loving" (John Lennon-Paul McCartney)
8. "Things We Said Today" (John Lennon-Paul McCartney)
9. "She's a Woman" (John Lennon-Paul McCartney)
10. "Sweet Little Sixteen" (Chuck Berry)
11. "1822!" (diálogo)
12. "Lonesome Tears In my Eyes" (Johnny Burnette-Dorsey Burnette-Paul Burlison-Mortimer)
13. "Nothin' Shakin'" (Fontaine-Calacrai-Lampert-Gluck)
14. "The Hippy Hippy Shake" (Romero)
15. "Glad All Over" (Bennett-Tepper-Aaron Schroeder)
16. "I Just Don't Understand" (Wilkin-Westberry)
17. "So How Come (No One Loves Me)" (Boudleaux Bryant)
18. "I Feel Fine" (John Lennon-Paul McCartney)
19. "I'm a Loser" (John Lennon-Paul McCartney)
20. "Everybody's Trying to be my Baby" (Carl Perkins)
21. "Rock and Roll Music" (Chuck Berry)
22. "Ticket to Ride" (John Lennon-Paul McCartney)
23. "Dizzy Miss Lizzy" (Larry Williams)
24. "Medley: Kansas City/Hey! Hey! Hey! Hey!" (Leiber and Stoller)/(Richard Penniman)
25. "Set Fire to That Lot!" (diálogo)
26. "Matchbox" (Carl Perkins)
27. "I Forgot to Remember to Forget" (Kelser-Feathers)
28. "Love These Goon Shows!" (diálogo)
29. "I Got to Find my Baby" (Chuck Berry)
30. "Ooh! My Soul" (Richard Penniman)
31. "Ooh! My Arms" (diálogo)
32. "Don't Ever Change" (Goffin-King)
33. "Slow Down" (Larry Williams)
34. "Honey Don't" (Carl Perkins)
35. "Love Me Do" (John Lennon-Paul McCartney)



John Lennon (guitarra, violão e vocais)
Ringo Starr (bateria e vocais)
George Harrison (guitarra, violão e vocais)
Paul McCartney (baixo e vocais)

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Por Zorreiro

terça-feira, 12 de abril de 2011

Bruce Springsteen - Born In The U.S.A. [1984]

Desde o início de sua carreira, Springsteen sempre foi o artista que mais mostrou estar ligado com os sonhos, desilusões, esperanças e tristezas do povo norte americano. Isso ficou muito claro em discos como "Born To Run", em seu ressurgimento após o atentado de 11 de setembro com "The Rising" ou ainda a falta de esperança em "Darkness On The Edge Of A Town". Mas o ápice desse envolvimento se deu com o lançamento do mais celebrado disco de sua carreira, o clássico "Born In The U.S.A.".

A capa com ele de costas e ao fundo a bandeira americana e o título do mesmo podem deixar bem claro que ele era apenas mais um nacionalista babaca a fim de promover o "american way of life" para o restante do mundo. Mas para quem deixa a impressão inicial de lado, ao escutar principalmente a faixa-título, verá o quanto é veraz aquele famoso dito popular de que "as aparências enganam". Pois aqui temos uma crítica ao que acontecia com os soldados que voltaram derrotados do Vietnã, que ao contrário dos que participavam de outras guerras e que eram tratados como heróis, esses não tinham oportunidades assim que voltaram da guerra.


Mas apesar da crítica em algumas faixas do disco, com "Born In The U.S.A", Springsteen desejava soar mais pop, onde percebemos músicas com um direcionamento mais acessível para as rádios da época, inclusive onde vemos a ótima "E Street Band" utilizar sintetizadores pela primeira vez. E esse direcionamento acabou por ser algo certeiro, pois possibilitou um feito incrível para época. Das doze canções, sete atingiram o top 10 da Billboard, o álbum atingiu o primeiro lugar por quatro semanas, e permaneceu em segundo lugar dos mais vendidos por mais 18, perdendo apenas para "Purple Rain", que naquela época também havia estourado.

E para confirmar de vez o sucesso do disco, 15 milhões de cópias foram vendidas apenas em solo americano, ganhou diversos prêmios entre os quais quatro American Music Awards, um Grammy, um MTV Music Video Awards, um Brit Awards e um Juno Awards, só para citar alguns. Sem falar nas críticas positivas ao mesmo, onde choviam elogios de todos os lados, onde afirmavam que esse era o ápice tanto da E Street Band como a confirmação da posição de rock star para Springsteen. Apesar disso, ele tece comentários contraditórios sobre isso, dizendo que ele sentia indiferente quanto algumas canções deste, apesar de reconhecer a importância do mesmo para sua carreira.




Mas somos apresentados a algumas canções que são realmente irresistíveis. A poderosa "Born In The U.S.A." é um retrato brutal de como os que voltaram do Vietnã eram tratados, sem oportunidade e que terminavam como a letra da canção mesmo diz "como um cachorro que foi surrado demais". Então aquele coro no refrão não se trata da mais pura ironia de Springsteen e que acaba por enganar a quem não se dá o trabalho de escutar com atenção. "Downbound Train", juntamente com as clássicas "Dancing In The Dark" e "Glory Days" continuam a retratar de maneira não muito feliz o declínio da classe trabalhadora americana naquele momento.

Um dos grandes momentos deste é a linda "Bobby Jean", em que Springsteen se lamenta a maneira que Steve Van Zandt, que era guitarrista de sua banda de apoio e amigo pessoal rompeu com ele para seguir em uma carreira solo, em uma linda declaração de amizade, com destaque para última estrofe:

"Em algum quarto de motel
Haverá um rádio tocando
E você vai me ouvir cantando esta canção
Bem se você fizer, você saberá que
Estou pensando em ti
E em todas as milhas que nos separam
Estou chamando pela última vez
Não para fazer você mudar de idéia
Mas só para dizer que sinto sua falta baby
Adeus e boa sorte, Bobby Jean"

Ainda destaco deste a energética "I'm Goin' Down" e "I'm On Fire". Um registro que se tornou um clássico e hoje figura em praticamente todas as listas feitas de grandes álbuns feitos nos anos 80. Mais um que entra para a lista dos obrigatórios a estarem em sua coleção e que tem de ser ouvido uma vez na vida.




1.Born in the U.S.A.
2.Cover Me
3.Darlington County
4.Working on the Highway
5.Downbound Train
6.I'm on Fire
7.No Surrender
8.Bobby Jean
9.I'm Goin' Down
10.Glory Days
11.Dancing in the Dark
12.My Hometown


Bruce Springsteen – Vocais, Guitarra, Violão
Nils Lofgren – Guitarra, Bandolim, Backing Vocals
Clarence Clemons – Saxofone, Percussão
Roy Bittan – Piano, Sintetizador
Danny Federici – Órgão, Piano em "Born in the U.S.A."
Garry Tallent – Baixo
Max Weinberg – Bateria

By Weschap Coverdale