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quinta-feira, 16 de junho de 2011

Marillion - Clutching At Straws [1987]


O fim de uma era, a qual foi brilhante e de maior sucesso para o Marillion. É impossível negar que Derek Dick (a.k.a Fish) foi o principal mentor para que a banda lançasse quatro discos brilhantes e que podem ser qualificados como essenciais para qualquer um que diga admirar rock progressivo de qualidade. E como não poderia deixar de ser, em sua última entrega de estúdio, a formação de ouro do grupo nos entrega um trabalho admirável, ainda que vague por mares ainda mais tristes que suas obras anteriores.

Aqui temos um trabalho que é quase uma biografia do momento de Fish, principalmente de seu problema com álcool, retratado através do personagem Torch, que provavelmente era descendente de Jester (personagem conhecido já de outros discos do Marillion e que aparece nas capas dos discos anteriores) , pela roupa que ele carrega em seu bolso e as cores da maquiagem de arlequim que resplandecem em seu rosto na capa deste disco. Torch é um vocalista de uma banda de rock que não alcança o sucesso, um homem fracassado em todos os sentidos, seja no seu casamento ou na vida como pai e que encontra na dependência um consolo e fuga para seus problemas, vivendo bêbado em tudo que é lugar.


Esse cara fez a diferença!

Um ponto interessante é a capa do disco feita por Mark Wilkinson, em que os personagens que estão junto com Torch na capa, quase todos morreram em decorrência de problemas com o álcool ou tinham envolvimento grande com drogas, sendo estes descritos abaixo.

Da esquerda para a direita, na parte da frente:
* 'Rabbie' Robert Burns: Poeta escocês que morreu aos 37 anos devido a complicações de saúde que foram potencializadas devido ao abuso de alcool;
* Dylan Thomas: Poeta galês que morreu aos 39 anos que morreu em decorrência do alcoolismo, e que no dia de sua morte teria ingerido 18 doses de uísque;
* Truman Capote: Escritor norte-americano que morreu aos 59 anos, após uma combinação de álcool, pílulas e drogas;
* Lenny Bruce: Comediante e satirista social norte-americano que morreu aos 40 anos devido a uma ouverdose de heroína.


Na parte de trás da esquerda para direita:
* John Lennon: o único que não morreu em decorrência de problemas com álcool, mas que todos sabemos muito bem o quanto esteve envolvido com este e as drogas durante sua vida;
* James Dean: Ator norte-americano e um dos ícones do cinema dos anos 50, que morreu aos 24 anos em um acidente automobilístico, em que estava provavelmente embriagado;
* Jack Kerouac: Poeta Beat que morreu aos 47 anos em decorrência de uma cirrose.

Então como vimos, desde sua capa, temos um trabalho sombrio e denso em seu conceito. E isso se reflete nas músicas, com canções densas, letras que mostram a fuga rápida entre copos de bebida e a desgraça que a pessoa entra ao ser um alcoólatra, se desenrolando durante todo o disco de maneira majestosa, graças a inspiração de Fish, que também teve seu problemas com bebida e poderia falar com propriedade sobre este assunto. Um disco que transmite sentimentos mais obscuros durante a sua execução e que transmite principalmente a raiva e tristeza pela situação deplorável que se chega ao estar viciado.



O instrumental aqui contribui para que o clima sombrio se instaure de vez, pois as camadas por vezes assustam de tão frias que são. Fish está impecável e cada vez mais dramático em suas interpretações que são assombrosas aqui. Steve Rothery cria climas instropectivos e mesmo que por muitas vezes simplórios transmitem uma emoção singular (vá direto para "Sugar Mice" e sinta o que estou falando). Mas na minha opinião Pete Trewavas dá seu show à parte neste disco, com linhas de baixo presentes e matadoras e que me conquistou desde a primeira vez que ouvi este e consegue dividir atenção com a dupla.

Aqui temos muitas canções que carregam uma tristeza singular e que demonstram a capacidade criativa do grupo. É uma tarefa árdua ouvir a dobradinha "Warm Wet Circle" e "That Time of the Night", que trazem um nível de emoção carregadíssimo consigo e não querer sem render a lágrimas durante o andamento destas. Um exemplo é na primeira delas, em que apenas Fish acompanhado de um piano vocifera de maneira encantadora e até certo ponto desesperada: "In a warm wet circle / Like a mothers kiss on your first broken heart, a warm wet circle / Like a bullet hole in Central Park, a warm wet circle / And I'll always surrender to the warm wet circles".



Apesar de alguns momentos de assimilação mais fácil como "Going Under" e a pop e deliciosa "Incommunicado" que fica na mente martelando por dias, são os momentos mais tristes que nos fazem se render a esta obra prima. Ouvir as quatro últimas canções deste e se sentir indiferente é deveras impossível. "Torch Song" nos dá mais detalhes da conturbada vida de Torch no ápice de seu vício, em que seu médico setencia que sua morte se aproxima rapidamente, dizendo que com o estilo de vida que leva ele não passaria dos 30 anos de idade , sendo que após nos é revelado que ele já está com 29, o que nos indica de que seu fim está próximo. "Slainte Mhath" apesar de carregar uns instrumental menos climático comparada as outras canções, carrega uma letra cheia de simbolismo e raiva e que deixa claro como o vício destrói a pessoa e acaba a passando para trás esperando sonhos e promessas quebradas.

"Sugar Mice" traz consigo a carga emocional mais pesada de todo o disco, mostrando as consequências da dependência não só para a pessoa, mas para toda a família, que Torch acabou por abandonar. Aqui temos um diálogo com sua ex-esposa (ou uma carta), onde ele assume toda a culpa e informa o estado deplorável em que está, sem emprego e tendo bares como sua moradia e que não podia suportar os olhares de seus filhos e esposa lamentando seu estado. "The Last Straw (Happy Ending)" finaliza o disco com uma ótima atuação de Rothery e fecha com chave de ouro esse disco.

Sim, ao ouvir este a saudade desta fase do grupo bate ainda mais forte. Apesar de a fase Hogarth ter gerado discos como Brave, Afraid Of Sunlight e Marbles, é covardia comparar a tudo que Fish fez a frente do grupo. Seja no conceito, nas interpretações e mesmo nas canções geradas, não há como querer ser cego e não reconhecer a importãncia de Fish na história da banda e o agradecer os quatros grandes discos com os quais ele nos presenteou durante sua presença. Obra-prima!



1.Hotel Hobbies
2.Warm Wet Circles
3.That Time Of The Night (The Short Straw)
4.Going Under
5.Just For The Record
6.White Russian
7.Incommunicado
8.Torch Song
9.Slàinte Mhath
10.Sugar Mice
11.The Last Straw

Fish – Vocais
Steve Rothery - Guitarra
Mark Kelly - Teclados
Pete Trewavas - Baixo
Ian Mosley - Bateria

Músicos Covidados:
Tessa Niles - Backing vocals em "That Time Of The Night" e "The Last Straw"
Chris Kimsey - Backing vocals em "Incommunicado"
John Cavanaugh - "Dr. Finlay" voz em "Torch Song"


12 comentários:

Anônimo disse...

http://www.mediafire.com/?9ptpzeiuzs5xw6a

Ito disse...

Pegando.... vlw!

Ron Mick disse...

Disco MUITO bom! Se o anterior era centrado sobre infâncias e amores, este fala sobre coisas mais escuras e malditas, como a vida de Torch (e a do próprio Fish) indo ladeira abaixo pelas drogas. Como todos sabem, antes dessa turnê, Fish descobriu que o empresário estava desviando grana, e informou seus colegas, que pensaram ser mais um devaneio do escamoso... Isso deixou nosso compadre Derek puto da vida e ele deixou a banda.
Picuinhas à parte, este é um ótimo álbum, o canto de cisne (ops, do peixe) perfeito para aqueles momentos mais tristes, quando a atmosfera das músicas completa elegantemente o clima.
Obra Prima!

Deckard disse...

Concordo com voce, é uma obra prima, tão bom quanto o anterior.

Ricardo Brovin disse...

Parabéns pelo post e resenha de ótima qualidade!!!Marillion é show...

Anônimo disse...

Cara, sempre achei que uma das maiores injustiças que o Rock cometeu e comete ainda hoje, é a ausência de Steve Rothery entre os grandes guitarristas do gênero, pois na minha opinião ele possui o mesmo felling que David Gilmour (um dos maiores guitarristas de todos os tempos) possui. Mas nunca ví ou lí nada em relação ao trabalho de Steve Rothery, nessas tão famosas listas de "melhores guitarristas"...Uma pena para essas Listas então.
Boa pedida o Clutching at Straws na Commbe.
Grande Abraço

Anônimo disse...

Bela resenha, está de parabéns!!! "Conheço" esse album a mais de 15 anos todas vezes que o escuto ele soa novo, encantador e angustiante...Um disco muito dificil de se comentar sendo ele tão emotivo, mas você conseguiu fazer isso muito bem! Sou fã do blog, continuem assim!
Anderson Muradas

Anônimo disse...

O Marillion é dos poucos casos em que a cópia é melhor que o original. Essa banda é cem vezes melhor que o Genesis (em qualquer fase).

Luciano disse...

Este disco é maravilhoso totalmente, mas tudo mundo comenta sobre o guitarrista Steve que é sem sombra um dos melhores no estilo igualando-se ao incrivel David Gilmour, mas o Mr. Ian Mosley na batera dá um show de técnica, felling e inspiração, não só neste disco mas em toda a carreira da banda, um monstro nas baquetas.
Fica aqui meu registro!!
E contineu com a qualidade sonora deste disco em todos os post no Combi.

LUIZ TOLEDO disse...

Muito bom este disco!!!

Amschel disse...

VLWWWW

ALTINOR FAVA disse...

Meu Deus, como tem gente que fala besteira aqui...
Dizer que Marillion é cem vezes melhor que o Genesis em qualquer fase...é desconhecimento de causa..
Nao percebes que que se vc fez analogia com Genesis é porque lembrou o Genesis? Nao precebe que é o Criatura e Criador?
Marillion é foi uma grande banda, gosto e curto muito, mas dai fazer comparação com Genesis...meu filho, vai ler estudar, escutar musica, conhecimento é a base para se fazer um comentário coerente...