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sábado, 19 de março de 2011

Eric Clapton - Clapton [2010]


Ninguém aqui precisa mais de explicações quando se trata de Eric Clapton. Qualquer pessoa minimamente informada e possuidora de um gosto musical, digamos, aprimorado, sabe que o guitarrista inglês é um mito. Influente como poucos, o slow hand, em si, é parte destacável do grupo de gênios da música que o Reino Unido ofereceu ao mundo. Como foi imortalizado na fotografia histórica: "Clapton is God".

Assim, depois de consolidado como lenda viva, vencedor de séries de prêmios importantes e aclamado por público e crítica em (quase) todos os trabalhos de sua carreira, é de se esperar que o lendário guitarrista encerrasse sua discografia com a mais alta classe. E quase 60 anos depois de sua iniciação como músico profissional, vem, com nome e capa discretos, esse encerramento.

Mesmo que se releve o rock psicodélico do Cream ou a orientação pop de alguns de seus hits acústicos, Eric Clapton é um blues-man. Sempre foi. Suas influências musicais datam principalmente da primeira metade do século XX. O jazz de Nova Orleans, a folk music EUA adentro, o blues do Mississipi e de Chicago. E, já na terceira idade, o guitarrista se volta para a música de sua juventude. Se eu só pudesse usar uma palavra para descrever Clapton, seria "raízes".

Da esquerda para a direita: Walt Richmond, Willie Weeks, JJ Cale, Eric Clapton, engenheiro de som Justin Stanley, Doyle Bramhall II, e Abe Laboriel Jr. Ocean Way Studios, onde Clapton gravou Clapton.

E é dessa volta às raízes em pleno 2010 que sai um dos melhores (e com certeza o mais maduro) trabalhos do slow-hand. O disco é uma combinação de principalmente blues e jazz, com pontas de folk, com todos andando de mãos dadas, se alternando e misturando para gerar uma sensação vintage indescritível, potencializada pelo detalhe das gravações todas em analógico. Reunindo parceiros de longa data, como Steve Winwood e JJ Cale, ou mais novos, como Doyle Bramhall II e Derek Trucks, entre muitos outros músicos, Eric Clapton gravou canções que considerava "fora do mapa" e que mereciam voltar, entre elas clássicos e algumas poucas composições de músicos mais jovens.

O álbum, que marca a volta das Gibson às slow hands do guitarrista, é diferente de tudo que ele já gravou. E até certo ponto é difícil explicar esse fato. Para qualquer fã do músico o play soa emocionante, mas o feeling geral é o da nostalgia. A qualquer um é perceptível que o registro é reflexo de algo muito humano e comum: um homem de idade avançada dando seu último adeus à própria juventude, prestando uma homenagem a tudo que ela representa. Mas não entenda isso como "um velho sendo antiquado e terminando a carreira". Eric Clapton está afiadíssimo no play, tanto nos vocais quanto empunhando o famigerado instrumento de 6 cordas. Está tudo ali: a voz grave rasgando na hora certa, os lendários solos em pentatônica.

Portanto, em meio a essa abertura espontânea do sentimentos de um ídolo, nunca tabelaria esse disco fazendo destaques ou descrevendo detalhes técnicos do som. O que posso dizer é que a sonoridade caminha por um lado mais intimista e singelo dos gêneros que a compõem.

Sem me aprofundar, deixo que o prazer de conhecer esse disco venha por conta própria para você, passageiro da Combe. Não perca a oportunidade de ouvir esse disco, simplesmente essencial a admiradores do grande Eric Clapton, slow-hand, God, e por aí vai...

01. Traveling Alone (Lil' Son Jackson)
02. Rocking Chair (Hoagy Carmichael)
03. River Runs Deep (JJ Cale)
04. Judgement Day (Snooky Pryor)
05. How Deep Is The Ocean (Irving Berlin)
06. Milkman (Johnny Burke, Harold Spina)
07. Crazy About You Baby (Walter Jacobs)
08. That’s No Way To Get Along (Robert Wilkins)
09. Everything Will Be Alright (JJ Cale)
10. Diamonds (Doyle Bramhall II, Nikka Costa, Justin Stanley)
11. When Somebody Thinks You’re Wonderful (Harry M. Woods)
12. Hard Times (Lane Hardin)
13. Rolling And Tumbling (Bramhall, Eric Clapton)
14. Autum Leaves (Joseph Kosma, Johnny Mercer, Jacques Prévert)

Eric Clapton – vocais, guitarra, mandolin
Steve Winwood - guitarra, vocais, hammond
Doyle Bramhall II – guitarra, percussão, vocais
JJ Cale – guitarra, vocais
Jim Keltner – bateria, percussão
Willie Weeks – baixo
Walt Richmond – piano, teclados, hammond, piano elétrico
Derek Trucks – guitarra
Paul Carrack – hammond
Sereca Henderson – orgão
London Session Orchestra – cordas
Allen Toussaint – piano
Wynton Marsalis – trumpete
Kim Wilson – gaita
Sheryl Crow – vocais
Nikka Costa – vocais de apoio
Terry Evans – vocais de apoio
Willie Green, Jr. – vocais de apoio
Lynn Mabry – vocais de apoio
Arnold McCuller – vocais de apoio
Debra Parsons – vocais de apoio

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Um agradecimento ao Capilar, amigo de longa data e o maior fã de um artista que eu já conheci.


terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

John Mayall´s Blues Breakers - John Mayall´s Blues Breakers With Eric Clapton [1966]



Eric Clapton define esse registro com o disco definitivo de sua carreira, aquele que atraiu a atenção para seu blues rock cheio de identidade e de influências de artistas como Robert Johnson, Muddy Waters e Otis Spann, só para citar alguns. E não á toa, pois ao lado de feras como John Mayall e John Mc Vie, Clapton pela primeira vez assombra o mundo com seu feeling absurdo e confirma de vez a famosa afirmação "Clapton Is God", que ganhou durante o período que tocava em vários clubes ao redor da Inglaterra.

Oriundo da então pequena Ripley, Clapton durante sua infância e adolescência uma vida reclusa, em que recusava chamar a atenção de quem estava ao seu redor. Isso muito se deu pela sua criação, em que foi criado por sua avó materna e seu segundo marido, que o tratavam como filho. E durante esse meio tempo ele conhece sua mãe, e acaba se sentindo rejeitado por ela. Com toda essa história de novela mexicana, Clapton acaba por encontrar na música sua grande paixão, e começa sozinho a aprender a tocar um violão, imitando as gravações que ele escutava de música folk e do próprio blues.


Já com um tempo aprendendo sozinho, e bastante obcecado em atingir o objetivo de se tornar músico, ele entra no Yardbirds, onde consegue notoriedade, mas acaba por sair da banda, por não concordar com o direcionamento pop ao qual estavam seguindo. E foi após a saída do Yardbirds que através de Ben Palmer, que passa o contato de Clapton para John Mayall, que já tinha uma boa reputação, que Eric passa a ser o novo guitarrista do Blues Breakers. E após a entrada dele, a banda teve seu som direcionado para o blues de Chicago, o que agrada muito a Mayall, que também era um adepto dessa vertente e via ali um jovem (Clapton é 12 anos mais jovem que Mayall) que levava o blues tão a sério quanto ele.

Após um bom tempo em turnê, a banda entra em estúdio no ano de 1966. Em apenas três dias, eles gravam esse registro, que era basicamente o set que eles faziam nos shows, com adição de algumas sessões de sopros. E durante as gravações uma das preocupações foi de que tudo soasse como um disco ao vivo, e pelo seu curto tempo de gravação, somos presenteados com uma gravação crua e áspera, que vai direto ao ponto e que nos entrega uma aula de blues rock, em que todo o grupo dá uma aula, desde o já conhecido Clapton, John Mc Vie antecipando o que ele faria posteriormente no Fleetwood Mac, John Mayall bem nos vocais e Hughie Flint com competência nas baquetas.



Músicas atemporais e muitas bem executadas são apresentadas aqui. A abertura com "All Your Love" nos apresenta o tradicional timbre de Clapton, com solos transpirando feeling para todos os lados, e que confirma que não se precisar tocar 60 notas por segundo para ser um excelente guitarrista, e onde a cozinha segura as pontas de maneira exemplar. "Hideaway" é uma verdadeira aula de como uma banda tem de trabalhar e é um instrumental daqueles que tem de ser apreciado no volume máximo. Todo disco é excelente, mas por questão de gosto recomendo a sensacional versão de "What'd I Say" gravada originalmente por Ray Charles e que ainda faria referência a "Day Tripper" dos Beatles, "Have You Heard" e "Ramblin’ on My Mind", onde Clapton assume os vocais.

Um registro que em poucos momentos soa datado, feito com um feeling absurdo por músicos que manjavam do riscado. Esse é um dos discos que devem ser apreciados antes de morrer e que com certeza aumentará ainda mais a admiração por esse músico monstruoso que é Eric Clapton. OBRIGATÓRIO!




1.All Your Love
2.Hideaway
3.Little Girl
4.Another Man
5.Double Crossing Time
6.What’d I Say
7.Key to Love
8.Parchman Farm
9.Have You Heard
10.Ramblin’ on My Mind
11.Steppin’ Out
12.It Ain’t Right


John Mayall – Vocais, Piano, Órgão Hammond B3 , Gaita
Eric Clapton – Guitarras, Vocais em "Ramblin' on My Mind"
John McVie – Baixo
Hughie Flint – Bateria



By Weschap Coverdale

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Eric Clapton - Slowhand [1977]


Um dos maiores momentos da carreira solo de Eric Clapton, em que ele soube dosar toda sua característica classe na guitarra com um apelo mais popular. Em "Slowhand", Clapton mostra uma leve recuperação psíquica após os fantasmas exorcizados com o Derek and The Dominos e lança um disco que pode ser chamado de um "Best of", devido a grande quantidade de clássicos presentes. E ele realmente assume de vez a alcunha que lhe foi dada durante a sua participação com o Yardbirds e mostra toda a sua classe.

Com um disco que apresenta as canções mais leves e agradáveis de sua carreira, com baladas marcantes mescladas com alguns momentos de brilhantismo de Clapton, em que seu feeling é transposto de maneira escancarada, ele conseguiu o seu melhor momento nos anos 70. Apesar de alguns torcerem o nariz para a sonoridade mais calma apresentada aqui, o disco foi um sucesso absoluto de vendas, o de maior vendagem de sua carreira solo até aqui, e que teve excelente recepção da crítica na época.

E nos é apresentada uma trinca de clássicos logo de cara. O cover de J.J. Cale, o grande blues rock "Cocaine" é com certeza um dos maiores hinos antidrogas, em que é retratado os problemas que a droga traz, apesar de alguns entenderem o refrão como algo a favor, o que Clapton já rechaçou várias vezes. O solo e o riff dessa música deveriam de fato ser tombados como patrimônio histórico mundial, pois a emoção que os mesmos passam são indescritíveis. E logo na seqüência seria apresentado mais um momento em que a emoção transparece, na linda balada "Wonderful Tonight", que ele escreveu para a sua amada Patty Boid enquanto ela se trocava para uma festa e é uma aula de sentimentos desse monstro sagrado.


"Lay Down Sally" é um country-rock animado e dos bons, outro clássico que não deixa tempo nem para respirar, e que forma na minha opinião, a melhor trinca inicial que alguém conseguiu apresentar, com três clássicos indiscutíveis. A sensacional "Next Time To See Her" parece suave em sua primeira audição, mas com uma letra intimidadora e engraçada de um cara que não se conforma com a separação de sua amada e em ver que há outro na parada. "We're All The Way" acalma tudo novamente e poderia servir tranqüilamente para aqueles momentos em que se quer "estragar" a amizade e deixar claro que se quer algo a mais daquela menina que lhe vê como amigo.

"The Core" chega e ressuscita o Eric Clapton que ganhou o apelido de Slowhand, em que em quase nove minutos de música, temos vários solos e riffs dessa fera, e que envolve a mesma temática da música anterior. A animada versão de "May You Never", gravada originalmente por John Martyn ficou ainda mais bela com Clapton e mais condizente com a letra como homenagem a um grande amigo que sempre está ao seu lado. "Mean Old Frisco" com uma guitarra slide matadora de Clapton é o momento mais bluesy desse disco e que demonstra quanto o mesmo manja do que faz e que é muito difícil surgir outro com seu talento.

Para fechar este registro temos a balada instrumental "Peaches And Diesel", em que a guitarra de Eric "chora", exalando emoção e bom gosto durante toda sua execução, o que é de se esperar normalmente deste gênio. Um registro magnífico e que comprova a excelência desta lenda viva e que gravou seu nome na história de grandes músicos que já pisaram na terra.




1.Cocaine
2.Wonderful Tonight
3.Lay Down Sally
4.Next Time You See Her
5.We're All The Way
6.The Core
7.May You Never
8.Mean Old Frisco
9.Peaches and Diesel


Eric Clapton – Vocais, Guitarras
Marcy Levy – Backing Vocals
Yvonne Elliman – Backing Vocals
Carl Radle – Baixo
Mel Collins – Saxofone
George Terry – Guitarras
Jamie Oldaker – Bateria, Percussão
Dick Sims – Teclados


By Weschap Coverdale

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Eric Clapton - Orchestra Night [1990]


Sou fã de projetos de bandas de rock junto com orquestras. A fusão de música clássica com rock é uma das coisas mais sensacionais que existe, sendo dois ritmos com estruturas complexas e que se casam da maneira mais sensacional possível. E se colocarmos junto nessa mistura um pouco de blues? Ainda mais com um dos maiores guitarristas que já existiram na face da terra, o espetacular Eric Clapton? Foi isso que alguns sortudos tiveram chance de presenciar na noite de 10 de fevereiro de 1990, ao presenciarem essa lenda tocando com a Orquestra Filarmônica de Londres, e detonando clássico atrás de clássico em versões sensacionais.

E apesar de ser um bootleg dessa ocasião histórica, a qualidade é espetacular, gravado diretamente da mesa de som, sendo possível ouvir cada nuance da orquestra, os solos magníficos do "Slow hand", nos dando uma imensa vontade de ser um dos privilegiados que puderam ver este momento soberbo na história da música.

Destaques? Aqui tudo é destaque e exala perfeição, deixando atônito desde a primeira audição e encantando a cada segundo. Após uma bela introdução com "Layla Orchestra Intro Reprise", somos presenteados com uma versão sensacional de "Crossroads", que se já era grandiosa por si só, junto com a orquestra ganhou peso e uma presença inexplicáveis. "I Shot The Sheriff" ficou curiosa, com uma orquestra acompanhando um reggae, e que ficou muito legal por sinal.


Mas a presença da orquestra se mostra principalmente nos momentos mais intimistas e passionais deste registro, como na emotiva "Bell Bottom Blues", na lenta "Wonderful Tonight" (que ficou ainda mais intimista que a versão original) e em "Old Love", que ficaram ainda mais belas do que já eram. Nas instrumentais "Concerto For Electric Guitar 1st Movement" e "Concerto For Electric Guitar 2nd Movement / Band Introduction", podemos sentir o feeling desse monstro chamado Clapton, principalmente na segunda, onde ele rouba a cena em 16 minutos de viagem e justifica perfeitamente a frase "Clapton is god".

E encerrando este espetáculo, temos apenas os dois maiores clássicos da brilhante carreira de Clapton, primeiro na inspiradíssima versão de "Layla" com seus "apenas" 14 minutos de duração, e que deixa o seu apoteótico final ainda mais belo com a adição da orquestra ao fundo e fechando com chave de ouro temos "Sunshine Of Your Love", com referências a "Blue Moon", canção escrita nos anos 30 e regravada por muitos artistas.

Se você curte música bem feita e executada, ainda mais por um dos maiores músicos de todos os tempos, baixe esta pepita correndo!


Disco 1
01.Layla Orchestra Intro Reprise
02.Crossroads
03.Bell Bottom Blues
04.Lay Down Sally
05.Holy Mother
06.I Shot The Sheriff
07.Hard Times
08.Can't Find My Way Home
09.Edge Of Darkness
10.Old Love
11.Wonderful Tonight

Disco 2
01.White Room
02.Concerto For Electric Guitar 1st Movement
03.Concerto For Electric Guitar 2nd Movement / Band Introduction
04.Layla
05.Sunshine Of Your Love

Eric Clapton - Guitarras, Vocais
Phil Palmer - Guitarras
Alan Clark,Greg Phillinganes - Teclados
Nathan East - Baixo
Steve Ferrone - Bateria
Ray Cooper - Percussão
Tessa Niles, Katie Kissoon - Backing vocals
The National Philharmonic Orchestra regida por Michael Kamen.

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By Weschap Coverdale

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Cream - Discografia [1966 - 2005]

A segunda metade da década de 60 foi decisiva para o rock. O Reino Unido era o centro do mundo musical, e ali pipocavam bandas e álbuns fundamentais para o futuro do gênero. E em meio a toda essa efervescência britânica, nasceu o Cream, que junto ao Experience, criou as bases do hard setentista.

O nome do grupo vem da expressão "cream of the crop", usada para se referir ao que há de melhor. Ou seja, os caras seriam a nata da música inglesa. E é difícil dizer o contrário.

A história da banda começa a se desenhar em 65. Jack Bruce já era um baixista conhecido na época, e havia acabado de sair da Graham Bond Organization, na qual tocava o renomado baterista de jazz Ginger Baker. Os dois foram chamados por Eric Clapton para começar uma banda. Clapton estava explodindo com o Bluesbrakers de John Mayall, e já era chamado de melhor guitarrista da Inglaterra. Entretanto, sentia-se confinado no grupo do avô do blues britânico, e na sua busca por abertura musical juntou dois dos melhores músicos da época para formar o maio power-trio do rock.

O Cream tinha um estilo muito próprio. O som tinha um pouco de rock do começo da década com pitadas de jazz e muita psicodelia. Mas a base de tudo era o blues. Tanto que boa parte dos sucessos do grupo são leituras de clássicos tradicionais do estilo. Jack Bruce é um baixista competente e um compositor de rara criatividade, além de ótimo vocalista. Clapton supera a timidez através dos álbuns e aos poucos vai assumindo parte dos vocais. Mas nem precisaria; o cara, como sempre, mostra-se um gênio das guitarras. Baker é um dos melhores bateristas da história, e marca forte presença com um estilo jazz que influenciou muita gente que veio depois.

O trio era também conhecido por suas incríveis apresentações, sendo influente para a história de jam bands como o Allman Brothers e o Grateful Dead.

A banda esteve em atividade de 1966 a 68. Fizeram sucesso estrondoroso na época, e juntamente com o Experience de Jimi Hendrix, popularizaram o wah-wah, definiram um gênero e praticamente prepararam tudo para o surgimento do hard rock. A partir de 68, conflitos entre Baker e Bruce, além do descontentamento de Clapton com os rumos do grupo, acabaram dando fim ao Cream.

Eric Clapton e Ginger Baker ainda formariam depois o Blind Faith. O resto da história do slow hand todo mundo sabe. Baker criou uma sólida carreira solo, além de tocar com nomes como Fela Kuti e Paul McCartney, em bandas como Hawkwind e até na stoner Master of Reality. Jack Bruce seguiu no jazz em uma versátil carreira solo.

Em 1993, a banda se reuniu para a premiação do Rock and Roll Hall of Fame, abrindo caminho para uma reunião final em 2005, com vários shows e um album ao vivo. No mais, aqui tem uma coleção de sucessos de crítica e público, importantíssimos para a história do rock. Acervo essencial pra qualquer fã de rock e blues. Lá vai!

Fresh Cream [1966]
No fantástico debut do trio está mais evidente a influência do rock do começo da década, ou seja, as faixas tem muito de Beatles. Mas, trantando-se de Cream, é óbvio que aqui mora o blues. Os destaques ficam para as bluezeiras "Sleepy Time Time" e "Spoonful" (de Willie Dixon, aqui com todo o peso de Ginger Baker), para as mais rock "I Feel Free" (de uma empolgante pegada soul), "N.S.U" e "I'm So Glad", e para a ótima "Toad", com seu incrível solo de bateria, que abertamente inspirou John Bonham em Moby Dick. O disco teve boa recepção: chegou às paradas britânicas e criou uma enorme expectativa em torno do grupo.

01. I Feel Free
02. N.S.U.
03. Sleepy Time Time
04. Dreaming
05. Sweet Wine
06. Spoonful
07. Cat's Squirrel
08. Four Until Late
09. Rollin' And Tumblin'
10. I'm So Glad
11. Toad
12. TheCoffee Song
13. Wrapping Paper
Disraeli Gears [1967]
Clássico! Disraeli Gears é a obra prima do Cream. 67 era o ano da psicodelia, com bandas como Experience, Pink Floyd, Jefferson Airplane e até os Beatles lançando trabalhos que se enquadravam no mar de cores e drogas da época. Aquele som jovem que se ouvia em "I Feel Free" dá lugar a riffs pesados e loucura psicodélica. A capa é assinada por Martin Sharp.

Os destaques ficam com a enérgica "SWLABR", com a caótica "We're Going Wrong" e com as bluezeiras "Outside Woman Blues" e "Strange Brew", sendo essa última uma leitura do blues tradicional "Lawdy Mama". Leitura que Clapton considera até hoje "pop demais". E é impossível não citar a épica "Tales of Brave Ulysses" (com o slow hand destruindo tudo no Cry Baby) e o clássico máximo do Cream: "Sunshine of Your Love", que combina um dos riffs mais legais do rock com um belo dueto de Jack Bruce e Eric Clapton.

Um dos melhores álbuns da história, sem dúvida.

01. Strange Brew
02. Sunshine Of Your Love
03. World Of Pain
04. Dance The Night Away
05. Blue Condition
06. Tales Of Brave Ulysses
07. SWLABR
08. We're Going Wrong
09. Outside Woman Blues
10. Take It Back
11. Mother's Lament
Wheels of Fire [1968]
Depois do sucesso do Disraeli Gears, com egos e gostos musicais em conflito, os três músicos lançaram o terceiro trabalho do Cream, e o que mais flerta com o blues. O álbum é duplo, e foi lançado em duas versões: uma em estúdio e outra ao vivo.

O primeiro disco, gravado em estúdio, é cheio de boas faixas, mas os destaques ficam com a excêntrica "Politician", a fantástica bluezeira "Born Under a Bad Sign" e a maravilhosa "White Room", na qual Clapton ataca novamente com um cry baby de arrepiar a espinha.

O segundo, ao vivo, traz a antológica versão de "Crossroad Blues" de Robert Johnson, com um arranjo empolgante e um solo indescritível de Clapton. Essa versão, extremamente influente no rock, ganhou o nome de "Crossroads". Tem ainda uma boa execução de "Spoonful" e Jack Bruce detonando com a gaita em "Traintime". O enorme solo de bateria de "Toad" aqui presente é considerado um dos melhores da história do instrumento.

Outro clássico, Wheels of Fire é o último grande álbum do Cream.

Disco 1
01. White Room
02. Sitting on Top of the World
03. Passing The Time
04. As You Said
05. Pressed Ratand Warthog
06. Politician
07. Those Were The Days
08. Born Under a Bad Sign
09. Desert Cities of The Hearts

Disco 2
01. Crossroads
02. Spoonful
03. Train Time
04. Toad

Participação:
Felix Pappalardi - viola, órgão, metais

Goodbye [1969]

Goodbye foi lançado depois do fim do Cream. As três primeiras faixas são performances ao vivo de clássicos do grupo. Das inéditas, destaque para "What a Bringdown" e "Badge", canção de Clapton em parceria com George Harrison. O beatle ainda participou da gravação com vocais de apoio e guitarras. "Badge" é uma das melhores composições da carreira do slow hand.

Último trabalho de estúdio do Cream, marcou literalmente o adeus do grupo. Mas ainda viriam alguns lançamentos ao vivo.

01. I'm So Glad
02. Politician
03. Sitting On Top Of The World
04. Badge
05. Doing That Scrapyard Thing
06. What A Bringdown

Participações:
Felix Pappalardi - piano, baixo
L'Angelo Misterioso (George Harrison) - guitarra base e vocais de apoio

Live Cream [1970]
Live Cream foi lançado após o término das atividades da banda. Aqui é possível comprovar a enorme habilidade dos três músicos no palco. Com 4 faixas ao vivo, registradas em São Francisco no ano de 1968, Live Cream oferece quase 40 minutos de jams. A última música é "Lawdy Mama" em sua versão mais crua, arranjada por Eric Clapton e gravada em estúdio. O disco teve boa recepção, e chegou às paradas dos EUA e do Reino Unido.

01. N.S.U.
02. Sleepy Time Time
03. Sweet Wine
04. Rollin' and Tumblin'
05. Lawdy Mama
Live Cream Vol. 2 [1971]
Outro excelente disco ao vivo, Live Cream Vol. 2 é mais uma mostra do virtuosismo dos três britânicos. Jams indescritíveis se prolongam pelo álbum, com destaque para o enorme improviso em "Steppin' Out", para o wah-wah insano de Eric Clapton em "Tales of Brave Ulysses" e para a incrível versão de "Sunshine of Your Love". E não tem como não falar do que Ginger Baker faz aqui, aliás, em qualquer play ao vivo. Ele simplesmente toma conta de tudo em vários momentos, em uma verdadeira aula de bateria. As três primeiras faixas foram gravadas em Oakland em 68, e o restante na mesma série de shows do Live Cream Vol. 1, em São Francisco. Live Cream Vol. 2 também teve boa recepção, atingindo mais uma vez as paradas de EUA e Reino Unido.

01. Deserted Cities of the Heart
02. White Room
03. Politician
04. Tales of Brave Ulysses
05. Sunshine of Your Love
06. Steppin' Out
The Alternative Album [1992]
Mais como uma peça de colecionador, o Alternative Album do Cream é uma compilação de trabalhos de estúdio em 66 e 67 que nunca haviam chegado ao público. Outros takes do Fresh Cream juntam-se a demos e faixas excluídas do Disraeli Gears, além de até uma trilha feita para uma propagana de cerveja, a "Fallstaff Beer". Destaque para "Lawdy Mama", que é a base de "Strange Brew", para a divertida versão alternativa (e sem letra) de "I Feel Free" e para a demo de "White Room", cujas guitarras não tem wah-wah. O disco é um tanto quanto underground e foi lançado em 1992.

01. Lawdy Mama
02. Rollin' And Tumblin
03. Sweet Wine
04. Cat Squirrel
05. The Coffe Song
06. Toad
07. You Make Me Feel
08. Wrapping Paper
09. Fallstaff Beer
10. I Feel Free
11. White Room

BBC Sessions [2003]
Compilação de faixas gravadas nos estúdios da BBC em Londres, de outubro de 66 a janeiro de 68. São 22 músicas e 4 entrevistas com Eric Clapton. As versões tem duração padrão, sem jams. Assim, serve mais como um "best of" ou outra peça de colecionador.

01. Sweet Wine
02. Eric Clapton Interview
03. Wrapping Paper
04. Rollin' And Tumblin'
05. Steppin' Out
06. Crossroads
07. Cat's Squirrel
08. Traintime
09. I'm So Glad
10. Lawdy Mama
11. Eric Clapton Interview 2
12. I Feel Free
13. N.S.U.
14. Four Until Late
15. Strange Brew
16. Eric Clapton Interview 3
17. Tales Of Brave Ulysses
18. We're Going Wrong
19. Eric Clapton Interview 4
20. Born Under A Bad Sign
21. Outside Woman Blues
22. Take It Back
23. Sunshine Of Your Love
24. Politician
25. SWLABR
26. Steppin' Out

Royal Albert Hall - London, May 2-3-5-6 2005 [2005]
IMPERDÍVEL! Reunião definitiva do Cream em uma série de concertos no majestoso Royal Albert Hall. Os três agora senhores detonam tudo num live delirante que remeta aos bons anos: performances empolgantes e cheias de improvisos. O som está ótimo, o set é o melhor possível e o grupo está afiadíssimo. Não dá para fazer destaques, só dizer que é simplesmente de arrepiar. É a conclusão perfeita da carreira de uma das maiores bandas que já existiram.

Disco 1
01. I'm So Glad
02. Spoonful
03. Outside Woman Blues
04. Pressed Rat & Warthog
05. Sleepy Time Time
06. N.S.U.
07. Badge
08. Politician
09. Sweet Wine
10. Rollin' & Tumblin'
11. Stormy Monday

Disco 2
01. Deserted Cities of the Heart
02. Born Under A Bad Sign
03. We're Going Wrong
04. Crossroads
05. Sitting On Top of the World
06. White Room
07. Toad
08. Sunshine of Your Love


O Cream é um dos grupos mais importantes do rock, fundamental para a formação de tudo que veio depois no gênero. Pouca gente chegou ao patamar desse que foi o maior power-trio que o mundo já viu: o patamar da música atemporal. Não perca por nada!

Jack Bruce - baixo, piano, teclado, órgão, gaita e vocais
Eric Clapton - guitarra e vocais
Ginger Baker - bateria, percussão vocais de apoio

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Jp

sábado, 29 de maio de 2010

Derek and the Dominos - Layla and Assorted Love Songs [1970]


Um cara perdidamente apaixonado pela a esposa do melhor amigo e que lutava contra tais sentimentos durante muito tempo, juntando a esta obsessão drogas e álcool. A paixão era tão avassaladora que para tentar esquecer o amor de sua vida, o mesmo tentou uma paixão com a irmã de sua amada, o que não resolveu em nada, pois não era com ela que ele gostaria de estar. Junte a isso a perca de um seus melhores amigos. Situação nada fácil não...

Nessa situação que o Slow hand se encontrava. Perdidamente apaixonado por Patty Boyd, que era esposa de George Harrison (sim aquele mesmo que você está pensando! rsrs), seu melhor amigo. E ainda com a perda de outro amigo e inspiração para ele, o grande Jimi Hendrix. Podemos dizer que Clapton estava realmente em um mato sem cachorro.

Ao invés de ficar resmungando, para nossa sorte, ele decidiu afogar as mágoas gravando um álbum. Juntando a line-up do projeto Delaney, Bonnie & Friends, projeto que ele participou após o fim do Blind Faith, e que tinha como integrantes Carl Radle no baixo e Jim Gordon na bateria, Clapton começa a fazer jams e tocar em pequenos bares na Inglaterra, apenas pela paixão de tocar e sem se identificarem para pequenas platéias.

Após este período tocando em pubs, a banda viaja para o outro lado do Atlântico, especificamente em Miami, para dar inicio a gravação de seu primeiro disco. Ao chegarem lá, se aperceberam de que tinham pouco material em mãos, estando entre esse material a magistral Layla, que ainda estava incompleta. Isto mudaria devido a intervenção de Tom Dowd, um produtor que já havia trabalhado com Clapton na época do Cream. O mesmo também era produtor do Allman Brothers, que tinha Duane Allman, profundo admirador de Clapton. Em dos intervalos das gravações do álbum, Dowd e Clapton foram conferir uma apresentação beneficente do Allman Brothers que estava ocorrendo na cidade, e ao observar a liderança e presença de palco de Duane, Clapton se fascina e após iniciar uma amizade com ele, ali mesmo no final do show, o convida para participar da gravação do disco que estava ocorrendo, o que foi aceito prontamente.

Duane Allman

Com esta formação que pode ser considerada a melhor que Clapton já trabalhou, somos brindados com uma maravilhosa obra de arte, um disco que transpira um amor proibido e feroz que dominava o coração de um homem obcecado por este. E podemos perceber isso já de cara com a música de abertura “I Looked Away”, em que Clapton já se entrega de cara com os versos: "E se parecer um pecado, amar a mulher de outro homem, baby, acho que vou continuar pecando, amá-la, Senhor, até meu último dia". Com certeza mais direto que isso é impossível.

Após esse início, temos 77 minutos de entrega e mais declarações descaradas de amor para sua amada Layla em canções extasiantes como na baladaça “Bell Bottom Blues”, na guitarristica “Keep On Growing”, onde temos Allman e Clapton inspiradíssimos, lembrando os melhores momentos do Allman Brothers. O blues, tão latente na veia de Clapton, aparece pela primeira vez na triste “Nobody Knows You When You're Down and Out”.

Mais não para por aí. Em “Key To The Highway” temos quase uma Jam, em que Allman e Clapton duelam em solos cheios de felling e bom gosto, em seus quase 10 minutos, onde não tem como não se emocionar com o pequeno show dado pelos dois. “Have You Ever Loved a Woman” é mais uma aula de blues, em que Clapton mais uma vez derrama seu coração e nos declama o seguinte: “Você já amou uma mulher, e você sabe que não pode deixá-la sozinha? Alguma coisa dentro de você, não te deixa arruinar a casa do seu melhor amigo”. Aqui podemos perceber o quanto o mesmo estava confuso sobre o que deveria fazer naquele momento. E temos uma homenagem emocionante ao seu recém-falecido amigo Jimi Hendrix em “Little Wing” que faz qualquer despreparado verter em lágrimas.


Mas com certeza o maior momento vem na inigualável “Layla” que é dedicada a Patty Boyd. Em seu início, já somos presenteados com um baita de um riff executado com maestria por Duane Allman, que nos prepara para sete minutos de emoção, onde temos mais uma declaração de amor desesperada de Clapton, em acordes explosivos em seu início, que depois se transforma em uma bela marcha nupcial em seu final apoteótico. Desafio não se emocionar e não sentir um frio na barriga ao escutar os belos solos transpostos ao piano, guitarra, baixo e bateria. Algo de fazer qualquer um mais desatento se emocionar e deixar aquela lágrima cair no cantinho do olho (confesso que ao fazer esta resenha a escutei pelo menos umas 5 vezes repetidamente, sempre que a escuto sinto a mesma emoção de quando a escutei pela primeira vez).

Para aqueles que acham que Eric Clapton se resume apenas a Tears in Heaven, corram e vejam porque o mesmo é aclamado um dos maiores guitarristas de todos os tempos.

EXTREMAMENTE RECOMENDADO! E COM LUGAR DE DESTAQUE EM SUA DISCOGRAFIA BÁSICA!


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1.I Looked Away
2.Bell Bottom Blues
3.Keep on Growing
4.Nobody Knows You When You're Down and Out
5.I Am Yours
6.Anyday
7.Key to the Highway
8.Tell the Truth
9.Why Does Love Got to Be So Sad
10.Have You Ever Loved a Woman
11.Little Wing
12.It's Too Late
13.Layla
14.Thorn Tree in the Garden


Eric Clapton - guitarra e vocal
Bobby Whitlock - órgão, piano, vocal e violão
Jim Gordon - bateria, percussão e piano
Carl Radle - baixo e percussão
Duane Allman - guitarra (faixas 4 a 14)



By Weschap Coverdale

quarta-feira, 21 de abril de 2010

B.B. King & Eric Clapton - Riding with the King [2000]


No carro do B.B. King não tem mão inglesa, Eric Clapton [risos].

É com muita honra que hoje venho postar um disco antológico, com certeza um dos melhores da história do blues.

B.B. King é uma lenda viva. Nascido em 1925 no Mississipi, acompanhou as fases mais primordiais da formação do blues. Tornou-se famoso pelo seu estilo original e melódico, pelo seu vibrato inigualável e pela sua incrível voz grave. Influenciou praticamente todos os guitarristas que vieram depois, e é conhecido como o Rei do Blues.

Eric Clapton é um dos mais importantes guitarristas que já existiram. Influenciado por caras como Robert Johnson, Willie Dixon, Muddy Waters e o próprio B.B. King, o inglês apelidado de Slow Hand se tornou um grande nome na música integrando bandas como o John Mayall and the Bluesbrakers, The Yardbirds, Cream, Blind Faith e produzindo uma infinidade de grandes álbuns em uma famosíssima carreira solo.

E foi a dez anos que, depois de vários trabalhos ao vivo, os dois finalmente entraram juntos em estúdio. Disso saiu Riding with the King, um play poderoso e nostálgico que deixa qualquer bluezeiro arrepiado da cabeça aos pés.

O que se ouve aqui são dois mestres juntos resgatando o blues mais purista possível. Baixo, bateria e teclados fazem a cozinha clássica do estilo. As vozes dos dois combinam-se de forma fantástica, mas B.B. King destaca-se de forma absoluta com seus já citados vocais graves. Quanto às guitarras, não preciso dizer muito. Aqui é exibido todo o feeling desses monstros das seis cordas, num verdadeiro festival de pentatônica. Ainda é importande dizer que houve a participação de Doyle Bramhall II, Jimmie Vaughan e Andy Fairweather-Low nas guitarras.

O álbum todo é uma aula de blues. Mas seria um sacrilégio não colocar em destaque faixas como a faixa título, Key to the Highway, Days of Old (que te leva para um clube de música negra dos anos 40) e Hold On I'm Coming.

Enfim, Riding with the King é o melhor disco de blues dos últimos anos. Um trabalho memorável de dois gigantes do estilo e um download essencial pra qualquer ser humano com bom gosto musical.

01. Riding with the King
02. Ten Long Years
03. Key to the Highway
04. Marry You
05. Three O' Clock Blues
06. Help the Poor
07. I Wanna Be
08. Worried Life BLues
09. Days of Old
10. When my Heart Beats Like a Hammer
11. Hold On, I'm Coming
12. Come Rain or Come Shine

B.B. King - guitarra, vocais
Eric Clapton - guitarra, vocais
Doyle Bramhall II - guitarra, vocais de apoio
Andy Fairweather-Low - guitarra
Jimmie Vaughan - guitarra
Joe Sample - piano
Tim Carmon - órgão
Nathan East - baixo
Steve Gadd - bateria
Paul Waller - arranjo de cordas
Susannah e Wendy Melvoin - vocais de apoio

(links nos comentários - links on the comments)

Jp


sexta-feira, 9 de abril de 2010

Eric Clapton & Steve Winwood - Live From Madison Square Garden [2009]

Muita mudou nos últimos 40 anos. A Alemanha se unificou, o AC/DC trocou de vocalista, R&B agora é Hip-Hop. Mas, como prova o disco que posto hoje, Eric Clapton e Steve Winwood continuam músicos sublimes.

Falar de Eric Clapton é difícil, pois poucas palavras são dignas dessa lenda viva do blues. Clapton está entre os maiores guitarristas da história, condição adquirida tocando no Bluesbreakers de John Mayall, no Yardbirds, no Cream, no Blind Faith e principalmente em uma carreira solo brilhante.

Steve Winwood é um multiinstrumentista dono de uma das mais belas vozes do rock. Passou por várias bandas, como o Spencer Davis Group e Go, mas é conhecido internacionalmente como líder do Traffic e vocalista do Blind Faith.

E foi para comemorar o aniversário de 40 anos do álbum do Blind Faith que os dois se reuniram em uma turnê histórica que resultou nesse registro magnífico, gravado no majestoso Madison Square Garden em Nova Iorque.

Se essa parceria gerou um clássico do rock em 69, agora ela gera um live impecável. Os dois senhores estão inspiradíssimos. Clapton é aquele velho monstro da guitarra, fazendo com que todos os solos sejam inacreditáveis. Winwood, apesar de também tocar guitarra com pegada, se destaca mesmo nas teclas, além de cantar muito, como sempre. Aliás, os dois revezam os vocais de maneira muito interessante, como pode ser notado no refrão de Presence of the Lord.

Uma curiosidade sobre o repertório é que Clapton escolheu as músicas favoritas da carreira de Winwood, e vice-versa. E bem, que repertório! O primeiro disco abre com o genial hard Had To Cry Today, passa por blues e mais blues até chegar à linda Presence of the Lord e seu antológico solo de wah-wah, depois a mais faixas incríveis como Double Trouble e Well Alright.

O segundo disco é indescritível. Aqui estão os clássicos de Clapton* Cocaine e After Midnight, a fantástica Dear Mr. Fantasy do Traffic e dois covers inacreditáveis de Jimi Hendrix: uma emocionante versão de Little Wing e uma mais bluezeira e cheia de solos de Voodoo Chile. Além disso, aqui estão duas brilhantes faixas solo. Clapton toca Rambling On My Mind, clássico absoluto de Robert Jonhson, e Winwood arrebenta no Hammond com Georgia On My Mind, linda música eternizada por Ray Charles. E não podemos esquecer de Can't Find My Way Home, emocionante, harmoniosa, enfim, próxima da perfeição.

Concluo dizendo que esse álbum duplo é antológico. Qualquer fã de Blind Faith, Eric Clapton, Steve Winwood e música vai se apaixonar por ele. Um registro que vai ficar para a história e que pessoas vão ouvir mesmo daqui a 40 anos, com certeza. Baixe!

CD 1
01. Had To Cry Today
02. Low Down
03. Them Changes
04. Forever Man
05. Sleeping in the Ground
06. Presence of the Lord
07. Glad
08. Well All Right
09. Double Trouble
10. Pearly Queen
11. Tell The Truth
12. No face, No Name, No Number

CD 2
01. After Midnight
02. Split Decision
03. Rambling On My Mind
04. Georgia On My Mind
05. Little Wing
06. Voodoo Chile
07. Can't Find My Way Home
08. Dear Mr. Fantasy
09. Cocaine

Eric Clapton - guitarra, vocais
Steve Winwood - órgão, piano, guitarra, vocais
Chris Stainton - teclados
Willie Weeks - baixo
Ian Thomas - bateria

(links nos comentários - links on the comments)

Jp

*Cocaine e After Midnight, apesar de eternizadas por Clapton, são do JJ Cale.