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quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Black Stone Cherry – Between The Devil & The Deep Blue Sea [2011]


Sabe aquele som que parece com algo que você já ouviu, mas não consegue identificar exatamente qual a origem da coisa?

Pois esse último lançamento do Black Stone Cherry é mais ou menos assim. Com pitadas de southern tock, stoner, country rock, hard rock e até hip hop (alguns vocais são praticamente rapeados), a mistura de ingredientes resultou num prato saborosíssimo. Refrões bem bolados e dinâmicas inteligentes fazem desse um disco gostoso de ser ouvido do começo ao fim.

Surgida em 2001, em Edmonton, Kentucky, a banda nunca se propôs a trazer algo inovador. Os caras prezam pelos timbres valvulados, vocais encharcados de Bourbon a la Zakk Wylde e cozinha simples, porém coesa (cortesia do bom trabalho de bumbo simples com uma destruição generalizada da prataria). Essa qualidade já aparece na abertura, com White Trash Millionaire, que traz um instrumental inspiradíssimo e um som com gana e muito bem produzido.



Chris Robertson e John Fred Young são filhos de Richard Young, guitarrista da inexplicavelmente ainda não postada banda Kentucky Headhunters. Os contatos e a música, portanto, estão presentes do berço.

Terceiro álbum de estúdio dos rapazes, The Devil And The Deep Blue Sea traz produção impecável e mostra que eles são uma aposta da gravadora Roadrunner. Inteligentes, sabem trabalhar com a nova era da internet e disponibilizaram o álbum para venda e as bonus tracks somente via itunes. Redes sociais são amplamente utilizadas como meios de divulgação do trabalho e o youtube já registra milhares de visualizações de seus vídeos.

As músicas trazem elementos tipicamente norteamericanos, com menções ao folclore e às superstições das diversas regiões do país (nome do disco anterior dos caras, Folklore and superstition). O som é algo moderno, sem cair na chatice geral que impera no mundo metal. Pense em peso e diversão juntas, com solos de guitarra curtos e inspirados nos licks de blues. Sobre solos, é importante lembrar que um solo não pode demorar mais que o tempo que você leva para ir buscar uma gelada no balcão do bar. E eles respeitam essa máxima.

Killing Floor é um peso que faria Zakk Wylde sentir orgulho, inclusive com o bom uso de um talk box. In my Blood é uma mistura excelente de violão, guitarra limpa e guitarra direta em um valvulado, o que mostra que os caras entendem de timbre. E a nós, caro passageiro, cabe avaliar se é bom ou não de ouvir. E é muito bom.

Such a Shame abre com um riff de guitarra furioso. Os riffs dessa banda são cortantes e, ao mesmo tempo, emocionantes. Eles trabalham muito bem o conceito de duas guitarras, sem utiliza-las como twins em melodias de solo mas dosando as freqüências, ou seja, enquanto uma faz o riff grave a outra dedilha em agudos. Isso dá um preenchimento excelente. Cortesia, também, da produção caprichada.

Won’t Let Go é a balada do disco. Doce e pesada na medida certa. Mas o grande hit, que vem a seguir, é Blame It On The Boom Boom. Com vídeo explodindo os níveis de audiência no youtube, é uma prova de que a banda encontrou seu nicho e cativou seu público fiel. Sonzeira! Dá vontade de sair pulando, encher a cara e agarrar todas as gatas que estiverem ao redor.



Todo o disco é bom. E as bonus tracks são a cereja do bolo. Fade Away é linda. Starring At The Mirror traz banjos, nos fazendo lembrar do Pride and Glory, do já citado Wylde.

Como eu disse, temos a impressão de já ter ouvido isso antes. Mas o resultado ficou tão bom que vale a pena conferir. Talvez o Silver ache que esse disco não vá mudar a vida de ninguém, mas temos que lembrar que todos nós já fomos atingidos em cheio por álbuns improváveis (desculpa, irmão, mas não resisti). Eu, por exemplo, curto Weather Report, que a maioria chama de música de elevador ou consultório de dentista. Vai saber.

Como diria Tim Tones, personagem do Chico Anysio: oásis nos desertos da dor.

Track List

1. "White Trash Millionaire" - 3:20
2. "Killing Floor" - 4:02
3. "In My Blood" - 3:49
4. "Such A Shame (Feat. Lzzy Hale)" - 3:27
5. "Won't Let Go (Feat. Lzzy Hale)" - 3:19
6. "Blame It on the Boom Boom" - 3:11
7. "Like I Roll" - 3:33
8. "Can't You See" (Toy Caldwell) - 3:33
9. "Let Me See You Shake" - 3:07
10. "Stay" - 3:24
11. "Change" - 3:05
12. "All I'm Dreamin' Of" - 4:03
13. "Staring at the Mirror" (iTunes and UK Retail Bonus Track) - 3:22
14. "Fade Away" (iTunes and UK Retail Bonus Track) - 3:45
15. "Die For You" (iTunes and UK Retail Bonus Track) - 3:14



Chris Robertson (vocais e guitarras)
Ben Wells (guitarras e backing vocais)
Jon Lawhon (baixo e backing vocais)
John Fred Young (bateria e backing vocais).

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Por Zorreiro

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Brand New Sin – Distilled [2009]




Conseguir informações sobre produções independentes pode ser um martírio.

Brand New Sin já teve seu maravilhoso Recipe For Disaster resenhado por mim aqui. A formação que foi considerada a clássica já não existe mais, e a banda passou por mudanças radicais, especialmente no som.

Após experimentar o sucesso e amargar a dissolução que contava com uma química impecável, bem como ter encerrado o contrato com a gravadora Century Media, o Brand New Sin voltou às suas origens. E de forma independente lançou Distilled, o “disco do porquinho”.




Após a debandada geral, restaram somente Kris Wiechmann (guitarra e vocais), Chuck Kahl (baixo e vocais) e Kevin Dean (bateria), que resolveram tocar o barco no formato power trio. Sem a formação pancada e nem um contrato com gravadora, o mundo ficava mais duro com os caras.

Ron Keck, um dos donos do Subcat Studios, em Skaneateles, Nova York e amigo dos remanescentes, foi convidado para gravar alguns registros em forma de parceria. Nada, inicialmente, oficial, já que o futuro da banda era incerto. Algumas canções foram compostas na época de Recipe For Disaster, e outras são fruto de jam sessions realizadas nos estúdios, no melhor clima “deixe a fita rolar” (apesar de que não devem ter usado fita, enfim...).

Senhoras e senhores, o resultado da empreitada é simplesmente fantástico!

A abertura acústica com Enjoy The Ride traz o climão southern com ares de Central Park que fez a cabeça dos fãs nas gravações anteriores, e abre a porta com maestria para o que vem a seguir. The Dead Of One Thing Or Another é quase sleaze, trazendo uma gana que foge do peso absurdo típico das gravações anteriores mas que nos remete aos tempos em que hard rock dos anos 80 ainda era hard e ainda era rock. Parece que saiu de uma gravação de 1983 ou em torno disso. Solos inspirados no blues, riffs diretos, vocais com todo mundo junto e bateria curta como coice de porco (talvez por isso a capa do porquinho).

Breaking Bottles mostra timbres de Marshall em afinação padrão que fazem falta nos dias de hoje. Aliás, quero registrar um protesto. Tento ouvir bandas novas para postar aqui, como Black Veil Brides, In Flames, Asking Alexandria, Disturbed etc. Mas tudo que ouço são captadores ativos em amps mesa-boogie lacrados. Não que o timbre não seja bom, mas absolutamente todas as bandas têm o mesmo timbre de guitarra! Isso tornou-se um verdadeiro suplício.

Pois aqui temos variações de timbres orgânicos, em afinações que fazem com que cada instrumento respeite a faixa de frequência para a qual fora criado. E isso é bom.


É difícil destacar faixas específicas, pois todo disco independente merece ser analisado com um carinho especial, haja vista o esforço para parir a criança.

Down Myself traz aqueles violões encharcados de Bourbon, apesar de que os vocais acabam não sendo tão fantásticos com eram com Just Joe. Porém, resolveram investir em backing diferenciados, e a coisa ficou excelente. Fly é uma bela duma pedrada.




Talvez esse seja mais um disco de um bom power trio, ou talvez seja um grito de fúria de um gigante que agonizava e ressurgiu das trevas. Encare como quiser. Distilled é, no mínimo, um grande disco, e nos faz lembrar que ainda é possível meter ficha num rockão classudo sem cair na mesmice das grandes gravadoras.

Maldita tecnologia digital.

Track List

01. Enjoy The Ride
02. The Death Of One Thing Or Another
03. Breaking Bottles
04. Summertime
05. Down Myself
06. Fly
07. Hideous
08. Two Middle Fingers
09. The Pledge
10. The Pig
11. Crossed Out And Changed
12. My Loved Ones



Kris Wiechmann (guitarra e vocais)
Chuck Kahl (baixo e vocais)
Kevin Dean (bateria)

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Por Zorreiro

domingo, 18 de setembro de 2011

The Allman Brothers Band - Idlewild South [1970]


Olá visitantes da Combe do Iommi. Meu nome é Gabriel e sou o mais novo colaborador desse incrível blog. Espero que durante minha passagem eu seja bem-sucedido e bem recebido por todos.

A primeira postagem é sempre um problema, ainda mais em se tratando da Combe, que tem um dos acervos mais completos da internet. Mas, enfim, me decidi por iniciar minha estadia com o segundo e espetacular disco da Allman Brothers Band, intitulado "Idlewild South" e lançado em 1970.

Quem já é familiarizado com o som da banda, não se decepcionará com o que vai encontrar por aqui. A mesma inspiração de sempre, as mesmas grandes composições e os mesmos tradicionalíssimos instrumentais, que já são marca registrada dos naturais de Jacksonville. "Idlewild South" é o segundo álbum de sua carreira e o primeiro a ter prestígio da crítica e vendas consideráveis.



"Revival" abre os trabalhos mostrando, como sempre, músicos entrosados, diversidade de ritmos e instrumentos muito bem colocados. "Don't Keep Me Wonderin'" tem slides que são um espetáculo a parte, e os vocais de Gregg Allman, inigualáveis. Os violões de "Midnight Rider" captam de forma certeira a essência do Southern; aliás, essa é uma das minhas preferidas.

"In Memory Of Elizabeth Reed" é icônica, e dá uma amostra do poder de improvisação da trupe. Dickey Betts rouba a cena durante toda a faixa, e o que é formado com a junção de todos os elementos da banda é algo surreal, simplesmente.




"Hoochie Coochie Man" é uma releitura poderosa para o clássico de Willie Dixon. Desta vez os teclados merecem menções honrosas, até porque todo o trabalho de Gregg por aqui é competente e excepcional.

A coisa envereda para o lado emocional com a belíssima "Please Call Home", certamente uma das melhores baladas que já ouvi na vida. O feeling de Duane atinge proporções gigantescas aqui, e o instrumental de fundo cria uma atmosfera propícia para esse feeling. "Leave My Blues At Home" encerra de forma descontraída e com muito groove.

É Allman Brothers; é clássico.


Gregg Allman - vocais, piano, órgão
Duane Allman - guitarras
Dickey Betts - guitarras
Berry Oakley - baixo, vocais em 5
Butch Trucks - bateria
Jai Johnny "Jaimoe" Johanson - percussão

1. Revival
2. Don't Keep Me Wonderin'
3. Midnight Rider
4. In Memory of Elizabeth Reed
5. Hoochie Coochie Man
6. Please Call Home
7. Leave My Blues At Home

por Gabriel

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quarta-feira, 15 de junho de 2011

38 Special - Strenght In Numbers [1986]

Este post contém um membro da linhagem real do southern rock, um Van Zant.

Quem acompanha o blog a mais tempo, sabe o quão são apaixonado tanto por Southern quanto por AOR (aliás gosto de quase tudo que é rock, mas tenho carinho especial por ambos). Mas que tal os dois misturados de maneira perfeita, em uma dose que é capaz de viciar até o mais true nórdico filho do deus metal? É isso que o 38 Special faz de maneira perfeita, em um som cativante desde sua primeira audição.

Anteriormente postei o ótimo "Tour de Force" aqui, que é um disco obrigatório para quem gosta de Southern, ainda que seja mais pop, porém assim tão bom quanto tudo o que gênero proporcionou. No seu sucessor, a mesma receita foi seguida à risca, ou seja, encontraremos uma base southern com boas doses de AOR, com singles com um baita potêncial radiofônico, e que lhe farão sentir aquela nostalgia com seu clima à lá sessão da tarde. Mas aqui o AOR dá muito mais as caras e é um disco muito mais comercial que seus antecessores, o que não significa que seja ruim.


Ao contrário, em "Strenght In Numbers" encontraremos melodias mágicas e grudentas e grandes canções. Don Barnes continua a apresentar linhas vocais de extremo bom gosto e riffs redondinhos por aqui, e com Donnie desfilando seus belos backing vocals por aqui e assim apresentam belas camadas vocais por aqui. A banda cria melodias incríveis, com ajuda de monstros do AOR, como Denny Carmassi, Mike Porcaro, Jim Vallence e Bill Cuomo. Ainda que não tenha vendido tanto quanto seus antecessores (alcançou o disco de ouro, contra os de platina dos dois anteriores) e não ter gerado nenhum primeiro lugar nas paradas da Billboard, é um disco muito bem realizado.

A metade inicial deste é de fazer qualquer um que goste de AOR deixar rolar uma lágrima de alegria. "Someone Like You" é a que tem a maior dose de influência do southern e se aproxima mais do trabalho feito nos outros discos, ou seja, aquele southern pop rock que quem conhece deve gostar muito. "Like No Other Night" começa bem calma e a cada segundo fica mais envolvente até empolgar de uma maneira indescritível em seu final. "Last Time" continua com o pé fincado no AOR em uma canção com um andamento mais simples, porém com um refrão marcante.



"Once In A Lifetime" é tão grudenta quanto as anteriores e um dos grandes momentos desse registro. Mas eles dão uma escorregada em "Just a Little Love" que tem cara de filler desde sua primeira execução, porém se redimem de maneira quase que messiânica na linda balada "Has There Ever Been a Good Goodbye", que é disparada a melhor deste disco e consegue arrancar um sorriso de orelha a orelha deste que vos escreve, já que novamente eles dão uma escorregada na insosa "One In A Million". "Hearts on Fire" não nega suas raízes oitentistas, assim como "Never Give A Inch" que encerra o disco.

Não é o melhor registro da carreira do grupo (título que dou a seus dois antecessores), mas vale a pena principalmente por sua primeira metade, que é muito bem caprichada e consegue agradar sem fazer muito esforço. Nem precisava de mais para honrar a tradição que a família Van Zant possui de nos brindar belas canções, seja qual for o seu representante. Mas que inveja e vontade de possuir o gene abençoado que esses irmãos tiveram...




1.Somebody Like You
2.Like No Other Night
3.Last Time
4.Once in a Lifetime
5.Just a Little Love
6.Has There Ever Been a Good Goodbye
7.One in a Million
8.Heart's on Fire
9.Against the Night
10.Never Give an Inch

Don Barnes - Vocais, Guitarras
Donnie Van Zant - Vocais
Jeff Carlisi - Guitarras
Larry Junstrom - Baixo
Steve Brookins - Bateria
Jack Grondin - Bateria

Músicos Convidados:
Denny Carmassi - Bateria
Michael Cichowicz - Trompete
Bill Cuomo - Teclados
Tom Kelly - Backing Vocals
Nick Lane - Trombone
Jerry Peterson - Saxofone
Mike Porcaro - Baixo
Earl Lon Price - Saxofone
Jim Vallance - Bateria

By Weschap Coverdale

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Lynyrd Skynyrd – Street Survivors [1977]



Este é o disco no qual o Lynyrd Skynyrd apostava suas fichas para o megaestrelato com base na formação que seria definitiva.

Ed King, genial compositor dos primeiros discos do grupo, havia saído em definitivo quando foi substituído por Steve Gaines, que foi trazido por sua irmã, Cassie (backing vocais).

Apenas três dias depois do lançamento oficial do disco, o avião do grupo caiu levando Ronnie Van Zant e os irmãos Gaines para o além. Uma tragédia então sem precedentes na história do rock.

A banda estava tão afiada na época que a turnê anterior a este álbum rendera o famoso filme Free Bird, no qual um enérgico Lynyrd Skynyrd toca espremido no centro de um palco em forma de boca totalmente coberto com panos. Era a turnê Black ‘n’ Blue, dos Stones.

No filme pode-se ver perfeitamente que quase ninguém está ali para curtir a atração principal. Enquanto Richards estava envolvido com o Reggae de Jamaica, os Skynyrds detonavam o que de melhor havia em southern rock na face da terra (lembrando sempre que os Allman Brothers estavam de férias, na época).



Gravado na Florida e no estado da Georgia, Street Survivors traz alguns dos maiores sucessos da história da banda, cortesia da participação mais que bem vinda de Steve Gaines. Esse também é o último disco de estúdio com Allen Collins, que morrera de pneumonia no ano de 1990, e não participou do famoso retorno de 1987. O disco foi gravado duas vezes. A primeira gravação ocorreu em Miami, na Flórida; e a segunda, em Doraville, Georgia. A que trazemos é a segunda.

A capa merece uma análise à parte. Foram duas. A original tinha a banda na rua entre chamas, quando o disco foi lançado. Em razão do acidente, foi lançada uma nova versão com fundo preto. Steve Gaines está com cara de morto e sendo cremado (pela direção das chamas), e Van Zant usa uma camiseta com a capa do disco Tonight’s the Night, de Neil Young. Some tudo isso e terás uma bela teoria da conspiração.

O play abre com What’s your name, num daqueles resultados típicos da parceria Rossington/ Van Zant. Riffs que fazem a cabeça de quem adora um southern, como eu. That Smell vem mostrar que Allen Collins não ficava para trás. Ronnie traz suas letras para dar um colorido à levada mais bluesy do guitarrista. Mas, como no resultado final sempre temos 3 guitarras, os trabalhos resultam em verdadeiros coquetéis de notas e acordes. É melodia pra ninguém botar defeito.



Steve Gaines trouxe suas composições em letra e música, como a fantástica I Know a Little (executada até hoje nos shows da banda) e Ain’t no Good Life. Fez parceria com Van Zant em You Got That Right e I Never Dreamed e, com isso, foi o que mais contribuiu, no geral, para o play. Só para esclarecer, Cassie já era da banda quando Steve entrou. Foi ela quem indicou o irmãozinho para o posto vago. Bela indicação – it runs in the family.

Temos ainda Honk Tonk Night Time Man, de Merle Haggart e pronto! Um classico absoluto do southern rock e, para completar o quadro, com uma bela e enfadonha maldição a ser desvendada. Afinal, quem não curte um terrorzinho?



Depois desse disco a banda não aguentou o tirão e se desmantelou. Afinal, seus dois maiores compositores haviam falecido. Os retornos, deixo para as próximas resenhas.

O importante é curtir mais esse clássico. Southern, by the Grace of God!

Track List

1. "What's Your Name" (Rossington, Van Zant)
2. "That Smell" (Collins, Van Zant)
3. "One More Time" (Rossington, Van Zant)
4. "I Know a Little" (Gaines)
5. "You Got That Right" (Gaines, Van Zant)
6. "I Never Dreamed" (Gaines, Van Zant)
7. "Honky Tonk Night Time Man" (Haggard)
8. "Ain't No Good Life" (Gaines)

Steve Gaines (vocais, guitarras)
Ronnie Van Zant (vocais)
Gary Rossington, Allen Collins, Ed King (guitarras)
Barry Lee Harwood (dobro)
Billy Powell (teclados)
Rick Medlocke (bacteria e backing vocais)
Artimus Pyle (bateria)
Cassie Gaines, Leslie Hawkins, Jo Jo Billingsley, Tim Smith (backing vocais)

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Por Zorreiro

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Blackfoot - Strikes [1979]

No meu último post de uma banda de Southern, em um dos comentários, era lamentado que no Brasil não se tinha espaço para esse tipo de som, que é feito para ser curtido trocando sopapos num bar na beira de estrada, após passar horas guiando uma Harley Davidson. Resumindo, som de gente politicamente incorreta, sem essa de um monte de frescos boiolas coloridos cantando traumas de adolescência, como temos infelizmente hoje. Som pra macho troglodita, uma raça em completa extinção. Ao ler este, lembrei de um dos discos que sempre que escuto, acaba por despertar esse lado rústico estradeiro que com certeza existe em muitos dos passageiros dessa combosa.

A história da banda começa quando Rickey Medlocke (figurinha carimbada no grandioso Lynyrd, em que hoje é guitarrista, mas que em certo momento já foi baterista do grupo) junto com Greg T. Walker montaram na mágica Jacksonville uma banda chamada Fresh Garbagem, que acabou por ser o embrião do Blackfoot, que sofreu por um bom tempo com mudanças de formação, com até mesmo Medlocke saindo em certo momento para ser segundo baterista no Lynyrd. Tendo crescido junto com essa lendária banda, acabou por reacender o desejo de Medlocke voltar com o Blackfoot, assumindo agora as guitarras e o vocal de maneira definitiva.


Porém as mudanças de formação sempre foram constantes, e podemos citar o Blackfoot como uma jam-band que conseguiu lançar discos obrigatórios para quem é fã de southern. Entre os músicos mais notáveis, temos o baixista Mark "The Animal" Mendoza, que fez sucesso junto ao Twisted Sister e o lendário tecladista Ken Hesley, que creio que dispense maiores apresentações. Mas entre esses discos obrigatórios, creio que o mais cativante e destruidor de todos foi o lançado no ano de 1979, o obrigatório e aclamado "Strikes".

É impossível durante a execução dessa pérola você não se sentir imediatamente transportado para o mais árido solo norte-americano. A rústica mistura entre o blues e hard com o toque sulista aqui é mais pesada, puxando mais para o hard em alguns momentos, com solos bem altos e carregados de distorção, contra-indicados para fracos de coração. "Road Fever" inicia os trabalhos de maneira vigorosa, com solos sensacionais durante toda a canção. "I Got A Line On You" é um baita resumão de tudo que é apaixonante no southern: vocalista com voz de quem está lotado até a tampa de Whisky, guitarristas barulhentos e que prestam homenagem aos heróis do blues e cozinha irreverente, sem falar naquele piano de bar de beira de estrada. Nessa mesma lista coloco "Baby Blue", que segue esta mesma cartilha.



"Pay My Dues" é outra aula de feeling, em que é impossível destacar quem está melhor, a banda trabalha com precisão cirurgica. Vem o cover de "Whishing Well" do obrigatório Free, onde você pensa: "Meu Deus, mas o que que é isso?". Sim, a inspiração é latente, obra de quem tem culhões mesmo. "Train, Train" inicia com a gaita de Shorty Medlocke, avô de Rickey, e que mostra que essa inspiração veio de família, em mais uma canção feita para sair quebrando tudo que se vê pela frente.

Porém a obra-prima ficou para o final do disco. Uma canção que deveria ser hino para todo estradeiro "Highway Song" está para o Blackfoot assim como "Free Bird" está para Lynyrd. Fica muito difícil transcrever em palavras essa grandiosa canção, tarefa que deixo para cada um que escutar esse disco, que qualifique a mesma. Como resumo da ópera, baixe correndo e se sinta no sul do Estados Unidos, tomando aquele generosa golada de Whisky.



1.Road Fever
2.I Got a Line on You
3.Left Turn on a Red Light
4.Pay My Dues
5.Baby Blue
6.Wishing Well
7.Run and Hide
8.Train, Train (Prelude)
9.Train, Train
10.Highway Song


Rickey Medlocke - Vocais, Guitarra, Violão, Violão de 12 cordas, Dobro, Sintentizador, Percussão, Banjo
Charlie Hargrett - Guitarra, Violão, Violão de 12 cordas
Greg T. Walker - Baixo, Backing Vocals
Jakson Spires - Bateria, Backing Vocals
Pat McCaffrey - Teclado
Shorty Medlocke - Gaita
Henry Weck - Percussão
Pamela Vincent, Cynthia Douglas, Donna Davis - Backing Vocals



By Weschap Coverdale

domingo, 13 de março de 2011

Molly Hatchet - Flirtin' With Disaster [1979]


Se me perguntassem quando e onde eu gostaria de ter nascido, responderia prontamente que seria nos anos 60 e no Texas. Queria ser adolescente naquela região em que explodiram várias bandas legais de southern e ter acompanhado o surgimento das mesmas, com seu som energético, cheio de guitarras pra tudo que é lado. ZZ Top, Lynyrd Skynyrd, Blackfoot, 38 Special, Allman Brothers e o nervoso Molly Hatchet estão facilmente na lista de bandas que mais escuto, nem que seja pelo menos uma vez por semana. Guitarras quentes e embriagadas, cozinhas matadoras e vocalistas que parecem ter saído de uma briga de boteco fazem dessas bandas algo cativante e memorável.

E um dos grandes exemplos disso é o Molly Hatchet. Músicas desenfreadas, guiadas por três guitarras alucinadas, cozinha bem azeitada e um vocalista com o vocal meio bebâdo e ainda assim sensacional, que mandam pedrada atrás de pedrada sem ter dó alguma do ouvinte. Mas tudo é tão cheio da alma caipira americana que é impossível resistir a essa orquestra guitarrística regada a um bom whisky.



E um dos grandes momentos de sua carreira é o desenfreado "Flirtin' With Disaster". O que temos aqui é uma aula do mais puro e limpo rock n' roll, daqueles que queremos escutar quando estamos a fim de perder o controle da situação. Southern rock da mais excelente qualidade, com riffs e solos pra tudo que é lado, uma bateria com um tom cativante (sou apaixonado pela afinação utilizada aqui, algo de macho mesmo!), cavalgadas desenfreadas no baixão e Danny Joe Brown com seu vozeirão despejando letras que poderiam ser histórias contadas por camaradas na mesa de um bar. Resumindo, essa mistura toda não poderia dar errado e a banda acerta a mão em cheio nesse discão.

E nada melhor do que começar com a energética "Whiskey Man", com destaque para o baixão presente de Banner Thomas, que é o suficiente para destruir tudo por aqui, em uma canção que não nega as origens do grupo e arrancará um sorriso de orelha a orelha de quem curte rock n' roll sem muita frescura. O cover que ganhou uma versão boogie rock "It's All Over Now" com sua letra que é um desabafo de um cara traído, daqueles que ouvimos principalmente de um bebâdo é igualmente sensacional e mantém a energia lá em cima. O refrão de "One Man's Pleasure" já valeria toda música, onde Danny Joe Brown setencia em uma música trabalhada entre generosos goles de whisky: "One man's loss is another man's gain / One man's pleasure is another man's pain". A genial "Junkin' City" narra a ida de um jovem com o seu pai para uma cidade dos sonhos de todo homem, com muitas mulheres e chopp estupidamente gelado, com um riff que nos convida para entornar o máximo de copos de cerveja que aguentarmos.



"Boogie No More" começa como quem não quer nada com uma guitarra slide, com um sutil convite para sacudimos ao som do grupo, que logo é acelerado e com três guitarristas despejando solos e riffs matadores um atrás do outro, algo impossível de se resistir. Mas logo após o grupo dá seu golpe de mestre com a destruidora "Flirtin' With Disaster". Sim, aqui as guitarras nos massacram desde o início, com riffs esmagadores, solos com três guitarras que quase ensurdecem o ouvinte e Joe Brown conduz a orquestra de guitarras ao fundo com maestria, derrubando tudo que estiver ao redor no momento da audição. "Good Rockin'" vem cheia de groove e mais solos desenfreados, honrando a tradição do southern. "Gunsmoke" mantém tudo acelerado e suas guitarras fazem a espinha arrepiar.

"Long Time" é a música mais cadenciada, mas até quando a banda tira o pé do acelerador é roqueira até o osso. "Let The Good Times Roll" fecha o disco de maneira emplogante, como um bom southern deve ser. Ainda temos de bônus aqui "Silver e Sorrow", duas versões ao vivo para "One Man's Pleasure" e "Flirtin'" e uma versão matadora para "Cross Roads Blues". Então se você ainda não teve chance de ouvir essa pérola sulista, faça isso imediatamente!




1.Whiskey Man
2.It's All Over Now
3.One Man's Pleasure
4.Jukin' City
5.Boogie No More
6.Flirtin' with Disaster
7.Good Rockin'
8.Gunsmoke
9.Long Time
10.Let the Good Times Roll
11.Silver and Sorrow (Demo)
12.Flirtin' with Disaster (Live)
13.One Man's Pleasure (Live)
14.Cross Road Blues (Live)

Danny Joe Brown - vocals
Dave Hlubek - Guitarra
Steve Holland - Guitarra
Duane Roland - Guitarra
Banner Thomas - Baixo
Bruce Crump - Bateria

Músicos Convidados:
Max Gronenthal - Backing Vocals
Tom Werman - Percussão
Jai Winding - Teclados


By Weschap Coverdale

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Lynyrd Skynyrd - Second Helping [1974]


Os discos clássicos do Lynyrd Skynyrd (até o acidente que ocorreu em 1977) são incríveis por um simples motivo: a qualidade foi mantida desde o debut, "Pronounced", até a despedida não-planejada "Street Survivors". Há preferências, obviamente, entre os fãs do grupo, mas é fato que os cinco álbuns feitos até a tragédia mantém um padrão acima da média.

O segundo da discografia do Skynyrd, não faz feio. Lançado em abril de 1974 pela MCA Records e mantendo a produção de Al Kooper, "Second Helping" é mais uma verdadeira aula de como se fazer Rock de qualidade com as influências do Sul dos Estados Unidos. Além disso, consolidou a sonoridade da banda, principalmente pela presença dos três guitarristas - Gary Rossington, Ed King e Allen Collins - em todas as faixas.

"Sweet Home Alabama" abre o disco com classe. Um dos melhores e maiores hits do conjunto, a canção foi gravada antes das demais, ainda em 1973, e serviu como resposta para duas músicas de Neil Young, "Southern Man" e "Alabama", que criticavam o Sul dos EUA. A balada "I Need You" vem em seguida, e como de costume, recheada de feeling e guitarras absurdamente bem tocadas.

Da esquerda pra direita: Barry Fey (promotor de shows),
Gary Rossington, Leon Wilkeson, Ronnie Van Zant

"Don't Ask Me No Questions" é um Rock grudento, conduzido por ótimos riffs e performance vocal de Van Zant. A paulada "Workin' For MCA" chega metendo o pé na porta no maior estilo setentista de se fazer Rock N' Roll, mas o clima muda com "The Ballad Of Curtis Loew", linda e calma canção, injustiçada por ser tocada apenas uma vez ao vivo antes do acidente que culminou no fim da banda.

Na sequência tem-se "Swamp Music" e seu andamento malandro, servindo como um convite para dançar em qualquer ocasião. A cativante "The Needle And The Spoon", com guitarras de extremo destaque (principalmente o solo de wah wah seguido de linhas cruzadas) e precisas linhas de baixo, prepara o ouvinte para o fechamento apoteótico com "Call Me The Breeze", cover do clássico de J.J. Cale ao estilo Lynyrd.

Com uma satisfatória 12ª posição nas paradas norte-americanas e o single de "Sweet Home Alabama" bem tocado na América do Norte e na Europa, não demorou para que o Lynyrd Skynyrd se tornasse uma atração de proporções cada vez maiores. Apesar das tragédias que sempre permearam suas trajetórias, a discografia, principalmente inicial, desses caras só provam que poderiam ter feito muito mais, pois competência e talento tinham de sobra.



01. Sweet Home Alabama
02. I Need You
03. Don't Ask Me No Questions
04. Workin' For MCA
05. The Ballad Of Curtis Loew
06. Swamp Music
07. The Needle And The Spoon
08. Call Me The Breeze (J. J. Cale cover)

Ronnie Van Zant - vocal
Gary Rossington - guitarra, violão em 1
Allen Collins - guitarra
Ed King - guitarra, slide, baixo em 2
Billy Powell - teclados, piano em 1
Leon Wilkeson - baixo
Bob Burns - bateria

Músicos adicionais:
Mike Porter - bateria em 2
Clydie King - backing vocals em 1
Sherlie Matthews - backing vocals em 1
Merry Clayton & Friends - backing vocals em 1
Bobby Keys, Trewor Lawrence & Steve Madiao - instrumentos de sopro em 3 e 8
Al Kooper - backing vocals, piano em 3 e 5

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by Silver

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Warren Haynes – Live at Bonnaroo [2004]


Se você acredita que Clapton é deus.

Se você acha que Kotzen é gênio.

Se você argumenta e defende a criatividade de Malmsteen.

Então você DEVE conhecer Warren Haynes. Eleito o 23º maior guitarrista de todos os tempos pela revista Rolling Stone, o homem é um dos músicos mais prolíficos da história do rock.

Haynes começou profissionalmente tocando na banda de David Allan Coe no início dos anos 80, quando foi apresentado a Dickey Betts (The Allman Brothers Band). Em 1987 os Allman Brothers estavam dando um tempo, e Betts gravava um álbum com sua banda The Dickey Betts Band, quando chamou Haynes para ajudar na empreitada. Em 1988 saiu Pattern Disruptive.

A dupla de guitarristas funcionou e, na reunião da The Allman Brothers Band, em 1989, não deu outra: Warren Haynes ocupou o lugar que um dia foi do grande Duane Allman. Com os Allman Brothers gravou diversos discos e, em 1994, formou o Gov’t Mule com o batera Matt Abts (The Dickey Betts Band) e o baixista Allen Woody (The Allman Brothers Band).



Como a agenda apertava, decidiu deixar os Allman Brothers para se dedicar ao Gov’t Mule. Nunca negou uma boa Jam Session ou uma apresentação solo, mostrando-se incansável e prolífico. Tanto que, atualmente, toca na The Allman Brothers Band, no Gov’t Mule e no The Dead (aka Grateful Dead), sendo considerado o próprio Marathon Man (assim chamado por seus amigos conforme a revista Guitar World).



O post de hoje é a gravação de um show solo de Warren Haynes no Bonnaroo Music Festival, ocorrido em Manchester, Tennessee, em 2003 e lançado oficialmente em 2004. A apresentação se deu no palco principal, no domingo à tarde, no dia seguinte após ele ter sido a atração final com os Allman Brothers. Segundo o site do próprio Haynes, a produção do festival lhe deu carta branca para tocar o que quisesse. O alto astral do show é latente.


Festival de Bonnaroo - ótimo pra segurar só com uma viola!


O set list foi variado, tendo músicas do Gov’t Mule (Beautifully Broken e Fallen Down) e The Allman Brothers Band (Soulshine, com a presença do vocalista sulafricano Vusi Mahlasela como convidado especial). Tem a inédita Forever More (que sequer havia sido gravada antes) e os inusitados covers de Radiohead (Lucky), U2 (One), Grateful Dead (To Lay Me Down) e Ray Sisk (Glory Road), que mostram o ecletismo de Haynes e o vocabulário de um músico completo, capaz de segurar uma platéia de milhares de pessoas apenas com seu violão ou com sua guitarra plugada em um amplificador bem timbrado.



É difícil destacar algo especificamente. Sugiro que você convide sua(seu) parceira(o) para jantar, sirva um bom vinho e coloque o som pra rolar. Tente, depois, definir pontos altos e baixos do disco, se for capaz e ainda estiver focado no som - se é que me entende... Obra de gênio.

Track List

1. Lucky (C. Greenwood, J. Greenwood, Selway, Yorke)
2. Patchwork Quilt (Haynes)
3. To Lay Me Down (Garcia, Hunter)
4. Glory Road (Sisk)
5. The Real Thing (Haynes)
6. One (Bono)
7. In My Life (Haynes)
8. I'll Be The One (Haynes)
9. Fallen Down (Haynes)
10. Forevermore (Haynes)
11. Beautifully Broken (Haynes, Louis)
12. I've Got Dreams To Remember (O. Redding, Z. Redding, Rock)
13. Tastes Like Wine (Haynes)
14. Wasted Time (Henley, Frey)
15. Stella Blue (Garcia, Hunter)
16. Soulshine (Haynes) – (participação especial Vusi Mahlasela)

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Por Zorreiro

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Rock City Angels - Young Man Blues [1988] + Midnight Confessions: Last Recordings From 1989 To 1992 [2010]



Essa saudosa Combe é lotada de exemplos de grupos que tinham um imenso talento e que vezes por falta de oportunidade e outra vezes por surgirem no momento errado, acabam por não se tornarem conhecidas ou não alcançam o sucesso almejado. Mas que tal uma banda que desde seu início foi sabotada por sua própria gravadora, que tinha como objetivo que a banda contratada não estourasse, para que assim não ofuscasse as maiores estrelas de seu cast?

Isso foi o que aconteceu desde o início com o Rock City Angels, em uma das histórias mais bizarras do rock. A banda surgiu no início dos anos 80, após o vocalista Bobby Boundage e o baixista Andy Panik assistirem ao documentário "The Decline Of Western Civilization", com o nome de "The Abusers". Com um foco inicial no punk com o tempo abraçam o visual glam e inserem uma generosa porção de hard rock a suas composições. Nesse tempo a banda se muda para Los Angeles, conquista uma base de fãs e inclusive conta com Johnny Depp (sim, esse daí mesmo que você está pensando!) na guitarra base. A primeira história bizarra ocorreu com a gerente da gravadora do primeiro lançamento do grupo, Anne Boleyn, recebe ameaças de morte para que desistisse deles, e é informada que a mandante era a gravadora major interessada na banda. Apesar de relutar contra isso, ela acaba por ceder quando seu carro é jogado para fora da estrada.


Com o caminho livre, a banda assina com a Geffen, que era a mesma gravadora do Guns N' Roses. E logo de cara é assinado um contrato de 6,2 milhões de dólares com o grupo. Mas foi aí que começou o inferno astral para eles. Primeiro a nova gravadora exige que Depp seja retirado da banda. Após, tranca a mesma por dois anos em Memphis para a gravação de seu novo disco. Todo esse tempo acaba por gerar boatos de que o objetivo era que o lançamento do disco da banda não ofuscasse o Guns, que na mesma época gravava o clássico "Appetite For Destruction. Mesmo assim a banda lança "Young Man Blues" em 1988, que acabou por fracassar, mesmo com a promoção do clipe de "Deep Inside My Heart" e aberturas de shows para Jimmy Page e Joan Jett.

Tudo ficou ainda pior quando a banda mostrou para os managers da Geffen as novas composições, do disco que seria chamado "Lost Generation", que não agradou e acabou por fazer que a banda sumisse do mapa. Lançaram ainda “Rock City Angels”, que se trata das gravações com sua primeira gravadora e "Use Once & Destroy". Porém no ano passado, dezoito anos depois, as músicas rejeitadas pela Geffen foram lançadas no disco "Midnight Confessions: Last Recordings From 1989 To 1992". E serão estes dois discos sabotados pela gravadora que apresentarei abaixo, nessa história para lá de curiosa.


Young Man Blues [1988]



Uma mistura perfeita entre hard rock, a sujeira do punk e boas doses de blues e southern rock. Essa é a salada musical que o Rock city Angels nos proporciona em seu primeiro disco oficialmente lançado. Quando ouvi pela primeira vez, achei uma mistura do ZZ Top com os vocais do Billy Idol. Algo curioso, mas que deu certíssimo e apresenta uma banda que faz um rock n' roll honesto e pra lá de contagiante. Ao contrário das bandas de hard da época, o som é bem sujo, apropriado para uma boa garrafa de Red Label.



Destaque para a excelente "Deep Inside My Heart", que abre o disco com muita energia. Nesta mesma linha temos as energéticas "Hard To Hold", "Our Little Secret", "Rumblefish" e "Damned Don't Cry", que confirmam que estamos diante de uma banda raçuda, daquelas de beira de estrada, que vai direto ao ponto e sem muita frescura. Sem falar nas baladas, quase todas com o pé no blues, como nas boas "Mary" e "South Of The Border". "Liza Jo" é claramente influenciada pelo Lynyrd Skynyrd, sendo outro grande destaque desse excelente disco. Após a audição, a certeza é de que realmente a banda tinha tudo para fazer sucesso e arrebentar, pois temos qualidade de sobra por aqui.

01. Deep Inside My Heart
02. Hard To Hold
03. Mary
04. Our Little Secret
05. Damned Don't Cry
06. Wild Tiger
07. These Arms Of Mine
08. Rumblefish
09. Boy From Hell's Kitchen
10. Liza Jo
11. Beyond Babylon
12. Hush Child
13. Ya Gotta Swear
14. Rough 'N' Tumble
15. South Of The Border


Bobby Durango - Vocais
Mike Barnes - Guitarras
Doug Banx - Guitarras
Andy Panik - Baixo
Jackie D. Jukes - Bateria

Músicos Adicionais:
Andrew Love, Wayne Jackson, Ben Cauley, Bill McKee - Metais
Jerry Carrigan - Percusssão
Wayne Bennett - Guitarras
Deborah C. Hall, Betram Brown, William Brown - Backing Vocals


Midnight Confessions: Last Recordings From 1989 To 1992 [2010]


Se no primeiro disco temos aquela mistura toda que gera um som único, no registro boicotado pela gravadora o som é mais voltado para o hard tradicional, pórem ainda distante do que as bandas da época apresentavam e carregado de influências setentistas, o que tira um pouco da sujeira apresentada inicialmente. O fracasso de seu disco de estréia com certeza afetou o grupo, pois é perceptível que em alguns momentos eles estão perdidos. Sem falar nas várias mudanças de músicos que aconteceram, onde só o vocalista Bobby Bondage e o baterista Ringo Jukes aparecem em todas as faixas.

Mas nem por isso deixamos de ter música bem construídas e que merecem ser ouvidas. A abertura com "Tear It Up" lembra os tempos de "Young Man Blues". "Shattered Shake", "Heart And Soul" (com Brian Robertson nas guitarras) e "Southern Vision" funcionam muito bem, assim como a linda "2:45", que mais uma vez segue a cartilha Lynyrd de baladas. Não é memorável como o antecessor, mas ainda assim é um bom disco.

01. Tear It Up
02. Looks Like Up
03. Just Can't Love
04. Shattered Shake
05. Midnight Confessions
06. Come Tumblin'
07. Heart And Soul
08. One More Time
09. Rise Above
10. 2:45
11. Right On Time
12. Ten Lonely Nights
13. Cryin' To The Night
14. Southern Vision
15. Sweet Ambition


Bobby Durango - Vocais e Percussão
Mike Barnes - Guitarras (2,4,5,6,12)
Lloyd Stuart Casson - Guitarras
Brian Robertson - Guitarras (7)
Doug Banx - Guitarras (2,4,5,6,12)
Steve Nolan - Guitarras
Andy Panik - Baixo
James Cooper - Baixo (7)
Ringo Jukes - Bateria
Rick Steff - Teclados (2,4,5,6,12)


By Weschap Coverdale

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

The Allman Brothers Band – Dreams Box Set [1989]





Dreams não é uma coletânea. É uma antologia sobre a maior banda de southern rock da história. Contemporâneos de outros monstros como Lynyrd Skynyrd, Molly Hatchet entre tantos, o Allman Brothers Band é hors concours, está acima de comparativos pela excelência de seus músicos e qualidade das canções.

A caixa foi originalmente lançada em 1989 no formato de 4 cd’s, 4 cassetes ou 5 álbuns de vinil. São 55 faixas que abrangem toda a história da banda até o momento, incluindo temas das carreiras solo e paralelas de seus integrantes, compiladas por Bill Levenson (o mesmo arquivista que compilou a antologia Crossroads, de Eric Clapton). São mais de cinco horas do melhor que se pode ter entre o blues, o country e o rock’n’roll. A caixa traz também um livreto caprichado, com texto e fotos de dar água na boca.


No primeiro cd estão as raridades mais impactantes. As três primeiras faixas são da banda Allman Joys, composta pelos irmãos Allman e que tocava covers de outros artistas, como Shapes of Things dos Yardbirds, que abre os trabalhos. Essas demos foram gravadas nos Bradley’s Barn Studios, em Nashville, em agosto de 1966, e foram descobertas por Levenson guardadas no armário da cozinha da casa da mãe de Gregg e Duane (assim nos conta o próprio no dito livreto). Garimpo de primeira categoria.

A seguir, temos as gravações da banda Hourglass, a banda que os irmãos Allman formaram quando tentaram a sorte em Los Angeles, e que lançou dois discos em 1967 (Hourglass) e 1968 (The Power of Love). Apesar de radicados em LA, ambos os discos foram gravados no famoso estúdio Muscle Shoals, no Alabama. Pode-se ver Duane definindo seu estilo de guitarra slide, com experimentações de fuzz e outros efeitos que surgiam na época. Duane Allman, também conhecido como Skydog, estava cada vez mais envolvido com gravações e experimentações de estúdio, e resolveu se mudar de vez para o sul para trabalhar como session man no Muscle Shoals, deixando Gregg em LA.

The 31st February foi a banda de Butch Trucks, um dos bateristas da Allman Brothers Band, que existiu entre o fim da The Hourglass e a formação definitiva da Allman, no ano de 1968. Second Comming foi a banda de Dickey Betts, o outro guitarrista da Allman Brothers Band, que gravou I Feel Free, do Cream e She has Funny Cars, do Jefferson Airplane. Mais uma demo de covers. Também tem uma faixa gravada por Duane em separado.

A união das bandas 31st February e Second Coming possibilitaram a Duane, então mais focado como session man, a criar um grupo que seria matador. Ligou para seu irmão Gregg e, segundo o próprio Gregg em entrevista à revista Guitar World, disse:

“Tenho a banda pronta, só precisamos de um vocalista e deve ser você. Tem dois bateristas, Butch Trucks e Jaimoe, um baixista maravilhoso chamado Berry Oakley e um guitarrista solo fantástico, Dickey Betts.”

Ao ouvir isso, Gregg teria perguntado: “Mas e você, vai tocar o que?”

A resposta imediata foi: “venha para cá que você vai ver.” E ele foi. Em 1969 foi lançado The Allman Brothers Band, o debut que marcou uma geração. Músicas desse play estão no primeiro cd do Box. It’s not my cross to bear é, de longe, a minha preferida.



Da esquerda para a direita: Gregg Allman, Duane Allman e Berry Oakley


O segundo cd traz gravações de estúdio e diversas raridades ao vivo. São faixas dos discos Idlewild South e Live at The Filmore East (o melhor disco ao vivo do estilo, sem dúvidas). Confira o monstro que foi Berry Oakley na faixa Whiping Post. One More Ride nunca havia sido lançada oficialmente, assim como Dimples (John Lee Hooker).






O terceiro cd contém material de Eat a Peach e Brothers and Sisters, discos gravados após a morte de Duane e Berry, ambos em acidente de trânsito na mesma cidade. Tem material solo de Gregg (a versão de Midnight Rider que foi lançada em Laid Back) e Betts (do excelente disco Highway Call). Destaque para a versão de Little Martha, uma jam session de 20 minutos nos estúdios da rádio WPLJ, em Nova York, transmitida ao vivo em 26 de agosto de 1971.

O disco quatro é o que contém menos material inédito da Allman Brothers Band, mas nem por isso é descartável. Ponto negativo para Gregg e Cher (sua namorada na época) cantando Can You Fool e Dickey Betts em momentos repetitivos de guitarra. Como escrito na revista Guitar World de setembro de 1989, “the saving Grace on this last disc – a hodgepodge of tired, insipid bits of piffle – is a previously unreleased track of Gregg Allman with a full gospel choir singing a very moving rendition of the Beatles ‘Rain’. Otherwise, this fourth cd is merely a token nod to troubled times.



Depois a banda se desintegrou, se recriou, trocou diversas vezes de formação e continua na ativa até hoje, fazendo aquilo que melhor sabe fazer: som de extrema qualidade.

Desculpem se me estendi na resenha, mas achei importante apresentar a caixa para aqueles que não conhecem a sua história. All men joy!

CD 1

1. Shapes of Things - The Allman Joys (2:48)
2. Spoonful - The Allman Joys (3:40)
3. Crossroads - The Allman Joys (3:33)
4. Cast Off All My Fears - The Hour Glass (3:25)
5. Down in Texas - The Hour Glass (3:07)
6. Ain't No Good to Cry - The Hour Glass (3:06)
7. B.B. King Medley: Sweet Little Angel/It's My Own Fault/How Blue Can You Get - The Hour Glass (7:06)
8. Morning Dew - The 31st February (3:46)
9. God Rest His Soul - The 31st Of February (3:56)
10. I Feel Free - The Second Coming (3:31)
11. She Has Funny Cars - The Second Coming (4:48)
12. Goin' Down Slow - Duane Allman (8:47)
13. Dreams - (4:55)
14. Don't Want You No More (2:25)
15. It's Not My Cross to Bear (4:56)
16. Trouble No More (3:48)
17. Dreams (7:15)

CD 2

1. Statesboro Blues - (4:06)
2. (I'm Your) Hoochie Coochie Man (4:57)
3. Midnight Rider (2:58)
4. Dimples (live) (5:02)
5. I'm Gonna Move to the Outskirts of Town (live) (9:23)
6. Revival (4:04)
7. One More Ride - (2:41)
8. Whipping Post (live) (22:53)
9. In Memory of Elizabeth Reed (live) (12:58)
10. Drunken Hearted Boy (live) (6:54)

CD 3

1. You Don't Love Me/Soul Serenade (live, previously unreleased) (19:28)
2. Blue Sky - (5:10)
3. Little Martha - (2:13)
4. Melissa - (4:02)
5. Ain't Wastin' Time No More (live) (4:46)
6. Wasted Words (4:21)
7. Ramblin' Man (4:48)
8. Southbound (5:10)
9. Jessica (7:30)
10. Midnight Rider - Gregg Allman (4:26)
11. One Way Out (live) (7:59)
12. Long Time Gone - Dickey Betts (4:30)

CD 4

1. Can't Lose What You Never Had (5:52)
2. Come and Go Blues - Gregg Allman Band (4:46)
3. Bougainvillea - Dickey Betts & Great Southern (7:13)
4. Can You Fool - Allman & Woman (Cher) (3:19)
5. Good Time Feeling - Dickey Betts & Great Southern (4:28)
6. Crazy Love (3:44)
7. Can't Take It With You (3:34)
8. Just Ain't Easy (live) (5:01)
9. In Memory of Elizabeth Reed (live) (10:52)
10. Angeline (3:40)
11. Things You Used to Do (3:42)
12. Nancy - Dickey Betts (3:51)
13. Rain - Gregg Allman (3:03)
14. I'm No Angel - Gregg Allman Band (3:41)
15. Demons - Gregg Allman Band (3:28)
16. Duane's Tune - Dickey Betts Band (5:51)





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Por Zorreiro

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Chris Hicks - Discografia [1989-2008]


Conforme prometido no ano passado, aqui está a discografia de Chris Hicks. Preciosidades devidamente garimpadas, mesmo sabendo que ninguém criou expectativa quanto a essa postagem quando adiantei que ia trazer os trabalhos desse músico. Porém, a certeza que tenho da qualidade destes trabalhos não vai ser afetada pela indiferença e ainda acho importante compartilhar as obras de Hicks, por mais que seus trabalhos sejam eventuais, o que talvez explique a restrição do seu reconhecimento apenas ao sul dos Estados Unidos.

Quem ficou a par da situação de Chris Hicks em sua passagem pelo Outlaws, soube da liberdade enorme que lhe foi dada para impor suas características em um grupo que já tinha história e respeito. Depois Hicks seguiu com outro grande representante do Southern Rock, The Marshall Tucker Band, permanecendo por um ano, até ser encorajado pelos seus próprios parceiros a criar sua carreira-solo.

Mesmo com toda a dificuldade em encontrar infos a respeito de line-up e tracklist confusos, não tem do que reclamar ao escutar a afinidade que esse músico tem com os ritmos Dixie's. Algumas fontes dão conta que Hicks já quebrou galho no Lynyrd Skynyrd e na banda do Gregg Alman, mas não existe nada concreto em relação a isso. Procurar sua trajetória em detalhes é pedir pra se deparar com um vão danado. Cyber shit!!!

Loose Change - Live Tracks on New Years Eve 12-31-89 (bootleg) [1989]


Depois de adquirir experiência tocando em duas bandas que não deram em nada, Hicks finalmente entrou no circuito do Southern Rock com o Loose Change. Depois de dividir o palco com .38 Special, Outlaws e The Marshall Tucker Band, foi chamado por Hughie Thomasson para fazer parte do Outlaws em 1989. E no curto período em que manteve as atividades paralelas com as duas bandas, foi registrado este bootleg. Gravado da mesa de som em show realizado no final da década de 80 - literalmente -, a qualidade apresentada é perfeita e o talento de Chris Hicks já é percebível. Infelizmente, não há informações acerca do line-up e nem onde o concerto foi realizado.

Nas 5 músicas presentes, está "The Wheel", que foi regravada pelo Outlaws e ganhou uma roupagem Blues Rock. A versão original apresentada aqui é bem suave, dominada por teclados, e mais arrastada. Já a romântica "Love Is On The Line" foi usada em um filme de baixo orçamento da época, chamado "Fast Food". Mas, o melhor momento fica reservado pro final. A faixa "Nobody Knows" faz valer o download. Na verdade, são executadas duas músicas nessa faixa; um Blues Rock com solos comendo solto pra todo lado acompanhados pela performance destruidora da cozinha, e depois de uma pequena pausa, surge outro Blues Rock, menos frenético, mas tão bom quanto.

01 - The Wheel
02 - Never Know Why
03 - Keep It Together
04 - Love Is On The Line
05 - Nobody Knows

Funky Broadway [1998]


Depois de ganhar prestígio passando por dois grandes grupos de Southern Rock, Hicks se sentiu confiante em dar início à sua carreira-solo. Apoderando-se de sua admirável destreza pra compor Blues Rock, as coisas fluíram fácil pra fazer de Funky Broadway um trabalho de alto nível. Apesar de o Country ser inerente a sonoridade Southern, Hicks sempre se mostrou muito mais voltado ao Blues Rock, tanto que suas contribuições com o Outlaws tornaram o grupo quase que, exclusivamente, voltado ao Blues Rock. Portanto, em seu trabalho solo não há nada de Country.

A melhor referência para Funky Broadway é a carreira-solo de Richie Kotzen. Algo entre a pegada funkeada do Mother Head's Family Reunion e o lado sentimental do Wave of Emotion. Referência esta, que é reforçada pela semelhança vocal. Mas o que causa arrepios é a capacidade criativa de Hicks quando o assunto é Blues, pois o cara consegue compor músicas tão tocantes que se equiparam aos clássicos imortais, sem exageros. Ouça "Blues Got Me Down", "Keepin' Up With The Jones" e "Can't Live In The Past" e tente duvidar disso. Enquanto o lado pulsante do Funk Rock aparece em "Down In Dixie" e "One More Time", a acústica "Believe in Forever" consegue manter a mesma empolgação e é uma das únicas músicas que me agrada nesse formato.

01 - Down In Dixie
02 - Believe In Forever
03 - Keepin' Up With The Jones
04 - One More Time
05 - Blues Got Me Down
06 - Nothin' I Wouldn't Do
07 - This Is Now
08 - Can't Live In The Past
09 - Leave It All Behind

Live At The Windjammer (bootleg) [2003]


Gravado em 6 de Junho de 2003, no famoso clube da Carolina do Sul, este é mais um bootleg soundboard de qualidade irretocável. Na gravação limpa com os instrumentos bem separados, podemos notar uma grande evolução nas habilidades de Chris Hicks em relação aos seus tempos de Loose Change. O tracklist desse show foi baseado em covers, e conta com apenas duas músicas de Hicks - "Macon Blues" (gravada pelo Outlaws) e de novo ela, "The Wheel", em mais uma versão diferente, ainda mais lenta, semi-acústica e com o clima bem intimista.

Hicks mostra toda sua versatilidade ao abordar Blues dos anos 30, Boogie Rock, Gospel, R&B e Funk Rock. E é neste último estilo que acontece um dos momentos mais extraordinários da apresentação. Durante a execução da composição instrumental mais clássica do Funk Rock, "Cissy Strut" do The Meters, as improvisações repletas de feeling deixam aquela sensação - que muitos se negam a sentir - de que superou a original. Outro momento marcante é quando é emendado o instrumental "Hot 'Lanta" do The Allman Brothers à emotiva "Jesus is Just Alright". Aliás, achei todas as versões muito superiores as originais. Algumas possuíam arranjos acústicos tão pobres e sonolentos e ganharam roupagens enérgicas e elétricas. Comparem!

01 Give It All You Got
02 Macon Blues
03 Come On In My Kitchen (Robert Johnson cover)
04 Drift Away/Too Tall To Mambo (John Henry Kurtz cover/The Nighthawks cover)
05 Cissy Strut (The Meters cover)
06 The Wheel
07 Use Me (Bill Withers cover)
08 Hot 'Lanta/Jesus Is Just Alright (The Allman Brothers cover/The Art Reynolds Singers cover)

Dog Eat Dog World [2008]


Nesse trabalho, o redneck mostra a influência que a musicalidade negra exerce no seu estilo. Mesmo depois de tanto tempo sem gravar disco autoral e aderindo mais ao Soul e R&B do que nunca, Hicks ainda se mostra um ótimo músico e compositor. O instrumental em Dog Eat Dog World é o mais caprichado que ele já desenvolveu. Ao adotar metais, instrumentos diversos e o auxílio de vários backing vocals, os sons ficaram mais audazes. Além do estilo, outra diferença notável é o vocal de Hicks, que poucas vezes usa a técnica egginthemouth e opta mais por uma voz bem limpa.

Apenas duas músicas de Dog Eat Dog World lembram a sonoridade do debut: "You Can't Hide" e "Too Cool For School" - por sinal, algumas das melhores. Outros destaques ficam por conta da faixa-título (um Blues com solos de sax e orgão), "In Time" (com o naipe de metais ditando o ritmo) e a surpreendente balada "Share Your Love With Me" (puro soul e uma aula de bom gosto nas melodias e progressões vocais). Com esse álbum, Hicks não conseguiu superar o Funky Broadway, mas apresentou o lado sutil da sua musicalidade, além de ter conseguido fazer um disco mais acessível com muito mais elementos que seus trabalhos anteriores e sem descaracterizar seu estilo - o que é o mais importante.

01 - It All Comes Back Around
02 - Chokin' Kind
03 - Tie That Binds
04 - Dog Eat Dog World
05 - Share Your Love With Me
06 - You Can't Hide
07 - Can The World Still Turn Tomorrow?
08 - Too Cool For School
09 - In Time
10 - Georgia Moon

Chris Hicks (vocals, guitars, dobro, harmonica, piano, background vocals)
Clay Cook (vocals, guitars, piano, bass guitar)
Marshall Coats (bass guitar)
Jerome Thomas (drums)
Paul Hornsby (piano, organ)
Oleg Proskuvnya, Marina Volynets, Robert Nowak (violin)
Sue Tomlin (viola)
Robert Nowak (cello)
Marcus James Henderson, Adam Newherter (saxophone)
Ken Trimmons (trumpet)
Kelvin Holly (sitar)
Buddy Greene (harmonica)
Jenny Hicks, Wynelle Hicks, E.G. Kite, Maureen Murphy, Nick Niespoeziani, Big Dave Peck, Diniah Hornsby, Wynelle Hicks, Maureen Murphy, Doug Gray, Catfish (background vocals)
The Macon Symphony Orchestra

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Dragztripztar

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Johnny Van Zant - Brickyard Road [1990]


Que a família Van Zant tem o talento gravado em seu DNA é algo inegável. Basta perguntar a qualquer um fã de southern, que 11 entre cada 10 afirmarão que essa família foi a principal responsável pelo crescimento do estilo, seja à frente do Lynyrd Skynyrd, no 38 Special, no Van Zant (que reúne os irmãos Johnny e Donnie) ou ainda em suas carreiras solo. Para aqueles que cometem a ignorância de desqualificar o trabalho por eles apresentado, pode mudar de idéia ao realmente conhecer tudo o que fizeram. Digo isso, porque ocorreu o mesmo comigo.

E um dos grandes trabalhos foi o quinto disco da carreira solo de Johnny, o ótimo "Brickayrd Road". Porém, até o lançamento deste, vários percalços foram ultrapassados por Johnny. O primeiro destes foi a cena musical da época, não mais interessada neste tipo de trabalho. Após o lançamento de "Van Zant", o seu quarto disco solo, eis que ele abandona o cenário musical e desiludido, passa a ser caminhoneiro por dois anos, assim como o patrono da família.

A grande reviravolta de sua carreira ocorreu em 1987, graças a reformulação do Lynyrd Skynyrd. Após as recusas de Ronnie Hammond, Paul Rodgers e de seu irmão Donnie Van Zant, eis que o grupo convida Johnny para assumir a função, o que foi aceito prontamente. Após passar dois anos como vocalista do grupo, eis que em 1990 ele decide novamente gravar um disco solo. Eis que para isso ele monta um novo grupo com Robert Paul na guitarra, Jimmie Lee Sloas no baixo e Robbie Morris na bateria para esta. Mas muitos outros músicos ajudaram nessa empreitada, como seu velho comparsa Erik Lundgren, o tecladista Bill Cuomo e o seu irmão Donnie.


E o que nos é entregue é um excelente trabalho, com músicas bem acessíveis assim como o seu registro anterior, porém com mais punch em relação ao mesmo, com momentos carregados de emoção inclusive. "Hearts Are Gonna Roll" inicia este trabalho com belos vocais e guitarras presentes, o que seria muito comum em outras canções do disco. A emocional "Brickyard Road", escrita por ele e Donnie, é uma linda homenagem a seu falecido irmão, em que eles relatam a falta que o mesmo faz e tudo o que ocorreu nesses 12 anos após sua morte, em uma letra emocionante, que também é dedicada aos outros integrantes do Lynyrd falecidos e aos fãs do grupo. Esta inclusive fez um bom sucesso na época, com uma boa execução nas rádios de rock americanas.

Mas temos outras excelentes faixas em que Johnny acerta a mão. "Three Wishes" é um AOR bem feito e muito agradável de se escutar, daquelas faixas que dá vontade de voltar logo que a mesma acaba. A roqueira "Party in the Parking Lot" convida para um bom gole cerveja, essa bem puxada para o southern. "Take Every Beat of My Heart" foi escrita para cantar os refrães a plenos pulmões, sem falar nos seus discretos, porém, bem inseridos teclados. "Just a Little Bit of Love" fecha esse registro sem fugir da regra, uma faixa bem feita, mas com o propósito de tocar nas rádios, que procura cativar o ouvinte durante toda a sua execução.

Um disco muito bom, e que inclusive me impressionou quando o escutei pela primeira vez. Recomendo para aqueles que gostam de música acessível e bem feita, mas já avisando que o risco de se amarrar logo na primeira audição é gigantesco. E se você tem preconceitos quanto ao southern, esse será um disco que mudará sua opinião.





1.Hearts Are Gonna Roll
2.Brickyard Road
3.Bad 4 U
4.Love Is Not Enough
5.Three Wishes
6.Party in the Parking Lot
7.Young Girls
8.Love Can Be So Cruel
9.Take Every Beat of My Heart
10.Just a Little Bit of Love


Johnny Van Zant - Vocais
Donnie Van Zant - Vocais, Backing Vocals
Michael Lunn, Robert Paul, Dann Hugg, Dann Huff, Erik Lundgren - Guitarras
Tim Pierce, Larry Chaney - Violões
Bill Cuomo - Teclados
Robbie Morris - Bateria
Jimmie Lee Sloas - Baixo
The Memphis Horns, Wayne Jackson, Andrew Love - Metais
Steve Bassett, Vicki Hampton, Yvonne Hodges, Ashley Cleveland - Backing Vocals



By Weschap Coverdale

domingo, 19 de dezembro de 2010

Outlaws - Hittin' The Road [1993] / Diablo Canyon [1994]


Assim como feito no post do Robin Trower, trago discos que representam uma mesma fase e possuem certa conexão. O Outlaws foi um grupo de Southern Rock encabeçado pelo vocalista, guitarrista e compositor Hughie Thomasson, também conhecido por ter feito parte do Lynyrd Skynyrd durante alguns anos, tendo gravado três discos. Mesmo não possuindo um legado tão reconhecido quanto o de seus ex-companheiros do Skynyrd, Thomasson construiu uma carreira sólida e admirável com sua própria banda.

O legítimo Southern Rock do Outlaws foi encerrado em 1980 com o disco Ghost Riders e os registros subsequentes flertaram com o Pop e assumiram características menos elétricas. Porém, "The Flame", como Hughie era chamado, com seus vocais e solos característicos, significava a essência do Outlaws, e mesmo depois do estilo clássico do grupo ser abandonado, reformulou a banda nos anos 90 atingindo seu ápice criativo e deu início a uma fase curta que é a melhor representação da história do Outlaws.

Hittin' The Road Live! [1993]


Devido ao grande sucesso do cover da clássica canção country "(Ghosts) Riders in the Sky", o Outlaws rompeu as barreiras americanas, mas logo depois caíram no esquecimento durante a década de 80. Despretensiosamente, Thomasson se deparou com um músico extraordinário, que misturava a pegada do Blues com os sentimentos e improvisos da música soul. Esse achado é o guitarrista e vocalista Chris Hicks, que compôs uma canção mágica chamada "The Wheel" no final dos anos 80, atraindo a atenção de "The Flame".

Não deu outra, Hicks foi convidado para entrar no grupo e ao lado de Thomasson formou a melhor parceria da história do conjunto sulista. Para tanto, foi resolvido gravar um disco ao-vivo misturando os clássicos absolutos do Outlaws com composições inéditas, e o resultado disso foi Hittin' The Road. A década de 80 e alguns discos 70's foram deixados de lado, mas a falta não é sentida, pois o espaço é ocupado por outros sons que seriam clássicos em potencial se saíssem em qualquer disco setentista da banda.

Para notar isso, basta ir direto ao presente que Hicks ofereceu pro Outlaws, "Superficial Love", um Blues Rock animalesco, de sua autoria. Outro som que supre a ausência de algum clássico do In the Eye of the Storm [1979], por exemplo, é o outro Bluesão "Hitman Blues", fazendo uma viagem no tempo com solos de harmônica lembrando a vertente mais pura do Blues. E a raiz country é lembrada com as músicas do debut, principalmente a instrumental "Waterhole" e o primeiro sucesso, "There Goes Another Love Song".

Depois da execução da lendária composição do Stan Jones, entra uma guitarra tênue dando a impressão que surgirá uma música qualquer. Mas, eis que essa sutileza desemboca na resposta do Outlaws para "Free Bird". "Green Grass And High Tides" é um épico do Southern Rock com quase 7 minutos de solos incandescentes. Resumindo, uma fase tão inspirada que os caras puderam gravar um clássico registro ao-vivo com quase metade das composições sendo inéditas, além de ter apresentado um line-up muito competente, que sofreria um ínfimo desfalque na sequência.

01. Hittin' The Road
02. There Goes Another Love Song
03. Hurry Sundown
04. Waterhole
05. Hitman Blues
06. Evil, Wicked, Mean And Nasty
07. You Are The Show
08. Superficial Love
09.(Ghost) Riders In The Sky
10. Green Grass And High Tides

Hughie Thomasson - guitars, lead vocals
Chris Hicks - guitars, lead vocals
Timothy Cabe - guitars, vocals
Jeff Howell - bass, vocals
B.B. Borden - drums



Diablo Canyon [1994]


Durante os anos 80, para se manter vivo, o Outlaws contou com o auxílio de vários músicos e a formação da banda oscilava entre oito e doze integrantes, que tomavam as rédeas do grupo no aspecto composição, fazendo com que a contribuição de Thomasson como compositor fosse quase nula. Isso foi um ingrediente e tanto para a criatividade ter fluído sobejada, impedindo a banda de cair no ostracismo. Mas Thomasson decidiu mostrar que não necessita de tantos aliados pra elaborar um álbum.

Nessa fase renovada, a formação se resume ao básico e quase a totalidade das composições levam a assinatura de Thomasson. O guitarrista Timothy Cabe deixou o grupo após Hittin' the Road, de maneira que Chris Hicks teve ainda mais espaço pra colocar suas influências. Lembram da composição mágica que encantou Thomasson? Pois é, o próprio fez questão de regravá-la no álbum. "The Wheel", que originalmente possuía teclados altos, sendo conduzida pelo piano, ganhou uma roupagem mais Blues Rock, e Hicks coloca a alma dentro de melodias incrivelmente bem ornamentadas.

Hicks se mostra um blueseiro de mão cheia e compõe outro hino do estilo batizado de "Macon Blues", trazendo a participação de ninguém menos que os membros do Lynyrd Skynyrd, Gary Rossington (guitarra) e Billy Powell (piano), que faz um dos solos mais monstruosos de piano que já escutei. Essa música ainda tem uma linha de baixo similar a Only Fool In Town do Gary Moore. "Dregs Fall To The Wicked" mostra que o Southern Rock não foi deixado pra trás e "Let The Fingers Do The Walkin" é um Country Rock que poderia perfeitamente ter entrado no debut.


A escolha de Thomasson se mostra ainda mais acertada em "New Frontier", quando entra os vocais de Hicks no refrão. A música se transforma de algo agradável para emocionante, é incrível. Para situar os novos admiradores do Outlaws, é bom explicar que o vocal mais grave e alto, semelhante em muitos momentos ao de Richie Kotzen, é cortesia de Chris Hicks e o mais abafado e baixo é do saudoso Hughie Thomasson. E como último destaque, não posso deixar de citar a impactante faixa-título que abre o disco, e me fez cair pra trás na primeira audição, ainda conseguindo me deixar boquiaberto sempre que a escuto.

Billy Jones ao lado de Thomasson ergueram o estandarte do Outlaws no anos setenta, e juntos eram, e ainda são, considerados uma das melhores duplas do Southern Rock. Mas com respeito, deixemos o tradicionalismo e estigma de lado, mesmo sem a presença de Jones, Diablo Canyon é o melhor disco da carreira do Outlaws. O Country é limado, e o Blues Rock toma a frente, feito com o auxílio de um perito no estilo. E o mais impressionante é que o álbum soa setentista, mas as músicas continuam frescas até os dias de hoje. Trabalho completamente atemporal. Uma pena que Jones tenha cometido suicídio menos de um ano após o lançamento desse play, pois quem sabe, poderia retornar ao grupo formando o típico trio de guitarras do Southern.

Também não tem como deixar de lamentar a morte de Hughie em plena atividade (No YouTube têm apresentações dois meses antes de sua morte). "The Flame" havia terminado de gravar o novo disco do Outlaws em 2007 quando sofreu um ataque cardíaco. O álbum foi intitulado Once An Outlaw e se mantém num impasse que parece interminável quanto ao seu lançamento. Família versus banda versus gravadora... Haja paciência e ansiedade! Por ora, fiquem com essa obra feita com maestria e aguardem o cisne cantar.

01. Diablo Canyon
02. Dregs Fall To The Wicked
03. Let The Fingers Do The Walkin'
04. Steam On The Blacktop
05. Macon Blues
06. New Frontier
07. Brother Travis
08. The Wheel
09. Freedom In Flight
10. Alligator Alley

Hughie Thomasson - lead guitars, lead vocals
Chris Hicks - lead guitars, lead vocals
Jeff Howell - bass, vocals
B.B. Borden - drums, percussion

Mickey Mulcahy - additional guitar on 4
Mike Varney - third guitar solo on 5
Gary Rossington - slide guitar solo on 5 and additional lead guitar on 7
Billy Powell - piano on 5 and 7
Mike Mani - Hammond B-3 organ on 8
Willie Morris - additional background vocals

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