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terça-feira, 2 de novembro de 2010

Arcturus - Sideshow Symphonies [2005]


Não tem como negar que Metal Avant-garde é um tanto quanto complicado de entender o propósito, porque apesar de ser criativo, com a ambição da originalidade, possui uma ilimitada liberdade artística em relação à estrutura das músicas, timbres e letras, que acaba por tornar o resultado final algo abstrato que não leva a nenhum objetivo claro. O experimentalismo e a similaridade com o Prog Metal torna tudo ainda mais escasso de sentido, deixando um enorme ponto de interrogação. E pra mim arte abstrata é uma expressão dispensável, porque quase sempre é algo estritamente pessoal e de lógica zero.

Posto isso sobre esse estilo quase incompreensível e que se confunde com outros estilos, devo admitir que sempre há lugar para algo interessante, mesmo nessas circunstâncias. Depende da visão de cada um do que pode ser algo relevante que realmente lhe agregue algum conhecimento válido. E sinceramente, considero o Arcturus como uma banda que faz sentido nesse meio, pois o experimentalismo deles é algo mais malicioso e não tão pretensioso e nonsense. Isso foi muito bem traçado ao longo de sua carreira, que teve o ápice aqui em seu quarto e último álbum de estúdio, "Sideshow Symphonies".

Sem contar que os músicos são dotados de grande habilidade, com destaque para o baterista Hellhammer (Von Blomberg), que por sinal já tocou de tudo em sua carreira, de Hard/Heavy à Black Metal, passando por Prog Metal, Industrial Metal e aqui, no caso, Avant-garde o que lhe dá ainda mais espaço criativo, demonstrando ser indiscutivelmente um músico muito talentoso. Mas a estrela principal do grupo é o vocalista Simen Hestnæs -mais conhecido como ICS Vortex ou somente Vortex- que tem uma atuação perfeita, fazendo interpretações teatrais e operísticas, em especial e com mais brilhantismo nas maravilhosas "Deamon Painter" e "Evacuation Code Deciphered". Músicas que transcendem rótulos.



Em "Sideshow Symphonies" os arranjos ainda são típicos do Avant-garde, só que soam mais espontâneos, fruto de criatividade e não de uma ambição cega em querer soar forçadamente original. Portanto, o produto final deste disco resulta em uma viagem musical de criatividade e experimentalismo, não tão maçante. Além da estética sem padrão do Avant-garde, esse álbum ainda conta com algumas quase imperceptíveis falhas no áudio originadas pela masterização, que se fossem causadas em algum outro estilo traria muita estranheza, mas dentro do Avant-garde isso cai bem na sonoridade e sem prévio aviso, ninguém ia achar que não foi proposital.

Na parte gráfica, "Sideshow Symphonies" traz uma obra de arte modificada, representada por elementos espaciais, complementando as letras que tratam de afeições imaginárias, devaneios e idéias quiméricas. No entanto, essa temática não é um assunto reflexivo, apenas parte de toda a expressão artística, o que não impede que possa ter uma compreensão por trás de tudo isso, o que eu acho pouco provável.

O descompromisso em fazer um som livre de rótulos foi certeiro e pra quem curte escutar uma música que instiga a mente a absorver características musicais complexas, o Arcturus é ideal. Sim, o Arcturus e não somente esse disco (Apesar de que aqui esteja a melhor representação Avant-garde que eu conheço). A banda no exterior é até mais bem aceita com o Garm nos vocais, mas aqui no Brasil, devido à grande fama do Dimmu Borgir, as pessoas -inclusive eu, preferem o Vortex, não exatamente por ser melhor, mas por se identificar mais com a maneira que ele imprime as emoções no som, que até devido a produção, fica algo bem dimensional e ainda mais viajante, além de ter um timbre que chega a lembrar vagamente David Gilmour.

1. Hibernation Sickness Complete
2. Shipwrecked Frontier Pioneer
3. Deamon Painter
4. Nocturnal Vision Revisited
5. Evacuation Code Deciphered
6. Moonshine Delirium
7. White Noise Monster
8. Reflections
9. Hufsa

Simen Hestnæs - vocals (Alien Translator)
Knut Valle - guitars (Space Navigator)
Tore Moren - guitars (Medical Supplies)
Hugh Mingay - bass (Warcraft Engineer)
Von Blomberg - drums (Turret Gunner)
Steinar Sverd - keyboards (Ship Captain)

Silje Wergeland - Guest vocals on "Shipwrecked Frontier Pioneers" and "Evacuation Code Deciphered"

(Links nos comentários - links on the comments)

Dragztripztar

6 comentários:

Anônimo disse...

http://www.mediafire.com/?b9ynr16dx8yjbih

Anônimo disse...

Infelizmente o mais fraco da banda.Garm é infinitamente superior ao Vortex,com uma voz mais profunda e versatil.Confiram isso na fase avantgarde da outra banda dele,o Ulver.A maioria dos fãs da banda que conheço preferem ele.Confiram tb alguma gravação ao vivo com Vortex,ele não dá conta das canções da era Garm.

Dragztripztar disse...

Interessante tu pensar assim. Eu não acho o Garm tão superior ao Vortex. Ele pode até ser mais versátil, mas não creio que seja melhor.

Eu já assisti o DVD Shipwrecked in Oslo, mas faz tempo e quando eu assisti mal conhecia a banda, portanto não tenho como avaliar se o Vortex dá conta ou não das músicas da fase com o Garm. Vou dar uma olhada no YouTube depois.

Eu acho o Ulver bem interessante a partir do Themes From William Blake's The Marriage of Heaven and Hell, e tbm curto o The Older Domain do Borknagar com o Garm, mas considero o The Archaic Course com o Vortex um disco mágico e o melhor trabalho do Borknagar, talvez empatado com o Empiricism que tbm é uma obra-prima.

Tem uns vídeos no YouTube do Vortex cantando bêbado e completamente desafinado, e muita gente julga mal por esses vídeos. Mas o q não falta tbm são vídeos dele cantando brilhantemente ao-vivo, talvez as músicas do Arcturus com o Garm não tenham caído bem na voz dele.

Enfim, eu acho que o Sideshow Symphonies tem um direcionamento mais bem definido, tudo faz sentido, enquanto os discos anteriores apesar de serem ótimos é um labirinto musical, um quebra-cabeça que não se encaixa.

Dragztripztar disse...

Ou melhor, tudo faz sentido não. Em relação aos trabalhos anteriores, as idéias são mais harmoniosas, não soa tão 'recortado', como outrora, com várias boas idéias dispersas em uma única música, sem ligação.
Ah, ok... já me estendi demais.

Dynasty disse...

Desde que ouvi Diablo Swing Orq.. virei fã do estilo. Muito legal a resenha e os comentários dos amigos aqui. Vou procurar os outros trabalhos das duas bandas que foram citadas por vocês. Se souberem de outros trabalhos legais de Avant, por favor, comentem. Abraço.

Eddie Oliveira disse...

Realmente, muito bom o som da banda... A mensagem que as músicas querem passar são meio difíceis de se definir, o que torna ainda mais pessoal o entendimento de cada obra de arte da banda. Genial!