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quinta-feira, 30 de junho de 2011

Warren Haynes – Man in Motion [2011]



O Marathon Man excursiona e grava com a The Allman Brothers Band, Gov’t Mule, The Dead (aka Grateful Dead), faz participações especiais em gravações e shows da brodagem e ainda arruma um tempo pra gravar disco solo (e duplo!). Isso tudo com o melhor timbre de guitarra que existe na atualidade e vocais absurdamente cheios de feeling.

De onde você é, brother Haynes? Que pilhas você usa?

Não é de hoje que vitalidade e a criatividade de Warren Haynes me surpreendem. Mas o que cativa é a sua sinceridade. Quem mais conseguiria segurar uma platéia do tamanho da de Boonaroo somente com um violão? Só alguém em que a massa realmente acredite. E Haynes é o messias do rock. Ele tem uma mensagem: seja você mesmo/ faça o que você curte, e todos te amarão.

O post de hoje é o último disco solo de Haynes, Man in Motion, que traduz o espírito inquieto do americano no seu inconformismo com o cenário musical que compõe. O track list traz pérolas do rock, do soul e do blues, formadas por composições próprias que não são menos que espetaculares. O disco já nasce um clássico.

A propósito, é impressionante como o resgate a velhos timbres e métodos de composições pode parecer fresco nos dias de hoje. Quando todos os timbres de guitarra têm a busca pelo peso em camadas de overdubs, Haynes é adepto do bom sistema plug and play, que resume o set a um amp valvulado e uma guitarra. Quem não consegue tirar som com o simples, nunca conseguirá tirar com equipamento complexo. E na simplicidade, Haynes é mestre.



Produzido por Gordie Johnson, que também produziu os dois últimos discos do Mule, penso que este play traga o melhor trabalho vocal de toda a carreira de Haynes. Trabalho que conta com a ajuda mais que bemvinda de Ruthie Foster. Ian Neville também ajuda no gogó, e o resultado é bom demais.

O play abre com a autoral Man in Motion, que traz o velho Warren Haynes de guerra com seus riffs de guitarra em double stop e um Hammond sem vergonha fazendo a cama. Imagine o groove dos Almann Brothers com a cama do Mule. Não sei explicar, mas é Warren Haynes em sua essência. River’s Gonna Rise poderia tranquilamente ser trilha sonora de um filme do Steve McQueen. Mezzo funk, mezzo rock, é o clima perfeito pra rodar no carango pelo centro da cidade vazia às 6 da matina. Os já elogiados vocais agora ganham destaque e força na mixagem.



Everyday Will Be Like a Holiday é um blusão de fazer marmanjo chorar. Como é que ainda sai tanto som bom dessa cachola é um dos enigmas da humanidade. Gênio total. Que se revela também na engraçada Sick of My Shadow, pois os diálogos de sax com guitarra encharcada de wah wah demonstram um cara que gosta de compartilhar os holofotes. Ele, definitivamente, não tem vocação para ser diva do rock. É honesto demais pra isso (olha a honestidade de novo). E o cd 1 encerra com Wildest Dreams e seu pianão com harmonias divinas.

O cd 2 abre com On a Real Lonely Night e seu riff de 6 notas ascendentes e clima de jam session. Segue Hattiesburg Hustle, que lembra um Gov’t Mule vitaminado com apelo pop. Mas não aquele pop grudento. Mas é feita pra tocar na (web) radio, pois tem um embalo muito bom de curtir.



A Friend to You mostra porque Ron Holloway foi convidado para o disco. A abertura, com solo de sax, cria a tensão necessária para a guitarra Hendrix que vem depois. E segue Take a Bullet e seu estilo Wilson Picket. Tente não lembrar de Midnight Hour naquele começo. É o clima rithm n’ blues e soul que permeia pelo disco todo. Essa é das minhas preferidas.

Agora, Save Me é de arrepiar. O encerramento do disco é uma das baladas mais lindas que já ouvi. A dinâmica do piano (e não um teclado com timbre de piano) traz um calor especial à canção. E Warren Haynes aproveita esse calor para fazer um de seus vocais característicos e cheios de feelin’.

Um disco de um músico completo, com uma inesgotável capacidade de criar músicas maravilhosas. Eu me impressionei, mesmo imaginando que seria mais do mesmo. Não é.

Track List

Disc 1
1. Man in Motion
2. River’s Gonna Rise
3. Everyday Will Be Like a Holiday
4. Sick of My Shadow
5. Your Wildest Dream

Disc 2
1. On a Real Lonely Night
2. Hattiesburg Hustle
3. A Friend to You
4. Take a Bullet
5. Save Me

Warren Haynes (guitarras e vocais)
George Porter Jr (baixo)
Ian Neville (orgão, clavinete e backing vocais)
Ian McLagan (Wurlitzer e piano)
Raymond Weber (bateria)
Ron Holloway (sax tenor)
Ruthie Foster (backing vocais)

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Por Zorreiro

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Warren Haynes – Live at Bonnaroo [2004]


Se você acredita que Clapton é deus.

Se você acha que Kotzen é gênio.

Se você argumenta e defende a criatividade de Malmsteen.

Então você DEVE conhecer Warren Haynes. Eleito o 23º maior guitarrista de todos os tempos pela revista Rolling Stone, o homem é um dos músicos mais prolíficos da história do rock.

Haynes começou profissionalmente tocando na banda de David Allan Coe no início dos anos 80, quando foi apresentado a Dickey Betts (The Allman Brothers Band). Em 1987 os Allman Brothers estavam dando um tempo, e Betts gravava um álbum com sua banda The Dickey Betts Band, quando chamou Haynes para ajudar na empreitada. Em 1988 saiu Pattern Disruptive.

A dupla de guitarristas funcionou e, na reunião da The Allman Brothers Band, em 1989, não deu outra: Warren Haynes ocupou o lugar que um dia foi do grande Duane Allman. Com os Allman Brothers gravou diversos discos e, em 1994, formou o Gov’t Mule com o batera Matt Abts (The Dickey Betts Band) e o baixista Allen Woody (The Allman Brothers Band).



Como a agenda apertava, decidiu deixar os Allman Brothers para se dedicar ao Gov’t Mule. Nunca negou uma boa Jam Session ou uma apresentação solo, mostrando-se incansável e prolífico. Tanto que, atualmente, toca na The Allman Brothers Band, no Gov’t Mule e no The Dead (aka Grateful Dead), sendo considerado o próprio Marathon Man (assim chamado por seus amigos conforme a revista Guitar World).



O post de hoje é a gravação de um show solo de Warren Haynes no Bonnaroo Music Festival, ocorrido em Manchester, Tennessee, em 2003 e lançado oficialmente em 2004. A apresentação se deu no palco principal, no domingo à tarde, no dia seguinte após ele ter sido a atração final com os Allman Brothers. Segundo o site do próprio Haynes, a produção do festival lhe deu carta branca para tocar o que quisesse. O alto astral do show é latente.


Festival de Bonnaroo - ótimo pra segurar só com uma viola!


O set list foi variado, tendo músicas do Gov’t Mule (Beautifully Broken e Fallen Down) e The Allman Brothers Band (Soulshine, com a presença do vocalista sulafricano Vusi Mahlasela como convidado especial). Tem a inédita Forever More (que sequer havia sido gravada antes) e os inusitados covers de Radiohead (Lucky), U2 (One), Grateful Dead (To Lay Me Down) e Ray Sisk (Glory Road), que mostram o ecletismo de Haynes e o vocabulário de um músico completo, capaz de segurar uma platéia de milhares de pessoas apenas com seu violão ou com sua guitarra plugada em um amplificador bem timbrado.



É difícil destacar algo especificamente. Sugiro que você convide sua(seu) parceira(o) para jantar, sirva um bom vinho e coloque o som pra rolar. Tente, depois, definir pontos altos e baixos do disco, se for capaz e ainda estiver focado no som - se é que me entende... Obra de gênio.

Track List

1. Lucky (C. Greenwood, J. Greenwood, Selway, Yorke)
2. Patchwork Quilt (Haynes)
3. To Lay Me Down (Garcia, Hunter)
4. Glory Road (Sisk)
5. The Real Thing (Haynes)
6. One (Bono)
7. In My Life (Haynes)
8. I'll Be The One (Haynes)
9. Fallen Down (Haynes)
10. Forevermore (Haynes)
11. Beautifully Broken (Haynes, Louis)
12. I've Got Dreams To Remember (O. Redding, Z. Redding, Rock)
13. Tastes Like Wine (Haynes)
14. Wasted Time (Henley, Frey)
15. Stella Blue (Garcia, Hunter)
16. Soulshine (Haynes) – (participação especial Vusi Mahlasela)

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Por Zorreiro

terça-feira, 13 de julho de 2010

Warren Haynes - Tales Of Ordinary Madness [1993]


Há pouco menos de um ano eu estreava na Combe postando esse álbum. Algumas semanas depois a postagem caiu e eu nunca me precupei em refazer. Mas hoje, tomando vergonha na cara depois tanto tempo sem postar, trago de volta um dos melhores discos de blues rock que eu já ouvi.

Warren Haynes é o fundador do Gov't Mule, umas das melhores bandas de southern/blues rock dos últimos tempos. Dono de um estilo bluezeiro forte, com muito groove e habilidade no slide, foi considerado o 23º maior guitarrista de todos os tempos pela Rolling Stone. Além disso, ele é membro da Allman Brothers Band há mais de 20 anos, sem mais.

Em 1993, lançou seu primeiro álbum solo: Tales of Ordinary Madness (homônimo do livro do grande Charles Bukowski e do filme de Marco Ferreri).

A proposta do disco é simples: blues rock cheio de groove, com influências que passam por southern, hard, funk e soul. Um enorme time de instrumentistas afiadíssimos trabalha em conjunto com as guitarras e a bela voz de Haynes, que aumenta o peso do soul presente no play. As guitarras são o grande destaque, com riffs de uma pegada alucinante e solos criativos que realmente dificultam descrições.

As melhores faixas são "Fire In The Kitchen", "Kiss Tomorrow Goodbye", "I'll Be The One", "Tatoos And Cigarettes" e "Sister Justice", que tem um dos riffs mais empolgantes que eu já ouvi. Mas esse é um play pra ouvir do começo ao fim.

O álbum teve boa recepção de público e crítica, e é mais um na galeria de grandes trabalhos do guitarrista. Blues rock do nível que pouca gente consegue atingir. Confira!

01. Fire In The Kitchen
02. Kiss Tomorrow Goodbye
03. Movers And Shakers
04. I'll Be The One
05. Blue Radio
06. Invisible
07. Sister Justice
08. Angel City
09. Tattoos And Cigaretts
10. Power And The Glory
11. Broken Promised Land

Warren Haynes - guitarra, vocais
Chuck Leavell - piano, órgão hammond e teclados
Michael Rhodes - baixo
Greg Morrow - bateria
Steve Holly - bateria
Marc Quiñones - percussão
Johnny Neel - órgão hammond, piano
Randall Bramblett - saxofone
Jeff Young - órgão
Bernie Worrell - órgão
Lincoln Schleifer - baixo sem trastes
Juanita Flemister e Alfreda Gerald - vocais de apoio

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