
Com o passar dos anos, se tornou cada vez mais comum bandas de Rock trabalhando com orquestras. Não dá para dizer que é uma prática dos tempos modernos, afinal de contas, o Deep Purple, pegando apenas um exemplo, realizou essa experiência no já longínquo ano de 1969. Mas foram poucos que realmente se atreveram a compor uma música ou suíte para ser executada exclusivamente no formato. A maioria simplesmente pega seus hits e adapta a um novo cenário musical. O Rage é, sem dúvida, uma dessas exceções. A partir de determinado momento da carreira, Peter Peavey Wagner se interessou por essa fórmula. Mas com a entrada do guitarrista e maestro russo Victor Smolski, a coisa se elevou a patamares cada vez mais altos.
O auge dessa faceta da banda aconteceu em Speak Of The Dead, álbum que dedica suas oito primeiras faixas à espetacular “Suite Lingua Mortis”, um dos momentos mais brilhantes do Heavy Metal nas últimas décadas. A variação de climas, a execução instrumental, o dinamismo sonoro envolve o ouvinte de maneira única. A Orquestra Sinfônica de Minsk, Polônia, assimila a proposta e cumpre seu papel com louvor, vencendo barreiras musicais que ainda existem nas cabeças fechadas de ambos os lados da história. Temos aqui um dos casamentos mais bem feitos entre o Rock e o clássico em todos os tempos. Não com a mesma pompa de bandas zilionárias, mas sem dúvida com mais talento.
Na segunda metade, temos o Rage no formato tradicional, com seu Power Metal acima da média. Tempo para barulheira das boas, como a pegada certeira de “No Fear”, a melódica “Soul Survivor” (refrão grudento, na melhor escola Peavey do assunto), o espancamento total de “Kill Your Gods” e a ótima faixa-título. Outra que merece destaque é “Full Moon”, que teve outras três versões em diferentes línguas. Como não fizeram uma em português, foi disponibilizada na edição nacional a cantada em espanhol, “La Luna Reine”. E a adaptação foi muito bem feita, ressalte-se.
Infelizmente, Speak Of The Dead entrou para a história como o último disco da formação mais técnica da banda. Uma série de desentendimentos – quase todos motivados unicamente porquestões ligadas ao ego – culminou na saída do fantástico baterista Mike Terrana. Uma pena para os fãs, mas ao menos encerraram a parceria com um registro histórico e indispensável em qualquer coleção dos adeptos do gênero.
Peter “Peavey” Wagner (bass, vocals)
Victor Smolski (guitars)
Mike Terrana (drums)
Suite Lingua Mortis
01. Part I: Morituri te Salutant
02. Part II: Prelude Of Souls
03. Part III: Innocent
04. Part IV: Depression
05. Part V: No Regrets
06. Part VI: Confusion
07. Part VII: lack
08. Part VIII: Beauty
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09. No Fear
10. Soul Survivor
11. Full Moon
12. Kill Your Gods
13. Turn My World Around
14. Be With Me Or Be Gone
15. Speak Of The Dead
16. La Luna Reine
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JAY





