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domingo, 15 de janeiro de 2012

Black Sabbath - Cross Purposes Live [1995]


Post em homenagem ao “dono da Combe”, que com certeza sairá dessa são e salvo para continuar espalhando seus riffs pelo mundo!

Após o lançamento do ótimo Cross Purposes, o Black Sabbath parecia entrar em um momento de estabilidade. A reunião de Tony Iommi e Geezer Butler, que havia acontecido em Dehumanizer, não esmoreceu mesmo com mais uma batida em retirada de Ronnie James Dio e Vinny Appice. Já que Ozzy Osbourne não aceitou retomar as atividades da formação original, Tony Martin assumiu novamente o microfone, com Bobby Rondinelli cuidando das baquetas. O sempre alerta Geoff Nicholls completava o time em uma turnê que contou com bandas como Motörhead e Morbid Angel na abertura.

Gravado no lendário Hammersmith Odeon, em Londres, Cross Purposes Live registra uma turnê que passou por situações conturbadas. A maior de todas foi uma inflamação nas cordas vocais do vocalista. Ou seja, se os detratores já tinham armas suficientes para atacá-lo, agora a coisa ficava ainda mais crítica. Mesmo o próprio Geezer não deixou de mostrar sua insatisfação em várias passagens. Considerando esse fato, dá para dizer que Tony Martin fez um trabalho bem aceitável, apesar de algumas instabilidades em momentos específicos.



Outra curiosidade fica por conta de Butler, um membro das formações clássicas, executando sons como “Headless Cross”, de um line-up posterior – e sem deixar desejar, o que já era esperado de um dos maiores. Passagem, no mínimo, pitoresca. Mas o bicho pega para valer em alguns resgates dignos de nota, como nas lendárias “Into The Void” (um dos riffs mais sinistros da história do Rock), “The Wizard”, “Symptom Of The Universe” e a saideira “Sabbath Bloody Sabbath”, com performances soberbas da banda. As então novas “I Witness”, “Cross Of Thorns” e “Psychophobia” ficaram muito boas em suas versões ao vivo.

O trabalho foi lançado inicialmente em um pacote contendo CD e VHS, que traziam algumas diferenças no tracklist entre si. No ano de 2003, ganhou uma versão não autorizada em DVD totalmente mutilada, com apenas nove faixas e um bônus pra lá de sem-vergonha no clipe de “Feels Good To Me”, do álbum TYR, especialmente pela porca qualidade de imagem. Como aparentemente Iommi e companhia não estão mais dando muita bola para essa época, é provável que uma edição decente demore a voltar ao mercado.



Sendo assim, o negócio é aproveitar as velharias, já que apesar de estar disponível por um preço bem acessível – já encontrei em atacados por 7 pilas – essa versão não vale a pena mesmo. A não ser que você seja um colecionador daqueles que pega até a baba do artista preferido. Cross Purposes Live registra o Black Sabbath em uma época difícil, mas ainda com a qualidade necessária para executar o bom e velho Heavy Rock de raiz.

Tony Martin (vocals)
Tony Iommi (guitars)
Geezer Butler (bass)
Bobby Rondinelli (drums)
Geoff Nicholls (keyboards)

01. Time Machine
02. Children Of The Grave
03. I Witness
04. Into The Void
05. Black Sabbath
06. Psychophobia
07. The Wizard
08. Cross Of Thorns
09. Symptom Of The Universe
10. Drum Solo
11. Headless Cross
12. Paranoid
13. Iron Man
14. Sabbath Bloody Sabbath

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JAY

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Black Sabbath – Reunion [1998]


O Black Sabbath original tentou se reunir uma série de vezes desde que a banda se separou, em 1979. Sabe-se lá porque nunca deu certo. Mas há tanta firmeza nessa reunião anunciada hoje, no dia 11 de novembro de 2011, que provavelmente ninguém pensou nas voltas frustradas do passado. Dessa vez parece ser diferente. Há uma promessa de um novo disco de estúdio – o primeiro desde 1978 – e uma turnê mundial logo após a apresentação no Download Festival do ano que vem.

A volta do Black Sabbath não é apenas quatro caras que fizeram as pazes e estão tocando juntos de novo. É simbólico, marcante, especial. A primeira banda especialmente metal a surgir no mundo se uniu novamente. Espera-se que a guerra de egos acabe, pois foi justamente isso que separaram os quatro integrantes em 2001, quando o vocalista Ozzy Osbourne preferiu finalizar um álbum solo a investir num novo registro do Sabbath.

Deixando o presente de lado e resgatando um pouco do passado: ocorreu, em 1997, a primeira volta real da banda, que havia se reunido em oportunidades como no Live Aid de 1985 e na turnê de despedida de Osbourne em 1992, mas nunca de forma definitiva. Dois concertos no Birmingham NEC, nos dias 4 e 5 de dezembro do mesmo ano, foram registrados. Saiu, daí, o duplo ao vivo dessa postagem.


Este vídeo não corresponde ao do álbum em questão, mas vale a pena ser conferido – principalmente pelos fãs de belas tetinhas.

“Reunion” é o primeiro álbum ao vivo do Black Sabbath a ser lançado com a voz de Ozzy. Nos tempos de glória, deve-se entrar num consenso em relação à performance do quarteto: não era das mais impressionantes. A maturidade, a experiência e as inovações tecnológicas transformaram, todavia, o concerto dos caras em algo realmente eletrizante para todos, desde o indivíduo que presenciou algum dos shows dessa reunião até aquele que simplesmente confere o áudio.

O repertório de 16 músicas conta apenas com clássicos. Canções imprescindíveis num verdadeiro concerto do Sabbath, como Paranoid, N.I.B., Children Of The Grave, Iron Man, Sweet Leaf e lá-vai-paulada fazem parte da seleção. Há também as favoritas dos fãs, como Dirty Women, Behind The Wall Of Sleep e Lord Of This World – esta, precedida da instrumental Orchid. A performance dos tios não deixa a desejar em nenhum momento. Ozzy Osbourne, sempre energético, conduz um show como ninguém. Tony Iommi, o “homem riff” tem a destreza de um guitar hero. Geezer Butler prova mais uma vez porque é o melhor baixista do Heavy Metal. Bill Ward continua com muita pegada, apesar das limitações físicas que o tempo impôs ao batera.

Há de se ressaltar as duas faixas inéditas, registradas em estúdio e presentes ao fim do disco: Psycho Man e Selling My Soul, canções genuinamente sabbáticas. Ou seja, arrastadas, assustadoras, performáticas e repletas de riffs incríveis. A Combe do Iommi (sim, do Iommi!) torce para que essa reunião, firmada em 11/11/11, renda bons frutos. Por enquanto, vale a pena resgatar o material dessa banda magnífica.



CD 1:
01. War Pigs
02. Behind The Wall Of Sleep
03. N.I.B.
04. Fairies Wear Boots
05. Electric Funeral
06. Sweet Leaf
07. Spiral Architect
08. Into The Void
09. Snowblind

CD 2:
01. Sabbath Bloody Sabbath
02. Orchid/Lord Of This World
03. Dirty Women
04. Black Sabbath
05. Iron Man
06. Children Of The Grave
07. Paranoid
08. Psycho Man
09. Selling My Soul

Ozzy Osbourne – vocal
Tony Iommi – guitarra
Geezer Butler – baixo
Bill Ward – bateria
Geoff Nicholls – teclados, guitarra adicional

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by Silver

sábado, 24 de setembro de 2011

Black Sabbath - Master of Reality [1971]



Na época de sua fundação, o Black Sabbath nunca foi muito compreendido pela crítica (apesar das inesperadas altas vendas). A música obscura, pesada e depravada dos ingleses, enfim, só iria ser considerada genial muitos anos depois, como de praxe. E, como se não bastasse, em 1971, depois dos clássicos Black Sabbath e Paranoid, Iommi e seus companheiros lançaram aquele que é um dos mais pesados de sua carreira.

Master of Reality capta uma fase da banda em que as drogas faziam parte de seu cotidiano (e principalmente do de Ozzy). Isso pode ser facilmente notado em várias faixas do play, como por exemplo na letra de "Sweet Leaf", que é praticamente uma declaração de amor para a própria erva. Por essas e por outras, o terceiro disco da carreira dos ingleses é considerado um dos pilares para a criação do chamado Doom Metal, gênero representado por bandas como Candlemass e Saint Vitus, que nunca negaram a influência do Sabbath em seu som.



Destaques ficam para a abertura com a chapada Sweet Leaf, para a ótima After Forever, para a porradona Children of the Grave e para o encerramento com a genial Into The Void. Outro clássico de uma das mais influentes bandas de toda a música.


Ozzy Osbourne - vocais
Tony Iommi - guitarras
Geezer Butler - baixo
Bill Ward - baquetas

01. Sweet Leaf
02. After Forever
03. Embryo
04. Children of the Grave
05. Orchid
06. Lord Of This World
07. Solitude

08. Into The Void

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Por Gabriel


quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Black Sabbath - Dehumanizer [1992]


O Black Sabbath passou por maus bocados na década de 1980 e chegou a deixar de existir por um curto período de tempo. Aliás, depois do álbum "Born Again", de 1983, o grupo estava muito mais para um projeto solo do guitarrista Tony Iommi. O próprio "Seventh Star", de 1986, tinha a intenção de ser um disco solo, mas por ordens da gravadora, não foi. Vários músicos passaram pelo Sabbath de 1985 até 1990, mas os posteriores "Headless Cross" e "Tyr", respectivamente de 1988 e 1990, consolidaram a presença do vocalista Tony Martin.

A repercussão dos lançamentos até então recentes não era a mesma dos saudosos tempos do Black Sabbath. Por acaso, em 1990, Ronnie James Dio e Geezer Butler haviam tocado juntos em um show e ambos manifestaram vontade de voltar à banda. Facilmente convencido, Tony Iommi aceitou-os de volta e demitiu Martin e o baixista Neil Murray. Cozy Powell foi mantido nas baquetas, mas fraturou uma costela e não pôde permanecer, sendo substituído por Vinny Appice.

Da esquerda pra direita: Vinny Appice,
Geezer Butler, Ronnie James Dio, Tony Iommi

A formação lançou "Dehumanizer" em junho de 1992. O processo de composição foi complicado e demorado por conta de tensões entre Iommi e Dio sobre as próprias composições - egos falando sempre mais alto. Mas os primeiros segundos de Computer God, a faixa de abertura, mostram que todo o esforço e toda a demora valeram muito a pena, pois trata-se de um álbum poderoso, com letras incríveis, instrumental soberbo e uma das vozes mais imponentes do Heavy Metal.

Provavelmente um dos mais viscerais do grupo, "Dehumanizer" traz canções muito maduras. Houve uma mistura dosada e precisa dos elementos dos períodos mais consagrados do Sabbath: as fases Ozzy e Dio. A maioria das faixas lembram a fase Dio, por serem mais melódicas e rápidas sem perder o peso impactante do Sabbath. Mas há faixas como Computer God, Letters From Earth e Master Of Insanity que enfatizam riffs soturnos e andamentos bem arrastados, o que é notável nos primeiros lançamentos da banda.



O trabalho dos integrantes é incrível. Como já disse anteriormente, Ronnie James Dio tinha uma das vozes mais imponentes do Heavy Metal, tanto por ser alcance quanto pelo feeling de suas interpretações. A guitarra de Tony Iommi é absurda, com certeza foi o músico que mais se superou por aqui, pois alguns de seus melhores solos estão neste disco. A cozinha insana de Geezer Butler e Vinny Appice funciona muito bem, é responsável pelo peso do registro e está bem destacada na mixagem - ainda bem! Além disso, há a cama de teclados e a pitada de sintetizadores tenebrosos do grande Geoff Nicholls.

O êxito comercial do disco foi grande e a turnê atravessou vários lugares, incluindo o Brasil. Mas, infelizmente, a formação não durou por muito tempo (de novo) e a separação ocorreu por conta de um motivo besta (de novo). Ozzy Osbourne, ex-vocalista do Black Sabbath, estava encerrando a sua carreira e pediu para que o grupo abrisse dois shows de seu conjunto solo. Todos aceitaram, exceto Ronnie, que voltou para a sua banda, Dio, e teve que ser substituído às pressas por Rob Halford, do Judas Priest.

25 mil cruzeiros, huh? Barato, mas parece caro com tantos zeros.

Entre os destaques de "Dehumanizer", estão a melódica e depravada Too Late, o single TV Crimes, a pesada I e a incrível Master Of Insanity. Uma grande aula de Heavy Metal que merece ser conferida e ouvida inúmeras vezes.



01. Computer God
02. After All (The Dead)
03. TV Crimes
04. Letters From Earth
05. Master Of Insanity
06. Time Machine
07. Sins Of The Father
08. Too Late
09. I
10. Buried Alive

Ronnie James Dio - vocal
Tony Iommi - guitarra
Geezer Butler - baixo
Vinny Appice - bateria
Geoff Nichols - teclados

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by Silver

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Black Sabbath - Live Evil [1982]


O momento de produção deste álbum é crítico. A repercussão da nova formação do Black Sabbath era muito boa e álbuns como "Heaven And Hell" e "Mob Rules" venderam muito bem tanto na América do Norte quanto na Europa. Mas os atritos entre o vocalista Ronnie James Dio e a dupla Tony Iommi, guitarrista, e Geezer Butler, baixista, cresciam cada vez mais. As famosas diferenças criativas estavam tomando forma e ninguém queria dar o braço a torcer quando o assunto era a composição das letras, por exemplo.

A época era boa para um álbum ao vivo. A cobrança para que o conjunto lançasse um live era grande desde os tempos com Ozzy Osbourne. "Live At Last", com gravações de 1973, foi lançado em 1980 pelo ex-empresário da banda, e a repercussão foi excelente, animando mais ainda o novo Sabbath a investir num registro do tipo.

Finalmente, então, alguns concertos da turnê do "Mob Rules" foram gravados. Mais precisamente, shows de 23 e 24 de abril e 12 e 13 de maio de 1982 nas cidades norte-americanas de Seattle, Dallas e San Antonio. A confusão começa por aí, porque as gravações ficaram aquém do esperado em relação à qualidade sonora. Para sanar o problema, um ótimo tratamento em estúdio - não significa que houveram overdubs - foi necessário, implicando inclusive na remoção de grande parte do áudio da plateia, e a produção ficou com Iommi e Butler.


O engenheiro de som inventou que Ronnie James Dio estava passando pelo estúdio quando o guitarrista e o baixista não estavam e modificava os volumes, dando maior ênfase na voz e na bateria de Vinny Appice, que estava ao lado do vocalista nessa briga. Como a situação já não era das melhores, Tony Iommi e Geezer Butler acreditaram e, ao tentarem resolver a situação, Dio negou e se sentiu ofendido, dando o fora da banda e levando Appice consigo para um projeto solo. Descobriu-se um tempo depois que a história não passava de uma mentira.

Apesar de todas as desavenças, "Live Evil" é um álbum impecável. A química entre esses caras era incrível e isso se provou não apenas nessa época, mas também nas duas reuniões que ocorreram futuramente, em 1992 e 2007. Todos os integrantes eram geniais em seus postos e não é a toa que permanecem como verdadeiras lendas do Heavy Metal, juntos ou não. Ainda contam com a presença do saudoso Geoff Nicholls como tecladista, ao fundo do palco.



O repertório mistura muito bem a discografia da banda com os dois vocalistas. Músicas da era Ozzy como N.I.B., War Pigs, Black Sabbath, Paranoid e mais se misturam com pérolas da fase Dio como Neon Knights, The Mob Rules, Children Of The Sea e Heaven And Hell, esta em versão de quase 20 minutos misturada com Sign Of The Southern Cross, entre outras.

As diferenças musicais e as mentiras separaram essa banda e "Live Evil" fechou essa história por muito tempo. Mas a obra deixada nesse período é incontestável e clássicos do começo ao fim executados ao vivo por alguns dos maiores nomes do metal merecem ser conferidos.



01. E5150
02. Neon Knights
03. N.I.B.
04. Children Of The Sea
05. Voodoo
06. Black Sabbath
07. War Pigs
08. Iron Man
09. The Mob Rules
10. Heaven And Hell
11. Sign Of The Southern Cross/Heaven And Hell (Continued)
12. Paranoid
13. Children Of The Grave
14. Fluff

Ronnie James Dio - vocal
Tony Iommi - guitarra
Geezer Butler - baixo
Vinny Appice - bateria
Geoff Nicholls - teclados

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by Silver

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Black Sabbath – Headless Cross [1989]


Após as clássicas eras Ozzy e Dio, o Black Sabbath deixou de ser uma banda para se transformar definitivamente no projeto de Tony Iommi. Obrigações contratuais fizeram com que o nome fosse mantido, mas demorou a uma formação se estabelecer ao lado do guitarrista. Mas isso acabou acontecendo em Headless Cross, décimo – quarto trabalho de estúdio do grupo. Após a estréia em The Eternal Idol, Tony Martin se estabelecia definitivamente como o titular do microfone, tendo pela primeira vez um disco composto para sua voz, já que no anterior, assumiu a função no meio do caminho, em substituição ao saudoso Ray Gillen.

Outro grande reforço trazido pelo bigode mais conhecido do mundo do Rock foi o exímio baterista Cozy Powell, eterno participante dos conjuntos da ‘família Deep Purple’. Aliás, o espancador de peles não apenas participaria em sua tradicional ocupação como dividiria a produção do álbum com o chefão. Apenas o baixista levou mais tempo para ser definido, com Laurence Cottle sendo responsável pelo trabalho em estúdio, com Neil Murray realizando a turnê. Aliás, basta uma rápida investigada para constatar por quantas bandas essa dupla (Powell/Murray) passou junto. Nos teclados, Geoff Nicholls se mantinha firme e forte, quase chegando a uma década na função, algo raro para a época em que o dono da bola trocava de músicos como quem troca de roupa.



Headless Cross ficou marcado por resgatar o Sabbath ao seu melhor no contexto lírico, explorando o ocultismo como nos velhos tempos. Musicalmente, claro que estávamos falando de outra banda, com características bem próprias, fugindo dos padrões de seus lendários tempos. Tony Martin se aproveitou do momento e impôs toda a categoria vocal, o que se refletiu posteriormente nos palcos, já que sua contestada performance atingiu o auge durante a excursão que promovia esse álbum. Segurança essa atestada pelo primeiro álbum a ser aclamado por público e crítica em muito tempo, reconhecido até pelos mais radicais entre os puristas.

Desde a intro “The Gates of Hell”, passando pela imortal faixa-título, temos um já clássico exemplar do estilo. Na sequência a incrível “Devil and Daughter” conquista desde a primeira escutada, especialmente por Martin em um de seus grandes desemenhos em toda a carreira. Dos mesmos elogios é digna a sombria “When Death Calls”, que traz um solo de ninguém menos que o glorioso Brian May, nas palavras do próprio Iommi, seu melhor amigo não apenas musicalmente – ou como diria aquele famoso apresentador, tanto no profissional quanto no pessoal. Relação tão boa que fez com que ele fosse o único guitarrista a participar como convidado especial de um disco do Sabbath até hoje.



A segunda parte mantém o alto nível, iniciando com a fantástica “Kill In the Spirit World” e suas variações. “Call Of the Wild” originalmente se chamaria “Hero”. Mas Ozzy foi mais rápido e lançou uma música com o mesmo nome em No Rest For the Wicked. Para evitar confusão, Iommi alterou o nome da sua. Independente disso, essa aqui dá um pau na do Madman e isso é o que interessa. A pegada Hard de “Black Moon” e a lúgubre “Nightwing” encerram o tracklist normal. Para fechar de vez, o Heavy/Blues de “Cloak & Dagger”, bônus para a edição japonesa que não merecia ter ficado de fora da versão normal, vide o espetacular solo de guitarra, acompanhado por uma pegada fulminante da cozinha.

As vendas alcançaram números satisfatórios na Europa, enquanto nos Estados Unidos ficaram longe do ideal, alcançando um modesto 115º lugar na parada da Billboard, o que levou até mesmo ao abreviamente da turnê anteriormente planejada. Mas esse fracasso comercial na terra de Obama não apaga o brilhantismo do melhor momento do Black Sabbath pós-fase heróica. Excelente pedida para quem ainda não conhece os plays da banda além daqueles trabalhos obrigatórios, embora essa classificação possa se adequar sem contestações maiores a esse aqui também.

Tony Martin (vocals)
Tony Iommi (guitars)
Laurence Cottle (bass)
Cozy Powell (drums)
Geoff Nicholls (keyboards)

Special Guest
Brian May (guitar solo on 4)

01. The Gates of Hell
02. Headless Cross
03. Devil and Daughter
04. When Death Calls
05. Kill In the Spirit World
06. Call Of the Wild
07. Black Moon
08. Nightwing
09. Cloak & Dagger

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JAY

sábado, 14 de maio de 2011

Black Sabbath – Sabbath Bloody Sabbath [1973]

Black Sabbath sem Ozzy é como Zeppelin sem Plant ou Purple sem Gillan.

Por mais que eu prefira a MKIII do Purple, com Glenn Hughes e David Coverdale dividindo magistralmente os vocais, a palavra Deep Purple me remete aos vocais de Ian Gillan. E o mesmo se aplica ao Sabbath.

A fase Dio é fantástica, e trouxe-nos coisas melhores do que algumas feitas com Ozzy (até hoje não “entendo” o Technical Ecstasy). Mas Black Sabbath, a química, o clima das composições, a relação conturbada entre jovens músicos suburbanos que acabam conhecendo o sucesso sem nenhuma estrutura emocional, é o quarteto Ozzy/Butler/Ward/Iommi. E Sabbath Bloody Sabbath é o ápice criativo dessa MKI.

Os riffs pesadíssimos de Iommi aliados às letras macabras de Geezer Butler sempre foram o diferencial do Sabbath. Mas aqui eles tinham dinheiro para ousar, e resolveram alugar um castelo na floresta de Dean, Inglaterra, para trabalhar nas composições.


Clearwell Castle

A capa é um show à parte, e o nobre passageiro sabe que eu sou um defensor da arte visual que acompanhava as capas e encartes dos vinis. Elas fazem parte do conjunto da obra e, como tal, devem ser apreciadas. Drew Struzan desenhou duas obras primas nas capa e contracapa. Na capa, um homem na cama é atacado por demônios e ratos. Ao virar o disco para curtir a contracapa, nos deparamos com o homem já morto e sua alma subindo aos céus. Drew foi o responsável pelos cartazes da saga Star Wars e Indiana Jones, bem como algumas capas de Alice Cooper.

Depois de Black Sabbath, Paranoid, Masters of Reality e Vol. 4, o que temos aqui é um grupo maduro em suas composições. Para as gravações, o tecladista do Yes, Rick Wakeman, foi requisitado e aparece sob o pseudônimo de Spock Wall. Um flerte com o rock progressivo parece enaltecer as qualidades dos músicos. Black Sabbath deixava de ter um som cru e agressivo para ter um som trabalhado e poderoso, com dedilhados de guitarra e violão em uníssono e climas de teclado.

Sabbath Bloody Sabbath abre o play com um riff de Iommi lacrando o efeito de fuzz. A música alterna climas com as já citadas levadas de violão com dedilhados de guitarra de forma magnífica. Graças à sequência de abertura, esse é meu disco favorito dos caras. Sim, porque A National Acrobat vem logo em seguida mostrando de onde saiu o riff de Fade To Black, do Metallica. Os vocais dobrados de Ozzy estão mais diabólicos que nunca, e, na ponte, Iommi resolve colocar um providencial wah wah. Pra mim é perfeito.

Fluff é uma instrumental com cara de vinheta, com uma beleza ímpar na melodia. Sabbra Cadabra é Iommi puro, mas lembrando um pouco os riffs de Blackmore. Essa sensação nunca consegui dissipar ao ouvir o som. Parece que começa como uma música do Purple... até que Ozzy abre a boca tudo volta a ser Sabbath. Killing yourself to live é rock’n’roll. É Sabbath mostrando que foi influência direta do grunge, enquanto Who Are You traz Rick Wakeman destruindo tudo.

E pensar que Tony Iommi disse não conseguir inspirações para esse disco na época. A banda estava num processo de autodestruição muito violento e os ensaios, inicialmente em Los Angeles, não rendiam.

Depois disso a banda gravou bons discos, mas nunca mais com o clima de Sabbath Bloody Sabbath. Uma obra prima, e deve ser apreciada como tal.

Track List

1. "Sabbath Bloody Sabbath"
2. "A National Acrobat"
3. "Fluff"
4. "Sabbra Cadabra"
5. "Killing Yourself to Live"
6. "Who are You?"
7. "Looking for Today"
8. "Spiral Architect"

Ozzy Osbourne (vocais)
Tony Iommi (guitarras e violões)
Geezer Butler (baixo e violões)
Bill Ward (bateria e percussão)
Rick Wakeman (teclados)

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Por Zorreiro

sexta-feira, 11 de março de 2011

Black Sabbath - Mob Rules [1981]


Quando o assunto é o período em que Ronnie James Dio permaneceu no Black Sabbath, o álbum que se tornou a referência principal desse período foi "Heaven And Hell", de 1980. Não é a toa, pois trata-se de um clássico. Mas seu sucessor é inegavelmente interessante e poderoso, como qualquer coisa que tenha a voz desse baixinho que agora descansa em paz.

"Mob Rules", décimo da discografia do Black Sabbath, também foi o último full-length a contar com os vocais de Ronnie até a conturbada reunião de 1992, que gerou "Dehumanizer". De início, a intenção era soar um pouco mais pesado que o lançamento anterior, e com a volta de Geezer Butler nas composições, isso se tornou praticamente natural, intensificando-se com a produção de Martin Birch, um dos melhores no metal. A banda passava por mudanças, aliás, pois contava com o recém-entrado Vinny Appice na line-up, substituindo Bill Ward na bateria.

A abertura com Turn Up The Night vem como um soco no estômago, com uma empolgação semelhante a de Neon Knights (abertura do álbum antecessor), mas com maior destaque das linhas de guitarra poderosas de Tony Iommi. Voodoo vem em seguida, com maior peso e cadência, mas abusando de uma pegada blues-rocker. Com a faixa seguite, The Sign Of The Southern Cross, o ouvinte pensa que haverá um tempinho para descanso, já que começa como uma balada, mas o engano se mostra subsequentemente: uma baita música pesada, com o brilho dos vocais de Dio.

Da esquerda pra direita: Tony Iommi,
Vinny Appice, Ronnie James Dio, Geezer Butler


E5150, curta faixa com Butler explorando efeitos no baixo, aparece para incluir a palavra "evil" no disco, seguindo o código: a letra "E", e os números 5, 1 e 50, que respectivamente são representados pelas letras "V", "I" e "L" em algarismos romanos. A agressiva The Mob Rules vem em seguida, uma das melhores da tracklist, e é sucedida pela pesada Country Girl, escrita por Ronnie para sua esposa Wendy, mas que mais lembra um outtake das composições dos tempos com Ozzy Osbourne.

Perto do fechamento, tem-se Slipping Away, cheia de suíngue e uma performance incrível de Butler e Appice, este claramente influenciado por John Bonham; Falling Off The Edge Of The World, pra lá de soturna e também lembrando os tempos de Ozzy, mas na pegada Dio; e o melancólico fechamento com Over And Over, onde o destaque certamente é a guitarra mágica de Iommi.

Apesar da boa recepção no Reino Unido e nos Estados Unidos, principais mercados do Sabbath, o período de "Mob Rules" é marcado por crises de relacionamento entre os integrantes, que culminaram na saída de Ronnie no período de produção de "Live Evil". Duas posteriores reuniões dessa formação aconteceram, em 1992 e 2006, a última sob a alcunha de Heaven & Hell e interrompida com a morte do vocalista, em 2010. Mas o trabalho desse quarteto, mesmo que limitado a poucos discos, é impecável e perfeito - e "Mob Rules" é um dos pontos mais altos das carreiras dos envolvidos, sem dúvidas.



01. Turn Up The Night
02. Voodoo
03. Sign Of The Southern Cross
04. E5150
05. The Mob Rules
06. Country Girl
07. Slipping Away
08. Falling Off the Edge Of The World
09. Over And Over

Ronnie James Dio - vocal
Tony Iommi - guitarra, violão
Geezer Butler - baixo, sintetizadores
Vinny Appice - bateria
Geoff Nicholls - teclados

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by Silver

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Black Sabbath featuring Tony Iommi - Seventh Star [1986]


O período do Black Sabbath que antecede e sucede o lançamento desse álbum é enigmático. Tudo começou com a saída de Ian Gillan, que assumiu os vocais da banda em "Born Again", para retornar ao Deep Purple, reunido. O baterista Bev Bevan caiu fora também, dando lugar a um breve retorno de Bill Ward. Para o posto de vocalista, vários foram testados, como Ron Keel e David Donato, mas nenhum vingou e o baixista Geezer Butler acabou por abandonar o barco também. Tony Iommi, então, congelou o Sabbath para trabalhar em um disco solo com o tecladista Geoff Nicholls.

A intenção de "Seventh Star" não era apenas ser um álbum solo de Iommi, como também pretendia trazer vários vocalistas convidados, como Rob Halford, Glenn Hughes e o ex-colega Ronnie James Dio. Mas por praticidade, Hughes assumiu todos os vocais. Para completar a line-up, o baterista Eric Singer e o baixista Gordon Copley foram emprestados pela namorada do guitarrista na época, Lita Ford, já que pertenciam à sua banda de apoio. Copley não durou, no entanto, e foi logo substituído por Dave Spitz.

O quinteto foi responsável pela gravação do registro, que foi finalizado ainda em 1985. Devido a pressão da gravadora e principalmente do empresário Don Arden (também pai de Sharon Osbourne), Iommi comprou os direitos do Black Sabbath e teve que lançar o disco com o nome do grupo. Por fim, saiu como Black Sabbath featuring Tony Iommi.

Da esquerda pra direita: Dave Spitz, Glenn Hughes,
Tony Iommi, Eric Singer, Geoff Nicholls

"Seventh Star" divide opiniões em vários aspectos. Alguns fãs mais conservadores sequer consideram o play como parte da discografia do Sabbath, tanto pela sonoridade, quanto pela própria intenção de ser um trabalho solo. Mas faz parte do catálogo da banda, e há de se salientar, ainda, que é um dos melhores trabalhos desse catálogo.

Essencialmente, o álbum tem pouco a ver com os discos clássicos anteriores. Tony Iommi faz uma verdadeira salada mista que gira entre o Hard Rock setentista ("Danger Zone") e oitentista ("No Stranger To Love"), o Heavy Metal ("Turn To Stone", "In For The Kill") e o gênero que sempre afirmou ser seu predileto: o Blues ("Heart Like A Wheel"). Mas há uniformidade nas composições e realmente tudo soa com sentido. Fora que Iommi tem um senso melódico absurdamente apurado, e é notável não só nas composições, mas também em seus riffs e principalmente solos.

A line-up que acompanha o homem é extremamente competente. Eric Singer faz bonito com as baquetas, provando porque se consagrou com vários nomes de peso em um futuro não muito distante. Glenn Hughes não assumiu o baixo, como costumou fazer em quase toda a sua carreira, mas fez um de seus melhores registros vocais de toda a sua extensa discografia. Transbordou sentimento e técnica invejáveis nas cordas vocais. Geoff Nicholls, primeira vez creditado como integrante oficial do Sabbath, teve maior destaque em seus teclados e colaborou em várias composições. Dave Spitz cumpre bem seu trabalho como baixista, sem muito destaque.



"Seventh Star" só tem dois defeitos: curta duração (35 minutos) e não ter segurado os músicos para outros trabalhos, principalmente Hughes, que durou poucos shows por passar por um momento complicado em sua carreira e não conseguir ter uma boa performance ao vivo, tendo em vista o uso de drogas e uma posterior briga com um road manager, que lhe deu um nariz quebrado e resultou em sua demissão, sendo substituído por Ray Gillen - outro baita vocalista que não durou muito no conjunto.

No mais, não há destaques particulares. Trata-se de um disco exemplar e perfeito do início ao fim. Mas deve ser apreciado e entendido da forma correta para se chegar a tal conclusão.

Saiba mais sobre os vocalistas misteriosos do Black Sabbath clicando AQUI.



01. In For The Kill
02. No Stranger To Love
03. Turn To Stone
04. Sphinx (The Guardian)
05. Seventh Star
06. Danger Zone
07. Heart Like A Wheel
08. Angry Heart
09. In Memory...

Glenn Hughes - vocal
Tony Iommi - guitarra
Dave Spitz - baixo
Eric Singer - bateria
Geoff Nicholls - teclados

Músico adicional:
Gordon Copley - baixo em 2

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by Silver

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Black Sabbath - Sabotage [1975]


Após o aclamadíssimo lançamento de "Sabbath Bloody Sabbath", era constatado que o Black Sabbath estava no auge. Todos sabem que os dois primeiros discos são verdadeiras bíblias do Heavy Metal, mas só no meio da década de 1970 que os ingleses conseguiram conciliar a boa recepção da crítica e da mídia com a dos fãs.

Lançado em julho de 1975, "Sabotage" foi o último suspiro de auge com a formação clássica do Black Sabbath. Desde o lançamento de seu antecessor, os integrantes (principalmente Tony Iommi) incorporavam novos elementos nas novas composições. Mas aqui, o clímax desses experimentos foi devidamente atingido - as canções estão evidentemente mais maduras e coesas, conciliando peso com técnica de uma forma nunca vista antes.

A abertura com "Hole In The Sky" ensurdece e impressiona. Os vocais de Ozzy Osbourne, gritados e até certo ponto desesperados, se mostram em sua melhor fase. Tony Iommi e Geezer Butler estão afiadíssimos. A pequena intro "Don't Start (Too Late)" reconstrói os tímpanos para que sejam novamente destruídos com a paulada "Symptom Of The Universe", música formadora de caráter e uma verdadeira aula de como se fazer som pesado - dita como a primeira canção de Thrash Metal da história, inclusive. As linhas de bateria são as melhores que já ouvi do senhor Bill Ward.

Da esquerda pra direita: Tony Iommi,
Ozzy Osbourne, Geezer Butler, Bill Ward

A longa "Megalomania", em seguida, começa depravada e fica pesada, mas de uma forma contagiante. Pianos oscilam entre as distorcidas linhas de guitarra e baixo, e o destaque sem dúvidas é o divino Iommi. "The Thrill Of It All" tem uma pegada mais comercial, que beira o Hard setentista, e melodias que grudam na cabeça. "Supertzar" está longe de ser uma composição padrão do Black Sabbath, assemelhando-se a um coral de igreja.

A esquisita, porém aproveitável "Am I Going Insane (Radio)", dá sequência à bolacha. Apesar do termo "radio", essa é a única versão da canção, não se tratando de uma edição ou algo do gênero. O fechamento fica por conta da também diferente "The Writ", que inicia-se com a mesma risada macabra que fecha a faixa anterior. Também diferente, tem aquela pitada de "desespero" que caracteriza o som do Sabbath, principalmente nos vocais de Ozzy.

Mesmo não tendo as vendas massivas de outrora, "Sabotage" se saiu bem. O clima musical nos Estados Unidos era outro, mas mesmo assim obtiveram disco de ouro naquelas terras (pouquíssimas bandas de metal conseguiam isso por lá na época), além de uma satisfatória 28ª posição nas paradas da Billboard. No Reino Unido, chegou à 7ª colocação geral e angariou disco de prata. Três singles foram lançados e a turnê teve o Kiss como show de abertura, mas logo foi interrompida por conta de um acidente de moto sofrido por Osbourne. Daí a decadência começa...



01. Hole In The Sky
02. Don't Start (Too Late)
03. Symptom Of The Universe
04. Megalomania
05. The Thrill Of It All
06. Supertzar
07. Am I Going Insane (Radio)
08. The Writ

Ozzy Osbourne - vocal, gaita
Tony Iommi - guitarra, violão
Terry "Geezer" Butler - baixo
Bill Ward - bateria, percussão, vocal

Músicos adicionais:
Gerald "Jezz" Woodruffe - teclados, piano
Will Malone - arranjos vocais em 6
English Chamber Choir - coro em 6

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by Silver

Acima e à direita: Tony Iommi, Freddie
Mercury (early days) ou Cozy Powell? Dúvida cruel!

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Black Sabbath - TYR [1990]


Após o sucesso do hoje clássico (e compreendido, o que é mais importante) The Headless Cross, Tony Iommi finalmente encontrava uma formação estável para o Black Sabbath. Além do vocalista Tony Martin, com sua performance superior em estúdio, a cozinha já possuía um entrosamento tão perfeito que não havia porque ser mudada. Tanto é verdade que Neil Murray e Cozy Powell já haviam passado juntos pelo Whitesnake – com direito a shows históricos no Brasil durante o primeiro Rock In Rio, em 1985 – e seguiriam unidos para a banda solo de Brian May, antes de retornar ao convívio Sabbático, gravando o dispensável Forbidden. Geoff Nicholls era uma figura tão presente que nem precisava mais ser citado.

Com formação consolidada, o mestre das seis cordas decidiu arriscar, fazendo um álbum conceitual. TYR era baseada na mitologia viking, embora não completamente, como ficaria claro posteriormente. Mas apenas o rótulo já o tornaria um álbum único na discografia do grupo. Tanto que até hoje trata-se do disco mais controverso entre todos. Há os que o amam incondicionalmente – entre eles, Yngwie Malmsteen – e aqueles que não o suportam. Independente do time que você joga nessa disputa, recomendo uma escutada mais que atenta e despida de pré-conceitos. É óbvio que não se trata do Sabbath que aprendemos a amar. Mesmo assim, a musicalidade superior transparece em todos os momentos. Portanto, devemos concluir que trata-se de um play único em toda a discografia do grupo.


Desde o início, com a climática “Anno Mundi”, fica claro que estamos de um disco de qualidade superior. Poucas faixas de abertura conseguem envolver o ouvinte e deixá-lo em tamanha expectativa. “The Law Maker” prossegue o massacre com Cozy mostrando mais uma vez porque é uma das grandes lendas da bateria na história do Rock. A cadenciada “Jerusalem” é outro momento digno de nota, com sua melodia indefectível, pontuada por um refrão simplesmente matador! A envolvente “The Sabbath Stones” mescla o passado com a fase recente, mostrando que apesar de o tempo ter passado implacavelmente, Iommi ainda sabia cativar como poucos.


A instrumental “The Battle of TYR” abre caminho para a acústica “Odin’s Court”, que desemboca na fantástica “Valhalla”, um presente dos pais do estilo a toda sua numerosa prole. A baladaça “Feels Good to Me” foi usada como faixa de promoção. Por um lado, acerto, já que é a de longe a mais acessível. Por outro, é a que menos se adequava à proposta temática do álbum. De qualquer modo, uma fantástica música. “Heaven In Black” encerra a audição com aquelas passagens típicas de Cozy comandando um Heavy Metal de primeiríssima qualidade.



Em termos mercadológicos, TYR passou longe de ser um sucesso, não atingindo nenhuma marca significativa nas paradas. Com isso, Tony Iommi se reaproximou de Ronnie James Dio e Geezer Butler, na reunião que resultou em Dehumanizer. Powell ainda seria o baterista nessa nova etapa, mas sofreu um acidente cavalgando e abriu caminho para o retorno de Vinny Appice. Aparentemente, o público não soube assimilar o que a banda sugeriu naquele momento. Em compensação, atualmente o álbum é uma daquelas peças ‘cult’, que conta com inúmeros admiradores ao redor do mundo. Um tardio, porém justo reconhecimento.

Tony Martin (vocals)
Tony Iommi (guitars)
Neil Murray (bass)
Cozy Powell (drums)
Geoff Nicholls (keyboards)

01. Anno Mundi (The Vision)
02. The Law Maker
03. Jerusalem
04. The Sabbath Stones
05. The Battle of Tyr
06. Odin's Court
07. Valhalla
08. Feels Good to Me
09. Heaven in Black

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JAY

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Black Sabbath - Paranoid [1970]



A efervescência criativa da música pesada nos anos 70 é algo incontestável, bem como foi uma fonte completamente determinante para o crescimento musical, dando amostras do que seria moldado em épocas seguintes de forma comercialmente presa, musicalmente limitada e dependente de fatores lucrativos impostos por elementos extra musicais. Dessa forma, o fator que semeou todo esse campo proporcionando a referência irrevogável no Rock não foi estendido para as gerações futuras. Falo principalmente da liberdade em compor, de experimentar, ousar e criar algo com um anseio em ser único e ultrapassar barreiras, características essas, que faz com que centenas de trabalhos lançados na década de 70 tenham uma cara própria e um nível inatingível em termos criativos, formando uma influência imprescindível principalmente nos segmentos do Hard Rock e Heavy Metal.

Toda essa intelectualidade musicada não era imposta mediante grandes esforços, tudo fluía de maneira rápida e natural, e o disco que trago hoje é um dos maiores exemplos disso. Quatro meses após uma revolução no mundo da música com o lançamento do debut "Black Sabbath", onde foi moldado e iniciado um estilo que se tornaria uma das coisas mais apaixonantes da música, criando uma multidão de fãs fiéis, e milhares de bandas adeptas que por sua vez deram as premissas para vários subgêneros, gerando todo um modelo musical e visual que revolucionou, abriu mentes, transpareceu uma excelência no concebimento de suas obras, e por fim, se tornou estilo de vida e ideologia pra toda uma geração desde os primórdios até os dias atuais.

Se no álbum anterior a questão do obscurantismo chocou e instigou o público, em "Paranoid" os elementos sombrios tiveram ainda mais impacto e parecia que Tony Iommi buscava seus riffs em uma outra dimensão, pois fazia algo completamente fora dos padrões, transmitindo uma atmosfera amedrontadora que não precisava de truques de edição, apenas sua guitarra plugada no amplificador e o "rec" aceso. Somado à isso, percorria pelo som da banda, letras que até hoje causam controvérsias, cobertas de ocultismo e mensagens subjetivas, e que eram transmitidas de forma única e fascinante pelo excêntrico Ozzy Osbourne.

Essa imagem misteriosa que o Black Sabbath passava, causava repúdio nos conservadores e na sociedade inglesa, porém isso fascinava os jovens daquela época, mesmo "Paranoid" não apresentando somente músicas voltadas ao ocultismo, tendo uma variedade lírica que aborda até críticas bélico-políticas e ficção científica, e tudo girando em torno de uma visão severa. Foram essas músicas que escapavam da abordagem obscura que se tornaram alguns dos pontos altos do lp, como "War Pigs" que tem uma simplicidade em sua execução, e complexidade na estrutura, alternando momentos pausados e arrastados dando o pontapé inicial à outro estilo musical, o Doom Metal, até um final hipnotizante com mais um dos inúmeros solos memoráveis de Tony Iommi.



A outra música que aborda um assunto abstido de ocultismo é simplesmente a representação mais genuína do Heavy Metal, um modelo definido das características elementares do Metal, e "lição de casa" indispensável para aqueles que querem praticar ou se tornar entusiasta do estilo é "Iron Man", um dos maiores êxitos do Sabbath, e que juntamente com a sucinta, porém genial faixa-título são as principais responsáveis por tornar esse álbum o de maior sucesso da carreira dessa banda precursora.

"Paranoid" não estava cotada para ser faixa-título e sim "War Pigs" (que por sua vez nem ia ter esse título), mas as referências contidas nela recuaram a gravadora que propôs de última hora com a capa já pronta que o título do disco deveria ser outro. Esses fatores esporádicos cercaram o trabalho do começo ao fim, como o próprio concebimento da "War Pigs" que só teve sua letra feita durante as gravações, e "Paranoid" que foi concluída em menos de meia-hora porque a banda precisava de mais músicas para colocar na bolacha.

Dentre as curiosidades que marcaram "Paranoid", nem todas são apenas histórias, a própria sonoridade se incumbiu de trazer elementos curiosos, como se pode notar em "Planet Caravan", uma música sem peso algum, com Ozzy cantando de forma descaracterizada, e um clima ritualista conduzido por percussão e um sutil acompanhamento da guitarra. Alguns chegam até a duvidar que de fato seja o Ozzy que canta essa música. Chegando ao b-side do lp, o ar amedrontador do disco ganha contornos ainda mais fortes com músicas que já apresentavam levadas convidativas à "banguear", ou alguém consegue ficar contido ao escutar "Electric Funeral"? Diante de seus riffs desapiedados, Ozzy transmite versos fantasiosos ou não, de destruição e decadência humana, coisa que hoje é real e notável.

Em "Hand of Doom" as mensagens novamente se tornam de interpretação própria, onde o primeiro verso pode ser visto como uma crítica ao institucionalismo imperante desde aquelas épocas até os dias atuais, onde se mostra de maneira ainda mais influente e estúpida, e metaforicamente o verso seguinte pode ser compreendido que para fugir da realidade suja imposta por (divinas) regras, as drogas seriam uma alternativa. Essas interpretações sempre serão discutíveis e não há como absorver exatamente o que o Black Sabbath queria passar, ou melhor, onde queriam chegar, pois o que a banda quis passar sempre foi claro, mensagens ocultas e críticas diversas, além de assuntos variados em seus discos posteriores, como o amor, alienação mediática, etc. O que não é discutível é a sua força no âmbito musical, e sua extrema e determinante importância.


Dando prosseguimento a obra-prima, surge uma faixa instrumental de título repugnante. "Rat Salad" serve para as atenções até então divididas entre os choques das letras e o som, fossem voltadas somente para a habilidade dos músicos, onde fica mais do que claro a genialidade da "cozinha" formada por Geezer Butler (o primeiro headbanger da história, - risos-) e Bill Ward, um dos meus bateras preferidos. Fechando esse épico do Heavy Metal, e inspirado em um ataque de skinheads sofridos por Ozzy e Geezer, é o momento de "Fairies Wear Boots" apavorar com riffs contagiantes, pegada insana, e a interpretação única de Ozzy, impostando um vocal agressivo.

Eu jamais me imaginei escrevendo um texto sobre o Black Sabbath, porque pra mim a coisa é simples e direta quando se trata dessa banda, é e sempre foi minha banda preferida desde que tive contato pela primeira vez com ela, na minha infância, através das audições por alto do lp "Sabotage" que meu irmão escutava incansavelmente, desde então minha admiração só cresceu quanto mais fundo eu me aprofundava na história deles. Bem como sempre considerei Tony Iommi o melhor guitarrista da história, manteve uma linearidade de trabalhos altamente impactantes e quase todos mantendo o mesmo nível, por mais que os radicais tradicionalistas não admitam isso, além de mostrar que pra ser gênio não precisa firulas ou exibições gratuitas de técnicas, e sim, o que vale é a inspiração, o sentimento e a criatividade.

Espero que a maioria de vocês já deva conhecer esse trabalho, e a importância dessa banda. E aos que não conhecem, faça um favor a si mesmo, e baixe esse clássico.

01. War Pigs
02. Paranoid
03. Planet Caravan
04. Iron Man
05. Electric Funeral
06. Hard of Doom
07. Rat Salad
08. Fairies Wear Boots

Ozzy Osbourne - vocal
Tony Iommi - guitar
Geezer Butler - bass
Bill Ward - drums

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Dragztripztar

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Black Sabbath – Cross Purposes [1994]


Após o desfecho nada bom no aspecto pessoal do primeiro retorno da era Dio, havia uma grande expectativa de que o Black Sabbath se reuniria em definitivo com sua formação original. Mas quando Ozzy Osbourne não se mostrou muito disposto devido algumas ‘que$tõe$’ contratuais e Bill Ward não reunia condições físicas para tanto, Tony Iommi e Geezer Butler decidiram seguir em frente com outro line-up. Para isso, recrutaram novamente Tony Martin para assumir o microfone e injetaram sangue novo com a entrada de Bobby Rondinelli na bateria. Com esse time – além do onipresente Geoff Nicholls nos teclados – lançaram Cross Purposes, uma pérola deveras superestimada, até mesmo por uma parte dos fãs.

Claramente a permanência de Geezer na banda, dessa vez com mais liberdade para compor, coisa que nunca teve quando Ronnie estava no grupo (embora ambos tenham sido grandes amigos até o fim da vida do cantor), fez toda a diferença. Suas músicas trazem aquele estilo tipicamente Sabbath, sombrio e agressivo. O exemplo maior está em “Virtual Death”, onde se impõe a marca registrada de Butler, com seu baixo assumindo a linha de frente enquanto Iommi manda um daqueles riffs macabros como só ele sabe fazer. Tony Martin também contribui, oferecendo uma de suas performances mais inspiradas, apesar de muitos detratores sempre se negarem a reconhecer.


As aceleradas “I Witness”, “Psychophobia” e “Immaculate Deception” também merecem ser citadas como destaque. Para fazer um contraponto, sons climáticos como “Cross of Thorns”, abordando a opressão religiosa na Irlanda e a baladaça “Dying For Love”, que fala sobre a dor das pessoas comuns na guerra que causou a separação do território da Iugoslávia, conseguem manter o equilíbrio no álbum. A ótima “The Hand That Rocks the Cradle” – baseada na história de Beverly Allit, enfermeira inglesa que matou quatro crianças doentes e até hoje apodrece na prisão perpétua em um país onde a lei funciona – foi escolhida música de trabalho e deixa sua marca com mudanças de ritmo intensas e um desempenho matador de Rondinelli.



Apesar de não figurar no rol dos grandes clássicos da banda, Cross Purposes é um momento inspiradíssimo do Black Sabbath. Um disco com músicas pesadas (tanto musical como liricamente) e consistentes, que acabou prejudicado pelo péssimo trabalho da gravadora, que não fez o mínimo trabalho decente na divulgação. O resultado foi que o play atingiu apenas a posição de número 122 na parada norte-americana, além da trigésima terceira no Reino Unido, a segunda pior da história do grupo, na frente apenas de The Eternal Idol. Como curiosidade, o fato do anjo com as asas em chamas da capa ter sido utilizado quatro anos antes pelo Scorpions no single de “Send Me an Angel”. Nenhuma das bandas jamais comentou o fato.

Tony Martin (vocals)
Tony Iommi (guitars)
Geezer Butler (bass)
Bobby Rondinelli (drums)

Special Guest
Geoff Nicholls (keyboards)

01. I Witness
02. Cross of Thorns
03. Psychophobia
04. Virtual Death
05. Immaculate Deception
06. Dying For Love
07. Back to Eden
08. The Hand That Rocks the Cradle
09. Cardinal Sin
10. Evil Eye
11. What’s the Use (Japanese Bonus Track)

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sábado, 25 de setembro de 2010

Sabbath Crosses: Tributo Argentino a Black Sabbath [2005]


Tributos ao Black Sabbath são frequentes. E com todos os méritos, diga-se de passagem. Afinal de contas, a banda definitivamente mudou o mundo, trilhando novos caminhos não apenas para a música como para todo o comportamento de futuras gerações. Uma peculiaridade desse exemplar organizado por bandas argentinas é a diversidade. O tracklist não se limita às fases Ozzy/Dio, como é de costume. As eras posteriores comparecem com ao menos uma música cada. Aliás, confesso que não lembro outra compilação desse tipo que reúna faixas de todos os vocalistas que tiveram álbuns lançados oficialmente ao lado de Tony Iommi.

Entre os destaques, o Magika com uma correta versão de “Anno Mundi” e o sempre eficiente Adrián Barilari, interpretando “Heaven and Hell” em espanhol. Pode soar estranho no começo, mas depois que acostuma, passa a ser bem agradável. Aliás, o cidadão aparece mais uma vez no tributo, dessa vez com sua banda principal, o Rata Blanca, na melhor de todas as faixas. Com participação de Glenn Hughes, o grupo ataca com a magnífica “No Stranger To Love”, fazendo com que os corações partidos sangrem até a morte. O momento excêntrico da empreitada fica por conta do Natas e uma versão para o hino “Paranoid” com toques psicodélicos em sua estrutura.

Assim como qualquer trabalho desse tipo, demora um pouco para assimilar algumas propostas concebidas. Mesmo assim, é uma boa pedida para quem quer dar uma refrescada nas idéias sobre aqueles velhos e imortais clássicos que já ouvimos um zilhão de vezes. Basta não ser radical e ficar exigindo que os grupos ajam como bandas cover. Até porque isso tem de sobra por aí e a maioria é extremamente ruim.

01. War Pigs (Nativo)
02. Heaven and Hell (Barilari)
03. TV Crimes (Plan 4)
04. Anno Mundi (Magika)
05. No Stranger To Love (Rata Blanca & Glenn Hughes)
06. Zero The Hero (Sauron)
07. Children Of The Grave (Horcas & Andres Gimenez)
08. Supernaut (O’Connor)
09. Die Young (Beto Vazquez Infinity)
10. Paranoid (Los Natas)

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JAY

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Black Sabbath - Black Sabbath [1970]


Muitos aqui não tem a menor noção de como o mundo era em 1970. Só quem viveu para realmente saber - ou seja, me tirem dessa lista pois, modéstia à parte, nasci agora há pouco (risos). Mas sabe-se que, no âmbito musical, os hippies fedidos dominavam tudo - quem já ouviu falar de Woodstock? Aliás, a música estava em certo progresso, mas nada como se tem conhecimento no dia de hoje. O progressivo/psicodélico começava a tomar seus rumos e o Rock ficava cada dia mais pesado. Alguns dos embriões do Heavy Metal como Deep Purple, Led Zeppelin e Steppenwolf já chutavam bundas pesadamente. Mas nada se compara ao disco dessa postagem, que é considerado o verdadeiro "marco zero" do gênero.

A estreia do Black Sabbath, grupo inglês fundado em 1968, se deu em 1970. Antes haviam sido uma banda de Blues e, além da formação que todos conhecem - Ozzy Osbourne no vocal, Tony Iommi na guitarra, Geezer Butler no baixo e Bill Ward na bateria -, tinham um saxofonista chamado Alan Clarke, que logo deu no pé quando os caras decidiram que gostavam do obscuro. A influência começou a se dar pela paixão de Geezer por terror e magia negra. Iniciou composições mais sombrias e convenceu a mudança de estilo, que passou uma transição entre o Blues, o Folk e o Heavy Metal (que praticamente nem existia naqueles tempos). Após serem contratados pela Vertigo Records, gravaram seu primeiro trabalho.

O play, homônimo, foi gravado de forma primitiva e corrida: o processo de gravação foi ao vivo, em quatro canais e durou apenas doze horas. O lançamento em terras inglesas se deu numa sexta-feira 13, no dia 13 de fevereiro de 1970. Continua como reserva moral da música e influência para todas as gerações da música pesada, que hoje se disseminou e tem infinitas vertentes. Se a capa e o nome do grupo foram suficientes para causar alvoroço na sociedade da época, convido o leitor a tentar imaginar como foi a reação do público ao ouvir a bolacha.

Interessantemente logo a primeira canção, faixa-título, já apresenta elementos que descreveriam o Heavy Metal num âmbito geral. Com o tocar do sino e o barulho da chuva, tem-se início a primeira faixa, com o andamento arrastado, guitarra horripilante, letra sombria surrurrada pela voz possuída de Ozzy e, ao fim, em outra nuance, cozinha crua e solo fantástico que é uma cortesia do lendário Iommi.

Da esquerda para a direita: Geezer Butler, Ozzy Osbourne,
Tony Iommi (e seus faróis acesos) e Bill Ward

A seguir tem-se a marcante "The Wizard", com levada meio Blueseira mas rápida, uso de uma gaita fascinante e composição forte; e a meio zeppeliana "Behind The Wall Of Sleep", com performance devastadora da bateria de Ward e das vozes novamente assustadoras de Osbourne. "N.I.B." começa com um cavalar solo de baixo de Butler, distorcido e com uso de wah wah - um dos primeiros a serem notados no instrumento -, mas logo é tomada por uma atmosfera pesada, com guitarras perfeitas, vozes adequadas e cozinha muitíssimo densa para aqueles tempos.

"Evil Woman", cover da pouco conhecida Crow, dá sequência com uma levada mais tradicional, dividindo opiniões dos fãs mais afiados da tensão transmitida pelo Sabbath em suas composições (só para constar, quem vos escreve adora essa canção). Na versão norte-americana, a música foi substituída por "Wicked World", composição arrastada, pesada e genuinamente sabbática, por conta de direitos autorais. Nessa postagem, esta aparece como faixa bônus - ou seja, dupla diversão!

A acústica "Sleeping Village", agoniante e depravada, é finalizada com um instrumental e introduz o ouvinte um pouco para o que está por vir: o gran finale "Warning", épico de 10 minutos que presta tributo à composição original de Aynsley Dunbar Retailation. Os quatro integrantes se destacam de variadas formas na faixa: Ozzy Osbourne com vocais carregados de angústia, Tony Iommi despejando riffs atrás de riffs, Geezer Butler conferindo linhas de baixo pesadas e consistentes e Bill Ward se exibindo de bela forma com suas poderosas baquetas.

O álbum chegou à 23ª posição nas paradas norte-americanas quando lançado por lá (impressionante para um disco tão pesado) e 8ª posição nos charts ingleses. Hoje acumula milhões de cópias vendidas por todo o mundo e não fez feio, já que o magnum opus dos caras foi lançado logo depois: "Paranoid". Na época, a crítica não recebeu muito bem a bolachona, apunhalando o produto final sem dó nem piedade. Mas hoje todos se curvam à essa verdadeira bíblia do Heavy Metal - sem exageros.

01. Black Sabbath
02. The Wizard
03. Behind The Wall Of Sleep
04. N.I.B.
05. Evil Woman (Crow cover)
06. Sleeping Village
07. Warning (Aynsley Dunbar Retaliation cover)
08. Wicked World (Bonustrack)

Ozzy Osbourne - vocal, gaita em "The Wizard"
Tony Iommi - guitarra
Geezer Butler - baixo
Bill Ward - bateria

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by Silver

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Black Sabbath - Never Say Die! [1978]


Desde o surgimento do Black Sabbath, no fim dos anos 1960, o mundo da música nunca mais foi o mesmo. Álbuns como "Paranoid" e "Master Of Reality" revolucionaram o jeito de fazer Rock, incrementando mais peso, horror e ocultismo em afinações baixas, vocais sombrios e cozinha bastante aparente. Mas na segunda metade da década de 1970, o grupo entrou em uma certa decadência, principalmente após o lançamento do mediano "Technical Ecstasy", antecessor do álbum dessa postagem.

A crise se extendia e, dias antes das gravações do disco se iniciarem, o vocalista Ozzy Osbourne, que já passava por problemas com drogas e os mesmos se agravaram com a morte de seu pai, saiu da banda. O posto foi assumido pelo vocalista Dave Walker (ex-Fleetwood Mac) e a formação trabalhou em algumas composições, chegando até a apresentar uma delas, "Junior's Eyes", em uma versão diferente no programa Look! Hear! da BBC.

No entanto tudo o que havia sido feito foi deixado de lado ou recebeu generosas reformas quando Ozzy voltou, poucos meses depois, já que o mesmo não queria trabalhar em nada que tivesse sido feito durante sua ausência. Dessa forma, o período de composição foi bem conturbado pois, segundo Tony Iommi, as composições eram basicamente feitas de manhã para serem ensaiadas à tarde e gravadas no período da noite, não se tendo tempo para refletir se as canções eram realmente boas.

Finalmente lançado em setembro de 1978, "Never Say Die!" é o oitavo álbum do Black Sabbath e acabou por ser o último com Ozzy nos vocais. Em suma, não se deve esperar a levada sombria e metálica dos clássicos. O Sabbath arriscou (novamente) em músicas mais diretas, um pouco puxadas para o Hard Rock no estilo do Cactus, com uma pitada de experimentalismo psicodélico, principalmente inserida pelo tecladista Don Airey. Pode-se considerar que é uma sequência ao trabalho já apresentado por "Technical Ecstasy", mas com uma produção melhor, vocais mais incrementados, instrumental mais sólido e, apesar do período conturbado de composições, as mesmas se apresentam muito melhores do que no lançamento anterior.


A abertura com a direta faixa-título anima o ouvinte, tendo-se Osbourne como o destaque nesta, e a sequência com "Johnny Blade" e "Junior's Eyes" (esta cuja composição foi inspirada no falecimento do pai de Ozzy) ainda dá um respaldo de 'Classic Sabbath', com letras levemente depressivas e melodias um pouco mais lentas e pesadas, diferenciando-se dos bons tempos apenas pelo uso de sintetizadores - que só deixaram a parada ainda mais dark.

"A Hard Road" e "Shock Wave", apesar de ótimas músicas, se diferenciam bastante das três primeiras, com uma levada menos densa e mais acessível - se não me falha a memória, "A Hard Road" é a primeira música dos caras em dez anos de carreira que tem backing vocals! Em seguida encontra-se a boa porém diferente "Air Dance", com uma melodia bastante puxada para o jazz, onde o baixo de Geezer Butler e o piano de Don Airey lideram o andamento da canção.

"Over To You" tem boas vocalizações e um riff cativante de Tony Iommi, mas não impressiona. "Breakout" também está longe de ser uma das melhores, mas tem um bom solo de guitarra e uma nuance com trompa (!!!). O fechamento com "Swinging The Chain" é um dos pontos altos do play: a mescla entre Hard, Blues e Heavy tem o baterista Bill Ward como vocalista principal (que por sinal é dono de um baita vozerão) e uma gaita muito malandra e bem adequada.

A recepção foi abaixo do esperado mas até prevista por conta de tanta turbulência girando o grupo. Mas "Never Say Die!" teve até boas vendas: chegou ao 12° lugar das paradas inglesas e ao 69° das americanas. Infelizmente só recebeu disco de ouro nos Estados Unidos em 1997, com a "guinada" que recebeu da reunião da formação original, não ganhando outra certificação em outro país. Vale ressaltar que os singles "A Hard Road" e faixa-título chegaram às posições de número 33 e 21 nos charts gerais do Reino Unido, respectivamente.

No mais, "Never Say Die!" soa pesado como um álbum do Black Sabbath deve soar e, apesar de não ser aclamado como os clássicos incontestáveis, é um belo de um discão!

01. Never Say Die!
02. Johnny Blade
03. Junior's Eyes
04. A Hard Road
05. Shock Wave
06. Air Dance
07. Over To You
08. Breakout
09. Swinging The Chain

Ozzy Osbourne - vocal
Tony Iommi - guitarra, violão, backing vocals em 4
Geezer Butler - baixo, backing vocals em 4
Bill Ward - bateria, percussão, vocal em 9, backing vocals em 4

Músicos adicionais:
Don Airey - teclados
John Elstar - gaita
Will Malone - trompa

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by Silver