
O disco “pouser”. Embora o próprio Madman não se sinta muito confortável com essa fase de sua carreira – quando resolveu virar uma mistura de Hebe Camargo com Cid Guerreiro, em termos visuais – The Ultimate Sin possui uma verdadeira legião de admiradores ao redor do mundo. Talvez o próprio fato do autor da obra o marginalizar, até certo ponto, tenha acabado por conferir esse status de cult. Com Ozzy ainda pegando pesado nas substâncias químicas, o trabalho passou por uma série de mudanças durante sua concepção. A começar pelo título do álbum, que inicialmente seria Killer of Giants, mas foi trocado em cima da hora pela equipe promocional.
Outras substituições ocorreram na banda, que inicialmente teria a cozinha formada por Bob Daisley e Jimmy DeGrasso. A dupla chegou a registrar as demos, mas acabou saindo após desentendimentos (mais um do baixista com Sharon) contratuais. Bob chegou a participar da composição de oito das nove faixas, mas não foi creditado na prensagem original por pura birra da dona da bola. Em edições posteriores, isso foi corrigido. Em seus lugares entraram Phil Soussan e o agora saudoso Randy Castillo, que dava início a uma parceria de três álbuns de estúdio mais gravações ao vivo com o grupo.
Falando em parcerias, essa seria a última contribuição do exímio guitarrista Jake E. Lee, que até hoje conta com uma grande leva de admiradores com sua técnica refinada e estilo todo próprio. Mostrando capacidade de mesclar sua sonoridade característica aos tempos que vivia a indústria, Ozzy conseguiu até mesmo emplacar um hit single, algo inédito para sua carreira até então. “Shot In the Dark” foi a única a não contar com Bob Daisley na composição, sendo de autoria de Phil Soussan, o que acabou gerando uma futura disputa judicial por questões de royalties. A música chegou ao número 68 no Hot 100 da Billboard, além da quarta posição na parada Rock Mainstream.
Também foram lançadas de maneira promocional a faixa-título (com a característica intro de bateria de Randy) e “Lightning Strikes”, com direito a videoclipes bem no espírito da época. Mas a qualidade do trabalho não se resume a essas. Pedradas como “Secret Loser”, a cadenciada “Never Know Why” e a quase nome do disco “Killer Of Giants” (resgatada na mais recente turnê) mostram que a inspiração estava em alta. Os músicos oferecem uma performance soberba, sem destaques individuais. E Ozzy é Ozzy, fazendo valer seu registro todo próprio. Alguns não gostam, é verdade, mas a história já se encarregou de colocar as coisas em seu devido lugar.
The Ultimate Sin obteve grande sucesso comercial, vendendo mais de dois milhões de cópias, garantindo o status de platina dupla, além do número 6 na parada de álbuns da Billboard. A excursão que promoveu o play contou com ninguém menos que o Metallica e Queensrÿche como atrações de abertura, além de ter dado ao Madman a honra de ser a atração principal do tradicional Castle Donington Monsters of Rock pela primeira vez, se apresentando ao lado de Def Leppard, Scorpions, Motörhead e Warlock. Se ele não gosta por causa da produção mais elaborada, azar do próprio, pois vale várias escutadas!
Ozzy Osbourne (vocals)
Jake E. Lee (guitars)
Phil Soussan (bass)
Randy Castillo (drums)
Special Guest
Mike Moran (keyboards)
01. The Ultimate Sin
02. Secret Loser
03. Never Know Why
04. Thank God For the Bomb
05. Never
06. Lightning Strikes
07. Killer of Giants
08. Fool Like You
09. Shot In the Dark
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