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segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Kiss - Carnival Of Souls: The Final Sessions [1997]


Observando as postagens da vertente alternativa do Rock, me perguntei e decidi compartilhar da mesma questão: e quando os monstros partem para o alternativo?

A turnê de divulgação para o álbum "Revenge", que culminou no lançamento do ótimo "Alive III" e ainda passou pela edição brasileira do Monsters Of Rock em 1994, marcou o início de um processo nostálgico no Kiss. Vários sons antigos que haviam sido deixados de lado estavam sendo incluídos no repertório, como "Watchin' You", "Got To Choose", "Makin' Love" e por aí vai. Alguns shows em pequenos clubs, com público seleto e seleção de canções predominantemente antigas, foram realizados. Logo após, houve o lançamento do tributo "Kiss My Ass", também prestando tributo ao passado. Por fim, o quarteto embarcou na Worldwide Kiss Convention Tour - outra turnê feita para pequenos públicos em eventos centralizados na história da banda mais quente do mundo, com os clássicos tocados em formato acústico. A ideia acabou no "MTV Unplugged", que divulgou ao mundo inteiro que a formação original estava de volta.

"Carnival Of Souls: The Final Sessions" foi gravado no meio dessa suruba. As sessões foram de novembro de 1995 até fevereiro de 1996, com a produção de Toby Wright, que já trabalhou com Alice In Chains, Korn e Slayer, entre outros. Por conta dos acontecimentos ocorridos naquela época, o álbum foi engavetado, mas por ser tão pirateado, o Kiss decidiu lançá-lo oficialmente.

Nenhuma divulgação foi feita, até porque a magia das máscaras e da formação original era (e ainda é) mais forte, e o foco do trabalho feito no momento não poderia ser desviado. O baterista Eric Singer, revoltado, alegou que nunca mais voltaria a tocar com a dupla dinâmica e se recusou a participar das coletivas que antecederam e sucederam o lançamento desse disco que é, de longe, o mais menosprezado da trajetória dos caras. Pagou língua, mas é a vida. (risos)

Da esquerda para a direita: Bruce Kulick, Paul Stanley, Eric Singer, Gene Simmons

Em suma, o play traz uma sonoridade densa, arrastada e pesada, que desdobra a proposta visceral já apresentada em "Revenge". O quarteto tentou se mostrar antenado nas propostas musicais em ascenção na época, que trazia extensões como o Grunge e o Rock Alternativo como "a onda do momento", e a influência do Alice In Chains e do Soundgarden é mais do que notória - é discrepante. Trata-se de mais um daqueles álbuns que são muito bons, mas que trazem pouco da consagrada identidade da banda que o fez. A reunião da formação original foi necessária, afinal o Kiss voltou ao topo novamente, mas, por parte da maioria dos fãs mais ferrenhos, há uma grande curiosidade do que essa formação, de qualidade musical exuberantíssima, poderia ter feito além dos dois lançamentos que a tiveram.

A abertura com "Hate", filha bastarda e rebelde de "Unholy" (do lançamento antecessor), traz riffs incrivelmente pesados de Bruce Kulick e vocais endiabrados de Gene Simmons, que voltou a assumir a alcunha de 'Demon' que outrora o consagrou. "Rain" dá sequência com uma levada cadenciada e arrastada - cortesia da bateria de Eric Singer -, porém apaixonante. "Master & Slave", uma das melhores aqui presentes, tem como destaque a poderosa voz de Paul Stanley, que cai bem até nas melodias mais "seattlescas".

"Childhood's End", composta por Simmons, Kulick e o atual guitarrista do grupo, Tommy Thayer, tem um refrão grudento e viciante, além de nuances melódicas apaixonantes e um básico porém ótimo solo de guitarra - single em potencial. "I Will Be There", única presente e belíssima balada, mostra um Stanley inspiradíssimo, imprimindo todo o seu feeling. O uso de violões de afinação mais grave e baixo fretless comprova que Bruce assumiu a maioria do instrumental sozinho não só aqui, mas ao decorrer da bolacha. "Jungle", que chegou a ser lançada como single e atingiu o top 10 das paradas Mainstream Rock da Billboard, retoma o peso com uma cozinha cavalar, guitarras poderosas e mais uma performance estonteante de Paul.



"In My Head", canção capitaneada por Gene com riff monstruoso e bateria rasgada, vem em seguida, juntamente de "It Never Goes Away", onde Paul solta o gogó como nunca, e "Seduction Of The Innocent", outro petardo de Simmons com refrão bem feito, mas com atmosfera bem dark. "I Confess" e "In The Mirror", apesar de conservarem bons instrumentais, são mais mornas e pouco incisivas, chamando pouca atenção. Porém a maior surpresa do álbum estava no fim: "I Walk Alone", composição de Bruce Kulick que teve sua voz como a principal, é uma das melhores das presentes. Andamento pesado mas envolvente e solo marcante. Um musicão.

Mesmo sem a divulgação que todo disco merece, "Carnival Of Souls: The Final Sessions" conquistou a 27ª posição nas paradas norte-americanas, perambulou por lá por quatro semanas (o menor tempo que um álbum do Kiss já esteve por lá, mas ao menos esteve por lá) e, como já relatado, emplacou "Jungle" nos charts especializados. No entanto permanece como um dos únicos, juntamente de "Music From The Elder" e "Sonic Boom" (este uma questão de tempo), a não conquistarem ao menos um disco de ouro na terra do Tio Sam. Mas, após tudo o que foi dito, é necessário salientar que a audição dessa pedrada é altamente recomendada?

01. Hate
02. Rain
03. Master & Slave
04. Childhood's End
05. I Will Be There
06. Jungle
07. In My Head
08. It Never Goes Away
09. Seduction Of The Innocent
10. I Confess
11. In The Mirror
12. I Walk Alone

Paul Stanley - vocal em 2, 3, 5, 6, 8 e 11; guitarra base
Gene Simmons - vocal em 1, 4, 7, 9 e 10; baixo
Bruce Kulick - vocal em 12; guitarra solo e base; violão de 6 e 12 cordas; baixo em 2, 5, 6, 8, 11 e 12; backing vocals
Eric Singer - bateria, percussão, backing vocals

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by Silver

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Kiss - Live At Columbus Civc Center (With Eddie Kanon) [1997]

Vou ficar devendo uma foto da line-up desse show (risos)

O mundo Kiss sempre foi dotado de muitas curiosidades que já foram reveladas (ou não). Uma das mais intrigantes é a ocorrida na noite de 5 de abril de 1997, no Columbus Civic Center da cidade de Columbus, Georgia.

A banda estava quase ao fim da turnê Alive/Worldwide, que marcou a reunião da formação original após 16 anos de separação, no meio da parte "Lost Cities" (cidades esquecidas), quando Peter Criss alegou fortes dores no braço. Como estava em cima da hora e desmarcar não era uma boa alternativa, eis que surge a idéia de colocar o técnico de bateria de Peter pra tocar: Eddie Kanon subiu ao palco, praticamente sem nenhum ensaio, com a make-up e os trajes de Catman, mas apresentado por seu próprio nome - era de se esperar o contrário, já que, segundo o Kiss, Peter tocou no "Dynasty" e no "Unmasked". (risos)

Apesar de um errinho aqui e outro errinho ali, Kanon mandou muito bem pra quem sequer ensaiou antes. De resto, tudo mais do que previsível: Paul Stanley cantando pra caralho e liderando o show, Gene Simmons mandando ver, Ace Frehley tocando muito (apesar de outros errinhos já esperados, hehe) e repertório mais do que excelente, com direito a "King Of The Night Time World" e "Let Me Go, Rock And Roll" bem no comecinho, "Love Gun" no miolo do concerto, a pouco tocada nessa turnê "C'mon And Love Me" e a ótima "New York Groove".

Mas o que me fez correr atrás desse registro foi a execução de "Black Diamond" que, na ausência de Peter Criss, foi cantada por Paul Stanley. Não é melhor nem pior que com Criss nos vocais, porque os tipos de voz sequer são os mesmos pra se poder comparar dignamente, mas a canção ficou simplesmente fantástica na voz do Starchild (como era de se prever), além de ser um fato histórico que só aconteceu anteriormente em 1976, durante um concerto em que Criss estava sem voz.

Pra finalizar, a bootleg está com ótima qualidade de áudio, pois o mesmo foi extraído da mesa de som (soundboard). E, oras, isso é Kiss!!! Não hesite em conferir essa pérola!

CD 1:
01. Deuce
02. King Of The Night Time World
03. Let Me Go, Rock And Roll
04. Do You Love Me?
05. Firehouse
06. Watchin' You
07. Shock Me
08. Ace Frehley Guitar Solo
09. Calling Dr. Love
10. Shout It Out Loud
11. Cold Gin

CD 2:
01. Love Gun
02. C'mon And Love Me
03. I Was Made For Lovin' You
04. Gene Simmons Bass Solo
05. God Of Thunder
06. New York Groove
07. 100,000 Years
08. Paul Stanley Guitar Solo
09. Black Diamond
10. Detroit Rock City
11. Rock And Roll All Nite

Paul Stanley - vocal, guitarra base
Gene Simmons - vocal, baixo
Ace Frehley - vocal, guitarra solo
Eddie Kanon - bateria

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by Silver