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domingo, 13 de março de 2011

Molly Hatchet - Flirtin' With Disaster [1979]


Se me perguntassem quando e onde eu gostaria de ter nascido, responderia prontamente que seria nos anos 60 e no Texas. Queria ser adolescente naquela região em que explodiram várias bandas legais de southern e ter acompanhado o surgimento das mesmas, com seu som energético, cheio de guitarras pra tudo que é lado. ZZ Top, Lynyrd Skynyrd, Blackfoot, 38 Special, Allman Brothers e o nervoso Molly Hatchet estão facilmente na lista de bandas que mais escuto, nem que seja pelo menos uma vez por semana. Guitarras quentes e embriagadas, cozinhas matadoras e vocalistas que parecem ter saído de uma briga de boteco fazem dessas bandas algo cativante e memorável.

E um dos grandes exemplos disso é o Molly Hatchet. Músicas desenfreadas, guiadas por três guitarras alucinadas, cozinha bem azeitada e um vocalista com o vocal meio bebâdo e ainda assim sensacional, que mandam pedrada atrás de pedrada sem ter dó alguma do ouvinte. Mas tudo é tão cheio da alma caipira americana que é impossível resistir a essa orquestra guitarrística regada a um bom whisky.



E um dos grandes momentos de sua carreira é o desenfreado "Flirtin' With Disaster". O que temos aqui é uma aula do mais puro e limpo rock n' roll, daqueles que queremos escutar quando estamos a fim de perder o controle da situação. Southern rock da mais excelente qualidade, com riffs e solos pra tudo que é lado, uma bateria com um tom cativante (sou apaixonado pela afinação utilizada aqui, algo de macho mesmo!), cavalgadas desenfreadas no baixão e Danny Joe Brown com seu vozeirão despejando letras que poderiam ser histórias contadas por camaradas na mesa de um bar. Resumindo, essa mistura toda não poderia dar errado e a banda acerta a mão em cheio nesse discão.

E nada melhor do que começar com a energética "Whiskey Man", com destaque para o baixão presente de Banner Thomas, que é o suficiente para destruir tudo por aqui, em uma canção que não nega as origens do grupo e arrancará um sorriso de orelha a orelha de quem curte rock n' roll sem muita frescura. O cover que ganhou uma versão boogie rock "It's All Over Now" com sua letra que é um desabafo de um cara traído, daqueles que ouvimos principalmente de um bebâdo é igualmente sensacional e mantém a energia lá em cima. O refrão de "One Man's Pleasure" já valeria toda música, onde Danny Joe Brown setencia em uma música trabalhada entre generosos goles de whisky: "One man's loss is another man's gain / One man's pleasure is another man's pain". A genial "Junkin' City" narra a ida de um jovem com o seu pai para uma cidade dos sonhos de todo homem, com muitas mulheres e chopp estupidamente gelado, com um riff que nos convida para entornar o máximo de copos de cerveja que aguentarmos.



"Boogie No More" começa como quem não quer nada com uma guitarra slide, com um sutil convite para sacudimos ao som do grupo, que logo é acelerado e com três guitarristas despejando solos e riffs matadores um atrás do outro, algo impossível de se resistir. Mas logo após o grupo dá seu golpe de mestre com a destruidora "Flirtin' With Disaster". Sim, aqui as guitarras nos massacram desde o início, com riffs esmagadores, solos com três guitarras que quase ensurdecem o ouvinte e Joe Brown conduz a orquestra de guitarras ao fundo com maestria, derrubando tudo que estiver ao redor no momento da audição. "Good Rockin'" vem cheia de groove e mais solos desenfreados, honrando a tradição do southern. "Gunsmoke" mantém tudo acelerado e suas guitarras fazem a espinha arrepiar.

"Long Time" é a música mais cadenciada, mas até quando a banda tira o pé do acelerador é roqueira até o osso. "Let The Good Times Roll" fecha o disco de maneira emplogante, como um bom southern deve ser. Ainda temos de bônus aqui "Silver e Sorrow", duas versões ao vivo para "One Man's Pleasure" e "Flirtin'" e uma versão matadora para "Cross Roads Blues". Então se você ainda não teve chance de ouvir essa pérola sulista, faça isso imediatamente!




1.Whiskey Man
2.It's All Over Now
3.One Man's Pleasure
4.Jukin' City
5.Boogie No More
6.Flirtin' with Disaster
7.Good Rockin'
8.Gunsmoke
9.Long Time
10.Let the Good Times Roll
11.Silver and Sorrow (Demo)
12.Flirtin' with Disaster (Live)
13.One Man's Pleasure (Live)
14.Cross Road Blues (Live)

Danny Joe Brown - vocals
Dave Hlubek - Guitarra
Steve Holland - Guitarra
Duane Roland - Guitarra
Banner Thomas - Baixo
Bruce Crump - Bateria

Músicos Convidados:
Max Gronenthal - Backing Vocals
Tom Werman - Percussão
Jai Winding - Teclados


By Weschap Coverdale

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Molly Hatchet - Justice [2010]


Se teve um grave erro que cometi em minha vida até algumas semanas atrás, foi nunca ter dado atenção ao trabalho do Molly Hatchet. Apesar de alguns camaradas meus me indicarem, só comecei a realmente prestar atenção ao tocar "Flirtin' with Disaster" no Rockband esses dias atrás. Ao ouvir aquela junção de acordes poderosos e um vocal agressivo e potente, não tive dúvidas que estava diante de uma das melhores coisas que já ouvi em toda a minha vida.

Formada no ano de 1975 em Jacksonville, por Dave Hlubek e Steve Holland, durante 35 anos eles tem levantado a bandeira do Southern rock e realmente representado o estilo. Mas alguns acontecimentos trouxeram incerteza quanto ao futuro da banda. Primeiro os falecimentos do vocalista Danny Joe Brown e do guitarrista Duane Roland, membros da formação original do grupo. Logo após, a morte da esposa do atual guitarrista e hoje a mente criativa do grupo Bobby Ingram, acabaram por desiludir o mesmo, e até o fazer repensar se deveria continuar no meio musical ou não. Mas outra tragédia acabaria por fazer que a banda lançasse na minha opinião até o presente momento, o melhor lançamento desse ano.


No dia 19 de outubro de 2009, o sumiço de uma garota de 7 anos chamada Somer Thompson intrigou a pequena cidade de Orange Park, na volta da escola para sua casa. Infelizmente dois dias depois, ela foi encontrada morta perto de um lixão. Emocionado com aquela situação e por saber o que é perder uma pessoa amada, Ingram se comoveu e junto com a banda primeiro fez um leilão de uma de suas guitarras e com o valor ajudou na fundação do instituto "Somer Thompson Foundation" que auxilia em casos de crianças raptadas, dando apoio à famílias que passam por essa situação, sem falar na "Somer Jam" que foi um show beneficiente para angariar fundos para ajudar na recompensa para denúncia do assassino de Somer.

Toda essa situação levou a banda a se reunir e gravar um disco passional e com o conceito baseado na justiça, o sensacional Justice. Bem mais voltados para o hard rock, o que é apresentado aqui é deixar qualquer um boquiaberto e sem palavras. Uma banda entrosada e que transpira emoção, com uma entrega inexplicável, como há tempos eu não ouvia. A abertura com a porrada "Been To Heaven Been To Hell" já não deixa dúvidas que aqui você será envolvido mesmo sem querer em todas as canções, o que continua na acelerada "Safe My Skin". "Holy Water" é um BAITA de um Aor, daqueles que o Bon Jovi fazia magistralmente no início de sua carreira, o que até pode assustar alguns fãs mais antigos, mas é impossível não gostar dessa música.

A homenageada e principal inspiração desse disco, Somer Thompson


A épica "I'm Gonna Live 'til I Die" tem refrães que ficam na cabeça durante dias e levanta até defunto, sem falar nos seus saudosos solos oitentistas. As duas próximas são contra-indicadas para pessoas sentimentais. "Fly On Wings Of Angels (Somer's Song)" é uma homenagem à pequena Somer. Somente um coração de pedra não irá se emocionar com a bela introdução, em que a irmã mais velha da menina, Abigail, canta o refrão de "You Are My Sunshine", música predileta da falecida. Sem falar na linda letra, que pode muito bem sintetizar toda a tristeza dos pais com a perca de sua amada filha, em oito minutos de perfeição, de uma música que entrou no meu top 3 de baladas. "As Heaven Is Forever" descreve a dor da perda de um ente querido, e demonstra que é possível ainda hoje se fazer música com paixão.

"Tomorrows and Forevers" evoca o Aor novamente de maneira sensacional e brilhante. Para finalizar o disco temos o épico com clima totalmente western, em "Justice" que te colocará no velho oeste, e que honra todo o belo trabalho que a banda apresenta aqui. Um registro que mostra que as bandas sobreviventes do southern ainda tem muita lenha para queimar. E irei ressaltar novamente que na minha opinião esse é o melhor lançamento do ano até o momento.




1.Been To Heaven Been To Hell
2.Safe In My Skin
3.Deep Water
4.American Pride
5.I'm Gonna Live `Til I Die
6.Fly On Wings Of Angels (Somer's Song)
7.As Heaven Is Forever
8.Tomorrows And Forevers
9.Vengeance
10.In The Darkness Of The Night
11.Justice


Phil McCormack - Vocais, Gaita
Bobby Ingram - Guitarras, Slide, Violões, Backing Vocals
Dave Hlubek - lead guitars, Backing Vocals
John Galvin - Teclados, Backing Vocals
Tim Lindsey - Baixo, Backing Vocals
Shawn Beamer - Bateria, Percussão


By Weschap Coverdale