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segunda-feira, 20 de junho de 2011

Baton Rouge - Shake Your Soul [1990]


Injustiçado. Este é o melhor termo para utilizar para o grande Kelly Keeling, que possui uma das vozes mais soberbas que tive oportunidade de escutar. Mesmo tendo alguns ótimos registros, ele nunca conseguiu o merecido sucesso ou reconhecimento merecido, sendo na maioria das vezes conhecidos apenas por aqueles que realmente são inveterados pelo hard oitentista. E um dos seus grandes trabalhos foi à frente do Baton Rouge, com qual lançou dois discos que se tivessem sido lançados de 1986 até 1988 poderiam ter tido mais atenção.

A banda começou formada com por Lance Bulen nos vocais, Kelly Keeling nas guitarras e teclado, o baixista Harrison Keith e o baterista Harold Knappenburger com o nome de Voices, que depois mudou para Cheetah. Procurando oportunidades, a banda se muda para Los Angeles e ocorre algumas mudanças de formação que foram essenciais para o grupo, como a troca de vocalista que passaria para Keeling e adição de três novos membros, o baixista Bryan Scott, o baterista Corky McClellan e o tecladista David Cremin, que seria a formação que assinaria o contrato com a MCA Records para o lançamento de seu primeiro disco.


O debut "Shake Your Soul" foi lançado em 1990 e não chamou tanta atenção, atingindo apenas o 160º lugar na parada da Billboard, em uma época em que a atenção da mídia ao estilo já começava a decair drasticamente. Mas quem perdeu foi quem não deu atenção a este, pois aqui temos uma autentica pérola 90's. Vocalizações perfeitas, trabalhos de guitarra ganchudos, melodias acessíveis mesmo em que alguns momentos tenha aquele toque meio melancólico, e um vocalista estupendo, que destrói tudo com seus vocais.

E para iniciar os trabalhos tome a pedrada "Doctor" que já inicia com um vocal rasgado de Keeling e um trabalho perfeito de todo o grupo, principalmente no envolvente refrão que é deveras matador, com uma vocalizações que beiram a perfeição e fazem a cabeça do ouvinte logo na primeira audição. "Walks Like A Woman" mantém o nível altíssimo, sendo um hard sacana com a clara influência do Aerosmith, que são mestres em criar canções com esse clima. E tome mais refrão impecável em "Big Trouble", em que as vocalizações se sobressaem novamente, o que se repete na ótima "Bad Time Comin' Down". O hardão com jeito sacana reaparece novamente com força em "Baby's So Cool" e que se reforça em sua letra em homenagem a uma mulher quente (rs).



Mas as baladas aqui como não poderia deixar de ser, e aqui temos duas power ballads de respeito, com um senso melódico extraordinário e que estão entre as minhas prediletas. "It's About Time" começa como quem não quer nada, mas ganha uma força descomunal durante sua execução, com uma interpretação impecável de Keeling, que faz desta um dos pontos altos deste disco. A triste "There Was A Time (The Storm)" é de uma beleza singular, mais uma vez carregada de emoção e outro refrão ótimo, o que comprova que essa era uma especialidade do grupo e que acerta a mão novamente. "Hot Blood Movin'" e "Spread Like A Fire" finalizam esta pepita de maneira perfeita e satisfaz aqueles que curtem hard rock sem muita frescura.

Um baita disco, que com certeza vai cativar quem gosta de hard oitentista e que vai permanecer alguns dias em sua playlist, devido a sua qualidade indiscutível. Mais um exemplo de que se garimpar bem, com certeza você acha grandes discos que não ficaram acessíveis ao grande público. E por este você irá conhecer outro grande vocalista, se já não o conhecer através do Blue Murder, King Kobra, MSG e outras bandas em que ele deixou sua marca. Recomendado.




1.Doctor
2.Walks Like A Woman
3.Big Trouble
4.It's About Time
5.Bad Time Comin' Down
6.The Midge (Instrumental)
7.Baby's So Cool
8.Young Hearts
9.Melenie
10.There Was A Time (The Storm)
11.Hot Blood Movin'
12.Spread Like Fire

Kelly Keeling - Vocais, Guitarra
Lance Bulen - Guitarra, Backing Vocals
Scott Bender - Baixo, Backing Vocals
Corky McClellan - Bateria, Percussão, Backing Vocals
David Cremin - Teclados, Guitarra and Backing Vocals

Músicos Adicionais:
Bobby Gordon - Teclados
Randy Cantor - Teclados
Joe Franco - Bateria
Frankie LaRocka - Percussão


By Weschap Coverdale

domingo, 19 de junho de 2011

Roadhouse - Roadhouse [1991]


Os Petes do Rock normalmente são os caras que se deram mal na hora de aproveitar o sucesso que tanto buscaram. O mais famoso, é claro, foi Pete Best, baterista que levou um pé dos Beatles pouco antes da banda se tornar uma das maiores lendas da história da humanidade. Em uma escala menor, temos o guitarrista Pete Willis. Membro fundador do Def Leppard, roeu o osso nos primeiros anos do grupo. Participou dos dois primeiros álbuns e, antes das gravações de Pyromania, quando a história tomaria o rumo da consagração definitiva, ganhou bilhete azul, devido a seu comportamento cada vez mais autodestrutivo e comprometedor para uma atividade que se tornava mais séria e profissional com o passar do tempo.

Foi uma longa batalha no então produtivo underground britânico até algo acontecer no período pós-demissão. A primeira tentativa realmente representativa foi no Gogmagog, projeto que reunia outros renegados da cena britânica, como Clive Burr, Paul Di’Anno e o encara-todas Neil Murray, além de um novato e aventureiro Janick Gers – ou seja, praticamente um Iron Maiden de segunda mão. A coisa não passou de um EP, já que quase todo mundo ali parecia mais preocupado em se chapar do que tocar. Mais uma frustração aconteceu com a banda Nightrun, que também ficou no primeiro mini-álbum, não conseguindo se destacar na cena de Sheffield, terra natal.



Anos se passaram até que surgiu uma nova chance, com a banda que inicialmente se chamava The Few. Curiosamente, os primeiros passos foram dados com outro ex-Def Leppard, o baterista Frank Noon, que havia gravado o primeiro EP de Joe Elliott e companhia, além de ter tocado no Waysted e no Di’Anno, primeiro grupo do ex-vocalista do Iron Maiden após ter sido chutado por Steve Harris. Mas ele registraria apenas a primeira demo, antes de pedir o boné – embora tenha sido creditado como compositor em uma das faixas que entraria no álbum.

Com material em mãos, não demorou muito para o grupo chamar a atenção da Phonogram Records. Mas a companhia pediu para que mudassem o nome antes de assinar o contrato, já que após uma consulta de marcas e patentes mostrou que outros já haviam tido a idéia antes. Assim, após algumas opções rejeitadas, surgia o Roadhouse. O próximo passo foi encontrar um novo baterista. A vaga ficou com Trevor Brewis, ex-integrante do Well, Well, Well. O suporte de uma gravadora fez com que Willis mudasse sua posição inicial, de apenas ajudar o grupo no começo, não se tornando um membro fixo.



Quem esperava que o Roadhouse fosse resgatar a sonoridade mais crua dos trabalhos que Pete fez com o Def Leppard, se surpreendeu. A opção dos músicos foi se aproximar justamente daquilo que a banda fez posteriormente, nos gloriosos dias de Pyromania e Hysteria. A proposta já fica clara na abertura, com “All Join Hands”, uma espécie de filha bastarda de “Pour Some Sugar On Me”, com direito a backing vocals totalmente inspirados no estilo. Outras lançadas como single foram “Time” e a baladaça “Hell Can Wait”, essa a mais bem sucedida, tendo alcançado o número 9 na parada britânica. Também merecem destaque a agitada “A Little Love” – cara de hit em FMs mais abertas ao Rock – e “One Heart”, com melodia e refrão inesquecíveis logo após a primeira escutada.

Após o álbum chegar às lojas, a banda saiu em turnê, abrindo shows de Ian Gillan e do Saxon. Apesar da aceitação razoável para o trabalho (número 26 no chart de discos inglês), o grupo sofreria um forte abalo com a saída do vocalista Paul Jackson, que foi convidado para substituir Noddy Holder no Slade – o que também acabou durando pouco. Desfalcados de uma peça importante, os músicos optaram por encerrar as atividades. Atualmente, Pete Willis segue morando em Sheffield, mas não faz mais parte do mundo da música, atuando no ramo imobiliário. Portanto, fãs de seu trabalho têm aqui a última chance de conferir algo de sua autoria. Quem gosta do leopardo surdo, com certeza não pode perder.



Paul Jackson (vocals)
Pete Willis (guitars)
Richard Day (guitars)
Wayne Grant (bass)
Trevor Brewis (drums)

01. All Join Hands
02. Time
03. Tower Of Love
04. A Little Love
05. Loving You
06. Hell Can Wait
07. One Heart
08. New Horizon
09. Stanger In Your Eyes
10. Desperation Calling

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JAY

sábado, 18 de junho de 2011

Betty57 - Ilegal, Imoral e Engorda [2011]


O trio paulistano Betty57 foi formado em 2003 e hoje é constituído pelo vocalista e guitarrista Paulo Betty, pelo baixista Jones e pelo baterista Samuel Frade. Não há motivos para me ater aos detalhes "além música" neste texto porque os integrantes foram recentemente entrevistados pelo blog Van do Halen (confira a entrevista clicando AQUI), mas vale lembrar que o lendário Marcelo Nova (Camisa de Vênus) aprovou o som, afirmando que os caras fazem "o rock que eu, você e todo mundo gosta".

Finalmente, após oito anos de estrada, o primeiro álbum de estúdio dos rapazes foi lançado. "Ilegal, Imoral e Engorda" impressiona logo de cara com a capa e o encarte, originais e bem-feitos a ponto de enganar desavisados que irão pensar que a banda é famosa (risos). Mas a surpresa, obviamente, fica por conta do som. O trio apresenta um despretensioso porém digníssimo Rock N' Roll de festa, entrelaçado em influências que vão do trabalho inicial de Beatles e Rolling Stones ao Protopunk e Punk Rock sustentado por nomes como Stooges e Ramones.

Essa salada mista foi aproveitada para gerar um som divertido e que, em vários aspectos, é única - desde os vocais espontâneos e quase desafinados de Paulo até as excelentes linhas de baixo de Jones, que roubam a cena em vários momentos. Valem menções honrosas para as letras descontraídas, para a bateria precisa de Samuel, para os bons backing vocals e para os ocasionais "teclados de cabaré" do saudoso Pedro Pelotas (Cachorro Grande), presentes nas faixas Gokula Rosa Shocking, Uma Garota Legal e Shake Baby Shake.

"Ilegal, Imoral e Engorda" não é um disco para ser analisado, mas para ser simplesmente curtido. Basta a recomendação no encarte, em caixa alta e negrito: "para ser ouvido no volume máximo!". Entre os destaques do play, estão a faixa de abertura Baby Dinamite, a meio punk JJ - em referência à Joan Jett -, e a grudenta Shake Baby Shake.



(Ainda sem o baterista Samuel Frade)

01. Baby Dinamite
02. Lo Lo Lorival
03. Gokula Rosa Shocking
04. Capitão Copacabana E Os Reis Do Qué Qué Qué
05. JJ
06. Uma Garota Legal
07. Betty Bomba
08. Elvis
09. Shake Baby Shake
10. Garotas No Espelho
11. Só Bebe Álcool
12. Carolina, O Que Te Atrai?

Paulo Betty - vocal, guitarra
Jones - baixo, backing vocals
Samuel Frade - bateria, backing vocals

Músicos adicionais:
Pedro Pelotas - teclados em 3, 6 e 9
Mariana Gresta - backing vocals em 3 e 12
Catarina Cicarelli - backing vocals em 3
Shirley Anízio - backing vocals em 3
Mauricião Betto58 - backing vocals em 12

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by Silver

Cauldron - Burning Fortune [2011]


Trios canadenses são dignos de atenção, independente do estilo. Com o Cauldron a coisa não é diferente. Adeptos do Heavy Metal oitentista, lançam agora seu segundo full-lenght. Burning Fortune é um prato cheio para os saudosistas de plantão, que vão se emocionar com um som que parece ter sido resgatado de décadas passadas. Várias referências virão à cabeça enquanto se ouve o play. Mas a banda não se configura em mera cópia, conseguindo dar uma cara própria ao trabalho. O destaque maior vai para o vocalista e baixista Jason Decay, que em vários momentos parece uma versão mais agressiva de seu conterrâneo Geddy Lee, se adequando com louvor à proposta.

Abrindo os trabalhos, “All or Nothing” vai transportar o ouvinte até o Reino Unido de trinta anos atrás. Sim, isso é NWOBHM puro, com melodia ganchuda e riffs de guitarra em propulsão, para a festa do ouvinte. Verdadeiro convite ao bate-cabeça! Já “Miss You to Death” traz uma levada Hard empolgante, enquanto “Frozen in Fire” retoma a pegada mais Heavy, lembrando o bom e velho Chariot. O pique se mantém o mesmo na próxima, “Tears Have Come”, com excelente solo de Ian Chains, que manda muito bem nas seis cordas.



Aí chega a hora de um cover. Se no primeiro disco, surpreenderam ao escolher Black ‘N’ Blue (“Chains Around Heaven”), dessa vez resolveram desenterrar um dos nomes mais ‘cult’ do Metal norte-americano, o Halloween. E acertaram em cheio, com uma ótima versão para “I Confess”. Um riff de baixo no melhor estilo Lemmy Kilmister abre a seguinte. “Rapid City/Unchained Assault” é Heavy direto e sem frescuras, verdadeiro soco no estômago, juntando as influências Motörheadianas a algo de Iron Maiden dos primeiros álbuns, especialmente nas guitarras.

Quando parece que mais nada pode superar, “Queen of Fire” chega com uma daquelas melodias que chegam a ser covardia pura. Essa música ao vivo deve funcionar de maneira espetacular! Candidata a figurar nas coletâneas de melhor do ano que os fanáticos adoram fazer. O início de “Breaking Through” já encoraja o ouvinte a empunhar o seu ‘air Rickenbacker’ em um som pesado e marcante, como todo adepto gosta. Para encerrar, “Taken By Desire” e seu andamento de bateria no melhor estilo tanque de guerra.



Um álbum que tem tudo para cair no gosto da nova e da velha guarda, feito por quem conhece e respeita o Heavy Metal em sua essência. Prepare-se para uma verdadeira viagem no tempo. Recomenda-se adotar uma indumentária da época para absorver a experiência sonora com maior exatidão, além de colocar umas cervejas para gelar. Casa bem com a proposta sonora.

Jason Decay (vocals, bass)
Ian Chains (guitars)
Chris Steve (drums)

01. All or Nothing
02. Miss You to Death
03. Frozen in Fire
04. Tears Have Come
05. I Confess
06. Rapid City/Unchained Assault
07. Queen of Fire
08. Breaking Through
09. Taken by Desire

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JAY

sexta-feira, 17 de junho de 2011

The Yardbirds – Five Live Yardbirds [1964]



Você nunca se perguntou como é que pode Eric Clapton ter saído dos Yardbirds sob o argumento de que a banda estava se tornando pop demais, quando quase tudo o que ele gravou fora da banda tem um certo apelo pop?

Obviamente, nem tudo, mas tente não admitir a veia pop nos discos solo do Slowhand (inclusive o assim intitulado) dos anos 70 e 80. O cara nunca foi um purista do blues (vide Cream, Blind Faith e Derek and The Dominoes, que não são grupos de blues nem aqui nem na China).

The Yardbirds foi a primeira banda britânica de rock pesado. Era hard rock ao vivo!

Você sente a pegada de Clapton, que já havia moldado o alicerce do seu estilo, com uma fúria juvenil. Talvez ele tenha saído da banda por seu excesso de testosterona à época, mas nunca em razão do apelo popular das canções. Como saber? Simples: ouvindo a postagem de hoje.


Na sua fase pré “For Your Love”, os Yardbirds foram precursores na eletrificação e aceleração do blues de Chicago. O formato de cinco músicos, sendo que o vocalista também era um exímio gaitista, somado aos então violentos amplificadores britânicos da Vox que cuspiam doses cavalares de distorção nas execuções fizeram com que os rapazes provassem pela primeira vez aquele soco nas costas que depois ficou tão comum para as bandas de rock (me refiro aos amps que passaram a ter stacks completos). E Clapton podia desfilar seus licks de blues sob os harmônicos das válvulas fritando à vontade sobre a cama formada por Chris Dreja e Paul Samwell-Smith.

Para quem conhece Yardbirds em estúdio, este play chega a ser inacreditável. Ouça-o e me responda: existe comparação com os grupos da época? Os Beatles eram mais polidos; os Stones eram mais selvagens; mas os Yardbirds eram simplesmente arrebatadores. E esse ao vivo foi o primeiro lançamento oficial do grupo que tomou o lugar de Keith Richards e Cia no primeiro contrato com a gravadora. Bom começo, não?

As apresentações realizaram-se no Craw Daddy, Richmond e no Marquee Club, Londres, no final de 1963 e início de 1964. O cuidado com os arranjos e timbragem dos instrumentos demonstra o nível de exigência dos músicos, bem como suas habilidades. Sem overdubs (aparentemente), as execuções das músicas são impecáveis. Obviamente não temos a timbragem de bateria com a qualidade hoje, mas estamos falando de 1963. E sem a mão de George Martin, compreendido?

Too Much Mokey Businness, de Chuck Berry, abre o play com Clapton desfilando seus conhecimentos sobre o assunto. Não vou falar de todas as músicas, mas Five Long Years e Smokestack LIghtning também merecem destaque, assim como todo o play.



Esse é um disco ao vivo de uma época em tocar bem significava gana, vontade, feelin’ e técnica. Mas, sobretudo, o grupo tinha que ter talento para se estabelecer. E os Yardbirds de qualquer fase, seja com Clapton, Beck ou Page, tinham.

Ouça e se imagine no Marquee em 1963/64. Devia ser uma experiência e tanto. Morte ao Pro Tools.

Enjoy.

Track List

1. "Too Much Monkey Business" (Chuck Berry)
2. "Got Love If You Want It" (Slim Harpo)
3. "Smokestack Lightning" (Howlin' Wolf)
4. "Good Morning Little Schoolgirl"
5. "Respectable" (O'Kelly Isley, Ronald Isley, Rudolph Isley)
6. "Five Long Years" (Eddie Boyd)
7. "Pretty Girl" (Ellas McDaniel)
8. "Louise" (John Lee Hooker)
9. "I'm a Man" (McDaniel)
10. "Here 'Tis" (McDaniel)

Keith Relf (vocais, harmonica)
Eric Clapton (guitarra solo)
Chris Dreja (guitarra base)
Paul "Sam" Samwell-Smith (baixo)
Jim McCarty (bateria)

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Por Zorreiro

Empire - Chasing Shadows [2007]


O guitarrista alemão Rolf Munkes sempre contou com músicos da primeira linha do Rock pesado em seu projeto Empire. Já passaram pela formação do grupo, entre outros, figuras de folha corrida incontestável, como Tony Martin, Mark Boals, Don Airey e Anders Johansson. Mas após alguns discos, o músico decidiu dar um tempo na empreitada, passando a se dedicar a outras atividades – entre elas, a participação na banda tr00 Majesty. O retorno, com The Raven Ride, apesar de toda a qualidade, não rendeu tão bons frutos como nos trabalhos anteriores. Era necessária uma mudança de ares e isso começaria por algumas mudanças no line-up.

Para gravar o novo trabalho, apenas o baixista Neil Murray (Black Sabbath, Whitesnake, Brian May Band) permanecia ao lado de Rolf. Mas os novos recrutados também eram do mais alto gabarito. E seria necessário mais que um parágrafo para colocarmos o currículo de Doogie White e Mike Terrana no post, já que os figuras trocam de banda como a gente troca de roupa íntima. Sendo assim, vamos deixar essa parte de lado. De qualquer modo, a experiência dos envolvidos cai como uma luva no álbum. Chasing Shadows traz o quarteto mandando ver num Heavy Metal tradicional, potente e de execução primorosa, como já era de se esperar vindo desse grande time.



A faixa-título, com sua pegada à la Sabbão da fase Headless Cross/TYR dá uma idéia de como a coisa se desenvolve. A pegada mais técnica em “The Alter” e a indefectível melodia de “Mother Father Holy Ghost” (minha preferida) prendem a atenção do ouvinte. A semibalada “Child Of Light” parece ter saído diretamente da Escola Tony Iommi, assim como a rifferama da acelerada “Tahigwan Nights”, outro grande destaque do play. “Angel and the Gambler” mistura Hard e Heavy com classe, além de trazer um dos melhores momentos de Doogie e um refrão marcante, daqueles que a gente ouve e sai cantando junto.

Um momento mais suave em “A Story Told” prepara terreno para o encerramento com “The Rulers Of the World” e seus backing vocals perfeitamente encaixados. Só a escalação de feras já justificava a conferida. Mas, além disso, temos aqui um álbum consistente, pesado e melódico na medida certa, com vários momentos marcantes, feito por quem conhece o gênero e tem crédito. Uma bela mescla da sonoridade do passado com uma gravação atualizada. Fãs dos envolvidos não podem deixar de ter em suas coleções!



Doogie White (vocals)
Rolf Munkes (guitars, keyboards)
Neil Murray (bass)
Mike Terrana (drums)

01. Chasing Shadows
02. The Alter
03. Mother Father Holy Ghost
04. Sail Away
05. Child Of The Light
06. Tahigwan Nights
07. Manic Messiah
08. Angel And The Gambler
09. A Story Told
10. The Rulers Of The World

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JAY

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Marillion - Clutching At Straws [1987]


O fim de uma era, a qual foi brilhante e de maior sucesso para o Marillion. É impossível negar que Derek Dick (a.k.a Fish) foi o principal mentor para que a banda lançasse quatro discos brilhantes e que podem ser qualificados como essenciais para qualquer um que diga admirar rock progressivo de qualidade. E como não poderia deixar de ser, em sua última entrega de estúdio, a formação de ouro do grupo nos entrega um trabalho admirável, ainda que vague por mares ainda mais tristes que suas obras anteriores.

Aqui temos um trabalho que é quase uma biografia do momento de Fish, principalmente de seu problema com álcool, retratado através do personagem Torch, que provavelmente era descendente de Jester (personagem conhecido já de outros discos do Marillion e que aparece nas capas dos discos anteriores) , pela roupa que ele carrega em seu bolso e as cores da maquiagem de arlequim que resplandecem em seu rosto na capa deste disco. Torch é um vocalista de uma banda de rock que não alcança o sucesso, um homem fracassado em todos os sentidos, seja no seu casamento ou na vida como pai e que encontra na dependência um consolo e fuga para seus problemas, vivendo bêbado em tudo que é lugar.


Esse cara fez a diferença!

Um ponto interessante é a capa do disco feita por Mark Wilkinson, em que os personagens que estão junto com Torch na capa, quase todos morreram em decorrência de problemas com o álcool ou tinham envolvimento grande com drogas, sendo estes descritos abaixo.

Da esquerda para a direita, na parte da frente:
* 'Rabbie' Robert Burns: Poeta escocês que morreu aos 37 anos devido a complicações de saúde que foram potencializadas devido ao abuso de alcool;
* Dylan Thomas: Poeta galês que morreu aos 39 anos que morreu em decorrência do alcoolismo, e que no dia de sua morte teria ingerido 18 doses de uísque;
* Truman Capote: Escritor norte-americano que morreu aos 59 anos, após uma combinação de álcool, pílulas e drogas;
* Lenny Bruce: Comediante e satirista social norte-americano que morreu aos 40 anos devido a uma ouverdose de heroína.


Na parte de trás da esquerda para direita:
* John Lennon: o único que não morreu em decorrência de problemas com álcool, mas que todos sabemos muito bem o quanto esteve envolvido com este e as drogas durante sua vida;
* James Dean: Ator norte-americano e um dos ícones do cinema dos anos 50, que morreu aos 24 anos em um acidente automobilístico, em que estava provavelmente embriagado;
* Jack Kerouac: Poeta Beat que morreu aos 47 anos em decorrência de uma cirrose.

Então como vimos, desde sua capa, temos um trabalho sombrio e denso em seu conceito. E isso se reflete nas músicas, com canções densas, letras que mostram a fuga rápida entre copos de bebida e a desgraça que a pessoa entra ao ser um alcoólatra, se desenrolando durante todo o disco de maneira majestosa, graças a inspiração de Fish, que também teve seu problemas com bebida e poderia falar com propriedade sobre este assunto. Um disco que transmite sentimentos mais obscuros durante a sua execução e que transmite principalmente a raiva e tristeza pela situação deplorável que se chega ao estar viciado.



O instrumental aqui contribui para que o clima sombrio se instaure de vez, pois as camadas por vezes assustam de tão frias que são. Fish está impecável e cada vez mais dramático em suas interpretações que são assombrosas aqui. Steve Rothery cria climas instropectivos e mesmo que por muitas vezes simplórios transmitem uma emoção singular (vá direto para "Sugar Mice" e sinta o que estou falando). Mas na minha opinião Pete Trewavas dá seu show à parte neste disco, com linhas de baixo presentes e matadoras e que me conquistou desde a primeira vez que ouvi este e consegue dividir atenção com a dupla.

Aqui temos muitas canções que carregam uma tristeza singular e que demonstram a capacidade criativa do grupo. É uma tarefa árdua ouvir a dobradinha "Warm Wet Circle" e "That Time of the Night", que trazem um nível de emoção carregadíssimo consigo e não querer sem render a lágrimas durante o andamento destas. Um exemplo é na primeira delas, em que apenas Fish acompanhado de um piano vocifera de maneira encantadora e até certo ponto desesperada: "In a warm wet circle / Like a mothers kiss on your first broken heart, a warm wet circle / Like a bullet hole in Central Park, a warm wet circle / And I'll always surrender to the warm wet circles".



Apesar de alguns momentos de assimilação mais fácil como "Going Under" e a pop e deliciosa "Incommunicado" que fica na mente martelando por dias, são os momentos mais tristes que nos fazem se render a esta obra prima. Ouvir as quatro últimas canções deste e se sentir indiferente é deveras impossível. "Torch Song" nos dá mais detalhes da conturbada vida de Torch no ápice de seu vício, em que seu médico setencia que sua morte se aproxima rapidamente, dizendo que com o estilo de vida que leva ele não passaria dos 30 anos de idade , sendo que após nos é revelado que ele já está com 29, o que nos indica de que seu fim está próximo. "Slainte Mhath" apesar de carregar uns instrumental menos climático comparada as outras canções, carrega uma letra cheia de simbolismo e raiva e que deixa claro como o vício destrói a pessoa e acaba a passando para trás esperando sonhos e promessas quebradas.

"Sugar Mice" traz consigo a carga emocional mais pesada de todo o disco, mostrando as consequências da dependência não só para a pessoa, mas para toda a família, que Torch acabou por abandonar. Aqui temos um diálogo com sua ex-esposa (ou uma carta), onde ele assume toda a culpa e informa o estado deplorável em que está, sem emprego e tendo bares como sua moradia e que não podia suportar os olhares de seus filhos e esposa lamentando seu estado. "The Last Straw (Happy Ending)" finaliza o disco com uma ótima atuação de Rothery e fecha com chave de ouro esse disco.

Sim, ao ouvir este a saudade desta fase do grupo bate ainda mais forte. Apesar de a fase Hogarth ter gerado discos como Brave, Afraid Of Sunlight e Marbles, é covardia comparar a tudo que Fish fez a frente do grupo. Seja no conceito, nas interpretações e mesmo nas canções geradas, não há como querer ser cego e não reconhecer a importãncia de Fish na história da banda e o agradecer os quatros grandes discos com os quais ele nos presenteou durante sua presença. Obra-prima!



1.Hotel Hobbies
2.Warm Wet Circles
3.That Time Of The Night (The Short Straw)
4.Going Under
5.Just For The Record
6.White Russian
7.Incommunicado
8.Torch Song
9.Slàinte Mhath
10.Sugar Mice
11.The Last Straw

Fish – Vocais
Steve Rothery - Guitarra
Mark Kelly - Teclados
Pete Trewavas - Baixo
Ian Mosley - Bateria

Músicos Covidados:
Tessa Niles - Backing vocals em "That Time Of The Night" e "The Last Straw"
Chris Kimsey - Backing vocals em "Incommunicado"
John Cavanaugh - "Dr. Finlay" voz em "Torch Song"


Southern Gentlemen - Valley Of Fire [2008]


Seu negócio é Hard Rock pesado e sujo, com pegada blueseira e pitadas Southern temperando a bagaça? Tudo isso guiado por um dos melhores guitarristas que o Rock pesado norte-americano criou nas últimas décadas? Esse é o seu disco dos sonhos, então. O Southern Gentlemen é um projeto capitaneado por David T. Chastain, conhecido no meio metálico pela banda que carrega seu sobrenome, além do lendário Leather, com a musa Leather Leone. Aqui ele incorpora o estilo banda de bar em uma farra regada a muita cerveja e baixaria, oferecendo um trabalho mais descompromissado, mas nem por isso com menor categoria – afinal de contas, aqui está um cara que sabe tratar as seis cordas com classe ímpar.

Mas David não é o único talento envolvido na história. O vocalista Eric Johns mostra um timbre fora do comum, influenciado por grandes mestres como Dio, Glenn Hughes e Ian Gillan dos velhos tempos. A cozinha, formada por Dave Swart e Mike Haid, conduz o trator sonoro de maneira eficiente, deixando espaço para os outros dois integrantes brilhar. Valley Of Fire é o terceiro trabalho da banda e o melhor até aqui. O entrosamento faz a diferença, trazendo um play conciso e cheio de energia. E a capa dispensa maiores comentários. Com certeza não é o que se poderia esperar de algumas bandas da nova geração, para dizer o mínimo.

A faixa-título já abre os serviços com a corda toda, trazendo uma sonoridade totalmente vintage. O ritmo segue acelerado em “The Sky Is Falling” e ganha uma cadência irresistível em “Devil in Me”. O Blues pega para valer em “End Of The World” (e acreditem, nesse frio que faz aqui no Sul, nada melhor que um Bluesão para aquecer), som regado a trago barato em sua concepção. A sacanagem contida em “Whiplash Girl” e o Boogie de “Never Say Never” também são dignos de citação. “Bitter Harvest” encerra o tracklist normal com total clima de melancolia, enquanto a bônus “Eye Of the Storm” traz riffs em linha Sabbática para a alegria dos adeptos do que é bom.

Em declaração sobre o novo álbum, que está sendo preparado nesse momento, Eric Johns disse: “É um disco para lhe fazer companhia quando tudo que você tem é o vento passando pelas janelas do carro e os faróis lhe mantendo acordado”. De certa forma, não deixa de ser uma bela ocasião para ouvir esse aqui também – além da já citada lá em cima, é claro. Baixe e lembre porque o Rock and Roll nunca vai morrer, independente do que aconteça no mundo da música. Aproveite e tenha uma pequena aulinha de guitarra tocada com feeling e bom gosto, sem deixar a técnica de lado.

Eric Johns (vocals)
David T. Chastain (guitars)
Dave Swart (bass)
Mike Haid (drums)

01. Valley of Fire
02. The Sky Is Falling
03. Devil in Me
04. Snake Flower
05. Trouble on the Road
06. End of the World
07. Hard Winter
08. Whiplash Girl
09. Dropping Anchor
10. Never Say Never
11. Bitter Harvest
12. Eye Of the Storm (Bonus Track)

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JAY

quarta-feira, 15 de junho de 2011

38 Special - Strenght In Numbers [1986]

Este post contém um membro da linhagem real do southern rock, um Van Zant.

Quem acompanha o blog a mais tempo, sabe o quão são apaixonado tanto por Southern quanto por AOR (aliás gosto de quase tudo que é rock, mas tenho carinho especial por ambos). Mas que tal os dois misturados de maneira perfeita, em uma dose que é capaz de viciar até o mais true nórdico filho do deus metal? É isso que o 38 Special faz de maneira perfeita, em um som cativante desde sua primeira audição.

Anteriormente postei o ótimo "Tour de Force" aqui, que é um disco obrigatório para quem gosta de Southern, ainda que seja mais pop, porém assim tão bom quanto tudo o que gênero proporcionou. No seu sucessor, a mesma receita foi seguida à risca, ou seja, encontraremos uma base southern com boas doses de AOR, com singles com um baita potêncial radiofônico, e que lhe farão sentir aquela nostalgia com seu clima à lá sessão da tarde. Mas aqui o AOR dá muito mais as caras e é um disco muito mais comercial que seus antecessores, o que não significa que seja ruim.


Ao contrário, em "Strenght In Numbers" encontraremos melodias mágicas e grudentas e grandes canções. Don Barnes continua a apresentar linhas vocais de extremo bom gosto e riffs redondinhos por aqui, e com Donnie desfilando seus belos backing vocals por aqui e assim apresentam belas camadas vocais por aqui. A banda cria melodias incríveis, com ajuda de monstros do AOR, como Denny Carmassi, Mike Porcaro, Jim Vallence e Bill Cuomo. Ainda que não tenha vendido tanto quanto seus antecessores (alcançou o disco de ouro, contra os de platina dos dois anteriores) e não ter gerado nenhum primeiro lugar nas paradas da Billboard, é um disco muito bem realizado.

A metade inicial deste é de fazer qualquer um que goste de AOR deixar rolar uma lágrima de alegria. "Someone Like You" é a que tem a maior dose de influência do southern e se aproxima mais do trabalho feito nos outros discos, ou seja, aquele southern pop rock que quem conhece deve gostar muito. "Like No Other Night" começa bem calma e a cada segundo fica mais envolvente até empolgar de uma maneira indescritível em seu final. "Last Time" continua com o pé fincado no AOR em uma canção com um andamento mais simples, porém com um refrão marcante.



"Once In A Lifetime" é tão grudenta quanto as anteriores e um dos grandes momentos desse registro. Mas eles dão uma escorregada em "Just a Little Love" que tem cara de filler desde sua primeira execução, porém se redimem de maneira quase que messiânica na linda balada "Has There Ever Been a Good Goodbye", que é disparada a melhor deste disco e consegue arrancar um sorriso de orelha a orelha deste que vos escreve, já que novamente eles dão uma escorregada na insosa "One In A Million". "Hearts on Fire" não nega suas raízes oitentistas, assim como "Never Give A Inch" que encerra o disco.

Não é o melhor registro da carreira do grupo (título que dou a seus dois antecessores), mas vale a pena principalmente por sua primeira metade, que é muito bem caprichada e consegue agradar sem fazer muito esforço. Nem precisava de mais para honrar a tradição que a família Van Zant possui de nos brindar belas canções, seja qual for o seu representante. Mas que inveja e vontade de possuir o gene abençoado que esses irmãos tiveram...




1.Somebody Like You
2.Like No Other Night
3.Last Time
4.Once in a Lifetime
5.Just a Little Love
6.Has There Ever Been a Good Goodbye
7.One in a Million
8.Heart's on Fire
9.Against the Night
10.Never Give an Inch

Don Barnes - Vocais, Guitarras
Donnie Van Zant - Vocais
Jeff Carlisi - Guitarras
Larry Junstrom - Baixo
Steve Brookins - Bateria
Jack Grondin - Bateria

Músicos Convidados:
Denny Carmassi - Bateria
Michael Cichowicz - Trompete
Bill Cuomo - Teclados
Tom Kelly - Backing Vocals
Nick Lane - Trombone
Jerry Peterson - Saxofone
Mike Porcaro - Baixo
Earl Lon Price - Saxofone
Jim Vallance - Bateria

By Weschap Coverdale

terça-feira, 14 de junho de 2011

Megadeth - So Far, So Good... So What! [1988]


Pouco mais de 34 minutos. Pode parecer pouco para um disco, mas não foi necessário mais que isso para que esse se tornasse o disco mais vendido em nível mundial pelo Megadeth. "So Far, So Good...So What!" pode não ser o melhor disco da carreira da banda (o seu sucessor para mim ostenta este título), mas a velocidade em que a banda trabalha as canções é algo de fazer qualquer headbanger quebrar a espinha de tanto bater cabeça e é um dos meus prediletos da carreira do grupo.

Mas este talvez seja o disco mais conturbado da já conturbada história do Megadeth. Mustaine estava mais do que nunca enfiado em seu vício de drogas, e pra piorar, Gar Samuelson e Chris Poland tinham sido expulsos do grupo, por estarem com tantos problemas com drogas quanto Mustaine, sendo o ápice a afirmação de Mustaine de que Poland havia vendido instrumentos para continuar a sustentar a sua cada vez mais crescente dependência. Para não bastar isso, a produção do disco foi afetada pelo ego de Mustaine, que devido a algumas exigências de como a bateria deveria soar, expulsou o produtor Paul Lani durante o processo de gravação.

Da esquerda para direita: Jeff Young, Dave Mustaine, Chuck Behler e David Ellefson

Sim, mas nem estes problemas derrubaram o genial Mustaine. As letras pessoais que sempre são um destaque na carreira do Megadeth continuam aparecendo aqui, e neste foi gerada a melhor letra que Mustaine fez, a qual citarei mais a frente. E o instrumental aqui é tão furioso, que em alguns momentos mais parece um disco de Speed ao invés Thrash que o Megadeth sempre fez tão bem. Porém infelizmente muitos não dão muita atenção a este, até por muitos clássicos os quais Mustaine fez, como seu destruidor sucessor "Rust In Peace". Porém para mim "So Far, So What... So Good" tem um valor inestimável.

E logo de cara temos um ótimo trabalho na instrumental "Into The Lungs Of Hell", que começa sem querer nada e vira uma música envolvente até para aqueles que não são muito chegados em música instrumental assim como eu e é um ótimo abre-alas para a porrada que come solto em "Set The World Afire" uma pancada magistral aos ouvidos com velocidade e peso adicionados sem dó alguma e que realmente nos fará sentir no holocausto nuclear sugerido na letra da música e faz qualquer headbanger se alegrar com o excelente trabalho apresentado. Após o cover de "Anarchy In The U.K" com adaptações na letra, temos uma rifferama sensacional em "Mary Jane" que mostra que realmente o homem é diferenciado e um gênio dentro do estilo, com um trabalho guitarrístico impecável.




E tome mais porrada em "502" que é um convite para realmente "namorar uma estrada", conforme Mustaine sugere na letra da música. Mas o grande momento é na clássica e espetacular "In My Darkest Hour". Com seu instrumental dedicado a Cliff Burton, essa é uma das músicas que Mustaine dedica a Diana, uma namorada de longo tempo de Mustaine e com a qual podemos pereceber na letra desta que o relacionamento não era lá tudo isso, e é uma baita canção, onde podemos sentir o sofrimento de Dave com aquele relacionamento desgastado e destrutivo que ele passou, com uma letra intimista e que para mim é uma das melhores letras de toda a carreira do grupo, sem falar no desempenho acima da média de todo o grupo aqui. "Liar" é uma "afável declaração de amor" para Chris Poland, pelo ato já citado anteriormente neste texto.

Para finalizar temos a excelente "Hook In Mouth", que fecha este petardo da mesma maneira que foi iniciado, com peso e velocidade descomunais. Se mais uma vez como sempre vamos entrar nos méritos se o Megadeth é melhor que Metallica nos comentários eu não sei (apesar de achar isso quase certo), mas que se comparado os discos da mesma época, o Megadeth é definitivamente mais pesado, isso não há dúvidas. E esta é mais um prova real disso, pois aqui a banda desce o braço com gosto e sem poupar energia. E mais uma vez sou obrigado a reconhecer que mesmo na pior, Mustaine e sua trupe consegue gerar discos de qualidade inquestionável.




1.Into the Lungs of Hell
2.Set the World Afire
3.Anarchy in the U.K.
4.Mary Jane
5.502
6.In My Darkest Hour
7.Liar
8.Hook In Mouth

Dave Mustaine - Vocal, Guitarra
Jeff Young - Guitarra
David Ellefson - Baixo
Chuck Behler - Bateria


By Weschap Coverdale