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sexta-feira, 24 de junho de 2011

Guitars That Rule The World [1992]


Imagine poder escolher o time dos sonhos e dizer aos jogadores: joguem como quiser. Façam o que lhes der na telha!

Essa foi a proposta da revista Guitar World americana. Esse disco, hoje, é tratado como vol. 1; mas, quando saiu, não se tinha a ideia de fazer continuações. Era para ser apenas um produto com os melhores da então maravilhosa e acrobática década de 80, que havia chegado ao seu não tão glorioso final.

Os cabelos esvoaçantes e cheios de laquê faziam companhia a roupas extravagantes, chamativas e que compunham visuais pesadamente exagerados. Como já postado aqui, era uma época maravilhosa, em que homens se vestiam como mulheres, mulheres como vagabundas e o rock’n’roll chutava traseiros. E como chutava. O disco que mostro hoje é o encerramento glorioso de um ciclo.

Esqueça as histórias de agonia do hard farofa. Ele se encerrou da mesma forma apoteótica que começou: com um grande trabalho. E este trabalho, na minha opinião, é esta coletânea. Gravado em vários estúdios diferentes, o resultado final foi masterizado nos estúdios Sterling Sound, em Nova York. Mas vamos cortar o lero lero e vamos ao cardápio, que é primoroso.

A jóia abre com a estupenda Black Magic, que traz um Reb Beach tocando todos os instrumentos. Gravado no estúdio caseiro de Kip Winger, a música é praticamente um portfólio do guitarrista. Mas o resultado ficou tão bom que eu considero uma das melhores do play.



Richie Sambora, que acabara de lançar seu Stranger in this Town, mandava ver com Mr. Sambo, acompanhado de quase todo o Bon Jovi. É interessante ver Sambora detonando um instrumental de peso, sem a voz de Jon Bon Jovi por cima e sem cair na armadilha das baladas xaroposas. É a sequência ideal para o que Reb Beach fez.

Yngwie J. Malmsteen traz Leviathan, com seus clássicos bululus em altíssima velocidade. Uma faixa que parece ter saído de Trilogy ou Marching Out. O sueco, justiça seja feita, esmirilha o instrumento e consegue fazer a diferença. Obviamente, um disco inteiro de músicas instrumentais do cara é insuportável (até o maravilhoso Millenium). Mas, no meio de tantas estrelas, Leviathan é o que se espera para preencher o espaço que pertence a Malmsteen.

Paul Gilbert estava numa fase pré saída do Mr. Big. Ele sempre foi espevitado e ousado nas inovações guitarrísticas. O estilo Mr. Big, mais pop e “redondinho”, começava a saturar seu gênio inquieto. I Understand Completely é a prévia do que viria em sua carreira solo da segunda metade dos anos 90. Sons, aliás, que nunca entendi 100%, fazendo um trocadilho horrível com o título da faixa.

Elliot Easton dá um show de bom gosto. Seu violão tem um timbre inigualável, e a elegância da composição traz a lama do Mississippi com um pouco dos esgotos de Nova York. Afinal, é muita técnica pra um blues de raiz, mas muito feeling para um jazz/fusion. Fantástico.

Bueno. Zakk Wylde destrói tudo. Acompanhado do staff da Pride & Glory, Farm Fiddin’ é simplesmente a melhor coisa que o cara já fez na vida. Minha opinião, claro. Mas é quando ele mistura metal com bluegrass que a coisa fica divina. E ele estava tão solto por aqui, que a música é dividida em várias partes, tendo barulhos de fazenda como pano de fundo. Zakk mostrava que, mais que o sideman de Ozzy, era um guitarrista com estilo próprio que veio para ficar. E ficou.



Nuno Bettencourt impressiona por fazer algo que ninguém esperava dele. Depois de experimentar o megasucesso com seu Extreme, no qual desfilava licks de guitarra de tirar o fôlego (Get The Funk Out tem um dos sweeps mais fantásticos que já ouvi), ele aparece com um timbre doce, com frases de blues e clássicos Blackmoreianos, sobre uma base de sons caóticos, quase cacofônicos. O resultado é excelente, mas não é para qualquer ouvido entender a proposta.

Alex Skolnik, então egresso do Testament e mergulhado em jazz e outros experimentalismos, resolve gravar um funk instrumental. Resolveu e pronto. Qual é o problema? O grande detalhe é que a música, a exemplo do que fez Zakk Wylde, possui diversas partes com ritmos aparentemente desconexos. Mas o resultado final não é menos que fantástico. São obras de guitarristas e devem ser encaradas como tais.

Richie Kotzen é o velho de guerra. Antes de se aventurar pelo soul e pelo hard blues, ele era um dos destaques da cena shred do final dos anos 80. E seu trabalho solo é excelente. Eu prefiro o que ele fez em Shuffina, mas este Chype Fluxx tem seu valor, apesar de eu achar que ele seria capaz de fazer algo muito, mas muito melhor.

Albert Collins, o Iceman, faz a sua homenagem a um recém falecido Stevie Ray Vaughan. Sua telecaster sempre teve aquele estalado característico. E ele, pouco antes de morrer, deixou seu legado aos shredders de plantão, com uma interpretação de tirar o fôlego. Incrível como o velhinho se sobressai entre os hardeiros. Talento e feeling em estado puro.

Dickey Betts e Warren Haynes, a dupla de guitarras que foi responsável pela ressurreição da Almann Brothers Band nos anos 90, mostram que a volta de seu grupo tinha tudo para dar certo. Uma harmônica abre os trabalhos que são a melhor expressão do som acústico do sul dos Estados Unidos. Fantástico é a palavra. Agora sim temos um blues de raiz purinho, com sotaque do sul e atolado na lama do Mississippi até o pescoço. Clima de jam total. Um dia vou a Chicago alugar uma Harley ou um dojão pra descer até New Orleans ouvindo essas maravilhas no... toca-fitas. Claro!

Reeves Gabrels, então sideman do camaleão David Bowie, trouxe seu peso e experimentalismo ao play. Guitarras loucas com sotaque eletrônico, Why Do I Feel Like I’m Bleeding é uma aula àqueles que pensam que guitarra é tocar escalas para cima e para baixo na velocidade da luz. A produção mostra um Reeves Gabrel perfeccionista na busca do resultado que teve em mente desde o começo das gravações.

Para encerrar, Earl Slick toca aquele hard rock no melhor estilo californiano, para ouvir num dia de sol. Frases que beiram o clichê aparecem de forma agradável e perfeita.

Embora não exista, parece estar presente um certo tipo de clima de competição neste disco. Mas, mais do que um desfile de técnicas, o feeling e o cuidado nas composições e arranjos se sobressai nesse mix de estilos tão caros entre si, que são o rock, o blues, o hard rock e o metal.

Nada de tributos. Cada um fez a sua parte mostrando do que é capaz. E ficou uma maravilha.

Track List

1. Reb Beach - Black Magic
2. Richie Sambora - Mr. Sambo
3. Yngwie Malmsteen - Leviathan
4. Paul Gilbert - I Understand Completely
5. Elliot Easton - Walk On Walden
6. Zakk Wylde - Farm Fiddlin'
7. Nuno Bettencourt - Bumble Bee (Crash Landing)
8. Alex Skolnick - Fielt Of Soul
9. Richie Kotzen - Chype Fluxx
10. Albert Collins - Blues For Stevie
11. Dickey Betts & Warren Hayes - Wille And Poor Bob
12. Reeves Gabrels - Why Do I Feel Like I'm Bleeding?
13. Earl Slick - Surfer Junkie Dude

Reb Beach (todos os instrumentos, produção e mixagem)
Richie Sambora (guitarras)
Yngwie J. Malmsteen (guitarras, produção, mixagem)
Paul Gilbert (todos os instrumentos, produção e mixagem)
Elliot Easton (todos os instrumentos, produção e mixagem)
Zakk Wylde (guitarras)
Nuno Bettencourt (todos os instrumentos, produção e mixagem)
Alex Skolnick (guitarra, produção e mixagem)
Richie Kotzen (todos os instrumentos, produção e mixagem)
Albert Collins (guitarra e produção)
Debbie Davies (guitarra)
Dickey Betts (guitarra e produção)
Warren Haynes (guitarra e produção)
Reeves Gabrels (todos os instrumentos e produção)
Earl Slick (guitarra, produção e mixagem)
Tico Torres (bateria e produção)
Huey McDonald (baixo)
Svente Henrysson (baixo)
Mats Olausson (teclados)
Michael Von Knorring (bateria)
James Lomenzo (baixo)
Greg D`Angelo (bateria)
Les Claypool (baixo)
Brain (bateria)
Soko Richardson (bateria)
Tom Dusett (harmonica)
Gary Stewart (Field hollering)
Terry Bozzio (bateria)
Kirk Alley (baixo)
Johnny B. Gayden (baixo)


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Por Zorreiro

13 comentários:

Anônimo disse...

http://www.mediafire.com/?iop3e536y6dmkew

Eduardo Paiva disse...

Que resenha espetacular!!! Zorreiro me convenveu a baixar só pelo o que escreveu!

Drica =) disse...

baixandooo, louca pra escutar

Taliban Sexy Trucker disse...

Caralho, brilhante resenha, brilhante seleção, curti muito, isso é uma das melhores audio aulas de guitarra que eu ter no pc, mas esse é um dos posts que me faz acreditar que o forte da combe são de fato as resenhas e não o download, parabéns ao Zorreiro e a todos os motoristas da combe...

Ricardo Brovin disse...

Parabéns!!!baixando...

Anônimo disse...

Esse play já tinha sido postado antes, não?

Anônimo disse...

mmuuitttoo interessante...

Hambo disse...

Bom demais, pra guitarristas, como este que esta escrevendo, um cd desses é um prato cheio! Valeu!

by Paulo Neto disse...

fascinante!!! isso sim eh um post de prima!! agora os x men...rsrsr

Igor disse...

Com esse line-up e essa resenha...
Motivos de sobra para baixar!

Anônimo disse...

baixando! vamos ver...

Anônimo disse...

file inválido :/

Japão disse...

Vai fazer muita falta!