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quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Murder Rape - Celebration of Supreme Evil [1994]


Quando se fala em Murder Rape antes de vislumbrar qualquer coisa relacionada ao som geralmente surge gente pra espalhar fofocas, boatos, especulações, etc. Mesmo com a vida pessoal dos integrantes parecendo mais interessante para algumas pessoas, o Murder Rape consegue transpor tudo isso com o que realmente importa: sua música. Os curitibanos são um dos maiores expoentes do Black Metal Nacional, a primeira banda brasileira do estilo a excursionar pela Europa e, talvez, o mais notável representante pós-Sarcófago.

Por mais que o visual da banda sugira o famigerado Black Metal, durante a carreira do grupo o estilo que se transparece menos exaltado é o Black Metal como é conhecido superficialmente, e esse disco que estou trazendo exemplifica isso. O embaraço quanto ao rótulo pode ser explicado tomando como exemplo que o gênero é visto como algo voltado somente à sonoridade de grupos como Mayhem, Gorgoroth, Dark Funeral e afins, quando se pratica em países fora do eixo nórdico algo totalmente fora dos padrões dessas bandas. Logo, quem se fecha dessa forma acaba cometendo ignorâncias quando quer taxar algumas bandas, como o Murder Rape, no caso. Celebration of Supreme Evil é tido como um disco de Death Metal pelos leigos, simplesmente por não parecer com Gorgoroth, Mayhem & Cia.


Os traços do Death Metal sueco e de bandas como Venom, Celtic Frost e Hellhammer é notável nesse debut, mas a influência do Black Metal grego, principalmente do Varathron, é maior do que essas outras influências. O fato de Sabatan cantar o disco inteiro com vocais guturais não implica que se trata de Death Metal, pois o próprio Varathron, Mystifier e alguns outros conjuntos de Black Metal optam por esse tipo de vocal. Acima de tudo, o que desponta no Murder Rape é a inspiração dos caras, pois a simplicidade extremamente profunda que é apresentada nesse play se compara com o Venom nos anos 80, a meu ver.

Nesse primeiro full-lenght, o grupo além de compor um dos discos nacionais mais clássicos e o seu melhor trabalho, montaram um tracklist que mantém o ouvinte imerso. O disco abre com o simplismo eficaz de "Embassy of Satan", e na sequência, o guitarrista Ipsissimus se mostra um músico diferenciado e que, claramente, busca inspiração fora do Black Metal, basta notar que o Heavy Metal misturado ao Doom clássico é abrangido de maneira muito consonante em músicas como "The Beggining of Pain", "Goat Worshippers" e "Trace of Omnipotence". A cadência que percorre essas músicas beira o Doom Metal, e seria ampliada de forma excessiva no disco seguinte.

Mas o melhor momento fica guardado no final. Quando o Murder Rape lançou sua tape em 93 imediatamente a Cogumelo assinou com banda, e não era pra menos, entre as duas músicas da tape estava um clássico do Metal Nacional. "Morbid Desires" despe todo o talento da banda, uma composição extremamente bem arranjada, com uma sucessão de riffs e solos muito cativantes. O que me leva a considerar definitivamente Ipsissimus como o "Mantas brasileiro". Celebration of Supreme Evil marcou época e permanece até hoje como um dos trabalhos mais influentes da safra nacional, além da grande importância em mostrar outros horizontes dentro do Black Metal, que é o seu maior valor atualmente.



01-Intro
02-Embassy of Satan
03-The Beginning of Pain
04-Cries from the Abyss (Instrumental)
05-Goat Worshippers
06-Trace of Omnipotence
07-Morbid Desires
08-Goat Rules
09-Outro (In Liaison with Satan)

Sabatan - vocal
Ipsissimus - guitar
Agathodemon - bass
Ichthys Niger - drums

(Links nos comentários - links on the comments)

Dragztripztar

4 comentários:

Anônimo disse...

http://www.mediafire.com/?88sd5zku62uuu3o

Willian disse...

Valorizo muito o ecletismo da turma que posta os álbuns, e sei que o blog é de vocês e postam o que quiserem, mas gostaria de pedir que disponibilizem mais cds de música extrema, death, black ou thrash metal! Por sinal, essa é uma banda excepcional e merece nosso respeito! Obrigado e feliz ano novo a todos.

Dragztripztar disse...

Valeu Willian. Eu até gostaria de postar mais álbuns desses estilos, mas o baixo número de downloads que resulta quando posto discos de música extrema me desanima um pouco.

E olha que eu sempre procuro trazer banda de Black distante do Black Metal "popular", ou seja, as mais acessíveis, que tem influências fortes de outros estilos, e que para os "extremões da vida" são as mais "falsas", hehe.

O que acho estranho é que, quando eu posto Gothic e Doom o número de downloads é o triplo (ou muito mais) se comparado quando eu posto Death ou Black. Isso é estranho, porque se tem público pra Gothic/Doom, uma parcela desses, possivelmente, se interessaria por Death/Black. Não que tenha tanta semelhança, mas geralmente quem se sente atraído por Moonspell, The Sins of thy Beloved, Candlemass... não se fecha tanto pro Death/Black - pelo menos uma boa parte.

Assim, eu concluo que as pessoas ainda se mantém afastadas por causa da questão religiosa, o que, pra mim, é uma bobagem, mas eu respeito. Então, "patience", como diriam os gunners.

Gabriel Leite disse...

Curti muito o post, Dragztripztar! E realmente é uma pena que não existam tanto apreciadores de Black/Death Metal aqui na Combe.