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quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Rush - Fly By Night [1975]


Antes de ser a banda que investia pesado em sintetizadores e teclados, o Rush era apenas uma banda canadense que investia pesado no Classic/Hard, um gênero muito comum (principalmente na época em que se deu a formação do grupo, ainda no final dos anos 60).

Essa primeira formação contava com Jeff Jones (baixo e vocal), o baterista John Rutsey e Alex
Lifeson ocupando o posto de guitarrista. Rapidamente Jones foi substituído por Gary Lee Weinrib, ou Geddy Lee. Veio então o primeiro álbum, batizado simplesmente Rush. O lançamento foi independente, e o resultado pode ser rotulado como "promissor". Isso porque, apesar de ser bom, não há uma identidade definida: ora temos flertes com o Blues, ora com o Classic, ora com o Hard.

Alex Lifeson, John Rutsey e Geddy Lee

Logo no início da tour de promoção, Rutsey pula do barco e entra aquele que atualmente é considerado como um dos melhores baterista de todo o mundo. Estava consolidada a terceira formação, mantida até o presente momento.

Fly By Night foi o início da transição do Classic/Hard ao Rock Progressivo propriamente dito. Inclusive as letras passaram por esse processo, se tornando mais complexas e abordando temas mais profundos e por vezes épicos. O amadurecimento do trio como instrumentistas também é algo notável; cada um contribui com uma competência enorme (afinal, Lifeson pode não ser um dos grandes nomes da guitarra, mas realiza sua função como poucos), e isso resulta em um trabalho igualmente notável.



"Anthem" é uma abertura porrada, onde, logo de cara, Peart se destaca. Alterações de ritmo bem colocadas, cozinha mais que eficiente e guitarra furiosa são os ingredientes desta que é uma das músicas que mais gosto do Rush (e Fly By Night, um de meus discos preferidos deles). "Best I Can" é uma ode ao rock'n'roll, enérgica e curta como deve ser.

Temos, agora, o primeiro flerte com o Progressivo. O épico "By-Tor And The Snow Dog" é dividido em partes (como outras composições do trio) que contam uma história e/ou a representam. Sem entrarmos no aspecto lírico; só o que digo é que essa faixa é perfeita.

A faixa-título é simples, porém muito boa. A otimista Making Memories tem violões ótimos e slides que beiram a perfeição. "Rivendell" é climática e apresenta um Lifeson inspiradíssimo nas doze cordas. "In The End" encerra o disco com a mesma energia com que o mesmo começou.



Naquele mesmo ano viria o subestimado (e, porque não, obscuro) "Caress of Steel", e, em 1976, a obra "2112", que definiria de vez o som do power trio natural do Canadá. No entanto, sem comparações entre uma fase e outra: as duas têm uma qualidade inquestionável e incontestável. Confira sem medo.

Geddy Lee - baixo, vocais
Alex Lifeson - guitarras, violões, violões de 12 cordas
Neil Peart - bateria, percussão

1. Anthem
2. Best I Can
3. Beneath, Between & Behind
4. By-Tor And The Snow Dog
5. Fly By Night
6. Making Memories
7. Rivendell
8. In The End

Por Gabriel

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quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Pink Floyd – The Final Cut (1983)


O ultimo corte talvez tenha sido o melhor título para este álbum.

Depois de flertar descaradamente com o pop e a disco music em The Wall, as cifras (que já jorravam aos milhões desde o clássico The Dark Side Of The Moon) atingiram níveis inimagináveis.

A turnê de The Wall foi matadora, e o Pink Floyd adentra a década de 80 com a mesma categoria com que entrara na de 70. Letras melancólicas de um lirismo incomparável, produção impecável e um instrumental sem precedentes na história do rock, graças à química e ao talento de David Gilmour e Richard Wright, especialmente.

Mas a cabeça de Roger Waters, que nunca foi lá essas coisas em termos de sanidade, vagava por um universo paralelo. A vontade de gritar seus traumas para o mundo fez surgir este que, talvez, seja o disco mais Roger Waters de toda a discografia do Pink Floyd.

The Final Cut é o último disco de estúdio do Pink Floyd com Waters, e aquele que traz a volta às raízes que geraram The Dark Side of The Moon. Richard Wright já havia pulado fora, e não participou. Mas os tempos eram outros, e os novos fãs não estavam tão acostumados à psicodelia original da banda. Com músicas arrastadas e letras densas e depressivas, esse é o disco que o músico dedicou ao seu pai, Eric Fletcher Waters, morto na Segunda Guerra Mundial em 18 de fevereiro de 1944, na Itália, quando Roger ainda era um bebê.


A família Waters. Roger é o bebê menor.

Criado pela mãe, Waters já havia se manifestado sobre a sua figura opressora em Mother, do clássico The Wall. The Final Cut foi escrito inteiramente por Roger e dedicado à figura do seu pai. O disco é conceitual, e o nome paterno aparece explícito em The Fletcher Memorial Home. A capa é uma foto de um detalhe do uniforme usado pelo falecido pai, com as insígnias da Marinha inglesa (ele fora fuzileiro naval). O título original era para ser Requiem For a Post War Dream.

O disco foi concebido originalmente para ser trilha sonora do filme The Wall, de 82, mas foi lançado separadamente em razão da Guerra das Malvinas, que acontecia na época e envolveu Inglaterra e Argentina. O disco saiu como um manifesto contra a guerra e a política de Margareth Tatcher.





As orquestrações são conduzidas por Michael Kamen, que já trabalhou com Metallica e havia trabalhado em The Wall. O resultado, a despeito de algumas críticas negativas, é um disco coeso e muito bem produzido. As composições, dentro da proposta, são inspiradas e mostram um Roger Waters disposto a encarar o mundo de frente e gritar aos quatro cantos as suas ideias sobre o mentiroso Welfare State inglês.

Independentemente disso, o disco vale por uma passagem especial, na música The Gunners Dream. Quando a voz de Waters se mescla com o saxofone, exatamente no mesmo tom e na mesma timbragem, a impressão que temos é de cair no vazio. Um sentimento que aperta o coração dentro do peito. Eu acho este, especificamente, um dos momentos mais lindos e impressionantes da história da música.



Se você conhece o play, sabe do que estou falando. Se não conhece, encontre essa passagem.

Você nunca mais será o mesmo.

Track List

1. "The Post War Dream"
2. "Your Possible Pasts"
3. "One of the Few"
4. "When the Tigers Broke Free"

5. "The Hero's Return"
6. "The Gunner's Dream"
7. "Paranoid Eyes"
8. "Get Your Filthy Hands Off My Desert"
9. "The Fletcher Memorial Home"
10. "Southampton Dock"
11. "The Final Cut"
12. "Not Now John"
13. "Two Suns in the Sunset"

David Gilmour (guitarra, vocais em "Not Now John")
Nick Mason (efeitos sonoros com holophonics, bateria)
Roger Waters (vocais, baixo, violões, sintetizadores)
Músicos adicionais
Andy Bown (órgão Hammond)
Ray Cooper (percussão)
Michael Kamen (piano, condução e arranjos da the National Philharmonic Orchestra)
Andy Newmark (bateria em "Two Suns in the Sunset")
Raphael Ravenscroft (saxofone tenor)

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Por Zorreiro

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Marillion - Clutching At Straws [1987]


O fim de uma era, a qual foi brilhante e de maior sucesso para o Marillion. É impossível negar que Derek Dick (a.k.a Fish) foi o principal mentor para que a banda lançasse quatro discos brilhantes e que podem ser qualificados como essenciais para qualquer um que diga admirar rock progressivo de qualidade. E como não poderia deixar de ser, em sua última entrega de estúdio, a formação de ouro do grupo nos entrega um trabalho admirável, ainda que vague por mares ainda mais tristes que suas obras anteriores.

Aqui temos um trabalho que é quase uma biografia do momento de Fish, principalmente de seu problema com álcool, retratado através do personagem Torch, que provavelmente era descendente de Jester (personagem conhecido já de outros discos do Marillion e que aparece nas capas dos discos anteriores) , pela roupa que ele carrega em seu bolso e as cores da maquiagem de arlequim que resplandecem em seu rosto na capa deste disco. Torch é um vocalista de uma banda de rock que não alcança o sucesso, um homem fracassado em todos os sentidos, seja no seu casamento ou na vida como pai e que encontra na dependência um consolo e fuga para seus problemas, vivendo bêbado em tudo que é lugar.


Esse cara fez a diferença!

Um ponto interessante é a capa do disco feita por Mark Wilkinson, em que os personagens que estão junto com Torch na capa, quase todos morreram em decorrência de problemas com o álcool ou tinham envolvimento grande com drogas, sendo estes descritos abaixo.

Da esquerda para a direita, na parte da frente:
* 'Rabbie' Robert Burns: Poeta escocês que morreu aos 37 anos devido a complicações de saúde que foram potencializadas devido ao abuso de alcool;
* Dylan Thomas: Poeta galês que morreu aos 39 anos que morreu em decorrência do alcoolismo, e que no dia de sua morte teria ingerido 18 doses de uísque;
* Truman Capote: Escritor norte-americano que morreu aos 59 anos, após uma combinação de álcool, pílulas e drogas;
* Lenny Bruce: Comediante e satirista social norte-americano que morreu aos 40 anos devido a uma ouverdose de heroína.


Na parte de trás da esquerda para direita:
* John Lennon: o único que não morreu em decorrência de problemas com álcool, mas que todos sabemos muito bem o quanto esteve envolvido com este e as drogas durante sua vida;
* James Dean: Ator norte-americano e um dos ícones do cinema dos anos 50, que morreu aos 24 anos em um acidente automobilístico, em que estava provavelmente embriagado;
* Jack Kerouac: Poeta Beat que morreu aos 47 anos em decorrência de uma cirrose.

Então como vimos, desde sua capa, temos um trabalho sombrio e denso em seu conceito. E isso se reflete nas músicas, com canções densas, letras que mostram a fuga rápida entre copos de bebida e a desgraça que a pessoa entra ao ser um alcoólatra, se desenrolando durante todo o disco de maneira majestosa, graças a inspiração de Fish, que também teve seu problemas com bebida e poderia falar com propriedade sobre este assunto. Um disco que transmite sentimentos mais obscuros durante a sua execução e que transmite principalmente a raiva e tristeza pela situação deplorável que se chega ao estar viciado.



O instrumental aqui contribui para que o clima sombrio se instaure de vez, pois as camadas por vezes assustam de tão frias que são. Fish está impecável e cada vez mais dramático em suas interpretações que são assombrosas aqui. Steve Rothery cria climas instropectivos e mesmo que por muitas vezes simplórios transmitem uma emoção singular (vá direto para "Sugar Mice" e sinta o que estou falando). Mas na minha opinião Pete Trewavas dá seu show à parte neste disco, com linhas de baixo presentes e matadoras e que me conquistou desde a primeira vez que ouvi este e consegue dividir atenção com a dupla.

Aqui temos muitas canções que carregam uma tristeza singular e que demonstram a capacidade criativa do grupo. É uma tarefa árdua ouvir a dobradinha "Warm Wet Circle" e "That Time of the Night", que trazem um nível de emoção carregadíssimo consigo e não querer sem render a lágrimas durante o andamento destas. Um exemplo é na primeira delas, em que apenas Fish acompanhado de um piano vocifera de maneira encantadora e até certo ponto desesperada: "In a warm wet circle / Like a mothers kiss on your first broken heart, a warm wet circle / Like a bullet hole in Central Park, a warm wet circle / And I'll always surrender to the warm wet circles".



Apesar de alguns momentos de assimilação mais fácil como "Going Under" e a pop e deliciosa "Incommunicado" que fica na mente martelando por dias, são os momentos mais tristes que nos fazem se render a esta obra prima. Ouvir as quatro últimas canções deste e se sentir indiferente é deveras impossível. "Torch Song" nos dá mais detalhes da conturbada vida de Torch no ápice de seu vício, em que seu médico setencia que sua morte se aproxima rapidamente, dizendo que com o estilo de vida que leva ele não passaria dos 30 anos de idade , sendo que após nos é revelado que ele já está com 29, o que nos indica de que seu fim está próximo. "Slainte Mhath" apesar de carregar uns instrumental menos climático comparada as outras canções, carrega uma letra cheia de simbolismo e raiva e que deixa claro como o vício destrói a pessoa e acaba a passando para trás esperando sonhos e promessas quebradas.

"Sugar Mice" traz consigo a carga emocional mais pesada de todo o disco, mostrando as consequências da dependência não só para a pessoa, mas para toda a família, que Torch acabou por abandonar. Aqui temos um diálogo com sua ex-esposa (ou uma carta), onde ele assume toda a culpa e informa o estado deplorável em que está, sem emprego e tendo bares como sua moradia e que não podia suportar os olhares de seus filhos e esposa lamentando seu estado. "The Last Straw (Happy Ending)" finaliza o disco com uma ótima atuação de Rothery e fecha com chave de ouro esse disco.

Sim, ao ouvir este a saudade desta fase do grupo bate ainda mais forte. Apesar de a fase Hogarth ter gerado discos como Brave, Afraid Of Sunlight e Marbles, é covardia comparar a tudo que Fish fez a frente do grupo. Seja no conceito, nas interpretações e mesmo nas canções geradas, não há como querer ser cego e não reconhecer a importãncia de Fish na história da banda e o agradecer os quatros grandes discos com os quais ele nos presenteou durante sua presença. Obra-prima!



1.Hotel Hobbies
2.Warm Wet Circles
3.That Time Of The Night (The Short Straw)
4.Going Under
5.Just For The Record
6.White Russian
7.Incommunicado
8.Torch Song
9.Slàinte Mhath
10.Sugar Mice
11.The Last Straw

Fish – Vocais
Steve Rothery - Guitarra
Mark Kelly - Teclados
Pete Trewavas - Baixo
Ian Mosley - Bateria

Músicos Covidados:
Tessa Niles - Backing vocals em "That Time Of The Night" e "The Last Straw"
Chris Kimsey - Backing vocals em "Incommunicado"
John Cavanaugh - "Dr. Finlay" voz em "Torch Song"


sexta-feira, 27 de maio de 2011

Rush - Roll The Bones [1991]


Algumas bandas possuem fãs conservadores ao extremo. Essas figuras não toleram mudanças bruscas de direcionamento, adição de novos elementos e afins. Para o Rush, nunca foi novidade esse tipo de postura, já que seus discos, apesar de características sempre presentes, tentavam acrescentar novidades aqui e acolá, fato que transformou seu grande número de fãs em uma verdadeira fauna. Roll The Bones, seu décimo – quarto trabalho de estúdio resgata as guitarras de Alex Lifeson para a linha de frente ao mesmo tempo em que lançou uma pequena polêmica na faixa-título, que sempre será lembrada pelo “esqueleto rapper” do clipe, especialmente pelos que resistiram à idéia em plena ascenção do Hip-Hop.

Mas vamos bem além durante o trabalho. Até porque outras três faixas foram usadas como singles, mostrando que a época, definitivamente, era outra, comercialmente falando. A ótima abertura com “Dreamline” foi a primeira, ainda no ano que o disco chegou ao mercado. Também foi a única a atingir o número um nas paradas de sucesso. Já em 1992, tivemos lançamentos promocionais para “Ghost Of A Chance” (que passou raspando, alcançando o segundo posto) e “Bravado” (número 13, em homenagem ao velho Zagallo), sem contar a já citada “Roll The Bones” (nona colocada) e sua levada Pop sem perder o tino roqueiro.



As seis restantes mantém o alto nível do play, com destaque para a agitada “Face Up”, onde os teclados aparecem com mais ênfase, além de “The Big Wheel”, cuja bela introdução já vale todo o resto. A ótima instrumental “Where’s My Thing” nos faz lembrar porque estamos diante de alguns dos melhores músicos de todos os tempos, com destaque para Geddy Lee e seu baixo pulsante – aliás, em minha opinião, esse é um dos melhores álbuns dele nessa função. A dobradinha “Neurotica” e “You Bet Your Life” encerra a audição em alto nível.

Vale citar que esse é considerado, liricamente, um dos trabalhos mais sombrios da carreira do grupo, com a idéia do confronto com a morte sempre presente através de analogias das mais variadas. Roll The Bones tornou-se o primeiro álbum do Rush a entrar no Top 5 dos mais vendidos nos Estados Unidos, onde alcançou platina dupla. Desde o imortal Moving Pictures, de dez anos antes, que um trabalho da banda não chegava tão longe comercialmente no maior mercado do mundo. De um ponto de vista pessoal, trata-se de uma obra muito especial, por ter marcado a época que comecei a gostar de Rock. Mais que recomendado!

Geddy Lee (bass, vocals, keyboards, synthetizers)
Alex Lifeson (guitars)
Neil Peart (drums)

01. Dreamline
02. Bravado
03. Roll The Bones
04. Face Up
05. Where's My Thing
06. The Big Wheel
07. Heresy
08. Ghost Of A Chance
09. Neurotica
10. You Bet Your Life

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JAY

domingo, 8 de maio de 2011

Kansas – Leftoverture [1976]



Carry On Wayward Son ou Dust In The Wind?

Essa foi a dúvida ao escolher um Kansas para resenhar aqui na Combe. Afinal, ainda não tínhamos nenhum, e nosso parceiro Jay postou Kerry Livgren essa semana! Escolhi o maior hit hard rock do grupo: a primeira (apesar de Dust in The Wind ter vendido mais, é uma baladona).

O Kansas começou sua carreira nos Estados Unidos nos anos 70 (preciso dizer o Estado?), tendo lançado seu primeiro disco em 1974. Inicialmente com os dois pés no progressivo, a banda evoluiu seu som naquela década para o AOR sendo uma das precursoras do estilo.

Teclados furiosos, guitarras pesadas e bem trabalhadas, vocais esplendidos (para dizer o mínimo), violino em uníssono com a guitarra e uma cozinha pra lá de coesa e competente fizeram com que o Kansas forjasse a ferro e fogo seu lugar cativo na história do rock de arena.


Leftoverture é o quarto disco de estúdio do Kansas e trouxe o primeiro single a ultrapassar a venda de um milhão de cópias na história da banda. Carry On Wayward Son já foi gravada por Malmsteen no disco Inspiration, e tem um dos melhores riffs da história. As dinâmicas da música alternam-se entre o hard rock e os vocais e teclados típicos do rock progressivo, mostrando criatividade e extremo bom gosto.



The Wall tem timbres fantásticos, cortesia da produção impecável da própria banda em conjunto com Jeff Glixman. Antes que algum incauto torça o nariz para o refrão, que fique bem claro: travesti em inglês quer dizer outra coisa. What’s on my mind é minha preferida. Tem aquele climão AOR dos anos 70 que nem mesmo as bandas da época conseguem reproduzir hoje em dia. É impressionante. Se pegarmos os maiores expoentes, como Boston, Kansas e Journey, veremos que nenhuma delas conseguiu reproduzir o clima depois de 1981. Parece que havia uma certa magia no ar que simplesmente se foi.

Miracles out of nowhere segue o mesmo clima, mas traz um refrão que, perdoem-me a falta de sutileza, faz com que o Bon Jovi soe, por vezes, uma banda que resolveu copiar Kansas e Bruce Springsteen pegando o que mais fez sucesso em cada um deles. Mas, como aqui temos os originais, vá com fé que não tem erro. Questons of my childhood traz um solo de teclado que mostra a escola de Jon Lord sem parecer plágio. Bom gosto é algo que impera por todo o play, até mesmo naquelas canções menos apelativas e com um toque progressivo.


O post é a reedição remasterizada, com duas faixas bônus ao vivo. Normalmente, me limito a informar esses detalhes, mas aqui eles merecem destaque. Kansas ao vivo é de uma precisão incomparável. O profissionalismo e o respeito pelos fãs demonstram que o sucesso não lhes veio por obra do acaso.

Depois, os anos 70 ainda reservaram mais sucessos. Nos anos 80 um tal Steve Morse assumiu as guitarras por algum tempo, mas não gravou nada de sucesso. Aliás, não entendo como um músico tão bom não consegue fazer decolar as carreiras da bandas das quais participa. O mesmo tem ocorrido com o Purple que, apesar de ter músicas boas, nunca mais conseguiu os espetaculares sons de 4 acordes que fazia com Blackmore. Mas isso é outra história.

Como hoje é dia das mães, surpreenda a gata (sua mãe). No meu caso, seria mais eficiente um Elvis dos anos 50, mas como eu curto o som pessoalmente, no remorse.

Track List

1. "Carry On Wayward Son"
2. "The Wall"
3. "What's on My Mind"
4. "Miracles Out of Nowhere"
5. "Opus Insert"
6. "Questions of My Childhood"
7. "Cheyenne Anthem"
8. "Magnum Opus" (I. Father Padilla Meets The Perfect Gnat / II. Howling At The Moon / III. Man Overboard / IV. Industry On Parade / V. Release The Beavers / VI. Gnat Attack)
9. "Carry On Wayward Son (Live)"
10. "Cheyenne Anthem (Live)"

Phil Ehart (bateria)
Dave Hope (baixo)
Kerry Livgren (guitarras e teclados)
Robby Steinhardt (violino, viiola e vocais)
Steve Walsh (teclados, vocais, vibraphone e xylophone)
Rich Williams (guitarras)

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Por Zorreiro

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Kerry Livgren - Seeds Of Change [1980]


Kerry Livgren ainda era integrante do Kansas – sairia três anos mais tarde – quando lançou Seeds Of Change, seu primeiro álbum solo. Aliás, mostrando que o clima era bom com os colegas, três integrantes da banda apareceram nas gravações: Steve Walsh, Phil Ehart e Robby Steinhardt. Além disso, outros grandes músicos fizeram aparições, como David Pack (Ambrosia) e Barriemore Barlow (Jethro Tull), mostrando uma escalação eclética que influenciaria diretamente na sonoridade do álbum, agregando elementos de diversas vertentes do Rock.

Mas a mais festejada aparição é a de Ronnie James Dio, que canta nas faixas “Mask Of The Great Deceiver” e “To Live For The King”. Quer dizer, isso agora, pois à época a polêmica tomou conta. Fãs de Kerry, cristão convicto, não concordaram com a inclusão de um cantor adepto de temas místicos, fantasiosos e, por vezes, demoníacos, rótulo que já o acompanhava e se tornaria ainda maior aquele ano, quando assumiria o microfone do Black Sabbath. Sabiamente, ambos não deram bola e cada um fez a sua parte. Anos mais tarde, Ronnie declarou que não pensou em moralismos na hora de cantar e que adoraria trabalhar novamente com Livgren em outra oportunidade.



Outro destaque vai para a abertura com a ótima “Just One Way” e sua intro com cara de abertura de telejornal matinal. “How Can You Live?” traz Steve Walsh dando aquele clima tipicamente Kansas em uma ótima composição, cara de hit total. Certo clima sulistas comparece em “Whiskey Seed”, sensação aumentada com a presença de Mylon LeFevre, figurinha carimbada do gênero em dueto com Kerry. Fechando o play, “Ground Zero”, a mais longa de todas, contando com a participação de Phil e Robby em mais um momento magnífico.

Para não atrapalhar a promoção de Audio-Visions, álbum que seria lançado pelo Kansas logo a seguir, a tiragem inicial de Seeds Of Change foi limitada a dez mil cópias. Mas a procura foi tão grande que mais uma leva de cem mil unidades foi providenciada. Em 1996, o play foi relançado com uma entrevista de bônus. Bela amostra de talento do fundador de uma instituição norte-americana da boa música. Vale a conferida!

Kerry Livgren (guitars, bass, keyboards, synthesizers)
Paul Goddard, Gary Gilbert (bass)
Barriemore Barlow, John Thompson, Phil Ehart (drums)

Entre parênteses os vocalistas

01. Just One Way (Jeff Pollard)
02. Mask Of The Great Deceiver (Ronnie James Dio)
03. How Can You Live? (Steve Walsh)
04. Whiskey Seed (Kerry Livgren & Mylon DeFreve)
05. To Live For The King (Ronnie James Dio)
06. Down To The Core (Davy Moire)
07. Ground Zero (David Pack)

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JAY

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Rush – Moving Pictures [1981]


Moving Pictures é um divisor de águas na história da música.

O Rush ainda estava marcando seu território quando soltou essa hecatombe nuclear. Ninguém sabia ao certo classificar o som deles, se rock progressivo ou hard rock, enfim, eles mesmos precisavam de uma identidade que os discos anteriores, apesar de excelentes, não traziam.

É difícil dizer que Moving Pictures é o melhor álbum do Rush, porque o Permanent Waves, na minha opinião, fica taco-a-taco no primeiro lugar do pódium. Mas esse foi, sem dúvida alguma, o álbum mais popular da banda. O que trouxe mais “músicas para serem lembrados”. A tecnologia digital estava apontando no cenário musical e o trio canadense sempre foi o mais antenado nesse aspecto.

Chegaram a ter palcos e efeitos projetados pela NASA durante a sua carreira! Gravado em Quebec, o álbum traz a façanha de ser o primeiro masterizado digitalmente da história do rock.

A bolacha abre com o tema do MacGyver: Tom Sawyer. Personagem de histórias de ficção escritas por Mark Twain, o garoto Tom se mete em encrencas e sempre consegue se safar com tiradas geniais. Alguma relação com MacGyver? Simplesmente não dá mais para dissociar a música do enlatado americano que nos acompanhou durante os anos 80. E a música é simplesmente perfeita, com as orquestrações de bateria e as guitarras sintetizadas ao extremo, típicas da banda.

Agora, difícil mesmo é entender como Geddy Lee consegue cantar e tocar baixo e teclado ao mesmo tempo daquele jeito. E eles fazem ao vivo exatamente o que gravam no estúdio. Genial.



Red Barchetta traz um lirismo fantástico, com um dedilhado envolvente. A fórmula é exatamente o contrário do que a maioria das bandas de rock faz: a guitarra é quase estática enquanto a bateria brinca em cima da melodia o tempo todo. Coisas do polvo Neil Peart. Falando nele, a introdução de YYZ é a identificação em código Morse do aeroporto de Toronto, no Canadá para as aeronaves que sobrevoam o seu espaço aéreo. Cada música tem uma história.

Limelight é, depois de Tom Sawyer, a mais famosa do play. Um riff com distorção muito legal de Alex Lifeson abre a faixa. Mas o que pega mesmo é a harmonia perfeita da música: acordes escolhidos a dedo, parecendo que cada um foi detalhadamente pensado para se encaixar no contexto. A música tem na performance de Alex o diferencial; afinal, deixaram os teclados de lado (apesar de nem tanto) e resolveram mostrar que formavam o melhor power trio do rock dos anos 80. Alex nunca foi um virtuose, mas nunca faltou nada às músicas do Rush, porque ele é o homem das texturas, e essa é a sua genialidade.



Neil Peart é o letrista do Rush, e os anos 80 foram deles.

Ninguém jamais (e eu diria até os dias de hoje) conseguiu realizar uma performance ao vivo com a qualidade do Rush. Algumas vezes eles flertam com o progressivo, outras com o hard rock, chegando às raias do pop. Sempre com extremo bom gosto e qualidade. Sou suspeito pra falar dos caras, pois tenho dois discos deles no meu Top 100 de todos os tempos.

Hoje em dia, como dizem os próprios em uma música de outro disco: “all this machinery making modern music...” Pessoas de verdade tocando música de verdade.

Track List
1. Tom Sawyer
2. Red Barchetta
3. YYZ
4. Limelight
5. The Camera Eye
6. Witch Hunt
7. Vital Signs

Geddy Lee (teclados, baixo e voz)
Neil Peart (bateria)
Alex Lifeson (guitarras)

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Por Zorreiro

The Mars Volta - De-Loused In The Comatorium [2003]


Quem ouve The Mars Volta pela primeira vez se vê, inevitavelmente, diante da seguinte questão: para compor canções como essas, os músicos deveriam estar derretendo em drogas. Mas como músicos derretendo em drogas poderiam produzir e executar peças tão complexas e de técnica tão refinada? Tente entender por si mesmo e prepare-se para se surpreender.

O TMV é um projeto do guitarrista Omar Rodríguez-López e do vocalista Credric Bixler-Zavala. A banda se formou nos EUA em 2001, depois de idas e vindas de outros dois grupos dos músicos citados. Em 2003, lançou seu debut, amplamente aclamado pela crítica e responsável pela criação de um público relativamente grande para os outros 4 lançamentos.

O som do The Mars Volta é uma mistura de influências diversas. À primeira audição, o que destoa é o rock progressivo, mas aqui você vai encontrar rock psicodélico, muito jazz fusion e música experimental, krautrock - uma vertente alemã do progressivo setentista -, hardcore e até música latino-americana. O resultado é uma sonoridade bastante original, que se enquadra em gêneros como rock experimental e art-rock.



Mas definições técnicas são muito limitantes ao grupo texano. O que posso dizer é que se trata de música experimental com gosto pela dissonância, onde passagens caóticas frequentemente dão lugar a belíssimas melodias em quebradas que fogem do ortodoxo. A banda é afiadíssima, com um baixo pulsante e uma bateria frenética que em muitos momentos é substituída por bem postadas percussões latinas. Efeitos sonoros e sintetizadores aparecem na hora certa, sem muitos exageros. Omar Rodríguez-López se mostra uma revelação das seis cordas, fazendo uso de riffs e dedilhados de criatividade invejável para conduzir todo o som. Os vocais agudos de Cedric Bixler-Zavala são um show à parte, com a voz de timbre distinto atingindo tons inacreditáveis para um homem. As apresentações ao vivo são de uma intensidade rara nos dias de hoje, com grandes tendências para tudo terminar em jam.

De-Loused In The Comatorium, como é costume para o TMV, é um disco conceitual. Sua lírica trata da narração em primeira pessoa da história de Cerpin Taxt, um homem que, após tentar suicidar-se por overdose, permanece em coma por uma semana. Nesse período, se vê em meio a revelações sobre a humanidade e a própria psique. Ao acordar, frustrado com o mundo real, suicida-se efetivamente. A sinistra história é baseada na morte de Julio Venegas, artista amigo de Credic Bixler-Zavala que passou por acontecimentos parecidos.

O álbum traz as características sonoras já citadas, combinadas com a lírica sombria para gerar um clima enigmático, viajante e carregadíssimo no sentido emocional. Aliás, é um disco praticamente feito de emoções, que passa por momentos de frenesi obscuro seguidos de profunda tranquilidade reflexiva.

Como consta na maioria dos encartes da banda, o The Mars Volta é constituído de Omar Rodríguez-López e Credic Bixler-Zavala. As faixas são executadas pelo The Mars Volta Group. Enfim, este tem, no De-Loused, ninguém menos que Flea assumindo o baixo, assim como John Frusciante faz uma participação em uma das faixas (a turnê que seguiu o De-loused foi de abertura para o Red Hot Chili Peppers). Os destaques ficam para as sombrias "Inertiatic ESP" e "This Apparatus Must Be Unearthed", para as belas "Roulette Dares (The Haunt Of)" e "Eriatarka", a space/prog "Cicatriz ESP" e as duas últimas e melhores faixas: a lindíssima "Televators" e a caótica "Take The Veil Cerpin Taxt", que tem uma incrível passagem instrumental. E acredite, refiz essa lista de destaques algumas vezes até conseguir não incluir o play todo.



Um mês depois do lançamento do disco, o manipulador de som e participante nas composições, Jeremy Michael Ward, morreu de overdose. Isso fez com que os membros da banda abandonassem o uso de opióides. Algo que influenciou o som dali para frente, que deu mais alguns passos em direção à psicodelia e ao fusion - sem heroína começaram a tomar mais LSD [risos]. O grupo tem 5 discos lançados, com a previsão de um para 2011. Em 2010, fizeram sua única passagem pelo Brasil no SWU, com um show simplista, mas excelente, focado nas músicas mais pesadas.

O The Mars Volta é, muito mais do que um bando de doidões fritando em drogas das quais nunca ouvimos falar, uma banda de criatividade distinta e rara sensibilidade. Pessoalmente, afirmo que, uma vez assimilado, é som que dificilmente passa em branco para quem ouve. Não cometa o erro de não conferir.

01. Son Et Lumiere
02. Inertiatic ESP
03. Roulette Dares (The Haunt Of)
04. Tira Me a las Arañas
05. Drunkship of Lanterns
06. Eriatarka
07. Cicatriz ESP
08. This Apparatus Must Be Unearth
09. Televators
10. Take The Veil Cerpin Taxt

Cedric Bixler-Zavala – vocais
Omar Rodríguez-López – guitarra
Jon Theodore – bateria
Jeremy Michael Ward – sintetizador, manipulação de som
Isaiah Ikey Owens – teclados
Flea – baixo

Lenny Castro – percussão
John Frusciante – guitarra e sintetizador em 07
Justin Meldal-Johnsen – baixo acústico em 09


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sábado, 9 de abril de 2011

Tears for Fears – The Seeds of Love [1989]


Eu acho este o disco mais bem produzido dos anos 80. Se nos anos 70 a indústria da música nos legou The Dark Side of The Moon, e nos 60 tivemos o magistral Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band, o disco que posto hoje fez a diferença em uma década de excessos e superproduções.


Mais do que pop, mais do que rock, The Seeds of Love foi o ápice criativo da dupla formada por Roland Orzabal e Curt Smith. É o único disco que gosto deles, e isso se deve não apenas às composições primorosas, mas também à produção impecável e ao cast mágico de convidados especiais. A dupla que forma o Tears for Fears é inglesa, e egressa do grupo Graduate, que nunca fez sucesso fora do Reino Unido. Com um estilo Mod/New Wave, eles eram apenas mais um em um cenário já saturado de cópias que bebiam em uma mesma fonte.

As Tias Fofinhas


Formaram oficialmente o Tears for Fears em 1981 e, durante o início dos anos 80, a dupla insistiu no estilo de sua antiga banda, soando, na minha opinião, como um Echo and the Bunnymen ou um Talking Heads de terceira categoria.

Mesmo já tendo os hits Everybody Wants to Rule the World e Shout, os discos da dupla nunca me chamaram a atenção, pois pareciam música de novela da Globo, até que veio The Seeds of Love. Este é o terceiro álbum do Tears for Fears, lançado somente no ano de 1989, quando já tinha quase 8 anos de trabalho e apenas dois discos lançados.

Foi um projeto audacioso e ambicioso, pois custou mais de um milhão de libras, na época. Algo absurdo se pensarmos em uma banda de um hit só. Muito do material foi coletado de gravações de jam sessions e depois ajeitado em estúdio, por meio da já gabada megaprodução.



Woman in Chains, talvez a mais famosa música do disco, traz Phil Collins na bateria e Oleta Adams no piano e vocais. Pino Palladino (The Who) aparece no baixo em algumas gravações. Sowing the Seeds of Love traz as nuances vocais de Orzabal e Smith em uma sequência de dinâmicas simplesmente fantásticas. Ouça-a em alta definição e através de fones de ouvido e entenderás o que estou dizendo. Trabalho absolutamente primoroso da dupla em conjunto com os produtores e uma constelação de músicos convidados.



Badman’s song segue o mesmo estilo, com dinâmicas entre os instrumentos, fazendo com que ora o piano se sobressaia, ora as vozes, enfim, The Seeds of Love foi feito no estúdio, e não deve seu crédito somente aos músicos competentes. Um trabalho de equipe.

Atingiu o número 1 das paradas inglesas e ficou no top 10 americano. Pelo estilo das músicas eu diria que o disco foi feito sob encomenda para o mercado dos sobrinhos do Tio Sam.

Um disco excelente, que foge da rotulação comum. Para escutar em casa, enquanto se degusta um bom vinho (acho que já deixei claro que gosto muito dessas situações).
Ah! E também para semear as sementes do amor....

Track List

1. Woman in Chains
2. Badman’s Song
3. Sowing the Seeds of Love
4. Advice for the Young at Heart
5. Standing on the corner of the Third World
6. Swords and Knives
7. Year of the Knife
8. Famous Last Words

Manu Katché, Chris Hughes, Phil Collins, Simon Phillips (bateria)
Pino Palladino, Curt Smith (baixo)
Simon Clark, Nicky Holland, Oleta Adams, Ian Stanley, Roland Orzabal (teclados)
Robbie McIntosh, Neil Taylor, Randy Jacobs, Roland Orzabal (guitarras)
Carole Steele, Luis Jardim (percussão)
Tessa Niles, Carol Kenyon, Nicky Holland, Dollette McDonald, Andy Caine, Maggie Ryder (backing vocais)
Jon Hassell (trompete)
Peter Hope-Evans (harmonica)

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Por Zorreiro

domingo, 6 de março de 2011

CPR - Coven • Pitrelli • Reilly [1993]


Sei que não existe nada mais desinteressante, pra quem não é músico, do que disco instrumental. Basta checar alguns títulos como Passion and Warfare, Blow by Blow e Surfing with the Alien, pra ter o embasamento essencial e definitivo do que se trata. Porém, os trabalhos instrumentais realizados por aqueles que são ligados aos rótulos mais apreciáveis sempre tem um diferencial. Não é um pé no saco com arpejos malditos, dedilhados frenéticos e improvisos pra lá de pretensiosos. É só escutar trabalhos nessa linha como o Cosmosquad, Craig Goldy solo, Jake E. Lee solo, Cozy Powell solo ou CPR.

O projeto CPR surgiu da carreira solo do baixista Randy Coven, que apareceu na cena, nos final dos anos 80, lançando um disco solo e mais tarde entrou para a banda do Blues Saraceno. Depois de gravar o debut do Saraceno, lançou seu segundo álbum solo com a nova formação que contava com o guitarrista Al Pitrelli (Megadeth, Asia, Savatage) e o baterista John O' Reilly (Rainbow, Westworld). A pegada desse trabalho instrumental é bem rocker, e quando o processo de composição para o terceiro play foi caminhando para uma direção muito diferente e com grande contribuição de todos os envolvidos, Coven decidiu ter a camaradagem de batizar o grupo como CPR (Coven, Pitrelli, Reilly).


Mesmo com a participação mais efetiva de Pitrelli e Reilly no processo de criação, o principal responsável pelas composições continua sendo Randy Coven, que compôs boa parte do material sozinho. Coven ficou conhecido anos depois deste projeto por ter sido membro do grupo de Heavy Metal, Holy Mother, integrado o ARK e excursionado com Yngwie Malmsteen, além de mais algumas empreitadas. Caso o conheça através de algum desses trabalhos, esqueça tudo que ouviu, pois aqui seu estilo de tocar lembra muito T.M. Stevens, coisa que nunca voltou a fazer e que também não tinha experimentado antes.

Abundância de slaps, ritmos desconcertantes e melodias típicas de Rock Progressivo sob bases funkys, são os ingredientes desenvolvidos e que se torna um grande diferencial. Além disso, outros pontos positivos são somados com as participações especiais e os dois covers (que ganharam até videoclipes). Outro aspecto a se salientar é que Coven tem uma grande amizade com Steve Vai e algumas músicas surgiram de suas jams - apesar de nunca terem gravado trabalhos inteiros juntos. "E-11", que conta com a participação de Vito Bratta que já havia abandonado a cena, é o número do quarto aonde Vai e Coven passavam o dia inteiro praticando.


Ow, algum corno tirou esse clipe do YouTube recentemente. Mas, como sou malaco, já tinha pegado e coloquei de novo. Háá!

Os experimentos com os equipamentos de Steve Vai resultaram na criação de "Sbass Secrets", uma eficiente demonstração de habilidades sem arranjos nonsenses. As quatro cordas falam mais que quaisquer cordas vocais em "With You", e é hipocrisia reclamar da ausência de uma voz. "Minute Mouse" lembra demais a sonoridade da época do The Randy Coven Band e traz a participação de Steve Morse. Na faixa escrita por Pitrelli, "Monday", o Blues reina, enquanto "Mutley" apresenta a faceta jazzística dos envolvidos. Pra diversificar ainda mais, o Hard surge timidamente em "Screaminin Scranton". No entanto, os momentos mais legais ficam a cargo dos covers.

Uma legítima festa é feita pra celebrar o Rock and Roll em "Back in Black"; cinco guitarristas arregaçam nos solos, dentre eles, Zakk Wylde e Vito Bratta, e os vocais são executados por Randy Jackson (que não é aquele conhecido baixista, muito menos o irmão do Michael Jackson) que se incumbe da arriscada tarefa de imitar Brian Johnson e se sai muito bem. E Zakk Wylde volta para o melhor e mais inesperado momento da bolacha. Se hoje é inesperado, imagina na época que Zakk era conhecido apenas por ser guitarrista. Matou no peito a responsabilidade de substituir Joe Lynn Turner e deu um show de interpretação no cover do Stevie Wonder. Descarga obrigatória!



01- CPR
02- Sbass Secrets
03- Back In Black (AC/DC cover)
04- E-11
05- With You
06- Two Girls
07- Minute Mouse
08- I Wish (Stevie Wonder cover)
09- Screaminin Scranton
10- Monday
11- Vinyl Frontier
12- Mutley

Al Pitrelli - guitar
Randy Coven - bass
John O. Reilly - drums, percussion

E-11 - Vito Bratta plays first, third and fifth solo. Al Pitrelli slams the rest
Back in Black - lead vocal by Randy Jackson. Middle solos by Vito Bratta and Mark Hitt. End solos by Zakk Wylde, Mark Wood (double neck Violator) and Randy Jackson. Background vocals by Randy Jackson, Vito Bratta, Mark Wood, Mark Hitt, Al Pitrelli and Bert Carey
Two Girls - keyboards and solo by Jimmy Yaeger
Minute Mouse - solo by Steve Morse
I Wish - lead vocal and end solo by Zakk Wylde. Guitar fills by Al Pitrelli and keyboard horns by Jimmy Yaeger

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Dragztripztar

sábado, 5 de fevereiro de 2011

John Macaluso & Union Radio - The Radio Waves Goodbye [2007]


Como disse no post do ARK, a banda encerrou as atividades em meio ao início do processo de composição para o terceiro disco. E como o responsável principal pelas composições era o baterista John Macaluso, as ideias maduras foram aproveitadas na sua empreitada solo. Demorou um ano e meio para o processo de composição ser concluído, já que Macaluso tinha em mãos composições Prog na linha do que havia sido feito com o ARK e, para se lançar sob outro projeto, deveria dar um novo panorama à estas ideias.

Unindo sua apreciação pelo vintage e o experimental, Macaluso deu largas à criatividade com a intenção de misturar estes dois elementos. Desfasado de qualquer pressão comercial, o baterista pôde trabalhar estruturas atípicas e métodos vertiginosos que resultam numa mistura do lado experimental do avant-garde mainstream (Radiohead, Björk, Mars Volta e afins) com conduções e concepções próximas aos gêneros Progressivo, Psicodélico e Jazz Rock. Portanto, a sonoridade apresentada em The Radio Waves Goodbye é bem viajante e completamente anti-trends, germinando o chamado "Art Rock".

Agora misture todas as características supracitadas com efeitos, clima mórbido e um trabalho percussivo alucinante, que terás um produto de deixar atônito qualquer pessoa, independente se vai agradar ou não. Principalmente devido o lado percussivo. Quando ouvimos - sem eufemismo - a desgraceira completa que Macaluso faz nesse disco, pensamos em se tratar do Goro tocando bateria. No entanto, o ego do baterista não se coloca à frente das composições. Apesar de demonstrar suas habilidades desmedidas durante todo os sons, o foco principal é o experimentalismo com a estética lúgubre, como já mencionado.



Para transmitir todos estes intentos, o álbum não poderia ser convencional e trazer uma banda fixa. Em vista disso, foram convocados nomes de peso que constam no line-up logo abaixo. As músicas possuem as mesmas características, não espere nada menos do que pura insanidade e aflição com ar desesperador - atributos que podem parecer execráveis e depressivos, mas que aqui se tornam sublimes. Por quê? Bem, fora a atuação sobre-humana do mentor, têm-se ideias extraordinárias de ritmos e melodias, regadas pelas execuções impecáveis dos convidados, fazendo com que esses sentimentos carregados se tornem atrativos.

Quem toca bateria ou aprecia o instrumento, tem a obrigação de conhecer este disco. Aqueles que curtem viagens bem trabalhadas, com um lado moderno e nebuloso, provavelmente ficarão encantados com esta trilha sonora de masmorra. E para os que querem experimentar algo inusitado, é uma boa pedida. Já os que apreciam escutar apenas o que é pré-estabelecido, ou acham que só são válidas as expressões musicais 'coloridas', é recomendado não arriscar em conhecer este play, pra depois não espalhar conclusão comum de mente diminuta.

01 - Soul In Your Mind
02 - Mother Illusion
03 - Prayer Pill
04 - Dissolved
05 - Gates To Bridges
06 - Shimmering Grey
07 - T-34
08 - Starring ''Pain''
09 - Pretzel (Drum solo)
10 - Yesterday I'll Understand
11 - 6 Foot Under Happy Man
12 - Things You Should Not Know
13 - Away With Words

•John Macaluso - Drums (ARK, Yngwie Malmsteen, TNT, Powermad, Riot, KRS-One, George Lynch, Starbreaker, Delmar Brown, Masterlast, Alex Masi, Spread Eagle)

•Vocals - James LaBrie (Dream Theater), Mike Dimeo (Riot, Masterplan), Adrian Holtz (ARK), Don Chaffin (Vox)
•Guitar - Marco Sfogli (James LaBrie), Alex Rastochin (Average White Band), Chris Caffery (Savatage, Trans-Siberian Orchestra), Alex Masi, Jack Frost (Seven Witches, Metalium), Robert Katrickh, Di Muti. Larry Meyer, Nick Chinboukas (Collision)
•Bass - Randy Coven (Yngwie Malmsteen, ARK), Ze Grey (Delmar Brown), Di Muti, Fabrizio Grossi (Steve Vai), Larry Meyer, Gustavo J. Vitureira (Collision)
•Keyboard and Piano - Vitalij Kuprij (Artension, Ring Of Fire), Di Muti, Derrik Weiland (Trans-Siberian Orchestra)
•Strings - Dave Eggar (Evanescence)
•Backing Vocals - Deana Cook, John Macaluso, Don Chaffin, Sue-Z, Donna Macaluso, Laura Macaluso & Kristen Drewes

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Dragztripztar

sábado, 29 de janeiro de 2011

GPS - Window to the Soul [2006]


Quando Geoff Downes cometeu a "delicadeza" de decretar a paralisação do Asia no ano de 2005, em pleno processo de composição avançado, para convocar a formação antiga e comemorar os 25 anos do grupo, toda a cena AOR ficou estarrecida, pois esperavam ansiosamente o disco que estava sendo composto e já havia sido anunciado até o título. O que as pessoas não esperavam era o que iria se originar dessa dissolução.

Enquanto o Asia clássico se reunia naquela vibe de músicos que tocaram juntos há 20 anos, não se suportam, mas se reúnem pra poderem pagar os geriatras e as pensões das crianças, os outros músicos dispensados elevavam as idéias do que vinha sendo trabalhado no Asia sob outra perspectiva. Uma ambição determinada levou os três ex-membros (Govan, Payne e Schellen) a criar um grupo expandindo ao máximo o conceito do Asia.

Essa idéia acarretou na mistura das melodias sofisticadas e aprazíveis do AOR a arranjos tipicamente progressivos, resultando em algo singular. Pra quem conhece o Asia, diria que Window to the Soul é a mistura daquele clima de beleza e amargura dos discos Aura e Silent Nation intercalada por explosivas demonstrações de musicalidade e intensas viagens instrumentais. Tanto que, se as estruturas das músicas fossem redefinidas para algo mais simplista, isso aqui seria um disco de AOR.


Logo na faixa-título que abre o disco somos surpreendidos pela potência vocal de John Payne, que impressiona por estar em constante evolução desde que surgiu na cena no final dos anos 80. E outro momento matador é a parte do solo; 3 minutos (duração dos solos em metade das músicas) de piração indo do Heavy Metal com pedal duplo comendo solto até quebradeiras Prog. Cortesias dos doentios Guthrie Govan e o tecladista japa Ryo Okumoto - que entrou de última hora na banda e fica difícil de acreditar, pois não dá pra imaginar as músicas sem suas partes.

A emotividade muito forte tendendo para o lado triste somada as vocalizações arrastadas dita o tom de todas as músicas. Mas a genialidade que acompanha os músicos envolvidos culminam em idéias primorosas que torna tudo muito ameno. Guthrie Govan, um dos melhores guitarristas da atualidade e que era extremamente limitado no Asia, aqui demonstra todo seu potencial; Ryo Okomuto faz alguns dos melhores solos voltados ao Rock Progressivo que já ouvi e se utiliza dos mais variados recursos de teclas - piano, hammond, mellotron, etc; também digo sem medo de errar que esse é o trabalho que Jay Schellen mais arrebenta; e John Payne como vocalista está mais dramático, e suas linhas de baixo revelam um músico extraordinário.



Francamente, não imaginava poder escutar músicas como "New Jerusalem" e "Written on the Wind" no momento atual da música. Por mais que sejam feitos muitos trabalhos bons atualmente, essas músicas remetem à genialidade dos anos 70. Absolutamente tudo feito à perfeição e com concessões experimentais que passam longe de algo nonsense. E só de pensar que "Written on the Wind" foi escrita pro Asia e se saísse por esse grupo, sem dúvidas, seria mutilada pela metade. Assim como outras que foram reaproveitadas do Asia para este trabalho. Não me prolongarei mais quanto à qualidade individual das músicas, apenas digo que, pelos motivos já citados, Window to the Soul é um dos melhores discos dos anos 2000 e o projeto GPS é o que há de mais original provindo do AOR - junto com os primeiros trabalhos solos de Bob Catley.

Geoff Downes deu um pé na bunda, mas o próprio foi quem sentiu a dor. Ou seja, Sr. Downes fez um grande favor ao dispensar estes músicos que puderam ter a liberdade necessária para trabalhar suas composições sem qualquer exigência de mercado. E que fique claro que essas características do grupo não determinam superioridade, apenas um ponto de vista, até porque, pra mim, este disco não supera o Aqua do Asia, mas coloca o restante da discografia dessa banda no bolso. Comercial? Óbvio que sim. Para as massas? Claro que não.

01-Window to the Soul
02-New Jerusalem
03-Heaven Can Wait
04-Written on the Wind
05-I Believe in Yesterday
06-The Objector
07-All My Life
08-Gold
09-Since You've Been Gone
10-Taken Dreams

John Payne - vocal/bass
Guthrie Govan - guitar
Jay Schellen - drums
Ryo Okumoto - keyboards

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Dragztripztar

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Marillion - Script For A Jester's Tear [1983]


1983. O progressivo parecia derrotado naquela altura. Após a fase punk que já havia tirado esse movimento de cena, agora o synth-pop dominava a parada de sucesso. Mas nesse ano, surge uma banda liderada por um excêntrico escocês, cuja a voz e maneira de cantar lembravam muito o líder do Genesis naquela altura, Peter Gabriel. E apesar da acusação de imitadores do Genesis, com o tempo foram os líderes do chamado movimento neo-progressivo.

E o talento indiscutível do Marillion já pode ser notado em seu disco de estréia, o ótimo "Script For A Jester's Tear". E esse já foi bem recebido pelo público, em que a banda conseguiu atingir o sétimo lugar nas paradas britânicas, chamando atenção de muitos que eram órfãos desse estilo. Não à toa, pois temos aqui letras poéticas e construídas de maneira perfeita, com músicos que logo em sua estréia mostravam que eram técnicos o suficiente para acompanharem as interpretações teatrais do vocalista Fish em cima do palco.

E ao colocar o disco para rodar fica fácil de entender o motivo desse frisson todo na época. A faixa-título é algo digno de ser chamado de uma obra de arte no sentido completo da palavra. Com uma letra que trata sobre a perca de um amor (algo não muito comum para um grupo progressivo e que viria a ser tratado novamente no também magnífico Misplaced Childhood), Fish mostra o porque de ser tão cultuado pela grande maioria dos fãs da banda. Com uma interpretação sobrenatural, onde se torna impossível não ser cativado por essa bela canção, principalmente em seus três minutos finais, feitos para levar os ouvintes às lágrimas.



Após esse petardo inicial, "He Knows You Know" vem de maneira hipnotizante, uma canção que trata sobre os efeitos das drogas e com um andamento mais sombrio, que retrata as paranóias de um usuário, junto com uma tentativa de suicídio do mesmo, em mais uma interpretação arrasadora de Fish. "The Web" apresenta um lado mais comercial do grupo, mas que em sua segunda metade se torna uma canção matadora, onde mesmo sendo um grupo ainda novo e sem muita experiência, todos os membros dão seu show à parte para que mais uma vez tenhamos uma canção memorável.

"Garden Party" é um alegre hino, quase que um convite à festa que está sendo narrada durante a execução da canção e que acaba por ser uma pequena trégua ao clima pesado de todo esse belo registro. "Chelsea Monday" volta a cadenciar o ritmo do disco e nos leva a mais uma viagem, mas que, porém não é tão mágico quanto tudo o que foi apresentado até este momento. Porém o encerramento com a sensacional "Forgotten Sons" coloca tudo no eixo novamente e finaliza esse grande disco de maneira excelente. Na letra que trata sobre os problemas da Irlanda em guerra civil, a banda mais uma vez se destaca e cria uma canção sublime, com seus quase nove minutos que prendem atenção do ouvinte até o final, devido a sua urgência.

Aqui ainda vemos uma banda que estava experimentando um caminho a qual seguir, que foi melhor definido no sucessor "Fugazi" (já postado pelo Dragztripztar aqui). Mas que mesmo assim está entre os três discos da melhor fase do grupo, que estão todos postados aqui. E ao ouvir esses é impossível contestar que mesmo que os últimos discos com o Marillion sejam legais, que a era Fish tinha aquele algo a mais que os fizeram ser tão respeitados dentro do cenário progressivo.




1.Script for a Jester's Tear
2.He Knows You Know
3.The Web
4.Garden Party
5.Chelsea Monday
6.Forgotten Sons

Fish – Vocais
Steve Rothery - Guitarras
Mark Kelly - Teclados
Pete Trewavas - Baixo
Mick Pointer - Bateria


By Weschap Coverdale

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Uriah Heep - Salisbury [1971]


A abordagem temática da magia que foi iniciada no Demons and Wizards e se consolidou no The Magician's Birthday, revolucionou a cara do Rock e nos tempos atuais se faz mais influente do que nunca. Entretanto, esse lado mágico transmitido nas letras já estava presente na música do Uriah Heep desde o começo, até mesmo na sonoridade crua, embora já muito caprichada, do debut. Mas o que fez o Uriah Heep decolar foi quando o genial tecladista Ken Hensley tomou as rédeas das composições, e se firmou como um dos maiores compositores da história do Rock.

Mesmo presente nas gravações do primeiro full-lenght, foi em Salisbury que Hensley começou a contribuir como compositor. Ainda dividindo algumas composições mas, posteriormente, ficaria ainda mais imbuído por essa tarefa. Com o tecladista dominando as composições e impondo suas características, as músicas ficaram mais atmosféricas e menos guiadas por riffs e peso. Mas isso foi balanceado perfeitamente, e as partes pesadas surgem de maneira impiedosa, principalmente na jóia rara que apenas os norte-americanos foram privilegiados no ano anterior ao lançamento de Salisbury.

Capa da versão norte-americana

"Bird of Prey", que abre a versão britânica de Salisbury, foi composta para o Very 'Eavy, Very 'Umble e só saiu na versão estadunidense desse álbum, sendo substituída por "Simon the Bullet" na prensagem americana de Salisbury. Por não ter sido composta para o Salisbury, é a única composição aqui presente que não contou com o auxílio do mago Hensley. E é logo nessa abertura que somos entusiasmados pelo desempenho fora de série do vocalista David Byron. Permanecendo até hoje como um dos principais elaboradores da forma de canto do Heavy Metal, Byron abusa dos seus falsetes agressivos em "Bird of Prey", soando ainda como algo atual. E hoje podemos perceber que, mesmo com as facilidades tecnológicas para atingir um resultado satisfatório de forma cada vez mais prática e menos penosa, nada se compara, nem de longe, com a maneira que Byron se impõe.

Apesar do impactante início, é com a suavidade de "The Park" e "Lady in Black" que é definido os maiores diferenciais do Uriah Heep. A magia transcendente dessas canções está acima de qualquer compreensão de onde foi buscada inspiração por Hensley para criar baladas transmitindo um sentimento tão singular. Não é romântico, não é alegre, não é triste. É algo singelo, mas não menos do que mágico. "Lady in Black" foi concebida depois da experiência com o sobrenatural de Ken Hensley - o mesmo é quem a canta -, e ninguém ousa duvidar disso, porque até mesmo os mais céticos, ao ouvir esta música, devem convir que a composição foi originada a partir desse contato.


Antes de ser literalmente assombrado por "Lady in Black", somos apresentados a "Time to Live" que, devido a colaboração do guitarrista Mick Box na composição, é sustentada pelos riffs certeiros e simples, mas Byron rouba a cena com mais uma atuação 'classuda'. "High Priestess", que apresenta riffs mais bem construídos sob o andamento rápido da cozinha e conta com um solo avassalador, escancara de vez a faceta Hard Rock do grupo. E a obra-prima se encerra com a monumental faixa-título, seguindo as tendências progressivas da época, mas com uma textura riquíssima. Metais, violinos, coros e orgãos juntos formando um som bombástico que ultrapassa os 16 minutos.

Nas centenas de artigos falando da importância dos discos Demons and Wizards e The Magician's Birthday, vários acabam tentando passar a ilusão de que o Uriah Heep só foi especial durante esses discos, quando a única real diferença é a temática inovadora que foi apresentada nesses trabalhos. Isso acaba por subestimar o legado deste que é um dos melhores grupos de Rock justamente por ter um vasto catálogo de discos fenomenais, e Salisbury foi a primeira carta mágica que Hensley tirou da manga. Mas, justiça seja feita, os resultados também não seriam obtidos se junto a Hensley não estivessem o lendário David Byron e o criador Mick Box - que até hoje mantém vivo o mito shakespeariano.


01 - Bird Of Prey
02 - The Park
03 - Time To Live
04 - Lady In Black
05 - High Priestess
06 - Salisbury

David Byron - lead vocals
Mick Box – lead & acoustic guitar, vocals
Ken Hensley – slide & acoustic guitar, vocals, piano, harpsichord, organ, vibraphone
Paul Newton – bass guitar, vocals
Keith Baker – drums, percussion

Strings & Brass arranged by John Fiddy

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Dragztripztar

Da esq. para dir.: Ken Hensley, David Byron, Paul Newton, Mick Box & Keith Baker

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Marillion - Fugazi [1984]


Após o lançamento do debut Script for a Jester's Tear (1983), o Marillion passou a ter sérios problemas em relação ao posto de baterista, o que quase culminou na precoce saída do vocalista Fish. O momento conturbado se deu após Fish decretar a saída do baterista Mick Pointer, o que acarretou na entrada de Andy Ward (Camel) que após alguns shows teve um colapso nervoso impedindo-o de continuar na banda. Posteriormente mais dois bateristas entraram na banda, sendo que o último, Jonathan Mover (Alice Cooper, Joe Satriani) não agradou nenhum pouco o exigente Fish que diante da situação próxima das gravações do segundo disco, e querendo a saída imediata de Mover, propôs à banda o velho "ou ele ou eu!".

A pressão da gravadora aumentava e a banda não conseguia efetivar um baterista devido ao gênio déspota de Fish, que segundo o próprio, queria alguém nos "padrões de excelência britânica". Foi quando surgiu no caminho, um baterista que já havia trabalhado com o ex guitarrista do Genesis, Steve Hackett. Fish que é fortemente influenciado (e comparado) ao Peter Gabriel, deve ter levado em conta o currículo de Ian Mosley e o aceitou na banda. A atuação de Mosley em Fugazi mostra por que Fish não teve motivo pra implicar com um baterista dessa vez.

Com tudo pronto, o Marillion entrou em estúdio para registrar Fugazi, título dado por Fish que tirou a palavra de um livro de lembranças de veteranos da guerra do Vietnã, que era um assunto que tinha lhe fascinado durante a turnê do Script. Lançado em 1984, esse álbum foi a consolidação de Fish como um dos vocalistas mais desenvoltos e performáticos da década de 80, que também chamava a atenção por ter um desprendimento sem pudor algum de relatar suas experiências de diversas naturezas. Sua vida conturbada é narrada de forma complexa através de vocalizações dramáticas e profundas.


O momento conturbado que antecedeu as gravações de Fugazi se manteve durante as sessões do disco, que foi gravado e mixado em seis estúdios. A capa do play é um complemento da capa do debut, onde tenta mostrar o outro lado da quitinete representada em Script. Aqui é mostrado um músico de Rock em turnê com sinais de abuso de drogas, o que deve ser outra referência à Fish, que nunca negou seus excessos. O que não tem tanta ligação com as letras que tratam do relacionamento entre duas pessoas, tendo a síntese transmitida na letra de "Jigsaw", que discorre sobre os jogos e segredos de um relacionamento.

Particularmente, eu acho muito chato comentar letras subjetivas e pessoais como é o caso, porque tudo é questão de interpretação e às vezes é algo tão íntimo que nem há um tema proposto para reflexão, como por exemplo, "She Chameleon" que trata estritamente das atitudes sexuais de Fish na estrada. Então, já colocado de forma superficial e elucidativa tudo que envolve o material, resta o alicerce que sustenta todas essas idéias e que realmente encanta: o som! O disco abre com uma música semeada de algo que acompanhava Fish intensamente: seu interesse pela música islâmica. "Assassing", deveria ter como título apenas "Assassin", mas Fish inexplicavelmente colocou um "g" no final, que segundo ele não significa nada e nem sabe por que resolveu nomear dessa maneira.

O fato é que "Assassing" traz levadas e melodias exóticas pouco compreendidas de onde foram influenciadas. Bem como "Incubus", que também foi influenciada pela música islâmica, resultando em algo único. O single "Punch & Judy" é a composição mais direta do disco, e revela músicos talentosíssimos que desenvolvem melodias pungentes rebuscadas por uma execução primorosa. A cozinha também conta com um peso e uma força que se equipara mais a grupos de Metal do que Rock Progressivo. Isso pode se explicar pela época, que facilitava gravações densas como essa. De qualquer modo, os musicos habilidosos são fundamentais para Fish se soltar e desfilar todo seu talento.



"Jigsaw" começa de forma suave e explode com um dos melhores refrãos que eu já escutei. O Progressivo pinta e borda essa música, assim como "Emerald Lies", que toma proporções grandiosas a partir da metade da composição. E Mark Kelly deixa transparecer sua maior influência em "She Chameleon" que possui um solo na linha de Rick Wakeman, embora de forma bem mais contida. "She Chameleon" que também oscila passagens com tons bem melancólicos, traduzindo cada sentimento da letra. A canção preferida de Fish, "Incubus" novamente apresenta arranjos e melodias inspiradas na sonoridade islâmica, além de um belo solo de guitarra com notas minuciosamente bem colocadas e que poderia ser ainda mais impactante se tivesse um timbre mais expressivo.

O propósito do álbum tem o dilúvio na faixa-título. Uma grande sucessão de passagens magistrais culminando em um final apoteótico com Mark Kelly soltando ambientações de teclados magníficas criando um clima de suspense, quase aterrorizante. Uma obra monumental que delineia novos limites de genialidade, deixando qualquer um perplexo e extasiado tamanha a maneira cabal como a música foi composta. Um som muito bem apropriado pra finalizar um disco dessa magnitude. Diante disso é até difícil de acreditar que Mark Kelly achou que não ia ter inspiração pra finalizar o álbum, pois ficou meses isolado do mundo, no País de Gales, com apenas uma música composta e idéias que não se encaixavam.

De fato, Fugazi é um daqueles discos edificantes que transforma o ambiente em que ecoa. Aqui foi determinado o padrão que apenas se repetiria nos álbuns subseqüentes, conforme admitido pelo próprio tecladista Mark Kelly. Além do mais, é um marco na história do Progressivo, por mostrar que se pode produzir sons nesse estilo sem nunca ser exaustivo e muito menos presunçoso. No entanto, isso não é algo que foi levado adiante por nenhuma outra banda, visto que isso foi uma característica primordial e exclusiva do Marillion.

P.S: A versão postada é o remaster lançado em 1998, que traz um cd bônus com músicas inéditas, versões alternativas e demos.

01 Assassing
02 Punch & Judy
03 Jigsaw
04 Emerald Lies
05 She Chameleon
06 Incubus
07 Fugazi

Cd Bônus:
01 Cinderella Search
02 Assassing (Alternate Version)
03 Three Boats Down from the Can
04 Punch and Judy (Demo)
05 She Chameleon (Demo)
06 Emerald Lies (Demo)
07 Incubus (Demo)

Fish – vocals
Steve Rothery - guitars
Pete Trewavas - bass
Ian Mosley - drums
Mark Kelly - keyboards

Linda Pyke - backing vocals on "Incubus"

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Dragztripztar

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Meat Loaf - Bat Out Of Hell II: Back into Hell [1993]


Em 1977, o mundo foi tomado de assalto pela grandiosa obra composta por Jim Steinman e interpretada por Marvin Lee Aday, mais conhecido como Meat Loaf, a magnífica ópera rock "Bat Out of Hell", que se tornou "apenas" o terceiro disco mais vendido de todos os tempos. Mas havia a sensação por parte de Steinman de que a história estava incompleta e precisava de continuidade. Devido a muitos contratempos como o roubo do livro em que a mesma estava sendo escrita e a perda da voz de Meat Loaf, que como Steinman mesmo descreveu "ele parecia literalmente como a menina de" O Exorcista "... como um dragão tentando cantar. Era um som horrível."

Mas a idéia não foi de lado e ressurgiu com força em 1989, durante o natal na casa de Loaf, onde ele cantou "Bat Out of Hell" no piano e deu a certeza de que era necessário eles voltarem a trabalhar juntos. Após dois anos de gravação, eis que o disco foi lançado em 1993 e voltou a assombrar o mundo com a continuação de excelente qualidade apresentada. O disco chegou ao primeiro lugar nos EUA, Inglaterra e Austrália, tendo o seu principal single, "I'd Do Anything for Love" alcançado o primeiro lugar em 28 países simultaneamente. Sem falar que Meat Loaf acabou por ganhar o prêmio Grammy por melhor perfomance vocal rock, e arrebatou muitas críticas positivas sobre o disco.

E realmente, a continuação da consagrada ópera não decepciona em momento algum. "I'd Do Anything for Love (But I Won't Do That)" inicia o disco de maneira arrebatadora, uma monstruosa balada de 12 minutos que não soa repetitiva de maneira nenhuma, com uma interpretação dramática e inspiradora de Meat Loaf junto com Lorraine Crosby. Essa canção inclusive foi uma das principais responsáveis pelo sucesso do disco, mas foi apenas um chamariz para o restante dessa magnífica obra. A pessimista "Life Is a Lemon and I Want My Money Back" é outra grande canção e que apesar de sua letra sombria é uma canção empolgante, um rock respeitável e cheio de pompa, inclusive com a participação dos irmãos Nelson nos backing vocals. E inclusive essa seria uma das características desse disco, letras mais obscuras e pesadas em comparação com o primeiro e juvenil álbum desta trilogia.

A dupla dinâmica Meat Loaf e Jim Steinman

O rock anthem "Rock and Roll Dreams Come Through" é uma canção que exalta o rock n' roll, que para muito de nós é uma de suas principais paixões (quiçá se não seja a principal), em que afirma que "você nunca está sozinho, porque você pode colocar os fones e deixar o baterista dizer ao seu coração o que fazer”. E podemos dizer que muitas vezes isso é verdade, quem aqui muitas vezes não se levantou, chorou suas mágoas, namorou ou mesmo viveu fortes emoções ao som deste ritmo mágico? "It Just Won't Quit" volta ao clima de insegurança e tristeza do personagem principal e de como este estava perdido em seus sentimentos, talvez o amor, em mais uma bela canção. "Out of the Frying Pan (And into the Fire)" é de tirar o fôlego e tem uma beleza singular, sem falar da letra mais otimista, daquele tipo "levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima".

"Objects in the Rear View Mirror May Appear Closer than They Are" é deveras emocionante, com fantasmas da juventude a assombrar o personagem principal, desde a perda de um amigo na morte, a perda de um amor e a violência que ele sofria por parte de seu pai. E Meat Loaf conhecia essa situação muito bem, pois ele mesmo havia sofrido isso, pois fugiu de casa devido as constantes agressões por parte de seu pai, apenas pelo fato de ser gordo. O monólogo "Wasted Youth" abre alas para a roqueira e eletrizante "Everything Louder than Everything Else" em que Loaf mais uma vez rouba a cena, cantando muito. Sem falar na bateria sensacional dessa música, que soa como as batidas de coração do personagem.

"Good Girls Go to Heaven (Bad Girls Go Everywhere)" é guiada por um som dançante e uma letra adolescente e mantém o excelente nível. "Lost Boys and Golden Girls" finaliza este disco com a mesma emoção que transcorreu durante toda a sua audição, que remete ao espírito do Peter Pan de nunca envelhecer. Um disco espetacular e que voltaria a ser evocado em 2007 com o lançamento da terceira parte desta magnífica trilogia, mas esta ficará para amanhã. Um disco essencial para sua discografia básica e uma verdadeira aula de música e feeling.


1. I'd Do Anything for Love (But I Won't Do That)
2. Life Is a Lemon and I Want My Money Back
3. Rock and Roll Dreams Come Through
4. It Just Won't Quit
5. Out of the Frying Pan (And into the Fire)
6. Objects in the Rear View Mirror May Appear Closer than They Are
7. Wasted Youth
8. Everything Louder than Everything Else
9. Good Girls Go to Heaven (Bad Girls Go Everywhere)
10.Back Into Hell
11.Lost Boys and Golden Girls

Meat Loaf – Vocais
Pat Thrall, Tim Pierce, Eddie Martinez – Guitarras
Steve Buslowe – Baixo
Bill Payne, Roy Bittan – Piano, Teclados
Jeff Bova – Syntetizador
Lenny Pickett – Saxofone
Brian Meagher Jr., Justin Meagher, Kenny Aronoff, Jimmy Bralower - Bateria
Jim Steinman – Voz do monólogo (Faixa 7), Backing Vocals (Faixa 2)
Lorraine "Mrs. Loud" Crosby – Vocais femininos (Faixa 1), Backing Vocals
Ellen Foley, Rory Dodd , Todd Rundgren, Kasim Sulton, Stuart Emerson, Amy Goff , Elaine Goff, Max Haskett, Curtis King, Gunnar Nelson, Matthew Nelson , Robert Coron, Brett Cullen, Cynthia Geary, Michelle Little, Eric Troyer – Backing Vocals

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By Weschap Coverdale