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quarta-feira, 27 de julho de 2011

Pink Floyd – P.U.L.S.E [1994]



Pink Floyd sem Roger Waters é algo que divide opiniões. Mas unânime é o reconhecimento do enorme talento dos demais membros que carregaram a bandeira (leia-se nome/marca da banda) após a saída do principal compositor e baixista.

Os shows do Pink Floyd, independentemente da era, sempre foram um espetáculo para satisfazer todos os sentidos. O primor técnico nas execuções das faixas, somados ao cenário extravagante e a outros estímulos sensoriais indescritíveis sempre foram um presente para a platéia, e marca da era psicodélica em que surgiu a banda. Não se esqueça que eles gravaram no Abbey Road Studios enquanto os Beatles gravavam Sgt. Peppers na sala ao lado. Terra de gigantes. Infelizmente, nunca tive o prazer de ir a um show da banda, mas conheço quem foi. A unanimidade sobre a magia do espetáculo é latente.



Após a saída de Roger Waters, a produção da banda foi pouca em se tratando de gravações, mas continuou com o padrão de excelência de sempre. A Momentary Lapse Of Reason mostrou que os membros remanescentes ainda tinham lenha para queimar (Learning To Fly está entre as minhas favoritas do Floyd), e que o aprimoramento tecnológico era uma constante, tanto nas gravações como nos shows. As letras, menos apocalípticas, continuaram trazendo a melancolia de sempre.

Gravado durante a megaturnê promocional do álbum The Division Bell, o disco duplo ao vivo P.U.L.S.E já demonstra a genialidade dos caras no primoroso trabalho de capa. O título, com os pontos denotando uma respiração ritmada, faz coro com uma pequena luz na lateral da caixa, que facilita a identificação do disco no escuro entre as pilhas de CDs. A arte da capa e o livreto que acompanha a obra são inexplicavelmente lindos, e ficaram a cargo dos excelentes artistas plásticos Julien Mills e Peter Curzon.



Gravado durante a perna européia (em especial no famoso Earls Court, de Londres, em outubro de 1994), o disco vendeu como água. Toda a brilhante carreira da banda está revisitada aqui, com execuções, repito, perfeitas. Alguns sentirão falta de músicas específicas, mas o resultado é inegavelmente satisfatório.

O disco 1 revisita vários momentos da carreira da banda, de Shine on You Crazy Diamond a Astronomy Domine, de autoria do hoje falecido Syd Barret. Tem Learning To Fly, Hey You (The Wall) e uma sequência de hits perfeitamente escalada para ter continuidade. É um misto de épocas que, executados pela mesma banda em um show como este, demonstra que o DNA musical permanece intacto mesmo após vários anos de estrada e trocas de componentes. O Pink Floyd é um verdadeiro dinossauro, e merece respeito e admiração.

Agora, o disco 2 destrói neurônios e mostra-se altamente perigoso. A viagem lisérgica inicia com a execução do clássico The Dark Side Of The Moon na íntegra. Me faz lembrar o filme O Mágico de Oz e a sincronia inacreditável que existe entre o filme e o disco. O play já foi muito bem resenhado aqui, portanto, me limito a dizer que a execução das músicas é fenomenal, fantástica, como é de se esperar.

Na sequência vem a destruição total da sanidade humana. Após o Dark Side na íntegra, Gilmour ainda tem fôlego para nos arrebatar os últimos neurônios com Wish You Where Here (quem não sabe tocar no violão é porque não toca violão), Confortably Numb com um dos melhores solos de guitarra da história da música e, para terminar o espetáculo, Run Like Hell.



Depois disso tivemos a morte de Richar Wright, que impede qualquer nova reunião da formação clássica, mesmo com as falsas miguxices encenadas pela dupla Gilmour/ Waters. Quem foi, foi. Quem não foi, confere agora.

Apague a luz da sala, queime um incenso (somente) e, ao som desse disco, permaneça de frente ao espelho procurando a sua aura. Se, após o término do segundo disco, você ainda não a tiver encontrado, é porque você não tem uma.

Som de qualidade e produção impecáveis, somadas a talento monstruoso. Tem que ter.

Track List

Disco 1
1. "Shine On You Crazy Diamond (Parts I II III IV V VII)" (David Gilmour, Roger Waters, Richard Wright) – 13:35
- Earls Court, London on 20 October 1994
2. "Astronomy Domine" (Syd Barrett) – 4:20
- Earls Court, London on 15 October 1994
- Lead vocals: David Gilmour and Richard Wright
3. "What Do You Want from Me" (Gilmour, Wright, Polly Samson) – 4:10
- Rome, 21 September 1994
4. "Learning to Fly" (Gilmour, Anthony Moore, Bob Ezrin, Jon Carin) – 5:16
- Earls Court, London on 14 October 1994
5. "Keep Talking" (Gilmour, Wright, Samson) – 6:52
- Hannover, 17 August 1994
6. "Coming Back to Life" (Gilmour) – 6:56
- Earls Court, London on 13 October 1994
7. "Hey You" (Waters) – 4:40
- Earls Court, London on 13 and 15 (last verse) October 1994
- Lead vocals: David Gilmour and Jon Carin
8. "A Great Day for Freedom" (Gilmour, Samson) – 4:30
- Earls Court, London on 19 October 1994
9. "Sorrow" (Gilmour) – 10:49
- Rome, 20 September 1994
10. "High Hopes" (Gilmour, Samson) – 7:52
- Earls Court, London on 20 October 1994
11. "Another Brick in the Wall (Part II)" (Waters) – 7:08
- Earls Court, London on 21 October 1994
- Lead vocals: David Gilmour and Guy Pratt

Disco 2
The Dark Side of the Moon
1. "Speak to Me" (Mason) – 2:30
- Earls Court 20 October 1994
2. "Breathe" (Gilmour, Waters, Wright) – 2:33
- Earls Court 20 October 1994
- Lead vocals: David Gilmour and Jon Carin
3. "On the Run" (Gilmour, Waters) – 3:48
- Earls Court 20 October 1994
4. "Time" (Gilmour, Waters, Wright, Mason) – 6:47
- Explosion recorded in London, 15 October 1994. Intro recorded in Modena 17 September 1994. The rest of song and most of "Breathe (Reprise)" was recorded in Rome, 20 September 1994. Ending of "Breathe Reprise" recorded in London, 20 October 1994.
- Lead vocals: David Gilmour and Richard Wright
5. "The Great Gig in the Sky" (Wright, Torry) – 5:52
- London, 20 October 1994
- Lead vocals: Sam Brown, Durga McBroom and Claudia Fontaine
6. "Money" (Waters) – 8:54
- Modena, 17 September 1994
7. "Us and Them" (Waters, Wright) – 6:58
- London, 20 October 1994. Second and third choruses London, 19 October 1994.
8. "Any Colour You Like" (Gilmour, Wright, Mason) – 3:21
- London, 23 October 1994. Last part recorded in London, 19 October 1994.
9. "Brain Damage" (Waters) – 3:46
- London, 19 October 1994
10. "Eclipse" (Waters) – 2:38
- London, 19 October 1994
11. "Wish You Were Here" (Gilmour, Waters) – 6:35
- Rome, 20 September 1994
12. "Comfortably Numb" (Gilmour, Waters) – 9:29
- London, 20 October 1994
- Lead vocals: David Gilmour, Richard Wright, Jon Carin and Guy Pratt
13. "Run Like Hell" (Gilmour, Waters) – 8:36
- London, 15 October 1994
- Lead vocals: David Gilmour and Guy Pratt

Pink Floyd:
David Gilmour (vocais, guitarras)
Richard Wright (vocais, teclados)
Nick Mason (bateria)

Músicos adicionais:
Tim Renwick (vocais, guitarra)
Jon Carin (vocais, teclados, synthesizer)
Guy Pratt (vocais, baixo)
Dick Parry (saxofone)
Gary Wallis (percussão)
Jason Reddy (computers)
Claudia Fontaine, Durga McBroom, Sam Leigh Brown, Sam Brown (background vocais)

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Por Zorreiro

sábado, 25 de junho de 2011

Os Mutantes – A Divina Comédia ou Ando Meio Desligado [1970]



Os Mutantes são a prova de que, para se chegar onde se quer, é preciso ter talento e muitos contatos bons.

Todos enaltecem as qualidades (indiscutíveis) dos músicos da banda. Mas poucos se lembram que eles começaram tentando os festivais e a televisão. Porta certa para o contrato com uma major, e desejo de 10 entre 10 músicos à época.

Antes do nome Os Mutantes, o grupo foi batizado de Wooden Faces (genial), Six Sided Rockers, O Conjunto e O'Seis. Nada muito atraente se contarmos que, em 1966, os milicos estavam no auge da repressão aos artistas e pensadores brasileiros. Qualquer gracinha ou trocadilho poderia significar algo bem ruim. Caetano e Gil foram exilados, assim como uma leva de políticos e manifestantes. Aliás, abrindo um parêntese, nunca entendi por que o grande comunista Oscar Niemeyer se exilou em Paris e não em Cuba, China ou URSS, afinal...

Os Mutantes começaram como banda de apoio de Gilberto Gil em um festival da TV Record (que não era dos bispos ainda). E com ele gravaram o seu primeiro full lenght. A seguir veio óbvio: Caetano e seu disco é proibido proibir.



O post de hoje é o terceiro disco próprio da banda Os Mutantes, e no qual eles tiveram o parquinho do estúdio todo disponível para brincar a vontade. A dupla Rita Lee e Arnaldo Baptista, então com um inevitável affair que não agradou o irmão Sérgio, consagrava-se como um novo horizonte nas composições do rock’n’roll brasileiro. Sérgio estava lá também, claro, mas Arnaldo foi o cérebro louco por trás da engenhoca sonora do grupo.

O play traz duas covers, uma de Roberto e Erasmo (Preciso urgentemente encontrar um amigo) e outra de Sílvio Caldas (Chão de Estrelas, aqui praticamente irreconhecível). É o início de uma trip que culminaria com os não menos fantásticos Jardim Elétrico e Mutantes e Seus Cometas no País dos Baurets (outro título genial), já magnificamente resenhados por aqui.

As drogas e os acidentes da vida, como a tentativa frustrada de suicídio de Arnaldo, somados a um sucesso estranho para a época (até hoje Os Mutantes tem mais repercussão no exterior que no Brasil) tiraram o brilhantismo e a genialidade deles da cena. Rita Lee saiu (disse em entrevista que foi expulsa por Sérgio) e fez enorme sucesso com sua carreira solo. Sérgio toca a banda pra frente até hoje. E o gênio Arnaldo pena um ostracismo esquizofrênico inexplicável.

Ando Meio Desligado abre a bolacha com uma das melhores músicas que eles fizeram na carreira. Rita Lee até hoje é lembrada pelos vocais que fez aqui. “Eu nem vejo a hora de te dizer aquilo tudo que eu decorei” é frase pra menestrel nenhum botar defeito. Sérgio traz uma guitarra maravilhosamente timbrada, cortesia dos instrumentos e equipamentos que seu irmão Cláudio fazia.



Quem tem medo de brincar de amor taz um Hammond sem vergonha demais. Vocais em uníssono criam uma atmosfera então inédita no rock nacional. Hammond esse que é demasiadamente explícito em Meu Refrigerador Não Funciona. Rita incorpora Janis Joplin e imprime seu lado psicodelic blues.

Hey Boy é uma canção que poderia tranquilamente ter saído de um disco da Jovem Guarda. Ave Lúcifer é estranha... vocais alternados e uma mensagem subliminar atrás da outra. Francamente, era muito pra cabeça da rapaziada naqueles anos de chumbo. Mas era difícil não encontrar esse disco nas casas dos universitários antenados com a liberdade de expressão. Tão estranho quando tentar entender como passou pela censura e foi para as prateleiras.



O fim é espetacular. Oh! Mulher Infiel é uma jam session raivosa, com Arnaldo destruindo seu Hammond no estúdio, enquanto o intercala com passagens de piano em ritmos sincopados. Sérgio Dias traz uma distorção de fuzz que, confesso, nunca antes havia se noticiado nesta republiqueta de bananas. Um clássico. Divina Comédia é o nome que cai como uma luva para algo desse cacife.

Ouça esse disco, que mostra um grupo já consolidado no mercado e com um contrato bem bom com uma grande gravadora, mas que estava pouco se importando para as tendências do mercado. Eles queriam extravasar seus gênios criativos. E conseguiram.

Track List

1. Ando meio desligado
2. Quem tem medo de brincar de amor
3. Ave Lúcifer
4. Desculpe, baby
5. Meu refrigerador não funciona
6. Hey boy
7. Preciso urgentemente encontrar um amigo
8. Chão de estrelas
9. Jogo de calçada
10. Haleluia
11. Oh! Mulher infiel

Arnaldo Baptista: baixo, teclados, vocais
Rita Lee: vocais, percussões, efeitos
Sérgio Dias: guitarras, baixo, vocais
Participações:
Raphael Villardi: violão e vocais
Naná Vasconcelos: percussão
Liminha: baixo
Dinho Leme: bateria
Rogério Duprat: arranjos orquestrais

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Por Zorreiro

domingo, 29 de maio de 2011

The Beatles - Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band [1967]


Maior clássico da história da música pop. O disco mais influente de todos os tempos. O Magnus-opus da maior banda de rock que existiu no planeta. O disco que influenciou o início de milhares de bandas, desde a sua criativa capa até seu rebuscado som. Se for listar todos os elogios tecidos a este trabalho, faria a resenha sem nem citar alguma música deste, mas realmente "Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band" é um fenômeno fora do comum.

Só para se ter uma idéia da importância do mesmo, vamos para alguns números sobre este. Apesar de ser um trabalho sem nenhum tipo de apelo comercial e ter sido muito pouco executado nas rádios, vendeu 11 milhões de cópias somente em solo norte-americano e em torno de 32 milhões de cópias em todo o mundo. O álbum lidera "apenas" as listas dos melhores álbuns de sempre da revista Rolling Stone e dos 200 álbuns definitivos no Rock and Roll Hall of Fame. Foram gastas 700 horas de gravação para este registro e 75 mil dólares gastos, um recorde para aquela época.

A banda do Sgt. Peppers

"Sgt. Peppers" marcou o início de uma revolução inexplicável dentro do rock. Se até aqui o rock era algo alegre e até mesmo simplório, aqui extrapolou todos os limites que existiam outrora e se transformou em uma arte. Trata-se de um dos primeiros discos conceituais dentro do estilo, sem falar no experimentalismo que envolve o mesmo. Mas para entendermos o que foi o combustível para este grande momento, voltemos para o que estava ocorrendo na época com o grupo.

A Beatlemania estava em baixa no ano de 1966, muito em parte a infeliz e conhecida declaração de John Lennon, de que "Os Beatles eram maiores do que Jesus Cristo". Essa causou uma reação de revolta, que gerou um tumulto durante um show deles na Filadélfia. Cansados dessas reações adversas e das cansativas turnês, a banda decide se dedicar unicamente as gravações em estúdio, deixando de lado os shows, o que é um baita de um tiro no pé de qualquer grupo musical que se preze. Essa decisão deixou os críticos estarrecidos, que declaravam sem nenhum pudor de que aquele era o fim do grupo.

Do outro lado do Atlântico uma banda que outrora era apenas um bando de garotos que faziam músicas sobre surf e outros assuntos adolescentes decidem rivalizar com os Beatles, lançando o clássico e muito trabalhado "Pet Sounds", que acabou sendo o combustível para que a banda trabalhasse em um registro para responder a altura o audacioso Brian Wilson. Trancam-se em um estúdio com George Martin e revolucionaram inclusive na parte técnica, pois foi o primeiro disco gravado em oito canais, com a junção de dois consoles de quatro canais. A idéia de um álbum conceitual partiu de Paul McCartney, que desejava que eles realmente fosse a banda do tal Sgt. Pepper's, mas que foi abandonada durante as gravações.

George Martin com a banda, conduzindo as gravações

Outro grande detalhe deste disco é sua belíssima capa, feita por Peter Blake e que se trata de uma colagem dos quatros Beatles incorporando a banda do Sgt. Pimenta ao lado de outras celebridades sendo as mais notáveis as seguintes: Albert Einstein, Bob Dylan, Carl Jung, Edgar Allan Poe, Fred Astaire, Marilyn Monroe, Marlon Brando, Oscar Wilde e os próprios Beatles em seu início de carreira. Mas dizem as más línguas que a capa ainda seria muito mais polêmica, mas que a banda evitou, tendo em sua concepção original as presenças de Jesus Cristo, Adolf Hitler e Ghandi, com medo de que gerasse uma polêmica ainda maior. Sem falar que muitos se baseiam na capa do disco para promover a idiota idéia de que Paul morreu e hoje é um sósia que está em seu lugar, mas não vou me alongar neste conto urbano.

Mas agora vamos ao que realmente interessa que é o som apresentado nesta obra de arte. E para começar os trabalhos temos a ótima faixa-título com seu andamento cadenciado e puxando para o hard e que mesmo sendo bem curta envolve de maneira inevitável e que já é bem diferente de tudo que a banda havia feito até aqui. Após essa, Ringo Starr assume os vocais na bela "With a Little Help From My Friends", que posteriormente ganharia uma versão magistral feita por Joe Cocker, continua aumenta o nível de experimentalismo em que a banda havia entrado, mas nada que fosse comparado a obra de arte "Lucy In The Sky With Diamonds".



"Lucy" é uma canção em que a psicodelia atinge níveis descomunais, com uma melodia inexplicável, em que a cada nota vemos como a velocidade foi claramente alterada para dar esse efeito de "viagem" que a mesma possuí. Esta canção gerou uma polêmica sobre fazer referência ao LSD, que Lennon desmentiu, afirmando fazer referência a um desenho de seu filho Julian, mas que quase 40 anos foi assumido por McCarney de que realmente ela fazia referência a droga. "Getting Better" é outra grande pérola, em que mais uma vez somos envolvidos por outra grande canção e percebemos a riqueza melódica em cada detalhe da canção, sem falar sua letra esperançosa, que se transmite até no som da guitarra de Harrison. "Fixing A Hole" também gerou polêmica, em que alguns suponham que esta fazia referência a heroína, algo que nunca foi confirmado, mas mostra um McCartney inspirado, brincando de modificar as harmonias a todo momento.

"She's Leaving Home" é uma peça clássica de beleza singular, uma obra de arte completa, que retrata a fuga de uma jovem com seu namorado, tem arranjos lindos conduzidos por George Martin e nos dá a certeza que estamos realmente diante de algo inexplicável e atemporal. A circense e hipnótica "Being for the Benefit of Mr. Kite!" te faz fechar os olhos e se sentir abduzido em alguns momentos durante sua execução, seja talvez pelo efeito anasalado na voz de Lennon, mas que tem grande parte de crédito a Martin, que criou uma atmosfera incrível para esta. Atmosfera essa que se faz mais presente na climática "Within You Without You" em que George Harrison é acompanhado de músicos indianos durante sua execução e nos sentimos realmente na Índia durante sua execução, em mais uma música de um bom gosto descomunal. "When I'm Sixty Four" foi composta por McCartney durante sua adolescência e tem um ar mais pueril e juvenil comparado ao conteúdo desse disco, mais ainda assim belo e cativante.

Foto na coletiva de imprensa do lançamento do disco

A pop "Lovely Rita" apresenta a dupla Lennon/McCartney mais uma vez aparece a todo vapor, com uma junção voz/piano que funciona de maneira perfeita. Mas aí vem "Good Morning Good Morning" que foi inspirada em uma caixa de cereais Kellogs com seu andamento roqueiro e que é uma das canções que mais gosto da carreira do grupo, com destaque para Harrison com solos ácidos e certeiros e a bateria animada de Ringo, que convida a realmente a começar o dia de melhor maneira possível, animado e sem frescura. A porrada "Reprise" continua com a banda descendo o braço sem dó, e mantém o nível roqueiro lá em cima. Tudo isso para desembocar no belo final com a grandiosa e emotiva "A Day In The Life", que volta a investir no experimentalismo, em que nem consigo descrever a beleza desta, e que deixarei que cada um tire suas conclusões sobre a "viagem" final que este disco nos traz e que o finaliza com chave de ouro, sem falar em seu final de arrancar suspiros, e que confirma que a produção deste realmente estava à frente anos-luz de qualquer outra feita naquele momento.

O marco definitivo, que elevou o rock a outro patamar e que serviria com base para muitos dos clássicos que postamos aqui anteriormente. O nascimento do art-rock e a evolução na música mundial seja na maneira de se produzir um disco, nas composições ou ainda na concepção visual de um registro musical. Por essas e outras que os Beatles são reverenciados como a maior banda que já surgiu. Gostando ou não, você é obrigado a concordar com a contribuição inestimável que os quatro rapazes de Liverpool deram ao nosso amado rock n' roll. E é obrigado a ter este registro em um pedestal dentre toda sua coleção, pois sem o mesmo, talvez o rock fosse diferente do que conhecemos hoje. Um disco que deve ser ouvido pelo menos umas 100 vezes antes de morrer, apreciado a cada detalhe e que deve ser aplaudido de pé após sua execução. OBRA-PRIMA!




1.Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band
2.With a Little Help from My Friends
3.Lucy in the Sky with Diamonds
4.Getting Better
5.Fixing a Hole
6.She's Leaving Home
7.Being for the Benefit of Mr. Kite!
8.Within You Without You
9.When I'm Sixty-Four
10.Lovely Rita
11.Good Morning Good Morning
12.Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band (Reprise)
13.A Day in the Life

John Lennon – Vocais, Violão, Guitarra, Órgão Hammond, Piano, Gaita, Tamborim
Paul McCartney – Vocais, Guitarra, Baixo, Órgão Hammond, Piano, vocalizações,
George Harrison – Guitarra, Violão, Sítara, Vocais em "Within You Without You," Backing Vocals, Gaita.
Ringo Starr – Bateria, Congas, Tambourim, Vocais em "With a Little Help from My Friends"


By Weschap Coverdale

terça-feira, 24 de maio de 2011

Mopho - Mopho [2000]



É só fechar os olhos e ligar o som. O cheiro de mofo e ácaros tomam as narinas e não se sabe bem o porquê. Mas há um motivo. A banda Mopho nos brinda com a sonoridade pura dos tempos do Long Play (LP). E mais: ela está ao alcance de todos os nossos sentidos.


A prova disso é o show de lançamento do novo registro de um dos grupos mais promissores e reverenciados da última década, tanto no cenário alagoano como lá fora – e quando se diz ‘lá fora’, que fique evidente que se trata do exterior.


Hoje, dia 24, haverá o espetáculo que põe no mercado o CD intitulado singelamente de “Volume 3”. A primeira performance ao vivo desse terceiro compacto da Mopho acontecerá no Teatro Deodoro, no Centro de Maceió-AL, às 20h30 - a banda alagoana existe desde 1996.


Volume 3, o novo CD da banda


Há até um kit 'mofado': novo CD + pôster + tíquete para o show, que fica por R$ 50, com direito a um lugar mais próximo do palco - também haverá uma sequência de imagens durante o show com o projeto gráfico do álbum.


O grupo alagoano, composto por João Paulo, nos vocais e guitarras, Júnior Bocão, baixo e vocais, Hélio Pisca, nas baquetas, e Dinho Zampier, nos teclados, promete nesse espetáculo também passear pelos meandros dos 15 anos de banda, tocando canções do primeiro compacto, homônimo – que lhes deu prestígio inimaginável, inclusive para dois matutos da terra do ASA de Arapiraca, João Paulo e Júnior Bocão – e também do segundo, de 2004, o obscuro Sine Diabollos Nullus Deus (numa tradução livre, “sem o diabo, não existe Deus”).



Pincelando


A banda toca como se estivesse pintando a plateia com tinta a óleo, usando traços impressionistas, onde as pinceladas são densas e firmes e não se misturam cores, a não ser, num jogo hipnótico, juntadas pela visão do próprio público espectador-ouvinte.


A bem da verdade, a grande vantagem da pintura a óleo é a flexibilidade, afinal, a secagem da tinta é lenta e isso permite ao pintor-músico alterar e corrigir o seu trabalho.


Não que a Mopho não tivesse feito seu dever de casa corretamente, mas na metade do caminho a moldura não mais combinava com a figura mimética pintada no primeiro CD da banda.



Show de 10 anos da banda, no Teatro Deodoro,
em 2006, com várias participações



O quarteto se dissolveu antes mesmo do lançamento do segundo CD, mas agora volta com tudo e com quase todos os integrantes originais – o tecladista Dinho Zampier está no lugar de Leandro Luiz.


O “Volume 3” vem enaltecer o amadurecimento da banda e é bem mais progressivo. A produção é deles e a co-produção de Pedro Ivo Euzébio, que não cobrou nenhum centavo. A masterização ficou por conta de Brendan Duffey.


“O CD só saiu mesmo por conta da ajuda de nossos amigos, Gustavo Cabus, Pedro Ivo e muitos outros. O custo foi de R$ 10 mil. Agora, pretendemos fazer um circuito de shows aqui em Maceió, em Arapiraca-AL, Aracaju e Recife para poder pagar alguma coisa a esses amigos”, brinca o tecladista Dinho Zampier, que desde 2004 está na Mopho.


A pretensão da banda é celebrar essa volta com Hélio Pisca e Júnior Bocão – que estão em vários projetos, dentre eles o notável Casa Flutuante – e ganhar novamente o circuito alternativo nacional.


A banda já tocou no Abril pro Rock, de Recife e São Paulo, no Porão do Rock, em Brasília, no Balaio Brasil, em São Paulo, no Festival de Inverno de Garanhuns, em Pernambuco, no MISA Acústico, no Museu Imagem e Som de Alagoas (MISA), no bairro de Jaraguá, em Maceió, e no Festival Garimpo, em Belo Horizonte, só para citar alguns palcos por onde andaram.





Parcerias


“Há diversas participações. Na segunda música desse terceido trabalho, 'Quanto vale um pensamento seu', o Wado faz sua deixa. Eu já tinha participado de algumas músicas do último CD dele, o Atlântico Negro. Ainda faz participação Billy Magno e também Luiz Carlini, guitarrista do Tutti Frutti, que gravou lap steel guitar em 'A Malvada', música de autoria do [Júnior] Bocão e do guitarrista alagoano Paulinho Pessoa”, conta o frontman João Paulo à Combe do Iommi.


E o que salta aos olhos mesmo é o projeto gráfico do encarte, de uma qualidade absurda, assinado por Paulo Blob; aos ouvidos, as dez músicas novas, soltando cores e feixes de luz para todo canto se fundindo numa lisergia cheia de solfejos e mais outras notas musicais.


E, de uma forma ou de outra, quando as cores – primárias ou não – se fundem, é porque o som da banda fez o mesmo efeito da droga psicotrópica LSD, famosa nos idos de 1967, que tem como referência máxima o oitavo álbum dos Bealtes, o "Sargent Pepper’s Lonely Hearts Club Band".


No documentário “It Was Twenty Years Ago Today” (algo como “Faz Vinte Anos Hoje”), de 105 minutos, produzido pela Granada Television, o guitarrista George Harrison falou que aquele ano durou 50. “A coisa toda foi uma minirenascença”, disse ele, em certo ponto.


E desde então não havia nenhuma revolução sexual, social ou musical. Até a Mopho chegar em 2000 com o seu primeiro trabalho (o que venho mostrar a vocês), carimbado pelo selo paulistano Baratos Afins.


O frontman João Paulo


O ano de 1967 foi o dos hippies, dos dois dedinhos saudando a paz e o amor, do poder das flores de San Francisco nos cabelos e na boca das armas, do verão das drogas. As pessoas ainda tinham esperança de um mundo melhor; esperança, sobretudo, na humanidade.


Para a banda e para o cenário roqueiro brasileiro, o ano de 2000 foi a Nova Era anunciada com sintetizadores; o primeiro CD da Mopho foi a esperança de um novo ’67. Para se ter uma ideia, a banda foi até considerada pela crítica especializada e underground como sendo o novo Mutantes.


Mas, à época, o quarteto não estava totalmente lapidado e a imaturidade, juntamente com o cansaço da turnê que percorreu inúmeros cantos do Brasil, acabou com o sonho – eles acabaram mesmo é se separando, a despeito de serem apontadas como umas das 50 melhores bandas da última década pelo jornalista e editor da home do IG, iBest e BrTurbo, Tiago Agostini, que escreve na conceituada revista Rolling Stone e nos sites Scream & Yell e Mondo Bacana.






Para fazer o CD, mesmo sem recursos, o quarteto alagoano resolveu se aventurar até São Paulo (déjà vu?) e tentar a sorte. Lá, por coincidência, conheceram Luiz Calanca, da Baratos Afins, que se interessou pelas demos do grupo.


Todas as músicas do play são destaque. "Nada Vai Mudar" começa com João Paulo se conformando: "Eu queria tudo, quis o mundo, tenho um carro. Tenho discos, tenho filhos, um sapato apertado. Nada vai mudar, as coisas assim...".


Logo em seguida, "A Geladeira" tem uma pegada e refrão ótimos e o mérito quase todo vai para os teclados de Leonardo Luiz. "Não Mande Flores" é um clássico; uma canção inefável com "um pouco de sexo, drogas e rock n' roll".


O CD também tem várias passagens de funk (como em "Ela me Deu um Beijo", "Eu Quero Tudo" e "A Mosca Sobre a Cabeça") e outras claras referências aos anos 1970 ("Uma Leitura Mineral Incrível" e "Um Dia de Cada Vez").

Há também espaço para o romantismo. Em "A Carta", nota-se uma banda exalando sentimento; a música é melhor que qualquer coisa que o Los Hermanos tenha feito.

Ademais, os integrantes (com ou sem ácido) não sabem como diabos um relógio Cosmos veio a aparecer na capa esverdeada do álbum. Eis o mistério da fé!



Caso Arnaldo


Notoriedade. Foi isso o que conseguiu a banda. A Mopho alcançou os limiares das ondas de rádio dos Estados Unidos. Segundo o vocalista e guitarrista João Paulo, este primeiro disco deles, chegou até o ex-baterista da antológica banda piscodélica Love, Snoopy, que gostou do trabalho quando esteve no Brasil e o levou para a banda Wondermints (grupo de apoio do eterno beach boy Brian Wilson).


A Mopho ficou em 29º lugar e no top 35 na college radio da Universidade Karxl, de Berkeley, na Califórnia. Logo, eles também chamaram a atenção dos artistas brasileiros – a banda participou da coletânea “Wood & Stock”, com a música “Quando você me disser adeus” ( do segundo CD), ao lado de Rita Lee, Tom Zé, Júpiter Maçã e Arnaldo Baptista.


Um deles, dos que ficaram impressionados com o talento latente do quarteto, como também o maestro Rogério Duprat, foi o ex-líder dos Mutantes, Arnaldo Baptista.


Entrevistado pelo repórter do Estado de S. Paulo, Paulo Alexandre, Baptista falou muito bem da banda à época desse debut. No ensejo, ele afirmou que “o contrário de Mopho é 'fômo' e o contrário disso é 'vortêmo'”. Uma profecia. Pois a banda volta e volta calibrada; agora não mostrando influências de Pink Floyd, Beatles, Led Zeppelin, Byrds, Casa das Máquinas, Cream, Mutantes, Secos e Molhados ou Som Nosso de Cada Dia.


A banda agora influencia. O “Volume 3”, distribuído pela Pisces Records, tem a cara da Mopho, maquiada com mil bordões.



Vai mofar


Arnaldo Baptista, hoje com 62 anos, vai lançar daqui para outubro seu novo trabalho, chamado “Esphera”, onde toca todos os instrumentos com virtuosismo. O título do álbum com ‘ph’ incita à Terra, à espera, à esperança de um mundo melhor.


Mas muito antes desse recurso de usar do ‘ph’ como trocadilho, a Mopho o utilizou. De acordo com o baixista Júnior Bocão, em meio a febre manguebeatina, advinda do Recife com Chico Science e Nação Zumbi, alguém fez um comentário maldoso dizendo que a banda iria ‘mofar’ no cenário musical. E o grupo assumiu a responsabilidade e pôs esse o nome que carregaria Brasil afora – e com ‘ph’ mesmo, mas só por questão estética.


“Estamos ensaiando todos os dias e muito ansiosos por essa volta”, revela João Paulo, que já levou em diversos shows o público de volta ao melhor do psicodelismo dos anos 1960 – e, claro, do rockão dos 1970 –, pois, como disse Paul Kantner, do grupo Jefferson Airplane, “se você lembra realmente dos anos 1960, é porque não os viveu”.



João Paulo - vocais e guitarras
Júnior Bocão - baixo
Leonardo Luiz - teclados
Hélio Pisca - bateria



1. Nada vai mudar
2. A geladeira
3. Não mande flores
4. Ela me deu um beijo
5. Tudo vai mudar
6. Tão longe
7. Uma leitura mineral incrível
8. Eu quero tudo
9. A carta
10. Já não é mais
11. Mosca sobre a cabeça
12. Um dia de cada vez
13. Vamos curtir um barato juntos/ Uma leitura mineral incrível (acústica)


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Da esquerda para a direita: Júnior Bocão, Dinho Zampier,
Hélio Pisca e João Paulo, a formação atual



Por Breno Airan Meiden

quarta-feira, 13 de abril de 2011

The Mars Volta - De-Loused In The Comatorium [2003]


Quem ouve The Mars Volta pela primeira vez se vê, inevitavelmente, diante da seguinte questão: para compor canções como essas, os músicos deveriam estar derretendo em drogas. Mas como músicos derretendo em drogas poderiam produzir e executar peças tão complexas e de técnica tão refinada? Tente entender por si mesmo e prepare-se para se surpreender.

O TMV é um projeto do guitarrista Omar Rodríguez-López e do vocalista Credric Bixler-Zavala. A banda se formou nos EUA em 2001, depois de idas e vindas de outros dois grupos dos músicos citados. Em 2003, lançou seu debut, amplamente aclamado pela crítica e responsável pela criação de um público relativamente grande para os outros 4 lançamentos.

O som do The Mars Volta é uma mistura de influências diversas. À primeira audição, o que destoa é o rock progressivo, mas aqui você vai encontrar rock psicodélico, muito jazz fusion e música experimental, krautrock - uma vertente alemã do progressivo setentista -, hardcore e até música latino-americana. O resultado é uma sonoridade bastante original, que se enquadra em gêneros como rock experimental e art-rock.



Mas definições técnicas são muito limitantes ao grupo texano. O que posso dizer é que se trata de música experimental com gosto pela dissonância, onde passagens caóticas frequentemente dão lugar a belíssimas melodias em quebradas que fogem do ortodoxo. A banda é afiadíssima, com um baixo pulsante e uma bateria frenética que em muitos momentos é substituída por bem postadas percussões latinas. Efeitos sonoros e sintetizadores aparecem na hora certa, sem muitos exageros. Omar Rodríguez-López se mostra uma revelação das seis cordas, fazendo uso de riffs e dedilhados de criatividade invejável para conduzir todo o som. Os vocais agudos de Cedric Bixler-Zavala são um show à parte, com a voz de timbre distinto atingindo tons inacreditáveis para um homem. As apresentações ao vivo são de uma intensidade rara nos dias de hoje, com grandes tendências para tudo terminar em jam.

De-Loused In The Comatorium, como é costume para o TMV, é um disco conceitual. Sua lírica trata da narração em primeira pessoa da história de Cerpin Taxt, um homem que, após tentar suicidar-se por overdose, permanece em coma por uma semana. Nesse período, se vê em meio a revelações sobre a humanidade e a própria psique. Ao acordar, frustrado com o mundo real, suicida-se efetivamente. A sinistra história é baseada na morte de Julio Venegas, artista amigo de Credic Bixler-Zavala que passou por acontecimentos parecidos.

O álbum traz as características sonoras já citadas, combinadas com a lírica sombria para gerar um clima enigmático, viajante e carregadíssimo no sentido emocional. Aliás, é um disco praticamente feito de emoções, que passa por momentos de frenesi obscuro seguidos de profunda tranquilidade reflexiva.

Como consta na maioria dos encartes da banda, o The Mars Volta é constituído de Omar Rodríguez-López e Credic Bixler-Zavala. As faixas são executadas pelo The Mars Volta Group. Enfim, este tem, no De-Loused, ninguém menos que Flea assumindo o baixo, assim como John Frusciante faz uma participação em uma das faixas (a turnê que seguiu o De-loused foi de abertura para o Red Hot Chili Peppers). Os destaques ficam para as sombrias "Inertiatic ESP" e "This Apparatus Must Be Unearthed", para as belas "Roulette Dares (The Haunt Of)" e "Eriatarka", a space/prog "Cicatriz ESP" e as duas últimas e melhores faixas: a lindíssima "Televators" e a caótica "Take The Veil Cerpin Taxt", que tem uma incrível passagem instrumental. E acredite, refiz essa lista de destaques algumas vezes até conseguir não incluir o play todo.



Um mês depois do lançamento do disco, o manipulador de som e participante nas composições, Jeremy Michael Ward, morreu de overdose. Isso fez com que os membros da banda abandonassem o uso de opióides. Algo que influenciou o som dali para frente, que deu mais alguns passos em direção à psicodelia e ao fusion - sem heroína começaram a tomar mais LSD [risos]. O grupo tem 5 discos lançados, com a previsão de um para 2011. Em 2010, fizeram sua única passagem pelo Brasil no SWU, com um show simplista, mas excelente, focado nas músicas mais pesadas.

O The Mars Volta é, muito mais do que um bando de doidões fritando em drogas das quais nunca ouvimos falar, uma banda de criatividade distinta e rara sensibilidade. Pessoalmente, afirmo que, uma vez assimilado, é som que dificilmente passa em branco para quem ouve. Não cometa o erro de não conferir.

01. Son Et Lumiere
02. Inertiatic ESP
03. Roulette Dares (The Haunt Of)
04. Tira Me a las Arañas
05. Drunkship of Lanterns
06. Eriatarka
07. Cicatriz ESP
08. This Apparatus Must Be Unearth
09. Televators
10. Take The Veil Cerpin Taxt

Cedric Bixler-Zavala – vocais
Omar Rodríguez-López – guitarra
Jon Theodore – bateria
Jeremy Michael Ward – sintetizador, manipulação de som
Isaiah Ikey Owens – teclados
Flea – baixo

Lenny Castro – percussão
John Frusciante – guitarra e sintetizador em 07
Justin Meldal-Johnsen – baixo acústico em 09


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segunda-feira, 4 de abril de 2011

The Beach Boys - Pet Sounds [1966]


Sem dúvida, na segunda metade dos anos 60 o mundo era dominado pela Beatlemania. Mas a partir de 1966, eles começaram a entrar em uma nova fase a partir do ótimo Rubber Soul, em que começaram a afundar o pé na psicodelia e gravavam álbuns cada vez mais experimentais, graças à influência da busca de sua espiritualidade e doses generosas de LSD, declarando assim o fim de sua fase adolescente do início de carreira. Mas influenciado por este trabalho, do outro lado do Atlântico, um outro ícone adolescente, Brian Wilson, se viu na obrigação de superar este trabalho.

Os Beach Boys já ostentavam um grande sucesso nos Estados Unidos. Até 1965, o grupo já tinha emplacado 16 músicas no top 40 americano, sendo que com "I Get Around" eles desbancaram os Beatles nas paradas. Mas Brian Wilson não estava satisfeito, e queria se tornar um músico de elite, daqueles que tinham algo mais a oferecer, como Dylan e Lennon. Após ouvir "Rubber Soul", ele descobriu que queria fazer um som tão perfeito quanto aquele e que consequentemente teria de rivalizar com os Beatles para conseguir isso. E para conseguir este objetivo, contou com a ajuda de Tony Asher, que até aquele momento era letristas de jingles em uma agência de publicidade.


Após dois meses trabalhando juntos, Brian contrata uma multidão de músicos de estúdio para a gravação de "Pet Sounds". Ao invés das famosas músicas simples em que se falava de surfar e garotas, agora os fãs se confrontariam com arranjos de cordas intricados, instrumentos de sopro e canções trabalhadas e sofisticadas, muito longe da simplicidade de outrora. Nesta altura do campeonato, Brian Wilson já não estava mais em turnês, devido a um ataque de pânico, durante uma viagem para a Austrália, o que lhe deu mais tempo para compor as canções deste.

Durante a gravação, devido ao número de canções tão íntimas e passionais como aquelas escritas, ele decidiu cantar a maioria das mesmas, sendo que outro membro que participou muito deste processo foi Mike Love, do qual Brian apreciava muito sua linha vocal. Após a gravação deste, eis que a gravadora ficou temerosa, achando que este disco seria um completo fiasco comercial, e que estava fadado ao fracasso. Mas o que aconteceu foi completamente o contrário, em que o mesmo alcançou o décimo lugar nas paradas, e ainda fisgou a crítica, que o aclamava como uma obra-prima. Algo que até Paul McCartney concordou na época, afirmando que era um de seus disco prediletos, e que era perfeito.



E ao colocar a bolacha pra rodar fica fácil de se entender o porque este, com canções grandiosas e trabalhadíssimas. "Wouldn't It Be Nice" é um dos melhores exemplos de como uma balada simples pode se tornar grandiosa e muito bem composta, e merece um destaque especial, pois consegue te cativar logo de cara. Das canções que eu gosto muito ainda indico "That's Not Me", a linda "Sloop John B", a espiritual "You Still Believe In Me". "God Only Knows" é uma das canções mais perfeitas que tive o privilégio de ouvir, e que deve ser ouvida pelo menos uma vez na vida por qualquer um que se diga amante de música de qualidade.

Um trabalho excepcional, e que geraria como resposta o disco que revolucionou a música pop, e sobre o qual falarei mais amanhã. Tanto que após este, Brian Wilson literalmente enlouqueceu ao tentar superar o mesmo. Um disco que está no nível do lendário e que merece realmente ser apreciado com toda a calma do mundo. Imperdível!



1.Wouldn't It Be Nice
2.You Still Believe In Me
3.That's Not Me
4.Don't Talk (Put Your Head On My Shoulder)
5.I'm Waiting For The Day
6.Let's Go Away for Awhile
7.Sloop John B
8.God Only Knows
9.I Know There's An Answer
10.Here Today
11.I Just Wasn't Made For These Times
12.Pet Sounds
13.Caroline, No

Brian Wilson - Vocais, Órgão, Piano
Mike Love - Vocais
Al Jardine - Vocais, tamborim
Bruce Johnston - Vocais
Carl Wilson - Vocais, Guitarra
Dennis Wilson - Vocais, Bateria

E mais uma centena de músicos convidados.



By Weschap Coverdale

sexta-feira, 1 de abril de 2011

The Rolling Stones - Their Satanic Majesties Request [1967]


O disco maldito dos Rolling Stones. É assim que muitos definem "Their Satanic Majestic Request", lançado no ano de 1967 por esses grandes dinossauros. Nesta época o mundo havia sido tomado de assalto pela onda psicodélica. Não bastasse a obra-prima "Sgt. Peppers and Lonely Hearts Club Band" lançada pelos rapazes de Liverpool, ainda haviam bandas que estavam fazendo um baita estrago com seu som psicodélico, como o Small Faces, Jefferson Airplane e até mesmo os Beach Boys estavam nessa estrada com o seu magistral "Pet Sounds". Com certeza naquele momento não haveria muito espaço para uma banda de blues rock mostrar o seu trabalho.

Esse foi o pensamento da gravadora dos Stones naquela época, que ainda observando o sucesso de seus principais rivais na época, pressionou para que seus empregados enveredassem por este mesmo caminho. O que seria natural, devido à rivalidade que a imprensa havia criado entre as bandas, ainda que eles fossem amigos de longa data. Ainda que houvesse uma resistência a este tipo de trabalho por parte do grupo, uma hora seria inevitável que eles trilhassem aquela estrada lisérgica e de tijolos amarelos que estava tão em voga naquele momento.


Para esta empreitada, alguns nomes de peso foram convocados. Monstros como John Paul Jones, Steve Marriot e a dupla Lennon / McCartney deram suas contribuições em algumas canções do disco e sem falar no dinheiro investido na gravação do mesmo, que não foi pouco, inclusive com uma capa tridimensional, algo inovador para a época. O disco começou a vender muito bem, atingindo o segundo lugar na Billboard e o terceiro nas paradas britânicas, mas que logo começou a cair. Críticos desciam a saraivada neste, afirmando que era uma cópia mal feita do "Sgt. Peppers", ou uma paródia por parte do grupo, o que fez este disco tão amaldiçoado, tanto que apenas duas músicas deste já foram executadas ao vivo pelo grupo.

E até os dias de hoje, muitos descem a lenha neste, mas muitas vezes sem escutar o mesmo. Sim, pois eu digo que esse poderia entrar facilmente na lista de um dos discos mais injustiçados de todos os tempos, pois qualidade é o que não falta por aqui. Ainda que realmente não chegue perto de outras obras lançadas neste mesmo período, temos músicas brilhantes, algo que eles nunca deixaram de fazer. Ainda que em muitos momentos não seja o Rolling Stones que acostumamos a gostar, é ainda muito bom e divertido por sinal, como por exemplo na canção "On With The Show", que encerra o disco.



A primeira metade é viciante, em que canções como "Sing This All Together" e "In Another Land" realmente mostram o quanto eles inovaram naquele momento. A pesadona "Citadel" faz justiça com as próprias mãos, enquanto a divertidíssima "2000 Man" rouba a cena e gruda na cabeça durante dias, e que posteriormente o Kiss conseguiu deixar ainda mais legal e divertida. A baladinha "She's A Rainbow" é cheia de açúcar e com uma simplicidade que a deixa ainda mais bela. "2000 Light Years From Home" é a mais viajante desse, em que você se sente abduzido durante a execução da canção e mostra o poder da mesma.

Um registro que merece uma segunda oportunidade de quem o esculacha até os dias de hoje, pois se escutar com atenção e sem preconceitos, verá que se trata de um disco bem melhor do que é dito por aí. E é apenas a abertura para dois clássicos dessa mesma época que serão postados na sequência.




1.Sing This All Together
2.Citadel
3.In Another Land
4.2000 Man
5.Sing This All Together (See What Happens)
6.She's a Rainbow
7.The Lantern
8.Gomper
9.2000 Light Years from Home
10.On with the Show

Mick Jagger – Vocais, Backing Vocals, Percussão
Brian Jones – Mellotron, Percussão, Órgão, Flauta, Sítara (em "Gomper"), Saxofone, Harpa
Keith Richards – Guitarra, backing vocals
Charlie Watts – Bateria, Percussão
Bill Wyman – Baixo, Percussão, Backing vocals, Vocais em "In Another Land"

Músicos Convidados:
Nicky Hopkins – Piano, Órgão, Mellotron
John Paul Jones – Arranjo de cordas em "She's a Rainbow"
Eddie Kramer – Percussão
Ronnie Lane – Backing Vocals em "In Another Land"
Steve Marriott – Backing Vocals e Violão em "In Another Land"
John Lennon – Backing Vocals em "Sing This All Together"
Paul McCartney – Backing Vocals em "Sing This All Together"
Anita Pallenberg – Backing Vocals



By Weschap Coverdale

sábado, 5 de março de 2011

Jimi Hendrix – Axis: Bold As Love [1967]


Quem nunca entrou naquele tipinho inócuo de discussão para tentar esclarecer para o outro qual o melhor disco de toda a obra de um gênio?

Nunca se chega a um consenso, por mais que se queira. Com Hendrix a situação fica ainda mais complexa.

James Marshall Hendrix explodiu como um foguete na cena inglesa e, em seguida, na americana. Os músicos ingleses da época – ninguém menos que Page, Beck, Townshend, Clapton... – bem como o americanos (imagine toda a turma de Woodstock, Monterey e demais festivais) não entendiam como o cara fazia aquilo em estúdio. E ao vivo a coisa não era diferente.

Depois de um disco de estréia com a Experience chamado Are You Experienced?, Jimi Hendrix tinha prestígio e dinheiro suficientes para poder experimentar em estúdio. E seu segundo disco, Axis: Bold As Love, demonstra que ele tinha muita coisa guardada na cachola.

Eu acho o melhor dele, sem dúvida.






Lançado no mesmo ano do debut, em dezembro de 67 (o primeiro saiu em maio), Axis traz as compisções mais maduras de toda a carreira de Hendrix. Digo isso porque o Electric Ladyland é um álbum basicamente de jam sessions, enquanto os trabalhos com a Band of Gypsies são bastante improvisados (não que isso signifique pouca qualidade das composições). Mas Axis traz um cuidado maior na produção de Eddie Krammer e um Hendrix experimentando muito com as novidades de estúdio da época, como pedais fuzz e wah wah, e efeitos de eco.

Esse é o disco que tem mais músicas de sucesso. Começa com Spanish Castle Magic, que ficou famosa por ser a música que Malmsteen canta e toca e seus shows. Little Wing já foi coverizada por Derek and the Dominoes, Sting, Skid Row e Stevie Ray Vaughan, para mostrar o grau de influência que esse disco teve na geração roqueira dos 70 e 80.






If 6 was 9 definiu o estilo Hendrix de dobrar as vozes com as notas da guitarra, que Pepeu Gomes tentou imitar a vida interia. Castles Made Of Sand traz a história de um índio que, antes de completar 10 anos, viu a mãe bater a porta na cara do pai bêbado. Quem escrevia sobre isso na época? A antítese do Flower Power lançada no auge da era hippie.

Axis Bold as Love também foi coverizada pelos Pretenders, e traz uma das melodias mais belas da história da música.

Resolvi postar Hendrix porque, no carnaval, se todos os hippies cortarem seus cabelos, eu não dou a mínima... I don’t care.

Track List

1. EXP
2. Up from the Skies
3. Spanish Castle Magic
4. Wait Until Tomorrow
5. Ain't No Telling
6. Little Wing
7. If 6 Was 9
8. You Got Me Floatin'
9. Castles Made of Sand
10. She's So Fine
11. One Rainy Wish
12. Little Miss Lover
13. Bold as Love


Jimi Hendrix (vocais, guitarras, flauta, baixo, piano)
Mitch Mitchell (bateria e xilofone)
Noel Redding (baixo)



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Por Zorreiro

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Mini Mansions - Mini Mansions [2010]


O Mini Mansions nasceu em 2009, depois que Michael Shuman, baixista do Queens of the Stone Age, viu a banda fazer uma pausa depois do lançamento do álbum Era Vulgaris. Formado como um trio com Zach Dawes e Tyler Parkford (que se revezam com Shuman em todos os instrumentos), o grupo tem uma proposta bastante interessante: rock psicodélico sessentista à lá Beatles no Sgt. Peppers, mas voltado para uma sonoridade mais caótica e viajante.

Mas é difícil descrever a sacada da banda. Envolto em uma pegada mais contemporânea, o som é extremamente bem elaborado. Arranjos incríveis conduzidos por um piano/teclado que beira a perfeição fazem um instrumental invejável. Os vocais são um show à parte, formando duetos fantásticos. E a grande característica é a estrutura das músicas, que, em sua maioria, começam como empolgantes melodias power-pop (gênero sessentista que inclui Beatles, The Who e Beach Boys), mas tornam-se peças sinuosas e psicodélicas, seguindo sempre o acorde mais dark side, a nota menos esperada.

Mini Mansions é o debut da banda, foi lançado pela Rekords Rekords de Josh Homme e figura, para mim, entre os melhores discos de 2010. Destaque para as insanas "The Room Outside" e "Kiddie Hypnogogia", as divertidas "Monk" e "Crime of the Season" (que parecem se completar), a ótima composição "Seven Sons" e a insana "Vignette", decomposta em três partes espalhadas pelo álbum. Nesse post, como bônus da Combe, a música vem também em faixa única no fim do play.



Nessa linha de grupos mais novos revivendo gêneros antigos, o Mini Mansions é destaque. O trio dá mostras contínuas de conhecimento musical e habilidade de harmonização em composições que vão do singelo ao caótico em segundos. Vale a pena conferir.

01. Vignette #1
02. The Room Outside
03. Crime Of the Season
04. Monk
05. Wûnderbars
06. Seven Sons
07. Vignette #2
08. Kiddie Hypnogogia
09. Majik Marker
10. Girls
11. Vignette #3
12. Thriller Escapade
13. Vignette (bônus, completa)

Michael Shuman - guitarra, teclados, bateria, vocais
Zach Dawes - baixo, teclados, vocais
Tyler Parkford - guitarra, teclados, vocais

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(agora no Mediafire)

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Jimi Hendrix - Live At Woodstock [1999]


Todo tipo de roqueiro, dos mais ao menos entendidos, e até mesmo não-roqueiros que tem um pouco de cultura, já ouviram falar do lendário Woodstock Music & Art Fair, o icônico festival acontecido no mês de agosto de 1969 na pequena cidade de Bethel, Nova Iorque, durante o auge do movimento hippie em todo o mundo. Mais de 30 artistas, hoje considerados lendas em seus subgêneros, se apresentaram nos três dias para meio milhão de presentes.

Mas se alguém sempre é lembrado por sua apresentação em meio à tantos monstros como Joe Cocker, Janis Joplin, The Who, Mountain, Santana, Johnny Winter e vários outros, este alguém é Jimi Hendrix. O guitarrista, que havia lançado o lendário álbum "Electric Ladyland" naqueles tempos, estava com uma banda nova: Gypsy Suns And Rainbows. A line-up consistia no próprio Jimi no vocal e na guitarra solo, Larry Lee na guitarra rítmica, Billy Cox no baixo (em substituição à Noel Redding), Mitch Mitchell na bateria e Jerry Velez e Juma Sultan na percussão.

A performance do grupo foi, ao mesmo tempo, linda e caótica. Alguns dos caras, incluindo Jimi, estavam sob efeito de drogas, e o conjunto sequer havia ensaiado para a apresentação. Mas a segurança e a experiência que Hendrix e Mitchell já haviam adquirido tocando juntos nos anos anteriores, além da habilidade exorbitante de todos os integrantes, asseguraram um show autêntico, tal como uma grande "jam", onde os improvisos tomavam conta do corpo de várias canções.


O grande momento do concerto, sem dúvidas, foi a execução improvisada de Jimi do hino nacional norte-americano, "A Bandeira Estrelada" ("The Star-Spangled Banner"). Além de representar uma revolução no campo musical, ao incluir efeitos completamente distorcidos e semelhantes à barulhos de explosões, a versão também serviu como crítica aos Estados Unidos, que, em pleno contexto de Guerra Fria, batalhava com a União Soviética para ver quem dominaria o mundo.

Além desse destaque, é importante ressaltar a presença de petardos do cunho de "Spanish Castle Magic", "Fire", "Purple Haze", "Voodoo Child" e o fechamento apoteótico com "Hey Joe", bem como as várias improvisações que tornam o concerto incontestavelmente único.



O registro, em si, não consta na discografia oficial de Jimi Hendrix. Mas é como uma bootleg oficial, porque a performance foi compilada por Janie Hendrix, Eddie Kramer e John McDermott, que são irmã, engenheiro de som em estúdio e amigo pessoal do guitarrista, respectivamente. A qualidade de som, por sinal, está excelente, já que o áudio foi retirado da mesa de som e foi muito bem tratado para seu lançamento, 30 anos depois do lendário concerto.

Particularmente não tenho a menor simpatia com o movimento hippie. Mas a importância de artistas como Jimi Hendrix vai muito além desse segmento. Esse registro mostra muito bem o porque do guitarrista ser cultuado até os dias de hoje. Não perca tempo e confira!

CD 1:
01. Introduction
02. Message To Love
03. Hear My Train A'Comin
04. Spanish Castle Magic
05. Red House
06. Lover Man
07. Foxy Lady
08. Jam Back At The House

CD 2:
01. Izabella
02. Fire
03. Voodoo Child (Slight Return)
04. Star Spangled Banner
05. Purple Haze
06. Woodstock Improvisation
07. Villanova Junction
08. Hey Joe

Jimi Hendrix - vocal, guitarra
Larry Lee - guitarra base
Billy Cox - baixo, backing vocals
Mitch Mitchell - bateria
Juma Sultan - percussão
Jerry Valez - percussão

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by Silver

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Jefferson Airplane - Surrealistic Pillow [1967]

E aqui está um dos meus discos favoritos, daqueles que eu colocaria em qualquer lista de indispensáveis, que foi e é totalmente influente no mundo do Rock N' Roll, de uma das maiores bandas da onda do Rock Psicodélico, ou do "Acid Rock", como algumas pessoas rotulam.

O Jefferson Airplane foi uma das mais importantes bandas dos anos 60, de uma maneira geral, que seguiu a onda de praticamente todas as bandas da sua geração, mas com muito mais criatividade, feeling e qualidade das letras, isso sem contar com seus instrumentistas, que eram extremamente geniais e sabiam realmente fazer arranjos extremamente complexos para a época, coisa que várias bandas psicodélicas tentavam fazer e não conseguiam, acabavam soando repetitivas e chatas.

A banda também é tida como uma das mais importantes do movimento contracultural dos anos 60, por ser totalmente chocante aos olhos da sociedade mais conservadora, devido ao modo que se vestiam, a temática de várias músicas e o excessivo consumo de drogas, principalmente o LSD, que era a "droga do momento".

"Surrealistic Pillow" foi o segundo disco do grupo e é tido como um dos marcos do movimento contracultural, além de marcar a estréia da ótima vocalista Grace Slick e do baterista Spencer Dryden, que era um baterista de Jazz frustrado, completando o que seria considerado como o melhor line-up de todas as encarnações do conjunto até hoje. O álbum ainda conta com o dedo do guitarrista do Grateful Dead, Jerry Garcia, que, além de produzir o álbum, tocou guitarra em algumas faixas.

O álbum lançou 2 hit-singles: "White Rabbit" e a poderosa "Somebody To Love", que fizeram o disco chegar à 3ª posição do Hot 100 da Billboard, e fez com que ele se tornasse o que é hoje em dia, um dos 500 melhores álbuns de todos os tempos, segundo a Rolling Stone, e um marco do Rock N' Roll, que merece ser ouvido por todos.

O que temos aqui é Psicodelia ao extremo, com várias passagens de música Folk, com vários violões, flautas e gaitas, misturados às guitarras com distorções pesadas para a época, fazendo com que os instrumentais se tornem totalmente furiosos e frenéticos em várias das músicas. Temos que levar em consideração também os vocais, carregados pelo Marty Balin e pela Grace Slick, fazendo vários duetos incríveis em várias das músicas, mas também merecendo seu destaque individual, como em músicas como "She Has Funny Cars", "Somebody To Love" (onde Grace dá uma aula de vocais), "My Best Friend", "Comin' Back To Me", "3/5 Of A Mile In 10 Seconds" e "White Rabbit", que são fundamentais para qualquer um que seja um aspirante à vocalista.

Enfim galerinha, acho que após a leitura do texto, ficou subentendido que o álbum é uma pérola do mundo da música e que deve estar SEMPRE não apenas em sua coleção virtual, mas na física também, e eu garanto a vocês: o gostinho de "quero mais" aparecerá sempre.

Marty Balin - Vocals, rhythm guitar
Grace Slick - Vocals, organ, piano, flute
Paul Kantner - Rhythm guitar, backin' vocals
Jorma Kaukonen - Lead guitar, backin' vocals
Jack Casady - Bass
Spencer Dryden - Drums, percussion

1. She Has Funny Cars
2. Somebody To Love
3. My Best Friend
4. Today
5. Comin' Back To Me
6. 3/5 Of A Mile In 10 Seconds
7. D.C.B.A. -25
8. How Do You Feel
9. Embryonic Journey
10. White Rabbit
11. Plastic Fantastic Lover

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Bruno Gonzalez

sábado, 21 de agosto de 2010

The Jimi Hendrix Experience - Are You Experienced [1967]


Jimi Hendrix. Tá aí um nome que, se você gostar de Rock, pelo menos já ouviu falar. E bem. Ninguém se atreve a criticar um dos guitarristas mais influentes da história não apenas do Rock n' Roll, mas da música num conceito geral. Ousado, extremista e muitíssimo criativo, Hendrix se tornou um deus através da sua impecável e curta carreira.

O primeiro registro de sua trajetória é o que trago-vos nessa postagem. "Are You Experienced" corresponde também à estreia do grupo formado pelo guitarrista, The Jimi Hendrix Experience, que, além do mesmo nas guitarras e nos vocais, consistia em Noel Redding no baixo e Mitch Mitchell na bateria. Foi lançado em maio de 1967 no Reino Unido e agosto do mesmo ano nos Estados Unidos.

O álbum foi um choque aos ouvidos humanos. O máximo de complexidade dentro do Rock que os meros terráqueos estavam habituados eram com os mais recentes lançamentos de grupos como Pink Floyd, The Yardbirds e, claro, o fab-four de Liverpool, que flertavam com elementos psicodélicos mas nada que chegasse ao ponto apresentado por aqui.

Capa de "Are You Experienced" na versão norte-americana

Vale ressaltar que esse foi o primeiro debut verdadeiramente aplausível de uma banda de Rock até então, pois nenhuma outra estreia de outro grande grupo caracterizaria seu som sem mudanças tão drásticas - basta comparar "Please Please Me" com "Sgt. Peppers", ambos do The Beatles, ou o primeirão com "Beggars Banquet", do The Rolling Stones. Após "Are You Experienced", não havia como NÃO se reinventar, já que Jimi Hendrix praticamente ensinou todo mundo a ferir as seis cordas de verdade.

Aqui, a trupe de Jimi aliou psicodelia à peso de uma forma incrivelmente original e concisa. A temática do experimentalismo foi bastante empregada mas sem perder o foco, que é um Rock n' Roll energético, flamejante e cheio de pegada. Guitarras frenéticas, baixo trabalhado, bateria feroz, composições chapadas e vocais mais chapados ainda eram apresentados ao mundo. E por incrível que pareça nos dias de hoje, tais elementos não haviam chegado aos holofotes em 1967.

A repercussão de tal obra prima, mesmo naqueles tempos, não poderia ser diferente: "Are You Experienced" vendeu feito água, hoje acumula disco quádruplo de platina nos Estados Unidos e só ficou atrás de "Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band", magnum opus do The Beatles, nas paradas inglesas.


Sobram destaques para as pauladas "Foxy Lady" e "Fire", o hino "Purple Haze", a diferente "Manic Depression", o bluesão "Red House" e o cover de "Hey Joe", canção popular de autoria duvidosa mas registrada por Billy Roberts. Não me sobra outra palavra para concluir esse texto que não seja "clássico".

PS: a versão dessa postagem é o relançamento de 1997 pela MCA Records, que tratou de colocar seis bônus que apareceram apenas na versão norte-americana do lançamento original.

01. Foxy Lady
02. Manic Depression
03. Red House
04. Can You See Me
05. Love Or Confusion
06. I Don't Live Today
07. May This Be Love
08. Fire
09. Third Stone From The Sun
10. Remember
11. Are You Experienced?

"Bonustracks":
12. Hey Joe
13. Stone Free
14. Purple Haze
15. 51st Anniversary
16. The Wind Cries Mary
17. Highway Chile

Jimi Hendrix - vocal, guitarra, piano em 11
Noel Redding - baixo, backing vocals
Mitch Mitchell - bateria, percussão, backing vocals

(Links nos comentários - links on the comments)

by Silver

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Cream - Discografia [1966 - 2005]

A segunda metade da década de 60 foi decisiva para o rock. O Reino Unido era o centro do mundo musical, e ali pipocavam bandas e álbuns fundamentais para o futuro do gênero. E em meio a toda essa efervescência britânica, nasceu o Cream, que junto ao Experience, criou as bases do hard setentista.

O nome do grupo vem da expressão "cream of the crop", usada para se referir ao que há de melhor. Ou seja, os caras seriam a nata da música inglesa. E é difícil dizer o contrário.

A história da banda começa a se desenhar em 65. Jack Bruce já era um baixista conhecido na época, e havia acabado de sair da Graham Bond Organization, na qual tocava o renomado baterista de jazz Ginger Baker. Os dois foram chamados por Eric Clapton para começar uma banda. Clapton estava explodindo com o Bluesbrakers de John Mayall, e já era chamado de melhor guitarrista da Inglaterra. Entretanto, sentia-se confinado no grupo do avô do blues britânico, e na sua busca por abertura musical juntou dois dos melhores músicos da época para formar o maio power-trio do rock.

O Cream tinha um estilo muito próprio. O som tinha um pouco de rock do começo da década com pitadas de jazz e muita psicodelia. Mas a base de tudo era o blues. Tanto que boa parte dos sucessos do grupo são leituras de clássicos tradicionais do estilo. Jack Bruce é um baixista competente e um compositor de rara criatividade, além de ótimo vocalista. Clapton supera a timidez através dos álbuns e aos poucos vai assumindo parte dos vocais. Mas nem precisaria; o cara, como sempre, mostra-se um gênio das guitarras. Baker é um dos melhores bateristas da história, e marca forte presença com um estilo jazz que influenciou muita gente que veio depois.

O trio era também conhecido por suas incríveis apresentações, sendo influente para a história de jam bands como o Allman Brothers e o Grateful Dead.

A banda esteve em atividade de 1966 a 68. Fizeram sucesso estrondoroso na época, e juntamente com o Experience de Jimi Hendrix, popularizaram o wah-wah, definiram um gênero e praticamente prepararam tudo para o surgimento do hard rock. A partir de 68, conflitos entre Baker e Bruce, além do descontentamento de Clapton com os rumos do grupo, acabaram dando fim ao Cream.

Eric Clapton e Ginger Baker ainda formariam depois o Blind Faith. O resto da história do slow hand todo mundo sabe. Baker criou uma sólida carreira solo, além de tocar com nomes como Fela Kuti e Paul McCartney, em bandas como Hawkwind e até na stoner Master of Reality. Jack Bruce seguiu no jazz em uma versátil carreira solo.

Em 1993, a banda se reuniu para a premiação do Rock and Roll Hall of Fame, abrindo caminho para uma reunião final em 2005, com vários shows e um album ao vivo. No mais, aqui tem uma coleção de sucessos de crítica e público, importantíssimos para a história do rock. Acervo essencial pra qualquer fã de rock e blues. Lá vai!

Fresh Cream [1966]
No fantástico debut do trio está mais evidente a influência do rock do começo da década, ou seja, as faixas tem muito de Beatles. Mas, trantando-se de Cream, é óbvio que aqui mora o blues. Os destaques ficam para as bluezeiras "Sleepy Time Time" e "Spoonful" (de Willie Dixon, aqui com todo o peso de Ginger Baker), para as mais rock "I Feel Free" (de uma empolgante pegada soul), "N.S.U" e "I'm So Glad", e para a ótima "Toad", com seu incrível solo de bateria, que abertamente inspirou John Bonham em Moby Dick. O disco teve boa recepção: chegou às paradas britânicas e criou uma enorme expectativa em torno do grupo.

01. I Feel Free
02. N.S.U.
03. Sleepy Time Time
04. Dreaming
05. Sweet Wine
06. Spoonful
07. Cat's Squirrel
08. Four Until Late
09. Rollin' And Tumblin'
10. I'm So Glad
11. Toad
12. TheCoffee Song
13. Wrapping Paper
Disraeli Gears [1967]
Clássico! Disraeli Gears é a obra prima do Cream. 67 era o ano da psicodelia, com bandas como Experience, Pink Floyd, Jefferson Airplane e até os Beatles lançando trabalhos que se enquadravam no mar de cores e drogas da época. Aquele som jovem que se ouvia em "I Feel Free" dá lugar a riffs pesados e loucura psicodélica. A capa é assinada por Martin Sharp.

Os destaques ficam com a enérgica "SWLABR", com a caótica "We're Going Wrong" e com as bluezeiras "Outside Woman Blues" e "Strange Brew", sendo essa última uma leitura do blues tradicional "Lawdy Mama". Leitura que Clapton considera até hoje "pop demais". E é impossível não citar a épica "Tales of Brave Ulysses" (com o slow hand destruindo tudo no Cry Baby) e o clássico máximo do Cream: "Sunshine of Your Love", que combina um dos riffs mais legais do rock com um belo dueto de Jack Bruce e Eric Clapton.

Um dos melhores álbuns da história, sem dúvida.

01. Strange Brew
02. Sunshine Of Your Love
03. World Of Pain
04. Dance The Night Away
05. Blue Condition
06. Tales Of Brave Ulysses
07. SWLABR
08. We're Going Wrong
09. Outside Woman Blues
10. Take It Back
11. Mother's Lament
Wheels of Fire [1968]
Depois do sucesso do Disraeli Gears, com egos e gostos musicais em conflito, os três músicos lançaram o terceiro trabalho do Cream, e o que mais flerta com o blues. O álbum é duplo, e foi lançado em duas versões: uma em estúdio e outra ao vivo.

O primeiro disco, gravado em estúdio, é cheio de boas faixas, mas os destaques ficam com a excêntrica "Politician", a fantástica bluezeira "Born Under a Bad Sign" e a maravilhosa "White Room", na qual Clapton ataca novamente com um cry baby de arrepiar a espinha.

O segundo, ao vivo, traz a antológica versão de "Crossroad Blues" de Robert Johnson, com um arranjo empolgante e um solo indescritível de Clapton. Essa versão, extremamente influente no rock, ganhou o nome de "Crossroads". Tem ainda uma boa execução de "Spoonful" e Jack Bruce detonando com a gaita em "Traintime". O enorme solo de bateria de "Toad" aqui presente é considerado um dos melhores da história do instrumento.

Outro clássico, Wheels of Fire é o último grande álbum do Cream.

Disco 1
01. White Room
02. Sitting on Top of the World
03. Passing The Time
04. As You Said
05. Pressed Ratand Warthog
06. Politician
07. Those Were The Days
08. Born Under a Bad Sign
09. Desert Cities of The Hearts

Disco 2
01. Crossroads
02. Spoonful
03. Train Time
04. Toad

Participação:
Felix Pappalardi - viola, órgão, metais

Goodbye [1969]

Goodbye foi lançado depois do fim do Cream. As três primeiras faixas são performances ao vivo de clássicos do grupo. Das inéditas, destaque para "What a Bringdown" e "Badge", canção de Clapton em parceria com George Harrison. O beatle ainda participou da gravação com vocais de apoio e guitarras. "Badge" é uma das melhores composições da carreira do slow hand.

Último trabalho de estúdio do Cream, marcou literalmente o adeus do grupo. Mas ainda viriam alguns lançamentos ao vivo.

01. I'm So Glad
02. Politician
03. Sitting On Top Of The World
04. Badge
05. Doing That Scrapyard Thing
06. What A Bringdown

Participações:
Felix Pappalardi - piano, baixo
L'Angelo Misterioso (George Harrison) - guitarra base e vocais de apoio

Live Cream [1970]
Live Cream foi lançado após o término das atividades da banda. Aqui é possível comprovar a enorme habilidade dos três músicos no palco. Com 4 faixas ao vivo, registradas em São Francisco no ano de 1968, Live Cream oferece quase 40 minutos de jams. A última música é "Lawdy Mama" em sua versão mais crua, arranjada por Eric Clapton e gravada em estúdio. O disco teve boa recepção, e chegou às paradas dos EUA e do Reino Unido.

01. N.S.U.
02. Sleepy Time Time
03. Sweet Wine
04. Rollin' and Tumblin'
05. Lawdy Mama
Live Cream Vol. 2 [1971]
Outro excelente disco ao vivo, Live Cream Vol. 2 é mais uma mostra do virtuosismo dos três britânicos. Jams indescritíveis se prolongam pelo álbum, com destaque para o enorme improviso em "Steppin' Out", para o wah-wah insano de Eric Clapton em "Tales of Brave Ulysses" e para a incrível versão de "Sunshine of Your Love". E não tem como não falar do que Ginger Baker faz aqui, aliás, em qualquer play ao vivo. Ele simplesmente toma conta de tudo em vários momentos, em uma verdadeira aula de bateria. As três primeiras faixas foram gravadas em Oakland em 68, e o restante na mesma série de shows do Live Cream Vol. 1, em São Francisco. Live Cream Vol. 2 também teve boa recepção, atingindo mais uma vez as paradas de EUA e Reino Unido.

01. Deserted Cities of the Heart
02. White Room
03. Politician
04. Tales of Brave Ulysses
05. Sunshine of Your Love
06. Steppin' Out
The Alternative Album [1992]
Mais como uma peça de colecionador, o Alternative Album do Cream é uma compilação de trabalhos de estúdio em 66 e 67 que nunca haviam chegado ao público. Outros takes do Fresh Cream juntam-se a demos e faixas excluídas do Disraeli Gears, além de até uma trilha feita para uma propagana de cerveja, a "Fallstaff Beer". Destaque para "Lawdy Mama", que é a base de "Strange Brew", para a divertida versão alternativa (e sem letra) de "I Feel Free" e para a demo de "White Room", cujas guitarras não tem wah-wah. O disco é um tanto quanto underground e foi lançado em 1992.

01. Lawdy Mama
02. Rollin' And Tumblin
03. Sweet Wine
04. Cat Squirrel
05. The Coffe Song
06. Toad
07. You Make Me Feel
08. Wrapping Paper
09. Fallstaff Beer
10. I Feel Free
11. White Room

BBC Sessions [2003]
Compilação de faixas gravadas nos estúdios da BBC em Londres, de outubro de 66 a janeiro de 68. São 22 músicas e 4 entrevistas com Eric Clapton. As versões tem duração padrão, sem jams. Assim, serve mais como um "best of" ou outra peça de colecionador.

01. Sweet Wine
02. Eric Clapton Interview
03. Wrapping Paper
04. Rollin' And Tumblin'
05. Steppin' Out
06. Crossroads
07. Cat's Squirrel
08. Traintime
09. I'm So Glad
10. Lawdy Mama
11. Eric Clapton Interview 2
12. I Feel Free
13. N.S.U.
14. Four Until Late
15. Strange Brew
16. Eric Clapton Interview 3
17. Tales Of Brave Ulysses
18. We're Going Wrong
19. Eric Clapton Interview 4
20. Born Under A Bad Sign
21. Outside Woman Blues
22. Take It Back
23. Sunshine Of Your Love
24. Politician
25. SWLABR
26. Steppin' Out

Royal Albert Hall - London, May 2-3-5-6 2005 [2005]
IMPERDÍVEL! Reunião definitiva do Cream em uma série de concertos no majestoso Royal Albert Hall. Os três agora senhores detonam tudo num live delirante que remeta aos bons anos: performances empolgantes e cheias de improvisos. O som está ótimo, o set é o melhor possível e o grupo está afiadíssimo. Não dá para fazer destaques, só dizer que é simplesmente de arrepiar. É a conclusão perfeita da carreira de uma das maiores bandas que já existiram.

Disco 1
01. I'm So Glad
02. Spoonful
03. Outside Woman Blues
04. Pressed Rat & Warthog
05. Sleepy Time Time
06. N.S.U.
07. Badge
08. Politician
09. Sweet Wine
10. Rollin' & Tumblin'
11. Stormy Monday

Disco 2
01. Deserted Cities of the Heart
02. Born Under A Bad Sign
03. We're Going Wrong
04. Crossroads
05. Sitting On Top of the World
06. White Room
07. Toad
08. Sunshine of Your Love


O Cream é um dos grupos mais importantes do rock, fundamental para a formação de tudo que veio depois no gênero. Pouca gente chegou ao patamar desse que foi o maior power-trio que o mundo já viu: o patamar da música atemporal. Não perca por nada!

Jack Bruce - baixo, piano, teclado, órgão, gaita e vocais
Eric Clapton - guitarra e vocais
Ginger Baker - bateria, percussão vocais de apoio

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Jp