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terça-feira, 15 de novembro de 2011

Humble Pie – Smokin’ (1972)



O que dizer da banda que revelou Steve Marriot e Peter Frampton para o mundo?

Steve Marriot foi o cara que quase ocupou o posto de vocalista do Led Zeppelin, em uma formação que traria Keith Moon na bateria.

Peter Frampton foi o cara que gravou o disco ao vivo mais vendido da história do rock: Frampton Comes Alive.

Bem, me resta dizer que o melhor disco do Humble Pie NÃO traz Peter Frampton e, antes que algum sabichão diga que este não é o melhor disco da banda, eu lhe darei um conselho: limpe suas orelhas e ouça novamente.

Eu sei, eu sei. Pareço petulante com tal afirmativa, mas ouça As Safe As Yesterday, já postado aqui pelo grande Pedro Frasson, e ouça Smokin’, a postagem de hoje. As diferenças são gritantes.

A banda deixou de lado as tentativas de soar como uma banda de blues de Chicago sediada do outro lado do Oceano Atlântico e passou a cuspir fogo, botando pra fora toda a sua fúria hardeira. Muito se deveu à substituição de Peter Frampton pelo grande Clem Clempson, que posteriormente ficou famoso por ter perdido para Tommy Bolin a vaga de substituto de Ritchie Blackmore no Deep Purple.

Não que Frampton seja ruim, ou que os discos com ele não tenham poder de fogo. Muito pelo contrário, afinal, o ao vivo no Filmore é não menos que sensacional. Mas com Smokin’ o foco era outro. Parece que Marriot resolveu aproveitar a saída do guitarrista original para trazer à tona os riffs que guardava na sacola. Os vocais também não eram mais divididos entre três, e ele passou a ser o líder criativo do Humble Pie.

Hot’n’Nasty abre com aquele cowbell podre de sem vergonha e um wah wah mágico. Mistura certeira para abrir os trabalhos, completada por um piano boogie e os vocais gritados de Marriot. O grande Stephen Stills faz a sua aparição especial com um Hammond certeiro e seus backing vocais já conhecidos dos apreciadores do folk. O que estava por vir no restante do play parecia ser bom, afinal, a abertura era de arrancar o escalpo.



The Fixer vem com um riff a la Free, preguiçoso e arrastado, que confirmava a sensação da faixa de abertura. Volto a afirmar: os melhores riffs do Humble Pie estão aqui, e Marriot grita como se quisesse mostrar que o posto original do microfone do Led Zeppelin era originalmente dele. Polemizando, devemos nos lembrar sempre que Plant veio depois de Marriot, que, na época da formação da banda, era egresso do Small Faces e deixou a ideia de Page de lado para formar o Humble Pie. Ah, terra de gigantes.

You’re So Good For Me é a levada de violão perfeita para ouvir dentro de casa num dia de sol, enquanto os raios do astro rei batem na cortina para fazer aquele caleidoscópio chapante. O Hammond entra na hora certa para dar um clima gospel que, sabemos, é forçado mas se encaixa com perfeição ao contexto.

C’mon Everybody, da lenda Eddie Cochran, tem riff roqueiro distorcido e uma vocalização que a torna quase irreconhecível à primeira audição. Mas é ela, e tocada de forma fantástica. Ouça o atraso de Marriot ao acompanhar os backings no primeiro refrão. Erro que faz parte da música; sem edições de Pro Tools; e é lindo, orgânico e musical.

A grande 30 Days In The Hole é aquela mesma, que o Mr. Big canta até hoje em seus shows. Preciso comentar? Outra cover é Road Runner, de Junior Walker, em versão guitarrística de alto ganho.



Se você não conhece Humble Pie, ou acha que essa é a primeira banda de Peter Frampton, saiba que tudo ficou melhor sem o loirinho pimposo.

Dê um jeito de arrumar um Dodge Charger e bote isso aqui pra rolar. Pegue emprestado, compre, roube, sei lá, dê jeito! Imagine que você é protagonista do enlatado Supernatural e saia catando monstros por aí.

Ah! Nunca use fones de ouvido. Isso aqui é coisa para alto falantes, beibe.

Track List

1. "Hot 'n' Nasty" (Humble Pie/Marriott)
2. "The Fixer" (Clem Clempson/Steve Marriott/Jerry Shirley/Greg Ridley)
3. "You're So Good for Me" (Marriott/Ridley)
4. "C'mon Everybody" (Capehart/Cochran)
5. "Old Time Feelin'" (Traditional)
6. "30 Days in the Hole" (Marriott)
7. "(I'm A) Road Runner" (Holland-Dozier-Holland)
B) "Road Runner's 'G' Jam" (Clem Clempson/Steve Marriott/Jerry Shirley/Greg Ridley)
8. "I Wonder" (Cecil Gant/Raymond Leveen)
9. "Sweet Peace and Time" (Marriott/Ridley/Shirley)



Steve Marriott (vocais, guitarras, teclados)
Clem Clempson (guitarras, teclados, vocais)
Greg Ridley (baixo, vocais)
Jerry Shirley (bateria, teclados)
Alexis Korner (vocais, mandolin em "Old Time Feeling")
Stephen Stills (órgao, backing vocais em "Hot 'n' Nasty")
Doris Troy (backing vocais em "You're So Good for Me")
Madeline Bell (backing vocais em "You're So Good for Me")

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Por ZOrreiro

sábado, 29 de outubro de 2011

Voodoo Circle – Voodoo Circle [2008]


Este ano de 2011 fomos brindados com o fantástico Broken Heart Syndrome, do Voodoo Circle. Bem, nos reportemos, então, às origens.

Sabemos que o guitarrista Alex Beyrodt usou esse projeto para fazer aflorar sua veia Ritchie Blackmore e aproveitar o embalo e já prestar homenagem a Yngwie Malmsteen e Michael Schenker. Exatamente por isso, talvez, o primeiro disco se chame Alex Beyrodt’s Voodoo Circle como Blakmore e Malmsteen fizeram com as estreias do Rainbow e do Rising Force.

Alex é guitarrista do Silent Force e um dos maiores expoentes do power metal alemão desse início de século. Em 2008 ele resolveu montar um grupo pra chamar de seu, e escalou para os vocais o inglês David Ridman, que tem o Pink Cream 69 no currículo, para o baixo ninguém menos que Matt Sinner (Primal Fear e Sinner), para a bateria Mel Gaynor (Simple Minds, Gary Moore) e, para os teclados, Jimmy Kresic, que tem sua carreira marcada com grandes trabalhos como session man.



Se em Broken Heart Syndrome e coisa parece, por vezes, ser copiada descaradamente dos trabalhos de Blackmore e (principalmente) David Coverdale, aqui temos Malmsteen com Jeff Scott Soto fazendo as referências. Os teclados são mais proeminentes que no disco subsequente mas com timbres mais anos 80. Os Hammonds pouco aparecem, dando lugar àquele timbre strings de churrascaria.

Como participações especiais temos o topa todas Rudy Sarzo, Doogie White, Morifumi Shima (Concerto Moon) e Richard Anderson (Majestic, Space Odissey), que dão aquele toque ao disco que ninguém consegue perceber simplesmente ouvindo. Não que seja ruim, mas Broken Heart Syndrome é bem melhor. Valem, porém, alguns bons destaques.



Kingdom of The Blind é pegada, tem feeling e a palavra paradise na letra (o que ganha pontos para o estilo). Man and Machine é a prévia do que viria no disco seguinte, com velocidade, vocais poderosos e guitarras fantásticas, sem o excesso de bululus que permeia a maioria das composições, prende o ouvinte até o seu final.

Master of Illusion é uma grata surpresa, com uma levada mais lenta mas com aquele punch típico. Uma pérola que mostra o quanto todos são bons quando jogam para o time, sem individualismos . We’ll Never Learn tem uma ponte que impressiona, mas é só, pois tudo o mais nessa música e no disco são previsíveis ao extremo.



Confesso que resolvi resenhar o disco porque adoro o Broken Heart Syndrome, mas aqui está o que de mais estéril e previsível alguém pode fazer. Passou batido na época, e justifica-se. Deixo o texto do site oficial dos caras:

“In Japan (where quality is still the most important aspect) he [Alex] is hailed as a ‘guitar hero’ and the influence of legendary bands like Rainbow and Deep Purple can be recognised in his charismatic way of playing. As a master following the tradition of all-time-greats like Ritchie Blackmore and Yngwie J. Malmsteen, also Alex is able to make a song something special. He simply has ‘it’.”

Sei...

Os fãs que me desculpem, mas que bela porcaria isso aqui.

Track List

1. Spewing lies
2. Desperate heart
3. Kingdom of the blind
4. Man and machine
5. Master of illusion
6. We'll never learn
7. Dream of eden (Doogie/David Version)
8. Heaven can wait
9. Angels will cry
10. Enter my world of darkness
11. Wings of sorrow (exclusive Track)
12. White lady requiem
Bonus: 13.Dream of eden (David Version)

Alex Beyrodt (guitarras e mais guitarras)
Matt Sinner (baixo)
David Ridman (vocais)
Matt Gaynor (bateria)
Jimmy Kresik (teclados)

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Por ZOrreiro

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Montrose – Montrose [1973]


Esse foi o primeiro disco de hard farofa da história!

Essa afirmativa se sustenta porque:

a) Para começo de conversa, a banda foi formada na Califórnia;
b) o vocalista era Sammy Hagar;
c) os riffs de guitarra são típicos do estilo, trazendo sempre um Lá Maior ou um Mi maior carregado e intercalando com a batida da bateria, a cargo de ninguém menos que Ronnie Montrose;
d) o baterista era Denny Carmassi, que nos anos 80 e 90 gravou com Heart, Whitesnake, Cinderella, .38 Special e uma porrada de outros ícones do estilo;
e) o produtor do disco foi Ted Templeman, que produziu todos os discos do Van Halen da fase Roth, bem como os primeiros discos solo do vocalista;
f) Absolutamente todas as alternativas anteriores.

Se você respondeu “f”, parabéns. Você acaba de gabaritar o ENEM do hard rock, e terá direito a ouvir esse que, na minha opinião, é a gênese de tudo o que foi feito no estilo nos anos 80.

Ainda desconhecido do grande público, Sammy Hagar aparece nesse debut como Sam Hagar, e foi recrutado por Ronnie Montrose, então um já tarimbado session man, para fazer aquela que seria a sua maior aposta comercial: o Montrose. O resultado ficou tão bom que alguns dizem que o primeiro do Van Halen não existiria sem este disco, tamanha influência que teve na turma de Dave Lee Roth.

O Van Halen tocava Make It Last e Rock Candy nos seus tempos de Gazzari’s Club. E Eddie aprendeu direitinho com o professor Ronnie.

O play abre com Rock The Nation e um cowbell sem vergonha que dá orgulho de ouvir a todo volume. O timbre da guitarra de Ronnie é no melhor estilo brown sound (imortalizado por Eddie Van Halen), cortesia de um pedal fuzz espetado em um valvulado a todo vapor.

A sequência perfeita traz Bad Motor Scooter e uma abertura que parece demais com o que Mick Mars fez em Kickstart My Heart. Sinto-me estranho quando penso que esse disco é de 73, porque o estilo das composições e os timbres são muito a frente do seu tempo. Para comparar, na época tínhamos Houses of the Holy, Machine Head e Sabbath Bloody Sabbath, que, mesmo tendo timbres excelentes, ainda carregavam aquela sonoridade densa dos timbres crus de amplificadores de alto ganho. Aqui o lance é festa.



Space Station #5 foi coverizada por Iron Maiden, o que já mostra o poder da sua influência. I Don’t Want It traz o riff que foi copiado por dezenas de hardeiros da década seguinte. Good Rockin’ Tonight nasceu para ser hit, com um solo rápido e inspirado de Montrose, com frases que podem ser ouvidas, inclusive, em passagens do mestre Randy Rhoads.

Rock Candy é o grande sucesso do disco, a música feita para durar para sempre. E dura. One Thing On My Mind prepara para o grand finale que vem com a fantástica Make It Last. Deus me livre, mas o Van Halen copiou o riff descaradamente em 5150, disco que traz… Hagar nos vocais!



Comparações à parte, quem não conhece deve ouvir imediatamente para destampar os ouvidos.

Formador de caráter.

Track List

1. Rock The Nation
2. Bad Motor Scooter
3. Space Station #5
4. I Don’t Want It
5. Good Rockin’ Tonight
6. Rock Candy
7. One Thing On My Mind
8. Make It Last


NÃO! Não é o The Who. É o Montrose com Hagar.

Ronnie Montrose (guitarras)
Sam Hagar (vocais)
Bill Church (baixo)
Denny Carmassi (bateria)

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Por ZOrreiro

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Opeth – Heritage [2011]


Opeth é da Suécia, e isso já é um indicativo de qualidade no mundo do rock.

Michael Åkerfeld formou o Opeth em 1990, e é o principal músico e compositor, assumindo para si, por vezes, a produção dos discos da banda. Único membro remanescente da formação original, é guitarrista, violonista e vocalista de mão cheia, demonstrando um lirismo ímpar nos trabalhos.

Inicialmente, porém, Michael foi recrutado para ser o baixista da banda, que contava com David Isberg nos vocais. O Opeth praticamente não excursionou para promover seus primeiros quatro discos, o que gerou desconfiança por parte do público: será que eles realmente sabem tocar o que gravam?

Mas, atualmente, com uma vasta discografia e três DVDs ao vivo, essa desconfiança caiu por terra e o Opeth se tornou uma das únicas bandas de metal com vocais que não caem na armadilha de alternar entre o lírico e o gutural, e talvez por isso consigo gostar tanto do resultado dos discos.



Como está escrito no site oficial da banda:

“Opeth has spent over two decades steadily amassing a body of work that is at once possessed of a fervent and unrelenting devotion to aesthetic progression (and perfection) while simultaneously scaling the summits of power, mysticism and might aspired to by the group's hard rock forefathers in Sabbath, Purple and Zeppelin.”

Lançado em 13 de setembro de 2011, Heritage é o décimo disco de estúdio dos caras, e o último com o tecladista Per Woberg, que saiu após as gravações. O lirismo e as influências do hard rock inglês setentista estão lá presentes nas composições, mas existe uma criatividade própria, um estilo todo da banda que traz uma lufada de originalidade sobre a colcha da mesmice que cobre os demais representantes do estilo.

A abertura, com Heritage, tem um piano no melhor estilo sonata de Beethoven, irritando aqueles que buscam o imediatismo, que não têm paciência para analisar sistematicamente a obra em seu contexto. Justamente por isso, creio que este é um daqueles discos que devem ser apreciados do começo ao fim como um trabalho único, e não através da ouvida de músicas individuais. Normal, já que o Opeth nunca foi de criar grandes hits.

The Devil’s Orchard é a sequência perfeita. Um riff que utiliza o silêncio como parte do clima abre com chave de ouro a composição. Os timbres dos instrumentos são bem trabalhados, o que dá grande mérito à produção. Os vocais e o Hammond nos remetem sem dó ao Deep Purple dos anos 70.



I Feel The Dark tem violão erudito fazendo a cama para uma vocalização hipnótica, como se estivéssemos diante de um bardo da era pré-renascentista. O desenvolvimento da canção termina em um clima quase prog, meio psicodélico. Me lembrou, em trechos, Capitain Beyond, mas depois essa imagem foi apagada pela grandiosidade da composição.

Slither traz a veia hard da banda, com um super riff blackmoreano de guitarra. Nepenthe traz na sequência a veia shred de Michael e seu parceiro das seis cordas, Fredrik Åkesson. Häxprocess tem ritmos desconexos de bateria, numa levada quase fusion, o que torna difícil qualificar o estilo do disco. Eu qualifico simplesmente como genial.

Aliás, aqui eu flexibilizo o meu ranço com a safra atual do metal (apesar de a banda já ter mais de vinte anos), e aclamo o Opeth como uma das bandas mais criativas do cenário.

Como diz o bom traficante: experimente, você vai gostar...

Track List

1. "Heritage"
2. "The Devil's Orchard"
3. "I Feel the Dark"
4. "Slither"
5. "Nepenthe"
6. "Häxprocess"
7. "Famine"
8. "The Lines in My Hand"
9. "Folklore"
10. "Marrow of the Earth"



Mikael Åkerfeldt (vocais, guitarras, Mellotron, piano)
Fredrik Åkesson (guitarra)
Per Wiberg (teclados, grand piano, Mellotron)
Martin Mendez (baixo)
Martin Axenrot (bateria)


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Por ZOrreiro

domingo, 23 de outubro de 2011

The Rolling Stones – Beggars Banquet + single [1968]


Já no topo do mundo em 1968, os Rolling Stones praticamente não tinham concorrentes naquele final de década. Os Beatles não faziam mais shows, o Cream amargava o fim, Hendrix não os batia em popularidade, e a turma do metal inglês ainda estava na fase embrionária.

Depois do não tão bem sucedido Their Satanic Majesties Request, que foi uma tentativa frustrada de embarcar na psicodelia da época, a turma de Jaggers e Richards, então com sua formação original, resolveu voltar às raízes. Este pode ser considerado o último disco de estúdio com a participação de Brian Jones.

Como está escrito no site oficial da banda:

“1968 was the year that flower power turned nasty. The previously peaceful 'counter culture' ran out of control. Students started rioting in the streets of Paris and the joy of youthful self-realisation turned to anger and aggression. Everywhere, the ceremony of innocence was drowned.”

Francamente, este é o meu preferido da fase Brian Jones. O single promocional trouxe nada mais, nada menos, que a fantástica Jumping Jack Flash, que, segundo a biografia de Richards, foi inspirada no jardineiro da sua casa que aparecia e sumia da janela enquanto ele e Jagger riam totalmente chapados.



O disco, sétimo de estúdio da banda, foi lançado em 6 de dezembro de 1968. A capa original do play, fotografada na mansão Sarum Chase, foi considerada forte demais pela gravadora, e substituída pela famosa foto do banheiro grafitado.

Após o lançamento do disco, para divulgar as músicas, os Stones gravaram o famoso especial Rock ‘n’ Roll Circus, com a presença de John Lennon, Eric Clapton, Mitch Mitchel, Taj Mahal e um Jethro Tull com Tony Iommi nas guitarras. A performance de Simpathy for the Devil, abertura do play, é arrasadora e chocou muito na época.



No Expectations é fantástica, trazendo um lirismo típico da dupla Jagger/Richards. Esse disco, saliente-se, é um dos que contém mais números acústicos da carreira da banda. Parachute Woman é blues, assim como Stray Cat Blues, relembrando que foi esse o nicho no qual os Stones começaram.

Street Fighting Man fez grande sucesso, alcançando o Top 100 da Billboard. Na época isso significava alguma coisa.

Mas o final é simplesmente de chorar: The Salt Of The Earth. Letra inspirada e levada de violão com melodia fantástica, foi a escolhida pela banda para cantar com Axl Rose e Izzy Stradlin quando estes se juntaram aos Stones no palco, na turnê em que o Guns fez a abertura em 89.



Tem que conhecer, tem que ter.

Porque clássico é assim.

Track List

1. Simpathy For The Devil
2. No Expectations
3. Dear Doctor
4. Parachute Woman
5. Jigsaw Puzzle
6. Street Fighting Man
7. Prodigal Son
8. Stray Cat Blues
9. Factory Girl
10. Salt Of The Earth



Single

1. Jumping Jack Flash
2. Child Of The Moon

Keith Richards (vocais, guitarra, violão)
Mick Jagger (vocais)
Brian Jones (guitarras, cítara, mellotron, harmonica)
Bill Wyman (baixo)
Charlie Watts (bateria)

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Por ZOrreiro

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

The Doors – L. A. Woman [1971]



Resolvi dia desses pegar o volante da Combosa pra dar uma pilotada. Afinal, ficar tempo sem pilotar provoca síndrome de abstinência.

Como quem dirige escolhe o que rola no toca-fitas (afinal, é um combão), escavei o baú e metí Blue Cheer a todo volume. No meio do caminho escuto uma voz que vem lá da terceira fila de passageiros dizendo que o som tá bom, mas que tá faltando um Doors pra animar o passeio.

Dou um bico no retrovisor e vejo o velho marujo Cauê Machado fazendo um positivo com o dedão da mão esquerda e lascando aquele sorriso. E sabe que ele tem razão? Pois agora vou dirigir mais um pouco, ao som dos Doors, e vendo o Cauê dar porrada no encosto do banco da frente na batida do som.

The Doors teve seu nome inspirado na obra de Aldous Huxley, intitulada The Doors of Perception; um livro editado em 1954 que relatava as experiências do autor com mescalina, uma substância alucinógena extraída do Peiote, uma espécie de cactus que nasce nas regiões desérticas do México.

Difícil escolher um disco da carreira dos Doors e, em razão disso, resolvi optar pelo último que, apesar das críticas,é meu preferido.

A carreira da banda estava a perigo com as inconstâncias do líder Jim Morrison, que não produzia como antes e suas letras deixavam de ter o poder instigante de outrora. Ademais, ao vivo ele praticamente não cantava. Estava gordo e barbudo, deixando de ser, inclusive, aquele sex symbol que enlouquecia as garotas nos shows.



Os dois grandes compositores da banda, o guitarrista Rob Krieger e o tecladista Ray Manzareck, estavam em constantes viagens de LSD. O baterista John Densmore parecia cansado. Para completar, o produtor Paul A. Rothchild participou de somente duas músicas, abandonando o estúdio e, segundo o próprio relatou em uma entrevista à revista Guitar World, mandando-os à merda porque eles haviam entrado no estúdio sem nenhuma composição pronta, e não se achavam como grupo.



Paul relatou também que, no disco, somente duas músicas prestam. Eu, pessoalmente, discordo.

Nesse clima absolutamente ruim de desintegração, a banda assumiu a produção do disco e recrutou Marc Breno para as guitarras bases e Jerry Cheff para o baixo. Era um staff que garantia liberdade para Krieger e Manzareck brincarem à vontade e, com isso, comporem para o play. As músicas saíam a fórceps, e as gravações foram feitas praticamente na forma ao vivo no estúdio.

Love Her Madly é uma daquelas composições típicas de Robbie Krieger, com alto astral e melodias cativantes, a exemplo do que o cara já havia feito em Light My Fire e Touch Me. L. A. Woman traz um riff de corda solta que, se botar distorção, é hard rock puro.

Crawling King Snake é um cover de John Lee Hooker que traz a veia blueseira da banda, junto com Cars Hiss By My Window. Muito do que foi feito aqui pode ser considerado a musicalização de poemas de Morrison. Mas a cereja do bolo é o encerramento, com a fantástica Riders on the Storm. A música é o canto do cisne, a última gravação original da banda que mudou a contracultura norteamericana.



A turnê do disco foi um verdadeiro desastre. Morrison não conseguia cantar e não terminou quase nenhum show. A banda, então, cancela os trabalhos e o cantor se muda para Paris com sua namorada. Em 3 de julho de 1971, é encontrado morto na banheira do hotel sob circunstâncias misteriosas. O médico legista, que estava saindo de férias, fez um laudo obscuro e a causa mortis nunca foi registrada de forma clara.

Alguns dizem que ele teve uma overdose de heroína no banheiro de um bar após cheirar a droga pensando que era cocaína. Ele teria sido levado até o hotel e colocado na banheira por conhecidos. A verdade, nunca saberemos.

Well I came into town about an hour ago….

Track List

1. The Chalenging
2. Lover Her Madly
3. Been Down So Long
4. Carrs Hiss By My Window
5. L.A. Woman
6. L’America
7. Hyacinth House
8. Crawling King Snake
9. The WASP (Texas Radio and the big beat)
10. Riders On The Storm

Jim Morrison (vocais)
Robbie Krieger (guitarras)
Ray Manzarek (piano, órgão)
John Densmore (bateria)

Marc Benno (guitarra base)
Jerry Scheff (baixo)

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Por ZOrreiro

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Blue Cheer – Vincebus Eruptus [1968]



Minha postagem de número 100. É como escolher a primeira. Tem que ser algo especial.

Medalhão ou subestimado? Mainstream ou underground?

Que tal a verdadeira gênese do heavy metal?

Pois resolvi raspar o fundo do baú e trazer um dos precursores do stoner rock e do heavy metal da história: Blue Cheer.

Direto de São Francisco, Califórnia, o Blue Cheer surgiu como mais uma daquelas bandas de garagem que nasceram para passar despercebidas pelo cenário musical. Não fosse um detalhe: o peso absurdo era incomum para a época dominada pela Beatlemania.

Quando falamos em power trio metendo peso em clássicos do blues as primeiras bandas que nos vêm à cabeça são Cream e The Jimi Hendrix Experience. O Blue Cheer veio antes, mas inicialmente com quatro integrantes.

No grande ano de 1966, Eric Albronda e Jerry Russel uniram forças a Dickie Peterson e formaram o Blue Cheer quando a cultura do paz e amor florescia a todo vapor. A base era o blues, mas com o foco no rockabilly dos então fantásticos anos 50. Leigh Stephens logo assumiu as guitarras e a formação clássica estava montada.

Quando conseguiram um contrato com a gravadora Phillips, a banda já se encontrava no formato power trio, com Dickie Peterson nos vocais e baixo, Leigh Stephens nas guitarras e Paul Whaley na bateria. Para completar a cena, o produtor dos shows do Blue Cheer nos anos 60 era um integrante dos Hell Angels que se chamava simplesmente Gut, e trabalhou em parceria com Abe “Voco” Kesh nesse primeiro full lenght.



O Blue Cheer se tornou a primeira banda de heavy metal da história, assim definida após a veiculação do termo pelo Steppenwolf em Born to be Wild. Essa informação aparece em Metal: A Headbanger's Journey, de Sam Dunn e Scott McFadyen. Por mais que Zeppelin e Sabbath sejam creditados como precursores do metal, eles sequer existiam em 1966.

O Hell Angels way of life associado ao crescimento da contracultura da costa oeste dos Estados Unidos fizeram surgir, em meio à psicodelia, um grito raivoso chamado Blue Cheer. Jim Morrison (The Doors) os classificou como a banda mais poderosa que ele já vira. E ele tinha razão.



O debut dos caras, postagem de hoje, abre a porta na base da pedrada: Summertime Blues em uma versão que só não é melhor que a original porque estamos falando de Eddie Cochran, um dos pais do rockabilly. Mas, sinceramente, traz tanta energia e criatividade que é impossível não tê-la entre os melhores covers da história do rock. Na sequência, um clássico do blues chamado Rock Me Baby que, para quem ainda não sabe, foi imortalizado na voz de Muddy Waters, termina a primeira fase do play.

Depois disso, apenas quatro músicas autorais completam o disco. Mas a força e a intensidade do power trio, aliados à crueza da gravação definem um estilo musical.



Grave bem a imagem da capa. Seguidamente é possível encontrar algum maluco vestindo camiseta com essa gravura.
Daqui pra frente, você saberá que estamos falando de algo único.

Track List

1. "Summertime Blues"
2. "Rock Me Baby"
3. "Doctor Please"
4. "Out of Focus"
5. "Parchman Farm"
6. "Second Time Around"


Dickie Peterson (vocais e baixo)
Leigh Stephens (guitarras)
Paul Whaley (bateria)

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Por ZOrreiro

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Elton John – Goodbye Yellow Brick Road [1973]



O que dizer do disco que é uma das maiores inspirações para Zakk Wylde?

Elton John mudou o mundo do show business e proporcionou shows antológicos que, além de música de qualidade, traziam performances arrasadoras.

Nascido sob o nome de batismo Reginald Kenneth Dwight, Sir Elton Hercules John (que nome artístico!) começou sua carreia profissional em 1967, já dividindo as composições com seu grande parceiro de longa data Bernie Taupin. É músico de formação clássica, tendo estudado na Royal Academy of Music em sua adolescência.

Antes de 1967, ele chegou a tocar em pubs de Londres, sem, contudo, gravar nada. Dá pra dizer, guardadas as devidas proporções, que Elton começou como pianista de churrascaria (não resisti). Foi então que ele conheceu o letrista Bernie Taupin e ambos compuseram em parceria o debut do artista. Depois disso, ele se tornou um dos maiores artistas da gravadora MCA, tendo participado, inclusive, da ópera rock Tommy, do The Who, com aquela que é a melhor música do disco na minha opinião: Pinball Wizard. Elton John era Midas naqueles loucos anos 70.



A postagem de hoje, Goodbye Yellow Brick Road, é o sétimo disco de estúdio de Elton John. Vendeu até hoje a bagatela de 31 milhões de cópias em uma carreira que conta com mais de 250 milhões de vendas no total. Estamos falando de uma época em que rockstars eram realmente glamourosos e podiam andar pela rua com terno de lantejoulas sem serem taxados de malucos.

Elton John e Bernie Taupin escreveram e começaram a produção no disco durante suas férias na Jamaica, em 1973. Após problemas com a qualidade de gravação jamaicana, mudaram a turma para Château d'Hérouville, na França, e lá concluíram os trabalhos. Uma das música é entitulada Jamaican Jerk Off, e eu faço uma ideia do porquê.

O castelo foi palco de gravação de diversas bandas, como Pink Floyd, T Rex, MC5, Bad Company e David Bowie. A banda de Elton John contava com Davey Johnstone nas guitarras, fiel escudeiro que o acompanha até os dias de hoje.

O play abre com a fantástica Funeral For a Friend/ Love Lies Bleeding, que fizeram Zakk Wylde virar seus olhos para o piano diversas vezes. O bom gosto da composição, as dinâmicas e a fúria da banda que acompanha o cara tornaram essa abertura um hit de proporções históricas. Sintetizadores pesados, cadência angustiante e o piano regendo a melodia trazem uma sensação única. Apague as luzes e deixe rolar esse som nos falantes (sem fones de ouvido, por favor, porque a liberdade é wireless).



Na sequência, a famosa Candle in The Wind, que tornou-se um hit brega após a morte da amiguxa princesa Diana. Esqueça aquela cafonice. Aqui ela faz parte de um contexto, e merece crédito. A seguir, Bennie and the Jetts traz o Elton John rocker, lembrando o que Paul McCartney fez nos Wings na mesma época, mas sem aquela sensação de estar forçando a barra que permeava os discos do Beatle.

Todo o disco é bom, mas também vale destacar o rockão Saturday Night’s is Allright for Fighting, que traz a veia mais dançante e pesada (guardadas novamente as devidas proporções) do cara, lembrando o que ele fizera com o The Who em Tommy.



Se a imagem que você tem de Elton John é do gordinho burocrático que tocou no Rock in Rio, ou da louca que era amiga da Princesa Diana, chegou a hora de mudar seus conceitos. Ninguém, desde Jerry Lee Lewis, fez o que Elton John fez ao piano nos anos 70. E duvido que tenhamos, tão breve, algo parecido. É bem melhor abaixar a afinação de sua guitarra com captadores EMG ativos e soar absolutamente igual a todas as outras bandas de merda do metal atual.

Isso é escola do rock. Encare como tal.

Track List

1. "Funeral for a Friend/Love Lies Bleeding"
2. "Candle in the Wind"
3. "Bennie and the Jets"
4. "Goodbye Yellow Brick Road"
5. "This Song Has No Title"
6. "Grey Seal"
7. "Jamaica Jerk-Off"
8. "I've Seen That Movie Too"
9. "Sweet Painted Lady"
10. "The Ballad of Danny Bailey (1909–34)"
11. "Dirty Little Girl"
12. "All the Young Girls Love Alice"
13. "Your Sister Can't Twist (But She Can Rock 'n' Roll)"
14. "Saturday Night's Alright for Fighting"
15. "Roy Rogers"
16. "Social Disease"
17. "Harmony"

Elton John (vocals, piano, electric piano, organ, Farfisa organ, mellotron, Leslie piano)
Dee Murray (baixo)
Davey Johnstone (acoustic, electric, Leslie, slide and steel guitars, banjo)
Nigel Olsson (bateria)
Ray Cooper (tambourine, congas)
Dee Murray, Davey Johnstone, Nigel Olsson (backing vocals)
Del Newman (orchestral arrangement)
Leroy Gomez (Saxophone solo on "Social Disease")
David Hentschel (A.R.P. synthesiser)
Kiki Dee (Backing Vocals on "All the Girls Love Alice")

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Por ZOrreiro

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Testament – Practice What You Preach [1989]



Nunca entendi ou aceitei um Big 4 sem Testament.

A Bay Area foi o nicho do surgimento do thrash metal norte americano. Os californianos deram uma resposta à altura quando o assunto era a questão paz e amor do flower power sessentista. L.A., Frisco e todas as cidades que serviram de palco para a criação de comunidades alternativas baseadas na cultura lisérgica do paz e amor agora queriam que tudo fosse pro espaço. A nova geração era raivosa.

Guitarras afiadas como navalhas e baterias velozes, vocais urrados e contrabaixo na cara, o thrash impede qualquer definição genérica. E, nessa cena, o Testament se destacava tanto quanto o Metallica, o Megadeth e o Slayer naqueles longínquos anos 80. Acrescente-se que surgiu em 1983, ou seja, no mesmíssimo período do Genesis da bateção de cabeça.

Chuck Billy entrou somente em 1986, substituindo Steve Souza nos vocais e já para a gravação do debut, The Legacy, que sairia no ano seguinte. Com um vocalista que parece mais um índio gigante (Chuck Billy), um grande compositor (Eric Peterson) e um dos melhores e mais técnicos guitarristas do metal (Alex Skolnick), os caras estavam muito acima da média.



Inicialmente, suas músicas traziam temáticas embasadas no ocultismo e religião (The Legacy e The New Order), mas, com o tempo, o amadurecimento trouxe os inevitáveis protestos de cunho político e social. E esse amadurecimento aparece latente no post de hoje: Practice What You Preach.

Terceiro full lenght de estúdio da banda, Practice What You Preach traz um Testament no auge do seu apuro técnico e com letras fortes. Bem produzido, foi a catapulta que lançou o grupo ao primeiro escalão do thrash metal mundial.

A faixa título abre o play com riffs diretos e guitarras bem trabalhadas, solando na medida certa e demonstrando um entrosamento sem igual para a época. Sou suspeito para falar porque, desde esse disco, Alex Skolnick passou a figurar entre meus guitarristas favoritos de todos os tempos. E ele divide muito bem os holofotes com Peterson.



Perilious Nation mostra um elemento que difere o Testament das outras bandas do estilo: baixo bem mixado e na cara, limpo, mas com muito peso. E isso é muito bom! Se compararmos (e comparações sempre são mal vistas), Araya não sabe tocar, Burton não sabia timbrar (essa vai feder). Temos, então, um elemento que os torna um destaque na cena.

Envy Life sempre me pareceu a música que inspirou o Pantera a tomar a direção que tomou a partir de Cowboys From Hell, apesar de os discos terem saído quase que simultaneamente. Time is Comming é apocalíptica, inclusive na letra.

Não vou comentar faixa por faixa, mas é interessante ver que The Ballad traz um Testament de olho na então super mainstream MTv. Com direito a clip e tudo, a música destoa do conjunto da obra. Para mim, é a pior do disco, mas foi a que estourou naquele canalzinho de televisão que era tudo o que tínhamos antes da internet. Já diz o dito popular que a ocasião faz o ladrão.



Um play de uma época em que era caro e complicado conseguir bons discos. Um divisor de águas na carreira de uma das bandas mais queridas da cena. Um grande disco.

Muito thrash! Muito bom.

Track List

1. "Practice What You Preach" – 4:54
2. "Perilous Nation" – 5:50
3. "Envy Life" – 4:16
4. "Time Is Coming" – 5:26
5. "Blessed in Contempt" – 4:12
6. "Greenhouse Effect" – 4:52
7. "Sins of Omission" – 5:00
8. "The Ballad" – 6:09
9. "Nightmare (Coming Back to You)" – 2:20
10. "Confusion Fusion" (instrumental) – 3:07

Chuck Billy (vocais)
Alex Skolnick (guitarras)
Eric Peterson (guitarras)
Greg Christian (baixo)
Louis Clemente (bateria)

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Por ZOrreiro

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Judas Priest – Rocka Rolla [1974]



Pouca gente sabe que, atualmente, Ian Hill é o único remanescente da formação original do Judas.

Formada em 1970 na cidade de Birmingham (terra natal do Black Sabbath), a banda contava originalmente com Ian Hill no baixo, K. K. Downing nas guitarras, Alan Atkins nos vocais e John Ellis nas baquetas. O nome foi extraído de uma música de Bob Dylan, intitulada The Ballad of Frankie Lee and Judas Priest, e era como se chamava a banda original de Al Atkins formada em 1969: Judas Priest. Que história, o nome da banda foi emprestado...

Al Atkins sai do Judas e, para seu posto, é chamado o irmão da gata que K.K. Downing estava pegando: Robert Halford. Vários bateras passaram pelo posto até que John Hinch é trazido por Halford, pois ambos integravam uma mesma banda chamada Hiroshima. Glen Tipton entrou em 1974 para as gravações do primeiro disco, por sugestão da gravadora. Segundo algumas fontes, Tipton recebeu os créditos, mas não compôs nenhuma das músicas do primeiro disco.



Lançado em 1974, o debut do Priest foi produzido por ninguém menos que Rodger Bain, responsável pela produção dos três primeiros petardos do Black Sabbath. Apesar disso, a aposta da gravadora não foi alta, e os caras tiveram que fazer um ao vivo no estúdio, o que resultou em uma sonoridade pouco empolgante.

Mas não há como não se empolgar com a qualidade das composições e a performance de uma banda querendo mostrar seu trabalho ao mundo. Das sessões de gravação, The Ripper, Tyrant, Genocide e Victim of Changes foram guardadas para serem lançadas no próximo play, e, curiosamente, são as que ainda hoje fazem a cabeça do público nos shows.

A abertura, com One For The Road traz um hardão a la Free com o qual é impossível não ficar empolgado. Rob Halford já se mostra o grande vocalista que conquistaria o mundo alguns anos depois. Se considerarmos que o disco é uma gravação ao vivo, eu diria que ele é o melhor músico do grupo.
Winter é praticamente uma vinheta, e traz a escola heavy metal na qual o Judas é mestre incontestável. A produção sabbathiana é evidente em Deep Freeze, mas os trabalhos de guitarras dobradas merecem um destaque a parte: foram gravadas antes mesmo dos trabalhos da dupla Gorham/ Robertson, do Thin Lizzy. Me arrisco a dizer que aqui está a origem desse tipo de entrosamento entre twin guitars.



Run of the Mill é um épico de mais de 8 minutos muito bem tocados. Caviar and Meths é a única que parece deslocada do contexto. Mais para outra vinheta, são 2 minutos de um dedilhado que parece ter saído daqueles primórdios de 1969. Mas era para ser o encerramento do disco original. O cd trouxe um bônus.

Além das composições próprias, o clássico Diamonds & Rust, de Joan Baez, foi acrescentado ao set list original. É impressionante como essa música é hipnotizante ao vivo. Quem conferiu o show dos caras pode confirmar o que estou dizendo.

Ouça isso. Mesmo que você já conheça, deve fazer um tempo que não coloca pra rodar no play. A hora é agora.

Track List

1. "One for the Road"
2. "Rocka Rolla"
3. "Winter"
4. "Deep Freeze"
5. "Winter Retreat"
6. "Cheater"
7. "Never Satisfied"
8. "Run of the Mill"
9. "Dying to Meet You/Hero, Hero"
10. "Caviar and Meths"
Bonus Track
11. "Diamonds & Rust"




Rob Halford (vocais, harmonica)
Glenn Tipton (guitarras, sintetizadores, backing vocais)
K.K. Downing (guitarras)
Ian Hill (baixo)
John Hinch (bateria)

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Por Zorreiro

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Twisted Sister – Club Daze: The Studio Sessions, vol. 1 [1999]



Os Sisters eram uma das bandas formadas por marginais novariorquinos da metade dos anos 70.

Mark “The Animal” Mendoza, egresso dos Dictators, era famoso por ser o cara com quem ninguém se metia. Na biografia de Dee Dee Ramone, Poison Heart, ele é visto quase como um xerife da cena clubber na época.

Junte isso à podridão do subúrbio de Nova York, à heroína sendo consumida a rodo, e terás uma cena com Ramones, New York Dolls e todo tipo de violência sonora contrária à balela de paz e amor da Costa Oeste, e que não tinha a técnica do heavy inglês. O punk nasceu nos Estados Unidos. Isso é fato.

Formada por Jay Jay French em 1972, teve o acréscimo de Dee (Daniel) Snider somente em 76, e a coisa transformou-se do glam a la T. Rex em algo bem mais pesado. Snider passou a ser o principal compositor do grupo, sendo que, das demos aqui apresentadas, apenas T.V. Wife, Can’t Stand Still e Follow Me são de autoria de Jay Jay French.

As duas primeiras faixas, Come Back e Pay the Price comprovam que a banda era uma válvula de escape para o welfare state mentiroso da cultura yankee. As gravações trazem Tony Petri nas baquetas, com influência Zeppeliniana na cara.



Rock n Roll Saviors mostra uma banda se autointitulando a salvação contra a então dominante disco music daqueles finais de anos 70. Guitarras dobradas mostram clara influência de Thin Lizzy. O feeling a la T. Rex aparece em Lady’s Boy. T.V. Wife tem um riff bem típico do metal. Talvez nada fantástico para que não é fã.



As demos de clássicos estão aqui também, como I’ll Never Grow Up Now (saiu em Under The Blade), The Leader of The Pack (cover, saiu em Come Out And Play), Under The Blade e Shoot ‘em Down (Under The Blade). São músicas gravadas entre 1978 e 1981, que mostram claramente as direções que a banda tomaria e aquelas que seriam descartadas naqueles megaplatinados anos 80. Segue as informações de gravação:

Bolognese Studios, Merrick, NY (05/05/1978); Electric Lady Studios, New York, NY (05/05/1978); Mediasound, New York, NY (05/05/1978); Bolognese Studios, Merrick, NY (11/1979); Electric Lady Studios, New York, NY (11/1979); Mediasound, New York, NY (11/1979); Bolognese Studios, Merrick, NY (1981); Electric Lady Studios, New York, NY (1981); Mediasound, New York, NY (1981).

Após a gravação das demos, a bateria passou pelas mãos de Joey Brighton e Richie Teeter (baterista dos Dictators), até ser finalmente efetivado o grande (hoje na largura) AJ Pero. É interessante também saber que o primeiro selo a assinar com os Sisters era inglês, a Secret Records. Mais uma banda que atravessa o Atlântico para ser reconhecida pelo mercado fonográfico.

Depois de tanta peregrinação pelos clubes pequenos da vida, o debut veio somente em 1982, ou seja, 10 anos depois do início das atividades. Aqui está uma banda ralando pra tentar encontrar seu estilo e seu nicho. Montando um portfólio. Quando o contrato aconteceu, já sabemos o resultado.

Mas vale o acervo histórico de um dos maiores ícones dos anos 80.

Track List

1. Come Back - 6:30
2. Pay the Price - 4:28
3. Rock 'n' Roll Saviors - 4:37
4. High Steppin' - 2:45
5. Big Gun - 4:02
6. T.V. Wife - 4:01
7. Can't Stand Still - 3:45
8. Follow Me - 3:52
9. Lady's Boy - 4:20
10. I'll Never Grow Up, Now - 4:11
11. Leader of the Pack (Ellie Greenwich, Shadow Morton, Jeff Barry)- 3:54
12. Under the Blade - 4:29
13. Shoot 'Em Down - 3:43



Dee Snider (vocais)
Jay Jay French (guitarras)
Eddie Ojeda (guitarra, backing vocais)
Mark Mendoza (baixo, backing vocais)
Kenneth Harrison Neill (baixo)
Tony Petri (bateria)

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Por Zorreiro

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Pink Floyd – The Final Cut (1983)


O ultimo corte talvez tenha sido o melhor título para este álbum.

Depois de flertar descaradamente com o pop e a disco music em The Wall, as cifras (que já jorravam aos milhões desde o clássico The Dark Side Of The Moon) atingiram níveis inimagináveis.

A turnê de The Wall foi matadora, e o Pink Floyd adentra a década de 80 com a mesma categoria com que entrara na de 70. Letras melancólicas de um lirismo incomparável, produção impecável e um instrumental sem precedentes na história do rock, graças à química e ao talento de David Gilmour e Richard Wright, especialmente.

Mas a cabeça de Roger Waters, que nunca foi lá essas coisas em termos de sanidade, vagava por um universo paralelo. A vontade de gritar seus traumas para o mundo fez surgir este que, talvez, seja o disco mais Roger Waters de toda a discografia do Pink Floyd.

The Final Cut é o último disco de estúdio do Pink Floyd com Waters, e aquele que traz a volta às raízes que geraram The Dark Side of The Moon. Richard Wright já havia pulado fora, e não participou. Mas os tempos eram outros, e os novos fãs não estavam tão acostumados à psicodelia original da banda. Com músicas arrastadas e letras densas e depressivas, esse é o disco que o músico dedicou ao seu pai, Eric Fletcher Waters, morto na Segunda Guerra Mundial em 18 de fevereiro de 1944, na Itália, quando Roger ainda era um bebê.


A família Waters. Roger é o bebê menor.

Criado pela mãe, Waters já havia se manifestado sobre a sua figura opressora em Mother, do clássico The Wall. The Final Cut foi escrito inteiramente por Roger e dedicado à figura do seu pai. O disco é conceitual, e o nome paterno aparece explícito em The Fletcher Memorial Home. A capa é uma foto de um detalhe do uniforme usado pelo falecido pai, com as insígnias da Marinha inglesa (ele fora fuzileiro naval). O título original era para ser Requiem For a Post War Dream.

O disco foi concebido originalmente para ser trilha sonora do filme The Wall, de 82, mas foi lançado separadamente em razão da Guerra das Malvinas, que acontecia na época e envolveu Inglaterra e Argentina. O disco saiu como um manifesto contra a guerra e a política de Margareth Tatcher.





As orquestrações são conduzidas por Michael Kamen, que já trabalhou com Metallica e havia trabalhado em The Wall. O resultado, a despeito de algumas críticas negativas, é um disco coeso e muito bem produzido. As composições, dentro da proposta, são inspiradas e mostram um Roger Waters disposto a encarar o mundo de frente e gritar aos quatro cantos as suas ideias sobre o mentiroso Welfare State inglês.

Independentemente disso, o disco vale por uma passagem especial, na música The Gunners Dream. Quando a voz de Waters se mescla com o saxofone, exatamente no mesmo tom e na mesma timbragem, a impressão que temos é de cair no vazio. Um sentimento que aperta o coração dentro do peito. Eu acho este, especificamente, um dos momentos mais lindos e impressionantes da história da música.



Se você conhece o play, sabe do que estou falando. Se não conhece, encontre essa passagem.

Você nunca mais será o mesmo.

Track List

1. "The Post War Dream"
2. "Your Possible Pasts"
3. "One of the Few"
4. "When the Tigers Broke Free"

5. "The Hero's Return"
6. "The Gunner's Dream"
7. "Paranoid Eyes"
8. "Get Your Filthy Hands Off My Desert"
9. "The Fletcher Memorial Home"
10. "Southampton Dock"
11. "The Final Cut"
12. "Not Now John"
13. "Two Suns in the Sunset"

David Gilmour (guitarra, vocais em "Not Now John")
Nick Mason (efeitos sonoros com holophonics, bateria)
Roger Waters (vocais, baixo, violões, sintetizadores)
Músicos adicionais
Andy Bown (órgão Hammond)
Ray Cooper (percussão)
Michael Kamen (piano, condução e arranjos da the National Philharmonic Orchestra)
Andy Newmark (bateria em "Two Suns in the Sunset")
Raphael Ravenscroft (saxofone tenor)

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Por Zorreiro

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Megadeth – Youthanasia [1994]



Esse disco forma a santíssima trindade do auge da popularidade do Megadeth, juntamente com Rust In Peace e Countdown To Extinction. E é puro hard rock.

Marty Friedman estava mais entrosado que nunca, David Ellefson, membro fundador da banda, e Nick Menza estavam efetivados havia alguns anos. A formação do Megadeth era incrivelmente estável e aparentemente definitiva. O resultado não poderia ser outro: mortal!
Em 1994 o Metallica amargava um inexplicável ostracismo, provavelmente decorrente da ressaca do sucesso do Black Album, e sua trajetória foi descendente na década (apesar de que eu gosto de Load, mas isso é outra história). Slayer parecia fazer mais do mesmo e isso estava enjoando. Anthrax estava num vai/ não vai, mesmo depois do fantástico Sound of White Noise. Sobrava só o Megadeth para empunhar o estandarte.

O som fugia um pouco do thrash metal tradicional, dando continuidade ao que foi feito em Countdown. Mas ainda tínhamos o bom e velho Megadeth de guerra desfilando petardos violentos com letras sobre política, crimes e problemas em geral (Family Tree é sobre incesto).

A abertura, com Reckoning Day, nos faz pensar que estamos diante do velho e bom thrash metal da Bay area, apesar de a cadência parecer um pouco lenta para os padrões. O ritmo é quase dançante, e isso é uma heresia em se tratando de Megadeth.



Acha que estou exagerando? O hard rock glam havia acabado e as bandas thrash estavam rumando para esse nicho? Claro! Vou repetir: quem gostava de hard farofa não curtiu grunge. Foi buscar em outras fontes, como... Megadeth e Metallica. Duvida? Ouça Elysian Fields e me responda: isso é thrash?

Train of Consequences abre com um daqueles riffs que lembram o que Mustaine fez em Kill ‘Em All, debut do Metallica. As vocalizações estão um pouco mais melódicas do que o usual, e a veia hard rock de Mustaine se apresenta pela primeira vez juntamente com o solo de Friedman, que parece sair daquelas escalas exóticas que fizeram a sua fama em Rust In Peace.



A Tout Le Monde foi o hit do disco, tendo sido regravada posteriormente pela própria banda com a adição de vocais femininos. Mas aqui está a original e, por ser a versão remasterizada, a demo original. Solos dobrados são a cereja do bolo.

Depois desse disco a banda pareceu não mais se entender. Os rumos musicais ficaram confusos e Marty Friedman cada vez mais distante. A sua saída tornou-se, então, inevitável.

Muitos dizem gostar dos discos do Megadeth depois desse, como Risk e Cryptic Writings. Mas o fato é que aqui está o último grande registro com Friedman.

É interessante ver como uma banda que finalmente consegue ser a número 1 deixa a história escorrer por entre seus dedos como se fosse areia.

Track List

1. "Reckoning Day"
2. "Train of Consequences"
3. "Addicted to Chaos"
4. "À Tout le Monde"
5. "Elysian Fields"
6. "The Killing Road"
7. "Blood of Heroes"
8. "Family Tree"
9. "Youthanasia"
10. "I Thought I Knew It All"
11. "Black Curtains"
12. "Victory"
13. "Millenium of the Blind"
14. "New World Order" (demo)
15. "Absolution"
16. "A Tout le Monde" (demo)


Dave Mustaine (vocais, guitarra)
David Ellefson (baixo e vocais)
Marty Friedman (guitarras)
Nick Menza (bateria)

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Por Zorreiro

terça-feira, 27 de setembro de 2011

John Mayall Bluesbrakers – A Hard Road [1967]



Eric Clapton is God

Essa era a imagem do Slowhand em meados dos anos 60, em razão do seu trabalho com os Yardbirds, traduzida em um grafite na parede do metrô de Londres.

Descontente com o rumo dos trabalhos de sua banda, Clapton abandonou o barco e foi se juntar com aquele que é considerado um dos precursores do british blues eletrificado: John Mayall e seus Bluesbrakers.

Os Bluesbrakers com Clapton logo atingiram o status de Cult. O disco Beano hoje é o mais vendido da carreira de Mayall, que, convenhamos, é bastante prolífica. Os timbres de amps Marshall cuspindo fogo pelas ventas eram uma novidade na época, pois, em 66, os sistemas de distorção de som ainda eram precários. Clapton resolveu isso lacrando todos os botões no máximo e obtendo um dos timbres mais quentes da história do rock. O guitarrista, então, sai para montar o Cream e leva consigo o baixista Jack Bruce. o Cream é produto da escola Mayall.



Foi nesse cenário que surge um rapaz de 19 anos chamado Peter Green, com a espinhosa função de substituir Eric “God” Clapton nos Bluesbrakers. O legado devia ser mantido por sua glória, mas a identidade própria era requisito de exigibilidade para a sobrevivência da carreira de Green. Ele não podia ser um clone de Clapton, mas tinha que se mostrar tão bom quanto.

Caro passageiro, o resultado foi tão explosivo que, hoje, poucos fãs ousam discutir qual dos dois discos é melhor: Beano ou A Hard Road. Os timbres característicos da Les Paul de Green fizeram escola. O músico também contribuiu com composições próprias, a exemplo da fantástica instrumental The Super Natural. Essa guitarra (uma Gibson Les Paul 1959) se tornaria um peso sobre os ombros de Green, que a vendeu e, anos depois, foi adquirida por Gary Moore (Moore não comprou direto de Green como alguns pensam).



Green, depois, leva consigo o baixista John McVie e o baterista Mick Fleetwood e forma o Fleetwood Mac, mais um produto da espantosa escola Mayall. Também foi acometido de esquizofrenia em razão do abuso de drogas e isso o tirou de cena durante as décadas de 70 e 80, reaparecendo com seu Splinter Group na segunda metade dos anos 90.

Mas aqui está o filé. Peter Green querendo mostrar serviço aos 19/20 anos de idade substituindo ninguém menos que aquele que era considerado o melhor guitarrista do mundo à época (Hendrix surgiu pouquíssimo tempo depois). Deguste o que há de melhor na escola britânica do blues.



Sobre a história, cabe a seguinte citação do site oficial de Mayall:

After Clapton and Jack Bruce left the band to form Cream, a succession of great musicians defined their artistic roots under John's leadership, and he became as well known for discovering new talent as for his hard-hitting interpretations of the fierce Chicago-style blues he'd grown up listening to. As sidemen left to form their own groups, others took their places. Peter Green, John McVie and Mick Fleetwood became Fleetwood Mac. Andy Fraser formed Free, and Mick Taylor joined the Rolling Stones. As Eric Clapton has stated, "John Mayall has actually run an incredibly great school for musicians."

Mais do que um simples disco para cumprir tabela com as gravadoras, aqui está um encontro entre talentos no qual rolou uma química sem igual. É mais uma aula de blues elétrico da escola Mayall. Aprenda com o mestre Mayall o que é blues elétrico.

Ah! Não escrevi no título para guardar a informação aos que resolveram ler a resenha: esta é a Expanded Edition, um cd duplo que saiu em 2003 contendo o famoso EP da jam que a banda fez com Paul Butterfield como bônus.



Definitivamente, não é para qualquer um. Espero que curtam.

Track List

CD 1

1 A Hard Road 3:10
2 It's Over 2:47
3 You Don't Love Me 2:40
Vocals - Peter Green (2)
4 The Stumble 2:50
5 Another Kinda Love 3:06
6 Hit The Highway 2:10
7 Leaping Christine 2:18
8 Dust My Blues 2:43
9 There's Always Work 1:38
10 The Same Way 2:07
Vocals - Peter Green (2)
11 The Super-Natural 2:57
12 Top Of The Hill 2:34
13 Some Day After Awhile (You'll Be Sorry) 2:57
14 Living Alone 2:20
15. Evil Woman Blues 4:05
16. All My Life 4:25
17. Ridin' on the L&N 2:32
18. Little by Little 2:47
19. Eagle Eye

CD 2

1.Looking Back 2:37
2. So Many Roads 4:47
3. Sitting in the Rain - 2:59
4. Out of Reach 4:44
5. Mama Talk to Your Daughter 2:39
6. Alabama Blues 2:31
7. Curly 4:51
8. Rubber Duck 4:00
9. Greeny 3:56
10. Missing You 1:59
11. Please Don't Tel 2:29
12. Your Funeral and My Trial 3:56
13. "Double Trouble" 3:22
14. "It Hurts Me Too" 2:57
15. Jenny - 4:38
16. Picture on the Wall - 3:03
17. First Time Alone – 5:00


John Mayall (vocais, guitarra, harmonica, piano, órgão)
Peter Green (vocais, guitarra, harmonica)
John McVie (baixo)
Colin Allen, Aynsley Dunbar, Hughie Flint (bateria)
John Almond e Alan Skidmore (saxophone)
Ray Warleight (sopros)


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Por Zorreiro

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Black Stone Cherry – Between The Devil & The Deep Blue Sea [2011]


Sabe aquele som que parece com algo que você já ouviu, mas não consegue identificar exatamente qual a origem da coisa?

Pois esse último lançamento do Black Stone Cherry é mais ou menos assim. Com pitadas de southern tock, stoner, country rock, hard rock e até hip hop (alguns vocais são praticamente rapeados), a mistura de ingredientes resultou num prato saborosíssimo. Refrões bem bolados e dinâmicas inteligentes fazem desse um disco gostoso de ser ouvido do começo ao fim.

Surgida em 2001, em Edmonton, Kentucky, a banda nunca se propôs a trazer algo inovador. Os caras prezam pelos timbres valvulados, vocais encharcados de Bourbon a la Zakk Wylde e cozinha simples, porém coesa (cortesia do bom trabalho de bumbo simples com uma destruição generalizada da prataria). Essa qualidade já aparece na abertura, com White Trash Millionaire, que traz um instrumental inspiradíssimo e um som com gana e muito bem produzido.



Chris Robertson e John Fred Young são filhos de Richard Young, guitarrista da inexplicavelmente ainda não postada banda Kentucky Headhunters. Os contatos e a música, portanto, estão presentes do berço.

Terceiro álbum de estúdio dos rapazes, The Devil And The Deep Blue Sea traz produção impecável e mostra que eles são uma aposta da gravadora Roadrunner. Inteligentes, sabem trabalhar com a nova era da internet e disponibilizaram o álbum para venda e as bonus tracks somente via itunes. Redes sociais são amplamente utilizadas como meios de divulgação do trabalho e o youtube já registra milhares de visualizações de seus vídeos.

As músicas trazem elementos tipicamente norteamericanos, com menções ao folclore e às superstições das diversas regiões do país (nome do disco anterior dos caras, Folklore and superstition). O som é algo moderno, sem cair na chatice geral que impera no mundo metal. Pense em peso e diversão juntas, com solos de guitarra curtos e inspirados nos licks de blues. Sobre solos, é importante lembrar que um solo não pode demorar mais que o tempo que você leva para ir buscar uma gelada no balcão do bar. E eles respeitam essa máxima.

Killing Floor é um peso que faria Zakk Wylde sentir orgulho, inclusive com o bom uso de um talk box. In my Blood é uma mistura excelente de violão, guitarra limpa e guitarra direta em um valvulado, o que mostra que os caras entendem de timbre. E a nós, caro passageiro, cabe avaliar se é bom ou não de ouvir. E é muito bom.

Such a Shame abre com um riff de guitarra furioso. Os riffs dessa banda são cortantes e, ao mesmo tempo, emocionantes. Eles trabalham muito bem o conceito de duas guitarras, sem utiliza-las como twins em melodias de solo mas dosando as freqüências, ou seja, enquanto uma faz o riff grave a outra dedilha em agudos. Isso dá um preenchimento excelente. Cortesia, também, da produção caprichada.

Won’t Let Go é a balada do disco. Doce e pesada na medida certa. Mas o grande hit, que vem a seguir, é Blame It On The Boom Boom. Com vídeo explodindo os níveis de audiência no youtube, é uma prova de que a banda encontrou seu nicho e cativou seu público fiel. Sonzeira! Dá vontade de sair pulando, encher a cara e agarrar todas as gatas que estiverem ao redor.



Todo o disco é bom. E as bonus tracks são a cereja do bolo. Fade Away é linda. Starring At The Mirror traz banjos, nos fazendo lembrar do Pride and Glory, do já citado Wylde.

Como eu disse, temos a impressão de já ter ouvido isso antes. Mas o resultado ficou tão bom que vale a pena conferir. Talvez o Silver ache que esse disco não vá mudar a vida de ninguém, mas temos que lembrar que todos nós já fomos atingidos em cheio por álbuns improváveis (desculpa, irmão, mas não resisti). Eu, por exemplo, curto Weather Report, que a maioria chama de música de elevador ou consultório de dentista. Vai saber.

Como diria Tim Tones, personagem do Chico Anysio: oásis nos desertos da dor.

Track List

1. "White Trash Millionaire" - 3:20
2. "Killing Floor" - 4:02
3. "In My Blood" - 3:49
4. "Such A Shame (Feat. Lzzy Hale)" - 3:27
5. "Won't Let Go (Feat. Lzzy Hale)" - 3:19
6. "Blame It on the Boom Boom" - 3:11
7. "Like I Roll" - 3:33
8. "Can't You See" (Toy Caldwell) - 3:33
9. "Let Me See You Shake" - 3:07
10. "Stay" - 3:24
11. "Change" - 3:05
12. "All I'm Dreamin' Of" - 4:03
13. "Staring at the Mirror" (iTunes and UK Retail Bonus Track) - 3:22
14. "Fade Away" (iTunes and UK Retail Bonus Track) - 3:45
15. "Die For You" (iTunes and UK Retail Bonus Track) - 3:14



Chris Robertson (vocais e guitarras)
Ben Wells (guitarras e backing vocais)
Jon Lawhon (baixo e backing vocais)
John Fred Young (bateria e backing vocais).

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Por Zorreiro

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Edguy – Hellfire Club [2004]



Tobias Sammet é um dos grandes gênios da música contemporânea.

Não aceitar isso é negar o óbvio.

Quando o Edguy começou sua carrreira, tinha um repertório focado no heavy metal melódico, flertando, por vezes, com o power metal tipicamente germânico (ou godo, já que eram troos). Além disso, o Avantasya (prjeto paralelo de Tobias) é uma espécie de ópera metal com diversos músicos a qual Sammet comanda com maestria ímpar.

O espírito inquieto do cara levou o Edguy a beber em diversas fontes, inclusive em um metal mais modernoso, em Tinitus Sanctus. Mas foi em Hellfire Club que a banda resolveu flertar descaradamente com o hard rock, e o fez de maneira espetacular, sem cair nas armadilhas típicas dos clichês do gênero. Claro que os clichês estão aqui, mas estão tão bem disfarçados que acabam soando com um certo frescor, com um ar de novidade. Exatamente por isso é o meu preferido dos caras.

Devo destacar também que Tobias Sammet não é um troo, e suas letras vêm recheadas de um senso de humor absolutamente fantástico. Tente não rir com um título como Lavatory Love Machine e ganhe seu atestado de rançoso. A letra fala de sexo no banheiro de um avião a caminho do Brasil (dá para ouvir o piloto falando Copacapána). Seria autobiográfica?



Sexto disco de estúdio, aqui o grupo começa a brincar de hard rock com classe, sempre apoiado pela Deutsches Filmorchester Babelsberg, uma orquestra sinfônica alemã que já gravou com Rammstein, Karat entre outras bandas de metal. O casamento com os fantásticos riffs de Jens Ludwig é perfeito. Aliás, um parêntese para o sempre maravilhoso trabalho do guitarrista, que parece não esgotar sua sacola de riffs jamais, co-autor de diversas canções com Sammet.

Os vocais de Tobias Sammet, principal compositor são excelentes, e a cozinha mostra que a banda já se encontrava com uma química típica de quem tem um extenso currículo. Mille Petrozza, do Kreator, foi o convidado especial nos backing vocais de Mysteria. Sob este aspecto, digo que o disco traz um astral altíssimo, um clima de camaradagem que reflete tanto nas composições como nas performances.

O power metal está presente em We Don’t Need a Hero, claramente inspirada em Helloween.

King of Fools tem um refrão pra todo mundo cantar junto, tornando-se de antemão um clássico do hard rock do Século XXI. Rise Of The Morning Glory começa com violões e orquestra, mas descamba em um metal ironmaideniano típico da era Powerslave/ Somwhere in Time. Excelente, pra dizer o mínimo. Confira abaixo.



Enfim, Hellfire Club é um daqueles discos que traz um diferencial. É tecnicamente perfeito e tem composições impecáveis. É uma imagem do metal desse século que está se apagando, ofuscada por bandas de um mesmo timbre de guitarras, mesmo timbre vocal, mesma cozinha... Ninguém mais precisa freqüentar aula de música, pois basta comprar um Guitar Hero e sair tocando.

Mas música, caro passageiro, é cultura em primeiro lugar. Videogame é passatempo. Ninguém consegue colocar talento em um software.

Aproveite o resto de talento que ainda existe na música.

Track List

1. "Mysteria"
2. "The Piper Never Dies"
3. "We Don't Need a Hero"
4. "Down to the Devil"
5. "King of Fools"
6. "Forever"
7. "Under the Moon"
8. "Lavatory Love Machine"
9. "Rise of the Morning Glory"
10. "Lucifer in Love"
11. "Navigator"
12. "The Spirit Will Remain"
13. "Children of Steel" (Bonus track)
14. "Mysteria" (Bonus track featuring Mille Petrozza of Kreator)



Tobias Sammet (vocais)
Jens Ludwig (guitarras)
Dirk Sauer (guitarras)
Felix Bohnke (guitarras)
Tobias Exxel (baixo)


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Por Zorreiro

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Brand New Sin – Distilled [2009]




Conseguir informações sobre produções independentes pode ser um martírio.

Brand New Sin já teve seu maravilhoso Recipe For Disaster resenhado por mim aqui. A formação que foi considerada a clássica já não existe mais, e a banda passou por mudanças radicais, especialmente no som.

Após experimentar o sucesso e amargar a dissolução que contava com uma química impecável, bem como ter encerrado o contrato com a gravadora Century Media, o Brand New Sin voltou às suas origens. E de forma independente lançou Distilled, o “disco do porquinho”.




Após a debandada geral, restaram somente Kris Wiechmann (guitarra e vocais), Chuck Kahl (baixo e vocais) e Kevin Dean (bateria), que resolveram tocar o barco no formato power trio. Sem a formação pancada e nem um contrato com gravadora, o mundo ficava mais duro com os caras.

Ron Keck, um dos donos do Subcat Studios, em Skaneateles, Nova York e amigo dos remanescentes, foi convidado para gravar alguns registros em forma de parceria. Nada, inicialmente, oficial, já que o futuro da banda era incerto. Algumas canções foram compostas na época de Recipe For Disaster, e outras são fruto de jam sessions realizadas nos estúdios, no melhor clima “deixe a fita rolar” (apesar de que não devem ter usado fita, enfim...).

Senhoras e senhores, o resultado da empreitada é simplesmente fantástico!

A abertura acústica com Enjoy The Ride traz o climão southern com ares de Central Park que fez a cabeça dos fãs nas gravações anteriores, e abre a porta com maestria para o que vem a seguir. The Dead Of One Thing Or Another é quase sleaze, trazendo uma gana que foge do peso absurdo típico das gravações anteriores mas que nos remete aos tempos em que hard rock dos anos 80 ainda era hard e ainda era rock. Parece que saiu de uma gravação de 1983 ou em torno disso. Solos inspirados no blues, riffs diretos, vocais com todo mundo junto e bateria curta como coice de porco (talvez por isso a capa do porquinho).

Breaking Bottles mostra timbres de Marshall em afinação padrão que fazem falta nos dias de hoje. Aliás, quero registrar um protesto. Tento ouvir bandas novas para postar aqui, como Black Veil Brides, In Flames, Asking Alexandria, Disturbed etc. Mas tudo que ouço são captadores ativos em amps mesa-boogie lacrados. Não que o timbre não seja bom, mas absolutamente todas as bandas têm o mesmo timbre de guitarra! Isso tornou-se um verdadeiro suplício.

Pois aqui temos variações de timbres orgânicos, em afinações que fazem com que cada instrumento respeite a faixa de frequência para a qual fora criado. E isso é bom.


É difícil destacar faixas específicas, pois todo disco independente merece ser analisado com um carinho especial, haja vista o esforço para parir a criança.

Down Myself traz aqueles violões encharcados de Bourbon, apesar de que os vocais acabam não sendo tão fantásticos com eram com Just Joe. Porém, resolveram investir em backing diferenciados, e a coisa ficou excelente. Fly é uma bela duma pedrada.




Talvez esse seja mais um disco de um bom power trio, ou talvez seja um grito de fúria de um gigante que agonizava e ressurgiu das trevas. Encare como quiser. Distilled é, no mínimo, um grande disco, e nos faz lembrar que ainda é possível meter ficha num rockão classudo sem cair na mesmice das grandes gravadoras.

Maldita tecnologia digital.

Track List

01. Enjoy The Ride
02. The Death Of One Thing Or Another
03. Breaking Bottles
04. Summertime
05. Down Myself
06. Fly
07. Hideous
08. Two Middle Fingers
09. The Pledge
10. The Pig
11. Crossed Out And Changed
12. My Loved Ones



Kris Wiechmann (guitarra e vocais)
Chuck Kahl (baixo e vocais)
Kevin Dean (bateria)

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Por Zorreiro

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Ted Nugent – Motor City Mayhem [2009]



Louco de atar, o Tedão é uma figura folclórica nos Estados Unidos. Manobra sua Gibson Birdland com a mesma maestria com que manobra um rifle de caça.

O Motor City Madman, como é conhecido, concedeu uma entrevista histórica à revista Guitar Player americana nos anos 80 na qual ele disse: “precisamos entrar no palco com excesso de poder de fogo. A ideia é não precisar de retorno, afinal, o pessoal da cidade vizinha deve poder curtir o nosso show.” (Tradução livre do tio Zo aqui)

Seus shows são antológicos: sunguinha minúscula nos anos 70, calça com rabo de castor nos anos 80 e entrada triunfal sobre o lombo de um Bisão nos anos 90. Nada pode ser considerado previsível ou minimalista quando o assunto é o Tio Ted.

Não! O bichinho não está nanando no colinho do Tio Ted

É nesse clima de alta performance que o Motor City Madman (não resisti ao trocadilho) nos brindou com a gravação de um show no DTI Energy Music Centre, em Detroit, realizado em 4 de julho (data mais que providencial) de 2008. Até nisso o homem demonstra seu amor à pátria: o dia da independência dos Estados Unidos.

Quando assisti o filme A Águia Pousou pela primeira vez, vi a cena em que os americanos, diferentemente das estratégias e táticas de guerra adotadas por ingleses e alemães, entram atirando pra tudo que é lado numa missão suicida, lembrei direto do Tedão. Se ele fosse milico, ia entrar com uma metralhadora em cada braço metendo chumbo no que quer que se movesse. Mas usa uma guitarra. E esse é o seu 6.000º show em 41 anos de carreira.

O repertório é vasto, abrangendo o que de melhor o homem fez, como Cat Scratch Fever e Free For All (que na versão original de estúdio conta com Meat Loaf nos vocais). Tem clássicos do rock n’roll, como Baby Please Don’t Go. E, obviamente, o hino dos Estados Unidos que teve sua primeira versão para guitarra elétrica com Jimi Hendrix em Woodstock aparece por aqui.



A voz do cara pode ser um desastre e seus solos, às vezes, engasgados. Mas a atitude dele é demais. Poucos o igualam em energia de palco, ninguém o supera. Em algumas músicas ele recebe a ajuda de Derek St Holmes nos vocais e guitarra base, o que deixa o som bem mais interessante. Na bateria temos ninguém menos que Mick Brown (Dokken, aqui chamado Wild Mick Brown) e, no baixo, Greg Smith, que também gravou com Dokken, além de Blackmore’s Rainbow, Alice Cooper e por aí vai.

Aliás, ressalto que Mick Brown rouba a cena em diversos momentos, espancando a sua bateria e mostrando que foi criado na escola do instrumental power trio, preenchendo absolutamente todos os espaços.



Rock ‘n’ roll na veia. Pra quem não tem frescura e curte atitude. E é bom comentar neste post senão vai tomar chumbo, entendeu?

Track List

CD 1

1. Ted Nugent Intro
2. Star Spangled Banner
3. Motor City Madhouse
4. Wango Tango
5. Free For All
6. Stormtroopin’
7. Dog Eat Dog
8. Need You Bad
9. Weekend Warrior
10. Love Grenade
11. Honky Tonk (with Joe Podorsek)
CD 2

1. Wang Dang Sweet Poontang
2. Bo Diddley / Lay With Me
3. Baby Please Don’t Go
4. Geronimo And Me
5. Jenny Take A Ride (with Johnny “Bee” Badanjek)
6. Soul Man
7. Hey Baby (with Derek St. Holmes)
8. Cat Scratch Fever (with Derek St. Holmes)
9. Stranglehold (with Derek St. Holmes)
10. Great White Buffalo
11. Fred Bear
12. Outtro

Ted Nugent (guitarra e vocais)
Wild Mick Brown (bateria)
Greg Smith (baixo)
Derek St Holmes (guitarra e vocais quando indicado)

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Por Zorreiro

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Morphine – Cure for Pain [1993]



Já vimos bandas que dispensaram o baixista porque o tecladista faz tudo (The Doors e Jeff Beck com Tony Hymas no maravlhoso Guitar Shop).

Já vimos power trios que inovaram a ponto de mudar o rumo da música (The Jimi Hendrix Experience), fazendo enorme sucesso (Cream) ou nem tanto assim (Robin Trower Band).

Mas o que vos apresento hoje é algo absurdamente inovador. No formato de Power Trio, com nome sugestivo e tragédia no currículo, o Morphine é uma banda que tem bateria, baixo e SAX!!!!!

Imagine um contrabaixo segurando riffs atrás de riffs, incansavelmente e com um groove fantástico, utilizando slide e overdrive. Criando uma cama para o baterista experimentar seus pratos à vontade. Um vocal chapado que faz jus ao nome da banda. E muita melodia de saxofone dando as tintas sobre toda essa prospecção sonora.

Morphine nunca saiu pra valer do meio alternativo, mesmo conseguindo um contrato com gravadora e sendo cultuada poels modernettes de plantão dos anos 90. Este é o segundo disco de estúdio dos caras, sendo que o primeiro saiu, originalmente, de forma independente.



Sheila e In Spite of Me formaram a trilha sonora do filme alternativo Spanking The Monkey. Em tempo, espancar o macaco é como descabelar o palhaço para os americanos. Sheila é preguiçosa. Sax e baixo fazendo o riff principal em uníssono e uma letra que faz pensar que a morfina devia rolar solta nos ensaios. In Spite of Me traz um violão e um mandolin zeppelinianos, cortesia do mesmo mestre que faz os malabares com o baixo e um convidado mais que especial. Aliás, tem muito de Going to California aí, mas tudo no Morphine é tão criativo que sequer podemos cogitar o plágio.

Thursday rolou como trilha de um episódio dos sarcásticos Beavis and Butthead, que rolava na extinta MTv. Sim, extinta, porque a que existe hoje não tem mais nada a ver com aquela. A música é nervosa, com a cozinha parecendo um trem. Quando entra o sax, tudo fica mais tenso ainda. Esqueça o sax como instrumento de conforto (alô Dire Straits). Aqui o bicho pega.

Buena foi trilha da primeira temporada do seriado The Sopranos. É impressionante como uma formação improvável consegue fazer uma música soar pop rock sem cair no banal, no lugar comum. Buena é para ouvir dirigindo seu Opalão 73 com o braço pra fora num dia de sol.



Mas e a tragédia?

Pois aqui temos a epítome do rockstar. Tudo o que um rockstar sempre sonhou aconteceu com o Morphine. Em 3 de julho de 1999, no Festival Nel Nome Del Rock, que rolava em Palestrina, na Itália, o baixista, vocalista, guitarrista e principal compositor do Morphine Mark Sandman teve um ataque cardíaco em pleno palco e caiu duro, mortinho da silva em frente a uma platéia extasiada. Suas últimas palavras foram:

"It's a beautiful evening and it's great to stay here and I want to dedicate a super-sexy song to you."

Se você anda chateado com os seus heróis do rock, aqui tem um que resiste ao teste do tempo. Enjoy.

Track List

1. "Dawna" - 0:44
2. "Buena" - 3:19
3. "I'm Free Now" - 3:24
4. "All Wrong" - 3:40
5. "Candy" - 3:14
6. "A Head with Wings" - 3:39
7. "In Spite of Me" - 2:34
8. "Thursday" - 3:26
9. "Cure for Pain" - 3:13
10. "Mary Won't You Call My Name?" - 2:29
11. "Let's Take a Trip Together" - 2:59
12. "Sheila" - 2:49
13. "Miles Davis' Funeral" - 1:41



Mark Sandman (slide bass; tritar; violão; órgão; vocais)
Dana Colley (saxofone barítono e saxofone tenor; backing vocais)
Jerome Deupree (bateria)
Billy Conway (bateria em 9 & 11; cocktail drum overdub em 8)
Jimmy Ryan (mandolin em 7)
Ken Winokur (percussão em 13)

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Por Zorreiro