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segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Uriah Heep - Salisbury [1971]


A abordagem temática da magia que foi iniciada no Demons and Wizards e se consolidou no The Magician's Birthday, revolucionou a cara do Rock e nos tempos atuais se faz mais influente do que nunca. Entretanto, esse lado mágico transmitido nas letras já estava presente na música do Uriah Heep desde o começo, até mesmo na sonoridade crua, embora já muito caprichada, do debut. Mas o que fez o Uriah Heep decolar foi quando o genial tecladista Ken Hensley tomou as rédeas das composições, e se firmou como um dos maiores compositores da história do Rock.

Mesmo presente nas gravações do primeiro full-lenght, foi em Salisbury que Hensley começou a contribuir como compositor. Ainda dividindo algumas composições mas, posteriormente, ficaria ainda mais imbuído por essa tarefa. Com o tecladista dominando as composições e impondo suas características, as músicas ficaram mais atmosféricas e menos guiadas por riffs e peso. Mas isso foi balanceado perfeitamente, e as partes pesadas surgem de maneira impiedosa, principalmente na jóia rara que apenas os norte-americanos foram privilegiados no ano anterior ao lançamento de Salisbury.

Capa da versão norte-americana

"Bird of Prey", que abre a versão britânica de Salisbury, foi composta para o Very 'Eavy, Very 'Umble e só saiu na versão estadunidense desse álbum, sendo substituída por "Simon the Bullet" na prensagem americana de Salisbury. Por não ter sido composta para o Salisbury, é a única composição aqui presente que não contou com o auxílio do mago Hensley. E é logo nessa abertura que somos entusiasmados pelo desempenho fora de série do vocalista David Byron. Permanecendo até hoje como um dos principais elaboradores da forma de canto do Heavy Metal, Byron abusa dos seus falsetes agressivos em "Bird of Prey", soando ainda como algo atual. E hoje podemos perceber que, mesmo com as facilidades tecnológicas para atingir um resultado satisfatório de forma cada vez mais prática e menos penosa, nada se compara, nem de longe, com a maneira que Byron se impõe.

Apesar do impactante início, é com a suavidade de "The Park" e "Lady in Black" que é definido os maiores diferenciais do Uriah Heep. A magia transcendente dessas canções está acima de qualquer compreensão de onde foi buscada inspiração por Hensley para criar baladas transmitindo um sentimento tão singular. Não é romântico, não é alegre, não é triste. É algo singelo, mas não menos do que mágico. "Lady in Black" foi concebida depois da experiência com o sobrenatural de Ken Hensley - o mesmo é quem a canta -, e ninguém ousa duvidar disso, porque até mesmo os mais céticos, ao ouvir esta música, devem convir que a composição foi originada a partir desse contato.


Antes de ser literalmente assombrado por "Lady in Black", somos apresentados a "Time to Live" que, devido a colaboração do guitarrista Mick Box na composição, é sustentada pelos riffs certeiros e simples, mas Byron rouba a cena com mais uma atuação 'classuda'. "High Priestess", que apresenta riffs mais bem construídos sob o andamento rápido da cozinha e conta com um solo avassalador, escancara de vez a faceta Hard Rock do grupo. E a obra-prima se encerra com a monumental faixa-título, seguindo as tendências progressivas da época, mas com uma textura riquíssima. Metais, violinos, coros e orgãos juntos formando um som bombástico que ultrapassa os 16 minutos.

Nas centenas de artigos falando da importância dos discos Demons and Wizards e The Magician's Birthday, vários acabam tentando passar a ilusão de que o Uriah Heep só foi especial durante esses discos, quando a única real diferença é a temática inovadora que foi apresentada nesses trabalhos. Isso acaba por subestimar o legado deste que é um dos melhores grupos de Rock justamente por ter um vasto catálogo de discos fenomenais, e Salisbury foi a primeira carta mágica que Hensley tirou da manga. Mas, justiça seja feita, os resultados também não seriam obtidos se junto a Hensley não estivessem o lendário David Byron e o criador Mick Box - que até hoje mantém vivo o mito shakespeariano.


01 - Bird Of Prey
02 - The Park
03 - Time To Live
04 - Lady In Black
05 - High Priestess
06 - Salisbury

David Byron - lead vocals
Mick Box – lead & acoustic guitar, vocals
Ken Hensley – slide & acoustic guitar, vocals, piano, harpsichord, organ, vibraphone
Paul Newton – bass guitar, vocals
Keith Baker – drums, percussion

Strings & Brass arranged by John Fiddy

(Links nos comentários - links on the comments)

Dragztripztar

Da esq. para dir.: Ken Hensley, David Byron, Paul Newton, Mick Box & Keith Baker

10 comentários:

Anônimo disse...

http://www.mediafire.com/?trkmyf4oflexc5i

*320 kbps

Ricardo Brovin disse...

Puta disco!!!!!! Belo post...Parabens!!!!

André Costa disse...

Resenha espetacular!! Eu tenho todos os full lengths do UH e minha opinião é a mesma do poster, todos com o Byron são maravilhosos, cada um a sua maneira. Os três petardos com John Lawton são também impecáveis. Hensley é um dos maiores compositores de todos os tempos (e um ótimo cantor como podemos ouvir em Paradise). Byron é, para mim, o melhor cantor de rock que já ouvi, capaz de canções românticas tão marcantes como Confession e de hinos do metal como Pilgrim.

André Costa disse...

p.s.: se a combe permitir gostaria de fazer um texto sobre as letras do UH (tanto românticas quanto seu universo mágico).
andrekosta@bol.com.br

Weschap Coverdale disse...

Tá aí uma outra banda sensacional e que não teve seu valor reconhecido. Bela postagem Dragz...

jantchc disse...

otima banda..

tem muitos discos bons, mas os otimos deles são os ao vivo..

ao vivo eles arregaçavam e arregaçam até hoje, visto que eu prefiro o atual vocal deles, o bernie shaw..

Dragztripztar disse...

Uriah Heep só é questionável a partir da entrada de Peter Goalby, porque foi nessa fase que ficou muito comercial e mais Hard. Por mais que tenha perdido uma considerável qualidade, continuou fazendo música de alto nível e acima de qualquer banda de 70 que tentou se reinventar com os clichês de 80.

Isso não é questão de querer impor minha opinião, é constatação - menos a parte de ser melhor que qualquer outra banda que se reinventou nos anos 80, apenas isso é pessoal.

Quando comecei a acessar a net em busca de saber as opiniões de outras pessoas a respeito do Black Sabbath, parecia regra achar que o melhor disco com o Dio foi o Heaven and Hell ("ai" daquele que falasse em algum fórum que preferia o Mob Rules ou Dehumanizer, era "tirado" na mesma hora - "não entende de música", "é louco", "quer chamar a atenção"...), hoje isso já mudou muito e este estigma é cada vez mais quebrado. Agora, o Uriah Heep ainda tem uma grande base de fãs alienados por basear sua opinião em consagração de discos, etc. - ou seja, achar que só é extraordinária a fase com Byron, ou mesmo ficar colocando o Demons and Wizards e o The Magician's em pedestais. As pessoas têm direito de só gostar da fase Byron e endeusar apenas 2 álbuns, mas fica ridículo quando tentam desmerecer o que veio depois pra sustentar esse gosto pessoal.

Sobre o lance do Uriah Heep ao-vivo, eu sou viciado em assistir apresentações da banda com o Bernie Shaw, acho um puta vocalista e que mantém muito bem as composições antigas no mesmo nível. Mas aquele ao-vivo de 73 do Uriah Heep, tido como um dos melhores lives da história, eu acho uma grande cagada. Tracklist muito mal-escolhido (além de achar aquele medley um tédio infernal) e as músicas só se sobressaem em comparação às originais quanto a performance do Lee Kerslake. E isso leva a outra contradição da história do Uriah Heep, de que o melhor line-up é aquele que gravou o Demons/The Magician’s. Sem dúvida é o mais clássico, mas jamais será o melhor. Nenhum batera que passou pelo Uriah chega aos pés do Ian Clarke.

Enfim, agradeço todos os comentários!

Anônimo disse...

Super banda......muito obrigado...........

Anônimo disse...

Gosto demais do Look At Yourself!
O Byron é um vocalista (ainda é, mesmo RIP) com muitos recursos, e sem dúvidas, o Uriah Heep é um conjunto que merece sempre ser lembrado e ser destacado da grande variedade de bandas de rock.
Aprecio a musicalidade da banda, suas composições e sua história, e é estranho que haja pouca coisa sobre a banda nos dias atuais, principalmente na mídia.
Ainda bem que vi aqui uma resenha excelente sobre um disco que deveria estar nas pickups/players de todo bom roqueiro.

Long Live Rock'n'Roll!

Carlos disse...

Discaço, delicia de ouvir. Eu baixei aqui faz um tempo, mas não tinha parado para ouvir com atenção até agora. Parabens pelo post, os comentarios vão na veia.
Obrigado!