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quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Suicide Silence - The Cleansing [2007]

Assim como no punk e o hardcore, no thrash e no death eu não acho novos grandes respresentantes do estilo, daqueles bem expressivos. Só gente copiando e vendendo, aliás. Além dos clássicos medalhões, poucas bandas atuais trazem frescor e inovações para a cena.

Sobre essas novas bandas eu não vou me demorar e irei falar apenas de uma: o Suicide Silence. Apesar de (erroneamente) fazer parte do chamado deathcore (que, convenhamos, a maioria dessas bandas não tem nada de ''death'' ou de ''hardcore''), esses cinco caras da Califórnia mostram que sabem fazer um brutal death metal com alguns riffs melódicos e incomuns aqui e acolá, além de também usarem os famosos - e não menos brutais, vide o The Rotted - breakdowns. E é o excelente debut do Suicide Silence que lhes trago hoje, o poderoso The Cleansing.


A banda foi formada em 2002 na cidade de Riverside e, após lançar uma EP em 2005 e trocar constantemente de músicos, o line-up se estabilizou com os fundadores Mitch Lucker (vocalista), Christopher Garza (guitarra) e Mike Bodkins (baixista, que hoje foi substituído por Daniel Kenny), além do batera Alex Lopez e o guitarrista Mark Heylmun, incluídos em 2006. Em 18 de setembro de 2007, The Cleansing dava as caras para o mundo fazendo um estardalhaço razoável: debutou na posição de número 94 na Billboard Top 200 e vendeu 7250 cópias apenas na primeira semana.

Sobre a audição do disco, a audição apurada e na íntegra desse disco é essencial, tanto para quem acha que o Suicide Silence faz parte do tal deathcore ou se é uma cria do death metal atual que abriga bandas como Job For A Cowboy e até mesmo o Waking The Cadaver.


A bolacha começa com a boa abertura Revelation (Intro), que propicia o clima necessário a uma das minhas favoritas canções desses últimos tempos: a MALDITA Unanswered. Esse novo clássico mostra a competência do bom vocalista Mitch Lucker, que alterna guturais graves e rasgados, não só nos vocais como nas letras também, exibindo um forte lado ateísta e cheio de protesto contra as religiões. Aliás, várias músicas desse disco tem uma pitada ou outra dessa temática nas suas letras.



Hands Of A Killer, como já diz, poderia ser usada como adjetivo para caracterízar a dupla de guitarristas Chris Garza e Mark Heylmun, que mostram muita versatilidade na alternância das guitarras e nos breakdowns da canção.

O próximo destaque vai para a INCRÍVEL The Price Of Beauty, que critica essa atual corrida por um estereótipo de beleza. A canção, que começa com uma sequência que lembra o Cannibal Corpse nos bons tempos de The Bleeding, é lotada de riffs fantásticos engrossados pelo baixo de Bodkins. A alternância de riffs é outro destaque da canção, mesclando bases pesadas com riffs melódicos (aviso: na medida certa). lembrando também que o clipe dessa canção foi censurado pela MTV ''(Get Off The Air)'' por pura frescura.


Outra canção especial: No Pity For A Coward, especialmente pelo clima tenso e as letras, que são urradas até a última gota de saliva. A seção final da música é um primor, principalmente no quesito guitarras.

O disco continua com contante qualidade, sempre no topo, com canções sem frescura e com boa dose de criatividade. Outros destaques vão para Bludgeoned To Death (que também ganhou um clipe), Eyes Sewn Shut e Green Monster.


Não conheço o que a banda faz atualmente exceto pelo lançamento do disco mais recente (No Time To Bleed [2009]), porém o Suicide Silence mostra que nessa ''Terra'' tão cheia de canalhice em inúmeros níveis, pode-se trazer brutalidade e boas críticas - sem abrir mão da originalidade.
Um ótimo download!

Tracklist:
01 - Revelations (Intro)
02 - Unanswered
03 - Hands Of A Killer
04 - The Price Of Beauty
05 - The Fallen
06 - No Pity For A Coward
07 - The Disease
08 - Bludgeoned To Death
09 - Girl Of Glass
10 - In A Photograph
11 - Eyes Sewn Shut
12 - Green Monster
13 - Destruction Of A Statue

Line-up:
Mitch Lucker - Vocais
Chris Garza - Guitarra
Mark Heylmun - Guitarra
Alex Lopez - Bateria
Mike Bodkins - Baixo

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By Alvaro Corpse

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Krisiun - Black Force Domain [1997]

Em 1990, os irmãos Alex Camargo, Max Kolesne e Moyses Kolesne (curiosidade: Alex preferiu usar o sobrenome da mãe e Max e Moyses o do pai) formaram um dos grupos que levaria a música extrema do Brasil para o mundo: o Krisiun. A história do Krisiun se confunde com a do Sepultura, não pela localidade, mas pela forma que tanto os irmãos Cavalera quanto os irmãos Kolesne batalharam aqui e logo no exterior.

Desde o início em Ijaí, no Rio Grande do Sul, até a mudança para São Paulo, em 1995, o Krisiun lançou duas demos (Evil Age [1991] e Curse Of The Evil One [1992]) e uma EP (Unmerciful Order [1994]). Durante esse período, passaram dois guitarristas pela banda, hábito que foi abandonado desde o lançamento do debut e desde então, Moyses segura todas as guitarras.


O lançamento de Unmerciful Order, que possui clássicos como Meaning Of Terror, Infected Core e Rises From Black, fez com que o Krisiun ganhasse certa notoriedade no exterior. No meio desse burburinho, eles entraram em estúdio novamente e lançaram o incomparável Black Force Domain, debut do Krisiun e um dos maiores clássicos da pancadaria.

A putaria começa com a faixa-título, canção que faz até os pedreiros mais calejados se assustarem. A bateria ''bate-estaca'' do monstro Max Kolesne é o destaque total da canção, enquanto os riffs do irmão Moyses, do solo até o final da canção, deveriam ser incluídos em uma aula de como se fazer death metal.


A próxima faixa, Messiah Of The Double Cross, deve ter soado como um tapa na cara do pessoal do Morbid Angel na época do razoável Domination. Os três irmãos mostram como é que se faz um death metal no estilo que o Morbid Angel fazia no seu clássico debut, principalmente o baixista/vocalista Alex Camargo, que urra e debulha o baixo como ninguém.

O disco segue tranquilamente, com aquela mistura de death com thrash que fez a alegria de metalheads mundo afora. Demais destaques vão para as letras repulsivas de Hunter Of Souls (e que riffs fantásticos!), a lição de violência cuspida pela bateria de Max em Evil Mastermind, a instrumental Infamous Glory, a pavorosa Reject To Perish Below (Moyses detona nessa canção como poucos) e o grand finale com Sacrifice Of The Unborn.


Black Force Domain ganhou uma assustadora notoriedade na Europa e entre o publico fã de death/thrash metal no EUA e no resto do mundo. Hoje, os três irmãos tem uma carreira ascendente e cheia de pontos altos, como o lançamento do aclamado Southern Storm [2008] e a alta vendagem na Europa e turnês insanas junto de nomes como o Nile e Immolation. MPB? O que realmente vai do Brasil pra fora é a brutalidade e o suor de bandas como essas.
Um clássico, sem mais.
Um ótimo download!

Tracklist:
01 - Black Force Domain
02 - Messiah Of The Double Cross
03 - Hunter Of Souls
04 - Blind Possession
05 - Evil Mastermind
06 - Infamous Glory
07 - Rejected To Perish Below
08 - Meanest Evil
09 - Obssession By Evil Force
10 - Sacrifice Of The Unborn

Line-up:
Alex Camargo - Vocais e baixo
Moyses Kolesne - Guitarras e teclado
Max Kolesne - Bateria

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By Alvaro Corpse

domingo, 17 de outubro de 2010

Tom Waits - Bone Machine [1992]

A Grande Depressão que abateu o EUA mostrou, por meio dos quadros de Hopper e o falso delírio do cinema popular americano, que a grande águia não era infalível. Depois, os sanguinolentos anos 40 e 50, acompanhados da Segunda Guerra Mundial, Guerra Fria e vários outros desastres, demonstraram que o sonho americano era nada mais, nada menos, que uma sensação de vazio e alienação misturada a um coquetel de criminalidade galopante e políticas absurdas. No meio dessa confusão, a juventude se encontrava em cima do muro; indecisos pela dureza dos tempos e a censura, que, no caso de pessoas como Jack Kerouac e Allen Ginsberg, conseguiram traduzir isso para as letras. Aí nascia a poesia tão fugaz e trangressora: o beat

No ramo musical, vários artistas como Bob Dylan, Soft Machine, Lou Reed, Leonard Cohen, Nick Cave, etc, foram influenciados pelo movimento. No entanto, um dos maiores expoentes desse tipo de música, que destila tudo em pura arte, é, sem dúvida, o norte-americano Tom Waits.


Waits nasceu na Califórnia, no Estados Unidos, em 1949. Desde a sua juventude tinha contato com o palco; trabalhando em boates e fazendo pequenos shows. Em 1971, Waits assina com o selo do executivo Herb Cohen, gravando algumas demos. Logo no ano seguinte, ele lança o seu debut Closing Time [1972], que é calcado numa sonoridade folk/jazz. Apesar do bom resultado, ele ainda não ganhou as luzes da ribalta.

Waits é conhecido por associar a questão musical com a literária num estilo particular, misturando música e monólogos. Desde o debut ele foi aprovado pela crítica por ter maturidade como letrista e, principalmente, por ter um excelente senso musical. Após excursionar e abrir shows de gente como Frank Zappa e Charlie Rich, Waits cai na graça do grande público, com o lançamento de discos como Nighthawks At The Dinner [1975] e Small Change [1976]. Pulando algumas décadas, já nos anos 90, finalmente é lançado o disco que trago hoje para vocês, o transgressor, confuso, violento e emocionante Bone Machine.


Bone Machine, lançado em 1992 e ganhador do Grammy de Melhor Album de Música Alternativa, é um album que merece ser ouvido e lido com total atenção. Gravado nos estúdios da Praire Sun Recording, num porão velho vazio com chão de cimento e aquecedor (explicando assim a atmosfera do disco, com vários ecos), Bone Machine traz 16 sombrias e curiosas faixas; especialmente sombrias, já que, nesse disco, o tema predominante é a morte. Vale lembrar também a fantástica participação de músicos como o baixista Les Claypool, Joe Gore, Brain e Keith Richards.

Falar do disco inteiro é conversa pra mais uma página, então, os destaques são diversos: para a sinistra balada Dirt In The Ground, que fala sobre o único destino certo: a morte. A libidinosa Such A Scream é uma canção que possui um ritmo contagiante e um instrumental variado, assim como os múltiplos gritos contra a hipocrisia de All Stripped Down.


The Ocean Doesn't Want Me, uma canção sobre destino e morte, mantém a complexidade lírica; assim como a funesta Jesus Gonna Be Here. Waits possui um incrível talento para baladas, comprovadas pela visão melancólica das mudanças, escolhas e problemas em A Little Rain e um resumo da vida, em Whistle Down The Wind.

Fechando os destaques, a ironia doentia de Murder In The Red Barn, o tortuoso caminho da velhice em I Don't Wanna Grow Up e o lirismo de That Feel, uma canção bastante especial por expressar os sentimentos de todos os geniais perdedores. That Feel, como se não bastasse, ainda conta com a participação do guitarrista Keith Richards (Rolling Stones) cantando e tocando.

Tom Waits é um verdadeiro artista, que se arma apenas de música e palavras. Um poeta dos sentimentos mais sombrios e dos mínimos aspectos da sociedade, sem recorrer ao ''trovadorismo'' que é, muitas vezes, totalmente inútil.
Um ótimo download!

Tracklist:
01 - Earth Died Screaming
02 - Dirt In The Ground
03 - Such A Scream
04 - All Stripped Down
05 - Who Are You
06 - The Ocean Doesn't Want Me
07 - Jesus Gonna Be Here
08 - A Little Rain
09 - In The Colosseum
10 - Goin' Out West
11 - Murder In The Red Barn
12 - Black Wings
13 - Whistle Down The Wind
14 - I Don't Wanna Grow Up
15 - Let Me Get Up On It
16 - That Feel

Line-up:
Tom Waits - Vocal, chamberlin (nas faixas 01, 06 e 09), percussão (nas faixas 01, 03, 04, 05, 06 e 15), guitarra (nas faixas 01, 03, 05, 12, 14 e 16), piano (nas faixas 02 e 13), contrabaixo (na faixa 07), conundrum (na faixa 09), bateria (nas faixas 10, 11, 12 e 16) e violão (na faixa 14)
Brain - Bateria (nas faixas 03 e 09)
Kathleen Brennan - Percussão (na faixa 01)
Ralph Carney - Alto sax (nas faixas 02 e 03), tenor sax (nas faixas 02 e 03) e baixo clarinete (na faixa 02)
Les Claypool - Baixo (na faixa 01)
Joe Gore - Guitarra (nas faixas 04, 10 e 12)
David Hidalgo - Violino e acordeon (na faixa 13)
Joe Marquez - Percussão (na faixa 01) e banjo (na faixa 11)
David Phillips - Pedal steel guitar (nas faixas 08 e 13) e steel guitar (na faixa 16)
Keith Richards - Guitarra e vocal (na faixa 16)
Larry Taylor - Contrabaixo (nas faixas 01,02,04,05,08,09,10,11,12,14 e 16) e guitarra (na faixa 07)
Waddy Wachtel - Guitarra (na faixa 16)

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By Alvaro Corpse

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Alice In Chains - MTV Unplugged [1996]

NIRVANA É O CARALHO!

O Alice In Chains foi criado em 1987 pelo guitarrista/vocalista Jerry Cantrell e o vocalista Layne Staley. A banda, originária da, na época, explosiva Seattle, é um exemplo de talento nato com um toque amargo de melancolia e morte. Uma grande história sempre acompanha uma grande banda, e com um dos maiores nomes da história do grunge/heavy metal não poderia ser diferente.

Em 1986, Layne trabalhava com uma banda que ele mesmo formou, o Alice N' Chains, que tocava diversos cover de metal e etc. Num belo dia, Layne conheceu Jerry num estúdio para ensaios e, o mesmo tempo em que se tornaram camaradas, a união criativa e musical deles foi se tornando cada vez mais forte.

O Alice N' Chains desandou e Layne acabou numa banda de funk que precisava de um guitarrista; Cantrell aceitou, mas com uma condição: Layne precisaria entrar na banda de Jerry, a Diamond Lie, que contava com o batera Sean Kinney e o baixista Mike Starr. A empreitada de funk ferrou em 1987 e Layne registrou a sua permanência no Diamond Lie de vez, tocando com a banda em trocentos bares da região e usando a alcunha, Alice In Chains, como um nome provisório - estava aí formado o embrião do que viria a ser o Alice In Chains.


Algum tempo depois, os caras de Seattle foram convidados a gravar a sua primeira demo, que ficou conhecida posteriormente como The Treehouse Tapes. A demo chamou a atenção dos caras da gravadora Columbia Records e, uma vez reconhecido o poder de fogo do Alice, eles passaram a ser considerados como a maior aposta da gravadora. Em julho de 1990 saía o primeiro registro oficial, a clássica EP We Die Young, e essa EP ganhou uma abismal notoriedade entre as rádios que tocavam metal na época. Chegava a hora do tão esperado debut.

Em agosto de 1990, o tão aguardado debut do Alice já estava nas lojas: o fantástico Facelift. Alcançando a posição de nº 42 na Billboard e tendo boa exibição do clipe da canção Man In The Box (de Facelift) na MTV, o Alice dava os seus primeiros passos; posteriormente, o clipe ganhou disco de ouro e tanto na época como depois, Facelift foi aclamado com unanimidade pela crítica em geral.


Mais um aperitivo foi dado aos fãs enquanto não vinha o sucessor de Facelift e a EP Sap foi muito bem recebida. Lançado na mesma época do monolito cultural dos anos 90, o disco Nevermind do Nirvana, os dois trabalhos elevaram o grunge a outro patamar; mainstream total e absoluto. A ótima EP ainda contou com a vocalista Ann Wilson do Heart cantando juntamente como Layne e Jerry nas canções Am I Inside, Love Song e em especial, na clássica Brother.

Em fevereiro de 1992, o Alice voltava ao estúdio para começar a trabalhar no que viria a ser Dirt. O próximo disco, assim como disse Jerry na época, seria muito mais obscuro e melancólico que o disco de estréia e assim foi: Dirt foi lançado no final de setembro em 1992, com letras tratando de temas como morte, vícios, guerra e outros conflitos sentimentais, trabalhados de forma tão viciada e decadente pela caneta de Layne Staley e Jerry Cantrell.

Dirt, para o uploader que a vós escreve, é um dos discos mais fodas que alguém pode ouvir na vida. É simplesmente impecável, pesado, escuro e decadente.


Nesse meio tempo entre Dirt e o terceiro disco, foi lançado a EP Jar Of Flies. Um trabalho que mostra como é que uma banda pode-se transformar isolamento e tristeza em música boa (uma verdadeira lição para alguns góticos, aliás rs). Jar Of Flies foi aclamado pela mídia, contando com canções seminais como Nutshell e No Excuses, e nessa mesma época Layne entrou para a reabilitação devido ao seu vício pela heroína. Pouco tempo depois, Layne voltou ao seu vício e a banda se viu forçada a cancelar datas e mais datas, entrando na geladeira durante algum tempo. Devido as condições de Layne o Alice cancelou a turnê de 1994 com o Metallica e o Suicidal Tendencies, e esse foi apenas o primeiro indício do que viria a ser, posteriormente, a grande batalha que Layne travaria com as drogas.

Depois de Layne e o resto do Alice (lembrando aqui que desde o final das gravações de Dirt o baixista Mike Starr não estava mais na banda, sendo substituído pelo excelente Mike Inez) se dedicarem a outras atividades durante algum tempo, chegou a hora de mais outro album. Em novembro de 1995, a banda lançava o seu disco auto-intitulado, que fez um sucesso estrondoso: debutou na primeira posição da Billboard 200 e ganhou platina duplo. Contando com canções fulminantes como Grind e a canção que tá pra para o Alice assim como Black está para o Pearl Jam: a fantástica Heaven Beside You, a banda causou certa estranheza ao não promover o auto-intitulado, mesmo com tanto sucesso. Agora sim, chegamos até onde queríamos chegar.


O Alice voltou à tona em 1996, três anos após o seu último show, e saiu do jejum gravando um dos discos mais fenomenais que alguém pode ouvir na vida, mesmo gostando de rock ou não; o seminal MTV Unplugged do Alice In Chains.

O show foi exibido em 28 de maio de 1996 e o disco resultante dessa apresentação foi lançado em julho daquele ano ganhando a posição de nº 3 na Billboard 200 e posteriormente ganhando disco de ouro. O sucesso da apresentção do acústica do Alice se compara com os clássicos registros acústicos da MTV gravados pelo Nirvana e o britânico Eric Clapton. MTV Unplugged seria um marco musicalmente e por ser uma das últimas aparições de Layne para o público até a sua morte.

Abrindo a tracklist deste fantástico disco, apontar destaques é nada mais, nada menos, do que covardia. Posso destacar momentos incríveis desde a abertura com Nutshell e o seguimento com a fantástica No Excuses (com a abertura de bateria tão conhecida, fruto de Sean Kinney). A tensa Sludge Factory encontra refúgio na ótima adaptação e abre o clima para uma das músicas mais FANTÁSTICAS já criadas: a melancólica Down In A Hole.


A performance de Angry Chair é perfeita, e sobre a música, nem é preciso comentar; sendo uma das mais conhecidas dos fãs, possuindo uma letra marcante. Rooster, canção obrigatória nos shows, fala sobre o pai de Cantrell e os seus tempos na guerra. Uma canção marcante e que mostrou o quão competente foi a adaptação das músicas do Alice ao formato acústico.

A descompromissada Got Me Wrong dá uma desnuviada, juntamente com um dos maiores clássicos do Alice, a fantástica e saudosista Heaven Beside You (que possui uma das letras mais chicletes de todos os tempos). Também incluída na lista de músicas mais fantásticas já criadas na opinião desse uploader, a poderosa e obscura Would? dá as caras, contando com aquele marcante fraseado de baixo que dá inicio a canção. Essa é a prova cabal que Layne e Cantrell foram uma das melhores duplas que o rock/metal já teve, tanto em composição quanto nos vocais, descrevendo na letra os sentimentos que Cantrell sentia em relação a morte do seminal Andrew Wood (vocalista do excelente Mother Love Bone) e na música, com muita emoção e peso, por meio do vocal poderoso de Layne e a dobradinha de Cantrell.

Finalizando, há ainda as exclente Frogs, Over Now e Killer Is Me, lembrando também que Frogs e Killer Is Me não são originais do acústico e foram gravadas posteriormente para o relançamento.


O Alice In Chains marcou para sempre a história do sempre trágico rock/metal. Layne deixou esse mundo em 5 de abril de 2002, com apenas 34 anos. Uma das coisas tristes que acompanham esse gênero, sem dúvida, é a morte, vide Cliff Burton, Dio, Vitek, etc..

O Alice tocou a vida, com os membros participando de outros projetos, até que o Alice lançou o excelente Black Gives Way To Blue com outro vocalista, o ótimo William DuVall. O sonho dos garotos de Seattle ainda prosegue, infelizmente, sem Layne.

Alice In Chains na fase DuVall

Enfim, o Unplugged é um disco que todos deveriam ouvir antes de morrer.
Um ótimo download!

R.I.P. Layne Thomas Staley (22 de agosto de 1967 - 5 de abril de 2002)

Tracklist:

1. Nutshell
2. Brother
3. No Excuses
4. Sludge Factory
5. Down In A Hole
6. Angry Chair
7. Rooster
8. Got Me Wrong
9. Heaven Beside You
10. Would?
11. Frogs
12. Over Now
13. Killer Is Me

Line-up:
Layne Staley - Vocais, violão em ''Angry Chair''
Jerry Cantrell - Violão, vocais
Mike Inez - Baixo, violão em ''Killer Is Me''
Sean Kinney - Bateria

Músicos convidados:
Scott Olson - Violão, baixo em ''Killer Is Me''

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By Alvaro Corpse

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Black Flag - Damaged [1981]

A singela história de confusões, mudanças e violência do Black Flag começa em 1976, na Califórnia; o que antes se chamava Panic, o líder e guitarrista Greg Ginn mudou para Black Flag. A primeira encarnação do Flag consistia no guitarrista Greg Ginn, no vocalista (e futuro Circle Jerks) Keith Morris e, um pouco adiante, no baixista Chuck Dukowski e o batera Brian Migdol. Após gravar as clássicas EPs Nervous Breakdown [1978] e Jealous Again [1980], com Morris e Ron Reyes nos vocais, respectivamente, Reyes pula fora e entra Dez Cadena - um fã da banda. Devido as extensas turnês da banda, a voz de Cadena vai se desgastando pouco a pouco e assume a guitarra base. No lugar dele entra outro fã da banda nos vocais: Henry Rollins. É aí que essa história toda começa a ser gravada para ser contada e recontada.

Rollins já era participante da onda punk da época e é amigo de infância de um dos criadores do movimento Straight Edge, o ainda perplexo Ian MacKaye, que faria fama com o Minor Threat e o Fugazi. Rollins mostrou-se ser um carismático frontman e um excelente vocalista, tanto que se juntou ao Flag e ajudou a gravar um dos discos mais apocalípticos do punk rock: Damaged.

A banda já com Rollins. Poeta, músico, ator e outras mil profissões.

Damaged foi lançado em 1981 e gravado em agosto do mesmo ano, no Unicorn Studios. A guitarra rasgada e hipnótica de Ginn e a rispidez de Cadena nas seis cordas foram marcantes para o gênero, assim como os vocais poderosos de Rollins, o espancamento com baquetas de Robo e o baixo frenético de Dukowski. O debut do Flag fez os críticos ficarem de quatro pela banda, especialmente o ferrenho Robert Christgau.


O disco conta com genais 15 faixas, várias delas coverizadas por bandas como Sepultura e A Perfect Circle. Destaques são muitos, como a abertura com ''Rise Above'' e o seguimento com ''Spray Paint'' e a irônica ''Six Pack''. A acidez crítica retorna com ''T.V. Party'' e a decadência encontra refúgio na divertida ''Thirsty And Miserable''.

O Flag é conhecidíssimo pelas brigas com a polícia (em outras palavras, a briga da polícia com o Flag) e isso foi retratado com maestria em ''Police Story''. A rápida e pogante ''Gimmie Gimmie Gimmie'' é outra canção que entrou pra história do gênero, seguida pela fantástica ''Depression''. Os destaques finais vão para a rápida ''Damaged II'' e as estranhas e sujas ''Life Of Pain'' e ''Damaged I''.


O Black Flag entrou para o hall de artistas importantes do momento e até hoje serve de inspiração para o punk rock e a música em geral. Damaged entrou na posição de nº 340 na lista dos 500 Grandes Albuns de Todos os Tempos pela revista Rolling Stones. A capa, fotografada e tratada por Ed Colver, foi considerada iconica. Os membros dessa e das futuras encarnações do Flag se tornaram reconhecidos no underground e no mainstream. Algo de muito bom acontecia, somado ao gigantesco talento.

Um disco para ser apreciado no mais elevado volume e expressado fisicamente como se estivesse no descarrego.

Tracklist:
01. Rise Above
02. Spray Paint (The Walls)
03. Six Pack
04. What I See
05. T.V. Party
06. Thirsty And Miserable
07. Police Story
08. Gimmie Gimmie Gimmie
09. Depression
10. Room 13
11. Damaged II
12. No More
13. Padded Cell
14. Life Of Pain
15. Damaged I

Line-up:
Henry Rollins - Vocais
Greg Ginn - Guitarra solo, backing vocals
Dez Cadena - Guitarra base, backing vocals
Charles Dukowski - Baixo, backing vocals
Robo - Bateria, backing vocals

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By Alvaro Corpse

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Band Of Skulls - Baby Darling Doll Face Honey [2009]


O Band Of Skulls é uma banda que foi formada em 2004 pela baixista e vocalista Emma Richardson, o guitarrista e vocalista Russel Mardsen e o batera Matt Hayward na grande e portuária Southampton. Após shows na Grande Londres e algumas demos, mudaram o nome da banda para 2008. O que eles não sabiam era que o poderoso e melodioso garage rock deles, seria algo bem maior do que apenas uma peça do grande revival do estilo.


O debut desses negros foi lançado em abril de 2009, o poderoso Baby Darling Doll Face Honey, e é um puta discaço. Demais destaques no parágrafo abaixo e para a banda, que agiu definitivamente como uma.

O disco abre com a blueseira Light Of The Morning, mostrando o quão é legal o contraste dos vocais de Emma e Mardsen. I Know What I Am virou videoclipe e conta com os EXCELENTE vocais de Emma Robertson (uma cruza de Karen O. com algumas partes de Siouxsie) comandando a canção, além de possuir uma letra muito legal. É uma vocalista à parte nesses tempos e uma ótima pedida, já que há uma enxurrada operística no mercado atual de cantoras femininas.


Como é de praxe, Fires é a baladinha e a fuderosa Patterns é a música esporrada do disco, unindo o baixo de Emma e a violência gratuita de Hayward nas baquetas. Mais destaques para a tensa Blood e a excelente Dull Gold Heart.

Assim como o White Stripes e cia, o Band Of Skulls seguiu a tendencia garage/blues rock, porém, mostrando muita originalidade. Pra quem quer ouvir música de qualidade e especialmente um fantástico vocal feminino, o Band pode se tornar a sua banda favorita por algum tempo. Download obrigatório!

Tracklist:
1. Light Of The Morning
2. Death By Diamonds And Pearls
3. I Know What I Am
4. Fires
5. Honest
6. Patterns
7. Bomb
8. Impossible
9. Blood
10. Dull Gold Heart
11. Cold Fame

Line-up:
Emma Robertson - Vocal, baixo
Russell Mardsen - Vocal, guitarra
Matt Hayward - Bateria

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By Alvaro Corpse

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Napalm Death - Smear Campaign [2006]

O Napalm Death surgiu, sem muito compromisso, na vila de Meriden, perto da industrial Birmingham, na chuvosa Inglaterra. O vocalista Nic Bullen e o batera Miles Ratledge adotaram vários nomes para a banda mas nenhum com impacto (ou que fosse bom); foi aí que resolveram colocar Napalm Death logo de vez em 1981. Os garotos tinham o sonho de tocar música extrema, mas não imaginaram que fariam parte de uma das maiores entidades do grindcore, fazendo parte da criação desse gênero que até hoje atormenta os porões do mundo inteiro.

Depois de inúmeras trocas de line-up, em 1987 eles lançaram um dos maiores marcos da história do grindcore: o brutal Scum [1997], cujo lado A (da faixa 1 até a 12) havia sido composto por Bullen, Ratledge e o guitarrista e vocalista Justin Broadrick, e o lado B (o resto do album) havia sido composto pela nova formação, composta por Lee Dorrian (hoje no Cathedral) nos vocais, o veloz guitarrista Bill Steer (que faria história com o Carcass), o baixista Jim Whitely e o batera e vocal Mick Harris.

Após lançar o clássico From Enslavement To Obliteration [1988] com o mesmo line-up do lado B de Scum, exceto pela entrada do baixista Shane Embury, que continua até hoje na banda. O lançamento de 1988 consolidou o Napalm pela crueza a habilidade das execuções, levando o hardcore até a sua forma mais rápida e brutal, que é conhecida hoje por grindcore. Os gritos de Lee Dorian e as guitarras rascantes comandavam.


Já em 1990, começou o início da era Greenway no Napalm, com um line-up todo modificado: Mark ''Barney'' Greenway nos vocais, Mitch Harris e Jesse Pintado nas guitarras e os já de casa, o baixista Shane Embury e o batera Mick Harris. Com essa formação eles gravaram o extremo Harmony Corruption [1990], contando com convidados como John Tardy (vocalista do Obituary e Tardy Brothers) e Glen Benton (vocalista do Deicide). Como o pessoal já deve ter notado pelos convidados, o Napalm se aproximou mais do death metal, mesclando esse gênero com o habitual grindcore já praticado. O line-up foi aprovado e o disco fez um bom sucesso, contando com pedradas como Suffer The Children, If The Truth Be Known, Extremity Retained e a canção que tem a participação dos convidados, a brutal Unfit Earth.

Pulando agora para 2006, o line-up continua praticamente igual ao do Harmony Corruption exceto pela presença do batera Danny Herrera (desde Utopia Banished [1992]) e a ausência do guitarrista Jesse ''Grindfather'' Pintado, falecido em 27 de agosto de 2006; apenas cinco dias após o seu último lançamento: Darker Days Ahead [2006], com o medalhão Terrorizer.
Apesar da morte de Jesse, esse foi um ano de ouro para o Napalm com o fantástico Smear Campaign, disco que trago para vocês hoje.


Lançado em 15 de setembro, Smear Campaign é o décimo terceiro lançamento do grupo e retorna de vez com a brutalidade do grind/death após a época experimental (1996-1998). Contando com a boa participação da vocalista Anneke van Giersbergen com a sua voz operística na faixa In Deference, Smear... oferece uma viagem sem volta dentro do estilo em quase 50 minutos de audição.

Após a abertura com Weltschmerz, a pancadaria começa com o rifferama cruel de Sink Fast, Let Go, provando que o Napalm ainda respira (e detona) muito bem e consolidando essa faixa como um clássico. Fatalist, Puritanical Punishment Beating e Rabid Wolves (For Christ), além de verdadeiros barris de nitroglicerina, demonstram explicitamente o conceito do disco: críticas contra as religiões; tema tratado com maestria aqui.

When All Is Said And Done, canção que virou clipe, chega destruindo tudo assim como a já citada ''In Deference'' e a porrada de Identity Crisis. Eyes Right Out é uma faixa que sem dúvida, vai ser a alegria dos moshs no mundo e o terror das botas. Persona Non Grata, assim como Sink Fast, Let Go é um dos novos clássicos da banda, e mostra a habilidade do feroz Mitch Harris nas seis cordas e segura muito bem o posto que compratilhava com Jesse; não só nessa faixa, como nas outras. Na cola de Harris, o grande baixista Shane Embury, que debulha as quatro cordas do seu instrumento como se fosse uma guitarra.

O disco termina com muita classe e menos acelerado na faixa Smear Campaign, que possui, assim como Morale do ótimo The Code Is Red... Long Live The Code [2005], influências da música industrial. A versão que trago para vocês hoje é a da edição digipak, com tracklist ordenado a partir do verso dessa versão e que contém as porradas Call That An Option? e Atheist Runt como bonus tracks.

Smear Campaign, no final das contas é um disco perfeitamente excecutado, composto e inspirado. Se depender de Greenway & cia, o mundo vai estar sendo bem criticado e coberto com esse grind/death metal de primeiríssima qualidade. Download OBRIGATÓRIO!

Versão digipak de Smear Campaign.
Tracklist:
01 - Weltschmerz
02 - Sink Fast, Let Go
03 - Fatalist
04 - Puritanical Punishment Beating
05 - Well All Is Said And Done
06 - Freedom Is The Wage Of Sin
07 - In Deference
08 - Short Lived
09 - Identity Crisis
10 - Shattered Existence
11 - Eyes Right Out
12 - Call That An Option? [Bonus Track]
13 - Warped Beyond Logic
14 - Rabid Wolves (For Christ)
15 - Deaf And Dumbstruck (Intelligent Design)
16 - Persona Non Grata
17 - Smear Campaign
18 - Atheist Runt [Bonus Track]

Line-up:
Mark ''Barney'' Greenway – Vocais
Shane Embury – Baixo
Mitch Harris – Guitarra, vocais
Danny Herrera – Bateria
Anneke van Giersbergen – Vocais em ''In Deference''

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By Alvaro Corpse

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

The Rotted - Get Dead Or Die Trying [2008]

Se depender de bandas como essa, os porões do mundo inteiro ainda terão podridão para séculos sem fim!

O Gorerotted foi formado em 1997 na sempre metálica Inglaterra. Tocando um bom death metal, a banda lançou bons discos como Only Tools And Corpses [2003] e A New Dawn For The Dead [2005] além da ótima demo Her Gash I Did Slash [1998], puxada mais para o infame goregrind. Em 2008, a banda trocou o nome para The Rotted e o vocalista Ben McCrow, acompanhado do batera Nate Gould, o baixista e vocalista Phil Wilson e o fantástico guitarrista Tim Carley, todos parceiros de Gorerotted, produziram um dos mais inpirados e insanos discos de death metal da atualidade: o brutal Get Dead Or Die Trying.

A bolacha, lançada em 30 de junho de 2008, é um tridestilado do death metal moderno; um maravilhoso trabalho tanto instrumental como lírico além da tirada fenomenal no título do disco (modificação do título de um dos discos do rapper 50 Cent, o Get Rich Or Die Trying), que, no caso da canção do The Rotted, fala sobre o desespero e a descrença de um completo viciado.

A partir do toque no play, os pouco mais de 38 minutos de audição insana passam voando. O início com o tapa na cara de Nothin' But A Nosebleed e os gritos sobre a clássica história de O Médico e o Monstro contidos em The Howling é mais que obrigatório em qualquer sessão de saravá Brasil a fora, destacando The Howling pelos berros de Ben McCrow e o tratamento fenomenal que há nas letras sobre a história do frágil dr. Jekyll e o seu alter-ego selvagem, mr. Hyde.


A Return To Insolence, a faixa seguinte, é uma das mais geniais canções já criadas pelo estilo atualmente; contando com os 'blast beats' do batera Nate Gould em meio de riffs semi-melódicos numa das seções da música. Kissing You With My Fists possui uma letra furiosa e tensa, com trilha sonora idem; porém, Angel Of Meth, que possui um maravilhoso solinho à lá Slayer, é um convite ao mosh mais próximo de você. A tranquila e atmosférica instrumental A Brief Moment Of Regret mostra a versatilidade da banda e dá algum tempo para o ouvinte dar uma respirada e tomar aquele paracetamol esperto, para quebrar o pescoço novamente com uma das melhores faixas do disco: a sinistra The Body Tree.

A faixa-título, que possui um lick de baixo FENOMENAL no início, é, na opinião deste uploader, a que possui melhor conteúdo lírico do disco. Num disco que fala sobre violência, sociedade, drogas e decadência, a faixa-título se destaca no meio das demais por trabalhar muito bem a temática das drogas e a decadência em especial; possuindo como trilha sonora riffs cortantes dos guitarristas Tim Carley e John Pyres unidos ao baixo furioso de Phil Wilson, com direito a pequenos 'breakdowns' no decorrer da canção. It's Like There's A Party In My Mouth (And Everyone's Being Sick) é dedicada ao álcool e os seus efeitos do consumo excessivo intencional, uma verdadeira paulada, que dá espaço para o 'deathpunk' de Fear And Loathing In Old London Town; que assim como Nothin' But A Nosebleed, The Howling e Angel Of Meth é bastante chiclete principalmente pelo refrão, que faz qualquer nego sair cantando por aí e pode ser ouvido sendo cantarolado por 9 de cada 10 pedreiros nas obras por aí.

O disco termina lá no alto, com uma ótima versão para a peça ''In The House - In A Heartbeat'' que consta na trilha do filme 28 Days Later. Resumo da ópera: o debut do The Rotted é 120% de 100%, seguindo a cartilha de grupos como Napalm Death, Benediction e até mesmo com uns toques de Fear Factory porém, mantendo tudo bastante original e com pitadas de modernidade sem deixar de ser uma pedrada old-school. Download obrigatório!

Tracklist:
01 - Nothin' But A Nosebleed
02 - The Howling
03 - A Return To Insolence
04 - Kissing You With My Fists
05 - Angel Of Meth
06 - A Brief Moment Of Regret
07 - The Body Tree
08 - Get Dead Or Die Trying
09 - It's Like There's A Party In My Mouth (And Everyone's Being Sick)
10 - Fear And Loathing In Old London Town
11 - 28 Days Later

Line-up:
Ben McCrow - Vocais
Tim Carley - Guitarra
John Pyres - Guitarra
Phil Wilson - Baixo, vocais
Nate Gould - Bateria

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By Alvaro Corpse

terça-feira, 6 de julho de 2010

Rancid - ...And Out Come The Wolves [1995]

Muita gente sabe o peso que o The Clash tinha (e ainda tem) no meio musical dos anos 70 e 80. A mistura do punk rock com mil e uma influências que iam do reggae ao gospel elevou a banda para outro patamar: revolucionária. Após toda essa agitação e os grandes momentos de bandas punk como o Dead Kennedys, Sham 69, GBH, Crass e muitos outros, o velho punk voltou para o seu porão. Entretanto, no final dos anos 80 o velho punk rejuvenesceu e voltou a ter várias personalidades, que iam do d-beat até o pop punk; e um verdadeiro revival do punk e do hardcore ''infectou'' um mundo já doente. Uma das bandas que ajudaram a firmar esse pilar foi o fantástico Rancid, que em 1995 lançou o seu disco definitivo: o fantástico ...And Out Come The Wolves.


O Rancid começou em 1991 na cidade de Albany, na Califórnia, formada pelo 'mastermind' guitarrista e vocalista Tim Armstrong, o baixista Matt Freeman e o batera Brett Reed. Após o lançamento do debut, Rancid [1993], o guitarrista e vocalista Lars Frederiksen se juntava ao grupo e em 1994 lançavam Let's Go [1994]. A química entre Frederiksen, Armstrong e Freeman continua até hoje, especialmente Armstrong e Frederiksen, quem tem outros projetos onde trabalham juntos e dividem os vocais no Rancid.

Voltando para o disco, ...And Out Come The Wolves é o magnum opus do Rancid, ganhando disco de ouro cinco meses após o lançamento e disco de platina em 2004, e é considerado um clássico do punk rock pela homogeniedade magistral do punk e do ska apresentada no album e pelo desempenho fenomenal dos integrantes - principalmente Armstrong e Frederiksen, pelos vocais e backing vocals fantásticos; e Freeman, com linhas de baixo totalmente atípicas para o estilo e a sua grande habilidade na execução delas. Gravado em fevereiro até maio de 1995 em Berkeley e em Nova Iorque, o disco é composto de 19 faixas poderosas e energéticas.


Abrindo a bolacha, tenho um aviso: esse disco é ABSURDAMENTE perfeito; é punk curto e grosso misturado com o 'groovy' e igualmente largado ska. Apontar as preferidas é uma tarefa penosa: o reggae ''punkzado'' (cortesia do baixo afiado de Matt Freeman) dá as caras em Time Bomb, da mesma forma que a eterna Ruby Soho é uma canção que deixa você apaixonado pelo som dos caras, com um refrão impossível de esquecer. Roots Radicals é uma homenagem a todos os punkaholics e as suas raízes; Lock, Step & Gone é uma típica canção onde se é possível visualizar trocentos negos de matando num mosh. Fechando a barraca, Avenues And Alleyways é o punk rock poderoso dos Ramones e Black Flag incorporado, sempre com muita originalidade, pelo Rancid aqui.

Apesar de conhecer a banda faz poucos dias, o punk rock do Rancid é completamente contagiante e a discografia deles é altamente recomendada e a audição na íntegra de ...And Out Come The Wolves é obrigatória. Um clássico que detonou a poeira de outros tempos e trouxe as ruas para os palcos.
Um ótimo download!

Tracklist:
1. Maxwell Murder
2. The 11th Hour
3. Roots Radicals
4. Time Bomb
5. Olympia, WA
6. Lock Step And Gone
7. Junkieman
8. MIA
9. Ruby Soho
10. Daly City Train
11. Journey To The End Of The East Bay
12. She's Automatic
13. Old Friend
14. Disorder & Disarray
15. The Wars End
16. You Don't Care Nothin'
17. As Wicked
18. Avenues & Alleyways
19. The Way I Feel About You

Line-up:
Tim Armstrong - Vocal, guitarra
Lars Frederiksen - Vocal, guitarra
Matt Freeman - Baixo, backing vocals
Brett Reed - Bateria
Bashiri Johnson - Percussion
Paul Jackson - Orgão, Hammond
Vic Ruggiero - Orgão em Time Bomb

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By Alvaro Corpse

sábado, 12 de junho de 2010

V.A. - Soulmates [2010]

É, mais um dia dos namorados se passa (nem sei se é hoje ou amanhã, foda-se as datas) e a Combe, o blog conhecido mundialmente pelas suas coletâneas (?), não podia ficar de fora. Trago pra vocês uma coletânea que mistura diferentes estilos musicais porém com foco no sentimentalismo. Sem ''emices'' e urucas afins, há punk, metal, hard rock e pop centrado no puro romantismo (seja lá nas letras como no som de baladinha). Canções certas para quaisquer que sejam os momentos mais intensos entre você e sua amada (e vice-versa).

Escolhi duas bandas para repetirem músicas aqui, que foram o Dream Theater e o Roxette, com ótimas canções como Anna Lee e Watercolours In The Rain. Fora as já citadas, as minhas preferidas são a versão acústica para a fantástica Breathe da cantora Anna Nalick, a canção The Sharp Hint Of New Tears do Dashboard Confessional, a hipnótica (Take These) Chains do Judas Priest, a porrada cativante de Dig Up Her Bones do Misfits, a belíssima Somebody do Depeche Mode, gravada ao vivo e que figura no disco duplo ao vivo 101, a emocionante versão de Tears (da banda de hard/prog Rush) feita pelo Dream Theater e a bela e poderosa Watching Over Me, do Iced Earth. Por último, o retrato de todo relacionamento se observado pela visão financeira: a sacana Why Don't You Get A Job, clássica canção do The Offspring.

Feliz dia dos namorados, e só.

Tracklist:
01 - Roxette - Spending My Time
02 - Dream Theater - Anna Lee
03 - Anna Nalick - Breathe
04 - Dashboard Confessional - The Sharp Hint Of New Tears
05 - Hole - Jennifer's Body
06 - Damon & Ian Duarte - Silent Lucidity (Queensrÿche cover)
07 - Judas Priest - (Take These) Chains
08 - Misfits - Dig Up Her Bones
09 - The Killers - Mr. Brightside
10 - Depeche Mode - Somebody (Live)
11 - Portishead - Roads
12 - Eric Clapton - Tears In Heaven
13 - Dream Theater - Tears (Rush cover) [Reprise]
14 - Roxette - Watercolours In The Rain [Reprise]
15 - Iced Earth - Watching Over Me
16 - The Offspring - Why Don't You Get A Job?

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By Alvaro Corpse

terça-feira, 25 de maio de 2010

Type O Negative - October Rust [1996]


Muito nego ouve falar de gothic metal, começa a pensar em imbecilidades ''malvadosas'', porém, há uma banda que nasceu na dureza de Nova York, grande cidade do U$A, que foi pela contramão. A sonoridade lúgubre e um tanto variada misturada a doses cavalares de humor negro geraram o Type O Negative, banda cujo genial vocalista/baixista, o gigante Peter Steele, encontrou o seu fim aos 48 anos no dia 14 de abril de 2010.

O disco que trago para vocês hoje é October Rust, considerado juntamente com Bloody Kisses [1993] um divisor de águas dentro do gênero. O som depressivo aliado ao doom metal e outros gêneros é o que caracterizava a banda além do vocal barítono de Peter Steele. October Rust trazia elementos de pura esquisitisse dos discos anteriores, a característica bateria programada e a garantia de incríveis momentos de audição.

O disco contém 15 excelentes faixas, que possuem a já citada esquisitisse dos discos anteriores (em três faixas: o zumbido em Bad Ground, os cumprimentos e o adeus da banda, respectivamente faixas 2 e 15, que na capa aparece sem título mas ficaram conhecidas por [Thanks from the Band] e [Bye from the Band]) e um fantástico cover para a canção Cinnamon Girl do bardo Neil Young. A audição na íntegra é EXTREMAMENTE recomendada, mas destaco as minhas preferidas: Love You To Death, que possui uma excelente letra e uma das melhores interpretações do gothic metal, a irônica My Girlfriend's Girlfriend, Green Man, o já citado cover de Cinnamon Girl, a curtíssima e ao mesmo tempo ''longa'' The Glorious Liberation Of The People's Technocratic Republic Of Vinnland By The Combined Forces Of The United Territories Of Europa, a incrível Wolf Moon (Including Zoanthropic Paranoia), cujo trabalho vocal e no baixo de Peter Steele juntamente com os riffs poderosos de Kenny Hickey detona o barraco de qualquer banda. Por fim, Haunted, com pouco mais de 10 minutos, é fenomenal devido a atmosfera melancólica e aos teclados fenomenais do barbudo Josh Silver.

Nem é preciso dizer que esse disco detona, é o ''depois'' do gothic metal. Post dedicado ao vocalista e baixista Peter Steele.
Um ótimo download!

Tracklist:

01. Bad Ground
02. [Thanks From The Band]
03. Love You To Death
04. Be My Druidess
05. Green Man
06. Red Water (Christmas Mourning)
07. My Girlfriend's Girlfriend
08. Die With Me
09. Burnt Flowers Fallen
10. In Praise Of Bacchus
11. Cinnamon Girl (Neil Young cover)
12. The Glorious Liberation Of The People's Technocratic Republic Of Vinnland By The Combined Forces Of The United Territories of Europa
13. Wolf Moon (Including Zoanthropic Paranoia)
14. Haunted
15. [Bye From the Band]

Line-up:
Peter Steele - Baixo, vocais e guitarra adicionais
Kenny Hickey - Guitarras e backing vocal
Josh Silver - Teclados, orgão e backing vocal
Johhny Kelly - Bateria (Creditado, tocava apenas ao vivo e só foi tocar em estúdio mesmo no disco Dead Again [2007])

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By Alvaro Corpse


R.I.P. Peter Steele - 4 de janeiro de 1962-14 de abril de 2010