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quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Nokturnal Mortum - Weltanschauung [2005]


Infelizmente, o Nokturnal Mortum é conhecido, principalmente, pelo posicionamento político de seus integrantes, e por suas letras e visual gráfico ofensivo ao judaico-cristianismo, em todos os aspectos. Digo "infelizmente" por envolver preconceito racial e não somente religioso. Ok, é complicado elogiar um trabalho nessas circunstâncias e tentar convencer as pessoas de que algo "bom" possa ser produzido por uma banda extremista de direita, e orgulhosa até demais, o que acaba por algumas vias se tornando contraditório. Como, por exemplo, eles elevam a cultura de seu país e de sua raça, mas esse país e essa raça são constituídos em sua maioria por cristãos, o que é alvo de repúdio por parte deles. Então, começa por aí, tentar entender esse tipo de ideologia é complicado e desnecessário. E o fato de uma banda pensar da forma que seja em relação à política e religião, não influi em seu trabalho musical. De certa forma sim, porque vira parte da ideologia e inspiração, mas o som envolve vários outros aspectos, como criatividade, influências MUSICAIS, etc.

Deixando um pouco de lado as polêmicas que envolvem a banda, -até por que isso não implica a mim explicar-, o Nokturnal Mortum começou sua carreira na Ucrânia ainda como uma banda de Death Metal e se chamava Suppuration, depois de gravar uma demo, mudaram o estilo para o Black Metal e passaram a se chamar Crystaline Darkness, lançaram mais uma demo e mudaram o estilo do seu Black Metal, incorporando influências do som folclórico, ainda que de forma bem discreta, mas foi o suficiente pra acreditar que a banda era outra e mudaram o nome dessa vez para Nocturnal Mortum e pouco tempo depois para Nokturnal Mortum. Sua carreira teve o início com duas brilhantes demos (Twilightfall [1995] e Lunar Poetry [1996]) que são até hoje pontos altos na carreira da banda e alguns de seus melhores trabalhos, tanto que foram relançados anos mais tarde em CD (as versões originais eram demo-tapes) e passaram a ser ainda mais cultuadas.


Após esses lançamentos que impressionaram o underground da época por apresentar um Black Metal frio, porém, com um grande clima heróico e evidentes influências de Doom Metal e Heavy Metal Tradicional, o Nokturnal perdeu um de seus principais integrantes da época, o guitarrista solo Warterax que deixava o som do grupo ainda mais atraente, por tocar bases e solos com uma destreza e criatividade não tão comum no estilo, e com uma pegada mais voltada pro Heavy Metal. Os teclados de Sataroth também eram um destaque à parte, e ditavam o clima das músicas. Entretanto, sem um guitarrista com boas idéias para se diferenciar do montante que toca de determinada forma já característica do gênero, o Nokturnal Mortum lançou três full-lenghts numa linha padrão de Raw Black Metal, com algumas passagens acentuadas de teclados, porém sem grande destaque. Ou seja, o Nokturnal Mortum que surgiu como uma grande promessa se tornou apenas "mais uma banda de Black Metal".

Depois do lançamento de NeChrist (terceiro e um dos mais polêmicos discos da banda), o NM demorou seis anos para apresentar um novo material. Mas quando decidiram apresentar o que criaram nesse tempo o resultado é simplesmente chocante e impressionante. Weltanschauung é a evolução monstruosa das demo-tapes lançadas no início da carreira, tem todo aquele clima majestoso não sendo tão frio e cru, e com o uso dos mais diversos instrumentos folk (o que não havia na época das demos) com um extremo bom gosto. As estruturas das músicas são bastante variadas e com muitas mudanças de ritmo e melodia, o que torna o som uma verdadeira jornada, pois eles conseguiram passar uma atmosfera tão fascinante e envolvente, que prende a atenção durante o disco todo, que tem como curiosidade o fato de todas as músicas serem precedidas de intros, ora representando sons de batalha, ora tocando melodias essencialmente folk.

A performance de Knjazz Varggoth certamente é outro grande destaque do disco, ele canta de forma bem emocional não deixando de soar odioso e com um timbre menos esganiçado e mais sombrio, sendo o mais apropriado às músicas que não são tão extremas, não tem sequer partes velozes, muito menos blast-beats, o que vai desagradar quem curte um extremismo musical "desenfreado". Mas pra mim o que importa é o nível criativo, não importando se é cadenciado, rápido, atmosférico, ou qualquer que seja o caminho musical adotado pela banda, não sendo mediocridade ou estupidez em forma de música, eu consumo. Pois bem, Knjazz além de ter gravado os vocais e as guitarras, gravou os instrumentos folk junto com o ótimo tecladista Saturious. E por último, não posso deixar de destacar a atuação do batera Odalv, acompanhando totalmente o alto nível criativo da banda com muita competência e com uma consistência digna de aplausos, se mostrando muito superior ao batera antigo, Munruthel.


A faixa-título, Hailed be the Heroes e The New Era of Swords são verdadeiras obras-primas, muito envolventes e instigantes, além de serem extremamente bem compostas. Lembrando que o disco tem 14 faixas, sendo que dessas, são 6 músicas e o restante são intros e curtos instrumentais, mas que também só engrandecem o trabalho e dão um clima diferente a cada passagem do álbum.

O álbum traz como tema principal a complexa e quase incompreensível ideologia de Weltanschauung (palavra alemã que pro português é traduzida como "cosmovisão" ou "visão do mundo"). É impossível tecer qualquer tipo de comentário determinante a respeito disso, visto que é uma das coisas mais abrangentes que eu já pesquisei, e posso no máximo resumir ao que Freud concluiu: Ideologia que produz formas de pensamentos de cunho religioso, científico, artístico e filosófico.

Dentro de cada um desses campos são intermináveis as explicações e argumentos. Obviamente o Nokturnal Mortum tratou desse tema devido à visão distorcida da Weltanschauung por Hitler, para justificar seus atos e usá-la em prol dos seus ideais. E mesmo nos comentários no Mein Kampf em relação à Weltanschauung é bem difícil de captar o que significa exatamente e qual é o ideal proposto, visto que sempre se afunda em um mar de explicações ideológicas pessoais. Chegando a conclusão de que cada um tem sua própria Weltanschauung.

De qualquer modo, não quero instigar ninguém a entender isso, apenas apreciem esse trabalho do Nokturnal Mortum, que em minha opinião é um dos mais bem sucedidos discos que mistura o Black Metal com elementos folk europeu. Ao contrário do que muitos pensam, no Black Metal também existem trabalhos muito bem elaborados, e eu desafio que me digam um disco de qualquer outro estilo de Metal Extremo produzido com uma criatividade tão aguçada quanto Weltanschauung.

01 - The Path Of Immortals
02 - I Feel The Breath Of Ragnarok
03 - Stardust
04 - Weltanschauung
05 - Sorrow Of Native Lands
06 - Hailed Be The Heroes
07 - The Dance Of Fire And Steel
08 - The New Era Of Swords
09 - Endless Vast Swamps
10 - The Knots Upon The Thread Of Fate
11 - Harvesting The Seeds Of Death
12 - The Taste Of Victory
13 - The Way Of Glory
14 - Untitled

Knjaz Varggoth - vocals, guitar, acoustic guitar, weellyre, drymba (mouth harp), telynka, kobza, percussion
Alzeth - guitar
Vrolok - bass
Odalv - drums
Saturious - keyboards, flute, sopilka, ocarina, koza (bagpipe), zitra,
percussion

Guest musicians:
Vasily Haschina - clean vocals, choirs
Sergey Kondratiev - additional lead guitar, additional bass
Aleksey Grebeniuk - violin

(Links nos comentários - links on the comments)

Dragztripztar

15 comentários:

Anônimo disse...

http://www.mediafire.com/?nn8me431x4a6hlv

Anônimo disse...

Combe do Hitler.

Dynasty disse...

Sinto muito, mas não da pra querer...

Anônimo disse...

Post de mau gosto.

nilton rossi disse...

tem uns bons anos que eu acompanho a combe. como a amioria, sou preguiçoso e comento de vez em nunca. e essa é a primeira vez que não gosto de uma postagem. obviamente já não gostei de discos postados, mas nunca fui contra nada.
cada um tem seu gosto.
só que aqui a questão extrapola o gosto pessoal. até acredito que esses caras fazem um bom trabalho musicalmente falando, mas é impossível desvencilhar a música da ideologia.
como bons apreciadores de música, acredito que todo mundo aqui gosta de saber em que época tal disco foi gravado, o que acontecia no mundo, qual era o momento político, que influência isso teve no disco... acredito que isso dê uma visão muito ampla do disco, que talvez nem seja tão bom, mas pelas características históricas se torne clássico.
um exemplo clássico é o primeiro disco do ramones. gravação tosca, três acordes, letras simples. porém, nada foi mais emblemático do que acontecia com a juventude de ny do que esse disco. clássico.
do mesmo modo acho que é impossível deixar de associar esse disco à essas questões raciais.
quando um disco é à favor do extermínio de uma raça, ou de um grupo de pessoas, a parte musical fica em segundo plano.
desculpe as idéias embaralhadas, mas escrevo do trabalho, então tem que ser rápido!
abraço ao pessoal da combe e continuem o ótimo trabalho!

Dragztripztar disse...

Eu deixei bem claro o posicionamento político da banda, e não fiz apologia em nenhum momento. Novamente repito que, não venho aqui fazer um post por fazer, no sentido de tirar sarro ou algo parecido. Não criei um texto sincero pra depois tentarem deturpar que eu to "apoiando" idéiais racistas.

Deixei bem claro que a banda tem um determinado ponto de vista POLÍTICO (consequências desse lado é algo secundário, por mais que seja chocante ou inaceitável).

No mais, o pior pelo pior, o NM é uma das menos piores. Se é que me entendem. Não me refiro à sonoridade, mas ao fato deles não serem covardes de esconderem os rostos e se trancarem em suas casas. Eles tem suas visões infantis em relação ao sangue puro e tudo o mais, mas fazem isso de cara limpa e além de fazerem shows com uma boa regularidade, o que certamente pode acarretar em uma prisão (e com pena severa). Não tentem também deturpar isso, não to querendo justificar o post dessa maneira, apenas esclarecendo um ponto importante e curioso, talvez.

Francamente, acho que não ofendi ninguém com esse post, e nem foi essa a intenção como podem perceber no texto.

Dragztripztar disse...

Fechando aqui, poderia até passar a informação no texto que o tema abordado é completamente ligado ao paganismo eslavo -mesmo com a proposta explícita da ideologia emitida-, mas conhecendo as letras isso seria hipocrisia, tendo em vista que mesmo as músicas abrangendo essa cultura, eles transmitem de uma forma ofensiva e com clara demonstração de menosprezo à outras culturas e raças.

Repetindo que, não quero que achem isso louvável, só um esclarecimento: quem curte o estilo adotado pela banda e ritmos folclóricos provenientes da Europa, não se importa muito com bandas que trabalham em cima do contexto NS. Aí vão dizer que isso se dá porque os fãs são acefálos e outras ofensas mais baixas. Não é o caso. É questão de entender o que motiva tal abordagem lírica. Pessoas que não tem convivência com outras culturas/raças e/ou não aceitam a entrada dos mesmos em seus territórios por se sentirem superior - como qualquer ser humano se sente perante inúmeras coisas, pois se fazer de fraco e humilde é pedir pra ser chutado e se tornar de fato um ser desprezível. Isso é um dos vários motivos que fãs de Black e Folk Metal não ligam para essa coisa cada vez mais corriqueira. Não vou enumerar aqui detalhadamente tudo que me faz desprezar esse tipo de ideologia.

Quem se interessar pelo material tá aí, não precisa de mais apresentações, quem acha o que for -mesmo contrário, fique à vontade pra falar, só não venha querer distorcer quaisquer informações ou opiniões emitidas no texto.

nilton rossi disse...

eu acho que você deixou sua visão bem clara no texto e tb acredito que todo mundo entendeu que vc não apóia as idéias dos caras.
pelo meu lado, só quis debater até que ponto as idéias e temas abordados em um disco valem a pena ser deixadas de lado.

mas pensando bem, quero retirar a primeira parte do meu texto, onde digo que não gostei do post.

um post com tema tão delicado quanto este, é ótimo para abrir discusões mais amplas sobre a música. me fez, por exemplo, escrever dois textos, coisa que raramente faço. como vc mesmo disse, vc não fez apologia nem nada parecido. cada um que tire suas conclusões. as minhas ainda permanecem às mesmas em relação ao disco. só mudaram quanto ao post.

Hairbanger disse...

visoes politicas e etc aparte, curto Black Metal desde que seja diferente do normal... influencias folk, teclados e atmosfera diferente, pelo que entendi na resenha DO DISCO, me agradam.

e para concluir, respeito o motorista aew por postar, afinal esse blog é de música, não sobre ideais e talz. eu mesmo já postei uma banda de Black Metal, que dizem, em outros sites, e chegada ao nazismo. não é por isso que não postei. o disco é bom, musicalmente falando... então pq não postar?

Ito disse...

Sou ateu mas mesmo assim não acho interessante ter em minha coleção algo do tipo mas não sou contra que postem até mesmo por que vivemos em uma democracia e todos tem direito de terem acesso a todo o tipo de material e informação. Felizmente os PTistas ainda não conseguiram transformar o Brasil em uma Cuba como Chavez está fazendo na Venezuela, embora se fosse lhes dada a oportunidade não pensariam meia vez.

BraBu's disse...

Não sei porque o racismo ainda é tratado como algo chocante nos dias de hoje, tendo em vista que racista é todo aquele que se julga melhor que o outro seja por características físicas (quem menospreza aquele Gordinho na escola ou aquele feinho se disendo melhor que os mesmos),hereditárias (o de boa familia em relação ao de familia desconhecida), caráter e inteligência (quem tem um estudo melhor ou pior) ou manifestações culturais (o rockero pagodeiro pro funkero ou do crente pro pagão)!

levando ao pé da letra o tema racismo todo mundo é racista ao mesmo tempo que todos DIZEM odiar quem é racista.

Baixando para conhecer o som embora (sendo um pouco racista agora rsrs) pela resenha ache as idéias deles meio tapadas ¬¬' Mas como sempre digo...Música é a arte de manifestar os diversos afetos da alma mediante ao SOM! Quem quer uma ideologia de vida leia a Bíblia ou o Bhagavad Gītā ou Alcorão,Universo em Desencanto e por ai vai. Quem quer SOM escute um disco!

Te entendo perfeitamente Dragztripztar!

Anônimo disse...

MUITO BOM!!!!!!

Anônimo disse...

Todas as pessoas tem preconceito, porém isso nao justifica misturar a música com política. Esses caras do NM peidam na farofa, porque nao eh como em algumas bandas do Death e no Black Metal, onde ha uma linha de religiao e tal - mas sim algo que implica desrespeito e agressao moral ( e pior, talvez mais que isso) ao próximo. A combe deixou clara sua posiçao neutra frente ao assunto, as criticas nao vao para o post, nem para a musica, mas para a posiçao politica da banda.

Artur Fox disse...

Bom, eles são Ucrainianos, supõe-se q o foco lirico seja exaltar a raça eslava, exaltar o paganismo eslavo antes dos paises do leste europeu terem se convertido ao cristianismo.

Para vocês essa banda pode significar toda uma apologia absurda e repulsiva, todavia, eu baixarei esse album para ver a virtuosidade subjetiva dessas musicas...Em outras palavras, vou ver se eh um bom folk metal.

Não creio q so por q escutarei uma banda racista eu me tornarei um racista. Estou convicto disto. Eu aprecio cannibal corpse, todavia, eu não vo começar a foder zombies e estuprar cadaveres por q estava implicito isso em I CUM BLOOD. Eu não sou necrofilo por escutar cannibal corpse. Isso eh uma logica bem simples de entender.
Sou fã de Korpiklaani mas não sou finlandes, escuto finntrol mas não sou pagão. Bom, dá para fazer milhares de analogias diferentes...

Artur Fox disse...

aconselho baixarem o novo album deles, Golos stali...Este não me agradou muito, mas o golos stali é um album fodido...Merecia ser postado...Esta a altura dos grandes albuns do genero folk e viking metal...