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segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Darkseed - Diving Into Darkness [2000]


Pela parte gráfica é possível deduzir que o grupo possui características sonoras sombrias e eletrônicas. E é exatamente isto que o Darkseed faz; uma união perfeita dos elementos de Darkwave, Industrial Metal, Gothic Rock e Gothic Metal. Sintetizadores e passagens lentas na veia do Depeche Mode, riffs e vocais agressivos indo na escola do Crematory e Samael (pós-Passage), linhas de vocais limpos parecidas com as de Johan Edlund do Tiamat (em especial na fase Skeleton Skeletron) e ritmos fortemente influenciados pelo Rammstein.

Mas nem sempre foi assim. O Darkseed iniciou sua carreira fazendo Death Metal e quando começou a lançar discos oficiais mudou sua sonoridade para o Heavy Metal com riffs muito pesados e passagens que chegavam a lembrar até Metallica, além de alguns flertes com os gêneros adotados posteriormente. No terceiro full-lenght, Give Me Light, a banda tomou novos rumos e começou a moldar um estilo muito interessante que só foi definido no quarto álbum intitulado Diving Into Darkness, onde conseguiram deixar transparecer suas reais influências.

Não tem como reclamar da falta de originalidade quando sentimos alguns dos conjuntos citados anteriormente numa mesma música. Como, por exemplo, o incrível resultado atingido em "Counting Moments", que chega a arrepiar devido a junção perfeita de Depeche Mode e Tiamat. Na minha predileta, "Forever Darkness", o que mais encanta é a variação vocal muito bem equilibrada, chegando a parecer que Stefan está fazendo duetos com outros vocalistas. E essa versatilidade de vozes que culmina num refrão contagiante também surge com grande destaque em "Downwards".



Aumentando o leque de referências, "I Deny You" mistura Gothic Metal com toques de Metal Alternativo. A maioria das canções, devido a diversificação de abordagens, é mais agitada que o normal, em se tratando do estilo adotado. No entanto, o típico clima desolador se faz presente de maneira mais acentuada em alguns momentos como em "Autumn", e ainda assim mantém o nível esmerado das outras composições. O restante do trabalho confirma que o Darkseed não só mergulha na escuridão, como também a explora através dos gêneros concebidos pra venerá-la.

Por sempre buscar novos caminhos, é evidente que os trabalhos posteriores apresentem grandes diferenças em relação a este. A influência de Rammstein ficou ainda mais clara e o aspecto eletrônico foi elevado. Pra quem quer conhecer melhor os segmentos darks, mas não quer ter o trabalho de ir atrás de vários discos das diversas vertentes, aqui está tudo sintetizado com as características elementares dos principais representantes. E se não fosse o Gothic predominante, seria o melhor exemplar da Neue Deutsche Härte.

01 - Forever Darkness
02 - I Deny You
03 - Counting Moments
04 - Can't Find You
05 - Autumn
06 - Rain
07 - Hopelessness
08 - Left Alone
09 - Downwards
10 - Cold Under Water
11 - Many Wills

Stefan Hertrich - vocals, guitars, bass, electronics
Thomas Herrmann - guitars
Tom Gilcher - guitars

Guest Musician:
Willi Wurm - drums

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Dragztripztar

Bryan Adams - Reckless [1984]



Bryan Adams notabilizou sua carreira durante os anos 80 com baladas açucaradas que se tornaram marca registrada durante toda sua carreira, o que pode fazer com que os passageiros presentes se perguntem nesse momento o que um disco dele está fazendo por aqui. Mas para quem conhece a carreira desse referido canadense, sabe que no ano de 1984 ele gravou um grande e memorável disco de rock n' roll, o divertido e grudento "Reckless", o qual estou postando por aqui neste momento.

Até neste momento, Adams já havia lançado três discos, sendo que o maior sucesso veio com a canção "Straight From The Heart" que alcançou o décimo lugar na Billboard, e levou o seu terceiro disco a um oitavo lugar entre os mais vendidos em 1983. Mas a consagração de sua carreira viria no ano seguinte, quando durante a extensa turnê do disco "Cuts Like a Knife", ele entra em estúdio de maneira esporadicamente, para a gravação das canções de seu novo disco, o que ocorreu de março até agosto de 1984.

O lançamento do primeiro single ocorreu com "Run To You", que já explodiu e alavancou a venda do disco de maneira meteórica. Desde seu lançamento, o disco alcançou a venda de mais de 13 milhões de cópias em todo o mundo, emplacou três canções no top 10 americano (com "Heaven" alcançando o topo das paradas) e de quebra ainda chegou ao primeiro lugar entre os discos mais vendidos tanto nos Estados Unidos como no Canadá. Números que por si só dizem o quanto esse disco é representativo na carreira de Adams, sendo seu disco mais vendido até hoje.



E esse como já citado, é o disco mais roqueiro da carreira de Adams. Músicas grudentas e melódicas e que seguem da melhor maneira possível a cartilha do AOR e com um climão alegre, capazes de levantar um defunto, em que a parceria de Bryan Adams com Jim Valence nas composições se mostrou bem produtiva e praticamente perfeita. A primeira metade do disco mostra o ótimo resultado, com músicas que foram feitas para estourarem nas FMs mundiais daquela época. "One Night Affair" já começa tudo de maneira bem melódica e era uma canção pronta para explodir em qualquer rádio, devido o seu grande potencial radiofônico, que continua a ser apresentado na alegre "She's Only Happy When She's Dancin'".

"Run To You" é outro grande momento desse, que mais uma vez é um AOR dos bons. A baladona "Heaven" tá em tudo que é coletânea de balada que você possa conhecer, uma baita power ballad e que é um dos maiores sucessos da carreira de Adams. Ainda como destaques aponto a maravilhosa e mais uma vez cheia de alegria "Summer of '69", "It's Only Love" com a participação de Tina Turner com seu vozeirão e a acelerada "Ain't Gonna Cry" que encerra o disco em alta velocidade.

Para uma segunda-feira chuvosa e entediante como esta, é certeza que esse poderá lhe dar alguns momentos de alegria. Para ouvidos que não são preconceituosos, pode ter certeza que esse é um bom disco e que o cara realmente manja do riscado.




1.One Night Love Affair
2.She's Only Happy When She's Dancin'
3.Run to You
4.Heaven
5.Somebody
6.Summer of '69
7.Kids Wanna Rock
8.It's Only Love
9.Long Gone
10.Ain't Gonna Cry


Bryan Adams - Vocais, Guitarras, Piano, Gaita
Keith Scott - Guitarras, Backing Vocals
John Taylor - Baixo
Pat Steward - Bateria, Backing Vocals
Tommy Mandel - Teclados
Mickey Curry - Bateria
Steve Smith - Bateria em "Heaven"
Tina Turner - Vocais em "It's Only Love"


By Weschap Coverdale

The Eagles – Hotel California [1976]


The Eagles é uma banda norte americana formada no ano de 1971 pelos músicos Glenn Frey, Don Henley, Bernie Leadon e Randy Meisner. A proposta original era fazer um country/southern rock de qualidade, mesmo sendo radicada na Costa Oeste, em Los Angeles, e não no sul do país.

Algumas alterações na formação do grupo fizeram com que Joe Walsh, músico com larga experiência como frontman do James Gang, fosse adicionado no lugar de Leadon. Randy Meisner sairia logo após o lançamento deste álbum, que se deu em 8 de dezembro de 1976.

Hotel California foi um marco na carreira da banda, sendo aclamado por público e crítica, e lhe abriu definitivamente as portas do mainstream, definindo aquela que seria considerada a sua formação clássica.


Él Bigodón impera

O primeiro single foi New Kid In Town, que se tornou número 1 na parada dos Estados Unidos. Esse também é o disco da música Wasted Time, já famosa aqui na Combe em face do disco Live at Bonnaroo, de Warren Haynes, no qual ele toca o som com um sentimento inigualável. O disco traz a música em duas partes (Wasted Time no fim do lado A do vinil e Wasted Time [reprise], que iniciava o lado B). Uma canção talvez não tão conhecida do público brasileiro que merece destaque é The Last Resort, num clima voz e piano absolutamente fantástico interpretado por Don Henley. Mas a cereja do bolo, como sabemos, é outra.







A música Hotel California é o cartão de visita dos Eagles. Se alguém já ouviu falar deles, com certeza, foi primeiramente em função desse som. É difícil comentar um clássico desses, mas vale o registro de que ela é cantada pelo baterista, tem backing vocais de tirar o fôlego e sua execução ao vivo contava com três guitarristas, sendo que Don Felder fazia uso de uma guitarra de dois braços, com 12 cordas no braço superior e 6 no inferior. O seu solo está entre os melhores já gravados na história do rock, com entrosamento perfeito entre os músicos e guitarras dobradas.







A letra da música é enigmática, tendo gerado diversas teorias sobre sua origem. Dizem que seria um ritual satânico ou, mesmo, a história de um lugar específico que fez parte da trajetória da banda (mais especificamente o Camarillo State Hospital, destinado ao tratamento de doentes mentais). Don Henley diz que se trata apenas de uma crítica ao american dream, aos excessos da América e aos estilo de vida de seus habitantes. Mas figuras como o capitão, espelhos no teto e o fato de se poder entrar quando quiser mas nunca poder sair mostram que a letra trata de tudo um pouco, sem se prender especificamente a um lugar. Eu, pelo menos, nunca vi hospital com espelhos no teto... A capa do disco é a foto do Beverly Hills Hotel, e talvez seja uma boa dica do que eles queriam dizer – a vida na estrada naqueles loucos anos 70.

Esse disco levou a banda a uma turnê exaustiva que gerou um vídeo, um Greatest Hits e um disco ao vivo. Mas também fez com que o grupo se desintegrasse, já que o estilo de vida adotado na estrada, meio cowboy do asfalto, meio faca na bota, tornou a convivência entre eles insuportável. OS campeonatos de poker com apostas a dinheiro e muita toxina no ônibus e nos hotéis da turnê tornaram-se lendários.

Hotel California traz um timaço de grandes compositores e grandes intérpretes, com uma química nunca vista antes em um grupo de rock que aparecia tanto ao vivo como em estúdio. Um clássico, que fez por merecer cada um dos prêmios que ganhou ao longo da história e cada uma das 16 milhões de cópias que vendeu apenas nos Estados Unidos.

Track List

1. Hotel California
2. New Kid In Town
3. Life In The Fast Lane
4. Wasted Time
5. Wasted Time (reprise)
6. Victim Of Love
7. Pretty Maids All In A Row
8. Try And Love Again
9. The Last Resort

Don Felder (guitarras, vocais)
Glenn Frey (guitarras, teclados, vocais, piano)
Don Henley (bateria, percussão, vocais, teclados)
Randy Meisner (baixo, guitarra, guitarron mexicano, vocais)
Joe Walsh (guitarras, teclados, vocais, órgão)


Da esquerda para a direita: Glenn Frey, Don Henley, Joe Walsh, Don Felder e Randy Meisner

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Por Zorreiro

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Black N' Blue - Black N' Blue [1984]


Formado em 1981 na cidade de Portland, Oregon, nos saudosos Estados Unidos da América, o Black N' Blue se mudou para Los Angeles no ano seguinte para tentar a sorte grande das bandas de Rock da época: um contrato com uma grande gravadora. Logo de cara, conseguiram um espaço na compilação "Metal Massacre", da Metal Blade Records, lançada em 1984 e dividindo espaço com o Metallica e o Malice.

Após muitos shows locais e correria, o contrato com a Geffen Records apareceu e o primeiro álbum dos caras foi gravado e lançado ainda no mesmo ano do contrato, 1984. Com a produção do alemão Dieter Dierks, famoso pelos seus trabalhos com o Scorpions, o quinteto da distante Portland conseguiu fazer uma estreia exuberante.

Apesar do visual farofa, o Black N' Blue chama a atenção por não aderir completamente ao som chiclete das bandas mais famosas do Hard Rock oitentista. Há uma energia encontrada principalmente no Hard N' Heavy do Twisted Sister, que parece ser uma das maiores influências musicais dos caras, ao lado do Kiss, banda que o guitarrista Tommy Thayer toca hoje em dia.

Black N' Blue com Gene Simmons, que apadrinhou a banda anos depois

Neste disco, uma vantagem em relação aos farofeiros da época é que não há uma balada sequer. Do começo ao fim, é um disco de Rock pesado. Os caras mandam pancadas com riffs de impacto, cozinha destacada e alguns solos arrepiantes. E pra completar, Jaime St. James faz bonito nos vocais, com um vocal de identidade e presença.

Para uma banda estreante que tinha um contrato com a recém-aberta Geffen, o Black N' Blue saiu-se bem. A repercussão foi moderada, com uma simpática 129ª posição nas paradas norte-americanas e turnês com maior público pela terra do Tio Sam. Os lançamentos sucessores foram mais puxados ao Hard chicletão, o que torna o play dessa postagem o meu predileto. Vale a pena conferir.



01. The Strong Will Rock
02. School Of Hard Knocks
03. Autoblast
04. Hold On To 18
05. Wicked Bitch
06. Action (The Sweet cover)
07. Show Me The Night
08. One For The Money
09. I'm The King
10. Chains Around Heaven

Jaime St. James - vocal
Tommy Thayer - guitarra, teclados, backing vocals
Jeff "Whoop" Warner - guitarra, backing vocals
Patrick Young - baixo, backing vocals
Pete Holmes - bateria

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by Silver

David Coverdale – White Snake e Northwinds [1988]



Quando entrou no Deep Purple, David Coverdale tirou a sorte grande. De balconista de loja e cantor de uma banda sem expressão chamada The Government, passou a ser o homem de frente daquela que foi uma das integrantes da santíssima trindade do rock pesado britânico: Led/Sabbath/Purple. Coverdale foi chamado por Ritchie Blackmore para integrar o posto em 1973, após uma audição.

Sua missão era substituir ninguém menos que Ian Gillan e dividir os microfones com Glenn Hughes, que também segurava o baixo. Mas ele fez bonito e sua estreia no continente americano se deu justamente num grande festival, o California Jam, ao lado do Black Sabbath e outras feras do som pesado.


Em seguida, lançou dois álbuns clássicos com o Purple (Burn e Stormbringer) e, no final do ano de 1975, Blackmore cai fora para formar o Rainbow. A banda continua com o excelente Tommy Bolin nas guitarras, com quem lança, em 1976, Come Taste the Band. Aqui as influências do soul e do funk substituiram o estilo clássico de Blackmore, fruto da presença marcante de Glenn Hughes.

Mas Bolin estava no fundo do poço com seu vício em heroína e Hughes, com a cocaína. Basta ver o vídeo Deep Purple Rises Over Japan para perceber que Bolin não consegue tocar e nem se mexer e Hughes se mexe tanto que não consegue tocar nem cantar direito. John Lord segura a onda com maestria, mas suas montanhas de teclados o impedem de realizar algo performático enquanto tem que tocar absolutamente todos os sons ao lado de Ian Paice. O entretenimento do show fica exclusivamente a cargo de Coverdale, cuja voz estava no auge. O Purple é obrigado a encerrar as atividades.

David Coverdale não podia ficar parado, pois havia se tornado um homem de destaque no showbusiness mundial. Imediatamente chamou seu antigo companheiro Micky Moody para lhe ajudar nas composições e lançou, em sequência, os dois álbuns dessa postagem.

White Snake ainda não tinha nenhuma relação com a banda homônima que Coverdale formaria dois anos depois. É o primeiro disco solo do vocalista e mostra que ele ainda tinha muita lenha para queimar na época em que o Deep Purple terminou pela primeira vez.

Celebration é um funk, que mostra que os anos ao lado de Hughes e Bolin lhe ensinaram como compor algo com muito groove. Mas a face baladeira, que no Purple aparece bem em Mistreated, composta juntamente com Blackmore, está presente na fantástica Hole in the Sky. Tente não se emocionar ouvindo-a e conseguirá um atestado de coração de pedra. O disco todo é excelente e vale conferir.

Northwinds é o segundo trabalho que a parceria Coverdale/Moody rendeu, e muitas de suas músicas foram aproveitadas no primeiro disco da banda Whitesnake, que ambos formaram em 1978 ao lado de Bernie Marsden e John Lord. Estão lá Only My Soul e Queen of Hearts, com aquele embalo típico da primeira fase do Whitesnake, a chamada “fase blues”. Quem já conhece o debut da banda vai ouvir aqui as versões originais, acrescidas de outras pérolas maravilhosas.


No ano de 1988, os dois discos foram lançados em um único formato, com ambos os álbuns na íntegra, mas sem as bônus tracks das versões individuais lançadas em cd posteriormente. É a versão que posto hoje.

White Snake foi gravado entre agosto e setembro de 1976, e produzido por Roger Glover, ex-baixista do Deep Purple. Foi oficialmente lançado no ano de 1977. Northwinds foi gravado entre março e abril de 1977, e também foi produzido pelo baixista. Foi oficialmente lançado no ano de 1978. Ambos sob o selo Deep Purple Overseas Management Ltd. que, penso, não preciso explicar do que se trata. Quando Northwinds saiu, a banda Whitesnake já tinha sido oficialmente formada, e o disco Snakebite (1978) foi lançado com algumas músicas regravadas.

Coverdale, por mais que seja um marqueteiro de primeira e tenha seguido os modismos dos anos 70 e 80, nunca fez música ruim. Imaginem o que ele fez no auge da sua voz em composições solo com a parceria de um amigo então desconhecido do grande público. Bem, agora não precisa mais imaginar.

Ah! Vá ao final da postagem e veja quem participa do disco.

Track List

Do álbum White Snake
1. Lady
2. Blindman
3. Goldies Place
4. Whitesnake
5. Time On My Side
6. Peace Lovin’ Man
7. Sunny Days
8. Hole In The Sky
9. Celebration

Do album Northwinds
10. Keep On Giving Me Love
11. Northwinds
12. Give Me Kindness
13. Time And Again
14. Queen Of Hearts
15. Only My Soul
16. Say You Love Me
17. Breakdown

David Coverdale (vocais)
Micky Moody (guitarras)
Tim Hinckley (teclados)
De Lisle Harper (baixo em White Snake)
Simon Phillips (bateria em White Snake)
Roger Glover (sintetizadores)
Alan Spenner (baixo em Northwinds)
Tony Newman (bateria em Northwinds)
Ronnie James Dio e Wendy Dio (backing vocais em Give Me Kindness)

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Por Zorreiro

V.A. - Power of Metal [1993]


Conseguir um público, por mais cativo que fosse, era um desafio e tanto nos 1990s para as bandas da cena underground do Heavy. Sabendo disso, quatro delas se juntaram em uma turnê que ficou conhecida como Power of Metal. As atrações principais eram dois grupos da sempre gloriosa Alemanha, a terra de Franz Beckenbauer. O Gamma Ray, ainda com Ralf Scheepers nos vocais, divulgava seu terceiro álbum, Insanity & Genius. Já o Rage, passava por um grande momento, lançando o fantástico The Missing Link. Completavam o line-up o Helicon e o fantástico Conception, que, diretamente, seria responsável por muita coisa boa que rolaria na cena nos anos subseqüentes.

Mas quem abre os trabalhos é mesmo Kai Hansen e sua trupe. Talvez muitos não saibam, mas Ralph Scheepers chegou a ser cogitado para assumir o microfone do Helloween antes de Michael Kiske. Pois aqui, finalmente, ele registrava sua parceria com o irmão germânico do Ferrugem. E faz sua parte corretamente, embora, para meu gosto, o Gamma Ray tenha encontrado a voz perfeita em seu fundador, posteriormente. Claro que, tecnicamente, Ralph é muito mais qualificado. Mas certas coisas funcionam em determinada maneira porque tem que ser assim e pronto. Esse é o caso. De qualquer modo, para quem ficou curioso com o que Scheepers poderia ter feito com as abóboras selvagens, há um medley que dá uma idéia.



O Helicon só toca duas músicas, mas já dá para ver que a coisa não era para rolar mesmo. Genérico, como vários que surgiram à época. O bicho pega de verdade é no CD 2. Para começar, o Rage em uma de suas melhores fases. Peavey e seus comparsas não deixam pedra sobre pedra. É uma pancada atrás da outra, sem tempo para descanso. E ouvir hinos metálicos como “Don’t Fear the Winter”, “Refuge”, “Firestorm” e “Solitary Man” é sempre um prazer. Fechando, o Conception, que não foi tão bem assimilado em sua época. Mas Roy Khan e Tore Otsby já mostravam o que aprontariam na cena futuramente. As quatro faixas executadas pertencem ao álbum Parallel Minds e já mostram o poder de fogo dos caras.

Todos os números aqui presentes foram registrados na cidade alemã de Hamburgo, no dia 25 de setembro de 1993. Também houve uma versão em vídeo, além do Rage ter usado todo seu set no lançamento próprio, The Video Link. Um ótimo resumo de todas as dificuldades pelas quais passavam as bandas da cena européia naquele momento, precisando de uma grande união para triunfar. Aliás, tá aí um bom exemplo para alguns músicos bunda-moles brazucas, que querem pregar revolução e o caramba, mas são os reais bostas da cena nacional, só coçando e apontando defeitos ao invés de se mexer com algo realmente concreto. Vale a conferida!

CD 1

Gamma Ray
01. Tribute to the Past
02. No Return
03. Space Eater
04. Changes
05. Insanity & Genius
06. Late Before the Storm
07. Heal Me
08. I Want Out/Future World
09. Future Madhouse
10. Heading for Tomorrow
Helicon
11. Black and White
12. Women

CD 2

Rage
01. Shame On You
02. Don't Fear the Winter
03. Certain Days
04. Suicide
05. Refuge
06. Baby I'm Your Nightmare
07. Down By the Law
08. Nevermore
09. Firestorm
10. Solitary Man
11. Enough is Enough
12. Invisible Horizons
Conception
13. Roll the Fire
14. And I Close My Eyes
15. The Promiser
16. Parallel Minds

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JAY

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Grand Magus - Monument [2003]


Existe uma enorme confusão instaurada referente às acepções de influência e inspiração. Do imundo emo ao alienado virtuoso, todos dizem ser inpirados por vários nomes em comum. Guitarristas lendários e bandas clássicas são ultrajados ao serem citados por quem faz sons completamente destoados de suas propostas. Uns citam como influência, embora a maioria chame de inspiração. Sempre são os mesmos: Led Zeppelin, Deep Purple, Black Sabbath, Rolling Stones e mais alguns.

Ao escutar "Paranoid", "Smoke on the Water", "Satisfaction" ou "Stairway to Heaven", surge a vontade entusiasmada de aprender a tocar guitarra e fazer música. Apenas a vontade é incitada. Ou seja, influenciado qualquer um pode ser. A diferença tá na absorção dessas influências que gera a inspiração. Portanto alguns devem pensar duas vezes pra não blasfemar inconscientemente, porque poucos podem afirmar que são inspirados por tais coisas. E é nesse contexto seleto que tá inserido o Grand Magus. Grupo que transmite toda a aura clássica através de um Doom/Stoner que exalta as divindades setentistas.


JB tem o privilégio de saber compor, cantar e tocar guitarra como fosse uma oferenda a grupos como Black Sabbath, Mountain, Candlemass e Pentagram. A capacidade criativa de produzir riffs que transmitem uma crueza tenebrosa dispensa a adição de robustas guitarras dobradas, trocentos efeitos de Eventide, harmônicos desnecessários, ou o enfeite que for. A devastação é feita à moda antiga e com a frieza típica do Doom. JB é o membro fundamental do Grand Magus, mas vale citar a cozinha, composta por Fox e Trisse, que é responsável pelo ritmo sólido das canções.

Monument é o segundo trabalho da banda e traz a sonoridade explanada nos parágrafos anteriores, além de letras obscuramente enigmáticas, visto que JB é grande fã de Black Metal e Death Metal. As composições colocam o Doom e o Stoner lado a lado. "Summer Solstice" lembra o Vol.4 do Sabbath; "Brotherhood of Sleep" é puro Candlemass 80's; a pegada de "Food Of The Gods" remete ao Cathedral da época do The Ethereal Mirror; Tony Iommi é novamente encarnado em "Chooser Of The Slain (Valfader)" - à la Master of Reality -, e a marcante abertura com "Ulvaskall (Vargr)" traz à memória o Doom pegajoso do Place of Skulls.



Como podem perceber, não há inovações, no entanto as fortes referências que são sentidas reafirmam o que foi colocado no início do texto. Nos discos seguintes, o Grand Magus fugiu um pouco de suas raízes; adicionou muito mais peso, gravação limpa e digital demais, timbres variados, etc. Perdeu a identidade e ficou mais, digamos, metalizado. Ganhou muitos fãs com essa mudança, mas prefiro a fase inicial até aqui. Monument tá longe de ser clássico, porém caminha nos passos dos que são e cumpre muito bem seu papel de resgatar a sonoridade honestamente intensa do Doom/Stoner. Carpe noctem...

01. Ulvaskall (Vargr)
02. Summer Solstice
03. Brotherhood Of Sleep
04. Baptised In Fire
05. Chooser Of The Slain (Valfader)
06. Food Of The Gods
07. He Who Seeks... Shall Find

Janne "JB" Christoffersson - vocals, guitar
Fox - bass
Trisse - drums

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Dragztripztar

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Europe - The Final Countdown [1986]



Se postasse só a capa e informações desse disco aqui, creio que já teriam milhões de comentários elogiando a postagem, pois este é o magnus opus da carreira do Europe e um dos maiores clássicos que o hard rock oitentista criou. Podemos dizer que este é praticamente um resumo de tudo de bom que esta época ofereceu: um vocalista estupendo, guitarrista excelente, camada de teclados inesquecível e uma cozinha absolutamente perfeita. Sem falar nas canções, que grudam mais do que chiclete jogado no piso do trem!

E os números que esse clássico gerou, dizem por si só o estardalhaço que ele causou na época. Primeiramente, a faixa título alcançou o primeiro lugar em 26 países, e a balada "Carrie" alcançou o terceiro lugar na parada da Billboard, algo impressionante para uma banda vinda da Suécia naquela época. As vendas desse disco também são absurdas, alcançando até os dias de hoje a quantidade de 18 milhões de cópias vendidas. A adição do produtor Kevin Elson por sugestão da gravadora foi o que a banda precisava, pois a sua experiência no trabalho principalmente com o Journey contribui muito para o direcionamento do som que foi tomado pelo grupo.


E a mudança em comparação com os dois primeiros discos é algo notável. Se no início a banda investia em um hard mais tradicional, com influências do Ufo, Thin Lizzy e do próprio Deep Purple, aqui a coisa muda de figura. Sintetizadores presentes, teclados idem, e um som muito mais melódico e acessível são marcas registradas deste. E este foi um momento atípico dentro da discografia do grupo, pois em mais nenhum registro essa mesma fórmula foi seguida, o que acabou por decepcionar alguns que se tornaram fãs nesse período.

E logo de cara temos uma das canções mais marcantes da história do rock. Quem aqui nunca ouviu o característico teclado que inicia o clássico "The Final Countdown"? Conhecida de onze entre cada dez pessoas, essa canção até hoje faz um tremendo sucesso por onde passa, e já foi até música de encerramento das olimpíadas de Seul em 1988. Um clássico absoluto e incontestável, essa surgiu como uma música que a banda queria apenas para a abertura dos shows e nem queria lançar esta como um single, mas a gravadora viu o potencial desta e decidiu apostar na mesma, o que se mostrou ser uma aposta certeira, como bem sabemos.



Mas as outras nove canções não fazem feio, pois o nível de inspiração do grupo estava acima do extraordinário naquele momento. "Rock The Night" não nos deixar mentir, com uma energia incrível e refrão feito para ser cantado com plenos pulmões, um rock anthem dos bons. Após essa e temos a também clássica "Carrie", que aparece em tudo que é coletânea de rock romântico e é uma das músicas de fossa mais executadas ao redor do globo. Outro petardo é a sensacional "Cherokee", com destaque para o belo trabalho de guitarras do monstruoso John Norum, que dá um show à parte, com riffs marcantes durante toda a canção.

"Ninja" vem mais acelerada, enquanto "Time Has Come" tem teclados bem presentes e que cativam logo de cara em mais um grande hard bem melódico e apaixonante. De fato, após escutar todo este, é impossível não se sentir apaixonado pelo grande trabalho que o grupo apresenta aqui. Pode soar bem datado para alguns, mas nem por isso deixa de ser apaixonante desde sua primeira audição. Mas se você é daqueles que pegaram os anos 80, mesmo que em seu fim e acharam essa década apaixonante, deve ter este correndo.





1.The Final Countdown
2.Rock the Night
3.Carrie
4.Danger on the Track
5.Ninja
6.Cherokee
7.Time Has Come
8.Heart of Stone
9.On the Loose
10.Love Chaser

Joey Tempest – Vocais
John Norum – Guitarras, Backing Vocals
John Levén – Baixo
Mic Michaeli – Teclados, Backing Vocals
Ian Haugland – Bateria, Backing Vocals


By Weschap Coverdale

Poison – Crack a Smile... and more! [2000]


O Poison tem duas formações:

1) a clássica, com Bret Michaels nos vocais, CC DeVille nas guitarras, Bobby Dall no baixo e Rikki Rocket na bateria; e

2) a segunda, com Ricthie Kotzen substituindo DeVille, dando um show de musicalidade e conquistando aqueles que não curtiam o som da banda porque achavam muito simples ou, mesmo, mal tocado.

Ah! Um tal de Blues Saraceno substituiu Kotzen no show que o Poison fez no Hollywood Rock no Brasil. Quem? Bem, parece que foi só o que o cara fez...

Pois, senhoras e senhores, Blues Saraceno é um dos melhores e mais criativos guitarristas do mundo. Não é marqueteiro como Ritchie Kotzen ou CC DeVille, e talvez por isso seja tão ignorado pelos fãs do Poison. O cara é guitarrista, compositor e produtor de mão cheia. Teve o azar de entrar no Poison na época errada, quando o estilo musical não vendia mais como antes e por ter que suceder um monstro como Kotzen, que fez aquele que, na minha opinião, é o melhor disco da carreira da banda até os dias de hoje.

Norte americano assim como Kotzen, Blues Saraceno foi considerado um menino prodígio quando descoberto aos 16 anos pela revista Guitar For The Practicing Musician e que chegou a excursionar com Jack Bruce e Ginger Baker (sim, eles mesmos). Em 1994 entrou no Poison para preencher o espaço deixado por seu antecessor que, dizem, foi demitido porque teria dado um trato na esposa de Rikki Rocket. Fofocas à parte, a história desse disco começa aqui.





Crack a Smile estava sendo gravado já no ano de ingresso de Saraceno, em 1994, quando os trabalhos foram interrompidos em função de um acidente automobilístico sofrido por Bret Michaels que o deixou fora de ação por um bom tempo. As gravações somente continuaram no ano seguinte, mas, nessa pausa, o clima esfriou bastante entre os músicos e a gravadora não acreditava mais no típico hard rock oitentista dos caras. Foi optado, então, pelo lançamento de um Greatest Hits, e as gravações com Saraceno foram colocadas na geladeira.

A banda então se dissolveu (para depois voltar com CC DeVille) e o disco foi pirateado ao extremo, sem nunca ter sido lançado oficialmente durante anos. Somente em março de 2000, já com o dito retorno da formação clássica engatilhado, a Capitol Records lança Crack a Smile... and more!, com as 12 faixas oficiais de Crack a Smile, 3 outtakes das sessões de gravação do disco, um outtake de Open Up and Say...Aahh! (postado aqui com uma resenha fantástica do incansável Silver) e quatro músicas gravadas do show MTv Unplugged, quando CC DeVille ainda integrava o grupo.

Se a intenção era lançar um caça níqueis, o tiro saiu pela culatra. As vendas não foram boas (e, diga-se, a divulgação sequer existiu). Muito fã do Poison não conhece esse disco. Não conhecia, caro passageiro, porque agora vai conhecer!



Destaco as faixas de Crack a Smile, porque o “more” do disco é apenas um plus dispensável. Sexual Thing mostra exatamente o porquê dos elogios tecidos a Saraceno. Feeling e punch de sobra. Best Thing You Ever Had traz um Poison que lembra o de Native Tongue, com backing vocais perfeitos e harmonia madura, com arranjos bem trabalhados. Be the one é quase uma balada, mas tem uma certa agressividade que parece latente por todo o play.





A parte do “more” traz um outtake de Open Up que não entendo por que não saiu em um relançamento do próprio disco. Face the Hangman é o climão californiano clássico. As acústicas também merecem um comentário: por que não lançar um acústico MTv? Porque, em 2000, esse formato já havia saído de moda. Mais uma do disco que está fora do timming.

Mas Crack a Smile...and more! é um excelente disco, que mostra o Poison que quase existiu na segunda metade dos anos 90. Pra fã e todos os que gostam de rock bem tocado.

Track List

1. Best Thing You Ever Had
2. Shut Up, Make Love
3. Baby Gets Around a Bit
4. Cover of the Rolling Stone
5. Be the One
6. Mr. Smiley
7. Sexual Thing
8. Lay Your Body Down
9. No Ring, No Gets
10. That's the Way I Like It
11. Tragically Unhip
12. Doin' as I Seen on My TV
13. One More for the Bone (Outtake)
14. Set You Free (Outtake)
15. Crack a Smile (demo)
16. Face the Hangman (Outtake de Open Up and Say... Ahh!)
17. Your Mama Don't Dance (MTv Unplugged)
18. Every Rose Has Its Thorn (MTv Unplugged)
19. Unskinny Bop (MTv Unplugged)
20. Talk Dirty to Me (MTv Unplugged)


Bret Michaels (vocais, guitarras)
Rikki Rockett (bateria, backing vocais)
Bobby Dall (baixo, backing vocais)
Blues Saraceno (guitarras, piano, backing vocais)
C.C. DeVille (guitarras e violões nas faixas 16 a 20)

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Por Zorreiro

Where Angels Suffer - Purgatory [2010]


Algumas figuras são referências históricas dentro de um grupo, simbolizando tudo aquilo que ele representa. Ninguém consegue imaginar o KISS sem Gene e Paul. Nem mesmo o Van Halen sem os irmãos Eddie e Alex – nesse caso por uma compreensão lógica da vida. Motörhead sem Lemmy idem, além de inúmeros outros exemplos. Sendo assim, o W.A.S.P. sem Blackie Lawless não passa de um delírio qualquer. Ou passava, até que alguns ex-integrantes da banda, liderados pelo lendário Chris Holmes, resolveram levar a idéia em frente. Assim surgiu o Where Angels Suffer, ou W.A.S., para facilitar e remeter.

A idéia fica um pouco confusa quando constatamos que o grupo simplesmente pegou músicas do segundo e terceiro discos do Randy Piper’s Animal e regravou. Ou seja, material inédito, nem pensar. Isso tira um pouco da expectativa, especialmente de quem já conhece os sons em questão, além de soar como uma bela falcatrua para os que não estão a par. De qualquer modo, vamos deixar esse fator de lado e nos concentrar no álbum em si. E quem sente falta dos velhos tempos do W.A.S.P., pode começar a ficar animado. Apesar de não contarem com um compositor com a mesma genialidade de Lawless, os caras seguem à risca a cartilha do antigo parceiro. Tudo aqui é extremamente planejado para agradar os fãs.



Os riffs de guitarra já chegam metendo o pé na porta em “Cardiac Arrest”, som que tem aquele clima perfeito para a galera acompanhar em um show. Em “Can’t Stop”, Rich Lewis chega a assustar, parecendo que incorporou o Neguinho Sem Lei em suas cordas vocais. A curta e eficiente “Don’t Wanna Die” é um destaque, com sua pegada Hard, enquanto “Crying Eagle” traz Stet Howland atacando sua bateria com vontade. “Unnatural High” vem emendada. Sua cadência e peso têm tudo para conquistar os fãs. Mantendo o estilo intacto, “Judgment Day” traz aqueles backing vocals inconfundíveis de outrora.

Aí vem um momento, no mínimo, curioso, com o cover de “Zombie”, do The Cranberries. E souberam adaptá-la muito bem ao som do grupo, acrescentando peso e velocidade na medida certa. Com um nome que nem deixa margem pra desconfiança, “L.U.S.T.” vem no melhor estilo “Hellion”, preparando o terreno para as guitarras metálicas de “Violent New Breed” e “Morning After”, que não acrescentam muito. O nível volta a subir em “Eye of the Storm”, que poderia estar em um dos álbuns do W.A.S.P. da virada dos 1980’s para os 90’s. Destaque para o solo de guitarra, que é o melhor de todo o disco. “B.O.O.M.” (again?!?) fecha o trabalho com um approach mais modernoso, mas sem desvirtuar o estilo.



Apesar da sensação de colcha de retalhos, o álbum tem tudo para agradar os mais fanáticos pela banda que consagrou dois terços dos músicos presentes nesse projeto. Até porque, se não conquistar eles, não acontecerá com mais ninguém mesmo. Vale a conferida, só não espere por algo surpreendente, especialmente se já conhece as versões anteriores das faixas aqui executadas.

Rich Lewis (vocals)
Chris Holmes (guitars)
Randy Piper (guitars)
Steve Unger (bass)
Stet Howland (drums)

01. Cardiac Arrest
02. Can't Stop
03. Don't Wanna Die
04. Crying Eagle
05. Unnatural High
06. Judgment Day
07. Zombie
08. L.U.S.T.
09. Violent New Breed
10. Morning After
11. Eye of the Storm
12. B.O.O.M.

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JAY

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Enuff Z' Nuff - Strenght [1991]


O marketing sempre vê a necessidade de vender gato por lebre. Por mais que algo seja bom, os marqueteiros tentam aumentar ainda mais a visibilidade de seu produto, para aumentar mais o ganho com o mesmo. Dentro do meio musical também existe isso, e se teve um grupo que sofreu muito por causa de uma imagem inicial criada, este foi o Enuff Z' Nuff. Vendido em seu primeiro disco como uma banda de hard como tantas outras que surgiram no final dos anos 80, eles tiveram um grande problema para lidar com isso posteriormente.

Mesmo em seu disco de estréia, podemos perceber traços de power pop de bandas como Badfinger e Cheap Trick, porém com a roupagem apropriada para aquela época. Mas cansado disso, o grupo viu a necessidade de se desvencilhar da imagem colorida da época e explorar o som que eles gostariam de fazer, o que aconteceu com o sucessor "Strenght". Esqueça aquele clima completamente festeiro do disco de estréia. Agora a banda investe em andamentos mais soturnos, porém com canções ainda bem acessíveis.


Apesar de excelentes músicos, ninguém durante o registro quer aparecer mais que o outro e vemos um grupo focado em criar grandes melodias, em canções intricadas e muito bem compostas, com uma generosa dose de senso melódico em todas elas. Se compararmos este ao antecessor, perceberemos um clima muito mais denso e em certas vezes melancólicos, e que remete bastante a alguns momentos do Badfinger, com grandes estruturas melódicas e cheias de feeling. Sem falar na adição de violinos em algumas músicas, em que o pai de Frigo fica responsável por conduzir o mesmo de maneira quase que sublime.

O início do disco é enganador, com a mais animada "Heaven Or Hell" que vai lhe remeter ao debut do grupo, com seu clima festeiro e mais para cima, mas em que já percebemos a mudança na condução das linhas vocais de Donnie Vie, bem mais melódicas que anteriormente. "Missing You" é mais cadenciada, porém ainda pode enganar para o que o disco apresenta. Em "Strenght" é que percebemos a mudança do som do Enuff Z'nuff, com a inclusão de instrumentos de corda e a latente influência dos Beatles em seu som, em um nítido e belo contraste com a faixa que iniciou o trabalho. "In Crowd" volta ao hard animado e poderia estar no disco de estréia deles facilmente.



Mas a coisa começa a realmente ficar boa na segunda metade do disco. E esta é iniciada com a linda "Goodbye", que ficou conhecida ao entrar na coletânea "Lovy Metal" aqui por terras tupiniquins (e por onde conheci o grupo), uma canção triste e que realmente mostra o poder de fogo da trupe, com uma melodia inesquecível e grandiosa, transmitindo a tristeza que era necessária para a letra. "Mother's Eyes" é outra maravilhosa canção, com mais uma melodia grandiosa e que mostram que eles estavam longe de ser apenas mais um grupo de hard como muitos outros que surgiram naquela época. Feche os olhos e você identificará o Cheap Trick em "Baby Loves You", que entrega as influências da dupla Vie/Z'nuff.

"The Way Home - Coming Home" começa como uma doce canção que poderia ser muito bem escrita por Lennon e em sua segunda metade se torna uma homenagem aos Beatles da fase "Abbey Road". "Time To Let You Go" finaliza o registro com outra bela melodia e atesta de vez que a especialidade da casa era realmente o power pop. Um registro que mostra a coragem de ousar em uma época que não lhes favorecia muito isso. E essa deve ser aplaudida de pé, pois se muitos fizessem isso, talvez não música popular não estaria nesse estado deplorável se encontra hoje, em que um rostinho bonito ou um corpo sarado são mais exaltados que a qualidade.




1. Heaven Or Hell
2. Missing You
3. Strength
4. In Crowd
5. Holly Wood Ya
6. The World Is A Gutter
7. Goodbye
8. Long Way To Go
9. Mother's Eyes
10. Baby Loves You
11. Blue Island
12. The Way Home / Coming Home
13. Something For Free
14. Time To Let You Go

Donnie Vie – Vocais, Guitarra, Teclados
Chip Z'Nuff – Baixo, Guitarra
Derek Frigo – Guitarra
Vikki Fox – Bateria

Músicos Adicionais:
Johnny Frigo - Violino e Viola em "Strength" e "Goodbye"
Dennis Karmazyn - Violoncelo em "Strength" e "Goodbye"



By Weschap Coverdale

Freak Kitchen – Spanking Hour [1996]


Freak Kitchen é uma das novidades suecas do novo milênio. Mas não apenas mais uma. É um power trio daqueles que trazem novidades à cena mundial.

Se você acha que o último guitarrista inovador que surgiu no mundo foi Tom Morello, está na hora de conhecer o endiabrado Mattias “IA” Eklundh, queridinho da hora da mídia especializada no instrumento e maluquete de plantão (apesar de ser um marqueteiro de primeira categoria). Ele é famoso por tirar sons malucos da guitarra utilizando artefatos não convencionais como vibradores elétricos e escalas temperadas de guitarra (com trastes retorcidos – veja a foto).
Como o JP já resenhou o disco Move e, na resenha, descreveu o som da banda, não pretendo sobrecarregar o nobre passageiro. Eu concordo com absolutamente tudo o que foi descrito, mas acrescentaria que, na loucura do som, tem muito groove e que, somente às vezes – e bem de leve –, lembra Frank Zappa. Então, não vou repetir a dose. Assim, vamos dar uma passadinha rápida na biografia da banda para analisar esse petardo.

A banda foi formada na Suécia, na cidade de Gottemburg, em 1992. Mattias já era conhecido na cena metal escandinava pois havia participado de diversas bandas e era um excelente e não convencional professor de música (carreira essa que desenvolve até hoje). O baixista Christian Gronlund tocava em bandas cover de glam rock, e o baterista Joakim Sjöberg havia integrado anteriormente uma banda de metal juntamente com Mattias chamada Frozen Eyes.



Spanking Hour é o segundo disco do Freak Kitchen. Existe uma maior preocupação em soar mais pop se compararmos com o primeiro, Appetizer, lançado dois anos antes. A banda traz o melhor que um power trio pode oferecer: guitarras bem trabalhadas e cozinha coesa, com muito groove. Os vocais, classifico apenas como bons.

Como destaque do play, a abertura Walls of Stupidity sai longe na frente. Um groove fantástico, riffs matadores, solos inspirados e... refrões ganchudos! Sim, é praticamente uma canção pop com guitarras muito pesadas. O interessante da banda – que fica claro nessa música – é que parece não haver overdubs de instrumentos. Quando a guitarra sola, não se ouve bases de fundo além do baixo. Power trio de verdade e na veia. Excelente!



Inner Revolution é um sambão heavy metal quase panterístico (tente não lembrar de Pantera ao ouvir os riffs). Penso ser o mais próximo de Frank Zappa que o disco conseguiu ser. Jerk é meio adolescente, como se o Justin Bieber formasse uma banda com Diamond Darrel e Steve Vai nas guitarras. Tá, peguei pesado, mas se o Jerk for o próprio Justin, tá valendo a comparação, mesmo que desastrosa. Haw Haw Haw é quase Alice in Chains, soturna e rica em harmonia. Enfim, um álbum eclético.

Um disco para quem está cansado da mesmice que tá rolando na indústria musical e não tem saco para experimentalismos extremos. Recomendado.

Track List

01 - Walls Of Stupidity
02 - Haw, Haw, Haw
03 - Jerk
04 - Taste My Fist
05 - Burning Bridges
06 - Inner Revolution
07 - Lisa
08 - Spanking Hour
09 - Proud To Be Plastic
10 - Dystopia
11 - The Bitter Season

Mattias "IA" Eklundh (Vocais e Guitarra)
Christian Grönlund (Baixo Vocais)
Joakim Sjöberg (Bateria)

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Por Zorreiro

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Unruly Child - Unruly Child [1992]


A história de Mark Free (agora Marcie Free), incluindo sua passagem no Unruly Child, pode ser conferida em seu Combest Of clicando aqui, mas vale a pena entrar em detalhes, ainda mais em uma ocasião como a dessa postagem, que é sobre um dos melhores discos de AOR/Hard melódico já lançados.

Logo após a sua saída do Signal, o cantor, que já vivia como uma mulher e cogitava a cirurgia de mudança de sexo que fez alguns anos depois, formou o Unruly Child com o guitarrista Bruce Gowdy (Stone Fury, World Trade), o baixista Larry Antonino, o tecladista Guy Allison (World Trade, The Doobie Brothers) e o baterista Jay Schellen (Hurricane, Asia).

Através da Interscope Records e com a produção de Beau Hill, experiente no ramo do Hard Rock por já ter trabalhado com gente do porte de Winger, Warrant, Alice Cooper e Europe, a estreia do quinteto chegou às lojas no começo de 1992. Como a grande maioria das bandas de Hard Rock e AOR que lançassem um disco durante tal época, a recepção foi fraca e se tornou um aparato cult na coleção dos mais fanáticos.


No entanto, o debut auto-intitulado do Unruly Child tem um diferencial de boa parte de seus contemporâneos de também pouco sucesso. Por passear tranquilamente entre o Hard e o AOR, a aceitação entre os fãs dos dois gêneros (acredite, não são os mesmos) é quase unânime. Além disso, transborda inspiração e musicalidade desde as composições mais animadas até as clássicas power-ballads. Mas uma inspiração verdadeira, principalmente por não se preocupar com o declínio de popularidade de tais estilos musicais.

Os músicos nunca chegaram ao pleno estrelato, mas são extremamente competentes. Bruce Gowdy manda muito bem nas guitarras e divide a atenção com Guy Allison, um tecladista de primeiríssima categoria. Larry Antonio segura bem e Jay Schellen, cuja folha corrida conta com inúmeros trabalhos de diferentes estilos, dá um toque adicional de criatividade com suas baquetas. A bola da vez, no entanto, só poderia ser Mark Free: canta muito. Performer de primeira, esbanja feeling e tem um fôlego danado. Não é a toa que é reconhecidíssimo principalmente pelos admiradores de um bom AOR.

Entre os destaques, é possível citar a animada dobradinha de abertura constituída pela imponente On The Rise e pela dignamente farofa Take Me Down Nasty, as semi-baladas Who Cries Now e When Love Is Gone, a última com um verdadeiro show de Mark, e a divertida Wind Me Up. Deve ser conferido por quem gosta de um "peso melódico" - e não me refiro à família do Stratovarius.



01. On The Rise
02. Take Me Down Nasty
03. Who Cries Now
04. To Be Your Everything
05. Tunnel Of Love
06. When Love Is Gone
07. Lay Down Your Arms
08. Is It Over
09. Wind Me Up
10. Let's Talk About Love
11. Criminal
12. Long Hair Woman

Mark Free - vocal
Bruce Gowdy - guitarra, violão, backing vocals
Larry Antonio - baixo, backing vocals
Jay Schellen - bateria, backing vocals
Guy Allison - teclados, guitarra adicional, backing vocals

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by Silver

Sleeze Beez - Powertool [1992]



Alguns meses atrás eu postei um disco do Sleeze Beez, em que eles acertaram a mão com a entrada de Andrew Elt assumindo os vocais do grupo, onde seu vocal rasgado e poderoso deu um novo ânimo para que o grupo pudesse continuar e que tivessem mais visibilidade. E isso funcionou, pois temos o bom "Screwed, Blue & Tattoed", que com certeza é um disco que agradará quem gosta de um bom hard farofa.

Mas o grupo ainda não tinha atingido seu ápice. Isso viria a acontecer dois anos depois, com a gravação do sucessor, o excelente "Powertool". Aqui seria onde o grupo atingiria o máximo de sua performance em todos os sentidos. Uma dupla de guitarristas inspiradíssimos, cozinha pesada e um Andrew Elt que canta de maneira assombrosa, mostrando uma visível evolução de seu debut, e que estava em casa naquele momento. Se no outro registro vemos uma banda que exala raça, aqui eles aliam isso com a experiência que adquiriram, com canções que não fariam feio se tivessem sido feitas em solo americano. Se pudermos citar uma influência, posso dizer que aqui eles se inspiraram no "Pyromania" do Leppard, porém com mais peso.



E logo de início vemos um grupo louco para levar tudo abaixo, com canções aceleradas e cheias de distorção, para fã de hard nenhum botar defeito. "Raise A Little Hell" começa com uma rifferama ensandecida, o que se mantém do início ao fim da canção e que arrancará um sorriso de orelha a orelha de quem é chegado em música carregada de distorção. Após essa avalanche sonora, "Watch That Video" chega e evoca o espírito festeiro do hard americano, que naquele momento já estava perdendo sua força, com refrães grudentos como chiclete. "Dance" vai te remeter ao melhor espírito Aerosmith, com seu jeitão sacana e contagioso, o que sabemos que é muito bom.

A quase punk "Like a Dog" é o momento mais cheio de testosterona desse registro, sendo uma música não muito recomendada para dirigir, pois o seu pé irá ao fundo do acelerador neste momento. Após esse momento acelerado, temos um dos pontos altos desse, a belíssima balada "I Don't Wanna Live Without", uma power ballad carregada de açúcar, desde seus belos violões no início da canção até a arrebatadora performance de Elt, que rouba a cena nesta. Mas logo tudo volta a como estava antes em "Head To Toe" com seu início em coro, que logo te fará lembrar do Leppard novamente em suas fases mais inspiradas.



E tome mais porrada em "Put Your Money Where Your Mouth Is", mais uma vez com uma baita injeção de testosterona, em que a banda desce o braço com gosto. E mais uma vez tudo é acalmado, dessa vez com a semi-balada "Bring Out The Rebel", em que eles capricham nos refrães grudentos em coro e guitarras que mais uma vez te farão lembrar o Leppard, no melhor estilo Steve Clark. E até o final tudo volta a ser acelerado, em "Fuel For The Fire", na barulhenta e rápida "What's That Smell?", com a dupla Jaarsveld e Spall colocando fogo para tudo quanto é lado. "Pray For A Miracle" começa como quem não quer nada, com guitarras limpas apenas para enganar para se transformar em outro hard acelerado para encerrar da mesma maneira que começou, com bastante barulho e energia.

Conforme já citado nesse texto, quem gosta do grande "Pyromania", tem tudo para gostar desse registro, pois é inegável como este foi influenciado por esse clássico. Hard cheio de distorção, para hard rocker algum botar defeito!


Esse é pra quem tem dúvida da capacidade vocal do Elt! Canta muito!


1.Appetizer
2.Raise a Little Hell
3.Watch That Video
4.Dance
5.Like a Dog
6.I Don't Want to Live Without You
7.Head to Toe
8.Put Your Money Where Your Mouth Is
9.Bring Out the Rebel
10.Fuel for the Fire
11.What's That Smell?
12.Pray for a Miracle

Andrew Elt - Vocais, Guitarras
Chriz Van Jaarsveld - Guitarras, Backing Vocals
Don Van Spall - Guitarras, Backing Vocals
Ed Jongsma - Baixo, Backing Vocals
Jan Koster - Bateria, Backing Vocals




By Weschap Coverdale

Cinderella – Live At The Mohegan Sun [2009]


Muito já se falou do Cinderella por aqui. A banda foi uma das precursoras do hair metal norte americano dos anos 80, definindo um estilo que ficaria estereotipado pelos grandes gênios tupiniquins como farofa, poseur etc. Durante a fase áurea do grunge, dizer que gostava de Cinderella, Poison e Motley era pedir para ser achincalhado pelos intelectuais que achavam Cobain um gênio. Mas, graças a Deus e a um .38, isso passou.

O fato é que o Cinderella tem uma veia country que o faz especial entre os hard rockers. Quando Zakk Wylde tocou slide em sua Les Paul no disco No More Tears, de Ozzy Osbourne, toda a cena mundial achou aquilo uma inovação. Mas Tom Keifer, guitarra e voz do Cinderella, já fazia uso desse artifício havia muitos anos, desde o grande Night Songs, utilizando também uma Les Paul e um Marshall no talo. E o cara é bom, basta conferir abaixo.






E não apenas isso. Como os músicos são aficionados por instrumentos vintage, os shows da banda são um desfile de ótimas canções com guitarras consideradas verdadeiros diamantes, como a famosa Gibson Les Paul ’59 (que Tom tem original), Zemaitis, Ampeg com corpo de acrílico e muitas Fender tele e stratocasters de diversas épocas. Caso você ache isso um exagero, que essa informação não tem nada a ver com o blog, eu explico o porquê dela estar aqui: timbre! E se o assunto é timbre, nada melhor que uma gravação ao vivo para mostrar o poder de fogo de uma banda.

As gravações ao vivo do Cinderella sempre foram enérgicas, boas de curtir. Mas a qualidade de gravação digital atual, aliada à beleza dos timbres que eles tiram em cima do palco faz do post de hoje uma pequena pérola.

Um show atual, realizado em Uncasville, Connecticut, em 21 de julho de 2005, mas que somente foi lançado oficialmente em 6 de novembro de 2009. A gravação faz parte da turnê Rock Never Stops, que contou também com as bandas Ratt, Quiet Riot e Firehouse. A postagem é para comemorar a confirmação da banda, em três shows na América Latina, ainda este ano, conforme anunciado na Van do Halen. Os shows serão em Bogotá, Buenos Aires e Santiago. Nada da Terra Brazillis.





A formação é a clássica, com Tom Keifer nos vocais, guitarras e piano; Jeff LaBar nas guitarras e backing vocais; Gary Corbett nos teclados e backing vocais; Fred Coury nas baquetas e também ajudando nos vocais; e Eric Brittingham no baixo e nos backing vocais.


A banda revisita toda a sua discografia, tocando músicas consagradas como Night Songs (do disco homônimo), Gipsy Road (de Long Cold Winter), Shelter Me (do Heartbreak Station, uma das minhas preferidas) e Still Climbing (do álbum homônimo). Obviamente cada um pode sentir falta de uma ou outra música específica, mas o recheio do play é saboroso. Impossível, para quem curte a banda, ouvir e não se empolgar com a qualidade do som e a execução do repertório.

Como em 2008 Tom Keifer teve um sério problema de hemorragia nas cordas vocais, sempre pensei que os dias de palco haviam acabado para o Cinderella. Essa gravação, de 2005, seria o canto do cisne. Mas a saúde do cara está recuperada e a turnê de 2010 tá com a agenda a mil. Espero, sinceramente, que passem pelo Brasil, o que não tem acontecido ultimamente com algumas bandas que descem a Linha do Equador. Fica, então, o registro. Vamos rezar, pois, como está escrito naquele papelzinho verde: in God we trust!

Track List

1. Intro
2. Night Songs
3. The Last Mile
4. Somebody Save Me
5. Heartbreak Station
6. Coming Home
7. Shelter Me
8. Nobody's Fool
9. Gypsy Road
10. Don't Know What You Got ('Till It's Gone)
11. Shake Me
12. Fallin' Apart At The Seams (bonus da primeira prensagem)
13. Push Push (bonus da primeira prensagem)
14. Still Climbing (bonus da primeira prensagem)

Tom Keifer (vocais, guitarra, saxofone, piano)
Jeff LaBar (guitarra, backing vocais)
Fred Coury (bateria, backing vocais)
Eric Brittingham (baixo e backing vocais)
Gary Corbett (teclados, backing vocais)


Style é tudo nessa vida, beibe.
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Por Zorreiro

Bruce Dickinson - Accident of Birth [1997]


Após o excesso de experimentações de Skunkworks, Bruce Dickinson decidiu retornar ao que sabia fazer melhor. Convocou seu amigo Roy Z e a cozinha do Tribe of Gypsies para gravar um álbum pesado, totalmente voltado para o Heavy Metal. Isso gerou algumas críticas do então desafeto Steve Harris que disparou: “Bruce lançaria um álbum de música Country se achasse que faria sucesso”. As primeiras idéias musicais começaram a surgir e o vocalista sentiu que poderia encaixar mais uma peça na nova engrenagem. Assim, deu a cartada de mestre, chamando o eterno parceiro Adrian Smith, com quem escreveu várias das músicas mais memoráveis do Iron Maiden.

O resultado é conferido na prática, já que Accident of Birth é um dos melhores discos de Heavy Metal tradicional lançado nas últimas décadas. Pesado, consistente, com melodias marcantes, deixa sua marca desde a primeira audição. Era a prova que o mundo precisava de que o Air Raid Siren não tinha esquecido a fórmula da consagração. Até a capa, para manter o clima de volta aos bons tempos, foi desenhada por Derek Riggs, com o personagem Edison (entendeu o trocadilho? Hã? Hã?) sofrendo um acidente de nascimento. Como, segundo Bruce, os americanos são muito maricas, a arte foi censurada. O jeito foi disponibilizar um desenho mais limpo, apenas com a mascote. E essa foi a versão lançada por aqui. Ao menos, ganhamos faixa-extra.



O conteúdo lírico é um dos mais violentos que Dickinson já registrou. Fontes extra-oficiais dão conta que Rod Smallwood sempre se preocupou para que as letras do Iron Maiden não fossem encaradas como nada além de fruto da imaginação, não passando de determinado ponto que se tornassem opinativas demais, especialmente sobre religião. Aqui a coisa toma um rumo totalmente oposto. Temas apocalípticos, abordagens colocando Jesus como pecador, omisso e passivo, críticas explícitas contra organizações que vendem a fé, além de referências a alquimia – que se ampliria em The Chemical Wedding, trabalho posterior – são o prato principal.

Falando nas músicas, é impossível identificar um ponto fraco no disco. Desde o começo arrasador, com as guitarras agressivas de “Freak”, temos uma verdadeira aula no estilo. Na mesma linha, a fantástica faixa-título e o hit “Road to Hell” (aquela paradinha entre refrão e solo é inigualável) se sobressaem. A climática “Darkside of Aquarius” é até hoje uma das favoritas dos fãs. “The Magician” e a bônus “The Ghost of Cain” contam com ecos do passado para fazer a festa dos saudosistas, especialmente as guitarras da segunda, no melhor estilo oitentista.



A balada “Man of Sorrows” é outro destaque, com sua inspiração em Aleister Crowley. Encerrando, uma dobradinha pra ninguém botar defeito, com a densa “Omega” e a bela acústica “Arc of Space”. Graças a Accident of Birth, Bruce Dickinson reconquistou um espaço que, na realidade, sempre esteve vago. Era o primeiro passo para a volta do grande monstro do Heavy Metal, que se consolidou pouco tempo depois. Mas, honestamente, não alcançaram o nível desse álbum, nem de seu sucessor. Mera opinião pessoal.



Bruce Dickinson (vocals)
Adrian Smith (guitars)
Roy Z (guitars)
Eddie Casillas (bass)
Dave Ingraham (drums)

01. Freak
02. Toltec 7 Arrival
03. Starchildren
04. Taking The Queen
05. Darkside Of Aquarius
06. Road To Hell
07. Man Of Sorrows
08. Accident Of Birth
09. The Magician
10. Welcome To The Pit
11. The Ghost Of Cain
12. Omega
13. Arc Of Space

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JAY