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domingo, 19 de dezembro de 2010

Outlaws - Hittin' The Road [1993] / Diablo Canyon [1994]


Assim como feito no post do Robin Trower, trago discos que representam uma mesma fase e possuem certa conexão. O Outlaws foi um grupo de Southern Rock encabeçado pelo vocalista, guitarrista e compositor Hughie Thomasson, também conhecido por ter feito parte do Lynyrd Skynyrd durante alguns anos, tendo gravado três discos. Mesmo não possuindo um legado tão reconhecido quanto o de seus ex-companheiros do Skynyrd, Thomasson construiu uma carreira sólida e admirável com sua própria banda.

O legítimo Southern Rock do Outlaws foi encerrado em 1980 com o disco Ghost Riders e os registros subsequentes flertaram com o Pop e assumiram características menos elétricas. Porém, "The Flame", como Hughie era chamado, com seus vocais e solos característicos, significava a essência do Outlaws, e mesmo depois do estilo clássico do grupo ser abandonado, reformulou a banda nos anos 90 atingindo seu ápice criativo e deu início a uma fase curta que é a melhor representação da história do Outlaws.

Hittin' The Road Live! [1993]


Devido ao grande sucesso do cover da clássica canção country "(Ghosts) Riders in the Sky", o Outlaws rompeu as barreiras americanas, mas logo depois caíram no esquecimento durante a década de 80. Despretensiosamente, Thomasson se deparou com um músico extraordinário, que misturava a pegada do Blues com os sentimentos e improvisos da música soul. Esse achado é o guitarrista e vocalista Chris Hicks, que compôs uma canção mágica chamada "The Wheel" no final dos anos 80, atraindo a atenção de "The Flame".

Não deu outra, Hicks foi convidado para entrar no grupo e ao lado de Thomasson formou a melhor parceria da história do conjunto sulista. Para tanto, foi resolvido gravar um disco ao-vivo misturando os clássicos absolutos do Outlaws com composições inéditas, e o resultado disso foi Hittin' The Road. A década de 80 e alguns discos 70's foram deixados de lado, mas a falta não é sentida, pois o espaço é ocupado por outros sons que seriam clássicos em potencial se saíssem em qualquer disco setentista da banda.

Para notar isso, basta ir direto ao presente que Hicks ofereceu pro Outlaws, "Superficial Love", um Blues Rock animalesco, de sua autoria. Outro som que supre a ausência de algum clássico do In the Eye of the Storm [1979], por exemplo, é o outro Bluesão "Hitman Blues", fazendo uma viagem no tempo com solos de harmônica lembrando a vertente mais pura do Blues. E a raiz country é lembrada com as músicas do debut, principalmente a instrumental "Waterhole" e o primeiro sucesso, "There Goes Another Love Song".

Depois da execução da lendária composição do Stan Jones, entra uma guitarra tênue dando a impressão que surgirá uma música qualquer. Mas, eis que essa sutileza desemboca na resposta do Outlaws para "Free Bird". "Green Grass And High Tides" é um épico do Southern Rock com quase 7 minutos de solos incandescentes. Resumindo, uma fase tão inspirada que os caras puderam gravar um clássico registro ao-vivo com quase metade das composições sendo inéditas, além de ter apresentado um line-up muito competente, que sofreria um ínfimo desfalque na sequência.

01. Hittin' The Road
02. There Goes Another Love Song
03. Hurry Sundown
04. Waterhole
05. Hitman Blues
06. Evil, Wicked, Mean And Nasty
07. You Are The Show
08. Superficial Love
09.(Ghost) Riders In The Sky
10. Green Grass And High Tides

Hughie Thomasson - guitars, lead vocals
Chris Hicks - guitars, lead vocals
Timothy Cabe - guitars, vocals
Jeff Howell - bass, vocals
B.B. Borden - drums



Diablo Canyon [1994]


Durante os anos 80, para se manter vivo, o Outlaws contou com o auxílio de vários músicos e a formação da banda oscilava entre oito e doze integrantes, que tomavam as rédeas do grupo no aspecto composição, fazendo com que a contribuição de Thomasson como compositor fosse quase nula. Isso foi um ingrediente e tanto para a criatividade ter fluído sobejada, impedindo a banda de cair no ostracismo. Mas Thomasson decidiu mostrar que não necessita de tantos aliados pra elaborar um álbum.

Nessa fase renovada, a formação se resume ao básico e quase a totalidade das composições levam a assinatura de Thomasson. O guitarrista Timothy Cabe deixou o grupo após Hittin' the Road, de maneira que Chris Hicks teve ainda mais espaço pra colocar suas influências. Lembram da composição mágica que encantou Thomasson? Pois é, o próprio fez questão de regravá-la no álbum. "The Wheel", que originalmente possuía teclados altos, sendo conduzida pelo piano, ganhou uma roupagem mais Blues Rock, e Hicks coloca a alma dentro de melodias incrivelmente bem ornamentadas.

Hicks se mostra um blueseiro de mão cheia e compõe outro hino do estilo batizado de "Macon Blues", trazendo a participação de ninguém menos que os membros do Lynyrd Skynyrd, Gary Rossington (guitarra) e Billy Powell (piano), que faz um dos solos mais monstruosos de piano que já escutei. Essa música ainda tem uma linha de baixo similar a Only Fool In Town do Gary Moore. "Dregs Fall To The Wicked" mostra que o Southern Rock não foi deixado pra trás e "Let The Fingers Do The Walkin" é um Country Rock que poderia perfeitamente ter entrado no debut.


A escolha de Thomasson se mostra ainda mais acertada em "New Frontier", quando entra os vocais de Hicks no refrão. A música se transforma de algo agradável para emocionante, é incrível. Para situar os novos admiradores do Outlaws, é bom explicar que o vocal mais grave e alto, semelhante em muitos momentos ao de Richie Kotzen, é cortesia de Chris Hicks e o mais abafado e baixo é do saudoso Hughie Thomasson. E como último destaque, não posso deixar de citar a impactante faixa-título que abre o disco, e me fez cair pra trás na primeira audição, ainda conseguindo me deixar boquiaberto sempre que a escuto.

Billy Jones ao lado de Thomasson ergueram o estandarte do Outlaws no anos setenta, e juntos eram, e ainda são, considerados uma das melhores duplas do Southern Rock. Mas com respeito, deixemos o tradicionalismo e estigma de lado, mesmo sem a presença de Jones, Diablo Canyon é o melhor disco da carreira do Outlaws. O Country é limado, e o Blues Rock toma a frente, feito com o auxílio de um perito no estilo. E o mais impressionante é que o álbum soa setentista, mas as músicas continuam frescas até os dias de hoje. Trabalho completamente atemporal. Uma pena que Jones tenha cometido suicídio menos de um ano após o lançamento desse play, pois quem sabe, poderia retornar ao grupo formando o típico trio de guitarras do Southern.

Também não tem como deixar de lamentar a morte de Hughie em plena atividade (No YouTube têm apresentações dois meses antes de sua morte). "The Flame" havia terminado de gravar o novo disco do Outlaws em 2007 quando sofreu um ataque cardíaco. O álbum foi intitulado Once An Outlaw e se mantém num impasse que parece interminável quanto ao seu lançamento. Família versus banda versus gravadora... Haja paciência e ansiedade! Por ora, fiquem com essa obra feita com maestria e aguardem o cisne cantar.

01. Diablo Canyon
02. Dregs Fall To The Wicked
03. Let The Fingers Do The Walkin'
04. Steam On The Blacktop
05. Macon Blues
06. New Frontier
07. Brother Travis
08. The Wheel
09. Freedom In Flight
10. Alligator Alley

Hughie Thomasson - lead guitars, lead vocals
Chris Hicks - lead guitars, lead vocals
Jeff Howell - bass, vocals
B.B. Borden - drums, percussion

Mickey Mulcahy - additional guitar on 4
Mike Varney - third guitar solo on 5
Gary Rossington - slide guitar solo on 5 and additional lead guitar on 7
Billy Powell - piano on 5 and 7
Mike Mani - Hammond B-3 organ on 8
Willie Morris - additional background vocals

(Links nos comentários - links on the comments)

Dragztripztar

5 comentários:

Emerson disse...

Hughie Thomasson, mestre do boogie-woogie guitar!
R.I.P. The Flame!

Anônimo disse...

Hittin' The Road
http://www.mediafire.com/?g5h3ue83dam3h6a
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Diablo Canyon
http://www.mediafire.com/?tbjcizx9k35do97

*Encontrei aqui um arquivo do Hittin' The Road com uma qualidade infinitamente superior. Fiz o upload desse novo arquivo e substitui o link. Vale a pena pegar de novo mesmo quem já baixou do link anterior. Até porque, no arquivo anterior, o áudio some durante um tempinho na "Superficial Love" e aquilo incomoda demais (pelo menos pra mim). Essa versão recém-subida tá ok, além do áudio tá muito superior, como já falei.

Como eu não sei guardar surpresa (ou segredo) adianto desde já que vai sair um post especial do Chris Hicks com discos de estúdio, ao-vivo, bootleg, material raro, gravações oficiais, piratas e o caralho. Tudo que esse senhor gravou! Ou quase tudo, hehe.

Anônimo disse...

valeu.. belo post!

Luan Bryan disse...

Southern Rock o/

leo86hc disse...

opa valeu pelo Southern!