O Rock sempre se caracterizou por unir algumas duplas lendárias de vocalistas e guitarristas. A lista é enorme, portanto nem começaremos a citar. Mas você já sabe mais ou menos de quem estamos falando. Em tempos mais recentes, um duo de destaque foi formado pelos suíços Steve Lee e Leo Leoni. Juntos, alcançaram fama e glória com o Gotthard, um dos grandes expoentes do Hard Rock europeu das últimas décadas. Infelizmente, a tragédia cruzou o caminho da parceria recentemente, fazendo com que ela se tornasse história. Mas o legado viverá para sempre, tanto com os fãs como pelas mãos da própria banda, que seguirá em frente.
Mas antes mesmo de haver um Gotthard, existiu o Forsale. Foi aqui que tudo começou para Steve e Leo, embora eles não fossem os cabeças do projeto – motivo pelo qual sairiam mais tarde para criar algo próprio. Mas esse trabalho tem algumas diferenças em relação ao Hard mais cru e voltado para as guitarras que os consagrou. A abordagem é bem AOR, com uso constante de teclados e harmonias vocais mais trabalhadas. Da metade pra frente o álbum ganha uma dose extra de peso, mas ainda assim é bem diferente do que a dupla faria posteriormente. A despeito disso, o disco é muito bom, com músicas bem interessantes e melodias cativantes.
Destaques para a faixa-título, a marcante “No Time No Chance”, a mais pesada “Run For Life” e a curta “So Long”, que encerra o play de maneira singela e emotiva. Interessante reparar que Steve ainda estava procurando um registro ideal para sua voz, que soa um tanto quanto diferente do que a maioria está acostumada a ouvir. Anos depois, com o sucesso do Gotthard, esse trabalho foi relançado na Europa em edição limitada, portanto, permanece como um artigo cobiçado nas coleções de quem não pôde pegar o original. Artigo indispensável para quem quer ter tudo relacionado ao saudoso cantor.
Steve Lee (vocals) Leo Leoni (guitars) Mauro Lupazzi (guitars) Lute Warsitz (bass) Johnny Frizti (drums) Neil Otupacca (keyboards)
01. Witch-hunt 02. Stranger In Town 03. Carry On 04. Only Love 05. No Time No Chance 06. Rollin' On 07. Run For Life 08. Night Spell 09. Call My Name 10. Fallin' Down 11. So Long
Em 2010, Kai Hansen e seus capangas voltaram, trazendo aquele que é o melhor disco do Gamma Ray nos últimos anos. Basta uma simples escutada para comprovar isso. To the Metal mescla perfeitamente a sonoridade dos lançamentos mais recentes da banda com os clássicos do início da carreira. O resultado é um álbum diversificado, que vai facilmente cair no gosto dos fãs de qualquer época. Kai continua com aquele registro de voz que lhe é peculiar, além de formar um duo de primeira com Henjo Richter nas guitarras. A cozinha também segue funcionando maravilhosamente bem, com destaque para a precisão altamente respeitável do batera Dan Zimmermann.
O play abre com a rápida “Rise”, desembocando na excelente “Deadlands”, faixa que conta com todas aquelas características que dão a Hansen o justo título de um dos patronos do Metal Melódico. “Mother Angel” segue uma linha mais tradicional, com riffs de guitarra empolgantes no seu início e uma pegada que se aproxima do Hard Rock europeu. A balada “No Need to Cry” funciona como uma mistura de influências de Queen com o Helloween dos velhos tempos. Outros destaques vão para a ótima faixa-título, que deu origem ao primeiro clipe do disco e a dobradinha que encerra o trabalho, “Shine Forever” e “Chasing Shadows”, dois convites para bater cabeça.
Mas sem dúvida o momento mais esperado acontece na sétima faixa, “All You Need to Know”. Nela temos um dueto vocal fenomenal envolvendo Kai Hansen e ele, o cara que mais falava mal do estilo e ao mesmo tempo mais participa de discos do gênero: Michael Kiske. Obviamente, esse momento fará verter uma lágrima no olho dos mais fanáticos pela Keepers Era, especialmente quando lembramos que agora o duo está reunido novamente sob as asas do Unisonic. A escorregada fica por conta do quase plágio de “I Want Out” em “Time to Live”. O que não faz com que ela seja ruim, é claro. Mas dá pra cantar o refrão de uma na outra tranquilamente.
Em To the Metal, o Gamma Ray conseguiu fazer o que há muito se esperava, oferecendo aos admiradores um disco diversificado e equilibrado, com peso e melodia tipicamente Kaihanseanos. Não vai mudar a opinião de ninguém sobre a banda, mas fará a alegria de quem já a acompanha há anos. Candidato sério a figurar nas listas de melhores álbuns de Heavy Metal de 2010!
Kai Hansen (vocals, guitars) Henjo Richter (guitars, keyboards) Dirk Schläcter (bass) Dan Zimmermann (drums)
Special Guest Michael Kiske (vocals on 7)
01. Rise 02. Deadlands 03. Mother Angel 04. No Need To Cry 05. Empathy 06. To The Metal 07. All You Need To Know 08. Time To Live 09. Shine Forever 10. Chasing Shadows
I’m Back! É assim que começa a bagaça. Para mostrar que o tempo sumido não foi em vão, o ex-Bad Company e Ted Nugent, Brian Howe retornou ano passado com Circus Bar, trabalho há muito aguardado pelos fãs. E em seu segundo esforço solo, o cantor se aventura com destreza pelos caminhos do Melodic Rock. O que pode soar como uma surpresa aos desavisados, mas que, no fim das contas, revela-se uma feliz idéia, já que o material aqui apresentado é de primeira qualidade. As composições e suas melodias casaram perfeitamente com a voz de Brian, que mostra que não perdeu nada desde seus gloriosos e bons tempos.
Além da já citada faixa de abertura, temos ótimos momentos na alegre “There’s This Girl”, a quase Pop “It Could Have Been You”, que me lembrou até mesmo algo do The Police, especialmente na bateria à la Stewart Copeland e a acústica “Flying”, com belos backing vocals encaixados no refrão. Em “My Town” temos uma levada Hard misturada com o Classic Rock, com direito a uns ecos de Hammond ao fundo, criando um clima matador. Aliás, essa música conta com a participação de ninguém menos que Pat Travers na guitarra. Em “If You Want Trouble” temos o momento mais pesado, chegando até a lembrar alguma coisa do AC/DC. Relembrando os tempos de Bad Company, regravações de “How About That” e “Holy Water”.
Howe mostra que ainda possui a competência necessária para comandar a festa. Ainda mais escorado por músicos de alto calibre, que colaboram com melodias simples e cativantes, daquelas que são facilmente reconhecíveis e ficam o dia inteiro na cabeça. Seus admiradores não terão do que se queixar ao ouvir esse play, assim como qualquer fã dos lançamentos da Frotniers Records. Infelizmente, em recente comunicado à imprensa especializada, Brian anunciou que lançará apenas mais um EP e se afastará do mundo artístico. Portanto, é bom aproveitar cada momento, como esse belo trabalho. Baixem sem medo!
Brian Howe (vocals)
Brooks Paschal (guitars) Dean Aicher (guitars) James Paul Wisner (guitars) Tyson Shipman (guitars) Pat Travers (guitars) Brooks Paschal (bass) Miguel Gonzalez (bass) Wayne Nelson (bass) Matt Brown (drums) Luke Davids (keyboards)
01. I’m Back 02. Life’s Mystery 03. There’s This Girl 04. Could Have Been You 05. I'm Surrounded 06. Flying 07. How It Could Have Been 08. My Town 09. How ‘Bout That 10. Feels Like I’m Coming Home 11. If You Want Trouble 12. Feelings 13. Holy Water 14. Little George Street
Atendendo nenhum pedido – até porque não fazemos isso mesmo – vamos a mais um exemplar japonês dos bons sons. Essa banda foi protagonista de um dos primeiros posts que fiz como colaborador da Combe, em tempos remotos da história humana. Naquela época ainda estava entusiasmado com “Subconscious in Xperience”, fantástico álbum que lançaram em 2008, mostrando um Hard/Heavy de primeiríssima, lembrando grandes momentos de lendas como Black Sabbath, Deep Purple e Whitesnake. Claro que tive que correr atrás de outros discos dos figuras. E aqui está um deles, trazendo o mesmo nível de qualidade, para alegria dos fãs do bom e velho “Rock pauleira” das antigas.
Turning Back é o terceiro trabalho de estúdio do Blindman. A produção desse trabalho é muito superior à do mais recente, que contava com uma sonoridade propositalmente mais suja e direta – o que, devo confessar, me agrada mais na proposta. Nesse aqui, os caras investem mais em teclados e músicas mais trabalhadas. Mas nada que comprometa, pois há grandes momentos, como a faixa-título, que abre o play com toda potência, a bordoada na orelha em "The Bed of Nails" (a melhor de todas, com um refrão empolgante) e a mais Hard “Losing My Sanity”.
Momentos mais climáticos também marcam presença, como em “In The Wind To Flow”, com uma bonita atmosfera desde sua introdução, seguindo em uma cadência Heavy de primeira. Mesmo esquema é utilizado na bela “The Ocean”, outro grande momento. Os destaques individuais ficam novamente por conta do vocal de Manabu Tayaka, que consegue misturar agressividade e feeling como poucos e o guitarrista Tatsuya Nakamura, que parece ter tido algumas aulas com figuras como John Sykes. Merece ser conferido!
01. Turning Back 02. Without a Word 03. Stay... 04. In the Wind to Flow 05. Play the Game 06. The Bed of Nails 07. Starting to be Over 08. Losing My Sanity 09. Don't Tell Lies 10. The Ocean 11. Searching for What
Bandas de AOR, por si só, já são artigos raros no mundo do Rock – com exceção da Escandinávia atual, onde há mais conjuntos que pessoas (risos). Imaginem, então, um grupo peruano que é adepto do estilo. Pois ele existe. O Aliados é um adepto do lado mais melódico do gênero e mostra toda a sua competência em Abre Tu Alma, excelente debut. Influências de Journey, Giant, Bad English e Van Halen (Van Hagar) são facilmente perceptíveis durante toda a audição. O disco foi lançado na terra natal dos músicos via Sony Music, o que fez com que a divulgação local fosse bem satisfatória.
O grande destaque do trabalho vai para o guitarrista Guillermo Bussinger, que mostra durante todo o álbum que entende do riscado, com solos e riffs de primeira categoria, como mostra na introdução da faixa-título. Falando nas músicas, todas possuem extrema qualidade. Mas não tem como não citar a abertura com “No Lo Sé”, passando pela emotiva “No Puedo Volar”, a melódica “Una Entre Mil” e a saideira com “Nadie Nos Puede Parar”, um pouco mais pesada. O single ficou por conta de “Toda Tu Piel”, bela escolha, com seu refrão de fácil assimilação e extremamente grudento.
Um prato cheio para quem curte um Rock festeiro, com letras em espanhol e melodias bem pra cima. O grupo ainda lançou mais um trabalho em 2005 e encerrou as atividades. Seus músicos continuam atuantes na cena local, com todas as dificuldades que um país periférico no estilo pode oferecer. E, até onde tenho notícias, sem fazer mimimi sobre dificuldades, público paga-pau de gringo e afins.
Pepe Gonzalez (vocals) Guillermo Bussinger (guitars) José Carlos Velásquez (keyboards) Marcell Lagos (bass) Chayo Saldarriaga (drums)
01. No Lo Sé 02. No Puedo Volar 03. Toda Tu Piel 04. Abre Tu Alma 05. Libre 06. Razón Contra Corazón 07. Aquí De Nuevo 08. Una Entre Mil 09. Nadie Nos Puede Parar
Um dos passatempos preferidos da Combe desde seu início foi postar as preciosidades vindas da terra do sol nascente quando o assunto é Hard/Heavy de primeira qualidade. Depois de confirmada a participação de Marty Friedman na trilha do próximo Kamen Rider movie me veio a lembrança. E claro que Akira Kajiyama não poderia ficar de fora, já que seu talento nato vem sendo reconhecido na cena com o passar dos anos. Muito disso, graças a sua parceria com Joe Lynn Turner, com quem participou de álbuns solo como Slam, Holy Man e Hurry Up And Wait, além do HTP Project, com Glenn Hughes e “Fire Without Flame”, disco assinado pela dupla, lançado em 2005.
Nesse play, o multi-instrumentista chamou o vocalista Takenori Shimoyama, conhecido na cena por seu trabalho junto ao Saber Tiger e mandou ver em excelentes composições com influência direta do Heavy Metal tradicional e alguns toque de “setentismo” da melhor qualidade. O timbre de Shimoyama lembra, em vários momentos, Tobias Sammet e outros cantores da geração mais recente do estilo. Mas não fica só nisso, já que, apesar da semelhança no registro, sua abordagem é muito mais próxima da vertente clássica, trazendo aquele bom tempero setentista à interpretação, priorizando o feeling.
Outras influências podem ser percebidas, como Malmsteen, Impellitteri e Rainbow, para alegria da turma do bululu. Kajiyama mostra toda sua competência como exímio músico, tocando todos os instrumentos e ainda assinando a produção. Claro que sua maior influência é a escola Blackmore, então esperem por muitos riffs ganchudos e solos tocados com a alma acima de qualquer técnica. A abertura, com “The Minstrel Sings” já conquista o ouvinte. A sequência, com “Heaviness Of The Dust” é um verdadeiro convite ao bate-cabeça descontrolado, enquanto “The Final Journey” cumpre o que seu título promete e funciona como uma verdadeira viagem para o ouvinte.
Outros destaques vão para a sacanagem estilo Van Halen de “Change Your Fate”, a épica “Mother”, o groove certeiro de “Bottom Of The Water” e a pegada fulminante em “The Wild Horse” – lembrando os melhores momentos de certo sueco gorducho. Como já é comum nos vocalistas japoneses, Takenori dá algumas escorregadas no sotaque, mas nada que comprometa o resultado final. Se o seu negócio é Heavy Metal tradicional, com altas doses de técnica sem descambar para a babaquice masturbatória, aqui está um dos melhores exemplares do gênero lançado nos últimos tempos. E fica a questão para refletirmos: discos de artistas japoneses tem a faixa bônus para o Japão?
01. The Minstrel Sings 02. Heaviness of the Dust 03. The Final Journey 04. Change Your Fate 05. I Realize 06. Jewels 07. Mother 08. Fall Into the Deep 09. My Destiny 10. Bottom of the Water 11. The Wild Horse 12. Clear Blue
Nos piores momentos do Hard Rock nos Estados Unidos, alguns resistiram bravamente, remando contra a maré. Nesse ponto, méritos para a dupla Jamie Rowe (ex-Guardian) e Vic Rivera – um dos músicos mais completos e respeitados da cena, exímio guitarrista e baterista –, que não apenas mantiveram-se fiéis ao estilo, como criaram uma das melhores bandas do gênero, o AdrianGale. Melodias certeiras e vocalizações perfeitas estão entre os principais atributos do grupo, que tem tudo para agradar fãs de grupos como Def Leppard, Firehouse, Harem Scarem (dos primeiros trabalhos), Van Halen e Danger Danger, entre outros.
Com essa proposta, a dupla compôs o primeiro álbum, Feel The Fire, que logo estourou no underground. Sons como a faixa-título, as cacetadas “Save Our Love”, “Reap What You Sow” e “Giving It Up” (refrão para sair cantando junto) caíram no gosto popular e colocaram o conjunto como uma espécie de salvação de uma safra que era das piores. A repercussão foi tão positiva que um ano mais tarde foi lançado o EP Under The Hood. Nele, versões acústicas e ao vivo – registradas de forma amadora em show na cidade espanhola de Madrid – para as músicas já conhecidas, além de uma inédita, a ótima “Stealin’ Hearts”. Apenas um aquecimento para o que viria a seguir, mas que hoje vale muito como raridade.
A grande dúvida que pairava entre os fãs era como superar a excelente estréia. Pois o AdrianGale conseguiu em Re: Program. Ainda mais pegajoso, reunia faixas espetaculares, como a festeira “Closer”, que se tornou o grande clássico da banda. Outros destaques vão para a abertura com “Still Burning”, resposta para so que decretaram a morte do estilo, além da deliciosamente Hard/Pop “Runaway”, com sua melodia inesquecível. Quando o assunto é balada, “If” surge fazendo com que o ouvinte pense automaticamente que se trata de algum b-side esquecido do Def Leppard, tamanha a semelhança com a obra de Joe Elliott e companhia.
Ok, agora não havia mais como superar certo? Ledo engano, pois aí que viria o auge de produção, com o bombástico Crunch. Simplesmente um dos melhores discos da história do Melodic Rock, com tudo aquilo que um adepto gosta e espera de um trabalho do gênero. É até difícil apontar um momento, pois simplesmente todas as canções são muito acima da média, fazendo deste um trabalho digno da nota máxima que recebeu em várias publicações mundo afora – inclusive no Brasil. Mas fica a dica para deixar um lenço ao lado quando for escutar a maravilhosa “Without A Moments Notice”, com uma letra impossível de não se identificar.
Mesmo com todos estes atributos, a carreira do grupo não decolou, criando dificuldades para o prosseguimento dos trabalhos, especialmente no lado financeiro. Mas antes de dar um tempo, ainda lançaram um ao vivo. Live Program foi gravado em um dos poucos shows de divulgação de Re: Program. Completando o disco, uma mixagem alternativa para “Closer” e a inédita “All My Heart”. A banda ainda faria alguns shows sob o nome de seu último disco, com direito a uma apresentação no renomado festival Firefest, realizado anualmente na Inglaterra.
Atualmente o AdrianGale vive um recesso sem previsão de retorno às atividades. Mas não há informação oficial de que isso seja definitivo – embora, honestamente, seja difícil uma volta sabendo que sua história sempre esteve no subsolo do estilo em termos de popularidade. Vic Rivera vem trabalhando em projetos com a Frontiers Records, entre eles uma frutífera parceria com Ted Poley. Já Jamie Rowe trabalha em uma volta do Guardian, que fará, inclusive, turnê latino-americana no próximo ano.
01. Feel The Fire 02. Save Our Love 03. Reap What You Sow 04. If The Sun 05. Giving It Up 06. Easy Come, Easy Go 07. Just Let Me Love You 08. Mission Man 09. Honey Child 10. Walkin' The Dog
Under The Hood [2001]
Jamie Rowe (vocals) Vic Rivera (guitars, drums) Todd Goldie (bass) Eddie Campbell (guitars, mandolin) Jason Hopper (drums)
01. Stealin’ Hearts 02. Reap What You Sow (acoustic) 03. Save Our Love (acoustic) 04. Feel The Fire (acoustic) 05. Feel The Fire (live) 06. Mission Man (live) 07. Giving It Up (live)
Re: Program [2002]
Jamie Rowe (vocals) Vic Rivera (guitar, drums) Eddie Campbell (guitars) Scott Novello (bass)
01. Still Burning 02. Closer 03. Heartbreak Guaranteed 04. If 05. Over, Said And Done! 06. Runaway 07. Heartgames 08. 41394 09. Part Of Me 10. Heather Please 11. No More Chances
Crunch [2004]
Jamie Rowe (vocals) Vic Rivera (guitar, drums) Scott “Riff” Miller (guitars) Scott Novello (bass)
01. Breaking Stride 02. Crunch 03. Faith 04. Without A Moment's Notice 05. Tougher Than It Looks 06. When In Rome 07. Long Gone 08. The Thin Line 09. Question 10. Freedom 11. This Time 12. Last Call
Live Program [2005]
Jamie Rowe (vocals) Vic Rivera (guitars) Eddie Campbell (guitars) Scott Novello (bass) Jason Hopper (drums)
01. Reap What You Sow 02. Over Said n' Done 03. Still Burning 04. Save Our Love 05. Part Of Me 06. If 07. Giving It Up 08. Riffageddon 09. Mission Man 10. Heartbreak Guaranteed 11. Runaway 12. Closer 13. Feel The Fire 14. Closer (Alternate Mix) 15. All My Heart (Unreleased Track)
Depois do excelente Bitten By The Beast, álbum solo de David ‘Rock’ Feinstein lançado ainda no ano passado, era grande a expectativa pelo disco que marcaria a volta do The Rods. Principalmente porque, mais uma vez, teríamos participação póstuma do mestre Ronnie James Dio em uma faixa. Mas não era só isso, já que a banda do primo do homem também conta com uma discografia de respeito na cena Heavy, com clássicos do estilo como Wild Dogs e In The Raw. Portanto, não faltavam atrativos que justificassem a ansiedade. Mas valeu a pena esperar?
Os riffs de “Raise Some Hell” já respondem em grande parte à dúvida, junto com seu refrão típico dos bons tempos do Rock de arena. O clima festeiro prossegue em “I Just Wanna Rock”, chegando a lembrar AC/DC, com direito a espancamento de categoria por parte de Carl Canedy. “Rebels Highway” justifica o nome com sua cara de Rock estradeiro com pegada Heavy, pronta para conquistar o ouvinte. Mais oitentista impossível! O início de “Ride Free Or Die” é totalmente chupinhado de “Damage Case” do Motörhead e o clima leva o ouvinte diretamente aos anos 1970, com direito a citações especiais àqueles tempos.
Mas chega a hora de “The Code”. Aí é preparar os lenços e ouvir mais uma vez o magnífico Dio soltar a voz como só ele sabia. E o estilo Tony Iommi dos riffs faz a saudade apenas aumentar mais. Parece que o Sabbath da era Mob Rules, com a volta daquela pegada Doom, voltou com força total. O ouvinte fica simplesmente paralisado ao escutar. E os backing vocals de Feinstein apenas aumentam a emoção. E nessa faixa temos um verdadeiro espetáculo particular de Gary Bordonaro, fazendo o baixo praticamente ganhar vida própria na parte final.
Uma batida mais cadenciada em “Livin' Outside The Law” ajuda a manter o ritmo variado na medida certa. Pé no acelerador com “Let It Ripp”, Heavy Metal em sua mais pura definição, pronta para fazer o ouvinte ter um torcicolo. Em “Fight Fire With Fire” volta o clima Hard setentista, com David mandando seus vocais característicos. “Madman”, a mais curta de todas, segue uma linha atual, com sonoridade buscando se alinhar ao Rock pesado dos tempos modernos e se saindo bem, embora deva confessar que foi a que menos gostei.
Na reta final, temos “Runnin Wild”, com uma intro fulminante de bateria desembocando em um som que define a expressão clássica em sua concepção. Fechando de vez, a faixa-título, com David mostrando toda sua potência nas seis cordas, soando como uma versão mais pesada de Billy Gibbons, algo próximo a Ted Nugent, impressão aumentada pelo estilo do riff. Assim termina um grande disco, mostrando que algumas coisas estão no sangue da família e merecem ser cultuadas. Obrigatória a conferida, especialmente para quem sente a falta do “maior baixinho do mundo”!
David ‘Rock’ Feinstein (vocals, guitars) Garry Bordonaro (bass) Carl Canedy (drums)
01. Raise Some Hell 02. I Just Wanna Rock 03. Rebels Highway 04. Ride Free Or Die 05. The Code (feat. Ronnie James Dio) 06. Livin' Outside The Law 07. Let It Ripp 08. Fight Fire With Fire 09. Madman 10. Runnin Wild 11. Vengeance
Sem dúvida uma das grandes referências do Hard Rock/AOR norte-americano com vocais femininos da virada dos 1980 para os 90s se chamava Sandi Saraya. Munida de sonhos e um talento muito acima da média, a cantora de New Jersey uniu-se ao tecladista Gregg Munier para formar uma banda, que inicialmente se chamaria Alsace Lorraine (nome de uma das faixas deste play). Partiram para Los Angeles, onde a cena realmente acontecia, mas nada de empolgante surgiu. Sendo assim, voltaram para casa, mas continuaram trabalhando em material para um futuro disco, sem perder a esperança de que o destino mudasse.
A grande virada aconteceu quando uma Sandy (sim, desta vez com y) cruzou o caminho dos músicos. Tratava-se de Sandy Lizner, que se tornou grande colaboradora, cuidando da parte de divulgação e conseguiu o tão sonhado primeiro contrato com uma gravadora. Logo, viu-se que a idéia de explorar a imagem da vocalista poderia trazer maior retorno em um curto espaço de tempo. Sendo assim, o grupo passou a levar seu sobrenome. Para completar o time, a dupla se abasteceu de três figuras que já tocavam juntas no grupo NYC, liderado pelo ex-tecladista do Foreigner, Al Greenwood, além de uma rápida passagem com Joe Lynn Turner, antes de ele se juntar a Yngwie Malmsteen.
O mais conhecido era o guitarrista Tony Rey, que anos mais tarde passaria a assinar Tony Bruno e teve como maior momento na carreira uma passagem rápida pelo Danger Danger. E ele acaba sendo o grande destaque do álbum, encaixando riffs e solos de muito bom gosto nas composições de Sandi e Gregg. Dois singles foram lançados. Primeiro, para a potente faixa de abertura, “Love Has Taken It's Toll”, que alterna passagens acústicas com uma pegada fulminante. A seguir, foi a vez de “Back To The Bullet”, hit certeiro, com seu belo potencial radiofônico, que acabou se confirmando, ao menos, na terra natal da banda.
O disco obteve repercussão razoável, em um desempenho considerado satisfatório por todos os envolvidos. A exposição rendeu ao Saraya o convite para figurar na trilha sonora do filme Shocker. Infelizmente, mudanças na formação e no mercado musical impediram que o segundo trabalho obtivesse maior êxito. Sandi ainda figuraria na cena graças a seu casamento com o baixista do Tesla, Brian Wheat, além de esporádicas participações em outros projetos. Mas a promissora história de sua banda ficaria restrita ao underground do gênero. De qualquer modo, temos aqui um ítem indispensável na coleção de qualquer admirador de um Hard Rock com vocais femininos.
Sandi Saraya (vocals) Tony Rey (guitars) Gary Taylor (bass) Gregg Munier (keyboards) Chuck Bonfante (drums)
01. Love Has Taken It's Toll 02. Healing Touch 03. Get U Ready 04. Gypsy Child 05. One Night Away 06. Alsace Lorraine 07. Runnin' Out of Time 08. Back to the Bullet 09. Fire to Burn 10. St. Christopher's Medal 11. Drop the Bomb
A nova geração definitivamente não tem medo de esconder suas preferências. Enquanto por muito tempo criou-se um abismo separando o Hard Rock oitentista do resto do mundo, hoje a influência é assumida e muito bem recebida. Como podemos ver no caso do The Magnificent, projeto encabeçado pelo vocalista Michael Eriksen, conhecido na cena metálica pelo seu trabalho no Circus Maximus. Aqui, em parceria com Torsti Spoof (Leverage), ele escancara outra faceta de sua personalidade musical, mostrando um trabalho que mescla sonoridade de grupos atuais com as lendas do estilo. Para melhorar, ainda há bem-vindos toques Heavy pontuais nas faixas, especialmente nas guitarras.
Aliás, já ficou repetitivo, mas é sempre necessário destacar como os escandinavos produzem material de qualidade nesse gênero com facilidade. E Michael não deixou de colocar elementos que lembram conterrâneos, como Europe, Talisman e Treat, apenas para ficar nos casos mais famosos. Mas isso não seria nada sem o conteúdo. Sendo assim, faixas certeiras como “Holding On To Your Love”, “Cheated By Love” (refrão para sair cantando junto) e o belo hino AOR “Memories” justificam plenamente a empolgação do ouvinte. A balada “Angel” é o crime perfeito para qualquer adepto do estilo. Cara de hit que poderia ser radiofônico em outros tempos. Hoje será apenas nas playlists.
“Satin & Lace” lembra o W.E.T., enquanto “Love’s On The Line” soa como um tributo aos heróis do estilo. Ainda remetendo ao passado, “Bullets” parece ter saído dos bons tempos do Phenomena, com passagens vocais marcantes. E o que Torsti faz no solo desta faixa é de tirar o fôlego. As melodias indefectíveis de “Smoke & Fire” e “Tired Of Dreaming” ajudam a manter a audiência no clima. Já “If It Takes All Night” é aquele tipo de balada que faria a festa da minha geração nos tempos de pré-adolescência, nas danças de bailinhos. Depois da calmaria, a tempestade – no bom sentido – com “Lost”, apropriada para pular e cantar junto em um show. Encerrando, a calma “Harvest Moon”, que seria trilha de algum filme da Sessão da Tarde em outros tempos.
Fazendo uma análise geral, colocando prós e contras na balança e estabelecendo as comparações devidas, dá para dizer sem medo de errar: é do The Magnificent o troféu de álbum do ano na categoria AOR! Item obrigatório na coleção dos fãs do estilo. E mais uma prova da capacidade dos músicos atuais, que souberam não se ater a pré-conceitos estabelecidos por quem sugou tudo que um gênero ofereceu e depois o marginalizou.
Michael Eriksen (vocals) Torsti Spoof (guitars, keyboards) Sami Norbacka (bass) Jukka Karinen (keyboards) Rolf Pilve (drums)
01. Holding On To Your Love 02. Cheated By Love 03. Memories 04. Angel 05. Satin & Lace 06. Love's On The Line 07. Bullets 08. Smoke & Fire 09. Tired Of Dreaming 10. If It Takes All Night 11. Lost 12. Harvest Moon
Por motivos óbvios, há um abismo entre o espanhol Javier Vargas e a lenda viva Jeff Beck. Portanto, não espere nesse disco uma recriação do lendário Beck, Bogert & Appice. A semelhança termina no nome da empreitada – sem contar a versão para “Lady” que o play – que reúne a cozinha do Vanilla Fudge mais uma vez. Além disso, o que temos aqui é um álbum de covers. Ou seja, a coisa tem um clima bem mais descontraído, o que contribui decisivamente para a apreciação. Completando a trupe temos a participação de Paul Shortino nos vocais, mostrando que a união do vocalista com Carmine no King Kobra rendeu frutos mais que valorosos.
Após a já citada música do BBA, temos “Surrender”, do Cheap Trick. É verdade que 99,999999% dos que fazem um cover do grupo escolhem essa. Mas não tem como esse hino do Rock ficar ruim. O swing de “Right On” casou muito bem com a proposta, dando espaço para os envolvidos mostrarem um pouco do que sabe. Na seqüência, uma homenagem aos saudosos Gary Moore e Phil Lynott em uma correta versão para “Parisienne Walkways”. Depois, a cozinha relembra o Vanilla Fudge com “You Keep Me Hangin’ On”.
Um dos grandes momentos acontece logo a seguir, com “Soul Of Love”, de Paul Rodgers. Além do belíssimo instrumental, Shortino oferece sua melhor performance em todo o trabalho. Sem dúvida, digno do homenageado, um dos maiores de todos os tempos. “Black Night” vem com uma pisada no freio, mas conservando a melodia original. Mas aliviada, com certeza, é algo que não combina com AC/DC. Por isso, “It’s A Long Way To the Top” dá uma injeção de adrenalina, com passagens de teclado que não a descaracterizam.
Alguns podem não saber, mas Rod Stewart foi um dos melhores cantores de Rock da história. E Carmine Appice relembra seus tempos ao lado do primeiro vocalista inglês a traçar a Luciana Gimenez na baladaça “Tonight is the Night”, outra faixa em que brilha a estrela de Paul Shortino. Para fechar, uma surpresa das mais agradáveis, já que “Over My Shoulder”, do Mike & The Mechanics” é um som mais recente e que tocou muito nas rádios durante a infância/adolescência deste que vos escreve. Bela sacada do grupo resgatar essa.
Álbum para se ouvir sem maiores compromissos, diversão garantida, nem que seja pelas lembranças do passado. Apenas acho que deveriam ter incluído Shortino como membro efetivo, já que sua participação é excelente. Mas nada que comprometa o saldo final.
Paul Shortino (vocals) Javier Vargas (guitars) Tim Bogert (bass) Carmine Appice (drums) Tim Mitchell (keyboards)
01. Lady (Beck, Bogert, Appice) 02. Surrender (Cheap Trick) 03. Right On (Ray Barretto) 04. Parisienne Walkways (Gary Moore & Phil Lynott) 05. You Keep Me Hangin' On (Vanilla Fudge) 06. Soul Of Love (Paul Rodgers) 07. Black Night (Deep Purple) 08. It´s A Long Way To The Top (AC/DC) 09. Tonight Is The Night (Rod Stewart) 10. Over My Shoulder (Mike and The Mechanics)
A carreira de Mick Jagger fora dos Rolling Stones contou com incursões em estilos como R&B, Reggae e alguns toques mais psicodélicos. Coisas que não necessariamente ficavam de fora do vasto cardápio da banda, mas era mais um complemento ao tradicional Rock and Roll que fez do grupo o maior do mundo naquilo que se propunha. Nesses trabalhos, Jagger contou sempre com a participação de músicos do primeiro escalão em sua banda de apoio, como Jeff Beck, Pete Townshend, Joe Satriani, Jan Hammer, Vernon Reid, Flea, Joe Perry e Herbie Hancock, só para ficar em alguns.
Temos nessa coletãnea um bom resumo do que o pai do Lucas lançou sozinho. Podemos encontrar, entre outros sons de primeira, o rockão “God Gave Me Everything”, parceria com Lenny Kravitz; a belíssima balada “Don’t Tear Me Up”, no melhor estilo stoneano e o dueto com David Bowie na agitada “Dancing in the Street”, perfeita para tocar naquelas festas com amigos que não são muito chegados em um Rock mais pesado. A parceria com Dave Stewart, que foi retomada recentemente no SuperHeavy aparece aqui pela primeira vez, em “Old Habits Die Hard”.
Outro destaque vai para a música "Too Many Cocks (Spoil the Soup)", gravada em 1973 e que permanecia inédita até o lançamento da compilação. Afinal de contas, ela contou com uma mãozinha de John Lennon na produção e participação de Ringo Starr na bateria, em uma das poucas vezes que integrantes dos Beatles participaram de um projeto juntos depois da separação – e ajudando a desmontar o mito de que havia rivalidade entre “os besouros e as pedras”, já que todos sempre foram muito amigos, como Keith Richards não deixa mentir em sua biografia, Life.
Mick pode não ter sido tão relevante fora de seu habitat natural. Mas ainda assim, fez muito material de qualidade. Como o que pode ser conferido aqui. Só não espere ouvir apenas Rock and Roll clássico, pois outros estilos aparecem com bastante freqüência durante o play.
01. God Gave Me Everything (With Lenny Kravitz) 02. Put Me in the Trash 03. Just Another Night 04. Don't Tear Me Up 05. Charmed Life (previously unreleased) 06. Sweet Thing 07. Old Habits Die Hard (With Dave Stewart) 08. Dancing in the Street (With David Bowie) 09. Too Many Cooks (Spoil the Soup) 10. Memo from Turner 11. Lucky in Love 12. Let's Work 13. Joy 14. Don't Call Me Up 15. Checkin' Up on My Baby (With The Red Devils) 16. (You Got to Walk And) Don't Look Back (With Peter Tosh) 17. Evening Grown
Esses suecos já tinham deixado uma boa impressão em seu álbum de estreia, que chamou a atenção de fãs de AOR/Melodic Rock em todo o mundo. A competência técnica e a capacidade de criar passagens marcantes se sobressaiu, fazendo com que o trio se tornasse respeitado na cena. O conceito só aumentou quando Robert Sall, a mente brilhante por trás da empreitada, se juntou a Jeff Scott Soto no W.E.T., projeto que surpreendeu, lançando um espetacular álbum em 2009. E o que já era bom ficou ainda melhor em In Progress, novo trabalho do Work Of Art, apresentando clara evolução em relação ao anterior.
Desde a abertura com “The Rain”, temos um verdadeiro desfile de hits no estilo que a obra se propõe. “Nature Of The Game” apenas atesta o que a anterior oferece, com sua melodia viciante. Já “Never Love Again” conta com todos aqueles clichês que fazem a festa dos admiradores do lado mais festeiro do gênero, pronta para agradar quem gosta de Journey, Survivor e afins. Na mesma linha, a cativante “Eye Of The Storm” poderia facilmente tocar em rádios especializadas de outrora, mesclando um apelo popular com ótimo instrumental. A primeira balada vem a seguir, com a mid-tempo “Until You Believe”, pronta para emocionar corações.
O primeiro single escolhido pela banda é “The Great Fall”. E foi uma decisão acertada, já que a música reúne características que permeiam todo o play. E o refrão é do tipo ‘vamos cantar e pular junto’. Mantendo o nível lá em cima, “Call On Me” traz aquele típico início à capella, que muitos adoram. Aquele lado mais Pop comparece em “Fall Down”, com extremo bom gosto, ressalte-se. Mostrando a linearidade, “Castaway” vem lá no finzinho, mantendo o nível superior, num clima bem Rock and Roll. Fechando os trabalhos, duas versões acústicas de respeito.
In Progress pode não ter o mesmo efeito para quem gosta de peso e riffs ganchudos o tempo inteiro. Mas os apreciadores de boas e pegajosas melodias, além de teclados atuantes, devem conferir sem pensar duas vezes. E o Work Of Art vai se firmando cada vez mais como uma das boas novidades da nova geração do AOR. Candidato a figurar nas listas de melhores do ano de muita gente!
Lars Safsund (vocals) Robert Sall (guitars, bass, keyboards) Herman Furin (drums)
01. The Rain 02. Nature Of The Game 03. Once Again 04. Never Love Again 05. Eye Of The Storm 06. Until You Believe 07. The Great Fall 08. Call On Me 09. Emelie 10. Fall Down 11. Castaway 12. One Step Away 13. Once Again (acoustic) 14. Until You Believe (acoustic)
Para quem ainda não está familiarizado, o Firefest é um evento que acontece anualmente em Nottingham, Inglaterra. Ao contrário dos grandes festivais de verão europeu, sua maior característica é justamente resgatar nomes do underground do Hard Rock/AOR, além de dar uma força à nova geração. Não é raro vermos reuniões especiais para shows exclusivamente no evento. Recentemente, algumas bandas têm lançado suas apresentações em edições limitadíssimas, como foi o caso do Bangalore Choir. Outro nome que tocou ano passado também está disponibilizando a sua participação (com direito a versão em DVD), os escoceses do Strangeways.
Comandados pelo grande Terry Brock, o quinteto mostra que os anos afastados da cena não afetaram a qualidade musical. Tudo flui da melhor maneira possível, com destaque para o guitarrista Ian J. Stewart, que além de encaixar belos riffs e solo ainda produziu o disco, com a mixagem ficando a cargo de Harry Hess, ex-vocalista do Harem Scarem. Não à toa estamos falando do nome que lançou uma das mais importantes peças da história do AOR, o fantástico álbum Walk In The Fire, executado na íntegra na edição 2011 do festival – sim, a recepção foi tão boa que voltaram um ano mais tarde. Mesmo as canções do mais recente trabalho de estúdio, Perfect World, ganham nova força ao vivo.
Mas claro que o povo estava atrás de clássicos. A abertura com “Love Lies Dyin’” já deixava claro que a noite seria em homenagem aos saudosistas de plantão, sedentos pelo mais puro Rock melódico oitentista. Sabendo disso, o grupo despeja antiguidades como “Only A Fool”, “After The Hurt Is Gone”, “Empty Streets” e “Where Do We Go From Here?” com total destreza. Ok, não precisava encerrar com “Bushfire”, tinha opções bem melhores. Mas isso não apaga a qualidade do produto final. Fãs de uma cafonice roqueira das boas não podem deixar passar em branco!
Terry Brock (vocals, guitars) Ian J. Stewart (guitars) Warren Jolly (bass) David "Munch" Moore (keyboards) Jim Drummond (drums)
01. Love Lies Dyin' 02. Breakin' Down The Barriers 03. Perfect World 04. Only A Fool 05. Empty Streets 06. Time / After The Hurt Is Gone 07. Borderlines 08. Where Do We Go From Here? 09. Never Gonna Lose It 10. Bushfire
Apesar de nunca ter alcançado o status de banda gigante, os dinamarqueses do Pretty Maids sempre estiveram aí, lançando álbuns de qualidade indiscutível. E se não foram tão populares quanto outras atrações do gênero, sempre contaram com uma base fiel de fãs, especialmente no Japão, naquilo que conhecemos popularmente como “efeito Mr. Big”. Seu Heavy com influências latentes de Hard – ou o contrário, nunca soubemos exatamente – consegue ser atraente para um número variado de pessoas. As novas gerações acabaram conhecendo o grupo muito pela influência declarada de bandas como o Blind Guardian, cujo vocalista, Hansi Kürsch, é praticamente um “filho vocal” de Ronnie Atkins.
Aliás, é o cantor que aparece na capa desse álbum, junto do guitarrista Ken Hammer, únicos membros originais, há trinta anos carregando a bandeira. Gravado em Copenhagen, Screamin’ Live é o primeiro ao vivo da história do conjunto. Com a galera cantando junto a plenos pulmões, a banda executa um desfile de clássicos, mesclados a faixas do então novo trabalho, Scream. Nesse play, o grupo surpreendia, com uma sonoridade bem mais pesada que os antecessores recentes, característica marcante em belos sons, como a faixa-título, “Rise” e “Psycho-Time-Bomb-Planet-Earth”, que abre a apresentação já dando uma dica do que viria pela frente.
Mas o bicho pega para valer nos bons e velhos clássicos, como “Rock The House”, a climática “Yellow Rain” e a sequência final, com os hinos “Lovegames”, “Future World”, a pancada certeira de “Back To Back” e “Red, Hot and Heavy”, cantada por toda a platéia. Os baladeiros de plantão acendem isqueiros na espetacular “Savage Heart” e na versão para “Please Don’t Leave Me”, composição de John Syles e Phil Lynott. Durante todo o repertório, os músicos mostram total desenvoltura e entrosamento, sem perder a espontaniedade e a capacidade de criar melodias indefectíveis.
Passados dezesseis anos, o Pretty Maids segue na ativa. E o melhor, ainda lançando discos de altíssima qualidade, como o mais recente, Pandemonium, um dos melhores de 2010. Não à toa, é considerada por muita gente (incluindo este que vos escreve) uma das bandas mais injustiçadas de todos os tempos. Toda a discografia é indispensável na coleção dos adoradores dos bons sons. Um bom começo está aqui. Download recomendado!
Ronnie Atkins (vocals) Ken Hammer (guitars) Kenn Jackson (bass) Michael Fast (drums)
Special Guest Dominic Gale (keyboards)
01. Psycho-Time-Bomb-Planet-Earth 02. Rock The House 03. Rise 04. Walk Away 05. Scream 06. Yellow Rain 07. Sin-Decade 08. Savage Heart 09. No Messiah 10. Please Don't Leave Me 11. Lovegames 12. Future World 13. Back To Back 14. Red Hot And Heavy
Em 2004, aproveitando que o Hammerfall tirou umas férias, o vocalista do grupo, Joacim Cans decidiu lançar esse disco solo. Para o projeto, cercou-se de amigos do mais alto gabarito, como Mat Sinner (Primal Fear, Sinner), Metal Mike Chlasciak (Halford, Pandemonium, Sebastian Bach) e Mark Zonder (Fates Warning), além da participação de Jeff Waters (Annihilator), Gus G e David Chastain, ajudando a compor e gravar um álbum que surpreende pela diversidade. Temos aqui desde sons voltados para o Power Metal, passando por músicas cadenciadas e até mesmo flertes com o Hard Rock. Tudo muito bem pontuado por uma execução de categoria.
Destaques para a abertura com “Fields of Yesterday” e seus teclados muito bem colocados; “Red Light”, primeiro single, com um refrão que não sai da cabeça; a pesada e certeira “Back to Hell”; a climática faixa-título, com seu começo acústico que desemboca em uma levada eletrizante e “Dreams”, que é Hard puro, chegando a lembrar até mesmo bandas americanas. Tem até espaço para “Forever Ends”, uma baladinha muito bem feita – característica já presente na banda principal de Joacim – que encerra o álbum dando uma amaciada no clima. Aliás, ela é a única que não contou com o cantor na autoria, ficando a cargo de Jeff Waters.
Um play direto, simples e sem nenhuma mirabolância, apenas Heavy Metal feito com garra e alma. E apesar de Cans não ser um cantor que tenha se destacado por uma técnica fantástica, ele dá conta do recado com sobras. Vale a conferida, especialmente agora que o Hammerfall vem enterrando sua carreira com discos cada vez mais ridículos, frouxos e preguiçosos. Ao menos podemos lembrar o quanto seus integrantes possuem capacidade de fazer algo bem melhor.
Joacim Cans (vocals) Metal Mike Chlasiak (guitars) Stefan Elmgren (guitars) Mat Sinner (bass) Mark Zonder (drums) Daniele Soravia (keyboards)
01. Fields of Yesterday 02. Soul Collector 03. Red Light 04. Back to Hell 05. Beyond the Gates 06. The Key 07. Garden of Evil 08. Merciless 09. Silent Cries 10. Dreams 11. Signs 12. Forever Ends
Com o sucesso do álbum Dragonlord (Tales of the Noble Steel), os italianos do Domine viram-se com a responsabilidade de conseguir fazer um disco, no mínimo, tão bom para dar seqüência ao bom momento que viviam, sendo capa de revistas e excursionando pela Europa e Japão. Sendo assim, a solução encontrada pelo quinteto foi ousar. Lógico que as características primordiais do Power Metal praticado até então foram mantidas. Porém, para o novo trabalho, os músicos decidiram trabalhar mais nas composições, o que gerou um play bem mais complexo, com canções mais longas e detalhistas. O grande mérito foi ter conseguido isso sem afetar o poder de fogo das músicas.
Após uma intro típica das bandas do estilo, “The Hurricane Master” chega como manda o figurino. Veloz, com uma melodia marcante e um refrão fácil de decorar, do jeito que os fãs gostam. O grupo até mesmo se deu o direito de gravar uma adaptação para a Cavalgada das Valquírias, de Richard Wagner. “The Ride of the Valkyries” funcionou perfeitamente, fazendo com que os troos empunhem suas espadas de plástico e subam em seus cavalinhos de madeira para seguirem em uma gloriosa batalha. Na seqüência, “True Leader of Men”, mais uma com aqueles momentos de velocidade marcante, acompanhado por arranjos orquestrados.
Para mostrar que não deixam a peteca cair, os italianos reservaram três fantásticos momentos para o fim. “The Fall of the Spiral Tower” é aquele tipo de música que cresce a cada escutada, com uma ponte simplesmente fantástica antes do refrão. No momento mais emotivo do álbum, “For Evermore” é uma singela e sincera homenagem ao Queen, de quem todos os integrantes do Domine são fãs incondicionais. A longa “Dawn of a New Day” encerra o disco com uma letra que simboliza a despedida de um guerreiro morto em um campo de batalha. Pode soar previsível, mas o que eles fizeram nesse som supera todas as obviedades.
Ao contrário de vários atuantes nesse estilo, o grupo liderado por Morby não exagera nas influências clássicas, usando-as a seu favor com sabedoria. Aqui, o peso está sempre em primeiro plano. Não é à toa que essa é uma das bandas mais respeitadas na cena do Velho Continente.
01. The Legend of the Power Supreme 02. The Hurricane Master 03. Horn of Fate 04. The Ride of the Valkyries 05. True Leader of Men 06. The Bearer of the Black Sword 07. The Fall of the Spiral Tower 08. For Evermore 09. Dawn of a New Day
Poucas bandas do Thrash oitentista conseguiram envelhecer e retomar a mesma dignidade de outrora como os alemães do Destruction. Com a dupla Schmier e Mike sempre à frente, o grupo reergueu seu nome com um sequência de álbuns fulminantes, além da conhecida disposição de fazer um dos maiores arregaços já conhecidos em cima de um palco. E para provar isso, temos esse CD, que veio como bônus no DVD Live Discharge e registra a apresentação da banda no Wacken Open Air, de 2002. Alguns problemas aconteceram na filmagem do show, mas o áudio ficou intacto, possibilitando ser oferecido aos fãs.
Temos aqui não apenas os clássicos imortais de outrora, mas também músicas dos então recentes All Hell Breaks Loose e The Antichrist, discos que marcaram a volta do trio à ativa. Como resultado dessa mistura, podemos notar que o pique não foi perdido com o passar dos anos. Schmier segue vociferando como nos bons tempos e sefurando as bases para Mike, ainda um dos maiores riffeiros da história do Thrash. O baterista da época, Sven Voorman – já substituído há um bom tempo, completa a formação espancando seu kit sem dó nem piedade, como manda o figurino.
Junto a hinos de várias gerações, como “Curse The Gods”, que abre o show, temos uma série de novos clássicos. O maior destaque sempre será “Nailed To The Cross”, simplesmente uma das melhores músicas dos últimos anos. Mas podemos citar as empolgantes “Bullets From Hell”, “Thrash Till Death” (quer nome mais apropriado?) e o retorno do açougueiro em “The Butcher Strikes Back”, sabiamente emendada a “Mad Butcher”, recentemente tocada por Schmier com o Korzus no Punk Metal All-Stars, que abalou as estruturas do Rock In Rio.
Nem mesmo a tentativa desastrosa de começar “Bestial Invasion” por duas vezes tira o brilho do play. Ao contrário, chega a ser tragicômico ouvir o grupo tendo que lidar com os problemas de som abertamente. Atitude bacana deixar isso registrado, mostrando que os percalços enfrentados aquele dia foram enormes. Mesmo assim, na raça, com cara e coragem, o Destruction mostrou mais uma vez porque é uma das atrações indispensáveis do gênero. Para ouvir no último volume e bangear sem parar!
Schmier (vocals, bass) Mike Sifringer (guitars) Sven Voorman (drums)
01. Intro/Curse The Gods 02. Nailed To The Cross 03. Eternal Ban 04. Machinery Of Lies 05. Bullets From Hell 06. Tears Of Blood 07. Life Without Sense 08. Thrash Till Death 09. Mad Butcher 10. The Butcher Strikes Back 11. Intro/Total Desaster 12. Invincible Force 13. Bestial Invasion
Antes de qualquer coisa, espero que o pessoal tenha conseguido parar de admirar a capa para ler o texto. E os escandinavos continuam nos proporcionado Melodic Rock/AOR da mais alta qualidade. Os finlandeses do Firenote não fogem à regra da safra atual, fazendo um som que tem tudo para agradar os apreciadores de bandas mais recentes, tendo na linha de frente nomes como Brother Firetribe, H.E.A.T e The Poodles. As músicas são simples, diretas (nenhuma chega a cinco minutos), com melodias certeiras e bom desempenho instrumental de todo o grupo, além do vocalista Ricky, que lembra muito Tony Harnell, ex-TNT, em várias passagens.
Destaques para a ótima levada de “Sara La Fountain”, a acelerada “Speed Freak” (com um nome desses também...), a balada “My Love Will Never Die” – que inicia uma sequência de três faixas com amor no título, praticamente matando David Coverdale de inveja (risos) – e a ótima “Heartbreaker”, a melhor de todas em minha opinião. O encerramento com “She Stole My Speedos” traz um refrão que vai grudar instantaneamente na sua cabeça para nunca mais sair. Mas, de um modo geral, todas as faixas vão satisfazer os fãs do bom e velho Hard Rock que prioriza as melodias matadoras.
Adeptos do Scandi-AOR irão se deliciar. O Firenote não lançou mais nada desde então, apesar de ter continuado fazendo shows, com direito a apresentações em alguns dos grandes festivais de verão da Europa. Mas novidades são aguardadas e que sigam esse caminho em possíveis futuros lançamentos, pois qualidades já mostraram possuir nesse disco. Vale a pena conferir, diversão garantida! E a cena dos Vikings Hard Rockers segue firme e forte.
Ricky (vocals) Isko (guitar) Gene (bass) Hammond (keyboards) Mike (drums)
01. Firenote 02. Danger 03. Sara La Fountain 04. Speed Freak 05. My Love Will Never Die 06. Don't Ever Fall In Love 07. Love Me Or Let Me Live 08. Mayday 09. Suddenly 10. Heartbreaker 11. She Stole My Speedos
E lá vem o brilhante Richie Kotzen com mais um exemplar de sua musicalidade diferenciada. Aliás, está cada vez mais difícil encaixá-lo em um segmento específico. O que é algo muito positivo, já que sua genialidade não poderia mesmo ficar presa a um gênero. 24 Hours não se diferencia muito de seu trabalho anterior, Peace Sign. Talvez esteja um pouco mais focado na parte suingada de sua formação. Mas quem gostou de um, automaticamente gosta do outro sem a menor dificuldade. Todos aqueles elementos que caracterizam a carreira solo de Kotzen estão presentes, com sua capacidade ímpar de compor temas que, ao mesmo tempo, são acessíveis e evidenciam uma técnica muito acima da média comum.
Desde o início, com a empolgante faixa-título, fica clara a proposta de fazer um Hard Rock com forte influência da música negra norte-americana e uma pegada fulminante. Importante lembrar que, mais uma vez, Richie tocou todos os instrumentos e produziu o álbum em seu próprio estúdio, o Headroom Inc. Participações especiais, como de sua filha August e Jerry Cantrell apenas abrilhantam ainda mais o play. Outros destaques vão para a empolgante “OMG (What’s Your Name?)” e a magnífica “Love Is Blind”, um dos melhores momentos de toda sua carreira. E o que dizer de “Stop Me”, Rockão clássico com um tempero Pop delicioso? Sonzeira, com cara de hit.
Agora, se tem um ponto em que Kotzen jamais decepciona, é nas músicas mais intimistas. Poucos sabem fazer baladas com a mesma competência e emoção. Sabendo disso, ele guardou uma trinca para a saideira. “I Don’t Know Why” é daquelas que enchem os olhos de lágrimas, trazendo uma aula de feeling e bom gosto. E quando junta piano e guitarra de forma magistral em “Tell Me That It’s Easy”, é nocaute certo nos corações apaixonados. Para encerrar, “Twist Of Fate”, com seu arranjo acústico e uma performance vocal de fazer o ouvinte respirar fundo.
24 Hours é mais um disco de Richie Kotzen que, nem de perto, alcançará as vendas que mereceria. Mas confirma, mais uma vez, o talento diferenciado de um artista em sua mais pura definição. Obrigatório na coleção de qualquer amante da boa música.
01. 24 Hours 02. Help Me 03. OMG (What’s Your Name?) 04. Get It On 05. Love Is Blind 06. Stop Me 07. Bad Situation 08. I Don’t Know Why 09. Tell Me That It’s Easy 10. Twist Of Fate