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domingo, 3 de abril de 2011

Karl Sanders - Saurian Meditation [2004]


Habilidade técnica não é novidade no Death Metal, mas criatividade e identidade são fatores muito raros. E quando se fala na categoria de gênios, a seletividade afina ainda mais, pois o gênero originou basicamente apenas dois músicos que elevaram seu nível à grande inspiração que transcende rótulos. Refiro-me a Chuck Schuldiner e Trey Azagthoth. Até 1998, ninguém esperava que surgisse nada de tão inovador e diferenciado no cenário Death Metal, porém tudo mudou quando surgiu no mercado o disco Amongst the Catacombs of Nephren-Ka do Nile.

O Nile trouxe uma temática completamente inovadora, sem versar sobre assassinatos, mutilações, zumbis e outros temas comuns. O mais inovador, porém, não foi apenas o fato das letras tratarem de temas egípcios, e sim a facilidade com que a banda transmitia, através do instrumental, toda a aura egípcia, por meio de melodias voltadas ao Oriente Médio, auxiliadas pelo uso de instrumentos exóticos. Tudo isso executado dentro de um instrumental veloz e com a técnica de praxe do estilo ficando ainda mais distinta em riffs e solos que nunca soam embolados, mesmo quando executados na velocidade da luz.


O auge dessa revolução no Death Metal se deu no terceiro full lenght do grupo. In Their Darkened Shrines assombrou fãs de todos os estilos de Metal, uma obra-prima que conseguiu atingir o nível máximo de criatividade e genialidade, em se tratando de Death Metal, nas faixas "Unas Slayer Of The Gods" e a épica música-título que se aproxima dos 20 minutos. A junção dos elementos egípcios com a conhecida brutalidade resultou em algo tão inigualável que fãs e críticos ao redor do mundo passaram a cobrar uma maior intensidade no aspecto relativo à sonoridade transcontinental, forçando o líder do grupo a fazer um trabalho todo voltado a essa parte da sonoridade do Nile.

Em seu debut solo, Karl Sanders incorpora somente o Folk do Oriente Médio, sem nenhuma referência sequer à sua banda. Como o único compositor do Nile, Sanders já havia conquistado a proeza de ser um dos maiores mestres do Metal Extremo atual, tanto em relação a técnica quanto a autenticidade. E aqueles que não conseguiam enxergar as escancaradas demonstrações de personalidade devido as características do Death, podem agora ter a chance de comprovar a inexplicável destreza de um americano compor sons ligados a uma cultura distante da sua, e passar o sentimento como fosse parte desse povo longínquo, criando uma obra que demonstra a riqueza cultural e musical de um lugar cada vez mais esquecido.



Com a oportunidade de explorar abrangentemente o lado mítico africano, a sonoridade apresenta características relaxantes dominada por passagens acústicas, no entanto fica longe de uma morosidade soft. Os arranjos acústicos transitam pelo virtuosismo em faixas como "Whence No Traveler Returns" e "Luring the Doom Serpent", criam ritmos ritualísticos em "Beckon the Sick Winds of Pestilence", e se somam a passagens elétricas nas inacreditáveis "The Elder God Shrine" e "Of the Sleep of Ishtar", que em alguns momentos se assemelham à quarta parte de In Their Darkened Shrines, só que com o clima muito mais atmosférico e dinâmico.

Saurian Meditation também traz de volta o baterista original do Nile, Pete Hammoura, que havia abandonado a música no meio das gravações do segundo disco do grupo devido uma contusão e voltou excepcionalmente para trabalhar nesse disco já que não exige velocidade e muito esforço. Outro convidado que se destaca é David Vincent do Morbid Angel, com uma ótima interpretação na bela narrativa egocêntrica de "The Forbidden Path Across the Chasm of Self Realization".

Esse trabalho serve como prova que o valor da inspiração é algo muito mais respeitável que quaisquer outros meros complementos que são colocados a frente da música. Além de um passeio pelas antigas civilizações no misticismo sonoro de uma futura lenda que já está na trindade insuperável do Death Metal, pelo simples fato de ser muito mais que um simples músico de Death Metal, assim como Trey e Chuck.

01. Awaiting the Vultures
02. Of the Sleep of Ishtar
03. Luring the Doom Serpent
04. Contemplations of the Endless Abyss
05. The Elder God Shrine
06. Temple of Lunar Ascension
07. Dreaming Through the Eyes of Serpents
08. Whence No Traveler Returns
09. The Forbidden Path Across the Chasm of Self Realization
10. Beckon the Sick Winds of Pestilence

Karl Sanders - baglama saz, acoustic guitar, electric guitar, ebow, guitar synthesizer, keyboards, bass guitar
Mike Breazeale - vocals
Pete Hammoura - drums, percussion

Special guests:

Shawn Allen - acoustic guitar on "Whence No Traveler Returns"
Dallas Toler-Wade - harmony vocals on "The Elder God Shrine"
David Vincent - narration on "The Forbidden Path Across the Chasm of Self Realization"
Juan Gonzalez - drums on "Beckon the Sick Winds of Pestilence", lead gong on "Whence No Traveler Returns", harmony vocals on "The Elder God Shrine"

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Dragztripztar

domingo, 6 de março de 2011

CPR - Coven • Pitrelli • Reilly [1993]


Sei que não existe nada mais desinteressante, pra quem não é músico, do que disco instrumental. Basta checar alguns títulos como Passion and Warfare, Blow by Blow e Surfing with the Alien, pra ter o embasamento essencial e definitivo do que se trata. Porém, os trabalhos instrumentais realizados por aqueles que são ligados aos rótulos mais apreciáveis sempre tem um diferencial. Não é um pé no saco com arpejos malditos, dedilhados frenéticos e improvisos pra lá de pretensiosos. É só escutar trabalhos nessa linha como o Cosmosquad, Craig Goldy solo, Jake E. Lee solo, Cozy Powell solo ou CPR.

O projeto CPR surgiu da carreira solo do baixista Randy Coven, que apareceu na cena, nos final dos anos 80, lançando um disco solo e mais tarde entrou para a banda do Blues Saraceno. Depois de gravar o debut do Saraceno, lançou seu segundo álbum solo com a nova formação que contava com o guitarrista Al Pitrelli (Megadeth, Asia, Savatage) e o baterista John O' Reilly (Rainbow, Westworld). A pegada desse trabalho instrumental é bem rocker, e quando o processo de composição para o terceiro play foi caminhando para uma direção muito diferente e com grande contribuição de todos os envolvidos, Coven decidiu ter a camaradagem de batizar o grupo como CPR (Coven, Pitrelli, Reilly).


Mesmo com a participação mais efetiva de Pitrelli e Reilly no processo de criação, o principal responsável pelas composições continua sendo Randy Coven, que compôs boa parte do material sozinho. Coven ficou conhecido anos depois deste projeto por ter sido membro do grupo de Heavy Metal, Holy Mother, integrado o ARK e excursionado com Yngwie Malmsteen, além de mais algumas empreitadas. Caso o conheça através de algum desses trabalhos, esqueça tudo que ouviu, pois aqui seu estilo de tocar lembra muito T.M. Stevens, coisa que nunca voltou a fazer e que também não tinha experimentado antes.

Abundância de slaps, ritmos desconcertantes e melodias típicas de Rock Progressivo sob bases funkys, são os ingredientes desenvolvidos e que se torna um grande diferencial. Além disso, outros pontos positivos são somados com as participações especiais e os dois covers (que ganharam até videoclipes). Outro aspecto a se salientar é que Coven tem uma grande amizade com Steve Vai e algumas músicas surgiram de suas jams - apesar de nunca terem gravado trabalhos inteiros juntos. "E-11", que conta com a participação de Vito Bratta que já havia abandonado a cena, é o número do quarto aonde Vai e Coven passavam o dia inteiro praticando.


Ow, algum corno tirou esse clipe do YouTube recentemente. Mas, como sou malaco, já tinha pegado e coloquei de novo. Háá!

Os experimentos com os equipamentos de Steve Vai resultaram na criação de "Sbass Secrets", uma eficiente demonstração de habilidades sem arranjos nonsenses. As quatro cordas falam mais que quaisquer cordas vocais em "With You", e é hipocrisia reclamar da ausência de uma voz. "Minute Mouse" lembra demais a sonoridade da época do The Randy Coven Band e traz a participação de Steve Morse. Na faixa escrita por Pitrelli, "Monday", o Blues reina, enquanto "Mutley" apresenta a faceta jazzística dos envolvidos. Pra diversificar ainda mais, o Hard surge timidamente em "Screaminin Scranton". No entanto, os momentos mais legais ficam a cargo dos covers.

Uma legítima festa é feita pra celebrar o Rock and Roll em "Back in Black"; cinco guitarristas arregaçam nos solos, dentre eles, Zakk Wylde e Vito Bratta, e os vocais são executados por Randy Jackson (que não é aquele conhecido baixista, muito menos o irmão do Michael Jackson) que se incumbe da arriscada tarefa de imitar Brian Johnson e se sai muito bem. E Zakk Wylde volta para o melhor e mais inesperado momento da bolacha. Se hoje é inesperado, imagina na época que Zakk era conhecido apenas por ser guitarrista. Matou no peito a responsabilidade de substituir Joe Lynn Turner e deu um show de interpretação no cover do Stevie Wonder. Descarga obrigatória!



01- CPR
02- Sbass Secrets
03- Back In Black (AC/DC cover)
04- E-11
05- With You
06- Two Girls
07- Minute Mouse
08- I Wish (Stevie Wonder cover)
09- Screaminin Scranton
10- Monday
11- Vinyl Frontier
12- Mutley

Al Pitrelli - guitar
Randy Coven - bass
John O. Reilly - drums, percussion

E-11 - Vito Bratta plays first, third and fifth solo. Al Pitrelli slams the rest
Back in Black - lead vocal by Randy Jackson. Middle solos by Vito Bratta and Mark Hitt. End solos by Zakk Wylde, Mark Wood (double neck Violator) and Randy Jackson. Background vocals by Randy Jackson, Vito Bratta, Mark Wood, Mark Hitt, Al Pitrelli and Bert Carey
Two Girls - keyboards and solo by Jimmy Yaeger
Minute Mouse - solo by Steve Morse
I Wish - lead vocal and end solo by Zakk Wylde. Guitar fills by Al Pitrelli and keyboard horns by Jimmy Yaeger

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Dragztripztar

sábado, 5 de março de 2011

Demons & Wizards - Demons & Wizards [1999]


A história nos mostra que a união de músicos, provenientes da mesma cena, que simbolizam determinadas bandas, quase sempre gera bons frutos. Porém quando ocorre esse tipo de parceria tem-se em mente produzir algo diferente dos grupos pelo qual os remetem. Page e Coverdale não tentaram misturar Whitesnake e Led Zeppelin; Robin McAuley e Michael Schenker não fizeram um mix de UFO e Grand Prix; Paul Laine, David Readman e André Andersen não se juntaram pra mesclar a sonoridade do Danger Danger, Pink Cream 69 e Royal Hunt. Só pra citar alguns exemplos.

Mas a coisa muda de figura quando pegamos o projeto Demons & Wizards, liderado pelos 'chefes' do Iced Earth e Blind Guardian, pois a intenção foi de misturar a sonoridade dos conjuntos representados pelos mentores. E o resultado não podia ser melhor. Embora muitos falem de uma mistura do Iced Earth com Blind Guardian, não acho que seja exatamente isso. Defino como o cruzamento das características das bandas. Ou seja, a junção da epopéia guardiã com a agressividade gelada. Com algumas notáveis diferenças em relação aos trabalhos de vocais e guitarras.


Segundo Hansi Kürsch, o projeto é "a versão mais simples do Blind Guardian". Particularmente, acho uma péssima definição que chega até a menosprezar o trabalho realizado. Além de Hansi nos vocais, e Jon Schaffer cuidando das seis cordas, o projeto contou, em seu debut, com o auxílio do então baterista do Iced Earth, Mark Prator, e o produtor do templo do Heavy Metal estadunidense, Jim Morris, responsável por produzir e fazer a engenharia de som do primeiro full-lenght do D&W no conceituado Morrisound Studios, além de gravar solos adicionais.

O papel fundamental de Morris, no entanto, foi o direcionamento proposto para a gravação dos vocais. Talvez o elemento mais diferenciado deste projeto seja a forma como as vozes de Hansi foram trabalhadas, e foi Morris quem deu a ideia de criar o máximo de harmonizações vocais. Além das harmonias serem extremamente bem construídas e passarem o clima mágico das letras, as sobreposições com timbres agudos e graves contrastando na mesma passagem, ou agressividade e suavidade melódica andando lado a lado, produz um efeito dramático do bem e o mal, gerando uma experiência catártica.



Como diria todos os professores de Matemática "não entenderam a definição, então vamos aos exemplos que fica fácil". As variações de Hansi em "Heaven Denies" ultrapassam o significado de versatilidade e transmitem todos os sentimentos fantasiosos de escuridão-luz-inferno-paraíso representado na letra. Sem contar o instrumental afiado e cortante como uma navalha. A semi-balada "Fiddler on the Green" é estruturada de maneira similar a "Sailing Ships" do Whitesnake e honra o disco que batizou o grupo, pois apesar de não haver semelhança com o Uriah Heep, a emoção mística é igual ao clássico de 1972, sem exagero algum!

Outra composição onde as multi-camadas vocais criam um clima irresistível é "Blood On My Hands", que lembra o Nightfall in Middle-Earth nesse aspecto. A proximidade do Something Wicked This Way Comes exerce grande influência no processo compositivo e, ao final do disco, as últimas músicas constituem uma trilogia, assim como foi feito no recém-lançado álbum do Iced Earth à época. Sem revoluções e original por um lado. Reciclagem de alguns clichês? Apenas o necessário. Entretanto jamais cai numa mesmice e mantém o Rock como uma das principais expressões artísticas e pratica som emergente da criatividade, assim como incontáveis bandas e projetos surgidos nos últimos vinte anos.

01. Rites Of Passages
02. Heaven Denies
03. Poor Man's Crusade
04. Fiddler On The Green
05. Blood On My Hands
06. Path Of Glory
07. Winter Of Souls
08. The Wistler
09. Tear Down The Wall
10. Gallows Pole
11. My Last Sunrise
12. Chant
13. White Room [Cream cover] (bonus track)

Hansi Kürsch - Vocals
Jon Schaffer - Rhythm and Lead Guitar/Bass

Guest musicians:
Jim Morris - Lead Guitar
Mark Prator - Drums

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Dragztripztar

quarta-feira, 2 de março de 2011

Death SS - Heavy Demons [1991]/The Cursed Concert [1992]


Novamente trago aquele esquema de post abrangendo dois ou três discos que representam a mesma fase de grupos ou artistas que não possuem qualidade estável na carreira pra que faça valer a pena criar um texto biográfico e repassar uma discografia. Claro que o que é bom pra mim não pode ser para outros, ou o que julgo como dispensável pode ser proveitoso para alguns. No entanto, não vejo sentido em postar algo de qualidade duvidosa pensando no possível mau gosto de terceiros.

Prosseguindo com a seletividade, aqui está o melhor momento da carreira de um dos grupos mais polêmicos da história do Heavy Metal, e que também revelou o artista mais provocador e impudico que o Rock conheceu. Quando Alice Cooper chocava a velha geração com seus contos e teatralidade pavorosa, a juventude tomava aquilo como inspiração pra adentrar no mundo do Rock, mas ninguém sequer cogitava em tentar fazer algo parecido. Porém, na Itália, isso mexeu muito com a demência natural de Stefano Silvestri.

Obstinado em querer ser o sucessor de Alice Cooper, Stefano adotou o personagem Steve Sylvester e, ainda na década de 70, no "ano do punk", o terror de Cooper levou o jovem italiano a criar um conjunto com a concepção baseada nas suas performances sanguinárias, mas com grande personalidade, introduzindo ilimitadas demonstrações de imoralidade e heresia. De Classic Rock designado a chocar, o grupo evoluiu para o Heavy Metal na década de 80 e devido suas exibições diabólicas acabou por ficar encaixado na primeira onda do Black Metal.

Heavy Demons [1991]


Sylvester é tão sagaz que pensou em tudo para criar polêmica logo de cara. Death SS faz alusão à antiga tropa de proteção do regime nazista, entretanto o significado real é "Death of Steve Sylvester". Apesar da banda nunca ter adotado nenhum tema bélico ou nem mesmo alguma referência ao nazismo nas letras, a maneira que as iniciais são grafadas no logo é a mesma da organização paramilitar. A intenção de Sylvester é criar a epítome do horror usando todo tipo de referência atroz pra irritar a plebe, portanto suas provocações são descomedidas.

No debut, lançado mais de dez anos após a criação da banda, os membros são apresentados como personagens de terror e as letras narram a história fictícia de cada um através de um Heavy Metal brilhante que soa como uma mistura de Venom e Mercyful Fate, somado a dramaticidade voltado ao lado obscuro. Em Black Mass, segundo full lenght, a ordem é a profanação, desde a capa até as letras, a intenção principal é ofender o cristianismo. Apenas um detalhe atrapalhava a grandiosidade desses trabalhos; o próprio Steve Sylvester.

Capa do relançamento

A vontade de criar vocalizações macabras fazia com que Sylvester atravessasse as músicas com vocais fora do tom e mal postados, parecendo mais com vocalistas do tipo de Taime Downe e Steve Summers que qualquer outra coisa. Músicas extraordinárias foram ofuscadas por essa excentricidade do líder. E como o diabo ensina seus seguidores a pecar, Steve conseguiu com o tempo se impor de forma apropriada, sem exageros pseudo-aterrorizantes. E eis que o exemplo dessa evolução se encontra no clássico absoluto Heavy Demons.

Sem a necessidade de se transformar em algum vocalista fantástico, o vampiro, como também é conhecido, adaptou sua voz de forma ideal ao instrumental matador desenvolvido pelos seus aliados. As composições não estão tão bem arranjadas como outrora e a execução é ainda mais voltada para o puro Heavy Metal com estruturas convencionais, embora ainda continue dinâmico. Além disso, o clima horripilante dos registros anteriores sumiu, logo, a banda deixou de se enquadrar no Black Metal. Mesmo com estas diferenças, Heavy Demons consegue ser superior devido a enxurrada de composições sublimes.



Os italianos, pelo visto, são apaixonados por Heavy Metal Tradicional - ao menos os que tocaram no Death SS. Falo isso porque cada disco apresenta uma formação completamente nova e sempre o que encontramos são riffs e solos que parecem criações de guitarristas consagrados, tamanha a inspiração e impacto expelidos. Exemplos podem ser constatados com os hinos "Where Have You Gone?", "Baphomet" e a faixa-título, que demonstram com perfeição o som alucinante praticado pelo conjunto.

E pra quem pensa que Steve é um louco que só quer chamar a atenção com visual e mensagens satânicas, leia a letra da citada "Where Have You Gone?" e perceba a forma astuta e inteligente que o mesmo associa os líderes religiosos a todos os males da humanidade. Observe a crítica sarcástica à hipocrisia e covardia da velha instituição católica narrada na variadíssima "Inquisitor". Relatos de revolta com sabedoria que coloca Steve no patamar dos principais ícones da cultura do Heavy Metal, coisa que se torna cada vez mais rara de encontrar.

01-Walpurgisnacht
02-Where Have You Gone?
03-Heavy Demons
04-Family Vault
05-Lilith
06-Peace Of Mind
07-Way To Power
08-Baphomet
09-Inquisitor
10-Templar's Revenge
11-All Soul's Day
12-Sorcerous Valley (Back To The Real)
13-Death Walks Behind You (Bonus Track)
14-Where Have You Gone? (Remix) (Bonus Track)
15-Horrible Eyes (Live Bonus Track)
16-Thrill Geeter (Bonus Track)

Steve Sylvester (The Vampire) - Vocals
Jason Minelli (The Death) - Guitar
Al Priest (The Zombie) - Guitar
Andy Barrington (The Mummy) - Bass
Ross Lukather (The Werewolf) - Drums

Guests:
Lorenzo Santi - keyboards
Andy Fois - acoustic guitar
Morby and Rox - background vocals



The Cursed Concert [1992]


Heavy Demons representou o fim da fase Heavy Metal, pois o grupo passou a praticar Industrial Metal na sequência. Antes de ceifar esse capítulo da carreira, foi lançado em vídeo e áudio o excelente registro ao-vivo The Cursed Concert. E como bom aluno de Alice Cooper, Sylvester leva todo o lirismo presente nos plays para os palcos. Ou seja, realiza um verdadeiro espetáculo profano de depravação e libertinagem. Auxiliado pelos músicos entrosados e precisos, o resultado é grotescamente brilhante.

A intro diabólica Ave Satani, que mais parece composição do Vangelis, abre espaço para a sucessão de clássicos. Os vocais mais bem colocados e com o timbre melhor definido nos permite apreciar as músicas das duas primeiras bolachas, onde o destaque fica para "Vampire", um dos maiores clássicos dos anos 80 e, em sua execução, ocorria o momento mais interessante do show; durante os solos magníficos, Sylvester estupra a freira, depois mata o padre - enquanto a freira estuprada fica se masturbando - e, após o assassinato, a freira encarna o espírito necrófilo e mantém relação com o padre morto (a última imagem do post é durante esse momento do show).

Anos depois, Blackie Lawless viria a 'plagiar' parte dessa encenação na tour do Kill Fuck Die. Recentemente, o Death SS encerrou as atividades, talvez por Steve não aguentar mais o pique que a banda exige, mas deixou um legado incomparável usando a iconoclastia pra corromper os falsos valores morais e ofereceu este ímpeto por meio do Heavy Metal exemplar. Comprove isso agora, não espere alguém morrer pra reconhecer seu talento, como ocorreu ultimamente.

Capa do relançamento

01-Ave Satani - Peace Of Mind
02-Horrible Eyes
03-Cursed Mama
04-Lilith
05-Vampire
06-Family Vault
07-Terror
08-Baphomet
09-Inquisitor
10-Templar's Revenge
11-Drum Solo - Where Have You Gone?
12-Heavy Demons
13-Kings Of Evil
14-Dog Man (Bonus Track)

Steve Sylvester - Vocals
Jason Minelli - Guitar
Al Priest - Guitar
Andy Barrington - Bass
Ross Lukather - Drums
Marcel Skirr - Keyboards

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Dragztripztar

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Darkseed - Diving Into Darkness [2000]


Pela parte gráfica é possível deduzir que o grupo possui características sonoras sombrias e eletrônicas. E é exatamente isto que o Darkseed faz; uma união perfeita dos elementos de Darkwave, Industrial Metal, Gothic Rock e Gothic Metal. Sintetizadores e passagens lentas na veia do Depeche Mode, riffs e vocais agressivos indo na escola do Crematory e Samael (pós-Passage), linhas de vocais limpos parecidas com as de Johan Edlund do Tiamat (em especial na fase Skeleton Skeletron) e ritmos fortemente influenciados pelo Rammstein.

Mas nem sempre foi assim. O Darkseed iniciou sua carreira fazendo Death Metal e quando começou a lançar discos oficiais mudou sua sonoridade para o Heavy Metal com riffs muito pesados e passagens que chegavam a lembrar até Metallica, além de alguns flertes com os gêneros adotados posteriormente. No terceiro full-lenght, Give Me Light, a banda tomou novos rumos e começou a moldar um estilo muito interessante que só foi definido no quarto álbum intitulado Diving Into Darkness, onde conseguiram deixar transparecer suas reais influências.

Não tem como reclamar da falta de originalidade quando sentimos alguns dos conjuntos citados anteriormente numa mesma música. Como, por exemplo, o incrível resultado atingido em "Counting Moments", que chega a arrepiar devido a junção perfeita de Depeche Mode e Tiamat. Na minha predileta, "Forever Darkness", o que mais encanta é a variação vocal muito bem equilibrada, chegando a parecer que Stefan está fazendo duetos com outros vocalistas. E essa versatilidade de vozes que culmina num refrão contagiante também surge com grande destaque em "Downwards".



Aumentando o leque de referências, "I Deny You" mistura Gothic Metal com toques de Metal Alternativo. A maioria das canções, devido a diversificação de abordagens, é mais agitada que o normal, em se tratando do estilo adotado. No entanto, o típico clima desolador se faz presente de maneira mais acentuada em alguns momentos como em "Autumn", e ainda assim mantém o nível esmerado das outras composições. O restante do trabalho confirma que o Darkseed não só mergulha na escuridão, como também a explora através dos gêneros concebidos pra venerá-la.

Por sempre buscar novos caminhos, é evidente que os trabalhos posteriores apresentem grandes diferenças em relação a este. A influência de Rammstein ficou ainda mais clara e o aspecto eletrônico foi elevado. Pra quem quer conhecer melhor os segmentos darks, mas não quer ter o trabalho de ir atrás de vários discos das diversas vertentes, aqui está tudo sintetizado com as características elementares dos principais representantes. E se não fosse o Gothic predominante, seria o melhor exemplar da Neue Deutsche Härte.

01 - Forever Darkness
02 - I Deny You
03 - Counting Moments
04 - Can't Find You
05 - Autumn
06 - Rain
07 - Hopelessness
08 - Left Alone
09 - Downwards
10 - Cold Under Water
11 - Many Wills

Stefan Hertrich - vocals, guitars, bass, electronics
Thomas Herrmann - guitars
Tom Gilcher - guitars

Guest Musician:
Willi Wurm - drums

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Dragztripztar

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Grand Magus - Monument [2003]


Existe uma enorme confusão instaurada referente às acepções de influência e inspiração. Do imundo emo ao alienado virtuoso, todos dizem ser inpirados por vários nomes em comum. Guitarristas lendários e bandas clássicas são ultrajados ao serem citados por quem faz sons completamente destoados de suas propostas. Uns citam como influência, embora a maioria chame de inspiração. Sempre são os mesmos: Led Zeppelin, Deep Purple, Black Sabbath, Rolling Stones e mais alguns.

Ao escutar "Paranoid", "Smoke on the Water", "Satisfaction" ou "Stairway to Heaven", surge a vontade entusiasmada de aprender a tocar guitarra e fazer música. Apenas a vontade é incitada. Ou seja, influenciado qualquer um pode ser. A diferença tá na absorção dessas influências que gera a inspiração. Portanto alguns devem pensar duas vezes pra não blasfemar inconscientemente, porque poucos podem afirmar que são inspirados por tais coisas. E é nesse contexto seleto que tá inserido o Grand Magus. Grupo que transmite toda a aura clássica através de um Doom/Stoner que exalta as divindades setentistas.


JB tem o privilégio de saber compor, cantar e tocar guitarra como fosse uma oferenda a grupos como Black Sabbath, Mountain, Candlemass e Pentagram. A capacidade criativa de produzir riffs que transmitem uma crueza tenebrosa dispensa a adição de robustas guitarras dobradas, trocentos efeitos de Eventide, harmônicos desnecessários, ou o enfeite que for. A devastação é feita à moda antiga e com a frieza típica do Doom. JB é o membro fundamental do Grand Magus, mas vale citar a cozinha, composta por Fox e Trisse, que é responsável pelo ritmo sólido das canções.

Monument é o segundo trabalho da banda e traz a sonoridade explanada nos parágrafos anteriores, além de letras obscuramente enigmáticas, visto que JB é grande fã de Black Metal e Death Metal. As composições colocam o Doom e o Stoner lado a lado. "Summer Solstice" lembra o Vol.4 do Sabbath; "Brotherhood of Sleep" é puro Candlemass 80's; a pegada de "Food Of The Gods" remete ao Cathedral da época do The Ethereal Mirror; Tony Iommi é novamente encarnado em "Chooser Of The Slain (Valfader)" - à la Master of Reality -, e a marcante abertura com "Ulvaskall (Vargr)" traz à memória o Doom pegajoso do Place of Skulls.



Como podem perceber, não há inovações, no entanto as fortes referências que são sentidas reafirmam o que foi colocado no início do texto. Nos discos seguintes, o Grand Magus fugiu um pouco de suas raízes; adicionou muito mais peso, gravação limpa e digital demais, timbres variados, etc. Perdeu a identidade e ficou mais, digamos, metalizado. Ganhou muitos fãs com essa mudança, mas prefiro a fase inicial até aqui. Monument tá longe de ser clássico, porém caminha nos passos dos que são e cumpre muito bem seu papel de resgatar a sonoridade honestamente intensa do Doom/Stoner. Carpe noctem...

01. Ulvaskall (Vargr)
02. Summer Solstice
03. Brotherhood Of Sleep
04. Baptised In Fire
05. Chooser Of The Slain (Valfader)
06. Food Of The Gods
07. He Who Seeks... Shall Find

Janne "JB" Christoffersson - vocals, guitar
Fox - bass
Trisse - drums

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Dragztripztar

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Frost - Out in the Cold [2005]


Jack Frost é daqueles músicos que não possui técnicas espantosas, nem fortes peculiaridades, tem uma carreira extremamente produtiva e lança trabalhos consecutivos (até três de inéditas em um ano) que nunca conseguem atrair a atenção do grande público. Todavia, é um aluno de alto nível dos mitos metálicos e sempre honra a tradição do velho Heavy Metal com trabalhos ótimos. Seja fazendo som pouco mais puxado pro Power com o Seven Witches, ou até mesmo entrelaçado no Gothic Metal com o The Bronx Casket Co., a essência é sempre a mesma: a antiga escola cadenciada do Metal Tradicional.

Independente do gênero adotado, os álbuns gravados por Jack mantém a boa qualidade, mas como todo guitarrista, há aqueles momentos em que a inspiração bate mais forte, e aqui no caso, isso ocorreu em 2005, quando Jack soltou seu segundo full-lenght solo nomeado Out in the Cold - cujo título e a capa são brincadeiras com o ser mitológico Jack Frost, que é a personificação do inverno britânico. Jack também cuidou da produção e realizou um bom trabalho, porém pecou na captação da bateria; timbre seco demais e artificial. No entanto, isso não chega a atrapalhar o andamento das músicas, pois a execução é impecável.

Repetindo a fórmula do Raise Your Fist to Metal, foi desenvolvido um Heavy Metal Tradicional com os inevitáveis toques de Hard Rock devido a presença dos participantes. Novamente foi convidada a turma do Hard Rock e do Heavy Metal, com a diferença que os nomes são bem mais afamados que da feita anterior. Outra diferença é que o baixo ficou a cargo de seis músicos conhecidos de grupos como Winters Bane, Symphony X, M.S.G., Anthrax e W.A.S.P., ao contrário do debut que foi todo gravado só por um baixista. Também foram convocados três bateristas e um tecladista.


Com tudo pronto e engatilhado, só restava as composições fazerem jus à reunião de tantos talentos. E basta apertar o play pra comprovar a eficiência de Jack Frost durante todo o CD. Logo na abertura com "Wasting Your Luv", cantada por Ted Poley, percebe-se o caminho adotado, uma mistura de Heavy Metal cru e direto com boa dose de groove. Alan Tecchio, nome muito conhecido da cena de New Jersey, é responsável por cantar "Hell or High Water" e faz uma interessante mistura de vocais agudos de Heavy com agressivos típicos do Thrash Metal num som que quase permite ser classificado de Groove Metal.

Os momentos mais gloriosos se encontram na sequência com "Crucifixation" e a faixa-título, onde Jack resgatou dois fantásticos vocalistas que passaram mais de 10 anos sumidos e haviam voltado ao cenário recentemente. Neil Turbin, o lendário vocalista do excepcional debut do Anthrax, mostra que ainda passa pra trás boa parte da nova geração, ensinando como se canta com garra e feeling na melhor música do álbum. E o injustiçado vocalista Terry Ilous do também injustiçado XYZ, continua com a garganta em dia, e exibe sua categoria em outro grande destaque do play.



O disco ainda traz quatro covers, dentre os quais se destacam "Cold as Ice" do Foreigner cantado por Jeff Martin e "Hold on Loosely" do .38 Special cantado bravamente pelo próprio Jack Frost. "Covered in Blood" parece uma sátira ao Heavy Metal, principalmente pelos vocais hilários de Jeff Martin e umas rosnadas esquisitas. Não sei se a intenção é humorística, mas as risadas são garantidas. Porém sem desmerecer a composição que é muito boa. Caminhando pro final, e olhando pro line-up, você se pergunta por que encaixaram um tecladista nas músicas se a presença do instrumento é tão retraída e não faz a menor diferença.

Mas eis que a resposta vem com "Passage to the Classical Side" (versão revisitada de uma música do Seven Witches) criando o acontecimento mais inesperado: arranjos flexuosos muito bem desenvolvidos misturando piano clássico com ambientações de sintetizadores num sincronismo perfeito com as melodias vocais resultando em uma balada extasiante, que após seus mais de 7 minutos, surge a vontade instantânea de repeti-la. Apesar da carência de originalidade, Frost merece ocupar o grande espaço midiático de muitos músicos reles e suas bandas deveriam ter mais atenção que os papa-léguas do estilo.

01 - Wasting Your Luv
02 - Hell Or High Water
03 - Crucifixation
04 - Out In The Cold
05 - Sign On The Gipsy Queen (April Wine cover)
06 - Peter And Me
07 - Cold As Ice (Foreigner Cover)
08 - Covered In Blood
09 - Hold On Loosely (.38 Special Cover)
10 - Passage To The Classical Side
11 - Head First (The Babys Cover)

Ted Poley - vocals on 1, 5, 11
Jeff Martin - vocals on 7, 8
Dale Toth - vocals on 6, 10
Neil Turbin - vocal on 3
Terry Ilous - vocal on 4
Alan Tecchio - vocal on 2
Paul Shortino - additional vocal on 7

Jack Frost - guitar & vocal on 9
Dennis Hayes - bass
Kevin Bolembach - bass
Mike LePond - bass
Mike Duda - bass
Rev Jones - bass
Joey Vera - bass
Patrick Johansson - drums
Jeff Curneton - drums
Chuck White - drums
Eric Ragno - keyboards

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Dragztripztar

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Cozy Powell - Especially for You [1998]


O selo Polydor Records antes de arruinar o mundo musical apostando em "artistas" abomináveis, fez grandes favores aos sons dignos no passado distante. Além das dezenas de grandes bandas e músicos que contaram com seu apoio, existem alguns feitos históricos que não tiveram tanta repercussão, mas que os alemães - hoje radicados na Inglaterra - merecem muito crédito pela força que deram e, acima de tudo, pela persistência em apoiar aquilo que, mesmo sabendo que não iria dar tantos lucros, merecia destaque.

Depois de Cozy Powell ter abandonado o Rainbow (uma das principais apostas da Polydor na época), o selo viu a chance de oferecer espaço para este lançar materiais solos. Mas por que ofertar isso pra um músico de exímias habilidades, mas que não compõe? Powell naquela época já possuía enorme respeito dos principais músicos mundiais do Rock, e chocou meio mundo com sua atuação no Rainbow (em especial no Rising), então era esperado que os relacionamentos no meio musical e sua destreza contribuíssem para que os álbuns fossem produzidos com garantia de qualidade.

Por favor, ajoelhe-se e erga as mãos

Foram lançados três discos entre 1979 e 1983 que não chegaram a sacudir o mercado, mas apresentaram talento de sobra, participações invejáveis de verdadeiras lendas do Rock e Powell ainda foi 'presenteado' com composições de gente como Don Airey, Bernie Marsden (Whitesnake), Max Middleton (Jeff Beck Group), Mel Galley (Trapeze, Whitesnake), David Coverdale e Gary Moore que compôs quatro músicas para essas bolachas. 15 anos depois, ainda mais consagrado após ter passado por grupos de extrema relevância no Rock e deixado sua marca, a Polydor novamente deu chance para Powell se colocar como a estrela principal.

Especially for You se diferencia dos anteriores por ter a sonoridade direcionada pro Hard Rock, ao contrário dos demais que são instrumentais fusion/jazz/prog. Outras diferenças surgem no quesito composição, pois Cozy Powell não co-compôs nenhuma música (sem contar que sua contribuição anteriormente era mínima), cuidando apenas da produção. E os responsáveis por assinar as canções, não foram músicos influentes, mas sim, nomes de enorme talento que são relativamente desconhecidos: John West (Artension, Royal Hunt, Feinstein) e Mike Casswell (Walk on Fire, Brian May). Acho que não precisa dizer que a formação é completada pelo baixista Neil Murray, tendo em vista que Powell formou a cozinha com Murray em todos seus trabalhos (rysoz).



Oito composições foram escritas pelo vocalista West ao lado do guitarrista Casswell. E o que chama a atenção é que, mesmo Powell isento das composições, todas as músicas são propulsionadas pela bateria. Desde o hit em potencial "Why Does Love Hurt", passando pelo instrumental "Haunted by the Devil", até o Hard magnético de "Call Me Mayhem", a contribuição de Powell impõe seu reconhecível estilo com batidas bem colocadas, impressiva criatividade para elaborar conduções engenhosas e ritmos cativantes. Seus comparsas não ficam atrás nos destaques, e o feeling de Casswell é evidenciado em "Doing The Natural Thing" com grande influência setentista, enquanto West dá mais uma prova de sua competência única no maior destaque do play; a brilhante balada "All I Wanted Was Your Love”.

A variedade seguida neste álbum também é outro ponto notável. Temos Hards matadores como "Man With a Mission" e "Make You A Man", bem como sons sutis na cola do Lite AOR, vide "High Time To Fly" e "The Light". Porém todas possuem em comum as belas melodias bem construídas e Powell ensinando como se injeta musicalidade usando o kit. Se não fosse um lançamento exclusivo para o mercado japonês, Especially for You figuraria na lista dos melhores discos 90's de muita gente. Além de consolidar o saudoso Cozy no segundo escalão dos melhores bateras que já passaram pelo mundo, ao lado de Tommy Aldridge e Carmine Appice, ficando atrás somente de Neil Peart, John Bonham e pouquíssimos outros.

01 - Man With A Mission
02 - Ivory Towers
03 - Why Does Love Hurt
04 - Haunted By The Devil
05 - Doing The Natural Thing
06 - All I Wanted Was Your Love
07 - Call Me Mayhem
08 - The Light
09 - High Time To Fly
10 - Make You A Man
11 - Power In The Wrong Hands
12 - You're All I Believe In

John West - vocal
Mike Casswell - guitar
Neil Murray - bass
Cozy Powell - drums

Sylvain - guitar on 4
Lonnie Park - keyboards
Ken Boley - keyboards

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Dragztripztar

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Michael Schenker Group - World Wide Live [2004]


Quem curte Metal Extremo sabe que na Europa ocorre o festival Metalmania que é muito conhecido por reunir os principais representantes da desgraceira sonora. Depois de 18 anos realizando a reunião dos partidários desse segmento, resolveram incluir uma lenda do Rock 'n Roll no cast. Ao lado de Decapitated, Krisiun, Morbid Angel, Enslaved e mais alguns outros, foi anunciada a presença de Michael Schenker e seu fantástico grupo na edição de 2004, realizada na Polônia.

Sem se sentir intimidado por tanta barulheira ao seu redor, Schenker não só foi de cabeça erguida, como também resolveu registrar a apresentação em DVD. Divulgando o excelente Arachnophobiac, que sucedeu o medíocre Be Aware of Scorpion (o trabalho mais fraco de sua carreira, diga-se de passagem), o ex-bebum mandou ver um grande espetáculo e com algumas surpresas. A começar pelo repertório; em nenhum show anterior com o M.S.G., Schenker inseriu tantos sons do UFO.

Metade do tracklist é composto por canções do UFO, o que é interessante e ao mesmo tempo esquisito. É curioso escutar os velhos clássicos do lendário conjunto executado por essa formação, mas é deveras estranha essa opção de tocar tais músicas, pois fazia pouco mais de um ano que Schenker havia deixado o grupo pela segunda vez. A explicação deve ser a ocasião 'especial', pois muitos daqueles presentes não são fissurados por Hard Rock, mas certamente conhecem os 'rock anthems' dos britânicos.



A abertura do set acontece com "Are you Ready to Rock", clássico do segundo full-lenght do M.S.G., e que com o tempo passou a ser chamado apenas de "Ready to Rock". Voltando mais no tempo, é resgatado "Mother Mary", do segundo trabalho do UFO com Schenker. A sequência de clássicos não cessa e é emendado outro hino oitentista, "Assault Attack", que se mistura perfeitamente aos antigos hinos da ex-banda de Schenker ("Let it Roll" e "Lights Out"), ficando perceptível que não existe diferença de qualidade entre essas duas épocas da carreira do mesmo.

Chegado o momento de promover o recém-lançamento, as escolhas não foram lá tão acertadas. A faixa-título de Arachnophobiac é apenas convincente e se torna interessante só por causa do solo feito por Wayne Findlay. E que solo! Já "Rock 'n Roll Believer" é um dos grandes destaques deste disco, que apesar de ter sido lançado menos de um ano antes, a formação que o gravou havia sido dissolvida com a entrada do baixista piradaço James Jones (também conhecido como Reverend Jones ou Rev Jones), o ex-Black 'n Blue, Pete Holmes na batera e o competentíssimo Wayne Findlay cuidando das guitarras bases e teclados.

Depois de relembrar mais alguns clássicos, o show fecha com o supra-sumo da carreira do alemão; "Doctor Doctor" e "Rock Bottom". Esta não é das melhores apresentações do M.S.G., de todas que tenho (mais de dez), inclusive, é a menos foda. Também deveriam ter escolhido melhor as músicas antigas para Chris Logan cantar, pois apesar de ser um ótimo vocalista, sua limitação beira o constrangedor ao tentar alcançar os tons originais de algumas canções. De qualquer modo, é uma apresentação muito boa, com o áudio ripado do DVD e 'remasterizado' por mim.

01. Ready to Rock
02. Mother Mary
03. Assault Attack
04. Let It Roll
05. Lights Out
06. Rock’n’roll Believer
07. Arachnophobiac
08. Into the Arena
09. Only You Can Rock Me
10. On and On
11. Too Hot to Handle
12. Armed and Ready
13. Doctor Doctor
14. Rock Bottom

Chris Logan - vocals
Michael Schenker - guitar
Wayne Findlay - guitar/keyboards
James Jones - bass
Pete Holmes - drums

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Dragztripztar

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Welcome to the Jungle - A Rock Tribute to Guns N' Roses [2002]


Vergonha na cara nem todo mundo tem. E dinheiro ninguém recusa. Sabendo disso, a gravadora Cleopatra Records foi atrás de Tracii Guns e Gilby Clarke para propor que gravassem um tributo ao Guns n' Roses (!), e os dois malandrecos aceitaram. Afinal, devem muito respeito e gratidão àqueles que lhes processaram, ou resumiram sua permanência na banda à meia dúzia de shows. E pra fechar com chave de bósnia o time daqueles que vivem na sombra do Guns, foi chamado o ex-Cinderella (huum...) Fred Coury, que quebrou um galho pros gunners na tour do debut.

Mas, pra não abusar demais, Fred cuidou somente da mixagem e cantou uma música, visto que este tributo representa um dos últimos registros do grande batera Randy Castillo (Ozzy Osbourne, Mötley Crüe), além de contar com o baixista Kyle Kyle (Bang Tango) completando a cozinha fixa do trabalho. Mesmo esta homenagem não tendo sido organizada pelos nomes conhecidos da área, a seleção de músicos representativos foi escolhida impecavelmente. Embora confesso que senti falta daqueles que já ganharam o título de arroz-de-festa, como Joe Lynn Turner, Jeff Scott Soto e Glenn Hughes.

No entanto, os arrozes presentes deixam suas marcas e são os responsáveis pela cara própria dada às canções, pois o instrumental segue rigorosamente o original, com diferenças apenas de timbres e a produção seca. Obviamente o repertório é focado, em sua maior parte, no Appetite for Destruction. Mais da metade do debut foi coverizado, e a prioridade aos clássicos foi certeira, entretanto acho que deveriam ter encaixado "November Rain", de preferência no lugar da "Used to Love Her".

Algumas roupagens ficaram assaz esquisitas, como "Civil War" cantada por uma mulher, e "Paradise City" com os vocais de Kory Clarke que definitivamente não combinaram. Outros vocalistas cantam sem alguma intensidade, dando a impressão que queriam apenas pegar o cachê e se mandar, como Mitch Malloy e Jizzy Pearl. Mas não é só de 'porém' que vive este tributo, algumas versões são matadoras, como a abertura com "You're Crazy" cantada por Stevie Rachelle e, a melhor versão de todas, "Welcome to the Jungle" com Kevin DuBrow.



"Mr. Brownstone" ficou muito próxima da original, e Joe Leste realizou um trabalho interessante, apesar de não ter colocado suas características. A voz ultra-rouca de Spike gera outro momento bem legal em "Don't Cry". E "My Michelle" cantada por Phil Lewis soa como uma música do L.A. Guns. Resumindo, este tributo configura na ala dos regulares, e é imprescindível para aqueles que não gostam do Guns especialmente por causa do Axl Rose. Além de conferir as atuações dos vocalistas convidados, também vale a pena prestigiar os últimos momentos de Randy Castillo.

01.You're Crazy - Stevie Rachelle of Tuff
02.It's So Easy - Fred Coury of Cinderella
03.Welcome To The Jungle - Kevin DuBrow of Quiet Riot
04.My Michelle - Phil Lewis of L.A. Guns
05.Sweet Child O'Mine - Jizzy Pearl of Love/Hate
06.Paradise City - Kory Clarke of Warrior Soul
07.Mr. Brownstone - Joe Leste of Bang Tango
08.You Could Be Mine - Mitch Malloy of Van Halen (rizus)
09.Used To Love Her - John Corabi of Union
10.Don't Cry - Spike of Quireboys
11.Patience - John Corabi of Union
12.Civil War - Christina Kartsonakis

Tracii Guns - guitar
Gilby Clarke - guitar
Kyle Kyle - bass
Randy Castillo - drums

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Dragztripztar

sábado, 12 de fevereiro de 2011

W.A.S.P. - The Neon God: The Rise (Part 1) [2004]


Não acho necessário discorrer o conceito ao lado da música sempre que tratar de disco conceitual. Mas existem alguns compositores que colocam suas mensagens de modo tão essenciais quanto às músicas. Blackie Lawless é um destes, e eis aqui o refletor-mor de sua magnitude como letrista. Além do lirismo ímpar, The Neon God também representa a tentativa de Lawless em superar outro disco conceitual - The Crimson Idol. Essa busca ambiciosa acarretou na criação de uma história diferenciada e reflexiva.

Desta vez, Blackie dar vazão aos seus personagens sem moldar algum como alter-ego e nem mesmo com representatividades individuais. A trajetória de vida do personagem principal Jesse Slane é baseada e inspirada em líderes de culto - infância conturbada, submissão religiosa, instinto psicopata e tentativa de se colocar como Messias. Sua história é detalhadamente traçada e, no decorrer da trama, surgem outros personagens que são simbolismos para profundos questionamentos impessoais acerca do existencialismo e a religiosidade.


Musicalmente, é a mistura do Heavy Metal ensandecido do The Crimson Idol com o clima funesto do Dying for the World. A produção é praticamente a mesma do disco anterior (e de quase todos da discografia): os timbres, o ar dimensional e o peso se encontram da mesma forma, o que é explicado pelo fato de Lawless ser um ferrenho defensor das gravações analógicas. Ainda que se mantenha inveterado com seus princípios musicais, o lado humano de Steven Duren vem tomando cada vez mais espaço nas mensagens do W.A.S.P. desde o The Headless Children.

Os monstros da mente de Lawless começam a aparecer, através de Jesse, na curtíssima "Why I Am Here" e o título fala por si só. As crises de Jesse começam a afetá-lo na pancadaria de "Wishing Well". E após ser abandonado pela mãe no orfanato, Jesse passa a enfrentar o institucionalismo religioso de um orfanato, onde ele tenta impugnar a freira Sister Sadie, pois a enxerga como um general da SS, o que é muito curioso, pois uma das peças que constituem a personalidade de Jesse é Adolf Hitler. E ele associa a freira ainda mais à antiga organização paramilitar devido suas iniciais.


Esse confronto religioso surge em "Sister Sadie (And The Black Habits)", que lembra muito a sonoridade do álbum The Headless Children, e os vocais de Lawless ainda soam tão impiedosos quanto um Panzer VI Tiger. Tudo passado por Jesse, até então, é sintetizado por meio de "The Rise"; as sensações aflitivas de suicídio e o molestamento que sofreu da mãe e a atormentada Sister Sadie são transmitidos por uma ambiência desesperadora, onde já demonstra a obstinação de Jesse em querer ser o Messias.

Os delírios e a perseguição da Sister Sadie fazem com que Jesse seja mandado para o asilo de loucos "Asylum #9", o ponto alto do disco e a demência de Lawless e Cia. representa com fidelidade o ambiente de loucura, além de ter a melhor atuação de Darrell Roberts em sua passagem pelo grupo depois da inesquecível "Hallowed Ground". No asilo, Jesse conhece o pirado Billy, que tem um lugar especial para se drogar porque os pais são ricos, e é lá no quarto conhecido como "Red Room of the Rising Sun", que eles fazem a cabeça e os pervertidos sexuais criam bases bem díssonas e alucinógenas pra narrar essa parte.


"What I'll Never Find" retrata o suicídio de Billy e naturalmente é bem sentimental e melancólica. Passado alguns anos, sem Billy, e com Sister Sadie já colocada a sete palmos, Jesse foge e, depois de umas desventuras pelas ruas, conhece o mágico Judah, com quem se identifica e debate a manipulação religiosa representada no Heavy Metal carniceiro ao melhor estilo anos 80 em "X.T.C. Riders". Judah estimula Jesse a buscar ser ainda mais transgressor. Inspirado em elevar a fúria de Alex DeLarge, Jesse conhece e passa a manipular ladrões, traficantes e prostitutas, usando artifícios enganadores de poderes preeminentes, revertendo toda sua história.

Em outras palavras, usando uma interpretação pessoal, é como Jesse tivesse sido abusado por um padre na infância e, posteriormente, tivesse se tornado um padre na vida adulta, explicando os desmandos religiosos institucionais que colocam os discípulos em posição de subordinados e manipulados pelas próprias interpretações das 'regras divinas' por aqueles que se dizem "superiores". Mas os detalhes desse momento da história estão na segunda parte de The Neon God, além das alusões ficarem mais claras. No encarte do disco é esclarecido que as respostas não estão contidas na obra, no entanto, as críticas são evidentes.


Sem inovações no estilo, um apanhado de referências a alguns trabalhos antigos e um produto enriquecido com pensamentos propostos para incitar a reflexão. Concretizando Blackie Lawless, de forma ainda mais nítida, como um compositor exemplar da última geração a colocar conteúdo inteligente no Heavy Metal.

01 – Overture
02 – Why Am I Here
03 – Wishing Well
04 – Sister Sadie (And The Black Habits)
05 – The Rise
06 – Why Am I Nothing
07 – Asylum #9
08 – The Red Room Of The Rising Sun
09 – What I’ll Never Find
10 – Someone To Love
11 – X.T.C. Riders
12 – Me & The Devil
13 – The Running Man
14 – The Raging Storm

Blackie Lawless - Vocals, Guitars, Bass, Keyboards, Drums
Darrell Roberts - Lead Guitars, Vocals, Drums
Mike Duda - Bass, Vocals
Frankie Banali - Drums, Percussion

Additional Musician:
Stet Howland - Drums on "Wishing Well"

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Dragztripztar

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Atsushi Yokozeki Project - Raid [1993]


Olhou a capa e pensou "Aff, mais um daqueles posts nada a ver do ecletismo combístico. É bem alguma banda de blues orquestral com influência de folk psicodélico da coréia"? Errou alguns milhares de quilômetros, pois é uma banda de blues orquestral com influência de folk psicodélico do Japão! (risos) Atsushi Yokozeki é tão desconhecido e tem um gosto tão refinado para escolher a capa dos seus discos que permite achar qualquer coisa. Apesar da inteligência dos seus conterrâneos não o acompanhar para perceber a complexa fórmula arte gráfica chamativa + convidados especiais = dobro de vendas e reconhecimento, o seu cérebro funcionou na hora de escolher o time para se aliar no quarto full-lenght solo.

Até hoje nos porões da música nipônica, Yokozeki fez parte do grupo de Heavy Metal The Bronx na década de 80, mas só deixou seu rastro ao juntar lendários músicos do Hard Rock para gravar uma genuína preciosidade no começo dos anos 90. Estabelecido como um guitarrista altamente técnico por meio de discos instrumentais, o japa resolveu apostar numa sonoridade voltada ao Hard Rock com toques de AOR, mas ainda mantendo o seu passado ao lado. O resultado disso foi a criação de um álbum seguindo as premissas Hard por uma parte, e por outra sustentando a marca do mentor - música instrumental.


Quando "Tears of Sphinx" abre o disco, tem-se uma sensação de que a qualquer momento vai entrar o vocal, porque não é aquele tipo de instrumental pra somente expor as qualidades técnicas - por mais que isso seja inevitável e natural em se tratando dos monstruosos Tim Bogert (baixo) e Carmine Appice (bateria) -, e é guiada por riffs tradicionais de Hard, e aos poucos que o andamento passa a ficar sinuoso. Os convidados na abertura, Bogert e Appice, só voltam a aparecer no finzinho com o instrumental "Mama Again", para darem espaço a várias outras estrelas emprestaram seu talento ao longo do trabalho.

Se a música 'muda' já agrada, imagina quando é acrescentado o vocal, e o escolhido é o grande Kelly Hansen (Hurricane, Unruly Child, Foreigner). Agora adicione a cozinha clássica do Quiet Riot e teremos "More than Enough", um Melodic Rock muito inspirado, mais marcante impossível! E o que se forma quando o subestimado David Glen Eisley se junta à melhor cozinha do McAuley Schenker Group (Jeff Pilson [Dokken] e James Kottak [Scorpions]) revela a afinidade que Yokozeki tem com os estilos que impregnaram os anos 80 na terra do Tio Bush, com o clássico batizado de "Straight to your Heart".



Ao passo que Yokozeki juntamente com o baixista Greg Chaisson (Badlands) e o baterista Bobby Blotzer (Ratt) causam uma destruição na instrumental "Camel", os mesmos acompanhado por Jeff Pilson (desta vez, apenas cantando) compõem a inacreditável balada "All the Way to Heaven". A então cozinha do clássico Grin and Bear It do Impellitteri comparece em "Silence, Storm and Sunrise", os multi-bandas Chuck Wright (baixo) e Ken Mary (bateria). E tornam a aparecer na hardeira "Heartbreak", desta vez cantada, ou melhor, extraordinariamente bem cantada por Ray Gillen. E o disco fecha com dois instrumentais trazendo as participações de Jake E. Lee e Craig Goldy, além de outras feras que surgiram ao longo do play.

Sobre a execução por parte de Yokozeki, é desnecessário tecer algum tipo de comentário. Guitarrista criado no Heavy Metal e que bebe no fusion, toca brincando, porém teve a capacidade de criar músicas colocando o sentimento em primeiro plano, além da habilidade absurda para compor Hard/Melodic Rock como fosse especialista e experiente no assunto. Ouço três músicas deste disco praticamente todos os dias e continuo abismado com a qualidade. Sem tirar, nem pôr, aqui está um clássico memorável, e que supera as expectativas de quem ouve esperando apenas checar o desempenho de seus ídolos.

01 - Tears of Sphinx
02 - More Than Enough
03 - Straight to Your Heart
04 - Camel
05 - All the Way to Heaven
06 - Silence, Storm and Sunrise
07 - A Little Bit More
08 - Heartbreak
09 - Mama Again
10 - Raid

Kelly Hansen - vocals on 2
David Glen Eisley - vocals on 3
Jeff Pilson - vocals on 5 and bass on 3,7
Cherie Currie - vocals on 7
Ray Gillen - vocals on 8
Atsushi Yokozeki - guitars
Tim Bogert - bass on 1,10
Rudy Sarzo - bass on 2,9
Chuck Wright - bass on 6,8
Greg Chaisson - bass on 4,5
Carmine Appice - drums on 1,10
Frankie Banali - drums on 2,9
James Kottak - drums on 3,7
Bobby Blotzer - drums on 4,5
Ken Mary - drums on 6,8

Brad Gillis - solo guitar on 4
Jake E. Lee - solo guitar on 9
Craig Goldy - solo guitar on 10

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Dragztripztar

Alguns dos convidados (clique na imagem para ampliar). Um detalhe completamente despropositado é que Ray Gillen sofreu a metamorfose inversa do Michael Jackson. Isso fica ainda mais claro na época do Sun Red Sun.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Uli Jon Roth - Sky of Avalon: Prologue to the Symphonic Legends [1996]


Todos sabem que as definições do Metal Neoclássico são atribuídas, principalmente, ao guitarrista Uli Jon Roth. Bem como suponho que devam saber que, apesar de ser humilde e tocar com trocentos músicos, o alemão sempre se mostrou contrário às exigências fonográficas e nunca deixou que limitassem suas criações. Partindo destas pressuposições, ainda é preciso discorrer acerca de vários pontos relacionados. Primeiramente, é necessário frisar a forma como Uli concebe suas criações clássicas; existem dois conceitos (Sky of Avalon e Transcendental Sky Guitar) referentes ao modo como é determinado cada forma de abordagem do Clássico.

Mas antes de deslindar tais conceitos, é importante esclarecer o que sustenta os mesmos. Desde sempre, Roth quis alcançar notar mais altas em seus solos para reproduzir peças clássicas, e necessitava de agudos que não existe no instrumento. Foi então criada a Sky Guitar, uma guitarra personalizada que atende sua necessidade. E para acompanhar sua fertilidade inventiva, foi originada a Sky Orchestra, e junto foi desenvolvido todo um conceito de elevação artística e cultural da música através do ensino metafísico das composições clássicas. Isso foi expandido pela Sky Academy, um seminário que terá seus intuitos explicados ao longo do texto.

Retomando a ideia do começo, existem dois princípios de execução da música erudita por Roth. A Sky of Avalon é a mais acessível, sendo destinada a criar peças sinfônicas, embora compactas (principalmente a primeira parte, aqui presente); e a Transcendental Sky Guitar, que exige muito do ouvinte, pois faz releituras de obras grandiosas, e as complementa com composições próprias ou releituras de sons contemporâneos, causando complexidade para absorver, ligar os dois mundos e, por fim, apreciar. Portanto, pra entender este último conceito, os ouvidos têm que ser treinados com a Sky of Avalon.


No meu ponto de vista, a Sky of Avalon é o conceito mais interessante e superior. Já que a intenção é atingir mais pessoas com a Música Clássica, o ideal é criar obras condensadas, mas igualmente soberanas. E isso é realizado com proficiência por Uli e seus sequazes na obra-prima Prologue to the Symphonic Legends. Uma verdadeira revitalização da música clássica com visão e ouvidos voltados aos tempos atuais. Uli Jon Roth se mostra definitivamente como o gênio que nasceu na época errada - alguns séculos depois -, ao compor sons tão opulentos quanto qualquer outra composição erudita, se mostrando um herdeiro legítimo das lendas sinfônicas.

Nesta primeira jornada, são apresentadas 9 composições próprias de Uli juntamente com duas releituras de Giacomo Puccini. E o álbum ainda conta com os vocais de Tommy Heart (Fair Warning) e Michael Flexig (Zeno), além da Sky Orchestra e a soprano Leonora Gold. São basicamente apenas três músicas inseridas de forma estratégica (começo, meio e fim), e entremeadas por interlúdios majestosos que não soam como vinhetas ou simples intros. Aí você deve pensar que, por serem apenas três composições, têm aproximadamente 10 minutos cada. Pois está enganado. Média de 5 minutos cada. E o ápice se encontra em "Winds of War", onde o patamar se eleva numa grandiosidade inacreditável. E Tommy Heart realiza um trabalho de penetrar o espírito.



O disco tem o preceito de servir como representação sonora dos misticismos de Avalon; a imortalidade daqueles que a habitam é metaforicamente associada ao conteúdo de Prologue to the Symphonic Legends através do maior propósito de Jon Roth - imortalizar a música clássica por meio de novas roupagens com a finalidade de desmistificar o princípio da sociedade atual de que a mesma seja obsoleta. Sem hipocrisia, U.J.R. aceita que o modelo de Música Clássica dos séculos passados não transcendeu o tempo, mas que a riqueza das composições permanece a mesma, necessitando apenas de visões alternativas para se espalhar nos dias de hoje.

Vários outros misticismos de Avalon podem ser usados como metáfora para simbolizar este conceito. O poder da espada Excalibur pode ser refletido pela força de uma composição mágica como "Bridge to Heaven". E ainda tem o ideal cultural acima de tudo, pois Uli sempre liga seus trabalhos ao âmbito social no sentido de fazer com que a música clássica atinja as pessoas a fim de oferecer perspectiva para a compreensão da música como arte suma. A princípio são conjeturas, mas levadas a sério, e não é a toa que tudo isso é tratado com afinco pela Sky Academy. Devaneador para alguns, presunçoso para outros, entretanto a maioria compreende que se trata de um músico ostentador de um estilo subversivo que inspirou gerações, mas não originou similares, apenas aspirantes.



01 - Bridge To Heaven
02 - Thunder Bay
03 - Pegasus
04 - Starships Of Dawn
05 - Winds Of War
06 - Sky Valley
07 - The Wings Of Avalon
08 - Until The End Of Time
09 - Tod Und Zerstorung
10 - E Lucevan Le Stelle
11 - Starlight

Uli Jon Roth - guitar/bass/keyboards/programming
Tommy Heart - vocal on 1, 5, 8 -- harmony on 4, 5, 9
Michael Flexig - vocal on 4, 9, 11 -- harmony on 4, 11
Leonora Gold - lead soprano on 2 -- harmony on 1, 9
Steve Bentley-Klein - violin
Roger Smith - cello
Leonora, Francesca, Beryll, Sharon, Luciane, Berenice - choir
Sky Orchestra

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Dragztripztar

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

After Forever - Invisible Circles [2004]


"Odeio estes moleques que usam camisas de bandas gays". Falei isso, por volta de 2004, pra algum conhecido, após pedir informação para um cidadão que usava camisa do After Forever. O mais interessante é que eu nunca tinha ouvido a banda. Conhecia de nome e tinha ideia do estilo que praticavam. Não tenho dúvida que ainda existe muita gente com o mesmo pensamento infundado. E minha intenção não é mudar a opinião de ninguém, até porque isso é questão imaturidade, e o tempo que ficará encarregado de modificar tais mentalidades radicais (ou não). Veja bem, estou falando de radicalismo que leva a ridicularizar, e não de gosto pessoal.

Indo logo ao que interessa, no primeiro post gótico feito por mim, esclareci que a banda possuía fortes peculiaridades. Pois bem, aqui está outro exemplo. Apesar de não ter mais preconceito em relação a este estilo, tenho total consciência que a maioria das bandas se prende somente às características sorumbáticas, e mesmo aquelas que recorrem às influências clássicas são igualmente fatigantes. O After Forever, no entanto, por optar às nuances voltadas ao Power, Prog e Heavy Metal, agrega elementos mais coléricos e elimina as passagens depressivas.


Invisible Circles é o terceiro full-lenght do grupo e apresenta músicas temáticas em torno da desestruturação familiar e de como isso afeta a vida dos envolvidos, em especial as crianças e adolescentes. A história é construída de modo operístico e narra, da criação à fase adulta, a vida de uma pessoa abusada na infância. Tema curioso, mas não vejo o Metal como um emissor para estes assuntos. No mais, essa história fazia parte do trabalho de pesquisa pessoal de um integrante da banda. Que faça suas filantropias, mas longe da música!

Um dos pontos mais marcantes encontrados neste play é a sinfonia esplendorosa a cargo dos músicos convidados, transitando entre apoteóticas orquestrações e corais muito bem encaixados. Porém a estrela que mais brilha, sem dúvidas, é a deslumbrante Floor Jansen. Inegavelmente, a melhor vocalista do gênero, pois possui uma desenvoltura que vai muito além daqueles insuportáveis vocais fantasmagóricos. E complementando a parte vocal, ainda têm os vocais agressivos de Sander Gommans e os limpos de Bas Maas - ambos guitarristas e principais responsáveis pela violência que contrasta com a sensibilidade forjada por Jansen e o tecladista Lando van Gils.



Depois da curta intro, somos apresentados à "Beautiful Emptiness", que começa como uma típica composição gótica, mas logo ganha contornos adversos à ambientação tristonha desta vertente e se transforma num Heavy Metal progressivo extremamente vigoroso, com as gradações ditando o clímax. A união de vocais macabros e suntuosos traduz o título de "Between Love and Fire", intercalada por um diálogo bem curto que corta um pouco a empolgação. E chegando ao maior destaque, temos "Digital Deceit", um dos maiores clássicos da banda, e demonstra toda a agilidade vocal de Jansen dentro de melodias inspiradíssimas.

O restante das composições enfoca diversas abordagens, algumas acentuam o Power Metal ("Victim of Choices"), outras enfatizam o lado agressivo ("Blind Pain"), e o progressivo é compreendido em "Reflections" e "Life's Vortex". E é com esta diversidade de elementos que Invisible Circles se consolida como um álbum que suplanta os demais trabalhos de Gothic Metal e dá uma visão interessante e criativa para a mistura do assombroso com o extremo, mostrando que os desígnios musicais góticos não são desprezíveis, mas sim, mal trabalhados na maioria das vezes. Exceto o aspecto visual e a mensagem, que serão sempre rejeitáveis. Mas em casos onde a inspiração se encontra fora do comum, não precisa simpatizar com mais nada além da música.



01 - Childhood in Minor
02 - Beautiful Emptiness
03 - Between Love and Fire
04 - Sins of Idealism
05 - Eccentric
06 - Digital Deceit
07 - Through Square Eyes
08 - Blind Pain
09 - Two Sides
10 - Victim of Choices
11 - Reflections
12 - Life's Vortex

Floor Jansen - female soprano vocals
Sander Gommans - guitar, grunts
Bas Maas - guitar, clean male vocals
Luuk van Gerven - bass guitar
André Borgman - drums
Lando van Gils - keyboards

[12 músicos adicionais - não listarei]

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