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terça-feira, 7 de junho de 2011

Living Colour - Vivid [1988]


Ter padrinho forte sempre ajuda na vida – ué, porque negar? Se você tiver um talento nato, então, melhor ainda. É o caso do Living Colour, que após quatro anos de batalha no underground, chamou a atenção de ninguém menos que Mick Jagger. Mr. Lábios de Borracha, o pé frio dos gramados mundo afora, não apenas arrumou contrato com gravadora, como produziu algumas faixas do debut da banda, junto do conceituadíssimo Ed Stasium. Tudo isso apostando em jovens que ele entendia que deveriam ser mostrados ao mundo. E estava mais que certo em sua análise da situação.

Vivid ressalta todo o talento e musicalidade de uma das mais fenomenais formações já reunidas no Rock. Misturando Hard Rock com Funk (o verdadeiro, não o humorístico), Jazz, Soul e R&B, o quarteto imprimia uma identidade sonora própria. Vernon Reid, fundador e comandante da empreitada, abria caminho no mundo dos grandes guitarristas com seus riffs e solo memoráveis, algumas vezes beirando o ilógico. E Corey Glover se mostrava uma das melhores vozes das últimas décadas, ambos escorados por uma cozinha cheia de groove e peso, formada pelo baixista Muzz Skillings e o baterista Will Calhoun, graduado no Berklee College Music.



A abertura já é totalmente arrasa-quarteirão, com a fantástica “Cult Of Personality”, que curiosamente tem sido alvo de muitas exposições na mídia nos últimos anos. Afinal de contas, apareceu como trilha da Radio X no game Grand Theft Auto: San Andreas, além de ter sido a primeira faixa confirmada oficialmente em Guitar Hero III: Legends Of Rock. Também foi utilizada na WWE, para anunciar a volta de ninguém menos que o lendário Stone Cold Steve Austin, além de marcar as entradas do wrestler profissional CM Punk. A música conquistou o Grammy Awards de 1989 na categoria Best Hard Rock Performance.

Mas não fica só nisso. Três outros singles foram lançados com ótima repercussão. Começando por “Glamour Boys”, hit total, com um balanço irresistível, tornando-se um tema acessível para todas as tribos – promovendo aquilo que a própria banda sempre acreditou, que é não estabelecer limites entre tribos musicais. Outra usada com o mesmo propósito foi “Open Letter (To A Landlord)”, com um verdadeiro show de Corey, cantando com a alma na introdução totalmente Soul, que desemboca em um Rockão de primeira categoria. Exclusivamente na Europa, ainda foi lançada “Middle Man”, com seu fantástico riff na introdução.



Outro destaque obrigatório vai para “What’s Your Favorite Color?”, que se tornou um hino informal do grupo. O início totalmente Heavy de “Desperate People” e a emocionante “Broken Hearts” (com um solo de baixo matador no meio da faixa) também merecem citação, assim como o belo cover para “Memories Can’t Wait” do Talking Heads, contando com um verdadeiro show particular de Vernon nas seis cordas. “Funny Vibe” traz participação especial de Chuck D e Flavor Flav, do Public Enemy. Fechando com chave de ouro, “Which Way To America?”, porrada na orelha que contou com Sir Jagger operando as máquinas.

A ótima repercussão fez com que o Living Colour fosse escalado como atração de abertura da Steel Wheels/Urban Jungle Tour, dos Rolling Stones, a mais bem sucedida da história até então. O grupo dividia a honra/tarefa de abrir o espetáculo com outra banda emergente da época, ninguém menos que o Guns N’ Roses. Número 6 no Top 200 da Billboard e platina dupla nos Estados Unidos, Vivid é presença obrigatória na coleção de qualquer amante dos bons sons, independente do gênero preferido. E era apenas o começo de uma bela e gloriosa história.



Corey Glover (vocals)
Vernon Reid (guitars)
Muzz Skillings (bass)
Will Calhoun (drums)

01. Cult Of Personality
02. I Want To Know
03. Middle Man
04. Desperate People
05. Open Letter (To A Landlord)
06. Funny Vibe
07. Memories Can’t Wait
08. Broken Hearts
09. Glamour Boys
10. What’s Your Favorite Color?
11. Which Way To America?

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JAY

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Lynyrd Skynyrd – Street Survivors [1977]



Este é o disco no qual o Lynyrd Skynyrd apostava suas fichas para o megaestrelato com base na formação que seria definitiva.

Ed King, genial compositor dos primeiros discos do grupo, havia saído em definitivo quando foi substituído por Steve Gaines, que foi trazido por sua irmã, Cassie (backing vocais).

Apenas três dias depois do lançamento oficial do disco, o avião do grupo caiu levando Ronnie Van Zant e os irmãos Gaines para o além. Uma tragédia então sem precedentes na história do rock.

A banda estava tão afiada na época que a turnê anterior a este álbum rendera o famoso filme Free Bird, no qual um enérgico Lynyrd Skynyrd toca espremido no centro de um palco em forma de boca totalmente coberto com panos. Era a turnê Black ‘n’ Blue, dos Stones.

No filme pode-se ver perfeitamente que quase ninguém está ali para curtir a atração principal. Enquanto Richards estava envolvido com o Reggae de Jamaica, os Skynyrds detonavam o que de melhor havia em southern rock na face da terra (lembrando sempre que os Allman Brothers estavam de férias, na época).



Gravado na Florida e no estado da Georgia, Street Survivors traz alguns dos maiores sucessos da história da banda, cortesia da participação mais que bem vinda de Steve Gaines. Esse também é o último disco de estúdio com Allen Collins, que morrera de pneumonia no ano de 1990, e não participou do famoso retorno de 1987. O disco foi gravado duas vezes. A primeira gravação ocorreu em Miami, na Flórida; e a segunda, em Doraville, Georgia. A que trazemos é a segunda.

A capa merece uma análise à parte. Foram duas. A original tinha a banda na rua entre chamas, quando o disco foi lançado. Em razão do acidente, foi lançada uma nova versão com fundo preto. Steve Gaines está com cara de morto e sendo cremado (pela direção das chamas), e Van Zant usa uma camiseta com a capa do disco Tonight’s the Night, de Neil Young. Some tudo isso e terás uma bela teoria da conspiração.

O play abre com What’s your name, num daqueles resultados típicos da parceria Rossington/ Van Zant. Riffs que fazem a cabeça de quem adora um southern, como eu. That Smell vem mostrar que Allen Collins não ficava para trás. Ronnie traz suas letras para dar um colorido à levada mais bluesy do guitarrista. Mas, como no resultado final sempre temos 3 guitarras, os trabalhos resultam em verdadeiros coquetéis de notas e acordes. É melodia pra ninguém botar defeito.



Steve Gaines trouxe suas composições em letra e música, como a fantástica I Know a Little (executada até hoje nos shows da banda) e Ain’t no Good Life. Fez parceria com Van Zant em You Got That Right e I Never Dreamed e, com isso, foi o que mais contribuiu, no geral, para o play. Só para esclarecer, Cassie já era da banda quando Steve entrou. Foi ela quem indicou o irmãozinho para o posto vago. Bela indicação – it runs in the family.

Temos ainda Honk Tonk Night Time Man, de Merle Haggart e pronto! Um classico absoluto do southern rock e, para completar o quadro, com uma bela e enfadonha maldição a ser desvendada. Afinal, quem não curte um terrorzinho?



Depois desse disco a banda não aguentou o tirão e se desmantelou. Afinal, seus dois maiores compositores haviam falecido. Os retornos, deixo para as próximas resenhas.

O importante é curtir mais esse clássico. Southern, by the Grace of God!

Track List

1. "What's Your Name" (Rossington, Van Zant)
2. "That Smell" (Collins, Van Zant)
3. "One More Time" (Rossington, Van Zant)
4. "I Know a Little" (Gaines)
5. "You Got That Right" (Gaines, Van Zant)
6. "I Never Dreamed" (Gaines, Van Zant)
7. "Honky Tonk Night Time Man" (Haggard)
8. "Ain't No Good Life" (Gaines)

Steve Gaines (vocais, guitarras)
Ronnie Van Zant (vocais)
Gary Rossington, Allen Collins, Ed King (guitarras)
Barry Lee Harwood (dobro)
Billy Powell (teclados)
Rick Medlocke (bacteria e backing vocais)
Artimus Pyle (bateria)
Cassie Gaines, Leslie Hawkins, Jo Jo Billingsley, Tim Smith (backing vocais)

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Por Zorreiro

Steve Perry - Street Talk [1984]


Na metade dos anos 1980, Steve Perry havia ultrapassado o nível de estrelato atingível dentro do Rock e se transformado em um verdadeiro popstar. Era ele a figura representativa de sua geração no estilo em projetos como o USA For Africa, do inesquecível single “We Are The World”. Após ter elevado a música do Journey a outro patamar, transformando a banda em uma das maiores dos Estados Unidos, o cantor quis experimentar algo solo. Na verdade, não se tratava de uma simples tentativa de fazer algo diferente – tanto que as músicas desse álbum poderiam facilmente ter sido trabalhadas com Neal Schon e companhia. Mas o momento em seu grupo principal era para lá de conturbado, com ciúmes e guerra de egos rolando a todo o momento.

Street Talk não é apenas o nome desse disco, mas também como tinha sido batizado seu projeto antes de entrar no Journey – também denominado Alien Project em determinado momento. E o motivo não foi uma simples homenagem ao passado, já que várias composições do álbum contam com idéias daqueles tempos. Mesmo um dos músicos convidados, o baterista Craig Krampf, fazia parte da empreitada dos velhos tempos, além de uma singela e verdadeira homenagem ao baixista Richard Michaels, para quem o play foi dedicado no encarte. A fórmula não foge muito daquilo que as pessoas estavam acostumadas a ouvir de Perry. Apenas o foco é totalmente direcionado à sua voz, deixando o instrumental como pando de fundo.



De cara, a faixa de abertura, “Oh, Sherrie”, alcançou o número um da parada Rock e o terceiro posto na Pop norte-americana, além do topo no chart canadense com sua fórmula indefectível. Melodia grudenta, refrão inesquecível e um apelo acessível na medida certa para agradar os ouvintes genéricos sem deixar de lado os adeptos ferrenhos. A música foi composta pelo vocalista para sua então namorada, Sherrie Swafford, que é a moça que contracena com ele no videoclipe. Só o início, com a bela intro de teclado e a voz de Steve sem acompanhamento já é daqueles momentos que valem o disco.

Outras três foram lançadas como single: a suave “Foolish Heart”, “She’s Mine” e o AOR de primeira de “Strung Out”. Também é preciso destacar as ótimas “I Believe” e “Captured By the Moment”. Street Talk alcançou platina dupla logo no ano de lançamento, comprovando o grande momento de popularidade do vocalista. O impacto foi tão grande que Neal Schon precisou engolir o orgulho e deixar que duas faixas (“Oh, Sherrie” e “Strung Out”) fossem incluídas na turnê seguinte do Journey. Um trabalho realizado com talento ímpar. Aliás, é sempre importante lembrar que, apesar de não ser do agrado dos fãs de um Rock mais visceral, Steve tem uma das melhores vozes no estilo, o que comprova aqui, mais uma vez.



Steve Perry (vocals)
Billy Steele, Michael Landau, Waddy Watchel, Craig Hull (guitars)
Chuck Domanico, Brian Garofalo, Kevin McCormick (bass)
Craig Krampf, Randy Goodrum Rhodes (drums)
Bill Cuomo, Duane Hitchings, Robert Greenidge, Steve Goldstein, Sterling Smith (keyboards, piano, synthesizers)

01. Oh Sherrie
02. I Believe
03. Go Away
04. Foolish Heart
05. It's Only Love
06. She's Mine
07. You Should Be Happy
08. Running Alone
09. Captured By the Moment
10. Strung Out

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JAY

domingo, 5 de junho de 2011

Tyketto - Take Out & Served Up Live [1996]


A sentença "o Tyketto é uma banda injustiçada" deve estar presente não apenas nas postagens anteriores do blog, como também em qualquer texto que fale sobre essa banda. O ex-vocalista do Waysted, Danny Vaughn, formou a banda em 1987 com o guitarrista Brooke St. James, o baixista Jimi Kennedy e o baterista Michael Clayton. A competência permitiu que o conjunto assinasse com a poderosa Geffen Records para lançar o debut "Don't Come Easy", mas era tarde demais: em 1991, o Rock mainstream já era dominado pela tristeza de Seattle.

Após vários problemas, que incluíram a saída de Jimi Kennedy - substituído por Jaimie Scott - e a demissão do grupo pela gravadora, o segundo álbum "Strength In Numbers" foi lançado em 1994 por um selo menor e teve menor repercussão, obviamente. No ano seguinte, Danny Vaughn deixou a banda e foi substituído por Steve Augeri, ex-Tall Stories, que havia se retirado do ramo musical após o fracasso comercial de sua antiga empreitada. Essa formação lançou "Shine" e fez uma pequena turnê de divulgação antes de anunciar um hiato.

Os vocalistas Danny Vaughn (acima) e Steve Augeri (abaixo)

"Take Out & Served Up Live" foi como a despedida para o quarteto. O álbum, lançado em 1996, na verdade é uma coletânea de demos, músicas que nunca viram a luz do dia e performances gravadas ao vivo. As sete primeiras faixas trazem os vocais de Danny Vaughn e, em seguida, Steve Augeri assume o microfone em um repertório de oito faixas, gravado em Londres naquele ano.

Além da capa e contracapa criativas, vale ressaltar o poder de fogo do grupo, que se extende para os palcos. As três músicas inéditas são ótimas, tanto a sensacional b-side Wait Forever quanto as demos Drag The River e Tearin' Up The Night, e as duas faixas ao vivo com Vaughn garantem a diversão.

A contracapa, em modelo de cardápio

Mas o ponto alto da compilação está na segunda parte do álbum, em que Steve Augeri assume o comando da situação. O cara arrebenta com muita consistência em seu vocal e bastante comunicação com a plateia. A banda, no geral, não fica pra trás, pois está afiadíssima, desde a guitarra poderosa de Brooke St. James até a cozinha de Michael Clayton e Jaimie Scott, sendo que este também manda muito nos backing vocals.

Como muitos devem saber, "Take Out & Served Up Live" não encerrou a trajetória do Tyketto por definitivo. A banda se reuniu em 2004 e 2007 para uma porção de shows, depois anunciaram o fim, que durou apenas um ano, já que no ano seguinte estiveram até no Brasil (risos). Entre os destaques dessa pepita, constam as excelentes Wait Forever e Tearin' Up The Night do lado de Vaughn e as execuções de Shine, Seasons e Nothing But Love na voz de Augeri.



01. Forever Young (1988 Demo)
02. Tearin Up the Night (1988 Demo)
03. Standing Alone (1988 Demo)
04. Drag the River (1992 Demo)
05. Wait Forever (1994 B-Side)
06. Burning Down Inside (1992 Live)
07. Lay Your Body Down (1992 Live)
08. Let It Go (1996 Live)
09. Seasons (1996 Live)
10. Nothing But Love (1996 Live)
11. Shine (1996 Live)
12. Get Me There (1996 Live)
13. The End Of The Summer Days (1996 Live)
14. High (1996 Live)
15. Jamie (1996 Live)

Danny Vaughn - vocal, violão (de 1 a 7)
Steve Augeri - vocal, violão (de 8 a 15)
Brooke St. James - guitarra, violão, backing vocals
Jimi Kennedy - baixo, backing vocals (de 1 a 3)
Jaimie Scott - baixo, backing vocals (de 4 a 15)
Michael Clayton - bateria

Obs.: há um erro nos nomes de duas faixas do arquivo: Get Me There foi invertida com The End Of The Summer Days. Peço desculpas pelo erro.


(Links nos comentários - links on the comments)

by Silver

Da esquerda pra direita: Jaimie Scott, Michael Clayton, Danny Vaughn, Brooke St. James. A formação responsável pela maioria das faixas, com exceção de Vaughn.

sábado, 4 de junho de 2011

Voodoo Circle – Broken Heart Syndrome [2011]


Senhoras e senhores passageiros, o melhor disco do ano até aqui, em minha opinião!

Alex Beyrodt é, sem dúvida, um dos grandes nomes da guitarra na cena Hard/Heavy atual. Não à toa, possui uma folha corrida representativa, com trabalhos no Primal Fear, Sinner e Silent Force, apenas citando alguns mais conhecidos. Mas nenhum chega perto de seu projeto autoral, o Voodoo Circle. E quem diria que após um primeiro disco espetacular, viria outro ainda melhor? Mas é exatamente o que acontece em Broken Heart Syndrome, que já pegou ficha para aparecer na festa dos melhores do ano na cena Hard/Heavy.

Enquanto o álbum de estréia (auto-intitulado, de 2008) contava com claras influências Malmsteeneanas nas composições, aqui Alex resolveu explorar um lado mais Blackmore de sua personalidade musical. Sendo assim, prepare-se para momentos que lembram o gênio temperamental, especialmente nos tempos do Rainbow. Outra grande referência é o Whitesnake, com David Readman literalmente incorporando David Coverdale em vários momentos. Aliás, essas duas bandas são citadas no selo colado na caixinha da versão européia do CD.



A abertura com “No Solution Blues” já mostra qual vai ser a linha seguida. Rockão acelerado, com alma setentista e pegada indefectível, daquelas que a gente acompanha o ritmo com o corpo. “King Of Your Dreams” traz maior participação dos teclados e bela cadência, além de backing vocals encaixados com perfeição. Os primeiros minutos de “Devil’s Daughter” farão o ouvinte mais desatento pensar que entrou um disco do Deep Purple no playlist sem avisar. Melodia absurdamente boa, basta uma escutada para não sair nunca mais da cabeça. E os solos de Alex já nos fazem imaginar aquele cidadão com sua Stratocaster e o chapeuzinho nos 1970s.

A direta “This Could Be Paradise” poderia tranquilamente entrar no álbum Stranger in Us All, do Rainbow. Aliás, é melhor que boa parte daquele álbum. Hora da faixa-título, que se mostra um Hard Rock da maior qualidade, com uma levada se aproximando do Metal, que conquista de cara. “When Destiny Calls” dá uma animada no clima, com seu estilo bem europeu oitentista, lembrando até o grupo principal de David Readman, o Pink Cream 69. E após todas as influências que citamos, nada mais clichê que uma faixa chamada “Blind Man”, certo? Logicamente, só poderia se tratar de uma balada blueseira com ecos de Hammond ao fundo. Mas prevalece o bom gosto e a música vence qualquer resistência.

Hora de acelerar novamente, com a direta (mais curta de todas) “Heal My Pain”, com Markus Kullmann espancando seu instrumento com categoria. O começo climático em “The Heavens Are Burning” mostra mais uma vez a fonte onde Alex bebeu para gravar esse trabalho. Aqui seu lado Power aparece timidamente, sem perder o foco da proposta principal. E tome melodia marcante! Agora, chega a hora do susto total. É impressionante a semelhança vocal de Readman com David Coverdale em “Don’t Take My Heart”. Capaz de fazer qualquer um correr até os créditos para ver se não rolou uma participação especial. O som vai emocionar os admiradores da fase Slide It In. Praticamente um pênalti sem goleiro, não tem erro.



E para nocautear de vez, “I’m in Heaven”, remetendo de longe a “Street of Dreams”. Para mostrar que não abandonou completamente o jeito Malmsteen de ser, Alex traz em “Wings of Fury” uma música muito melhor que todas gravadas pelo sueco voador em seus lamentáveis discos recentes. Para fazer a alegria da turma do bululu! Tracklist normal encerrado, hora da bônus “Strangers Lost in Time”. E o ‘yeah’ de Readman no começo faz o ouvinte se perguntar se Coverdale voltou para outra palhinha. Mas logo a sensação passa e ouvimos um Hard/Heavy inspirado, daqueles para se cantar junto, mostrando que o momento é tão inspirado, que até o que fica de fora do pacote principal é digno de nota máxima.

Apesar de ser um projeto com dono, é interessante ressaltar que Alex não transforma o disco em uma exibição gratuita. Seu talento é usado a favor das músicas, além de todos os envolvidos possuírem espaço para brilhar. Com todos os atributos já citados, resta declarar que o Vodoo Circle gravou um álbum que tem tudo para figurar na lista de melhores do ano dos adeptos do estilo. Por enquanto, está no topo isolado e com méritos. Vale cada centavo investido!

David Readman (vocals)
Alex Beyrodt (guitars)
Mat Sinner (bass)
Jimmy Kresic (keyboards)
Markus Kullmann (drums)

01. No Solution Blues
02. King Of Your Dreams
03. Devil's Daughter
04. This Could Be Paradise
05. Broken Heart Syndrome
06. When Destiny Calls
07. Blind Man
08. Heal My Pain
09. The Heavens Are Burning
10. Don't Take My Heart
11. I'm In Heaven
12. Wings Of Fury
13. Strangers Lost In Time (Bonus Track)

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JAY

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Thin Lizzy – Bad Reputation [1977]



Que o Thin Lizzy é uma banda irlandesa, todo mundo sabe. Que os caras influenciaram 100% das bandas da NWOBHM (e uma penca de americanas), também.

Mas o sucesso é complexo.

Depois de mudarem seu som para tomar de assalto o mercado norte americano (e conseguir), os excessos destruíram uma química mais que perfeita.

Apesar de todas as fases poderem ser consideradas clássicas, foi com a dupla de guitarristas Scott Gorham e Brian Robertson que os caras produziram o que há de melhor em twin guitars da segunda metade dos anos 70. Melodias impactantes, vocais com uma suavidade a la Hendrix e uma cozinha diferenciada contribuíram para que o Thin Lizzy se firmasse como um dos monstros sagrados do hard rock, mesmo não tendo vendido as mesmas cifras que seus contemporâneos do Led/Sabbath/Purple.

A turnê de 1977, do álbum Bad Reputation, teve tanto sucesso na terra do Tio Sam que gerou o megafantástico álbum Live and Dangerous. Definitivamente, era o topo, o auge. Mas Lynott estava com hepatite C, na época agravada por seu alcoolismo, enquanto Robertson gostava muito de brincar com agulhas. Os outros dois também não ficavam apenas olhando as brincadeiras dos amigos. Como eu sempre digo: dinheiro é um veneno pra quem não tem cabeça. E com o Lizzy não poderia ser diferente.



Brian Robertson não aparece na capa. Isso porque praticamente não tocou no disco, sendo creditado apenas em duas músicas. Tampouco participou das composições. E, mesmo assim, aparece somente nos solos de "Opium Trail" e "Killer Without a Cause”. Participou da turnê, mas, para que Live and Dangerous tivesse o resultado sonoro que teve, foram precisas diversas horas de estúdio em trabalhos de overdubs.

Bad Reputation é o oitavo disco de estúdio do Lizzy e traz um som mais pop, sem perder a veia hard que os tornou famosos nos States. Southbound e Dancing in The Moonlight são pop até a medula, e aparecem no ao vivo. Guitarras simples com melodias grudentas de solos em quinta fazem a cabeça dos fãs até hoje.



Mas temos os velhos e bons rockões de guerra. Opium Trail é uma das melhores músicas que o Thin Lizzy fez em sua história. Punch e feeling com tempos de batida que se intercalam entre o rápido e o trabalho de viradas que acompanham o baixo e as guitarras. Coisa que só é possível para quem já tem algum tempo de convivência na estrada. E Bad Reputation é exatamente o documento final de uma fase áurea que nunca mais se repetiu. Killer Without a Cause tem um riff inicial que, salvo engano grosseiro meu, influiu demais o que Eddie Van Halen fez nos anos seguintes.



Em 2011 está para ser lançada uma versão deluxe com diversos bli-blis para agradar os fãs. Mas essa versão ainda não está disponível, então, vamos aos clássicos.

O que eu nunca entendi foi por que os produtores dos discos do Thin Lizzy da segunda metade dos anos 70 insistiam em entupir a voz de Lynott com reverb e delay. Coisa mais chata.

Mas isso, agora, não importa mais. Bad Reputation é pra botar pra rodar no toca discos naquele febril final de tarde de outono enquanto você se prepara para fazer absolutamente mais nada de útil. Apesar de que parar a vida para curtir um som não pode ser tão inútil assim.

Track List

1. Soldier Of Fortune
2. Bad Reputation
3. Opium Trail
4. Southbound
5. Dancing In The Moonlight
6. Killer Without A Cause
7. Downtown Sundown
8. That Woman's Gonna Break Your Heart
9. Dear Lord

Philip Lynott (baixo e vocais)
Brian Downey (bateria)
Scott Gorham (guitarra)
Brian Robertson (guitarra)

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Por Zorreiro

Superjoint Ritual – A Lethal Dose Of American Hatred [2003]


“O Superjoint Ritual não é mais uma banda pré-fabricada e não é mais uma banda da moda. O Superjoint Ritual é a reposta ao ‘nu-metal’ pré-fabricado, corporativo. É o Rock n’ Roll como ele deve ser entendido: despretensioso, sem apologias... e totalmente extasiante”.

Assim começava o press-release que apresentava o segundo álbum do (mais um) grupo de Phil Anselmo. A Lethal Dose Of American Hatred mantinha a pegada Hardcore com elementos metálicos de seu antecessor, Use Once And Destroy. Trazendo claras referências à cannabis na capa – erva que os integrantes da banda nunca esconderam o apreço – o play explode nos alto-falantes, com sua agressividade espontânea e cheia de vitalidade. Obviamente, quem espera a pancadaria bem elaborada do Pantera ou o toque sulista do Down, corre sérios riscos de acabar se decepcionando. Mas pessoas de mente aberta aprovarão a idéia. Aliás, até alguns não-apreciadores das bandas citadas podem acabar gostando.



E com toda a dose letal de ódio contida no título do álbum, a banda vai despejando sua energia contra o mundo através das treze faixas. As porradas “Sickness”, “Waiting For The Turning Point” e “Dress Like A Target” (essa última um recado direto à geração ‘malandra’ do Limp Bizkit e a babação de ovo desenfreada da mídia) abrem o play e obrigam o ouvinte a arrastar a mobília e partir para a ignorância, no bom sentido. “The Destruction Of A Person” soa como um recado a desafetos de Phil. Parece algo muito direto, ainda mais se lembrarmos que o clima para com seus antigos companheiros era de guerra total, já que Dimebag ainda estava por aqui, então não era necessário nenhum discurso ameno e afetuoso.

Merece destaque “Never To Sit Or Stand Again”, mesclando os estilos e influências com invejável precisão, além da bombástica “Death Threat Her Sixth Lesson In Hell” e sua intro matadora. Com apenas 1 minuto e 17 segundos, “The Horror” é a trilha perfeita para um espancamento coletivo, antes da caótica “Absorbed Black Mood”, que encerra o trabalho. A turnê de divulgação renderia o excelente DVD Live at CBGBs, mas também resultaria no fim do projeto, após sérios desentendimentos entre Anselmo e o baterista Joe Fazio durante o ano de 2004. Fica o registro da poderosa sonoridade em seus dois discos. Recomendado para quem gosta de umas porradas na orelha das boas.



Phil Anselmo (vocals, guitars)
Jimmy Bower (guitars)
Kevin Bond (guitars)
Hank III (bass)
Joe Fazio (drums)

01. Sickness
02. Waiting For The Turning Point
03. Dress Like A Target
04. The Destruction Of A Person
05. Personal Insult
06. Never To Sit Or Stand Again
07. Death Threat Her Sixth Lesson In Hell
08. Permanently
09. Stealing A Page Or Two From Armed & Radical Pagans Sugarpussy Within The Web
10. Symbol Of Nevermore
11. The Knife Rises
12. The Horror
13. Absorbed Black Mood

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JAY

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Black Label Society – The Song Remains Not The Same [2011]



Poucos guitarristas mantiveram por tanto tempo seu auge criativo como Zakk Wylde.

Da impressionante estreia com Ozzy Osbourne no disco No Rest For The Wicked, quando tinha apenas 21 anos, às performances cheias de energia protagonizadas no OzzFest, quando tocou com o Black Label Society e, em seguida, com a banda de Ozzy no encerramento, Jeffrey Phillip Wielandt (sim, esse é o nome dele) nunca deixou de dar o máximo de si.

Ele não se contenta com resultados medianos, não se acomoda jamais. É praticamente o Chuck Norris do rock. E o resultado desse empenho todo é a debilidade de sua saúde, pois o músico seguidamente passa por sérios problemas que o tiram de cena para tratamento.



Dono de uma técnica furiosa e de um senso melódico invejável, esse já senhor de New Jersey nunca escondeu ser fã incondicional de southern rock. Chegou a tocar guitarra com os Allman Brothers em uma apresentação em 1993. Gravou um disco de southern metal (ou chamem como quiserem o Pride & Glory) e, em todas as suas obras, acrescenta algum elemento do estilo. Isso começou a aparecer com aquele slide magnífico de No More Tears. Suas músicas intercalam lirismo com violência de maneira absolutamente genial, e isso é indiscutível.

No Black Label Society o músico assumiu sua posição de band leader (que não podia exercer na banda de Ozzy por motivos óbvios) e segurou, na maioria das vezes sozinho, os vocais e os instrumentos das gravações de estúdio. Ao vivo, porém, ele sempre pôde contar com o fiel Nick Catanese, que sabe como ninguém completar as pirotecnias de Wylde.

The Song Remains Not The Same é o ultimo lançamento da Black Label Society. Disco que Wylde alega não ser official. Nas palavras do próprio: "we just wanted to put something cool out there”. Mas o resultado é maior que isso. Gravado com a banda toda no estúdio, o play é mais um daqueles trabalhos em que o violão e o piano são enfatizados e os solos de guitarra pipocam por todo lado. Os vocais, que nunca me agradaram plenamente, estão cheios de gás.

A bolacha (sou do tempo da bolacha sim, e daí?) abre com Overlord. Um clima que o Alice in Chains explorou bastante em Jar of Flies mas que, aqui, apareceu com um groove maior, mais coeso. São quatro músicas do disco Order Of The Black rearranjadas para o formato.



A cover do Black Sabbath é Junior’s Eyes. Uma música pouco conhecida do disco Never Say Die que ficou fortíssima. Vocais dobrados em quintas e oitavas demonstram que Zakk deixou para trás os tempos em que, como vocalista, era um ótimo guitarrista. O pianão leva o fundo para o coro de vozes deitar e rolar em cima. Difícil descrever mais dessa maravilha. Ouça!

Crosby Stills Nash and Youg contribuem com Helpless. Clássico absoluto do álbum Deja vu, ficou excelente sem a voz de taquara rachada de Neil Young. Zakk deu vida nova a uma canção simples de três acordes. E poucos gênios conseguem fazer isso, como, por exemplo, Hendrix fizera com All Along The Watchtower, de Dylan.



Agora, quer ter um espasmo orgásmico? Ouça a versão para Bridge Over Troubled Water, de Simon e Garfunkel. Zakk faz os vocais de Simon e os de Garfunkel em overdub. O cara está passando por uma fase singular, definitivamente. Nem em Book of Shadows ele conseguira tamanha inspiração para compor arranjos.

John Rich, estrela da música country norte americana, participa de Darkest Days. A impressão que dá é que se está a escutar um disco dos Eagles. E isso é bom.

Wylde prestou sua homenagem às suas fontes de inspiração de forma magistral. Saiu do óbvio e escolheu a dedo o repertório. Quem não conhece as originais, que procure se interar para perceber que Midas, apesar de ter morrido de fome, tinha um toque especial.

E esse toque especial de Zakk Wylde pode ser sentido durante todo o play. Mais uma obra genial dessa figura incansável.

Track List

01. Overlord (Unplugged version)
02. Parade Of The Dead (Unplugged version)
03. Riders Of The Damned (Unplugged version)
04. Darkest Days (Unplugged version)
05. Juniors Eyes
06. Helpless
07. Bridge Over Troubled Water
08. Can't Find My Way Home
09. Darkest Days (featuring John Rich)
10. The First Noel

Zakk Wylde (guitarras, piano e vocais)
Nick Catanese (guitarras)
John “JD” DeServio (baixo)
Johnny Kelly (bateria)

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Por Zorreiro

Rata Blanca & Glenn Hughes - En Teatro Gran Rex [2005]


O retorno do Rata Blanca com o ótimo álbum El Camino Del Fuego, trouxe uma nova onda de popularidade para o grupo em sua terra natal, a Argentina. Nada menos que três lançamentos de trabalhos ao vivo aconteceram durante a turnê de divulgação. Esse, sem dúvida, é o mais especial para os músicos no aspecto sentimental. Afinal de contas, nunca foi segredo para ninguém que o Deep Purple é a maior influência de Walter Giardino, guitarrista e líder da banda. Até mesmo uma música foi composta em homenagem ao conjunto inglês (“Lluvia Púrpura”). Sendo assim, a oportunidade de dividir o palco com ninguém menos que Glenn Hughes, com certeza trouxe emoções indescritíveis.

Gravado no Teatro Gran Rex, em Buenos Aires, o disco inicia com os hermanos mostrando alguns de seus sons, com bastante ênfase ao então mais recente disco. Bela oportunidade de relembrar sonzeiras como “El Amo Del Camino” e a furiosa “¿En Nombre de Dios?”, onde baixa o espírito de Blackmore em Giardino, que dá um show à parte. Aliás, importante citar que Hughes se referia a Walter como “o mais perfeito filho musical de Ritchie” em entrevistas da época. E, verdade seja dita, quem já assistiu algum vídeo da banda, sabe que o estilo de se vestir e a Stratocaster aumentam ainda mais essa impressão. O grande hit “Volviendo a Casa”, que já se tornou um clássico, é cantada pela platéia a plenos pulmões, enquanto um momento de calmaria cai bem na emocionante “Cuando la Luz Oscurece”.



Aí chega o momento d’A Voz entrar em cena, assumindo não apenas os vocais, como também o baixo. São executados quatro clássicos do Deep Purple, para delírio dos presentes, que acompanham o ritmo em “Stormbringer” e atingem o êxtase quando soa o imortal riff de “Burn”. Entre as duas, espaço para “Mistreated” e uma lembrança merecida para o muitas vezes subestimado Come Taste The Band, com “You Keep On Moving”. No show original, também foi tocada uma versão para “No Stranger To Love”, do Black Sabbath, que ficou de fora do tracklist e foi disponibilizada no tributo Sabbath Crosses, que reuniu vários grupos argentinos homenageando o Sabbão velho de guerra.

Após a saída do mito, o Rata fecha a apresentação com alguns de seus clássicos como a histórica “Guerrero del Arco Iris” e a saideira com a dobradinha “Mujer Amante” (que faz a gente lembrar automaticamente de “Street Of Dreams”, do Rainbow, em mais uma demonstração da grande inspiração) e “La Leyenda Del Hada Y El Mago”. Além do já amplamente citado Ealter, não dá para deixar de citar o grande Adrián Barilari, que tem todo o direito de figurar entre os grandes vocalistas do estilo no continente, enquanto os outros músicos cumprem seu papel com total eficiência. Uma passagem histórica na carreira de uma das mais bem sucedidas bandas latino-americanas de Hard/Heavy. Vale a conferida!



Adrián Barilari (vocals)
Walter Giardino (guitars)
Guillermo Sanchez (bass)
Fernando Scarcella (drums)
Hugo Bistofi (keyboards)

Special Guest
Glenn Hughes (bass, vocals on 7-10)

01. Intro
02. El Amo del Camino
03. Señora Furia
04. Volviendo a Casa
05. ¿En Nombre de Dios?
06. Cuando la Luz Oscurece
07. Stormbringer
08. Mistreated
09. You Keep on Moving
10. Burn
11. Drum Solo
12. Caballo Salvaje
13. Guerrero del Arco Iris
14. Mujer Amante
15. La Leyenda del Hada y el Mago

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JAY

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Harlow - Harlow [1990]


Alguns projetos, por maior que fosse a qualidade, não conseguiram sair do anonimato na povoada cena Hard Rock oitentista norte-americana. É o caso do Harlow, que nasceu da união em estúdio da talentosíssima Teresa Straley com o tecladista Pat Regan – que anos mais tarde se estabeleceria como membro do Blackmore’s Night. Juntos, gravaram algumas demos e correram atrás de músicos para completar o grupo. Como já havia trabalhado com o Black N’ Blue no álbum In Heat, Pat convidou o amigo Tommy Thayer para assumir as guitarras, retribuindo o favor. Fechariam a formação o baixista Todd Jensen (Hardline, David Lee Roth, Paul Rodgers) e o baterista Steven Klong.

A primeira característica que salta aos ouvidos é o registro vocal de Teresa. Apostando em um timbre muito mais grave em relação a colegas de geração, a cantora arrasa, com uma performance soberba, transbordando emoção. A faixa de abertura, “Chain Reaction”, já dá uma amostra do poder de fogo do quinteto. Mas é na seguinte, “Silence”, que ficamos boquiabertos. Tivesse eu que fazer uma lista das melhores interpretações de vocais femininos na história do Hard/Heavy, essa faixa teria presença garantida. Simplesmente de arrepiar!



A suave “Don’t Say We’re Over” mostra Tommy com uma pegada Blues nas seis cordas, enquanto a agitada “Empty” tem tudo para agradar os adeptos da fase oitentista do Heart. Já “When You Love Someone” retoma a veia 1970s, com ótimas melodias orquestradas. “Cry Murder” tinha tudo para se tornar hit, com Thayer mostrando toda sua qualidade e feeling. As baladas não poderiam ficar de fora e “No Escape” representa muito bem o gênero, com seu arranjo acústico, assim como “Edge Of Love”, que encerra o play. Também merece destaque “Pictures”, com sua pegada totalmente zeppeliniana, outra que poderia facilmente ser interpretada pelas irmãs Wilson.

Para a turnê, Steven Klong foi substituído pelo experiente Kevin Valentine – ou seja, a essa altura tínhamos dois empregados-padrão de Paul Stanely e Gene Simmons na empreitada. Infelizmente, apesar de toda a categoria reunida, o álbum não vendeu nada, levando o grupo à dissolução em pouco tempo. Nessas horas temos que agradecer à internet, que nos permite descobrir essas pérolas que, muito provavelmente, jamais iriam sequer adquirir o status de cult que possuem atualmente. Play altamente recomendado para os admiradores de um bom Hard Rock com vocais femininos. Aliás, tenham certeza que aqui temos uma das melhores vozes do estilo em todos os tempos!

Teresa Straley (vocals)
Tommy Thayer (guitars)
Pat Regan (keyboards)
Todd Jensen (bass)
Steven Klong (drums)

01. Chain Reaction
02. Silence
03. Don’t Say We’re Over
04. Empty
05. When You Love Someone
06. Cry Murder
07. No Escape
08. Beyond Control
09. Pictures
10. Edge Of Love

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JAY