Pages

Lembre-se

Comentar em alguma postagem não irá lhe custar mais do que alguns segundos. Não seja um sanguessuga - COMENTE nas postagens que apreciar!

Os links para download estão nos comentários de cada postagem.

Acesse: www.vandohalen.com.br

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Tyketto - Don't Come Easy [1991]


Injustiça. Sou contra a utilização desse termo para designar bandas de Hard Rock, pois tudo que vira moda, um dia tem que acabar, e o Grunge foi apenas o estopim para retirar toda aquela parafernalha glamourosa da mídia. Mas, neste caso, "injustiçado" é a melhor palavra para designar o Tyketto e, em especial, este disco.

Danny Vaughn não era nenhum zé ninguém ao formar o Tyketto em 1987: já havia cantado no Waysted, banda do baixista Pete Way (UFO). Utilizou bem seus contatos, aproveitando os bons músicos que convocou para a banda (o guitarrista Brooke St. James, o baixista Jim Kennedy e o baterista Michael Clayton), e descolou um contrato com a Geffen Records em 1990, que investia bastante no Hard Rock na época.

O debut do grupo, "Don't Come Easy", chegou às lojas em 1991, quando o Nirvana aterrissou com "Nevermind" e o Pearl Jam com "Ten". Dessa forma, não fez o sucesso esperado, apesar do single "Forever Young" ter recebido uma certa notoriedade nas paradas especializadas.

Mas sucesso nem sempre é sinônimo de qualidade. Mesmo sem o sucesso merecido, "Don't Come Easy" é um dos discos mais marcantes que já ouvi em minha vida. O som dos caras é Hard mas nada muito farofeiro. As influências do AOR são nítidas, mas também não tomam conta da sonoridade.

O vocalista Danny Vaughn

Em suma, o play passeia entre o Hard melódico e o AOR com composições precisas, guitarras muito bem elaboradas, bateria trabalhada, baixo coeso, teclados precisos que ficam apenas como plano de fundo na maioria das canções, produção perfeita (que ficou à cargo de Richie Zito) e, é claro, a voz de Danny Vaughn (uma das melhores do gênero sem sombra de dúvidas).

A abertura fica por conta do primeiro single que a banda lançou, "Forever Young", e já mostra que os caras não estão pra brincadeira. Guitarras pesadas, melodia forte e uma bela interpretação de Danny, além de uma ótima letra, tornam a música um dos destaques do disco. "Wings", que se tornou o segundo single, é uma semi-balada grudenta, com uma letra lindíssima e destaque às guitarras de Brooke.

Em seguida, "Burning Down Inside", que mais parece uma balada oitentista, principalmente pelo refrão perfeito para se berrar em um show e pelo vozerão classudo de Vaughn. "Seasons", com uma pegada leve (justificada pelo uso do violão que permeia a canção), é uma de minhas prediletas. Já a power-ballad "Standing Alone", terceiro single do play, recupera o ambiente de "Burning Down Inside", mas tem sua base tocada por um violão excelente ao invés dos teclados da outra.

"Lay Your Body Down", onde Michael Clayton dá um show à parte, mantém o clima oitentista mas não por ser uma balada, e sim por ser um hino rocker no maior estilo farofa. "Walk On Fire" começa com uma aplicação de violão e cítara, mas logo cai na paulada com um riff cortante, cozinha de peso e os belíssimos vocais de Danny (esse cara não é humano). "Nothing But Love" mantém a qualidade, mas não chama muito a atenção quando se compara com a perfeição de algumas faixas.


O blues encarna os caras em "Strip Me Down", que já começa com uma gaita endiabrada e uma pegada blues-rocker, com destaques às linhas de bateria de Michael Clayton. "Sail Away" fecha o álbum com chave de ouro - sua levada gostosa acasalada aos vocais sempre perfeitos de Danny garantem-na como um dos fortes destaques gerais.

Novamente ressalto que este álbum é um injustiçado. Percebe-se que foi feito com paixão e precisão do início ao fim. Adquiriu status de "cult" entre os fãs do gênero com o tempo, mas não evitou os problemas que o grupo teve após a sua turnê de divulgação: demissão da Geffen, saída de Jim Kennedy, novo disco sem repercussão, saída de Danny, e por aí vai. Mas aí é pano pra outra manga.

No mais, "Don't Come Easy" está facilmente entre meus dez preferidos do Hard Rock. É um disco recomendadíssimo para qualquer momento: desde um passeio na praia com fones de ouvido até os mais íntimos momentos com o amor de sua vida!

PS: postagem dedicada ao [Meanstreet], meu "irmão" carioca e o principal responsável pela minha paixão a este álbum.

01. Forever Young
02. Wings
03. Burning Down Inside
04. Seasons
05. Standing Alone
06. Lay Your Body Down
07. Walk On Fire
08. Nothing But Love
09. Strip Me Down
10. Sail Away

Danny Vaughn - vocal, violão, gaita
Brooke St. James - guitarra, violão, cítara, backing vocals
Jimi Kennedy - baixo, backing vocals
Michael Clayton - bateria, percussão, backing vocals

(Links nos comentários - links on the comments)

by Silver

W.A.S.P. – Still Not Black Enough [1995]

Quando estive em São Paulo em novembro do ano passado para ver o Twisted Sister dei um pulinho na Galeria do Rock. A grana era curta – devia ter uns R$ 50 apenas –, mas dei a sorte de conseguir encontrar o meu disco preferido do W.A.S.P., importado, pela bagatela de R$ 20. Segunda mão, beleza, mas em excelente estado.

Lançado em junho de 95, Still Not Black Enough é o oitavo trabalho do W.A.S.P.. Este que seria o primeiro álbum solo do vocalista Blackie Lawless reúne basicamente canções que ficaram de fora do conceitual The Crimson Idol, de 92. Ou seja, aqui temos aquele line up de primeira, com Bob Kulick na guitarra e Frankie Banali na bateria.

Se por um lado o som de Still Not Black Enough possui um caráter menos progressivo que o de seu antecessor – as canções de The Crimson Idol em sua maioria ultrapassam os cinco minutos de duração –, por outro o clima das canções permanece pra lá de denso (algo que a própria capa já indica, reparem!). Blackie Lawless é um compositor de mão cheia. E aqui estão algumas de suas melhores letras.

A parte instrumental então nem se fala. O talento de Bob Kulick nas seis cordas é inversamente proporcional à quantidade de fios de cabelo em sua cabeça; o que ele tem de careca tem de criativo e virtuoso. Já Frankie Banali, o eterno baterista do Quiet Riot, consegue aliar força, precisão, técnica e versatilidade como poucos; com certeza um dos melhores músicos de sua geração.

A faixa-título abre o álbum com um refrão animal, digno de incendiar multidões ao vivo. Na seqüência, “Somebody to Love” rememora o hard rock que delineou o som da banda nos anos 80. Bem semelhante a faixa-título (basta ouvir os riffs principais de ambas as músicas), “Black Forever” retoma o caráter de revolta com Lawless caprichando nos rasgados.

A sombria “Scared to Death” é uma forte candidata à medalha de ouro do álbum. Letra pesada, pessimista, backing vocals femininos em tom de horror e Kulick tocando um solo de arrepiar. Só ouvindo mesmo para ter uma noção exata. Mas é em “Goodbye America” que Lawless destila todo seu ódio, principalmente contra o governo norte-americano. Ótima canção.

As principais surpresas na segunda metade do álbum ficam por conta das inusitadas (ao menos para o padrão W.A.S.P. – não achei definição melhor) “Keep Holding On”, “Breathe” e o hino “Rock and Roll to Death”. As duas primeiras, baladinhas no melhor estilo de “Forever Free” (clássico de The Headless Children, de 89) com violões e uma sensibilidade incomum, porém honesta. Já a segunda nos leva diretamente aos anos 60, um rock ‘n’ roll clássico nos moldes de Chuck Berry, só que com muito, mas MUITO mais ganho nas guitarras.

Propaganda feita, cabe a vocês decidirem se baixam ou não. Como eu disse no primeiro parágrafo, este aqui é o meu disco preferido do W.A.S.P.. Relembrando o mítico Seu Creysson: “este eu agarântio!”. E pra encerrar, uma lição fundamental, diretamente da letra de “Rock and Roll to Death”: “If rock and roll dies I’ll take my last breath / Rock and roll to death!”

01. Still Not Black Enough
02. Somebody to Love
03. Black Forever
04. Scared to Death
05. Goodbye America
06. Keep Holding On
07. Rock and Roll to Death
08. Breathe
09. I Can’t
10. No Way Out of Here

Blackie Lawless – Vocais; Backing Vocals; Guitarras; Baixo; Violões, Cítara; Piano, Órgão; Sintetizadores
Frankie Banali – Bateria
Bob Kulick – Guitarra
Stet Howland – Percussão em “Scared to Death”
Mark Josephson – Violino
Tracey Whitney & K.C. Calloway – Backing Vocals

LINK NOS COMENTÁRIOS
LINK ON THE COMMENTS

мєαиѕтяєєт

domingo, 30 de maio de 2010

Raimundos – Raimundos [1994]


É inegável que os Raimundos foram uma das maiores bandas brasileiras dos anos 90. A banda, que era formada por Digão (guitarra), Rodolfo (vocal, guitarra), Fred (bateria) e Canisso (baixo) assinou o contrato para o primeiro disco com o selo Banguela, dos Titãs. O disco é cheio de palavrões, sarcasmo e tem forte influência nordestina, o que levou a um relativo sucesso com a balada pornográfica “Selim”. O resto do disco não é diferente, todas as musicas tem um sarcasmo mínimo, as melhores, em minha opinião, são essas: "Puteiro em João Pessoa", "Palhas do Coqueiro", "Minha Cunhada", "Nega Jurema" (esta ganhou um vídeo clipe de produção precária, a pedido dos fãs), "Bê-a-Bá" e "Selim" (e nem por isso as outras são ruins, muito pelo contrário). “Raimundos” levou a banda a receber o primeiro disco de ouro, por cem mil copias vendidas (a primeira banda a conseguir um disco de ouro em uma independente). Os Raimundos ainda estão na ativa, agora com outra formação, não contando com o vocalista Rodolfo, que deixou a banda para se tornar protestante, em 2001, e sem Fred, baterista que saiu em 2007 e atualmente toca no Supergalo. Não deixe de conferir um dos melhores discos de rock nacional dos anos 90.

Track List:

01. Puteiro Em João Pessoa
02. Palhas do Coqueiro
03. MM's
04. Minha Cunhada
05. Rapante
06. Carro Forte
07. Nêga Jurema
08. Deixei De Fumar/Cana Caiana
09. Cajueiro/Rio Das Pedras
10. Bê a Ba
11. Bicharada
12. Marujo
13. Cintura Fina
14. Selim
15. Puteiro Em João Pessoa II
16. Selim Acústico

Line-Up:

Rodolfo – Vocal, guitarra
Digão - Guitarra
Fred - Bateria
Canisso – Baixo

LINK NOS COMENTÁRIOS
LINK ON THE COMMENTS


Pedro Frasson

Bai Bang – Are You Ready [2009]

Senhoras e senhores, com vocês o CD que mais tenho ouvido ultimamente! Faz mais de um ano que ele foi lançado, mas não faz nem um mês desde a primeira vez que o ouvi na íntegra. Are You Ready é o quinto álbum de estúdio dos suecos do Bai Bang. Na ativa desde o final dos anos 80, levou mais de duas décadas para que o grupo lançasse um trabalho absolutamente impecável.

O som é aquele típico hard melódico europeu, centrado em refrães marcantes – do tipo “pra eu e todo mundo cantar junto” –, com guitarras em primeiríssimo plano e backing vocals coesos na melhor escola do Van Halen. Ouvintes mais atentos notarão semelhanças com bandas como Gotthard, Sha-Boom – esta aqui inclusive já teve três canções regravadas pelo Bai Bang em Attitude (2000) –, The Poodles e Wig Wam entre outras.

“I Love the Things You Hate” abre o trabalho com uma pegada moderna que de cara me lembrou The Poodles. Riff perfeito, cowbell e uma letra estilo “só vim te comer”. Na seqüência, “Born to Rock” é outro som que me lembrou os cachorros da madame, provavelmente pelos vocais – por mais que as vozes não sejam em sua maioria parecidas, os vocalistas do hard escandinavo cantam de um jeito inconfundível. Mais adiante, a faixa título que em seus três minutos incorpora de tudo um pouco acaba soando como uma mistura de Bon Jovi e Gotthard atuais com Sha-Boom dos tempos de Let’s Party.

Primeira balada do álbum, “Only the Best Die Young” é outro dos destaques. Letra linda e uma melodia que me recordou “Bed of Roses”, sucesso da já citada banda do Jon. Irresistível. Além de possuir um dos melhores trabalhos de guitarra do álbum (riff fantástico!), “We’ve Come Alive” traz um ótimo refrão. À frente temos um momento quase sleaze na empolgante “Longtime Cumin’” e mais uma balada, “All the Little Things” (segundo meu amigo Adri, o refrão dessa aqui é Hanson puro). O encerramento é em clima de festa e fica por conta de “Bigtime Party” (o título já diz tudo, hehe).

O ano já é 2010, mas não custa nada incluir Are You Ready tardiamente na lista dos melhores de 2009. Até porque, ele merece! Nota 10 com louvor!

01. I Love the Things You Hate
02. Born to Rock
03. Party Queen
04. Are You Ready (I’m Ready)
05. Only the Best Die Young
06. We’ve Come Alive
07. Longtime Cumin’
08. Bad Boys
09. All the Little Things
10. Bigtime Party

Pelle Eliaz – Guitarra
Diddi Kastenholt – Vocais
Joacim Sandin – Baixo
Jonas Langebro – Bateria

LINK NOS COMENTÁRIOS
LINK ON THE COMMENTS

мєαиѕтяєєт

sábado, 29 de maio de 2010

Derek and the Dominos - Layla and Assorted Love Songs [1970]


Um cara perdidamente apaixonado pela a esposa do melhor amigo e que lutava contra tais sentimentos durante muito tempo, juntando a esta obsessão drogas e álcool. A paixão era tão avassaladora que para tentar esquecer o amor de sua vida, o mesmo tentou uma paixão com a irmã de sua amada, o que não resolveu em nada, pois não era com ela que ele gostaria de estar. Junte a isso a perca de um seus melhores amigos. Situação nada fácil não...

Nessa situação que o Slow hand se encontrava. Perdidamente apaixonado por Patty Boyd, que era esposa de George Harrison (sim aquele mesmo que você está pensando! rsrs), seu melhor amigo. E ainda com a perda de outro amigo e inspiração para ele, o grande Jimi Hendrix. Podemos dizer que Clapton estava realmente em um mato sem cachorro.

Ao invés de ficar resmungando, para nossa sorte, ele decidiu afogar as mágoas gravando um álbum. Juntando a line-up do projeto Delaney, Bonnie & Friends, projeto que ele participou após o fim do Blind Faith, e que tinha como integrantes Carl Radle no baixo e Jim Gordon na bateria, Clapton começa a fazer jams e tocar em pequenos bares na Inglaterra, apenas pela paixão de tocar e sem se identificarem para pequenas platéias.

Após este período tocando em pubs, a banda viaja para o outro lado do Atlântico, especificamente em Miami, para dar inicio a gravação de seu primeiro disco. Ao chegarem lá, se aperceberam de que tinham pouco material em mãos, estando entre esse material a magistral Layla, que ainda estava incompleta. Isto mudaria devido a intervenção de Tom Dowd, um produtor que já havia trabalhado com Clapton na época do Cream. O mesmo também era produtor do Allman Brothers, que tinha Duane Allman, profundo admirador de Clapton. Em dos intervalos das gravações do álbum, Dowd e Clapton foram conferir uma apresentação beneficente do Allman Brothers que estava ocorrendo na cidade, e ao observar a liderança e presença de palco de Duane, Clapton se fascina e após iniciar uma amizade com ele, ali mesmo no final do show, o convida para participar da gravação do disco que estava ocorrendo, o que foi aceito prontamente.

Duane Allman

Com esta formação que pode ser considerada a melhor que Clapton já trabalhou, somos brindados com uma maravilhosa obra de arte, um disco que transpira um amor proibido e feroz que dominava o coração de um homem obcecado por este. E podemos perceber isso já de cara com a música de abertura “I Looked Away”, em que Clapton já se entrega de cara com os versos: "E se parecer um pecado, amar a mulher de outro homem, baby, acho que vou continuar pecando, amá-la, Senhor, até meu último dia". Com certeza mais direto que isso é impossível.

Após esse início, temos 77 minutos de entrega e mais declarações descaradas de amor para sua amada Layla em canções extasiantes como na baladaça “Bell Bottom Blues”, na guitarristica “Keep On Growing”, onde temos Allman e Clapton inspiradíssimos, lembrando os melhores momentos do Allman Brothers. O blues, tão latente na veia de Clapton, aparece pela primeira vez na triste “Nobody Knows You When You're Down and Out”.

Mais não para por aí. Em “Key To The Highway” temos quase uma Jam, em que Allman e Clapton duelam em solos cheios de felling e bom gosto, em seus quase 10 minutos, onde não tem como não se emocionar com o pequeno show dado pelos dois. “Have You Ever Loved a Woman” é mais uma aula de blues, em que Clapton mais uma vez derrama seu coração e nos declama o seguinte: “Você já amou uma mulher, e você sabe que não pode deixá-la sozinha? Alguma coisa dentro de você, não te deixa arruinar a casa do seu melhor amigo”. Aqui podemos perceber o quanto o mesmo estava confuso sobre o que deveria fazer naquele momento. E temos uma homenagem emocionante ao seu recém-falecido amigo Jimi Hendrix em “Little Wing” que faz qualquer despreparado verter em lágrimas.


Mas com certeza o maior momento vem na inigualável “Layla” que é dedicada a Patty Boyd. Em seu início, já somos presenteados com um baita de um riff executado com maestria por Duane Allman, que nos prepara para sete minutos de emoção, onde temos mais uma declaração de amor desesperada de Clapton, em acordes explosivos em seu início, que depois se transforma em uma bela marcha nupcial em seu final apoteótico. Desafio não se emocionar e não sentir um frio na barriga ao escutar os belos solos transpostos ao piano, guitarra, baixo e bateria. Algo de fazer qualquer um mais desatento se emocionar e deixar aquela lágrima cair no cantinho do olho (confesso que ao fazer esta resenha a escutei pelo menos umas 5 vezes repetidamente, sempre que a escuto sinto a mesma emoção de quando a escutei pela primeira vez).

Para aqueles que acham que Eric Clapton se resume apenas a Tears in Heaven, corram e vejam porque o mesmo é aclamado um dos maiores guitarristas de todos os tempos.

EXTREMAMENTE RECOMENDADO! E COM LUGAR DE DESTAQUE EM SUA DISCOGRAFIA BÁSICA!


LINK NOS COMENTÁRIOS
LINK ON COMMENTS


1.I Looked Away
2.Bell Bottom Blues
3.Keep on Growing
4.Nobody Knows You When You're Down and Out
5.I Am Yours
6.Anyday
7.Key to the Highway
8.Tell the Truth
9.Why Does Love Got to Be So Sad
10.Have You Ever Loved a Woman
11.Little Wing
12.It's Too Late
13.Layla
14.Thorn Tree in the Garden


Eric Clapton - guitarra e vocal
Bobby Whitlock - órgão, piano, vocal e violão
Jim Gordon - bateria, percussão e piano
Carl Radle - baixo e percussão
Duane Allman - guitarra (faixas 4 a 14)



By Weschap Coverdale

Mötley Crüe - Theatre Of Pain + Bootleg [1985]


O Mötley Crüe é mais famoso pela vida polêmica que seus integrantes levavam do que pela sua música, em si. Mas nos anos 1980, o som dos caras recebia uma baita atenção, e eles eram considerados, por muitos, os principais representantes do famigerado movimento Hard Rock oitentista. E tudo começou, de verdade, a partir do álbum que trago-vos nessa postagem, com direito a uma bootleg (excelente, diga-se de passagem) da época.

Theatre Of Pain [1985]

Lançado em 21 de junho de 1985 pela Elektra Records (já está prestes a completar 25 anos de lançamento!), "Theatre Of Pain" vem de um contexto histórico no mínimo perturbado. Os integrantes se afundavam cada vez mais nas drogas, e o homicídio culposo do baterista Razzle (Hanoi Rocks) causado por um acidente de carro em que um Vince Neil bêbado era o motorista mostrou ao mundo que as coisas estavam não estavam indo para um bom caminho para os mötleys.

Talvez seja esse o motivo que justifica uma acentuada mudança do grupo, mas eu acredito que razões comerciais acarretaram tais mudanças. Logo de cara, já percebe-se que as coisas são diferentes em "Theatre Of Pain". A capa é a primeira a refletir isso - apesar do pentagrama invertido estar ali, firme e forte, a capa não era tão polêmica quanto suas antecessoras.

Seguindo a ordem natural das coisas (com o material em mãos, vê-se o encarte), percebe-se o vocalista Vince Neil mais colorido do que o normal. Na verdade, mais rosa do que o normal. O visual de motoqueiro sanguinário deu lugar a algo mais pimposo, o que, sim, já denota uma transformação. E apesar dos outros integrantes, no encarte, se apresentarem com roupas menos espalhafatosas, à medida em que se pesquisa imagens e vídeos da época é notável que também aderiram ao visual conhecido como "glam".

Foto do encarte

Certo, o Mötley sempre teve a intenção de chocar com o visual, e quem vos escreve não tem nada contra visuais espalhafatosos. Mas chocar dessa forma denota uma transformação no som também. Ironicamente, a banda estava crescendo bastante na época. Estaria a gravadora castrando os rapazes? A conclusão fica a cargo do ouvinte.

Enfim, ao disco. "Theatre Of Pain" segue o padrão de todos os lançamentos oitentistas do Mötley Crüe: pesado, bem composto, com ótimos refrães, riffs cortantes, solos com bastante destaque (vale ressaltar que mais do que nos antecessores), vocais poderosos e cozinha potente.

Mas, apesar da essência estar ali, o ouvinte não deve esperar algo que mantenha o peso dos antecessores, pois a orientação vai mais à influências do Glam Rock setentista, a-la New York Dolls (sempre), The Sweet e Slade. Pouco sobra da crueza do Punk e do Heavy Metal. E além do fator comercial, pode-se dar um pouco dessa mudança ao próprio Vince, que participou mais das composições melódicas das canções do que Tommy Lee e Mick Mars (já que Nikki Sixx compõe praticamente tudo da banda e, aqui, se responsabilizou por todas as letras e a maioria das melodias).


Com sinceridade, "Theatre Of Pain" não chega a ser um dos meus preferidos do Mötley Crüe, mas isso não faz que o mesmo deixe de ser um puta discão. Como eu disse, a essência está lá, apenas um pouco mais leve, com mais enfoque no Glam Rock e menos no Punk/Heavy Metal. Encontram-se, ao longo do play, verdadeiras pérolas como "City Boy Blues", "Raise Your Hands To Rock", "Louder Than Hell" e "Use It Our Lose It", além dos hits "Smokin' In The Boys' Room" (cover do Brownsville Station) e "Home Sweet home" (power-ballad que é o maior destaque do álbum).

E, bom, se a razão comercial estava lá, o leitor pode saber de antemão que os caras não falharam: "Theatre Of Pain" chegou ao 6° lugar das paradas norte-americanas e ao 36° das britânicas. A turnê, marcada como sempre pelos excessos, girou os Estados Unidos, o Canadá e a Europa por pouco mais de um ano, e foi bem rentável. Os hits citados no parágrafo anterior emplacaram e colaboraram para o aumento das vendas, sendo que, nos dias de hoje, já ultrapassou as 4 milhões de cópias vendidas apenas na terra do Tio Sam.

Se nos anos seguintes o Mötley Crüe se tornou a atração milionária, o verdadeiro início se deu em "Theatre Of Pain", um baita disco que merece a atenção de qualquer um que se diga fã de Rock.

PS: a versão dessa postagem é a remasterizada de 2003, com 6 bonustracks.

01. City Boy Blues
02. Smokin' In the Boys' Room
03. Louder Than Hell
04. Keep Your Eye On The Money
05. Home Sweet Home
06. Tonight (We Need A Lover)
07. Use It Or Lose It
08. Save Our Souls
09. Raise Your Hands To Rock
10. Fight For Your Rights

Bonustracks:
11. Home Sweet Home (Demo Version)
12. Smokin' In The Boys' Room (Alternate Guitar Solo-Rough Mix)
13. City Boy Blues (Demo Version)
14. Home Sweet Home (Instrumental Rough Mix)
15. Keep Your Eye On The Money (Demo Version)
16. Tommy's Drum Piece From Cherokee Studios

Vince Neil - vocal
Mick Mars - guitarra, violão, backing vocals
Nikki Sixx - baixo, teclados, backing vocals
Tommy Lee - bateria, percussão, piano, backing vocals

(Links nos comentários - links on the comments)


The Devil: Live In Fresno, CA [1985]

"The Devil" foi gravado em um show realizado na Selland Arena da cidade de Fresno, Califórnia, no dia 25 de novembro de 1985. A qualidade está muito boa, pois o áudio foi extraído da mesa de som.

Cronologicamente, esse concerto faz parte da turnê do sensacional "Theatre Of Pain", portando o repertório condiz com a data: pérolas extraídas dos três primeiros discos do Mötley Crüe, desde já indispensáveis como "Live Wire", "Looks That Kill" e "Shout At The Devil" até canções do disco da turnê, como "Home Sweet Home" (que se tornaria clássico e não sairia nunca mais dos repertórios), "Use It Or Lose It" e "City Boy Blues". Além disso, dois consagrados covers regravados pelo Mötley Crüe também figuram na setlist: "Helter Skelter" (The Beatles) e "Smokin' In The Boys' Room" (Brownsville Station)

A banda, como sempre, dispensa comentários. Até hoje não consigo compreender como Mick Mars segura tão bem como guitarra única, já que a grande parte das bandas de hard rock sempre contaram com duas guitarras. A dupla dinâmica Nikki Sixx e Tommy Lee, como sempre, mandam muito bem aqui. Vince Neil também me surpreende, pois o mesmo costuma defecar perante performances ao vivo, mas nessa não. Mais um motivo para conferir, caro leitor! (risos)

01. Looks That Kill
02. Too Young To Fall In Love
03. Shout At the Devil
04. City Boy Blues
05. Louder Than Hell
06. Knock 'Em Dead, Kid
07. Home Sweet Home
08. Live Wire
09. Smokin’ In the Boys’ Room
10. Helter Skelter
11. Use It Or Lose It

Vince Neil - vocal
Mick Mars - guitarra, backing vocals
Nikki Sixx - baixo, backing vocals
Tommy Lee - bateria, percussão, piano, backing vocals

(Links nos comentários - links on the comments)


by Silver

Aldo Nova - Aldo Nova [1981]


Ta afim de atormentar aqueles vizinhos velhos e chatos? Se o seu pai tem 45 anos e ta afim de reviver aqueles momentos de rebeldia e liberdade que ele tinha? Quer ouvir um som de qualidade?! Se as respostas foram sim, beleza, o download a seguir é capaz de fazer tudo isso!

É complicado falar sobre o trabalho do Aldo Nova, pois qualquer coisa que eu diga será no mínimo exagerada, afinal, sou usuário assíduo das suas músicas, principalmente o disco em questão, que faço questão de toda semana, as quintas-feiras a tarde colocar no meu toca discos, subir o volume no máximo e aproveitar as dedilhadas nervosas. Mas o que eu posso dizer para convencer você da qualidade musical do cara, é uma lista com alguns artistas com quem o mestre Aldo Nova já colaborou de alguma maneira: Blue Öyster Cult; Céline Dion; e um tal de Jon Bon Jovi.

Sobre o disco em si são só pontos positivos, afinal, tem como um disco cheio de clichês, teclados tipicamente oitentista, e um hard rock mesclado com pitadas de AOR ser ruim? Aldo aplica toda a sua habilidade de multi-instrumentista em músicas como ''Hot Love'', ''Heart To Heart'' que parecem ser feitas sob medidas para agitar uma boa festa, ou uma simples noite a dois. E ao mesmo tempo, com sua criatividade de compositor nato, ele nos lança as magníficas baladas: ''Ball And Chain''; ''Can't Stop Lovin' You'', e a minha faixa predileta do disco, ''You're My Love'', que estão sempre no tom para os momentos mais oportunos.

Sem dúvida um disco que agradará a todos, apesar de não ser um material tão reconhecido e sem tanto espaço na mídia, os que se arriscarem não se arrependerão! Então prepare a jaqueta de couro, o possante e mergulhe de cabeça nessa pepita nota 10!

1 - Fantasy
2 - Hot Love
3 - It's Too Late
4 - Ball And Chain
5 - Heart To Heart
6 - Foolin' Yourself
7 - Under The Gun
8 - You're My Love
9 - Can't Stop Lovin' You
10 - See The Light

Formação:
Aldo Nova - vocal, guitarras, baixo, teclados e sintetizadores
Michel Pelo, Roberto Biagioni - baixo
Michael LaChapelle - baquetas
Dennis Chartran - piano
Daniel Barbe - backing vocals



sueco

link nos comentários!
links on the comments!


Peter Frampton – Greatest Hits [1998]

Por mais que eu ache que uma coletânea honesta do Peter Frampton devesse incluir não apenas sua obra completa, reconheço que, das coletâneas disponíveis no mercado, este Greatest Hits é a melhor opção para quem desejar ficar restrito apenas aos clássicos do meu maior ídolo no mundo da música. Lançado pela A&M Records em 1998, Greatest Hits abrange os anos mais dourados da carreira de Frampton, e cada um dos álbuns lançados pelo mestre entre 72 e 79 é representado por pelo menos uma canção.

Assim como muitos CDs que possuem a difícil tarefa de compilar as principais canções lançadas por algum artista ou banda grande, este aqui peca por não listar as faixas em ordem cronológica. Felizmente, o encarte – que inclui um texto escrito por Elizabeth Kaye publicado na Rolling Stone de julho de 86 contando a trajetória do mestre – compensa informando aos ouvintes a procedência de cada faixa.

Primeiro álbum solo de Frampton, Wind of Change (72) comparece com “It’s a Plain Shame” (primeiro single) e “All I Want to Be (Is by Your Side” (tocada pelo mestre até hoje no formato acústico imortalizado em Frampton Comes Alive!). De Frampton’s Camel (73) apenas “Lines on My Face” foi incluída, o que é perfeito, visto que esta é de longe a minha favorita desse álbum.

Something’s Happening (74) cede, além de sua memorável faixa-título, a progressiva “I Wanna Go to the Sun” e todo o swing de “Doobie Wah”. Frampton (75), assim como Frampton’s Camel só possui uma representante, que é “I’ll Give You Money”. Do melhor disco de todos os tempos, Frampton Comes Alive! (76) foram extraídos os hits “Show Me the Way”, “Baby, I Love Your Way” e “Do You Feel Like We Do”, essa última, com 14 minutos de duração repletos de de efeito talkbox.

As quatro faixas restantes vêm diretamente dos injustiçados I’m in You (1977) e Where I Should Be (1979), este último, frequentemente apontado como o momento em que a carreira de Frampton começou a declinar. Destaque para a releitura de “Signed, Sealed, Delivered I’m Yours”, de Stevie Wonder.

A impressão que fica (para mim e eu espero que fique para vocês também) ao término das 14 faixas é de que a música de Peter Frampton é capaz de elevar a auto-estima de qualquer um. Até mesmo nas canções “tristes” você percebe aquele tom de “não desista”, “siga em frente” etc. É por essas e outras que eu o idolatro mais do que qualquer outro há quase uma década. Minha maior inspiração musical. Download obrigatório!

01. Show Me the Way
02. I Wanna Go to the Sun
03. It’s a Plain Shame
04. Lines on My Face
05. Baby (Somethin’s Happening)
06. Baby, I Love Your Way
07. All I Wanna Be (Is by Your Side)
08. (Putting My) Heart on the Line
09. Signed, Sealed, Delivered I’m Yours
10. I Can’t Stand It No More
11. Doobie Wah
12. I’ll Give You Money
13. I’m in You
14. Do You Feel Like We Do

LINK NOS COMENTÁRIOS
LINK ON THE COMMENTS

мєαиѕтяєєт

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Savatage - Streets [1991]


Após ter iniciado a sua trajetória com o pé enfiado no power metal, eis que a banda dos irmãos Oliva, iniciou a sua trajetória nas operas rock com o álbum "Gutter Ballet", após Jon Oliva ter assistido um espetáculo "O Fantasma da Ópera" e decidir que sua banda tomaria tal direcionamento no final dos anos 80. Mas eis que surge um texto do produtor e colaborador da banda Paul O' Neil que originalmente seria escrito para a Broadway, contando a história de um traficante de Nova Yorque, chamado de DT. Jesus, que consegue comprar uma guitarra e fazer algum sucesso, mas devido ao mesmo não dar valor aquilo que tinha e ter uma vida sem controle, acaba perdendo tudo. A história do mesmo encantou Jon Oliva, que para nossa sorte, ficou desejoso de gravar aquilo. E com um enredo espetacular, sendo talvez o mais sensacional dos álbuns conceituais feitos dentro do metal.


E eis que esta pepita é iniciada com a operística "Streets", onde o personagem nos dá sua própria perspectiva sombria sobre a cidade onde mora e que mesmo que tenha esperança sobre um mundo melhor, acha que apenas é uma ilusão, conforme declamado na letra: "Em algum lugar o sol brilha, Em algum lugar a luz é gentil, Em algum lugar eles procuram o dia, Em algum lugar não há cenário, Em algum lugar o ar é limpo, Mas este algum lugar é muito distante", o que nos explica a sua própria falta de comprometimento consigo mesmo.

O principal destaque deste album. Criss Oliva!

Os riffs hipnotizadores de Criss Oliva em "Jesus Saves", nos apresentada o personagem, e sua rápida ascensão é contada, assim como sua rápida queda devido à falta de comprometimento e vida enfiada nas drogas e o mesmo some completamente da cena: "Foi visto pela última vez bebendo vinho, Sob um sinal brilhante, Prometendo salvação à latas". A atuação de Criss Oliva tanto nesta música como no resto de todo o álbum é algo de assustar, devido o bom gosto do mesmo tantos nos solos como nos riffs, onde todo seu feeling é transposto, devido à dramaticidade da história que nos é contada.

"Tonight He Grins Again" é a primeira de uma das baladas do álbum, que por sinal são arrebatadoras e aparecem em grande número, pois nos é contada uma história triste e as baladas servem para os momentos de reflexão do personagem, onde nessa, por exemplo, é explorada a solidão de DT Jesus, e onde o mesmo reconhece que isso ocorreu por sua própria culpa: "Mais uma vez eu banquei o palhaço, Usei meus amigos para decepcioná-los, Ando pelas ruas apenas observando", e que por mais que tente, ninguém parece estar mais ao seu lado.

A maravilhosa "Strange Reality" é uma grandiosa pancada nos nossos ouvidos, com atuação soberba de toda banda, onde o personagem encontra um músico conhecido na sarjeta e vê que sua história é parecidíssima com a deste músico abandonado, e que necessita mudar, pois seu fim pode ser igual àquele que ele menos deseja. Somos presenteados com mais uma bela balada, "A Little To Far", apenas com piano e voz de Jon Oliva, onde dessa vez DT Jesus viu que foi longe de mais e que deveria voltar atrás de seus atos irresponsáveis e ainda conclui os perigos da fama repentina: "Quando tudo que você toca torna-se ouro, Isto pode te derrubar, Pode fazer você envelhecer" e de quão vazio aquilo era: "Vivendo mentiras baseadas em momentos, Mas de algum modo alcançando as estrelas, Eu acho que fomos um pouco longe demais". Linda balada e letra, perfeita para momentos em que tiramos para refletir na vida e ver se aquilo que realmente fizemos valeu a pena.

"You're Alive" mostra DT retornando para a cena musical, mesmo com a imprensa duvidando do mesmo, dizendo que não iria durar, mas atiçando a curiosidade dos fãs, querendo saber como ele retornaria após o sumiço. Mas é lembrando que em uma hora na vida, somos cobrados pelo erro do passado: "Mas em algum lugar no tempo, Nós todos pagamos, Pelo passado". Em "Sammy And Tex", dessa vez escutamos um hard rock energético, com mais solos de Criss Oliva e na história temos Sammy, um traficante para o qual D.T. devia grande quantia de dinheiro, vindo fazer a cobrança e que durante a discussão mata Tex, um amigo de D.T. e foge com medo de ser morto.

Mais uma vez nos apresentando uma balada, "St. Patrick's" nos mostra um D.T. arrasado com a morte de seu amigo e suplicando a Deus o porque de tudo aquilo acontecer e questionando o porque de tanto sofrimento e pedindo que ele lhe desse ajuda, pois ele estava farto de conversar com estátuas, e queria uma resposta Dele, de como agir naquela situação: "Você diz que devemos pagar dívidas, Mas eu ainda estou confuso, Eu preciso andar, E conversar com Você, Ao invés de conversar com estátuas".


A sombria "Can You Hear Me Now" tem um dos refrões mais marcantes de toda a carreira do Savatage, onde nos é mostrado o primeiro de vários diálogos de D.T. atrás de respostas, conversando com um desconhecido procurando respostas as suas perguntas, mas não as encontrando. "New York City Mean Nothing" dessa vez com um mendigo, onde ele dá alguns conselhos de como não cair no mesmo caminho que ele caiu.

Mais um diálogo de D.T, em "Ghost In The Ruins", dessa vez com um cafetão, em mais uma grandiosa ópera rock, que esperava ter um grande futuro, mas que provavelmente o estragou vendendo sonhos de outras pessoas: "Mas a quem estou enganando, Eu sou o rei das ruínas, Mas eu estou bem esta noite, Eu tenho sonhos para vender esta noite".

Após temos mais uma bela balada, mostrando o dom que o Savatage tem para músicas para músicas sentimentais em "If I Go Away", onde é questionado os rumos que tomamos na vida e se temos a oportunidade de recomeçar onde não teremos fantasmas do passado a nos rodear: "Me diga então, Onde eu posso ir, Onde não saberão, Quem eu fui, Podemos começar de novo?". Pelo conteúdo da letra, este pode ser um diálogo com a garota que foi apresentada pelo cafetão na música anterior.

A próxima faixa nos remete ao Savatage da fase power metal em "Agony And Ecstasy", onde aqui temos explícito que o diálogo dessa vez é com um traficante, que não mostra remorso nenhum com o que faz para as pessoas: "Ouça D.T., você não pode ver, Fique comigo e você será livre, Mesmo que eu acalme sua alma, Eu te destruo e te envelheço, Você simplesmente continua voltando, Para comprar outro pacote", o que não é diferente do que acontece na vida real.

E para finalizar, mais três baladas tocantes. Iniciando a trinca temos mais uma vez Jon Oliva com apenas seu piano em "Heal My Soul" em D.T. mais uma vez suplica ajuda a Deus e que cure sua alma de toda dor e sofrimento que viveu e que foi obrigado a ver nos diálogos com outras pessoas: "Pai, ouça-me, Eu estou cansado, Devo eu acordar, Em tua casa?, Segure-me mais perto, Eu estou tentando, Doce senhor Jesus, Cure minha alma". Mais uma vez, D.T. buscava redenção para si mesmo.

Em "Somewhere In Time", D.T. percebe que as repostas vão surgindo gradualmente em sua vida, que nem sempre vem na hora em que se mais deseja, mas que na hora me que se mais necessita, elas parecem: "Se Deus está perdoando gentilmente, Talvez nós encontraremos nossas respostas, Em algum lugar do tempo".

E finalizando a trinca e fechando com chave de ouro este grande álbum temos a bela e emotiva "Believe". A mesma é a resposta de Deus a todas as perguntas de D.T. e falando que a única coisa que D.T. deveria fazer era acreditar Nele. Uma balada espetacular, talvez a mais bela de toda a carreira do Savatage e da história do metal, onde o feeling de Criss Oliva mais uma vez é exposto e a atuação de toda a banda é suprema, gerando uma música única.

Após esse magistral álbum, eles ainda soltariam outros belos discos como Edge of Thorns e o Handful of Rain, mais Streets deixou o nome da banda eternizado dentro dentre os apreciadores do rock e metal para sempre. Um álbum carregado de emoções e experiências. Desafio a não se arrepiar escutando ao mesmo com as suas letras atentamente. Imperdível!

LINK NOS COMENTÁRIOS
LINK ON COMMENTS

01.Streets
02.Jesus Saves
03.Tonight He Grins Again
04.Strange Reality
05.A Little Too Far
06.You're Alive
07.Sammy and Tex
08.St. Patrick's
09.Can You Hear Me Now
10.New York City Don't Mean Nothing
11.Ghost in the Ruins
12.If I Go Away
13.Agony and Ecstasy
14.Heal My Soul
15.Somewhere in Time
16.Believe

Jon Oliva – Vocais, piano
Criss Oliva – Guitarras
Steve Wacholz – Bateria
Johnny Lee Middleton – Baixo


by Weschap Coverdale

Darxon – No Thrills [1987]

Conheci isto aqui graças aos downloads gratuitos (free mp3s) oferecidos semanalmente pelo Last.fm. Confesso que esta foi a primeira banda que conheci assim que realmente gostei. Que tal conhece-la também?

Criado em Dortmund em 1983 pelo vocalista Massimo de Matteis, o Darxon foi um dos pioneiros do Heavy Metal alemão. Seu primeiro álbum, Killed in Action, data de 1984. Um ano depois, o EP Tokyo fecharia o ciclo da formação original da banda, que mudou todos (!) os seus integrantes, com exceção de seu fundador, logo em seguida.

O novo Darxon, em minha opinião melhor que o original, contava com dois guitarristas em vez de um só. E é preciso destacar o quanto isso influenciou no som da banda. Wolla (Wolfgang Bohm) e Micky (Michael Hebestadt) fazem uma dupla e tanto que, infelizmente, só permaneceu junta neste No Thrills.

Depois de uma breve abertura com cara de tema de super herói da TV, a arrasa-quarteirões “Banging” vem com tudo, no melhor estilo Accept. Aliás, a banda de Udo Dirkschneider é sem dúvidas a principal influência do grupo, o que talvez justifique o baixinho com voz de Pato Donald ter escolhido Wolla para acompanhá-lo em parte de sua carreira solo.

O primeiro momento do álbum em que a emoção fala mais alto é a balada “Hungry”, que traz um excelente desempenho de de Matteis –a despeito de não ter um vozeirão imponente, o vocalista compensa com interpretações impecáveis ao longo do play – e um solo curto, porém, belíssimo.

Eis que chega a hora de todo mundo cantar junto no rockão “We Rock The Nation”, que possui talvez o melhor refrão do álbum. Mais adiante a melódica “Deep In The Night” e outra balada, “Don’t Give Up” (ótimo refrão também) mantêm o nível no alto. O encerramento fica por conta da faixa-título, e mais uma vez os talentos de Wolla, Micky e de Matteis são o grande atrativo.

No Thrills é o registro histórico do Darxon em sua melhor época. Imperdível!

01. Intro (First Theme)
02. Banging
03. Heartbreaker
04. Place Where I Belong
05. Hungry
06. We Rock The Nation (Cat Bizz)
07. Holding On
08. Deep In The Night
09. Don't Give Up
10. No Thrills

Massimo de Matteis – Vocais
Wolfgang “Wolla” Böhm – Guitarra
Michael “Micky” Hebestadt – Guitarra
Thomas 'Bodo' Smuszynski – Baixo
Ingo Plaß – Bateria

LINK NOS COMENTÁRIOS
LINK ON THE COMMENTS

мєαиѕтяєєт

Kiss - Love Gun [1977]


O Kiss não foi uma banda que começou grande e que estourou logo com seu debut: os caras realmente ralaram para que, de 1976 a 1978, chegassem ao patamar de "maior banda do mundo" naquele momento. E a afirmativa de que o sexto álbum de sua carreira representa o auge é perfeitamente cabível.

Gravado nos estúdios Record Plant durante o mês de maio e com a produção do monstro Eddie Kramer, "Love Gun" seguiu a forma de se fazer Rock que o Kiss estabelecia desde o início, mas de um jeito cada vez mais potente. A sonoridade de "Love Gun" é bem única e interessante, e tudo soa bastante espontâneo, afinal, eram os quatro caras e só, com a generosa participação e influência de Kramer, principal responsável pela extração de tanta espontaneidade.

A patifaria tem início com uma das canções mais renegadas do Kiss, na minha opinião: "I Stole Your Love" recebeu pouca atenção ao vivo, injustamente, sendo tocada em poucas turnês. Além do riff fantástico de guitarra que permeia o andamento da faixa, tem-se os vocais maravilhosos de Paul Stanley (cada vez melhores), cozinha fantástica (dá-lhe Criss), pegada forte e belos solos de guitarra, com destaque às frases da primeira parte do solo, tocadas por Stanley.

"Christine Sixteen", genuína composição de Gene Simmons, foi o maior sucesso do disco em relação aos singles: atingiu o 25° lugar nas paradas americanas, 22° nas canadenses e 46° nas alemãs. Rock divertido, digno de anos 1970, com uma levada gostosa e bom instrumental. Pode ser resumida em um encontro entre o som de Jerry Lee Lewis e The Rolling Stones. Vale ressaltar que teve o solo composto por Eddie Van Halen (ele e seu irmão, Alex, até então desconhecidos, tocaram na demo e Ace manteve o solo na gravação). "Got Love For Sale" mantém a pegada de sua antecessora, com um ótimo riff de guitarra e agradáveis vocais de Simmons.


Em seguida, um dos maiores destaques. "Shock Me", a primeira música onde o guitarrista Ace Frehley assume os vocais principais, foi inspirada num acidente ocorrido em Lakeland, Flórida, quando o Spaceman foi eletrocutado e atrasou o show em 30 minutos. Além de contar com seus vocais (que tiveram de ser feitos com Frehley deitado e com as luzes apagadas pois estava nervoso), tem um dos melhores solos da história do Kiss, riffs e linhas de bateria cavalares e ótimos backing vocals de Paul e Gene.

"Tomorrow And Tonight", segundo Paul Stanley, foi composta na tentativa de se fazer uma nova "Rock And Roll All Nite". Apesar de não ter chegado a isso, é uma ótima música, simples e certeira, com um refrão chiclete e um digno solo de mr. Frehley. Curiosamente, nos backing vocals, tem-se a presença de Ray Simpson, que três anos depois substituiria Victor Willis no Village People (risos).

A faixa-título, sem dúvidas, é a melhor do álbum. Permanece, desde seu lançamento até os dias de hoje, como ato imprescindível dos repertórios do Kiss. Paul Stanley dá um show à parte na guitarra, no baixo e nos poderosos vocais, enquanto Ace Frehley faz outro solo antológico e um Peter Criss inspiradíssimo cria uma de suas melhores linhas de bateria, assemelhando suas batidas iniciais na caixa (repetidas ao longo da canção) aos tiros de uma pistola.

E por falar em Peter, "Hooligan" chega em seguida para manter o clima de paulada. Fora composta por Criss e Stan Penridge, juntamente de uma música chamada "Love Bite", mas apenas "Hooligan" esteve na versão final do play. Paul e Gene dão uma boa base para que Peter e Ace brilhem nessa canção, tanto Peter com seus vocais rasgadíssimos e sua bateria bem tocada quanto Ace e suas excelentes frases de guitarra, que praticamente choram ao longo da canção.

"Almost Human", composta e cantada por Simmons, deixa um clima misterioso, mas sem perder o charme do som do Kiss. Sua letra foi inspirada por histórias de lobisomem e o andamento da canção é bom, apesar de estar longe das melhores do play.


"Plaster Caster" é uma das mais interessantes de todo o play, justamente pelo contexto histórico da mulher que inspirou a composição. Cynthia Plaster Caster foi uma groupie de vários artistas de Rock que moldava seus pênis em gesso. Entre as "vítimas", Frank Zappa e Jimi Hendrix, sendo este o primeiro cliente da artista. Hoje em dia, Cynthia cessou da tietagem mas continua com a arte, também investindo em seios de mulheres. Sobre a música, tem-se mais um Rock genuinamente "simmons", com uma ótima levada e um dos melhores refrães do disco. Vale destacar a versão que a canção ganhou no "Unplugged MTV", gravado 18 anos após "Love Gun".

Por fim, uma versão para "Then She Kissed Me" do The Crystals completamente dispensável. O Kiss ia gravar uma versão de "Jailhouse Rock", clássico do Elvis Presley, para completar as dez faixas do play, mas sabe-se lá porque desistiram da ideia e gravaram essa péssima canção, que representa o único ponto baixo do disco. Ironicamente, Presley faleceu menos de um mês após o lançamento do disco, em 16 de agosto de 1977 (o lançamento se deu em 30 de junho).

Infelizmente, "Love Gun" é o último álbum com a formação original da banda, pois os sucessores, apesar de terem Peter Criss na capa, só contam com o ar da graça de suas baquetas em três canções: "Dirty Livin'" ("Dynasty"), "You Wanted The Best" e "Into The Void" (ambas do "Psycho Circus").

Mas diga-se de passagem: essa foi uma despedida honrosa. Além de ter chegado ao topo das paradas de vários países como Estados Unidos (4°), Japão (2°) e Canadá (3°), bateu o primeiro milhão de cópias vendidas apenas na terra do Tio Sam em um dia (!), adquirindo disco de platina logo de cara - hoje já deve estar chegando aos 2 milhões de exemplares vendidos.

A turnê girou por vários locais do mundo, teve o "Alive II" como resultado e contou com maior investimento em merchandising da banda (incluindo um card com uma pistola de brinquedo no encarte do disco). Estima-se que o quarteto tenha movimentado 100 milhões de dólares entre 1977 e 1979, considerando tanto os produtos da marca "Kiss" quanto os lucros gerados na estrada.

Pistola promocional presente no encarte do álbum

No mais, "Love Gun" é um clássico imponente. Quem já ouviu, sabe que esse disco é incrível. Quem não ouviu, perdeu tempo e precisa tirar o atraso já!

01. I Stole Your Love
02. Christine Sixteen
03. Got Love For Sale
04. Shock Me
05. Tomorrow And Tonight
06. Love Gun
07. Hooligan
08. Almost Human
09. Plaster Caster
10. Then She Kissed Me (The Crystals cover)

Paul Stanley - vocal em 1, 5, 6 e 10, guitarra base, guitarra solo em 1 (primeiro solo) e 10, baixo em 6, backing vocals
Gene Simmons - vocal em 2, 3, 8 e 9, baixo, guitarra base em 2, 8 e 9, backing vocals
Ace Frehley - vocal em 4, guitarra solo, backing vocals
Peter Criss - vocal em 7, bateria, percussão, backing vocals

Músicos adicionais:
Eddie Kramer - piano em 2
Jimmi Maelin - congas em 8
The KISSettes (Tasha Thomas, Ray Simpson e Hilda Harris) - backing vocals em 5 e 10


(Links nos comentários - links on the comments)

by Silver

Rainbow - Rising [1976]


Depois de colocar o pé fora do estúdio ao final da gravação do primeiro disco do Rainbow, Ritchie Blackmore olhou de soslaio e deu a mão à palmatória. Mesmo a contragosto, já tinha certeza de que o Elf “roubado” e transformado em sua banda solo não correspondia exatamente ao tipo de canalhas que o mago desejava consigo em cima do palco. À exceção de Ronnie James Dio, os blueseiros colegas do cantor que o acompanhavam no primeiro registro oficial não pareciam imbuídos do exato espírito que Blackmore pretendia ao seu novo projeto. Não que não fossem competentes, mas lhes faltava alguma galhardia. Então começou a caça.

Que não demorou demais, enfim. Em rápidas pesquisas, o guitarrista sacou três músicos que tinham a mão mais pesada que bigornas e soube que ali teria fiéis escudeiros para, acima de tudo, ser enfim a grande estrela: Cozy Powell (bateria), Jimmy Bain (baixo) e Tony Carey (teclados). Estava feita a formação clássica do Rainbow para a primeira turnê da banda, que em 1975/ 76 varreu amplamente Europa e Estados Unidos com uma agressividade inédita a bordo de temas fantasiosos e que permitiam amplamente a improvisação instrumental.

Tão logo desceram de cima da pilha de corpos de fãs atônitos e destruídos pela majestosidade da banda ao fim da gira, os quatro sabiam que deviam, rapidamente, registrar um novo disco. Afinal, não era fácil se manter íntegro como grupo ao lado do gênio terrível de Ritchie. Por outro lado, sabiam que o entrosamento e a ebulição que o grupo carregava consigo eram inéditos e incontroláveis. Algo assim só poderia canalizar uma obra-prima. Absolutamente, o disco definitivo de rock pesado a inaugurar uma categoria diferente no gênero. Uma mudança apenas comparável ao primeiro disco do Black Sabbath. Este é “Rising”, o segundo álbum do Rainbow.

A urgência da banda era tanta que há apenas seis faixas nos dois lados da gravação. Pouco mais de meia hora de tamanha competência e inspiração que, ao final do play, é impossível não lamentar a inexistência de outras canções, o que chega a irritar. O estilo de execução e composição de Blackmore estão em sua fase mais pesada de toda a carreira. Com um pensamento e reação física rápidos, o mestre comete alguns de seus solos mais rápidos com os riffs mais alucinantes que pôde tirar da cartola desde “Burn”. A intenção de explodir cabeças já está impressa na primeira faixa, “Tarot Woman”, que é completada com as letras de Dio sobre as incertezas do futuro, o que mantém um permanente clima soturno e amedrontador. Algo que seria reciclado à exaustão no metal até os dias atuais.

Mais atenção ainda chamam os músicos “de aluguel” de Blackmore. Em sua intenção de aparecer sozinho diante de uma banda apenas competente e compreensiva, o patrão acaba sendo (no bom sentido) “enganado” por seus asseclas, que são tão bons a ponto de se equipararem a ele em genialidade. Só quem tem a ganhar com isso é o ouvinte. O destaque maior, tanto quanto o majestoso Dio e o endiabrado Blackmore, fica para Cozy Powell. O ataque da bateria é tão incomparavelmente brutal que não seria exagero dizer que, neste disco, “The Hammer” definiu as premissas da percussão do metal melódico. Análise que pode ser fechada em definitivo diante da audição de “Stargazer”. A fantasia, o peso e a agressividade da faixa são a síntese do heavy metal, aula que é proibida aos headbangers perder na escola do rock. Ao final do disco, “A Light In The Black” termina de arrasar o quarteirão com uma performance inesquecível digna de troféu e comemoração de gol.

Não à toa, Blackmore, Dio e Cia Ltda demoliram, durante a nova turnê, incontáveis arenas de shows mundo afora. Uma formação tão inacreditavelmente boa que, olhando para trás, mal se pode acreditar que foi reunida sem pretensões menos que divinas.

01. Tarot Woman
02. Run With The Wolf
03. Starstruck
04. Do You Close Your Eyes
05. Stargazer
06. A Light In The Black

Ritchie Blackmore – Guitarras
Ronnie James Dio – Vocais
Jimmy Bain – baixo
Tony Carey – Teclados
Cozy Powell – Bateria

LINK NOS COMENTÁRIOS
LINK ON COMMENTS


Um oferecimento de ZoSo

London Philharmonic Orchestra - Kashmir: The Symphonic Led Zeppelin [1997]


Se existe algo que caracteriza o rock, é o instrumento elétrico e alto. O que seria da história do estilo sem o peso dos acordes distorcidos da guitarra e do baixo sonoro acompanhados da bateria ensurdecedora? São esses três instrumentos que simbolizam toda a atitude que o gênero prega.

E é por isso que Jaz Coleman aceitou uma missão quase impossível ao decidir arranjar canções de nada menos que o Led Zeppelin para a Orquestra Filarmônica de Londres. Ora, todos sabemos que o Led é uma das bandas mais representativas, influentes e barulhentas do rock. Então, como transformar o que é feito para a guitarra em algo tocado por um violino? Como adaptar a música tão visceral, gritante e furiosa da banda de Jimmy Page para algo executável por uma orquestra de mais de 100 músicos, sem tirar toda a espontaneidade e criar algo artificial que não honra as versões originais?

Imagino que só com muito conhecimento musical. Afinal, Jaz Coleman realmente conseguiu. O compositor estudou em vários colégios e internatos musicais, é multiinstrumentista e vocalista da banda de pós-punk Killing Joke. Além do álbum que posto hoje, ele também arranjou Us And Them: Symphonic Pink Floyd, Riders on the Storm: The Doors Concerto e Symphonic Music of the Rolling Stones.

Jaz Coleman

Para a execução, a majestosa Orquestra Filarmônica de Londres, regida pelo maestro Peter Scholes.

O que posso dizer desse play? Simplesmente fantástico, surreal, perfeito no que se propõe. No disco temos clássicos do Led Zeppelin e do rock em si, interpretados de maneira inacreditável pela orquestra, gerando algo novo, mas que cria a sensação de que essas músicas foram feitas para ser tocadas também por violinos, violoncelos, flautas e toda a infinidade de instrumentos que aqui ouvimos.

Uma abertura com certo espírito oriental abre as portas para uma versão surpreendente de Kashmir. Aqui, e no resto do play, os lendários vocais de Robert Plant são substituídos por suaves violinos, tocados como solo pelo primeiro violinista, abaixo apenas do maestro na hierarquia de uma orquestra. Com certeza Kashmir é o grande destaque do álbum, com seu antológico riff abrindo espaço para o explosivo trecho melódico, que os músicos souberam deixar ainda mais marcante.

Outro ponto alto é a maravilhosa The Battle of Evermore, que ganha gaitas-de-fole e assim mergulha ainda mais fundo no clima "Tolkiano". Linda interpretação com a cara de Robert Plant, que provavelmente adoraria ouví-la lendo O Hobbit.

A histórica Stairway to Heaven beira a perfeição, trazendo uma aplaudível leitura do solo de guitarra. When the Levee Breaks carrega a mesma energia vibrante da versão orginal, com destaque para os instrumentos de percussão. Going to California é campo para diversas criações instrumentais originais, que se encaixam perfeitamente com os elementos da música. Friends é outra que puxa a mesma proposta que os compositores buscaram, sendo bastante caótica e sombria. All My Love segue a mesma linha de Going to California, com muita coisa nova produzida pela orquestra.

A Orquestra

Enfim, o play é emocionante, forte, envolvente, uma peça rara de música. As cordas, os metais, as madeiras criam novos contrastes, novas visões, novos sentimentos nessas faixas que tanto conhecemos. Jaz Coleman aceitou a complicada tarefa de trazer tudo o que o rock e o Led Zeppelin representam para uma orquestra, e a executou muito bem.

Termino essa resenha dizendo que, muito provavelmente, quando você terminar de ouvir o disco, terá os mesmos pensamentos que eu: "Meu Deus, até onde foi a musicalidade do Led Zeppelin?". E é exatamente isso que fica muito claro com esse álbum: Sir Jimmy Page, Robert Plant, John Paul Jones e John Bonham fizeram nada menos que arte. A interpretação da Orquestra Filarmônica de Londres nos dá a idéia de que se Mozart, Bach e Beethoven foram os grandes mestres do século XIII e da música erudita, o século XX e sua música também tiveram seus gênios. Garanto que qualquer um que ouve esse álbum pode vislumbrar tudo isso, e convido você, visitante da Combe, a experimentar essas sensações.

01. Down at the Great Pyramid
02. Kashmir
03. The Battle of Evermore
04. Stairway to Heaven
05. When the Levee Breaks
06. Going to California
07. Friends
08. All My Love
09. Kulu Valley (ambient remix)

Cordas, metais, madeiras, instrumentos de percussão e teclas - Orquestra Filarmônica de Londres
Peter Scholes - regência
Jaz Coleman - arranjos

LINKS NOS COMENTÁRIOS
LINKS ON THE COMMENTS

Jp