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quarta-feira, 13 de abril de 2011

The Mars Volta - De-Loused In The Comatorium [2003]


Quem ouve The Mars Volta pela primeira vez se vê, inevitavelmente, diante da seguinte questão: para compor canções como essas, os músicos deveriam estar derretendo em drogas. Mas como músicos derretendo em drogas poderiam produzir e executar peças tão complexas e de técnica tão refinada? Tente entender por si mesmo e prepare-se para se surpreender.

O TMV é um projeto do guitarrista Omar Rodríguez-López e do vocalista Credric Bixler-Zavala. A banda se formou nos EUA em 2001, depois de idas e vindas de outros dois grupos dos músicos citados. Em 2003, lançou seu debut, amplamente aclamado pela crítica e responsável pela criação de um público relativamente grande para os outros 4 lançamentos.

O som do The Mars Volta é uma mistura de influências diversas. À primeira audição, o que destoa é o rock progressivo, mas aqui você vai encontrar rock psicodélico, muito jazz fusion e música experimental, krautrock - uma vertente alemã do progressivo setentista -, hardcore e até música latino-americana. O resultado é uma sonoridade bastante original, que se enquadra em gêneros como rock experimental e art-rock.



Mas definições técnicas são muito limitantes ao grupo texano. O que posso dizer é que se trata de música experimental com gosto pela dissonância, onde passagens caóticas frequentemente dão lugar a belíssimas melodias em quebradas que fogem do ortodoxo. A banda é afiadíssima, com um baixo pulsante e uma bateria frenética que em muitos momentos é substituída por bem postadas percussões latinas. Efeitos sonoros e sintetizadores aparecem na hora certa, sem muitos exageros. Omar Rodríguez-López se mostra uma revelação das seis cordas, fazendo uso de riffs e dedilhados de criatividade invejável para conduzir todo o som. Os vocais agudos de Cedric Bixler-Zavala são um show à parte, com a voz de timbre distinto atingindo tons inacreditáveis para um homem. As apresentações ao vivo são de uma intensidade rara nos dias de hoje, com grandes tendências para tudo terminar em jam.

De-Loused In The Comatorium, como é costume para o TMV, é um disco conceitual. Sua lírica trata da narração em primeira pessoa da história de Cerpin Taxt, um homem que, após tentar suicidar-se por overdose, permanece em coma por uma semana. Nesse período, se vê em meio a revelações sobre a humanidade e a própria psique. Ao acordar, frustrado com o mundo real, suicida-se efetivamente. A sinistra história é baseada na morte de Julio Venegas, artista amigo de Credic Bixler-Zavala que passou por acontecimentos parecidos.

O álbum traz as características sonoras já citadas, combinadas com a lírica sombria para gerar um clima enigmático, viajante e carregadíssimo no sentido emocional. Aliás, é um disco praticamente feito de emoções, que passa por momentos de frenesi obscuro seguidos de profunda tranquilidade reflexiva.

Como consta na maioria dos encartes da banda, o The Mars Volta é constituído de Omar Rodríguez-López e Credic Bixler-Zavala. As faixas são executadas pelo The Mars Volta Group. Enfim, este tem, no De-Loused, ninguém menos que Flea assumindo o baixo, assim como John Frusciante faz uma participação em uma das faixas (a turnê que seguiu o De-loused foi de abertura para o Red Hot Chili Peppers). Os destaques ficam para as sombrias "Inertiatic ESP" e "This Apparatus Must Be Unearthed", para as belas "Roulette Dares (The Haunt Of)" e "Eriatarka", a space/prog "Cicatriz ESP" e as duas últimas e melhores faixas: a lindíssima "Televators" e a caótica "Take The Veil Cerpin Taxt", que tem uma incrível passagem instrumental. E acredite, refiz essa lista de destaques algumas vezes até conseguir não incluir o play todo.



Um mês depois do lançamento do disco, o manipulador de som e participante nas composições, Jeremy Michael Ward, morreu de overdose. Isso fez com que os membros da banda abandonassem o uso de opióides. Algo que influenciou o som dali para frente, que deu mais alguns passos em direção à psicodelia e ao fusion - sem heroína começaram a tomar mais LSD [risos]. O grupo tem 5 discos lançados, com a previsão de um para 2011. Em 2010, fizeram sua única passagem pelo Brasil no SWU, com um show simplista, mas excelente, focado nas músicas mais pesadas.

O The Mars Volta é, muito mais do que um bando de doidões fritando em drogas das quais nunca ouvimos falar, uma banda de criatividade distinta e rara sensibilidade. Pessoalmente, afirmo que, uma vez assimilado, é som que dificilmente passa em branco para quem ouve. Não cometa o erro de não conferir.

01. Son Et Lumiere
02. Inertiatic ESP
03. Roulette Dares (The Haunt Of)
04. Tira Me a las Arañas
05. Drunkship of Lanterns
06. Eriatarka
07. Cicatriz ESP
08. This Apparatus Must Be Unearth
09. Televators
10. Take The Veil Cerpin Taxt

Cedric Bixler-Zavala – vocais
Omar Rodríguez-López – guitarra
Jon Theodore – bateria
Jeremy Michael Ward – sintetizador, manipulação de som
Isaiah Ikey Owens – teclados
Flea – baixo

Lenny Castro – percussão
John Frusciante – guitarra e sintetizador em 07
Justin Meldal-Johnsen – baixo acústico em 09


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sábado, 19 de março de 2011

Eric Clapton - Clapton [2010]


Ninguém aqui precisa mais de explicações quando se trata de Eric Clapton. Qualquer pessoa minimamente informada e possuidora de um gosto musical, digamos, aprimorado, sabe que o guitarrista inglês é um mito. Influente como poucos, o slow hand, em si, é parte destacável do grupo de gênios da música que o Reino Unido ofereceu ao mundo. Como foi imortalizado na fotografia histórica: "Clapton is God".

Assim, depois de consolidado como lenda viva, vencedor de séries de prêmios importantes e aclamado por público e crítica em (quase) todos os trabalhos de sua carreira, é de se esperar que o lendário guitarrista encerrasse sua discografia com a mais alta classe. E quase 60 anos depois de sua iniciação como músico profissional, vem, com nome e capa discretos, esse encerramento.

Mesmo que se releve o rock psicodélico do Cream ou a orientação pop de alguns de seus hits acústicos, Eric Clapton é um blues-man. Sempre foi. Suas influências musicais datam principalmente da primeira metade do século XX. O jazz de Nova Orleans, a folk music EUA adentro, o blues do Mississipi e de Chicago. E, já na terceira idade, o guitarrista se volta para a música de sua juventude. Se eu só pudesse usar uma palavra para descrever Clapton, seria "raízes".

Da esquerda para a direita: Walt Richmond, Willie Weeks, JJ Cale, Eric Clapton, engenheiro de som Justin Stanley, Doyle Bramhall II, e Abe Laboriel Jr. Ocean Way Studios, onde Clapton gravou Clapton.

E é dessa volta às raízes em pleno 2010 que sai um dos melhores (e com certeza o mais maduro) trabalhos do slow-hand. O disco é uma combinação de principalmente blues e jazz, com pontas de folk, com todos andando de mãos dadas, se alternando e misturando para gerar uma sensação vintage indescritível, potencializada pelo detalhe das gravações todas em analógico. Reunindo parceiros de longa data, como Steve Winwood e JJ Cale, ou mais novos, como Doyle Bramhall II e Derek Trucks, entre muitos outros músicos, Eric Clapton gravou canções que considerava "fora do mapa" e que mereciam voltar, entre elas clássicos e algumas poucas composições de músicos mais jovens.

O álbum, que marca a volta das Gibson às slow hands do guitarrista, é diferente de tudo que ele já gravou. E até certo ponto é difícil explicar esse fato. Para qualquer fã do músico o play soa emocionante, mas o feeling geral é o da nostalgia. A qualquer um é perceptível que o registro é reflexo de algo muito humano e comum: um homem de idade avançada dando seu último adeus à própria juventude, prestando uma homenagem a tudo que ela representa. Mas não entenda isso como "um velho sendo antiquado e terminando a carreira". Eric Clapton está afiadíssimo no play, tanto nos vocais quanto empunhando o famigerado instrumento de 6 cordas. Está tudo ali: a voz grave rasgando na hora certa, os lendários solos em pentatônica.

Portanto, em meio a essa abertura espontânea do sentimentos de um ídolo, nunca tabelaria esse disco fazendo destaques ou descrevendo detalhes técnicos do som. O que posso dizer é que a sonoridade caminha por um lado mais intimista e singelo dos gêneros que a compõem.

Sem me aprofundar, deixo que o prazer de conhecer esse disco venha por conta própria para você, passageiro da Combe. Não perca a oportunidade de ouvir esse disco, simplesmente essencial a admiradores do grande Eric Clapton, slow-hand, God, e por aí vai...

01. Traveling Alone (Lil' Son Jackson)
02. Rocking Chair (Hoagy Carmichael)
03. River Runs Deep (JJ Cale)
04. Judgement Day (Snooky Pryor)
05. How Deep Is The Ocean (Irving Berlin)
06. Milkman (Johnny Burke, Harold Spina)
07. Crazy About You Baby (Walter Jacobs)
08. That’s No Way To Get Along (Robert Wilkins)
09. Everything Will Be Alright (JJ Cale)
10. Diamonds (Doyle Bramhall II, Nikka Costa, Justin Stanley)
11. When Somebody Thinks You’re Wonderful (Harry M. Woods)
12. Hard Times (Lane Hardin)
13. Rolling And Tumbling (Bramhall, Eric Clapton)
14. Autum Leaves (Joseph Kosma, Johnny Mercer, Jacques Prévert)

Eric Clapton – vocais, guitarra, mandolin
Steve Winwood - guitarra, vocais, hammond
Doyle Bramhall II – guitarra, percussão, vocais
JJ Cale – guitarra, vocais
Jim Keltner – bateria, percussão
Willie Weeks – baixo
Walt Richmond – piano, teclados, hammond, piano elétrico
Derek Trucks – guitarra
Paul Carrack – hammond
Sereca Henderson – orgão
London Session Orchestra – cordas
Allen Toussaint – piano
Wynton Marsalis – trumpete
Kim Wilson – gaita
Sheryl Crow – vocais
Nikka Costa – vocais de apoio
Terry Evans – vocais de apoio
Willie Green, Jr. – vocais de apoio
Lynn Mabry – vocais de apoio
Arnold McCuller – vocais de apoio
Debra Parsons – vocais de apoio

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Um agradecimento ao Capilar, amigo de longa data e o maior fã de um artista que eu já conheci.


quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Doug Aldrich - Electrovision [1997]


Todo visitante da Combe está familiarizado com o potencial de Doug Aldrich. O guitarrista, que já tocou em bandas do porte de Hurricane, Lion, House of Lords, Bad Moon Rising e Dio, é o atual queridinho de David Coverdale no Whitesnake, tendo sido responsável, ao lado de Reb Beach, pelas guitarras do famigerado Good to Be Bad e do Forevermore, álbum que deve ser lançado no primeiro semestre de 2011.

Quase uma década depois do fim trágico do Lion, Aldrich ocupava seu tempo no Bad Moon Rising, com o também ex-lion Kal Swan. Em 94, já havia lançado seu primeiro álbum como artista solo, o Highcentered. Em 97 gravou o disco que trago nessa postagem, o Electrovision.

Para a equipe, músicos conhecidos da cena hard dos EUA: Matt Kramer (Saigon Kick), Kal Swan (Lion, Bad Moon Rising) e Ron Young (Little Caesar, Manic Eden) para os vocais, Rob Harrington (David Mead, Richie Kotzen) para o baixo, Chris Frazier (Steve Vai, Edgar Winter e uma curta passagem no Whitesnake) para a bateria, Dizzy Reed (Guns N' Roses) para os teclados e Richard Dodd (músico de diversos programas de televisão norte-americanos) para o violoncelo em algumas faixas.

E esse time poderoso serve para acompanhar Doug Aldrich em sua demonstração interminável de habilidade e pegada. Dotado de um estilo poderoso que combina influência vintage e virtuosismo, o músico ensina como fazer um disco de guitarrista que não seja maçante. Três faixas com vocais estão espalhadas no set: "Trash 'n' Fascination", "Her Kingdom" e "Sky Blue and Black" são alguns dos melhores momentos. Mas as faixas instrumentais são inacreditáveis, passando por momentos de empolgação hard, como em "Super Fly Sumo", "Midnight Sun" e "Three Minutes", ecos jazz em "Flav O Fraz", pegada blues em "Wes Coast" e até música clássica em "Goodbye Kat Gun".



Electrovision, como costuma acontecer com discos de tendência instrumental, acabou sendo uma pérola underground da carreira de Doug Aldrich. De qualquer forma, é um play sensacional, imperdível para quem adimira esse guitarrista mais do que fantástico, ou mesmo quem gosta de ouvir o famoso instrumento de seis cordas tocado com maestria.

01. Super Fly Sumo
02. Trash 'n' Fascination
03. Midnight Sun
04. Flav O Frazz
05. Plazma
06. Her Kingdom
07. Three Minutes
08. Wes Coast
09. Mind Punk
10. Sky Blue and Black
11. Goodbye Kat Gun

Doug Aldrich - guitarras
Matt Kramer - vocais
Kal Swan - vocais
Ron Young - vocais
Rob Harrington - baixo
Chris Frazier - bateria, percussão
Dizzy Reed - teclados
Richard Dodd - violoncelo

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terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Hellbenders - Demo [2007], EP [2009] e Single [2010]


Continuando a série de bandas nacionais underground, uma das mais novas e surpreendentes do meio: o Hellbenders. Formada em 2007 na famigerada Goiânia Rock City, a banda desponta com um som pesado, cru e espontâneo.

Apesar de o principal destaque do grupo na mídia Brasil afora trata da idade dos integrantes, que não chegam a ter 20 anos, não vou me prender a isso. O som em si é jovem, mas de maneira alguma amador. A influência mais clara é o stoner delinquente do Fu Manchu, mas gêneros vintages como o blues e o country, as bandas mais antigas da região e outros grandes grupos como Hellacopters e Motörhead marcam presença na sonoridade. De qualquer forma, é um stoner enérgico e pesado, com vocais rasgados, instrumental bem feito, riffs criativos e refrães melódicos.

Formado por colegiais goianos, o Hellbenders logo entrou no circuito do Goiânia Noise e lançou sua primeira demo ainda em 2007. Depois disso, um EP foi lançado em 2009, exibindo enorme amadurecimento em um play muito bem produzido. No ano passado, o single Smashin' Cars, Chasin' Stars mostrou a verdadeira força da banda. Nesse post, você encontrará todos esses lançamentos em arquivo único.




Aqui está mais um destaque dos buracos do rock nacional. Vale a conferida. E Lembre-se de prestigiar a banda se gostar!

Demo [2007]
01. Not So Sad Blues
02. Bitches Love Too

EP [2009]
01. Hurricane
02. Escape Song
03. Whorehouse Murder

Smashin' Cars, Chasin' Stars [2010]
01. Outburst
02. Smashin' Cars, Chasin' Stars

Diogo Fleury - guitarra, vocais
Braz Torres - guitarra, vocais
Vitor Noah - baixo
Rodrigo Lopes - bateria

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quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Mini Mansions - Mini Mansions [2010]


O Mini Mansions nasceu em 2009, depois que Michael Shuman, baixista do Queens of the Stone Age, viu a banda fazer uma pausa depois do lançamento do álbum Era Vulgaris. Formado como um trio com Zach Dawes e Tyler Parkford (que se revezam com Shuman em todos os instrumentos), o grupo tem uma proposta bastante interessante: rock psicodélico sessentista à lá Beatles no Sgt. Peppers, mas voltado para uma sonoridade mais caótica e viajante.

Mas é difícil descrever a sacada da banda. Envolto em uma pegada mais contemporânea, o som é extremamente bem elaborado. Arranjos incríveis conduzidos por um piano/teclado que beira a perfeição fazem um instrumental invejável. Os vocais são um show à parte, formando duetos fantásticos. E a grande característica é a estrutura das músicas, que, em sua maioria, começam como empolgantes melodias power-pop (gênero sessentista que inclui Beatles, The Who e Beach Boys), mas tornam-se peças sinuosas e psicodélicas, seguindo sempre o acorde mais dark side, a nota menos esperada.

Mini Mansions é o debut da banda, foi lançado pela Rekords Rekords de Josh Homme e figura, para mim, entre os melhores discos de 2010. Destaque para as insanas "The Room Outside" e "Kiddie Hypnogogia", as divertidas "Monk" e "Crime of the Season" (que parecem se completar), a ótima composição "Seven Sons" e a insana "Vignette", decomposta em três partes espalhadas pelo álbum. Nesse post, como bônus da Combe, a música vem também em faixa única no fim do play.



Nessa linha de grupos mais novos revivendo gêneros antigos, o Mini Mansions é destaque. O trio dá mostras contínuas de conhecimento musical e habilidade de harmonização em composições que vão do singelo ao caótico em segundos. Vale a pena conferir.

01. Vignette #1
02. The Room Outside
03. Crime Of the Season
04. Monk
05. Wûnderbars
06. Seven Sons
07. Vignette #2
08. Kiddie Hypnogogia
09. Majik Marker
10. Girls
11. Vignette #3
12. Thriller Escapade
13. Vignette (bônus, completa)

Michael Shuman - guitarra, teclados, bateria, vocais
Zach Dawes - baixo, teclados, vocais
Tyler Parkford - guitarra, teclados, vocais

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(agora no Mediafire)

sábado, 29 de janeiro de 2011

The Hellacopters - Supershitty to the Max! [1996]


A Suécia sempre foi país de origem de grandes bandas, principalmente de hard rock. O Hellacopters faz jus à regra: é um dos melhores e mais distintos grupos surgidos nos anos 90.

Formado em 1994 como projeto paralelo de Nickie Andersson e Dregen Svensson, membros, respectivamente, das bandas Entombed (uma das pioneiras do Death 'n' Roll) e Backyard Babies, o Hellacopters faz um rock 'n' roll cru, bêbado e insano. Andamentos rápidos, guitarras sujas, timbres vintages, vocais despreocupados e principalmente uma poderosa energia é o que caracteriza o som, que é claramente inspirado na (e produzido no meio da) putaria. As influências são claras: hard setentista, rock garageiro da década de 60 (principalmente o MC5) e, em alguns momentos, stoner (como fica claro na "Tab" deste disco). Os caras ainda são considerados headliners do garage rock revival. No fim das contas, é um hard rápido, sujo e sem frescuras.

Supershitty to the Max!, lançado em 96, foi um sucesso de público e crítica na Suécia, emplacando até um Grammy no país. Mundo afora, o disco gravado em pouco mais de 24 horas consagrou o Hellacopters como uma banda bastante influente. Ganhou espaço até para abrir para o Kiss em sua passagem pela Escandinávia em junho de 97.



Passei algum tempo tentando fazer destaques, mas isso é impossível nesse disco. O debut da banda sueca é incrível do começo ao fim, mantendo a qualidade elevada durante 40 minutos do mais insano e inconsequente rock 'n' roll.

Depois de Supershitty to the Max!, o Hellacopters lançou mais um álbum com a formação original, até que Dregen saiu para continuar em tempo integral no Backyard Babies. Nos lançamentos seguintes, a banda "limpou" seu som, que passou a ser menos instantâneo e mais bem trabalhado, mas mantendo a essência rocker. Em 2003, dividiu palcos brasileiros com Sepultura e Deep Purple no festival Kaiser Music. Em 2008, o grupo anunciou o fim de suas atividades. Mas seus 14 anos de existência foram suficientes para provar que o Hellacopters é uma das melhores bandas surgidas nos anos 90. Não deixe de conferir!

01. (Gotta Get Some Action) NOW!
02. 24h Hell
03. Fire, Fire, Fire
04. Born Broke
05. Bore Me
06. Its Too Late
07. Tab
08. How Could I Care
09. Didn't Stop Us
10. Random Riot
11. Fake Baby
12. Ain't No Time
13. Such A Blast
14. Spook In My Rocket

Nicke Andersson - guitarra, vocais
Andreas "Dregen" Svensson - guitarra, vocais em 08
Kenny Hakansson - baixo, vocais de apoio
Matz Robert Eriksson - bateria, vocais em 12

Músicos adicionais:
Peder Criss - gaita
Hans Ostlund - guitarra em 11
Nick Vahlberg - vocais em 07

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Impossível encontrar fotos do grupo como quarteto (antes da entrada do tecladista Anders Lindström em 1997)

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

MQN - Bad Ass Rock And Roll [2004]


Seguindo na onda das grande bandas do underground brasileiro, aqui está uma das maiores: o MQN. Surgida no que daqui pra frente chamaremos de Goiânia Rock City, no ano de 1997, o grupo conquistou seu espaço com um rock 'n' roll bêbado, cru e inconsequente.

Nos anos 2000, o MQN, que já era uma referência local, passou a percorrer os principais festivais independentes do país, se tornando uma força alternativa nacional. Fez três turnês internacionais, duas pelos EUA e uma pela Argentina. Já dividiram palco com gente como Mudhoney, Deep Purple, Nebula, Sepultura, Sérgio Dias e Buzzcocks, entre outros. O vocalista Fabrício Nobre é um dos responsáveis pela Monstro Discos, importante gravadora independente que trabalha com vários grupos underground.

O som do MQN é bastante característico: instrumental pesado e vocais rasgados para formar um hard rock ligado às grandes bandas da década de 70 (principalmente o AC/DC), mas seco, enérgico e garageiro. A influência stoner é latente, principalmente na vertente mais insana e pioneira do gênero, como é o caso do Fu Manchu. As bandas de proto-punk e garage rock dos anos 60, como MC5, também marcam a sonoridade do MQN. Aqui, nesse Badass Rock And Roll, o hard é bem mais explorado. A temática só se volta a coisas como bebida e putaria. Como diz a banda: "Listen loud and have a beer".



Destaques para "Come Into This Place Called Hell", "Got This Thing On The Move", "Let It Rock", "Hard Times" e "My Baby Sold Her Heart To The Devil".

Enfim, MQN é uma espécie de mito do underground brasileiro. Rock 'n' Roll espontâneo, direto. Não esqueça de prestigiar a banda se curtir, e continuem sugerindo novos grupos.

01. Come Into This Place Called Hell
02. Let It Rock
03. Cold Queen
04. Heart Of Stone
05. Hard Times
06. Hot 'N' Nasty
07. My Baby Sold Her Heart To The Devil
08. Money's So Good
09. Got This Thing On The Move
10. Red Pills

Fabrício Nobre - vocais
CJ - guitarra
Gustavo Vazquez - baixo
Miranda - bateria


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Jp


quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Black Drawing Chalks - Life Is A Big Holiday For Us [2009]


Acha que o rock brasileiro está no lixo? Cansado de bandas emolóides dominando a cena e se considerando o futuro dela? De saco cheio de fresnos, los hermanos, glórias e outras porcarias do tipo? Não se conforma com esses garotinhos criados a leite moça se classificando como hardcore, rock 'n' roll, ou ainda gêneros bizarros como "happy rock" ou "rock caveira"?

Calma, a coisa não está tão feia assim. O rock brasileiro vive um ótimo momento. Você só precisa cavar alguns palmos abaixo do mainstreen e voilá, encontrará incontáveis bandas de qualidade. Na era da internet, os pequenos grupos tem canais de divulgação muito mais eficientes e democráticos que antigamente, livres do monopólio mercenário dos grandes meios de comunicação. Assim, como seria inconcebível há 15 anos, qualquer internauta tem acesso ao rock 'n' roll digno criado em todo o Brasil. Portanto, puxo aqui na Combe uma série de postagens para te ajudar a encontrar bandas que, longe dos grandes holofotes, chutam bundas do Oiapoque ao Chuí. Convido os outros motoristas, que já faziam isso há algum tempo, a postar e os passageiros a dar sugestões, para juntos criarmos um index de download das pequenas grandes bandas nacionais.

E no meu primeiro post nessa linha, trago uma das bandas mais interessantes e relativamente famosas desse meio. O Black Drawing Chalks é oriundo de Goiânia, a cidade mais efervescente do underground brasileiro. Lá apareceram muitos ótimos grupos, em uma cena fortalecida pelo Goiânia Noise Festival, que tem mais de 15 anos de existência e hoje conta com grandes patrocínios e atrações cada vez mais importantes. O BDC foi formado em 2005 por jovens envolvidos no meio da arte gráfica (o nome vem de uma marca alemã de carvões para desenho). Em 2007 lançaram seu primeiro álbum, Big Deal, pela Monstro Discos. O debut teve boa repercussão e no ano seguinte a banda já rodava o Brasil. Abriram para o Nashville Pussy e dividiram palcos com gente como Eagles Of Death Metal e Motörhead. Em 2009, lançaram, pela mesma gravadora, seu melhor trabalho: Life Is A Big Holiday For Us. O play foi um sucesso: o single "My Favorite Way", com seu incrível clipe, marcou presença na MTV e foi eleito a melhor música do ano pela Rolling Stone. No ano passado, tocaram no primeiro dia do SWU, dividindo o palco com Infectious Grooves e Rage Against The Machine.



O Black Drawing Chalks se classifica como "rock 'n' roll cru e dançante". E é bem por aí. Como é de costume etiquetar os grupos, devo dizer que é um hard rock vintage, bastante ligado ao stoner. A música é empolgante, com instrumental enérgico e lírica baseada simplesmente em bebida e mulheres. É som pra se divertir.

Aqui os destaques ficam com "My Favorite Way", "My Radio", "Girl I've Come To Lay You Down", "Precious Stone" e "Magic Travel".

Enfim, o Black Drawing Chalks é algo a se conferir. E lembre-se, tratando-se de bandas alternativas brasileiras, não basta baixar e sair ouvindo. Não quero bancar o Thiago Bianchi [risos], mas você tem que apoiar! Visite o Myspace dos grupos, mostre aos seus amigos, vá ao show se forem à sua cidade e, se puder, compre os discos. Você estará fazendo bem a caras espalhados pelo país que fazem música espontânea e batalham pra mudar essa terra de ninguém que está o mainstreen.



01. My Favorite Way
02. Free From Desire
03. My Radio
04. The Legend
05. Girl I've Come To Lay You Down
06. Finding Another Road
07. I'm A Beast, I'm A Gun
08. Don't Take My Beer
09. Precious Stone
10. Magic Travel
11. Leaving home

Victor Rocha - guitarra e vocais
Renato Cunha - guitarra e vocais de apoio
Denis de Castro - baixo
Douglas de Castro - bateria

PARA MAIS DA BANDA, CLIQUE AQUI

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Jp


terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Wolfmother - Wolfmother [2005]


Qualquer admirador de música sabe da fertilidade criativa do período que compreendeu o fim da década de 60 e o início da de 70. E é natural que o rock dessa época seja influente até os dias de hoje. O Wolfmother é um exemplo claro de que essa fonte ainda tem muito a ser aproveitado.

O Wolfmother nasceu como um trio na Austrália em 2000, e, depois de alguns anos no anonimato, atingiu o sucesso mundial em 2006, com o lançamento internacional de seu debut autointitulado (aqui na versão australiana liberado no ano anterior). Com uma sonoridade bastante vintage e criativa, aliada a apresentações extremamente enérgicas, a banda despontou como uma das mais interessantes do cenário musical. A formação original, com Chris Ross, Myles Heskett e Andrew Stockdale, viu vários de seus singles tornarem-se relativos hits. "Woman", o maior sucesso do grupo, chegou a ganhar o Grammy, gozando da popularidade advinda do video game Guitar Hero (que, querendo ou não, inicia a molecada no rock), do qual faz parte.



A descrição mais frequente do som do Wolfmother o relaciona aos gigantes Black Sabbath e Led Zeppelin. Mas essa comparação é muito vaga. O som é essencialmente setentista, mas Jimi Hendrix parece ter alguma participação nos riffs e o Blue Cheer se apresenta como uma das influências mais evidentes. O stoner também marca presença, como fica claro em "Colossal", abertura do play que trago hoje. Aliás, Stockdale já declarou que o Kyuss é uma das inspirações ao grupo, como fica evidente no segundo disco. Além disso, as próprias músicas indicam o gosto dos músicos: há referência a uma purple haze em "Dimension"; em "Joker & The Thief", o nome vem dos personagens de "All Along the Watchtower", composição de Bob Dylan imortalizada por Hendrix; o clipe de "Mind's Eye" é uma claríssima homenagem ao histórico concerto do Pink Floyd nas ruínas de Pompéia. No mais, é basicamente hard setentista cheio de energia e criatividade, envolto por influências diversas como o stoner e principalmente o rock psicodélico.

O debut é um play excelente do começo ao fim. Stockdale guia o som com riffs poderosos, acompanhado pela cozinha presente característica dos grandes trios. Os destaques ficam com a pesada introdução "Colossal", os singles "Dimension", "White Unicorn" e "Joker & The Thief", a semi-balada "Mind's Eye", a enérgica "Apple Tree", que tem uma conclusão bastante stoner, e o empolgante carro-chefe "Woman".



Depois do lançamento do autointitulado, o Wolfmother ganhou grande reconhecimento mundial, já que o play foi um sucesso de crítica e público. Em 2008 Stockdale passou a ser o único membro fundador na banda, quando Ross e Heskett saíram alegando diferenças pessoais e musicais. O segundo disco, Cosmic Egg, veio com um quarteto e a potencialização da influência stoner. Stockdale ainda gravou, no ano passado, os vocais do principal single do disco solo de Slash, "By The Sword", entre outros trabalhos que comprovam a projeção do músico. Enfim, uma das melhores bandas dos últimos anos que só comprova que ainda tem gente fazendo música boa por aí. Confira!

01. Colossal
02. Woman
03. White Unicorn
04. Pyramid
05. Mind's Eye
06. Joker & The Thief
07. Dimension
08. Where Eagles Have Been
09. Apple Tree
10. Tales From The Forest Of The Gnomes
11. Witchcraft
12. Vagabond

Andrew Stockdale - guitarra, vocais
Chris Ross - baixo, teclados
Myles Heskett - bateria

Lenny Castro - percussão em 09, 11 e 12
Dan Higgins - flauta em 11

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Jp


quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Combest Of: Vol VI - Dave Grohl [2010]


Se existe alguém que merece um Combest Of, esse alguém é David Eric Grohl, ou simplesmente Dave Grohl, tanto pela qualidade de seus projetos quanto pela enorme quantidade em que os concebeu. Grohl apareceu para o mundo como baterista do Nirvana, e depois disso se tornou uma das figuras mais conhecidas e respeitadas da música nas duas últimas décadas, embarcando em empreitadas de sucesso como o Foo Fighters e o Them Crooked Vultures.

Grohl nasceu no ano de 1969 em Warren, Ohio, mas ainda criança se mudou com a família para Springfield, na região metropolitana de Washington D.C., onde passou toda a adolescência. Tocou de tudo um pouco e fez parte de várias pequenas bandas, até descobrir a bateria e sua principal influência no instrumento: John Bonham. Aos 17 anos, mentiu a idade e fez um teste para a banda Scream. Para sua surpresa, foi escolhido e passou a integrar o grupo, que gozava de relativo sucesso no circuito hardcore. Gravou dois álbuns e, durante uma turnê pela costa oeste dos EUA em 1990, conheceu Buzz Osborne, do Melvins, que um dia levou Kurt Cobain e Krist Novoselic a um show do Scream. Naquele mesmo ano a banda acabou repentinamente, deixando o baterista desempregado.

Dave Grohl com o Scream, que tinha certa reputação
nos arredores da capital dos EUA.

Depois de um disco demo com todos os instrumentos gravados por ele mesmo (aqui devidamente remasterizado), Grohl foi chamado para tocar no Nirvana, que estava sem baterista no momento. E logo em 91 foi lançado o Nevermind, álbum histórico que consolidou as mudanças musicais que vinham tomando curso e levou o trio ao sucesso no mundo todo. Durante sua passagem pela explosiva banda de Seattle, começou a compor algumas músicas, mas, temendo causar problemas internos, não às apresentou a Cobain. Ainda criou, ao lado de Novoselic, algumas das faixas que fariam parte do primeiro disco de seu próximo projeto e "You Know You're Right", última música gravada por Cobain, que seria lançada em uma coletânea em 2002.

Kurt Cobain, Krist Novoselic e Dave Grohl formavam o Nirvana,
uma das bandas mais revolucionárias da história do rock.

Depois da morte de Kurt Cobain, no final de 94, Dave Grohl decidiu gravar um álbum. Escolheu o nome Foo Fighters para o play, nome este que se tornaria a grande marca a que se associaria depois do Nirvana. Gravou todos os instrumentos, com exceção de uma única faixa cuja guitarra é creditada a Greg Dulli (Afghan Wings). O disco fez relativo sucesso e manteve o nome de Grohl no mainstreen. Em 97 o Foo Fighters, já como uma banda e com Dave assumindo vocais e guitarras, lançou seu segundo álbum The Colour and the Shape, que estourou na MTV, que na época ainda era o principal canal de divulgação musical. Em 97 ainda compôs e gravou toda a trilha sonora do filme Touch, revivendo o pseudônimo Late!, utilizado em uma fita demo de alguns anos antes.


O Foo Fighters, principal trabalho de Dave Grohl depois do fim do Nirvana, manteve o músico sob os holofotes do mainstream.

Em 98, mais um álbum do Foo Fighters, There is Nothing Left to Lose, se tornou sucesso de público e crítica. Em 2000, participou do trabalho solo do lendário Tony Iommi. No fim de 2001, Dave Grohl decidiu adiar o lançamento do próximo trabalho de sua banda para entrar em estúdio com o Queens of the Stone Age, de seu amigo Josh Homme, para gravar o famoso Songs for the Deaf.

A primeira parceria importante de Dave Grohl e Josh Homme foi em 2002, no álbum Songs for the Deaf. Na foto, os dois ao lado de Nick Oliveri, baixista do Queens of the Stone Age na época.

Depois disso o Foo Fighters só cresceu. O One By One, de 2003, e o In Your Honor, de 2005, trouxeram mais alguns hits para o catálogo da banda. Mas em 2004 Grohl já havia gravado com caras como Max Cavalera e Lemmy Kilmister, tocando bateria no Probot, mais uma de suas empreitadas. Em 2006, tocou com o Queen no VH1 Rock Honors. No ano seguinte, o Foo Fighters lançou Echoes, Silence, Patience & Grace, que, como sempre, foi um sucesso de público e emplacou alguns hits. Em 2008 a banda gravou um dvd ao vivo em um estádio Wembley lotado, em um concerto histórico que teve a participação de ninguém menos que John Paul Jones e Sir Jimmy Page. No ano seguinte, o baterista formou o power trio Them Crooked Vultures com ninguém menos que Josh Homme e o próprio John Paul Jones. Atualmente se divide em turnês com o Them Crooked Vultures e a gravação de um novo álbum do Foo Fighters, previsto para o primeiro semestre de 2011.

Dave Grohl e Josh Homme, agora ao lado do lendário John Paul Jones,
formando o Them Crooked Vultures
.

Dave Grohl é um furioso baterista, um excelente vocalista e um criativo compositor. Um dos músicos mais versáteis e representativos dos últimos 20 anos, participou dos mais variados trabalhos musicais, ao lado dos mais variados e importantes artistas. Enfim, aqui está um essential de Dave Grohl. Não deixe de conferir!

01. No Scape - Scream
02. Throwing Needles - Dave Grohl
03. Territorial Pissings - Nirvana
04. School (at Reading) - Nirvana
05. This is a Call - Foo Fighters
06. How Do You Do - Late!
07. Goodbye Lament - Tony Iommi & Dave Grohl
08. No One Knows - Queens of the Stone Age
09. You Know You're Right - Nirvana
10. All My Life - Foo Fighters
11. Shake Your Blood - Probot (com Lemmy Kilmister)
12. Everlong (Acoustic) - Foo Fighters
13. Tie Your Mother Down - Dave Grohl & Queen + Paul Rodgers
14. The Pretender - Foo Fighters
15. Rock and Roll - Foo Fighters, John Paul Jones & Jimmy Page
16. New Fang - Them Crooked Vultures

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Jp

Capa: Silver


segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Hermeto Pascoal - Slave Mass [1977]


Segunda-feira é dia de que? De jazz e música experimental, é claro! Afinal, existe dia mais dissonante?

É com muita honra que trago à Combe um dos maiores músicos que o Brasil já ofereceu ao mundo. Hermeto Pascoal é um multi-instrumentista respeitado nos quatro cantos da Terra, conhecido por sua incomparável habilidade em orquestração e improvisação. Além disso, é figura carimbada na cultura nacional, sendo um contribuinte fundamental para a construção da música brasileira (ou sua parte decente).

Hermeto nasceu em 1936 em Olho d'Água e cresceu em Lagoa da Canoa, ambas no interior de Alagoas. Por ser albino, não pode ajudar no trabalho rural da família. Assim, fascinado desde cedo pelos sons da natureza, passou a infância praticando em instrumentos tradicionais da região, como o pífano e a sanfona, além de transformar qualquer coisa a seu alcance em fonte de música. Na adolescência começou a tocar em festas e forrós, até se mudar para Pernambuco em 1950. Daí em diante o bruxo, como é conhecido, morou no Rio e em São Paulo e integrou alguns dos pequenos grupos que fizeram a linha de frente do post-jazz brasileiro, com gente como Edu Lobo, Elis Regina, Airto Moreira e Theo de Barros.

Consolidado em terras tupiniquins, despontou para o mundo quando ninguém menos que Miles Davis o chamou para tocar (e compor, diga-se de passagem) em algumas faixas de seu Live-Evil de 1971. A lenda do jazz chegou a caracterizar Hermeto como "o músico mais impressionante do mundo". Ainda na década de 70, o alagoano gravou sua magnum opus Slave Mass em 76 e deixou muita gente de queixo caído no Montreux Jazz Festival (nas margens do lago Geneva; soa familiar?), com uma das melhores performances da edição de 79 do festival suíço. Ao longo do século XX lançou vários trabalhos, entre eles o notável Calendário do Som, no qual ficou de junho de 96 a junho de 97 compondo uma música por dia para criar um álbum com uma música para cada dia do ano. Depois de rodar o mundo, parou em Curitiba em 2003, onde passou a viver com a esposa Aline Morena. Hoje Hermeto continua na ativa e se apresenta com cinco formações diferentes de instrumentistas.


Bom, depois de apresentar o condutor dessa obra-prima, é muito mais fácil falar de Slave Mass (que no Brasil ficou conhecido como Missa dos Escravos). O disco foi gravado nos EUA e contou com músicos renomados tanto de lá como do Brasil. O play é fantástico por dois motivos que vão muito além do perfeitamente destacável virtuosismo do bruxo e dos outros instrumentistas. O primeiro deles é o que eu gosto de chamar de sincretismo musical, ou seja, a fusão entre música mundial e música brasileira. O jazz tradicional norte-americano tem contato direto com gêneros brasileiros folclóricos como o forró nordestino e o chorinho, além dos modernos como a bossa nova. O segundo motivo é uma das grandes marcas da obra de Hermeto: a convivência pacífica entre o caos e o rigor formal. A dissonância característica do jazz domina o som, criando peças complexas e por vezes completamente insanas. Mas um ouvido atento percebe que abaixo dessas composições sinuosas se esconde uma consciente harmonização e um genial domínio técnico da música por parte de Hermeto.

Apesar do meu costume, seria um sacrilégio fazer destaques neste disco. Todas as faixas são incríveis, completamente imprevisíveis, por vezes emocionantes e (experiência própria) até psicodélicas. São momentos de inspiração invejável, além de mostras inacabáveis de virtuosismo e conhecimento musical. Uma importante observação é que os vocais são muito discretos, constituindo corais e algumas falas, sem retirar a característica instrumental das composições.

Por fim, devo dizer que é uma das melhores obras já produzidas por músicos do Brasil. Hermeto Pascoal é um dos vários gênios brasileiros que nos permitem um pouco de patriotismo real além do ufanismo cego que se vê por aí. Não cometa o erro de não conferir.

01. Tacho (Mixing Pot)
02. Missa dos Escravos (Slave Mass)
03. Chorinho Pra Ele (Little Cry for Him)
04. Cannon
05. Escuta Meu Piano (Just Listen)
06. Aquela Valsa (That Waltz)
07. Geléia De Cereja (Cherry Jam)

Hermeto Pascoal - piano, teclados, clavinete, gaita, sax soprano, flautas, violões e vocais em 04
Airto Moreira e Chester Thompson- bateria
Ron Carter e Alphonso Johnson - baixo
Raul de Souza - trombone e vocais em 04
David Amaro - guitarras e violões
Hugo Fattoruso e Laudir de Oliveira - vocais em 04
Flora Purim - vocais em 02 e 04

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Jp


segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Screaming Trees - Sweet Oblivion [1992]


Enquanto o Kurt Cobain matava aula e o Alice In Chains fazia cover de David Bowie, o underground do estado de Washington já explodia com bandas cada vez mais interessantes e influentes. Entre elas Green River, Melvins e o Screaming Trees, banda que trago hoje, nessa segunda-feira de chuva à la Seattle.

O Screaming Trees nasceu em 1985, em Ellensburg, Washington. A história é a típica das bandas alternativas da década de 80: colegiais compartilhando o mesmo gosto musical. No caso, punk e garage rock, new wave e hard setentista. O grupo lançou o primeiro LP em 86, e passou a referência underground com o Buzz Factory (1989) e o Uncle Anestesia (1991). Mas é claro que o reconhecimento midiático, mesmo que medíocre para a banda, só viria depois do Nirvana lançar o Nevermind. Então é óbvio que este álbum, o Sweet Oblivion, é o de maior sucesso comercial. Sob alguns pontos de vista, também o melhor.

O som do Screaming Trees é bastante característico. Jogado no caldo do grunge, o que temos aqui é rock alternativo sujo, profundamente influenciado pelo rock setentista e com grandes doses de psicodelia. Em meio à guitarra suja e ao baixo sonoro dos irmãos Conner, a bateria e a percussão de Barret Martin marcam forte presença. Mas o grande destaque é Mark Lanegan, fantástico vocalista e letrista que faz uso de sua voz grave e rouca, resultado de anos de destilados e cigarros, para produzir os soturnos registros que fazem-no parecer o filho perdido de Tom Waits.

Os destaques são muitos. "Shadow of the Season" é a abertura com toques de folk que tem a melhor performance de Lanegan. "Dollar Bill" e "Winter Song" também carregam forte influência folk. "No One Knows" e "More Or Less" são ótimas baladas que estouraram nos anos 90 na sombra da divertidíssima "Nearly Lost You", grande hit da banda que apareceu na famosa trilha sonora do filme Singles, que também lançou sucessos de Alice In Chains e Pearl Jam, como "Would?" e "State of Love and Trust". Talvez a melhor faixa do disco seja a junkie "Troubled Times", que tem uma introdução slow blues para uma melodia empolgante e bem trabalhada.

Sweet Oblivion teve boa repercussão e foi comercialmente o melhor momento do Screaming Trees. É sem dúvidas uma ótima indrodução ao som da banda, que, além dos belos trabalhos anteriores, ainda lançaria o excelente Dust, para depois encerrar suas atividades em 2000. Depois disso, os irmãos Conner e Barret Martin participaram de diversos projetos. Mark Lanegan, além de consolidar uma sólida carreira solo no folk, emprestou sua voz ao Mad Season e hoje é membro esporádico do Queens of the Stone Age, além de dividir seu tempo em incontáveis empreitadas nos mais doidos e obscuros submundos da música mundial.

Ótimo álbum de uma das bandas mais seguras, espontâneas e fáceis de se gostar do tal do grunge. Confira!

01. Shadow of the Season
02. Nearly Lost You
03. Dollar Bill
04. More or Less
05. Butterfly
06. For Celebrations Past
07. The Secret Kind
08. Winter Song
09. Troubled Times
10. No One Knows
11. Julie Paradise

Mark Lanegan - vocais
Gary Lee Conner - guitarras, vocais de apoio
Van Conner - baixo
Barret Martin - bateria, percussão

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Jp


terça-feira, 30 de novembro de 2010

V.A. - Concert for George [2002]


Ontem o mundo da música completou nove anos sem George Harrison. Sua morte foi uma das maiores perdas da cultura contemporânea. A influência de Harrison é incalculável, principalmente como guitarrista da maior banda da história: os Beatles. E, seja como mauricinho engravatado tocando "I Wanna Hold Your Hand" ou como entusiasta do movimento Hare Krishna organizando um espetáculo por Bangladesh, George sempre será lembrado.

O mais discreto dos fab four foi apresentado por Paul McCartney a John Lennon com apenas 14 anos, como "o cara que sabe tocar Raunchy do Bill Justis". O ano era 1958, e a dupla Lennon/McCartney dava seus primeiros passos na banda The Quarrymen. John achou George muito novo e de início resistiu à entrada do garoto no grupo. Entretanto, logo Harrison foi aceito, e o resto é história.

Durante seus anos como Beatle, o guitarrista entrou em contato com a cultura indiana e se apaixonou por ela, sendo fundamental para a visível encorporação da mesma por parte do movimento hippie. Acabou sendo vítima de um complô de Lennon e McCartney, que, buscando conter seu crescimento dentro do processo de composição da banda, chegaram ao ponto de obrigá-lo a chamar seu amigo Eric Clapton para gravar o solo de seu maior trabalho, "While My Guitar Gently Weeps", para que não pudessem impedir sua entrada no set do Álbum Branco. Mas isso quando as coisas já não eram muito pacíficas entre os quatro, porque, no geral, George era visto como o "irmão mais novo" dos outros três. Entre seus maiores sucessos como Beatle estão "Here Comes the Sun" e "Something".

Em 70, lançou seu grande álbum como artista solo: All Things Must Pass. Nele, faixas como "My Sweet Lord", "Isn't It a Pity" e "What Is Life". Em 71, organizou, ao lado de Ravi Shankar, o antológico Concert for Bangladesh, evento beneficiente em prol dos refugiados do Paquistão Oriental (hoje Bangladesh independente), que reuniu nada menos que gente como Bob Dylan, Eric Clapton, Leon Russel, entre outros. Depois disso, já consolidado como um dos músicos mais importantes da história, fez parte do supergrupo The Travelling Wilburys e lançou vários discos solo, até descobrir, em 97, um câncer no pulmão que o levaría à morte em 2001.


Um ano depois do falecimento de George, sua viúva Olivia e seu filho Dhani organizaram, sob a direção musical de Eric Clapton e Jeff Lynne, o Concert for George. O espetáculo teve sua renda doada à Material World Charitable Foundation, fundação criada pelo guitarrista de Liverpool.

Ambientado no monumental Royall Albert Hall, o concerto foi dividido em duas partes distintas.

Na primeira parte (lançada como o disco 1), há a apresentação de um enorme grupo de músicos indianos, tocando ao lado da Orquestra Metropolitana de Londres, conduzida pelo arroz de festa Michael Kamen (S&M do Metallica, The Wall do Pink Floyd, além de colaborações para Aerosmith, Queen, David Bowie, Def Leppard, entre uma infinidade de outros). A música é a tradicional do país oriental, com instrumentos e cantos característicos. Destaque para a fenomenal sitarista Anoushka Shankar (filha de Ravi), que se sobressai mesmo em meio a um verdadeiro mar de inspiração e musicalidade dos outros vários instrumentistas. As faixas são canções tradicionais indianas, composições de Ravi Shankar e até a primeira música escrita por Harrison a aparecer em um single dos Beatles, "The Inner Light"

Na parte inferior, da esquerda para a direita: Anoushka Shankar, Eric Clapton e Ravi Shankar

Terminada a suíte Arpan e depois de um interlúdio protagonizado pelos humoristas britânicos de Monty Phyton, tem início a segunda parte do espetáculo. Em um ambiente mais ocidental, músicos fantásticos executam as eternas canções de Harrison. As performances ficam por conta de nada menos que Jeff Lynne, Eric Clapton, Tom Petty & The Heartbreakers, Gary Brooker, Joe Brown, Ringo Starr, Billy Preston, Paul McCartney e o próprio Dhani Harrison, que, no palco, emociona qualquer um, por lembrar de maneira assustadora o pai em sua fisionomia. As músicas são executadas por vários deles ao mesmo tempo, então aqui vamos atribuir cada uma a quem canta a sua maior parte.

Em certo ponto do show, Paul solta: "Olivia disse que, vendo Dhani no palco, parece que todos nós ficamos velhos, mas o George continuou jovem."

Falando um pouco das performances, destaque para a lindíssima de "Beware of Darkness" por Eric Clapton. O slow hand também aparece de forma latente ao lado de Paul McCartney, em "While My Guitar Gently Weeps" e "Something" (em uma versão que vai trazer boas lembranças recentes a algumas dezenas de milhares de brasileiros bem afortunados). É claro que Paul está ali em outros momentos inesquecíveis, como "For You Blue" e principalmente "All Things Must Pass". Outros pontos altos são de Jeff Lynne em "Give Me Love (Gime Me Peace On Earth)" e de Joe Brown em "Here Comes the Sun".

Mas quem realmente se sobressai é o tecladista Billy Preston, que, além de cantar "My Sweet Lord" ao lado dos clássicos corais da música, faz uso de seus vocais emocionados para criar a melhor performance do play em "Isn't It A Pity". A faixa é de uma beleza indescritível, com a melancólica composição de George crescendo em um ápice de instrumentos e vozes durante o poderoso solo de Eric Clapton, enquanto alguns ecos de "Hey Jude" vão aos poucos tomando conta do Royal Albert Hall.

Os últimos momentos são outros que merecem ser comentados. "Wah Wah" e seus incríveis riff e refrão fazem todos os presentes cantarem. E, para não fugir do habitual, tem um grande solo de Eric Clapton. Por fim, a singela "I'll See You in My Dreams" encerra a grandiosa homenagem. É óbvio que as faixas citadas não são as únicas de grande inspiração, e o disco é fantástico do início ao fim.


Enfim, somente um acontecimento como esse poderia fazer jus a George Harrison, o eterno caçula quieto dos Beatles, o hippie empático fascinado pelo oriente, um dos maiores guitarristas da história e uma das maiores figuras da música.

Disco 1
01. Sarve Shaam
02. Your Eyes
Anoushka Shankar
03. The Inner Light
Anoushka Shankar e Jeff Lynne
04. Arpan
Conduzido por Anoushka Shankar

Anoushka Shankar - sitar, condução
Michael Kamen - arranjo de cordas e condução
Eric Clapton - violão
Jeff Lynne - violão, vocais
Dhani Harrison - piano, vocais de apoio
Corais de English Chamber e Bharatiya Vidya Bhavan - vocais de apoio
Orquestra Metropolitana de Londres - cordas, metais e madeiras ocidentais
Vários músicos - cordas indianas

Disco 2
01. I Want to Tell You
Jeff Lynne
02. If I Needed Someone
Eric Clapton
03. Old Brown Shoe
Gary Brooker
04. Give Me Love (Give Me Peace On Earth)
Jeff Lynne
05. Beware of Darkness
Eric Clapton
06. Here Comes the Sun
Joe Brown
07. That's The Way It Goes
Joe Brown
08. Taxman
Tom Petty & The Heartbreakers
09. I Need You
Tom Petty & The Heartbreakers
10. Handle With Care
Tom Petty & The Heartbreakers, Jeff Lynne e Dhani Harrison
11. Isn't It a Pity
Billy Preston
12. Photograph
Ringo Starr
13. Honey Don't
Ringo Star
14. For You Blue
Paul McCartney
15. Something
Eric Clapton e Paul McCartney
16. All Things Must Pass
Paul McCartney
17. While My Guitar Gently Weeps
Eric Clapton e Paul McCartney
18. My Sweet Lord
Billy Preston
19. Wah Wah
Eric Clapton e banda
20. I'll See You In My Dreams
Joe Brown

*Marcações segundo a capa

Eric Clapton, Jeff Lynne, Tom Petty, Joe Brown - guitarra, violão, vocais
Gary Brooker, Billy Preston- teclados, vocais
Paul McCartney - violão, teclados, ukelele, vocais
Ringo Starr - bateria, vocais
Ravi Shankar - sitar
Dave Bronze, Klaus Voormann - baixo
Jim Capaldi, Jim Keltner, Hendry Spinetti - bateria
Albert Lee, Marc Mann, Andy Fairweather-Low, Dhani Harrison - guitarras e violões
Jools Holland, Chris Stainton - teclados
Ray Cooper - percussão
Jim Horn - saxofone
Tom Scott - sax tenor
Katie Kissoon, Tessa Niles, Sam Brown - vocais de apoio

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Jp


segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Cavalera Conspiracy - Inflikted [2008]


É óbvio que o visitante da Combe sabe o que o nome Cavalera representa. Os irmãos que o carregam, juntamente com Paulo Jr. e Andreas Kisser, formaram a banda mais influente que o Brasil ofereceu ao cenário mundial do metal: o Sepultura.

Bom, é bem sabido também que, em meados da década de 90, teoricamente por complicações contratuais e pessoais, Max Cavalera deixava o grupo, encerrando sua fase de ouro. Mas quando isso aconteceu o Sepultura já havia conquistado o mundo com sua inacreditável trilogia Arise (1991), Chaos A.D. (1993) e Roots (1996).

Depois da saída de Max, a maior instituição do metal brasileiro seguiu, com o vocalista Derrick Green, fazendo um ótimo trabalho. Mas um ótimo trabalho que não consegue chegar perto dos clássicos. Max formou o Soulfly, outra boa empreitada que rendeu álbuns com o selo de peso e qualidade de tudo que ele toca.

Mas a história do disco que trago hoje começa quando, em 2006, o outro irmão, Igor Cavalera, também deixou o Sepultura. Ainda naquele ano, ele ligou para Max e acabou sendo convidado para tocar algumas músicas com o Soulfly em Phoenix, Arizona. É claro que a química da performance foi impressionante e os dois decidiram formar uma banda, que no início se chamou Inflikted. Posteriormente, por razões legais, o nome foi trocado para Cavalera Conspiracy.

Para completar a formação, o competente guitarrista do Soulfly, Marc Rizzo, além do vocalista do Gojira, Joe Duplantier, no baixo (conforme sugestão da esposa de Max).

Tudo em família, o grupo lançou o ótimo Inflikted, do qual há pouco a se falar: é simplesmente uma tijolada nos ouvidos. O leque de influências é vasto dentro da música pesada, mas o majoritário é thrash metal; alguns elementos de hardcore e death metal aparecem também. É um play moderno, entretando, remete claramente ao Chaos A.D. e ao Arise. Na opinião deste que vos fala, o melhor trabalho envolvendo qualquer membro da formação clássica do Sepultura desde o Roots.

A energia da união dos dois irmãos é assombrosa. Max e Igor trabalham como se nunca tivessem se separado, este com suas linhas alucinantes de bateria, aquele rugindo furiosamente contra tudo e todos. Duplantier, além de participar com vocais em algumas passagens, completa a cozinha de maneira discreta, porém, é claro, violenta. Rizzo se destaca em vários momentos, com solos inspiradíssimos e virtuosos.

Os destaques ficam para a faixa título, "Sanctuary", "Ultra-violent" (que tem Rex Brown do Pantera nas quatro cordas), "Bloodbrawl", "Terrorize" e "Black Ark", essa última com a participação de Richie Cavalera, enteado de Max, nos vocais.

A recepção do disco foi excelente, satisfazendo a crítica e os fãs mais exigentes. Os planos do Cavalera Conspiracy incluem o lançamento de um novo trabalho no começo de 2011 e o primeiro show no Brasil ainda nesse mês, no terceiro dia do festival SWU.

Só posso concluir dizendo que Inflikted é um daqueles álbuns para ouvir e sair moshando a avó na sala. Um play que só essa lendária família do metal brasileiro poderia conceber. Enfim, baixe e mate a saudade de massacrar seus tímpanos com os irmãos Cavalera.

01. Inflikted
02. Sanctuary
03. Terrorize
04. Black Ark
05. Ultra-Violent
06. Hex
07. The Doom of All Fires
08. Bloodbrawl
09. Nevertrust
10. Heart of Darkness
11. Must Kill

Max Cavalera - guitarra, vocais
Igor Cavalera - bateria, percussão
Marc Rizzo - guitarraa, vocais de apoio
Joe Duplantier - baixo, guitarra, vocais de apoio

Richie Cavalera - vocais em 04
Rex Brown - baixo em 05

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Jp