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sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Uriah Heep - Into The Wild [2011]


Dessa vez não foi preciso esperar tanto. Enquanto a diferença entre Sonic Origami e Wake The Sleeper foi de dez anos, o Uriah Heep precisou de apenas mais dois para lançar Into The Wild, seu novo trabalho de inéditas. O vigésimo – terceiro álbum de estúdio do grupo de Mick Box reafirma a força desse line-up, junto desde 1986, com exceção do baterista Russell Gibrook, que chegou em 2007. Produzido por Mike Paxman (Status Quo, Asia), o disco mantém o padrão tradicional do quinteto. Quem gostou do anterior, tem tudo para aprovar esse, pois as mudanças são mínimas e a qualidade constante.

O single “Nail In The Head” abre de maneira bem acessível, com melodia fácil e grudenta. Cara de hit total! Ainda melhor é a seqüência com “I Can See You”, faixa mais acelerada, trazendo uma pegada fulminante do ‘novato da turma’. Mantendo o pique (e o nível) a faixa-título começa com um memorável riff de guitarra, além dos corais perfeitamente encaixados, como sempre. “Money Talk” parece ter saído direto de uma máquina do tempo, com seu estilo totalmente setentista, assim como “I’m Ready”, com aproximação do lado mais Heavy da época. Uma acalmada nos ânimos surge na primeira parte da trabalhada “Trail Of Diamonds”, que se transforma em um Hard Rock de alto nível com o passar do tempo e retorna à suavidade no encerramento.



Outra de fácil assimilação é “Southern Star”. Ótimo arranjo e melodias vocais que dá para acompanhar cantando junto. “Believe” traz uma das melhores participações de Mick Box, econômico, porém marcante em riffs e solos. Em “Lost”, uma atmosfera incrementada com Hammond ao fundo, oferecendo um clima realmente ‘espacial’ à faixa. Uma intro com a cara do Uriah Heep marca “T-Bird Angel”, transitando pelo lado mais comercial do grupo sem se desvirtuar. E mais uma vez, trabalho de vozes incrível! A semi-balada “Kiss Of Freedom” encerra o tracklist normal com passagens acústicas interessantes. A bônus “Hard Way To Learn” mantém o nível, com uma guitarra esperta em sincronia com o clima soturno.

Não dá para deixar de fazer uma menção honrosa a Bernie Shaw. Apesar de estar há 25 anos no grupo, ele sempre será o novo vocalista para os mais conservadores. Pois cada vez mais ele se impõe como uma das figuras mais importantes da história da banda, cantando com personalidade e talento ímpares. Nesse disco, mais uma vez, seu desempenho é soberbo. Após tanto tempo e várias mudanças de formação, o Uriah Heep ainda é uma das bandas mais relevantes de sua era, conseguindo fazer novas músicas com a mesma competência e naturalidade. Fanáticos devem comprar sem pensar duas vezes!

Bernie Shaw (vocals)
Mick Box (guitars)
Trevor Bolder (bass)
Phil Lanzon (keyboards)
Russel Gilbrook (drums)

01. Nail On The Head
02. I Can See You
03. Into The Wild
04. Money Talk
05. I’m Ready
06. Trail Of Diamonds
07. Southern Star
08. Believe
09. Lost
10. T-Bird Angel
11. Kiss Of Freedom
12. Hard Way To Learn

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JAY

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

The Rolling Stones - Exile On Main St. [1972]



Os anos 70 foram, indiscutivelmente, uma década mágica para a música, em vários sentidos. De um lado, o Punk Rock começava a ser criado por bandas como New York Dolls e Stooges, e do outro o Rock Progressivo e o Classic Rock estavam cada vez mais se inovando e se reinventando. E os Rolling Stones começaram a década com força total.

Sticky Fingers, um dos álbuns mais famosos de todos os tempos, foi a estreia do próprio selo de Jagger e companhia, o Rolling Stones Records. A capa idealizada por Andy Warhol é uma das imagens mais emblemáticas da história. Houve também a entrada de Mick Taylor como substituto do finado Brian Jones, morto em 1969.

Apesar de Sticky Fingers ser um clássico incontestável, aquele que é considerado por muitos como o ápice da banda só veio a luz do dia em 1972. As gravações de Exile On Main St., o décimo álbum de estúdio dos Stones, remontam seu chamado exílio no sul da França, numa casa na chamada Villa Nelcotte, que seria um completo paraíso, se não tivesse sido utilizada pela Gestapo como quartel-general durante a Segunda Guerra Mundial.

Há muitas histórias a respeito do que aconteceu no período em que a banda (e mais alguns amigos) permaneceu por lá gravando Exile. Supostamente haviam suásticas pintadas nas entradas de ar da majestosa morada de dezesseis quartos. As sessões aconteceram à noite num porão, e pouco antes da conclusão do trabalho Keith passou por uma desintoxicação. Não é necessário dizer que as drogas fizeram parte do cotidiano por lá.

Mas, independente disso, o resultado foi magnífico. Exile On Main St. trazia uma receita tão variada e consistente que fica difícil contestar a admiração que muitos têm por esse disco. E a abertura com "Rocks Off" mostra o tamanho entrosamento do quinteto. Além do riff simplório e empolgante, o destaque também vai para os instrumentos de sopro e o piano (cortesia de Nicky Hopkins).



"Rip This Joint" tem essência na simplicidade e já começa totalmente direta e frenética. Os vocais de Jagger são coisa de outro mundo aqui, e o slide tocado por Taylor dá uma atmosfera totalmente Blues a faixa. "Shake Your Hips" é um cover de uma canção de Slim Harpo e possui um main riff que lembra vagamente "La Grange" do grande ZZ Top, que seria lançada um ano depois em Tres Hombres.

"Tumbling Dice" é um clássico instantâneo e tornou-se um número quase obrigatório em diversos shows da banda. A influência do Gospel aparece com força aqui. "Sweet Virginia" abre o lado dois, que prima pelas composições fortemente influenciadas pelo Country, com direito à gaitas e tudo o mais. A belíssima "Torn and Frayed" também merece nota por ser uma das minhas preferidas.

"Happy" é um Blues Rock que me lembra Garage Rock de algum modo. "Turd On The Run" tem a inspiração transbordante de sempre da dupla Jagger e Richards, e "Ventilator Blues" possui um andamento incomum, porém fantástico. A balada "Let It Loose" abre alas para as composições finais do disco, começando pela nervosa "All Down The Line", com riff novamente simples e espetacular. "Stop Breaking Down" tem cara de jam, e "Shine A Light" assume a faceta Gospel quase totalmente. Fechando de vez, temos a excepcional "Soul Survivor".



Obra-prima. Ponto.


Mick Jagger - vocais
Keith Richard - guitarras, backing vocals
Charlie Watts - bateria
Mick Taylor - guitarras
Bill Wyman - baixo

01. Rocks Off
02. Rip This Joint
03. Shake Your Hips
04. Casino Boogie
05. Tumbling Dice
06. Sweet Virginia
07. Torn and Frayed
08. Sweet Black Angel
09. Loving Cup
10. Happy
11. Turd On The Run
12. Ventilator Blues
13. I Just Want To See His Face
14. Let It Loose
15. All Down The Line
16. Stop Breaking Down
17. Shine A Light
18. Soul Survivor

Por Gabriel

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Pink Floyd – The Final Cut (1983)


O ultimo corte talvez tenha sido o melhor título para este álbum.

Depois de flertar descaradamente com o pop e a disco music em The Wall, as cifras (que já jorravam aos milhões desde o clássico The Dark Side Of The Moon) atingiram níveis inimagináveis.

A turnê de The Wall foi matadora, e o Pink Floyd adentra a década de 80 com a mesma categoria com que entrara na de 70. Letras melancólicas de um lirismo incomparável, produção impecável e um instrumental sem precedentes na história do rock, graças à química e ao talento de David Gilmour e Richard Wright, especialmente.

Mas a cabeça de Roger Waters, que nunca foi lá essas coisas em termos de sanidade, vagava por um universo paralelo. A vontade de gritar seus traumas para o mundo fez surgir este que, talvez, seja o disco mais Roger Waters de toda a discografia do Pink Floyd.

The Final Cut é o último disco de estúdio do Pink Floyd com Waters, e aquele que traz a volta às raízes que geraram The Dark Side of The Moon. Richard Wright já havia pulado fora, e não participou. Mas os tempos eram outros, e os novos fãs não estavam tão acostumados à psicodelia original da banda. Com músicas arrastadas e letras densas e depressivas, esse é o disco que o músico dedicou ao seu pai, Eric Fletcher Waters, morto na Segunda Guerra Mundial em 18 de fevereiro de 1944, na Itália, quando Roger ainda era um bebê.


A família Waters. Roger é o bebê menor.

Criado pela mãe, Waters já havia se manifestado sobre a sua figura opressora em Mother, do clássico The Wall. The Final Cut foi escrito inteiramente por Roger e dedicado à figura do seu pai. O disco é conceitual, e o nome paterno aparece explícito em The Fletcher Memorial Home. A capa é uma foto de um detalhe do uniforme usado pelo falecido pai, com as insígnias da Marinha inglesa (ele fora fuzileiro naval). O título original era para ser Requiem For a Post War Dream.

O disco foi concebido originalmente para ser trilha sonora do filme The Wall, de 82, mas foi lançado separadamente em razão da Guerra das Malvinas, que acontecia na época e envolveu Inglaterra e Argentina. O disco saiu como um manifesto contra a guerra e a política de Margareth Tatcher.





As orquestrações são conduzidas por Michael Kamen, que já trabalhou com Metallica e havia trabalhado em The Wall. O resultado, a despeito de algumas críticas negativas, é um disco coeso e muito bem produzido. As composições, dentro da proposta, são inspiradas e mostram um Roger Waters disposto a encarar o mundo de frente e gritar aos quatro cantos as suas ideias sobre o mentiroso Welfare State inglês.

Independentemente disso, o disco vale por uma passagem especial, na música The Gunners Dream. Quando a voz de Waters se mescla com o saxofone, exatamente no mesmo tom e na mesma timbragem, a impressão que temos é de cair no vazio. Um sentimento que aperta o coração dentro do peito. Eu acho este, especificamente, um dos momentos mais lindos e impressionantes da história da música.



Se você conhece o play, sabe do que estou falando. Se não conhece, encontre essa passagem.

Você nunca mais será o mesmo.

Track List

1. "The Post War Dream"
2. "Your Possible Pasts"
3. "One of the Few"
4. "When the Tigers Broke Free"

5. "The Hero's Return"
6. "The Gunner's Dream"
7. "Paranoid Eyes"
8. "Get Your Filthy Hands Off My Desert"
9. "The Fletcher Memorial Home"
10. "Southampton Dock"
11. "The Final Cut"
12. "Not Now John"
13. "Two Suns in the Sunset"

David Gilmour (guitarra, vocais em "Not Now John")
Nick Mason (efeitos sonoros com holophonics, bateria)
Roger Waters (vocais, baixo, violões, sintetizadores)
Músicos adicionais
Andy Bown (órgão Hammond)
Ray Cooper (percussão)
Michael Kamen (piano, condução e arranjos da the National Philharmonic Orchestra)
Andy Newmark (bateria em "Two Suns in the Sunset")
Raphael Ravenscroft (saxofone tenor)

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Por Zorreiro

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Megadeth – Youthanasia [1994]



Esse disco forma a santíssima trindade do auge da popularidade do Megadeth, juntamente com Rust In Peace e Countdown To Extinction. E é puro hard rock.

Marty Friedman estava mais entrosado que nunca, David Ellefson, membro fundador da banda, e Nick Menza estavam efetivados havia alguns anos. A formação do Megadeth era incrivelmente estável e aparentemente definitiva. O resultado não poderia ser outro: mortal!
Em 1994 o Metallica amargava um inexplicável ostracismo, provavelmente decorrente da ressaca do sucesso do Black Album, e sua trajetória foi descendente na década (apesar de que eu gosto de Load, mas isso é outra história). Slayer parecia fazer mais do mesmo e isso estava enjoando. Anthrax estava num vai/ não vai, mesmo depois do fantástico Sound of White Noise. Sobrava só o Megadeth para empunhar o estandarte.

O som fugia um pouco do thrash metal tradicional, dando continuidade ao que foi feito em Countdown. Mas ainda tínhamos o bom e velho Megadeth de guerra desfilando petardos violentos com letras sobre política, crimes e problemas em geral (Family Tree é sobre incesto).

A abertura, com Reckoning Day, nos faz pensar que estamos diante do velho e bom thrash metal da Bay area, apesar de a cadência parecer um pouco lenta para os padrões. O ritmo é quase dançante, e isso é uma heresia em se tratando de Megadeth.



Acha que estou exagerando? O hard rock glam havia acabado e as bandas thrash estavam rumando para esse nicho? Claro! Vou repetir: quem gostava de hard farofa não curtiu grunge. Foi buscar em outras fontes, como... Megadeth e Metallica. Duvida? Ouça Elysian Fields e me responda: isso é thrash?

Train of Consequences abre com um daqueles riffs que lembram o que Mustaine fez em Kill ‘Em All, debut do Metallica. As vocalizações estão um pouco mais melódicas do que o usual, e a veia hard rock de Mustaine se apresenta pela primeira vez juntamente com o solo de Friedman, que parece sair daquelas escalas exóticas que fizeram a sua fama em Rust In Peace.



A Tout Le Monde foi o hit do disco, tendo sido regravada posteriormente pela própria banda com a adição de vocais femininos. Mas aqui está a original e, por ser a versão remasterizada, a demo original. Solos dobrados são a cereja do bolo.

Depois desse disco a banda pareceu não mais se entender. Os rumos musicais ficaram confusos e Marty Friedman cada vez mais distante. A sua saída tornou-se, então, inevitável.

Muitos dizem gostar dos discos do Megadeth depois desse, como Risk e Cryptic Writings. Mas o fato é que aqui está o último grande registro com Friedman.

É interessante ver como uma banda que finalmente consegue ser a número 1 deixa a história escorrer por entre seus dedos como se fosse areia.

Track List

1. "Reckoning Day"
2. "Train of Consequences"
3. "Addicted to Chaos"
4. "À Tout le Monde"
5. "Elysian Fields"
6. "The Killing Road"
7. "Blood of Heroes"
8. "Family Tree"
9. "Youthanasia"
10. "I Thought I Knew It All"
11. "Black Curtains"
12. "Victory"
13. "Millenium of the Blind"
14. "New World Order" (demo)
15. "Absolution"
16. "A Tout le Monde" (demo)


Dave Mustaine (vocais, guitarra)
David Ellefson (baixo e vocais)
Marty Friedman (guitarras)
Nick Menza (bateria)

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Por Zorreiro

Midnite Club - Circus Of Life [2008]


O nome do vocalista Carsten Schultz tem sido muito comentado na cena Hard nacional, graças a seu envolvimento com os músicos da banda Paradise Inc, que logo lança seu primeiro álbum. Mas o alemão já possui um caminho relativamente extenso em sua carreira, especialmente graças ao Evidence One e o Midnite Club. E esse último que trazemos no post, com seu segundo trabalho de estúdio. Contando com o conhecido Ferdy Doernberg (Axel Rudi pell, Rough Silk) nos teclados, o grupo faz um Hard/Melodic Rock tipicamente europeu, com toques de peso e musicalidade acima de qualquer suspeita.

Sons como a pegajosa “Afraid Of Love” e seus backing vocals perfeitos, a cadenciada “Promises Remain” e suas guitarras soberbas mostram toda a competência dos músicos em envolver o ouvinte. Já “Heart Of a Dragon” mostra uma tendência mais americanizada, bem na linha oitentista. Então surge uma grande e agradável surpresa, no belíssimo cover para “Danger Zone”, de Kenny Loggins, sonzaço da trilha sonora de Top Gun – Ases Indomáveis. A banda fez um grande trabalho, impondo sua marca sem descaracterizar o conteúdo original.

O início acústico de “Memories For Sale” indica uma balada. Mas ela vai crescendo e mostrando uma bela melodia, alternando momentos introspectivos e uma bela pegada, com destaque para o baterista Bernd Herrman, que mostran entender do riscado. Balada mesmo vem na saideira, com “Crying In A Dream”, muito bem guiada pelos teclados. Um ótimo play para os adeptos de um Hard bem executado. Por enquanto, o Midnite Club encontra-se em estado de hibernação, já que seus integrantes estão ocupados com outras atividades.

Carsten Schultz (vocals)
Steffen Seeger (guitars)
Ferdy Doernberg (keyboards)
Holger Seeger (keyboards)
Andy Keller (bass)
Bernd Herrman (drums)

01. Circus
02. Afraid of Love
03. Promises Remain
04. Behind My Eyes
05. Heart of a Dragon
06. Danger Zone
07. Shelter from the Storm
08. Memories for Sale
09. Closer to the Distance
10. Calling for Crazy
11. Crying in a Dream

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JAY

terça-feira, 27 de setembro de 2011

John Mayall Bluesbrakers – A Hard Road [1967]



Eric Clapton is God

Essa era a imagem do Slowhand em meados dos anos 60, em razão do seu trabalho com os Yardbirds, traduzida em um grafite na parede do metrô de Londres.

Descontente com o rumo dos trabalhos de sua banda, Clapton abandonou o barco e foi se juntar com aquele que é considerado um dos precursores do british blues eletrificado: John Mayall e seus Bluesbrakers.

Os Bluesbrakers com Clapton logo atingiram o status de Cult. O disco Beano hoje é o mais vendido da carreira de Mayall, que, convenhamos, é bastante prolífica. Os timbres de amps Marshall cuspindo fogo pelas ventas eram uma novidade na época, pois, em 66, os sistemas de distorção de som ainda eram precários. Clapton resolveu isso lacrando todos os botões no máximo e obtendo um dos timbres mais quentes da história do rock. O guitarrista, então, sai para montar o Cream e leva consigo o baixista Jack Bruce. o Cream é produto da escola Mayall.



Foi nesse cenário que surge um rapaz de 19 anos chamado Peter Green, com a espinhosa função de substituir Eric “God” Clapton nos Bluesbrakers. O legado devia ser mantido por sua glória, mas a identidade própria era requisito de exigibilidade para a sobrevivência da carreira de Green. Ele não podia ser um clone de Clapton, mas tinha que se mostrar tão bom quanto.

Caro passageiro, o resultado foi tão explosivo que, hoje, poucos fãs ousam discutir qual dos dois discos é melhor: Beano ou A Hard Road. Os timbres característicos da Les Paul de Green fizeram escola. O músico também contribuiu com composições próprias, a exemplo da fantástica instrumental The Super Natural. Essa guitarra (uma Gibson Les Paul 1959) se tornaria um peso sobre os ombros de Green, que a vendeu e, anos depois, foi adquirida por Gary Moore (Moore não comprou direto de Green como alguns pensam).



Green, depois, leva consigo o baixista John McVie e o baterista Mick Fleetwood e forma o Fleetwood Mac, mais um produto da espantosa escola Mayall. Também foi acometido de esquizofrenia em razão do abuso de drogas e isso o tirou de cena durante as décadas de 70 e 80, reaparecendo com seu Splinter Group na segunda metade dos anos 90.

Mas aqui está o filé. Peter Green querendo mostrar serviço aos 19/20 anos de idade substituindo ninguém menos que aquele que era considerado o melhor guitarrista do mundo à época (Hendrix surgiu pouquíssimo tempo depois). Deguste o que há de melhor na escola britânica do blues.



Sobre a história, cabe a seguinte citação do site oficial de Mayall:

After Clapton and Jack Bruce left the band to form Cream, a succession of great musicians defined their artistic roots under John's leadership, and he became as well known for discovering new talent as for his hard-hitting interpretations of the fierce Chicago-style blues he'd grown up listening to. As sidemen left to form their own groups, others took their places. Peter Green, John McVie and Mick Fleetwood became Fleetwood Mac. Andy Fraser formed Free, and Mick Taylor joined the Rolling Stones. As Eric Clapton has stated, "John Mayall has actually run an incredibly great school for musicians."

Mais do que um simples disco para cumprir tabela com as gravadoras, aqui está um encontro entre talentos no qual rolou uma química sem igual. É mais uma aula de blues elétrico da escola Mayall. Aprenda com o mestre Mayall o que é blues elétrico.

Ah! Não escrevi no título para guardar a informação aos que resolveram ler a resenha: esta é a Expanded Edition, um cd duplo que saiu em 2003 contendo o famoso EP da jam que a banda fez com Paul Butterfield como bônus.



Definitivamente, não é para qualquer um. Espero que curtam.

Track List

CD 1

1 A Hard Road 3:10
2 It's Over 2:47
3 You Don't Love Me 2:40
Vocals - Peter Green (2)
4 The Stumble 2:50
5 Another Kinda Love 3:06
6 Hit The Highway 2:10
7 Leaping Christine 2:18
8 Dust My Blues 2:43
9 There's Always Work 1:38
10 The Same Way 2:07
Vocals - Peter Green (2)
11 The Super-Natural 2:57
12 Top Of The Hill 2:34
13 Some Day After Awhile (You'll Be Sorry) 2:57
14 Living Alone 2:20
15. Evil Woman Blues 4:05
16. All My Life 4:25
17. Ridin' on the L&N 2:32
18. Little by Little 2:47
19. Eagle Eye

CD 2

1.Looking Back 2:37
2. So Many Roads 4:47
3. Sitting in the Rain - 2:59
4. Out of Reach 4:44
5. Mama Talk to Your Daughter 2:39
6. Alabama Blues 2:31
7. Curly 4:51
8. Rubber Duck 4:00
9. Greeny 3:56
10. Missing You 1:59
11. Please Don't Tel 2:29
12. Your Funeral and My Trial 3:56
13. "Double Trouble" 3:22
14. "It Hurts Me Too" 2:57
15. Jenny - 4:38
16. Picture on the Wall - 3:03
17. First Time Alone – 5:00


John Mayall (vocais, guitarra, harmonica, piano, órgão)
Peter Green (vocais, guitarra, harmonica)
John McVie (baixo)
Colin Allen, Aynsley Dunbar, Hughie Flint (bateria)
John Almond e Alan Skidmore (saxophone)
Ray Warleight (sopros)


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Por Zorreiro

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Motörhead - Better Motörhead Than Dead [2007]



Embalado pelo show - fantástico, diga-se de passagem - do Motörhead no último domingo, resolvi que tinha que postar algo desses monstros do rock'n'roll por aqui. O escolhido foi um onstage histórico. Histórico por dois motivos: Better Motörhead Than Dead é o registro da celebração do aniversário de 30 anos de carreira de Lemmy e companhia; e, é Motörhead, e só por isso vale o download!

Better Motörhead Than Dead é o sétimo disco ao vivo da banda e foi gravado no Hammersmith Apollo, no dia 16 de julho de 2005. O registro, porém, só foi lançado um ano depois, em formato duplo e cheio de preciosidades em seu setlist.



Na escolha das faixas, houve o resgate de músicas até então pouco abordadas na carreira do trio. Exemplos são diversos: "Shoot You In The Back", "Bomber", "Love Me Like A Reptile", e "I Got Mine", além de, é claro, os velhos clássicos. Mas, acima de tudo, o repertório foi abrangente e conseguiu resumir em uma hora e quarenta e dois minutos toda a carreira do Motörhead até aquele momento de forma DESTRUIDORA, como sempre.

Uma faixa que merece nota é a acústica "Whorehouse Blues", que conta até mesmo com um solo de gaita incrível de nosso caro Lemmy. E você já sabe o que esperar por aqui: porrada na orelha! Diversão garantida ou 160mbs deletados!


Lemmy Kilmister - bass guitar, vocals
Phil Campbell - guitars, backing vocals
Mikkey Dee - drums

CD 1:
01. Dr. Rock
02. Stay Clean
03. Shoot You In The Back
04. Love Me Like A Reptile
05. Killers
06. Metropolis
07. Love For Sale
08. Over The Top
09. No Class
10. I Got Mine
11. In The Name of Tragedy
12. Dancing On Your Grave

CD 2:
01. R.A.M.O.N.E.S.
02. Sacrifice
03. Just 'Cos You Got The Power
04. (We Are) The Road Crew
05. Going To Brazil
06. Killed By Death
07. Iron Fist
08. Whorehouse Blues
09. Bomber
10. Ace Of Spades
11. Overkill

Por Gabriel

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White Widdow - Serenade [2011]


Ano passado, a cena do Hard/Melodic Rock foi pega de surpresa com a chegada de um verdadeiro furacão musical da Austrália. Com seu álbum de estréia, o White Widdow arrebatou uma verdadeira legião de seguidores. E não era para menos, já que o disco era um “crime perfeito” para os adeptos de um AOR extremamente pegajoso, totalmente influenciado pelos 1980s. Visando aproveitar o grande momento, o grupo não demorou a preparar um segundo petardo. Serenade mantém a estrutura do debut, sem correr riscos desnecessários. E tem tudo para arrebatar ainda mais fãs para a banda.

Desde a abertura, com “Cry Wolf”, fica clara a proposta. Melodia grudenta, execução pomposa, com guitarras e teclados se revezando na linha de frente – no solo, Enzo Almanzi incorpora George Lynch em seus momentos mais inspirados. “Strangers In The Night” tem potencial para single, com seu refrão marcante, assim como “Do You Remember?”, mais uma daquelas semi-baladas no melhor estilo Def Leppard de ser. O momento pede uma daquelas que faz a galera pular em show. E “Reckless Nights” faz a sua parte, com uma levada de empolgar. Quando parece que nada mais nos atinge, “How Far I Run” funciona como uma máquina do tempo, nos transportando a cada nota. Para ouvir e sair cantando junto.



Recém chegamos à metade. Será que haverá fôlego para manter o nível lá em cima? A faixa-título começa a nos responder. De início, parece que estamos diante de uma bela balada. Mas a impressão se dissipa segundos mais tarde, com uma pegada contagiante, além do refrão simples e direto. “Show Your Cards” vai fazer os fãs de grupos como Giant, Honeymoon Suite e Survivor vibrar, enquanto “Mistake” é estruturada nas seis cordas, trazendo um feeling mais pesado. A balada do play surge em “Patiently”, com mais um belo solo de Enzo, o grande destaque. Fechando em alto astral, “Love Won’t Wait”, lembrando o grande sucesso da estréia, “Broken Hearts Won’t Last Forever”.

É clichê? Sim, mas muito bem feito e empolgante, com músicos do mais alto nível, que conhecem o caminho que estão percorrendo como poucos. Se ainda havia alguma dúvida, agora dá para afirmar sem medo: o White Widdow é a maior revelação dos últimos anos no estilo! Fãs de Rock Melódico, eis a nova banda a figurar entre as suas preferidas de todos os tempos.



Julez Mephisto (vocals)
Enzo Almanzi (guitars)
Trixxi Trash (bass)
Xavier Mephisto (keyboards)
Jim (drums)

01. Cry Wolf
02. Strangers In The Night
03. Do You Remember
04. Reckless Nights
05. How Far I Run
06. Serenade
07. Show Your Cards
08. Mistake
09. Patiently
10. Love Won’t Wait

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JAY

sábado, 24 de setembro de 2011

Black Sabbath - Master of Reality [1971]



Na época de sua fundação, o Black Sabbath nunca foi muito compreendido pela crítica (apesar das inesperadas altas vendas). A música obscura, pesada e depravada dos ingleses, enfim, só iria ser considerada genial muitos anos depois, como de praxe. E, como se não bastasse, em 1971, depois dos clássicos Black Sabbath e Paranoid, Iommi e seus companheiros lançaram aquele que é um dos mais pesados de sua carreira.

Master of Reality capta uma fase da banda em que as drogas faziam parte de seu cotidiano (e principalmente do de Ozzy). Isso pode ser facilmente notado em várias faixas do play, como por exemplo na letra de "Sweet Leaf", que é praticamente uma declaração de amor para a própria erva. Por essas e por outras, o terceiro disco da carreira dos ingleses é considerado um dos pilares para a criação do chamado Doom Metal, gênero representado por bandas como Candlemass e Saint Vitus, que nunca negaram a influência do Sabbath em seu som.



Destaques ficam para a abertura com a chapada Sweet Leaf, para a ótima After Forever, para a porradona Children of the Grave e para o encerramento com a genial Into The Void. Outro clássico de uma das mais influentes bandas de toda a música.


Ozzy Osbourne - vocais
Tony Iommi - guitarras
Geezer Butler - baixo
Bill Ward - baquetas

01. Sweet Leaf
02. After Forever
03. Embryo
04. Children of the Grave
05. Orchid
06. Lord Of This World
07. Solitude

08. Into The Void

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Por Gabriel


Steelhouse Lane - Metallic Blue [1998] & Slaves Of The New World [1999]


Mesmo em seus piores momentos na indústria da música, o Hard Rock de arena contou com fiéis representantes nos Estados Unidos. E poucos foram tão insistentes como Mike Slammer, guitarrista com passagem pelo Warrant, City Boy e Streets, além de produtor e compositor de grupos como House Of Lords, Big Bang Babies e Hardline. Com o apoio de bons amigos angariados após anos de trabalho, montou o Steelhouse Lane, investindo em um som genuinamente oitentista, com grandes influências de Journey, Van Hagar e afins. Apesar do cenário desfavorável, conseguiu uma pequena, porém ferrenha legião de fãs com seus dois lançamentos. Não são poucos que citam estes trabalhos como referenciais dos tempos de vacas magras do estilo.

Contando com o vocalista Keith Slack – indicação de James Christian – e o baterista Dewayne Barron, Mike lançou Metallic Blue. O disco trazia regravações de suas músicas que haviam sido utilizadas por outros artistas, como a potente faixa-título (House Of Lords), “Dr. Love” (Hardline) e “Addicted” (Wall Of Silence). Outros destaques vão para a baladaça “Find Your Way Home”, a cadenciada “Feel My Love” e a indefectível melodia de “Fire With Fire”. “Brighter Day” fecha de maneira instrospectiva, com uma influência que remete a tempos ainda mais distantes, especialmente na performance vocal de Slack, mostrando sua versatilidade.



A repercussão ao debut foi tão boa que não demorou mais que um ano para Slammer preparar um segundo disco. Dessa vez com uma formação completa, o resultado foi ainda melhor. Slaves Of The New World mostra-se um grande trabalho, ainda mais coeso, com melodias mais trabalhadas. Novamente algumas idéias foram reaproveitadas, como a ótima “Son Of A Loaded Gun”, escrita para a banda Eyes, além de “Find What We’re Looking For”, destinada originalmente ao Boston. Flando na turma das antigas, Steve Walsh (Kansas) aparece de co-autor em duas músicas, “If Love Should Go” e “The Nightmare Begins”.

A excelente “Give It All To Me” abre o play com a corda toda. Riff espetacular, vocalizações perfeitas e um refrão mais grudento impossível. É ouvir, sair cantando e nunca mais esquecer. A faixa-título traz uma pegada mais moderna e muito peso – claro que, de acordo com o estilo em que se encaixa. Lógico que tinha que rolar uma balada com forte carga emocional. E “All I Believe In” cumpre sua função, fazendo muitos recorrerem aos lenços de papel. Mas o Hard festeiro retoma o comando em “Into Deep”. Duas pérolas marcam a reta final, com as excepcionais “All Or Nothin’” e “Seven Seas”, que caíram na preferência dos adeptos.



Os dois discos tiveram lançamento nacional à época – na verdade, o segundo antes do primeiro, mas apenas um detalhe. Talvez, garimpando em algum sebo da vida, você consiga encontrar um perdido. Mais rercentemente, foram disponibilizados lá fora no formato 2 em 1. Apesar de não ter seguido em frente, o Steelhouse Lane deixou seu nome marcado e mostrou mais uma vez toda a capacidade de Mike Slammer. Dois trabalhos indispensáveis nas coleções dos admiradores de um Rock melódico bem tocado.


Mike Slamer (guitars, keyboards, bass)
Keith Slack (vocals)
Dewayne Barron (drums)

01. Metallic Blue
02. Surrender
03. Addicted
04. Find Your Way Home
05. Dr. Love
06. Still
07. Best Years of My Life
08. Can't Fight Love
09. Feel My Love
10. Fire With Fire
11. Can't Stop
12. Brighter Day


Mike Slamer (guitars, keyboards)
Keith Slack (vocals)
Chris Lane (guitars)
Alan Hearn (bass)
DeWayne Barron (drums)

01. Give It All to Me
02. Find What We're Lookin' For
03. Son of a Loaded Gun
04. Turn Around
05. Slaves of the New World
06. All I Believe In
07. Into Deep
08. The Nightmare Begins
09. All or Nothin'
10. Seven Seas
11. Where Are You Now

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JAY

Lynch Mob – Lynch Mob [1992]


Após a turnê de divulgação do primeiro álbum “Wicked Sensation”, o Lynch Mob tratou de demitir o vocalista Oni Logan. Seus abusos e seu estilo de vida inconsequente não combinavam com a competência dos outros músicos incluídos – os dois ex-Dokken George Lynch e “Wild” Mick Brown, além de Anthony Esposito. O substituto para assumir os microfones foi Robert Mason, hoje integrante do Warrant.

Da esquerda pra direita: Anthony Esposito,
George Lynch, Mick Brown e Robert Mason

Seguindo o mesmo modelo de seu anterior, o segundo disco do Lynch Mob, auto-intitulado, foi lançado em 1992. Permanece o Hard Rock grudento e o estilo único de músicos excepcionais como Lynch e Brown. Mas é um disco menos pesado e mais melódico. Torna-se perceptível a evolução natural do conjunto, que apresenta um trabalho ainda mais uníssono e linear em termos de composição e execução, bem como uma melhor produção.

Robert Mason canta muito. Vocalista grandioso, exuberante e de grande alcance. Melhor do que seu antecessor em vários quesitos, principalmente na performance ao vivo (confira o bootleg “Live At Hollywood”). O bom baixista e backing vocal Anthony Esposito parece trabalhar melhor na cozinha com Mick Brown, batera competente e versátil. Sempre dispensando comentários, George Lynch é um poço de habilidade e criatividade. Não à toa, se tornou um dos grandes ídolos das seis cordas para uma geração.



Infelizmente, o êxito comercial aguardado não veio novamente e, após mais uma turnê de divulgação, o grupo se separou no ano seguinte e cada um partiu para seu caminho. Mick Brown e George Lynch ainda fariam parte de uma reunião do Dokken em 1995, mas este decidiu sair três anos depois. O Mob se reuniu várias vezes, sendo a última em 2008, permanecendo na ativa desde então.

Deste registro, os destaques vão para a grudenta Heaven Is Waiting, a autenticamente “lynchiana” Tangled In The Web, a paulada No Good e o cover Tie Your Mother Down, original do Queen. Vale a pena conferir.



01. Jungle Of Love
02. Tangled In The Web
03. No Good
04. Dream Until Tomorrow
05. Cold Is The Heart
06. Tie Your Mother Down (Queen cover)
07. Heaven Is Waiting
08. I Want It
09. When Darkness Calls
10. The Secret

Robert Mason – vocal
George Lynch – guitarra
Anthony Esposito – baixo, backing vocals
"Wild" Mick Brown – bateria, percussão, backing vocals

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by Silver

AVISO

Apenas um aviso: as pessoas que comandam o Facebook da Combe do Iommi não tem NADA a ver com os que postam os discos - que são os que importam. São os típicos que não fazem nada e ainda acham que estão contribuindo com alguma coisa. Por conta disso, a partir de agora proíbo que meus posts sejam veiculados naquela página como divulgação.

O que, aliás, é algo que me alivia, já que aquele espaço não trouxe nada de bom para a equipe do blog, além de só servir para gentinha criar intrigas, jogando um membro da equipe contra o outro para se sentir importante de algum modo - já que, em termos de postagem, é um zero à esquerda, que nunca contribuiu com nada, verdadeiramente. Só a Combe do Iommi representa a Combe do Iommi. Nada mais. Nem Facebook, nem coisa nenhuma.

Isso não reflete a opinião da equipe da Combe, apenas a minha, para deixar claro.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Sebastian Bach – Kicking & Screaming [2011]


Foi tanto falatório, que não tinha como não criar expectativa. Mas o fato é que Sebastian Bach venceu muitas barreiras desde que lançou Angel Down. Aquela figura chamada de Barbie por alguns roqueiros das antigas passou a ser reconhecida pelas gerações posteriores, forçando até mesmo o respeito dos barbados e pançudos que se acham eternos sabedores. Algum tempo depois, ele retorna com Kicking & Screaming. Não, Tião – como ficou carinhosamente conhecido por esses lados – jamais apagará a imagem de vocalista do Skid Row. Mas pode conviver com ela, assim como outros cantores lendários já fizeram.

Aqui, podemos percebê-lo mais melódico, menos agressivo em comparação ao trabalho anterior. Mas sem perder um pingo de qualidade. E o grande trunfo está no novato Nick Sterling, um talento acima da média. O garoto manda ver riffs e solos com a categoria de um veterano, formando uma dupla e tanto com o dono da festa. Isso já fica claro na faixa-título, misturando todas as características que encontramos no play. E a levada de Bobby Jarzombek é simplesmente delirante. O peso com toques britânicos aparece em “My Own Worst Enemy”, verdadeiro convite ao headbanging com linhas de guitarra emocionantes.

“Tunnelvision” traz a participação de John 5. E apesar de seu trabalho mais conhecido ser com Marylin Manson, execrado pelos mais radicais, é inegável que trata-se de um dos maiores talentos de sua geração. Certo toque de modernidade é notado, mas trata-se de um Hard Rock potente, dos bons, lembrando até algo do álbum Live To Win, de Paul Stanley, que também teve John participando. Só que o bicho pega para valer é na seguinte, “Dance On Your Grave”, cacetada certeira com baixo pulsante. Vibração totalmente oitentista, com Bach fazendo sua tradicional gritaria. Mantendo o nível lá em cima, “Caught In a Dream” mostra todo o entrosamento do trio.



Um clima mais Rock and Roll toma conta em “As Long As I Got The Music”, uma ode à vida típica de um músico. Um momento mais calmo aparece em “I’m Alive”, apenas preparando terreno para “Dirty Power” e sua pegada matadora, navegando até mesmo por mares mais pesados que o habitual. “Live The Life” possui um instrumental que parece derivado de “Monkey Business”. Mas claro que, como todo filho, tem alguma característica diferente do pai. No entanto, a lembrança é inevitável. Falando em inevitável, é claro que o disco não poderia passar sem uma balada. E “Dream Forever” cumpre seu papel com louvor, embora Tião já tenha se saído bem melhor nessa área.

Um groove de primeira dá as caras em “One Good Reason”, outra que remete aos velhos tempos sem perder o sabor de novidade. Outra que vai para o lado mais moderno é “Lost In The Night”, onde Nick parece ter tomado uns goles de Black Label, se é que vocês me entendem. Natural, afinal de contas ele possui influências mais atuais que as de Sebastian, o que é muito saudável para a parceria. Fechando de vez, a sentimental “Wishin’”, trazendo um pouco de romance ao ambiente. Com um belo arranjo, poderia facilmente figurar entre os hits nas rádios de antigamente. Belo modo de fechar a conta.

É difícil traçar um simples paralelo de Kicking & Screaming com os grandes clássicos da carreira de Sebastian Bach, especialmente os dois primeiros do Skid Row. É outra época, outra realidade e o que entrou para a história dificilmente será subtituído, até pelo impacto que teve. Até por isso, o recomendável é escutar sem ter pré-conceitos estabelec idos em mente. O que não muda é a capacidade de fazer um Hard/Heavy pegajoso e competente. E isso já basta.

Sebastian Bach (vocals)
Nick Sterling (guitars, bass)
Bobby Jarzombek (drums)

01. Kicking & Screaming
02. My Own Worst Enemy
03. Tunnelvision
04. Dance On Your Grave
05. Caught In A Dream
06. As Long As I Got The Music
07. I'm Alive
08. Dirty Power
09. Live The Life
10. Dream Forever
11. One Good Reason
12. Lost In The Night
13. Wishin'

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JAY

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Shortino/Northrup – Afterlife [2004]


Em 1993, Paul Shortino e JK Northrup, dois talentos natos, uniram forças e lançaram Back On Track, simplesmente um dos melhores discos de Hard Rock de todos os tempos. Mesmo não alcançando o retorno comercial esperado, a parceria ganhou status de cult, fazendo com que muitos “caçadores de relíquias” corressem atrás. O súbito interesse fez com que houvesse inclusive um relançamento comemorando os dez anos do produto original, com quatro bonus-tracks, que é a versão que disponibilizamos aqui na Combe tempos atrás.

Com o faro sempre astuto, a Frontiers Records chamou a dupla onze anos mais tarde e os fez unir forças novamente para trabalhar em um novo álbum. “Afterlife” é um disco mais diversificado, trazendo faixas que passam pelo AOR, o Melodic Rock e até buscando sonoridades mais atuais. Não chega ao nível de seu antecessor, mas ainda assim tem qualidade de sobra para ser apreciado. Shortino mostra, mais uma vez, porque era afilhado de ninguém menos que Ronnie James Dio e recentemente se tornou fiel escudeiro de Carmine Appice.



A abertura com “Here I Am” já evidencia o lado mais melódico em comparação com o trabalho anterior. Mas é impossível deixar de citar como grande destaque a balada “Like A Stone”, simplesmente uma das mais lindas compostas nos últimos anos no gênero. A simplicidade do arranjo dá um charme todo especial, criando um momento único. Já “Crazy Mind” conta com a participação de Johnny Edwards, curiosamente a quem Paul substituiu no King Kobra. As peças que a vida prega são incríveis. A suingada “Crossfire” também merece destaque, especialmente pela categoria de JK.

Aliás, o guitarrista brilha sozinho na instrumental “Mark My Words”, verdadeiro show de feeling e técnica, como só os grandes do instrumento sabem fazer. Uma bela oportunidade para conferir o trabalho de dois dos nomes mais subestimados do Hard Rock. Mas o tempo se encarrega de fazer justiça, e a internet proporciona o espaço necessário para recuperarmos essas pérolas perdidas.



Paul Shortino (vocals)
JK Northrup (guitars, bass, synth)
B.E. Haggard (drums)
Nir Averbuch (piano)
Johnny Edwards (additional vocals on "Crazy Mind")
Tommy Denander (guitar solo on “Feel Again”)

01. Here I Am
02. Afterlife
03. Like A Stone
04. Crazy Mind
05. Feel Again
06. Crossfire
07. Slave
08. Gypsy Soul
09. Mark My Words
10. As I Fall
11. Prisoner

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JAY

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Aerosmith - Toys In The Attic [1975]



O Aerosmith era totalmente destruidor de lares em sua fase inicial. Mesmo que ainda mandem muito bem, não consigo engolir parte das baladinhas que são compostas por Tyler e companhia hoje em dia. Simplesmente não consigo. Mas, mesmo assim, essa é uma de minhas bandas preferidas, e já que mencionei essa fase específica de sua carreira, nada melhor do que postar um de seus maiores clássicos.

"Toys In The Attic" foi lançado em 1975 e é o terceiro da trupe. Os dois lançamentos anteriores, por mais que sejam obras-primas (o debut de 1973 é um dos meus preferidos), não emplacaram nas paradas. Mas "Toys" obteve desempenho muito melhor do que seus antecessores, algo que iria ser maximizado em 1976 com "Rocks".


Da esquerda para a direita: Brad Whitford, Joe Perry, Tom Hamilton, Steven Tyler e Joey Kramer

A faixa-título e seu riff fantástico abrem a pepita com força total, sem enrolações. O riff inicial é trabalho de gênio, realmente Perry se superou nessa música. "Uncle Salty" envereda pelo lado blueseiro da força, e o feeling é transbordante, assim como a inspiração. Tenho que destacar também o trabalho de Tom Hamilton, que sempre foi competente no que faz.

"Adam's Apple" é uma de minhas preferidas. A mágica dessa faixa é algo inexplicável; só ouvindo para saber, realmente. A seguinte é "Walk This Way" em sua sutileza original, que fez sucesso sem ter que colocar Run DMC no meio. Essa versão é bem mais direta e "Aerosmithiana", se podemos dizer assim.

"Big Ten Inch Record" merece nota por ser um cover tão bom, mas tão bom, que chega a ser indispensável. Os pianos e os instrumentos de sopro em conjunto com todo o instrumental da banda recriam um daqueles cenários de beira de estrada magnificamente bem. Tyler surpreende com um solo de gaita extremamente frenético e espetacular, diga-se de passagem.



Seguindo, temos "Sweet Emotion", uma balada com apelo pop e, mais uma vez, um baita riff. "No More No More" tem um peso extra em sua execução, assim como "Round And Round", uma faixa com andamento marcante. Infelizmente, essas duas são pouco abordadas e conhecidas. E fechando de vez há a melosa "You See Me Crying", uma belíssima balada com atuação ímpar, principalmente por parte de Tyler.

Por ser Aerosmith você já sabe o que esperar. Clássico imperdível!


Steven Tyler - vocais, gaita

Tom Hamilton - baixo
Joey Kramer - bateria, percussão
Joe Perry - guitarras, backing vocals
Brad Whitford - guitarras

01.
Toys in the Attic
02. Uncle Salty
03. Adam's Apple
04. Walk This Way
05. Big Ten Inch Record
06. Sweet Emotion
07. No More No More
08. Round And Round
09. You See Me Crying

Por Gabriel

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Black Stone Cherry – Between The Devil & The Deep Blue Sea [2011]


Sabe aquele som que parece com algo que você já ouviu, mas não consegue identificar exatamente qual a origem da coisa?

Pois esse último lançamento do Black Stone Cherry é mais ou menos assim. Com pitadas de southern tock, stoner, country rock, hard rock e até hip hop (alguns vocais são praticamente rapeados), a mistura de ingredientes resultou num prato saborosíssimo. Refrões bem bolados e dinâmicas inteligentes fazem desse um disco gostoso de ser ouvido do começo ao fim.

Surgida em 2001, em Edmonton, Kentucky, a banda nunca se propôs a trazer algo inovador. Os caras prezam pelos timbres valvulados, vocais encharcados de Bourbon a la Zakk Wylde e cozinha simples, porém coesa (cortesia do bom trabalho de bumbo simples com uma destruição generalizada da prataria). Essa qualidade já aparece na abertura, com White Trash Millionaire, que traz um instrumental inspiradíssimo e um som com gana e muito bem produzido.



Chris Robertson e John Fred Young são filhos de Richard Young, guitarrista da inexplicavelmente ainda não postada banda Kentucky Headhunters. Os contatos e a música, portanto, estão presentes do berço.

Terceiro álbum de estúdio dos rapazes, The Devil And The Deep Blue Sea traz produção impecável e mostra que eles são uma aposta da gravadora Roadrunner. Inteligentes, sabem trabalhar com a nova era da internet e disponibilizaram o álbum para venda e as bonus tracks somente via itunes. Redes sociais são amplamente utilizadas como meios de divulgação do trabalho e o youtube já registra milhares de visualizações de seus vídeos.

As músicas trazem elementos tipicamente norteamericanos, com menções ao folclore e às superstições das diversas regiões do país (nome do disco anterior dos caras, Folklore and superstition). O som é algo moderno, sem cair na chatice geral que impera no mundo metal. Pense em peso e diversão juntas, com solos de guitarra curtos e inspirados nos licks de blues. Sobre solos, é importante lembrar que um solo não pode demorar mais que o tempo que você leva para ir buscar uma gelada no balcão do bar. E eles respeitam essa máxima.

Killing Floor é um peso que faria Zakk Wylde sentir orgulho, inclusive com o bom uso de um talk box. In my Blood é uma mistura excelente de violão, guitarra limpa e guitarra direta em um valvulado, o que mostra que os caras entendem de timbre. E a nós, caro passageiro, cabe avaliar se é bom ou não de ouvir. E é muito bom.

Such a Shame abre com um riff de guitarra furioso. Os riffs dessa banda são cortantes e, ao mesmo tempo, emocionantes. Eles trabalham muito bem o conceito de duas guitarras, sem utiliza-las como twins em melodias de solo mas dosando as freqüências, ou seja, enquanto uma faz o riff grave a outra dedilha em agudos. Isso dá um preenchimento excelente. Cortesia, também, da produção caprichada.

Won’t Let Go é a balada do disco. Doce e pesada na medida certa. Mas o grande hit, que vem a seguir, é Blame It On The Boom Boom. Com vídeo explodindo os níveis de audiência no youtube, é uma prova de que a banda encontrou seu nicho e cativou seu público fiel. Sonzeira! Dá vontade de sair pulando, encher a cara e agarrar todas as gatas que estiverem ao redor.



Todo o disco é bom. E as bonus tracks são a cereja do bolo. Fade Away é linda. Starring At The Mirror traz banjos, nos fazendo lembrar do Pride and Glory, do já citado Wylde.

Como eu disse, temos a impressão de já ter ouvido isso antes. Mas o resultado ficou tão bom que vale a pena conferir. Talvez o Silver ache que esse disco não vá mudar a vida de ninguém, mas temos que lembrar que todos nós já fomos atingidos em cheio por álbuns improváveis (desculpa, irmão, mas não resisti). Eu, por exemplo, curto Weather Report, que a maioria chama de música de elevador ou consultório de dentista. Vai saber.

Como diria Tim Tones, personagem do Chico Anysio: oásis nos desertos da dor.

Track List

1. "White Trash Millionaire" - 3:20
2. "Killing Floor" - 4:02
3. "In My Blood" - 3:49
4. "Such A Shame (Feat. Lzzy Hale)" - 3:27
5. "Won't Let Go (Feat. Lzzy Hale)" - 3:19
6. "Blame It on the Boom Boom" - 3:11
7. "Like I Roll" - 3:33
8. "Can't You See" (Toy Caldwell) - 3:33
9. "Let Me See You Shake" - 3:07
10. "Stay" - 3:24
11. "Change" - 3:05
12. "All I'm Dreamin' Of" - 4:03
13. "Staring at the Mirror" (iTunes and UK Retail Bonus Track) - 3:22
14. "Fade Away" (iTunes and UK Retail Bonus Track) - 3:45
15. "Die For You" (iTunes and UK Retail Bonus Track) - 3:14



Chris Robertson (vocais e guitarras)
Ben Wells (guitarras e backing vocais)
Jon Lawhon (baixo e backing vocais)
John Fred Young (bateria e backing vocais).

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Por Zorreiro

terça-feira, 20 de setembro de 2011

House Of Lords – Big Money [2011]


O House Of Lords tem se mostrado um conjunto incansável nos últimos anos. Cinco álbuns num período de sete anos é uma média muito alta para a atual realidade. Vale ressaltar que todos os discos mantêm um alto padrão de qualidade, não sendo apenas lançamentos para cumprir contrato.

O oitavo da discografia do grupo, “Big Money”, ainda não saiu - só chegará às lojas europeias em 23 de setembro e quatro dias depois nas norte-americanas. Mas o registro vazou, para a felicidade dos fãs. E, mais uma vez, a trupe de James Christian não decepcionou.

“Big Money” é um grande álbum de Hard Rock melódico. A forte tendência para o AOR que o House Of Lords sempre teve continua firme e forte, bem como o peso do trabalho instrumental impecável do guitarrista Jimi Bell, do baixista Chris McCarvill e do baterista BJ Zampa. Sempre grandiosa, a performance do cantor e compositor James Christian se sobressai. Como um bom vinho, Christian melhorou ao envelhecer: preservou sua potente voz e evoluiu em suas composições.



A faixa título abre com um andamento pesado e um refrão cativante. James começa endiabrado e Jimi destila um ótimo solo de guitarra. One Man Down tem um início acústico e leve, mas se transforma numa paulada poderosa. Um dos grandes destaques, First To Cry é melódica e grudenta - seu refrão é realmente grandioso. Em seguida, a faixa escolihda para ser o primeiro single. Someday When não tem tanta força para ser o primeiro single, como foi. Não deixa de ser uma boa canção, mas não está entre as melhores.

Searchin' apresenta o mesmo andamento e as mesmas características das faixas anteriores. Living In A Dream World muda o cenário um pouco, trazendo vocais mais agudos e mais peso no instrumental. A linda balada The Next Time I Hold You segue os padrões de qualidade do House Of Lords, regida por teclados e uma interpretação de James Christian recheada de feeling. Dando sequência, tem-se Run For Your Life, também pesada, mas sem perder a essência melódica. Hologram tem um riff que tatua “80’s” na mente do ouvinte. Entraria facilmente no debut do conjunto, de 1988.

Seven é sensacional, alterna entre momentos grudentos, com presença de teclados e backing vocals, e pesados, com a liderança da guitarra de Bell. O fechamento, que fica por conta de Once Twice e Blood, canções com um senso melódico grandioso e refrães maravilhosos, como sempre. “Big Money” promete estar no Top 10 dos fãs de Hard melódico, apesar de não trazer inovações nem mudar a vida de ninguém.

01. Big Money
02. One Man Down
03. First To Cry
04. Someday When
05. Searchin’
06. Livin’ In A Dream World
07. The Next Time I Hold You
08. Run For Your Life
09. Hologram
10. Seven
11. Once Twice
12. Blood

James Christian – vocal, teclados
Jimi Bell – guitarra
Chris McCarvill – baixo, backing vocals
BJ Zampa – bateria, backing vocals

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by Silver

Edguy – Hellfire Club [2004]



Tobias Sammet é um dos grandes gênios da música contemporânea.

Não aceitar isso é negar o óbvio.

Quando o Edguy começou sua carrreira, tinha um repertório focado no heavy metal melódico, flertando, por vezes, com o power metal tipicamente germânico (ou godo, já que eram troos). Além disso, o Avantasya (prjeto paralelo de Tobias) é uma espécie de ópera metal com diversos músicos a qual Sammet comanda com maestria ímpar.

O espírito inquieto do cara levou o Edguy a beber em diversas fontes, inclusive em um metal mais modernoso, em Tinitus Sanctus. Mas foi em Hellfire Club que a banda resolveu flertar descaradamente com o hard rock, e o fez de maneira espetacular, sem cair nas armadilhas típicas dos clichês do gênero. Claro que os clichês estão aqui, mas estão tão bem disfarçados que acabam soando com um certo frescor, com um ar de novidade. Exatamente por isso é o meu preferido dos caras.

Devo destacar também que Tobias Sammet não é um troo, e suas letras vêm recheadas de um senso de humor absolutamente fantástico. Tente não rir com um título como Lavatory Love Machine e ganhe seu atestado de rançoso. A letra fala de sexo no banheiro de um avião a caminho do Brasil (dá para ouvir o piloto falando Copacapána). Seria autobiográfica?



Sexto disco de estúdio, aqui o grupo começa a brincar de hard rock com classe, sempre apoiado pela Deutsches Filmorchester Babelsberg, uma orquestra sinfônica alemã que já gravou com Rammstein, Karat entre outras bandas de metal. O casamento com os fantásticos riffs de Jens Ludwig é perfeito. Aliás, um parêntese para o sempre maravilhoso trabalho do guitarrista, que parece não esgotar sua sacola de riffs jamais, co-autor de diversas canções com Sammet.

Os vocais de Tobias Sammet, principal compositor são excelentes, e a cozinha mostra que a banda já se encontrava com uma química típica de quem tem um extenso currículo. Mille Petrozza, do Kreator, foi o convidado especial nos backing vocais de Mysteria. Sob este aspecto, digo que o disco traz um astral altíssimo, um clima de camaradagem que reflete tanto nas composições como nas performances.

O power metal está presente em We Don’t Need a Hero, claramente inspirada em Helloween.

King of Fools tem um refrão pra todo mundo cantar junto, tornando-se de antemão um clássico do hard rock do Século XXI. Rise Of The Morning Glory começa com violões e orquestra, mas descamba em um metal ironmaideniano típico da era Powerslave/ Somwhere in Time. Excelente, pra dizer o mínimo. Confira abaixo.



Enfim, Hellfire Club é um daqueles discos que traz um diferencial. É tecnicamente perfeito e tem composições impecáveis. É uma imagem do metal desse século que está se apagando, ofuscada por bandas de um mesmo timbre de guitarras, mesmo timbre vocal, mesma cozinha... Ninguém mais precisa freqüentar aula de música, pois basta comprar um Guitar Hero e sair tocando.

Mas música, caro passageiro, é cultura em primeiro lugar. Videogame é passatempo. Ninguém consegue colocar talento em um software.

Aproveite o resto de talento que ainda existe na música.

Track List

1. "Mysteria"
2. "The Piper Never Dies"
3. "We Don't Need a Hero"
4. "Down to the Devil"
5. "King of Fools"
6. "Forever"
7. "Under the Moon"
8. "Lavatory Love Machine"
9. "Rise of the Morning Glory"
10. "Lucifer in Love"
11. "Navigator"
12. "The Spirit Will Remain"
13. "Children of Steel" (Bonus track)
14. "Mysteria" (Bonus track featuring Mille Petrozza of Kreator)



Tobias Sammet (vocais)
Jens Ludwig (guitarras)
Dirk Sauer (guitarras)
Felix Bohnke (guitarras)
Tobias Exxel (baixo)


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Por Zorreiro

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Chickenfoot - Chickenfoot III [2011]


Após ter dividido opiniões em sua estréia, o Chickenfoot retorna mais coeso e entrosado em Chickenfoot III, o segundo álbum – sim, o título exalta o bom humor de quatro músicos com a carreira ganha e que se juntaram para tocar um Rock and Roll sem maiores compromissos. A princípio acharia desnecessário dizer, mas pensando melhor, creio que vale a pena: esqueçam o Van Hagar. Sim, afinal de contas, esse foi o motivo que fez muita gente desgostar do disco anterior. E convenhamos, seria uma bobagem retomar aquela sonoridade, além de um desrespeito às histórias de Joe Satriani e Chad Smith, que possuem uma força muito grande para se tornarem meros imitadores.

Abrindo o play, temos o Hard classudo de “Last Temptation”, com clima setentista nos timbres e melodia. “Alright, Alright” tem um pique garageiro, reforçado pela produção, que deixou o som bem aberto. Tem horas que chega até a lembrar os Beatles dos tempos do Iê-iê-iê. A coisa fica ainda melhor em “Different Devil”, que começa calminha e vai crescendo, sendo a mais próxima do som oitentista em toda a audição. Hora de um groove certeiro em “Up Next”, mostrando toda a solidez musical do conjunto em um dos grandes momentos do trabalho. O clima do início é retomado em “Lighten Up”, mais um rockão certeiro, com Satriani mostrando como se trata as cordas da guitarra e um encerramento arrasa-quarteirão.

“Come Closer” não chega a ser uma balada, mas tem uma pegada mais leve no começo, que ficou bem agradável e acessível. Séria candidata a hit se bem trabalhada promocionalmente. O início experimental de “Three And a Half Letters” traz uma clima diferente, com seus vocais falados. Mas logo, cai em um som pesado e consistente, executado com a garra esperada. A letra também chama atenção, relembrando temáticas usadas por Hagar nos tempos de Balance. Na sequência o já conhecido single “Big Foot”, com seu ritmo suingado e refrão de fácil assimilação. Para ser sincero, após ouvir o disco inteiro, penso que haviam opções melhores.



Apesar do título, “Dubai Blues” não é o que parece. De cara, me lembrou uma de minhas preferidas do álbum anterior, a ótima “Turnin’ Left”. Aqui podemos notar mais uma vez como Satriani está mais solto em comparação ao começo da banda. Impõe seu estilo sem se preocupar com nada. Fechando o tracklist normal, “Something Going Wrong”, faixa com levada acústica cheia de personalidade e mais um solo brilhante. Ah sim, tem uma faixa escondida após o final, um Hardão dos bons, com letra ácida, no melhor estilo Living Colour.

As maiores constatações são que Sammy Hagar continua cantando muito, mesmo já sendo quase um setentão enquanto os músicos fazem suas partes com maestria. Quem não se deixou convencer pelo primeiro, dificilmente vai gostar desse. Mas quem aprovou, pode conferir sem medo, pois o quarteto continua muito competente no que se propõe. E sem firulinhas e pieguices, o que é principal. Aguardemos a tour, com o exímio Kenny Aaronoff assume as baquetas enquanto Chad se dedica a seu trabalho principal. Uma visita por esses lados do mundo não seria nada mal. Por hora, não deixem de conferir esse belo disco!

Sammy Hagar (vocals)
Joe Satriani (guitars)
Michael Anthony (bass)
Chad Smith (drums)

01. Last Temptation
02. Alright Alright
03. Different Devil
04. Up Next
05. Lighten Up
06. Come Closer
07. Three And a Half Letters
08. Big Foot
09. Dubai Blues
10. Something Going Wrong
11. (Hidden Bonus Track)

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