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sexta-feira, 28 de maio de 2010

Rainbow - Rising [1976]


Depois de colocar o pé fora do estúdio ao final da gravação do primeiro disco do Rainbow, Ritchie Blackmore olhou de soslaio e deu a mão à palmatória. Mesmo a contragosto, já tinha certeza de que o Elf “roubado” e transformado em sua banda solo não correspondia exatamente ao tipo de canalhas que o mago desejava consigo em cima do palco. À exceção de Ronnie James Dio, os blueseiros colegas do cantor que o acompanhavam no primeiro registro oficial não pareciam imbuídos do exato espírito que Blackmore pretendia ao seu novo projeto. Não que não fossem competentes, mas lhes faltava alguma galhardia. Então começou a caça.

Que não demorou demais, enfim. Em rápidas pesquisas, o guitarrista sacou três músicos que tinham a mão mais pesada que bigornas e soube que ali teria fiéis escudeiros para, acima de tudo, ser enfim a grande estrela: Cozy Powell (bateria), Jimmy Bain (baixo) e Tony Carey (teclados). Estava feita a formação clássica do Rainbow para a primeira turnê da banda, que em 1975/ 76 varreu amplamente Europa e Estados Unidos com uma agressividade inédita a bordo de temas fantasiosos e que permitiam amplamente a improvisação instrumental.

Tão logo desceram de cima da pilha de corpos de fãs atônitos e destruídos pela majestosidade da banda ao fim da gira, os quatro sabiam que deviam, rapidamente, registrar um novo disco. Afinal, não era fácil se manter íntegro como grupo ao lado do gênio terrível de Ritchie. Por outro lado, sabiam que o entrosamento e a ebulição que o grupo carregava consigo eram inéditos e incontroláveis. Algo assim só poderia canalizar uma obra-prima. Absolutamente, o disco definitivo de rock pesado a inaugurar uma categoria diferente no gênero. Uma mudança apenas comparável ao primeiro disco do Black Sabbath. Este é “Rising”, o segundo álbum do Rainbow.

A urgência da banda era tanta que há apenas seis faixas nos dois lados da gravação. Pouco mais de meia hora de tamanha competência e inspiração que, ao final do play, é impossível não lamentar a inexistência de outras canções, o que chega a irritar. O estilo de execução e composição de Blackmore estão em sua fase mais pesada de toda a carreira. Com um pensamento e reação física rápidos, o mestre comete alguns de seus solos mais rápidos com os riffs mais alucinantes que pôde tirar da cartola desde “Burn”. A intenção de explodir cabeças já está impressa na primeira faixa, “Tarot Woman”, que é completada com as letras de Dio sobre as incertezas do futuro, o que mantém um permanente clima soturno e amedrontador. Algo que seria reciclado à exaustão no metal até os dias atuais.

Mais atenção ainda chamam os músicos “de aluguel” de Blackmore. Em sua intenção de aparecer sozinho diante de uma banda apenas competente e compreensiva, o patrão acaba sendo (no bom sentido) “enganado” por seus asseclas, que são tão bons a ponto de se equipararem a ele em genialidade. Só quem tem a ganhar com isso é o ouvinte. O destaque maior, tanto quanto o majestoso Dio e o endiabrado Blackmore, fica para Cozy Powell. O ataque da bateria é tão incomparavelmente brutal que não seria exagero dizer que, neste disco, “The Hammer” definiu as premissas da percussão do metal melódico. Análise que pode ser fechada em definitivo diante da audição de “Stargazer”. A fantasia, o peso e a agressividade da faixa são a síntese do heavy metal, aula que é proibida aos headbangers perder na escola do rock. Ao final do disco, “A Light In The Black” termina de arrasar o quarteirão com uma performance inesquecível digna de troféu e comemoração de gol.

Não à toa, Blackmore, Dio e Cia Ltda demoliram, durante a nova turnê, incontáveis arenas de shows mundo afora. Uma formação tão inacreditavelmente boa que, olhando para trás, mal se pode acreditar que foi reunida sem pretensões menos que divinas.

01. Tarot Woman
02. Run With The Wolf
03. Starstruck
04. Do You Close Your Eyes
05. Stargazer
06. A Light In The Black

Ritchie Blackmore – Guitarras
Ronnie James Dio – Vocais
Jimmy Bain – baixo
Tony Carey – Teclados
Cozy Powell – Bateria

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Um oferecimento de ZoSo

9 comentários:

Anônimo disse...

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Weschap Coverdale disse...

Sensacional post! Rainbow com Dio foi uma das melhores coisas que o rock n' roll nos proporcionou! R.I.P DIO!

Silver disse...

Discasso!

Mayati disse...

Esse ganhei em L.P!O texto ficou genial,deixa a gente morrendo de vontade de ouvir.Vale só pela "stargazer",uma das músicas mais lindas de todos os tempos e a melhor performance da maior voz do rock,q recentemente nos deixou orfãos.

Mayati disse...

Quero dizer q JÁ vale só pela "stargazer".As outras músicas tb são todas lindas.

jantchc disse...

porra, q coincidencia..

to ouvindo o stargazer do album tributo catch the rainbow e encontro este post por aqui..

realmente assim q eu conheci o rainbow a musica q eu mais gostei foi esta..

e o dio é foda em qualquer album..

Anônimo disse...

Eu tinha esse gravado numa fita, mas nunca o tinha ouvido. Na única vez que eu o ouvi, meu avô morreu. Desde desse dia, nunca mais tive coragem de ouví-lo... Apesar disso, "Stargazer" nunca mais saiu da minha cabeça.

André Costa disse...

um dos cinco melhores discos de hard rock / heavy metal de todos os tempos (inclusive o tempo futuro!)

Kratos disse...

Tarot Woman é uma das musicas que mais ouvi na vida. Obrigatório. Valeu