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quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Blue Cheer – Vincebus Eruptus [1968]



Minha postagem de número 100. É como escolher a primeira. Tem que ser algo especial.

Medalhão ou subestimado? Mainstream ou underground?

Que tal a verdadeira gênese do heavy metal?

Pois resolvi raspar o fundo do baú e trazer um dos precursores do stoner rock e do heavy metal da história: Blue Cheer.

Direto de São Francisco, Califórnia, o Blue Cheer surgiu como mais uma daquelas bandas de garagem que nasceram para passar despercebidas pelo cenário musical. Não fosse um detalhe: o peso absurdo era incomum para a época dominada pela Beatlemania.

Quando falamos em power trio metendo peso em clássicos do blues as primeiras bandas que nos vêm à cabeça são Cream e The Jimi Hendrix Experience. O Blue Cheer veio antes, mas inicialmente com quatro integrantes.

No grande ano de 1966, Eric Albronda e Jerry Russel uniram forças a Dickie Peterson e formaram o Blue Cheer quando a cultura do paz e amor florescia a todo vapor. A base era o blues, mas com o foco no rockabilly dos então fantásticos anos 50. Leigh Stephens logo assumiu as guitarras e a formação clássica estava montada.

Quando conseguiram um contrato com a gravadora Phillips, a banda já se encontrava no formato power trio, com Dickie Peterson nos vocais e baixo, Leigh Stephens nas guitarras e Paul Whaley na bateria. Para completar a cena, o produtor dos shows do Blue Cheer nos anos 60 era um integrante dos Hell Angels que se chamava simplesmente Gut, e trabalhou em parceria com Abe “Voco” Kesh nesse primeiro full lenght.



O Blue Cheer se tornou a primeira banda de heavy metal da história, assim definida após a veiculação do termo pelo Steppenwolf em Born to be Wild. Essa informação aparece em Metal: A Headbanger's Journey, de Sam Dunn e Scott McFadyen. Por mais que Zeppelin e Sabbath sejam creditados como precursores do metal, eles sequer existiam em 1966.

O Hell Angels way of life associado ao crescimento da contracultura da costa oeste dos Estados Unidos fizeram surgir, em meio à psicodelia, um grito raivoso chamado Blue Cheer. Jim Morrison (The Doors) os classificou como a banda mais poderosa que ele já vira. E ele tinha razão.



O debut dos caras, postagem de hoje, abre a porta na base da pedrada: Summertime Blues em uma versão que só não é melhor que a original porque estamos falando de Eddie Cochran, um dos pais do rockabilly. Mas, sinceramente, traz tanta energia e criatividade que é impossível não tê-la entre os melhores covers da história do rock. Na sequência, um clássico do blues chamado Rock Me Baby que, para quem ainda não sabe, foi imortalizado na voz de Muddy Waters, termina a primeira fase do play.

Depois disso, apenas quatro músicas autorais completam o disco. Mas a força e a intensidade do power trio, aliados à crueza da gravação definem um estilo musical.



Grave bem a imagem da capa. Seguidamente é possível encontrar algum maluco vestindo camiseta com essa gravura.
Daqui pra frente, você saberá que estamos falando de algo único.

Track List

1. "Summertime Blues"
2. "Rock Me Baby"
3. "Doctor Please"
4. "Out of Focus"
5. "Parchman Farm"
6. "Second Time Around"


Dickie Peterson (vocais e baixo)
Leigh Stephens (guitarras)
Paul Whaley (bateria)

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Por ZOrreiro

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Black Stone Cherry – Between The Devil & The Deep Blue Sea [2011]


Sabe aquele som que parece com algo que você já ouviu, mas não consegue identificar exatamente qual a origem da coisa?

Pois esse último lançamento do Black Stone Cherry é mais ou menos assim. Com pitadas de southern tock, stoner, country rock, hard rock e até hip hop (alguns vocais são praticamente rapeados), a mistura de ingredientes resultou num prato saborosíssimo. Refrões bem bolados e dinâmicas inteligentes fazem desse um disco gostoso de ser ouvido do começo ao fim.

Surgida em 2001, em Edmonton, Kentucky, a banda nunca se propôs a trazer algo inovador. Os caras prezam pelos timbres valvulados, vocais encharcados de Bourbon a la Zakk Wylde e cozinha simples, porém coesa (cortesia do bom trabalho de bumbo simples com uma destruição generalizada da prataria). Essa qualidade já aparece na abertura, com White Trash Millionaire, que traz um instrumental inspiradíssimo e um som com gana e muito bem produzido.



Chris Robertson e John Fred Young são filhos de Richard Young, guitarrista da inexplicavelmente ainda não postada banda Kentucky Headhunters. Os contatos e a música, portanto, estão presentes do berço.

Terceiro álbum de estúdio dos rapazes, The Devil And The Deep Blue Sea traz produção impecável e mostra que eles são uma aposta da gravadora Roadrunner. Inteligentes, sabem trabalhar com a nova era da internet e disponibilizaram o álbum para venda e as bonus tracks somente via itunes. Redes sociais são amplamente utilizadas como meios de divulgação do trabalho e o youtube já registra milhares de visualizações de seus vídeos.

As músicas trazem elementos tipicamente norteamericanos, com menções ao folclore e às superstições das diversas regiões do país (nome do disco anterior dos caras, Folklore and superstition). O som é algo moderno, sem cair na chatice geral que impera no mundo metal. Pense em peso e diversão juntas, com solos de guitarra curtos e inspirados nos licks de blues. Sobre solos, é importante lembrar que um solo não pode demorar mais que o tempo que você leva para ir buscar uma gelada no balcão do bar. E eles respeitam essa máxima.

Killing Floor é um peso que faria Zakk Wylde sentir orgulho, inclusive com o bom uso de um talk box. In my Blood é uma mistura excelente de violão, guitarra limpa e guitarra direta em um valvulado, o que mostra que os caras entendem de timbre. E a nós, caro passageiro, cabe avaliar se é bom ou não de ouvir. E é muito bom.

Such a Shame abre com um riff de guitarra furioso. Os riffs dessa banda são cortantes e, ao mesmo tempo, emocionantes. Eles trabalham muito bem o conceito de duas guitarras, sem utiliza-las como twins em melodias de solo mas dosando as freqüências, ou seja, enquanto uma faz o riff grave a outra dedilha em agudos. Isso dá um preenchimento excelente. Cortesia, também, da produção caprichada.

Won’t Let Go é a balada do disco. Doce e pesada na medida certa. Mas o grande hit, que vem a seguir, é Blame It On The Boom Boom. Com vídeo explodindo os níveis de audiência no youtube, é uma prova de que a banda encontrou seu nicho e cativou seu público fiel. Sonzeira! Dá vontade de sair pulando, encher a cara e agarrar todas as gatas que estiverem ao redor.



Todo o disco é bom. E as bonus tracks são a cereja do bolo. Fade Away é linda. Starring At The Mirror traz banjos, nos fazendo lembrar do Pride and Glory, do já citado Wylde.

Como eu disse, temos a impressão de já ter ouvido isso antes. Mas o resultado ficou tão bom que vale a pena conferir. Talvez o Silver ache que esse disco não vá mudar a vida de ninguém, mas temos que lembrar que todos nós já fomos atingidos em cheio por álbuns improváveis (desculpa, irmão, mas não resisti). Eu, por exemplo, curto Weather Report, que a maioria chama de música de elevador ou consultório de dentista. Vai saber.

Como diria Tim Tones, personagem do Chico Anysio: oásis nos desertos da dor.

Track List

1. "White Trash Millionaire" - 3:20
2. "Killing Floor" - 4:02
3. "In My Blood" - 3:49
4. "Such A Shame (Feat. Lzzy Hale)" - 3:27
5. "Won't Let Go (Feat. Lzzy Hale)" - 3:19
6. "Blame It on the Boom Boom" - 3:11
7. "Like I Roll" - 3:33
8. "Can't You See" (Toy Caldwell) - 3:33
9. "Let Me See You Shake" - 3:07
10. "Stay" - 3:24
11. "Change" - 3:05
12. "All I'm Dreamin' Of" - 4:03
13. "Staring at the Mirror" (iTunes and UK Retail Bonus Track) - 3:22
14. "Fade Away" (iTunes and UK Retail Bonus Track) - 3:45
15. "Die For You" (iTunes and UK Retail Bonus Track) - 3:14



Chris Robertson (vocais e guitarras)
Ben Wells (guitarras e backing vocais)
Jon Lawhon (baixo e backing vocais)
John Fred Young (bateria e backing vocais).

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Por Zorreiro

terça-feira, 7 de junho de 2011

Pappo’s Blues – Pappo’s Blues [1971]



Argentinos se veem como uma parcela do primeiro mundo perdida na América Latina.

Quer saber? É a mais pura verdade.

Enquanto brasileiros engolem corrupção, falta de cultura e estímulos ao analfabetismo funcional, os hermanos (se permitem chamá-los assim) são um povo educado e que lê muito. Se possuem problemas de terceiro mundo, mais se deve à colonização (exploração secular) espanhola do que à própria vontade de evoluir. Sofremos o mesmo, mas o problema por aqui foi justamente os grilhões que a coroa portuguesa criou ao mudar-se para cá em 1808. Isso segurou demais a nossa evolução.

Buenos Aires é um vulcão cultural. Do tango ao heavy metal, as expressões musicais da capital portenha ficam gravadas na memória de quem já teve o privilégio de as conhecer pessoalmente. Vide o post do Rata Blanca dessa semana. Não estou dizendo que o Brasil não tem expressões culturais, mas, apenas, que os vizinhos não ficam nem um pouco para trás nesse quesito (apesar de que eles não tem Parangolé, Jeito Moleque e outras maravilhas do estilo – não é preconceito, caro passageiro, mas um conceito racionalmente formado depois de ter escutado exaustivamente essas bostas veiculadas a todo momento na TV).

Pappo, ou Norberto Aníbal Napolitano, foi um argentino nascido nos anos 50 que viveu intensamente o estilo rocker, tocando sua guitarra baseada no blues, no hard rock e no stoner rock e mexendo em motores VTwin de Harley Davidsons envenenadas. Um músico completo que sempre primou pelas excelentes composições, independentemente do estilo adotado.



Pappo iniciou sua vida musical com a banda Los Abuelos de Nada, passando, a seguir, pela Los Gatos, no final dos anos 60. Criou seu próprio power trio em 1970, que gravou o auto intitulado Pappo’s Blues, lançado em 1971, postagem de hoje. Pappo’s Blues teve 7 volumes e, hoje, trago-vos o primeiro. Um petardo tanto nas composições como nas performances e nos timbres dos instrumentos.

Aliás, timbragem de instrumentos sempre foi um sério problema para o rock brasileiro, na minha opinião. Cortesia dos imbecis da Som Livre, Polygram e outras gravadoras que nunca tinham ouvido uma boa mixagem na vida. Ou eram incompetentes, mesmo. Afinal, até Mutantes e RPM, famosos por seus super equipamentos, tiveram seus timbres prejudicados na mixagem e na masterização final dos discos de estúdio.

Algo há cambiado abre a bolacha com uma pegada Stoner que lembra uma cruza do Sabbath da fase Ozzy com Grand Funk e tudo o mais que representa o estilo. Riffs poderosos, cozinha coesa e um wah wah pra lá de sem vergonha. A voz de Pappo nunca foi das melhores, mas se encaixa no contexto. El viejo segue na trilha do blues de raiz, com violões orquestrados misturando slide, riff de baixo e levada blues como nunca se fizera antes por estas bandas do trópico sul. Meu amigo Peter quer que eu tire isso na viola – que Bueno, que Bueno. Vamos às armas.



Hansen traz vocais e guitarras em uníssono, no melhor estilo Hendrix, mas com originalidade. Realmente feita para ouvir no dorso de uma Harley Davidson, a escola Hendrix está presente o tempo todo, mas Pappo sempre soube dosar suas influências em seu som. Mesmo na fase metal, com sua banda Riff, o cara trilhou seu próprio caminho.

Gris Y Amarillo tem um trato especial nos vocais. Encharcados de efeitos, levam o som do power trio a outras galáxias. Destaque, aqui, para o peso absurdo do baixo. Adiós Willy é a balada ao piano. Com cara de vinheta, traz apenas 1:46 minutos de muito feeling. Poderia ser melhor aproveitada, confesso, mas o resultado é excelente.



El hombre suburbano e Especies seguem a mesma sequência, com boas composições. O encerramento vem com Adónde Está La Liberdad, com uma letra politicamente ativa, denunciando o que aqueles anos de chumbo do pós guerra faziam com a liberdade de expressão. Pappo sempre foi underground, sem prospecção na mídia, o que lhe facilitava cantar o que bem entendesse.

Este não é um post que vá agradar a gregos e troianos. É um clássico, que expõe as veias abertas da América Latina a um mundo hoje regido pela comunicação de massa e em tempo real.

Se não tivemos a oportunidade de valorizar Pappo em vida – ele faleceu em 2005 – vale a oportunidade. Segue texto do seu site oficial:

En los últimos minutos del día 24 de Febrero, Pappo sufrió un accidente cuando junto a su hijo Luciano viajaban cada uno en su moto por la ruta 5 hacia la localidad de Luján, en dónde habían alquilado una quinta. En un momento las motos se tocaron haciendo que Pappo perdiera el control de su rodado y junto con él cayera en el asfalto a lo que se sumó la embestida de un automóvil recibiendo graves heridas que le provocaron la muerte.
El 25 de Febrero a la tarde, su cuerpo fue llevado en una caravana desde su casa de La Paternal hasta el cementerio de La Chacarita. Más de 3000 fanáticos y amigos lo despidieron cantando sus canciones y gritando a coro el clásico "Y Pappo no se va" que se acostumbraba usar al final de sus maravillosos conciertos.

Um grande cara que viveu a vida com o botão do “foda-se” sempre ligado, sem se preocupar com outra coisa que não a sinceridade de sua expressão musical. Curtam.

Track List

1. Algo ha cambiado
2. El viejo
3. Hansen
4. Gris y amarillo
5. Adios Willy
6. El hombre suburbano
7. Especies
8. Adónde está la libertad

Pappo (guitarra, piano e voz)
Davies (baixo)
Black Amaya (bateria)

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Por Zorreiro

sexta-feira, 25 de março de 2011

Brand New Sin – Recipe For Disaster [2005]


Brand New Sin é foda!

Êpa. Será que podia escrever palavrão na resenha? Bem, se não podia, paciência, porque não consigo pensar em outro adjetivo para a banda. Se você conhece, sabe do que estou falando; se não, imagine o que há de melhor em Stoner Rock hoje em dia.

Os caras fazem um som perfeito para ser trilha sonora de um filme tipo Wolf Creek, com cenários desérticos, cobras cascavéis, casas em estado deplorável com teto frouxo de zinco enferrujado, janelas de madeiras quebradas e com uma caminhonete toda ralada estacionada na frente. Dentro da casa não mora nenhuma donzela. Deu pra sacar o clima? Pois é nisso que penso quando escuto o som dos caras. Tensão total.

Absolutamente todas as músicas têm riffs de guitarra poderosos e aquele vocal estilo southern rock do inferno. Baixo a todo volume, competindo com a guitarra, e uma bateria reta mas pesada como um Zeppelin de chumbo (essa referência aposto que você já conhece).


A gurizada

A banda foi formada em 2002, e este que posto hoje é o seu terceiro disco, com uma formação que não subsiste mais. Atualmente como um power trio, o Brand New Sin fez em 2005 a sua melhor química funcionar. Recipe For Disaster é o disco que trouxe as melhores músicas da banda até agora, na minha opinião. O single foi Black and Blue, que tem um dos riffs de guitarra e baixo tocando em uníssono mais poderosos que já ouvi.



Running alone é só violão e aquele vocal que, aqui, lembra bastante o de Zakk Wylde. Só que é uma balada que difere do que o Black Label vem fazendo, já que não tem arranjo de cordas. É só viola; e o resto todo é frescura que a banda parece execrar. Som cru, no sentido estrito do termo. A viola aparece de novo em Another Reason, mas desta vez com a banda toda entregando muita porrada. Refrões cantados em coro pelos caras estão longe dos clichês de arena. É excelente.

Ouça Days Are Numbered e tente não imaginar um cruzamento de AC/DC com Accept e Judas Priest, tudo como se algum dos irmãos Van Zandt tivesse feito gargarejo com gilettes e Jack Daniel’s. É difícil enaltecer apenas uma música desse disco, porque o conjunto da obra é orgânico o suficiente para ser devorado inteiro, sem fatiar.



A turnê desse disco foi conjunta com o Black Label Society, o que me faz imaginar a alegria que devia ser ir a um show desses. Esqueça mulheres na platéia, mas pense no maior trago da sua vida. Será que tem SAMU nos Estados Unidos? Porque eu certamente precisaria.

Ah! Não falei que eles são de New York para que o nobre passageiro não contaminasse a leitura. Imagine que eles vivem nos desertos de Manhattan, entre as cascavéis do Central Park etc.

Sem querer ser machista, mas.... som de macho.

Track List

1. "Arrived"
2. "The Loner"
3. "Brown Street Betty"
4. "Black and Blue"
5. "Running Alone"
6. "Freight Train"
7. "Vicious Cycles"
8. "Another Reason"
9. "Days Are Numbered"
10. "Once in a Lifetime"
11. "Dead Man Walking"
12. "Gulch"
13. "Wyoming"

Joe “Just Joe” Altier (vocais)
Kris Wiechmann (guitarra)
Kenny Dunham (guitarra)
Chuck Kahl (baixo)
Kevin Dean (bateria)

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Por Zorreiro

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Haystack - Right At You [1996]



Em meio a todo radicalismo do cenário da música pesada, surgiu esse projeto formado por duas forças distintas do Rock/Metal sueco. Com a intenção de mostrar aos fãs desmiolados que existe proximidade, ou ao menos, possibilidade de misturar a crueza do Punk Rock atual com uma pegada voltada pro Death Metal 'groovado' tendendo pro Stoner Rock, Uffe Cederlund, ex guitarrista e um dos fundadores da banda de Death Metal Entombed, onde permaneceu até 2007, se juntou ao baixista Johan Blomqvist do grupo de Sleaze Rock Backyard Babies, e deram início a essa peculiar união.

À época, curiosamente, ocorria a mudança de estilo de ambas as bandas principais dos fundadores do Haystack, e foi neste ínterim que o projeto lançou seu primeiro trabalho, "Right at You", em 1996 por um selo que também lançava seu primeiro disco, o que obviamente não lhe traria nenhuma possibilidade de crescer ou ter o mínimo de destaque, logo a recepção desse material não deve ser levado em consideração. Um som cru e violento caracterizando a veia old school, misturado a alguns mínimos efeitos dando uma cara moderna, é o que se encontra aqui. A conjunção da sonoridade Stoner do Entombed em discos como "To Ride, Shoot Straight and Speak the Truth" e "Same Difference" com o lado mais Punk Rock do Backyard Babies apresentado a partir do "Total 13", paira em "Right At You" do começo ao fim.

As faixas diretas como "Inside", "Away" e "Fire" soam como um Backyard Babies mais pesado e agressivo, com Uffe Cederlund cantando impiedosamente aos berros e um baixo estrondoso. Já "Low" lembra o Garage Rock dos dois primeiros discos do The Hellacopters, uma pancadaria sem dó nem misericórdia. Para os fãs do Entombed pós-Wolverine Blues, foram compostas "Self-Humiliation", "Ghost" e "Flogged" que remetem demais às composições Doom/Stoner do Entombed, como "Scottish Hell", "High Waters" e "Boats", aqueles sons que quando você dá conta de si, já está descabelado batendo cabeça seja onde estiver (o que é pior e muitas vezes constrangedor). "Black Sheep/Get Lost" é um chute no estômago com uma pegada devastadora e "Down" é a mais curiosa de todas, com uma levada idêntica a de "Payback" do Backyard Babies, que tem uma grande semelhança com a "Big Bang Baby" do Stone Temple Pilots, mesmo sendo mil vezes melhor.

Isso tudo só serve pra demonstrar que não existe uma distância tão grande entre os "posers" do Sleaze com a "carnificina" do Death Metal, e põe todas as teses imbecis de superioridade dos fãs radicais por água abaixo. É certo que aqui não se tem nada do Death Metal tradicional, mas há resquício evidente do Death Metal cheio de groove do Entombed, ainda que seja de sua fase menos Death, e isso misturado à sonoridade do Backyard Babies, mesmo que com uma abordagem mais brusca do seu lado Punk. De qualquer forma, esse disco é exemplar, consegue unir os estilos de duas bandas diferentes e mostrar que mesmo que haja claras distinções entre ambas, não tem como apontar uma sonoridade como "superior" dentro do Rock ou Metal, cada um trabalha as características pesadas à sua maneira, o que foi sintetizado aqui em "Right At You" da melhor forma.

Apesar do som ser descompromissado e ter uma execução meio largada herdada do Garage Rock, aqui tudo é feito sem desleixo e os caras empregam todos os esforços em tocar seus instrumentos com uma força que dá gosto de escutar. Indicado tanto para fãs do Entombed pós-Wolverine Blues, quanto do Backyard Babies, e admiradores de Punk Rock e Stoner Rock em geral. Para aqueles fãs radicais, eu recomendo que não ouçam esse disco, pois ficarão com um nó na garganta e sem argumentos inúteis pra tentar impor seu gosto.

*Post dedicado aos 'punkeiros' do blog/chat da Combe.

01. Inside
02. Away
03. Low
04. Self-Humiliation
05. Joke
06. Ghost
07. Black Sheep/Get Lost
08. Flogged
09. Fire
10. While The City Breathes
11. Down

Uffe Cederlund - Vocals, Guitar
Johan Blomqvist - Bass
Jonas Lundberg - Drums

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