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terça-feira, 15 de março de 2011

Robert Johnson – The Complete Recordings Box Set [1990]


Você tem um ídolo na música? Sabe quem é o ídolo do seu ídolo?

Pois agora você tem a oportunidade de conhecer o ídolo do ídolo do seu ídolo. Absolutamente todos os músicos de blues, sem exceção, têm Robert Johnson entre suas influências. E como o blues influenciou o rock e todo o resto, aqui está a verdadeira raiz. Você encontrará aqui os licks de Clapton, Page, Van Halen, Billy Gibbons (ZZ Top), Chuck Berry e, obviamente, Hendrix e Buddy Guy.

O HOMEM
Robert Leroy Johnson nasceu em Haziehurst, Mississipi, em 1911. Tinha o apelido de “Little Robert Dusty” e chegou a ser matriculado na escola como Robert Spencer, pois seu pai havia mudado de nome após ser expulso de suas terras por segregacionistas brancos. Casou em 1929 com uma menina de 16 anos chamada Virginia Travis, que morreu logo no primeiro parto.

A família da moça entendeu que essa foi a primeira tragédia da vida de Robert, e teria acontecido em razão da sua opção por tocar músicas pagãs em vez de se converter ao gospel. Aí começou a história do pacto com o demônio, contado pelos parentes de Virginia que conheceram Robert ao autor do livreto que acompanha este Box.

O grande bluesman Son House conta que conheceu Johnson, e que o mesmo teria sido um ótimo tocador de harmônica, mas um violonista medíocre quando ainda era um garoto. Depois desse encontro, Johnson andou sumido por um tempo. Especula-se que tivera algumas dicas de violão com Ike Zimmerman, famoso na época por tocar nos cemitérios, perto das lápides, à meia noite. Também praticou bastante tocando em bares, casas noturnas e até mesmo na rua.

Quando voltou a Robinsonville, Robert Johnson estava tocando de forma impressionante, com técnicas nunca antes elaboradas pelos músicos de blues. Chegou a casar mais duas vezes e teve um filho, mas abandonou tudo para pegar a estrada e seguir a carreira de músico. Entre 1932 e 1938 viveu a vida na estrada, tornando difícil o registro da sua história. Teve como parceiros de palco Johnny Shines, que tinha 17 anos quando conheceu Johnson e o acompanhou em turnê e Robert Lockwood.

As apresentações variavam: quando tocava na rua, seu set era composto por suas músicas com temáticas sombrias e mesmo satânicas. Quando se apresentava em palcos com produções organizadas, geralmente para platéias brancas, tocava standards e músicas mais populares.

Robert Johnson faleceu no dia 16 de agosto de 1938, aos 27 anos de idade, sob circunstâncias misteriosas. Dizem que teria sido envenenado por um homem ciumento, em razão de um affair que o músico tivera com sua mulher.
O MITO
Especula-se que, no período em que esteve sumido, Robert Johnson fizera um pacto com o diabo. O diabo lhe ensinaria a tocar de forma impressionante e lhe daria fama e fortuna em troca de sua alma. Todos os detalhes do pacto estariam descritos em suas músicas, que foram sopradas a Johnson pelo próprio capeta.



Me and the Devil Blues é de arrepiar, e fala que existe uma relação entre os dois que parece ser de grande camaradagem. Cross Road Blues, gravada pelo Cream e adorada por Clapton, descreve o cenário do pacto, na Dockery Plantation, à meia noite. O local, em Clarcksdale, Mississipi, tem uma estátua em homenagem ao acontecimento. Mesmo quando remete à religião, em Preaching Blues, faz referência ao tinhoso. Ouça a frase “give me your right hand” e tente não se arrepiar com a vocalização de Johnson.



O que trago aqui é o Box com todas as gravações de Johnson conhecidas até hoje. São 29 canções em 2 cds (estão em formato FLAC, portanto, a qualidade é total) que contém os registros realizados para a American Record Company (ARC) em San Antonio (23, 26 e 27 de novembro de 1936, no Gunter Hotel) e em Dallas (19 e 20 de junho de 1937, em alguma casa desconhecida), Texas.

Apenas com um violão de frente para o canto de um quarto de hotel vagabundo, batendo seu pé no chão de madeira e usando afinações nunca antes vistas por músicos e apreciadores da música, Robert Johnson gravou tudo o que se pode ter como referência no blues. Ele foi o criador de todos os standards utilizados ainda hoje. Ouça os discos e tente imaginar que ali tem somente uma pessoa tocando, sem instrução nenhuma, sem internet e, milagre total, sem Pro Tools.

A impressão que dá é que existe mais de um tocando nas gravações. Talvez exista mesmo, mas está escondido dentro do próprio Robert Johnson.

Se não quiser escutar, ao menos tenha isso aqui como arquivo histórico, que vale a pena. Afinal, esse foi o primeiro rockstar americano que morreu aos 27 anos de idade e que tem “J” no nome.

All my Love in Vain...

Track List

CD 1

1. "Kind Hearted Woman Blues"
2. "Kind Hearted Woman Blues" (alternate take)
3. "I Believe I'll Dust My Broom"
4. "Sweet Home Chicago"
5. "Rambling on My Mind"
6. "Rambling on My Mind" (alternate take)
7. "When You Got a Good Friend"
8. "When You Got a Good Friend" (alternate take)
9. "Come On in My Kitchen"
10. "Come On in My Kitchen" (alternate take)
11. "Terraplane Blues"
12. "Phonograph Blues"
13. "Phonograph Blues" (alternate take)
14. "32-20 Blues"
15. "They're Red Hot"
16. "Dead Shrimp Blues"
17. "Cross Road Blues"
18. "Cross Road Blues" (alternate take)
19. "Walkin' Blues"
20. "Last Fair Deal Gone Down"

CD 2

1. "Preaching Blues (Up Jumped the Devil)"
2. "If I Had Possession Over Judgment Day"
3. "Stones in My Passway"
4. "I'm a Steady Rollin' Man"
5. "From Four Till Late"
6. "Hellhound on My Trail"
7. "Little Queen of Spades"
8. "Little Queen of Spades" (alternate take)
9. "Malted Milk"
10. "Drunken Hearted Man"
11. "Drunken Hearted Man" (alternate take)
12. "Me and the Devil Blues"
13. "Me and the Devil Blues" (alternate take)
14. "Stop Breakin' Down Blues"
15. "Stop Breakin' Down Blues" (alternate take)
16. "Traveling Riverside Blues"
17. "Honeymoon Blues"
18. "Love in Vain"
19. "Love in Vain" (alternate take)
20. "Milkcow's Calf Blues"
21. "Milkcow's Calf Blues" (alternate take)

Robert Johnson (violão, sapato no assoalho, vocais)
Devil (inspiração, participação oculta e todos os consectários de praxe)


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Por Zorreiro