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quarta-feira, 25 de maio de 2011

Machines Of Grace - Machines Of Grace [2009]


Aparentemente, o Savatage não vai voltar mesmo – ao menos em um curto espaço de tempo. Compreensível, afinal de contas, os envolvidos não seriam burros de abandonar o bem-sucedido Trans Siberian Orchestra para abraçar novamente um trabalho que não dá o mesmo retorno, tanto financeiro quanto em termos de popularidade. Sendo assim, o negócio é se agarrar aos poucos momentos em que alguns dos músicos se juntam novamente. Como é o caso do Machines Of Grace, grupo que resgata a parceria entre o vocalista Zak Stevens e o baterista Jeff Plate. Não dá para realmente considerar esse projeto como algo novo, pois sua concepção vem de antes mesmo da dupla se unir a Jon Oliva e companhia.

Tudo começou ainda no início dos anos 1990, quando Jeff e Zak, junto com o guitarrista Matt Leff, faziam parte da banda Wicked Witch. O vocalista e o guitarrista haviam estudado juntos no Instituto de Músicos da Califórnia. Após a graduação, se mudaram para Boston, onde conheceram o baterista. A reunião só ocorreria quase duas décadas mais tarde, quando tiveram que rebatizar o grupo para evitar problemas com quem já havia se apropriado dos direitos sobre o nome. Assim surgiu o Machines Of Grace, que teve sua formação completada pelo baixista Chris Rapoza, que também toca com Matt no grupo Trigger Effect.



Até mesmo o produtor da estréia é um amigo dos velhos tempos. Paul David Hager começou como homem de som da Wicked Witch, acompanhando-os ao vivo. Anos depois, se tornou um nome respeitado na área, trabalhando com artistas como Megadeth, Pink e Goo Goo Dolls. E ao contrário dos climas bem elaborados de outrora, aqui o negócio é Heavy Metal tradicional e direto, com muito groove na bateria, além de riffs e solos de guitarra no melhor estilo clássico. Um detalhe interessante vai para as passagens acústicas, que oferecem uma atmosfera às vezes densa, outras vezes de calmaria que casaram muito bem com a proposta.

Destaque para a dobradinha de abertura, com as excelentes “Just a Game” e “Psychotic”, mostrando mais uma vez porque Zak é um dos vocalistas mais versáteis de sua geração. “Innocence” traz as citadas características acústicas sem ser uma balada, trazendo uma combinação de elementos toda especial. E não é pelo clima mais ameno que Jeff Plate deixou de bater com força em seu instrumento. A balada “This Time” aparece em duas versões, uma elétrica e outra acústica no fim do álbum. Mas fico com a primeira e a aula de bom gosto, especialmente na guitarra de Matt. Vale citar também o belo jogo de vozes em “Breakdown”. Fechando o tracklist normal, “Better Days”, um Hard Rock dos bons.



Apesar de ser apenas um trabalho por diversão, o Machines Of Grace conta com qualidade suficiente para se tornar um dos grandes momentos da carreira de dois grandes músicos. Não foram realizadas muitas apresentações para divulgação, mas recentemente o quarteto excursionou como atração de abertura do Stryper. Se o seu negócio é um Rock pesado, com ótimas melodias e sem muita enrolação, pode baixar sem medo de ser feliz. Altamente recomendado!

Zak Stevens (vocals)
Matt Leff (guitars)
Chris Rapoza (bass)
Jeff Plate (drums)

01. Just A Game
02. Psychotic
03. Fly Away
04. Innocence
05. The Moment
06. Between The Lines
07. This Time
08. Breakdown
09. Soul To Fire
10. Promises
11. Bleed
12. Better Days
13. This Time (Acoustic)

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JAY

terça-feira, 24 de maio de 2011

Iron Maiden – The Number Of The Beast [1982]




Woe to you, Oh Earth and Sea, for the Devil sends the beast with wrath, because he knows the time is short...
Let him who hath understanding reckon the number of the beast
for it is a human number, its number is Six hundred and
sixty six.



Nunca um texto lido constituiu a introdução de uma música com tamanho impacto.

Nunca a estreia de um vocalista em uma banda de metal teve a força de um furacão como foi a de Bruce Dickinson no Iron Maiden.

Com base em uma citação do Apocalipse 13:18 (Revelations, para o Inglês) e em concepções da numerologia que geraram os estudos contemporâneos da magika disseminada por Aleyster Crowley, Steve Harris e Cia. precisavam chegar destruindo tudo com a nova formação. Paul Di’Anno tinha seu fã clube, mas sua presença na banda havia se tornado insustentável em razão de vários motivos: de drogas a problemas com a sua voz que não durava até o final dos shows.

Bruce era absolutamente melhor, mas fugia do estilo que levou a primeira demo do Iron ao topo das rádios inglesas. O som original era cru e agressivo, o que não combinava com a nova sirene (Air Raid era o apelido de Bruce) contratada. Era o terceiro álbum de estúdio e a terceira formação diferente. A banda precisava se estabelecer. E precisava mostrar ao público que a formação era melhor que a anterior.




The Number Of The Beast chegou simplesmente viciando todos os adeptos do metal, e não apenas aqueles fãs da NWOBHM. A capa chocou até mesmo os acostumados com os pôsters e capas do Iron. A banda tinha um mascote capaz de matar o próprio diabo e fazê-lo de marionete. Derek Riggs teve aqui o seu momento acima do estado de arte. A mensagem oculta é um soco na cara (diferente das milhões de mensagens subliminares das capas dos álbuns seguintes).

Invaders abre o play com Bruce mostrando seus agudos dilacerantes e Steve Harris fazendo seus malabarismos. As guitarras de Adrian Smith e Dave Murray, agora no segundo álbum consecutivo, mostram-se afiadas como nunca havia se visto antes. A seguir, Children of the Damned cria a falsa sensação de que estamos diante de uma balada. Quase, pois trata-se de um crescendo, que culmina com maravilhosas guitarras dobradas em solos e Bruce fazendo um OOooooo uooooo que seria a sua marca registrada nas espetaculares apresentações ao vivo.

The Prisoner e 22 Acacia Avenue lembram, ambas, a fase Killers. Se não fosse pelos vocais, eu poderia dizer que saíram de lá. A partir daí é só pedrada.

The Number of The Beast traz aquela introdução citada na postagem e um riff de guitarra matador, que culmina com um grito que até hoje nenhum outro vocalista conseguiu imitar. Run to the Hills mostra que o Iron tinha, aqui, sua melhor formação. Com todo respeito aos que não concordam, essa é a música que representa o Iron Maiden para mim, e seu destaque fica para Clive Burr, um dos melhores bateristas da história do rock. Nicko é bom, mas quem já o viu ao vivo sabe que ele não consegue segurar Run to the Hills. Clássico com uma introdução quase disco music.



Hallowed be Thy Name tem uma letra marcante. O condenado à forca em sua última noite na prisão. O padre vem lhe tomar a confissão. Parece que Steve Harris estava confessando algo para seu público. Guitarras mais uma vez matadoras e uma bateria que se enquadra com perfeição no que se espera de um clássico.

A versão que vos trago é a remasterizada, de 1998, com a faixa Total Eclipse acrescentada ao track list.

Obviamente você já conhece esse disco. Mas eu não pude deixar de resenhá-lo, afinal, lembro quando eu estava no colégio, no intervalo, e tinha apenas 7 anos. Vi um cara mais velho (de 9 anos) com o disco debaixo do braço (esse tipo de exibicionismo costumava funcionar naqueles longínquos anos 80). E não parei enquanto não conseguisse ouvir aquilo.

Sr. Harris, abençoado seja o seu nome.

Track List

1. "Invaders"
2. "Children of the Damned"
3. "The Prisoner"
4. "22 Acacia Avenue"
5. "The Number of the Beast"
6. "Run to the Hills"
7. "Gangland"
8. "Total Eclipse"
9. "Hallowed Be Thy Name"


Steve Harris (baixo)
Clive Burr (bacteria)
Bruce Dickinson (vocais)
Adrian Smith (guitarras)
Dave Murray (guitarras)

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Por Zorreiro

Mopho - Mopho [2000]



É só fechar os olhos e ligar o som. O cheiro de mofo e ácaros tomam as narinas e não se sabe bem o porquê. Mas há um motivo. A banda Mopho nos brinda com a sonoridade pura dos tempos do Long Play (LP). E mais: ela está ao alcance de todos os nossos sentidos.


A prova disso é o show de lançamento do novo registro de um dos grupos mais promissores e reverenciados da última década, tanto no cenário alagoano como lá fora – e quando se diz ‘lá fora’, que fique evidente que se trata do exterior.


Hoje, dia 24, haverá o espetáculo que põe no mercado o CD intitulado singelamente de “Volume 3”. A primeira performance ao vivo desse terceiro compacto da Mopho acontecerá no Teatro Deodoro, no Centro de Maceió-AL, às 20h30 - a banda alagoana existe desde 1996.


Volume 3, o novo CD da banda


Há até um kit 'mofado': novo CD + pôster + tíquete para o show, que fica por R$ 50, com direito a um lugar mais próximo do palco - também haverá uma sequência de imagens durante o show com o projeto gráfico do álbum.


O grupo alagoano, composto por João Paulo, nos vocais e guitarras, Júnior Bocão, baixo e vocais, Hélio Pisca, nas baquetas, e Dinho Zampier, nos teclados, promete nesse espetáculo também passear pelos meandros dos 15 anos de banda, tocando canções do primeiro compacto, homônimo – que lhes deu prestígio inimaginável, inclusive para dois matutos da terra do ASA de Arapiraca, João Paulo e Júnior Bocão – e também do segundo, de 2004, o obscuro Sine Diabollos Nullus Deus (numa tradução livre, “sem o diabo, não existe Deus”).



Pincelando


A banda toca como se estivesse pintando a plateia com tinta a óleo, usando traços impressionistas, onde as pinceladas são densas e firmes e não se misturam cores, a não ser, num jogo hipnótico, juntadas pela visão do próprio público espectador-ouvinte.


A bem da verdade, a grande vantagem da pintura a óleo é a flexibilidade, afinal, a secagem da tinta é lenta e isso permite ao pintor-músico alterar e corrigir o seu trabalho.


Não que a Mopho não tivesse feito seu dever de casa corretamente, mas na metade do caminho a moldura não mais combinava com a figura mimética pintada no primeiro CD da banda.



Show de 10 anos da banda, no Teatro Deodoro,
em 2006, com várias participações



O quarteto se dissolveu antes mesmo do lançamento do segundo CD, mas agora volta com tudo e com quase todos os integrantes originais – o tecladista Dinho Zampier está no lugar de Leandro Luiz.


O “Volume 3” vem enaltecer o amadurecimento da banda e é bem mais progressivo. A produção é deles e a co-produção de Pedro Ivo Euzébio, que não cobrou nenhum centavo. A masterização ficou por conta de Brendan Duffey.


“O CD só saiu mesmo por conta da ajuda de nossos amigos, Gustavo Cabus, Pedro Ivo e muitos outros. O custo foi de R$ 10 mil. Agora, pretendemos fazer um circuito de shows aqui em Maceió, em Arapiraca-AL, Aracaju e Recife para poder pagar alguma coisa a esses amigos”, brinca o tecladista Dinho Zampier, que desde 2004 está na Mopho.


A pretensão da banda é celebrar essa volta com Hélio Pisca e Júnior Bocão – que estão em vários projetos, dentre eles o notável Casa Flutuante – e ganhar novamente o circuito alternativo nacional.


A banda já tocou no Abril pro Rock, de Recife e São Paulo, no Porão do Rock, em Brasília, no Balaio Brasil, em São Paulo, no Festival de Inverno de Garanhuns, em Pernambuco, no MISA Acústico, no Museu Imagem e Som de Alagoas (MISA), no bairro de Jaraguá, em Maceió, e no Festival Garimpo, em Belo Horizonte, só para citar alguns palcos por onde andaram.





Parcerias


“Há diversas participações. Na segunda música desse terceido trabalho, 'Quanto vale um pensamento seu', o Wado faz sua deixa. Eu já tinha participado de algumas músicas do último CD dele, o Atlântico Negro. Ainda faz participação Billy Magno e também Luiz Carlini, guitarrista do Tutti Frutti, que gravou lap steel guitar em 'A Malvada', música de autoria do [Júnior] Bocão e do guitarrista alagoano Paulinho Pessoa”, conta o frontman João Paulo à Combe do Iommi.


E o que salta aos olhos mesmo é o projeto gráfico do encarte, de uma qualidade absurda, assinado por Paulo Blob; aos ouvidos, as dez músicas novas, soltando cores e feixes de luz para todo canto se fundindo numa lisergia cheia de solfejos e mais outras notas musicais.


E, de uma forma ou de outra, quando as cores – primárias ou não – se fundem, é porque o som da banda fez o mesmo efeito da droga psicotrópica LSD, famosa nos idos de 1967, que tem como referência máxima o oitavo álbum dos Bealtes, o "Sargent Pepper’s Lonely Hearts Club Band".


No documentário “It Was Twenty Years Ago Today” (algo como “Faz Vinte Anos Hoje”), de 105 minutos, produzido pela Granada Television, o guitarrista George Harrison falou que aquele ano durou 50. “A coisa toda foi uma minirenascença”, disse ele, em certo ponto.


E desde então não havia nenhuma revolução sexual, social ou musical. Até a Mopho chegar em 2000 com o seu primeiro trabalho (o que venho mostrar a vocês), carimbado pelo selo paulistano Baratos Afins.


O frontman João Paulo


O ano de 1967 foi o dos hippies, dos dois dedinhos saudando a paz e o amor, do poder das flores de San Francisco nos cabelos e na boca das armas, do verão das drogas. As pessoas ainda tinham esperança de um mundo melhor; esperança, sobretudo, na humanidade.


Para a banda e para o cenário roqueiro brasileiro, o ano de 2000 foi a Nova Era anunciada com sintetizadores; o primeiro CD da Mopho foi a esperança de um novo ’67. Para se ter uma ideia, a banda foi até considerada pela crítica especializada e underground como sendo o novo Mutantes.


Mas, à época, o quarteto não estava totalmente lapidado e a imaturidade, juntamente com o cansaço da turnê que percorreu inúmeros cantos do Brasil, acabou com o sonho – eles acabaram mesmo é se separando, a despeito de serem apontadas como umas das 50 melhores bandas da última década pelo jornalista e editor da home do IG, iBest e BrTurbo, Tiago Agostini, que escreve na conceituada revista Rolling Stone e nos sites Scream & Yell e Mondo Bacana.






Para fazer o CD, mesmo sem recursos, o quarteto alagoano resolveu se aventurar até São Paulo (déjà vu?) e tentar a sorte. Lá, por coincidência, conheceram Luiz Calanca, da Baratos Afins, que se interessou pelas demos do grupo.


Todas as músicas do play são destaque. "Nada Vai Mudar" começa com João Paulo se conformando: "Eu queria tudo, quis o mundo, tenho um carro. Tenho discos, tenho filhos, um sapato apertado. Nada vai mudar, as coisas assim...".


Logo em seguida, "A Geladeira" tem uma pegada e refrão ótimos e o mérito quase todo vai para os teclados de Leonardo Luiz. "Não Mande Flores" é um clássico; uma canção inefável com "um pouco de sexo, drogas e rock n' roll".


O CD também tem várias passagens de funk (como em "Ela me Deu um Beijo", "Eu Quero Tudo" e "A Mosca Sobre a Cabeça") e outras claras referências aos anos 1970 ("Uma Leitura Mineral Incrível" e "Um Dia de Cada Vez").

Há também espaço para o romantismo. Em "A Carta", nota-se uma banda exalando sentimento; a música é melhor que qualquer coisa que o Los Hermanos tenha feito.

Ademais, os integrantes (com ou sem ácido) não sabem como diabos um relógio Cosmos veio a aparecer na capa esverdeada do álbum. Eis o mistério da fé!



Caso Arnaldo


Notoriedade. Foi isso o que conseguiu a banda. A Mopho alcançou os limiares das ondas de rádio dos Estados Unidos. Segundo o vocalista e guitarrista João Paulo, este primeiro disco deles, chegou até o ex-baterista da antológica banda piscodélica Love, Snoopy, que gostou do trabalho quando esteve no Brasil e o levou para a banda Wondermints (grupo de apoio do eterno beach boy Brian Wilson).


A Mopho ficou em 29º lugar e no top 35 na college radio da Universidade Karxl, de Berkeley, na Califórnia. Logo, eles também chamaram a atenção dos artistas brasileiros – a banda participou da coletânea “Wood & Stock”, com a música “Quando você me disser adeus” ( do segundo CD), ao lado de Rita Lee, Tom Zé, Júpiter Maçã e Arnaldo Baptista.


Um deles, dos que ficaram impressionados com o talento latente do quarteto, como também o maestro Rogério Duprat, foi o ex-líder dos Mutantes, Arnaldo Baptista.


Entrevistado pelo repórter do Estado de S. Paulo, Paulo Alexandre, Baptista falou muito bem da banda à época desse debut. No ensejo, ele afirmou que “o contrário de Mopho é 'fômo' e o contrário disso é 'vortêmo'”. Uma profecia. Pois a banda volta e volta calibrada; agora não mostrando influências de Pink Floyd, Beatles, Led Zeppelin, Byrds, Casa das Máquinas, Cream, Mutantes, Secos e Molhados ou Som Nosso de Cada Dia.


A banda agora influencia. O “Volume 3”, distribuído pela Pisces Records, tem a cara da Mopho, maquiada com mil bordões.



Vai mofar


Arnaldo Baptista, hoje com 62 anos, vai lançar daqui para outubro seu novo trabalho, chamado “Esphera”, onde toca todos os instrumentos com virtuosismo. O título do álbum com ‘ph’ incita à Terra, à espera, à esperança de um mundo melhor.


Mas muito antes desse recurso de usar do ‘ph’ como trocadilho, a Mopho o utilizou. De acordo com o baixista Júnior Bocão, em meio a febre manguebeatina, advinda do Recife com Chico Science e Nação Zumbi, alguém fez um comentário maldoso dizendo que a banda iria ‘mofar’ no cenário musical. E o grupo assumiu a responsabilidade e pôs esse o nome que carregaria Brasil afora – e com ‘ph’ mesmo, mas só por questão estética.


“Estamos ensaiando todos os dias e muito ansiosos por essa volta”, revela João Paulo, que já levou em diversos shows o público de volta ao melhor do psicodelismo dos anos 1960 – e, claro, do rockão dos 1970 –, pois, como disse Paul Kantner, do grupo Jefferson Airplane, “se você lembra realmente dos anos 1960, é porque não os viveu”.



João Paulo - vocais e guitarras
Júnior Bocão - baixo
Leonardo Luiz - teclados
Hélio Pisca - bateria



1. Nada vai mudar
2. A geladeira
3. Não mande flores
4. Ela me deu um beijo
5. Tudo vai mudar
6. Tão longe
7. Uma leitura mineral incrível
8. Eu quero tudo
9. A carta
10. Já não é mais
11. Mosca sobre a cabeça
12. Um dia de cada vez
13. Vamos curtir um barato juntos/ Uma leitura mineral incrível (acústica)


(Link nos comentários/ link on the comments)


Da esquerda para a direita: Júnior Bocão, Dinho Zampier,
Hélio Pisca e João Paulo, a formação atual



Por Breno Airan Meiden

Keel - The Final Frontier [1986]



Um disco divertido, de mais uma banda que poderia ter mais reconhecimento na época, apesar do sucesso obtido. E talento não faltava, tanto que foram apadrinhados por Gene Simmons, que nos deu o prazer de apresentar ao mundo bandas maravilhosas como Van Halen, Cinderella, House Of Lords e Black N' Blue, só para citar as mais conhecidas. Só com esses exemplos, podemos dizer então que o som do Keel realmente é merecedor de atenção.

A história do Keel começa quando Ron Keel sai da banda Steeler, na qual trabalhou junto com o virtuoso Yngwie J. Malmsteen. Em 1984 ele monta sua própria banda, com a qual lança o disco de estréia "Lay Down the Law”. Mas eles começam a chamar a atenção para seu som com "The Right To Rock", quando Gene Simmons assumiu a produção do disco da banda, o que ajudou que sua reputação aumentasse e eles pudessem crescer na cena hard daquele momento.


Mas podemos facilmente dizer que o ápice da banda é realmente seu terceiro disco, o estupendo "The Final Frontier". Com Simmons soltando as rédeas do grupo durante a gravação do disco, vemos músicos entrosados e a vontade, mandando bala em refrães grudentos, riffs festeiros e backing vocals contagiantes, onde ao final de cada canção, provavelmente você se pegará contagiado pelo ritmo e tendo alguma reação involuntária. Composições bem trabalhadas e feitas sob medida para cativar em cada instante, mesmo naqueles momentos em que o flerte com o heavy é evidente.

As primeiras quatro canções já incendeiam tudo e nos apresentam momentos memoráveis. "The Final Frontier" começa com o andamento mais cadenciado e é mais puxada para o heavy, com Ron Keel em um desempenho notável, com linhas vocais potentes, que dão um peso ainda mais incrível para a canção. "Rock And Roll Animal" conforme seu nome diz é realmente animal, uma porrada sensacional aos ouvidos e que mantém a energia inicial do registro. A semi-balada "Because The Night", composta originalmente pelo mestre Bruce Springsteen ganhou uma roupagem que a deixou ainda mais irresistível e seu clipe é sensacional, com aquelas clássicas coreografias que as bandas dos anos 80 apresentavam. "Here Today, Gone Tomorrow" incorpora o espírito festeiro da época e vai arrancar lágrimas dos mais saudosos, com seu refrão matador.


Coreografias nos clipes rlz! hsuashauhsuhauhs

Mas até seu fim, o disco mantém a ótima média de canções empolgantes, mantendo o nível com pedradas como "Raised On Rock" com a saudosa Joan Jett nas guitarras, a incendiária "No Pain, No Gain" e a bon joviana (sic! rsrsrs) "Just Another Girl" com seu sensacional clima festeiro e até inocente, mas que levanta até defunto e que vai te fazer querer um bis, de tão empolgante e grudenta. A balada "Tears Of Fire" é uma broken ballads das boas, carregada de emoção na interpretação chorosa de Ron Keel.

Um baita de um disco de hard rock, que nos faz sentir saudades daquele tempo em que música comercial não deixava de ter qualidade, e que fará nos lamentar os dias sombrios que vivemos, em que um bando de coloridos chorões e afrescalhados são exaltados por uma juventude sem muito conteúdo. Quem dera eu pudesse ter meus vinte anos durante os anos 80...




1.The Final Frontier
2.Rock And Roll Animal
3.Because The Night
4.Here Today, Gone Tomorrow
5.Arm And A Leg
6.Raised On Rock
7.Just Another Girl
8.Tears Of Fire
9.Nightfall
10.No Pain, No Gain


Ron Keel - Vocais, Guitarra, Teclados
Marc Ferrari - Guitarra, Backing Vocals
Bryan Jay - Guitarra, Backing Vocals
Kenny Chaisson - Baixo, Backing Vocals
Dwain Miller - Bateria, Backing Vocals

Músicos Adicionais:
Joan Jett - Guitarra em "Raised On Rock"
Mitch Perry - Guitarra em "Tears On Fire"
Michael des Barres - Backing Vocals em "Raised On Rock"
Jaime St. James - Backing Vocals em "Rock And Roll Animal"
Greg Giuffria - Backing Vocals em "No Pain, No Gain"


By Weschap Coverdale

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Bonfire - Branded [2011]


Tive sentimentos desconexos antes de escutar esse álbum. Afinal de contas, a verdade é que, apesar de ser uma banda pra lá de competente, o Bonfire nunca mais acertou a mão da mesma forma que no indiscutível Fireworks, de 1987. Desde então, a coisa variou entre o tenebroso e o bom, porém comum. E cá estamos, em pleno 2011, com mais um trabalho dos alemães. Branded comemora os 25 anos de existência do grupo, desde que deixou de ser o Cacumen e partiu para uma abordagem mais Hard Rock.

Na abertura, a cadenciada “Deadly Contradiction” que traz um fraseado no começo que lembra bastante “The Shinning” do Black Sabbath. Música bacana, com um refrão interessante, mas nada que mereça maiores destaques. A coisa melhora em "Just Follow The Rainbow", Rock de arena no melhor estilo germânico, para cantar e pular junto. Um ponto forte nessa faixa é as guitarras, alternando riffs e solos com maestria. “Save Me” mantém o bom nível da anterior, com uma melodia bem interessante, remetendo aos bons tempos de Claus Lessman e Hans Ziller. A veia Southern, sempre presente, se manifesta em “Let it Grow”, balada estradeira no melhor estilo americano que um alemão pode tentar ser.



A mais longa de todas vem a seguir, com uma intro que parece manter o clima. E “Better Days” também é guiada por violões, mas teclados com passagens orquestradas dão um clima diferente. Soa deslocada do contexto. O Hard Rock direto e pesado retoma a linha de frente em “Do Or Die”, que após um começo cheio de clima, ganha uma levada quase Heavy. “Close to the Edge” lembra alguns sons das antigas, como “Don’t Get Me Wrong”, com uma levada típica das bandas européias. A melhor de todas é “Crazy”, som animado, com melodia e refrão marcantes. Poderia até ser colocada mais cedo no tracklist para evitar a que de ânimo lá no meio, onde temos muitas faixas longas na seqüência.

Mantendo o clima, a curta “Loser’s Lane” mostra que o quinteto não desaprendeu e, quando se esforça, ainda consegue acertar a mão bonito. Som que poderia rolar nas rádios Rock sem problemas, não fossem outros os interesses. Para fechar, a baladaça “Hold Me Now”, a melhor que o Bonfire fez nos últimos discos, com cara de hit oitentista. De bônus, versões acústicas para duas músicas do passado. A não tão distante “I Need You” e a clássica “Rivers of Glory”, do álbum Knock Out, de 1991. Valem como brinde. Pena que o play se perde em alguns momentos, especialmente no meio. Aliás, é o que vem acontecendo já há um bom tempo. Mesmo assim, vale conferir.

Claus Lessman (vocals)
Hans Ziller (guitars)
Chris Limburg (guitars)
Uwe Köhler (bass)
Jurgen Wiehler (drums)

01. Deadly Contradiction
02. Just Follow The Rainbow
03. Save Me
04. Let It Grow
05. Better Days
06. Do Or Die
07. Close To The Edge
08. Crazy
09. Loser's Lane
10. Hold Me Now
11. I Need You (2011 version - bonus track)
12. Rivers Of Glory (2011 version - bonus track)

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JAY

domingo, 22 de maio de 2011

Bon Jovi - These Days [1995]

O disco que definitivamente encerra a fase glam do grande Bon Jovi. Esqueça as canções melosas, refrães festeiros e grudentos e todo aquele clima oitentista. Canções soturnas, letras com forte teor de crítica social, andamento mais cadenciado e até mesmo mais pesado. Até as baladas que sempre acompanham a banda, aqui tem ares mais pessimistas e retratam o lado mais sombrio e triste do amor. Sim, aqui temos o verdadeiro significado de amadurecimento musical do grupo, ainda que após esse, não temos mais aquela banda que todos aprenderam aqui a amar (sei que vou apanhar nos comentários devido a esta afirmação, mas é o que penso, e não deixo de gostar do Bon Jovi por isso).

Mas seria natural a mudança da temática do grupo. Como bem sabemos, o grunge dominava as paradas de sucesso nas rádios, e o espaço para uma banda de hard seria praticamente nulo. Pensando nisso, vemos a banda aqui praticando um hard mais sério e com letras afiadas, e que a minha opinião estão entre as melhores de toda a carreira do grupo. Mas como quase todo grupo tem seu disco injustiçado, esse com certeza é o registro da discografia da banda que mantém este status, não sendo muito lembrado pelos fãs que conheço.


Sim, apesar do tom escuro e cinza que permeia todo esse registro, a qualidade aqui é impressionante. Jon Bon Jovi apresenta seus vocais mais poderosos em toda a discografia do grupo. As interpretações estão sensacionais e carregadas de emoção, onde você sente ele realmente sangrar enquanto solta versos como este: "Isso me deixou tão louco pois eu queria tanto isso para nós baby, E agora isso é tão doloroso que o que quer que nós tínhamos,Não vale a pena ser salvo". E se alguns torcem o nariz para as composições do grupo, aqui fica muito difícil criticar as letras apresentadas. Sambora está impecável, transmitindo emoção durante todo o trabalho, com solos dobrados e riffs cheios de tristeza e descontentamento.

O registro abre de maneira explosiva com "Hey God", em uma composição triste e questionadora, onde observamos situações que cada um de nós pode ver de perto, ou mesmo passamos por uma destas e no desespero acabamos por questionar a Deus o motivo de estarmos nessa situação. O clima é tão denso, que na segunda canção do disco e que tem a roupagem mais pop de todo o registro, "Something For The Pain", pode ser comparado a um ataque de nervos no meio de uma situação caótica, onde o personagem não vê para onde ir e pede um alívio para a dor que está passando. "These Days" que foi escrita há pelo menos 16 anos atrás, se aplica de maneira perfeita aos nossos dias, em que "estamos em uma era onde nada dura, e não sobrou mais nínguem ao invés de nós mesmos. A emocional "My Guitar Lies Bleeding In My Arms" fará qualquer um que esteja na fossa, que se afunde mais na mesma e não queira voltar por um bom tempo e é o momento de maior flerte com o grunge de toda a carreira do grupo, com um solo choroso de Sambora, onde a guitarra dele realmente sangra em seus braços.



Agora duvido que alguem aqui escute "This Ain't A Love Song" e não lembre de uma pessoa que lhe jurou amor e no final das contas acabou apenas trazendo alguns dias de sofrimento para a sua vida. Essa música embalou alguns momentos de fossa pelos quais passei, ao descobrir que todos os sonhos não passavam da mais amarga ilusão. Uma balada espetacular e que com certeza está entre os pontos altos da carreira do Bon Jovi. "If That's What It Takes" também está entre as minhas prediletas, uma tentativa desesperada de tentar salvar um relacionamento no fim. "Bitter Wine" foi escrita para aquele momento em que você apenas quer afogar as mágoas e nada mais que isso.

Se você gosta de discos emocionais, vai se encantar com todos os sentimentos transmitidos neste registro. Junto com "Darkness On The Edge Of Town" do Springsteen, este é um dos discos mais tristes e ao mesmo tempo encantadores que já escutei. Enquanto muitos o qualificam com um disco apenas "mediano" dentro da carreira do grupo, o considero uma pérola que infelizmente muitos não dão atenção, por acharem que a banda morreu em 1992. Se você é destes, não sabe o que está perdendo.




1.Hey God
2.Something For The Pain
3.This Ain’t A Love Song
4.These Days
5.Lie To Me
6.Damned
7.My Guitar Lies Bleeding In My Arms
8.(It’s Hard) Letting You Go
9.Hearts Breaking Even
10.Something To Believe In
11.If That’s What It Takes
12.Diamond Ring
13. All I Want Is Everything
14. Bitter Wine


Jon Bon Jovi - Vocais, Guitarra
Richie Sambora - Guitarra, Vocais
Tico Torres - Bateria
David Bryan - Teclado, Backing Vocais
Hugh McDonald - Baixo

Ps: Post dedicado para a amigona Lyn, que assim como eu, ama este disco. Uma amizade inesperada, porém inspiradora, daquelas que nos dão esperança de que ainda existem pessoas especiais neste mundo.


by Weschap Coverdale

Iron Maiden - Seventh Son Of A Seventh Son [1988]


Do período mais curioso do Iron Maiden (entre a metade da década de 1980 e os primeiros anos da década de 1990), com certeza o álbum mais curioso é o dessa postagem. E foi a partir dele que a casa começou a cair e os relacionamentos entre os integrantes começaram a se desgastar um pouco.

Não é à toa que "Seventh Son Of A Seventh Son", o sétimo da discografia do grupo, foi o último a contar com o guitarrista Adrian Smith até a reunião, em 2000. Ironicamente, Smith saiu principalmente por conta de diferenças musicais. Estava insatisfeito com o direcionamento musical que o Iron Maiden estava tomando desde o antecessor "Somewhere In Time".

Essa mudança sonora ainda gera algumas controvérsias entre os fãs, pois o motivo, apesar de ser desconhecido, tende para a comercialização das composições. A participação de teclados e sintetizadores nas músicas, tocados pelo ótimo Michael Kenney, se tornou constante, apesar de ser menor nesse disco em relação ao anterior. Consequentemente algumas faixas ficaram mais acessíveis. Os singles definitivamente estavam com cara de singles - vide Can I Play With Madness? -, pois os caras investiram muito bem nos refrães, e essa não era uma característica muito notável nos primeiros álbuns da donzela.



Mas nada disso tira o mérito de "Seventh Son Of A Seventh Son", que é um disco inspiradíssimo e mais honrável que os mais recentes, por ter o intuito de renovação. A essência do Maiden estava lá: guitarras cruzadas e endiabradas, baixo estalado e cavalgado ao estilo Steve Harris, bateria precisa e sem firulas desnecessárias, linhas vocais que só Bruce Dickinson sabe fazer e composições líricas inteligentíssimas que construíram um conceito por acaso, baseado na história fictícia do sétimo filho de um sétimo filho, detentor de poderes sobrenaturais que podem ser utilizados para o bem ou o mal.

Trata-se de um álbum sensacional que deve ser apreciado de forma devida, principalmente evitando comparações, para ser realmente compreendido. Entre os destaques, estão a sensacional abertura Moonchild, a já citada Can I Play With Madness? e a cativante The Clairvoyant, esta um verdadeiro "clássico póstumo".



01. Moonchild
02. Infinite Dreams
03. Can I Play With Madness?
04. The Evil That Men Do
05. Seventh Son Of A Seventh Son
06. The Prophecy
07. The Clairvoyant
08. Only The Good Die Young

Bruce Dickinson - vocal
Adrian Smith - guitarra, backing vocals
Dave Murray - guitarra
Steve Harris - baixo, backing vocals
Nicko McBrain - bateria
Michael Kenney - teclados

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by Silver

Sodom – One Night In Bangkok [2003]


Ao contrário do que manda o senso comum, o Sodom ousou ao escolher o local para a gravação do terceiro álbum ao vivo de sua carreira. Em vez de um grande centro metálico mundial, um festival de proporções enormes, resolveu homenagear os fãs de Bangkok, na Tailândia, onde já haviam tocado anos antes, sendo uma das poucas bandas do ocidente a se aventurar por lá. O local era o minúsculo Hollywood Club, com capacidade para pouco mais de mil pessoas. Mas a energia era suficiente para oferecer um memorável registro, digno de uma das representantes do trio de ferro do Thrash Metal germânico – não, não há Big 4 por lá, ao contrário do que tentaram vender como matéria de capa recentemente.

Divulgando o álbum M-16, Tom Angelripper e seus asseclas montaram um setlist que passeava por toda a história do grupo. E o principal, mostraram porque essa formação era uma das melhores, conservando a pegada fulminante das versões originais. Aliás, é importante citar que apesar de estarmos falando sobre uma referência moral do Thrash, o Sodom não ficou preso ao passado, gravando até hoje grandes discos. Basta uma pequena escutada em sons recentes, como “Among The Weirdcong”, “The Vice Of Killing”, “Code Red”. “Napalm In The Morning” e a fantástica “I Am The War” para constatar o poder de fogo.



E o que dizer de quando o bicho pega pra valer, em hinos como “Blasphemer”, “Agent Orange”, “Remember The Fallen”, “Sodomy and Lust” e “Witching Metal”? Onkel Tom ainda mostra que agüenta o tranco e despeja agressividade nos vocais com o mesmo poder de outrora. Um convite para transformar a audição em agressividade sonora, mesmo que seja sozinho em seu quarto (cuidado com a mobília nesse momento). Também há espaço para uma versão arrasadora para “Ace Of Spades”, de vocês sabem quem. Sim, é uma escolha um tanto quanto óbvia, mas ainda vale a pena, especialmente para lembrar quem teve papel fundamental ao influenciar toda uma cena.

Fugindo do protocolo habitual, o Sodom acertou a mão e ofereceu a seus fãs, simplesmente, um dos melhores discos ao vivo da história do Thrash Metal. Duvida? Baixe e comprove com seus próprios ouvidos! Só não esqueça do remedinho anti-torcicolo.

Tom Angelripper (bass, vocals)
Bernemann (guitars)
Bobby (drums)

CD 1

01. Among The Weirdcong
02. The Vice Of Killing
03. Der Wachturm
04. The Saw Is The Law
05. Blasphemer
06. Sodomized
07. Remember The Fallen
08. I Am The War
09. Eat Me!
10. Masquerade In Blood
11. M-16
12. Agent Orange
13. Outbreak Of Evil

CD 2

01. Sodomy And Lust
02. Napalm In The Morning
03. Fuck The Police
04. Tombstone
05. Witching Metal
06. The Enemy Inside
07. Die Stumme Ursel
08. Ausgebombt
09. Code Red
10. Ace Of Spades
11. Stalinhagel

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JAY

sábado, 21 de maio de 2011

King Kobra - King Kobra [2011]


A trajetória do King Kobra foi marcada por altos e baixos. Na verdade, houve apenas um alto, com o clássico farofa "Ready To Strike". Logo após, a banda soltou dois discos pouco atrativos e repercutidos em sua época: "Thrill Of A Lifetime", de 1986, e "III", de 1988, o último já sem Mark Free (hoje Marcie) nos vocais e que finalizou a primeira parte da história do conjunto.

Ninguém esperava, mas uma reunião da formação clássica do King Kobra com um vocalista diferente foi anunciada. O escolhido foi o competente Paul Shortino (Rough Cutt, Quiet Riot), e a aflição tomou conta dos fãs de Hard Rock em geral. Afinal, muitos sabem da experiência frustrada de Shortino no Quiet Riot. Mas o novo álbum do King Kobra mostra que não há do que se temer.

A segunda parte da história do grupo começa com esse álbum, auto-intitulado. Os tempos mudam e é impossível esperar um novo "Ready To Strike", ainda mais com outro vocalista. No entanto, é possível esperar pelo melhor. O quinteto fez um disco de Hard Rock poderoso, de qualidade, que resgata a glória do passado sem se prender totalmente a ele.


O vocal de Paul Shortino, sempre maravilhoso, caiu como uma luva para tais composições, que mesmo pesadas e certeiras, são grudentas e tem um 'quê' melódico. Esse saudável meio-termo movimenta todo o full-length e cativa qualquer ouvinte que tenha preferência por um Rock N' Roll competente e muito bem tocado, que nesse caso, é proporcionado por esse time de feras capitaneado pelo lendário baterista Carmine Appice.

A sensação que esse álbum me deixa é a mesma que aquela velha frase de página inicial de Orkut: "Ninguém pode voltar e criar um novo início, mas todo mundo pode começar hoje e criar um novo final". Os caras do King Kobra aplicaram a sentença à vida real e espero que essa nova encarnação do grupo dure por muito tempo, pois produziram aquele que, até o momento, é o melhor disco de 2011 em minha opinião.



01. Rock This House
02. Turn Up The Good (Times)
03. Live Forever
04. Tear Down The Walls
05. This Is How We Roll
06. Midnight Woman
07. We Got A Fever
08. Tope Of The World
09. You Make It Easy
10. Cryin' Turns To Rain
11. Screamin' For More
12. Fade Away

Paul Shortino - vocal
David Michael-Philips - guitarra
Mick Sweda - guitarra
Johnny Rod - baixo
Carmine Appice - bateria

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by Silver

Scorpions - Savage Amusement [1988]


Realmente durante os anos 80, quase a totalidade das bandas de hard rock foram afetadas pelo cheiro de laquê que infestava o globo, graças as bandas americanas, que dominaram o mundo na época, com seu visual produzido e um hard comercial e grudento. Quase todos se renderam ao som americanizado da época, mas dentre elas, a que mais me surpreendeu quando fez isso foi o Scorpions, com o lançamento de 1988, com o bom disco "Savage Amusement".

Naquela altura do campeonato, o Scorpions já tinha consolidado sua carreira em solo americano com os excelentes "Animal Magnetism", "Blackout" e o mega-clássico "Love At A First Sting", que foi realmente o grande divisor de águas da carreira da banda. Porém, contrariando a média de um lançamento com no máximo dois anos de seu antecessor, devido à longa turnê que entraram em 1984, com passagem inclusive no Rock in Rio de 1985.


Sim, ao lançarem o disco em 1988, eis que apesar do bom desempenho comercial, onde alcançou o quinto lugar entre os discos mais vendidos da Billboard (ultrapassando inclusive a vendagem de seu clássico antecessor), a crítica desce a lenha na mudança de sonoridade do grupo, onde neste vemos um hard mais polido e trabalhado, seguindo moldes de bandas como o Def Leppard, e com o visual do grupo, que claramente estava influenciado pelas bandas americanas do momento.

Porém apesar de ser um disco diferente na carreira do Scorpions, está muito, mas muito longe mesmo de ser ruim. Todos sabemos muito bem que ao se tratar deles, é raro ter algo com nota abaixo de 9 (com exceção do horrendo "Eye II Eye", que não me desce até hoje). Riffs carregados de energia, Klaus Meine para variar arregaçando tudo nos vocais, cozinha precisa e refrães e melodias com todos os clichês da época que a grande maioria dos passageiros que sempre passam por aqui gostam. Sem falar em algumas canções com um andamento com uma dose progressiva e que são muito legais.



"Don't Stop At The Top" começa o disco de maneira energética e com uma letra que parece ter saído de um livro de auto-ajuda, com riffs pra tudo que é lado. "Passion Rules The Game" continua a investir nos riffs e é um dos pontos altos do disco, uma canção que foi escrita para agitar arenas ao redor do mundo. "Media Overkill" é oitentista até o osso, com a presença forte de um talk box, que envolve e vai arrancar lágrimas de quem curte um hard com cheiro de laquê. "We Let It Rock... You Let It Roll" mostra que eles não haviam esquecido de fazer aquele hard acelerado e empolgante, que sempre foi uma das pricipais características de sua extensa carreira. "Love On The Run" acelera tudo ao quadrado, em mais um hardão energético.

Mas como sempre podemos esperar em um disco desses alemães formadores de caráter, temos as sempre presentes baladas. "Rhythm Of Love" é uma power ballad das boas e que foi um dos grandes sucessos deste disco. Mas na minha opinião, "Believe In Love" fecha o disco com chave de ouro, pois é uma daquelas baladas em que Klaus Meine detona com suas emocionais interpretações e faz o melhor uso possível de seu privilegiado vocal. Se você assim como eu é perdidamente apaixonado pelo hard rock "made in U.S.A." pode ir sem medo, pois aqui mais uma vez o Scorpions acertam a mão.



1.Don't Stop At The Top
2.Rhythm of Love
3.Passion Rules The Game
4.Media Overkill
5.Walking On The Edge
6.We Let It Rock...You Let It Roll
7.Every Minute Every Day
8.Love On The Run
9.Believe In Love

Klaus Meine - Vocal
Rudolf Schenker - Guitarra, vocais
Matthias Jabs - Guitarra
Francis Buchholz - Baixo
Herman Rarebell - Bateria


by Weschap Coverdale