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quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Amy Winehouse - Back to Black (Deluxe) [2006]

A vida inteira fui barulhenta, ao ponto de me dizerem para calar a boca.
A única razão que eu tinha para isso era porque precisava gritar para ser ouvida na minha família.
Minha família? É, vocês leram certo. O lado da minha mãe é bem legal, a família do meu pai é a extravagância cantante, dançante musical, tudo musicalmente pirado.
Disseram-me que era dotada de uma bela voz, e acho que a culpa disso é do meu pai.
Ao contrário do meu pai, de sua criação e seus ascendentes, quero fazer alguma coisa com o talento com o qual fui “abençoada”.
Meu pai se contenta em cantar em voz alta em seu escritório e em vender janelas. Minha mãe, no entanto, é química. Ela é quieta, reservada.
Eu diria que minha vida escolar e boletins escolares estão cheio de “poderia fazer melhor” e “não aproveita seu potencial máximo”.
Quero ir para algum lugar em que possa ir até o meu limite e talvez mesmo além.
Cantar em aulas sem que me digam para calar a boca (desde que sejam aulas de canto).
Mas, principalmente, tenho um sonho de ser muito famosa. Trabalhar no palco. É uma ambição da vida inteira.
Quero que as pessoas ouçam a minha voz e simplesmente... esqueçam seus problemas durante cinco minutos.
Quero ser lembrada por ser uma atriz, uma cantora, por concertos repletos e shows lotados West End e na Broadway.
Por simplesmente ser... eu.

Isso foi o que escreveu Amy Jade Winehouse, uma menina judia de apenas 13 anos, ao entrar na Sylvia Young Theatre School, com o sonho de encantar o mundo. Todos os alunos, na verdade, tinham que fazer um curto ensaio e a pequena Amy escreveu praticamente um atestado, uma premonição.

Confesso que quando a vi pela primeira vez – foi num programa qualquer da MTV –, ela estava tinindo cantando pros quatro ventos que não iria de jeito nenhum para a reabilitação e não fui muito com a cara dela. Só que seu primeiro hit “Rehab” é impossível se tirar da cabeça. No, no, no. Não tente.

Eu diria que a diva era do que a música estava precisando. Ela é praticamente a Janis Joplin dos nossos tempos, o Kurt Cobain da música inglesa, afinal, pegaram carona com ela as cantoras Lily Allen e Adele, para citar apenas duas.

Mas o fato aqui é: há genialidade na música de Amy? Ou ela era só uma chorona, com letras melosas sobre relacionamentos? Creio que os dois. Ela foi acometida, em 2006, quando fez o play “Back to Black”, por um surto de iluminação. E como explicar se a música dela é realmente boa? Bem, o filósofo alemão Kant, se bem me recordo, falou em sua “Crítica da Razão Pura” que o que é belo é universalmente agradável, não importando o conceito.

O que quero dizer é que sempre vai haver comentários a favor da cantora, tentando fomentar o quanto seu som é bom e porque o é. Ele simplesmente o é. É elegante. Cheio de vida e tem grande capacidade de aceitação. (Até minha mãe gostou dela, apesar de ser a drogada que era.)


Cantora abriu as portas para outras artistas

Com efeito, Amy tentou e conseguiu. Ela pôs um fim no preconceito de certa forma. Se fosse um integrante do Oasis no lugar dela, por exemplo, ninguém faria cara feia ou nenhum tipo de esgar de asco. Contudo, no caso dela: “Oh, lá vai a Amy, mais uma vez bêbada e drogada...” – mas o Ozzy todo mundo gosta de ver doidão, flying high again and again.

Esse é o ponto. A cantora inglesa que nasceu num bairro ao norte de Londres, chamado Southgate, não era somente uma bêbada drogada miserável que dava manchetes em revistas sensacionalistas ou em portais de conglomerados fúteis.

Hoje, dia 14 de setembro, ela sairia 28 anos, saindo assim do temido clube dos 27. Com essa idade, morreram diversos monstros do rock, com Jimi Hendrix, Kurt Cobain, Jim Morrison, Janis Joplin, Robert Johnson e Brian Jones.

Se estivesse viva, ela lançaria já, já seu terceiro CD – o primeiro foi “Frank”, em 2003, referência clara ao seu mestre Sinatra. Amy também havia aceitado casar com o atual namorado, o cineasta Reg Treviss. A diva tinha decidido parar de beber, passando um tempo numa ilha, isolada também das drogas, só na base da água de coco e da rede entre coqueiros.

A família dela acredita que ela tenha morrido por ter tentando parar abruptamente de beber. A autópsia dos peritos e médicos legistas ainda não saiu – o resultado, só em outubro. E o grande culpado pelo abismo diante da cantora não foi ninguém senão seu ex, o ladrão de egos Blake Fielder-Civil, que a introduziu nas ditas “drogas pesadas”.

O pai de Amy, o taxista Mitchell Winehouse, e a mãe, a farmacêutica Janis, se separaram com a filha ainda pequena. E agora se veem diante de uma separação injusta: a pequena Amy sonhadora indo embora, da mesma forma que uma agulha tenta achar mais sulcos no vinil e não acha.

Amy, mais morena, e Reg Traviss

O que ficam são os cinco Grammy conquistados pela jovem cantora e mais de mil semanas no topo das paradas. Em todo o mundo, praticamente. O mais interessante é que Amy trouxe à tona todo o charme dos anos 1950 e 1960. Principalmente em seu look. Cabelos, roupas, tatuagens, olhar perdido e nervoso em direção do chão, sempre com um copo na mão. “Sempre que me sinto insegura, eu bebo. Muito. E eu sou muito insegura o tempo todo”, disse ela em sua biografia, escrita por Chas Newkey-Burden.

Pois bem. O álbum “Back to Black”, produzido por Mark Ronson, deixa o ouvinte arfante. De tão bom (imagine essa versão, que é deluxe). Se você abrir a mente, Amy pode entrar para nunca mais sair. É, a menininha que ganhou aos 13 uma guitarra Fender Stratocaster e tinha uma banda de brincadeira chamada Sweet’n’Sour conquistou o mundo. E deu a sua alma por isso no dia 23 de julho de 2011.

1. Rehab
2. You Know I'm No Good
3. Me and Mr. Jones
4. Just Friends
5. Back to Black
6. Love is a Losing Game
7. Tears Dry On Their Own
8. Wake Up Alone
9. Some Unholy War
10. He Can Only Hold Her
11. Addicted
12. Valerie
13. Cupid
14. Monkey Man
15. To Know Him is to Love Him
16. Hey Little Rich Girl (ft. Zalon & Ade)
17. You're Wondering Now
18. Some Unholy War (Acoustic)
19. Love is a Losing Game (Original Demo)

Amy Winehouse - all vocals
Binky Griptite - guitars
Thomas Brenneck - guitars
Helen Tunstall - harp
Perry Mason, Chris Tombling, Pigott Smith, Tom, Warren Zielinski, Liz Edwards, Mark Berrow, Peter Hanson, Boguslaw Kostecki, Everton Nelson, Johnathan Rees - violins
Jon Thorne, Kate Wilkinson, Rachel Bolt, Bruce White - violas
John Heley, Joely Koos, Anthony Pleeth - cello
Andrew MacKintosh, Chris Davies - alto saxophone
Jamie Talbot, Mike Smith , Neal Sugarman - tenor saxophone
Ian Hendrickson-Smith, Vincent Henry, Dave Bishop - baritone saxophone
Steve Sidwell, Dave Guy - trumpet
Bruce Purse - bass trumpet
Richard Edwards - tenor trombone
John Adams - Fender Rhodes piano
Salaam Remi, Nick Movshon - bass
Troy Auxilly-Wilson, Homer Steinweiss - drums
Vaughan Merrick, Mark Ronson, Victor Axelrod - hand claps
Frank Ricotti - percussion

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Mundo acordou de luto do dia 23 de julho

Por Breno Airan Meiden

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Lenny Kravitz - 5 [1998]


Sim, tempo de férias, nada melhor! Então resolvi retornar ao meu antigo lar e postar um dos artistas mais versáteis da música, o multifuncional Lenny Kravitz! E talvez não exista melhor opção do que o disco em questão para presentear os viajantes da combe. Se você está se perguntando porque esse é o melhor disco, eu te respondo: ele foi responsável por só 2 Grammys e pela divulgação em massa do artista pelo mundo inteiro.

Com um som de difícil rotulação, Kravitz se supera em todos os aspectos no disco ''5'' e caminha pelos mais diversos estilos musicais: funk; hard rock; rock psicodélico; pop; rock n' roll; pode tentar decifrar. Usando e abusando de efeitos nas cordas, dos metais e de melodias que rapidamente grudam na cabeça, Lenny participa das gravações de todos os instrumentos, sendo esse fator talvez um dos responsáveis pelo alto nível musical do disco.

Partindo para o disco: assim que você fizer o download, vá direto para a música ''I Belong To You'', na minha opinião a melhor música entre todas as outras, com um instrumental desnorteantemente completo, dando uma relaxante sensação de bem estar, ideal para um pôr do sol na praia. Outro grande destaque que eu faço são para as músicas ''Thinking Of You'', que segue a mesma linha da já dita ''I Belong To You'', com uma letra especial, pois foi composta em homenagem a morte de sua mãe.

Temos aqui também duas músicas famosas, que eu aposto que todos que estão lendo já ouviram: ''Fly Away'', com seu riff fortemente seco; e a cover ''American Woman'', presente na trilha sonora de algum filme da série Austin Powers.


Quando você acha que a diversidade de estilos terminou, duas faixas expõe claramente as influências da música negra sobre a vida de Kravitz: ''Supersoulfighter'' ultraswingada e com uma batida que dificilmente vai deixar o corpo parado servem para dar aquele choque nos ouvintes; e a instrumental ''Straight Cold Player'', fazendo ao fechar dos olhos, imaginarmos as pessoas com seus afros e blackpowers dançando em programas como ''Soul Train''.

Vale lembrar que ainda esse ano Lenny irá se apresentar no Rock In Rio, e se eu não me engano, entre as apresentações da Shakira e da Ivete Sangalo... é, eu sei, não vai ser nada legal esperar o show dele começar.

1 - Live
2 - Supersoulfighter
3 - I Belong to You
4 - Black Velveteen
5 - If You Can't Say No
6 - Thinking of You
7 - Take Time
8 - Fly Away
9 - It's Your Life
10 - Straight Cold Player
11 - Little Girl's Eyes
12 - You're My Flavor
13 - Can We Find a Reason
14 - American Woman
15 - Without You

formação:
Lenny Kravitz – vocal, guitarra, teclado, baixo e baquetas
Craig Ross – guitarra
Jack Daley – baixo



sueco

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terça-feira, 28 de junho de 2011

Sam Cooke – Greatest Hits [1998]



Acrescentemos à Combe um pouco de alma.

Entre os heróis da soul music norteamericana, Sam Cooke reinou soberano durante um curto espaço de tempo.

Nascido Samuel Cooke (Clarksdale, Mississippi, em 1931), o cantor é considerado um dos criadores do termo soul music, e um dos precursores do estilo. Como a época é antiga, essas afirmativas ficam mais por conta da tradição oral do que da efetiva documentação. Mas, independentemente do que se queira acreditar, o homem tinha uma voz de ouro. Tanto que seu apelido sempre foi The King Of Soul. O que tem em Clarksdale, afinal? Será a água?

Optei por uma coletânea lançada em 1998 porque entendo este ser um registro que realmente abrange o que há de melhor na curta carreira desse rei. Passageiros, quem ainda não teve contato com a soul music original, que chame o amor de sua vida e abra um bom vinho em frente à lareira neste inverno rigoroso. Essa é a verdadeira música para ouvir amando. E dizer que Julio Iglesias já se referiu assim à sua porcaria sonora. Aqui está o real deal, esqueça o espanhol de Miami.

Entre 1957 e 1964 (ano de sua morte prematura por um tiro disparado por uma camareira de hotel que alegou legítima defesa), o cara teve nada mais nada menos que 29 canções nas paradas americanas. E estamos falando de 7 anos no tempo dos reis.



A carreira solo surgiu após Cooke abandonar o grupo gospel Soul Stirrers, em 1957. No início, havia uma grande influência do blues e do rock de Chubby Checker em suas composições. Mas o ritmo foi desacelerando aos poucos, e é nas baladas que encontramos o ouro puro, lapidado pela mesma Specialty Records que gravou Little Richards e tantos outros sucessos da gênese do rock’n’roll.

Não vou falar de todas as músicas porque a coletânea é bem completa, mas a abertura, com You Send Me, me faz querer andar num Cadillac conversível e tomar uma Coca-Cola em garrafa de vidro de 250ml. Chiclete e jaqueta de couro preto completam o cenário, que traz a gata num vestidinho rodado e cabelo preso num rabo-de-cavalo. Sonhar é bom, e com Sam Cooke é ainda melhor.

Everybody Loves to Cha Cha Cha é ingênua demais. E é exatamente essa ingenuidade que a faz tão bonita. Only Sixteen é a música que hoje daria cadeia por pedofilia. Mas, para aqueles anos 50, fazia muito sentido. A juventude começava a se rebelar e a revolução sexual, que explodiu nos anos 60, tomava seus primeiros formatos. Chain Gang também traz um clima de picardia juvenil que soa... fofo. Se pensarmos que hoje ouvimos nas músicas palavras como “mano”, “cana”, “Ar-15”, e, bem, não cabe citar todas as barbaridades; aqui está uma ode à gangue juvenil com vocalizações soul que acabam trazendo sentimentos antagônicos. Afinal, é pra gostar ou não da gangue? Acabamos gostando.



Twistin’ the Night Away foi um dos maiores sucessos de Sam Cooke. Uma batida festiva e com uma harmonia ímpar. Cupid também foi sucesso. E é aquela que deve ser cantada no ouvido da gata enquanto o som rola no fundo. Mostre que você é sensível. Só cuide para não pedi-la em casamento movido pela forte emoção. Pense primeiro, ok? Se der tempo.

Um disco que entendi ser necessário em uma época de discussões acaloradas sobre temas que levam a absolutamente lugar nenhum. Uma época em que pessoas escrevem o que bem entendem na internet, despreocupadas com o sentimento de quem recebe a mensagem. Viva a alma humana. Sinta-a. Essa é a trilha sonora. Um abraço a todos.



Cupid draw back your bow
and let your arrow go
Straight to
my lover’s heart for me

Track List

1 You Send Me

2 (I Love You) For Sentimental Reasons

3 You Were Made For Me

4 Win Your Love For Me

5 Love You Most of All

6 Everybody Loves To Cha Cha Cha

7 Only Sixteen

8 Wonderful World

9 Chain Gang

10 Sad Mood

11 That's It, I Quit, I'm Movin' On

12 Cupid

13 Twistin' The Night Away

14 Having A Party

15 Bring It On Home To Me

16 Sugar Dumpling

17 Nothing Can Change This Love

18 Somebody Have Mercy

19 Send Me Some Lovin'

20 Frankie And Johnny

21 Little Red Rooster



Músicos que participam de todas as gravações
Sam Cooke (vocais)
Billy Preston (órgão)
Lou Rawls (backing vocais)

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Por Zorreiro

sábado, 23 de abril de 2011

Elvis Presley – Aloha From Hawaii [1973]


Elvis, o rei do rock.

Nunca um frontman foi tão carismático e adorado na história do rock’n’roll e, exatamente por isso, Elvis Presley é o rei do rock. Seus shows sempre foram emblemáticos, e sua trajetória, tensa.

Do estouro em 1956 aos shows em Las Vegas nos anos 70, Elvis sempre primou pela qualidade na escolha dos músicos que o acompanharam. Dj Fontana e Scotty Moore compunham a primeira banda de Elvis, quando ele ainda fazia apresentações quase exclusivamente para públicos adolescentes. Nos anos 60 houve a pausa da carreira de rockstar para virar estrela de cinema em Hollywood. Diversos filmes e uma rotina intensa o tiraram dos holofotes da música, apesar de ele ter sido o responsável pelas trilhas sonoras da maioria dos filmes que atuou. As músicas, no geral, eram ruins e feitas sob encomenda para seus filmes (também de gosto duvidoso, diga-se).

Em 1968 ele volta com tudo em um especial para a televisão (ainda com Fontana e Moore) e, a seguir, dá início aos grandes shows da década de 70 (dos quais o presente post é um dos mais memoráveis). A banda que o acompanhava era um supergrupo.

Nos vocais de apoio, um grupo masculino conhecido como Elvis’ Imperials, composto por Terry Blackwood, Greg Gordon, Armond Morales, Joe Moscheo, Jim Murray e Roger Wiles faziam companhia às famosas Sweet Inspiration, um grupo de mulheres negras que, em conjunto com os rapazes, faziam com que as performances do rei fossem extremamente dramáticas e emocionantes. Era um coro completo, com todas as vozes de um coral de orquestra.

A TCB Band (Taking Care of Business) era responsável pelos maravilhosos instrumentais rock’n’roll, com ninguém menos que James Burton e John Wilkinson nas guitarras, Glen D. Hardin (piano), Jerry Scheff (baixo) e Ronnie Tutt (bateria), compondo um dos maiores times da história do rock. Basta ouvir os trabalhos dos músicos nas apresentações para saber que todos eram o que de melhor existia em sidemen no mundo à época.

A TCB hoje


Acrescente uma orquestra de sopros e cordas e saberás a importância de um ícone do rock. A importância de se respeitar a platéia e fazer supershows quando isso ainda não era prioridade no rock’n’roll.

O post de hoje é somente o primeiro show a ser televisionado ao vivo via satélite para o mundo todo na história. Um concerto realizado no Hawaii com Elvis iniciando seu declínio físico, resultado de um abuso constante de barbitúricos, mas ainda dono de uma voz inigualável. Com exibições em aproximadamente 40 países (nem todos ao vivo, pois o show foi realizado em janeiro, mas transmitido em alguns lugares somente meses depois), estima-se que tenha sido o show com maior público da história, com aproximadamente 1 bilhão de pessoas. Em se tratando de Elvis Presley, tudo é superlativo.





Foram dois shows, um “show-ensaio” no dia 12 e o show definitivo, dia 14 de janeiro de 1973. O televisionado e gravado foi o segundo, obviamente.

O show abre com See See Rider e Burning Love, dois sons que animam qualquer festinha rockarolla. Um repertório sob encomenda para agradar os fãs mais modernos (em 73), e que fugia dos clássicos dos anos 50. Something, de George Harrison vem em seguida, em uma interpretação emocionante (apesar de que não curto muito essa versão).

No repertório também tem My Way, clássico absoluto de Paul Anka que foi imortalizado na voz de Frank Sinatra. Do começo da carreira tem Love Me, Blue Suede Shoes, Hound Dog, Long Tall Sally e Whole Lotta Shakin’ Going On, mas parece que Elvis está cumprindo protocolo, tamanha falta de tesão que dá pra sentir nas performances.

Percebe-se que seu terreno agora era outro, com baladões superproduzidos e deixando de lado o bom e velho rock’n’roll. Tanto é verdade que o ápice do show é Suspicious Minds, o hit single que embalava as vendas de sua carreira na época.





Os shows do final dos anos 50 são feitos com mais culhões, mas a superprodução desse show mostra que Elvis Presley pode até destinar seu repertório às fãs que amadureceram enquanto ele brincava de ator em Hollywood, mas ele nunca se contentou em fazer algo menor que o sublime.

Ah! A versão Deluxe traz 5 músicas gravadas em estúdio especialmente para o programa de televisão.

Hail to the King.

Track List

1. Also Sprach Zarathustra (1:08)
2. See See Rider (2:59)
3. Burning Love (2:56)
4. Something (3:46)
5. You Gave Me A Mountain (3:16)
6. Steamroller Blues (3:09)
7. My Way (4:04)
8. Love Me (1:55)
9. Johnny B. Goode (1:43)
10. It's Over (2:08)
11. Blue Suede Shoes (1:16)
12. I'm So Lonesome I Could Cry (2:17)
13. I Can't Stop Loving You (2:28)
14. Hound Dog (1:06)
15. What Now My Love (3:12)
16. Fever (2:41)
17. Welcome To My World (2:00)
18. Suspicious Minds (4:31)
19. Intros (2:42)
20. I'll Remember You (2:33)
21. Long Tall Sally/Whole Lot-ta Shakin' Goin' On (2:05)
22. An American Trilogy (4:42)
23. A Big Hunk O'Love (2:14)
24. Can't Help Falling In Love (2:26)
25. Blue Hawaii (bonus gravado em estúdio)
26. Ku-U-I-Po (bonus gravado em estúdio)
27. No more (bonus gravado em estúdio)
28. Hawaiian Wedding Song (bonus gravado em estúdio)
29. Early Morning Rain (bonus gravado em estúdio)

Elvis Presley: Voz e Violão
James Burton: Guitarra
John Wilkinson: Guitarra
Charlie Hodge: Violão e Vocais
Jerry Scheff: Baixo
Ronnie Tutt: Bateria
Glen Hardin: Piano
J.D.Summer, The Stamps, The Sweet Inspirations e Kathy Westmoreland: Vocais
Joe Guercio: Orquestra


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Por Zorreiro

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Joss Stone - Mind, body and soul [2004]


Fim de ano é aquela coisa: E agora? O que vai ser colocado no som? "Show da Virada", da Rede Globo, não tem condições. Lhes mostro algo que pode ser opção e todos da família, por conseguinte, gostar. A Jossie, como é chamada pelos íntimos - inclusive eu -, aos 23 anos, vai lançar sua primeira coletânea de sucessos, agora em fevereiro próximo. O nome do CD será "Super Duper Hits: The Best of Joss Stone".

Isto porque o segundo single emplacado pela loira foi "Super Duper Love" - daí o nome do play. A música está no primeiro trabalho da inglesa chamado "The Soul Sessions", o qual fomenta as canções esquecidas de artistas-referência do soul e R&B (de qualidade), tais como Aretha Franklin, Laura Lee e Bettye Shawn - além deles, Jossie, em sua infância, escutava Dusty Springfield. Ainda consta no compacto a música ("Fell in love with a boy") que a lançou: uma paródia da música "Fell in love with a girl", do White Stripes.

À época, ela só tinha 16 anos (!) e já obtinha um vozeirão de dar inveja a qualquer dona-de-casa-cantora-de-banheiro. Um ano depois, decidiu fazer um play de músicas próprias. Sucesso. Revelação. Futuro. Lembro, inclusive, do meu pai - sempre ele - comparando-a com a indizível Janis Joplin. Mandei ele pegar leve... Mas quando ouvi a Jossie, vi que havia algo ali. Havia alma na voz dela.

Jossie chegou no 11º lugar da Billboard 200. Seu primeiro single, "You had me", chegou no top 10 do Reino Unido. Outros destaques do CD são a direta "Right to be wrong", os coros bem encaixados de "Jet Lag", a sentimental "Spoiled", a swingada "Don't cha wanna ride", a reggaeira "Less is more", a música-de-motel "Security" e a funkeada "Torn and Tattered".

O pontecial vocal dela chega a incomodar certos ouvidos desacostumados, mas chegou aos do mestre James Brown. Os dois se apresentaram junto no Live 8, em 2005, no Hyde Park. Desde então, a loira Stone vem ganhando espaço - vendeu mais de 11 milhões de cópias em meio ao império da pirataria. Recentemente, apresentou seu soul no SWU (Start With You), que aconteceu no Brasil, com artistas de calibre como Rage Against The Machine. Mais recentemente ainda, ganhou espaço na Combe. (E espero que na sua casa!)

PS - Feliz ano novo, passageiro, e atente para a música escondida, "Daniel"...

1. Right to be Wrong
2. Jet lag
3. You had me
4. Spoiled
5. Don't cha wanna ride
6. Less is more
7. Security
8. Young at heart
9. Snakes and ladders
10. Understand
11. Don't know how
12. Torn and tattered
13. Killing time
14. Sleep like a child

Joss Stone - vocais
(Nas guitarras, baixos, baterias, percussões, backing vocals e composições estão milhares de pessoas. Inclusive, o imortal Desmond Child.)



Por Breno Airan Meiden

terça-feira, 15 de junho de 2010

The Derek Trucks Band - Already Free [2009]

"Ele faz a guitarra soar como uma cantora de jazz dos anos 50 ou 60 simplesmente soltando a voz." John Mayer sobre Derek Trucks.

É com essa capa maravilhosa e essa citação bastante sugestiva que começo a resenha de um dos melhores álbuns dos últimos anos. Already Free é uma peça rara de inspiração e musicalidade, que viaja pelos mais diversos gêneros da música negra norte-americana: soul, funk e principalmente o blues.

Por trás dessa obra-prima da música moderna está Derek Trucks, que realmente não é qualquer um. O guitarrista conquistou a crítica, o público e toda a velha guarda do blues com uma habilidade incrível no slide, sendo considerado parte da chamada "nova geração" do estilo. E, só para se ter uma idéia de quem estamos falando, ele é atualmente membro da lendária Allman Brothers Band. Sem mais.


Mas vamos ao disco. Already Free é um trabalho tão versál que realmente fica muito difícil descrevê-lo. Ao apertar o play inicial, você ouvirá a melhor faixa do álbum: "Down In The Flood", fantástico cover de Bob Dylan. É um blues moderno, mas tão southern que te leva direto para uma plantação de algodão nas margens do Mississipi. Aqui, logo de cara, Derek Trucks mostra a que veio, com dois solos indescritíveis de slide. Quanto aos vocais, se a palavra soul pudesse ser transformada em uma voz do século XXI, seria a de Mike Mattison.

A cozinha é a clássica do blues. Aqui tem baixo discreto, teclados muito bem postados e bateria em ótima combinação com outras percussões. Mas em Already Free não existem clichês. Logo na primeira audição é possível identificar um amplo leque de influências nos instrumentos. Isso inclui a guitarra, já que o próprio Trucks foi estudante de jazz.

O disco é uma combinação fantástica de soul e blues. As faixas variam, desde as mais soul, como "Sweet Inspiration" e "Down Don't Bother Me", passando pelas puxadas para o blues, como "Down In The Flood", "Don't Miss Me" e "Get What You Deserve". Mas há muito mais, como a funk "Something To Make You Happy" e as baladas (muito bem) cantadas por Doyle Bramhall II, "Our Love" e "Maybe This Time".

Quanto às outras faixas, destacam-se: "I Know", que traz muito de Allman Brothers, mas tem identidade na presença do soul e da música indiana; a bucólica "Days Is Almost Gone"; e "Back Where I Started", que conta com a voz apaixonante da também guitarrista esposa de Derek Trucks, Susan Tedeschi. Além disso, essa última canção teve o dedo de Warren Haynes no processo de composição.

E por fim, seria um pecado não falar da curta e maravilhosa faixa título, que fecha o disco. A letra de "Already Free" é praticamente um manifesto do estilo de vida sulista.

Por fim, só posso repetir que esse é um dos melhores álbuns dos últimos anos. Sucesso de público e crítica, Already Free se aproxima da perfeição. É talvez o melhor trabalho do blues contemporâneo, que se expande para outros gêneros e os incorpora muito bem. Não é um disco de guitarrista, e sim um play feito por uma banda infinitamente competente. Algo a se descobrir, música cativante, música boa. Não perca tempo e baixe!

01. Down In The Flood
02. Something To Make You Happy
03. Maybe This Time
04. Sweet Inspiration
05. Don't Miss Me
06. Get What You Deserve
07. Our Love
08. Down Don't Bother Me
09. Days Is Almost Gone
10. Back Where I Started
11. I Know
12. Already Free

Derek Trucks - guitarras
Mike Mattison - vocais
Kofi Burbridge - teclados, flautas, vocais de apoio
Todd Smallie - baixo, vocais de apoio
Yonrico Scott - bateria, percussão, vocais de apoio
Cont M'Butu - percussão

Susan Tedeschi - vocais de apoio, vocais em 10
Doyle Bramhall II - vocais em 03 e 07

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